DADAÍSMO
1. O que é?
As vanguardas europeias foram movimentos artísticos ocorridos no início
do século XX, na Europa, cada um com características específicas, mas com
algo em comum: a quebra com os valores da arte tradicional. O dadaísmo foi
um desses movimentos.
Seu nome é derivado da palavra dadá, que pode ter múltiplos
significados e não significar coisa alguma. Surgiu em 1916, durante a Primeira
Guerra Mundial, como um movimento de contestação aos valores culturais.
Contrário à racionalidade e à arte acadêmica, privilegiou o nonsense (ausência
de significado) e defendeu a arte espontânea. A proposta dadaísta era afrontar
o que se entendia como arte, ou seja, afrontar a estética artista, negando todas
as regras e tradições.
2. Contexto Histórico
No início do século XX, havia um clima de tensão entre as grandes
potências europeias, gerado pela política de expansão neocolonialista iniciada
no século anterior. O nacionalismo desenvolvido alimentava a crença em sua
superioridade de uma nação sobre a outra. Esse cenário, resultou na Primeira
Guerra Mundial.
No entanto, ao lado da tensão política, havia também certa euforia em
relação às inovações tecnológicas que estavam evidentes no início daquele
século, como o telefone, o automóvel e o cinema. Nesse contexto, alguns
artistas, mostravam-se descrentes da civilização e do progresso social de início
do século, criaram um movimento de vanguarda, o dadaísmo.
3. Origem
O movimento surgiu, oficialmente, em Zurique, no dia 14 de julho de
1916, com seu primeiro manifesto, assinado pelo escritor alemão Hugo Ball
(18861927), com esta introdução: “Dadá é uma nova tendência da arte.
Percebe-se que o é porque, sendo até agora desconhecido, amanhã toda a
Zurique vai falar dele”.
Em plena Primeira Guerra Mundial, o dadaísmo queria escandalizar o
gosto popular e rejeitar os valores contemporâneo. Dessa forma, a origem das
maiorias das vanguardas teve origem nos manifestos, como o dadaísmo que
surgiu a partir do manifesto de Dadá de Hugo Ball.
Segundo o manifesto, o significado da palavra dadá, em francês, é
“cavalo de pau”; em alemão, “Não me chateies, faz favor, adeus, até a
próxima!”; em romeno, “Certamente, claro, tem toda a razão, assim é. Sim,
senhor, realmente. Já tratamos disso”. Nessas definições, já se pode perceber
que o movimento era pautado pela ironia. No final das contas, a palavra dadá,
para os dadaístas, não tem nenhum significado ou tem todos os significados.
4. Características:
O Dadaísmo tinha como estilo o “Shock Art”, ou seja, arte para chocar as
pessoas. Com esse foco, os artistas expressavam-se falando obscenidades,
apresentavam humor escatológico, faziam trocadilhos visuais, entre outros.
O objetivo era provocar o público, o qual, por vezes, sentia-se revoltado
com as formas de antiarte propostas. A intenção dos dadaístas era causar
choque e indignação com as suas expressões.
Quem seguia a linha do Dadá era contra a sociedade e, acima de tudo,
contra a arte. Eles queriam destruí-la a partir de uma postura ilógica. No
Dadaísmo, celebrava-se a infantilidade. Não havia preocupação com a estética
visual, mas com a ideia. A falta de sentido era o próprio significado.
O Dadaísmo sofreu influências da Abstração e do Expressionismo.
Também teve pitadas do Cubismo (técnicas de colagem) e, em menor parte, do
Futurismo (autopublicidade).
No movimento, eram usados materiais como tapeçarias geométricas a
vidro, gesso e relevos de madeira. Além disso, eram famosas as colagens com
materiais e fotomontagens.
Artistas como Hans Arp, Raoul Hausmann, George Grosz e Hannah
Höch foram alguns dos nomes que adotaram a técnica, que consistia em
recortar fotografias de jornais e revistas para criar colagens absurdas e
satíricas. Esses artistas colocavam recortes de palavras dentro de um saco,
balançavam-no e tiravam-nas uma a uma. Em seguida, escreviam frases
aleatórias.
Uma das principais obras do Dadaísmo chama-se “A Fonte”, criada em
1917 por Marcel Duchamp. A obra é um mictório, sem encanamento, de
porcelana branco. Outra obra famosa de Duchamp foi uma cópia da Mona Lisa
– mais famosa pintura do italiano Leonardo da Vinci – com um bigode. No
quadro, foram rabiscadas obscenidades."
No dadaísmo, além das colagens, há técnica Ready-made, que consiste
no deslocamento de um objeto de seu contexto para outro, de forma a gerar
estranhamento. Um exemplo é a obra de arte Fonte, de Marcel Duchamp:
5. Principais artistas do dadaísmo
Hugo Ball (1886-1927)
Fundador do movimento, poeta, escritor, crítico, dramaturgo e filósofo.
De origem alemã, exilou-se na Suíça durante a Primeira Guerra Mundial. Ball é
o pai da poesia fonética ou poesia sonora, forma de lírica dadaísta que
fragmentava as palavras em sílabas fonéticas individuais, retirando qualquer
significado ou sentido originais. O autor, muitas vezes, declamava essas
poesias em performances no Cabaret Voltaire, espaço que abriu em
colaboração com outros artistas e que chamou de “cabaré artístico”.
Hugo Ball em performance no Cabaré Voltaire, onde declamava seus poemas
fonéticos, 1916
Marcel Duchamp (1887-1968)
Duchamp foi um pintor e escultor francês famoso por seus ready-mades,
objetos que são escolhidos aleatoriamente e que, após uma leve intervenção
do artista, tornam-se obra de arte. É o caso de Fonte, um urinol de louça que
Duchamp enviou a uma mostra, em 1917, mas que foi rejeitado. O artista ficou
conhecido também por pintar bigodes na Mona Lisa, em clara demonstração de
desprezo pela arte acadêmica. Inventou mecanismos ópticos, fez
curtasmetragens e colagens.
“Roda de Bicicleta”, Marcel Duchamp, 1913
Max Ernst (1891-1976)
Pintor e escultor alemão, fez parte também de outros movimentos de
vanguarda, como o surrealismo. As temáticas do inconsciente e da
irracionalidade eram constantes em sua produção. Criou novas técnicas na
pintura e na escultura, como a assemblage – uma colagem tridimensional feita
de materiais não tidos como artísticos (folhas, objetos, pedras, restos) –, a
raspagem, a fricção e a decalcomania.
“Figuras ambíguas -1 placa de cobre, 1 placa de zinco, 1 pano de borracha…”, Max
Ernest, 1919
Tristan Tzara (1896-1963)
Tristan Tzara é o pseudônimo de Samuel Rosenstock, poeta judeu
nascido na Romênia. Foi um dos fundadores do movimento dadaísta,
explorando o caráter arbitrário da linguagem, a subversão da lógica por meio da
linguagem poética e a valorização do acaso durante a produção artística.
Retrato de 1923 por Robert Delaunay
6. Fim do Dadaísmo
Considera-se que o Dadaísmo morreu em 1922, depois que um dos seus
precursores, Tristan Tzara, realizou uma palestra dizendo que, como tudo na
vida, o Dadaísmo era inútil. Em 1924, o Dadaísmo converteu-se ao Surrealismo
com o manifesto de André Breton.
O Dadaísmo não teve representação no Brasil, mas estudos indicam que
o livro Macunaíma, de Mario de Andrade, contém características desse
movimento.
7. Releitura:
Encenação do poema dadaísta de Tristan e criação de uma colagem
com os recortes de jornal.
Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida, com atenção, algumas palavras que formam esse artigo e
meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda
que incompreendido do público.
8. REFERENCIAS:
BRANDINO, Luiza. Dadaísmo. Português seu site da língua
portuguesa, cidade de publicação, 03, junho, 2020. Disponível em:
https://www.portugues.com.br/literatura/dadaismo.html. Acesso em: 26, março
de 2024.
TANCREDI, Silvia. "Dadaísmo"; Brasil Escola. Disponível em:
https://brasilescola.uol.com.br/artes/dadaismo.htm. Acesso em 28 de março de
2024.