ADVERTÊNCIA
ADVERTÊNCIA
PORTARIA Nº 483, DE 1º DE ABRIL DE 2014 Considerando a Portaria nº 4.279/GM/MS, de 30 de dezembro de 2010, que
estabelece diretrizes para a organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do
Redefine a Rede SUS;
de Atenção à
Saúde das Considerando a Portaria nº 1.600/GM/MS, de 7 de julho de 2011, que reformula
Pessoas com a Política Nacional de Atenção às Urgências e institui a Rede de Atenção às Urgências
Doenças Crônicas no SUS;
no âmbito do
Sistema Único de Considerando a Portaria nº 2.488/GM/MS, de 21 de outubro de 2011, que aprova
Saúde (SUS) e a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), estabelecendo a revisão de diretrizes
estabelece e normas para a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família
diretrizes para a (ESF) e o Pro-grama de Agentes Comunitários de Saúde (PACS);
organização das
suas linhas de
cuidado. Considerando a Portaria nº 2.715/GM/MS, de 17 de novembro de 2011, que
atualiza a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN);
O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso das atribuições que lhe conferem Considerando a Portaria nº 2.994/GM/MS, de 13 de dezembro de 2011, que
os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição, e aprova a Linha de Cuidado do Infarto Agudo do Miocárdio e o Protocolo de Síndromes
Coronarianas Agudas, cria e altera procedimentos na Tabela de Procedimentos,
Considerando a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as Medicamentos,Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS;
condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o
funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências; Considerando a Portaria nº 665/GM/MS, de 12 de abril de 2012, que dispõe
sobre os critérios de habilitação dos estabelecimentos hospitalares como Centro de
Considerando o Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011,que dispõe sobre a Atendimento de Urgência aos Pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC), no
organização do Sistema Único de Saúde (SUS), o planejamento da saúde, a âmbito do SUS, institui o respectivo incentivo financeiro e aprova a Linha de Cuidados
assistência à saúde e a articulação interfederativa; em AVC;
Considerando a Portaria nº 687/GM/MS, de 30 de março de 2006, que aprova a Considerando a Portaria nº 971/GM/MS, de 15 de maio de 2012, que dispõe
Política de Promoção da Saúde; sobre o Programa Farmácia Popular do Brasil;
Considerando a Portaria nº 971/GM/MS, de 3 de maio de 2006, que aprova a Considerando a Portaria nº 1.555/GM/MS, de 30 de julho de 2013, que dispõe
Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS; sobre as normas de financiamento e de execução do Componente Básico da
Assistência Farmacêutica no âmbito do SUS;
Considerando que as doenças crônicas não transmissíveis constituem o I - acesso e acolhimento aos usuários com doenças crônicas em todos os
problema de saúde de maior magnitude e corresponderam a 72% (setenta e dois por pontos de atenção;
cento) das causas de morte em 2007;
II - humanização da atenção, buscando-se a efetivação de um modelo
Considerando o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das centrado no usuário, baseado nas suas necessidades de saúde;
Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil 2011-2022, em especial no
seu eixo III, que se refere ao cuidado integral das DCNT; III - respeito às diversidades étnico-raciais, culturais, sociais e religiosas e aos
hábitos e cultura locais;
Considerando a transição demográfica e a maior prevalência das doenças
crônicas com o envelhecimento da população e seu alto impacto na saúde das pessoas IV - modelo de atenção centrado no usuário e realizado por equipes
idosas; multiprofissionais;
Considerando o aumento da prevalência do sobrepeso e da obesidade em V - articulação entre os diversos serviços e ações de saúde, constituindo redes
crianças e adolescentes, que pode acarretar o aumento de doenças crônicas na fase de saúde com integração e conectividade entre os diferentes pontos de
adulta; atenção;
Considerando o Documento de diretrizes para o cuidado das pessoas com VI - atuação territorial, com definição e organização da Rede de Atenção à
doenças crônicas nas Redes de Atenção à Saúde e nas linhas de cuidado prioritárias Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas nas regiões de saúde, a partir das
do Ministério da Saúde de 2012, disponível no sítio eletrônico [Link]/sas; necessidades de saúde das respectivas populações, seus riscos e
vulnerabilidades específicas;
Considerando os referenciais dos Cadernos de Atenção Básica, do Guia
Alimentar para a População Brasileira, do Marco de Referência de Educação Alimentar VII - monitoramento e avaliação da qualidade dos serviços por meio de
e Nutricional para as Políticas Públicas, dos materiais de apoio da Academia da Saúde indicadores de estrutura, processo e desempenho que investiguem a
e do Pro-grama Saúde na Escola para fortalecimento da promoção à saúde e da efetividade e a resolutividade da atenção;
prevenção dos fatores de risco para doenças crônicas e qualificação do cuidado desses
usuários no âmbito SUS; e VIII - articulação interfederativa entre os diversos gestores de saúde, mediante
atuação solidária, responsável e compartilhada;
Considerando a necessidade de reorganizar a atenção à saúde da pessoa com
doenças crônicas, resolve: IX -participação e controle social dos usuários sobre os serviços;
Art. 1º Esta Portaria redefine a Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com XI - equidade, a partir do reconhecimento dos determinantes sociais da saúde;
Doenças Crônicas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e estabelece diretrizes
para a organização de suas linhas de cuidado.
XII -formação profissional e educação permanente, por meio de atividades que
visem à aquisição de conhecimentos, habilidades
Art. 2º Para efeito desta Portaria, consideram-se doenças crônicas as doenças e atitudes dos profissionais de saúde para qualificação do cuidado, de acordo
que apresentam início gradual, com duração longa ou incerta, que, em geral, com as diretrizes da Política Nacional de Educação
apresentam múltiplas causas e cujo tratamento envolva mudanças de estilo de vida,
Permanente em Saúde; e
em um processo de cuidado contínuo que, usualmente, não leva à cura.
XIII - regulação articulada entre todos os componentes da Rede de Atenção à
Art. 3º São princípios da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas.
Crônicas:
Art. 4º São objetivos da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Art. 6º Compete ao Ministério da Saúde e às Secretarias de Saúde dos Estados,
Crônicas: do Distrito Federal e dos Municípios, em seus respectivos âmbitos de atuação:
I -realizar a atenção integral à saúde das pessoas com doenças crônicas, em I - garantir que todos os estabelecimentos de saúde que prestam atendimento
todos os pontos de atenção, através da realização de ações e serviços de às pessoas com doenças crônicas possuam infraestrutura e tecnologias
promoção e proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, adequadas, recursos humanos capacitados e qualificados, recursos materiais,
tratamento, reabilitação, redução de danos e manutenção da saúde; e equipamentos e insumos suficientes, de maneira a garantir o cuidado
necessário;
II - fomentar a mudança no modelo de atenção à saúde, por meio da
qualificação da atenção integral às pessoas com doenças crônicas e da II - garantir o financiamento tripartite para o cuidado integral das pessoas com
ampliação das estratégias para promoção da saúde da população e para doenças crônicas, de acordo com suas responsabilidades;
prevenção do desenvolvimento das doenças crônicas e suas complicações.
III - promover a formação e a qualificação dos profissionais e dos
Art. 5º São objetivos específicos da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com trabalhadores de saúde de acordo com as diretrizes da Política Nacional de
Doenças Crônicas: Educação Permanente em Saúde;
I - ampliar o acesso dos usuários com doenças crônicas aos serviços de IV -utilizar os sistemas de informação vigentes para os cuidados prestados às
saúde; pessoas com doenças crônicas, com a finalidade
de obter informações que possibilitem o planejamento, o monitoramento, a
II - promover o aprimoramento da qualidade da atenção à saúde dos usuários avaliação, o controle e a regulação das ações realizadas, garantindo-se a
com doenças crônicas, por meio do desenvolvimento de ações coordenadas interoperabilidade entre os sistemas;
pela atenção básica, contínuas e que busquem a integralidade e
longitudinalidade do cuidado em saúde; V - adotar mecanismos de monitoramento, avaliação e auditoria com vistas à
melhoria da qualidade das ações e dos serviços ofertados, considerando-se
III -propiciar o acesso aos recursos diagnósticos e terapêuticos adequados em as especificidades dos estabelecimentos de saúde e suas responsabilidades;
tempo oportuno, garantindo-se a integralidade do cuidado, conforme a
necessidade de saúde do usuário; VI - elaborar e divulgar protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas para
qualificar o cuidado das pessoas com doenças crônicas;
IV - promover hábitos de vida saudáveis com relação à alimentação e à
atividade física, como ações de prevenção às doenças crônicas; VII - elaborar, desenvolver estratégias de comunicação e disponibilizar
publicações, materiais didáticos, informativos ou outros materiais de interesse
V - ampliar as ações para enfrentamento dos fatores de risco às doenças da população e dos profissionais de saúde relacionados às doenças crônicas
crônicas, tais como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool; e seus fatores de risco;
VI - atuar no fortalecimento do conhecimento do usuário sobre suas doenças VIII - estimular a participação popular e o controle social visando à contribuição
e ampliação da sua capacidade de autocuidado e autonomia; e na elaboração de estratégias para implantação das linhas de cuidado das
doenças crônicas; e
VII - impactar positivamente nos indicadores relacionados às doenças
crônicas. IX - manter atualizado os dados dos profissionais e de serviços de saúde, de
acordo com o respectivo nível de gestão, públicos e privados, que prestam
CAPÍTULO II serviço ao SUS, no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de
Saúde (SCNES).
DAS COMPETÊNCIAS DAS ESFERAS DE GESTÃO
I - prestar apoio institucional às Secretarias de Saúde dos Municípios no III - pactuar as linhas de cuidado com os Municípios da respectiva região de
processo de qualificação e de consolidação das ações voltadas à atenção às saúde, garantindo a oferta de cuidado integral às pessoas com doenças
pessoas com doenças crônicas; crônicas;
II - realizar a articulação interfederativa para pactuação de ações e de serviços IV - organizar e pactuar as diretrizes, o fluxo e a regulação intra e
em âmbito regional ou inter-regional para garantia da equidade e da intermunicipal das ações e dos serviços da rede de atenção à saúde, visando
integralidade do cuidado; à garantia do acesso dos usuários, de acordo com suas necessidades;
III - definir estratégias de articulação com as Secretarias Municipais de Saúde V - implantar sistemas de informação, disponibilizados pelo Ministério da
do seu Estado com vistas ao desenvolvimento de planos de ação regionais Saúde ou desenvolvidos localmente, quando couber, e contribuir para sua
para elaboração das linhas de cuidado; utilização de forma a obter registros dos dados relativos ao cuidado das
pessoas com doenças crônicas atendidas nos serviços de saúde que estão I - realizar o diagnóstico, o rastreamento e o tratamento da sua população
sob responsabilidade do Município; e adstrita de acordo com os protocolos e as diretrizes clínicas estabelecidas pelo
Ministério da Saúde ou elaboradas pelo nível local;
VI - garantir o acesso aos insumos e medicamentos necessários para o
tratamento das doenças crônicas de acordo com a RENAME e de acordo com II - prevenir, diagnosticar e tratar precocemente as possíveis complicações
o disposto em legislações específicas, no que couber. decorrentes das doenças crônicas;
Art. 10. Aplica-se à Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal o disposto III - encaminhar para a Atenção Especializada os casos diagnosticados para
nos arts. 8º e 9º. procedimentos clínicos ou cirúrgicos em função de complicações decorrentes
das doenças crônicas, ou quando esgotadas as possibilidades terapêuticas na
CAPÍTULO III Atenção Básica, com base no controle dos fatores de risco e no acometimento
DOS COMPONENTES de órgãos alvo, ou de acordo com diretrizes clínicas, regulação e pactuação
locais, considerando-se as necessidades individuais;
Art. 11. A Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas é
estruturada pelos seguintes componentes: IV - coordenar o cuidado das pessoas com doenças crônicas, mesmo quando
referenciadas para outros pontos da Rede de Atenção à Saúde;
I - Atenção Básica;
V - acionar a Academia da Saúde e/ou outros equipamentos disponíveis no
território como forma de contribuir para o cuidado das pessoas com doenças
II - Atenção Especializada, que se divide em:
crônicas, de acordo com as necessidades identificadas;
a) ambulatorial especializado;
VI - acionar as ferramentas de teleassistência, de teleducação e regulação
vigentes ou outra estratégia local, sempre que necessário, para qualificar a
b) hospitalar; e atenção prestada e o eventual direcionamento da demanda dos usuários com
doenças crônicas aos demais componentes da Rede de Atenção à Saúde; e
c) urgência e emergência;
VII - realizar ações de promoção da saúde e de prevenção das doenças
III - Sistemas de Apoio; crônicas de forma intersetorial e com participação popular, considerando os
fatores de risco mais prevalentes na população.
IV - Sistemas Logísticos;
Art. 13. A Atenção Especializada constitui um conjunto de pontos de atenção
V - Regulação; e com diferentes densidades tecnológicas para a realização de ações e serviços de
urgência e emergência e ambulatoriais especializados e hospitalares, apoiando e
VI - Governança. complementando os serviços da Atenção Básica de forma resolutiva e em tempo
oportuno.
Art. 12. A Atenção Básica constitui-se como o centro de comunicação da Rede
de Atenção à Saúde, com papel chave na sua estruturação como ordenadora e Art. 14. O subcomponente ambulatorial especializado da Atenção Especializada
coordenadora do cuidado, com a responsabilidade de realizar o cuidado integral e constitui um conjunto de ações e serviços eletivos de média e alta densidade
contínuo da população que está sob sua responsabilidade e de ser a porta de entrada tecnológica, com a finalidade de propiciar a continuidade do cuidado.
prioritária para organização do cuidado.
Parágrafo único. Além do disposto no art. 21, compete ao subcomponente
Parágrafo único. Além do disposto no art. 21, compete à Atenção Básica: ambulatorial especializado da Atenção Especializada:
I - atuar de forma territorial, sendo referência para uma população definida, a estabelecidas pelo Ministério da Saúde ou elaboradas pelo nível local ou
partir do perfil epidemiológico das doenças crônicas e das necessidades de regional;
saúde da população de cada região, considerando-se os conceitos de escala,
no que se refere à economia e à qualidade do cuidado; III - programar alta hospitalar com a participação da equipe multiprofissional,
realizando orientações com foco no autocuidado;
II - prestar assistência ambulatorial eletiva de média e alta densidade
tecnológica, de forma multiprofissional, a sua população adstrita que se IV - realizar contrarreferência e orientar o retorno dos usuários, em casos de
enquadra nos critérios de encaminhamento para esse ponto de atenção, de alta, para os serviços da Atenção Básica e/ou do subcomponente ambulatorial
acordo com os protocolos e as diretrizes clínicas estabelecidas pelo Ministério especializado da Atenção Especializada, bem como comunicar
da Saúde ou elaboradas pelo nível local ou regional; periodicamente os Municípios e as equipes de saúde acerca dos usuários que
estão em acompanhamento; e
III - prestar apoio matricial às equipes da Atenção Básica, presencialmente ou
por meio das ferramentas de teleassistência e de teleducação vigentes ou de V - prestar apoio matricial às equipes de Atenção Básica, presencialmente ou
outras estratégias locais, dedicando parte da carga horária dos profissionais por meio das ferramentas de teleassistência e de teleducação vigentes ou de
especificamente para essas ações; outras estratégias locais, dedicando parte da carga horária dos profissionais
especificamente para essas ações.
IV - realizar contrarreferência em casos de alta para os serviços de Atenção
Básica, bem como comunicar periodicamente os Municípios e as equipes de Art. 16. O subcomponente de urgência e emergência da Atenção Especializada
saúde acerca dos usuários que estão em acompanhamento; constitui o conjunto de ações e serviços voltados aos usuários que necessitam de
cuidados imediatos nos diferentes pontos de atenção, inclusive de acolhimento aos
V - orientar o usuário com relação ao retorno à Atenção Básica e/ ou ao pacientes que apresentam agudização das condições crônicas.
acompanhamento neste ponto de atenção, quando necessário; e
Parágrafo único. Compete ao subcomponente urgência e emergência da
VI - encaminhar para o subcomponente hospitalar da Atenção Especializada Atenção Especializada:
os casos diagnosticados para procedimentos clínicos ou cirúrgicos de
diagnósticos ou internação, em função de complicações decorrentes das I - prestar assistência e o primeiro cuidado às urgências e emergências, em
doenças crônicas, quando esgotadas as possibilidades terapêuticas no ambiente adequado, até o encaminhamento dos indivíduos com complicações
subcomponente ambulatorial especializado da Atenção Especializada. agudas decorrentes das doenças crônicas a outros pontos de atenção, quando
necessário, com a implantação de acolhimento e classificação de riscos e
Art. 15. O subcomponente hospitalar da Atenção Especializada constitui o ponto vulnerabilidades; e
de atenção estratégico voltado para as internações eletivas e/ou de urgência de
pacientes agudos ou crônicos agudizados. II - realizar referência ou contrarreferência para os demais pontos de atenção
à saúde, de acordo com cada caso.
Parágrafo único. Além do disposto no art. 21, compete ao subcomponente
hospitalar da Atenção Especializada: Art. 17. Os Sistemas de Apoio constituem sistemas de apoio diagnóstico e
terapêutico, tais como patologia clínica e imagens e de assistência farmacêutica.
I - realizar avaliação e tratamento dos casos referenciados pela Atenção
Básica ou pelo subcomponente ambulatorial especializado da Atenção Parágrafo único. Compete aos Sistemas de Apoio:
Especializada para procedimentos clínicos ou cirúrgicos de diagnósticos ou
internação e tratamento das complicações decorrentes das doenças crônicas;
I - realizar apoio diagnóstico e terapêutico das solicitações provenientes de
todos os pontos de atenção, de acordo com as pactuações locais ou regionais
II - prestar cuidado integral e multiprofissional às internações eletivas ou de definidas com base nos protocolos e nas diretrizes clínicas estabelecidas pelo
urgência de pessoas com doenças crônicas, encaminhadas ou não de outro Ministério da Saúde ou elaboradas pelo nível local ou regional; e
ponto de atenção, conforme os protocolos e as diretrizes clínicas
II - prestar assistência farmacêutica necessária ao tratamento clínico das I - planejar o cuidado considerando a avaliação da vulnerabilidade e da
pessoas com doenças crônicas, considerando-se a forma de organização da capacidade de autocuidado das pessoas com doenças crônicas;
gestão local e regional, as necessidades de saúde locais e a RENAME.
II - organizar as ações que promovam os cuidados paliativos, quando couber,
Art. 18. Os Sistemas Logísticos constituem soluções em saúde, em geral nas linhas de cuidado definidas para cada doença crônica, apoiando o cuidado
relacionadas às tecnologias de informação, integradas pelos sistemas de identificação e articulando com os demais pontos de atenção;
e de acompanhamento dos usuários, o registro eletrônico em saúde, os sistemas de
transporte sanitários e os sistemas de informação em saúde. III - garantir o acesso aos medicamentos e insumos para o tratamento das
doenças crônicas, de acordo com as atribuições do ponto de atenção e de
Parágrafo único. Compete aos Sistemas Logísticos: acordo com a RENAME;
I - operacionalizar a implementação de sistemas de informação que permitam IV - registrar as informações referentes às pessoas e às ações relacionadas
o acompanhamento do cuidado, a gestão de casos, o apoio às decisões às doenças crônicas nos sistemas de informação vigentes, quando couber;
clínicas e a regulação do acesso aos serviços da Atenção Especializada,
assim como o monitoramento e a avaliação das ações e serviços; e V - manter comunicação com as equipes multiprofissionais dos demais pontos
de atenção que compõem a linha de cuidado;
II - organizar sistema de transporte sanitário, por meio de pactuações nas
Comissões Intergestores Regionais (CIR) e/ou nas Comissões Intergestores VI - realizar o primeiro atendimento de urgência e emergência e encaminhar
Bipartite (CIB) e no Colegiado de Gestão da Secretaria de Estado de Saúde os indivíduos com complicações agudas a outros serviços e/ou pontos de
do Distrito Federal (CGSES/DF), que permita o fluxo adequado dos usuários atenção, conforme necessidade individual; e
com doenças crônicas entre os pontos de atenção, tanto na urgência quanto
nas ações eletivas, por meio de veículos adaptados, quando necessário. VII - oferecer acompanhamento multiprofissional e programar a realização de
consultas e de exames de acordo com a necessidade individual, os protocolos
Art. 19. A Regulação constitui o componente de gestão para qualificar a e as diretrizes clínicas estabelecidas pelo Ministério da Saúde ou elaboradas
demanda e a assistência prestada, otimizar a organização da oferta e promover a pelo nível local, noâmbito da sua atuação.
equidade no acesso às ações e serviços de saúde, especialmente os de maior
densidade tecnológica, e auxiliar no monitoramento e avaliação dos pactos
Art. 22. Todos os pontos de atenção à saúde, em especial os que integram os
intergestores. componentes da Rede de Atenção às Urgências e Emergências, prestarão o cuidado
aos usuários com doenças crônicas agudizadas em ambiente adequado até a
Parágrafo único. Compete à Regulação garantir o acesso às ações e aos transferência ou encaminhamento dos usuários a outros pontos de atenção, quando
serviços de saúde de média e de alta densidade tecnológica, necessários ao cuidado necessário.
integral dos usuários com doenças crônicas, por meio das Centrais de Regulação ou
Complexos Reguladores ou de acordo com a pactuação local, garantindo a equidade CAPÍTULO IV
no acesso, em tempo oportuno, independentemente da natureza jurídica dos DAS LINHAS DE CUIDADO
estabelecimentos de saúde, levando em consideração a estratificação de risco e as
diretrizes clínicas definidas pela gestão federal, regional ou local.
Art. 23. A implantação da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças
Crônicas se dará por meio da organização e operacionalização de linhas de cuidado
Art. 20. A Governança constitui a capacidade de intervenção que envolve específicas, considerando os agravos de maior magnitude.
diferentes atores, mecanismos e procedimentos para a gestão regional compartilhada
da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas.
Art. 24. No âmbito da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças
Crônicas, as linhas de cuidado deverão:
Art. 21. São competências comuns do componente da Atenção Básica e dos
subcomponentes ambulatorial especializado e hospitalar da Atenção Especializada:
I - expressar os fluxos assistenciais que precisam ser garantidos ao usuário a a totalidade dos fatores de risco a que estão sujeitas e não apenas o potencial
fim de atender às necessidades de saúde relacionadas a uma condição isolado de cada diagnóstico clínico ou laboratorial;
crônica; e
IX - estabelecimento de estratégias para apoio ao autocuidado de maneira a
II - definir as ações e os serviços que serão ofertados por cada componente garantir a autonomia do usuário, o conhecimento sobre sua saúde e a
da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas, baseadas corresponsabilização dos atores envolvidos;
em diretrizes clínicas e de acordo com a realidade de cada região de saúde,
sempre considerando as evidências científicas sobre o tema de que trata. X - articulação de ações intersetoriais para promoção da saúde, incluindo
incentivo à alimentação adequada e saudável e às práticas corporais e
Art. 25. As linhas de cuidado no âmbito da Rede de Atenção à Saúde das atividade física, de forma a apoiar os indivíduos, as famílias e a comunidade
Pessoas com Doenças Crônicas observarão às seguintes diretrizes: na adoção de modos de vida saudáveis, respeitando-se hábitos e culturas
locais; e
I - definição no âmbito de 1 (uma) ou mais regiões de saúde, de acordo com a
pactuação realizada nas CIR e/ou CIB e no CGSES/DF, considerando-se as XI - definição de indicadores e metas de acompanhamento e avaliação para
necessidades de saúde das respectivas populações; as linhas de cuidado das doenças crônicas.
II - garantia da regionalização da atenção especializada de forma que esta Parágrafo único. A programação de cuidado, no que se refereà definição da
trabalhe com abrangência territorial e populacional, conforme pactuações frequência de realização de consultas, de grupos e de solicitação de exames, não se
loco-regionais; limitará ao critério de estratificação de risco, devendo considerar:
III - caracterização dos pontos de atenção que conformam a linha de cuidado I - os princípios da Atenção Básica descritos na Política Nacional de Atenção
por meio da definição mínima de competências e de responsabilidades de Básica (PNAB);
cada um deles e do estabelecimento de mecanismos de comunicação entre
eles, dentre outros dispositivos; II - as necessidades individuais;
IV - garantia e articulação dos recursos existentes para operacionalização das III - as diretrizes clínicas de cada doença crônica; e
linhas de cuidado, segundo o planejamento de cada unidade federada;
IV - os determinantes sociais da saúde.
V - garantia de acesso regulado à atenção especializada, ambulatorial e
hospitalar; CAPÍTULO V
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
VI - implementação de sistemas de informação que permitam o
acompanhamento do cuidado, a gestão de casos, o apoio às decisões clínicas Art. 26. A Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas será
e a regulação do acesso aos serviços de atenção especializada, assim como integrada ao Contrato Organizativo da Ação Pública em Saúde (COAP).
o planejamento, o monitoramento e a avaliação das ações e serviços;
Art. 27. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
VII - oferta de apoio diagnóstico e terapêutico adequado para prevenção e
tratamento das doenças crônicas, com efetivação de um modelo centrado no
usuário, baseado nas suas necessidades de saúde, respeitando-se as Art. 28. Fica revogada a Portaria nº 252/GM/MS, de 19 de fevereiro de
diversidades étnico-raciais, culturais, sociais e religiosas; 2013, publicada no Diário Oficial da União nº 34, Seção 1, do dia seguinte, p. 71.
VIII - garantia da avaliação e do acompanhamento periódicos das pessoas que ARTHUR CHIORO
apresentam doenças crônicas de forma integral e criteriosa, considerando-se