Fundamentos da Educação Inclusiva EAD
Fundamentos da Educação Inclusiva EAD
DE 27/04/2021
CURSO DE PEDAGOGIA EAD AUTORIZADO PELA PORTARIA Nº 426 - PUBLICADA NO D.O.U.
DE 07/05/2021
CNPJ: 17.145.404/0001-76
FUNDAMENTOS
HISTÓRICOS E
FILOSÓFICOS
DA DEFICIÊNCIA
2024
APRESENTAÇÃO
Caro (a) estudante
Este material didático foi pensado com o objetivo de proporcionar suporte teórico
aos alunos na construção de conhecimentos acerca da temática trabalhada na disciplina
Fundamentos Históricos e Filisóficos da Deficiêcia da Faculdade Malta- FACMA,
proporcionando discursões e reflexões voltada a deficiência.
Os textos presentes nessa apostila são resultados de uma extensa revisão literária
acerca dos conteúdos da disciplina. Reunimos aqui trabalhos de diversos autores os
quais embasaram o nosso plano de ensino.
Unidade I
Unidade II
Aspectos legais da Educação Especial e Inclusiva. Inclusão, sociedade,
família e escola;
Educação Especial e Inclusiva e mediação pedagógica;
Educação Inclusiva e Inclusão escolar.
EDUCAÇÃO INCLUSIVA
A FUNDAMENTAÇÃO
FILOSÓFICA
Brasília - 2004
Série: EDUCAÇÃO INCLUSIVA
FICHA TÉCNICA
Coordenação Geral
Secretaria de Educaçã o Especial/Ministé rio da Educaçã o
Organização
Maria Salete Fá bio Aranha
CDU: 37.014.53
376.014
UM NOVO TEMPO
A falta de um apoio pedagó gico a essas necessidades especiais pode fazer com que essas
crianças e adolescentes nã o estejam na escola: muitas vezes as famílias nã o encontram esco-
las organizadas para receber a todos e, fazer um bom atendimento, o que é uma forma de
discriminar. A falta desse apoio pode também fazer com que essas crianças e adolescentes
deixem a escola depois de pouco tempo, ou permaneçam sem progredir para os níveis mais
elevados de ensino, o que é uma forma de desigualdade de condiçõ es de permanência.
Em 2003, o Brasil começa a construir um novo tempo para transformar essa realidade.
O Ministé rio da Educaçã o, por meio da Secretaria de Educaçã o Especial, assume o compro-
misso de apoiar os estados e municípios na sua tarefa de fazer com que as escolas brasileiras
se tornem inclusivas, democrá ticas e de qualidade.
Queremos fazer com que todas as pessoas que integram as comunidades escolares
brasileiras estejam mobilizadas para a mudança. Queremos fazer com que todos os
municípi- os de nosso País tenham um Plano de Educaçã o inclusivo, construído
democraticamente.
Vamos juntos, fazer com que a escola brasileira se torne um marco desse Novo Tempo, e
ajude a fazer do Brasil um País de Todos!
Claudia Pereira Dutra
Secretá ria de Educaçã o Especial
ÍNDICE
A FUNDAMENTAÇÃO FILOSÓFICA................................................................................................. 07
PRINCÍPIOS....................................................................................................................................................................... 08
INCLUSIVOS.................................................................................................................................................. 14
Educaçã o Profissional..............................................................................................................................................24
A FUNDAMENTAÇÃO FILOSÓFICA
PRINCÍPIOS
Para que a igualdade seja real, ela tem que ser relativa. Isto significa que as
pessoas sã o diferentes, têm necessidades diversas e o cumprimento da lei exige
que a elas sejam garantidas as condiçõ es apropriadas de atendimento à s pecu-
liaridades individuais, de forma que todos possam usufruir as oportunidades
existentes. Há que se enfatizar aqui, que tratamento diferenciado nã o se refere à
instituiçã o de privilégios, e sim, a disponibilizaçã o das condiçõ es exigidas, na
garantia da igualdade.
1
Instituiçã o Total - “um lugar de residê ncia e de trabalho, onde um grande nú mero de pessoas,
excluído da sociedade mais ampla, por um longo período de tempo, leva uma vida enclausurada
e formalmente administrada” (Goffan, 1962)
12 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A FUNDAMENTAÇÃO FILOSÓFICA
Nos anos 60 e 70, grande parte dos países, tendo como horizonte a Decla-
raçã o Universal dos Direitos Humanos, passou a buscar um novo modelo, no
trato da deficiência. A proposiçã o do princípio da normalizaçã o contribuiu com
a idé ia de que as pessoas diferentes podiam ser normalizadas, ou seja,
capacita- das para a vida no espaço comum da sociedade. Este modelo
caracterizou-se, gradativamente, pela desinstitucionalizaçã o dessas pessoas e
pela oferta de ser- viços de avaliaçã o e de reabilitaçã o globalizada, em
instituiçõ es nã o residenciais, embora ainda segregadoras. Da segregaçã o total,
passou-se a buscar a integraçã o das pessoas com deficiê ncia, apó s capacitadas,
habilitadas ou reabilitadas. A esta concepçã o-modelo denominou-se
Paradigma de Serviços.
Nela, os países signatá rios, dos quais o Brasil faz parte, declararam:
No seu artigo I, a Convençã o define que o termo deficiê ncia "significa uma
restriçã o física, mental ou sensorial, de natureza permanente ou transitó ria,
que limita a capacidade de exercer uma ou mais atividades essenciais da vida
diá ria causada ou agravada pelo ambiente econô mico e social".
No que se refere à educaçã o, o ECA estabelece, em seu Art. 53, que "a
criança e o adolescente têm direito à educaçã o, visando ao pleno desenvolvimen-
to de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificaçã o para o
trabalho", assegurando:
I. Igualdade de condiçõ es para o acesso e permanência na escola;
II. Direito de ser respeitado por seus educadores;
III. Acesso à escola pú blica e gratuita pró xima de sua residê ncia.
Em seu Art. 55 dispõ e que "os pais ou responsá vel têm a obrigaçã o de
matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino.”
20 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A FUNDAMENTAÇÃO FILOSÓFICA
Dessa forma, nã o é o aluno que tem que se adaptar à escola, mas é ela
que, consciente da sua funçã o, coloca-se à disposiçã o do aluno, tornando-se um
espaço inclusivo. A educaçã o especial é concebida para possibilitar que o aluno
com necessidades educacionais especiais atinja os objetivos propostos para
sua educaçã o.
EDUCAÇÃ O PROFISSIONAL
DIREITO À EDUCAÇÃ O
Orientações Gerais
• A política educacional no â mbito da Educaçã o Especial;
• Diretrizes Nacionais para a Educaçã o Especial na Educaçã o Bá sica -
Parecer 17/2001;
• Fontes de Recursos e Mecanismos de Financiamentos da Educaçã o Es-
pecial;
• Evoluçã o Estatística da Educaçã o Especial.
Marcos Legais
Trata do Ordenamento Jurídico, contendo as leis que regem a educaçã o
naci- onal e os direitos das pessoas com deficiê ncia, constituindo importantes
subsí- dios para embasamento legal a gestã o dos sistemas de ensino.
26 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A FUNDAMENTAÇÃO FILOSÓFICA
Decretos
• Decreto 2.264/97 - Regulamenta a Lei 9424/96 - FUNDEF, no â mbito
federal, e determina outras providê ncias.
EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A FUNDAMENTAÇÃO FILOSÓFICA 27
Portarias - MEC
• Portaria 1793/94 -Recomenda a inclusã o da disciplina Aspectos É tico -
Político - Educacionais na normalizaçã o e integraçã o da pessoa portadora de
necessidades especiais, prioritariamente, nos cursos de Pedagogia, Psicologia e
em todas as Licenciaturas.
• Portaria 319/99 - Institui no Ministé rio da Educaçã o, vinculada à Secre-
taria de Educaçã o Especial/SEESP a Comissã o Brasileira do Braille, de cará ter
permanente.
• Portaria 554/00 - Aprova o Regulamento Interno da Comissã o
Brasileira do Braille
• Portaria 3.284/03 - Dispõ e sobre requisitos de acessibilidade de pessoas
portadoras de deficiências, para instruir os processos de autorizaçã o e de reco-
nhecimento de cursos e de credenciamento de instituiçõ es.
• Portaria do Ministério do Planejamento 08/2001 - Atualiza e consolida os
procedimentos operacionais adotados pelas unidades de recursos humanos para
a aceitaçã o, como estagiá rios, de alunos regularmente matriculados e que ve-
28 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A FUNDAMENTAÇÃO FILOSÓFICA
Resoluções
• Resoluçã o 09/78 - Conselho Federal de Educaçã o - Autoriza, excepcio-
nalmente, a matrícula do aluno classificado como superdotado nos cursos
supe- riores sem que tenha concluído o curso de 2º grau.
• Resoluçã o 02/81 - Conselho Federal de Educaçã o - Autoriza a
concessã o de dilataçã o de prazo de conclusã o do curso de graduaçã o aos
alunos portado- res de deficiê ncia física, afecçõ es congê nitas ou adquiridas.
• Resoluçã o 02/01 - Conselho Nacional de Educaçã o - Institui Diretrizes
Nacionais para a Educaçã o Especial na Educaçã o Bá sica.
• Resoluçã o 01 e 02/02 - Conselho Nacional de Educaçã o - Diretrizes
Naci- onais para a Formaçã o de Professores da Educaçã o Bá sica, em nível
superior, graduaçã o plena.
• Resoluçã o 01/04 - Conselho Nacional de Educaçã o - Estabelece Diretri-
zes Nacionais para organizaçã o e realizaçã o de Está gio de alunos do Ensino
Profissionalizante e Ensino Médio, inclusive nas modalidades de Ensino Especi-
al e Educaçã o de Jovens e Adultos.
Aviso Circular
• Aviso Circular nº 277/ 96 - Dirigido aos Reitores das IES solicitando a
execuçã o adequada de uma política educacional dirigida aos portadores de ne-
cessidades especiais.
Parecer
• Parecer Nº 17/01 DO CNE / Câ mara de Educaçã o Bá sica - Diretrizes
Nacionais para Educaçã o Especial na Educaçã o Bá sica
http://dx.doi.org/10.1590/1413-737218196001
ARTIGOS
RESUMO. Este artigo aborda a temática da inclusão e sua relação com o contexto escolar a partir de um estudo teórico,
buscando aproximações com o Materialismo Histórico-Dialético. Inicialmente expõe-se a constituição histórica dos
movimentos sociais nacionais e internacionais com vistas à defesa dos direitos humanos. Em seguida discute-se a
institucionalização do acesso e permanência da pessoa com deficiência nos sistemas escolares e as práticas atuais de exclusão
nos contextos social e escolar. Finalmente, apresentam-se algumas reflexões sobre possíveis contribuições da Psicologia
Escolar crítica para a diminuição do preconceito e da discriminação, possibilitando o oferecimento de educação de qualidade a
todos, sem distinção. Como resultado, detectou-se a importância de estabelecer coletivamente estratégias para superar as
limitações surgidas no cotidiano escolar que envolvem a informação e formação de novos posicionamentos que sejam
realmente inclusivos.
Palavras-chave: Inclusão escolar; ambiente escolar; Psicologia Escolar.
ABSTRACT. This paper raises the issue of inclusion and its relationship with the school context from a theoretical study, seeking
approaches to historical and dialectical materialism. Initially it exposes the historical background of national and international social
movements with a view to protecting human rights. Then it discusses the institutionalization of access and retention of people with
disabilities in school systems and the current practices of exclusion in the social and educational environment. Finally it presents
some reflections and possible contributions of critical School Psychology in order to reduce prejudice and discrimination, enabling the
delivery of quality education to everybody without distinction. As a result it was found the importance of establishing collective
strategies to overcome the limitations that arise at school daily routine, which involves information and formation of new ideas that
are really inclusive.
Keywords: School nclusion; school environment; School Psychology.
RESUMEN. Este artículo trata de la temática de la inclusión y su relación con el contexto escolar a partir de un estudio teórico,
buscando aproximaciones con el materialismo histórico-dialéctico. Inicialmente se expone la construcción histórica de los
movimientos sociales nacionales e internacionales para llegar a la defensa de los derechos humanos. En seguida, se discute la
institucionalización de acceso y permanencia de la persona con discapacidad en los sistemas escolares y en las prácticas
actuales de exclusión en el contexto social y escolar. Finalmente se presentan algunas reflexiones sobre posibles
contribuciones de la Psicología Escolar crítica para la disminución del prejuicio y de la discriminación, posibilitando que se
ofrezca una educación de calidad a todos sin distinción. Como resultado fue
1
Endereço para correspondência: Travessa Jesus Bulamarque Hosanah, 3743, Bairro Liberdade, CEP: 76.803-843, Porto
Velho-RO, Brasil. E-mail: [email protected].
detectada la importancia del establecimiento colectivo de estrategias para la superación de las limitaciones encontradas en el
cotidiano escolar y que involucran la información y la formación de nuevas posiciones que sean verdaderamente inclusivas.
Palabras-clave: Inclusión escolar; ambiente escolar; Psicología Escolar.
Pretendemos com este artigo abordar a temática como processo de interiorização individualizada das
da inclusão e sua relação com o contexto escolar, objetivações humanas, porém os indivíduos se
discutindo - por meio de um estudo teórico e a partir apropriam tanto das formas de objetivação
de uma aproximação no campo do Materialismo transformadoras quanto das alienadas.
Histórico-Dialético - como os ideais e limitações As instituições refletem em seu funcionamento a
construídos historicamente têm contribuído para as estrutura da sociedade complexa e contraditória,
práticas de exclusão. consolidada em ideais individualizantes,
A constituição de uma sociedade justa, igualitária caracterizados pela dominação de elites que desde
e equitativa é reconhecida como principal finalidade tempos imemoriais suplantam os interesses populares
da Educação, na proposta de formar cidadãos críticos em nome da acumulação de riquezas. Carvalho e
e responsáveis, conscientes de seus direitos, deveres e Martins (2011) corroboram esta afirmação quando
oportunidades, a fim de poderem conviver com asseveram que a passagem da Idade Média para o
dignidade, preparados para o mundo do trabalho e a início da sociedade moderna foi marcada pela
prática social, conforme preconiza o artigo 2º da Lei mudança nos alicerces econômicos do Império e do
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB nº. Papado, cujo abalo foi determinado pela ascensão da
9394/96. Não obstante, a concretização destes burguesia como classe econômica dominante em sua
princípios é dificultada por fatores políticos, sociais, luta por ideais de liberdade individual.
econômicos e, sobretudo, históricos e culturais, que A liberdade neste caso está vinculada ao que
por vezes impedem que a inclusão seja consolidada cada indivíduo pode produzir, comercializar e
em nossas escolas. consumir dentro do sistema capitalista. Às pessoas que
Pensar a inclusão escolar nos remete à questão da não possuem potencial produtivo sobram a assistência,
diversidade humana que invariavelmente ocorre, pois, a caridade e a compaixão. É esta a perspectiva adotada
a despeito de termos garantidos direitos iguais, somos no contexto das iniciativas de atenção às pessoas com
diferentes em anseios, características, pretensões, deficiência, criando-se o conceito de inclusão.
capacidades e necessidades, que devem ser respeitadas Como afirmam Carvalho e Martins (2011, p. 25),
e contempladas em todos os processos de convivência “... efetivamente, não existe ninguém excluído, isto é,
social e principalmente na formação da pessoa em que exista fora da sociedade e que necessite ser nela
instituições educacionais. Por outro lado, não somos incluído.” (itálicos dos autores). Prosseguem
seres cuja individualidade se constitua isolada dos defendendo que este é um reflexo da alienação à qual
outros indivíduos. Duarte (2013) esclarece que é na os homens estão submetidos em relação ao patrimônio
relação entre a apropriação e a objetivação realizadas humano genérico. A alienação está relacionada à
pelo gênero humano e pala mediação de outros seres naturalização do fenômeno da exclusão pautada nas
humanos que se constitui a individualidade, e conclui anomalias físicas e mentais, vistas de maneira
que a apropriação dos bens culturais e históricos reducionista e em desconsideração às múltiplas
objetivados se constitui a partir da relação do homem determinações impostas pela sociedade capitalista.
com o gênero humano. Por esta forma, as forças
Com base nas afirmações dos autores, podemos
sociais saem do âmbito imediato “em- si” e passam ao
afirmar que a inclusão é um reflexo da alienação à
plano das forças genéricas “para-si” por meio das
qual os homens estão submetidos na sociedade
forças sociais elaboradas coletivamente (p. 242).
capitalista e representa a naturalização do fenômeno
O autor lembra que, frequente e equivocadamente, da exclusão pela via das anomalias, pois, se todos são
tem-se adotado a apropriação partícipes da sociedade, o que há são formas
marginalizadas de exclusão, ocasionando a
necessidade de
denominada de Paradigma dos Serviços (Aranha, conforme inscrito na Declaração Universal dos
2004). Direitos Humanos, em 1948. Renovou-se também a
A partir da década de 80 o modelo emergente foi garantia dada pela comunidade mundial em Jomtien,
o Paradigma dos Suportes, devido ao surgimento de em 1990, de assegurar esse direito,
mais avanços na medicina e outros de ordem técnico- independentemente das diferenças individuais, e foram
científica, os quais ocasionaram a quebra das barreiras relembradas as Declarações das Nações Unidas com
geográficas, permitindo processos de comunicação ênfase nas Normas das Nações Unidas sobre a
mais acelerados e ainda a luta pelos direitos humanos Igualdade de Oportunidades para as Pessoas com
na busca pela valorização da diversidade enquanto Deficiência, proclamadas em 1993, “as quais exortam
processo de humanização como fator enriquecedor da os Estados a assegurar que a educação das pessoas
sociedade (Aranha, 2004). com deficiência faça parte integrante do sistema
O endividamento com a edificação de preceitos educativo (1994).”
educacionais inclusivos contou com uma série de A Declaração de Salamanca reconhece a
movimentos sociais nacionais e internacionais, dos importância do envolvimento crescente dos governos,
quais resultaram documentos significativos, dentre dos grupos de pressão, dos grupos comunitários e de
estes a própria Declaração Universal dos Direitos pais, e, em particular, das organizações de pessoas
Humanos (1948), anteriormente citada. Esta com deficiência, na luta por melhores condições de
Declaração não diferencia características físicas, acesso da pessoa com deficiência a uma educação de
intelectuais, nação, credo, orientação sexual, condição qualidade. Este envolvimento político é um aspecto
social ou opinião política, portanto garante às pessoas que ressaltamos como fator primordial para o
com deficiência os mesmos direitos concedidos aos desenvolvimento de uma sociedade e para a melhoria
demais. da qualidade de vida de sua população. Entendemos
A Declaração de Jomtien (1990), resultado da que os direitos são concedidos a todos, portanto a
Conferência Mundial sobre Educação para Todos, causa das pessoas com deficiência é também uma luta
realizada em Jomtien, Tailândia, reforça entre os de todos.
países participantes a educação como direito Entre os principais ganhos advindos da
fundamental de todos, devendo esta ser tida como Declaração de Salamanca destacam-se o respeito à
imprescindível para a melhoria do índice de diversidade e a garantia de acesso e permanência das
desenvolvimento humano O documento orienta os pessoas com deficiência no sistema educativo de
países signatários para o nivelamento de ações que ensino regular, além da incitação aos governos para a
assegurem às suas populações educação com elaboração de políticas públicas que tenham como fim
qualidade, sobretudo àqueles menos desenvolvidos. a educação inclusiva.
Segundo Aranha (2004), quando os representantes A participação do Brasil em discussões, acordos e
brasileiros participantes da Conferência assinaram a movimentos internacionais suscitou ações e
referida Declaração “o Brasil assumiu, perante a documentos legais que passaram a orientar as políticas
comunidade internacional, o compromisso de erradicar públicas para o atendimento de alunos com deficiência
o analfabetismo e universalizar o ensino fundamental com vistas a uma sociedade mais inclusiva, entre os
no país” (p. 16). quais estão a Constituição Federal (1988). A Carta
O estabelecimento destes propósitos suscitou Magna é um símbolo importante de democratização
mobilizações para sua implantação e principalmente do País e avocou os princípios da Declaração dos
para discutir ações para educação de alunos com Direitos Humanos, os quais estão inscritos no seu
necessidades educacionais especiais. O resultado foi a artigo 5º, o qual estabelece, sem qualquer distinção, o
realização da Conferência Mundial sobre direito “à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e
Necessidades Educativas Especiais: Acesso e à propriedade” de todas as pessoas que residem no
Qualidade, realizada pela UNESCO na Espanha, cujo país (Brasil, 1988).
documento final foi a Declaração de Salamanca A Constituição promoveu ainda a
(1994). Desse evento participaram descentralização dos recursos da União para que
92 países e 25 organizações internacionais, e nele se Estados e Municípios trabalhem conforme
reafirmou o direito à educação de todos,
sendo muitas vezes refutado no infinito populares a estes serviços, como escreve Silvares
processo de prática. Quando um juízo (2006).
provisório é refutado no confronto com a Patto (2010) explica que a formação fundada na
realidade concreta, seja por meio da ciência
concepção clínica da Psicologia e sua relação com as
ou mesmo por não encontrar confirmação nas
experiências da vida do indivíduo, e mesmo instituições escolares deram-se inicialmente na área
assim se mantém da razão; não é mais um médica, pois eram os psiquiatras que se ocupavam de
juízo provisório, mas um preconceito (p. 25). classificar a anormalidade dos “duros de cabeça” nos
hospícios. Isto ocorreu por volta do final do século
Uma das manifestações mais frequentes do XVIII e início do século XIX, momento em que “as
preconceito é a atribuição de características inerentes crianças que não acompanhavam seus colegas na
aos alunos e suas famílias para justificar as aprendizagem escolar passaram a ser designadas
dificuldades de aprendizagem usando-se como como anormais escolares (destaques da autora) e as
argumento a falta de condições físicas, intelectuais, causas de seu fracasso procuradas em alguma
emocionais e econômicas. Tal atitude dificulta anormalidade orgânica” (p.65).
sobremaneira o avanço no sentido de descobrir novas Esta concepção sustentou a aplicação de testes
formas de educar, pois, na tentativa de resolver o que para medir as capacidades intelectuais dos alunos com
consideramos um pseudoproblema, os objetivos que algum tipo de deficiência com ênfase na sua
de fato representam motivo de envolvimento ficam incapacidade, cristalizando o preconceito que vigora
esquecidos. até os dias atuais. Neste sentido, a Psicologia foi (e
tem sido) a ciência procurada para tentar avaliar a
A discussão que se apresenta é a de que,
anormalidade destes escolares por meio da aplicação
historicamente, as sociedades, apoiadas pelas ciências
de testes.
positivistas, lidaram com questões importantes de Atualmente são inúmeras as demandas de pais,
maneira naturalizante, reduzindo à condição humana educadores, funcionários e alunos por questões
os problemas sociais conflitantes e consequentemente relacionadas ao comportamento e às dificuldades de
de difícil solução, como mostra Bock (2002) quando aprendizagem e relacionamento interpessoal. Diante
enfatiza que “a ideia de uma natureza humana em cada da aparente esterilidade da Educação e da Psicologia,
um de nós” é uma concepção que encobre a história faz-se necessário compreender que estas são relações
social humana (p. 14). decorrentes do desenvolvimento histórico da
Com esta visão naturalizante, para classificar os humanidade. É preciso reconhecer que o homem é
indivíduos, especificamente, os alunos e os um ser equipado com potencialidades capazes não
profissionais no interior das escolas, recorre-se ao apenas de reproduzir, mas também de criar. A
psicólogo escolar, a quem geralmente é atribuída a ausência de propostas coletivas e a prevalência de
tarefa de proceder aos diagnósticos que irão interpretações naturalizadas desta problemática
determinar o tratamento a ser oferecido, conforme a carecem da compreensão de que somos aquilo que
patologia apresentada. produzimos (Barroco, 2009). Por esta forma,
No Brasil a Psicologia foi regulamentada como entendemos que a articulação entre a Psicologia e
profissão em 1962. Nesse ano foram instituídos cursos Educação como ciências pode contribuir para novas
de formação para psicólogos com estrutura baseada no formas de nos movermos na sociedade.
modelo clínico. Este modelo vigorou até 1996, com Acreditamos que as atribuições do psicólogo
formação teórico- experimental completada por 500 escolar (ou de qualquer outro profissional) não se
horas de estágio, sendo indispensável a subordinação a reduzem a apenas diagnosticar a deficiência do aluno
imediata supervisão. Esta exigência resultou na para classificá-lo e oferecer-lhe um tratamento ou
interpretação de que os cursos de graduação deveriam classe específica, a exemplo das salas ou classes
necessariamente fundar uma clínica- escola. Estas especiais, pois entendemos que a valorização, e até
ofereciam à população serviço de atendimento mesmo a exigência de diagnósticos e laudos,
individualizado, comum à prática médica, o que pode estabelecem limites de aprendizagem. Esta maneira de
ter contribuído para a cristalização do psicólogo como pensar e agir é contrária a uma política de
psicoterapeuta e a possibilidade de acesso das educação
camadas
humanizadora, que reconhece nos alunos o potencial opção adotada para ser aplicada nos sistemas
que cada um apresenta para o alcance de suas próprias escolares.
fronteiras e de sua formação escolar. Angelucci e Lins A escola não inicia a formação do sujeito, pois ao
(2007) nos levam a refletir sobre os resultados da ingressar no sistema educacional ela já possui uma
simplificação deste processo classificatório: história anterior e está inserido em um espaço social e
cultural no qual, através das relações, recebeu
Partimos da ideia de que as características
concepções e desenvolveu significados conforme seu
individuais têm que ser conhecidas para que
grupo cultural, junto ao qual se apropriou de regras
um projeto pedagógico específico seja
pensado para cada aluno, tendo em vista de conduta e paradigmas socialmente edificados,
cada quadro psicopatológico. Com isso, dentre estes, as formas de encarar a deficiência.
voltamos a reproduzir – se é que algum dia O detalhamento das discussões realizadas para
deixamos de fazê-lo – a consagrada relação institucionalização do acesso e permanência da pessoa
hierárquica entre psicologia e pedagogia. O com deficiência feito no início deste artigo mostra que
diagnóstico clínico deve orientar o trabalho as concepções que orientaram este processo foram
escolar. E não se trata de qualquer delineadas historicamente, partindo do envolvimento
diagnóstico, mas especificamente aquele que político de famílias, educadores e demais profissionais
concebe o indivíduo como uma entidade insatisfeitos com o tratamento oferecido a esta parcela
patológica: procuramos e sempre da sociedade, o qual não condizia com os ideais
encontramos, é claro, a falha (p. 343). humanos desejados, por isso eram necessárias
intervenções que modificassem este quadro. Tais
Independentemente das características movimentos nem sempre contaram com o consenso ou
individuais, cabe à escola transmitir os saberes com discussões harmônicas, sem maiores conflitos ou
necessários, isto é, as objetivações humanas e a busca espontaneamente.
de formas adequadas para este intento (Saviani, 2003). Podemos traduzir que não há uma única forma ou
Concordando com esta elaboração, resgatamos a uma forma mais adequada de resolver os problemas
segunda e terceira teses de Marx (1991) sobre o que envolvem pessoas com deficiência. Existe a
pensamento de Feuerbach, as quais nos conduzem a possibilidade de pensar e agir com e para a
pensar, respectivamente, que o pensamento humano coletividade. Isolar o fenômeno de todo o contexto
não é uma questão puramente teórica, mas a realidade que o produziu impede a análise crítica e afasta a
objetiva, e que, de acordo com a doutrina materialista, possibilidade de criar novas metodologias para
a alteração das circunstâncias se deve ao homem, que enfrentar a realidade dinâmica de cada indivíduo,
ao mesmo tempo se altera a si próprio em atividade. dificultando o reconhecimento do próprio fenômeno
O autor se refere à atividade para definir os processos como igualmente dinâmico.
de trabalho, ou seja, a intervenção do homem sobre a
natureza: à medida que a domina para suprir às suas
necessidades, esse homem transforma a natureza e a si CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA
ESCOLAR CRÍTICA
próprio.
Destarte, as demandas sociais se apresentam de
A Psicologia Escolar é uma área de atuação da
maneira contraditória e em escala bastante elevada,
Psicologia que, para o cumprimento de seu papel,
sobretudo no que se refere ao contexto escolar, onde
necessita inserir-se na escola em articulação com
as relações se manifestam complexas e não há
outras ciências, entre as quais a Filosofia, a Filosofia
possibilidade de tratar os indivíduos distanciados da
da Educação e a Pedagogia, devendo apropriar-se de
coletividade e de considerar o valor destas relações
elaborações teóricas consolidadas para assumir o
para o desenvolvimento individual e social. A análise
compromisso teórico-prático de se apropriar de
da sociedade pode ser comprometida se o modelo
recursos metodológicos que respondam às
clínico individualizante, anteriormente citado, for
necessidades escolares (Meira, 2002).
a
O envolvimento na elaboração da proposta
pedagógica e nas propostas de formação continuada de
educadores e a participação efetiva na criação de
novas metodologias de
coletiva das dificuldades de lidar com a problemática. A atual discussão acerca da inclusão escolar
Analisamos que, embora os avanços tenham sido depende, sobretudo, do reconhecimento dos indivíduos
significativos no sentido de assegurar plenos direitos como produto das relações históricas, buscando uma
a todos os seres humanos, muito há que fazer para que análise menos distanciada das condições sociais
a escola seja efetivamente um espaço democrático de alienadas.
participação social efetiva e de tomada de decisões. As contribuições da Psicologia Escolar crítica são
Para tanto, é necessário que os diversos atores sociais, de fundamental importância, pois levam ao
partícipes das diversas instituições, sejam capazes de reconhecimento dos alunos com deficiência como
vencer os próprios preconceitos e consolidar novos seres sociais e históricos, cujos ideais são erigidos de
paradigmas que favoreçam uma educação que igual forma, com base na humanização de indivíduos
promova a humanização dos indivíduos, ou seja, de através da convivência, da superação dos conflitos e
uma educação em que todos tenham os seus processos da participação comunitária no trato com a informação
de apropriação e objetivação do que já foi elaborado e formação para a conquista da inclusão escolar.
pelo gênero humano.
Da mesma forma que defendemos, no decorrer
deste artigo, a impossibilidade de se analisar o homem REFERÊNCIAS
dissociado do contexto histórico e social em que vive,
asseveramos que as mudanças não ocorrem por força Angelucci, C. B., & Lins, F. R. S. (2007). Pessoas
da natureza. Sobre este aspecto Saviani e Duarte significativamente diferentes e o direito à educação: uma
(2012) chamam a atenção para as diversas relação atravessada pela queixa. In B.P. Souza. (Org.).
Orientação à queixa escolar. (pp. 329- 349). São Paulo:
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Marasella del Cármen Silva Rodrigues Macedo: pedagoga, formada pela Universidade Federal de Rondônia e mestranda
pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia na mesma universidade.
Deusodete Rita Silva Aimi: pedagoga, formada pela Universidade Federal de Rondônia e mestranda pelo Programa de Pós-
Graduação em Psicologia na mesma universidade.
Iracema Neno Cecilio Tada: doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo,
professora associada da Universidade Federal de Rondônia, Brasil.
Ana Maria de Lima Souza: doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pelo Instituto de Psicologia da
Universidade de São Paulo, professora associada da Universidade Federal de Rondônia , Brasil.
Abstract. School inclusion has brought new paradigms for the mainstream schools.
One must welcome these disabled individuals, offering them conditions for learning,
contribute positively in the development of their potentials and capabilities. In this
context, this study's purpose is to discuss on the topic included, as well as showing
its historical context, the legislation that protect these individuals and what the
teacher training and regular education teacher if it is prepared to receive these
students. The developed research is bibliographic and concerns the difference, show
that this process of inclusion is something that has been going on however it will
take a while to be realized, since the laws and the curriculum that protect them are
not yet implemented in order appropriate.
Keywords. School inclusion; Regular education; Teacher.
Introdução
O presente artigo pretende mostrar, a importância de se discutir sobre os desafios
encontrados quando se trata da inclusão, não somente ao que se refere a um ambiente escolar,
mas também a uma vida em sociedade, principalmente o meio o qual estão inseridos essas
pessoas deficientes.
Sabe-se que todo ambiente escolar possibilita a aprendizagem e que ao se inserir na
escola o aluno amplia sua visão de mundo, as vivências e as experiências, passando a ter mais
possibilidades de conhecimento. De acordo com Brasil (1996), por este motivo a escola acaba
por contribuir positivamente na vida do ser humano, e é responsável por atender todo e
qualquer tipo de diversidade, proporcionando então, o que se espera em relação à educação de
qualidade para todos. Porém, atualmente a escola se depara com um grande desafio que é a
inclusão de alunos deficientes.
Este artigo se baseia na prática pedagógica frente a este desafio de inclusão,
especificamente quando esse processo se dá no ensino regular. É importante que a criança
aprenda a conviver com a diferença, e aprenda aceitar o diferente, bem como entender que
tanto a escola como a sociedade tem por obrigação acolher esses alunos, bem como
proporcionar educação de qualidade, visando não somente a vida escolar, mas tambéma
inserção deles na sociedade e no mercado de trabalho.
Por meio da inclusão a criança passa a desenvolver todas as suas capacidades, bem
como um processo de socialização, começa a se preparar para enfrentar novos desafios, fazer
do mundo um lugar melhor, onde não haja discriminação pelas diferenças.
Segundo Mantoan (2003), a inclusão é o privilégio de conviver com as diferenças. A
escola deve ser um espaço, no qual se atenda a todas as diversidades, uma vez que as pessoas
são diferentes entre si e cada uma apresenta sua individualidade e singularidade, ao longo da
vida escolar essas diferenças serão evidenciadas, uma vez que uma sobressairá sobre a outra
em determinada área, e assim sucessivamente. Por isso, todas as diferenças devem ser
respeitadas, e devem ser levadas em consideração no processo ensino-aprendizagem, bem
como no contexto de convívio social.
Para que se efetive a inclusão é preciso superar muitos desafios, é preciso que haja
uma reestrutução do currículo escolar, uma capacitação dos professores, para que esses
saibam lidar de forma adequada com esses indivíduos, passando a contribuir de forma
positiva e significativa em seu processo ensino-aprendizagem.
O presente trabalho tem por objetivo discutir a respeito do tema bem como mostrar
como se deu esse processo de inclusão, em qual contexto histórico surgiu, quais as leis que
protegem esses indivíduos, para poder melhor discernir quais são os direitos e os deveres das
instituições e da sociedade. Mostrar que o processo de inclusão não deve somente acontecer
em um ambiente escolar, mas sim na vida em sociedade, dando direitos também à inserção em
um mercado de trabalho, tornando-os cidadãos capazes.
O texto desenvolvido se deu por meio de uma pesquisa bibliográfica, no qual foram
utilizados autores, livros, e sites científicos, buscando fundamentar a temática do trabalho. Ele
será desenvolvido em três partes, referencial teórico, considerações finais e referencias. O
primeiro item irá tratar sobre a história da educação especial, bem como os percursos
percorridos até os dias atuas. No segundo item será tratado sobre as leis as quais protegem os
indivíduos deficientes, por fim no terceiro e último item do referencial teórico irá descrever
sobre a importância dos professores para atender esses alunos deficientes, e qual é realidade
desse profissional nos dias atuais. O trabalho será finalizado com as considerações finais
sobre o trabalho e referências utilizadas para elaboração o texto.
Pessoti (1984) relata que a inclusão ainda hoje é um tema muito polêmico, pois
mesmo com a necessidade da inclusão e com a universalização do ensino o deficienteainda é
diferente.
Antigamente a rejeição era registrada no código de Hamurabi, Aristóteles e Herófilo
registraram alguns temas relacionados à deficiência mental, esses foram primeiros registros
sobre o tema.O autor ainda explica que naquele momento histórico não se encontra muitas
literaturas sobre o assunto, porém pode se afirmar que em Esparta, por exemplo, crianças
deficientes eram consideradas subumanas e abandonadas, a sociedade não aceitava interagir
nem se socializar com os deficientes.
Nessa época, pessoas com deficiência eram consideradas fora dos padrões e muitos
termos foram utilizados até os dias atuais para denominá-las. Os termos que se referiam as
pessoas deficientes foram muitos, desde retardados, pessoa excepcional, pessoas com
necessidades educacionais especiais, pessoal especial, tudo na tentativa de mascarar a
deficiência.
As diferentes formas de nomear podem apenas representar o esconderijo de
velhas arapucas a maquiar valores sociais contraditórios e a encobrir as
tensões geradoras de novas formas veladas de exclusão (PAN, 2008, p. 28).
Mendes (1995) traz que na idade média de acordo com a visão da igreja católica, pais
que tinhamfilhos deficientes eram merecedores por algum motivo de um castigo, por isso que
seus filhos nasciam deficientes. Naquela época essas pessoas deveriam viver isoladas da
sociedade, pois era consequência da sua própria incapacidade, sendo assim considerada
incapaz por toda sua vida, muitas vezes sofriam abandonos e ficavam a mercê de caridade.
O Autor ainda afirma que na idade média, indivíduos deficientes eram isolados e
ficavam escondidos atrás dos muros das instituições. Porém, nessas instituições os deficientes
não eram bem tratados, uma vez que dependiam da caridade, e por muitas vezes eram até
castigados.
Entretanto, com as mudanças do tempo e com a chegada do Renascimento a
concepção do homem mudou. Neste momento os valores e a cultura se voltavam ao homem,
assim, começa a se falar em direto e deveres do deficiente.
O renascimento surgiu no século XV, mas teve seu destaque no século XVI e os
valores eram bem diferentes dos valores da idade média. E foi na era renascentista que surge
autores que se interessam pelos deficientes, Jimenez (1994) define alguns:
Bauer (1443 - 1485), que referencia seus estudos a surdo-mudo, em sua obra a “De
Invention Dialéctica” devido ao fato da comunicação ser através da escrita.
Frade Pedro Ponce de León (1509-1584), também baseou suas obras em crianças
surdas, ele é considerado o pioneiro do ensino para surdos através da criação do
método oral, ele escreveu o livro “Doctrina para los surdos”.
Charles Michel de I`Epée (1712-1789) cria a primeira escola pública para surdos.
Valentin Hauy (1746-1822) criou em Paris um instituto para as crianças cegas, criou o
sistema braile.
Nesta época também, além de publicação de obras, de criação de escolas, para alunos
deficientes, destacam-se muitas personalidades deficientes como Camões (cego), Johannes
Kepleer (cego), Beethoven (surdo), todos esses sendo deficientes físicos (CARMO, 1991).
Ferreira e Guimarães (2003) afirmam que foi na Idade Moderna o homem passa ser
entendido como animal racional e trabalha para atingir a igualdade. Valorizam a observação e
passam a querer descobrir as leis da natureza deixando um pouco de lado as leis divinas.
Porém, as grandes tendências marcaram somente o início do século XX, neste
momento entra em contexto uma direção pedagógica, com atendimento educacional para
crianças com deficiência, apesar de a medicina falar muito forte a pedagogia passa a ganhar
espaço em questões significativas.
O surgimento de instituições leva a aceitar certa responsabilização na
educação de crianças com deficiência, ao mesmo tempo, imbuída por
Umaambiguidade profunda com respeito ao fenômeno das diferenças
individuais que implicam limitações e deficiência (CORREIA, 1997, p.69).
Isso acontecia pelo fato dessas pessoas não poderem levar uma vida normal, por nem
serem capazes e nem saberem dos diretos e suas responsabilidades enquanto cidadãos, ficando
então excluídos de uma vida em sociedade.
O número de instituições aumentou na maioria dos países, na razão direta da
deterioração da qualidade do trabalho por dois tipos de fatores: a passagem
de uma educação em pequenas instituições para grandes e funestas de
depósitos de crianças e a crise econômica e inflação que se fez sentir nessa
época (PEREIRA, 1993, p.70).
processo de inclusão e não de segregação o que diz que essas pessoas têm o direito de se
inserir em contexto social e escolar sem sofrerem preconceito ou rejeição.
No Brasil foi partir da década de 1950 que começa a se falar em inclusão, e em
educação especial. Bueno (1993) afirma que, no Brasil esse processo de inclusão se deu
através da criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos e o Institutodos Surdos-Mudos
ambos criados no Rio de Janeiro.
Com a abertura desses institutos os deficientes conquistaram melhores atendimentos e
abriu espaço também para conscientização sobre a melhoria na educação para acolhimento
desses indivíduos.
Foi somente após a proclamação da república, que a educação especial passou a se
expandir no Brasil, porém, ainda de forma lenta. Neste momento, todas as escolas brasileiras
passam por mudança.
Neste período, a rede pública escolar se preocupará com a deficiência metal,
em decorrência da influência por parte da psicologia que passou a influenciar
nos processos de ensino. Este fato pode ser verificado, em São Paulo, com a
criação do Laboratório de Pedagogia Experimental, na Escola Normal de
São Paulo em 1913 (PESSOTTI, 1975, p.7).
Foi no início do século XX que a educação especial passa por algumas mudanças e
reformulações, pois neste contexto criasse um processo de exclusão para com esses
indivíduos, novos paradigmas e novas formas para atender os deficientes. Já na década de
1970, criam-se as classes especiais na tentativa de incluir o deficiente no contexto escolar, no
qual o estado passa a reconhecer a educação como algo importante passa a atuar com
responsabilidade, surgem novos programas de inclusão dentre eles inserção profissionais
especializados para atender então as crianças deficientes.
A partir da década de 80 surgem, em nosso país, principalmente no Rio
Grande do Sul, os estudos e aplicações da estimulação precoce, em crianças
de zero a três anos de idade que apresentam alguma alteração global em seu
desenvolvimento, tanto na área hospitalar e médica, como nas escolas
especiais e, posteriormente, nas creches e escolas infantis. A partir desta
nova abordagem dinâmica no tratamento de bebês com deficiência mental,
inicia-se a intervir mais precocemente nas desordens neuromotoras,
cognitivas e afetivas desses sujeitos, modificando o prognóstico de
aprendizagem dos mesmos (CARDOSO apud MOSQUERA; STOBAUS,
2004, p. 19).
De acordo com Nunes e Ferreira (1994), nesse período houve uma grande
conscientização pela população sobre o movimento de inserção do deficiente e em 1981
aconteceu o “Ano Internacional das Pessoas Deficientes”.
Como consequência deste fato, constatou uma evolução nos dados fornecidos pelo
Ministério da Educação sobre o atendimento especializado (BRASIL, 1991).
3 A formação de professores
Para Morin (2004, p. 11) “uma educação só pode ser viável se for uma educação
integral do ser humano. Uma educação que se dirige à totalidade aberta do ser humano e não
apenas a um de seus componentes”.
De acordo com o autor é considerada uma educação de qualidade aquela em que se
consegue desenvolver todas as capacidades do aluno, onde ele possa se desenvolver
integralmente, em todos os aspectos, tornando-se também cidadão de bem ativo dentro da
sociedade a qual faz parte e também capaz de se inserir em um mercado de trabalho.
“A educação deve contribuir, não somente para a tomada de consciência de nossa
Terra Pátria, mas também permitir que esta consciência se traduza em vontade de realizar a
cidadania terrena. (MORIN, 2004, p. 18)”.
Quando se pensa em inclusão automaticamente, precisa se pensar na formação do
professor, uma vez que este deve estar preparado para trabalhar com este aluno com
deficiência.
A preparação dos professores constitui questão primordial de todas as
reformas pedagógicas em perspectiva, pois, enquanto não for à mesma
resolvida de forma satisfatória, será totalmente inútil organizar belos
programas ou construir belas teorias a respeito do que deveria ser realizado
(PIAGET, 1984, p. 62).
De acordo com autor o problema está relacionado também a não formação dos
profissionais uma vez que estes não estão capacitados para trabalhar com o aluno deficiente,
muito menos inseri-lo em um contexto de sala de aula, onde os mesmo tem o direto da
educação de qualidade sem sofrer qualquer tipo de discriminação.
Porem, para que isso aconteça o profissional precisa estar preparado para receber este
aluno, cabe ao sistema também realizar mais formações e preparar o profissional, basta
somente ter as leis que protegem inserir a criança deficiente no ensino regular se não tem
profissional preparado nem adequado para isso, à desvalorização dos professores, é outro
problema relacionado está vinculada a formação e capacitação desses profissionais, além da
formação na própria universidade.
Na formação de professores de educação especial, essa ambiguidade
manifesta-se, por exemplo, na forma como as políticas públicas consideram
essa questão. Também fica evidente, na construção do saber e, do saber
fazer, desses futuros docentes, pois os currículos de sua formação inicial
privilegiam, predominantemente, a especificidade do trabalho com
determinados alunos “especiais” por que apresentam incapacidades físicas,
e/ou mentais, e/ou sensoriais, e/ou adaptativas”. Tal como constata (BUENO
apud NUNES, 1998, p. 70).
Entende-se por fim que o profissional ainda se encontra despreparado e que o mesmo
tem o direito de ser capacitado, uma vez que a culpa é sempre do professor que é desmotivado
ou até mesmo desinteressado, mas a realidade é que não recebem formações nem incentivos
para que as faça, o que gerando um não ensino de qualidade e uma não preparação desses
alunos.
Enfatiza-se assim a afirmação que o profissional da educação deve estar em constante
formação, sendo ele capacitado sempre para poder atender não somente esses alunos
deficientes, mas também os demais alunos que como estes têm o direito de um profissional
qualificado e capacitado, tendo como resultado uma educação de qualidade para todos não
havendo nenhum tipo de discriminação.
4 Considerações Finais
O processo de inclusão escolar ainda hoje não se concretizou, existem sim leis que
protegem esses indivíduos, eles estão inseridos em um contexto de ensino regular, porém a
realidade é diferente, pois não se efetiva de fato a aprendizagem e o desenvolvimento de suas
capacidades. É preciso que se aprimorem as necessidades tanto relacionados à prática de
ensino como ao próprio sistema educacional.
É importante pensar que todos são responsáveis por esse processo de inclusão e não
somente as instituições escolares, mesmo sabendo que essas são as mais responsáveis e ainda
precisam estar melhores preparadas para atender o individuo deficiente. Porém a sociedade
tem também por obrigaçãopromover mais essas questões, as quais estão relacionadas ao
ensino de qualidade e a inserção dos deficientes na sociedade e no mercado de trabalho é
preciso que defendam essa causa e lutem pela dignidade humana e que essas pessoas
deficientes tenham espaço não somente nas escolas, mas também em todos os segmentos
social.
Enfatiza-se, que todos são os responsáveis pela inclusão, tanto a sociedade como a
escola, pois todos os cidadãos participam de uma sociedade organizada, onde há leis que
devem ser seguidas. Para isso, é preciso valer os direitos do deficiente, que esses indivíduos
sejam aceitos em todos os segmentos de forma que suas dificuldades sejam respeitadas.
Por outro lado, a escola precisa melhor elaborar seu projeto político pedagógico para
que se possamacolher adequadamente esses alunos deficientes. Os professores devem se
preparar para enfrentar esses desafios que serão trazidos para dentro do ambiente escolar.
Pode-se constatar que as dificuldades ainda são muitas, que este problema se refere ao
um problema estrutural educacional de todo país, que o processo de inclusão gera novas
situações, as quais englobam muitos desafios e muitas dificuldades, e este contexto só vem
reafirmar que o sistema precisa de mudanças, as quais visem à melhora na educação de uma
forma geral, tanto as que dizem respeito à qualidade de ensino como no que se refere ao
processo ensino-aprendizagem de alunos com deficiência.
Conclui-se que neste processo de inclusão as mudanças nas leis foram apenas um
primeiro passo, há ainda uma longa jornada. É preciso que leis saiam dos papéis e se tornem
realidade, não somente dentro dos muros das instituições como também fora deles,
contemplando toda a sociedade e que este percurso de lutas traga conquistas de novas
oportunidades de acesso a todas essas pessoas.
5 Referências
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Revista Electrónica “Actualidades Investigativas en Educación”
Resumen: El imperativo ético que permite garantizar derechos humanos e igualdad a las personas con
discapacidad por intermedio de la Educación Inclusiva es un paradigma relativamente reciente en el escenario
brasileño y su efectividad es compleja. Se pretende desarrollar una investigación histórica, del tipo documental,
respecto a las políticas públicas internacionales de Educación Especial con énfasis en los cambios
paradigmáticos emergentes cronológicamente en Brasil. Se concluye que los siglos XVIII y XIX fueron marcados
por la segregación homogeneizante de las personas con discapacidad en escuelas especiales y que, a partir del
siglo XX, impulsadas por documentos internacionales, emergieron las clases especiales superadas por la
ideología actual de igualdad e inclusión social con respecto a las diferencias que posibilita no solo la inclusión en
la escuela regular, sino mecanismos de lucha para la igualdad de condiciones. Las reflexiones plantean que
acuerdos internacionales impulsan el Brasil a alinear su política interna hacia la garantía de derechos humanos y
de igualdad a las personas con discapacidad.
1
Professora doutora da Faculdade Maurício de Nassau, Brasil, no Curso de
Graduação em Fisioterapia e professora adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da
Paraíba. Professora visitante do Curso de Especialização em Atendimento
Educacional Especializado da Faculdade Integrada de Patos (FIP) entre 2015 e 2016.
Endereço eletrônico: [email protected]
2
Professora doutora do Centro de Educação e do Programa de Pós-Graduação em
Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Brasil. Endereço eletrônico:
[email protected]
3
Professor doutor associado IV e professor permanente dos Programas de Pós-
Graduação em Educação (PPGE) e em Sociologia (PPGS), ambos da Universidade
Federal da Paraíba (UFPB), Brasil. Endereço eletrônico: [email protected]
1
Revista Electrónica “Actualidades Investigativas en Educación”
Abstract: The ethical imperative that guarantees human rights and equality for people with disabilities through
Inclusive Education is a relatively recent paradigm in Brazilian scenario and its implementation is complex. The
objective is to develop a historical, documentary-type research, a path on international public policies of Special
Education with emphasis on paradigmatic changes emerging chronologically in Brazil. It is concluded that the
eighteenth and nineteenth centuries were marked by the homogenizing segregation of people with disabilities in
special schools and that, from the twentieth century onwards; special classes emerged, driven by international
documents. Such classes were overcome the current ideology of equality and social inclusion towards the
differences that make possible not only the inclusion in the regular school, but some mechanisms to fight for
equality of conditions. The reflections show that the international discussions and agreements impel Brazil to align
its internal policy towards the guarantee of human rights and equality for people with disabilities.
1. Introdução
A compreensão dos aspectos históricos, políticos e ideológicos da Educação Inclusiva, como
modelo transversal de ensino que dialoga e compartilha os mesmos princípios e práticas da Educação
geral, é recente no cenário brasileiro e exige de seus sujeitos escolares uma reflexão sobre a
complexidade desse novo imperativo ético, o qual busca garantir os direitos humanos de populações
historicamente excluídas dos espaços sociais, como a escola. Igualmente recentes são os estudos sobre
as mudanças de paradigmas provocadas por essa ação afirmativa ao longo dos tempos nas políticas
públicas educacionais no Brasil.
Questionam-se como as políticas públicas veiculadas em documentos oficiais de organismos
internacionais - Organização das Nações Unidas (ONU), Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Organização dos Estados Americanos (OEA), Fundo das
Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Banco Mundial (BM) - influíram para mudança de
compreensão acerca do paradigma segregativo na Educação Inclusiva brasileira. Para compreender
como foi se constituindo a compreensão de Educação Inclusiva ao longo dos tempos, influenciada
pelos organismos internacionais que lançaram bases ideológicas nos documentos legais brasileiros,
desenvolveu-se uma pesquisa no campo da História da Educação, com objetivo de desenvolver um
histórico a respeito das políticas públicas internacionais de Educação Especial com ênfase nas
mudanças paradigmáticas emergentes cronologicamente no Brasil.
Metodologicamente, realizou-se, no primeiro semestre do ano de 2017, uma pesquisa de
abordagem qualitativa, de cunho histórico, do tipo documental, com base em textos internacionais
produzidos no seio dos debates sobre a Educação Inclusiva, em especial sobre os direitos da pessoa
com deficiência, tais como: 1) Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas
de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de
2
Revista Electrónica “Actualidades Investigativas en Educación”
3
Revista Electrónica “Actualidades Investigativas en Educación”
4
Revista Electrónica “Actualidades Investigativas en Educación”
5
Revista Electrónica “Actualidades Investigativas en Educación”
6
Revista Electrónica “Actualidades Investigativas en Educación”
Deficiência; 2)Declaração Universal dos Direitos Humanos; 3)A Unesco e a Educação na América
Latina e Caribe; 4)Educação para Todos: o compromisso de Dakar; 5)A Unesco no Brasil:
consolidando compromissos; 6)Conferência Mundial de Necessidades Educativas Especiais: Acesso e
Qualidade, – permitiu inferir que sob a era da inclusão, no paradigma veiculado pelos documentos
oficiais internacionais, a deficiência passa a ser tratada internacionalmente na perspectiva da
abordagem dos direitos humanos, ou seja, como uma patologia social produzida em consequência da
organização social e da relação entre o indivíduo e a sociedade, cuja responsabilidade sobre essas
pessoas singulares seria por meio da reconstrução de políticas públicas de Educação Especial,
entendidas como ações afirmativas em defesa da diferença e da diversidade humana, visando à
superação dessas mesmas desigualdades e injustiças através da eliminação de práticas pedagógicas
discriminatórias e excludentes (Sassaki, 2005). Nessa vertente, prima-se pela oferta de um atendimento
educacional especializado de modo complementar ou suplementar ao processo de escolarização desses
alunos, sendo ambos os serviços disponibilizados no espaço comum da escola regular.
Logo, a partir da década de 1990, o movimento educacional internacional pela inclusão, que
preconizava que todas as pessoas deveriam estar inseridas nos mesmos espaços e tempos escolares,
passou a integrar a pauta obrigatória na escola no Brasil, enfatizando-se especialmente o tema sobre as
mais eficientes formas de atendimento educacional especializado e sobre a escolarização dos alunos
público-alvo da Educação Especial no sistema regular de ensino. Com efeito, passa-se a discutir a
garantia do direito à Educação das pessoas com deficiência, transtorno global do desenvolvimento e
com altas habilidades/superdotação, segundo os marcos legais, políticos e pedagógicos promulgados
por organismos internacionais, como a ONU.
Dentro desse processo de evolução histórica das políticas públicas no cenário brasileiro, a
modalidade de ensino da Educação Especial passou, sob o verniz ético-político da Educação Inclusiva,
a garantir o acesso, a permanência, a participação e o desenvolvimento acadêmico e social dos
estudantes público-alvo do Atendimento Educacional Especializado (AEE) na escola comum a partir
da tentativa de eliminação das barreiras pedagógicas, arquitetônicas, comunicacionais e atitudinais.
Afinal, os documentos internacionais defendem que não é o limite individual que determina a
deficiência, mas sim as barreiras existentes nos espaços, no meio físico, no transporte, na
informação, na
7
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comunicação e nos serviços. A escola, nessa vertente, deve tornar-se um espaço acolhedor das
diferenças.
A elaboração dos direitos que asseguram a participação de todos e a efetivação de uma
sociedade inclusiva fica patente a partir de 10 de dezembro de 1948, quando da elaboração da
Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Assembleia Geral das Nações Unidas, que se
fundamenta no reconhecimento da dignidade de todas as pessoas e na universalidade e indivisibilidade
desses direitos e, portanto, no valor da diversidade humana que se impõe como condição para o alcance
de tal reconhecimento ao explicitar a pessoa como sujeito de direito, respeitado em suas peculiaridades
e particularidades. Como garantia do direito à Educação, a citada declaração internacional normatiza:
Art. 26. 1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos
graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-
profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, está baseada no mérito. 2. A
instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do
fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução
promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou
religiosos e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. 3. Os
pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus
filhos. (ONU, 1948, p. 5)
Tal declaração parece não gerar mudanças significativas na forma de oferta e compreensão
acerca da educação inclusiva. Quase 30 anos depois dessa primeira publicação, em 9 de dezembro de
1975, a ONU (1975, p. 2) abordou especificamente a temática da inclusão, ao lançar a Declaração dos
Direitos das Pessoas Deficientes4, que assevera:
As pessoas deficientes têm direito a tratamento médico, psicológico e funcional, incluindo-se aí
aparelhos protéticos e ortóticos, à reabilitação médica e social, educação, treinamento vocacional
e reabilitação, assistência, aconselhamento, serviços de colocação e outros serviços
que lhes possibilitem o máximo
4
“O termo ‘pessoas deficientes’ refere-se a qualquer pessoa incapaz de assegurar por si mesma, total ou parcialmente, as
necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de uma deficiência, congênita ou não, em suas
capacidades físicas ou mentais” (ONU, 1975, p. 1).
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A partir da década de 1980, o Brasil, país signatário, impulsionado por debates internacionais,
buscou afirmação do direito à Educação das pessoas público-alvo da Educação Especial por meio da
realização de conferências sobre o tema da inclusão escolar constituídas por organismos nacionais e
internacionais de defesa dos direitos humanos. Ademais, ratificaram-se algumas declarações sobre as
demandas específicas dessa área de conhecimento que precisavam ser legitimadas democraticamente
mediante instrumentos jurídicos locais e de princípios aplicáveis a cada país-membro.
No ano de 1981, por exemplo, foram promulgados dois documentos relevantes para a Educação
Especial, a saber: a Declaração de Cuenca sobre novas tendências na Educação Especial
(Unesco/Orealc – Cuenca, Equador), que recomendava a eliminação de barreiras físicas e a
participação de pessoas “deficientes” na tomada de decisões a seu respeito; e a Declaração de
Sunderberg como resultado da Conferência Mundial sobre as Ações e Estratégias para a Educação,
Prevenção e Integração dos Impedidos (Unesco – Torremolinos, Espanha), cujo tema principal era a
equiparação de oportunidades das pessoas “deficientes” à Educação, formação, cultura e informação
(Carvalho, 2002).
A década de 1980 marcou o Brasil, pois deu início ao debate mais acirrado para estimular o
cumprimento dos direitos das pessoas “deficientes” à Educação, à saúde e ao trabalho. Em 1981,
comemorou-se em todo o mundo o Ano Internacional das Pessoas Deficientes, proclamado pela
Assembleia Geral das Nações Unidas5, cujo lema foi participação plena e igualdade, em que a ONU
oficializou o embrião do conceito de sociedade inclusiva. Partindo da ideia de que as pessoas
“deficientes” formam parte da sociedade e não são uma sociedade à parte, o Ministério da Educação e
Cultura (MEC) do Brasil, em consonância com a citada resolução da ONU, traçou as seguintes ações a
curto, médio e longo prazo para a oferta do AEE em território nacional:
I – Curto Prazo: 1) Estabelecer modelos para serviços de atendimento educacional;
2) Organizar seminários e congressos a nível nacional sobre Educação Especial;
3) Fomentar o desenvolvimento de recursos humanos em Educação Especial a nível de 2º Grau;
4) Sensibilizar os Conselhos de Educação º(Estaduais e Federal) para os
5
“Em sua trigésima sessão, de 16 de dezembro de 1976, a Assembleia Geral das Nações Unidas, pela Resolução nº 31/123,
proclamou, oficialmente, o ano de 1981 como o Ano Internacional das Pessoas Deficientes” (ONU, 1981, p. 6).
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Uma importante consequência do Ano Internacional das Pessoas Deficientes (1981) foi a
aprovação do Programa Mundial de Ação relativo às Pessoas com Deficiência pela Assembleia Geral
da ONU, por meio da Resolução nº 37/52, de 3 de dezembro de 1982. Prontamente, o Ano
Internacional e o Programa Mundial de Ação contribuíram para um forte desenvolvimento nesse
domínio, por intermédio da criação da Década das Nações Unidas para as Pessoas com Deficiência
(1983-1992), que visava garantir às pessoas com deficiência o exercício dos seus direitos fundamentais
e a sua participação plena na sociedade (ONU, 1993). Ambos salientavam o direito das pessoas
“deficientes” às mesmas oportunidades de que gozavam os demais cidadãos, visando a todos melhores
condições de vida resultantes do desenvolvimento econômico e social de suas comunidades (Unesco,
1990).
Aspirando a enfrentar esse desafio mundial e a construir projetos capazes de superar os
processos históricos de exclusão escolar dessas pessoas, com base na responsabilidade comum e
universal de todos os povos, a Unesco estabeleceu a Conferência Mundial de Educação para Todos,
realizada em Jomtien, na Tailândia, no período de 5 a 9 de março de 1990. Esse evento implicou a
solidariedade internacional dos organismos e instituições
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Vale lembrar que as diversas declarações da ONU culminaram, em 1993, na publicação das
Normas sobre a Igualdade de Oportunidades7 para as Pessoas com Deficiência, por meio de resolução
das Nações Unidas, adotada pela Assembleia Geral no dia 20 de dezembro de 1993. As normas
exortavam os Estados, dentre eles o Brasil, a assumirem um compromisso ético e político, com vistas
a operacionalizar, dentre outros direitos, o acesso ao sistema
6
No Brasil, o MEC divulgou o Plano Decenal de Educação para Todos, para o período de 1993 a 2003, elaborado em
cumprimento às resoluções da Declaração de Jomtien (1990).
7
“O termo ‘igualdade de oportunidades’ significa o processo pelo qual os diversos sistemas da sociedade e o meio
envolvente, tais como serviços, atividades, informação e documentação, se [sic] tornam acessíveis a todos e, em especial,
às pessoas com deficiência” (ONU, 1993, p. 16).
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regular de ensino às pessoas com deficiência em igualdade de oportunidades com as demais pessoas,
independentemente da natureza e gravidade da sua deficiência, tendo como estratégias complementares
as escolas especiais (ONU, 1993).
Por conseguinte, a tendência dos organismos internacionais atrelados ao desenvolvimento da
Educação em seus países-membros, notadamente aqueles ligados à ONU durante as décadas de 1980 e
1990, tinha sido a de promover integração e participação, além de combater a exclusão dos grupos
socialmente marginalizados, como era o caso das pessoas “deficientes”. O paradigma da inclusão
surgiu mais enfaticamente com a Declaração de Jomtien (1990), no contexto do movimento político
mundial para o fomento de uma agenda internacional em prol do alcance das metas do direito à
Educação das pessoas com deficiência nos sistemas regulares de ensino. Seu ápice, no entanto, ocorreu
com a produção de um documento publicado pelo Governo da Espanha em parceria com a Unesco
entre os dias 7 e 10 de junho de 1994, denominado Declaração de Salamanca sobre os princípios, a
política e as práticas na área das necessidades educativas especiais 8, como resultado da Conferência
Mundial de Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade.
Tal Declaração teve a finalidade de promover o objetivo da Educação para Todos, ou seja, da
Educação Especial sob a perspectiva da Educação Inclusiva, examinando as mudanças fundamentais
das políticas públicas educacionais necessárias para desenvolver tal abordagem, nomeadamente
qualificando as escolas regulares para atender a todas as crianças, sobretudo as que têm necessidades
educativas especiais, de modo que os governos, com apoio das organizações internacionais, pudessem
conceder maior prioridade ao desenvolvimento de seus respectivos Sistemas Nacionais de Educação,
sob a perspectiva inclusiva, através de medidas políticas e orçamentárias compatíveis com esse
imperativo ético (Unesco, 1994).
A partir dessa reflexão acerca das práticas educacionais especiais, da qual resultaram a
compreensão de equiparação de oportunidades de diversos grupos sociais (crianças com deficiência e
crianças bem dotadas; crianças que vivem nas ruas e que trabalham; crianças de populações distantes
ou nômades; crianças de minorias linguísticas, étnicas ou culturais e crianças de outros grupos e zonas
desfavorecidas ou marginalizadas), a Declaração de Salamanca e Linha de Ação sobre Necessidades
Educativas Especiais proclamou que as
8
A expressão “necessidades educativas especiais”, no citado documento, refere-se a todas as crianças e jovens cujas
carências se relacionam com deficiências ou dificuldades escolares, incluindo nesse escopo as pessoas com deficiência e as
superdotadas (UNESCO, 1994).
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escolas comuns representavam o meio mais eficaz para combater as atitudes discriminatórias,
ressaltando que o princípio fundamental dessa linha de ação seria o de que as escolas inclusivas
deveriam acolher todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais,
emocionais, linguísticas ou outras (Unesco, 1994).
Na esteira de construção de uma agenda internacional em torno da promoção de uma Educação
para Todos, em particular para aquelas com necessidades educacionais especiais, capazes de gerar
diversos instrumentos e recomendações internacionais passíveis de serem incorporados ao sistema
jurídico dos países-membros de organismos internacionais ligados ao fomento da Educação, tornando-
os internamente obrigatórios, surgiram outros movimentos sociais em torno da proposta da inclusão
escolar, como: a Declaração de Cartagena de Índias, as Políticas Integrais para Pessoas com
Deficiências na Região Ibero-Americana na Colômbia em 1992; a Conferência Hemisférica de Pessoas
com Deficiências em Washington/EUA em 1993; a 5ª Reunião do Comitê Regional
Intergovernamental do Projeto Principal de Educação na América Latina e Caribe, que resultou na
Declaração de Santiago, realizada no Chile em 1993; a 1ª Reunião dos Participantes da Conferência de
Ministros responsáveis pela situação da pessoa com deficiência, ocorrida em Montreal/Canadá em
1994; e a publicação das normas uniformes sobre a igualdade de oportunidades para pessoas com
deficiência, aprovadas pela Assembleia Geral nº 48/96, de 20 de dezembro de 1993, da ONU.
Por fim, a construção do cenário internacional da Educação Especial, sob o aspecto filosófico-
ideológico da inclusão na década de 1990, culminou com a Convenção Interamericana para a
Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência 9, mais
conhecida como Convenção da Guatemala, aprovada pelo Conselho Permanente da OEA na sessão
realizada em 26 de maio de 1999, no país da América Central supracitado, promulgada no Brasil pelo
Decreto nº 3.956/2001. Esse documento, que ainda utilizava a expressão “portador de deficiência”,
afirmava que os Estados-Partes deveriam se comprometer a tomar as medidas de caráter legislativo,
social, educacional, trabalhista, ou de qualquer outra natureza, que fossem necessárias para eliminar a
discriminação contra as pessoas “portadoras de deficiência” e proporcionar a sua plena “integração” à
sociedade.
9
“[...] o termo ‘discriminação contra as pessoas portadoras de deficiência’ significa toda diferenciação, exclusão ou restrição
baseada em deficiência, antecedente de deficiência, conseqüência [sic] de deficiência anterior ou percepção de deficiência
presente ou passada, que tenha o efeito ou propósito de impedir ou anular o reconhecimento, gozo ou exercício por parte
das pessoas portadoras de deficiência de seus direitos humanos e suas liberdades fundamentais” (OEA, 1999, p. 3).
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Nesse texto a ONU reconhece que “[...] a deficiência é um conceito em evolução e que a deficiência resulta da interação
entre pessoas com deficiência e as barreiras atitudinais e ambientais que impedem sua plena e efetiva participação na
sociedade em igualdade de oportunidades com as demais pessoas” (ONU, 2012, p. 22).
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qualidade e gratuito, em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem
(ONU, 2012).
Ainda no panorama internacional, a Unesco lança em 2009 uma coletânea intitulada Orientações
Políticas sobre Inclusão na Educação a fim de ampliar a compreensão das questões atinentes às
políticas e às práticas pedagógicas que visam garantir a inclusão educacional e social. Os dados
apresentados e as análises feitas suscitaram questionamentos e posicionamentos em relação às
condições de acesso e de atendimento nas redes de ensino e possibilitaram o aprofundamento do debate
sobre as ações do poder público e da sociedade com vistas a assegurar o direito de todas as pessoas à
Educação Escolar de Qualidade (No cenário regional da América Latina e do Caribe, houve, em 2009,
a Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação, a fim de promover o desenvolvimento de
pesquisas interdisciplinares para subsidiar a formulação de políticas públicas intersetoriais que
atendessem às especificidades educacionais de estudantes com deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação que requeiram medidas de atendimento
especializado. Já na União Europeia, a Agência Europeia para o Desenvolvimento da Educação
Especial recomendou, também em 2009, para decisórios políticos, princípios básicos para a Promoção
da Qualidade na Educação Inclusiva. Fávero, Ferreira, Ireland e Barreiros, 2009).
A influência histórica, direta ou indireta, das agências internacionais no direcionamento das
políticas públicas, dentre elas a Educação Especial, situada no âmbito geral das diretrizes da Educação
como um direito de todos e dever do Estado, implica o entendimento de que os fundamentos
ideológicos que dão sustentação às políticas educacionais na área de conhecimento da Educação
Especial adotadas pelos governos brasileiros certamente não foram gerados exclusivamente em âmbito
nacional, mas, ao contrário, em âmbito internacional, vinculados às declarações e recomendações
construídas em foros de abrangência mundial e regional. Em consequência, torna-se obrigatório
considerar que a atuação das Nações Unidas teve papel preponderante para a internacionalização do
discurso da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva nos anos 1990 e 2000,
notadamente pelo trabalho técnico-político da Unesco.
Na perspectiva da citada agência intergovernamental, atuar nessa agenda de cooperação
internacional e nacional com os Estados-Partes na formulação de políticas e estratégias destinadas ao
melhoramento dos sistemas de ensino “[...] significa avançar para uma sociedade educacional, onde
cada pessoa aprenda durante toda a vida e seja fonte de
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aprendizagem para os demais” (Unesco, 1998, p. 11), afinal a “[...] educação desempenha um papel
chave neste processo, tendo em vista o seu valor econômico e social” (Unesco, 2004, p. 33).
Essa compreensão conduz o debate sobre os rumos da Educação Especial no Brail, tornando-se
fundamental para a construção de políticas de formação docente, financiamento e gestão escolar,
necessárias para a transformação da estrutura educacional a fim de assegurar as condições de acesso,
participação e aprendizagem de todos os estudantes, concebendo a escola como um espaço que
reconhece e valoriza as diferenças.
Logo, o respeito à diversidade, efetivado no respeito às diferenças, impulsiona ações de
cidadania voltadas ao reconhecimento de sujeitos de direitos, simplesmente por serem seres humanos.
Suas especificidades não devem ser elemento para a construção de desigualdades, discriminações ou
exclusões, mas sim devem pautar as políticas afirmativas de respeito à diversidade, voltadas para a
construção de contextos sociais inclusivos, cujo aspecto filosófico-ideológico se assenta na
equiparação de oportunidades, direitos e deveres, em que todas as pessoas teriam condições de vida e
chance de realizar seus projetos como parte do exercício de sua cidadania e em respeito à sua
identidade.
3. Considerações finais
Esta pesquisa foi instigada pela reflexão que questionava como foi se constituindo a
compreensão de Educação Inclusiva ao longo dos tempos no Brasil, considerando a influência
ideológica dos documentos legais produzidos pelos organismos internacionais – ONU, Unesco, OEA,
Unicef e BM – a partir das primeiras décadas do século XX. Tal inquietação acadêmica fez emergir o
interesse em compreender a História da Educação Inclusiva, em especial no que concerne à
escolarização das pessoas com deficiência defendida em acordos e discussões internacionais. O
objetivo, com efeito, foi desenvolver um histórico a respeito das políticas públicas internacionais de
Educação Especial com ênfase nas mudanças paradigmáticas emergentes cronologicamente no Brasil.
Realizou-se uma pesquisa documental nos textos internacionais produzidos sobre os debates
acerca da Educação Inclusiva, em especial para as pessoas com deficiência, dentre os quais, destacam-
se: Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as
Pessoas Portadoras de Deficiência; Declaração Universal dos Direitos Humanos, A Unesco e a
Educação na América Latina e Caribe (1987-1997); Educação para Todos: o Compromisso de
Dakar; A Unesco no Brasil: Consolidando
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Deficiência (2006), que trataram de pautas de interesses ordinários à comunidade internacional sobre o
tema da Educação Especial em uma perspectiva de Educação Inclusiva.
Essas declarações e recomendações, resultantes das diferentes cúpulas, conferências e eventos
regionais e internacionais, foram importantes para a construção de consensos em torno das principais
ideias e propostas sobre Educação Especial nas décadas de 1980, 1990 e 2000, ou seja, da transição do
modelo integracionista para o inclusivo. Nesses eventos, ao se constituírem em fóruns gerais,
propalava-se a necessidade de reformas educativas nacionais acompanhadas de mudanças no
financiamento, transformação curricular e gestão educacional em torno de sistemas educacionais
inclusivos, perseguidos também no início do século XXI, que influenciaram a mudança de paradigma
acerca do atendimento à pessoa com deficiência no Brasil.
No paradigma da inclusão, impulsionaram-se projetos de mudanças nas políticas públicas
brasileiras, ao conceber-se que todos se beneficiam quando as escolas promovem respostas às
diferenças individuais dos estudantes. Logo, a Educação Especial, que surgiu no campo da Pedagogia
como uma área de conhecimento que se ocupava exclusivamente do processo de escolarização pela via
da homogeneização dos alunos “excepcionais” em espaços escolares ditos “especiais”, que orbitavam à
margem do sistema de ensino público e gratuito, passou a integrar os tempos e espaços das escolas
regulares, mas ficando a participação circunscrita às “classes especiais” e ainda sendo modalidade
substitutiva e normalizadora do processo de escolarização dos discentes “portadores de necessidades
especiais”. Atualmente, sob a perspectiva da Educação Inclusiva, o Brasil tem como imperativo ético,
normativo e intelectual ampliar a participação de todos os estudantes nos estabelecimentos de ensino
regular, especialmente daqueles grupos sociais historicamente excluídos da escola, como as pessoas
com deficiência, através de uma abordagem humanística e democrática, que perceba o sujeito e suas
singularidades tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos.
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