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Diabetes Mellitus

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DIABETES MELLITUS: DEFINIÇÃO, CLASSIFICAÇÃO, EPIDEMIOLOGIA, CAUSAS E

FACTORES DE RISCO

Definições
A diabetes mellitus (DM) é uma doença crónica, multissistémica, caracterizada pelos
distúrbios no metabolismo dos carbohidratos, dos lípidos e das proteínas com presença de
níveis altos de glicose no sangue. É causada pela ausência ou deficiência na secreção de
insulina e/ou por graus variáveis de resistência à mesma.

2.1 Classificação
A classificação da DM recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela
Associação Americana de Diabetes (AAD) é feita com base nos critérios clínicos e na etiologia
da doença e divide-se em quatro grupos clínicos conforme apresentado na Tabela 1.

Tabela 1: Classificação Etiológica

Diabetes Tipo 1
 Auto-imune
 Idiopática
Diabetes Tipo 2
 Obesos
 Não obesos
Diabetes Mellitus Gestacional (Abordada na disciplina SSR II PA 8)
Pre-Diabetes
 Intolerância à glicose
 Hiperglicémia em jejum
“Outros” Tipos Específicos de Diabetes Mellitus
 Doenças do pâncreas: pancreatite, neoplasias
 Doenças endócrinas: Síndrome de Cushing
 Medicamentos: Corticóides
 Defeitos congénitos: diabetes do jovem com início na maturidade ou MODY
Fonte: Modificada da OMS e AAD

A pré-diabetes apresenta-se com duas formas clínicas:


(i) A pré-diabetes em que existe a intolerância à glicose, é detectada através do teste
tolerância oral à glicose a 2ª hora (Vide PA 3, Tabela 1). Neste tipo de pré-diabetes
não existe hiperglicémia nos períodos de jejum.
(ii) A pré-diabetes com hiperglicémia em jejum, refere-se às concentrações de glicemia
em jejum mais elevadas do que os valores normais, mas inferiores ao critério
diagnóstico para a diabetes mellitus declarada.
Qualquer uma delas aumentam significativamente o risco da diabetes mellitus e muitas vezes
faz parte da história natural da diabetes Mellitus.

2.4 Causas
Para cada grupo clínico as causas são as que se apresentam a seguir:
(i) A Diabetes Mellitus tipo 1 (DM 1) é causada pela destruição das células beta
do pâncreas, levando a uma deficiência absoluta de insulina. Esta forma pode
ser subdivida em duas formas, a saber:
 Auto-imune : quando a causa é mediada por um mecanismo auto-imune,
 Idiopática ou de causa desconhecida.

(ii) A Diabetes Mellitus tipo 2 (DM 2) é um grupo heterogéneo de distúrbios


caracterizados por defeitos variáveis na secreção ou acção da insulina ou por
uma maior produção de glicose.

2.5 Factores de Risco


Os factores de risco para o DM tipo 1 são:
(i) Genéticos
(ii) Ambientais, não totalmente esclarecidos mas poderiam ser infecções por vírus
(papeira, rubéola congénita - a serem abordada nas aulas de Pediatria)
(iii) Condição de pré-diabetes

Os factores de risco para a DM tipo 2 são:


(i) Genéticos: se os pais sofrerem de DM tipo 2 há 40% mais de probabilidade dos
filhos virem a sofrer de DM tipo 2
(ii) Obesidade sobretudo a central.
(iii) Síndrome metabólica: o risco aumenta entre 3 a 5 vezes respeito a população
normal; estima-se que 75% dos pacientes com DM tipo 2 ou com intolerância à
glicose tem síndrome metabólica.
(iv) Pacientes com pré-diabetes
(v) Estilo de vida ocidental com dieta rica em gorduras e pobre em carbohidratos e
fibras, alto nível de stress e pouco exercício físico
(vi) Estilo de vida sedentário
(vii) Mulheres que tiveram DM gestacional têm um risco adicional de cerca de 40 a
60%

BLOCO 3: FISIOPATOLOGIA E MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

3.1 Fisiopatologia
Qualquer que seja a causa, a DM abrange um grupo de distúrbios que envolvem mecanismos
distintos, onde o denominador comum é a hiperglicémia. A hiperglicémia é motivada pela
resistência periférica à insulina (ver definição no ponto 2.1) em agir efectivamente sobre os
tecidos alvos, ou pela deficiência ou pela falta de secreção de insulina pelo pâncreas
endócrino.

3.1.1 Fisiopatologia da DM tipo 1


A DM tipo 1 na maioria dos casos é uma doença auto-imune desencadeada por vários factores
genéticos e virais (ver acima) cuja interacção provoca respostas auto-imunes surgindo uma
inflamação do tipo auto-imune com destruição das células beta das ilhotas de Langerhans. De
facto a maior parte dos doentes com DM tipo 1 têm anticorpos contra as células beta. O que
acontece é que estas células são infiltradas por linfócitos T, num processo chamado insulite
tornando as células atróficas e incapazes de produzir insulina. A sintomatologia ocorre somente
quando se destroem cerca 70 a 90% das células betas.

3.1.2 Fisiopatologia da DM tipo 2


Ainda não está completamente claro qual é o mecanismo real que desencadeia a DM tipo 2,
contudo a resistência à insulina e a secreção anormal de insulina são essenciais para o
surgimento da doença. Para além da resistência à insulina, existe produção aumentada da
glicose pelo fígado e um metabolismo anormal das gorduras na DM 2.

3.2 Manifestações Clínicas na Fase Inicial

3.2.1 Na diabetes mellitus tipo 1 existe pouca ou nenhuma capacidade do pâncreas


secretar insulina, por isso os sintomas surgem em dias ou semanas, em crianças ou adultos
jovens.
Os sintomas mais comuns apresentados pelo paciente com DM tipo 1, todos eles devido à
hiperglicémia, são:
(i) Poliúria
(ii) Polidipsia ou sede excessiva
(iii) Polifagia,
(iv) Astenia, fraqueza muscular, cãibras,
(v) Perda de peso,
(vi) Náuseas
(vii) Alterações da visão (visão embaciada).
Estas manifestações podem ter sido precedidas de uma infecção, geralmente virais das vias
aéreas ou gastrointestinal.
No exame físico os sinais que o paciente com DM 1 apresenta são:
(i) TA baixa devido a hipovolêmia e hipotensão ortostática
(ii) Doente pode estar emagrecido devido ao estado catabólico com redução do
glicogénio, proteínas e triglicéridos dependendo do início das manifestações.
(iii) Nos casos em que o paciente se apresente com cetoacidose diabética:
alterações da consciência, náuseas e vómito (Vide PA 12)
3.2.2 A diabetes mellitus tipo 2, no período inicial de evolução da doença, é praticamente
assintomática, permanecendo não diagnosticada por muitos meses ou anos.
Os sintomas mais comuns apresentados pelo paciente com DM tipo 2 podem ser insidiosos e
leves podendo ser toleradas por muitos anos antes do paciente procurar por cuidados médicos,
são:
(i) Fadiga, fraqueza.
(ii) Tonturas.
(iii) Visão embaciada.
No exame físico os sinais que o paciente com DM 2 apresenta são:
(i) Na fase inicial da doença quadro clínico não é muito específico, o paciente pode
ser sobre-peso ou obeso.
(ii) Na fase avançada o paciente apresenta sinais das manifestações das
complicações crónicas, que serão abordadas no bloco a seguir.

BLOCO 4: COMPLICAÇÕES AGUDAS E CRÓNICAS

4.1 Complicações Agudas


As complicações agudas da DM são emergências médicas endócrinas que serão abordadas na
AP 12 de “Emergências Endócrinas” desta disciplina e, mais tarde, serão estudadas
pormenorizadamente no 5º Semestres na “Disciplina de Traumas e Emergências”. Nesta aula
iremos somente listar as complicações agudas:
As complicações agudas da DM são descompensações metabólicas que podem ser
classificadas em dois (2) grandes síndromes clínicas a saber:

(i) Cetoacidose Diabética (CAD): é a acidose provocada pela presença de ácidos


cetónicos levando a cetose; ocorre em geral em doentes com DM tipo1.
(ii) Síndrome Hiperosmolar Hiperglicémico (SHH) é uma descompensação
metabólica caracterizada por um valor muito elevado de glicémia; ocorre em geral
em doentes com DM tipo 2. No SHH a cetose (e acetose) podem estar presentes
em grau variável e não são tão graves como na CAD.

4.2 Complicações Crónicas


As complicações crónicas da DM afectam muitos sistemas do organismo e são responsáveis
pela maior parte da morbilidade e mortalidades desta doença. Podem ser divididas em
vasculares e não-vasculares.
4.2.1 Classificação
As complicações vasculares podem ser subdivididas em:
(i) Microangiopatias, quando afectam vasos de pequeno calibre, e atingem
predominantemente os sistemas:
 Ocular causando a retinopatia diabética – que é a principal causa de
cegueira entre os 30 e 65 anos
 Renal causando a nefropatia diabética – mais frequente na DM tipo 1 do
que na DM tipo 2
 Neurológico causando neuropatia diabética – que afecta 50% dos
paciente com diabetes causando várias alterações neuropáticas como as
úlceras neuropáticas, situação conhecida como pé diabético (vide PA10
da disciplina de músculo-esquelético)

(ii) Macroangiopatias, quando afectam vasos de grande e médio calibre; as alterações


consistem em arteriosclerose e atingem sobretudo as:
 Artérias coronárias causando a doença coronária
Artérias periféricas, sobretudo membros inferiores, causando úlceras diabéticas (vide PA10 da
disciplina de músculo-esquelético)
 Artérias cerebrais causando a doença vascular cerebral
 Artéria renal causando insuficiência renal
Outras complicações incluem as seguintes:
 Problemas gástricos, causando gastroparesias e diarreia
 Problemas urinários
 Disfunção sexual
 Maior susceptibilidade as infecções
 Alterações cutâneas
 Perda da audição
 Catarata.

[Link]
Figura 1. Necrose diabética e gangrena

BLOCO 5: DIAGNÓSTICO DA DIABETES


5.1 Exames auxiliares e diagnóstico
(i) O diagnóstico de diabetes mellitus é evidente quando presentes:

Sintomas clássicos de diabetes (poliúria, polidipsia e perda de peso inexplicável)


+
Concentração aleatória (casual) de glicose plasmática de ≥ 200mg/dL (≥11,1 mmol/L)

Ou

Concentração de glicose plasmática em jejum de pelo menos 8h ≥ 126mg/dL (≥7


mmol/L)

Ou

Concentração de glicose plasmática pós-carga ≥ 200mg/dL (≥11,1 mmol/L) durante um


teste de tolerância à glicose

Como foi referido na PA 3 a glicosúria e cetonúria apoiam no diagnóstico da DM. Os corpos


cetónicos são importantes no diagnóstico da CAD. A detecção da proteinúria, da ureia e
creatinina no sangue são testes importantes para verificar a função renal, e servem de
parâmetros para avaliar a evolução e complicações da diabetes.

5.2 Diagnóstico Diferencial


O diagnostico diferencial deve ser feito em:
 Patologias de outros órgãos como fígado, sistema muscular e tecidos gordos
 Outras doenças endócrinas: Doença de Addison, de Graves, tiroidite de Hashimoto
 Medicamentos: fenitoína, glicocorticóides
 Pancreatite crónica
 Glicosúria de outras causas como as renais, onde a glicemia no sangue é está
normal.

BLOCO 6: Conduta

A DM é uma patologia crónica e complexa de ser manejada, pois instituir um tratamento que
mantenha os níveis glicémia aceitáveis num paciente diabético é um desafio para o clínico.

6.1. Tratamento não medicamentoso

Dieta
A nutrição é parte integrante do manejo adequado da diabetes Mellitus. As finalidades do
controle da nutrição são:
 Alcançar e manter os níveis óptimos de glicémia
 Reduzir os factores de risco cardiovascular incluindo a dislipidemia e a hipertensão
 Providenciar uma dieta balanceada e nutritiva

Controle do peso – recomenda-se uma perda de peso de pelo menos 5 a 10% do peso corporal
em 3 a 6 meses.

Carbohidratos – estes devem providenciar 50 a 55% do total do aporte energético. As refeições


devem conter carbohidratos ricos em fibra como: vegetais, legumes, cereais integrais e frutas.

Evitar o consumo de açucares refinados, subistituir o açucar por adoçantes.

Comer três refeições por dia de forma a distribuir o aporte dos carbohidratos.

Gorduras – devem providenciar menos de 30% do total do aporte energético. Evitar ou limitar o
consumo das seguintes gorduras: carnes gordas, produtos lácteos com gordura, óleos de coco
ou palma e alimentos processados.

Proteínas – estas devem ser providenciar cerca de 15 a 20% do total de aporte energético. As
fontes de proteínas são: o peixe, mariscos, carne magra, frango, produtos com baixo teor de
gorduras (leite, iogurte magro), amêndoas e legumes.

Álcool – restringir o consumo de álcool para não mais de 1 a 2 bebidas padrão por dia.
Exemplo de bebida padrão: uma cerveja (285ml ou 375ml light), 100ml de vinho, 30ml de
bebidas com maior teor de álcool.

O álcool pode causar hipogicemia em doentes tratados com insulina ou sulfonilureias.

Sal – restringir o consumo de sal para menos de 6g/dia, particularmente em pessoas com
hipertensão arterial.
6.1.2 Exercício físico

A actividade física tem um importante papel no manejo da diabetes Mellitus em particular na do


tipo 2. Ela melhora a sensibilidade à insulina e na redução do peso.

Os programas de actividade física devem ser apropriados para a idade da pessoa e o seu
status social, físico, económica e cultural. Isto inclui actividades como: caminhar, andar de
bicicleta, trabalhar no jardim, fazer actividades domésticas, usar escadas em vez de
elevadores, etc.

6.2 Tratamento medicamentoso


O tratamento medicamentoso visa, fundamentalmente, repor a insulina cuja secreção foi
perdida e baixar a glicose aumentada na circulação sanguínea nos doentes diabéticos. Para tal
o tratamento difere dependendo do tipo da diabetes, usa-se a insulina ou hipoglicemiantes
orais também chamados de anti-diabéticos orais (ADO’s).

Tendo em conta que muitos dos exames laboratoriais não podem ser feitos a nível do TMG
recomenda-se que os pacientes a quem se faça o diagnóstico pela primeira vez, tanto de DM
tipo 1 como do e tipo 2, sejam encaminhados imediatamente para o nível superior assim que as
primeiras medidas terapêuticas necessárias compensar o paciente tiverem sido instituídas.

6.2.1 Insulinoterapia
A insulina é o tratamento de eleição para pessoas com DM 1, que não têm insulina, e de muitas
pessoas com diabetes tipo 2, que não respondem à dietaterapia e ao exercício ou aos ADO’s.
A insulinoterapia consiste em imitar a secreção fisiológica da mesma no organismo humano,
onde deve existir, nos diferentes momentos do dia/noite:
As insulinas disponíveis no mercado podem ser de origem:
(i) Animal: bovina e a porcina
(ii) Humana: denominada semi-sintética
(iii) Bio-sintéticas: que são as mais recentes, menos complexa e economicamente
mais viável; são conhecidas como análogos e que são produzidas pela
Escherichia Coli
Qualquer que seja a sua origem os preparados insulínicos são divididos por classes, consoante
o tipo de acção, inicio e duração dessa acção, pelo que se classificam em:
 Insulina de Acção Curta, que podem ser
 Rápida
 Ultra-rápida
 Insulina de acção intermediária
 Insulina de acção prolongada
Para o nível do TMG os tipos de insulina que podem ser usados por eles são:
(i) Insulina de Acção Curta (Rápida)
(ii) Insulina de Acção Intermédia.

Cálculo da Dose
A maior parte dos doentes adultos necessita entre 20 - 60 U.I. de insulina/dia. Contudo deve-se
calcular a dose diária com base no peso e altura do doente. De acordo com o FNM para se
calcular a dose de insulina é preciso calcular-se o Índice de Massa Corporal (IMC) a Dose
Diária Total (DDT) que se calcula do seguinte modo:

Índice de Massa Corporal: IMC= Peso (em kg)


h2
DDT = 1 U.I. de insulina S.C. por cada unidade do IMC
OU
0.5 U.I./kg/dia

Exemplo: Um paciente com 70 kg e 1,75 m de altura teria


IMC=70kg = 23 U.I. de insulina/dia
(1,75)2
OU
70kgx0.5 U.I/dia = 35 U.I.
Portanto para o paciente do exemplo a dose indicada varia de entre 23 a 35 U.I./dia por via
S.C.

6.2.2. Hipoglicemiantes ou Anti-diabéticos Orais (ADO’s)


Para o tratamento de DM 2 são usados agentes orais redutores de glicose os ADO’s cujo efeito
hipoglicemiante consegue-se por diferentes mecanismos de acção, a saber:
(i) Aqueles que aumentam a secreção de insulina, denominadas Sulfoniluréias
como por exemplo a Glibenclamida.
(ii) Aqueles que reduzem a produção de glicose, denominadas Biguanidas como
por exemplo a Metformina.
(iii) Aqueles que aumentam a sensibilidade à insulina, denominadas
Tiazolidinedionas, como por exemplo a Rosiglitazona.
Apenas a Glibenclamida pode está no nível de prescrição do TMG, para o uso de qualquer um
dos outros regimes, o TMG deve referir ou transferir para o médico.
Os objectivos da terapia para DM tipo 2 são semelhantes aos da DM tipo 1 ou seja o controlo
da hiperglicémia. Contudo na DM tipo 2 deve-se também incluir a devida atenção ao
tratamento das condições associadas a esta patologia que já foram referidas nas aulas
anteriores, sobretudo a:
 Obesidade
 HTA
 Dislipidemia
 Doenças cardiovasculares a nível renal, neurológico, cutâneo e dos tecidos moles como
as úlceras.
Glibenclamida, Comp. 5mg por via oral: indicada em doentes diabéticos sem/com excesso de
peso nos quais a metformina é mal tolerada ou contraindicada.
Doses: Iniciar com 2,5 a 5 mg/dia ao pequeno-almoço e aumentar progressivamente esta dose
em intervalos de 5-7 dias, até se conseguir o controlo de glicemia ou até se atingir um máximo
de 15 mg/dia.

Efeitos Colaterais do Tratamento Farmacológico


Os efeitos colaterais tanto do uso da insulina como dos ADO’s mais frequentes são:
 Hipoglicémia que se manifesta principalmente por palidez, taquicardia,
hipersudorese, tremores, irritabilidade. Que será abordada na aula de emergência e
no PA9
 Aumento de peso acompanhado de aumento do colesterol LDL e da tensão arterial.
Estes efeitos colaterais contribuem para o aumento do risco da patologia
cardiovascular que já é elevada nos diabéticos.
 No caso de terapia com insulina: lipoatrofia, que é a redução de gordura, no local
das injecções S.C, apesar de que a insulina humana causa menos do que outras
insulinas.
 Outros efeitos ligeiros, e pouco frequentes, incluem distúrbios gastrointestinais tais
como náusea, vómitos, diarreia ou obstipação.

6.3 Seguimento do Paciente Diabético e Prevenção das complicações agudas e


crónicas
O plano de seguimento do paciente diabético deve ter em conta que a doença é crónica, mas
que pode também produzir complicações agudas devidas a hiperglicémia. As complicações
crónicas começam a surgir na segunda década da doença.
Nos casos dos doentes com DM tipo 2 não diagnosticada numa fase precoce podem
apresentar complicações crónicas na altura do diagnóstico.

Para um bom plano de seguimento é necessário, a cada consulta, questionar o paciente sobre
as seguintes questões:
(i) Evolução e alterações do peso
(ii) Dieta
(iii) Exercício físico
(iv) Tipo de terapia que esta a fazer: Insulinoterapia, ADO ou mista e questiona-lo
sobre a regularidade da auto medição
(v) Controlar os valores de auto medição da glicémia
(vi) Controlar os valores da glicémia
(vii) Crises anteriores de hipoglicémia
(viii) Avaliação dos conhecimentos que o paciente tem em relação à doença, dieta e
exercício.

No exame físico, o clínico deve avaliar os seguintes aspectos:


(i) Medição do peso, obesidade, IMC, circunferência abdominal (CA) e
comparação com os valores das consultas anteriores: o ideal e’ manter o IMC <
25 Kg/m2 e CA < que 80 na mulheres e < 95 nos homens.
(ii) Medição da TA, onde >130/80mmHg é considerado elevado em diabéticos
(iii) Avaliação da pele nos locais de injecção para avaliação das lipoatrofias,
(iv) Exame dos pés para determinar o fluxo sanguíneo, eventuais feridas, úlceras.
Identificar, infecções fúngicas, doença ungueal, unhas encravadas, e possíveis
úlceras plantares para instituição de tratamento precoce e adequado.
(v) Identificar possíveis neuropatias periféricas com exames neurológicos de
sensibilidade e dos reflexos.
(vi) Pesquisar a presença de deformidades podálicas, tais como artelhos em
martelo ou garra.
(vii) Deve-se observar as gengivas e dentes pois neste pacientes a doença
periodontal é muito frequente (Vide PA de Estomatologia).
(viii) Controlar a retina para eventuais sinais de retinopatia: consulta com
oftalmologista
(ix) Medição da TA para decidir se são necessários medicamentos anti-
hipertensivos de maneira a prevenir as complicações cardiovasculares
(x) Medição da proteinúria na urina para avaliar eventuais complicações renais

6.4 Educação do paciente sobre a autogestão da condição crónica


Cada consulta é uma oportunidade para educar o paciente na gestão da sua patologia e o
clínico nunca deve deixar de falar sobre os aspectos essenciais que cada paciente com DM
deve saber para uma correcta autogestão da sua condição.

A autogestão desta condição tem duas vertentes importantes a saber: por um lado a
componente da compressão e aceitação da doença e os desafios nas mudanças que o
paciente irá operar na sua rotina de vida, por outro lado o paciente tem que aprender a
controlar e monitorar a glicose sanguínea.

Fazem parte das medidas educativas os seguintes:


(i) Avaliar que tipo de dieta o paciente está a consumir e propor mudanças de
acordo com os problemas detectados. Uma recomendação a ser dada baseia-se
na terapia nutricional médica que tem 3 objectivos:
 Garantir o aporte calórico no paciente diabético que está em tratamento
para evitar as crises de hipoglicémia
 Reduzir o peso sobretudo do paciente com DM tipo 2 idoso
 Retardar o aparecimento das complicações, tais como doença vascular
ou nefropatias, ligadas a uma dieta inadequada,
(ii) Avaliar se o paciente faz exercício físico regular. É aconselhável um exercício
aeróbico leve a moderado, caminhadas e natação por exemplo, de acordo com
situação cardiovascular do paciente, pelo menos 3 vezes por semana. O
paciente deve saber que isto traz muitos benefícios a saber:
 Redução da glicemia e aumento da sensibilidade a insulina na
DM tipo 1
 Redução do risco de doença cardiovascular
 Redução da TA
 Manutenção da massa muscular e do peso
(iii) Informar os pacientes com DM tipo 1 que durante o exercício são propensos a
hiperglicémia e a hipoglicémia, dependente da glicemia antes do início do
exercício, e por isso deve-se recomendar que meçam a glicemia antes, durante
e após o exercício. Se a glicemia for > 14mmol/l (250mg/dl) adiar o exercício.
Se for <5,6mmol/l (100mg/dl) ingerir carbohidratos antes do exercício.
(iv) Aconselhar de evitar o consumo de álcool ou uso de tabaco.
(v) Avaliar a adesão terapêutica: o clínico ensina ao paciente como ter um registo
da terapêutica, e glicémia, que ajuda, o paciente a tomar melhor a sua
medicação, e o profissional de saúde para avaliar o cumprimento e a adesão da
mesma.

Critérios de transferência/referência dos pacientes em seguimento incluem:


(i) Paciente que refere estar a ter dificuldades em dosear correctamente a insulina
e verificação, no livro de registo de medições de valores de glicemia baixa.
(ii) Presença de proteínas no exame de urina com tiras-teste.
(iii) Aumento de peso.
(iv) Surgimento de HTA
(v) Surgimento de infecções da pele e úlceras plantares
(vi) Queixas de disfunção eréctil

BLOCO 7: RASTREIO E PREVENCAO DA DIABETES MELLITUS

Rastreio
O rastreio da DM é feito controlando a glicémia em jejum e deve ser feito em indivíduos
assintomáticos com mais de 45 anos. Se os resultados forem normais devem ser repetidos de
3 em 3 anos.
Os testes devem ser considerados em pessoas mais jovens nas seguintes condições:
Obesos com IMC >27kg/m2 ou CA > 80 nas mulheres > 95 nos homens
Se tem parentes de primeiro grau com diabetes
Mulheres que tiveram Diabetes Gestacional
Mulheres que tiveram bebés com mais de 4,5kg
Pacientes com HTA >140/90mmHg
Pacientes com Colesterol HDL abaixo de 35mg/dl ou triglicéridos acima de 250mg/dl
Em teste anterior intolerância á glicose ou intolerância à glicose em jejum
Prevenção
Tendo em conta que a DM tipo 2 representa entre 90 a 95% por cento dos casos e que esta
forma de diabetes mellitus está relacionada com os hábitos de vida isso significa que existem
medidas que devem ser tomadas ao nível de políticas de saúde dos países, ao nível das
comunidades onde as pessoas estão inseridas e o estilo de vida das famílias.
O papel das escolas é muito importante na transmissão das informações, já que a diabetes tipo
2 está a surgir cada vez mais em grupos jovens no que diz respeito à:
(i) Promoção de uma adopção de uma dieta equilibrada e saudável, que compreende:
 Dieta balanceada de proteínas, carbohidratos e gorduras
 Dieta rica em verduras, vegetais, fibras e fruta
 Dieta pobre em gordura
 Reduzir a ingestão de alimentos e bebidas açucaradas
 Ingestão de grandes quantidades de água
 Adoptar prática de refeições em família e à mesa
(ii) Introdução de desporto nas escolas desde a primária até ao ensino superior.
(iii) Na comunidade a adopção de práticas de exercício físico, de modo a manter o peso,
que pode ser adoptado de forma rotineira fazendo exercícios diários que podem sei:
 Caminhadas ou corridas
 Prática de um desporto que seja do agrado do jovem
 Evitar ver de televisão e uso de computador por mais de 2 horas por dia
nos jovens sobretudo nas zonas urbanas
 Evitar comer em frente a televisão
 Evitar o stress

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