Índice
1. Introdução ..................................................................................................................... 2
1.1. Objectivos .................................................................................................................. 3
1.2. Objectivo Geral.......................................................................................................... 3
1.3. Objectivos Específicos .............................................................................................. 3
1.4. Metodologia ............................................................................................................... 3
2. Teoria da Complexidade e Educação ........................................................................... 4
2.1. Definições de Complexidade ..................................................................................... 5
2.2. A Metodologia da Complexidade .............................................................................. 6
2.3. A “Ordem Desorganizada”: a Organização do Conhecimento em um Paradigma
Complexo ......................................................................................................................... 6
2.4. Complexidade e Educação: as ideias educacionais de Edgar Morin ......................... 6
2.5. Pensando soluções: Edgar Morin e os sete saberes necessários à educação do futuro..7
2.5.1. O conhecimento ...................................................................................................... 7
2.5.2. O Conhecimento Pertinente .................................................................................... 8
2.5.3. A Condição Humana .............................................................................................. 8
2.5.4. A Compreensão Humana ........................................................................................ 8
2.5.5. A Incerteza.............................................................................................................. 8
2.5.6. A Era Planetária ...................................................................................................... 9
2.5.7. A Antropoética ....................................................................................................... 9
2.6. Conceito de Educação ............................................................................................... 9
3. Conclusão ................................................................................................................... 11
4. Referências Bibliográficas .......................................................................................... 12
1. Introdução
O presente trabalho aborda sobre a Teoria da Complexidade e a Educação, de salientar
que a Teoria da Complexidade é aplicada a muitos campos do conhecimento humano, e
suas implicações são crescentes, tanto no mercado quanto na academia.
No entanto, usualmente, a teoria é abordada por fragmentos em revisões de literatura, que
não a tem como foco principal. Dessa forma, dificulta-se o entendimento de sua
unicidade, sua continuidade e sua consistência. Assim, o objetivo deste trabalho é prover
um panorama sobre a Teoria da Complexidade, apresentando seus principais elementos e
fomentando a discussão a respeito de suas potencialidades de uso.
A teoria da complexidade, também chamada apenas de “complexidade”, de “pensamento
complexo” ou até de “epistemologia da complexidade” é então uma noção, um
pensamento filosófico e epistemológico que tem como grande pilar estruturante a
transdisciplinaridade. A complexidade busca conceber uma visão conjunta entre as
diversas áreas de estudo para pensar, de forma questionadora, com um olhar inquiridor, a
natureza, a realidade, a vida, o mundo.
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1.1. Objectivos
Do conjunto dos objectivos deve estabelecer-se uma diferenciação entre os objectivos
gerais e específicos, pois " tanto os objectivos gerais como os específicos permitem o
acesso gradual e progressivo aos resultados finais" (Baptista & Sousa, 2011:26).
1.2. Objectivo Geral
O objectivo geral do presente trabalho é de compreender a Teoria da Complexidade e
Educação.
1.3. Objectivos Específicos
➢ Apresentar a Teoria da Complexidade e Educação;
➢ Classificar os saberes necessários a educação;
➢ Descrever as ideias educacionais de Edgar Morin.
1.4. Metodologia
Segundo Gil (2008:17) “método de pesquisa é procedimento racional e sistemático que
tem como objectivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa
é desenvolvida mediante o concurso dos conhecimentos disponíveis e a utilização
cuidadosa de métodos, técnicas e outros procedimentos científicos”.
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2. Teoria da Complexidade e Educação
Na etimologia, “complexidade” vem do latim complexus, que significa “o que é tecido
em conjunto”. Nessa definição, já se tem uma ideia do pensamento básico dessa teoria:
a junção, o conjunto, o universo, a noção de que tudo está ligado, influi e é influenciado
por tudo.
A Teoria da Complexidade estuda os sistemas constituídos por uma grande quantidade
de agentes, os quais se integram para produzir estratégias adaptativas de sobrevivência
para os componentes do sistema e para o sistema como um todo (Ponchirolli, 2007).
A visão da complexidade desafia o paradigma de um mundo regular e previsível (PMI,
2009) e contraria a ideia de que o mundo é representado pela metáfora de uma máquina
(Ponchirolli, 2007). Uma amostra disso ocorreu no episódio em que Einstein, nos
primórdios da Teoria Quântica, afirmou que: “Deus não joga dados”, deixando clara sua
rejeição à ideia de um universo de leis incertas. Contudo, a Teoria Quântica demonstrou
que, no nível subatômico, a incerteza está constantemente presente, premissa também
atestada pela Teoria da Complexidade a respeito do funcionamento do mundo.
Em termos históricos, Wood Jr. et Vasconcellos (1993) esclarecem que foi Jules-Henri
Poincaré, matemático francês do século XIX, o primeiro a notar o comportamento
complexo em meio à regularidade newtoniana vigente. Mas os principais estudos que
permitiram o desenvolvimento da Teoria da Complexidade foram feitos nas décadas de
1960 e 1970 e sugeriam um modelo muito distinto da maneira como se pensava até então
(Ponchirolli, 2007). A substituição do determinismo pela visão emergente presente na
teoria tem influenciado também o conhecimento científico. Assim, são exemplos dessa
influência: a mecânica quântica, a Teoria da Relatividade e a Teoria do Caos (Ponchirolli,
2007).
Portanto, a Teoria da Complexidade é baseada nos achados de outras teorias, como:
Teoria do Caos, Teoria da Evolução, Teoria da Auto-Organização, Teoria da Cibernética,
Teoria das Catástrofes, Teoria Não Linear Dinâmica e Teoria Sistemática (Ponchirolli,
2007; Thomas et Mengel, 2008; PMI, 2009; Saynisch, 2010).
Para Wood Jr. et Vasconcellos (1993), a união da Teoria do Caos com o paradigma da
complexidade e a Teoria Sistemática constitui uma nova forma de olhar os sistemas
complexos.
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Em relação à Teoria do Caos, alguns autores julgam o nome da teoria inadequado, uma
vez que caos é ausência de ordem; todavia, existe um padrão nos sistemas complexos,
mesmo que esse padrão não permita previsibilidade e controlabilidade (Wood Jr. et
Vasconcellos, 1993).
Explicam os autores que, por envolver várias disciplinas, a Teoria do Caos reúne
estudiosos de diversas áreas e contraria a tendência de compartimentalização da ciência.
Essa teoria ganhou grande popularidade com a publicação, em 1987, do best-seller Caos:
a criação de uma nova ciência, do jornalista James Gleick, do New York Times (Gleick,
1989).
2.1. Definições de Complexidade
Desse modo, poucas pessoas concordam a respeito do significado da palavra
complexidade (Rensburg, 2012), pois o termo é muito difundido, e cada um pode ter seu
próprio conceito de complexidade (PMI, 2009). Assim, complexidade tem significados
diferentes dependendo da organização e da pessoa ouvida. No entanto, vários autores
propuseram suas definições para a avaliação da comunidade acadêmica:
Segundo Dijkum (1997), um sistema complexo é uma evolução geração por princípios
físicos e regras matemáticos simples, que mostram comportamentos e não previsíveis.
Segundo Bar-yam (2003), complexidade é a medida da dificuldade inerente para entender
um sistema complexo, assim como a quantidade de informações necessárias para entendê-
lo.
De acordo com Morin (2005), a complexidade é um fenómeno quantitativo devido a
imensa quantidade de interações e interferências entre um número muito grande de
unidades, e compreende incertezas, determinações e fenómenos aleatórios, portanto,
relaciona-se com a ideia de acaso.
De acordo com Nedopil (2011), a complexidade pode ser melhor descrita pelo número de
estados que um sistema pode ter de acordo com os drives: variedade, interdependência,
ambiguidade e fluxo.
Segundo PMI (2014), complexidade é a característica do programa, projecto ou seus
ambientes que torna difícil seu gerenciamento.
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2.2. A Metodologia da Complexidade
A palavra “complexidade”, além de sua raiz etimológica já mostrada neste trabalho,
surgiu, através do pensamento de Morin sobre uma das mais importantes categorias de
sua reflexão, que ele chama de auto-organização (Morin, 1991, 2003). Refletindo sobre
as mais diversas áreas de estudo, principalmente a teoria dos sistemas, a teoria da
informação e a cibernética, Morin chegou ao conceito de auto-organização, que é um
grande centro organizador de seu pensamento: a sociedade, as pessoas, a ciência, a
natureza, e tudo mais que nos cerca, possuem a capacidade de se auto-organizar, através
de processos de recriação e realimentação, não sendo possível, portanto, trabalhar na
questão do conhecimento com métodos concretos, petrificados e imutáveis. O
conhecimento, no paradigma por ele pensado, surge a partir do exercício dialógico.
2.3. A “Ordem Desorganizada”: a Organização do Conhecimento em um
Paradigma Complexo
Para Morin, o conhecimento se organiza, no geral, a partir de seleção de dados
significativos e da rejeição de dados não significativos. Mas, segundo ele, esse processo,
no contexto de uma sociedade que oferecia base para isso, evoluiu de modo a centralizar,
separar e hierarquizar dados e informações e, automática e acriticamente, rejeitar outros,
partindo de operações consideradas lógicas (Morin, 1991, 2003). Isso resultou no que
conhecemos hoje como paradigmas de organização do pensamento e do conhecimento,
princípios que acabam por governar nossas ideias e visão sobre o mundo, a vida e a
natureza.
2.4. Complexidade e Educação: as ideias educacionais de Edgar Morin
Edgar Morin pensa e teoriza, de forma propositiva sobre a mudança no sistema
educacional hegemônico ocidental. Ele chama essa mudança de reforma na educação, que
é pensada com base em uma premissa principal: qualquer reforma da educação precisa
começar pela reforma dos educadores (Morin, 2007). Por essa razão, seu pensamento
passa muito pela questão da reforma da universidade, onde são formados os educadores
que atuarão no ensino básico e também no próprio ensino universitário.
Segundo Morin (2007), a universidade é a guardiã da herança cultural. Ela reexamina a
cultura, atualiza-a e transmite-a. Mas, além disso, o mais importante: a universidade gera
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cultura que fará parte, depois, desta herança. A universidade, então, ao mesmo tempo,
conserva, regenera e gera cultura. Assim, é necessário que ela tenha imparcialidade.
Precisa ter e estimular a autonomia, a liberdade de pensamento, a laicidade.
É da sua essência questionar, problematizar o mundo, a vida, a natureza e Deus. A partir
da reforma universitária de Berlim, que, segundo o autor, introduziu as ciências modernas
na universidade, fazendo assim coexistir, separadamente, humanidades e ciência dentro
do âmbito universitário, a universidade adquiriu uma dupla função na sociedade
capitalista que estava em formação: a formação para a pesquisa, com a investigação
crítica, que já existia a seu modo; e passa a ter também a função de formar para o mercado,
formar profissionais que são demandados pela sociedade capitalista e industrial crescente,
criando métodos de ensino técnico, profissionalizante, especializador. Esse, diz Morin,
foi o principal erro da universidade, visto que nesse momento ela perdeu a essência de
sua atuação crítica, questionadora, inquiridora, para resolver demandas da sociedade,
formando profissionais acríticos. Essa função deveria ser atribuída ao ensino técnico, um
tipo de terceiro grau profissionalizante, e não à universidade (Morin, 2007).
Como repete o autor a todo o momento, a premissa é: não se pode reformar as instituições
sem antes reformar as mentes e os espíritos (Morin, 2003, 2007).
2.5. Pensando soluções: Edgar Morin e os sete saberes necessários à educação do
futuro
Como uma sistematização de seu pensamento, Edgar Morin (2001) elaborou o que ele
chama de “os sete saberes necessários à educação do futuro”. Essas ideias, resultado de
sua experiência de estudos na reforma do ensino secundário francês e também de trabalho
feito a convite da Unesco, abarcam os principais problemas que a educação precisa
resolver para formar cidadãos capazes de enfrentar o futuro. Ele chama esses sete pontos
de “buracos negros da educação”, questões que precisam ser pensadas e resolvidas o mais
rápido possível, na busca de uma educação livre e autônoma. São eles:
2.5.1. O conhecimento
Ele também chama esse problema de “questão do erro e da ilusão”. Todo tipo de ensino
pressupõe apreensão de conhecimento, mas o questionamento sobre o que é ou não
conhecimento, que é de interesse de todos, só existe na epistemologia ou na filosofia. O
autor lembra que, ao pensar o passado, sempre consideramos: “Quantos erros eles
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cometeram. Quantas ilusões tinham”. As pessoas acreditavam em ilusões como
conhecimentos verdadeiros. Assim, o que pensamos hoje ser conhecimento, não pode ser
também ilusão? Possuímos a tendência de assumir ideias como se fossem a realidade, a
filosofia sempre atenta contra isso. É necessário, ainda mais na chamada “sociedade da
informação”, ensinar que todo conhecimento possui risco de ser erro ou ilusão. Isso
estimularia a criticidade.
2.5.2. O Conhecimento Pertinente
Um conhecimento não é pertinente só por conter grande quantidade de informação. Faz-
se necessária uma organização dessa informação. Para o autor, conhecimento pertinente,
que precisa ser ensinado, é o que situa as informações num contexto global, geográfico e
histórico, constituindo-se como um conhecimento ao mesmo tempo analítico e sintético.
2.5.3. A Condição Humana
O autor diz que em nenhum lugar é ensinado o que é a condição humana, ou seja, o que
constitui a identidade de ser humano. O estudo das questões humanas é desintegrado:
biologia, psicologia, sociologia, entre outros. Ele defende que não somos um espelho do
universo, mas todo o universo está contido em nós. O autoconhecimento se inicia quando
existe reflexão sobre nós mesmos, como dizia Sócrates, ainda na Grécia Antiga. Esse
conhecimento da condição humana não deve se resumir às ciências: a literatura e a poesia,
por exemplo, também precisam entrar nesse processo.
2.5.4. A Compreensão Humana
Morin diz que em nenhum lugar somos ensinados a compreender uns aos outros. Existe,
segundo ele, diferença entre explicação e compreensão: explicar o ser humano é tomá-lo
como objeto; compreender pede a visão do sujeito, através de empatia. É muito difícil
para nós compreender culturas diferentes. Costumamos sempre reduzi-las às suas
características “negativas”. Para se compreender o outro, é necessário primeiro
compreendermos a nós próprios. A autoanálise precisa ser estimulada; se o mundo hoje
está devastado, é muito por falta de compreensão.
2.5.5. A Incerteza
O que se ensina, segundo Morin, são só certezas. É preciso aprender a enfrentar
incertezas. Uma ação nunca vai acontecer exatamente como pensada, pois, ao penetrar o
meio social e cultural, a ação será alterada; um exemplo claro disso é a Revolução
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Francesa. A consciência que tenha a incerteza como tópico acredita em ciclos e sabe que
a aventura humana sempre foi desconhecida. Precisamos, como seres humanos, modificar
nossos comportamentos e paradigmas a partir de conhecimentos novos.
2.5.6. A Era Planetária
Morin pensa que o ensino precisa ser conscientizador sobre o que aconteceu na história
humana que levou ao desenvolvimento dessa era: o imperialismo, a dominação cultural,
a escravidão, entre outros acontecimentos importantes que resultaram na ordem social
contemporânea. As guerras mundiais, a expansão das comunicações e a expansão da
mentalidade de mercado precisam ser compreendidas; faz-se necessário ensinar as
origens desse tipo de relações sociais que temos hoje, sua complexidade e suas lições para
o futuro.
2.5.7. A Antropoética
A ética na escala humana. Precisamos desenvolver a nossa autonomia pessoal, o nosso
ser, ou seja, a nossa responsabilidade e a nossa participação no gênero humano. Isso nos
conduziria a ideias de igualdade, de democracia, de solidariedade, vitais para os cidadãos
do futuro, que lidarão com os problemas e a consequente mudança.
São sete pontos que, se analisados cuidadosamente, dizem respeito à vida, ao mundo, à
natureza e à sociedade como um todo. Sete saberes que, se afirmados nos processos
educativos, por educadores auto-formados criticamente, podem vir a estruturar um novo
modelo de pensamento e de organização do conhecimento, que nos levará a novos modos
de vida e de relações sociais.
2.6. Conceito de Educação
Para Freire (2003, p.10), a educação, “Como processo de conhecimento, formação
política, manifestação ética, procura da boniteza, capacitação científica e técnica, [...] é
prática indispensável aos seres humanos e deles específica na História como movimento,
como luta.” Nesta passagem, Freire apresenta mais uma vez a educação como “processo
de conhecimento”. Ele também destaca o caráter político que vê na educação chamando-
a de “formação política”.
A definição de educação específica de Freire é: educação é o processo constante de
criação do conhecimento e de busca da transformação-reinvenção da realidade pela ação-
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reflexão humana. Segundo Freire, há duas espécies gerais de educação: a educação
dominadora e a educação libertadora.
Para Piaget (1981, p.32), o principal objetivo da educação é criar indivíduos que sejam
capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir aquilo que outras gerações já
fizeram. Com base na teoria de Piaget, a educação deve oferecer à criança a descoberta e
a construção do conhecimento através de atividades desafiadoras que provoquem
desequilíbrios e reequilíbrios sempre respeitando sua maturação.
Para Piaget, o principal objetivo da educação é criar indivíduos que sejam capazes de
fazer coisas novas e não simplesmente repetir aquilo que outras gerações já fizeram. Isso
significa dizer que a educação não pode mais trabalhar para que os educandos apenas
memorizem, mas para que estes, além de memorizar, sejam autônomos para inventar,
produzir e criar novos conhecimentos, que esses educandos não conheçam somente o
produto do ensino, mas participem do processo de construção
Através da teoria piagetiana, o professor pode saber quando ensinar determinado
conteúdo e de que forma deve ser ensinado, pois através dos estágios estudados, é possível
visualizar o desenvolvimento dos sujeitos e o que lhe é possível aprender em determinado
estágio. Isso significa dizer que o professor sabe quando e como ensinar ao seu aluno e
que desenvolvimento pode-se esperar desse aluno, dependendo do estágio pelo qual está
passando. Em suma, é importante respeitar o desenvolvimento do aluno e a forma como
este aprende. É importante também conhecer como o sujeito organiza em sua estrutura
cognitiva as informações recebidas do meio. Somos seres diferentes e por isso
percebemos o ambiente de formas diferentes e damos a ele significados de acordo como
o percebemos.
Isso significa dizer que cada sujeito constrói o conhecimento de acordo como percebe e
organiza as informações em sua estrutura cognitiva, isto é, construímos conhecimento
que nos permitem adaptar ao meio em que estamos inseridos e para, então, resolver os
problemas desse meio. Cabe ao professor possibilitar ao sujeito as oportunidades
necessárias para essa construção. (Gomes; Ghedin, p. 227, 2012),
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3. Conclusão
Após a realização do trabalho, concluímos que à palavra “complexidade”, além de sua
raiz etimológica já mostrada neste trabalho, surgiu, através do pensamento de Morin sobre
uma das mais importantes categorias de sua reflexão, que ele chama de auto-organização.
Refletindo sobre as mais diversas áreas de estudo, principalmente a teoria dos sistemas,
a teoria da informação e a cibernética, Morin chegou ao conceito de auto-organização,
que é um grande centro organizador de seu pensamento: a sociedade, as pessoas, a ciência,
a natureza, e tudo mais que nos cerca, possuem a capacidade de se auto-organizar, através
de processos de recriação e realimentação, não sendo possível, portanto, trabalhar na
questão do conhecimento com métodos concretos, petrificados e imutáveis.
O conhecimento, no paradigma por ele pensado, surge a partir do exercício dialógico. O
operador metodológico da complexidade é então dialógico e não dialético. Entrelaça
coisas que estão separadas: razão e emoção, sensível e inteligível, ciência e arte. Mas não
pensa na existência de uma síntese resultante da tese e da antítese. A complexidade trata
de estabelecer uma relação dialógica com o real, um pensamento capaz de pensá-lo
criticamente e de dialogar com ele.
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4. Referências Bibliográficas
Bar-Yam, Y. (2003). Dinâmica de sistemas complexos: estudos em não linearidade.
Imprensa Westview. Brin, S., Page, L. (1998). A anatomia de um mecanismo de busca
hipertextual em larga escala. Na Conferência Internacional da World Wide Web.
Dijkum, C. (1997). Da cibernética à ciência da complexidade. Kybernets, v. 6, pág. 725–
737.
Gomes, Ruth Cristina Soares Ghedin, Evandro. Teorias Psicopedagógicos do Ensino
Aprendizagem. O desenvolvimento cognitivo na visão de Jean Piaget. Boa Vista: UERR
Editora, 2012, p. 215- 232.
Morin, E. Introdução ao pensamento complexo. Lisboa: Instituto Piaget, 1991. MORIN,
E. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8. ed. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 2003.
Morin, E. Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios. 4. ed. São Paulo:
Cortez, 2007.
Morin, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 3. ed. São Paulo: Cortez;
Brasília, DF: Unesco, 2001.
Nedopil, C.; Steger, U. e Amann, W. (2011). Gerenciando a complexidade nas
organizações: texto e casos. Londres: Palgrave Macmillan.
Freire, Paulo. A alfabetização de adultos: crítica de sua visão ingênua; compreensão de
sua visão crítica. In: Ação Cultural para a Liberdade: e outros escritos. Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 2003.
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