COMPETÊNCIA
Competência é tida como o limite da
jurisdição, funcionando como forma de
delimitação e racionalização do poder
jurisdicional, visando sempre garantir o
acesso à justiça e a preservação da
estrutura constitucional do poder
judiciário.
Competência entre os órgãos do poder
jurisdicional brasileiro recebe a
denominação de competência interna.03
diretrizes fundamentais da distribuição
a) a garantia do respeito ao princípio
do juiz natural;
b) a regra da perpetuatio jurisdicionis;
c) da regra da kompetenz-kompetenz.
O artigo 42 do Novo CPC reconhece
explicitamente o direito das partes de
instituir juízo arbitral, o que se
alinha com o teor do artigo 3º.
A perpetuatio jurisdicionis, é bom que
se diga esta prevista no bojo do art. 43
do Novo CPC, razão pela qual será este
dispositivo objeto de comentários.
A regra da kompetenz-kompetenz implica
no direito que todo magistrado possui de
ao menos deliberar sobre sua própria
competência, ou seja, todo juiz tem ao
menos a competência para se dizer
incompetente par ao julgamento da causa.
Mas a decisão sobre a própria
competência do magistrado não produz
eficácia perante outros magistrados,
dado que estes também possuem essa
competência mínima de se dizerem
incompetentes, Eventual divergência dará
ensejo a um conflito de competência, nos
moldes do previsto no art. 66, do NCPC.
Fórum permanente de
processualistas civis
O pedido de cooperação jurisdicional
poderá ser realizado também entre o
árbitro e o Poder Judiciário.
A competência do juízo estatal deverá ser
analisada previamente à alegação de
convenção de arbitragem.
A alegação de convenção de arbitragem
deverá ser examinada à luz do princípio
da competência-competência.
A superveniente instauração de
procedimento arbitral, se ainda não
decidida a alegação de convenção de
arbitragem, também implicará a suspensão
do processo, à espera da decisão do juízo
arbitral sobre a sua própria competência.
As novas regras de competência relativa
previstas no CPC de 2015 não afetam os
processos cujas petições iniciais foram
protocoladas na vigência do CPC-73.
Art. 51. É competente o foro de domicílio do
réu para as causas em que seja autora a
União.
Parágrafo único. Se a União for a demandada,
a ação poderá ser proposta no foro de
domicílio do autor, no de ocorrência do ato
ou fato que originou a demanda, no de
situação da coisa ou no Distrito Federal.
Art. 51, do NCPC, novidade no bojo do texto do
código, não previsto no CPC-1973, mas repete
norma constitucional de conteúdo idêntico, art.
109, §§1º e 2º, da CRFB/88.
Art.
Art. 52. É competente o foro de domicílio do
réu para as causas em que seja autor Estado ou
o Distrito Federal.
Federal.
Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito
Federal for o demandado, a ação poderá ser
proposta no foro de domicílio do autor, no de
ocorrência do ato ou fato que originou a
demanda, no de situação da coisa
O art. 52, do NCPC, se apresenta como
verdadeira novidade. Trata da extensão da
regra já existente para a União também para
os Estados e o Distrito Federal, de modo
que, quando demandado o Estado ou DF, a
ação poderá ser proposta o foro de
domicílio do autor; no da ocorrência do ato
ou fato que originou a demanda; no foro de
situação da coisa ou na capital do
respectivo ente federado.
Art. 53. É competente o foro:
I - para a ação de divórcio, separação,
anulação de casamento e reconhecimento ou
dissolução de união estável:
a) de domicílio do guardião de filho
incapaz;
b) do último domicílio do casal, caso não
haja filho incapaz;
c) de domicílio do réu, se nenhuma das
partes residir no antigo domicílio do
casal;
casal;
II - de domicílio ou residência do
alimentando, para a ação em que se pedem
alimentos;
alimentos;
III - do lugar:
lugar:
a) onde está a sede, para a ação em que for
ré pessoa jurídica;
jurídica;
b) onde se acha agência ou sucursal, quanto
às obrigações que a pessoa jurídica
contraiu;
contraiu;
c) onde exerce suas atividades, para a ação
em que for ré sociedade ou associação
sem personalidade jurídica;
d) onde a obrigação deve ser satisfeita,
para a ação
em que se lhe exigir o cumprimento;
cumprimento;
e) de residência do idoso, para a causa que
verse
sobre direito previsto no respectivo
estatuto;
estatuto;
f) da sede da serventia notarial ou de
registro, para a
ação de reparação de dano por ato
praticado em
razão do ofício;
ofício;
IV - do lugar do ato ou fato para a ação:
ação:
a) de reparação de dano;
dano;
b) em que for réu administrador ou gestor
de negócios alheios;
alheios;
V - de domicílio do autor ou do local do
fato, para a ação de reparação de dano
sofrido em razão de delito ou acidente de
veículos, inclusive aeronaves.
- O art. 53 do NCPC traz uma série de
regras de foros especiais, indicando o
local onde deve ser proposta a demanda
quando intentada nas situações narradas
acima.
- A principal novidade do dispositivo fica
por conta do inciso I do dispositivo que
assim afirma ser competente para a ação de
divórcio, separação, anulação de casamento
e reconhecimento ou dissolução de união
estável:
a) de domicílio do guardião de filho
incapaz;
b) do último domicílio do casal, caso não
haja filho incapaz;
c) de domicílio do réu, se nenhuma das
partes residir no antigo domicílio do
casal.
- acaba-se com a regra de competência
estabelecida no CPC-1973 que afirmava que
competia ao foro do domicílio da mulher o
processamento das demandas acima
enumeradas, objeto de grande controvérsia
na doutrina em função isonomia/ igualdade.
Outras novidades: - inciso III, “e” e “f”,
os quais não encontram correspondente no
CPC-1973, bem como a extensão expressa do
foro concorrente do domicílio do autor ou
do local do fato para os casos de reparação
de dano sofridos em razão de acidente de
veículos, também para acidentes envolvendo
aeronaves.
Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou
mais ações quando lhes for comum o pedido
ou a causa de pedir.
§ 3º Serão reunidos para julgamento
conjunto os processos que possam gerar
risco de prolação de decisões conflitantes
ou contraditórias caso decididos
separadamente, mesmo sem conexão entre
eles.
eles.
O NCPC traz como novidade a possibilidade
de reunião para julgamento conjunto dos
processos que possam gerar risco de
prolação de decisões conflitantes ou
contraditórias caso decididos
separadamente, mesmo se não presente a
conexão assim como prevista no “caput” do
Art. 58. A reunião das ações propostas em
separado far-
far-se-
se-á no juízo prevento, onde
serão decididas simultaneamente.
simultaneamente.
Art. 59. O registro ou a distribuição da
petição inicial torna prevento o juízo.
juízo.
NCPC elege como momento para sua
determinação o registro ou a distribuição
da petição inicial (art. 59), diferente do
CPC-73, no qual se previa que era prevento
o juízo que despachou em primeiro lugar,
art. 106/73.
Art. 63. As partes podem modificar a
competência em razão do valor e do
território, elegendo foro onde será
proposta ação oriunda de direitos e
obrigações.
obrigações.
§ 1º A eleição de foro só produz efeito
quando constar de instrumento escrito e
aludir expressamente a determinado negócio
jurídico.
jurídico.
§ 2º O foro contratual obriga os herdeiros
e sucessores das partes.
partes.
§ 3º Antes da citação, a cláusula de
eleição de foro, se abusiva, pode ser
reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que
determinará a remessa dos autos ao juízo do
foro de domicílio do réu.
réu.
§ 4º Citado, incumbe ao réu alegar a
abusividade da cláusula de eleição de foro
na contestação, sob pena de preclusão.
Cláusula de eleição de foro: negócio
jurídico processual típico, onde as partes
podem convencionar a modificação de
competência, desde que não seja absoluta
Negócio processual típico possui forma pela
qual deve se revestir o negócio, sob pena
de não produzir efeitos ante sua
invalidade.
Deve o negócio ser celebrado por
instrumento escrito (público ou
particular), devendo aludir
expressamente a determinado negócio
Enunciados Enfam
Não é válida convenção pré-processual oral
(art. 4º, § 1º, da Lei n. 9.307/1996 e 63,
§ 1º, do CPC/2015).
Da Incompetência
Art. 64. A incompetência, absoluta ou
relativa, será alegada como questão
preliminar de contestação.
§ 1º A incompetência absoluta pode ser
alegada em qualquer tempo e grau de
jurisdição e deve ser declarada de ofício.
ofício.
§ 2º Após manifestação da parte contrária,
o juiz decidirá imediatamente a alegação de
incompetência.
incompetência.
§ 3º Caso a alegação de incompetência seja
acolhida, os autos serão remetidos ao juízo
competente.
competente.
§ 4º Salvo decisão judicial em sentido
contrário, conservar-
conservar-se-
se-ão os efeitos de
decisão proferida pelo juízo incompetente
até que outra seja proferida, se for o
caso, pelo juízo competente.
competente.
O NCPC tanto a incompetência absoluta como
a relativa devem ser objeto de preliminar
de contestação, extinguindo, a exceção de
incompetência relativa prevista no CPC-73.
O NCPC consagrou o sistema da translatio
iudicii (art. 64, §4º), pelo qual os atos
proferidos por juiz incompente são
conservados até que outra decisão seja
proferida pelo juiz competente, inclusive
nos casos de incompetência absoluta.
Profº Alexandre Ávalo