Toda A Matéria
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o Seleção de enfoque:
Antiguidade Clássica
Período da história cultural entre o século VIII a.C. e o século VI d.C. centrado
no mar Mediterrâneo, compreendendo as civilizações entrelaçadas da Grécia antiga e da
Roma antiga conhecidas como o mundo greco-romano.
Convencionalmente, é considerado que teve início com a mais antiga poesica
épica grega de Homero (século VIII a VII a.C.), e continuou através do surgimento do
cristianismo e da queda do Império Romano do Ocidente (século V d.C.). Termina com
a dissolução da cultura clássica no final da Antiguidade tardia (300-600), misturando-se
à Idade Média (600-1000).
A informação que deriva diretamente dos sentidos não tem utilidade, mas as
abstrações são infalíveis.
Leis científicas
o Sofismo
Um grupo de filósofos chegou à conclusão que não existe uma única verdade,
mas sim muitas.
Acreditavam que tudo é verdade se for possível convencer outro que é verdade.
Não existe nada correto ou errado, mas sim a crença faz com que assim seja.
Os sofistas eram mestres profissionais de retórica e lógica que acreditavam que a
comunicação eficaz de uma ideia determinava se esta era aceite ou não, em lugar
dos fatores que determinavam a sua validade.
Exemplo: Os produtos vendidos pela Apple não são nada de especial, mas o que
realmente importa é a forma como eles expõe o produto e como comunicam. Mesmo
os produtos não sendo os melhores, basta a comunicação ser eficaz e o produto tem
imensas vendas.
Exemplo: Quando vamos comprar uma roupa, aquilo que nós vemos é que faz a
peça de roupa e ninguém a vê da mesma forma.
A VERDADE É SUBJETIVA, ‘’ A beleza está nos olhos de quem vê’’.
Formas 1
Geometria 2
Formas 3
Soma
4 Geometria
Sensações
Soma
1- Essências da realidade, dos objetos, ideias que servem de modelo para a
realidade
2- Atividades intelectuais, purifica a sensação enriquecendo-a com sensações
3- Corpos
4- Valor de conhecimento baixo.
Platão:
Teoria das formas ou das ideias
Tudo o que existe no mundo empírico é uma manifestação de uma forma pura
(ideia) que existe em abstrato.
Isto é válido para todos os objetos que designamos por um nome.
O que experimentamos através dos sentidos é o resultado da interação entre a
forma pura e a matéria e, como a matéria está em constante mutação e é experienciada
por meio dos sentidos, o resultado desta interação será menos perfeito que a ideia pura
antes da sua interação com a matéria.
Alegoria da caverna
Platão descreveu uns presos fictícios que passaram toda a sua vida na
profundidade de uma caverna:
- Os presos estão amarrados de forma que só conseguem ver para a frente.
- Atrás deles existe um caminho por onde passam pessoas, transportando
diversos objetos.
- Por trás do caminho arde uma chama que faz com que se projetem as sombras
dos transeuntes e dos objetos no muro que está à frente dos presos.
- Para estes, as sombras projetadas são a realidade.
Platão descreve o que sucederia se um dos presos conseguisse soltar-se, fugisse e
saísse da caverna:
- Se dirige-se ao fogo, teria dores nos olhos e talvez optasse por regressar ao
mundo das sombras.
- Caso contrário, com o tempo adaptar-se-ia às chamas e veria as pessoas e os
objetos cujas sombras conhecia.
Finalmente Platão pede que imaginemos o que aconteceria se o preso fugido
regressa-se à caverna para contar aos seus companheiros:
- Ainda imparcialmente cego pela experiência iluminadora, o preso teria
dificuldade em voltar a adaptar-se à sua vida anterior de sombras.
- Cometeria erros ao descrever as sombras e a predizer que objeto se sucederia
do anterior.
- Isto seria prova suficiente para os seus companheiros que abandonar o mundo
das sombras não traria nada de bom. De facto, os presos matariam quem tentasse
arrancá-los do mundo sombrio da caverna.
Escolástica Medieval
Método ocidental de pensamento crítico e de aprendizagem com origem nas
escolas monásticas cristãs, que concilia a fé cristã com um sistema de pensamento
racional, especialmente o da filosofia grega (razão aristotélica e platónica).
A escolástica dominou no período dos séculos IX ao XVI, surgindo da
necessidade de responder às exigências da fé. O filósofo de principal destaque deste
período foi Tomás de Aquino.
A filosofia, que, até então, possuía traços marcadamente clássicos e helenísticos,
sofreu influências da cultura judaica e da cristã a partir do século V, quando pensadores
cristãos perceberam a necessidade de aprofundar uma fé que estava amadurecendo,
numa tentativa de harmonizá-la com as exigências do pensamento filosófico. Alguns
temas que antes não faziam parte do universo do pensamento grego, tais
como Providência e Revelação Divina e Criação, passaram a fazer parte de temáticas
filosóficas. A escolástica possui uma constante de natureza neoplatônica, que conciliava
elementos da filosofia de Platão com valores de ordem espiritual, reinterpretadas pelo
Ocidente cristão. E mesmo quando Tomás de Aquino introduz elementos da filosofia
de Aristóteles no pensamento escolástico, essa constante neoplatônica ainda é presente.
Basicamente, a questão-chave que vai atravessar todo o pensamento escolástico
é a harmonização de duas esferas: a fé e a razão.
Para a escolástica, algumas fontes eram fundamentais no aprofundamento de sua
reflexão, por exemplo os filósofos antigos, a Bíblia e os Padres da Igreja, autores dos
primeiros séculos cristãos que tinham sobre si a autoridade de fé e de santidade.
Renascimento
O Renascimento foi período da história da Europa aproximadamente entre
meados do século XIV e o fim do século XVI.
O Humanismo pode ser apontado como o principal valor cultivado no
Renascimento, fundamentado em conceitos que tinham uma origem remota na
Antiguidade Clássica,
Chamou-se Renascimento em virtude da intensa revalorização das referências
da Antiguidade Clássica, que nortearam um progressivo abrandamento da influência do
dogmatismo religioso e do misticismo sobre a cultura e a sociedade, com uma
concomitante e crescente valorização da racionalidade, da ciência e da natureza. Neste
processo o ser humano foi revestido de uma nova dignidade e colocado no centro da
Criação, e por isso deu-se à principal corrente de pensamento deste período o nome
de humanismo.
o A ‘’ romanização’’ da filosofia grega
Procura de um sentido para a vida de todos os dias.
Neoplatonismo
Aproximação do mal Aproximação do bem
Estoicismo
RENASCER DO FOCO NO SER HUMANO
o Humanismo
O humanismo foi um movimento artístico e intelectual surgido na Itália no
século XIV e que valorizou a Antiguidade Clássica. Para os humanistas o homem
era a medida de todas as coisas e estava no centro do universo (antropocentrismo).
Assim, consideravam o homem não só uma criatura espectadora da obra de Deus,
mas, dotado de razão, era autor de grandes realizações. Essa visão contrariava a
Igreja que via o homem marcado pelo pecado e dependente da fé para a salvação da
alma. Entretanto, os humanistas buscavam o equilíbrio entre os autores pagãos da
Antiguidade e os ensinamentos cristãos da Bíblia.
Inspirados pelos humanistas, artistas italianos iniciaram um movimento cultural
conhecido como Renascimento. O grande interesse dos renascentistas era recuperar
elementos da cultura greco-romana para os seus dias.
Características:
Antropocentrismo;
Cientificismo;
Racionalismo;
Empirismo;
Antiguidade Clássica;
Valorização do ser humano.
o Racionalismo e Empirismo
A conceção escolástica do mundo já colocava dois séculos em questão. As
profundas mudanças produzidas a partir do Renascimento exigiam a busca de um novo
método de conhecimento que fosse mais utilitário e estivesse dirigido à consecução de
objetivos práticos. Para conhecer e dominar a natureza, o conhecimento tinha de ser
livre, sem estar submetido a autoridade nem a tradição alguma. Para proceder a esta
libertação do conhecimento perguntava-se o que é o próprio conhecimento e o que é que
lhe dá segurança. No modo de responder a estas interrogações, distinguem-se duas
tendências básicas tanto do pensamento científico como do pensamento filosófico da
época: o racionalismo e o empirismo.
Os racionalistas (Descartes, Espinosa, Leibniz) desconfiavam do
conhecimento, sensível e apenas asseguravam aquilo que a razão considerava evidente.
Propuseram um método dedutivo decalcado do modelo matemático e que aceitava a
existência de verdades inatas, como o cogito, ergo sum (penso logo existo).
Quanto aos empiristas, as figuras mais notáveis apareceram na Grã-Bretanha:
Francis Bacon, John Locke, George Berkeley e David Hume. Partiam do princípio que
todo o conhecimento se baseava no facto de ser percetível pelos sentidos e negavam a
existência de ideias inatas. Propugnavam um método indutivo baseado na experiência,
copiando o modelo de investigação das ciências naturais.
Racionalismo Cartesiano: PENSO LOGO EXISTO.
Estudo científico da
consciência
Condicionamento Psicologia
clássico comparativa
O objetivo final do pensamento cartesiano ao afirmar que a alma e corpo,
pensamento e extensão, são substâncias distintas de salvaguardar a autonomia da alma
em relação à matéria. A ciência clássica aceite por Descartes, impunha uma conceção
mecanicista e determinista do mundo material, no que não ficava vestígio algum para a
liberdade. A liberdade, assim como o conjunto de valores espirituais defendidos por
Descartes, apenas se podiam salvaguardar subtraindo a alma do mundo da necessidade
mecanicista, o que por sua vez presumia concebê-la como uma esfera da realidade
autónoma e independente da matéria. Esta independência de alma e corpo é a ideia
central que proporciona o conceito cartesiano de substância.
Empirismo
Denomina-se empirista toda a filosofia para a qual a origem e valor dos
nossos conhecimentos depende da experiência. Neste sentido, o empirismo é uma
constante da história do pensamento, na qual se encontra presente nas mais diversas
épocas. O empirismo inglês do século XVIII carateriza-se por construir uma resposta
histórica ao racionalismo do século anterior.
O espírito humano é “tabula Rasa”, ou seja, não tem conteúdo.
John Locke:
Demonstra que não existem ideias nem princípios inatos. A havê-los,
argumenta que todos os seres humanos os possuíram a partir do primeiro momento da
sua existência.
Locke coloca o problema do conhecimento de um modo psicologista. O
psicologismo pode ser definido como a doutrina segundo a qual o valor dos
conhecimentos depende da sua origem e génese e estuda esta génese do ponto de vista
dos processos psíquicos da mente humana.
Quanto às ideias, para Locke são de objeto imenso, da nossa perceção ou
conhecimento: as ideias são imagens ou representações da realidade exterior. Distingue
entre ideias simples e complexas. As ideias simples podem provir da sensação ou da
reflexão. As ideias complexas procedem da combinação de ideias simples.
As ideias complexas podem ser de 3 tipos: ideias de substâncias, ideias de
modos ou ideias de relações.
No que refere à substância, Locke afirma que não a conhecemos. Um
fragmento de matéria há de ter uma estrutura determinada em virtude da qual possui
umas qualidades e não outras, mas a referida estrutura não é desconhecida. Em
consequência, a experiência é a origem e ao mesmo tempo o limite do nosso
conhecimento.
TODO O CONHECIMENTO DERIVA DA EXPERIÊNCIA SENSORIAL
E DAS OPERAÇÕES INTERNAS INATAS QUE AGEM SOBRE A EXPERIÊNCIA
SENSORIAL.
Experiência sensorial
Ideias Qualidades
simples primárias
George Berkeley
Para este filósofo a realidade não existe a não ser ao ser percebida: só existem
qualidades secundárias.
A realidade é um agregado de informação percebida em simultâneo/associada: a
perceção complexa é composta por perceções simples que se associam.
David Hume
A filosofia de Hume tem origem tanto no empirismo de Locke como no idealismo
de Berkeley. Tenta referir os princípios racionais, que pensamos inatos, a associações de
ideias que o hábito e a repetição vão fortalecendo; assim, algumas delas adquirem uma
necessidade aparente. Tal é, por exemplo, o caso do princípio da causalidade. Fazemos
dele uma lei sobre as coisas, quando na realidade não expressa mais que uma coisa que
nós esperamos, uma necessidade completamente subjetiva desenvolvida pelo hábito. As
leis científicas resumem a experiência passada, mas não comportam certeza alguma no
que ao futuro se refere. A substância, seja material ou espiritual, não existe. Os corpos
não são mais que grupos de sensações ligadas entre si pela associação de ideias.
Também o eu é somente uma coleção de estados de consciência. Por esta via, Hume
chega ao ceticismo e ao fenomenismo absoluto: só conhecemos as perceções, o que
parece ou se mostra (fenómeno).
James Mill
A força das associações pode variar em função de:
1. Vivacidade (impressões, prazer/ d da experiência sensorial)
2. Frequência da experiência sensorial
If we knew the person thoroughly, and know all the inducements which
are acting upon him we could foretell his conduct with as much certantiy
as we can predict any physical event.
Leibniz, tal como Descartes, diz que a alma pensa sempre: a alma é contínua, a
perceção é contínua. Por outro lado, diz que a inteligência é descontínua.
A dinâmica percetiva e a emotiva estão intimamente ligadas, é a motivação que faz
o movimento de representação.
Fez várias intervenções em relação à matemática. Assiste à guerra entre
Descartes e Locke e faz uma síntese conciliadora. Esta baseia-se no ponto de vista dos
conteúdos serem sensoriais. As operações mentais são independentes das sensações. O
intelecto em si tem operações que não derivam de nenhuma experiência. Esta operação
já tem esquemas e ideias fundamentais como, por exemplo, a ideia de ser.
A ideia de substância ou realidade: intrínseca. Não é verdadeiramente inata
porque só existe quando pensamos. Em relação a Descartes, o cogito obtém sempre
algo. Pode ser uma forma ou ideia indefinida. Se há cogito, há um pensamento e isto
significa que o eu pensa. Todo o pensamento tem sempre algum conteúdo.
As verdades racionais são encontradas no pensar, mas as verdades que têm conteúdos
factuais têm conteúdos empíricos, para as quais as sensações são o critério necessário.
O espírito humano parece uma tábula rasa quando pensamentos em verdades de
facto. O espírito humano tem características intrínsecas próprias. Assim sendo, as
sensações não podem produzir simplesmente o que querem. A sensação é necessária
para produzir conhecimento factual específico.
Kant
O pensamento kantiano é uma tentativa original e vigorosa de superar e
sintetizar as duas correntes filosóficas fundamentais da modernidade: o racionalismo e o
empirismo.
O criticismo de Kant é uma filosofia que tenta responder a três perguntas
básicas: que posso saber? Que hei de fazer? Que posso esperar?
Pré-ciência
Ciência normal
Mudança de
paradigma Operação do
modelo
Modelo de
Crise do
revolução
modelo
o Pressupostos da ciência moderna
Lógica Experiência
Natureza = Objeto: Sistema ordenado
Tudo tem Mecanicismo: Determinismo é um suporte
causa de base.
Psicofisiologia
A psicofisiologia é uma disciplina que representa a junção de todas as
abordagens no estudo das bases biológicas do comportamento. Foram diversas as
disciplinas – Biologia, Anatomia, Fisiologia, Química e Psicologia – que contribuíram
para o desenvolvimento da psicofisiologia como ciência.
A psicofisiologia afirma-se como o estudo das correlações entre as ações ou
comportamentos e os órgãos do corpo, uma vez que para compreendermos o
funcionamento do nosso organismo teremos que ter em conta todas as
interdependências com o ambiente, assim como os subsistemas que integra (sistema
nervoso, endócrino, órgãos sensoriais, etc.). Para além disso, a psicofisiologia dá ênfase
ao estudo da estrutura e funções cerebrais.
O estudo da psicofisiologia e as suas questões são, no fundo, as questões da
psicologia. Como experimentamos as sensações e percebemos o mundo? Como
pensamos? Porque dormimos? O que é o sonho? São interrogações destas que se
colocam relativamente aos mecanismos e às causas do nosso comportamento e
experiência.
Psicofísica
É uma conceção de projeto da Psicologia e uma tentativa de investigar a relação
entre as sensações e estímulos com o objetivo de formular as leis matemáticas. É o
universo das sensações psicológicas e dos estímulos ou forças físicas.
O limiar absoluto é o valor mínimo da intensidade do estímulo para que haja
sensação, ou seja, abaixo deste limiar não há sensação, não há consciência de se sentir o
som, a pressão e a luz em casa um dos nossos sentidos.
O limiar diferencial é a diferença mínima entre estímulos para que haja uma
sensação diferenciada entre eles. Há valores mínimos necessários para isto existir.
Funcionalismo
Funcionalismo foi formado como uma reação ao estruturalismo e foi fortemente
influenciado pela obra de William James e a teoria evolucionista de Charles Darwin. Os
funcionalistas procuraram explicar os processos mentais de uma forma mais sistemática
e precisa. Ao invés de focar nos elementos de consciência, funcionalistas focavam
no objetivo da consciência e comportamento. O funcionalismo também enfatizou as
diferenças individuais, que tiveram um profundo impacto na educação.
Alguns dos pensadores funcionalistas importantes são William James, John
Dewey, Harvey Carr e John Angell.
O funcionalismo teve uma influência importante sobre a psicologia. Ele
influenciou o desenvolvimento do behaviorismo e da psicologia aplicada. O
funcionalismo também influenciou o sistema educacional, especialmente com relação à
crença de John Dewey que as crianças devem aprender no nível para o qual
são preparadas para o desenvolvimento.
Funcionalismo vs Estruturalismo
Funções/ Estruturas/
“utilidades da “elementos” da
consciência’’ consciência
Holismo Atomismo
Unidade psicofísica Psicanálise
Unidade funcional Estímulo – resposta
Organismo- Meio Isolamento do
“sujeito humano”
Psicanálise
A psicanálise foi desenvolvida por Freud com o objetivo de compreender e
analisar o ser humano no seu estado inconsciente.
Freud iniciou o seu interesse por este estudo com Charcot e o seu interesse pela
histeria. Charcot concluiu que a hipnose era um método que permitia tratar diversas
perturbações psíquicas, em especial a histeria.
Com isto, Freud passou também a aplicar a hipnose profunda no começo da sua
carreira, mas acabou por abandoná-la uma vez que a utilizava para a obtenção de
memórias reprimidas, mas esta não era permanente. Visto que a hipnose não era
permanente, os sintomas tendiam a voltar.
Assim, Freud passou a utilizar a psicanálise, fazendo o paciente entender os seus
sintomas, tornando o motivo inconsciente dos sintomas consciente e provocando assim
uma cura permanente.
A teoria de Freud utiliza 2 tópicas:
o 1º tópica: Inconsciente, pré-consciente e consciente.
O inconsciente:
É o sistema afetivo/emocional, ou seja, que injeta a energia que é dirigida e que
possui um vetor próprio. Funciona como motivação e organiza o comportamento através
de uma lógica própria, biológica de auto preservação e de realização de necessidades
afetivas: os desejos.
Freud diz que existe uma dinâmica libidinal que remete para a obtenção
máxima do desejo, de modo a satisfazer todas as necessidades corporais e afetivas. Não
há nenhuma imagem nem representação armazenada na memória que não tenha uma
carga afetiva. Este é a primeira descrição sobre o funcionamento da realidade. Os afetos
são forças e estas têm uma intensidade. Essa força contém um vetor orientado para esse
objeto. A força está sempre num sistema de emoções conflituais, logo há sempre forças
e contra forças, ou seja, conflitos permanentes.
Além da dinâmica, é dito ainda que existe uma economia ligada aos afetos. Tal
como a economia precisa de investimento (catexis) para produzir riqueza também é
preciso investir afetivamente para obter riqueza amorosa e afetiva.
Freud considera que se atribuirmos valor afetivo às coisas e investirmos
afetivamente em alguém, num parceiro, etc. e esse investimento é lucrativo no caso de
haver reciprocidade. No caso de não haver reciprocidade Freud considera que à uma
perda, uma reação depressiva. Para reagir a essa perda, temos de desinvestir (descatexis)
e deslocarmos a carga afetiva para outro objetivo/pessoa, reinvestindo (re-catexis).
Pré-consciente
É um sistema de “controlo” /” filtro” que conduz a uma mediação. Esta
mediação é um canal mediador entre o inconsciente e o consciente onde passam as
forças afetivas. Como é pré-consciente, funciona sem que haja consciência sendo uma
interface.
Protege do trauma, tem função de evocação, de filtrar memórias com o fim de
proteger e ajudar em memórias futuras. Em vez de entrar num ciclo de stress pré-
traumático, ajuda a esquecer os traumas: proteção.
Consciente
É um sistema percetivo de perceção da realidade imediata do presente, do “eu” e
da sua verbalização.
No consciente, encontramos memórias e cargas afetivas.
Não há nenhuma perceção ou representação efetivamente neutra.
Freud vs Jung
Devido às suas descobertas, Freud foi nomeado “Pai da psicanálise”, sendo a
principal fonte foi a origem do inconsciente.
Ao longo de sua trajetória de estudos sobre o assunto, houve conflitos referentes
a ideia original. Gerando polêmicas, mas também proporcionando grande avanço para a
psicologia moderna.
Como exemplo, temos Jung, onde após uma parceria com Freud tanto pessoal
quanto profissional, vieram as desavenças. E seu principal motivo foi as divergências de
ideias, principalmente no que se diz respeito a sexualidade.
Enquanto Freud lutava para as explicações de origem sexual criando uma linha
de teoria, Jung discordava da grande maioria e seguia uma linha alternativa de
pensamentos denominado “transpessoal”, o que Freud abominava, pois considerava
uma linha do ocultismo.
Para Freud o inconsciente era apenas pessoal, mantendo sua individualidade
psíquica, onde cada ser humano detém os seus próprios conteúdos reprimidos,
geralmente marcados na infância, abalando o equilíbrio da consciência.
Já para Jung (1998), não tinha como principal preceito a etiologia sexual, e foi o
criador da psicologia analítica, tendo a sua base frente às produções culturais da
coletividade humana.
Cada escolha, experiência, sonho, realidade ou fantasia possuem um número
imenso de interpretações. Onde cada representação possibilita uma interpretação
pessoal, sendo própria de cada indivíduo ou da coletividade, representada pela cultura
de vários povos.
Ainda para Jung (1998) o inconsciente é caracterizado em duas camadas. O
primeiro é o inconsciente pessoal, onde é mantida toda a experiência pessoal de cada
pessoa, podendo essas se tornarem reprimidas, esquecidas ou ignoradas. Também há
casos de experiências muito fracas demais para chegarem a consciência.
A outra camada é o inconsciente coletivo, sendo uma área mais profunda da
psique. Ela é remontada na infância através de restos das vidas dos antepassados. Nele
está contido os instintos juntamente com as imagens primordiais denominados
arquétipos, herdados da humanidade.
Ou seja, muitas das estruturas que constitui os seres humanos são herdadas dos
seus ancestrais, e com o tempo são transformados, juntamente com as revoluções de
ideias, tecnologia e inovações, mas nunca perdendo a essência e suas raízes.
o Definições:
Aprendizagem é um processo pelo qual mudanças duradouras
ocorrem no potencial comportamental como consequência da
experiência.
Memória é a retenção da experiência (a mudança cognitiva)
subjacente à aprendizagem,
Aprendizagem é o processo; Memória é o resultado do processo.
Aprendizagem: Potencial comportamental, distinto de performance
comportamental efetiva
Aprendizagem refere-se ao processo de adaptação do
comportamento à experiência e memória refere-se ao registo
cognitivo que sustém essa adaptação.
Comportamentalismo/ Behaviorismo
Para os behavioristas todo o comportamento é puro (estímulo- resposta).
Os behavioristas rejeitam a consciência (BLACK-BOX: não mexer na black-
box). Todos os estímulos são externos. O interior não importa.
Para eles, não existe nada entre o estímulo e a resposta.
A psicologia não pode tocar na black-box da consciência, pois esta pode destruí-
la. Para os behavioristas os estruturalistas destroem a psicologia.
Tudo o que é mental deve ser evitado, destrói a objetividade da psicologia.
Todo o behavior é learning.
Condicionamento clássico:
Generalização de Resposta
1. Coelho Branco (E. Condicionado) Medo (R. Condicionada);
2. Barba do pai natal (E. Condicionado) Medo (R. Condicionada);
o Pavlov (1849-1936): Reflexos condicionados
Condicionamento clássico:
Apresentação inicial: EC- EI – RI
Condicionamento: EC- RC & EI – RI
Extinção: EC- RC
Paradigma experimental com humanos RI (fecho das pálpebras), EI (sopro
de ar), EC (som ou luz)
Paradigma da resposta emocional condicionada:
Condicionamento com estímulos aversivos (dolorosos) tem como
efeito o congelamento de comportamento condicionado.
Processos básicos do condicionamento clássico:
Aquisição (aumento com repetição: curva de condicionamento)
Extinção
Recuperação espontânea
Generalização e discriminação
Importância da sequência temporal: EC- EI
Fenómeno de neurose experimental: incapacidade de discriminação
Cães de Pavlov
Incondicionado – Pó de carne
Estímulo
Condicionado – Campainha
Incondicionada – Salivação (+)
Resposta
Condicionada – Salivação (-)
Sequência de aquisição
EC- EI – RI (repetidamente)
EC- RC- EI – RI
E. L. Thorndike (1874-1949)
“Puzzle Box”: os gatos aprendem a sair através de “ensaios e erros”
aleatórios.
Curvas de aprendizagem
mostram gradualidade:
aumento automático de
determinadas conexões.
Aprendizagem
instrumental: o estímulo é a
puzzle box e a resposta é a
pressão da alavanca que
abre a caixa. A resposta é o
“instrumento” para obter
um reforço: a evasão e a
comida no exterior da
caixa. O reforço depende da
resposta (inversão do
esquema do
Condicionamento clássico).
Princípios fundamentais:
Lei do efeito (esquema darwinista)
Lei do exercício
Princípio da pertença
Para ele não há inteligência animal. Os gatos têm comportamentos
aleatórios para saírem da caixa, sem qualquer plano e por acaso é que
conseguem sair.
Neobehaviorismo
o Tolman
Tolman propõe um novo modelo behaviorista baseando-se em alguns princípios
dissoantes perante a teoria de Watson. Esse modelo apresentava um esquema S-O-
R (estímulo-organismo-resposta) onde, entre o estímulo e a resposta, o organismo passa
por eventos mediacionais, que Tolman chama de variáveis intervenientes (em oposição
às variáveis independentes, isto é, os estímulos, e às variáveis dependentes, isto é, as
respostas). As variáveis intervenientes seriam, então, um componente do processo
comportamental que conectaria os estímulos e as respostas, sendo os eventos
mediacionais processos internos.
Baseado nesses princípios, Tolman apresenta uma teoria do processo
de aprendizagem sustentada pelo conceito de mapas cognitivos, i. e., relações estímulo-
estímulo, ou S-S, formadas nos cérebros dos organismos. Essas relações S-S
gerariam expectativas no organismo, fazendo com que ele adote comportamentos
diferentes e mais ou menos previsíveis para diversos conjuntos de estímulos. Esses
mapas seriam construídos através do relacionamento do organismo com o meio, quando
observa a relação entre vários estímulos. Os processos internos que permitem a criação
de um mapa mental entre um estímulo e outro são usualmente chamados gestalt-sinais.
Como se vê, Tolman aceitava os processos mentais, assim como Watson, mas,
ao contrário desse, efetivamente os utilizava no estudo do comportamento. O próprio
Tolman viria a declarar que sua proposta behaviorista seria uma reescrita da Psicologia
mentalista em termos comportamentalistas. Tolman também acreditava no caráter
intencional do comportamento: para ele, todo comportamento visa alcançar algum
objetivo do organismo, e o organismo persiste no comportamento até o objetivo ser
alcançado. Por essas duas características de sua teoria (aceitação dos processos mentais
e proposição da intencionalidade do comportamento como objeto de estudo), Tolman é
considerado um precursor da psicologia cognitiva.
o Clark Hull
Em 1943, a publicação, por Clark L. Hull, do livro Principles of Behavior marca
o surgimento de um novo pensamento comportamentalista, ainda baseada o paradigma
S-O-R, que viria a se opor ao behaviorismo de Tolman.
Hull, assim como Tolman, defendia a ideia de uma análise do comportamento
baseada na ideia de variáveis mediacionais; entretanto, para Hull, essas variáveis
mediacionais eram caracterizas como neurofisiológicas. Esse é o principal ponto de
discordância entre os dois autores: enquanto Tolman efetivamente trabalhava com
conceitos mentalistas como memória, cognição etc., Hull rejeitava os conceitos
cognitivistas em nome de variáveis mediacionais neurofisiológicas.
Nos seus debates, Tolman e Hull evidenciavam dois dos principais aspetos das
escolas da análise do comportamento. De um lado, Tolman adotava a abordagem
dualista watsoniana, onde o indivíduo é dividido entre corpo e mente (embora
assumindo-se que o estudo da mente não possa ser feito diretamente); de outro, Hull,
embora mediacionista, adota uma posição monista, onde o organismo é puramente
neurofisiológico.
Psicologia da Gestalt
É uma doutrina que defende que, para se compreender as partes, é preciso, antes,
compreender o todo. Refere-se a um processo de dar forma, de configurar "o que é
colocado diante dos olhos, exposto ao olhar". A palavra gestalt tem o significado "de
uma entidade concreta, individual e característica, que existe como algo destacado e que
tem uma forma ou configuração como um de seus atributos".
o Maslow
Maslow criou uma escala de
necessidades a serem satisfeitas e, a
cada conquista, nova necessidade era
apresentada. Isso faria com que o
indivíduo procura-se a sua
autorrealização, pelas sucessivas
necessidades satisfeitas, conforme
gráfico:
o Carl Rogers
“Process of Becoming a Person” O objeto da psicologia é o “self” da pessoa. Uma
pessoa é essencialmente um “eu”, mas a palavra “eu” não resigna propriamente a
palavra self. Eu e self são diferentes.
O eu é como reflexividade, ou seja, autoconsciência. Defende que o “self” é a
perceção consciente da experiência vivida. Cada um se define pela sua singularidade,
orienta-se nesse campo de experiência e há uma espécie de galáxia de self:
Self concept: resulta da perceção da experiência vivida, conjunto das
perceções de si próprio;
Self image: representação de si próprio;
Self worth: valor atribuído a si próprio, autoestima.
Adota o modelo dinâmico de Maslow, mas enriquece-o com condições de
autorrealizações. São precisas 3 condições, em que o meio ambiente se encontre em
autenticidade ou genuinidade e em que a pessoa encontre outras pessoas que sejam
genuínas. As pessoas hipócritas não se desenvolvem como pessoas. Só há o processo de
“Becoming a Person”, se forem pessoas autênticas e haja:
Aceitação incondicional positiva/consideração, ou seja, as pessoas só se
tornam pessoas se tiveram com outras pessoas genuínas e se tiverem
aceitação;
Condicionadas positivamente;
Apatia, inserida em relações apáticas.
Acreditou que os humanos têm uma motivação básica, para alcançarem o seu
potencial e atingirem o nível mais elevado ser humano. Quando há congruência entre o
self ideal e autoimagem real dá-se o processo de autorrealização.
Fully functional person, o sinonimo de Rogers para self Actualization.
Fully functional person é uma pessoa aberta à experiência, ambas as
emoções são aceites, os sentimentos negativos são trabalhados em vez de
serem tratados;
Existencial living, ou seja, conexão plena com o momento real presente, sem
fuga para o passado ou futura, sem preconceitos ou juízos de valor;
Trust feelings: confiança nos sentimentos, confiar no que sentimos, tudo o
que sentimos é real e nosso;
Creativity: pensamento criativo, arriscar com segurança, com alegria, sair da
zona de conforto;
Fulfilled life: vida realizada e preenchida.
Para Rogers, o self é criativo, como um critério de autenticidade, se tem
comportamentos expressivos criativos. A pessoa autêntica é criativa, a “Fully
Functional person”.
A sua filha Natalie Rogers, em 1980, criou o livro “Emerging Women”.