CÁTARO
INTRODUÇÃO
Na Idade das Trevas , quando o espírito repressor de quem detinha o poder
podia atingir limites inimagináveis, uma terrível Cruzada irrompeu no sul da
Europa. As vítimas foram membros de um pequeno grupo religioso, conhecido
posteriormente como “Catarismo”. Tal movimento, cuja origem e evolução
ainda não foram satisfatoriamente explicadas, deixou como legado um grande
exemplo de luta e coragem, raramente visto em outros momentos.
Vamos realizar, ao longo deste trabalho, uma breve viagem no tempo.
Voltaremos até o final do século XI e início do XII, em uma área situada ao sul
da atual França. Esta região, de grande beleza natural, era povoada por uma
comunidade feliz, tranqüila e extremamente avançada para a época, em
termos de bem estar e harmonia social. Havia riqueza abundante e fartura
material, raras na Europa medieval. Em termos políticos era um oásis de
liberdade, pois se tratava de um território praticamente independente de
qualquer poder central. Alguns autores acreditam que ali os Templários iriam
fundar seu Estado, se não tivessem sofrido os reveses do início do século XIV.
Tudo caminhava em paz, até que a extrema arrogância de poucos acabaram
com este paraíso na Terra. Disfarçados de defensores de Deus, os algozes na
verdade queriam a incorporação política da região ao reino da França. Ao
lançarmos luzes sobre os meandros que envolveram este triste capítulo, uma
certeza inquestionável nos é apresentada: os fundamentos doutrinários de
nossa Ordem foram fortemente influenciados por toda esta complexa situação
e posteriores desdobramentos advindos desta experiência histórica. Portanto,
ao estudarmos este assunto, estaremos entendendo um pouco mais o próprio
fenômeno maçônico.
ANTECEDENTES HISTÓRICOS
A Igreja de São Pedro surgiu por volta do século I na região da Palestina,
como uma derivação do Judaísmo. Rapidamente se espalhou por todo Oriente
Médio e demais áreas do Império Romano, como Ásia e norte da África. Em
cada região a mensagem de Jesus era ligeiramente adaptada às crenças e
tradições locais.
Nas diversas comunidades em que a nova religião começava a aflorar, a
hierarquia e administração eram relativamente independentes umas das
outras, mas sempre era possível observar a influência de Roma sobre todas.
Após a legalização do Cristianismo realizada por Flavius Marcellus Constantino
I, por volta do ano 320 d.C., a pressão sobre os grupos chamados não-cristãos
passou a ser exercida de forma severa, com perseguições, destruição de sítios
sagrados e demolição moral dos símbolos das seitas concorrentes.
No início, a doutrina cristã era parte fundamental da luta das minorias contra o
poder estabelecido, almejando a quebra do “status quo”. Este perfil se alterou
em um período relativamente breve de tempo. De seita proscrita, com grande
sucesso entre as classes populares - pois defendia a igualdade de todos
perante Deus, incluindo mulheres e escravos – passou a englobar as castas
mais nobres. O grande incentivo seria a asseguração da salvação eterna
através da simples declaração de aceitação dos dogmas apregoados. Com a
entrada das elites na nova ordem, e com o enriquecimento da cúpula, o
movimento se transformou: de instrumento de combate à hegemonia dos mais
fortes, tornou-se ele próprio um agente de dominação. Esta guinada na forma
de atuar criava o ambiente ideal para que descontentamentos surgissem em
certas comunidades mais esclarecidas. A semente da inquietação já estaria em
franca germinação.
OS CÁTAROS
Em meados do século XI, ao sul da atual França, na região antigamente
conhecida como “Ocitânia” e que hoje é denominada “Languedoc” – ambos os
termos significando “terra da língua do sim” - surgiu um movimento
fundamentalista cristão, pacífico, que via no exemplo de vida de Jesus, simples
e sem luxo algum, a base de sua doutrina. Acima de tudo, a palavra de ordem
era humildade - desprezando a soberba, a arrogância e os valores mundanos.
Os integrantes deste movimento foram chamados, pelos historiadores
eclesiásticos, de “Cátaros” - derivação de “katharoi”, puro em grego.
Considerado uma heresia pela cúria romana, tal movimento agregava
integrantes de todas as classes sociais, sem distinção entre os sexos. Uma vez
que o termo “heresia” deriva do latim “haerenses”, que por sua vez veio do
grego “hayreses”, que significa “capacidade de escolher”. “Herege” tornou-se
sinônimo de Cátaro.
Pregando o retorno ao Cristianismo primitivo, desprezavam a intermediação de
qualquer instituição terrena nas questões de fé, defendendo a ligação direta
dos servos com o Divino. Argumentavam que não se apregoa, em nenhum
momento nos evangelhos, a existência da Igreja ou de qualquer autoridade
regulatória da espiritualidade das pessoas. A salvação viria em seguir o
exemplo de Jesus, com uma vida serena, livre de qualquer vaidade relativa ao
mundo material. De nada adiantaria a existência de uma igreja como forma de
canalização da vontade de Deus em relação às questões seculares – esta
talvez fosse a maior das heresias: afirmar que não haveria justificativa para a
existência da estrutura eclesiástica. A busca do divino através de experiências
místicas diretas era uma das suas principais características. Desejavam uma
comunhão direta com o Criador, transcendendo o campo pessoal. Para isso
teriam que atingir a sabedoria superior – a chamada “Gnose”.
Como principal texto doutrinário utilizavam o Evangelho de São João e o
chamado “Evangelho do Amor”, texto não reconhecido pela Igreja. Realizavam
obras sociais concretas, ajudando os necessitados de diversas maneiras, pois
acreditavam que a fé só seria uma experiência válida se exercida na prática.
Investiam, por exemplo, em campanhas de promoção à saúde e educação,
sempre gratuitas. Neste ponto percebemos que a preocupação com a
filantropia, tão em voga atualmente, já existia nesta época. Seria uma forma
de busca da perfeição com ser humano, ou de aproximação com o divino.
Por não exercerem nenhuma forma de hierarquia, respeitando os credos
diversos e pela união sincera entre todos, podemos afirmar que exerciam
fielmente os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade. Em relação à
Arquitetura, deixaram um grande legado. Construíram castelos maravilhosos e
abadias grandiosas em regiões de difícil acesso, nos cumes de montanha e
perto de precipícios. Além de proteger contra ataques, possibilitava aos fiéis
observarem vistas maravilhosas das paisagens, a partir de suas sacadas. Hoje,
tais obras são famosos pontos de turismo e visitação.
Revestido pelo caráter humanístico, aceitando todos indistintamente e pelo
exercício pleno da filantropia, tal movimento crescia vertiginosamente e
começava a incomodar as autoridades eclesiásticas.
A CRUZADA ALBIGENSE
Pelo conjunto de idéias em franca disseminação e pelas ações junto às
comunidades, os chamados heréticos se tornaram alvo da atenção do Papado
e da coroa da França. Em 1.165 houve a primeira condenação formal,
realizada na cidade de Albi, localizada no Languedoc. Deste fato deriva o
termo “Albigense”, utilizado para denominar a Cruzada e também o próprio
movimento.
O Papa Inocêncio III convocou os fiéis para uma ação religioso-militar,
conhecida como Cruzada Albigense. Sob a liderança de Simon de Montfort, no
período de 1.209 a 1.224, e depois comandada pelo rei Luis VIII, de 1.226 a
1.229, foi a primeira a combater apenas no continente europeu. Outra
particularidade era que o alvo se constituía não por mouros invasores da Terra
Santa, mas por uma pacífica comunidade cristã. O absurdo da situação
espelhava o caos que imperava nas colunas paulinas, e o total desprezo à
dignidade humana.
No primeiro ano, um contingente de trinta mil cruzados se lançou rumo ao
Languedoc, não apenas combatendo os Cátaros, mas todos aqueles que se
encontravam pela região. Quem surgisse pela frente, sofreria as ações
violentas mesmo sendo católico fiel. Os “cavaleiros” foram alistados dentre os
piores tipos disponíveis, como condenados, desordeiros e mercenários. A
violência contra a população foi extremamente severa e os registros da época
nos mostram um horror e uma carnificina sem igual na História Ocidental. A
turba feroz e enlouquecida, fortemente armada, arrasava tudo que se mexesse
perante os sabres. A Ordem do Dia era ataque primeiro, e pergunte – ou ore –
depois.
Apenas na cidade de Bèziers, em 1.209, mais de sessenta mil sucumbiram
queimados ou esquartejados. Existe a lenda de que, às portas da cidade, os
cruzados relutaram por um momento antes do confronto, ao perceberem que
haviam muitos católicos e pessoas comuns pela cidade . Mas foram
incentivados ao massacre pelo prelado do Vaticano, ali presente, o arcebispo
de Narbonne. Arnaud Amaury tranqüilizou os atacantes afirmando que
matassem todos, “pois Deus iria cuidar dos seus, posteriormente”.
Arrasada a cidade de Bèziers, os cruzados marcharam triunfalmente para
Carcassone, onde Simon de Montfort se apossou dos condados de Trencavel,
Alzonne, Franjeaux, Castres, Mirepox, Pamiera e Albi. Em todos a matança foi
massiva e cruel. A área ao redor das cidades de Carcassone e Toulouse foram
completamente arrasadas. Muitos eram queimados vivos, em fogueiras
coletivas com até quinhentos indivíduos. Mulheres, idosos, crianças e
deficientes não eram poupados. O ânimo dos guerreiros era estrondoso, pois
sabiam que se combatessem fervorosamente por quarenta dias teriam seus
pecados perdoados e direitos legítimos às riquezas originados dos saques.
Há de se registrar a postura solene e tranqüila da maioria das vítimas ao se
encaminharem para o sacrifício , sem lamúrias nem choros, com sua fé
inabalável servindo como sustentáculo espiritual neste momento de horror.
Mesmo quando a única certeza era de queimar lentamente em uma fogueira
humana.
Por volta de 1.224 o rei Luis VIII, liderando os barões do norte, empreendeu
uma nova cruzada, após a morte de Montfort em 1.218. Esta empreita durou
cerca de três anos e chegou até Avignon, onde terminou o cerco aos hereges.
Em 1.229 foi realizado um acordo, conhecido como tratado de Meaux, entre o
rei da França e os senhores feudais das áreas conquistadas, passando o
domínio completo para a coroa. Terminava oficialmente a guerra. A anexação
plena da região havia sido obtida.
No curto espaço de tempo que durou o massacre, centenas de milhares
tombaram. Os números são variados, e não muito confiáveis, pois a única
fonte de registro oficial pertence aos arquivos dos vencedores. Alguns autores
mencionam quase um milhão de vítimas, trucidados diretamente em combate,
ou nas fogueiras acesas após as conquistas das cidades. Os poucos
aprisionados terminavam agonizando em masmorras subterrâneas, caquéticos
pela fome ou consumidos por doenças. A morte, nestes casos, era lenta e
terrivelmente cruel.
O LEGADO HISTÓRICO
Após arrefecer a fúria cruzada, os sobreviventes passaram a pregar como
faziam os primeiros cristãos: em catacumbas, cavernas e nas florestas. Isto
porque a cruzada albigense, apesar de sua brutalidade atroz, não fôra
suficiente para exterminar todos os indivíduos nem tampouco os seus ideais.
O fortalecimento da Igreja e sua hegemonia como “representante único de
Deus na Terra”, estavam garantidos, mas ainda haviam reminiscências que
deveriam ser resolvidas. A perseguição deveria persistir, mas de forma pontual
e constante. Alguns hereges haviam escapado, e juntamente com outros que
maquinavam contra a Fé Sagrada necessitavam ser “corrigidos”. Não mais
seria possível nem interessante empreitar uma nova cruzada. Estava indicado
o uso de métodos mais “inteligentes” , sem grande estardalhaço, mas com a
mesma crueldade dos anteriores, marcando com sangue a vontade soberana
do poder.
Em 1.231, já refletindo este novo modus operandi, o Papa Gregório IX lança a
bula “Excomunicamus”. Tal documento estabelecia a nova forma de ação,
buscando as confissões dos hereges em julgamentos eclesiásticos.
Encarregados de tais missões, surgiam as “cortes” chamadas genericamente
de Tribunal do Santo Ofício. Os que pensavam de forma contrária ao “bom
senso” reinante, estariam sujeitos à perda de propriedades, da liberdade e da
própria vida - sua e daqueles que os protegessem. A nova diretriz aproveitava
para proibir a manutenção de bíblias nas casas de pessoas comuns.
Em 20 de abril de 1.233, o mesmo Gregório IX lançou duas bulas que
efetivaram as ações do Tribunal do Santo Ofício. Destaca-se a bula “Licet et
Capiendos”, dirigida aos Dominicanos. Determinava que estes seriam os
responsáveis pelas ações contra os suspeitos. Ordenava que não poupassem
métodos para obter as confissões. Exigia apoio do poder secular, privando os
pecadores dos benefícios espirituais com severas censuras eclesiásticas.
No ano de 1.252, o Papa Inocêncio IV publicou o documento “Ad Extirpanda”,
autorizando o uso de tortura física para se obter as confissões. Além de trazer
uma série de orientações aos inquisidores, continha uma frase que resumia
bem os ânimos da época: “os hereges devem ser esmagados como serpentes
venenosas”. O conjunto de ações direcionadas a inquirir, ou questionar o
comportamento dos desgarrados, ficou conhecido como “Santa Inquisição”,
nome que se tornou sinônimo de tortura, horror e irracionalidade.
O mundo ocidental atravessava uma fase de trevas. Para nós, em pleno século
XXI, é quase impossível imaginar o grau de terror a que a população em geral
estava sujeita. Qualquer denúncia podia gerar os mais dilacerantes
sofrimentos. Milhares foram torturados. A criatividade humana projetava os
mais engenhosos instrumentos, construídos exclusivamente para causar dor. A
confissão era essencial para que os bens do infiel escoassem diretamente para
os cofres do Clero. O medo se espalhava nas pequenas comunidades. À
chegada das comitivas da Inquisição, seguiam-se as cenas de brutalidade, que
culminavam com fogueiras humanas em locais públicos. Os “julgamentos”
eram aberrações jurídicas. Enquadrado por heresia, bruxaria, ou qualquer
outro comportamento não muito cristão, o infeliz não tinha qualquer chance de
escapar.
Estas manifestações tenebrosas de autoritarismo teriam efeitos nas almas
daqueles que não aceitavam este desrespeito fragrante aos direitos humanos.
Do campo teórico, estes bravos partiram para a prática. Reunidos em
associações secretas, começavam o trabalho de resgate dos mais nobres
valores, como integridade física, liberdade e igualdade. Nestas entidades seria
essencial a escolha criteriosa dos membros, para evitar que maus elementos
ou espiões se infiltrassem. Os segredos que porventura existissem, deveriam
ser garantidos mediante juramentos severos. A fraternidade tinha que ser
perfeita entre todos, como se fossem irmãos de sangue. O objetivo,
inicialmente, seria proteger os perseguidos pelos tiranos. Passada a fase de
mais sangrenta, as metas seriam ampliadas. A busca pela evolução geral da
Humanidade , até mesmo para evitar que catástrofes como estas se repitam,
passaria a ser a razão de existir destas sociedades esotéricas, cercadas de
símbolos e mistérios iniciáticos.
CONCLUSÃO
Para a maioria dos estudiosos, as origens da Maçonaria se dispersam nos
registros formais da historiografia. Não temos uma única e definitiva versão
deste processo. Os dados oficiais, em grande parte, se perderam ao longo do
tempo. Devido à perseguição visceral, os antigos Irmãos se viam obrigados a,
massiva e eficientemente, destruírem atas, livros e todos os documentos que
seriam tão valiosas aos estudiosos contemporâneos.
O que existe de real e inconteste é que no início éramos uma sociedade que
visava proteger homens perseguidos por qualquer forma de tirania. Os riscos a
que todos estavam sujeitos eram tão terríveis que juramentos e códigos
severos de conduta se tornavam essenciais.
Certamente, a aproximação entre os Cátaros e nossa Sublime Ordem se
estabelece de forma direta, em uma relação simples de causa e efeito. Sem a
existência de todos os eventos aqui estudados, talvez faltasse motivação para
que os Irmãos do passado se dedicassem tanto à criação e fortalecimento das
Colunas seminais da Loja. Os germes das escolas iniciáticas, formadas por
homens livres que necessitavam de proteção mútua, se lançavam ao custo de
muito trabalho, sangue e dedicação, neste alvorecer da Humanidade.
Podemos afirmar que, se o Catarismo não tivesse ocorrido - assim como sua
aniquilação sangrenta posterior - talvez a mais perfeita das associações
humanas nunca tivesse existido. Foi esta tese, perturbadora e fascinante , que
nos levou a pesquisar sobre o assunto.
Bibliografia:
“Dicionário Maçônico“ - Camino R., Madras Editora, São Paulo , 2006
“O Santo Graal e a Linhagem Sagrada” - Baigent , M ; Leigh R ; Lincoln H,
Nova Fronteira , 1997.
“Os Cátaros e a Heresia Cátara” - Miranda H C , Editora Lachâtre , 2002.
“A Evolução das Civilizações” - Quigley C , Editora Fundo de Cultura, Rio de
Janeiro , 1961
“Os Segredos Perdidos da Maçonaria” - Robinson JJ , Editora Madras, São
Paulo , 2005 ;
“Maçonaria: uma Jornada por Meio do Ritual e Simbolismo” - MacNulty W K ,
Editora Madras , São Paulo , 2006 ;
“Maçonaria – Escola de Mistérios” - Veneziani Costa, Wagner, Editora Madras,
São Paulo , 2006
“O Templo e a Loja” - Baigent, M ; Leigh, R, Editora Madras, São Paulo, 2005.
CARLOS ALBERTO CARVALHO PIRES
M.'.M.'., A:.R:.L:.S:. Acácia de Jaú 308, Jaú/SP, Brasil
[Link]
3-O-Herege
O Mistério de Languedoc
Centenas de livros já foram escritos sobre Rennes-le-Château, uma pequena
vila francesa de 112 habitantes na região do Languedoc, logo acima dos
Pireneus.
Diz a lenda que, durante uma reforma na igreja local, um padre chamado
Bérenger Saunière, pároco entre 1885 e 1917, teria encontrado importantes
pergaminhos. Depois de mostrar os documentos a seus superiores em Paris,
voltou transformado. Financeiramente transformado, para ser mais exata.
Saunière liderou uma reforma faraônica no templo do minúsculo povoado....
....Com direito à estátua de um demônio segurando uma bacia de água benta
e a inscrição: “Este lugar é terrível” (Terribilis est locus iste). Construiu um
pequeno castelo para si e a Torre de Magdala, em homenagem a Maria
Madalena. Muita gente acredita que seu enriquecimento instantâneo seria um
“convite ao silêncio” oferecido pelo Vaticano. Os pergaminhos nunca vieram a
público. Como resultado do aumento do número de visitantes, o povo de
Rennes-le-Château resolveu exumar o corpo de Saunière.
Para ver o mausoléu construído em sua homenagem, paga-se € 3. Por € 5,
você leva para casa uma garrafa do vinho tinto Cuvée de Rennes-le-Château,
com a foto de Saunière no rótulo.
De graça, leva muita história e mistério. Aconchegante à primeira vista, a
aldeia foi palco de um mistério que seduziu milhares de pessoas desde que
aconteceu, no final do século XIX, tanto que as conseqüências se fazem ver
logo na entrada da aldeia, por meio de uma placa que diz: “Lês Fouilles Sont
Interdites Sur Le Territoire de la Commune de Rennes-le-Chateau” (As
Escavações São Proibidas Dentro do Território da Comunidade de Rennes-le-
Chateau).
Mas o que poderia haver de tão interessante numa aldeia distante a ponto de
chamar tanto a atenção de pessoa que desejariam escavar seu solo?
A resposta está na supostamente estranha igreja da aldeia, consagrada a
Maria Madalena, e no padre que a reformou por volta de 1888. Tudo por causa
de alguns supostos pergaminhos encontrados num antigo pilar visigodo
durante a reforma da igreja. Mas vamos por partes. Primeiro é necessário
conhecer um pouco da história dele.
O polêmico padre nasceu em Montazels em 11 de abril de 1852.
Bérenger freqüentou a escola do vilarejo de Saint Louis de Limoux, a poucos
quilômetros de Rennes-le-Chateau, depois indo para o seminário em
Carcassone, onde recebeu sua ordenação em 1879.
Sempre freqüentador da região, o padre teve sua primeira missão como
vigário em outra cidade da vizinhança, chamada Alet-les-Bains. Três anos
depois foi promovido a padre responsável de outra localidade, Le Clat, que
seria sua última mudança.
O ano era de 1885. Sauniére foi indicado em primeiro de junho para Rennes-
le-Chateau, na época com uma população de apenas 298 pessoas. E a
polêmica já começa aí.
Seus sermões geravam duras críticas ao regime, o que provocou uma
advertência por parte de seu bispo, que logo o suspendeu temporariamente e
o proibiu de rezar missas durante pelo menos um ano. Isso não o impediu de
conhecer sua nova paróquia. Uma vez lá Sauniére pode constatar que esta era
mesmo muito pobre. As casas não possuíam suprimento confiável de água e a
aldeia só era acessível via lombo de mula. Seus ganhos eram baixos e ele logo
teve que se dedicar a caçar e pescar para poder obter comida.
A primeira igreja era uma das edificações mais terríveis, com infiltrações,
ameaças de queda do teto e muito mais. Sauniére tentou levantar fundos para
a reforma, mas estes se mostraram muito limitados. Porém ele contava com o
apoio de dois colegas que também eram clérigos: o abade Henri Boudet, da
vizinha Rennes-le-Bain, e Antoine Gélis, de Coustassa. Os três eram
constantemente vistos fazendo piqueniques na região e conversando por horas
a fio, o que levou a especulações sobre os assuntos de tais conversas. Tanto
Boudet quanto Gélis seriam protagonistas de mistérios em suas próprias
paróquias, embora de repercussão não tão grande quanto a de Sauniére.
A igreja de Santa Maria Madalena era da época da dinastia carolíngia, que
substituiu os merovíngios, que datava de cerca de 1059, e estava sob
fundações da época dos visigodos, datada de algum ponto ao redor do século
VI. O abade Boudet incitou muito Sauniére a conseguir reformar o local, coisa
que se deu apenas no ano de 1891, quando uma reforma modesta teria
começado com a ajuda de uma pequena soma dos fundos municipais aliada a
alguns parcos recursos próprios.
Reza a tradição que, durante os trabalhos, ele e alguns auxiliares teriam
retirado o altar-mor, uma pedra que repousava sobre duas colunas visigóticas.
Uma das colunas revelou-se oca. Dentro dela havia quatro pergaminhos
guardados em tubos de madeira selados. Dois desses pergaminhos continham
genealogias, uma datada de 1244 e a outra, de 1644. Os dois documentos
haviam sido compostos, aparentemente, nos idos de 1780, por Antoine Bigou,
um dos predecessores de Sauniére em Rennes-le-Chateau”.
Esses pergaminhos (cujos originais ninguém teve um vislumbre até hoje)
continham textos em latim, retirados do Novo Testamento. Num deles as
palavras eram anotadas sem espaço entre elas e haviam várias letras
supérfluas inseridas no texto. No segundo as palavras eram truncadas de
maneira irregular, algumas no meio das palavras. Assim estes pergaminhos
supstamente conteriam códigos e cifras que precisariam de uma chave para
ser decifrados.
Sauniére, segundo testemunhos, teria decidido dispensar os trabalhadores e
levar estes pergaminhos até seu superior, o bispo de Carcassone. De lá o
superior teria, seguindo o trio, enviado Sauniére a Paris, com despesas pagas,
para que este levasse os pergaminhos para o diretor-geral do Seminário de
Saint Sulpice, o abade Biel, e o sobrinho deste, Emile Hoffet, que seria um
especialista em lingüística, criptografia e paleografia. Essa viagem é um ponto
de controvérsias.
Documentários para os canais de tv cabo revelam que, entre os pertences de
Sauniére, havia um mapa de Paris com alguns lugares marcados com uma
cruz, inclusive Saint Sulpice. Porém, para a maioria quase esmagadora dos
autores de trabalhos sobre Rennes-le-Chateau, essa viagem nunca teria
acontecido. Seja como for, a história (verdadeira ou não) adiciona um detalhe
sobre esta viagem: os pergaminhos teriam um destino ignorado desde que
chegaram em Paris. De volta à sua aldeia, Sauniére trazia uma estranha
lembrança de sua viagem, reproduções de quadros adquiridos no Museu do
Louvre: um retrato do papa Celestino V, uma tela não identificada de David
Teniers e uma das mais famosas telas do pintor francês Nicolas Poussin, Les
Bergers d´Arcadie (Os Pastores de Arcádia).
O caso foi que, depois que voltou, Sauniére desatou a construir em massa.
Teria terminado a reforma da Igreja, sempre de olho nos detalhes, inclusive
encomendado alguns itens considerados curiosos, como uma estátua de um
demônio para a pia de batismo, na imagem abaixo. Uma pintura de Madalena
em que muitos vêem como grávida, estações da Via Sacra com detalhes
inconsistentes (como a estação VIII, que mostra uma criança envolta numa
capa escocesa e a XIV, que mostra o corpo de Jesus sendo posto no túmulo
durante a noite), bem como duas estátuas, uma de Maria e outra de José,
ambas segurando um menino (que alguns autores dizem ser uma referência
clara a uma crença gnóstica de que Jesus teria tido um irmão gêmeo).
A entrada da igreja com a inscrição em latim Terribilis Est Locus Iste,
retirada de uma passagem do Velho testamento, o famoso sonho de Jacó, e
que se encontra no inicio desta postagem. De repente o dinheiro começou a
aparecer para Sauniére e, aparentemente, muito mais começou a ser feito pela
comunidade. Além da igreja, o padre teria trabalhado na reforma do sistema
de água, da estrada da aldeia, na construção de um jardim, um zoológico, um
calvário, um ossuário para o cemitério da igreja, e duas construções
impressionantes, uma torre gótica batizada de Torre Magdala e uma mansão
chamada de Villa Bethânia.
Também passou a receber convidados ilustres, como o ministro francês da
cultura e a cantora lírica Emma Calvé, ligada a círculos esotéricos na época.
Outro visitante ilustre teria sido o arquiduque Johann von Habsburgo, primo de
Franz Josef, imperador da Áustria. O trio de escritores-biógrafos de Saunière
ressalta que há extratos bancários da época que mostram que este e o
arquiduque abriram contas bancárias no mesmo dia e que o nobre havia
transferido uma grande soma de dinheiro para a conta do padre.
Mais estranho era o fato de um padre de uma pequena aldeia ter despesas que
giravam em torno de 190 mil francos, o equivalente hoje a alguns milhões de
libras e dólares que acabaram sendo usadas no que esta planta revela. Nesse
meio tempo o estilo de vida de um faraó que Sauniére levava chegou aos
ouvidos de seus superiores, porém as extravagâncias como a compra de
tapetes caros, comidas exóticas, tecidos e mesmo vestidos para sua
companheira e governanta, Marie Denarnaud, não eram levados em conta até
a morte do bispo de Carcassone e um novo bispo entrar em cena.
Este, intrigado com as estranhas ocorrências, chamou a atenção de Sauniére,
que teria respondido com uma desobediência inesperada e insolente, se
recusando a explicar de onde vinham seus rendimentos. O confronto entre os
clérigos tomou outras proporções quando o novo bispo acusou Sauniére de
tráfico de missas. Na época era comum um padre receber pelo correio dinheiro
para rezar missas à distância.
E registros mostram que realmente o polêmico padre gastou uma verdadeira
fortuna (muito mais do que ganhava) com a troca de cartas com
representantes de vários pontos do continente europeu.
O processo se arrastou, mas Sauniére conseguiu uma vitória pelo fato da
acusação não ser tão substanciosa, e logo estava de volta aos seus afazeres.
Claro que as atividades e afazeres do padre de sua aldeia deixava o povo
inquieto.
Realmente existem cartas históricas registradas onde havia sérias queixas
contra Sauniére que, na época, mexia nos túmulos do cemitério e mudava os
mesmos de lugar.
Entre estes túmulos estava um em particular, pertencente a Marie de Négre D
´Ables, uma condessa do século VIII que viveu no castelo de sua família
próximo a Rennes-le-Chateau.
A inscrição na lápide de seu túmulo sofreu tentativas de vandalismo por parte
de Sauniére, que demonstrava não querer que outros tivessem acesso ao
código ali contido que, juntamente com os manuscritos, daria supostamente a
localização de um tesouro que, para muitos, poderia ser o tesouro pilhado
pelos visigodos em Roma, o saque do Templo de Jerusalém pelo imperador
Tito, o que de pouco teria adiantado, já que há registros de uma Sociedade de
Estudos Científicos de Aude, que teria um desenho de como era a pedra antes
de ser alterada.
Mais sobre o misterioso túmulo: seria formado originalmente por duas lápides,
uma na horizontal e outra na vertical. A horizontal já teria desaparecido na
época de Sauniére e haveria um registro num livro de um autor local, chamado
Pedras Gravadas do Languedoc, onde uma das cópias pode ser encontrada na
Biblioteca Nacional de Paris. Essa segunda pedra traria a inscrição Et In
Arcadia Ego, a mesma que pode ser vista no quadro de Nicolas Poussin. E as
letras OS num semi-círculo.
Resta saber como Sauniére, um padre do interior, poderia saber sobre tudo
isso? Para os que adoram uma teoria da conspiração, foi dito desde que ele
seria um enviado do Priorado de Sião para a região justamente a fim de
descobrir onde estavam esses pergaminhos (o que explicaria sua arrogância ao
desafiar o novo bispo de Carcassone) até que o padre teria ganho a confiança
do círculo esotérico de Paris, incluindo o Priorado de Sião, que o teria
abastecido de muito dinheiro para que terminasse seu trabalho em Rennes-le-
Chateau. O fato é que a tal coluna visigótica onde os manuscritos teriam sido
encontrados existe mesmo e foi instalada como pedestal para uma nova
imagem de Nossa Senhora junto à porta da igreja. Lá se pode ver a inscrição
1891.
O comportamento do padre começou a ser classificado de estranho.
Testemunhas dizem que ele saía em longas caminhadas pelos campos,
carregando uma mala pesada. Colhia pedras aparentemente sem valor pelo
caminho, desaparecia durante vários dias, recebia uma média de 150 cartas
por dia.
Não demorou muito e seus superiores conseguiram que Sauniére ficasse sem
ministrar seus ofícios e ficasse excluído da igreja da aldeia. O padre não ficou
quieto e montou um altar na Villa Bethânia, onde rezou missas até o fim de
sua vida. Quando morreu, em 17 de janeiro de 1917 (a mesma data da morte
da condessa) teria se confessado a um padre de uma paróquia vizinha. As
testemunhas dizem que o padre saiu do quarto de Sauniére em choque e
“nunca mais sorriu”. Bérenger Sauniére morreu sem ter os últimos
sacramentos administrados.
Sauniére foi enterrado no mesmo cemitério onde havia feito suas reformas. No
ano de 2005 seu corpo teria sido, segundo alguns sites europeus sobre
Rennes-le-Chateau, exumado e, aos moldes do de Lênin na Rússia, colocado
para exposição pública, o que sugere que talvez seu corpo tenha sido
mumificado. Mas se o foi, por quem foi e qual a razão disto?
Quando o testamento do padre foi aberto, uma surpresa: Sauniére estava na
miséria, não havia deixado nada para sua própria família e todos os seus bens
haviam sido transferidos para Marie Denarnaud. Esta viveu na Villa Bethânia
por mais 36 anos até que, com a idade avançada, vendeu a propriedade, em
1946, para Noel Corbu, que transformou a casa num hotel. Como parte de um
trato, ela moraria na casa, mesmo vendida, até sua morte, em 1953. A lenda
do tesouro de Sauniére marcou também o resto da vida de Marie, que sempre
dizia a todos que “coitados, vocês não sabem no que estão pisando”.
Para muitos ela sabia os segredos de Sauniére, inclusive de onde vinham seus
ganhos. Marie prometia a Noel que, um dia, contaria um segredo que o
transformaria num homem influente. Porém quis o destino que esta promessa
nunca fosse cumprida: Marie sofreu um derrame que a emudeceu.
A partir de então muita gente tentou localizar esse tesouro de qualquer
maneira, o que gerou o aviso colocado pela prefeitura da aldeia. Ninguém
jamais notou se, entre as supostas visitas de Sauniére, estavam mesmo
pessoas que poderiam pertencer ao Priorado de Sião. Sabe-se, entretanto, que
Pierre Plantard teria adquirido algumas terras ao pé do morro onde se ergue
Rennes-le-Chateau.
E de onde vinha o dinheiro do padre? Do tesouro visigodo? De verbas
levantadas pela comunidade esotérica? Do Priorado de Sião? Do Vaticano? As
lendas falam apenas da suposta localização do tesouro, nunca de uma
linhagem oriunda de Jesus e Maria Madalena, para muitos um detalhe do mito
incluído muitos anos depois por Pierre Plantard e seus asseclas.
extraido de A Escriba
Languedoc
De Wikipedia, la enciclopedia libre
Saltar a navegación, búsqueda
Bandera de Languedoc.
Mapa del Languedoc histórico (dentro de la Occitania – línea rojiza – y en el sur de
Francia).
Languedoc o Lenguadoc (en occitano, Lengadòc) es una región del sudeste de Occitania en el sur
de Francia, antiguamente llamada Gotia o región Narbonense. La mayor parte del territorio forma
parte de la región administrativa de Languedoc-Rosellón, aunque algunos sectores del Languedoc
han sido anexados por el gobierno central francés a otras regiones (Mediodía-Pirineos, Ródano-
Alpes, y la región administrativa de Auvernia) . En la antigüedad se dividió en una parte alta con
capital en Tolosa y otra baja con capital en Montpellier. Limita al norte con la Auvernia histórica, al
este con el río Ródano que le separa de Provenza , al oeste con el Garona y los Pirineos y al sur con
el Rosellón y el Mar Mediterráneo con el cual tiene 200 kilómetros de costa. Su territorio está
dividido entre ocho departamentos, que son: Aude, Tarn, Alto Garona, Hérault, Gard, Lozere,
Ardeche, y Alto Loira.
El área del Languedoc propiamente dicha o "Languedoc Histórico" es de 42.700 km² y en el censo
de 1991 poseía una población de 3.650.000 habitantes de los cuales el 52% vivían en la región
administrativa del Languedoc-Rosellón, 35% en la del Mediodía-Pirineos, 8 % en la de Ródano-
Alpes y 5% en la región administrativa de Auvernia.
Lenguadoc alude al idioma vernáculo de esta región, la llamada lengua de oc.
Contenido
[ocultar]
1 Reseña histórica
2 Lengua de oc
3 Véase también
4 Fuentes
5 Bibliografía
6 Enlaces externos
Reseña histórica [editar]
Antes de la conquista romana el territorio que mucho tiempo después correspondería al Languedoc
formaba parte de la Galia céltica, ocupada por los volcas, tectósages y arecómicos.
Fue conquistada por Roma en el año 121 a. C., por el procónsul Domicio, y tomó el nombre de
Provincia ( = "por victoria" ), nombre que ha quedado en la vecina región de la Provenza. Los
habitantes conservaron sus leyes y los romanos establecieron en Narbona un puesto militar.
En 412 fue saqueada por los visigodos y Ataúlfo concluyó en aquella ciudad una alianza con el
emperador Honorio casándose con su hermana Gala Placidia, pero huyó a Barcelona y su sucesor
Walia firmó un foedus («pacto») para rechazar a los vándalos a cambio de territorios en Aquitania.
Tolosa fue la capital del reino de los visigodos.
Posteriormente, fueron atacados por los francos a instancia de la Iglesia Católica (los visigodos eran
arrianos), siendo vencidos en la batalla de Vouillé. Tolosa cayó y sólo conservaron la Septimania y
Languedoc.
En el año de 589, Septimania la habitaban cinco pueblos diferentes: romanos, godos, sirios, griegos
y judíos, aunque los tres últimos en calidad de comerciantes.
Tensiones internas de los visigodos les debilitaron y en 672 el conde de Nîmes Hiderico se puso de
acuerdo con el obispo de Maguelona y los habitantes de Nimes para rebelarse. Wamba, que se
hallaba en Toledo, marchó contra los rebeldes y recuperó Narbona, Beziers, Agda, Nimes y
apaciguó la Septimania. Esta paz fue interrumpida por la invasión musulmana bajo el mando de
Abd-el-Rahman, cuyas tropas saquearon Narbona y Carcasona.
En la época de esta incursión era la Aquitania, con el título de condado hereditario, un verdadero
reino gobernado por los príncipes merovingios descendientes de Cariberto. Eudes se enfrentó a otro
ejército sarraceno liderado por El-Samh y le venció en sangrienta batalla, pero otro general
sarraceno (Ambessa) reconquistó Carcasona, Béziers, Agde, Nimes, etc. y murió en un combate
contra Eudes. En Narbona se firmó un tratado de paz, por el cual allí residiría un wali o gobernador
musulmán, estando las demás ciudades administradas por los condes godos o galos.
En 732 Carlos Martel salvó a Francia de una invasión musulmana en la batalla de Poitiers y mató a
Abd-el-Rahman. En 793 el duque Guillermo tuvo que luchar con Abd-el-Melik , que invadió el
condado a la cabeza de un ejército musulmán y se apoderó de Narbona, cuyas riquezas sirvieron
para la construcción del puente y la mezquita de Córdoba.
En tiempos de Carlomagno y sus sucesores el Languedoc estuvo tranquilo en cuanto a invasiones
exteriores, pues la incursión de los normandos no tuvo grandes resultados, pero sí hubo problemas
internos, sublevadas tan pronto como sometidas la Aquitania y la Septimania en tiempos de Luis I,
de Carlos el Calvo y de Luis el Tartamudo.
No tardaron en constituirse feudos independientes y a partir del reinado de Carlos el Gordo, hubo
condes de la Tolosa occitana y marqueses de Narbona que gobernaron libremente aquellas ciudades
ricas y poderosas.
Durante la plena Edad Media, Urbano II dio en Maguenola la señal de la primera cruzada y cien mil
hombres partieron de aquella ciudad hacia Tierra Santa a las órdenes de Raimundo de Saint Gilles.
La llamada "cruzada" católica contra los albigenses llevó la desolación a aquellas tierras y Simón
IV de Montfort ganó la batalla de Muret en 1213 a los aragoneses (donde murió Pedro II) y se
aseguró el Languedoc dándole a Felipe Augusto en 1216 el condado de Tolosa, el ducado de
Narbona y los vizcondados de Carcasona y Bezièrs, que de esta suerte se quedaron enfeudadas a la
corona francesa.
Durante la guerra de los Cien Años, el Languedoc fue invadido por borgoñones e ingleses. Aquí fue
donde el delfín Carlos se refugió tras entregar París a los ingleses. Carlos VII entregó en feudo el
territorio al duque de Berri, quien restauró la zona a base de gravosos impuestos (abolidos por
Francisco II).
El Languedoc quedó enfeudado permanentemente a la corona francesa bajo la política del Cardenal
Richelieu. Tras la Revolución francesa el poder central parisino celoso por crear un estado unitario
abolió las divisiones territoriales tradicionales fragmentándolas en departamentos, desde los 1970s
el poder central francés con sede en París ha establecido un sistema de regionalización que de
ningún modo contempla las características históricas, culturales o étnicas dentro del actual estado
francés sino que atiende a criterios burocráticos de mayor eficacia en la gestión de los recursos
económicos, es de este modo que ha reaparecido el nombre del Languedoc pero no correspondiendo
exactamente a su territorio auténtico y adjuntado con el territorio predominantemente catalán del
Rosellón (o los Pirineos Orientales).
Lengua de oc [editar]
Véase el artículo principal: Occitano
El nombre hace referencia a la lengua occitana que se habla en esta región y en otras vecinas. El
nombre del idioma viene de la palabra oc que en occitano medieval significa «sí», en contraste con
el francés del norte o lengua de oïl (pronunciado uí, ancestro del francés moderno oui). La palabra
oc provenía del latín hoc, en tanto que oïl se derivó del latín hoc ille. La palabra occitano se
desprende del nombre de la región histórica de Occitania, que a su vez viene de Aquitania, antigua
región administativa romana.