Hematologia
Sangue: O sangue é um fluido vital que desempenha diversas funções
essenciais no organismo. Ele é composto por células sanguíneas, plasma e
outras substâncias.
Função Do Sangue:
1. Transporte de O2, Nutrientes e Hormônios: O sangue atua como um
sistema de entrega, transportando oxigênio dos pulmões para as
células, nutrientes do sistema digestivo para os tecidos e hormônios
para diversos órgãos.
2. Eliminação de CO2 e Ureia: O sangue remove dióxido de carbono
(CO2) produzido pelas células e a ureia, um subproduto do
metabolismo de proteínas.
3. Células de Defesa: Contém células do sistema imunológico que
defendem o organismo contra invasores como bactérias, vírus e outras
substâncias estranhas.
4. Hemostasia: Contribui para a coagulação sanguínea, evitando
hemorragias excessivas em caso de lesões.
Produção Das Células Sanguíneas:
1. Hematopoiese: Processo de formação e desenvolvimento das células
sanguíneas, ocorrendo principalmente na medula óssea.
2. Medula Óssea: Tecido localizado no interior de ossos longos e
responsável pela produção de células sanguíneas.
3. Medula Vermelha: Parte da medula óssea onde ocorre intensa atividade
hematopoiética.
4. Pré-natal: A hematopoiese inicialmente ocorre no fígado e no baço do
feto.
5. Pós-natal: Após o nascimento, a medula óssea assume a
responsabilidade principal na produção das células sanguíneas.
Hematopoiese: A hematopoiese é o processo vital de formação e
desenvolvimento das células sanguíneas, ocorrendo principalmente na medula
óssea vermelha. Envolve células tronco pluripotentes, também conhecidas
como células indiferenciadas pluripotentes, que têm a capacidade de se
diferenciar em diversos tipos celulares.
Medula Óssea Vermelha: É o tecido especializado localizado no interior de
ossos longos, onde a hematopoiese ocorre de maneira intensa.
Células Tronco Pluripotentes ou Célula Indiferenciada Pluripotente: São
células com a capacidade de se diferenciar em uma variedade de tipos
celulares. Na hematopoiese, as células tronco pluripotentes dão origem a
diferentes tipos de células sanguíneas.
1. Unidades Formadoras de Colônias Mieloide:
Células Precursoras: São células que se originam das unidades
formadoras de colônias mieloides e têm o potencial de se
diferenciar em diversos tipos celulares do sistema sanguíneo.
Hemácias: Células vermelhas do sangue, responsáveis pelo
transporte de oxigênio.
Plaquetas: Fragmentos celulares envolvidos na coagulação
sanguínea.
Neutrófilos, Eosinófilos, Basófilos e Monócitos: Diferentes
tipos de leucócitos (glóbulos brancos) envolvidos na defesa
imunológica.
2. Unidades Formadoras de Colônias Linfóide:
Precursores dos Linfócitos: Dão origem aos linfócitos, células
do sistema imunológico responsáveis pela defesa contra
patógenos e outras substâncias estranhas.
Fase Proliferativa: A fase proliferativa da hematopoiese é um estágio
essencial no processo de formação e multiplicação das células sanguíneas.
Durante essa fase, as células-tronco hematopoiéticas (CTH) ou células
progenitoras se dividem e se multiplicam, gerando uma população crescente de
células especializadas que irão compor o sangue.
A fase proliferativa ocorre principalmente na medula óssea vermelha, onde as
células-tronco hematopoiéticas residem. Durante o ciclo de vida dessas células,
ocorrem sucessivas divisões celulares para produzir uma quantidade suficiente
de células sanguíneas maduras e funcionais. Essas divisões celulares são
controladas por uma série de sinais regulatórios e fatores de crescimento.
Ao longo da fase proliferativa, as células progenitoras se diferenciam em
unidades formadoras de colônias, que são precursoras das células sanguíneas
maduras. Essas unidades formadoras de colônias mieloides e linfoides se
especializam em diferentes linhagens celulares, incluindo hemácias, plaquetas,
neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos e precursores dos linfócitos.
É importante ressaltar que a regulação precisa desta fase é crucial para manter o
equilíbrio e a homeostase do sistema sanguíneo, garantindo uma produção
adequada de células sanguíneas para as necessidades do organismo. Distúrbios
nesta fase, como proliferação descontrolada ou deficiência na produção de
células sanguíneas, podem resultar em condições hematológicas e comprometer
a saúde do indivíduo.
Fase De Maturação: A fase de maturação na hematopoiese refere-se ao
processo no qual as células progenitoras, originadas durante a fase
proliferativa, passam por diferenciação e desenvolvimento até se tornarem
células sanguíneas maduras e funcionais. Esta fase ocorre após as divisões
celulares intensas da fase proliferativa e é fundamental para gerar as diversas
células sanguíneas necessárias para as funções do organismo.
Durante a fase de maturação, as células progenitoras especializam-se em
diferentes linhagens celulares, resultando nas seguintes células sanguíneas
maduras:
1. Hemácias (glóbulos vermelhos): Originam-se a partir da
diferenciação das unidades formadoras de colônias mieloides. As
hemácias são responsáveis pelo transporte de oxigênio dos pulmões
para os tecidos e dióxido de carbono dos tecidos de volta aos pulmões.
2. Plaquetas: Formam-se a partir das unidades formadoras de colônias
mieloides e desempenham um papel crucial na coagulação sanguínea,
evitando hemorragias excessivas.
3. Leucócitos (glóbulos brancos): Existem várias linhagens de
leucócitos, e cada uma delas tem funções específicas no sistema
imunológico.
Neutrófilos, eosinófilos e basófilos originam-se das unidades
formadoras de colônias mieloides e estão envolvidos na
resposta imunológica e inflamação.
Monócitos também derivam das unidades formadoras de
colônias mieloides e, ao entrar nos tecidos, diferenciam-se em
macrófagos, desempenhando um papel na fagocitose e resposta
imunológica.
Linfócitos, que incluem células T, células B e células NK,
derivam das unidades formadoras de colônias linfoides e são
cruciais para a imunidade adaptativa.
Durante a fase de maturação, as células passam por estágios específicos de
desenvolvimento, adquirindo características morfológicas e funcionais
específicas de cada tipo celular. Essa maturação é finamente regulada para
garantir a produção equilibrada e a funcionalidade adequada das células
sanguíneas. Distúrbios nesta fase podem levar a condições hematológicas e
comprometer a resposta imunológica do organismo.
1. Cães, Gatos e Porcos:
Característica Fisiológica: É considerado normal haver
algumas hemácias imaturas com fragmentos remanescentes de
organelas, conhecidas como reticulócitos, circulando no
sangue.
Reticulócitos: São uma fase intermediária na maturação das
hemácias e indicam uma resposta adequada da medula óssea à
demanda sanguínea.
2. Cavalos e Ruminantes:
Característica Patológica: Em cavalos e ruminantes, a
presença de reticulócitos circulando no sangue é considerada
anormal e sugere uma resposta inadequada da medula óssea.
Ausência de Reticulócitos: Indica que o processo de maturação
das hemácias está comprometido, podendo ser um sinal de
distúrbios hematológicos ou anêmicos.
Eritropoetina (epo):
Estímulo à Produção: A EPO estimula a produção de hemácias na
medula óssea durante a fase de produção da hematopoiese.
Importância na Eritropoiese: Desempenha um papel crucial na
maturação e liberação de hemácias na corrente sanguínea.
Produção Patológica: Em casos patológicos, a produção de EPO pode
ser estimulada devido a condições como anemias, baixa de oxigênio ou
diminuição do volume sanguíneo.
Fase de proliferação:
Substâncias Nutricionais: Durante a fase de proliferação, a
hematopoiese é influenciada por substâncias nutricionais como
complexo B (vitamina B12), ácido fólico e cobalto.
Fase De Maturação - Fase De Reticulócitos:
Durante a fase de maturação das hemácias, os reticulócitos desempenham um
papel crucial. Essa fase compreende aproximadamente 5 dias e é marcada por
eventos importantes na síntese de hemoglobina e na transformação das células
precursoras em hemácias maduras.
Síntese de Hemoglobina:
Processo Essencial: Durante a fase de reticulócitos, há uma intensa
síntese de hemoglobina nas células precursoras.
Essencial para Transporte de Oxigênio: A hemoglobina é a proteína
responsável por transportar oxigênio, sendo vital para a função das
hemácias.
Reticulócitos:
Definição: Os reticulócitos representam o último estágio das hemácias
imaturas antes de sua maturação final e entrada na circulação
sanguínea.
Marcador de Atividade da Medula Óssea: O aumento na circulação de
reticulócitos indica uma produção ativa da medula óssea.
Período de Vida: Os reticulócitos permanecem na medula óssea por
aproximadamente 2 a 3 dias antes de serem liberados na corrente
sanguínea.
Importância Clínica:
Indicador de Produção Sanguínea: A presença de reticulócitos na
circulação é um indicador importante de que a medula óssea está
produzindo hemácias de maneira ativa.
Avaliação Hematológica: O número de reticulócitos é frequentemente
avaliado em exames de sangue para monitorar a resposta da medula
óssea a situações como anemia, transfusões ou tratamentos.
Ciclo de Maturação dos Reticulócitos (Aproximadamente 5 dias):
1. Dia 1: Reticulócitos recém-liberados da medula óssea.
2. Dia 2: Inicia-se a síntese intensiva de hemoglobina.
3. Dia 3 a 4: Continua a maturação e síntese de hemoglobina.
4. Dia 5: Reticulócitos maduros, prontos para entrar na corrente
sanguínea como hemácias maduras.
Hemocaterese:
A hemocaterese refere-se ao processo de destruição de hemácias velhas, que
são retiradas de circulação para dar lugar a novas hemácias. Esse processo é
fundamental para a manutenção da homeostase do sistema sanguíneo e ocorre
principalmente nos órgãos do sistema retículo endotelial, como baço e fígado.
1. Destruição de Hemácias Velhas:
Razão: Hemácias envelhecidas ou danificadas podem não funcionar
eficientemente na transferência de oxigênio e dióxido de carbono.
Portanto, é essencial remover essas células para garantir a eficácia do
transporte sanguíneo.
2. Macrófagos do Sistema Retículo Endotelial:
Principais Executores: Macrófagos, células do sistema imunológico
especializadas em fagocitar partículas e células estranhas, são os
principais responsáveis pela hemocaterese.
Localização: Os macrófagos do sistema retículo endotelial estão
presentes em órgãos específicos, como baço, fígado, medula óssea e
pulmão
Baço: É um órgão crucial para a hemocaterese, onde macrófagos
retiram hemácias velhas da circulação.
Fígado: Além do baço, o fígado também desempenha um papel
significativo na destruição de hemácias antigas.
Medula Óssea: Enquanto a medula óssea é o local de produção de
novas células sanguíneas, ela também pode estar envolvida na
eliminação de hemácias velhas.
Pulmão: Embora em menor escala, alguns processos de hemocaterese
podem ocorrer nos pulmões.
Bilirrubina:
A bilirrubina é um pigmento amarelo produzido durante a quebra do
componente heme da hemoglobina, que está presente nas hemácias (glóbulos
vermelhos). Ela desempenha um papel essencial na excreção do ferro e na
regulação da função hepática
Hemoglobina: A bilirrubina é gerada quando a hemoglobina é quebrada nas
células do sistema retículoendotelial, especialmente no baço e no fígado, após a
destruição de hemácias velhas.
Formas de Bilirrubina:
Bilirrubina Indireta (ou não conjugada): É a forma inicial e tóxica
de bilirrubina, que não é solúvel em água. Após a produção, é
transportada pela corrente sanguínea até o fígado.
Bilirrubina Direta (ou conjugada): É a forma conjugada da
bilirrubina, tornando-se solúvel em água no fígado por meio da adição
de glicuronídeos. A bilirrubina direta é excretada na bile e eliminada
nas fezes.
Transporte e Excreção:
Fígado: A bilirrubina indireta é transportada até o fígado, onde é
conjugada para formar a bilirrubina direta.
Bile: A bilirrubina direta é excretada na bile e, eventualmente,
eliminada do corpo nas fezes.
Cor Amarelada da Icterícia:
Acúmulo de Bilirrubina: O acúmulo excessivo de bilirrubina no
sangue pode levar à icterícia, uma condição caracterizada pela
coloração amarelada da pele, olhos e mucosas.
Função Hepática:
Indicador de Função Hepática: A medição dos níveis de bilirrubina
no sangue é frequentemente utilizada como um indicador da função
hepática e pode ajudar a diagnosticar distúrbios hepáticos, hemolíticos
ou obstrutivos.
Granulopoese:
A granulopoese é o processo de formação e desenvolvimento de células
sanguíneas chamadas granulócitos, que são um tipo de leucócito (glóbulo
branco) caracterizado pela presença de grânulos citoplasmáticos.
1. Hematopoiese e Granulopoese:
Definição: Hematopoiese é o processo geral de formação de
células sanguíneas, e granulopoese é a parte desse processo
específica para a produção de granulócitos.
Local: Ambos os processos ocorrem principalmente na medula
óssea vermelha.
2. Tipos de Granulócitos:
Neutrófilos, Eosinófilos e Basófilos: São os principais tipos
de granulócitos produzidos durante a granulopoese.
3. Fases da Granulopoese:
Fase Proliferativa (Mitótica): Inicia com a proliferação de
células-tronco hematopoiéticas na medula óssea.
Fase de Maturação (Diferenciação): As células precursoras
passam por diferentes estágios de desenvolvimento, adquirindo
características específicas de cada tipo de granulócito.
4. Estímulos para a Granulopoese:
Fatores de Crescimento: Diversos fatores de crescimento,
como G-CSF (fator estimulador de colônias de granulócitos),
desempenham um papel crucial na regulação da granulopoese.
5. Funções dos Granulócitos:
Neutrófilos: Envolvidos na resposta imunológica contra
infecções bacterianas.
Eosinófilos: Atuam na resposta contra parasitas e reações
alérgicas.
Basófilos: Participam em reações alérgicas e inflamações.
6. Liberação na Corrente Sanguínea:
Reticulócitos: Durante a fase de maturação, os granulócitos
liberados na corrente sanguínea são chamados de reticulócitos,
indicando um estágio intermediário entre a imaturidade e a
maturidade.
7. Regulação Hormonal:
G-CSF e Outros Fatores: A produção de granulócitos é
regulada por fatores de crescimento, como o G-CSF, que
estimula a diferenciação e maturação dessas células
Leucócitos
Os leucócitos, também conhecidos como glóbulos brancos, são células
sanguíneas cruciais para o sistema imunológico, desempenhando um papel
fundamental na defesa do corpo contra infecções e substâncias estranhas:
Função Geral:
Defesa Imunológica: Os leucócitos são responsáveis pela
defesa do organismo contra patógenos, como bactérias, vírus,
fungos e parasitas, além de participarem na remoção de células
mortas e células cancerígenas.
Tipos de Leucócitos:
Granulócitos: Incluem neutrófilos, eosinófilos e basófilos, que
têm grânulos citoplasmáticos distintos.
Agranulócitos: Compreendem linfócitos (T e B) e monócitos,
que não possuem grânulos visíveis no citoplasma.
Produção na Medula Óssea:
Hematopoiese: Os leucócitos são produzidos na medula óssea
vermelha por meio do processo de hematopoiese.
Migração para os Tecidos:
Quimiotaxia: Leucócitos são atraídos para áreas de
inflamação ou infecção por meio de sinais químicos, um
processo conhecido como quimiotaxia.
Funções Específicas dos Leucócitos:
Neutrófilos: Fagocitam bactérias e participam da resposta
imunológica inicial.
Eosinófilos: Envolvidos na resposta a parasitas e em reações
alérgicas.
Basófilos: Liberam histamina durante reações alérgicas e
inflamações.
Linfócitos: Desempenham um papel crucial na resposta
imunológica adaptativa, incluindo a produção de anticorpos.
Monócitos: Diferenciam-se em macrófagos, que fagocitam
partículas e células mortas.
Linfócitos
Os linfócitos são um tipo de leucócito, ou glóbulo branco, que desempenham
um papel central no sistema imunológico adaptativo.
Tipos de Linfócitos
Linfócitos T: Originam-se na medula óssea e maturam no timo.
Participam em respostas imunológicas celulares, atacando células
infectadas por vírus ou células cancerígenas.
Linfócitos B: Maturam na medula óssea. São responsáveis pela
produção de anticorpos, proteínas que ajudam a neutralizar patógenos.
Trombopoese
A trombopoese é o processo de formação de plaquetas a partir de
megacariócitos maduros e sua subsequente liberação na circulação. Essa
complexa cascata de eventos é mediada pela trombopoetina, uma citocina
responsável por induzir modificações no citoplasma do megacariócito maduro.
A trombopoese ocorre principalmente na medula óssea, mas também envolve
outros órgãos como baço e pulmões. Durante o processo, os megacariócitos
desenvolvem projeções citoplasmáticas, conhecidas como demi-plaquetas, que
se desprendem e se tornam as plaquetas circulantes no sangue. Esse mecanismo
é essencial para a coagulação sanguínea e a prevenção de sangramentos,
destacando a importância da regulação fina desse processo para manter a
homeostase.
Plaquetas
As plaquetas desempenham funções cruciais tanto hemostáticas quanto não
hemostáticas no corpo. Aqui estão alguns pontos importantes sobre as
plaquetas:
Funções Hemostáticas:
Coagulação Sanguínea: As plaquetas são essenciais para a
formação de coágulos sanguíneos, prevenindo sangramentos
excessivos em resposta a lesões vasculares.
Funções Não Hemostáticas:
Reparação de Tecidos e Endotélio: Além da coagulação, as
plaquetas estão envolvidas na reparação de tecidos e do
endotélio vascular, contribuindo para a cicatrização e a
integridade dos vasos sanguíneos.
Meia-Vida:
As plaquetas têm uma meia-vida de 5 a 10 dias, sendo
continuamente produzidas na medula óssea para manter níveis
adequados na circulação.
Distribuição na Circulação e Baço:
70% na Circulação: A maioria das plaquetas (70%) está
presente na circulação sanguínea, pronta para ser ativada em
caso de lesões vasculares.
30% no Baço: Uma parte significativa das plaquetas (30%)
está armazenada no baço, podendo ser liberada em situações de
necessidade, como durante a coagulação.