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Despronúncia em Homicídio Tentado PR

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PROJUDI - Recurso: 0000374-17.2024.8.16.0143 - Ref. mov. 31.

1 - Assinado digitalmente por Miguel Kfouri Neto:5950


27/05/2024: JUNTADA DE ACÓRDÃO. Arq: Acórdão (Desembargador Miguel Kfouri Neto - 1ª Câmara Criminal)

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ
1ª CÂMARA CRIMINAL

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Autos nº. 0000374-17.2024.8.16.0143

Recurso em Sentido Estrito n° 0000374-17.2024.8.16.0143 RSE


Vara Criminal de Reserva
Recorrente(s): PAULO MARTINS DA CRUZ
Recorrido(s): MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ
Relator: Desembargador Miguel Kfouri Neto

PRONÚNCIA. TENTATIVA BRANCA DE HOMICÍDIO


QUALIFICADO (ART. 121, § 2.º, INCISOS II E III, C.C. ART.
14, INC. II, AMBOS DO CP). RECURSO DA DEFESA.
ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA OU DESPRONÚNCIA POR
AUSÊNCIA DE INDÍCIOS DE AUTORIA. ACOLHIMENTO.
"STANDARD" PROBATÓRIO MÍNIMO, EXIGÍVEL PARA A
SUBMISSÃO DO ACUSADO AO TRIBUNAL DO JÚRI, NÃO
ALCANÇADO. PRESUNÇÕES QUE MILITAM EM
DESFAVOR DO RÉU INSUFICIENTES PARA INDICAR,
AINDA QUE DE MODO PROVISÓRIO, A AUTORIA DOS
DISPAROS. DESPRONÚNCIA QUE SE IMPÕE. RECURSO
PROVIDO PARA DESPRONUNCIAR O RÉU.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso em Sentido Estrito sob n.º
0000374-17.2024.8.16.014, Comarca de Reserva - Vara Criminal, em que é recorrente PAULO
MARTINS DA CRUZ e recorrido o MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ.

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ ofereceu denúncia


(mov. 20.2) contra PAULO MARTINS DA CRUZ, como incurso nas sanções do art. 121, § 2.º,
incisos II e III, c.c. art. 14, inc. II, ambos do CP, em razão do fato assim descrito:

“No dia 18 de dezembro de 2021, por volta das 09h29min, na Rua Pastor Gregório
Szeremeta, n° 768, em frente ao mercado Big Mais, neste município e Comarca de Reserva/PR,
o denunciado PAULO MARTINS DA CRUZ, agindo dolosamente, com manifesta intenção de
matar (animus necandi), iniciou a execução de ato visando ceifar a vida da vítima Dornevil de
Lima, vez que efetuou contra ele aproximadamente 03 (três) disparos de arma de fogo (não
apreendi da), não logrando êxito em atingi-lo por circunstancias alheias a sua vontade, vez que
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27/05/2024: JUNTADA DE ACÓRDÃO. Arq: Acórdão (Desembargador Miguel Kfouri Neto - 1ª Câmara Criminal)

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o ofendido, ao perceber que seria atacado, se abrigou na frente do seu automóvel, ocasião em
que sacou a arma de fogo do tipo pistola calibre .40lb, que portava no momento, vindo a efetuar
02 (dois) disparos, repelindo a injusta agressão. O delito foi praticado por motivo fútil, posto
que perpetrado em razão da vítima estar se relacionando com a ex-esposa do denunciado. O
crime foi cometido com emprego de meio que resultou perigo comum, uma vez que os disparos
de arma de fogo efetuados pelo denunciado, por não atingirem a vítima, colocaram em risco os

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funcionários e clientes do mercado “Big Mais”, além dos transeuntes que estavam naquelas
imediações. ” .

Vencido o itinerário procedimental pertinente, o MM.º Juiz julgou procedente a


acusação e pronunciou o réu como incurso nas sanções do art. 121, § 2.º, incisos II e III, c.c. art.
14, inc. II, ambos do CP, a fim de ser submetido a julgamento perante o Tribunal do Júri. (Mov.
143.1).

Inconformado com a r. decisão, a defesa interpôs o presente Recurso em Sentido


Estrito.

Nas razões recursais, a defesapostula, inicialmente, a absolvição sumária ou a


despronúncia do réu.

Argumenta, para tanto, que “o Parquet denunciou o recorrente pelo delito de


homicídio tentado qualificado, exclusivamente, porque o veículo do pretenso atirador era de
modelo semelhante ao que possuía o denunciado na época”. (...). Mas que, “durante a instrução
criminal não houve a comprovação de que tal veículo, de fato, fosse de propriedade do
recorrente, não suficiente tal “suposição” foi utilizada para amparar um pesado decreto de
pronúncia, por fato que nem ao menos foi confirmado pelas provas produzidas durante a
instrução.”.

Subsidiariamente, pretende o afastamento das qualificadoras do motivo fútil e


perigo comum, eis que, em seu entender, são manifestamente improcedentes. Por fim, requer a
correção do erro material constante no dispositivo da sentença. (Mov. 150.1)

Contrarrazões do Ministério Público pelo parcial provimento do recurso, “tão


somente para corrigir erro material constante no dispositivo da sentença de mov. 143.1, fazendo
constar o crime previsto no artigo 121, § 2.º, incisos II e III c/c o artigo 14, inciso II, ambos do
Código Penal, mantendo-se os demais termos da decisão de pronúncia do acusado.” (Mov.
155.1).

Em juízo de retratação, a sentença de pronúncia foi parcialmente reformada, para o


fim de corrigir erro material no dispositivo e, em relação aos demais pedidos, manteve sua
decisão por seus próprios fundamentos. (Mov. 158.1)

A douta Procuradoria-Geral de Justiça, em r. parecer subscrito pelo ilustre


Procurador de Justiça, Dr. Paulo César Busato, opinou pelo conhecimento e desprovimento do
recurso. (Mov. 14.1 - TJ)

É a síntese do essencial.

FUNDAMENTAÇÃO E VOTO
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Cuida-se de recurso em sentido estrito interposto por PAULO MARTINS DA
CRUZ contra a decisão que o pronunciou como incurso nas sanções do art. 121, § 2.º, incisos II e
III, c.c. art. 14, inc. II, ambos do CP, a fim de ser submetido a julgamento perante o Tribunal do
Júri.

Da leitura das razões recursais, extrai-se que a defesa pretende, inicialmente,

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alcançar a absolvição sumária do réu ou a despronúncia. Argumenta para tanto que a acusação
não logrou êxito na produção de provas “o Parquet denunciou o recorrente pelo delito de
homicídio tentado qualificado, exclusivamente, porque o veículo do pretenso atirador era de
modelo semelhante ao que possuía o denunciado na época”. (...). Mas que, “durante a instrução
criminal não houve a comprovação de que tal veículo, de fato, fosse de propriedade do
recorrente, não suficiente tal “suposição” foi utilizada para amparar um pesado decreto de
pronúncia, por fato que nem ao menos foi confirmado pelas provas produzidas durante a
instrução.”.

Subsidiariamente, pretende o afastamento das qualificadoras do motivo fútil e


perigo comum, eis que são manifestamente improcedentes. Por fim, requer a correção do erro
material constante no dispositivo da sentença.

Pois bem.

Sabido que a decisão de pronúncia consubstancia mero juízo de admissibilidade da


acusação, a fim de que esta seja, concretamente, decidida pelo Tribunal do Júri.

Desse modo, para que o réu seja submetido a julgamento perante o Conselho de
Sentença, é necessário que o Magistrado se convença da materialidade do fato e da existência,
frise-se, de indícios suficientes de autoria, isto é, não se exige a certeza necessária exigida para
os decretos condenatórios.

Tratando-se de apuração de crime doloso contra a vida, qualquer dúvida razoável


deve ser resolvida em favor da sociedade, remetendo-se o caso à apreciação do seu juiz natural, o
Tribunal do Júri.

No caso, a materialidade do fato resta amparada auto de levantamento de local do


crime (mov. 1.3), imagens das câmeras de segurança (mov. 1.8/22), relatório de segmento (mov.
1.23), boletim de ocorrência (mov. 1.24), foto do boné da vítima (mov. 8.9), auto de exibição e
apreensão (mov. 15.2), laudo pericial de exame de munição (mov. 27.1).

Contudo, no tocante à autoria delitiva inexistem nos autos indícios suficientes de


ter PAULO praticado o crime de tentativa de homicídio narrado na denúncia

A vítima DORVENIL DE LIMA, afirmou em Juízo (Mov. 116.1) que:

“(...) “eu estava no mercado comprando umas coisas para levar pro rapaz que
cuida da minha chácara e ele (acusado) passou atrás de mim, parou com o carro e deu três
tiros, foi o Paulo Martins o nome dele; eu saí da minha casa e cheguei no mercado para levar as
coisas na chácara e estava indo para o clube de tiro; sim (portava arma de fogo); uma .40,
tenho registro, porte de trânsito tudo; o clube de tiro faz caminho com a minha propriedade; (...)
o supermercado fica do lado da minha casa; eu estava em um Honda Civic; era de manhã, umas
nove e meia dez horas; eu estava com as costas virada pra rua pondo as compras no porta-
malas do veículo; estava sozinho, o do mercado sim (funcionário ajudando), estava carregando
o carrinho, até foi ele que viu, empurrou e falou cuidado; (...) ele me empurrou e o Paulo já
chegou e atirou; atirou de dentro do veículo, só abaixou o vidro; sim (viu que era o acusado);
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era um Voyage Preto, eu já sabia que ele tinha esse carro; com certeza eu conheci o carro; foi
três disparos, um pegou no meu boné; (...) como a minha arma estava dentro do carro eu peguei
e minha reação foi dar dois disparos também; dentro do veículo (a arma da vítima); eu estava
atrás do veículo ainda (quando acusado efetua disparos); (...); sim (após a efetuação dos
disparos foi pegar arma); a hora que ele ouviu os disparos ele saiu, ele arrancou o carro, todo
mundo viu; sim (acusado só saiu do local após a vítima efetuar os disparos); acredito que não

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(atingir o carro do acusado); hoje eu sou casado com a ex mulher dele e ele já tinha prometido
pra outras pessoas, inclusive outro dia ele fez sinal de arminha para o meu filho que estava no
meu carro; antes disso; (...); na época meu filho tinha dezesseis; (...) não, ela (esposa) nem
gostava de ir lá (em Reserva) porque ele (acusado) tinha prometido matar ela também; ir em
Reserva, nós morávamos em Ponta Grossa; (...) eu tenho uma casa no bairro Ferreira que meus
filhos moram, eu só fui pra levar um dinheiro pra minha filha, comprar essas coisas e participar
do clube de tiro; (...) só o supermercado e o meu boné (local que os disparos atingiram); (...)
tentando buscar abrigo no veículo (quando disparo atingiu no boné); sim (se agachou); sim
(após conseguir abrigo efetuou disparos); ele já chegou atirando; eu vi tudo, fisionomia tudo;
na hora olhei primeiro o carro; (...) sim (pode dar certeza absoluta que era ele); (...); sim,
inclusive ele falou para o tio dela que tinha comprado uma arma para me matar; não, pelo
motivo que eu não morava mais lá (fazer boletim sobre ameaças); ele sempre falava para os
outros nunca chegava pra mim; diretamente só quando ele fez para o meu filho, que eu liguei
pra ele (acusado) perguntando, tirar a dúvida e ele sabe que eu conversei com ele, e ele falou
que o único que ele queria seria eu; quando ele fez o sinal de arminha no carro eu liguei pra ele
e perguntei qual seria o significado e porquê e falei que era meu filho e não era eu porque meu
filho andava com o carro; ele falou que se ele fosse fazer alguma coisa seria para mim; (...) no
Facebook da minha sogra ele falou que foi ele e que ele tinha perdido a cabeça; (...) sempre ela
(Márcia) falava que ele queria reatar; (...); não porque eu não moro mais em Reserva, nem
encontrei mais ele; o pessoal do mercado todo mundo presenciou; (...) foi uns quatro meses
antes (antes da data dos fatos começou a se relacionar com a ex esposa); (...); ela foi me contar
depois que tinha ocorrido tudo, porque ela tinha medo que eu fosse fazer algo com ele; pra mim
só essa da arminha que eu me senti ameaçado porque o carro era meu; durante esses quatro
meses ele foi jantar com o tio dela e falou que tinha ido comprar uma arma para me matar; (...)
nunca possuí inimigos; (...) eu conheço aproximadamente uns três anos (acusado); nenhum
relacionamento só levei uma escada pra ele soldar na empresa que ele trabalhava, única vez que
tive contato com ele; pelo que ela me falou já fazia quase oito meses (Márcia ter rompido com o
acusado); (...) na hora que o rapaz me empurrou eu caí de lado e ele atirando, e eu olhei para a
cara dele; (...); por ser no sábado, eu procurei e fiz o boletim de ocorrência na militar e na
segunda-feira eu compareci na polícia civil; (...).” – conforme extraído da decisão de pronúncia
(mov. 143.1).

A testemunha BRENO KAUAN CHINISKY, na seara judicial (mov. 116.2)


afirmou que:

“(...) “na verdade eu estava aqui em casa, do lado do mercado; aí eu escutei os


barulhos do tiro e fui ver o que estava acontecendo e na hora que eu vi era um Voyage preto
descendo a rua do mercado e estava atirando no Done e na mesma hora eu vi que o Done
correu na frente do carro dele pra se esconder e na hora que o Voyage preto saiu o Done saiu e
atirou atrás do Voyage; isso (viu quando a pessoa que estava no Voyage atirando contra o
Dornevil); não consegui ver (quantas pessoas tinham no veículo); eu vi de lado (o carro); ele
desce a rua do mercado, a casa é do lado do mercado; no sentido que ele vem a casa é depois do
mercado; o carro do Done estava do lado do muro da minha casa; ele (vítima) estava indo pra
frente do veículo; isso (para fugir do disparo); não lembro, mas acho que foi uns três a quatro
disparos; na verdade ele sacou a arma; na hora que ele estava na frente do carro ele já saiu
com a arma; (...); não vi de onde ele tirou a arma; (...) ele saiu da frente do carro dele e foi no
meio da rua e aí que disparou; na verdade ele já disparou do carro dele e aí foi no meio da rua
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e deu mais disparos atrás do Voyage; (...); eu só lembro que ele saiu falando no telefone com a
Márcia que ele tinha atingido no vidro traseiro; o carro estava praticamente na BR quando ele
disparou, não deu pra ouvir os estilhaços de vidro; na verdade ele foi a pé até o meio da rua;
não lembro quantos disparos que foi no meio da rua; o vidro da frente do veículo era bem
escuro, (...); não deu pra ver bem certo quem estava dentro (...); ele (atirador do Voyage) atira
de dentro do veículo; isso, foi abaixado o vidro do passageiro; duas balas atingiu a parede do

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mercado; (...) não, não teve discussão, pelas câmeras deu pra ver; estava no caixa estava a
Márcia e o Marcelo na época; não me recordo, mas foi na parte da manhã; (...) o Done
comentou quem poderia ter sido; ele falou que ele era dono do negócio de pastel, não lembro o
nome; o Done não falou, mas bastante pessoal fala o motivo do porquê; (...) nunca vi o senhor
Paulo; eles comentaram que o Done estava saindo com a esposa do dono da pastelaria; (...)”. –
conforme extraído da decisão de pronúncia (mov. 143.1).

A testemunha MARCELO GONÇALVES PINTO, funcionário do mercado à


época, em Juízo (mov. 116.3) contou que:

“(...) nesse dia eu fui chamado na frente do caixa para fazer um pacote; fiz o
pacote, coloquei no carrinho, tudo e fui levar no carro do cliente; estava carregando no carro
dele e de repente desceu um carro atirando; (...) a pessoa atirou de dentro do carro; (...) acho
que era bem a tarde, é que eu não lembro, porque faz tempinho; daí nós estava conversando e de
repente desceu um carro já atirando; na hora assim a gente não vê, a gente se apavora; se me
vem na memória acho que é um carro branco; ele desceu devagar só que o carro andando; isso
(carro estava devagar); declaradamente não (ver atirador); ver a cara dele não me recordo; eu
lembro que era uma pessoa clara, só isso; era homem; ele estava sozinho; isso (atira pelo vidro
do passageiro); na verdade nem deu tempo, porque eu estava de costa, a hora que eu vi ele
estava se jogando no chão e aquele barulho; (...); estava de costa aí que eu virei rápido; acho
que eu paralisei na hora; eu fiquei paralisado; ele foi pro chão e aí começou a revidar, começou
a atirar também; eu acho que a arma já estava no corpo, porque a hora que ele se jogou eu vi
que tinha caído alguma coisa e ele pegou e começou a atirar; isso (viu que ele revidou); ele
revidou ali do carro e ainda saiu meio atrás ainda; isso (efetuou mais um disparo); isso (carro
seguiu); a hora que ele saiu eu fui pra dentro do mercado e aí não vi mais nada; não fiquei
sabendo (vítima atingir veículo com disparos); (...) a cara da pessoa na hora eu não vi, vi que
era uma pessoa clara; mas aí não afirmei que era a pessoa que ele (delegado) tinha mostrado;
não, depois do acontecido nós nem conversamos mais; (...); tinha bastante cliente e até na
verdade correram tudo pro fundo do mercado, bastante gente no caixa; no estacionamento não,
era só eu ele porque era estacionamento pequeno; sim, bem perto; atingiu a parede do mercado
lá, até tinha marca de bala no mercado”.– conforme extraído da decisão de pronúncia (mov.
143.1).

A informante MÁRCIA MARIA DOS SANTOS, em juízo (Mov. 116.4) afirmou


que:

“(...) “todo sábado pela manhã o Dornevil ia no mercado fazer compra, porque ele
ia pro sítio com a família; nesse dia ele entrou dentro do mercado, pegou o carrinho e foi pro
fundo fazer compra; o mercado, se vocês passarem por frente vão ver que lá da rua você
consegue ver o fundo do mercado, as pessoas que estão lá dentro; o carro do Dorvenil também
era conhecido na cidade, são poucos que tem lá; era um Honda Civic, cinza, chumbo; ele
chegou, estacionou o carro, pegou o carrinho e entrou fazer compra; alguns minutos depois
parou um carro preto do outro lado da rua; só que ali no mercado é normal parar carro e ficar,
talvez estaria falando no telefone, só que eu não vi quem estava dentro, aguardou alguns
minutos e eu atendendo quem vinha; aí eu fiquei olhando uns minutos, veio cliente e comecei a
atender; aí veio o Done e quando olhei aquele carro já tinha sumido; (...) e passou comigo a
compra e eu chamei o Marcelo ‘venha me ajudar aqui empacotar a compra pra mim’; (...) o
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Marcelo pegou a compra, pôs no carrinho e saiu com ele e eu continuei no caixa atendendo as
outras pessoas; nisso que ele foi no carro dele e abriu o porta-malas já desceu aquele carro
atirando, sentido Detran; e foi aonde ele (vítima) tirou da pistola dele e atirou; aí eles ficaram
naquela troca de tiros, Marcelo ali perto deles, e eu no caixa, os clientes se expandiram dentro
do mercado; (...) eu costumava ficar olhando pra fora, ficar na cadeira em sistema de alerta,
(...); então nunca ficava de costa pra rua; um olho pra rua e outro no caixa; sim, porque o

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mercado já tinha sido assaltado várias vezes, bateram no dono e ele orientava não ficar de
costas pra rua; (...); era um carro preto, um Voyage desses novos; o mesmo carro que subiu era
igualzinho o carro que desceu atirando; (...) realmente vi o carro ficar uns minutinhos ali; (...)
ele atirou de dentro do carro, ele para um pouquinho, uns minutinhos, muito rápido; (...) não,
em nenhum momento eu vi o atirador; não (saber se era homem ou mulher); isso, tem marca na
parede; um tiro entra na diagonal, significa que ele desceu atirando e os outros estão retinhos
na parede; dois ou três (atingiram o mercado); (...) sim, porque tinha um caixa do meio e outro
do lado, não tinha ninguém no lado, mas teria possibilidade assim; estava só eu no caixa, o
Marcelo na seção e o Breno que é a outra testemunha estava andando dentro do mercado e os
donos estavam no fundo do mercado; tinha (bastante clientes) sábado era um dia movimentado
porque era dia da gente fazer promoção; tinha bastante gente (...); o caixa da menos de três
metros da porta; eu não sei dizer precisamente quantos (...) quando atiraram nele ele já revidou
e o cara que estava atirando continuou atirando também, foi isso; o Done se jogou atrás do
Civic; se jogou e ficou deitado; eu só vi nesse momento ele levantar e entrar dentro do carro;
(...) a gente sabe que existia algumas coisas, mas tudo por noticiário da cidade, eu nunca
presenciei nada; sim (vítima envolvida com práticas criminosas); (...) o que eu sei que é por
causa de uma mulher; tanto que é que ele não estavam convivendo com a mãe do meu genro;
era só a mesma casa e quartos separados; (...)”. – conforme extraído da decisão de pronúncia
(mov. 143.1).

A testemunha CARLOS IRINEL ROCHA DALZOTO, ouvida em Juízo (mov.


116.5), disse:

“(...); nunca vi falar (acusado se envolver em confusão); bastantinho


(envolvimento da vítima em confusão); eu conheço ele como um estelionatário e do graúdo; isso
eu não ouvi falar (desavença entre acusado e vítima); (...) não ouvi falar (confusão ente acusado
e sua ex esposa, Márcia); veio ao meu conhecimento e ele me falou ‘lembra Carlinhos aquele
dia que nós estávamos conversando no posto lá? Aquele dia me acusaram”; (...) encontrei o
Paulo no posto de combustível, era umas nove e pouquinho; nós caçoamos com ele que ele tinha
tomado vacina (...); isso foi depois das nove e meia; cheguei (ver carro do acusado); não (carro
com avaria); não, não demonstrava (nervosismo) chegou dando risada, brincando; (...) isso o
Vianei (estava junto conversando); ficamos uns quarenta minutos ali; acho que saiu eu e ficou o
Paulo; acho que saímos tudo juntão; isso já era quase umas dez horas; ele estava com um
Voyage preto; tem uma porção (veículos iguais do acusado); (...) a maioria por estelionatário;
(...) ele já tinha tomado a vacina, foi no posto Cruzeiro; eu estava abastecendo uns tamborzão
de óleo diesel, aí estava na bomba; o Vianei não sei o que tinha no caminhão dele e aí chegou o
Paulo; (...) eu estava com uns quatrocentos litros de óleo pra encher; (...)”. – conforme extraído
da decisão de pronúncia (mov. 143.1).

A testemunha VIANEI APARECIDO RIBEIRO DA SILVA, ouvida em Juízo


(mov. 116.6), disse:

“(...) ele é uma pessoa meio complicada (vítima); ele está preso, isso já diz tudo
para mim; ouvi rumores que ele é uma pessoa de extorquir, enrola assim, estelionatário na
verdade; (...) eu estava no posto, tinha chegado no posto, tinha estragado um caminhão e eu
estava conversando com o Carlinhos; ele estava pegando óleo, nós começamos a conversar,
estava colhendo tomate e nisso chegou o Paulo conversar lá; chegou abastecer o carro; era
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umas nove e pouco; eu tinha deixado o caminhão pra arrumar umas oito e mais, tinha ido no
Lopata lá; ele (acusado) falou que tinha ido tomar vacina do Corona; até caçoei com ele se o
braço não estava doendo, que a vacina dá reação (...) acho que uns quarenta minutos mais ou
menos (tempo que ficaram conversando); posto Cruzeiro, aqui em cima; chegou de carro, era
um carro preto; estava normal; ele estava bem tranquilo; ele estava dando risada da vacina lá;
eu sei que ele ficou uns quarenta, cinquenta minutos, eu fiquei mais esperando o caminhão

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arrumar; uns vinte dias ele procurou nós (...).” – conforme extraído da decisão de pronúncia
(mov. 143.1).

O réu Paulo Martins da Cruz, em seu interrogatório (mov. 116.7), disse:

“(...) por volta das nove horas eu saí da minha casa, fui tomar vacina do Covid e
demorei uns dez, quinze minutos, não tinha muita gente; aí fui no posto lá perto do Cruzeiro
abastecer meu carro e foi aonde eu encontrei o Carlos Dalzoto e o Vianei; a gente ficou
conversando um pouco lá e depois fui pra minha casa; não (envolvimento com o fato); sim
(vítima namora ex-esposa do acusado); não, porque a partir do momento que a gente termina o
relacionamento, cada um segue a sua vida; não tem porque pegar e ter ciúme não; não
(confusão com a vítima); (...); não (ter rixa com vítima); é parecido (carro), mas não é o meu;
BAV8802 (número da placa); ele era bem escuro (vidro); eu não tenho mais esse carro; tinha
um Voyage; não (não era esse) (...) não faço a mínima ideia (motivo da acusação); (...) outubro
de 2019 (término do relacionamento); não (manter contato com a ex-esposa); ela foi embora e
eu fiquei morando aqui; ela foi embora uns quatro, cinco meses (depois do término); 2020 ela
foi embora; nunca mais a vi; não (contato telefônico); logo após, não sei quanto tempo foi,
troquei de número; nunca mais tive contato com ela; não, nunca (tentar reatar a relação); é
mentira (acusado proferir ameaças a ex-esposa); não (ter ameaçado por meio de gesto de
arminha); (...) a gente terminou porque elaqueria casar no civil e eu disse que eu caso no civil,
mas você tem que casar na igreja católica comigo; (...) foi tranquilo, de boa, não teve briga,
nada (término); sim, na pastelaria, por ele ser cliente trocava um bom dia, boa tarde (conhecer
vítima), não (vítima não ligou pra tirar satisfação); logo depois que a gente se separou (saber
que vítima estava com a ex-esposa); essa agora faz um ano (que está namorando); foi uns
quatro meses (outro relacionamento do acusado); eu acredito que não, porque nunca ameacei,
nunca fiz nada de mal pra ela (ex-esposa mudar de cidade); não (se já atirou); não (usar arma
de fogo)”. – conforme extraído da decisão de pronúncia (mov. 143.1).

Pois bem.

Neste caso, a vítima da tentativa branca de homicídio afirma que o autor dos
disparos foi o réu. A motivação estaria ligada ao fato de a vítima estar se relacionando com a ex-
mulher do acusado.

O funcionário do supermercado, Sr.° MARCELO, que estava acondicionando as


mercadorias junto à vítima no porta-malas do carro do ofendido, afirma que “de repente desceu
um carro já atirando (...) eu lembro que era uma pessoa clara, só isso, era homem (...) a cara da
pessoa na hora eu não vi”.

A testemunha BRENO, proprietário do mercado, disse que “na hora que eu vi era
um Voyage preto descendo a rua do mercado e estava atirando”, mas também não soube dizer
quem seria o atirador. Ou seja, apenas falou que o atirador se deslocou em um VW-Voyage
preto, com os vidros dianteiro bem escuros “o vidro da frente do veículo era bem escuro (...) não
deu para ver bem certo quem estava dentro”. BRENO complementa, dizendo que “(...) nunca vi
o senhor Paulo. Acrescenta que “bastante pessoal fala o motivo do porquê; (...) nunca vi o
senhor Paulo; eles comentaram que o Done estava saindo com a esposa do dono da pastelaria”.
PROJUDI - Recurso: 0000374-17.2024.8.16.0143 - Ref. mov. 31.1 - Assinado digitalmente por Miguel Kfouri Neto:5950
27/05/2024: JUNTADA DE ACÓRDÃO. Arq: Acórdão (Desembargador Miguel Kfouri Neto - 1ª Câmara Criminal)

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
A informante MARCIA, disse que em nenhum momento viu o atirador, mas apenas
o VW-Voyage, preto passando em frente ao mercado que trabalha “era um carro preto, um
Voyage desses novos; o mesmo carro que subiu era igualzinho o carro que desceu atirando; (...)
realmente vi o carro ficar uns minutinhos ali (...) ele atirou de dentro do carro, ele para um
pouquinho, uns minutinhos, muito rápido; (...) em nenhum momento eu vi o atirador.”.

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Note-se que, as testemunhas e a informante - todos presenciais -, em nenhum
momento disseram terem reconhecido o atirador como sendo PAULO.

Ademais, o acusado disse que à época do fato possuía um veículo VW-Voyage e


que “é parecido, mas não é o meu.”. Inclusive, o réu forneceu o número das placas do seu carro
(BAV8802), bem como disse que naquele dia foi tomar a vacina do Covid-19. Na sequência, por
volta das 9 horas, foi ao posto de gasolina “Cruzeiro” abastecer seu carro, ocasião em que
encontrou CARLOS e VIANEI e ficou conversando com eles e, após, foi para a sua casa.

Veja-se que o álibi apresentado por PAULO foi corroborado por duas testemunhas
trazidas pela Defesa, CARLOS e VIANEI, que afirmaram estarem com o réu no posto
“Cruzeiro”, conversando sobre a vacina da Covid-19 que o réu teria tomado naquele dia. Confira-
se trechos pertinentes dos depoimentos das referidas testemunhas:

CARLOS IRINEL ROCHA DALZOTO contou que: “(...) encontrei o Paulo no


posto de combustível, era umas nove e pouquinho; nós caçoamos com ele que ele tinha tomado
vacina (...) chegou dando risada, brincando (...) o Vianei (estava junto conversando); ficamos
uns quarenta minutos ali; acho que saiu eu e ficou o Paulo; acho que saímos tudo juntão; isso já
era quase umas dez horas; ele estava com um Voyage preto; tem uma porção (veículos iguais do
acusado); (...) ele já tinha tomado a vacina (...)”. (mov. 116.5).

VIANEI APARECIDO RIBEIRO DA SILVA disse que: “(...) eu estava no posto,


tinha chegado no posto, tinha estragado um caminhão e eu estava conversando com o
Carlinhos; ele estava pegando óleo, nós começamos a conversar, estava colhendo tomate e nisso
chegou o Paulo conversar lá; chegou abastecer o carro; era umas nove e pouco (...). ele
(acusado) falou que tinha ido tomar vacina do Corona; até caçoei com ele se o braço não estava
doendo, que a vacina dá reação (...) acho que uns quarenta minutos mais ou menos (tempo que
ficaram conversando) (...).”.

Ainda, a título de argumentação, ressalte-se que a vítima afirmou que sua esposa e
ex-mulher do réu já foi ameaçada de morte por PAULO, e que ele falou para o tio dela que tinha
comprado uma arma para lhe matar, bem como, disse que “no Facebook da minha sogra ele
(Paulo) falou que foi ele e que ele tinha perdido a cabeça”, mas tais pessoas sequer foram
arroladas para serem ouvidas nos autos.

Assim, apenas com a palavra da vítima e testemunhas que nada confirmaram sobre
quem seria o atirador, concluo que o "standard" probatório mínimo, exigível para a pronúncia,
não foi atingido.

A propósito, o Superior Tribunal de Justiça:

“AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO


QUALIFICADO. IMPRONÚNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS JUDICIALIZADAS.
TESTEMUNHO INDIRETOS. FRAGILIDADE PROBATÓRIA. REVERSÃO DO
ENTENDIMENTO. REEXAME PROBATÓRIO. SÚMULA N. 7 DESTA CORTE SUPERIOR.
AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Embora a análise aprofundada dos elementos
probatórios, nos crimes dolosos contra a vida, seja feita somente pelo Tribunal do Júri, não se
PROJUDI - Recurso: 0000374-17.2024.8.16.0143 - Ref. mov. 31.1 - Assinado digitalmente por Miguel Kfouri Neto:5950
27/05/2024: JUNTADA DE ACÓRDÃO. Arq: Acórdão (Desembargador Miguel Kfouri Neto - 1ª Câmara Criminal)

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pode admitir, em um Estado Democrático de Direito, a pronúncia baseada, exclusivamente, em
testemunhos indiretos (por ouvir dizer). Precedentes. 2. O Tribunal estadual, após apreciar
integralmente o conjunto fático-probatório, verificou a ausência de elementos suficientes para a
pronúncia do Recorrido, uma vez que as provas produzidas nos autos se restringiam a relatos
"por ouvir dizer", não havendo nada que imputasse a prática delitiva diretamente ao Acusado.
(...)”. (AgRg no REsp n. 1.959.515/RS, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em

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26/4/2022, DJe de 29/4/2022).

Nesse quadro, existe apenas presunção de que tenha sido o réu quem efetuou os
disparos - um deles acertou o boné da vítima. Todavia, a prova é deveras frágil - e a
DESPRONÚNCIA do acusado se impõe.

Assim, define-se o voto por DESPRONUNCIAR o réu, sem prejuízo da apuração


de novas provas que, aí sim, possam estabelecer juízo mínimo de convicção, quanto à autoria do
delito.

Quanto ao pleito subsidiário da defesa de afastamento das qualificadoras do motivo


fútil e perigo comum, resta prejudicado.

À face do exposto, define-se o voto pelo provimento do recurso em sentido estrito


para despronunciar PAULO MARTINS DA CRUZ.

DISPOSITIVO

ACORDAM os julgadores integrantes da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de


Justiça do Estado do Paraná, por unanimidade de votos, em dar provimento, ao recurso em
sentido estrito para despronunciar PAULO MARTINS DA CRUZ.

O julgamento foi presidido pelo (a) Desembargadora Lidia Maejima, com voto, e dele
participaram Desembargador Miguel Kfouri Neto (relator) e Desembargador Substituto Benjamim
Acácio De Moura E Costa.

24 de maio de 2024

Desembargador Miguel Kfouri Neto

Juiz (a) relator (a)

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