Introdução às Políticas Públicas
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Gilson Maciel
Políticas Públicas Aula 01
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Sumário
SUMÁRIO 2
POLÍTICAS PÚBLICAS 3
1. INTRODUÇÃO 4
4. TIPOLOGIAS 36
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POLÍTICAS PÚBLICAS
Curso completo
teoria e exercícios em pdf sobre os seguintes pontos:
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1. Introdução
Alguns conceitos iniciais são de fundamental importância ao estudo de políticas públicas, no escopo
do que a prova para o Concurso Público Nacional Unificado deverá exigir. O tópico que estudaremos será
“Introdução às políticas públicas: conceitos e tipologias”. Para que possamos aproveitar ao máximo o estudo do
assunto, vejamos alguns aspectos sobre os conceitos de Estado, Sociedade e Políticas Públicas, pois eles são a
base para os temas que virão. Entretanto, faça uma leitura leve e sem grandes preocupações com os conceitos,
pois esta introdução serve apenas para alargar seu horizonte de conhecimentos, tornando seu caminho mais
fácil. Lembre-se, estude esta introdução de forma leve e rápida, ok! Então vamos lá!
De acordo com Matias-Pereira1, há duas explicações clássicas sobre a origem do Estado. A primeira
está relacionada às teorias da origem natural, oriundas de pensadores como Aristóteles, Cícero e São Tomás de
Aquino. Sua concepção é de que o homem, enquanto ser social, por sua própria natureza, necessita, para se
realizar, viver em sociedade. Em outras palavras, não há realização possível sem a existência. Parece óbvio não é
mesmo? Não adentraremos nos aspectos filosóficos deste debate, mas há por detrás de tal afirmação uma
concepção existencialista. Desta forma, o Estado surge como uma necessidade humana fundamental. Por certo
que estamos falando de uma vertente do pensamento estatal. A segunda explicação sobre a origem do Estado
está relacionada às teorias voluntaristas (Hegel) e contratualistas (Hobbes e Locke). Sua concepção contrapõe as
teorias naturalistas, pois parte do princípio de que o Estado não se forma naturalmente; este surge porque os
indivíduos o desejam, sendo o resultado de um acordo de vontades entre os indivíduos. Notem que temos aqui
duas visões de mundo completamente distintas. Tal entendimento é suficiente para o tópico que estamos
estudando.
Historicamente, o Estado Moderno não surgiu como um fato “geral” e definitivo em um dado
momento, mas como uma experiência política dos povos, evoluindo em diferentes linhas e sob condicionamentos
diversos. O Estado foi, então, elaborando estruturas que, justo por serem estruturas de poder, tenderam a
expandir seu âmbito e a concentrar sua eficácia, com referência a um grupo de pessoas e a uma demarcação
1
Matias-Pereira, J. Curso de administração Pública: foco nas instituições e ações governamentais. 3ª edição. São Paulo:
Atlas, 2010.
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territorial. Dito de outro modo, quando falamos no surgimento do Estado Moderno, estamos falando de algo que
foi construído historicamente.
Os impérios antigos correspondem, portanto, a Estado, ao menos no sentido amplo da palavra? Por
certo que sim. Em Roma, inclusive, elaborou-se uma importante terminologia jurídica que incluía a problemática
estatal e administrativa. Também corresponde à noção de Estado a polis grega, precisamente denominada de
cidade-estado pelo fato de ter sido uma comunidade urbana com fortes ligações do rural, dotada de inteira
soberania política. Vejamos um trecho da obra Paideia – A formação do homem grego, de Werner Jaeger, “é na
estrutura social da vida da pólis que a cultura grega atinge pela primeira vez a forma clássica. A sociedade aristocrática
e a vida do campo não estão, é certo, totalmente desligadas da pólis. As formas de vida feudal e campesina aparecem
na história mais primitiva da pólis e persistem ainda nos seus estágios finais. Mas a direção espiritual final pertence à
vida das cidades”2. No mesmo caso incluem-se os principados do Oriente Médio mais antigo (Lagash, por
exemplo), bem como império bizantino e a monarquia árabe em suas diversas fases.
Houve, com isso, no período medieval, uma configuração política, ou político-social, localista e
regionalizante, o feudalismo, e outra universalizante e supralocalista, o império. Os reinos que seguiram
formando-se por toda a parte eram organizações relativamente fracas. O rei frequentemente dependia de acordos
com os nobres feudais, ou então era vassalo do imperador, e de qualquer modo devia obediência ao Papa. Com a
transição para a chamada idade “moderna”, os reinos se consolidaram, assumindo contornos por assim dizer,
2
Jaeger, Werner Wilhelm. Paideia: a formação do homem grego. 6ª ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2013.
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definitivos. Este robustecimento dos reinos veio a construir o chamado “Estado Absoluto”, que foi o estágio inicial
do Estado Moderno.
Assim, uma série de revoluções setoriais tenderam globalmente a configurar um mundo sociocultural
novo (apesar de continuar tratando-se daquilo que conhecemos como cultura ocidental). Sob certo aspecto,
continuação da Idade Média; por outro lado, um período novo para os povos ocidentais. Cabe aludir, ainda, à crise
em que entraram desde o século XV as estruturas feudais e a aristocracia fundiária, abaladas pelas cruzadas e pela
alteração da economia europeia. A crise do poder dos senhores feudais e a do Papado colocaram em nível mais
alto a autoridade dos reis nos seus reinos; proporcionalmente, o poder de cada monarca dentro de seu território
era tão grande quanto o do imperador em âmbito, e, portanto, o rei era soberano, como soberano passaria depois
a considerar-se o próprio Estado nacional.
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nova de legitimação: enquanto no medievo o poder se fundava sobre uma outorga divina, chancelada porém pela
aceitação popular, dentro de um sistema de limites “naturais”, o poder do monarca moderno se apoiava – além do
mesmo direito divino – sobre considerações teórico-racionais novas, que deviam convencer como doutrina3.
A definição de Estado varia conforme o ponto de vista. Sob o prisma jurídico, dizia Kant que o Estado
é a reunião de uma multidão de indivíduos sob a lei do Direito. Já Burdeau afirmava que o Estado procede de um
fenômeno de despersonalização do poder, ou seja, este deixa de ter por titular uma pessoa para subjetivar-se
numa instituição. Kelsen, por seu turno, funde os conceitos de Estado e de Direito, ou seja, ambos apresentam o
mesmo significado, qual seja, um sistema de normas. A acepção jurídica do Estado predominante hoje, entretanto,
não se fixa em nenhum dos três conceitos supracitados; ao contrário, reconhece no Estado um sujeito ou titular
de direitos e obrigações, isto é, uma personalidade criada pela ordem jurídica.
Vale a pena ainda trazermos uma outra definição, proposta por Jellinek, segundo a qual o Estado é a corporação
de um povo assentada num determinado território e dotada de um poder originário de mando. Povo e
território constituem as bases físicas ou materiais do conceito, ao passo que o poder é o elemento formal por
excelência, só havendo poder estatal quando este poder se apresenta originário, conforme se dá inclusive nos
estados federados, cuja estabilidade não pode ser assim impugnada4.
Já o conceito de sociedade, este, contribuiu para o desenvolvimento da sociologia como ciência. Uma sociedade é
uma estrutura ampla, na qual os sujeitos estabelecem relações, quase sempre, impessoais, mas que possuem um
aspecto de coletividade.
Para Max Weber (1864 – 1920), que é tido como um dos fundadores da sociologia, e que foi um dos
principais responsáveis pela estruturação do conceito de sociedade, a ideia de sociedade estava diretamente
3
Bonavides, P.; Saldanha, N. Schiera, P. Curso de introdução à ciência política. Unidade III: formas de estado e de governo.
2ª edi. Brasília: UnB, 1984.
4
Idem.
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ligada às relações que eram estabelecidas entre os sujeitos. Logo, as ações individuais possuíam primazia para a
construção do agrupamento social.
Desse modo, é possível inferir que a extensão do coletivo de indivíduos a que cada conceito se refere é um
importante elemento para diferenciá-los. Sendo assim, uma sociedade pode ser entendida como coletivo de
comunidades.
Finalmente, para encaminharmos o fim desta breve introdução, quanto às políticas públicas, nas
sociedades modernas, a complexidade dos problemas a enfrentar e a limitação dos recursos disponíveis tem
levado as estruturas do Estado a se voltar cada vez mais para a organização de suas ações em torno de estratégias
a que denominamos de políticas públicas, com o objetivo de otimizar a utilização dos meios disponíveis e de
alcançar efetividade nos resultados obtidos.
Uma política pública, portanto, não consiste em uma ação ou decisão isolada do governo,
mas em todo um conjunto de ações, decisões, estruturas e recursos voltados para o tratamento de uma situação.
Nesse sentido, é necessário distinguir entre política pública e decisão política:
ATENÇÃO!
Uma política pública geralmente envolve mais do que uma decisão e
requer diversas ações estrategicamente selecionadas para implementar as
decisões tomadas. Já uma decisão política corresponde a uma escolha dentre
um leque de alternativas, conforme a hierarquia das preferências dos atores
envolvidos, expressando – em maior ou menor grau – uma certa adequação
entre os fins pretendidos e os meios disponíveis. Assim, embora uma política
pública implique decisão política, nem toda decisão política chega a constituir
uma política pública.
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Tradicionalmente, podemos encontrar na ciência política alguns conceitos que são imprescindíveis
para compreendermos as diferentes conceituações de políticas públicas, estou falando dos conceitos de policy,
politics e polity.
Em países de língua inglesa, a palavra política e seus distintos usos, possui termos também distintos.
Em língua portuguesa usamos o termo política de modo geral, com múltiplos sentidos. Quando falamos em
política podemos estar nos referindo tanto à capacidade de influenciar outras pessoas, quanto da disputa política
em si. Podemos usar o termo política também para as questões relacionadas à problemas específicos, como
geração de renda, habitação, segurança pública e outros. Nestes últimos, estamos nos referindo a políticas
públicas. Mas em países de língua inglesa e na tradição da ciência política não é assim. Para início de conversa,
vejam só o quadro abaixo, que apresenta a semântica dos conceitos e algumas definições apresentadas por Frey5,
que destaco em preto. É uma distinção inicial dos termos usados em língua inglesa, vejamos:
5
Frey, Klaus. Políticas Públicas: Um debate conceitual e reflexões referentes à prática da análise de políticas públicas no
brasil. Planejamento e Políticas Públicas. Nº 21 – Jun de 2000, p. 216-217.
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Objetivos dos atores sobre Processos de formação de vontade, Cultura política (atitudes, valores,
problemas diversos. tomada de decisão e comportamentos de atores
implementação. políticos e cidadãos)
ATENÇÃO!
A policy, pode ser vista então como o resultado das dinâmicas de
enfrentamento, disputas pelo poder e ainda da resolução de conflitos nos
interesses entre os atores, que são os politics, em um determinado ambiente
institucional, a polity.
Essa diferenciação teórica de aspectos peculiares da política fornece categorias que podem se evidenciar
proveitosas na estruturação de projetos de pesquisa. Todavia, não se deve deixar de reparar que na realidade
política essas dimensões são entrelaçadas e se influenciam mutuamente6.
6
Klaus, 2000, p.217.
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ATENÇÃO!
O conceito de políticas públicas está relacionado ao sentido de policy, ou
seja, o conteúdo material das decisões políticas.
Em outros termos, o sentido de policy é usado para designar as políticas
públicas (public policy).
Para Saraiva7, uma política pública é um fluxo de decisões públicas, orientado a manter o equilíbrio
social ou a introduzir desequilíbrios destinados a modificar uma determinada realidade, mas no próximo tópico
veremos em maiores detalhes os diferentes conceitos.
Nesta linha de pensamento, uma política pública é uma orientação que busca resolver problemas que
são tidos como problemas públicos.
7
Saraiva, Enrique. Introdução à teoria da política pública. In: Saraiva, E.; Ferrarezi, E. (Orgs.). Políticas públicas: coletânea.
Brasília: ENAP, 2006, p. 19.
8
Sjoblom, 1984 apud Secchi, 2010.
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Problema
público
Situação Situação
atual desejada
Imaginem uma situação em uma cidade costeira, como Rio de Janeiro, onde fortes chuvas, frequentes na região durante o
verão, causam um desastre. Numa tarde particularmente tempestuosa, o muro de uma casa na encosta de um morro cede. A
princípio, a tendência é atribuir o colapso à má construção do muro ou à pressão excepcional da água naquela área específica.
Nesse cenário, muitos argumentariam que cabe ao proprietário do muro reconstruí-lo.
Mas, ampliando a perspectiva, imaginem que, na mesma rua, todos os muros das casas desmoronem sob o peso das chuvas
torrenciais. As águas inundam as residências, causando estragos em móveis, eletrodomésticos e pertences pessoais.
Reportagens locais, como as da "Globo News", mostram imagens dramáticas da destruição, enquanto meteorologistas
explicam que tais eventos extremos estão se tornando mais frequentes devido às mudanças climáticas.
Este cenário mais amplo muda a percepção do problema. Agora, ele é visto como uma questão pública, que demanda uma
resposta além da esfera individual. A comunidade local, representantes de bairros e a mídia começam a questionar a eficácia
das políticas de urbanismo e gestão de emergências da cidade. Em fóruns online e reuniões comunitárias, discute-se sobre
melhorias na infraestrutura, sistemas de drenagem e construções reforçadas para resistir a tais eventos.
Nesse contexto, fica claro que a questão não se limita a políticas governamentais. Organizações não governamentais, grupos
comunitários e até empresas privadas começam a se envolver, oferecendo recursos, expertise e suporte. A questão evolui
para um debate sobre desenvolvimento urbano sustentável, envolvendo múltiplas partes interessadas e exigindo uma
abordagem holística para prevenir futuras catástrofes.
Esta situação ilustra como um problema aparentemente individual pode revelar uma questão pública complexa, necessitando
de uma resposta coletiva que vai além da capacidade e responsabilidade do governo, envolvendo a sociedade como um todo.
Muito cuidado aqui heim! pois um problema público, para que precise de políticas públicas, não precisa necessariamente ser
uma política governamental. Por quê? Simplesmente porque o Estado não detém o monopólio das políticas públicas.
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Chuva provoca estragos e alagamentos em Sorocaba (SP). Foto: Carla de Campos/TV TEM
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ATENÇÃO!
“a perspectiva de política pública vai além da perspectiva de políticas
governamentais, na medida em que o governo, com sua estrutura
administrativa, não é a única instituição a servia à comunidade política, isto é,
a promover políticas públicas”.
9
Heidemann, F. G. (Orgs.). Políticas públicas e desenvolvimento: Bases epistemológicas e modelos de análise. Brasília:
Editora da UnB, 2009.
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Julgue os itens seguintes, relativos a conceitos de políticas públicas e sua relação com a política em geral.
Em inglês, usam-se os termos polity, politics e policy para caracterizar as três dimensões da política.
Eles se referem, respectivamente, às instituições políticas, aos processos políticos e aos conteúdos da
política. Policy é adotado para designar as políticas públicas (public policy).
Comentário:
Gabarito: Certo
O conceito de políticas públicas está relacionado ao sentido de policy, ou seja, o conteúdo material das
decisões políticas.
Conforme Frey (2000), a dimensão material “policy” refere-se aos conteúdos concretos, isto é, à
configuração dos programas políticos, aos problemas técnicos e ao conteúdo material das decisões
políticas. O sentido de policy é usado para designar as políticas públicas (public policy). Vejamos no quadro
abaixo:
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A literatura sobre análise de políticas públicas diferencia três dimensões da política. Sobre essas dimensões,
avalie as afirmativas.
I. A dimensão institucional (polity) cuida dos conteúdos materiais concretos, da configuração dos programas
políticos, dos problemas técnicos e do conteúdo material das decisões políticas.
III. A dimensão material (policy) diz respeito à ordem do sistema político, delineada pelo sistema jurídico, e
à estrutura institucional do sistema político-administrativo.
Comentário:
Gabarito: Alternativa E
I. A dimensão institucional (polity) cuida dos conteúdos materiais concretos, da configuração dos programas
políticos, dos problemas técnicos e do conteúdo material das decisões políticas. ERRADA. A dimensão
institucional de fato é a polity, entretanto, a dimensão institucional “polity” se refere à ordem do sistema
político, delineada pelo sistema jurídico, e à estrutura institucional do sistema político-administrativo. A
alternativa apresenta a ideia de policy. A questão é uma cópia exata do texto de Frey (2000).
III. A dimensão material (policy) diz respeito à ordem do sistema político, delineada pelo sistema jurídico, e
à estrutura institucional do sistema político-administrativo. ERRADA. A dimensão material “policy” refere-se
aos conteúdos concretos, isto é, à configuração dos programas políticos, aos problemas técnicos e ao conteúdo
material das decisões políticas. A alternativa apresenta a ideia de polity. Cópia do texto de Frey (2000).
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Política pública pode ser considerada sinônimo de política estatal, pois é do governo a responsabilidade
de identificar os problemas sociais prioritários.
GABARITO: Errado.
Lembre-se: A essência do conceito de políticas públicas é o problema público. Exatamente por isso, segundo
Secchi: o que define se uma política é ou não pública, é a sua intenção de responder a um problema público,
e não se o tomador de decisão tem personalidade jurídica estatal ou não estatal. Sãos os contornos da
definição de um problema público que dão à política o adjetivo “pública”.
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Vamos avançar nos tópicos. Quando verificamos a literatura mais especializada sobre governança,
podemos ali observar a ideia de meta-estrutura. A meta-estrutura fornece uma espécie de lente explicativa,
através da qual práticas de governança mais complexas, podem ser entendidas de forma estruturada.
Esquematizando fica mais fácil compreender e memorizar, não é mesmo? Então vamos lá.
Politics Policy
Essa meta-estrutura, a qual nos referimos, é composta por três dimensões, como já expliquei: polity,
politics, e policy. No topo do esquema, temos a polity, que serve como o cenário institucional, as estruturas da
politics e a dimensão onde a policy ocorrem.
Deste modo, conseguimos enxergar o lado estrutural da governança, ou ainda, as regras institucionais
do jogo que modelam a interação dos atores e os instrumentos da política.
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Já a dimensão política refere-se aos atores e processos de interação inerentes a um modo específico de
governança, ou seja, são os atores envolvidos e sua influência no processo de formulação de políticas públicas.
Eu realmente preciso que você compreenda muito bem esses assuntos, pois eles são a estrutura, a
base, o alicerce de tópicos que estudaremos adiante, nesta e em outras aulas. Por tal razão, vou ainda lhe mostrar
uma outra forma de visualização de todo esse processo.
Dimensões da política
Mais um aspecto que merece ser mencionado, é o seguinte. Pensemos da relação de causa e efeito
entre política (politics) e as políticas públicas (public policies). Theodore J. Lowi, importante cientista político norte
americano, afirmou que as políticas públicas determinam a dinâmica política. Oque isso quer efetivamente dizer?
Quer dizer que, a depender do tipo de política pública que esteja na cena do jogo, as coalizações, a estruturação
dos conflitos e o equilíbrio das relações de poder, podem se modificar.
Com isso, também chegamos à conclusão, a partir desta ideia, que o conteúdo de uma política pública
pode determinar o processo político. Todo este conjunto de conhecimentos foi trazido para situar você no debate
sobre as diferentes conceituações de políticas públicas. Deste ponto em diante, adentraremos nos tópicos de
forma mais direta e objetiva, em cada assunto previsto para esta aula.
Avante!
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Deste modo, enquanto na Europa, a área de política pública vai surgir como um desdobramento dos
trabalhos baseados em teorias explicativas sobre o Estado, assim como sobre o papel de uma das mais
importantes instituições do Estado, ou seja, o governo, produtor, por excelência, de políticas públicas, nos EUA,
ao contrário, a área surge no mundo acadêmico sem estabelecer relações com as bases teóricas sobre o papel do
Estado, passando direto para a ênfase nos estudos sobre a ação dos governos. É de fato uma mudança de rumos
bastante marcante.
Nos EUA, temos trabalhos sobre políticas públicas, que apontam para a realização de, em
democracias estáveis, aquilo que o governo faz ou deixa de fazer. Diante deste ponto, as perguntas que surgem é:
A política pública é passível de ser:
formulado cientificamente
Esta é a trajetória desta disciplina, que nasce no interior da ciência política, abrindo o terceiro grande
caminho trilhado pela ciência política norte-americana no que se refere ao estudo do mundo público. O terceiro
caminho foi justamente o das políticas públicas como um ramo da ciência política capaz de orientar os governos
nas suas decisões e entender como e por que os governos optam por determinadas ações10. Ué professor, mas
10
Souza, Celina. Políticas Públicas: Conceitos, tipologias e Sub-Áreas. Fundação Luís Eduardo Magalhães. 2002.
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então qual foi o primeiro caminho? O primeiro, seguindo a tradição de Madison, um cético da natureza humana,
focalizava o estudo das instituições, consideradas fundamentais para limitar a tirania e as paixões inerentes à
natureza humana. Ok! Mas e o segundo? O segundo caminho seguiu a tradição de Paine e Tocqueville, que via nas
organizações locais a virtude cívica para promover o bom governo.
Importante destacar que a introdução da política pública como ferramenta das decisões de
determinado governo é produto da Guerra Fria, assim como da valorização da tecnocracia11 como forma de
enfrentar suas consequências. Apenas como informação histórica e da evolução das políticas públicas, temos
como maior introdutor no governo dos EUA, Robert McNamara, que estimulou a criação, no ano de 1948, da RAND
Corporation, organização não-governamental financiada por recursos públicos, também considerada a precursora
dos think tanks.12 O trabalho do grupo de especialistas de diversas áreas do conhecimento, influenciado pela teoria
dos jogos de Neuman,13 buscava mostrar como uma guerra poderia ser conduzida como um jogo racional.
Laswell (1936) introduz a expressão policy analysis (análise de política pública), ainda nos anos 30, como
forma de conciliar conhecimento científico/acadêmico com a produção empírica dos governos e também como
forma de estabelecer o diálogo entre cientistas sociais, grupos de interesse e governo. Lasswell iniciou sua análise,
sobre um estudo de variáveis proposta no ano de 1948. Ele aplicou um paradigma para análise sociopolítica como
modo apropriado de descrever um ato de comunicação. Além de estudar os impactos midiáticos nas duas
primeiras guerras mundiais, o autor levantou teorias do poder da mídia de massa.
11
sistema de organização política e social fundado na supremacia dos técnicos.
12
Think tanks são instituições que desempenham um papel de advocacy para políticas públicas, além de terem a capacidade
de explicar, mobilizar e articular os atores. Atuam em diversas áreas, como segurança internacional, globalização,
governança, economia internacional, questões ambientais, informação e sociedade, redução de desigualdades e saúde.
13
A teoria dos jogos é uma teoria matemática criada para se modelar fenômenos que podem ser observados quando dois ou
mais “agentes de decisão” interagem entre si. Ela fornece a linguagem para a descrição de processos de decisão conscientes
e objetivos envolvendo mais do que um indivíduo.
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Simon (1957) introduziu o conceito de racionalidade limitada dos decisores públicos (policy makers),
argumentando, todavia, que a limitação da racionalidade poderia ser minimizada pelo conhecimento racional.
Para Simon, a racionalidade dos decisores públicos é sempre limitada por vários problemas, tais como informação
incompleta ou imperfeita, tempo para a tomada de decisão, auto interesse dos decisores etc., mas a racionalidade,
segundo Simon, pode ser maximizada até um ponto satisfatório pela criação de estruturas (conjunto de regras e
incentivos) que enquadre o comportamento dos atores e modele esse comportamento na direção dos resultados
visados, impedindo, inclusive, a busca de maximização de interesses próprios.
Easton (1965) contribuiu para a área ao defini-la como um sistema, ou seja, como uma relação entre
formulação, resultados e o ambiente. Segundo Easton, as políticas públicas recebem inputs dos partidos, da mídia
e dos grupos de interesse, que influenciam seus resultados e efeitos.
Para David Easton (1953, p. 129), as políticas públicas são “[...] a alocação autorizada de valores para
toda a sociedade [...]”.
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Desde o surgimento do campo de políticas públicas, a área é frequentemente descrita como uma
ciência social aplicada, voltada à resolução de problemas.
De início é importante destacar que o conceito é impreciso, admitindo definições diversas, vejamos:
Trazendo à tona a imprecisão do conceito, Celina Souza (2006)14 explica que não existe uma única, nem
melhor, definição sobre o que seja política pública, vejamos algumas definições:
Mead (1995) – políticas públicas são o campo dentro do estudo da política que analisa o governo à
luz de grandes questões públicas;
Lynn (1980) – políticas públicas são o conjunto de ações do governo que irão produzir efeitos
específicos;
Peters (1983) – políticas públicas é a soma das atividades dos governos, que agem diretamente ou
através de delegação, e que influenciam a vida dos cidadãos;
Dye (1984) - sintetiza a definição de política pública como “o que o governo escolhe fazer ou não
fazer”;
Laswell - decisões e análises sobre política pública implicam responder às seguintes questões:
quem ganha o quê, por quê e que diferença faz.
Na mesma linha aponta Secchi, informando que qualquer definição de política pública é arbitrária.
Na literatura especializada não há um consenso quanto à definição do que seja uma política pública, por conta da
disparidade de respostas para alguns questionamentos básicos:
14
Souza, Celina. Políticas Públicas: uma revisão da literatura. 2006. Sociologias, Porto Alegre, ano 8, nº 16.
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1- Políticas públicas são elaboradas exclusivamente por atores estatais? Ou também por atores não estatais?
3- Apenas diretrizes estruturantes (de nível estratégico) são políticas públicas? Ou as diretrizes mais
operacionais também podem ser consideradas políticas públicas?
Estas são questões que reforçam a ideia de que o conceito de políticas públicas não está claramente
definido.
Não adentraremos nas minucias destas questões, por entender que extrapola a ideia deste curso,
entretanto julgo ser importante conhece-las.
Quero neste momento apresentar alguns outros conceitos, de outro modo, para que facilite sua
compreensão, vejamos:
“Um programa projetado com metas, valores e práticas” (LASSWELL; KAPLAN, 1970, p. 71).
“Um conjunto de decisões inter-relacionadas referentes à seleção de objeti- vos e dos meios
para atingi-los” (JENKINS, 1978, p. 15).
“Estratégias que apontam para diversos fins, todos eles, de alguma forma, desejados pelos
diversos grupos que participam do processo decisório” (SARAVIA, 2006, p. 28–29).
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“A soma das atividades dos governos, que agem diretamente ou por delegação, e que influenciam a
vida dos cidadãos (PETERS, 1986).
“Uma regra formulada por alguma autoridade governamental que expressa uma
intenção de influenciar, alterar, regular, o comportamento individual ou coleti- vo
por meio do uso de sanções positivas ou negativas” (LOWI, 1972, p. 299).
“Tudo o que um governo decide fazer ou deixar de fazer” (DYE, 2005, p. 1).
Políticas públicas são resultantes da atividade política, requerem várias ações estratégicas
destinadas a implementar os objetivos desejados, e por isso, envolvem mais decisão política.
[…] constituem-se de decisões e ações que estão revestidas da autoridade soberana do poder
público (RODRIGUES, 2011, p. 14).
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Se admitirmos que a política pública é um campo holístico, isto é, uma área que situa diversas unidades
em totalidades organizadas, isso tem duas implicações. A primeira é que, como referido acima, a área torna-se
território de várias disciplinas, teorias e modelos analíticos. Assim, apesar de possuir suas próprias modelagens, teorias
e métodos, a política pública, embora seja formalmente um ramo da ciência política, a ela não se resume, podendo
também ser objeto analítico de outras áreas do conhecimento, inclusive da econometria, já bastante influente em uma
das subáreas da política pública, a da avaliação, que também vem recebendo influência de técnicas quantitativas. A
segunda é que o caráter holístico da área não significa que ela careça de coerência teórica e metodológica, mas sim
que ela comporta vários “olhares”.15
ATENÇÃO!
Pode-se, então, resumir política pública como o campo do conhecimento
que busca, ao mesmo tempo, “colocar o governo em ação” e/ou analisar essa
ação (variável independente) e, quando necessário, propor mudanças no rumo
ou curso dessas ações (variável dependente). A formulação de políticas públicas
constitui-se no estágio em que os governos democráticos traduzem seus
propósitos e plataformas eleitorais em programas e ações que produzirão
resultados ou mudanças no mundo real.
15
Souza, Celina. Sociologias, Porto Alegre, ano 8, nº 16, jul/dez 2006, p. 20-45
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As políticas públicas correspondem à soma das atividades articuladas pelos governos para melhorar a
vida dos cidadãos. As decisões e análises sobre políticas públicas implicam responder às seguintes
questões: quem ganha o quê? Por quê? e Que diferença isso faz?
GABARITO: Certo.
A questão trouxe um debate realizado no artigo “Políticas Públicas: uma revisão da literatura”, de Celina
Souza, publicado em: Sociologias, Porto Alegre, RS, ano 8, n. 16, p. 20–45, jul./dez. 2006.
De acordo com a autora, não existe uma única, nem melhor, definição sobre o que seja política pública. A
primeira parte da questão é respondida com as ideias de Peters (1986): “política pública é a soma das
atividades dos governos, que agem diretamente ou através de delegação, e que influenciam a vida dos
cidadãos”.
Na segunda parte temos as ideias de Laswell: “decisões e análises sobre política pública implicam
responder às seguintes questões: quem ganha o quê, por quê e que diferença faz”.
Ao planejar uma política pública, devem estar claros seu objeto e seus mecanismos de planejamento e
de avaliação.
GABARITO: Certo.
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A questão está correta, pois apresenta o conceito de política púbica, de Saravia e Ferrarezi (2006):
SARAVIA, E.; FERRAREZI, E. Políticas Públicas. Coletânea. Brasília, DF: ENAP, 2006.
• “Política Pública é o sistema de decisões públicas que visa a ações ou omissões, preventivas ou
corretivas, destinadas a manter ou modificar a realidade de um ou vários setores da vida social, por
meio da definição de objetivos e estratégias de atuação e da alocação dos recursos necessários para
atingir os objetivos estabelecidos” (SARAVIA, 2006, p. 29).
Embora a formulação de políticas públicas seja uma responsabilidade indelegável do Poder Executivo,
algumas funções auxiliares de representação de interesses podem ser atribuídas a outros agentes
públicos ou privados.
GABARITO: Certo.
O atores não estatais também exercem importante papel nas políticas públicas. Em Ciência Política, “a
perspectiva de política pública vai além da perspectiva de políticas governamentais, na medida em que o
governo, com sua estrutura administrativa, não é a única instituição a servir à comunidade política, isto é, a
promover políticas públicas”.
As políticas públicas envolvem vários atores e níveis de decisão, muito embora seja correto dizer que é
materializada por meio dos governos.
Lembre-se: A essência do conceito de políticas públicas é o problema público. Exatamente por isso, segundo
Secchi: o que define se uma política é ou não pública, é a sua intenção de responder a um problema público,
e não se o tomador de decisão tem personalidade jurídica estatal ou não estatal. Sãos os contornos da
definição de um problema público que dão à política o adjetivo “pública”.
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GABARITO: Errado.
As políticas públicas são um conjunto de ações e decisões voltadas para apresentar soluções para problemas
públicos, ou seja, problemas da sociedade. Entretanto, essas decisões não são apenas de iniciativas
autônomas, pois contam com a participação de diversos setores da sociedade.
As políticas públicas envolvem vários atores e níveis de decisão, muito embora seja correto dizer que é
materializada por meio dos governos.
Lembre-se: A essência do conceito de políticas públicas é o problema público. Exatamente por isso, segundo
Secchi: o que define se uma política é ou não pública, é a sua intenção de responder a um problema público,
e não se o tomador de decisão tem personalidade jurídica estatal ou não estatal. Sãos os contornos da
definição de um problema público que dão à política o adjetivo “pública”.
a) dizem respeito à atividade ou ao conjunto de atividades que fazem referência estrita aos governos
e aos seus governantes.
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e) constituem o meio para alcançar a emancipação econômica da classe operária, por meio do
estabelecimento da igualdade de direitos e de deveres.
GABARITO: Alternativa B.
A alternativa contempla a definição da autora Marta M. Assumpção Rodrigues, que nos apresenta o seguinte
conceito:
Políticas públicas são resultantes da atividade política, requerem várias ações estratégicas destinadas
a implementar os objetivos desejados, e por isso, envolvem mais decisão política. […] constituem-se de
decisões e ações que estão revestidas da autoridade soberana do poder público (RODRIGUES, 2011, p.
14).
Percebam que o conceito de política público apresentado na questão se encontra no contexto de uma ação
de governo.
a) Errada. Como sabemos, o conceito não é único e não é estrito aos governos e seus governantes. A
essência do conceito de políticas públicas é o problema público. Exatamente por isso, segundo Secchi: o que
define se uma política é ou não pública, é a sua intenção de responder a um problema público, e não se o
tomador de decisão tem personalidade jurídica estatal ou não estatal. Sãos os contornos da definição de um
problema público que dão à política o adjetivo “pública”.
b) Errada. As políticas públicas não são resultantes somente da atividade política, embora possam
sê-la. As políticas públicas são um conjunto de ações e decisões voltadas para apresentar soluções para
problemas públicos, ou seja, problemas da sociedade. Entretanto, essas decisões não são apenas de
iniciativas autônomas, pois contam com a participação de diversos setores da sociedade. Outro aspecto
importante é a afirmação de que as políticas públicas requerem várias ações estratégicas destinadas a
implementar os objetivos desejados e, por isso, envolvem mais de uma decisão política. Este aspecto da
questão está correto, pois de fato, uma política pública geralmente envolve mais do que uma decisão e
requer diversas ações estrategicamente selecionadas para implementar as decisões tomadas.
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c) Errada. As políticas públicas não necessariamente expressam consenso. Aliás, o dissenso é fator
importante em arenas políticas. Ademais, também não se limitam à classe trabalhadora, somente.
e) Errada. Teoria Marxista distorcida do Estado? Não faz nenhum sentido tal resposta.
GABARITO: Errado.
Trazendo à tona a imprecisão do conceito, Celina Souza (2006) explica que não existe uma única, nem
melhor, definição sobre o que seja política pública.
Na mesma linha aponta Secchi, informando que qualquer definição de política pública é arbitrária. Na
literatura especializada não há um consenso quanto à definição do que seja uma política pública, por conta
da disparidade de respostas para alguns questionamentos básicos:
1- Políticas públicas são elaboradas exclusivamente por atores estatais? Ou também por atores não estatais?
3- Apenas diretrizes estruturantes (de nível estratégico) são políticas públicas? Ou as diretrizes mais
operacionais também podem ser consideradas políticas públicas?
Estas são questões que reforçam a ideia de que o conceito de políticas públicas não está claramente
definido, portanto a resposta é errada.
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a) não configura decisões ou ações que envolvem o consentimento de uma comunidade política
soberana.
d) geralmente envolve mais do que uma decisão política e requer diversas ações estrategicamente
selecionadas para implementar as decisões tomadas.
GABARITO. Alternativa D.
c) Errada. Ao contrário, pois uma das características centrais da política pública é o fato de que são
decisões e ações revestidas da autoridade soberana do poder público.
d) Certo. A alternativa contempla a definição da autora Marta M. Assumpção Rodrigues, que nos
apresenta o seguinte conceito:
Políticas públicas são resultantes da atividade política, requerem várias ações estratégicas destinadas a
implementar os objetivos desejados, e por isso, envolvem mais de uma decisão política. […] constituem-se
de decisões e ações que estão revestidas da autoridade soberana do poder público (RODRIGUES, 2011, p.
14).
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e) Errada. Para implementar uma política pública será necessário ouvir os empresários? De modo
algum. Questão completamente equivocada.
GABARITO: Certo.
Tradicionalmente, podemos encontrar na ciência política alguns conceitos que são imprescindíveis para
compreendermos as diferentes conceituações de políticas públicas, estou falando dos conceitos de policy,
politics e polity.
Em países de língua inglesa, a palavra política e seus distintos usos, possui termos também distintos. Em
língua portuguesa usamos o termo política de modo geral, com múltiplos sentidos. Quando falamos em
política podemos estar nos referindo tanto à capacidade de influenciar outras pessoas, quanto da disputa
política em si. Podemos usar o termo política também para as questões relacionadas à problemas
específicos, como geração de renda, habitação, segurança pública e outros. Nestes últimos, estamos nos
referindo a políticas públicas. Mas em países de língua inglesa e na tradição da ciência política não é assim.
Para início de conversa, vejam só o quadro abaixo, que apresenta a semântica dos conceitos e algumas
definições apresentadas por Frey16, que destaco em preto. É uma distinção inicial dos termos usados em
língua inglesa, vejamos:
16
Frey, Klaus. Políticas Públicas: Um debate conceitual e reflexões referentes à prática da análise de políticas públicas no
brasil. Planejamento e Políticas Públicas. Nº 21 – Jun de 2000, p. 216-217.
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ATENÇÃO!
A policy, pode ser vista então como o resultado das dinâmicas de
enfrentamento, disputas pelo poder e ainda da resolução de conflitos nos
interesses entre os atores, que são os politics, em um determinado ambiente
institucional, a polity.
Objetivos dos atores sobre Processos de formação de vontade, estatutos e leis não escritas).
problemas diversos. tomada de decisão e
Cultura política (atitudes, valores,
implementação.
comportamentos de atores
no quadro da dimensão processual políticos e cidadãos)
a dimensão material “policy” “politics” tem-se em vista o
refere-se aos conteúdos concretos, processo político, frequentemente a dimensão institucional “polity” se
isto é, à configuração dos de caráter conflituoso, no que diz refere à ordem do sistema político,
programas políticos, aos respeito à imposição de objetivos, delineada pelo sistema jurídico, e à
problemas técnicos e ao conteúdo aos conteúdos e às decisões de estrutura institucional do sistema
material das decisões políticas. político-administrativo.
distribuição.
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É correto concluir que, das alternativas apresentadas a seguir, NÃO é uma política pública:
GABARITO. Alternativa D.
Veja só! Qual das alternativas não se enquadra em um problema coletivamente público?
Somente a alternativa D, afinal, uma proposta, aparentemente de algum parlamentar, colocando seu
gabinete na rua, de fato, não atende a nenhum problema público.
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4. Tipologias
No estudo das políticas públicas, as tipologias são ferramentas essenciais para classificar e analisar os
atores, estilos e instituições envolvidos no complexo processo de formulação e implementação de políticas. Como
Leonardo Secchi17 destaca, uma tipologia é um esquema de interpretação e análise baseado em variáveis e
categorias analíticas. As variáveis representam aspectos discerníveis que variam em qualidade ou quantidade,
enquanto as categorias analíticas são subconjuntos usados para identificar estas variações.
Existem várias tipologias reconhecidas para definir políticas públicas. Além da tipologia de Theodore
J. Lowi, que categoriza as políticas em distributivas, redistributivas, regulatórias e constituintes, outros
acadêmicos oferecem abordagens complementares. Segundo Souza18, temos pelo menos quatro tipologias
conhecidas: a de Lowi, a de Gormley, que se concentra na visibilidade das políticas e na capacidade técnica
necessária para sua implementação; a de Gustafsson, que enfatiza a natureza dos interesses envolvidos; e a de
Bozeman e Pandey, que analisam as políticas públicas a partir de sua orientação para o setor público ou privado.
Adicionalmente, a tipologia de James Q. Wilson oferece outra perspectiva valiosa. Wilson categoriza
as políticas públicas com base nas características dos benefícios e dos custos associados a cada política,
distinguindo entre políticas de interesse público, políticas de interesse especial, políticas de clientela e políticas
empreendedoras.
Estas tipologias são fundamentais para entender as dinâmicas e os desafios do processo de políticas
públicas. Elas não apenas ajudam a classificar e compreender diferentes políticas, mas também fornecem insights
sobre como os atores políticos e institucionais interagem e como as políticas afetam a sociedade. Ao desenvolver
cada uma dessas tipologias individualmente, exploraremos mais detidamente os tipos de políticas públicas.
17
Secchi, Leonardo. Políticas Públicas: conceitos, casos práticos, questões de concursos. 3ª edição. São Paulo: Cengage, 2020.
18
SOUZA, Alênicon Pereira de. Políticas Públicas para o Desenvolvimento Associado com a Inovação: Uma análise da
formulação e de narrativas de atores envolvidos na implementação do Programa Agentes Locais de Inovação – ALI – em
Campina Grande. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Regional), Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento
Regional, Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande-PB, 2015. p. 21.
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Vamos começar explicando a tipologia de Lowi, que é uma das abordagens mais influentes no estudo
das políticas públicas. Theodore J. Lowi, cientista político, propôs uma classificação das políticas públicas com base
na natureza dos processos de tomada de decisão e implementação. Segundo Lowi, as políticas públicas podem
ser categorizadas em quatro tipos principais: políticas distributivas, políticas redistributivas, políticas regulatórias
e políticas constituintes.
3. Políticas Regulatórias: As políticas regulatórias são aquelas que impõem restrições ou criam regras
com as quais indivíduos e empresas devem cumprir. Elas são projetadas para modificar o comportamento
econômico ou social e frequentemente envolvem algum tipo de sanção ou penalidade para a não conformidade.
Exemplos incluem regulações ambientais, leis de segurança no trabalho e normas para setores como bancos e
telecomunicações.
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É importante notar que essa tipologia de Lowi não é rígida; muitas políticas podem apresentar
características de mais de um tipo. Além disso, diferentes abordagens e teorias podem classificar as políticas
públicas de maneiras distintas, enfatizando outros aspectos como os objetivos, os meios de implementação, os
atores envolvidos, ou os impactos sociais e econômicos.
Essa tipologia é útil para analisar e entender como diferentes tipos de políticas são formuladas, quais
interesses estão em jogo, como elas são implementadas e quais são seus efeitos sobre a sociedade. Ao estudar
políticas públicas através desse prisma, podemos obter insights valiosos sobre os processos políticos e
administrativos que moldam nossa vida coletiva.
Theodore Lowi criou um modelo de análise de políticas públicas que as divide em quatro tipos, e no último
governo, foi adotada a Medida Provisória no 1.046/2021, que autorizou o empregador a suspender, sem
multas ou encargos, o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) referente a
determinado período. Conforme o modelo de Lowi, a mencionada medida provisória pertence às politicas
públicas
( A ) redistributivas.
( B ) distributivas.
( C ) constitutivas.
( D ) regulatórias.
( E ) securitárias.
Comentário:
Gabarito: D
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“concedem benefícios concentrados a algumas categorias de atores e implicam custos concentrados sobre
outras categorias de atores. É um tipo de política que provoca muitos conflitos, pois representa um jogo de
soma zero. Exemplos clássicos são cotas raciais para universidades, políticas de benefícios sociais ao
trabalhador e os programas de reforma agrária”.
b) Distributivas. ERRADA. As políticas distributivas são caracterizadas pela alocação de recursos em várias
formas, como subsídios ou benefícios diretos aos interessados. A definição de distribuição de recursos e
identificação dos beneficiários normalmente ocorre através de legislação específica.
“são financiadas pelo conjunto da sociedade e os benefícios são distribuídos atendendo as necessidades
individualizadas, ou seja, o governo distribui recursos a uns, sem que isso afete outros grupos ou indivíduos. A
ausência de desfavorecidos gera uma arena baseada no cooptação desenvolvendo numa arena menos
conflituosa”.
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“são regras sobre os poderes e regras sobre as regras”, ou seja, são aquelas políticas que definem as
competências, jurisdições, regras da disputa política e da elaboração de políticas públicas. São chamadas
meta-policies, porque se encontram acima dos outros três tipos de políticas e comumente moldam a dinâmica
política nessas outras arenas”.
d) Regulatórias. CERTA. Políticas regulatórias envolvem a supervisão estatal sobre a utilização de recursos
ou a execução de atividades por variados segmentos da sociedade. Estas políticas visam estabelecer
padrões de comportamento para indivíduos ou grupos, com o objetivo de proteger o interesse público e
manter equilíbrio em relações competitivas.
“estabelecem padrões de comportamento, serviço ou produto para atores públicos e privados. Exemplos desse
tipo de políticas são as regras para a segurança alimentar, para operação de mercado financeiro, regras de
tráfego aéreo, códigos de trânsito, leis e códigos de ética em assuntos como aborto e eutanásia ou, ainda,
proibição de fumo em locais fechados e regras para publicidade de certos produtos”.
e) Securitárias. ERRADA. As políticas securitárias, segundo a tipologia proposta por Lowi, diferenciam-se
pelo conteúdo e impacto, resultando em variadas formas de resolução de conflitos na esfera política.
“Os processos de elaboração, gestão e implantação de políticas públicas articulados em ambientes de maior
ou menor conflito, segundo Lowi, têm estreita relação com os padrões que essas assumem: distributivas,
normativas, redistributivas e constitutivas”.
Gabarito: letra D.
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James Q. Wilson propôs uma abordagem inovadora para classificar políticas públicas com base na
distribuição de custos e benefícios. Segundo Wilson, as políticas podem ser divididas em quatro categorias
principais, vejamos:
2. Políticas de Interesse Especial: Estas políticas beneficiam pequenos grupos, mas os custos
também são concentrados em grupos específicos. São frequentemente o resultado de lobbies e negociações
políticas, como regulamentações que beneficiam uma indústria específica, mas prejudicam outra.
3. Políticas de Clientela: Benefícios concentrados, custos difusos. Estas políticas beneficiam grupos
específicos, enquanto os custos são amplamente distribuídos pela sociedade. Um exemplo pode ser encontrado
em programas de subsídios culturais que beneficiam artistas ou instituições culturais específicas.
Esta tipologia de Wilson é útil para entender como diferentes políticas são percebidas pelos cidadãos
e pelas partes interessadas, e como isso afeta a política e a tomada de decisões.
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14. INÉDITA
De acordo com a tipologia de James Q. Wilson sobre políticas públicas, que leva em consideração a
distribuição de custos e benefícios, analise as seguintes afirmações e identifique qual delas está correta:
( A ) Políticas de Interesse Especial são aquelas em que tanto os benefícios quanto os custos são amplamente
distribuídos pela sociedade. Um exemplo seria a legislação ambiental, que beneficia o público em geral, mas
distribui os custos por toda a sociedade.
( B ) Políticas de Distribuição Concentrada são caracterizadas por benefícios difusos e custos concentrados.
Um exemplo seria a regulamentação que impõe restrições a indústrias poluentes, beneficiando o meio
ambiente.
( C ) Políticas de Clientela oferecem benefícios a grupos específicos, com custos amplamente distribuídos
pela sociedade. Exemplos incluem programas de subsídios culturais que beneficiam artistas ou instituições
culturais.
( D ) Políticas Empreendedoras são aquelas onde os benefícios são concentrados em grupos específicos,
enquanto os custos são difusos. Um exemplo seria subsídios agrícolas que beneficiam um pequeno número
de agricultores.
Comentário:
Gabarito: C
a) Políticas de Interesse Especial são aquelas em que tanto os benefícios quanto os custos são
amplamente distribuídos pela sociedade. Um exemplo seria a legislação ambiental, que beneficia o público
em geral, mas distribui os custos por toda a sociedade. ERRADA. Políticas de Interesse Especial, na verdade,
beneficiam pequenos grupos, enquanto os custos também são concentrados em grupos específicos. Elas são
frequentemente o resultado de lobbies e negociações políticas e tendem a afetar setores específicos, ao contrário
do que sugere a alternativa.
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Gabarito: letra C
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Para compreender a tipologia de William Gormley, que oferece uma perspectiva única na classificação
das políticas públicas. Esta tipologia foca em dois aspectos críticos: a visibilidade pública e a complexidade
técnica das políticas. Vamos explorar cada categoria dentro desta abordagem.
Tipologia de Gormley
- Características: Estas políticas são aquelas que nem atraem a atenção do público em geral nem
exigem uma compreensão técnica avançada. Elas geralmente passam despercebidas no debate público e são
compreendidas e administradas facilmente por burocratas.
- Exemplo: A implementação de uma nova sinalização de trânsito em uma pequena cidade. Esta
política não gera grandes debates ou atenção da mídia e é tecnicamente simples de ser implementada.
- Impacto: O impacto direto destas políticas é frequentemente localizado e específico, não gerando
ampla discussão ou controvérsia.
- Características: Estas políticas são tecnicamente complexas, mas não capturam o interesse do
público geral. Elas requerem especialização técnica significativa, mas operam fora do escrutínio público intenso.
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- Exemplo: A regulamentação de normas para descarte de resíduos químicos por indústrias. Apesar
de sua complexidade técnica e importância ambiental, tais políticas raramente se tornam um tópico de interesse
público amplo.
- Características: São políticas que atraem muita atenção pública e são relativamente simples de
entender e implementar. Estas políticas são frequentemente discutidas nos meios de comunicação e são
acessíveis ao entendimento do público geral.
- Impacto: Devido à sua alta visibilidade, estas políticas têm um grande potencial para moldar a
opinião pública e a percepção do governo.
- Características: Estas políticas são tanto tecnicamente complexas quanto altamente visíveis para
o público. Elas requerem um entendimento técnico detalhado e também estão no centro das atenções do público
e da mídia.
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A tipologia de Gormley é fundamental para entender como diferentes tipos de políticas públicas são
percebidas e gerenciadas. Ela nos permite ver como a complexidade técnica e a visibilidade pública interagem para
criar desafios únicos na formulação e implementação de políticas. Por esta tipologia, é possível equilibrar a
necessidade de especialização técnica com a gestão da percepção e envolvimento público.
15. INÉDITA
Considerando a tipologia de William Gormley para classificar políticas públicas, baseada em visibilidade
pública e complexidade técnica, identifique a alternativa correta:
( A ) Políticas de Baixa Visibilidade, Alta Complexidade são aquelas que, apesar de simples, atraem grande
atenção do público. Um exemplo seria um novo feriado nacional, que gera amplo debate mas é de fácil
compreensão.
( B ) Políticas de Alta Visibilidade, Baixa Complexidade caracterizam-se por sua complexidade técnica e
atenção significativa da mídia. Um exemplo seria a reforma do sistema de saúde.
( C ) Políticas de Alta Visibilidade, Alta Complexidade são simples e geram pouco debate público. Exemplos
incluem políticas de sinalização de trânsito em cidades pequenas.
( D ) Políticas de Baixa Visibilidade, Baixa Complexidade são aquelas que não atraem atenção significativa
do público e são tecnicamente simples. Um exemplo seria a implementação de nova sinalização de trânsito
em uma pequena cidade.
( E ) Políticas de Alta Visibilidade, Alta Complexidade são aquelas que têm baixa complexidade técnica e
atraem atenção mínima do público. Exemplos incluem regulamentações para o descarte de resíduos
químicos por indústrias.
Comentário:
Gabarito: C
a) Políticas de Baixa Visibilidade, Alta Complexidade são aquelas que, apesar de simples, atraem
grande atenção do público. Um exemplo seria um novo feriado nacional, que gera amplo debate mas é de
fácil compreensão. ERRADA. Políticas de Baixa Visibilidade, Alta Complexidade são tecnicamente complexas,
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mas não capturam grande interesse público. O exemplo dado corresponde mais à categoria de Políticas de Alta
Visibilidade, Baixa Complexidade.
c) Políticas de Alta Visibilidade, Alta Complexidade são simples e geram pouco debate público.
Exemplos incluem políticas de sinalização de trânsito em cidades pequenas. ERRADA. Esta descrição é o
oposto das Políticas de Alta Visibilidade, Alta Complexidade, que são complexas e altamente debatidas. Políticas
de sinalização de trânsito em cidades pequenas seriam classificadas como de Baixa Visibilidade, Baixa
Complexidade.
d) Políticas de Baixa Visibilidade, Baixa Complexidade são aquelas que não atraem atenção
significativa do público e são tecnicamente simples. Um exemplo seria a implementação de nova sinalização
de trânsito em uma pequena cidade. CERTA. Esta alternativa descreve corretamente as Políticas de Baixa
Visibilidade, Baixa Complexidade. São políticas que passam despercebidas pelo grande público e não exigem uma
compreensão técnica avançada, como a implementação de sinalização de trânsito em pequenas cidades.
e) Políticas de Alta Visibilidade, Alta Complexidade são aquelas que têm baixa complexidade
técnica e atraem atenção mínima do público. Exemplos incluem regulamentações para o descarte de resíduos
químicos por indústrias. ERRADA. Esta descrição não é adequada para as Políticas de Alta Visibilidade, Alta
Complexidade, que são tanto tecnicamente complexas quanto altamente visíveis ao público. As regulamentações
para o descarte de resíduos químicos por indústrias seriam mais apropriadamente classificadas como de Baixa
Visibilidade, Alta Complexidade.
Gabarito: letra D
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A tipologia proposta por Bo Gustafsson, oferece uma abordagem para entender as políticas públicas,
focando no conhecimento e na intenção do formulador de políticas (policymaker). Esta perspectiva é
particularmente interessante porque se afasta de critérios mais comuns como distribuição de benefícios ou
visibilidade pública e se concentra nas características cognitivas e motivacionais dos responsáveis pela elaboração
das políticas. Vamos explorar essa ideia em detalhes.
Conhecimento do Policymaker
19
Policymaker: Termo utilizado para descrever indivíduos ou grupos responsáveis pela formulação de políticas públicas. Em
um sentido amplo, um policymaker pode ser qualquer pessoa que tenha um papel ativo na criação, desenvolvimento ou
implementação de políticas e estratégias governamentais. Isso inclui, mas não se limita a, legisladores, burocratas de alto
escalão, membros do executivo (como presidentes e ministros), e até mesmo influenciadores não-governamentais, como
especialistas e líderes de opinião, que podem moldar a agenda e o conteúdo das políticas públicas. O papel de um policymaker
é crucial no processo de governança, pois suas decisões e ações podem ter impactos significativos em diversos aspectos da
sociedade.
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- Implicações: Políticas formuladas por indivíduos com alto nível de conhecimento tendem a ser mais
bem fundamentadas, realistas e eficazes. Em contrapartida, a falta de conhecimento pode levar a políticas mal
concebidas, que não abordam adequadamente os problemas ou que produzem efeitos colaterais indesejados.
Intenção do Policymaker
- Aspectos: Aqui, o foco é nas motivações e objetivos do formulador de políticas. Isso pode variar
desde intenções genuinamente alinhadas com o bem público até motivações mais centradas em interesses
pessoais, políticos ou de grupos específicos.
- Implicações: A intenção por trás de uma política pode afetar profundamente tanto a sua concepção
quanto a sua implementação. Políticas formuladas com a intenção de beneficiar o público tendem a ser mais
inclusivas e equitativas. Por outro lado, políticas motivadas por interesses particulares podem levar a resultados
que favorecem grupos específicos em detrimento do bem comum.
- Políticas Baseadas em Conhecimento Sólido: Um exemplo pode ser uma política ambiental
baseada em evidências científicas robustas e em uma compreensão detalhada dos impactos socioeconômicos.
Um policymaker bem informado neste caso desenvolveria estratégias que equilibram a proteção ambiental com o
desenvolvimento econômico sustentável.
- Políticas Influenciadas por Intenções Particulares: Um exemplo contrário seria uma reforma
tributária que, embora apresentada como benéfica para a economia, na realidade serve principalmente aos
interesses de grupos econômicos poderosos, refletindo as motivações subjacentes dos policymakers.
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Tipologia de Gustafsson
A tipologia de Gustafsson classifica as políticas públicas em dois tipos principais, com base em como
os benefícios e custos são distribuídos entre diferentes grupos:
1. Políticas Universalistas:
- Características: Estas políticas são caracterizadas por benefícios e custos distribuídos amplamente
entre a população. Elas visam atender às necessidades ou interesses da sociedade como um todo, e não de grupos
específicos.
- Impacto: Tais políticas tendem a ser bem-recebidas pelo público em geral, mas podem enfrentar
desafios em termos de financiamento e sustentabilidade a longo prazo devido à sua ampla abrangência.
2. Políticas Particularistas:
- Exemplo: Subsídios agrícolas para pequenos agricultores são um exemplo típico de políticas
particularistas. Estes subsídios visam apoiar um grupo específico dentro da economia - os pequenos agricultores -
potencialmente às custas de contribuintes ou outros setores da economia.
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O que torna a tipologia de Gustafsson particularmente relevante é a forma como ela destaca o
equilíbrio entre atender às necessidades gerais da população e responder às demandas de grupos específicos. Esta
abordagem nos permite analisar as políticas públicas não apenas em termos de seus objetivos declarados, mas
também em termos de quem realmente se beneficia ou é prejudicado por elas.
Por exemplo, no caso das políticas universalistas como a saúde universal, o desafio é equilibrar a
necessidade de fornecer acesso amplo e igualitário com a realidade das limitações de recursos e a sustentabilidade
financeira. Por outro lado, as políticas particularistas, embora atendam às necessidades específicas de certos
grupos, podem gerar debates sobre equidade e justiça distributiva.
Além das tipologias que classificam as políticas públicas com base em critérios como distribuição de
benefícios e custos ou complexidade técnica, Leonardo Secchi introduz conceitos adicionais muito relevantes: as
políticas simbólicas e as pseudopolíticas. Vamos explorar cada uma delas.
Políticas Simbólicas
As políticas simbólicas, conforme discutidas por Secchi, são aquelas que têm um impacto mais
simbólico do que prático. Elas são desenhadas mais para transmitir uma mensagem ou para responder a
expectativas sociais do que para provocar mudanças significativas ou resolver problemas concretos.
- Características: Estas políticas são geralmente marcadas por grandes anúncios e muita publicidade,
mas oferecem pouco em termos de resultados tangíveis. Elas são mais sobre a aparência de ação do que sobre a
ação em si.
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Pseudopolíticas
As pseudopolíticas, outro conceito proposto por Secchi, referem-se a ações que são disfarçadas de
políticas públicas, mas na realidade, não têm o objetivo de promover o bem público ou resolver problemas reais.
São ações que podem servir a interesses particulares ou de grupos específicos, muitas vezes à custa do interesse
coletivo.
- Exemplo: Uma reforma legislativa que é amplamente promovida como um avanço para a sociedade,
mas na prática serve principalmente para beneficiar um setor empresarial específico, pode ser classificada como
uma pseudopolítica.
- Impacto: O impacto das pseudopolíticas pode ser negativo para a sociedade como um todo, pois
elas podem desviar recursos e atenção de problemas reais, além de potencialmente minar a confiança no sistema
político e nas instituições.
Esses conceitos de políticas simbólicas e pseudopolíticas apresentados por Leonardo Secchi são
cruciais para uma compreensão mais profunda do cenário político. Eles nos ajudam a discernir entre ações
governamentais que são verdadeiramente voltadas para o bem público e aquelas que são mais focadas na
aparência, na manutenção de poder, ou no benefício de grupos específicos.
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Um grupo de servidores de uma instituição pública está estudando modelos de participação social em fases
do ciclo de determinada política pública. Assim, é correto afirmar que:
(C)
(E)
Comentário:
Gabarito: Errado
O modelo proposto por Gustafsson fornece uma estrutura analítica que se concentra em duas
dimensões críticas na formulação de políticas públicas. A primeira dimensão é a disposição ou propensão do
formulador de políticas (policymaker) em abordar e resolver um determinado problema. Esta variável reflete o grau
de engajamento e priorização que o responsável pela política atribui a um determinado assunto, que pode variar
desde uma postura altamente proativa e dedicada a resolver o problema até uma abordagem mais passiva ou
reativa.
A segunda dimensão chave do modelo é o nível de centralização exercido pelo ator principal na
política. Esta variável indica até que ponto o controle e a tomada de decisão estão concentrados nas mãos de um
único ator ou entidade. Em um extremo, pode haver um alto grau de centralização, onde uma única entidade ou
grupo detém a maioria do poder decisório e controle sobre a formulação e implementação da política. No outro
extremo, a centralização pode ser mínima, com múltiplos atores participando de maneira equitativa no processo
de tomada de decisão.
Ao correlacionar estas duas variáveis, o modelo de Gustafsson oferece uma perspectiva sobre como
as políticas públicas são formuladas e implementadas. A combinação da propensão do policymaker em resolver
um problema com o grau de centralização na tomada de decisão permite entender as dinâmicas de poder,
responsabilidade e eficácia nas políticas públicas. Esse modelo destaca como as características individuais dos
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Essa abordagem é particularmente útil para analisar como diferentes estilos de liderança e estruturas
organizacionais impactam a capacidade de uma política pública de atender efetivamente às necessidades e
desafios que visa resolver. Ao contrário da noção de abertura à participação, o modelo enfatiza a importância da
atitude do responsável pela política e da estrutura de governança no desenvolvimento e execução de políticas
eficazes.
A tipologia de Bozeman e Pandey oferece uma perspectiva para a análise de políticas públicas. Esta
tipologia, proposta por Barry Bozeman e Sanjay K. Pandey, foca em um aspecto fundamental das políticas: a
distinção entre políticas orientadas para o setor público e aquelas orientadas para o setor privado. Vamos
explorar cada uma dessas categorias
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- Características: Estas políticas são aquelas cujos objetivos, implementação e impactos estão
fortemente alinhados com os interesses do setor público. Elas costumam priorizar valores como equidade, acesso
público e transparência. Frequentemente, essas políticas são formuladas e implementadas por entidades
governamentais e têm como objetivo o bem-estar coletivo e a provisão de serviços públicos.
- Exemplo: Um exemplo clássico é o sistema de educação pública. Este tipo de política busca fornecer
educação de qualidade acessível a todos os cidadãos, independentemente de sua renda ou status social. O foco
está na promoção da igualdade de oportunidades e na construção de uma sociedade informada e educada.
- Impacto: Tais políticas têm um impacto profundo na sociedade, contribuindo para a equidade e
coesão social. Elas também refletem a responsabilidade do Estado em garantir serviços básicos para todos os
cidadãos.
- Características: Políticas orientadas para o setor privado são aquelas que favorecem ou são
influenciadas principalmente por interesses privados, corporativos ou comerciais. Tais políticas podem ser
formuladas pelo governo, mas com um forte enfoque em beneficiar ou envolver o setor privado, seja através de
parcerias, desregulamentação, ou incentivos fiscais.
- Exemplo: Um bom exemplo seria a concessão de subsídios fiscais para empresas em determinados
setores industriais. Essas políticas são projetadas para estimular o crescimento econômico e a competitividade de
empresas privadas, com a expectativa de que isso traga benefícios econômicos mais amplos.
- Impacto: As políticas orientadas para o setor privado podem ser eficazes na promoção da inovação
e no crescimento econômico. No entanto, elas também podem gerar discussões sobre a justiça distributiva,
especialmente se percebidas como beneficiando desproporcionalmente os interesses corporativos em detrimento
do bem público.
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A tipologia de Bozeman e Pandey é particularmente útil para analisar como diferentes políticas se
alinham com os interesses do setor público versus o setor privado. Esta análise é crucial, pois ajuda a entender as
motivações por trás das políticas, quem são os principais beneficiários e como essas políticas afetam a alocação
de recursos e a distribuição de poder na sociedade.
Por exemplo, as políticas orientadas para o setor público são fundamentais para garantir que os
direitos básicos e as necessidades da população sejam atendidos, refletindo a responsabilidade e o papel do Estado
no cuidado com seus cidadãos. Por outro lado, as políticas orientadas para o setor privado podem ser vitais para
impulsionar a economia e fomentar a inovação, mas devem ser equilibradas com a necessidade de garantir justiça
social e evitar a concentração excessiva de poder econômico.
A tipologia de Bozeman e Pandey destaca então a interação entre o setor público e privado. Esta
compreensão nos permite não apenas analisar as políticas existentes, mas também formular novas políticas de
maneira mais informada e equilibrada.
17. INÉDITA
De acordo com a tipologia de Bozeman e Pandey para classificar políticas públicas, qual das seguintes
alternativas descreve corretamente uma política orientada para o setor público e uma para o setor privado?
( A ) Política orientada para o setor público: Concessão de subsídios fiscais para empresas. Política orientada
para o setor privado: Sistema de educação pública.
( B ) Política orientada para o setor público: Estímulo ao crescimento econômico de empresas privadas.
Política orientada para o setor privado: Promoção da equidade e acesso público.
( C ) Política orientada para o setor público: Fornecimento de educação pública de qualidade. Política
orientada para o setor privado: Subsídios fiscais para setores industriais.
( D ) Política orientada para o setor público: Desregulamentação para promover inovação comercial. Política
orientada para o setor privado: Garantia de serviços básicos para todos os cidadãos.
( E ) Política orientada para o setor público: Incentivos fiscais para o aumento da competitividade
empresarial. Política orientada para o setor privado: Implementação de programas de acesso público e
transparência.
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Comentário:
Gabarito: C
a) Política orientada para o setor público: Concessão de subsídios fiscais para empresas. Política
orientada para o setor privado: Sistema de educação pública. ERRADA. A concessão de subsídios fiscais para
empresas é um exemplo de política orientada para o setor privado, enquanto o sistema de educação pública é um
exemplo de política orientada para o setor público.
e) Política orientada para o setor público: Incentivos fiscais para o aumento da competitividade
empresarial. Política orientada para o setor privado: Implementação de programas de acesso público e
transparência. ERRADA. Incentivos fiscais para o aumento da competitividade empresarial são um exemplo de
política orientada para o setor privado, enquanto programas de acesso público e transparência representam
políticas orientadas para o setor público.
Gabarito: letra C
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FIM
Chegamos aqui ao fim da nossa aula.
Qualquer dúvida que tiver, não hesite em me procurar no fórum de dúvidas ou em minhas redes sociais.
Conte comigo.
Muito obrigado.
Um forte abraço.
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Fórum de dúvidas
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