Farmacia 3
Farmacia 3
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
PROFISSIONAL ASSISTENCIAL III (SERVIÇO DE FARMÁCIA)
No que diz respeito ao nanciamento e transferência dos recur- O Ceaf é regulamentado pela Portaria GM/MS nº 1554/13 e o
sos federais para as ações e os serviços de saúde, estes ocorrem na elenco desses medicamentos está descrito nos Anexos I e III da Re-
forma de blocos de nanciamento, de acordo com a Portaria GM/ name.
MS nº 204, de 29 de janeiro de 2007. O bloco de nanciamento para
a Assistência Farmacêuca será constuído por três componentes: A solicitação, dispensação e renovação da connuidade do tra-
tamento de patologias contempladas nesse Componente ocorre
Componente Básico da Assistência Farmacêuca; somente em unidades de referência ou estabelecimentos de saúde
Componente Estratégico da Assistência Farmacêuca; e designadas pelos gestores estaduais.
Componente Especializado da Assistência Farmacêuca (deno- Fonte:
minação alterada pelo Art. 2º da Portaria GM/MS nº 2.981, de 26 hp://[Link]/atencao-a-saude/comofuncionao-
de novembro de 2009). sus/medicamentos/legislacao-na-assistencia-farmaceuca/
Os medicamentos selecionados no SUS são agrupados nestes
componente e elencados na Relação Nacional de Medicamentos
Essenciais – Rename (2013), 8ª edição, elaborada a parr das de- O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores e mais com-
nições do Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011 e estabelecida plexos sistemas de saúde pública do mundo, abrangendo desde o
pela Portaria GM/MS nº 533, de 28 de março de 2012. simples atendimento para avaliação da pressão arterial, por meio
da Atenção Primária, até o transplante de órgãos, garanndo aces-
Componente Básico da Assistência Farmacêuca – CBAF so integral, universal e gratuito para toda a população do país. Com
Desna-se à aquisição de medicamentos e insumos, incluindo- a sua criação, o SUS proporcionou o acesso universal ao sistema
-se aqueles relacionados a agravos e programas de saúde especí- público de saúde, sem discriminação. A atenção integral à saúde, e
cos, no âmbito da Atenção Básica à Saúde, isto é, doenças de alta não somente aos cuidados assistenciais, passou a ser um direito de
prevalência que acometem a população e que necessitam de cui- todos os brasileiros, desde a gestação e por toda a vida, com foco
dados de baixa complexidade tecnológica. Estabelece uma lista de na saúde com qualidade de vida, visando a prevenção e a promoção
medicamentos através de pactuações nas Comissões Intergestoras, da saúde.
com a parcipação das três esferas de gestão. A gestão das ações e dos serviços de saúde deve ser solidária e
parcipava entre os três entes da Federação: a União, os Estados
O CBAF é regulamento pela Portaria GM/MS nº 1555/13 e o e os municípios. A rede que compõe o SUS é ampla e abrange tan-
uso desses medicamentos é norteado pelo Formulário Terapêuco to ações quanto os serviços de saúde. Engloba a atenção primária,
Nacional (FTN) e pelos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêucas média e alta complexidades, os serviços urgência e emergência, a
(PCDT), denidos pelo Ministério da Saúde. atenção hospitalar, as ações e serviços das vigilâncias epidemiológi-
ca, sanitária e ambiental e assistência farmacêuca.
Salientamos que o elenco do CBAF é suciente para a maioria
dos problemas de saúde da população, entretanto pode ser suple- AVANÇO: Conforme a Constuição Federal de 1988 (CF-88), a
mentado com outros medicamentos, presentes na Relação Estadu- “Saúde é direito de todos e dever do Estado”. No período anterior a
al de Medicamentos Essências (Resme) e na Relação Municipal de CF-88, o sistema público de saúde prestava assistência apenas aos
Medicamentos Essenciais (Rumume) vigentes, denidas de acordo trabalhadores vinculados à Previdência Social, aproximadamente
com o perl epidemiológico da população local. 30 milhões de pessoas com acesso aos serviços hospitalares, caben-
do o atendimento aos demais cidadãos às endades lantrópicas.
O elenco de medicamentos e insumos do CBAF está descrito nos
Anexos I e IV da Rename e na Resolução da Comissão de Interges-
tores Biparte nº 582/2013 e sua dispensação ocorre nas farmácias O Sistema Único de Saúde (SUS) é composto pelo Ministério da
das unidades básicas de saúde, sob responsabilidade das secre- Saúde, Estados e Municípios, conforme determina a Constuição
tarias municipais de saúde, mediante apresentação de prescrição Federal. Cada ente tem suas co-responsabilidades.
médica.
Componente Estratégico da Assistência Farmacêuca – Cesaf Gestor nacional do SUS, formula, normaza, scaliza, monitora
Desna-se ao tratamento de um grupo de agravos especícos, e avalia polícas e ações, em arculação com o Conselho Nacional
agudos ou crônicos, contemplados em Programas Estratégicos do de Saúde. Atua no âmbito da Comissão Intergestores Triparte (CIT)
Ministério da Saúde. O uso dos medicamentos constantes do CESAF para pactuar o Plano Nacional de Saúde. Integram sua estrutura:
é regulamentado por legislação e diretrizes especícas para as do- Fiocruz, Funasa, Anvisa, ANS, Hemobrás, Inca, Into e oito hospitais
enças que fazem parte do escopo desses programas ou pelo Formu- federais.
lário Terapêuco Nacional.
Os medicamentos do CESAF estão descritos no Anexo II da Re-
name, são rigorosamente controlados pela Vigilância Sanitária e Parcipa da formulação das polícas e ações de saúde, pres-
sua dispensação, na sua grande maioria, ocorre em unidades de ta apoio aos municípios em arculação com o conselho estadual e
saúde denidas pela gestão municipal. parcipa da Comissão Intergestores Biparte (CIB) para aprovar e
implementar o plano estadual de saúde.
Componente Especializado da Assistência Farmacêuca – Ceaf
Estratégia de acesso a medicamentos no âmbito do SUS, carac-
terizada pela busca da garana da integralidade do tratamento me- Planeja, organiza, controla, avalia e executa as ações e serviços
dicamentoso, em nível ambulatorial, cujas linhas de cuidado estão de saúde em arculação com o conselho municipal e a esfera esta-
denidas em Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêucas publica- dual para aprovar e implantar o plano municipal de saúde.
dos pelo Ministério da Saúde.
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
PROFISSIONAL ASSISTENCIAL III (SERVIÇO DE FARMÁCIA)
O Conselho de Saúde, no âmbito de atuação (Nacional, Esta- São responsáveis pela execução das ações e serviços de saúde
dual ou Municipal), em caráter permanente e deliberavo, órgão no âmbito do seu território.O gestor municipal deve aplicar recur-
colegiado composto por representantes do governo, prestadores sos próprios e os repassados pela União e pelo estado. O município
de serviço, prossionais de saúde e usuários, atua na formulação formula suas próprias polícas de saúde e também é um dos par-
de estratégias e no controle da execução da políca de saúde na ceiros para a aplicação de polícas nacionais e estaduais de saú-
instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e - de. Ele coordena e planeja o SUS em nível municipal, respeitando a
nanceiros, cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder normazação federal. Pode estabelecer parcerias com outros mu-
legalmente constuído em cada esfera do governo. nicípios para garanr o atendimento pleno de sua população, para
Cabe a cada Conselho de Saúde denir o número de membros, procedimentos de complexidade que estejam acima daqueles que
que obedecerá a seguinte composição: 50% de endades e movi- pode oferecer.
mentos representavos de usuários; 25% de endades representa-
vas dos trabalhadores da área de saúde e 25% de representação
de governo e prestadores de serviços privados conveniados, ou sem As duas úlmas décadas foram marcadas por intensas transfor-
ns lucravos. mações no sistema de saúde brasileiro, inmamente relacionadas
com as mudanças ocorridas no âmbito políco-instucional. Simul-
taneamente ao processo de redemocrazação iniciado nos anos 80,
Foro de negociação e pactuação entre gestores federal, estadu- o país passou por grave crise na área econômico-nanceira.
al e municipal, quanto aos aspectos operacionais do SUS No início da década de 80, procurou-se consolidar o processo
de expansão da cobertura assistencial iniciado na segunda metade
dos anos 70, em atendimento às proposições formuladas pela OMS
Foro de negociação e pactuação entre gestores estadual e mu- na Conferência de Alma-Ata (1978), que preconizava “Saúde para
nicipais, quanto aos aspectos operacionais do SUS Todos no Ano 2000”, principalmente por meio da Atenção Primária
à Saúde.
Nessa mesma época, começa o Movimento da Reforma Sa-
Endade representava dos entes estaduais e do Distrito Fede- nitária Brasileira, constuído inicialmente por uma parcela da in-
ral na CIT para tratar de matérias referentes à saúde telectualidade universitária e dos prossionais da área da saúde.
Posteriormente, incorporaram-se ao movimento outros segmentos
- da sociedade, como centrais sindicais, movimentos populares de
nasems) saúde e alguns parlamentares.
Endade representava dos entes municipais na CIT para tratar As proposições desse movimento, iniciado em pleno regime
de matérias referentes à saúde autoritário da ditadura militar, eram dirigidas basicamente à cons-
trução de uma nova políca de saúde efevamente democráca,
considerando a descentralização, universalização e unicação como
São reconhecidos como endades que representam os entes elementos essenciais para a reforma do setor.
municipais, no âmbito estadual, para tratar de matérias referentes Várias foram às propostas de implantação de uma rede de ser-
à saúde, desde que vinculados instucionalmente ao Conasems, na viços voltada para a atenção primária à saúde, com hierarquização,
forma que dispuserem seus estatutos. descentralização e universalização, iniciando-se já a parr do Pro-
grama de Interiorização das Ações de Saúde e Saneamento (PIASS),
em 1976.
Em 1980, foi criado o Programa Nacional de Serviços Básicos
União de Saúde (PREV-SAÚDE) - que, na realidade, nunca saiu do papel -,
A gestão federal da saúde é realizada por meio do Ministério da logo seguida pelo plano do Conselho Nacional de Administração da
Saúde. O governo federal é o principal nanciador da rede pública Saúde Previdenciária (CONASP), em 1982 a parr do qual foi imple-
de saúde. Historicamente, o Ministério da Saúde aplica metade de mentada a políca de Ações Integradas de Saúde (AIS), em 1983.
todos os recursos gastos no país em saúde pública em todo o Brasil, Essas constuíram uma estratégia de extrema importância para o
e estados e municípios, em geral, contribuem com a outra meta- processo de descentralização da saúde.
de dos recursos. O Ministério da Saúde formula polícas nacionais A 8ª Conferência Nacional da Saúde, realizada em março de
de saúde, mas não realiza as ações. Para a realização dos projetos, 1986, considerada um marco histórico, consagra os princípios pre-
depende de seus parceiros (estados, municípios, ONGs, fundações, conizados pelo Movimento da Reforma Sanitária.
empresas, etc.). Também tem a função de planejar, elabirar nor- Em 1987 é implementado o Sistema Unicado e Descentrali-
mas, avaliar e ulizar instrumentos para o controle do SUS. zado de Saúde (SUDS), como uma consolidação das Ações Integra-
das de Saúde (AIS), que adota como diretrizes a universalização e
Estados e Distrito Federal a equidade no acesso aos serviços, à integralidade dos cuidados,
Os estados possuem secretarias especícas para a gestão de a regionalização dos serviços de saúde e implementação de distri-
saúde. O gestor estadual deve aplicar recursos próprios, inclusive tos sanitários, a descentralização das ações de saúde, o desenvolvi-
nos municípios, e os repassados pela União. Além de ser um dos mento de instuições colegiadas gestoras e o desenvolvimento de
parceiros para a aplicação de polícas nacionais de saúde, o estado uma políca de recursos humanos.
formula suas próprias polícas de saúde. Ele coordena e planeja o O capítulo dedicado à saúde na nova Constuição Federal, pro-
SUS em nível estadual, respeitando a normazação federal. Os ges- mulgada em outubro de 1988, retrata o resultado de todo o proces-
tores estaduais são responsáveis pela organização do atendimento so desenvolvido ao longo dessas duas décadas, criando o Sistema
à saúde em seu território. Único de Saúde (SUS) e determinando que “a saúde é direito de
todos e dever do Estado” (art. 196).
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Entre outros, a Constuição prevê o acesso universal e igua-
litário às ações e serviços de saúde, com regionalização e hierar- Desenvolver responsabilização sanitária é estabelecer clara-
quização, descentralização com direção única em cada esfera de mente as atribuições de cada uma das esferas de gestão da saú-
governo, parcipação da comunidade e atendimento integral, com de pública, assim como dos serviços e das equipes que compõem
prioridade para as avidades prevenvas, sem prejuízo dos serviços o SUS, possibilitando melhor planejamento, acompanhamento e
assistenciais. complementaridade das ações e dos serviços. Os prefeitos, ao as-
A Lei nº 8.080, promulgada em 1990, operacionaliza as disposi- sumir suas responsabilidades, devem esmular a responsabilização
ções constucionais. São atribuições do SUS em seus três níveis de junto aos gerentes e equipes, no âmbito municipal, e parcipar do
governo, além de outras, “ordenar a formação de recursos huma- processo de pactuação, no âmbito regional.
nos na área de saúde” (CF, art. 200, inciso III).
Responsabilização Macrossanitária
São conceitos que orientam o SUS, previstos no argo 198 da O gestor municipal, para assegurar o direito à saúde de seus
Constuição Federal de 1988 e no argo 7º do Capítulo II da Lei n.º munícipes, deve assumir a responsabilidade pelos resultados, bus-
8.080/1990. Os principais são: cando reduzir os riscos, a mortalidade e as doenças evitáveis, a
Universalidade: signica que o SUS deve atender a todos, sem
exemplo da mortalidade materna e infanl, da hanseníase e da tu-
disnções ou restrições, oferecendo toda a atenção necessária,
berculose. Para isso, tem de se responsabilizar pela oferta de ações
sem qualquer custo;
e serviços que promovam e protejam a saúde das pessoas, previ-
Integralidade: o SUS deve oferecer a atenção necessária à saú-
nam as doenças e os agravos e recuperem os doentes. A atenção
de da população, promovendo ações connuas de prevenção e tra-
básica à saúde, por reunir esses três componentes, coloca-se como
tamento aos indivíduos e às comunidades, em quaisquer níveis de
complexidade; responsabilidade primeira e intransferível a todos os gestores. O
Equidade: o SUS deve disponibilizar recursos e serviços com cumprimento dessas responsabilidades exige que assumam as atri-
jusça, de acordo com as necessidades de cada um, canalizando buições de gestão, incluindo:
maior atenção aos que mais necessitam; - execução dos serviços públicos de responsabilidade munici-
Parcipação social: é um direito e um dever da sociedade par- pal;
cipar das gestões públicas em geral e da saúde pública em par- - desnação de recursos do orçamento municipal e ulização
cular; é dever do Poder Público garanr as condições para essa do conjunto de recursos da saúde, com base em prioridades deni-
parcipação, assegurando a gestão comunitária do SUS; e das no Plano Municipal de Saúde;
Descentralização: é o processo de transferência de responsabi- - planejamento, organização, coordenação, controle e avalia-
lidades de gestão para os municípios, atendendo às determinações ção das ações e dos serviços de saúde sob gestão municipal; e
constucionais e legais que embasam o SUS, denidor de atribui- - parcipação no processo de integração ao SUS, em âmbito
ções comuns e competências especícas à União, aos estados, ao regional e estadual, para assegurar a seus cidadãos o acesso a servi-
Distrito Federal e aos municípios. ços de maior complexidade, não disponíveis no município.
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Comissões Intergestores Bipartes (CIB): São constuídas pa- estabelecer as diretrizes para a formulação do PMS, em função da
ritariamente por representantes do governo estadual, indicados análise da realidade e dos problemas de saúde locais, assim como
pelo Secretário de Estado da Saúde, e dos secretários municipais dos recursos disponíveis.
de saúde, indicados pelo órgão de representação do conjunto dos No PMS, devem ser descritos os principais problemas da saúde
municípios do Estado, em geral denominado Conselho de Secretá- pública local, suas causas, consequências e pontos crícos. Além
rios Municipais de Saúde (Cosems). Os secretários municipais de disso, devem ser denidos os objevos e metas a serem angidos,
Saúde costumam debater entre si os temas estratégicos antes de as avidades a serem executadas, os cronogramas, as sistemácas
apresentarem suas posições na CIB. Os Cosems são também ins- de acompanhamento e de avaliação dos resultados.
tâncias de arculação políca entre gestores municipais de saúde,
sendo de extrema importância a parcipação dos gestores locais Sistemas de informações ajudam a planejar a saúde: O SUS
nesse espaço. opera e/ou disponibiliza um conjunto de sistemas de informações
estratégicas para que os gestores avaliem e fundamentem o pla-
Espaços regionais: A implementação de espaços regionais de nejamento e a tomada de decisões, abrangendo: indicadores de
pactuação, envolvendo os gestores municipais e estaduais, é uma saúde; informações de assistência à saúde no SUS (internações
necessidade para o aperfeiçoamento do SUS. Os espaços regionais hospitalares, produção ambulatorial, imunização e atenção básica);
devem-se organizar a parr das necessidades e das anidades espe- rede assistencial (hospitalar e ambulatorial); morbidade por local
cícas em saúde existentes nas regiões. de internação e residência dos atendidos pelo SUS; estascas
vitais (mortalidade e nascidos vivos); recursos nanceiros, infor-
Descentralização mações demográcas, epidemiológicas e socioeconômicas. Cami-
O princípio de descentralização que norteia o SUS se dá, espe- nha-se rumo à integração dos diversos sistemas informazados de
cialmente, pela transferência de responsabilidades e recursos para base nacional, que podem ser acessados no site do Datasus. Nesse
a esfera municipal, esmulando novas competências e capacidades processo, a implantação do Cartão Nacional de Saúde tem papel
políco-instucionais dos gestores locais, além de meios adequa- central. Cabe aos prefeitos conhecer e monitorar esse conjunto de
dos à gestão de redes assistenciais de caráter regional e macror- informações essenciais à gestão da saúde do seu município.
regional, permindo o acesso, a integralidade da atenção e a ra-
cionalização de recursos. Os estados e a União devem contribuir Níveis de atenção à saúde: O SUS ordena o cuidado com a saú-
para a descentralização do SUS, fornecendo cooperação técnica e de em níveis de atenção, que são de básica, média e alta complexi-
nanceira para o processo de municipalização. dade. Essa estruturação visa à melhor programação e planejamento
das ações e dos serviços do sistema de saúde. Não se deve, porém,
Regionalização: consensos e estratégias - As ações e os ser- desconsiderar algum desses níveis de atenção, porque a atenção à
viços de saúde não podem ser estruturados apenas na escala dos saúde deve ser integral.
municípios. Existem no Brasil milhares de pequenas municipalida- A atenção básica em saúde constui o primeiro nível de aten-
des que não possuem em seus territórios condições de oferecer ção à saúde adotada pelo SUS. É um conjunto de ações que engloba
serviços de alta e média complexidade; por outro lado, existem promoção, prevenção, diagnósco, tratamento e reabilitação. De-
municípios que apresentam serviços de referência, tornando-se senvolve-se por meio de prácas gerenciais e sanitárias, democrá-
polos regionais que garantem o atendimento da sua população e cas e parcipavas, sob a forma de trabalho em equipe, dirigidas
de municípios vizinhos. Em áreas de divisas interestaduais, são fre- a populações de territórios delimitados, pelos quais assumem res-
quentes os intercâmbios de serviços entre cidades próximas, mas ponsabilidade.
de estados diferentes. Por isso mesmo, a construção de consensos Uliza tecnologias de elevada complexidade e baixa densidade,
e estratégias regionais é uma solução fundamental, que permirá objevando solucionar os problemas de saúde de maior frequência
ao SUS superar as restrições de acesso, ampliando a capacidade de e relevância das populações. É o contato preferencial dos usuários
atendimento e o processo de descentralização. com o sistema de saúde. Deve considerar o sujeito em sua singu-
O Sistema Hierarquizado e Descentralizado: As ações e servi- laridade, complexidade, inteireza e inserção sociocultural, além de
ços de saúde de menor grau de complexidade são colocadas à dis- buscar a promoção de sua saúde, a prevenção e tratamento de do-
posição do usuário em unidades de saúde localizadas próximas de enças e a redução de danos ou de sofrimentos que possam compro-
seu domicílio. As ações especializadas ou de maior grau de comple- meter suas possibilidades de viver de modo saudável.
xidade são alcançadas por meio de mecanismos de referência, or-
ganizados pelos gestores nas três esferas de governo. Por exemplo: As Unidades Básicas são prioridades porque, quando as Unida-
O usuário é atendido de forma descentralizada, no âmbito do mu- des Básicas de Saúde funcionam adequadamente, a comunidade
nicípio ou bairro em que reside. Na hipótese de precisar ser atendi- consegue resolver com qualidade a maioria dos seus problemas de
do com um problema de saúde mais complexo, ele é referenciado, saúde. É comum que a primeira preocupação de muitos prefeitos
isto é, encaminhado para o atendimento em uma instância do SUS se volte para a reforma ou mesmo a construção de hospitais. Para o
mais elevada, especializada. Quando o problema é mais simples, o SUS, todos os níveis de atenção são igualmente importantes, mas a
cidadão pode ser contrarreferenciado, isto é, conduzido para um práca comprova que a atenção básica deve ser sempre prioritária,
atendimento em um nível mais primário. porque possibilita melhor organização e funcionamento também
dos serviços de média e alta complexidade.
Plano de saúde xa diretriz e metas à saúde municipal Estando bem estruturada, ela reduzirá as las nos prontos so-
É responsabilidade do gestor municipal desenvolver o processo corros e hospitais, o consumo abusivo de medicamentos e o uso
de planejamento, programação e avaliação da saúde local, de modo indiscriminado de equipamentos de alta tecnologia. Isso porque
a atender as necessidades da população de seu município com eci- os problemas de saúde mais comuns passam a ser resolvidos nas
ência e efevidade. O Plano Municipal de Saúde (PMS) deve orien- Unidades Básicas de Saúde, deixando os ambulatórios de especiali-
tar as ações na área, incluindo o orçamento para a sua execução. dades e hospitais cumprirem seus verdadeiros papéis, o que resulta
Um instrumento fundamental para nortear a elaboração do PMS é em maior sasfação dos usuários e ulização mais racional dos re-
o Plano Nacional de Saúde. Cabe ao Conselho Municipal de Saúde cursos existentes.
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Saúde da Família: é a saúde mais perto do cidadão. É parte Competências municipais na vigilância em saúde
da estratégia de estruturação eleita pelo Ministério da Saúde para Compete aos gestores municipais, entre outras atribuições, as
reorganização da atenção básica no País, com recursos nanceiros avidades de nocação e busca ava de doenças compulsórias,
especícos para o seu custeio. Cada equipe é composta por um con- surtos e agravos inusitados; invesgação de casos nocados em
junto de prossionais (médico, enfermeiro, auxiliares de enferma- seu território; busca ava de declaração de óbitos e de nascidos vi-
gem e agentes comunitários de saúde, podendo agora contar com vos; garana a exames laboratoriais para o diagnósco de doenças
prossional de saúde bucal) que se responsabiliza pela situação de de nocação compulsória; monitoramento da qualidade da água
saúde de determinada área, cuja população deve ser de no mínimo para o consumo humano; coordenação e execução das ações de
2.400 e no máximo 4.500 pessoas. Essa população deve ser cadas- vacinação de rona e especiais (campanhas e vacinações de blo-
trada e acompanhada, tornando-se responsabilidade das equipes queio); vigilância epidemiológica; monitoramento da mortalidade
atendê-la, entendendo suas necessidades de saúde como resultado infanl e materna; execução das ações básicas de vigilância sanitá-
também das condições sociais, ambientais e econômicas em que ria; gestão e/ou gerência dos sistemas de informação epidemioló-
vive. Os prossionais é que devem ir até suas casas, porque o obje-
gica, no âmbito municipal; coordenação, execução e divulgação das
vo principal da Saúde da Família é justamente aproximar as equipes
avidades de informação, educação e comunicação de abrangência
das comunidades e estabelecer entre elas vínculos sólidos.
municipal; parcipação no nanciamento das ações de vigilância
A saúde municipal precisa ser integral. O município é respon-
em saúde e capacitação de recursos.
sável pela saúde de sua população integralmente, ou seja, deve
garanr que ela tenha acessos à atenção básica e aos serviços espe-
cializados (de média e alta complexidade), mesmo quando localiza- Desaos públicos, responsabilidades comparlhadas: A legis-
dos fora de seu território, controlando, racionalizando e avaliando lação brasileira – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e legislação
os resultados obdos. sanitária, incluindo as Leis n.º 8.080/1990 e 8.142/1990 – estabe-
Só assim estará promovendo saúde integral, como determina lece prerrogavas, deveres e obrigações a todos os governantes. A
a legislação. É preciso que isso que claro, porque muitas vezes o Constuição Federal dene os gastos mínimos em saúde, por es-
gestor municipal entende que sua responsabilidade acaba na aten- fera de governo, e a legislação sanitária, os critérios para as trans-
ção básica em saúde e que as ações e os serviços de maior comple- ferências intergovernamentais e alocação de recursos nanceiros.
xidade são responsabilidade do Estado ou da União – o que não é Essa vinculação das receitas objeva preservar condições mínimas
verdade. e necessárias ao cumprimento das responsabilidades sanitárias e
A promoção da saúde é uma estratégia por meio da qual os garanr transparência na ulização dos recursos disponíveis. A res-
desaos colocados para a saúde e as ações sanitárias são pensa- ponsabilização scal e sanitária de cada gestor e servidor público
dos em arculação com as demais polícas e prácas sanitárias e deve ser comparlhada por todos os entes e esferas governamen-
com as polícas e prácas dos outros setores, ampliando as pos- tais, resguardando suas caracteríscas, atribuições e competências.
sibilidades de comunicação e intervenção entre os atores sociais O desao primordial dos governos, sobretudo na esfera municipal,
envolvidos (sujeitos, instuições e movimentos sociais). A promo- é avançar na transformação dos preceitos constucionais e legais
ção da saúde deve considerar as diferenças culturais e regionais, que constuem o SUS em serviços e ações que assegurem o direi-
entendendo os sujeitos e as comunidades na singularidade de suas to à saúde, como uma conquista que se realiza codianamente em
histórias, necessidades, desejos, formas de pertencer e se relacio- cada estabelecimento, equipe e práca sanitária.
nar com o espaço em que vivem. Signica comprometer-se com os É preciso inovar e buscar, coleva e criavamente, soluções
sujeitos e as colevidades para que possuam, cada vez mais, auto- novas para os velhos problemas do nosso sistema de saúde. A cons-
nomia e capacidade para manejar os limites e riscos impostos pela trução de espaços de gestão que permitam a discussão e a críca,
doença, pela constuição genéca e por seu contexto social, polí- em ambiente democráco e plural, é condição essencial para que o
co, econômico e cultural. A promoção da saúde coloca, ainda, o SUS seja, cada vez mais, um projeto que defenda e promova a vida.
desao da intersetorialidade, com a convocação de outros setores
Muitos municípios operam suas ações e serviços de saúde em
sociais e governamentais para que considerem parâmetros sanitá-
condições desfavoráveis, dispondo de recursos nanceiros e equi-
rios, ao construir suas polícas públicas especícas, possibilitando a
pes insucientes para atender às demandas dos usuários, seja em
realização de ações conjuntas.
volume, seja em complexidade – resultado de uma conjuntura so-
cial de extrema desigualdade. Nessas situações, a gestão pública
Vigilância em saúde: expande seus objevos. Em um país com
as dimensões do Brasil, com realidades regionais bastante diver- em saúde deve adotar condução técnica e administrava compa-
sicadas, a vigilância em saúde é um grande desao. Apesar dos vel com os recursos existentes e criava em sua ulização. Deve
avanços obdos, como a erradicação da poliomielite, desde 1989, estabelecer critérios para a priorização dos gastos, orientados por
e com a interrupção da transmissão de sarampo, desde 2000, con- análises sistemácas das necessidades em saúde, vericadas junto
vivemos com doenças transmissíveis que persistem ou apresentam à população. É um desao que exige vontade políca, propostas
incremento na incidência, como a AIDS, as hepates virais, as me- invenvas e capacidade de governo.
ningites, a malária na região amazônica, a dengue, a tuberculose A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios compar-
e a hanseníase. Observamos, ainda, aumento da mortalidade por lham as responsabilidades de promover a arculação e a interação
causas externas, como acidentes de trânsito, conitos, homicídios e dentro do Sistema Único de Saúde – SUS, assegurando o acesso uni-
suicídios, angindo, principalmente, jovens e população em idade versal e igualitário às ações e serviços de saúde.
produva. Nesse contexto, o Ministério da Saúde com o objevo de O SUS é um sistema de saúde, regionalizado e hierarquizado,
integração, fortalecimento da capacidade de gestão e redução da que integra o conjunto das ações de saúde da União, Estados, Distri-
morbimortalidade, bem como dos fatores de risco associados à saú- to Federal e Municípios, onde cada parte cumpre funções e compe-
de, expande o objeto da vigilância em saúde pública, abrangendo as tências especícas, porém arculadas entre si, o que caracteriza os
áreas de vigilância das doenças transmissíveis, agravos e doenças níveis de gestão do SUS nas três esferas governamentais.
não transmissíveis e seus fatores de riscos; a vigilância ambiental
em saúde e a análise de situação de saúde.
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
PROFISSIONAL ASSISTENCIAL III (SERVIÇO DE FARMÁCIA)
Criado pela Constuição Federal de 1988 e regulamentado pela O art. 200 dene em que campo deve o SUS atuar. As atribui-
Lei nº 8.080/90, conhecida como a Lei Orgânica da Saúde, e pela Lei ções ali relacionadas não são taxavas ou exausvas. Outras pode-
nº 8.142/90, que trata da parcipação da comunidade na gestão rão exisr, na forma da lei. E as atribuições ali elencadas dependem,
do Sistema e das transferências intergovernamentais de recursos também, de lei para a sua exequibilidade.
nanceiros, o SUS tem normas e regulamentos que disciplinam as Em 1990, foi editada a Lei n. 8.080/90 que, em seus arts. 5º e
polícas e ações em cada Subsistema. 6º, cuidou dos objevos e das atribuições do SUS, tentando melhor
A Sociedade, nos termos da Legislação, parcipa do planeja- explicitar o art. 200 da CF (ainda que, em alguns casos, tenha repe-
mento e controle da execução das ações e serviços de saúde. Essa do os incisos daquele argo, tão somente).
parcipação se dá por intermédio dos Conselhos de Saúde, presen- São objevos do SUS: a) a idencação e divulgação dos fato-
tes na União, nos Estados e Municípios. res condicionantes e determinantes da saúde; b) a formulação de
polícas de saúde desnadas a promover, nos campos econômico
Níveis de Gestão do SUS e social, a redução de riscos de doenças e outros agravos; e c) exe-
Esfera Federal - Gestor: Ministério da Saúde - Formulação da cução de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde,
políca estadual de saúde, coordenação e planejamento do SUS em integrando as ações assistenciais com as prevenvas, de modo a
nível Estadual. Financiamento das ações e serviços de saúde por garanr às pessoas a assistência integral à sua saúde.
meio da aplicação/distribuição de recursos públicos arrecadados. O art. 6º, estabelece como competência do Sistema a execução
Esfera Estadual - Gestor: Secretaria Estadual de Saúde - Formu- de ações e serviços de saúde descritos em seus 11 incisos.
lação da políca municipal de saúde e a provisão das ações e ser- O SUS deve atuar em campo demarcado pela lei, em razão do
viços de saúde, nanciados com recursos próprios ou transferidos disposto no art. 200 da CF e porque o enunciado constucional de
pelo gestor federal e/ou estadual do SUS.
que saúde é direito de todos e dever do Estado, não tem o condão
Esfera Municipal - Gestor: Secretaria Municipal de Saúde - For-
de abranger as condicionantes econômico-sociais da saúde, tam-
mulação de polícas nacionais de saúde, planejamento, normaliza-
pouco compreender, de forma ampla e irrestrita, todas as possíveis
ção, avaliação e controle do SUS em nível nacional. Financiamento
e imagináveis ações e serviços de saúde, até mesmo porque haverá
das ações e serviços de saúde por meio da aplicação/distribuição de
sempre um limite orçamentário e um ilimitado avanço tecnológico
recursos públicos arrecadados.
a criar necessidades inndáveis e até mesmo quesonáveis sob o
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE ponto de vista éco, clínico, familiar, terapêuco, psicológico.
Pela dicção dos arts. 196 e 198 da CF, podemos armar que Será a lei que deverá impor as proporções, sem, contudo, é ob-
somente da segunda parte do art. 196 se ocupa o Sistema Único de vio, cercear o direito à promoção, proteção e recuperação da saú-
Saúde, de forma mais concreta e direta, sob pena de a saúde, como de. E aqui o elemento delimitador da lei deverá ser o da dignidade
setor, como uma área da Administração Pública, se ver obrigada a humana.
cuidar de tudo aquilo que possa ser considerado como fatores que Lembramos, por oportuno que, o Projeto de Lei Complementar
condicionam e interferem com a saúde individual e coleva. Isso n. 01/2003 -- que se encontra no Congresso Nacional para regu-
seria um arrematado absurdo e deveríamos ter um super Ministério lamentar os critérios de rateio de transferências dos recursos da
e super Secretarias da Saúde responsáveis por toda políca social e União para Estados e Municípios – busca disciplinar, de forma mais
econômica protevas da saúde. clara e deniva, o que são ações e serviços de saúde e estabelecer
Se a Constuição tratou a saúde sob grande amplitude, isso o que pode e o que não pode ser nanciado com recursos dos fun-
não signica dizer que tudo o que está ali inserido corresponde a dos de saúde. Esses parâmetros também servirão para circunscre-
área de atuação do Sistema Único de Saúde. ver o que deve ser colocado à disposição da população, no âmbito
Repassando, brevemente, aquela seção do capítulo da Seguri- do SUS, ainda que o art. 200 da CF e o art. 6º da LOS tenham deni-
dade Social, temos que: -- o art. 196, de maneira ampla, cuida do do o campo de atuação do SUS, fazendo pressupor o que são ações
direito à saúde; -- o art. 197 trata da relevância pública das ações e e serviços públicos de saúde, conforme dissemos acima. (O Conse-
serviços de saúde, públicos e privados, conferindo ao Estado o direi- lho Nacional de Saúde e o Ministério da Saúde também disciplina-
to e o dever de regulamentar, scalizar e controlar o setor (público ram o que são ações e serviços de saúde em resoluções e portarias).
e privado); -- o art. 198 dispõe sobre as ações e os serviços públicos
de saúde que devem ser garandos a todos cidadãos para a sua
promoção, proteção e recuperação, ou seja, dispõe sobre o Sistema De plano, excetuam-se da área da saúde, para efeito de nan-
Único de Saúde; -- o art. 199, trata da liberdade da iniciava priva-
ciamento, (ainda que absolutamente relevantes como indicadores
da, suas restrições (não pode explorar o sangue, por ser bem fora
epidemiológicos da saúde) as condicionantes econômico-sociais.
do comércio; deve submeter-se à lei quanto à remoção de órgãos
Os órgãos e endades do SUS devem conhecer e informar à socie-
e tecidos e partes do corpo humano; não pode contar com a par-
dade e ao governo os fatos que interferem na saúde da população
cipação do capital estrangeiro na saúde privada; não pode receber
com vistas à adoção de polícas públicas, sem, contudo, estarem
auxílios e subvenções, se for endade de ns econômicos etc.) e a
possibilidade de o setor parcipar, complementarmente, do setor obrigados a ulizar recursos do fundo de saúde para intervir nessas
público; -- e o art. 200, das atribuições dos órgãos e endades que causas.
compõem o sistema público de saúde. O SUS é mencionado somen- Quem tem o dever de adotar polícas sociais e econômicas que
te nos arts. 198 e 200. visem evitar o risco da doença é o Governo como um todo (polícas
A leitura do art. 198 deve sempre ser feita em consonância com de governo), e não a saúde, como setor (polícas setoriais). A ela,
a segunda parte do art. 196 e com o art. 200. O art. 198 estatui que saúde, compete atuar nos campos demarcados pelos art. 200 da CF
todas as ações e serviços públicos de saúde constuem um único e art. 6º da Lei n. 8.080/90 e em outras leis especícas.
sistema. Aqui temos o SUS. E esse sistema tem como atribuição ga- Como exemplo, podemos citar os servidores da saúde que de-
ranr ao cidadão o acesso às ações e serviços públicos de saúde vem ser pagos com recursos da saúde, mas o seu inavo, não; não
(segunda parte do art. 196), conforme campo demarcado pelo art. porque os inavos devem ser pagos com recursos da Previdência
200 e leis especícas. Social. Idem quanto as ações da assistência social, como bolsa-a-
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
PROFISSIONAL ASSISTENCIAL III (SERVIÇO DE FARMÁCIA)
limentação, bolsa-família, vale-gás, renda mínima, fome zero, que Ao Ministério da Saúde compete a vigilância sobre alimentos
devem ser nanciadas com recursos da assistência social, setor ao (registro, scalização, controle de qualidade) e não a prestação de
qual incumbe promover e prover as necessidades das pessoas ca- serviços que visem fornecer alimentos às pessoas de baixa renda.
rentes visando diminuir as desigualdades sociais e suprir suas ca- O fornecimento de cesta básica, merenda escolar, alimentação
rências básicas imediatas. Isso tudo interfere com a saúde, mas não a crianças em idade escolar, idosos, trabalhadores rurais temporá-
pode ser administrada nem nanciada pelo setor saúde. rios, portadores de molésas graves, conforme previsto na Lei do
O saneamento básico é outro bom exemplo. A Lei n. 8.080/90, Estado do Rio de Janeiro, são situações de carência que necessitam
em seu art. 6º, II, dispõe que o SUS deve parcipar na formulação de apoio do Poder Público, sem sombra de dúvida, mas no âmbito
da políca e na execução de ações de saneamento básico. Por sua da assistência social ou de outro setor da Administração Pública e
vez, o § 3º do art. 32, reza que as ações de saneamento básico que com recursos que não os do fundo de saúde. Não podemos mais
venham a ser executadas suplevamente pelo SUS serão nancia- confundir assistência social com saúde. A alimentação interessa à
das por recursos tarifários especícos e outros da União, Estados, saúde, mas não está em seu âmbito de atuação.
DF e Municípios e não com os recursos dos fundos de saúde.
Nesse ponto gostaríamos de abrir um parêntese para comentar Tanto isso é fato que a Lei n. 8.080/90, em seu art. 12, estabe-
o Parecer do Sr. Procurador Geral da República, na ADIn n. 3087- leceu que “serão criadas comissões intersetoriais de âmbito nacio-
6/600-RJ, aqui mencionado. nal, subordinadas ao Conselho Nacional de Saúde, integradas pelos
O Governo do Estado do Rio de Janeiro, pela Lei n. 4.179/03, Ministérios e órgãos competentes e por endades representavas
instuiu o Programa Estadual de Acesso à Alimentação – PEAA, da sociedade civil”, dispondo seu parágrafo único que “as comissões
determinando que suas avidades correrão à conta do orçamento intersetoriais terão a nalidade de arcular polícas e programas
do Fundo Estadual da Saúde, vinculado à Secretaria de Estado da de interesse para a saúde, cuja execução envolva áreas não com-
Saúde. O PSDB, entendendo ser a lei inconstucional por ulizar preendidas no âmbito do Sistema Único de Saúde”. Já o seu art. 13,
recursos da saúde para uma ação que não é de responsabilidade destaca, algumas dessas avidades, mencionando em seu inciso I a
da área da saúde, moveu ação direta de inconstucionalidade, com “alimentação e nutrição”.
pedido de cautelar. O parâmetro para o nanciamento da saúde deve ser as atri-
O Sr. Procurador da República (Parecer n. 5147/CF), opinou buições que foram dadas ao SUS pela Constuição e por leis espe-
pela improcedência da ação por entender que o acesso à alimenta- cícas e não a 1º parte do art. 196 da CF, uma vez que os fatores
ção é indissociável do acesso à saúde, assim como os medicamen- que condicionam a saúde são os mais variados e estão inseridos
tos o são e que as pessoas de baixa renda devem ter atendidas a nas mais diversas áreas da Administração Pública, não podendo ser
necessidade básica de alimentar-se. considerados como competência dos órgãos e endades que com-
Infelizmente, mais uma vez confundiu-se “saúde” com “assis- põe o Sistema Único de Saúde.
tência social”, áreas da Seguridade Social, mas disntas entre si.
A alimentação é um fator que condiciona a saúde tanto quanto o
saneamento básico, o meio ambiente degradado, a falta de renda Vencida esta etapa, adentramos em outra, no interior do setor
e lazer, a falta de moradia, dentre tantos outros fatores condicio- saúde - SUS, que trata da integralidade da assistência à saúde. O
nantes e determinantes, tal qual mencionado no art. 3º da Lei n. art. 198 da CF determina que o Sistema Único de Saúde deve ser
8.080/90. organizado de acordo com três diretrizes, dentre elas, o atendimen-
A Lei n. 8.080/90 ao dispor sobre o campo de atuação do SUS to integral que pressupõe a junção das avidades prevenvas, que
incluiu a vigilância nutricional e a orientação alimentar [15], avi- devem ser priorizadas, com as avidades assistenciais, que também
dades complexas que não tem a ver com o fornecimento, puro e não podem ser prejudicadas.
simples, de bolsa-alimentação, vale-alimentação ou qualquer outra A Lei n. 8.080/90, em seu art. 7º (que dispõe sobre os princípios
forma de garana de mínimos existenciais e sociais, de atribuição e diretrizes do SUS), dene a integralidade da assistência como “o
da assistência social ou de outras áreas da Administração Pública conjunto arculado e connuo das ações e serviços prevenvos e
voltadas para corrigir as desigualdades sociais. A vigilância nutricio- curavos, individuais e colevos, exigidos para cada caso em todos
nal deve ser realizada pelo SUS em arculação com outros órgãos os níveis de complexidade do sistema”.
e setores governamentais em razão de sua interface com a saúde. A integralidade da assistência exige que os serviços de saúde
São avidades que interessam a saúde, mas as quais, a saúde como sejam organizados de forma a garanr ao indivíduo e à colevidade
setor, não as executa. Por isso a necessidade das comissões interse- a proteção, a promoção e a recuperação da saúde, de acordo com
toriais previstas na Lei n. 8.080/90. as necessidades de cada um em todos os níveis de complexidade
A própria Lei n. 10.683/2003, que organiza a Presidência da Re- do sistema.
pública, estatuiu em seu art. 27, XX ser atribuição do Ministério da Vê-se, pois, que a assistência integral não se esgota nem se
Saúde: completa num único nível de complexidade técnica do sistema,
a) políca nacional de saúde; necessitando, em grande parte, da combinação ou conjugação de
b) coordenação e scalização do Sistema Único de Saúde; serviços diferenciados, que nem sempre estão à disposição do cida-
c) saúde ambiental e ações de promoção, proteção e recupe- dão no seu município de origem. Por isso a lei sabiamente deniu
ração da saúde individual e coleva, inclusive a dos trabalhadores a integralidade da assistência como a sasfação de necessidades
e dos índios; individuais e colevas que devem ser realizadas nos mais diversos
d) informações em saúde; patamares de complexidade dos serviços de saúde, arculados pe-
e) insumos crícos para a saúde; los entes federavos, responsáveis pela saúde da população.
f) ação prevenva em geral, vigilância e controle sanitário de A integralidade da assistência é interdependente; ela não se
fronteiras e de portos marímos, uviais e aéreos; completa nos serviços de saúde de um só ente da federação. Ela
g) vigilância em saúde, especialmente quanto às drogas, medi- só naliza, muitas vezes, depois de o cidadão percorrer o caminho
camentos e alimentos; traçado pela rede de serviços de saúde, em razão da complexidade
h) pesquisa cienca e tecnológica na área da saúde. da assistência
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
PROFISSIONAL ASSISTENCIAL III (SERVIÇO DE FARMÁCIA)
E para a delimitação das responsabilidades de cada ente da fe-
deração quanto ao seu compromemento com a integralidade da
assistência, foram criados instrumentos de gestão, como o plano de EM SERVIÇOS DE SAÚDE
saúde e as formas de gestão dos serviços de saúde.
Desse modo, devemos centrar nossas atenções no plano de
O campo da Saúde do Trabalhador (ST) no Brasil é resultante de
saúde, por ser ele a base de todas as avidades e programações da
um patrimônio acumulado no âmbito da Saúde Coleva, com raízes
saúde, em cada nível de governo do Sistema Único de Saúde, o qual
no movimento da Medicina Social lano-americana e inuenciado
deverá ser elaborado de acordo com diretrizes legais estabelecidas
signicavamente pela experiência operária italiana.
na Lei n. 8.080/90: epidemiologia e organização de serviços (arts. 7º
O avanço cienco da Medicina Prevenva, da Medicina Social
VII e 37). O plano de saúde deve ser a referência para a demarcação
e da Saúde Pública, durante os anos 1960/70, ampliou o quadro
de responsabilidades técnicas, administravas e jurídicas dos entes
interpretavo do processo saúde-doença, inclusive em sua arcu-
polícos.
lação com o trabalho. Essa nova forma de apreender a relação tra-
Sem planos de saúde -- elaborados de acordo com as diretri-
balho-saúde e de intervir no mundo do trabalho introduz, na Saúde
zes legais, associadas àquelas estabelecidas nas comissões intergo-
Pública, prácas de atenção à saúde dos trabalhadores, no bojo das
vernamentais trilaterais, principalmente no que se refere à divisão
propostas da Reforma Sanitária Brasileira. Congura-se um novo
de responsabilidades -- o sistema cará ao sabor de ideologias e
decisões unilaterais das autoridades dirigentes da saúde, quando paradigma que, com a incorporação de alguns referenciais das Ci-
ências Sociais - parcularmente do pensamento marxista - amplia
a regra que perpassa todo o sistema é a da cooperação e da conju-
gação de recursos nanceiros, tecnológicos, materiais, humanos da a visão da Medicina do Trabalho e da Saúde Ocupacional. Algumas
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, em redes publicações referem essa trajetória, sistemazam determinadas
regionalizadas de serviços, nos termos dos incisos IX, b e XI do art. prácas ou expõem diferenças conceituais e metodológicas da Saú-
7º e art. 8º da Lei n. 8.080/90. de do Trabalhador com a Medicina do Trabalho e a Saúde Ocupa-
Por isso, o plano de saúde deve ser o instrumento de xação cional.
de responsabilidades técnicas, administravas e jurídicas quanto A referência central para o estudo dos condicionantes saúde-
à integralidade da assistência, uma vez que ela não se esgota, na -doença é o processo de trabalho, conceito recuperado, nos anos
maioria das vezes, na instância de governo-sede do cidadão. Ressal- 1970, das ideias expostas por Marx, parcularmente no Capítulo
te-se, ainda, que o plano de saúde é a expressão viva dos interesses VI Inédito de O Capital. A apropriação do conceito “processo de
da população, uma vez que, elaborado pelos órgãos competentes trabalho” como instrumento de análise possibilita reformular con-
governamentais, deve ser submedo ao conselho de saúde, repre- cepções ainda hegemônicas que ao estabelecerem arculações
sentante da comunidade no SUS, a quem compete, discur, aprovar simplicadas entre causa e efeito, numa perspecva uni ou mul-
e acompanhar a sua execução, em todos os seus aspectos. causal, desconsideram a dimensão social e histórica do trabalho e
Lembramos, ainda, que o planejamento sendo ascendente, do binômio saúde/doença. Desse modo, indivíduo e ambiente são
iniciando-se da base local até a federal, reforça o sendo de que apreendidos na sua exterioridade, ignorando-se sua historicidade
a integralidade da assistência só se completa com o conjunto ar- e o contexto que circunstancia as relações de produção materiali-
culado de serviços, de responsabilidade dos diversos entes gover- zadas em condições especícas de trabalhar, geradoras ou não de
namentais. agravos à saúde.
Resumindo, podemos armar que, nos termos do art. 198, II, A saúde do trabalhador congura-se como um campo de prá-
da CF, c/c os arts. 7º, II e VII, 36 e 37, da Lei n. 8.080/90, a integra- cas e de conhecimentos estratégicos interdisciplinares - técnicos,
lidade da assistência não é um direito a ser sasfeito de maneira sociais, polícos, humanos -, mulprossionais e interinstucio-
aleatória, conforme exigências individuais do cidadão ou de acordo nais, voltados para analisar e intervir nas relações de trabalho que
com a vontade do dirigente da saúde, mas sim o resultado do plano provocam doenças e agravos. Seus marcos referenciais são os da
de saúde que, por sua vez, deve ser a consequência de um planeja- Saúde Coleva, ou seja, a promoção, a prevenção e a vigilância.
mento que leve em conta a epidemiologia e a organização de ser- O tratamento interdisciplinar implica a tentava de estabele-
viços e conjugue as necessidades da saúde com as disponibilidades cer e arcular dois planos de análise: o que contempla o contorno
de recursos, além da necessária observação do que cou decidido social, econômico, políco e cultural - denidor das relações par-
nas comissões intergovernamentais trilaterais ou bilaterais, que culares travadas nos espaços de trabalho e do perl de reprodução
não contrariem a lei. social dos diferentes grupos humanos - e o referente a determina-
Na realidade, cada ente políco deve ser ecamente respon- das caracteríscas dos processos de trabalho com potencial de re-
sável pela saúde integral da pessoa que está sob atenção em seus percussão na saúde. Entre os conceitos e noções extraídos dessas
serviços, cabendo-lhe responder civil, penal e administravamente caracteríscas, encontram-se os classicatórios de risco - funda-
apenas pela omissão ou má execução dos serviços que estão sob mentalmente associados às propriedades materiais e mensuráveis
seu encargo no seu plano de saúde que, por sua vez, deve guardar quantavamente dos objetos, meios e ambientes de trabalho - e
consonância com os pactos da regionalização, consubstanciados os de exigências ou requerimentos, que dizem respeito a compo-
em instrumentos jurídicos competentes. nentes mais qualitavos derivados da organização do trabalho.
Nesse ponto, temos ainda a considerar que, dentre as atribui- Contemporâneo ao Movimento da Reforma Sanitária, o pensa-
ções do SUS, uma das mais importantes -- objeto de reclamações e mento novo sobre a ST obteve maior repercussão com a realização
ações judiciais -- é a assistência terapêuca integral. Por sua indivi- da VIII Conferência Nacional de Saúde, em 1986. Em dezembro des-
dualização, imediasmo, apelo emocional e éco, urgência e emer- se mesmo ano, na I Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador
gência, a assistência terapêuca destaca-se dentre todas as demais foram divulgadas as experiências de implantação da Rede de Ser-
avidades da saúde como a de maior reivindicação individual. viços de ST, então em andamento. Essa rede, anterior à promulga-
ção do SUS, já incorporava princípios e diretrizes que depois seriam
consagrados pela Constuição de 1988, tais como a universalidade,
a integralidade e o controle social.
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
PROFISSIONAL ASSISTENCIAL III (SERVIÇO DE FARMÁCIA)
A interlocução com os próprios trabalhadores - depositários de A própria Lei Orgânica da Saúde determina que as ações de ST
um saber emanado da experiência e sujeitos essenciais quando se devam ser executadas pelo SUS nos âmbitos de assistência, vigilân-
visa a uma ação transformadora - é uma premissa metodológica. Já, cia, informação, pesquisas e parcipação dos sindicatos. A Lei esta-
em nais dos anos 1970, essa premissa foi incorporada no “Modelo belece também ser competência da instância federal do SUS par-
Operário Italiano”, tendo como alvo a mudança e o controle das cipar da denição de normas, critérios e padrões para o controle
condições de trabalho nas unidades produvas. das condições e dos ambientes de trabalho e coordenar a políca
de ST de forma hierarquizada e descentralizada para estados e mu-
Neste argo aborda-se inicialmente o processo que precedeu à nicípios. A mesma Lei regula também a necessidade de o Conselho
inserção da ST no SUS. Mostram-se alguns dos fatores que inuíram de Saúde estruturar a Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalha-
nesse processo, entre eles, a mobilização pela assistência à saúde dor - CIST.
no trabalho por parte de determinados setores sindicais e o apoio
de organizações internacionais. É analisada, a connuação, a tra-
jetória seguida na instucionalização de ST no SUS, apontando-se O percurso de instucionalização da ST no SUS não se cons-
os avanços conseguidos e as várias diculdades encontradas. Des- tuiu em trajetória linear de implementação constante e incremen-
taca-se parcularmente a compreensão da Vigilância em Saúde do
tal. Com a promulgação da Constuição Federal, em 1988, à medida
Trabalhador por meio de casos exemplares que dizem respeito à
que se avançava na inclusão mais orgânica da área de ST no SUS,
sua práca. Finalmente, realiza-se uma breve análise da situação do
os desaos para a sua consolidação efeva surgiam, muitas vezes,
controle social nesse parcular.
como verdadeiros obstáculos para sua viabilização.
No início dos anos 1990, criavam-se novos PST em vários esta-
No caso brasileiro, nos anos de 1970, concomitantemente ao dos e municípios, em todo o país, mas nem todos se consolidavam,
acelerado crescimento do número de trabalhadores industriais, tendo alguns uma vida efêmera. Nesses primeiros anos, os avanços
houve um forte incremento na organização dos trabalhadores em para a consolidação da área dependiam da superação de vários de-
torno da regulamentação da jornada de trabalho e em busca de saos. Eram muitos os fatores combinados, a serem suplantados.
melhores salários. São também dessa década os primeiros movi- Alguns deles até hoje permanecem desaadores, a despeito dos
mentos em defesa da saúde pela melhoria das condições de traba- avanços observados. Destacam-se: a ausência de uma cultura da
lho. Uma iniciava da assessoria técnica do Departamento Intersin- ST, no âmbito da saúde pública; a diculdade de ulização de re-
dical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho cursos, mesmo com rubrica própria; um corpo técnico insuciente
– DIESAT, junto ao Sindicato dos Trabalhadores Químicos e Petroquí- com formação especíca de atuação; conitos de competência com
micos do ABCD, foi fundamental para que o sindicato propusesse à outras áreas do aparelho de Estado; resistência das vigilâncias tra-
Secretaria de Estado da Saúde (SES), no ano de 1984, o Programa de dicionais (epidemiológica e, principalmente, sanitária) a incorporar
Saúde do Trabalhador Químico do ABC. Uma experiência pioneira o binômio saúde/trabalho em suas prácas; a percepção da popu-
com efeva parcipação sindical em sua gestão. Posteriormente, lação trabalhadora com viés assistencial e auto excludente como
foram criados Programas de Saúde do Trabalhador (PST) semelhan- protagonista de suas prácas; a ausência de metodologias de abor-
tes na SES de São Paulo e em outros Estados, com diversos níveis de dagem condizentes com a concepção da área de ST; a inconsistência
parcipação dos trabalhadores, inclusive na realização de ações de e heterogeneidade de entendimento, da questão da ST, quando não
vigilância em algumas empresas. a ausência, nos disposivos normavos nas três esferas de governo.
O próprio autor salienta que os PST foram inuenciados pela Pouco a pouco, ainda nos anos 1990, avançava-se e novos de-
posição da OIT e da própria OMS, quando, em 1983, a Organização saos surgiam. Na primeira metade da década, a realização da II
Pan-Americana da Saúde (OPAS) publicou o Programa de Salud de Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador - II CNST, em 1994,
los Trabajadores e patrocinou um seminário, realizado, em 1984, racou a determinação constucional de municipalização das
em Campinas. Nesse seminário, discuu-se a necessidade de se ações. Essa proposta coincidia com a ruptura com o modelo secu-
passar do conceito de saúde ocupacional para o de saúde dos tra-
ritário, ocorrido no ano anterior, com a IX Conferência Nacional de
balhadores, com vistas a enfrentar a problemáca saúde-trabalho
Saúde, que estabelecia um novo modelo de gestão do SUS (festeja-
como um todo, numa conjugação de fatores econômicos, culturais
do pelos que defendiam a Reforma Sanitária). Para a ST a perspec-
e individuais.
va era alvissareira, na medida em que as ações de ST deveriam ser
Nos primeiros Programas e nos Centros de Referência em Saú-
acolhidas e executadas nos municípios. O desao não foi plenamen-
de do Trabalhador – CRST, anteriores ao advento do SUS, prevale-
cia a dimensão assistencial. O foco principal dessas estratégias era te exitoso. Ainda hoje, a diculdade de se municipalizar as ações
diagnoscar, orientar e acompanhar as patologias decorrentes do de ST é um entrave para a sua consolidação no SUS. Muitas das
trabalho com a perspecva de criar condições para que a rede pú- propostas da II CNST prenunciavam alguns dos avanços que viriam,
blica viesse a se constuir em instância efeva para assistência à mas também, os desaos que, por certo, trariam. Uma delas, a de
saúde dos trabalhadores. Uma mudança de perspecva encontra- parcipação paritária das endades sindicais e organizações popu-
-se no relatório nal da VIII Conferência Nacional de Saúde quando lares... na gestão da ST, revelava um avanço coerente não só com o
apontava que o trabalho em condições dignas e o conhecimento e seu marco conceitual, como também com o princípio constucional
controle dos trabalhadores sobre processos e ambientes de traba- de democracia parcipava do SUS. A rigor, essa proposta jamais
lho são pré-requisitos para o pleno exercício do acesso à saúde. E a foi implementada, salvo em situações de excepcionalidade em que
1ª CNST incorpora a proposta de que o SUS deve englobar ações e pouquíssimos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador –
órgãos de ST, na perspecva da saúde como direito. Cerest exercem sua gestão em arculação com conselhos gestores
Em termos do marco políco normavo do Estado, a ST é situ- com alguma parcipação sindical e popular.
ada na perspecva da saúde como direito universal, conforme de- Naquela primeira metade da década de 1990, ocorria também
nido pela Constuição Federal de 1988 e na Lei nº 8080/90, trans- a instuição da CIST, vinculada ao CNS. Seu surgimento obedecia
cendendo o marco do direito previdenciário-trabalhista em que a aos argos 12 e 13 da Lei Orgânica de Saúde. Durante a 2ª meta-
ação de Estado restringe-se à regulação da saúde e segurança. de da década, a CIST nacional se consolidou e parcipou de forma
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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
PROFISSIONAL ASSISTENCIAL III (SERVIÇO DE FARMÁCIA)
proava no delineamento de uma políca de ST. De fato, avanços Visat, junto aos Cerest das mais disntas regiões do Brasil. Um desa-
ocorreram, todavia, encetando mais desaos para sua efeva con- o que acompanha esse inegável avanço é a aferição da qualidade
solidação. de algumas modalidades de formação, especialmente não presen-
Alguns exemplos de parcipação decisiva da CIST nesse perí- ciais, quanto à dissociação da teoria da práca parcipava plural
odo são citados, a seguir. Um deles foi a Instrução Normava da de intervenção sobre o mundo do trabalho. Esses diferentes cursos
Vigilância em Saúde do Trabalhador - Visat no SUS, notável avanço precisariam ser avaliados dentro de uma proposta de implementa-
para a área, embora fosse assinada somente três anos depois de ção da PNSTT, indagando-se em que medida seus conteúdos e suas
formulada (1988). Acresça-lhe o enorme desao até hoje, 19 anos abordagens pedagógicas estão em sintonia com as necessidades
depois de sua promulgação, não ser um instrumento normavo- operacionais das diretrizes dessa políca. Os processos formavos
-metodológico de ação codiana das prácas dos Cerest. Também devem visar resultados objevos, de modo a transformar a realida-
de 1998, é a Norma Operacional de Saúde do Trabalhador - NOST/ de mais perene e ecazmente.
SUS, instrumento orientador signicavo da gestão, mas precoce- A estrutura connental do Brasil, sua diversidade cultural, a
mente revogado. ocupação econômica dos territórios e a imensa variabilidade de
A publicação da Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho, em seus equipamentos de saúde agregam desaos na esfera do que já
1999, foi um avanço bem-sucedido. Por força de um disposivo da é efevamente considerado como avanço para a área de ST. Cabe
Lei Orgânica de Saúde, em seu argo 6º (parágrafo 3º, inciso VII), destacar os êxitos emblemácos conseguidos nos úlmos anos em
foi revista a listagem obsoleta e reduzida que colocava o Brasil até determinados territórios por Cerest que atuam em estreita arcu-
então num ranking inferior de reconhecimento ocial de doenças lação interinstucional.
relacionadas ao trabalho, frente à maioria dos países do mundo oci- Nesses termos, é importante ressaltar o aporte que o Ministé-
dental. Fortemente ampliada, a listagem foi exausvamente deta- rio Público do Trabalho (MPT) tem dado ao longo dos úlmos anos.
lhada em manual publicado em 2001, tornando-se referência para Frequentemente, o MPT é promotor de arculações intersetoriais,
médicos peritos e prossionais de saúde em geral até hoje. Resta tendo os Cerest como foco essencial para a formulação de deman-
efetuar nova revisão, pois já se passaram 17 anos e o disposivo das e a adoção de medidas necessárias para enfrentar problemas
legal determina que a revisão deve ser periódica. Inclusive, as novas em diversos setores produvos. São muitos os avanços obdos, a
tecnologias e a reestruturação produva em permanente marcha parr de audiências públicas e de Termos de Ajuste de Conduta
produzem novas modalidades de agravos não contemplados na lis- (TAC) rmados com empresas. Quesona-se, no entanto, o risco de
tagem vigente. judicialização de conitos sociais, embora seja indiscuvel a função
Várias outras propostas foram consignadas, ainda na década que desempenha, sobretudo frente às atuais limitações e deciên-
de 1990, com parcipação da CIST, tais como o preenchimento de cias de órgãos públicos de scalização e vigilância de ST.
Autorizações de Internação Hospitalar nos casos compaveis com Ainda, na linha intersetorial, o papel das instuições acadêmi-
acidente de trabalho e a Políca de Saúde Ocupacional para o Tra- cas, especialmente das universidades públicas, incluídas a Fiocruz
balhador do SUS, inserida na NOB/RH-SUS - Princípios e Diretrizes e a Fundacentro, tem sido relevante na formação de quadros. É
para a Gestão do Trabalho no SUS, em 2005. necessária, no entanto, uma arculação mais perene, orgânica e
O ingresso na década de 2000 inicia com a área técnica de ST instucionalizada que não se limite à contribuição de prossionais
do Ministério da Saúde, formulando uma proposta de criação de compromissados na melhoria das condições de trabalho e saúde
uma rede de ST que, dois anos depois, seria ocialmente normaliza- dos trabalhadores.
da como Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador Quanto à Renast, embora exista uma rotavidade de prossio-
- Renast. nais dos Cerest, e que provoca desconnuidade de ações em alguns
Em sua atual formatação instucional, prevista na Portaria nº casos, vale lembrar os programas estratégicos de formação-ação
2.728, de 11 de novembro de 2009, a Renast deve integrar a rede realizados em alguns estados, em consonância com as diretrizes
de serviços do SUS por meio de Centros de Referência em Saúde do de vigilância para categorias de trabalhadores consideradas prio-
Trabalhador (Cerest). ritárias. Nessa linha merecem destaque os cursos de formação de
Na medida da implantação gradual da Renast, com a emissão Mulplicadores de Visat, com apoio do Ministério da Saúde e da
de três Portarias de 2002 a 2009 ocializando-a, foi inegável o avan- Fiocruz, os cursos de pós-graduação lato e stricto sensu, de cará-
ço da área, com a criação de uma idendade comum. O balanço dos ter mulprossional, e iniciavas disntas e efevas de formação
primeiros 20 anos da ST no SUS já denotavam o que se nha e o que connuada. Possibilitam uma formação críca às visões tecnicistas
se poderia esperar. e reducionistas ainda prevalentes na área. Também o surgimento
O desao que se impôs, e que efevamente não foi ainda su- de algumas propostas instucionais que esmulam a construção e
perado, era o padrão identário calcado na rubrica orçamentária amadurecimento de equipes de pesquisadores de formações diver-
comum aos Cerest de todo o Brasil, independentemente de suas sas tem demonstrado a potencialidade dessa nova perspecva de
localizações e das demandas impostas pelo perl sócio-econômi- invesgação/ação.
co-produvo. Prevaleceu o viés orçamentário de caráter mais prag- A homologação da Políca Nacional de Saúde do Trabalhador
máco, cujo percurso ao longo dos 15 anos, desde sua implantação, e da Trabalhadora, em 2012, constuiu um passo importante para
acabou por facilitar o surgimento de soluções de connuidade que, orientar as ações e a produção cienca na área. Enquanto princi-
hoje, desaam os prossionais dos Cerest a ulizarem os recursos pal referência normava de princípios e diretrizes da área de ST, a
rubricados de ST. Políca efevamente pode contribuir, entre muitos outros aspec-
Com a Renast, a área avançou especialmente no aspecto forma- tos, para superar o distanciamento entre a produção de conheci-
vo de quadros. A renovação permanente de prossionais, embora mentos de setores da academia e as necessidades de fundamenta-
ocasione perdas de técnicos bem formados, mantém um prepon- ção na práca dos serviços. Um desao é a aferição do processo de
derante ingresso de novos prossionais, o que demonstra a vitali- formação que se baseie em resultados objevos, cujo desfecho do
dade da área. Caracterizam-se pela procura constante de cursos de percurso formavo seja a invesgação/ação concrezada no mun-
pós-graduação e também pelos cursos básicos de formação para a do real e ombreada com os trabalhadores.
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