DIREITOS FUNDAMENTAIS
Universidade Federal da Bahia
FACULDADE DE DIREITO –2024
PROF. GEOVANE PEIXOTO
Direito à vida
E a vida, e a vida o que é? Numa atitude repleta de amor
Diga lá, meu irmão Você diz que é luta e prazer
Ela é a batida de um coração Ele diz que a vida é viver
Ela é uma doce ilusão Ela diz que melhor é morrer
Êh! Ôh! Pois amada não é e o verbo é sofrer
E a vida Eu só sei que confio na moça
Ela é maravilha ou é sofrimento? E na moça eu ponho a força da fé
Ela é alegria ou lamento? Somos nós que fazemos a vida
O que é? O que é, meu irmão? Como der, ou puder, ou quiser
Há quem fale que a vida da gente Sempre desejada
É um nada no mundo Por mais que esteja errada
É uma gota, é um tempo Ninguém quer a morte
Que nem dá um segundo Só saúde e sorte
Há quem fale que é um divino (Gonzaguinha)
Mistério profundo
É o sopro do criador
Constituição Federal de 1988
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
Questão: os estrangeiros residentes não têm direito à vida?
Direito à vida
“A existência humana é o pressuposto elementar de todos os demais
direitos e liberdades dispostos na Constituição. Esses direitos têm nos
marcos da vida de cada indivíduo os limites máximos de sua extensão
concreta. O direito á vida é a premissa dos direitos proclamados pelo
constituinte; não faria sentido declarar qualquer outro se, antes, não
fosse assegurado o próprio direito de estar vivo para usufruí-lo. O seu
peso abstrato, inerente à sua capital relevância, é superior a todo outro
interesse.” (BRANCO, Paulo Gustavo Gonet e MENDES, Gilmar Ferreira.
Curso de Direito Constitucional. 14ª ed. São Paulo: Saraiva, 2019,
p.259.)
Legislação Pátria -Exemplos
• Código Civil: Art. 2 o - A personalidade civil da pessoa começa do
nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os
direitos do nascituro.
• Lei nº 9.434/1997 (Doação de Órgãos): Art. 3º A retirada post mortem
de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano destinados a
transplante ou tratamento deverá ser precedida de diagnóstico de
morte encefálica, constatada e registrada por dois médicos não
participantes das equipes de remoção e transplante, mediante a
utilização de critérios clínicos e tecnológicos definidos por resolução
do Conselho Federal de Medicina.
Direito à vida
• Ausência de especificação constitucional da definição do direito
• Proteção que transcende o aspecto físico biológico, contemplando
outras dimensões de garantia da dignidade como o plano moral
• Perspectiva de pensar o direito à vida ocidental pautado em preceitos
religiosos
• Existência de várias questões que abarcam o direito à vida: pena de
morte, aborto, eutanásia, pesquisa com células-tronco, etc...
Direito à vida
“(...) a proteção da vida demanda uma ação estatal complexa e muito mais
efetiva do que aquela hoje existente. A violência, privada e estatal, o
subfinanciamento da saúde, o atraso na universalização do saneamento
básico, a ênfase no transporte individual e por automóveis, além de muitos
outros fatores, têm gerado um cenário desolador na garantia do direito à
vida no Brasil. E as desigualdades raciais, sociais, regionais e de gênero fazem
com que esse cenário seja bem mais agudo para determinados grupos de
pessoas em determinadas regiões do país. Por isso, a compreensão das
implicações da garantia constitucional do direito à vida demanda uma visão
que conecte esse direito a vários outros direitos fundamentais.” (SILVA,
Virgílio Afonso. Direito Constitucional Brasileiro. São Paulo: EDUSP, 2021, p.
155)
Eutanásia
“Acaso o direito à vida importa um dever de viver mesmo contra a
vontade do titular do direito? Ou, ao inverso, falar em direito à vida
inclui um suposto direito de a terminar a vida do modo como entender
melhor, um inusitado direito à morte? Autorizar o desligamento de
aparelhos que sustentem artificialmente a sobrevivência de quem não
preencha os requisitos para um dos critérios de morte pode, de fato,
ensejar o desfecho letal. Por outro lado, manter alguém prisioneiro
indefinidamente de máquinas que, sem lhe restaurarem a saúde,
atrelam-no, impotente, a um sofrimento sem perspectiva, é condenar a
uma vida desumana e degradante. Difícil avaliar o mal maior.” (VILLAS-
BÔAS, Maria Elisa. Da eutanásia ao prolongamento artificial. Rio de
Janeiro: Forense, 2005, p.138/139.)
ADPF nº 54 (STF) – Aborto de Fetos
Anencefálicos
Evocou Nelson Hungria, em “Comentários ao Código Penal”:
Não está em jogo a vida de outro ser, não podendo o produto da concepção atingir
normalmente vida própria, de modo que as conseqüências dos atos praticados se
resolvem unicamente contra a mulher. O feto expulso (para que se caracterize o
aborto) deve ser um produto fisiológico e não patológico. Se a gravidez se apresenta
como um processo verdadeiramente mórbido, de modo a não permitir sequer uma
intervenção cirúrgica que pudesse salvar a vida do feto, não há falar-se em aborto,
para cuja existência é necessária a presumida possibilidade de continuação da vida do
feto.
A seguir, argüiu a desinteligência de julgados, citando o exemplo estampado
no Habeas Corpus nº 84.025-6/RJ, sob a relatoria do ministro Joaquim
Barbosa, cujo desfecho, antes que o julgamento nesta Corte pudesse ocorrer,
deu-se com o término da gravidez, vindo o feto anencéfalo a falecer minutos
após o parto.