TEXTO ALUSIVO AO 60º ANIVERSÁRIO DE FALECIMENTO DO CAPITÃO LUCIANO JOSÉ BARRETO DO
COUTO
Diariamente, por diversas finalidades e em todas as unidades do Exército Brasileiro, os militares se
reúnem nos pátios de formatura. Local onde realizamos as cerimônias de incorporação e licenciamento,
onde aprendemos a marchar, onde prestamos o juramento de defender a Pátria com o sacrifício da
própria vida e onde aprimoramos nossa resistência física e mental, seja por meio da Ordem Unida, seja
por meio do Treinamento Físico Militar.
Nota-se que o Pátio de formaturas de uma Organização Militar é lugar de destaque, coração da
Unidade, onde os militares constroem laços de irmandade e celebram virtudes como honra, verdade e
lealdade. Por certo, todos os integrantes do Batalhão Agulhas Negras já pronunciaram e ouviram, por
incontáveis vezes, o nome Pátio de Formatura Capitão Luciano. No entanto, poucos conhecem a
trajetória de vida pessoal e profissional do militar que cede seu nome a este local. Assim, hoje, nos
reunimos para rememorar os feitos e compartilhar um pouco da história do Capitão Luciano José Barreto
do Couto.
Detentor de extensa linhagem militar que remonta ao Brasil Império, nasceu em 8 de outubro de
1925, no Estado do Rio de Janeiro, à época Distrito Federal do Brasil, filho do Sr José Barreto do Couto e
da Sra. Letícia Martins Ferreira do Couto, iniciou sua vida castrense em 13 de abril de 1943, quando foi
matriculado na Escola Preparatória de Porto Alegre, à época com dezoito anos.
Como aluno da Escola Preparatória foi elogiado por seu Comandante em três ocasiões: por sua
participação no desfile de 7 de setembro de 1943, pela condução da 2ª Companhia de Alunos nas
festividades do dia 7 de setembro de 1944 e pela atuação impecável nas atividades comemorativas da
Semana da Pátria de 1945.
Em 8 de março de 1946 foi transferido e matriculado no 3º ano da Escola Preparatória de São
Paulo, tendo, no ano seguinte, seguido para a Escola Militar de Resende, onde foi nomeado Cadete em
1º de março de 1947, e declarado Aspirante a Oficial da Arma de Infantaria em 15 de dezembro de
1949.
No dia 30 de janeiro de 1950, apresentou-se em sua primeira unidade, o 2º Regimento de
Infantaria, na Guarnição da Vila Militar e Deodoro, onde, foi promovido ao Posto de 2º Tenente.
Em 11 de abril de 1951, apresentou-se no 3º Regimento de Infantaria, na Guarnição de São
Gonçalo e, após poucos meses servindo naquela Unidade foi designado para organizar e chefiar a
Superintendência do Serviço de Polícia da Guarnição de Niterói e São Gonçalo, núcleo que deu origem
ao 22º Pelotão de Polícia do Exército, hoje localizado na Guarnição de São Gabriel da Cacheira, AM.
Ainda servindo no 3º Regimento de Infantaria, foi promovido ao Posto de 1º Tenente em 25 de
junho de 1952, e ao Posto de Capitão em 25 de dezembro de 1954.
Ao ser movimentado para o 24º Batalhão de Caçadores, em São Luiz do Maranhão, foi elogiado
pelo Sr Coronel Humberto Diniz Ribeiro, Comandante do 3º Regimento de Infantaria, onde é
referenciada sua destacada atuação no controle de distúrbios civis na Cidade de Campos, em
consequência da Greve Ferroviária que fazia parte da agitação social que ficou conhecida como Greve
dos 300 mil, movimento que buscava por fim ao Governo Vargas
Serviu no 24º Batalhão de Caçadores nos anos de 1955 e 1956, onde foi Presidente do CJM,
Conselho de Justiça Militar, responsável por julgar os processos de deserção e insubmissão na guarnição.
Em 1956 retornou ao 3º Regimento de Infantaria, em São Gonçalo, onde desempenhou as
seguintes funções:
Comandante da Companhia de Comando e Serviços;
Instrutor Chefe do Curso de Formação de Graduados;
Chefe da Comissão de Incorporação; e
Chefe da 1ª Seção;
Em 13 de maio de 1958, apresentou-se na Academia Militar das Agulhas Negras e passou a
desempenhar as funções de Chefe da Seção de Expediente da Divisão de Ensino e, em 9 de março de
1959, foi transferido para o Quadro Suplementar Privativo do Batalhão de Comando e Serviços da
AMAN, onde assumiu as funções de Chefe da 1ª Seção.
Em 1º de março de 1961, apresentou-se na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e após a
conclusão do Curso foi movimentado para o 2º Batalhão de Caçadores, na Guarnição de São Vicente, São
Paulo.
No 2º BC exerceu as funções de Instrutor Chefe do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva e
diretor do Curso de Formação de Cabos.
Em 13 de março de 1963, após nova transferência, apresentou-se pela segunda vez na Academia
Militar das Agulhas Negras, sendo designado Chefe da 1ª Seção do Batalhão de Comando e Serviços.
No dia 12 de fevereiro de 1964, quando em trânsito do Rio de Janeiro para Resende, sofreu
acidente rodoviário na região de Itaguaí, KM 52 da Rodovia BR/2. Nesse fatídico dia o Capitão Luciano e
mais 14 Cadetes vieram a falecer, deixando de maneira abrupta seus familiares e amigos.
Ao falecer, o Capitão Luciano deixou Esposa, a Sra. Therezinha do Menino Jesus Neves do Couto e
quatro filhos, hoje presentes nesta cerimônia, O Sr. Antônio Carlos Neves do Couto, a Sra. Luiza
Therezinha do Couto, o Sr Luciano José Neves do Couto e a Sra. Mônica Therezinha Neves do Couto.
Após ler as folhas de alterações do Capitão Luciano e ter a satisfação de conversar com amigos e
familiares, sinto-me preparado para compartilhar com todos os presentes importantes lições deixadas
por esse nobre militar
Não existe tarefa que não deva ser bem cumprida, não existe ordem com maior ou menor
importância, seja participando de um desfile ou Comandando um destacamento de Polícia, seja
cumprindo funções administrativas ou controlando distúrbios civis, o militar sempre deve fazer seu
melhor.
Devemos buscar com vontade infindável a perfeição em todas as nossas atividades, pois os heróis
não são somente aqueles que tombaram em combate, mas também aqueles que se dedicam, com
paixão, integralmente ao serviço das Armas e tudo fazem para o engrandecimento do Exército Brasileiro.
Assim, seguindo os exemplos deixados pelo Capitão Luciano, sejamos heróis no dia a dia,
apresentando-se de maneira impecável em todas as atividades, estando atento durante seu quarto de
hora quando de serviço, exercendo com zelo suas funções administrativas, sendo um cidadão produtivo,
um bom filho ou filha, um bom marido ou esposa, um bom pai ou mãe. Busquemos sempre, ser o
melhor em tudo o que realizamos, tomemos como exemplo a vida do Capitão Luciano que sempre
buscou correção em tudo o que realizou, tanto em sua vida profissional quanto em sua vida pessoal.
Por fim peço a todos que, assim como o Capitão Luciano, sejam heróis do dia a dia e que nossos
feitos sejam motivos de orgulho para todos os que conosco convivem.