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Ética e Integridade no Setor Público

3 ÉTICA E INTEGRIDADE 03
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Ética e Integridade no Setor Público

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Prof.

Gilson Maciel
Ética e Integridade

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Sumário
SUMÁRIO 2

ESTADO E POLÍTICAS PÚBLICAS 3

1. PROMOÇÃO DA ÉTICA E DE REGRAS DE CONDUTA PARA SERVIDORES 4

2. DECRETO Nº 11.529, DE 16 DE MAIO DE 2023 17

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ÉTICA E INTEGRIDADE

Nesta aula você terá:

Curso completo
teoria e exercícios em pdf e videoaulas sobre os seguintes pontos:

Integridade Pública.

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1. Promoção da ética e de regras de conduta para servidores


Vamos iniciar o estudo deste assunto com o tópico, Promoção da Ética e de regras de conduta para
servidores ao estabelecido à Portaria CGU nº 57, de 04 de janeiro de 2019. E por que faremos isso? Bem! Vejamos
o que estabelece o art. 6º, I:

Art. 6º Para o cumprimento do disposto no inciso II do art. 5º desta Portaria, os órgãos e as entidades deverão
atribuir a unidades novas ou já existentes as competências correspondentes aos seguintes processos e funções:

I - promoção da ética e de regras de conduta para servidores, observado, no mínimo, o disposto no Decreto
nº 1.171, de 22 de junho de 1994, no Decreto nº 6.029, de 1º de fevereiro de 2007, e na Resolução nº 10, de 29
de setembro de 2008, da Comissão de Ética Pública - CEP;

O que nos informa o inciso II do art. 5º? Informa-nos que os órgãos e as entidades deverão aprovar
seus Planos de Integridade, contendo ações de estabelecimento das unidades de gestão da integridade. Em outras
palavras, este tópico está relacionado à ideia de integridade e é sobre isso que iremos tratar inicialmente.

Mas, o que é então essa tal integridade?

Integridade é a qualidade de quem é honesto, incorruptível e pauta seu comportamento em ações


que demonstram retidão. Mas não somente isso, pois na administração pública, incluem-se planejamento,
controle, austeridade, correção e outros aspectos. Assim, nesse viés, os órgãos e entidades públicos devem
implementar comportamentos e ações que sejam coerentes com o estabelecimento de um conjunto de princípios
e padrões éticos e morais, que deverá ser adotado não só por indivíduos, mas pelas próprias instituições, com a
finalidade de criar barreiras que impeçam corrupções e fraudes.

Antes de avançarmos um pouco mais, deixe-me apresentar a você, a Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Econômico – OCDE.

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é uma organização


econômica intergovernamental com 38 países membros e 5 parceiros chave, dentre eles o Brasil, fundada em 1961
para estimular o progresso econômico e o comércio mundial.

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VAMOS UM POUCO MAIS FUNDO?


Relacionamento entre o Brasil e a OCDE
O Brasil na OCDE

O relacionamento entre a Organização e o Brasil se aprofundou a partir de 1999, quando o Conselho da OCDE decidiu criar
um programa direcionado ao País.

Em maio de 2007, o Conselho Ministerial da OCDE decidiu “fortalecer a cooperação da OCDE com o Brasil, China, Índia,
Indonésia e África do Sul” por meio do programa de enhanced engagement, tornando possível a adesão desses países à OCDE.
Em 2012, esses cinco países passaram a ser considerados key partners (parceiros-chave) na Organização.

Embora não seja membro da OCDE, o Brasil pode participar de Comitês da Organização e de inúmeras instâncias de trabalho.
O País tem integrado as atividades da Organização e de seus órgãos técnicos, sobretudo dos comitês técnicos, reuniões de
grupos de trabalho e seminários, com a presença de especialistas brasileiros.

As discussões nos comitês e grupos de trabalho de que o Brasil participa têm revelado convergência das políticas nacionais às
boas práticas internacionais em diversas áreas, a exemplo dos padrões de conduta para empresas multinacionais, de melhoria
regulatória, e das políticas de concorrência e de fomento ao investimento estrangeiro direto.

Em 3 de junho de 2015, o Brasil assinou um Acordo Marco de Cooperação com a OCDE. O instrumento foi assinado pelos
Ministros de Estado das Relações Exteriores e da Fazenda, durante a Reunião do Conselho em Nível Ministerial da
Organização. O referido acordo foi promulgado em 7 de novembro de 2019, por meio do Decreto nº 10.109.

O convite para iniciar o processo de acessão veio em janeiro de 2022 e foi oficialmente aceito pelo Governo brasileiro. Tal
reconhecimento ocorreu no momento em que o País se destaca por ser o não-membro participante do maior número de
instâncias e projetos da OCDE, e que já aderiu ao maior número de instrumentos legais da Organização (105).

O Brasil deverá se tornar o primeiro país não-membro a concluir o processo de adesão aos Códigos de Liberalização do
Movimento de Capitais e de Operações Correntes Intangíveis, instrumentos emblemáticos da Organização.

Fonte: https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/ocde/o-brasil-na-ocde.

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Feita esta introdução ao tema, façamos um importante destaque quanto às Recomendações do


Conselho da OCDE sobre a Integridade Pública.

O Comitê de Governança Pública da


OCDE emitiu, em documento, um conjunto de 13
recomendações sobre integridade pública
visando o fortalecimento da gestão pública nos
países participantes da organização.

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Para ampliarmos ainda mais nosso espectro de análise e compreensão, no documento emitido,
vejamos a definição de Setor Público:

OCDE – SETOR

“Inclui os órgãos legislativos, executivos, administrativos e judiciais e seus funcionários públicos


nomeados ou eleitos, pagos ou não remunerados, em uma posição permanente ou temporária nos níveis central
e subnacional de governo”.

OCDE – CONCEITO DE INTEGRIDADE PÚBLICA

“Integridade pública refere-se ao alinhamento consistente e à adesão de valores, princípios e normas


éticas comuns para sustentar e priorizar o interesse público sobre os interesses privados no setor público”.

Embora o Comitê de Governança Pública da OCDE tenha emitido um conjunto de 13 (treze)


recomendações sobre integridade pública, visando o fortalecimento da gestão pública nos países participantes
integrantes, vejamos o que nos diz a 4ª (quarta) recomendação.

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4ª RECOMENDAÇÃO DA OCDE

Definir altos padrões de conduta para funcionários públicos, em particular através


de:

ir além dos requisitos mínimos, priorizando o interesse público, a adesão aos valores do serviço público, uma cultura aberta que facilite e
recomende a aprendizagem organizacional e encoraje a boa Governança

incluir padrões de integridade no sistema legal e políticas organizacionais (como códigos de conduta ou códigos de ética) para esclarecer
as expectativas e servir de base para a investigação e sanções disciplinares, administrativas, civis e/ou criminais, conforme apropria

estabelecer procedimentos claros e proporcionais para ajudar a prevenir violações dos padrões de integridade pública e para gerir conflitos
de interesse reais ou potenciais

comunicar valores e padrões do setor público internamente em organizações do setor público e externamente para o setor privado,
sociedade civil e indivíduos e pedir a esses parceiros que respeitem esses valores e padrões em suas interações com funcionários públicos

Reorganizando mais as ideias, a promoção da ética e de regras de conduta para servidores, vincula-
se diretamente à necessidade de que os órgãos e as entidades devam aprovar seus Planos de Integridade,
contendo ações de estabelecimento das unidades de gestão da integridade.

Trata-se de um grande sistema de integridade coerente e abrangente, vejamos esquematicamente:

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Esse sistema deve ser capaz de promover uma cultura de integridade pública para toda a sociedade,
com foco em liderança, baseado em mérito, capacitação e aberta.

O princípio da prestação de contas (accountability), certamente deve se fazer presente na


implantação de um plano de integridade, onde haja gestão de riscos, com um sistema eficaz de controle de riscos
à integridade, bem como a detecção, investigação e sansões. Ainda, um efetivo controle externo das atividades
buscando um governo transparente e aberto. Vejamos outro quadro esquemático:

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Uma estratégia para integridade pública - A Recomendação da OCDE

A Recomendação da OCDE
sobre Integridade Pública fornece aos
formuladores de políticas uma visão para
uma estratégia de integridade pública. Ela
desloca o foco das políticas de integridade
ad hoc para uma abordagem dependente
do contexto, comportamental e baseada
em risco, com ênfase em cultivar uma
cultura de integridade em toda a
sociedade.

Por fim, para conhecimento, vejamos em síntese, as demais recomendações da OCDE.

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Deste modo, o Conselho da OCDE reconhece:

que a integridade é um dos pilares das estruturas políticas, econômicas e sociais e, portanto, essencial
ao bem-estar econômico e social e à prosperidade dos indivíduos e das sociedades como um todo;

que a integridade é vital para a governança pública, salvaguardando o interesse público e reforçando
valores fundamentais como o compromisso com uma democracia pluralista baseada no estado de direito e no
respeito dos direitos humanos;

que a integridade é uma pedra angular do sistema geral de boa governança e que a orientação
atualizada sobre a integridade pública deve, portanto, promover a coerência com outros elementos-chave da
governança pública;

que os riscos de integridade existem nas várias interações entre o setor público e o setor privado, a
sociedade civil e os indivíduos em todas as etapas do processo político e de políticas, portanto, essa
interconectividade requer uma abordagem integrativa de toda a sociedade para aumentar a integridade pública e
reduzir a corrupção no setor público.

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Funções dos principais atores e estruturas da Política de Governança.

ATORES/ESTRUTURAS FUNÇÕES

Presidente da República Responsável em última instância, pela condução da


política de governança

CIG (Comitê Interministerial de Governança) Assessora o presidente da República na condução da


política de governança (coordenação)

Órgãos e entidades da administração pública Executam a política de governança


federal

Alta administração Responsável pela implementação da política de


governança nos respectivos órgãos e entidades

Comitê Interno de Governança Promove e monitora a política de governança em seus


respectivos órgãos e entidades

VAMOS UM POUCO MAIS FUNDO?


A importância da interação entre Estado e Sociedade
O caso das Ouvidorias

A excelência em gestão pressupõe direcionar as ações públicas para as necessidades dos cidadãos e da sociedade, na condição
de sujeitos de direitos e como beneficiários dos serviços públicos e destinatários da ação do Estado. É fundamental conhecer
e entender as necessidades atuais dos cidadãos e antecipar suas expectativas futuras. Nesse sentido, importa atender aos
diversos segmentos da sociedade, considerando as suas diferenças.

Existe hoje um processo de aproximação entre Estado e sociedade, especialmente nas áreas de atendimento à população. A
mudança de postura por parte das instituições públicas é uma demonstração de respeito aos cidadãos e de compromisso por
serviços públicos mais transparentes.

A interlocução da sociedade com o Estado se tornou possível porque a Constituição compatibilizou princípios da democracia
representativa e participativa. Estabeleceu, ainda, os princípios da impessoalidade e da publicidade dos atos da administração
pública, lançando os fundamentos para uma nova forma de expressão de interesses e representação de demandas de atores
e grupos junto ao Estado.

A institucionalização das ouvidorias públicas nas últimas três décadas e a Lei de Acesso à Informação (LAI) – Lei no 12.527, de
18 de novembro de 2011 – são frutos desse processo de democratização do Estado brasileiro, que materializou no texto
constitucional a participação social como um dos elementos-chave para a organização das políticas públicas.

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Dessa maneira, a Ouvidoria Pública funciona como um agente promotor de mudanças: de um lado, favorece uma gestão
flexível, comprometida com a satisfação das necessidades do cidadão; de outro, estimula a prestação de serviços públicos de
qualidade, capazes de garantir direitos. Em síntese, é um instrumento para a democracia.

Ao exercer o papel como porta-voz do cidadão na organização pública, a ouvidoria tem-se revelado um importante
instrumento de interação entre o Estado e a sociedade, constituindo-se em aliado na defesa dos direitos do usuário dos
serviços públicos. Além disso, ela tem uma atuação relevante no desenvolvimento de programas de qualidade implantados
nas organizações. Dessa forma, fortalece a capacidade das organizações de adaptação às exigências dos ambientes
econômico, social, cultural e tecnológico.

A participação social, entendida como a influência direta da população nos processos decisórios do Estado, só acontece de
verdade se as manifestações apresentadas pela população influírem de alguma forma na tomada de decisão dos agentes
públicos. Isso significa que as ouvidorias devem fazer mais do que somente receber e responder às manifestações. Seus
registros devem servir para subsidiar os gestores no aprimoramento dos processos na administração pública e propor
aperfeiçoamentos na prestação de serviços públicos – atribuição, aliás, já prevista pelo art. 13 da Lei no 13.460, de 2017 –
regulamentada pelo Decreto nº 9.492, de 2018 –, que dispõe sobre a participação, proteção e defesa dos direitos dos usuários.
É assim que as ouvidorias podem utilizar problemas individuais para elaborar soluções coletivas.

Os cidadãos usuários – atuais e potenciais – são sujeitos de direitos e as organizações públicas, no âmbito de suas
competências, têm obrigação de atender, com qualidade e presteza, às suas necessidades e demandas, estabelecendo uma
relação ética e transparente com a sociedade.

Elaboração: CGU – Fonte: Guia da Política de Governança Pública.

Muito bem! Há muitos anos ministrando esta disciplina cheguei à conclusão de que também é
importante estarmos atentos ao “toque criativo”, e algumas vezes, nesta disciplina, pouco aplicado. Por este
motivo, também precisaremos tratar de questões mais filosóficas. Não perca ponto nesta disciplina, pois de fato
o grau de dificuldade não é elevado, mas exatamente por isso devemos estar atentos.

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1. Inédita.

Tendo em conta a Convenção sobre a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE
recomenda que os membros e os não membros que aderirem à recomendação, criem um sistema de integridade
pública coerente e abrangente. Para este fim, os Aderentes devem definir altos padrões de conduta para
funcionários públicos, em particular através de,

I - comunicar valores e padrões do setor público externamente em organizações do setor público e para o setor
privado, sociedade civil e indivíduos e pedir a esses parceiros que respeitem esses valores e padrões em suas
interações com funcionários públicos.

II - incluir padrões de integridade no sistema legal e políticas organizacionais (como códigos de conduta ou
códigos de ética) para esclarecer as expectativas e servir de base para a investigação e sanções disciplinares,
administrativas, civis e/ou criminais, conforme apropriado.

III - estabelecer procedimentos claros e proporcionais para ajudar a prevenir violações dos padrões de
integridade pública e para gerir conflitos de interesse reais ou potenciais.

IV - Focar-se nos requisitos mínimos, priorizando o interesse público, a adesão aos valores do serviço público,
uma cultura aberta que facilite e recomende a aprendizagem organizacional e encoraje a boa Governança.

É correto o que se afirma em

( A ) I, apenas
( B ) II, apenas
( C ) II e III, apenas
( D ) I e IV, apenas
( E ) I, II, III e IV

Comentário:

Gabarito: C

I - ERRADO. Deve comunicar valores e padrões do setor público internamente em organizações do setor público.
Externamente para o setor privado, sociedade civil e indivíduos. De fato, deve pedir aos parceiros que respeitem
esses valores e padrões em suas interações com funcionários públicos.

II - CERTO. Deve mesmo incluir padrões de integridade no sistema legal. A integridade é um dos pilares das
estruturas políticas, econômicas e sociais e, portanto, essencial ao bem-estar econômico e social e à prosperidade
dos indivíduos e das sociedades como um todo. Certamente que deverá fazê-lo pelo sistema legal, com a adoção
de códigos de conduta ou códigos de ética, vejamos algumas normas importantes:

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- Portaria CGU 57/2019 - estabelece orientações para que os órgãos e as entidades da administração pública federal
direta, autárquica e fundacional adotem procedimentos para a estruturação, a execução e o monitoramento de
seus programas de integridade.
- Decreto 1.171/1994 – Código de Ética Profissional
- Decreto 6.029/2007 – Institui o sistema de Gestão da Ética
- RESOLUÇÃO Nº 10, de 29 DE SETEMBRO DE 2008 aprovou as normas de funcionamento e de rito processual,
delimitando competências, atribuições, procedimentos e outras providências no âmbito das Comissões de Ética.

III – CERTO. Deve mesmo estabelecer procedimentos claros e proporcionais e razoáveis para ajudar a prevenir
violações à integridade pública. Esses mecanismos ajudam a dinda a gerir conflitos de interesse entre Estado e
Sociedade, sejam eles conflitos reais ou mesmo conflitos que se constituem naquele momento apenas como uma
ameaça.

IV – ERRADO. A recomendação é que vá além dos requisitos mínimos. Aliás, não seria possível definir altos
padrões de conduta focando-se apenas no mínimo. É necessário ir muito além para o fortalecimento da gestão
pública.

Portanto, gabarito é a alternativa C.

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2. DECRETO nº 11.529, de 16 de Maio de 2023

O Decreto n. 11.529/2023 foi promulgado com duas finalidades distintas: instituir o Sistema de
Integridade, Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal, e instituir a Política de
Transparência e Acesso à Informação da mesma esfera governamental. Ambas as finalidades são desdobramentos
diretos da Lei de Acesso à Informação, estabelecida em 2011. Esta legislação, formalmente conhecida como Lei n.
12.527/2011, representou uma mudança significativa no que diz respeito à publicidade dos atos do Poder Público,
estabelecendo que a informação de interesse público passasse a ser a regra, enquanto o sigilo, por sua vez, se
tornava a exceção.

O princípio da publicidade, presente na Constituição Federal, desempenha um papel fundamental


nesse contexto, orientando as atividades da Administração Pública. A publicidade pode ser compreendida em dois
sentidos: a) como a necessidade de publicação de todos os atos administrativos para que produzam efeitos, e b)
como a transparência da Administração Pública no exercício de suas funções. No entanto, embora a publicidade
seja a norma, existem exceções, como a proteção da intimidade e da vida privada dos cidadãos, bem como a
proteção da sociedade e do Estado.

A Lei de Acesso à Informação foi promulgada como resultado da necessidade de regulamentar a


divulgação de informações no âmbito da Administração Pública, abrangendo todos os níveis federativos. Por isso,
é considerada uma lei nacional. Conceitos importantes introduzidos por essa legislação incluem a transparência
ativa, que implica na obrigação dos órgãos públicos de divulgar informações independentemente de solicitação
dos usuários, e a transparência passiva, que se refere à disponibilidade de informações mediante requerimento
dos interessados.

LAI - Art. 3º Os procedimentos previstos nesta Lei destinam-se a assegurar o direito fundamental de acesso à
informação e devem ser executados em conformidade com os princípios básicos da administração pública e
com as seguintes diretrizes:

I – observância da publicidade como preceito geral e do sigilo como exceção;

II – divulgação de informações de interesse público, independentemente de solicitações;

III – utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da informação;

IV – fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na administração pública;

V – desenvolvimento do controle social da administração pública.

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O artigo 8º da Lei de Acesso à Informação estabelece a obrigação da transparência ativa por parte dos
órgãos e entidades públicas, que devem divulgar, independentemente de solicitações, informações de interesse
coletivo ou geral. É importante destacar que essa divulgação deve ocorrer em locais de fácil acesso e, em
conformidade com o parágrafo único do mesmo artigo, por meio da internet. Embora essa obrigação pareça
evidente, sua relevância reside no fato de que a legislação prevê uma exceção para os municípios com população
inferior a 10.000 habitantes, os quais estão dispensados da obrigação de divulgação na internet, mantendo apenas
a obrigatoriedade de divulgação em tempo real das informações relativas à execução orçamentária e financeira.

Por outro lado, a transparência passiva refere-se à possibilidade de os interessados solicitarem


informações que não estão totalmente disponíveis para consulta. A Lei de Acesso à Informação estabelece
diversos procedimentos a serem seguidos pelos requerentes para terem acesso às informações desejadas. Essas
disposições são fundamentais para garantir o acesso democrático à informação e promover a accountability dos
órgãos públicos, permitindo que os cidadãos exerçam seu direito de acesso à informação e participem ativamente
da fiscalização e do controle das ações governamentais. Portanto, entender os mecanismos de transparência ativa
e passiva é essencial para compreender o funcionamento e os princípios subjacentes à Lei de Acesso à Informação.

LAI - Art. 10. Qualquer interessado poderá apresentar pedido de acesso a informações aos órgãos e entidades
referidos no art. 1º desta Lei, por qualquer meio legítimo, devendo o pedido conter a identificação do
requerente e a especificação da informação requerida.

§ 1º Para o acesso a informações de interesse público, a identificação do requerente não pode conter exigências
que inviabilizem a solicitação.

§ 2º Os órgãos e entidades do poder público devem viabilizar alternativa de encaminhamento de pedidos de


acesso por meio de seus sítios oficiais na internet.

§ 3º São vedadas quaisquer exigências relativas aos motivos determinantes da solicitação de informações de
interesse público.

As características essenciais do processo de solicitação de informações, delineadas nos artigos


mencionados, destacam a necessidade de os órgãos e entidades públicas oferecerem amplo e imediato acesso às
informações já disponíveis. Além disso, é enfatizado que não devem ser exigidos motivos para a solicitação ou
requisitos que dificultem o acesso às informações, a fim de evitar obstáculos desnecessários para os usuários. Por
exemplo, exigir cópias autenticadas de documentos irrelevantes para o fornecimento da informação constituiria
uma prática injustificada e prejudicial ao acesso às informações públicas.

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No entanto, caso o órgão ou entidade não disponha imediatamente da informação solicitada pelo
usuário, o § 1º do artigo 11 estabelece o procedimento a ser seguido:

Art. 11. O órgão ou entidade pública deverá autorizar ou conceder o acesso imediato à informação disponível.

§ 1º Não sendo possível conceder o acesso imediato, na forma disposta no caput, o órgão ou entidade
que receber o pedido deverá, em prazo não superior a 20 (vinte) dias:

I – comunicar a data, local e modo para se realizar a consulta, efetuar a reprodução ou obter a
certidão;

II – indicar as razões de fato ou de direito da recusa, total ou parcial, do acesso pretendido; ou

III – comunicar que não possui a informação, indicar, se for do seu conhecimento, o órgão ou a
entidade que a detém, ou, ainda, remeter o requerimento a esse órgão ou entidade, cientificando
o interessado da remessa de seu pedido de informação.

§ 2º O prazo referido no § 1º poderá ser prorrogado por mais 10 (dez) dias, mediante justificativa expressa,
da qual será cientificado o requerente.

§ 3º Sem prejuízo da segurança e da proteção das informações e do cumprimento da legislação aplicável, o


órgão ou entidade poderá oferecer meios para que o próprio requerente possa pesquisar a informação de que
necessitar.

§ 4º Quando não for autorizado o acesso por se tratar de informação total ou parcialmente sigilosa, o
requerente deverá ser informado sobre a possibilidade de recurso, prazos e condições para sua interposição,
devendo, ainda, ser-lhe indicada a autoridade competente para sua apreciação.

§ 5º A informação armazenada em formato digital será fornecida nesse formato, caso haja anuência do
requerente.

§ 6º Caso a informação solicitada esteja disponível ao público em formato impresso, eletrônico ou em qualquer
outro meio de acesso universal, serão informados ao requerente, por escrito, o lugar e a forma pela qual se
poderá consultar, obter ou reproduzir a referida informação, procedimento esse que desonerará o órgão ou
entidade pública da obrigação de seu fornecimento direto, salvo se o requerente declarar não dispor de meios
para realizar por si mesmo tais procedimentos.

Transparência ATIVA
•ocorre quando há disponibilização da informação de maneira espontânea (proativa). É o que ocorre, por exemplo, com
a divulgação de informações na Internet, de modo que qualquer interessado possa acessá-las diretamente

Transparência PASSIVA
•depende de uma solicitação do cidadão. Ela ocorre por meio dos pedidos de acesso à informação. Desse modo, o
órgão ou entidade deve se mobilizar no sentido de oferecer uma resposta à demanda.

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Feita esta introdução à Lei de Acesso à Informação, vejamos o Decreto 11.529/2023.

Como analisado previamente, o Decreto n. 11.529/2023 foi editado com duas finalidades específicas:
a instituição do Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal,
e a instituição da Política de Transparência e Acesso à Informação da mesma esfera governamental. No entanto,
é crucial observar que as disposições desse decreto são aplicáveis apenas à Administração Pública Federal direta,
autárquica e fundacional, excluindo-se, portanto, a Administração Pública dos demais entes federativos, como
Estados, Distrito Federal e Municípios. Além disso, as entidades da Administração Pública Federal que possuem
personalidade jurídica de direito privado, como empresas públicas e sociedades de economia mista, também não
são abrangidas pelas regras estabelecidas no decreto. Dessa forma, o escopo do Decreto n. 11.529/2023 se
restringe à esfera federal, delineando as diretrizes e políticas de transparência e acesso à informação apenas para
os órgãos e entidades federais diretos, autárquicos e fundacionais.
Vamos esquematizar para não esquecer.

Decreto nº 11.529/2023

a) Instituir o Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação


da Administração Pública Federal;
Finalidades b) Instituir a Política de Transparência e Acesso à Informação da
Administração Pública Federal;

a) Toda a Administração Pública Federal Direta;


Abrangência b) Autarquias e Fundações Públicas federais;

a) Administração Direta e Indireta dos demais entes federativos (Estados,


Fora do campo de Distrito Federal e Municípios)

abrangência b) Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista Federais.

a) O Decreto n. 11.529/2023 é uma norma federal, sendo aplicado apenas


para os órgãos da Administração Direta e para a administração autárquica
e fundacional da União.
Diferenças
b) A Lei n. 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação) é uma norma nacional,
de observância obrigatória por todos os entes federativos.

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No âmbito do Decreto n. 11.529/2023, o artigo 2º estabelece a criação do Sistema de Integridade,


Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal (SITAI), abrangendo os órgãos e entidades
da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Antes de explorarmos as regras relacionadas ao
SITAI, é fundamental compreender três definições estabelecidas pela norma em análise.

Conjunto de princípios, normas, procedimentos e mecanismos de prevenção,


detecção e remediação de práticas de corrupção e fraude, de irregularidades,
ilícitos e outros desvios éticos e de conduta, de violação ou desrespeito a direitos,
valores e princípios que impactem a confiança, a credibilidade e a reputação
Programa de integridade
institucional. O programa de integridade tem o objetivo de promover a
conformidade de condutas, a transparência, a priorização do interesse público e
uma cultura organizacional voltada à entrega de valor público à sociedade.

Plano que organiza as medidas de integridade a serem adotadas em determinado


período, elaborado por unidade setorial do SITAI e aprovado pela autoridade
Plano de integridade
máxima do órgão ou da entidade.

Funções constantes nos sistemas de corregedoria, ouvidoria, controle interno,


gestão da ética, transparência e outras essenciais ao funcionamento do programa
Funções de integridade
de integridade.

São os objetivos do Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação (SITAI), sendo eles:
a) coordenar e articular as atividades relativas à integridade, à transparência e ao acesso à informação;

b) estabelecer padrões para as práticas e as medidas de integridade, transparência e acesso à informação; e

c) aumentar a simetria de informações e dados nas relações entre a administração pública federal e a sociedade.

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Quanto à sua composição, temos:

Controladoria-Geral da União
Órgão Central

Unidades nos órgãos e entidades da Administração Pública Federal responsáveis


Órgãos Setoriais pela gestão da integridade, da transparência e do acesso à informação.

Quando lidamos com a Administração Pública Federal Direta, composta por órgãos públicos, as
unidades setoriais do Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação (SITAI) são as assessorias
especiais de controle interno.
Por outro lado, na Administração Pública Federal autárquica e fundacional, constituída por entidades
administrativas, as unidades setoriais do SITAI serão aquelas encarregadas da gestão da integridade,
transparência e acesso à informação.

Administração Direta a) unidades setoriais do SITAI serão as assessorias especiais de controle interno;
Federal b) o responsável pela unidade setorial será designado para o exercício das
atribuições previstas na Lei de Acesso à Informação.

a) as unidades setoriais do SITAI serão aquelas responsáveis pela gestão da


Administração
integridade, da transparência e do acesso à informação. b) o dirigente máximo de
Autárquica e Fundacional
cada uma das entidades designará uma ou mais unidades responsáveis pela
Federal
gestão da integridade, da transparência e do acesso à informação.

A Política de Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal abrange três


institutos distintos:

a) Transparência passiva: visa garantir a prestação de informações em resposta a solicitações feitas à


administração pública federal com base na Lei de Acesso à Informação;

b) Transparência ativa: tem como objetivo assegurar a divulgação proativa de informações nos sites
oficiais dos órgãos e entidades públicas;

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c) Abertura de bases de dados: busca promover a disponibilização de bases de dados produzidas,


custodiadas ou acumuladas pela administração pública federal, permitindo pesquisas, estudos, inovações,
desenvolvimento de negócios e participação da sociedade no acompanhamento e aprimoramento de políticas
e serviços públicos.

A transparência ativa será efetivada por meio da divulgação de dados e informações nos sites oficiais
dos órgãos e entidades públicos, cumprindo as normas estabelecidas, seja em resposta a demandas
específicas, por interesse coletivo ou geral da sociedade, ou por iniciativa própria dos órgãos e entidades.

Transparência Ativa

Através de sistema eletrônico específico para registro e atendimento de


pedidos de acesso à informação. Após a formalização, os registros serão
Como será realizada
direcionados aos órgãos e às entidades da administração pública federal.

Compete à Controladoria-Geral da União a gestão do sistema eletrônico


Gestão específico de pedidos de acesso à informação.

Os pedidos de acesso à informação registrados no sistema eletrônico


específico, bem como as respectivas respostas, serão disponibilizados para
Disponibilização consulta aberta na internet, resguardados os dados pessoais e as
informações protegidas por outras hipóteses legais de sigilo.

A disponibilização na internet não incluirá os dados do solicitante de acesso


Sigilo à informação.

Quanto à transparência passiva, diversos procedimentos devem, igualmente, ser observados.

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A Política de Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal é norteada por


uma série de princípios e objetivos essenciais:

1) Observância da publicidade como regra geral e do sigilo como exceção;

2) Garantia de amplo acesso da sociedade às informações e dados produzidos, custodiados ou acumulados


pela administração pública federal, com liberdade de utilização desses dados e informações, sem
necessidade de autorização prévia ou justificativa;

3) Prioridade para a disponibilização de informações que sejam primárias, integrais, autênticas e


atualizadas;

4) Provimento tempestivo de informações;

5) Utilização de linguagem acessível e de fácil compreensão na divulgação das informações;

6) Ênfase na transparência ativa como meio de garantir o acesso das pessoas físicas e jurídicas às
informações e dados produzidos pela administração pública federal;

7) Observância das diretrizes estabelecidas na Política de Dados Abertos do Poder Executivo Federal, na
Política Nacional de Governo Aberto, e nas políticas de Governo Digital e eficiência pública;

8) Foco no cidadão para definição das prioridades de transparência ativa e abertura de dados e informações;

9) Participação da sociedade na formulação, execução e monitoramento das políticas públicas, bem como
no controle da aplicação de recursos;

10) Utilização de tecnologias de informação e comunicação para disseminação e estímulo ao uso de dados
e informações;

11) Compartilhamento de informações visando estimular a pesquisa, inovação, produção científica,


geração de negócios e desenvolvimento econômico e social do país;

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12) Aprimoramento da gestão das informações disponibilizadas pela administração pública federal para
uma prestação mais eficaz e eficiente de serviços públicos e prestação de contas adequada à sociedade;

13) Combate à corrupção, inibindo a prática de atos ilícitos na administração pública federal e desvios de
conduta de agentes públicos;

14) Respeito à proteção dos dados pessoais dos cidadãos.

A Controladoria-Geral da União (CGU) desempenha um papel fundamental na manutenção do Portal


da Transparência do Poder Executivo Federal. Esse portal tem como principal objetivo divulgar dados e
informações sobre a gestão de recursos públicos e sobre servidores públicos. No contexto federal, as
informações classificadas como dados abertos são centralizadas em um portal sob responsabilidade da CGU.
O Portal Brasileiro de Dados Abertos tem a importante missão de fornecer um catálogo de referência para a
busca e acesso aos dados públicos, bem como aos seus metadados, informações, aplicativos e serviços
relacionados. Essa iniciativa visa promover a transparência e facilitar o acesso dos cidadãos às informações
governamentais, fortalecendo a participação da sociedade na fiscalização e no acompanhamento das
atividades do governo.

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FIM
Chegamos aqui ao fim da nossa aula.

Teremos ainda outras listas de questões para aprofundar seus conhecimentos e facilitar suas revisões.

Conte comigo. Muito obrigado. Um forte abraço.

Prof. Gilson Maciel

Fórum de dúvidas
para que todas as suas dúvidas sejam sanadas diretamente com seu professor. Não leve dúvidas para sua prova.

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