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Aprendendo para A Vida

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Marília Liloca
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APRENDENDO PARA A VIDA

Luiz Carlos Moreno, professor no Centro Universitário Barão de Mauá e consultor de


Recursos Humanos, é colaborador freqüente da revista Profissão Mestre. Semana
passada, enviou-me este artigo: Aprendendo para a vida. Achei melhor publicá-lo
neste espaço porque diz respeito a todos, não somente a professores.

“As pessoas, em geral, diferem bastante na maneira como aprendem e na competência


do seu aprendizado. Resiliência, se buscada no dicionário, é definida como elasticidade.
O conceito se ampliou. Na aprendizagem significa:

 Mais disposição para tentar;


 mais capacidade de detectar a avaliação de outras pessoas e mais inclinação
para confiar nessa avaliação;
 mais coragem para explorar;
 mais desenvoltura, uma busca de novas maneiras de superar ou resolver um
problema;
 uma atitude mais reflexiva em relação à sua própria aprendizagem.

Se a sua primeira abordagem não for bem-sucedida, a pessoa não fica desnorteada.
Quando não sabe exatamente o que fazer, há coisas que pode experimentar; tem mais
de uma ferramenta em sua caixa de ferramentas de aprendizagem: uma extensão e
uma variedade maiores de aprendizagem e estratégias para a resolução de problemas.
Por ter um potencial maior de aprendizagem, essa pessoa se sente mais confiante,
experimenta durante mais tempo, com mais afinco e criatividade e, por isso, tem mais
chances de descobrir uma nova maneira de resolver um problema, uma nova
ferramenta de aprendizagem. À medida que aprende, está tornando-se também um
aprendiz mais eficiente. Seu ‘aprender a aprender’ segue uma espiral ascendente.

A capacidade de ‘interpretar’ corretamente as situações de aprendizagem, de saber


quando explorar e quando se afastar, assim como a disposição de tolerar os
sentimentos que acompanham a aprendizagem, estabelecem as bases da resiliência
essencial.

Em um mundo veloz, que tecnologicamente muda a cada momento, onde as novidades


e modificações se sucedem, enfim, num mundo incerto, a resiliência é uma qualidade
vital que precisa ser estimulada tanto em crianças quanto em adultos. E ainda, todos
nós conhecemos alguém que acha que não tem mais nada a aprender! Os mais bem-
humorados diriam que estas pessoas ‘morreram e não se deitaram’.

O desenvolvimento da capacidade reflexiva para monitorar sua própria aprendizagem e


ter uma visão geral estratégica é uma necessidade, porque em casa, no trabalho e no
lazer a aprendizagem continua pela vida afora.

Evidentemente, os problemas são de tipos diferentes e sucumbem a diferentes tipos de


aprendizagem. O fundamental é estar disposto a tentar – realizar algumas
experiências pequenas, criteriosas, práticas – e ver o que acontece. Aprender
mergulhando na experiência.

Para outras pessoas, diferentemente, a aprendizagem pode ser de um tipo mais


deliberado, analítico. Ela não é uma atividade homogênea: ocorre de muitas formas e
dimensões diferentes. É um conceito muito mais amplo e mais rico do que é percebido
nos atuais modelos de educação e treinamento. E, do mesmo modo, aprender a
aprender é uma possibilidade muito mais interessante e universal do que uma
preocupação com as habilidades de estudo.

A arte da aprendizagem envolve certificar-se de que os freios estão soltos, tanto


quanto estejam soltas as maneiras de aprender para acelerar a aprendizagem. O modo
como as pessoas comportam-se como aprendizes tem tanto a ver com o que elas
acreditam quanto com as habilidades que dominam.

Até que ponto as crenças inconscientes das pessoas sobre si mesmas, e até sobre a
natureza da própria aprendizagem, constituem influências? Não quaisquer diferenças
intrínsecas na capacidade ou na inteligência.

O modelo de educação ocidental enfoca a inteligência como um – talvez o –


determinante principal da aprendizagem das pessoas. Com certeza, constitui um
obstáculo enorme para o desenvolvimento de uma genuína cultura da aprendizagem.
Muitas pessoas acreditam que por acharem algo difícil, isso quer dizer que têm pouca
inteligência, em vez de simplesmente acreditarem que ainda não desenvolveram, ou
recuperaram, a ferramenta certa da aprendizagem.

Estar vivo é estar aprendendo. A aprendizagem não é algo que fazemos às vezes, em
locais especiais ou em alguns períodos da nossa vida. É parte da nossa natureza. Nós
nascemos aprendizes.

Nós, seres humanos, temos o mais longo aprendizado de todas as criaturas porque
chegamos ao mundo com a competência para – e necessidade de – moldar nossas
próprias mentes e hábitos a fim de ajustá-los aos contornos deste mundo em que nos
encontramos. A maneira como fazemos isso constitui a aprendizagem. Ela permite-nos
prever o que combina com o que, o que vai acontecer em seguida, o que pode ocorrer
se fizermos isso em vez de fazer aquilo. Portanto, intervém no fluxo dos eventos para
a nossa própria vantagem, de maneiras sempre mais sofisticadas e confiantes.

A aprendizagem não é fundamentalmente intelectual. O que acontece nas escolas e


nas faculdades, por intermédio da instrução dos professores, livros e programas de
computador, é apenas um tipo de aprendizagem, culturalmente local, historicamente
recente e, em geral, bastante singular.

O cérebro, como se sabe, está constituído para realizar alguns tipos de aprendizagem
com um brilho sutil, o qual pode ser facilmente perturbado por pensar demais e
esforçar-se muito.

A aprendizagem modifica não somente o nosso conhecimento e o nosso agir, mas


também o nosso ser. A aprendizagem ao longo da vida não é uma exigência nova,
especial, mas uma realidade antiqüíssima.

A sabedoria convencional tem assumido que o potencial de aprendizagem está ‘todo na


mente’: inteligência, como quer que a definamos, é algo individual, psicológico, capaz
de se manifestar na ausência dos auxílios externos costumeiros.

Quando optamos por aprender, esperamos que os frutos da nossa exploração sejam
conhecimento, domínio, recursos e alianças que nos auxiliarão em nossas agendas de
vida – quaisquer que sejam elas. Aprender é uma estratégia de sobrevivência que
envolve riscos e promete retornos. Exige a capacidade de tolerar a frustração e a
confusão; de agir sem saber o que vai acontecer; de enfrentar a incerteza sem ficar
inseguro.

Aprender é, em si, uma atividade intrinsecamente emocional. Daí a importância da


resiliência e da competência para tolerar essas emoções. Mesmo quando a
aprendizagem está transcorrendo tranqüilamente, há sempre a possibilidade de
surpresa, confusão, frustração, desapontamento ou apreensão – assim como, é claro,
de fascinação, absorção, alegria, terror ou alívio.

Aprender é freqüentemente difícil e demorado, confuso e frustrante, e é necessário ser


capaz de se dedicar a ela e de se recuperar dos reveses. Novos conhecimentos das
bases biológicas da emoção mostram que nossos sentimentos são parte absolutamente
integrante da nossa aprendizagem.

Em nossa época impaciente, é amplamente suposto que quanto mais rápido melhor –
e que, se pudermos acelerar a aprendizagem, devemos fazê-lo. ‘Rápido’ é largamente
usado como sinônimo de brilhante ou inteligente, enquanto ‘lento’, na linguagem da
educação, é um eufemismo para obtuso. Todavia, a criatividade não pode ser
apressada e, em geral, as formas mais profundas de aprendizagem requerem tempo
para amadurecer.

A imaginação dos pais, professores de escolas e universidades e dos administradores


pode libertar-se para se concentrar no processo de aprendizagem e no
desenvolvimento das pessoas como aprendizes, em vez de ficar hipnotizada por
‘indicadores de desempenho’ e qualificações.

Na sociedade moderna, deturpamos a natureza da inteligência supervalorizando


apenas uma de suas formas. Essa crença tende a destruir a resiliência das pessoas
diante da dificuldade de aprendizagem e a conduzi-las desnecessariamente a restringir
suas opções de aprendizagem; até mesmo, talvez, a evitar ou fugir totalmente da
aprendizagem.”

Boa semana e um bom carnaval.


Júlio Clebsch

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