DISCENTE: ANNY CAROLINY CARBONATO SEGOVIA
REEXPANSÃO PULMONAR
A fisioterapia respiratória atua na aplicação de inúmeras técnicas que previnem complicações
pulmonares como: retenção de líquidos e secreções, atelectasias e pneumonia. O período e
frequência da fisioterapia respiratória para pacientes cirúrgicos são variadas, dependendo das
necessidades individuais, preferência terapêutica e prática institucional. Apesar da falta de
evidencias de que os exercícios respiratórios diminuem as complicações pulmonares, as manobras
de reexpansão pulmonares são amplamente aplicadas nas fases de pré e pós-operatório de
cirurgias abdominais e torácicas. As manobras de reexpansão pulmonar correspondem ao
tratamento que estimula o paciente a efetuar inspirações mais profundas (Cavenaghi, et al., 2011).
São associados os movimentos de membros superiores e mudanças de decúbito associadas ao
ciclo respiratório, pode-se utilizar dispositivos que auxiliam no aumento do volume inspirado e na
manutenção de uma pressão positiva no final da expiração, dificultando o colapso alveolar.
Durante a reexpansão pulmonar acontecem mudanças nos volumes pulmonares
consequentemente causados por mudanças nas pressões do sistema respiratório, particularmente
nas pressões pleural e alveolar (Cavenaghi, et al., 2011).
Para a execução das técnicas de reexpansão pulmonar, deve ser levado em consideração a
semiologia do tórax, ausculta pulmonar, radiografia de tórax, gasometria arterial e
eletrocardiograma, também deve ser definido o posicionamento para o paciente, além de ter
conhecimento fisiológico, para a realização do posicionamento que traga mais benefícios durante
a realização das técnicas, uma vez que pode induzir no resultado. Os métodos de reexpansão
pulmonar são mais indicadas quando ocorre redução dos volumes pulmonares e/ou quando há
risco de colapso alveolar. Sendo assim deve ser considerado realizar reexpansão pulmonar
quando há condições restritivas como: atelectasias, fibrose pulmonar, derrames pleurais,
deformidades torácicas e obesidade (Lima, et al.,2011).
É importante destacar que cooperação do paciente, assim como a orientação antes do
procedimento é de suma importância para a eficácia do exercício. O ajustamento da duração do
tempo inspiratório de expiratório, a conscientização da utilização da musculatura respiratória e
um bom comando verbal é necessário para a efetividade das técnicas, sendo assim o objetivo
deste estudo é verificar as principais complicações relacionadas a função pulmonar no pós-
operatório cirurgia cardíaca evidenciando as condutas de expansão pulmonar dentre as terapias
utilizadas pelo fisioterapeuta (Renault, et.al. 2008).
Segundo Azeredo (2000), os efeitos imediatos das técnicas de expansão pulmonar são:
- aumento da complacência pulmonar;
- diminuição do trabalho ventilatório;
- aumento da oxigenação arterial;
- aumento da remoção das secreções brônquicas.
Técnicas
1. Exercício respiratório diafragmático
Descrição: A técnica consiste em colocar as mãos na região abdominal, aplicando
uma leve compressão, e então deve-se realizar uma profunda inspiração verificando
o deslocamento anterior da região abdominal, a expiração pela boca suavemente.
Realizar 10 vezes.
2. Inspiração fracionada
Descrição: A realização do exercício é feita com inspirações curtas, inspire por 1
segundo, segure por 2 segundos, puxe o ar novamente e segure por mais 2 segundos.
Ao completar a inspiração, realize a expiração do ar de uma vez só. Repita de 5 a 10
vezes.
3. Técnica de retenção de ar
Descrição: Deite-se em decúbito dorsal (barriga para cima), faça uma inspiração
profunda e com os pulmões cheios de ar, prenda a respiração contando até 4, logo
realize a expiração suave. Repita por 5 vezes e tente aumentar o tempo de retenção
de ar.
4. Respiração Freno-labial
Descrição: Deve-se realizar uma inspiração nasal com a boca fechada por 2
segundos, em seguida, faça uma expiração profunda com os lábios unidos. Repita 10
vezes.
5. Exercício de respiração com sopro
Descrição: sentado, pegue uma garrafa pet com água ao meio e um canudo,
encha o pulmão de ar e logo, expire todo ar que conseguir, observando a
formação de bolhas a água. Repita por 10 vezes.
6. Associando respiração com exercício
Descrição: sentado com bola ou bastão, inspire enquanto eleva o objeto e solte
o ar lentamente enquanto retorna com o objeto à posição inicial. Realize 3 séries
de 10 repetições.
OBS: Este se aplica a qualquer exercício, inspire profundamente ao realizar o
movimento e expire ao voltar para posição inicial.
7. Exercícios respiratórios com inspiração máxima
sustentada
É a realização de uma inspiração nasal lenta, profunda e uniforme seguida de
apneia pós-inspiratórios (que deve ser sustentada por um intervalo de tempo
mensurado em segundos ao paciente). Em Seguida solicitar ao paciente que
realiza uma expiração lenta e sem esforço até o volume de reserva expiratório.
O objetivo deste exercício é que a apneia pós-inspiratória sustentada melhore
a distribuição do volume em unidades com baixa complacência e alta
resistência, permitindo assim uma ventilação mais uniforme (Vera lucia, et al.,
2006).
8. Exercícios de respiração abreviada
Exercício que utiliza inspirações fracionadas, intercaladas por breves
expirações até que atinja a capacidade pulmonar total (CPT), essa técnica
resume-se em realizar ciclos intermitentes de inspirações profundas alternadas
com expirações curtas, iniciando com uma inspiração nasal lenta e profunda
até a CPT, logo após realiza-se novamente uma inspiração até a CPT, seguida
de outra expiração curta. Essa técnica deve ser realizada de três a quatro
vezes, em seguida realizar uma respiração completa. Esse exercício é
contraindicado em situações de aumento da resistência nas vias aéreas por
favorecer a hiperinsuflação pulmonar. A execução desta técnica se mostrou
efetiva em aumentar a ventilação das zonas pulmonares dependentes (Vera
Lucia. et al., 2006).
9. Respirações com pressão positiva intermitente (RPPI)
A RPPI é baseada na utilização na pressão positiva inspiratória na respiração
espontânea, é conduta fisioterapêutica a curto ou em longo prazo, ou seja, é
definida como forma de exercício respiratório aplicando pressão positiva para
aumento dos volumes pulmonares e a capacidade vital do paciente. Tem como
objetivo aplicar pressão positiva na fase inspiratória levando o aumento da
pressão alveolar aumentando a capacidade inspiratória. A técnica é realizada
através dos ajustes via máscara facial ou bucal dependendo do nível de
consciência e colaboração do paciente. Dependendo das propriedades e do
mecanismo pulmonar, a pressão pleural pode ultrapassar a atmosférica
durante a inspiração, a força de contração do pulmão e da parede torácica
armazenada como energia potencial na inspiração com pressão positiva
causando uma expiração passiva, A execução da técnica pode durar de 15 a
20 minutos, dependendo da sua indicação, sendo aplicada pelos aparelhos
como Bird, Mark 7, o Bennet AP-5B e o reanimador de Muller, entre outros
acoplados a mascaras. O fisioterapeuta vai ajustar a pressão inspiração
máxima de acordo com cada paciente que deve permitir o início da inspiração
com esforço mínimo e o fluxo baixo a moderado para permitir inspiratório mais
longo possível (Musseti, et al, 2006).
10. Espirometrias de incentivo
Na espirometria de incentivo (EI) são utilizados aparelhos que por meio de
estímulos visuais/ e ou auditivos incentiva o esforço inspiratório. O seu principal
efeito e o aumento da expansão pulmonar por meio de uma pressão negativa,
consequentemente elevando a pressão transpulmonar e promovendo melhor
fluxo de gás entre a via aérea e os alvéolos. É fundamental a participação do
paciente, que deve realizar uma inspiração lenta e profunda, desde a
capacidade residual final até capacidade pulmonar total sustentando de dois a
três segundos. A quantidade exata de inspiração máxima sustentada não é
conhecida e vai variar de acordo com o paciente e sua condição clínica. É
importante que durante a EI enfatize a expansão do tórax inferior para evitar o
uso da musculatura acessória. Essa é uma recomendação importante
principalmente para os pacientes de PO de cirurgia cardíaca tem a tendência a
realizar a respiração apical, e para prevenir uma hiperventilação e
consequentemente causar uma hipercapnia, sendo assim deve ser realizado
um repouso de 30 segundos a 1 minutos entre cada inspiração. É
recomendado que o tempo inspiratório seja longo e volume elevado. Os
aparelhos podem ser orientados pelos fluxos ou pelo volume. Os de fluxo são
possíveis visualizar e calcular o fluxo inspirado. Os de volume apresenta um
dispositivo que possibilita administrar o fluxo, assim possibilitando a
monitorização e otimização dos dois avaliando a eficácia da terapia (O volume
alto e o fluxo baixo), (Vera Lúcia. et al., 2006).
11. Pressões positiva continua nas vias aéreas (CPAP)
É definida como uma pressão positiva continua durante todo o ciclo
respiratório, pode ser fornecido por meio não invasivo, com auxílio da máscara
nasal, bucal, facial ou total. Começou a ser utilizada em no final de 1970 a
início de 1980, por Poulton e Oxon que fazia uso do CPAP para reexpanção
pulmonar em pacientes com edema agudo de pulmão. Com o CPAP e possível
diminuir a frequência respiratório, aperfeiçoar a capacidade vital, melhora da
ventilação-minuto e aumentar a capacidade residual final. A utilização do CPAP
vem sendo muito efetivo nos PO de cirurgia cardíaca (tratando as insuficiências
respiratórias agudas e prevenindo e tratando complicações respiratórias). A
funcionalidade dessa técnica consiste no fornecimento do gás inspirado por
meio de uma única pressão de fluxo aéreo interrupto. Durante a inspiração
espontânea é fornecido um fluxo inspiratório continuo, assim facilita a
inspiração e consequentemente reduz o trabalho respiratório. E no decorre da
expiração é mantida uma PEEP de 5 a 20 CMH20, com intuído de facilitar o
recrutamento dos alvéolos colapsados e do aumento da capacidade da
capacidade residual funcional. A regulagem e o tempo de aplicação vão
depender do estado clinico de cada paciente, em paciente em PO vai ter uma
diferença em relação ao objetivo da terapia seja ela curativa (tratar insuficiência
aguda) ou profilática (prevenir distúrbios respiratórios), sendo assim sendo de
suma importância realizar uma avaliação minuciosa com o paciente, para
definir melhores parâmetros necessários no tratamento (Guizilini, et al., 2006).
12. Pressões positiva expiratória nas vias aéreas (EPAP)
É considerada a técnica que melhor apresenta custo benefício, pois é de fácil
manuseio e de baixo custo de fornecer PEEP (Pressão positiva no final da
expiração) em respiração espontânea. A execução da EPAP se dá por uma
inspiração acompanhada de uma expiração resistida e lenta, ocasionando
assim, uma pressão positiva nos alvéolos, e fazendo com que o volume do
alvéolo se mantenha por mais tempo, evitando o colabamento. Para melhor
eficácia do equipamento é importante saber escolher a máscara adequada
para os pacientes, ela deve ser confortável e adequada ao formato do rosto, e
a máscara pode ser presa por uma presilha ou pode ser posicionada
manualmente pelo terapeuta. A quantidade de aplicação vai depender do
paciente e sua capacidade de prosseguir com o método, mais geralmente é
realizada de duas a quatro vezes ao dia. O uso do PEEP associado a exercício
de respiração profunda traz muito benefício entre eles está o aumento da
demanda respiratória, a melhora da recuperação da função pulmonar, foi
bastante efetiva na recuperação de força muscular respiratória e a diminuição
de áreas com atelectasia (Musetti, et al., 2006). 3.11 Pressão positiva em dois
níveis (BiPAP/ BELIVEL) É um método espontâneo onde apresenta dois níveis
de pressão, o IPAP (Pressão Inspiratória Positiva nas Vias Aéreas) e o EPAP
(Pressão expiratória positiva na Vias Aéreas), e proporciona ao paciente o
suporte nos dois ciclos respiratórios. Fazendo com que tenha uma relação
entre as fases semelhante à relação Inspiração X Expiração. A utilização do
BiPAP vem se mostrando ter mais benefícios que o CPAP, por diminuir as
áreas com atelectasia e reduzir o shunt (sangue que entra no leito arterial
sistêmico sem passar pelas áreas ventiladas do pulmão). A forma de ajuste,
duração e o intervalo de utilização desse equipamento podem variar de acordo
com as condições clinicas em que o paciente se encontra. Nos pacientes pós-
operatório o objetivo de aplicação (curativo ou profilático) pode estar
diretamente relacionando aos parâmetros que devem ser aplicados (Musetti, et
al., 2006).
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