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Ensino Médio - FILOSOFIA – 3º ano

Aluno (a):

Ética ou Filosofia Moral

ÉTICA E MORAL
Ética é o nome geralmente dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra "ética" é derivada do
grego “hábito”, e significa aquilo que pertence à noção caráter.
Diferencia-se da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou
mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo
de viver pelo pensamento humano.
Na filosofia clássica, a ética não se resumia à moral (entendida como "costume", ou "hábito", do latim mos, mores),
mas buscava a fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver e conviver, isto é, a busca do melhor
estilo de vida, tanto na vida privada quanto em público. A ética incluía a maioria dos campos de conhecimento que
não eram abrangidos na física, metafísica, estética, na lógica, na dialética e nem na retórica. Assim, a ética abrangia
os campos que atualmente são denominados antropologia, psicologia, sociologia, economia, pedagogia, às vezes
política, e até mesmo educação física e dietética, em suma, campos direta ou indiretamente ligados ao que influi na
maneira de viver ou estilo de vida. Um exemplo desta visão clássica da ética pode ser encontrado na obra Ética, de
Espinoza.
Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda, ÉTICA é "o estudo dos juízos de apreciação que se referem à
conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada
sociedade, seja de modo absoluto".
Alguns diferenciam a ética e moral de vários modos:
1. Ética é princípio, moral são aspectos de condutas específicas
2. Ética é permanente, moral é temporal;
3. Ética é universal, moral é cultural;
4. Ética é regra, moral é conduta da regra;
5. Ética é teoria, moral é prática.
Etimologicamente falando, ética vem do grego "ethos", e tem seu correlato no latim "morale", com o mesmo
significado: Conduta, ou relativo aos costumes. Podemos concluir que etimologicamente ética e moral são palavras
sinônimas.
Vários pensadores em diferentes épocas abordaram especificamente assuntos sobre a ÉTICA: Os pré-socráticos,
Aristóteles, os Estóicos, os pensadores Cristãos (Patrísticos, escolásticos e nominalistas),
Kant, Espinoza, Nietzsche, Paul Tillich etc.
Passo a considerar a questão da ética a partir de uma visão pessoal através do seguinte quadro
comparativo: Ética Normativa Ética Teleológica Ética Situacional
ÉTICA - O termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). Ética é um conjunto de valores
morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom
funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Neste sentido, a ética, embora não possa ser
confundida com as leis, está relacionada com o sentimento de justiça social.
A ética é construída por uma sociedade com base nos valores históricos e culturais. Do ponto de vista da Filosofia, a
Ética é uma ciência que estuda os valores e princípios morais de uma sociedade e seus grupos.
Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios códigos de ética. Num país, por exemplo, sacrificar animais
para pesquisa científica pode ser ético. Em outro país, esta atitude pode desrespeitar os princípios éticos
estabelecidos. Aproveitando o exemplo, a ética na área de pesquisas biológicas é denominada bioética.
Além dos princípios gerais que norteiam o bom funcionamento social, existe também a ética de determinados grupos
ou locais específicos. Neste sentido, podemos citar: ética médica, ética de trabalho, ética empresarial, ética
educacional, ética nos esportes, ética jornalística, ética na política, etc. Uma pessoa que não segue a ética da
sociedade a qual pertence é chamado de antiético, assim como o ato praticado.
O QUE É SER ÉTICO?
Ser Ético nada mais é do que agir direito, proceder bem, sem prejudicar os outros. É ser altruísta, é estar tranquilo
com a consciência pessoal. "É cumprir com os valores da sociedade em que vive, ou seja, onde mora, trabalha,
estuda etc." Ética é tudo que envolve integridade, é ser honesto em qualquer situação, é ter coragem para assumir
seus erros e decisões, ser tolerante e flexível, é ser humilde.
Todo ser ético reflete sobre suas ações, pensa se fez o bem ou o mal para o seu próximo.
Ser ético é ter a consciência "limpa".
Perguntas de Com

1. Qual é a origem etimológica da palavra "ética"?


2. Como a ética se diferencia da moral de acordo com o texto?
3. Quais campos de conhecimento a ética abrangia na filosofia clássica?
4. Como o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda define ética?
5. Quais são algumas das diferenças entre ética e moral mencionadas no texto?
6. O que é uma bioética? Dê um exemplo de uma situação onde a bioética é aplicada.
7. De acordo com o texto, quais são alguns tipos de ética específicos?
8. O que significa ser uma pessoa ética, segundo o texto?

Perguntas de Reflexão e D

1. Você concorda que ética e moral são sinônimos etimologicamente? Justifique sua resposta.
2. Na sua opinião, é possível que algo considerado ético em uma sociedade seja considerado
antiético em outra? Dê exemplos.
3. Como você aplicaria os conceitos de ética apresentados no texto em um ambiente de trabalho?
4. Você acha que é possível para uma pessoa ser completamente ética em todos os aspectos da
vida? Porque?
5. De que maneira a ética pode influenciar as decisões políticas?

Após a leitura do texto responda as seguintes questões:

1. Qual é a origem etimológica da palavra "ética"?

2.Como a ética se diferencia da moral de acordo com o texto?

3.Quais campos de conhecimento a ética abrangia na filosofia clássica?

4.Quais são algumas das diferenças entre ética e moral mencionadas no texto?

5.O que significa ser uma pessoa ética, segundo o texto?


Toda cultura e cada sociedade institui uma moral, isto é, valores concernentes ao bem e ao mal, ao permitido e
ao proibido e à conduta correta e à incorreta, válidos para todos os seus membros. Culturas e sociedades fortemente
hierarquizadas e com diferenças de castas ou de classes muito profundas podem até mesmo possuir várias morais,
cada uma delas referida aos valores de uma casta ou de uma classe social.
No entanto, a simples existência da moral não significa a presença explícita de uma ética, entendida como
filosofia moral, isto é, uma reflexão que discuta, problematize e interprete o significado dos valores morais. Ao
contrário, toda sociedade tende a naturalizar a moral, de maneira a assegurar sua perpetuação através dos tempos.
De fato, os costumes são anteriores ao nosso nascimento e formam o tecido da sociedade em que vivemos, de modo
que acabam sendo considerados inquestionáveis e as sociedades tendem a naturalizá-los (isto é, a tomá-los como
fatos naturais existentes por si mesmos). Não só isso. Para assegurar seu aspecto obrigatório que não pode ser
transgredido, muitas sociedades tendem a sacralizá-los, ou seja, as religiões os concebem ordenados pelos deuses,
na origem dos tempos. Como as próprias palavras indicam, ética e moral referem-se ao conjunto de costumes
tradicionais de uma sociedade e que, como tais, são considerados valores e obrigações para a conduta de seus
membros.
A filosofia moral ou a disciplina denominada a ética nasce quando se passa a indagar o que são, de onde vêm
e o que valem os costumes. Na língua grega existem duas vogais para pronunciar e grafar nossa vogal e: uma vogal
breve, chamada epsflon, e uma vogal longa, chamada eta. Éthos, escrita com a vogal longa, significa costume;
porém, se escrita com a vogal breve, éthos, significa caráter, índole natural, temperamento, conjunto das disposições
físicas e psíquicas de uma pessoa. Nesse segundo sentido, éthos se refere às características pessoais de cada um,
as quais determinam que virtudes e que vícios cada indivíduo é capaz de praticar.
A filosofia moral ou a ética nasce quando, além das questões sobre os costumes, também se busca
compreender o caráter de cada pessoa, isto é, o senso moral e a consciência moral individuais.
Podemos dizer, com base nos textos de Platão e de Aristóteles, que, no Ocidente, a ética ou filosofia moral
inicia-se com Sócrates. Sócrates, o incansável perguntador. Percorrendo praças e ruas de Atenas — contam Platão e
Aristóteles —, Sócrates perguntava aos atenienses, fossem jovens ou velhos, o que eram os valores nos quais
acreditavam e que respeitavam ao agir.
Que perguntas lhes fazia ele? Indagava: “O que é a coragem?”, “O que é a justiça?”, “O que é a piedade?”, “O
que é a amizade?” A elas os atenienses respondiam dizendo serem virtudes. Sócrates voltava a indagar: “O que é a
virtude?”. Retrucavam os atenienses: “É agir em conformidade com o bem”. E Sócrates questionava: “Que é o bem?”.
As perguntas socráticas terminavam sempre por revelar que os atenienses respondiam sem pensar no que diziam.
Repetiam o que lhes fora ensinado desde a infância. Como cada um havia interpretado à sua maneira o que
aprendera, era comum, quando um grupo conversava com o filósofo, uma pergunta receber respostas diferentes e
contraditórias. Após um certo tempo de conversa com Sócrates, um ateniense via-se diante de duas alternativas: ou
zangar-se com a impertinência do filósofo perguntador e ir embora irritado, ou reconhecer que não sabia o que
imaginava saber, dispondo-se a começar, na companhia de Sócrates, a busca filosófica da virtude e do bem. Por que
os atenienses sentiam-se embaraçados (e mesmo irritados) com as perguntas socráticas? Por dois motivos
principais: em primeiro lugar, por perceberem que confundiam valores morais com os fatos constatáveis em sua vida
cotidiana (diziam, por exemplo, “Coragem é o que fez fulano na guerra contra os persas”); em segundo lugar, porque,
inversamente, tomavam os fatos da vida cotidiana como se fossem valores morais evidentes (diziam, por exemplo, “É
certo fazer tal ação, porque meus antepassados a fizeram e meus parentes a fazem”). Em resumo, confundiam fatos
e valores, pois ignoravam as causas ou razões por que valorizavam certas coisas, certas pessoas ou certas ações, e
desprezavam outras. Por isso mesmo se embaraçavam ou se irritavam quando Sócrates lhes mostrava que estavam
confusos, dizendo-lhes que haviam dito que a conduta de fulano era corajosa, mas não haviam explicado o que é a
coragem, ou que a conduta de beltrano era justa, mas não haviam explicado o que é a justiça. Tais confusões,
porém, não eram (e não são) inexplicáveis. Nossos sentimentos, nossas condutas, nossas ações e nossos
comportamentos são modelados pelas condições em que vivemos (família, classe e grupo sociais, escola, religião,
trabalho, circunstâncias políticas, etc.). Somos formados pelos costumes de nossa sociedade, que nos educa para
respeitarmos e reproduzirmos os valores propostos por ela como bons e, portanto, como obrigações e deveres.
Dessa maneira, valores e deveres parecem existir por si e em si mesmos, parecem ser naturais e intemporais, fatos
ou dados com os quais nos relacionamos desde nosso nascimento: somos recompensados quando os seguimos,
punidos quando os transgredimos. Sócrates embaraçava os atenienses porque os forçava a indagar qual a origem e
a essência (ou a significação verdadeira e necessária) das virtudes (valores e obrigações) que julgavam praticar ao
seguir os costumes de Atenas. Como e por que sabiam que uma conduta era boa ou má, virtuosa ou viciosa? Por
que, por exemplo, a coragem era considerada virtude e a covardia, vício? Por que valorizavam positivamente a
justiça e desvalorizavam a injustiça, combatendo-a? Numa palavra: o que eram e o que valiam realmente os
costumes que lhes haviam sido ensinados? Dirigindo-se aos atenienses, Sócrates lhes perguntava qual o sentido dos
costumes estabelecidos (os valores éticos ou morais da coletividade, transmitidos de geração a geração) mas
também indagava quais as disposições de caráter (características pessoais, sentimentos, atitudes, condutas
individuais) que levavam alguém a respeitar ou a transgredir os valores da cidade, e por quê. Ao indagar o que são a
virtude e o bem, Sócrates realiza, na verdade, duas interrogações. Por um lado, interroga a sociedade para saber se
o que ela está habituada a considerar virtuoso e bom corresponde efetivamente à virtude e ao bem; e, por outro,
interroga os indivíduos para saber se, ao agir, possuem efetivamente consciência do significado e da finalidade de
suas ações, se seu caráter ou sua índole são virtuosos e bons realmente. A indagação ética socrática dirige-se,
portanto, à sociedade e ao indivíduo. As questões socráticas inauguram a ética ou filosofia moral porque definem o
campo no qual valores e obrigações morais podem ser estabelecidos pela determinação de seu ponto de partida: a
consciência do agente moral. É sujeito ético ou moral somente aquele que sabe o que faz, conhece as causas e os
fins de sua ação, o significado de suas intenções e de suas atitudes e a essência dos valores morais. Sócrates afirma
que apenas o ignorante é vicioso ou incapaz de virtude, pois quem sabe o que é bem não poderá deixar de agir
virtuosamente.

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