1- Compreender os mecanismos do controle neuro-humoral da pressão
arterial;
2- Explicar os princípios hemodinâmica: pressão, fluxo e resistência;
3- Correlacionar as características básicas dos vasos sanguíneos com suas
funções;
4- Descrever o controle local do fluxo sanguíneo.
1- Compreender os mecanismos do controle neuro-humoral da pressão
arterial; (Guyton cap 15)
Os barorreceptores ficam localizados nas paredes do seio carotídeo, onde a artéria
carótida comum se bifurca, para formar as artérias carótidas interna e externa, e no
arco aórtico
- Os barorreceptores são mecanorreceptores, sensíveis à pressão ou ao
estiramento
- Aumento da pressão arterial causa aumento do estiramento dos
barorreceptores e aumento da frequência de disparo dos nervos aferentes.
- Reduções na pressão arterial causam redução do estiramento nos
barorreceptores e redução da frequência de disparo nos nervos aferentes
A sensibilidade dos barorreceptores pode ser alterada por doenças. Por exemplo, na
hipertensão arterial crônica (pressão arterial elevada), os barorreceptores não
“veem” a pressão arterial elevada como anormal. Nesses casos, a hipertensão será
mantida, em vez de corrigida, pelo reflexo barorreceptor. O mecanismo desse defeito
é a diminuição da sensibilidade dos barorreceptores a aumentos na pressão arterial
ou um aumento referenciado ponto fixo da pressão arterial, nos centros do tronco
encefálico
Informações dos barorreceptores do seio carotídeo são transportadas para o tronco
encefálico pelo nervo do seio carotídeo, que se junta ao nervo glossofaríngeo (nervo
craniano [NC] IX).
Informações dos barorreceptores do arco aórtico são transportadas para o tronco
encefálico pelo nervo vago
Centros Cardiovasculares do Tronco Cerebral
Os centros cardiovasculares do tronco cerebral estão localizados na formação
reticular da medula e no terço inferior da ponte
- A pressão arterial é sentida por barorreceptores no seio carotídeo e arco
aórtico. As informações aferentes, sobre a pressão arterial, são, então,
enviadas ao bulbo pelos nervos glosofaríngeo (NC IX) e vago (NC X)
- Gera uma resposta para o sistema simpatico ou parassimpatico ser ativado
ex:
1. O aumento da Pa é detectado pelos barorreceptores no seio carotídeo e no arco
aórtico. Esse aumento da pressão resulta no aumento da frequência de disparo do
nervo do seio carotídeo (nervo glossofaríngeo, NC IX) e em fibras aferentes do
nervo vago (NC X).
2. As fibras dos nervos glossofaríngeo e vago fazem sinapse no núcleo do trato
solitário do bulbo, onde transmitem informações sobre a pressão arterial. Neste
exemplo, a Pa detectada pelos barorreceptores é superior ao valor de referência da
pressão no bulbo.
3. O núcleo do trato solitário orienta uma série de respostas coordenadas, utilizando
os centros bulbares cardiovasculares para reduzir a Pa de volta ao normal. Essas
respostas incluem um aumento no fluxo parassimpático para o coração e uma
diminuição no fluxo simpático para o coração e os vasos sanguíneos.
4. O aumento da atividade parassimpática para o nodo SA (pelo nervo vago) resulta
em redução da frequência cardíaca. A diminuição da atividade simpática para o
nodo SA complementa o aumento da atividade parassimpática e, também, diminui a
frequência cardíaca. A atividade simpática reduzida também diminui a contratilidade
cardíaca. Juntos, a frequência cardíaca reduzida e a contratilidade cardíaca reduzida
produzem diminuição do débito cardíaco, que tende a reduzir a Pa , de volta ao
normal. (Lembre-se de que a Pa = Débito Cardíaco × RPT.) A redução da atividade
simpática também afeta o tônus dos vasos sanguíneos. Primeiro, ocorre diminuição
da constrição das arteríolas, ou vasodilatação arteriolar, o que diminui a RPT e reduz
a Pa . (De novo, lembre-se de que a Pa = Débito Cardíaco × RPT.) Em segundo
lugar, ocorre redução da constrição das veias, o que aumenta a complacência das
veias, aumentando assim o volume não estressado. Quando o volume não
estressado aumenta, o volume estressado diminui, o que contribui, ainda mais, para
a redução na Pa .
5. Quando estes reflexos coordenados reduzem a Pa de volta para a pressão de
referência (i.e., 100 mmHg), então, a atividade dos barorreceptores e dos centros do
tronco encefálico cardiovasculares retornarão ao nível tônico (basal).
Teste do Reflexo Barorreceptor: Manobra de Valsalva
A integridade do reflexo barorreceptor pode ser testada com a manobra de Valsalva,
que consiste em expirar contra a glote fechada, como durante a tosse, a defecação
ou o levantamento de peso. Quando a pessoa expira contra a glote fechada, ocorre
aumento da pressão intratorácica, e diminui o retorno venoso para o coração. Essa
diminuição do retorno venoso produz redução do débito cardíaco (mecanismo de
Frank-Starling) e consequente redução da pressão arterial. Se o reflexo
barorreceptor estiver intacto, a diminuição da pressão arterial é sentida pelos
barorreceptores, e o núcleo do trato solitário comanda aumento do fluxo simpático e
a diminuição do fluxo parassimpático para o coração e vasos sanguíneos. No teste,
observa-se aumento da frequência cardíaca. Quando a pessoa interrompe a
manobra, há aumento do rebote do retorno venoso, do débito cardíaco e da pressão
arterial. O aumento da pressão arterial é sentido pelos barorreceptores e eles
comandam a redução da frequência cardíaca.
2- Explicar os princípios hemodinâmica: pressão, fluxo e resistência; (215
Costanzo)
Forças que regem a circulação do sangue
Volume e pressão
Todos os vasos sanguíneos são distensíveis
Presença de fibras elásticas
Artérias: acomodam o débito pulsátil do coração, impedindo os extremos de pressão
das pulsações. Essa capacidade proporciona um fluxo de sangue suave e contínuo
através dos vasos sanguíneos muito pequenos dos tecido
Distensibilidade e Complacência
- Capacidade do vaso distender
Veias são 8x mais distensíveis
- Capacidade de armazenamento total de volume em algum vaso
Veias são 24x mais complacentes
Fluxo (Q):
Sangue em movimento
Gradiente de pressão = ΔP (diretamente proporcional) → diferenças de pressão
- Enquanto maior o gradiente, maior o fluxo
Resistência = R (inversamente proporcional
- Enquanto maior a resistência, menor o fluxo
- Fluxo (Q) = ΔP/R
O aumento da resistência (p. ex., vasoconstrição arteriolar) diminui o fluxo, e a
redução da resistência (p. ex., vasodilatação arteriolar) aumenta o fluxo.
O principal mecanismo para mudar o fluxo sanguíneo, no sistema cardiovascular, é o
de variar a resistência dos vasos sanguíneos, particularmente das arteríolas.
Resistência periférica total. A resistência de toda a vasculatura sistêmica é
chamada resistência periférica total (RPT) ou resistência vascular sistêmica
(RVS). A RPT pode ser medida pela relação entre fluxo, pressão e
resistência, substituindo o fluxo (Q) pelo débito cardíaco e ΔP pela diferença
de pressão entre a aorta e a veia cava.
Resistência em um único órgão. A relação fluxo, pressão e resistência
também pode ser aplicada em menor escala para determinar a resistência de
um único órgão.
Velocidade do Fluxo Sanguíneo
A velocidade do fluxo sanguíneo é a velocidade (ou intensidade) do deslocamento
de sangue por unidade de tempo
- v = Q/A
v = Velocidade do fluxo sanguíneo (cm/s)
Q = Fluxo (mL/s) → Se maior, maior a velocidade
A = Área de corte transversal (cm2 ) → Se maior, menor a velocidade
área de corte transversal do vaso sanguíneo (p. ex., aorta) ou de grupo de vasos
sanguíneos (p. ex., todos os capilares). A área é calculada como A = πr 2 , onde r é
o raio de vaso sanguíneo único (p. ex., aorta) ou o raio total (soma) de grupo de
vasos sanguíneos (p. ex., todos os vasos capilares
- É importante que nos capilares o sangue passe mais lentamente, por conta
da troca de substâncias
Resistência ao Fluxo Sanguíneo
- Equação de Poiseuille
R = 8ηl / r4
R = Resistência
η = Viscosidade do sangue
l = Comprimento do vaso sanguíneo
r4 = Raio do vaso sanguíneo elevado à quarta potência
Oq eu tenho que saber disso?
- A resistência ao fluxo é diretamente proporcional à viscosidade (η) do sangue;
por exemplo, com o aumento da viscosidade (p. ex., se houver aumento do
hematócrito), a resistência ao fluxo também aumenta
- A resistência ao fluxo é diretamente proporcional ao comprimento (l) do vaso
sanguíneo
- A resistência ao fluxo é inversamente proporcional à quarta potência do raio
(r4) do vaso sanguíneo
- Quando o raio do vaso sanguíneo diminui, sua resistência aumenta, não de
maneira linear, mas ampliada pela relação de quarta potência. Por exemplo,
se o raio do vaso sanguíneo diminuir pela metade, a resistência não apenas
dobra, ela aumenta 16 vezes (24)
3- Correlacionar as características básicas dos vasos sanguíneos com suas
funções;
Veias: As veias são, por larga margem, os vasos mais distensíveis do sistema. Até
mesmo pequenos aumentos da pressão venosa fazem com que as veias
armazenem 0,5 a 1,0 litro de sangue a mais. Por isso, as veias fornecem um
reservatório para o armazenamento de grande quantidade de sangue que pode ser
utilizado, quando for necessário, em qualquer outra parte da circulação. As artérias
pulmonares normalmente operam sob pressões que correspondem a um sexto das
do sistema arterial sistêmico
● Artérias: A maior é a aorta. Artérias de tamanho médio e pequeno se
ramificam da aorta. A função das artérias é a de levar sangue do coração
para os órgãos.
- As artérias são estruturas de paredes espessas, com tecido elástico muito
desenvolvido, músculo liso e tecido conjuntivo.
- espessura da parede arterial é característica importante: as artérias recebem
sangue diretamente do coração e estão sob a maior pressão na vasculatura.
O volume de sangue, contido nas artérias, é chamado volume estressado
(que significa volume de sangue sob alta pressão)
● Arteríolas. As arteríolas são os menores ramos das artérias.
- Suas paredes têm músculo liso bem desenvolvido e são o local de maior
resistência ao fluxo sanguíneo.
- O músculo liso, nas paredes das arteríolas, é tonicamente ativo (i.e., sempre
contraído).
- É difusamente inervado por fibras dos nervos simpáticos adrenérgicos.
- Os receptores α1 -adrenérgicos são encontrados nas arteríolas de diversos
leitos vasculares. Quando ativados, esses receptores causam contração, ou
constrição, do músculo liso vascular. A constrição produz diminuição do
diâmetro das arteríolas, o que aumenta sua resistência ao fluxo sanguíneo.
- Menos comum, os receptores β2 -adrenérgicos são encontrados em arteríolas
do músculo esquelético. Quando ativados, esses receptores causam
relaxamento do músculo liso vascular, o que aumenta o diâmetro e diminui a
resistência dessas arteríolas ao fluxo sanguíneo. Assim, as arteríolas não são
apenas o local de maior resistência na vasculatura, mas também são o local
onde a resistência pode ser variada por alterações da atividade nervosa
simpática, pelas catecolaminas circulantes e por outras substâncias
vasoativas.
● Capilares
- São estruturas de paredes finas, revestidas por camada única de células
endoteliais, circundada pela lâmina basal. Capilares são o local onde os
nutrientes, gases, água e solutos são trocados entre o sangue e os tecidos e,
nos pulmões, entre o sangue e o gás alveolar
- Nem todos os capilares são perfundidos com sangue em todos os momentos.
Em vez disso, ocorre perfusão seletiva dos leitos capilares, dependendo das
necessidades metabólicas dos tecidos. Essa perfusão seletiva é determinada
pelo grau de dilatação ou de constrição das arteríolas e esfíncteres
pré-capilares (faixas musculares lisas, situadas “antes” dos capilares). O grau
de dilatação ou de constrição é, por sua vez, controlado pela inervação
simpática do músculo liso vascular e por metabólitos vasoativos produzidos
nos tecidos
● Vênulas e veias
- Assim como os capilares, as vênulas são estruturas de paredes finas. As
paredes das veias são compostas da camada usual de células endoteliais e
de pequena quantidade de tecido elástico, músculo liso e tecido conjuntivo.
- São muito conhecidas pela capacidade de armazenar sangue
- O volume de sangue, contido nas veias é chamado de volume não estressado
- Aumentos da atividade dos nervos simpáticos via receptores α1-adrenégicos
causam contração das veias, o que reduz sua capacitância e, portanto, reduz
o volume não estressado
Sistema simpático:
As fibras nervosas simpáticas e parassimpáticas secretam principalmente uma
das duas substâncias transmissoras sinápticas: acetilcolina ou norepinefrina.
As fibras que secretam acetilcolina são chamadas colinérgicas. As que
secretam norepinefrina são chamadas adrenérgicas, termo derivado de
adrenalina, que é o nome alternativo para a epinefrina
A inervação das pequenas artérias e das arteríolas permite a estimulação
simpática, para aumentar a resistência ao fluxo sanguíneo e, portanto,
diminuir a velocidade do fluxo pelos tecidos
A inervação dos vasos maiores, em particular das veias, torna possível para a
estimulação simpática diminuir seu volume
A substância secretada pelas terminações dos nervos vasoconstritores consiste,
quase inteiramente, em norepinefrina, que age diretamente sobre os receptores
alfa-adrenérgicos da musculatura vascular lisa, ocasionando vasoconstrição
Sistema Renina-Angiotensina Ii-Aldosterona
O sistema renina-angiotensina II-aldosterona regula a Pa , principalmente pela
regulação do volume sanguíneo. Esse sistema é muito mais lento do que o reflexo
barorreceptor, por ser hormonalmente, e não neuralmente, mediado → é ativado em
resposta da diminuição da pressão arterial (Pa)
1. A diminuição da Pa causa diminuição da pressão da perfusão renal (A
perfusão renal refere-se à circulação sanguínea nos rins), percebida pelos
mecanorreceptores nas arteríolas aferentes do rim. A diminuição da Pa faz
com que a pró-renina seja convertida em renina, nas células
justaglomerulares (por mecanismos ainda não totalmente compreendidos). A
secreção de renina, pelas células justaglomerulares, também é aumentada
por estimulação dos nervos simpáticos renais e por agonistas do β1 como o
isoproterenol; a secreção de renina é reduzida pelos antagonistas de β1 ,
como o propranolol.
2. A renina é uma enzima. Ela vai ser liberada no sangue. No plasma, a renina
catalisa a conversão de angiotensinogênio (substrato da renina, o
angiotensinogênio é uma grande proteína que circula na corrente sanguínea,
em partes. Uma parte é a angiotensina I) em angiotensina I, um
decapeptídeo. A angiotensina I tem pouca atividade biológica, além de servir
como precursor para a angiotensina II.
3. Nos pulmões e rins, a angiotensina I é convertida em angiotensina II,
catalisada pela enzima conversora de angiotensina (ECA). Inibidores da
enzima conversora de angiotensina (iECA), como o captopril, bloqueiam a
produção de angiotensina II e todas as suas ações fisiológicas
4. A angiotensina II é um octapeptídeo, com ações biológicas no córtex adrenal,
músculo liso vascular, rins e cérebro, onde ativa receptores Tipo 1 de
angiotensina II acoplados à proteína G (receptores AT1):
- Os inibidores dos receptores AT1 , tais como losartan, bloqueiam as ações da
angiotensina II ao nível dos tecidos-alvo.
- A angiotensina II faz com que as paredes musculares das pequenas artérias
(arteríolas) se contraiam, aumentando a pressão arterial.
- A angiotensina II também provoca a liberação do hormônio da vasopressina
(hormônio antidiurético) pela hipófise → aumenta a reabsorção de água nos
ductos coletores. Ao aumentar a água corporal total, esses efeitos
complementam o aumento da reabsorção de Na + (causados pela
aldosterona e pela troca de Na + -H+ ), aumentando o volume de LEC, o
volume sanguíneo e a pressão arterial
- A angiotensina II também tem a sua própria ação direta sobre o rim,
independente de suas ações por meio da aldosterona. A angiotensina II
estimula a troca Na + -H+ no túbulo proximal renal e aumenta a reabsorção
de Na + e de HCO3
- A angiotensina II atua sobre as células da zona glomerulosa do córtex
adrenal, estimulando a síntese e a secreção de aldosterona
5. A aldosterona, em seguida, atua sobre as células principais do túbulo renal
distal e ducto coletor aumentando a reabsorção de Na + e,
consequentemente, aumentando o volume de LEC e volume sanguíneo
- As ações da aldosterona exigem a transcrição de genes e a síntese de novas
proteínas no rim. Esses processos requerem horas ou dias para ocorrer e são
responsáveis pelo longo tempo de resposta do sistema renina-angiotensina
II-aldosterona.
.
- A angiotensina II também atua diretamente sobre as arteríolas, ligando-se a
receptores acoplados à proteína G e ativam um sistema de segundo
mensageiro IP3 /Ca 2+ para provocar a vasoconstrição. O aumento resultante
na RPT leva a um aumento na Pa .
Peptídeo natriurético atrial (PNA)
- Se trata de um hormônio recentemente descoberto e que é elaborado no
coração(principalmente no átrio direito). O PNA parece agir de maneira efetiva
no controle dos níveis de aldosterona, bem como promovendo
diurese,natriurese, vasodilatação e aumentando o débito cardíaco
- Ou seja ele está relacionado intimamente com diminuir a pressão arterial