Características da Música Clássica
Características da Música Clássica
Basicamente, a música ocidental distingue-se de outras formas de música por seu sistema de notação em
partituras, em uso desde o século XVI.[4] O sistema ocidental de partituras é utilizado pelos compositores
para prescrever, a quem executa a obra, a altura, a velocidade, a métrica, o ritmo e a exata maneira de se
executar uma peça musical. Isto deixa menos espaço para práticas como a improvisação e a ornamentação
ad libitum, que são ouvidas frequentemente em músicas não europeias (ver música clássica da Índia e
música tradicional japonesa) e populares.[5][6] O gosto do público pela apreciação da música formal deste
gênero vem entrando em declínio desde o fim do século XX, marcadamente nos países anglófonos.[7] Este
período viu a música clássica ficar para trás do imenso sucesso comercial da música popular, embora o
número de CDs vendidos não seja o único indicador da popularidade do gênero.[8]
O termo "música clássica" abrange uma série de estilos musicais, desde intricadas técnicas composicionais
(como a fuga)[9] até simples entretenimento (operetas).[10] O termo só apareceu originalmente no início do
século XIX, numa tentativa de se "canonizar" o período que vai de Bach até Beethoven como uma era de
ouro.[11] Na língua inglesa, a primeira referência ao termo foi registrada pelo Oxford English Dictionary,
em cerca de 1836.[1][12] Hoje em dia, o termo "clássico" aplica-se aos dois usos: "música clássica" no
sentido que alude à música escrita "modelar," "exemplar," ou seja, "de mais alta qualidade", e, stricto sensu,
para se referir à música do classicismo, que abrange o final do século XVIII e parte do século XIX.
Características
Devido à grande diversidade de formas, estilos, gêneros e períodos históricos que geralmente são descritos
pelo termo "música clássica", é uma tarefa complexa listar características que possam ser atribuídas a todas
as obras deste tipo de música. Existem, no entanto, características que a música clássica tem e que poucos
(ou até mesmo nenhum outro) tipos de músicas apresentam.
Instrumentação
A música clássica frequentemente se distingue pelo
amplo uso que faz de instrumentos musicais de
diferentes timbres e tonalidades, criando um som
profundo e rico. Os diferentes movimentos da música
clássica foram afetados principalmente pela invenção e
modificação destes instrumentos ao longo do tempo.
Embora a música clássica não tenha um "conjunto" de
instrumentos necessários para que certos padrões de Orquestra Sinfônica de Porto Alegre em concerto
sua execução sejam preenchidos, os compositores na UFRGS
escrevem suas obras tendo em mente diferentes
conjuntos instrumentais:
Embora o temperamento igual tenha passado gradualmente a ser aceito como o temperamento dominante
durante o século XIX, diferentes temperamentos foram usados, historicamente, nas músicas dos períodos
mais arcaicos.[15][16] Por exemplo, a música do Renascimento Inglês frequentemente é executada no
temperamento mesotônico. Os instrumentos de teclado quase todos partilham a mesma disposição das teclas
(chamado frequentemente de 'teclado de piano'), embora sejam quase sempre tocados com técnicas
diferentes de acordo com cada instrumento.
Os compositores clássicos frequentemente aspiram instilar em sua obra um complexa relação entre seu
conteúdo afetivo (emocional) e os meios intelectuais usados para obter este conteúdo. Muitas das obras mais
apreciadas da música clássica utilizam o desenvolvimento musical, processo pelo qual um motivo ou ideia
musical é repetido em diferentes contextos, ou em formatos e formas alterados. Os gêneros clássicos como a
forma sonata e a fuga empregam formas rigorosas de desenvolvimento musical.
O desejo da parte dos compositores da música clássica de obter grandes feitos técnicos ao compor sua
música, partilhado pelos músicos do estilo, que se deparam com metas similares de domínio técnico, é
demonstrado pela quantidade proporcionalmente alta de tempo que dedicam a instrução e estudo,
comparado aos músicos "populares", e pelo grande número de escolas secundárias, incluindo
conservatórios, dedicados ao estudo e ensino da música clássica. O único outro gênero de música, no
Ocidente, que apresenta oportunidades comparáveis de educação secundária é o jazz.
Complexidade
A performance do repertório de música clássica frequentemente exige um nível significativo de domínio
técnico por parte do músico; a proficiência na leitura à primeira vista e na execução em conjunto, a
compreensão minuciosa dos princípios tonais e harmônicos, o conhecimento da prática de performance e
uma familiaridade com o idioma estilístico e musical inerente a determinado período, compositor e obra
musical estão entre as aptidões mais essenciais para um músico com treinamento clássico. Obras do
repertório clássico frequentemente exibem uma complexidade artística através do uso do desenvolvimento
temático, do fraseado, da modulação, dos períodos, seções e movimentos. A análise musical de uma
composição tem como meta atingir uma maior compreensão desta obra, levando a uma audição mais plena
de significado, e com maior apreciação, do estilo de um compositor.
Sociedade
Muitas vezes tida como opulenta ou representante de uma sociedade
refinada, a música clássica geralmente é vista como pouco popular
com a sociedade proletária, esta visão porém pode ser equivocada
visto que até mesmo no período clássico, as óperas bufas de Mozart,
como Così fan tutte, ou as óperas de Verdi no século XIX eram
muito populares entre as camadas menos favorecidas da sociedade.
Nos dias de hoje, a tradicional percepção de que apenas as classes
mais abastadas têm acesso e apreciam a música clássica, ou até
mesmo que a música clássica representa esta sociedade de classes
altas, é cada vez mais vista como incorreta, visto que diversos dos
músicos clássicos em atividade têm origem na classe média,[17] um
músico de uma orquestra sinfônica não faz necessariamente da
música de concerto o seu único campo de trabalho, muitos
trabalham simultaneamente com música popular, seja em gravações
de discos de artistas populares, bandas ou até mesmo blocos de
carnaval, principalmente no caso dos músicos dos naipes de sopros
e percussão.[18] Frequentadores de concertos e compradores de
CDs do gênero não pertencem necessariamente às classes mais
altas.
A música clássica é também frequentemente utilizada na cultura pop O brasileiro Heitor Villa-Lobos,
como música de fundo para filmes, programas de televisão e amplamente considerado o maior
anúncios publicitários; como resultado disto, a maior parte das compositor das américas e um dos
maiores de todos os tempos.
pessoas no Ocidente regularmente - muitas vezes de maneira
desavisada - escuta peças de música clássica. Pode-se, assim,
argumentar que os níveis relativamente baixos de vendagem das gravações de música clássica não são um
bom indicador de sua popularidade real. Em tempos mais recentes a associação de certas peças clássicas
com alguns eventos relevantes levou a breves aumentos no interesse por determinados gêneros clássicos.
Um bom exemplo disto foi a escolha da ária "Nessun dorma", da ópera Turandot, de Giacomo Puccini,
como música-tema da Copa do Mundo de 1990, o que levou a um notável aumento no interesse popular
pela ópera e, em particular, pelas árias cantadas por tenores, o que eventualmente levou aos concertos e
álbuns de grande sucesso dos Três Tenores.
Outra característica do público erudito é a exigência que se tem com Interior de uma casa de ópera
relação aos intérpretes - podendo ser até vaiados em apresentações - barroca
mas também a devoção que demonstram àqueles que não carecem
de qualidade - numerosos são os "Bravíssimos!" a estes artistas.
A atmosfera do concerto sempre estará intimamente ligada à natureza da música apresentada - talvez seja
leve como uma comédia de Rossini ou tensa como as aventuras do Peer Gynt de Edward Grieg. O público
erudito, como qualquer público de qualquer estilo de música, liga muito seus sentimentos àquilo que escuta.
Hoje também se tem um contato menos frio do artista-público. Hoje é comum o maestro ou o solista se
dirigirem à sua plateia, do mesmo jeito que perdeu-se o costume de usar traje social nestes concertos - estas
atitudes tem, como principal objetivo, fazer com que a população toda volte a ter mais contato com a música
erudita e perca o preconceito de que a música erudita seja "chata" ou para ricos.
E cada vez mais frequentemente, surgem os espetáculos que pretendem desmitificar esse lado "snob". Os
concertos Promenade, na Inglaterra; a Folle Journée na França (em Nantes); a "Festa da Música" em
Portugal, no Centro Cultural de Belém e O "Festival Internacional de Inverno ([Link]
[Link]/)" no Brasil (em Domingos Martins) são iniciativas que marcam a democratização de um
gênero musical que faz, sem dúvida, parte do patrimônio cultural da humanidade.
Durante a época barroca, a improvisação era muito comum. Interpretações recentes das obras pertencentes a
esse período pretendem fazer reviver a prática da improvisação, tal como era feita nessa fase da história da
música. Durante o período clássico, Mozart e Beethoven improvisavam, por exemplo, as cadenzas dos seus
concertos para piano, quando eram eles mesmos os solistas - dando menos liberdade se o pianista fosse
qualquer outro; razão para dizer que não deixavam a sua reputação em mãos alheias.
Outra polémica que costuma existir como consequência da veneração da obra original do compositor tem a
ver com a utilização ou não de instrumentos da época da composição da obra, nas interpretações modernas
das peças musicais mais antigas. Alguns intérpretes e condutores, como Jordi Savall, têm uma abordagem
mais historicista: pretende-se tocar a obra nas mesmas condições em que foi criada, ainda que os
instrumentos actuais sejam perfeitamente idóneos, ou superiores, em termos técnicos. Outros, como o já
citado Glenn Gould, não se preocupam ao adaptar ou mesmo melhorar obras eruditas escritas para um
instrumento, tocando-as noutro, mais moderno. Nesse último caso está a interpretação em piano de obras
escritas para cravo, por Johann Sebastian Bach.
História
Ver também: História da música
As principais divisões cronológicas da música clássica são: o período da música antiga, que inclui a música
medieval (476 – 1400) e a renascentista (1400 – 1600), o período da prática comum, que inclui os períodos
barroco (1600 – 1750), clássico (1730 – 1820) e romântico (1815 – 1910), e os períodos moderno e
contemporâneo, que incluem a música clássica do século XX (1900 – 2000) e a música clássica
contemporânea (1975 – presente).
As datas são generalizações, já que os períodos frequentemente se sobrepõem, e as categorias são um tanto
arbitrárias. O uso, por exemplo, do contraponto e da fuga, considerados característico do período barroco,
foi continuado por Haydn, que é classificado como um compositor típico do período clássico. Beethoven,
que frequentemente é descrito como o fundador do período romântico, e Brahms, que é classificado como
um romântico, também usavam o contraponto e a fuga - porém outras características de suas obras
definiram esta categorização.
O prefixo neo- é utilizado para descrever uma obra feita no século XX ou contemporânea porém composta
no estilo de um período anterior, como clássico ou romântico. O balé Pulcinella, de Stravinsky, por
exemplo, é uma composição neoclássica porque é estilisticamente semelhante a obras do período clássico.
Origem
A origem da música clássica ocidental estão na música litúrgica cristã, embora tenha influências que datam
da Grécia Antiga; o desenvolvimento de determinadas tonalidades e escalas já havia sido estabelecido por
antigos gregos como Aristoxeno e Pitágoras.[19] Pitágoras criou um sistema de afinação, e ajudou a
codificar a notação musical em uso na época. Antigos instrumentos usados na Grécia, como o aulo (um
instrumento de palheta) e a lira (semelhante a uma pequena harpa) levaram ao eventual desenvolvimento
dos instrumentos usados atualmente nas orquestras clássicas ocidentais.[20] Este período na história da
música, que vai até a queda do Império Romano (476 d.C.), é chamado de música da Antiguidade; pouco
restou do período, no entanto, em termos de evidências musicais, e a sua maior parte veio do mundo grego.
Período antigo
O período medieval inclui a música feita a partir da queda de Roma
até por volta de 1400. O canto monofônico, também conhecido
como canto gregoriano, foi a forma dominante até cerca de
1100.[21] A música polifônica (com múltiplas vozes) se desenvolveu
na segunda metade da Idade Média e ao longo do Renascimento,
período em que se desenvolveram as formas mais sofisticadas,
como os motetos. O período renascentista, que durou
aproximadamente de 1400 a 1600, foi caracterizado pelo uso cada
vez maior da instrumentação, de linhas melódicas que se
entrelaçam, e dos primeiros instrumentos descritos como baixos. A
dança como forma de evento social tornou-se cada vez mais
difundida, e por consequência formas musicais apropriadas a
acompanhar estas ocasiões passaram a ser padronizadas.
Foi neste período que a anotação da notas numa pauta e outros Manuscrito do Agnus Dei da Missa
elementos da notação musical começaram a tomar forma.[22] Este Barcelona, século XIV. Biblioteca da
Catalunha, Barcelona.
fato tornou possível a separação da composição de uma peça de
música de sua transmissão; sem a música escrita, a transmissão era oral, e estava sujeita a mudanças cada
vez que era retransmitida. Com uma partitura, uma obra musical podia ser executada em toda a sua
integridade sem a necessidade da presença do compositor.[23] A invenção da prensa de tipos móveis, no
século XV, teve grandes consequências na conservação e transmissão da música feita a partir deste
período.[24]
Entre os instrumentos de corda típicos do período antigo estão a harpa, o alaúde, a viela e o saltério,
enquanto instrumentos de sopro incluíam a família da flauta (incluindo a flauta doce), a charamela (um
membro antigo da família do oboé), o trompete e a gaita de foles. Alguns órgãos existiam, porém estavam
em sua maioria restritos a igrejas, embora existissem variantes razoavelmente portáteis.[25] Posteriormente,
ao fim do período, começaram a surgiram versões antigas dos instrumentos de teclado, como o clavicórdio e
o cravo. Instrumentos de corda como a viola da gamba também começaram a aparecer no século XVI,
juntamente com uma ampla gama de instrumentos de metais e madeiras. A impressão permitiu a
padronização das descrições e das especificações destes instrumentos, juntamente com uma maior difusão
das instruções de seu uso.[26]
Em termos de características musicais, durante o período da chamada música renascentista, no século XIII,
começa-se a repetição de melodias inteiras e surge a notação métrica, abandonando-se os ritmos medievais.
Em substituição ao sistema modal surgem as tonalidades maiores e menores. Surge o cromatismo e
aumenta-se o uso de instrumentação. um dos principais estilos da época foi o madrigal.
Período barroco
A música barroca caracteriza-se pelo uso de complexos contrapontos tonais e pelo uso de uma linha
contínua de baixo. Os inícios da forma sonata foram estabelecidos na canzona, bem como uma noção mais
formal de tema e variações. As tonalidades maior e menor também tomaram forma como meio de
administrar a dissonância e o cromatismo na música.[27]
Durante o período, a música tocada em instrumentos de teclado, como o cravo e o órgão tornaram-se
gradativamente mais populares, e a família de instrumentos de corda do violino assumiu a forma pela qual é
conhecida hoje. A ópera, uma forma de drama musical sobre o palco, começou a se diferenciar das outras
formas musicais e dramáticas, e outras formas vocais como a cantata e o oratório também se tornaram mais
comuns.[28] Grupos instrumentais passaram a ficar cada vez mais diversificados, e suas formações foram se
padronizando; surgiram os grandes grupos de músicos, as primeiras orquestras, e a música de câmara,
composta para grupos menores de instrumentos, onde cada parte era executada por um instrumento
individual, no lugar de um grupo de instrumentos semelhantes. O concerto, como veículo para uma
performance solo acompanhada de uma orquestra, tornou-se extremamente difundido - embora a relação
entre solista e orquestra ainda fosse relativamente simples. As teorias em torno do temperamento igual
começaram a ser postas em prática, na medida em que possibilitavam uma amplitude maior de
possibilidades cromáticas em instrumentos de teclado de difícil afinação. O temperamento igual possibilitou,
por exemplo, a composição do Cravo Bem Temperado, de Johann Sebastian Bach.[29]
Período clássico
O período clássico, que vai de cerca de 1750 a 1820, estabeleceu
muitas das normas de composição, apresentação e estilo do gênero.
Foi durante este período que o piano se tornou o principal
instrumento de teclado. As forças básicas necessárias para uma
orquestra tornaram-se razoavelmente padronizadas (embora viessem
a crescer à medida que o potencial de uma gama maior de
instrumentos passou a ser desenvolvido nos séculos seguintes). A
música de câmara cresceu e passou a abranger grupos com 8 ou até
10 músicos, em serenatas. A ópera continuou seu desenvolvimento,
com estilos regionais evoluindo paralelamente na Itália, na França e
nos países de fala alemã, e a ópera-bufa, ou ópera cômica,
conquistou maior popularidade. A sinfonia despontou como forma
musical, e o concerto foi desenvolvido até se tornar um veículo para
demonstrações de virtuosismo técnico dos instrumentistas. As
Retrato de Mozart.
orquestras dispensaram o cravo (que fazia parte do tradicional
continuo, no estilo barroco) e passaram a ser regidas pelo primeiro-
violino (conhecido como o spalla).[30]
Instrumentos de sopro se tornaram mais refinados durante o período clássico. Enquanto instrumentos de
palheta dupla como o oboé e o fagote eram razoavelmente padronizados no barroco, a família da clarinete,
de palheta simples, não eram utilizados com frequência até que Mozart ampliasse o seu papel nos contextos
orquestrais, de câmara e de concerto.
O Classicismo na música é caracterizado pela claridade, simetria e equilíbrio, seu período coincidiu com o
Iluminismo, que enfatizava a razão e a lógica.
Como já foi dito, a "música clássica", propriamente dita, corresponde a um período da história da música,
também referido como Classicismo vienense. Alguns autores preferem escrever, para evitar confusões,
música Clássica (com o C maiúsculo) para referir-se a música Erudita composta no período do Classicismo.
Período romântico
A música do período romântico, que vai aproximadamente da segunda década do século XIX ao início do
século XX, caracterizou-se por uma atenção cada vez maior a uma linha melódica extensa, assim como
elementos expressivos e emotivos, paralelando o Romantismo nas outras formas de arte. As formas musicais
começaram a se distanciar dos moldes usados na era clássica (mesmo aqueles que já haviam sido
codificados), e surgem peças em forma livre como noturnos, fantasias e prelúdios, ao mesmo tempo em que
as ideias preconcebidas a respeito da exposição e do desenvolvimento destes temas passaram a ser
minimizadas ou mesmo ignoradas.[31] A música tornou-se mais cromática, dissonante, com tonalidades mais
coloridas e um aumento nas tensões (no que diz respeito às normas aceitas pelas formas anteriores)
envolvendo as armaduras tonais.[32] A canção de arte (ou Lied) amadureceu neste período, bem como as
proporções épicas da grand opéra, que culminaram com o Ciclo dos Aneis, de Richard Wagner.[33] Este
período foi marcado por Beethoven.
No século XXI, verifica-se uma tendência de retorno à tonalidade, ao mesmo tempo em que recursos
surgidos no século XX continuam sendo aproveitados. Importantes compositores em atividade no século
XXI são Krzysztof Penderecki, Arvo Pärt e Thomas Adès. Neste século destacam-se também compositoras
mulheres, como Missy Mazzoli e Cheryl Frances-Road, além da menina-prodígio Alma Deutscher, nascida
em 2005.
Pode-se argumentar que a música erudita, em grande parte, mas nem sempre, tem como característica uma
maior complexidade. Mais especificamente, a música erudita envolve um maior número de modulações
(mudança da tónica), recorre menos à repetição de trechos substanciais da peça musical (na música popular
o refrão é comum), além de recorrer a um uso mais vasto das frases musicais, que não são limitadas por uma
extensão conveniente para a sua popularidade entre o público (ou seja, que permita à música "entrar no
ouvido" ou seja, na memória). Na música erudita, o minimalismo vai contra estas tendências que se
acabaram de aplicar. No entanto, é normal que a música erudita permita a execução de obras mais vastas em
termos de duração (variando de meia hora a três horas), usualmente divididas em partes mais pequenas (os
"movimentos"). Também aqui existem excepções: as miniaturas, as bagatelas e as canções (como as de
Schubert).
A música popular pode no entanto ser bastante complexa em diferentes dimensões. O jazz pode fazer uso
de uma complexidade rítmica que não acontece numa larga maioria de obras clássicas. A música popular
pode recorrer também a acordes complexos que destoariam (ou não, mas, em todo o caso são pouco
usados) numa peça erudita. A verdade é que aquilo a que se chama de música erudita é um campo de uma
vastidão enorme, difícil de espartilhar numa ou noutra regra.
A escolha dos instrumentos utilizados para a execução das obras também pode diferir muito. No início, a
música erudita apenas se utilizou de instrumentos acústicos, não elétricos, e que foram, na sua maioria,
inventados antes de meados do século XIX, ou muito antes disso. Consistem, essencialmente, nos
instrumentos que fazem parte de uma orquestra, em conjunto com alguns instrumentos solistas (o piano, a
harpa, o órgão…). Na música popular (pelo menos na moderna), a guitarra eléctrica tem um grande
protagonismo, enquanto que sua participação só passou a ser considerada anos depois por parte dos
compositores contemporâneos. A partir daí, os dois gêneros vem experimentando instrumentos eletrônicos e
elétricos (como o sintetizador, a banda magnética…) bem como instrumentos de outras culturas até agora
afastadas da tradição musical ocidental (como o conjunto de instrumentos de percussão orientais chamados
de gamelan).
Outra especulação interessante é saber se as peças de música popular continuarão a ser ouvidas, ao longo
do tempo, permanecendo tanto quanto as peças de música erudita. Enquanto que estas permaneciam devido
à sua natureza escrita, a música popular (bem como as interpretações individuais das obras clássicas) tem
hoje à sua disposição os registros gravados em suporte de qualidade. Se é certo que algumas peças de
música popular que eram grandes êxitos há poucos anos já estão praticamente esquecidos, a verdade é que
também muitas peças musicais ditas eruditas deixam de fazer parte do repertório das orquestras,
reaparecendo pontualmente, quando algum intérprete as "descobre". Os adeptos da música erudita podem
acreditar que o seu gênero tende mais para a intemporalidade. No entanto, muitos artistas populares poderão
permanecer e ganhar o estatuto de músicos de culto. Ainda que quando alguém ouve música popular
relativamente antiga (de algumas décadas atrás) se utilize mais a expressão "nostalgia" por algo passado,
que não pertence ao presente; sentimento que raramente se encontra entre os adeptos da música erudita. Só
o tempo poderá demonstrar qual a música que permanecerá. Erudita ou popular, a qualidade de cada uma
estará sempre sujeita à avaliação subjectiva dos ouvintes do futuro, Heitor Villa-Lobos já na década de 1930
demonstrou que as barreiras entre os dois estilos são muito frágeis ao beber na fonte do Choro, da música
popular Brasileira e de Bach para compor as suas Bachianas Brasileiras. Radamés Gnattali também foi um
grande responsável pela diluição das fronteiras entre erudito e popular no Brasil, atuando em praticamente
todos os terrenos: deixou larga obra sinfônica e camerística e foi um dos mais importantes arranjadores
brasileiros, de atuação na música popular. César Guerra-Peixe utilizou amplamente temas folclóricos e
regionais do nordeste brasileiro para compor a sua obra.
Diversos compositores eruditos apresentaram abordagens para a educação musical. O alemão Carl Orff
propôs o instrumental Orff, um método para que crianças pudessem aprender música. Tal método usa
formas rudimentares de atividades diárias para jovens, como cantar em grupo, praticar rimas e tocar
instrumentos de percussão. É baseado amplamente na improvisação e em construções tonais originais para
que a pessoa ganhe confiança e interesse no processo de pensar criativamente.
Ver também
Lista de compositores de música erudita
Termos associados
Música atonal
Altura
Música tonal
Contraponto
Polifonia
Forma musical
Ritmo
Harmonia
Textura
Interpretação musical
Timbre
Melodia
Referências
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Webber declarou que "o declínio das plateias, cortes de gastos governamentais,
desastrosas vendas de CD, patrocinadores deixando de financiar as artes, menos crianças
aprendendo instrumentos musicais, e uma total falta de interesse pela mídia em geral, a não
ser com violinistas "gostosas" seminuas… têm relação com o fato. … Isto está em contraste
absoluto com o que ocorre no Extremo Oriente, onde ainda existem números enormes de
crianças aprendendo instrumentos, as vendas de CD de música clássica estão em pleno
vigor, a mídia tem um interesse real na música clássica e, acima de tudo, salas de concerto
estão repletas de jovens como resultado direto deste interesse da mídia."
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Ligações externas
«Classical Composers Database» ([Link] (em inglês).
compositores de música clássica de todos os períodos e de diversos países, com biografias
e listas de obras
«MusicWeb International» ([Link] (em inglês). artigos
sobre compositores, críticas de CDs, livros, concertos
«Gravações históricas de música clássica do British Library Sound Archive» ([Link]
[Link]/[Link]?category=Classical-music) (em inglês)
Obtida de "[Link]