Marido Avergonzado
Marido Avergonzado
Anos
depois do divórcio, se reencontraram e ele estremeceu ao ouvir alguém chamar seu nome.
Gabriela nasceu como a primeira filha de uma família extremamente conservadora que seguia à
risca todas as tradições antigas. Desde cedo, percebeu que não era a criança que seus pais
esperavam. O peso de não ser o filho varão era sentido não só por ela, mas também por sua mãe,
que suportava firmemente as duras críticas da família por ter dado à luz uma menina.
O rejeição não parava por aí. Sua mãe, em um ato de tristeza e frustração, culpava Gabriela pelos
problemas em casa. Quando seu irmão nasceu um ano depois, as diferenças se tornaram ainda mais
evidentes. O menino era o centro das atenções da família, recebendo amor e cuidado, enquanto
Gabriela conhecia o sabor amargo da solidão. Cresceu acreditando que era sua obrigação renunciar
a coisas pelo bem de seu irmão: roupas novas, comida mais gostosa, até mesmo o conforto de um
cobertor quentinho nos dias frios de inverno.
Quando chegou a hora de ir para o ensino médio, seu irmão foi inscrito em uma escola renomada,
privada e bastante cara. Gabriela nem sequer se atrevia a sonhar com tal privilégio. A amargura
crescia dentro dela. Ainda assim, tinha uma sede de conhecimento que não podia ignorar. Com uma
determinação nunca antes mostrada, implorou ao pai que a deixasse continuar seus estudos. Mas sua
insistência trouxe apenas risos e desprezo. "Para que desperdiçar dinheiro com uma menina?", dizia
seu pai, mostrando sua maneira antiquada de pensar. "Não é suficiente que você tenha ido à escola
até o ensino fundamental? Isso é algo pelo qual deve ser grata a seus pais pelo resto de sua vida.
Então preocupe-se em trabalhar para pagar o que se gasta em sua acomodação e, depois, casar-se.
Entendido?"
As palavras de seu pai eram diretas e muito dolorosas. Mas, embora não gostasse de ser ignorada,
ela não deixou de sonhar e de lutar por um futuro onde ela mesma decidisse seu caminho. Apesar
das duras palavras de seu pai, aos 16 anos, Gabriela conseguiu um trabalho em uma fábrica de
tecidos. Ali dividia seu tempo entre o cansaço do trabalho durante o dia e os estudos às escondidas
durante a noite, longe dos olhares críticos de sua família. Os livros eram seus amigos silenciosos, e
o conhecimento que adquiria, sua arma secreta.
Estudar não era um crime, mas no ambiente de sua casa, cada página que lia era como um pequeno
ato de rebeldia contra o que esperavam dela. Gabriela passou três anos lutando com todas as suas
forças. De dia, trabalhava duro na fábrica; à noite, estudava com todo cuidado e atenção. Todo esse
esforço teve resultado quando, aos 19 anos, passou no exame equivalente ao diploma do ensino
médio. Foi tudo obra sua, sem ajuda nem apoio de ninguém, apenas com sua firme vontade de
seguir adiante.
Com essa conquista, Gabriela mudou. Decidiu que não aceitaria mais ser tratada como inferior
apenas por ser mulher. Em uma noite de silêncio, saiu de casa escondida, buscando sua liberdade, e
começou a viver sozinha. Foram 19 anos de luta silenciosa, mas optou por uma vida de
independência e igualdade em vez de continuar aceitando submissão e injustiça.
Viver sozinha não era fácil. No início desse novo começo, Gabriela conseguiu um trabalho em um
restaurante. Ali, acabou se envolvendo e se casando com Elias, o único filho do dono do restaurante,
um jovem que acabava de sair do exército e estava pronto para voltar à universidade. Elias foi o
primeiro a fazer-lhe verdadeiros elogios, o que tocou profundamente seu coração, e logo um carinho
entre eles se transformou em amor. Saíram por menos de um ano e decidiram se casar em segredo,
indo viver juntos no pequeno apartamento de Gabriela.
Mas o casamento não ficou em segredo por muito tempo. Quando a mãe do rapaz, que também era
a chefe de Gabriela, descobriu sobre o casamento, ficou impactada e muito zangada. Confrontou
Gabriela com fúria: "Te contratei porque tive pena de você, mas casar-se com meu filho pelas
minhas costas? Pensei que ia aceitar isso, que ia deixá-la entrar na minha família? De jeito nenhum!
Vá embora e esqueça seu pagamento! Só trouxe problemas para nós! Meu filho poderia estar com
as garotas mais bonitas da universidade, construir um futuro de sucesso e não estar ao lado de
alguém como você!"
Gabriela, assustada, respondeu: "Senhora, eu não seduzi seu filho. Simplesmente nos
apaixonamos."
"Você é de um mundo diferente. Você e Elias não combinam, e não vou parar até vê-la longe dele."
Ao dizer isso, a mãe se virou e saiu. Gabriela ficou impactada com as palavras e a injustiça da
situação. Antes que pudesse argumentar, a mãe de Elias a despediu sem pagar-lhe o que lhe devia.
Mais tarde, a mãe irrompeu no apartamento do casal, cega de fúria, quebrando o que via pela frente.
Gabriela estava aterrorizada até que Elias chegou e viu o caos. "Mãe, pare já! Eu também decidi me
casar, não foi só Gabriela", interveio ele, segurando suas mãos com delicadeza. "Vamos ter um
bebê, você vai ser avó." Ela parou por um instante, mas logo a raiva voltou com novas acusações:
"E se esse filho nem sequer for seu?", acusou, com desconfiança em cada palavra.
Ele olhou firme para sua mãe e disse com segurança: "O filho é meu, tenho certeza." Ao ouvir isso,
a sogra desabou no chão, chorando e gritando: "Como pôde? Tinha um futuro brilhante pela frente!
Vai jogar todo o sacrifício que seu pai e eu fizemos no lixo? Ingrato!"
Gabriela se viu em um casamento que já começou pesado, com a má vontade e o desprezo da mãe
de seu marido pesando sobre eles. Elias prometeu que, quando as coisas melhorassem e ele tivesse
um pouco mais de dinheiro, fariam uma verdadeira festa de casamento. Apesar da apertada situação
financeira, sem trabalho e afastada de seus próprios pais, Gabriela disse: "Estou contente com a vida
que temos." Suas palavras eram verdadeiras quando falava, mas, no fundo, sentia que de alguma
forma estava ocultando parte da verdade.
A mãe de Elias acabou pensando melhor. Apesar de tudo, não queria que alguém com seu
sobrenome crescesse na pobreza. Decidiu que Gabriela e Elias iriam morar com ela. Grávida e
cansada, Gabriela se dividia entre os afazeres da casa e o trabalho pesado no restaurante. Sua sogra
vivia reclamando, gritando e dizendo que ela não era mais do que uma preguiçosa, achando absurdo
que Gabriela reclamasse da grande quantidade de trabalho diário. Aguentou tudo isso por mais de
cinco anos. Às vezes, chorava escondida, perguntando-se por que tinha que passar por tudo aquilo.
Mas, ainda assim, encontrava algum consolo em seu marido. Ele era seu apoio, segurando sua mão
com carinho e oferecendo consolo.
A vida de Gabriela se tornou um verdadeiro turbilhão quando sua sogra, enganada por um charlatão
de investimentos, perdeu todas as suas economias. A senhora ficou desesperada e sem saber o que
fazer. "Como pôde fazer isso comigo? Todo o meu dinheiro, todas as minhas economias! Deus
meu!", exclamou. "Mãe, como pôde cair nessa? O que faremos agora?", disse Elias, desesperado.
Gabriela tentou acalmar a situação: "Elias, mantenha a calma. Sua mãe não fez isso de propósito.
Foi enganada. E veja, embora não seja muito, tenho um pouco de dinheiro guardado e com isso
seremos capazes de alugar um apartamento simples no porão de um prédio. Então, não trate sua
mãe assim." Mas a sogra se irritou e disse: "Como você se atreve a falar assim com meu filho? Tudo
isso é culpa sua! Se não fosse uma simples mulher da periferia, não estaríamos passando por isso.
Teríamos um lugar decente para nos mudarmos."
Gabriela poderia ter se incomodado com essas palavras duras, mas, em vez disso, sentiu uma
tristeza profunda. Tinha uma filha para cuidar e não podia se deixar levar pelas emoções. Então,
com o dinheiro que havia economizado, Gabriela tomou as rédeas e alugou um pequeno
apartamento no porão, decidida a construir uma nova vida para ela e sua família.
Depois de um tempo, sua sogra adoeceu e seu marido estava trabalhando em dois empregos para
tentar melhorar a situação financeira. Gabriela também não ficou parada, começou a fazer trabalhos
extras em casa para ajudar nas finanças. Assim, lutaram por mais de dez anos. A luta para manter as
contas em dia era tão dura que o amor que seu marido sentia por ela já havia acabado há muito
tempo. Apesar de tudo, Gabriela se acostumou a essa vida difícil. Pensava que, se pudesse criar sua
filha da melhor maneira possível, estaria disposta a enfrentar qualquer obstáculo. Sempre que sua
filha queria ou precisava de algo, fazia o que fosse necessário para conseguir, mesmo que tivesse
que passar fome para isso.
A sogra de Gabriela nunca perdia a oportunidade de expressar seu descontentamento: "Você não
acha que está mimando demais essa menina? Deveria prestar mais atenção ao seu marido em vez de
se sacrificar por essa menina." Gabriela, com a mesma firmeza, respondeu: "Tenho certeza de que
meu marido concordaria comigo. Ele trabalha dia e noite para oferecer o melhor para nossa filha, e
isso é algo que você, como avó, também deveria valorizar." A sogra replicou com a voz carregada
de desprezo: "Como você se atreve a falar assim comigo? Só estamos aqui por causa de sua família
pobre e sem recursos."
Gabriela não se intimidou e respondeu: "Pelo que me lembro, estamos nessa situação porque você
foi enganada." Depois dessas palavras, a sogra se enfureceu e começou a quebrar coisas pela casa.
Gabriela então pegou sua filha e saiu de casa até que ela decidisse deixar essa atitude imatura e
desnecessária. Sua sogra, mesmo depois dessa crise de raiva, agiu como se estivesse doente e foi se
deitar, tentando despertar pena em seu filho, que já havia chegado do trabalho. E, além disso, Elias,
que sempre estava ao seu lado, começou a criticar Gabriela por não cuidar bem da mãe.
"Minha mãe me disse que você está sendo grosseira com ela. Realmente não esperava isso de você",
disse ele. Gabriela, sentindo-se injustiçada, replicou imediatamente: "Elias, eu estou sendo grosseira
com ela? Ela não perde a oportunidade de me humilhar e criticar por qualquer coisa, e só estamos
nessa situação por culpa dela." Ele tentou acalmar as coisas com um tom de voz mais suave: "Okay,
Gabriela, olha o estado de saúde dela. Você precisa ser mais paciente." Isso fez com que se
afastassem ainda mais um do outro.
Gabriela, apesar desses desafios, perseverou no cuidado de sua família e seu casamento,
conseguindo, com seu árduo trabalho, comprar uma nova casa quando sua filha estava no ensino
médio. Durante a mudança, sua sogra menosprezou sua contribuição, atribuindo o sucesso apenas a
Elias: "Você deveria agradecer pelos esforços de meu filho. Gabriela, apesar de estar casado com
você, ele conseguiu seguir em frente e nos tirar desse buraco em que você nos colocou."
Gabriela sabia que seu esforço também havia sido fundamental para a compra da casa, mas preferiu
guardar esse conhecimento para si mesma enquanto organizava a nova residência. Acostumada a ser
subvalorizada e à grosseria de sua sogra, Gabriela se blindou contra esses insultos, mas ainda
mantinha a esperança de que as coisas melhorariam. No entanto, essa esperança foi abalada quando
seu casamento começou a desmoronar. Tudo começou quando Elias conseguiu um trabalho em que
vendia produtos para uma empresa responsável pela construção de residências e edifícios.
"Você sabe, Gabriela, os caras do escritório vão se reunir para resolver algumas coisas", disse ele.
"Outra vez? É a terceira reunião esta semana", replicou Gabriela com um tom de desconfiança na
voz.
"Tente entender, a empresa ganhou muitos clientes novos, precisa de toda a minha atenção",
finalizou o rapaz. Mas Gabriela sabia que essas saídas incluíam beber e estar com outras mulheres.
Achava muito errado que ele não voltasse para casa e ficasse fora a noite toda. Sempre que ela
falava sobre estar chateada com isso, ele se irritava novamente: "Outra vez com isso, Gabriela?
Você não pode agradecer nem uma vez pelo esforço que estou fazendo pela nossa família? Vendo
como você se veste, só me dá mais vontade de trabalhar. Você se veste de uma maneira tão
desleixada, nem parece que está casada comigo." Os comentários maldosos de Elias machucavam
Gabriela profundamente. Afinal, ela havia dado os anos mais bonitos de sua vida a essa família.
Naquela noite difícil, depois de ouvir as duras palavras de seu marido, foi ao banheiro e lavou o
rosto, mas nem sabia se era água ou lágrimas que molhavam seu rosto.
Certa manhã, depois de uma noite que ele passou bebendo, Elias acordou e foi trabalhar ainda um
pouco embriagado. Algumas horas depois, ligou para ela e disse com um tom autoritário na voz:
"Gabriela, preciso que me traga um contrato que esqueci em casa. Está na cabeceira da cama.
Preciso dele em 10 minutos, venha rápido." Gabriela mal teve tempo de se vestir bem. Pegou sua
bolsa e o contrato, chamou um táxi, algo que raramente fazia, e se apressou para o escritório de seu
marido. Quando chegou lá, toda preocupada, perguntou por ele e viu Elias se aproximando dela
com uma expressão que parecia de vergonha por como estava vestida.
"Gabriela, que tipo de roupa é essa? Quer me matar de vergonha?"
Naquele momento, um rapaz bem vestido se aproximou deles e chamou a atenção de Elias: "O que
você está fazendo aqui? Não tinha um contrato importante para assinar? O chefe daquela empresa
que estamos esperando já chegou."
"Sim, eu sei, vou em um momento e levarei o contrato", disse ele, tentando parecer calmo, mas seu
nervosismo era evidente. "Ah, esqueceu o contrato em casa, não é? Tome, aqui está", disse
Gabriela, ainda sem entender completamente a situação. Ele apenas pegou o documento, ignorando
seu comentário, e quando os outros perguntaram: "Essa é sua esposa?", o marido respondeu sem
mostrar nenhum constrangimento: "Quem, ela? Não, é apenas uma empregada que contratamos
para ajudar com a limpeza." Gabriela se sentiu como se tivesse recebido uma punhalada. Foi
ignorada como esposa e apresentada como se não fosse nada mais do que uma empregada
doméstica. Depois disso, ele se afastou dela e voltou ao trabalho sem mostrar nenhum sinal de
arrependimento. Gabriela, ainda imóvel, sem acreditar no que havia acontecido ali, ouvia a
conversa de seu marido com seus colegas na sala ao lado.
"Deve ser rico, tem até uma empregada." "É verdade, quase a confundi com sua esposa." "Estão
loucos, como poderia viver com uma mulher assim? Minha esposa está muito ocupada esses dias e
eu só tenho olhos para ela. Veja como se veste e seu cabelo. Já discuti com minha esposa para que
saísse."
Diziam eles, e os colegas continuaram: "Certo, ela é apenas sua empregada. Além disso, não é nada
do seu tipo. Mas vamos, você precisa garantir esse contrato para que sua promoção a gerente
aconteça. Sua mulher deve estar muito orgulhosa de você."
A verdade é que Gabriela estava devastada. Voltou para casa soluçando e, como se estivesse
hipnotizada, parou em uma loja de roupas e passou o resto do dia comprando várias peças novas
para tentar se sentir melhor. Quando chegou em casa, Elias a criticou implacavelmente: "Não
importa como você se veste, por dentro continua sendo a mesma. E como se atreve a gastar meu
dinheiro comprando essas roupas? Está louca? Devolva essas peças!"
"Você me fez passar vergonha no trabalho", disse ele, mostrando que não tinha nenhum respeito por
ela. No entanto, Gabriela, com o coração pesado e a alma ferida, se recusou a devolver as roupas.
Ele continuou zombando dela, dizendo que parecia uma mendiga. A sogra também interveio na
discussão: "Meu filho tem toda a razão. Olhe para você, se veste como alguém de baixo nível.
Embora não o seja, ao menos tente parecer digna de nosso sobrenome."
Gabriela sentiu uma raiva e desespero tão intensos que seu corpo tremia. Já estava acostumada com
a forma como a família de Elias a tratava, mas havia um limite para o que podia suportar,
especialmente diante de sua filha. Sempre lembrava do ditado que diz que a filha acaba vivendo a
vida da mãe, e o maior medo de Gabriela era que sua filha tivesse um futuro triste como o dela. De
repente, como se fosse a coisa mais simples do mundo, Elias disse: "Gabriela, basta. Levei este
casamento até onde foi possível. Já não quero mais nada contigo. Quero o divórcio. Será melhor
que encontre outro lugar para viver."
"Você enlouqueceu? Eu contribuí para esta casa mais do que você!", exclamou Gabriela.
"Sim, mas o fato é que estou com outra mulher, e ela está grávida. Quero que ela venha viver aqui.
Ela sim está à minha altura."
Gabriela se surpreendeu com a audácia de Elias: "Como você tem a ousadia de me trair e ainda agir
como se estivesse no direito?"
Ela prometeu a si mesma que não deixaria aquela casa, a casa que havia ajudado a construir e dar
vida. Como poderia simplesmente permitir que outra mulher tomasse seu lugar? Em um gesto cruel,
a sogra jogou as roupas de Gabriela no lixo: "Você está impedindo o futuro de meu filho, que
finalmente abriu os olhos. Nem sequer foi capaz de lhe dar um herdeiro homem", disse ela. Foi
nesse momento que a filha de Gabriela, que acabara de chegar da escola, presenciou a cena e, com
os olhos cheios de lágrimas, implorou à mãe que não permitisse que isso acontecesse: "Por que você
tem que suportar isso? Deveria deixar papai que está te traindo e a avó que não entende nada. Por
que você tem que sofrer tanto? Não suporto vê-la aceitando tudo isso."
Quando a sogra ouviu o que disse sua neta, se enfureceu: "Foi você quem ensinou sua filha a ser tão
insolente?", acusou Gabriela. "Onde aprendeu a ser tão atrevida? Sua mãe deve ter lhe ensinado isso
às escondidas."
A menina, ainda mais irritada, replicou: "Te odeio! Só sabe maltratar minha mãe e agora está
tentando encobrir papai porque pensa que o filho da amante dele será um menino."
Então, a sogra, com um sorriso sarcástico, disse: "Assim é, mocinha. Você não vai continuar com
nossa linha familiar."
Gabriela a interrompeu e gritou: "Não vou a lugar nenhum, e Valentina também não. Esta casa é
tanto nossa quanto de vocês. Não seremos expulsas por erros que não cometemos." Elias parecia
pronto para responder, mas Gabriela não o deixou. "Já basta desta tolice. Vamos resolver este
divórcio o mais rápido possível. No entanto, minha filha e eu só sairemos desta casa depois que me
der metade do valor da casa e aceitar pagar uma pensão alimentícia. Caso contrário, vou agora
mesmo atrás de um advogado para resolver isso na justiça."
Então, Elias respondeu: "Mas você é muito gananciosa, não é?"
"Isso não é ganância, são meus direitos, já que ajudei com mais da metade do valor para construir
esta casa", disse Gabriela, com uma expressão de ira nos olhos. Depois, terminou com um tom
irônico: "Você está certo em pedir o divórcio depois de ter um caso, e eu estou certa em exigir meus
direitos. Faça isso e não terá problemas comigo na justiça."
A sogra interveio: "Meu filho, não se preocupe com as ameaças dela. Simplesmente expulse-a junto
com essa menina idiota. Agora, ao formar uma nova família, precisa se livrar delas."
No auge da discussão, Valentina confrontou o pai: "Papai, não vou aceitar isso. Posso ir ao seu
trabalho e contar a todos quem você realmente é."
Ameaçando, fazendo com que Elias se desse conta da gravidade de suas ações, ele gritou: "Como
você se atreve a falar assim ao seu pai, insolente? Meu maior arrependimento foi ter mantido uma
filha ingrata como você."
Gabriela, sentindo a dor de sua filha, interveio: "Não fale assim com Valentina. Ela nunca dependeu
do seu dinheiro, nem para comer nem para estudar", defendeu, protegendo a dignidade de sua filha.
Elias, que aparentemente contava com a submissão de Gabriela para a assinatura dos papéis do
divórcio, se surpreendeu com a decisão dela e não esperava que exigisse seus direitos antes de
assinar nada. Contra todas as expectativas, naquela mesma noite, ele transferiu o dinheiro prometido
para a conta dela.
Após o divórcio, Gabriela passou por um longo período de tristeza. No entanto, sabia que precisava
encontrar uma maneira de ganhar dinheiro regularmente para se sustentar e pagar pela educação de
Valentina. Assim, procurou uma agência de empregos que valorizasse habilidades domésticas como
qualificações profissionais. Nos meses seguintes, dedicou-se ao trabalho de empregada doméstica,
aceitando trabalhos de um dia ou de curta duração. Sua dedicação e atenção aos detalhes
rapidamente a fizeram ser reconhecida por sua excelência no trabalho.
Um dia, o gerente da agência a chamou para uma conversa: "Normalmente, não faria isso com
alguém recém-chegado", disse ele, "mas você é uma exceção. Temos um cliente bastante exigente.
Já despediu 10 de nossas melhores empregadas. Pensei em recomendá-la. O único que tem que
fazer é limpar a casa três vezes por semana e cozinhar. O salário é o triplo do que ganha atualmente.
Aceita?"
Necessitada de dinheiro e preocupada com a possibilidade de seu ex-marido deixar de pagar a
pensão, além dos custos que a universidade de Valentina traria, Gabriela não hesitou em aceitar a
proposta. No entanto, ao chegar à casa de Omar, seu novo cliente, Gabriela se viu em um dilema. A
residência estava impecável, até mais que muitos hotéis pelos quais havia passado. Com tudo já
limpo, a ansiedade a dominou. Não querendo perder a oportunidade de obter um salário maior,
começou a procurar qualquer coisa para fazer. Limpou as cortinas, lavou lençóis, desinfetou as
lâmpadas e organizou a geladeira. Fez tudo tão rapidamente que ainda sobrou tempo.
Depois, Gabriela se dirigiu à cozinha. Após ir ao mercado e escolher ingredientes frescos, começou
a preparar as refeições, sem ter ideia das preferências de seu patrão ou da quantidade de tempero
que ele gostava. Gabriela estava determinada a fazer com que esse novo começo funcionasse, não
só por ela, mas para construir um futuro melhor para Valentina. Gabriela observou seu reflexo no
espelho, ajustando seu uniforme de trabalho e notando uma expressão preocupada em seu rosto.
Enquanto refletia sobre o dinheiro que havia ganho, a quantia lhe parecia excessiva pelo breve
trabalho realizado. Com esse pensamento, escreveu uma carta meticulosamente e a deixou para seu
patrão. Na carta, mencionou que, se ele desejasse algum prato especial, bastava deixar uma nota na
geladeira e ela faria a comida e a deixaria pronta para ele.
Omar sempre estava ausente quando Gabriela trabalhava, então raramente se encontravam. Ao
contrário das preocupações anteriores de Gabriela, o patrão não expressou nenhuma insatisfação.
Ela continuou com seu trabalho diligente, esforçando-se mais do que necessário para garantir que o
salário recebido fosse justo. Um dia comum de trabalho, enquanto se dedicava completamente,
Gabriela notou uma data circulada no calendário da casa de Omar. Havia um lembrete, mas não
correspondia a nenhum dia em que ela normalmente trabalhava. Isso a fez questionar a importância
daquela data e se precisaria preparar algo especial para o evento. Talvez ele tivesse planejado
receber alguém em sua residência. Inspirada pela ideia de que deveria se antecipar ao evento
programado, Gabriela decidiu usar a noite anterior, apesar de estar ocupada com outras coisas, para
preparar a comida. Na cozinha, que se tornava seu refúgio de felicidade, perdia a noção do tempo
enquanto cozinhava, envolvida no prazer de preparar alimentos com carinho.
Enquanto Gabriela estava concentrada cozinhando, o dono da casa voltou. Ela se sobressaltou ao
ver que havia perdido a noção do tempo e se apressou em explicar: "Desculpe, estava tão
concentrada na cozinha que não vi o tempo passar. Já termino e vou embora. Por acaso, você já
comeu? Quer que eu prepare a mesa?"
"Não estou bem. Mas por que cozinhou tanto?", perguntou Omar, com um toque de surpresa.
"Ah, bem, vi que amanhã é uma data importante no seu calendário, então pensei em preparar esta
comida", respondeu ela.
Omar tinha trazido sacolas de compras, o que indicava que talvez ele mesmo quisesse cozinhar para
aquela data. Com a cabeça cheia de dúvidas, Gabriela não sabia o que fazer. Por sorte, ou talvez
não, o patrão não tocou mais no assunto. "Está bem, só organize tudo e depois pode ir", disse ele,
dirigindo-se ao seu quarto. Gabriela ficou ali, no meio da cozinha, cheia de aromas deliciosos e
pensamentos confusos, tentando entender o que havia acontecido. Temia que esse mal-entendido
com a comida pudesse custar-lhe o emprego, mas, para sua surpresa, não recebeu nenhuma
reprimenda. Com o coração apertado, foi trabalhar no dia seguinte, mas a esperava uma agradável
surpresa: uma nota na geladeira que dizia: "Obrigado pela comida." Essa simples nota a fez sentir-
se muito feliz.
Inspirada por esse acontecimento inesperado, Gabriela limpou a casa e cozinhou com ainda mais
ânimo. Foi nesse momento que percebeu, talvez pela primeira vez, o quanto era bom para ela fazer
seu trabalho doméstico. No dia seguinte ao pequeno incidente, quando Gabriela chegou ao trabalho,
encontrou uma nota pedindo que reduzisse as porções das refeições. Isso marcou o início de uma
nova forma de comunicação, por meio de notas deixadas aqui e ali. Mensagens como: "A sopa
estava deliciosa, por favor, deixe-a quente para quando eu chegar" e "O jantar estava excelente"
tornaram-se frequentes. Quando ele trouxe um vaso de flores para casa e pediu que ela cuidasse
dele na sua ausência, Gabriela sentiu que o ambiente da casa se tornava mais leve e feliz. Esse
intercâmbio de notas continuou por meses. Gabriela começou a esperar com entusiasmo os dias em
que trabalharia, sem mais temores sobre o que preparar, e notou que sorria mais vezes por si
mesma.
Sua filha, notando essas mudanças, perguntou: "Mãe, está saindo com alguém?"
"Ai, Valentina, que tipo de pergunta é essa?", respondeu Gabriela, surpresa.
"Bem, é que parece mais animada do que o normal", observou Valentina.
"Oh, por favor, só estou tendo dias bons. É tão raro isso?", falou Gabriela, tentando disfarçar sua
incomodidade.
"Mm, está bem então", disse Valentina, ainda um pouco desconfiada.
Certa manhã, Gabriela foi trabalhar e, ao chegar, notou que Omar parecia ter gripe. O homem,
apesar de não se sentir bem e de estar em casa, disse: "Não se preocupe, é só uma gripe passageira.
Melhor ir para casa para não se contagiar." Mas Gabriela era daquelas pessoas extremamente
preocupadas com o bem-estar alheio e não pôde deixar seu chefe sozinho, precisando de assistência.
Então, dirigiu-se à farmácia mais próxima, comprou remédio para a gripe e voltou para preparar
uma nutritiva sopa de frango para ele. Antes de ir embora, deixou uma nota na geladeira, instruindo
a tomar o remédio e consumir a sopa para se recuperar rápido.
No dia seguinte, Gabriela teve uma surpresa ao encontrar vários produtos de beleza deixados para
ela como agradecimento. Sentiu-se desconfortável em aceitar tal presente e optou por esperar o
retorno de Omar para discutir a respeito. Ao chegar em casa, o homem mostrou-se surpreso por ela
ainda estar lá, pois pensou que Gabriela já havia ido embora. Ela começou a conversa: "Olha,
agradeço muito os presentes, mas não me sinto confortável em aceitá-los. Não quero que pense que
não apreciei o gesto."
"Por favor, Gabriela, aceite-os. É uma forma de agradecer pelo cuidado que teve e pelas refeições
que preparou para mim. Sempre são saborosas", insistiu ele.
"Me alegra que goste. Sempre é um prazer cozinhar para você", respondeu Gabriela, amavelmente.
"Mira, embora a comida seja excelente, não tem o mesmo sabor quando se consome sozinho. Sinto
falta da companhia familiar, algo que não experimentei há muito tempo", compartilhou ele, com um
toque de melancolia.
Refletindo um momento, Gabriela replicou: "Entendo perfeitamente. A comida adquire um sabor
especial quando se compartilha."
Um pouco excitado, o chefe propôs: "É por isso que, bem, estava pensando, aceitaria jantar comigo
um desses dias?"
Surpresa, mas lisonjeada, Gabriela respondeu: "Isso seria diferente. Faz tempo que não me sento a
uma refeição com um homem desde meu divórcio. Mas sim, acho que aceitaria seu convite para
jantar."
E então, quando finalmente se sentaram para jantar juntos, a conversa fluiu de maneira natural.
Durante o jantar, Gabriela descobriu que a data marcada no calendário era para lembrar o
aniversário de falecimento da mãe de Omar, e não um compromisso romântico como ela havia
suposto anteriormente. À medida que a conversa avançava, ela começou a perceber que ele era
muito diferente dos homens com quem havia estado no passado.
"Nunca me casei, sabe? Sou mais velho que você e já vivi muitos desafios na minha juventude",
comentou ele.
"Deve ter sido muito complicado", disse ela.
"Sim, foi. E com os anos, percebi que muitas mulheres se interessavam por mim por meu
patrimônio. Isso me levou a optar por uma vida solitária."
Com empatia, Gabriela expressou: "Lamento essas experiências."
Então, Omar continuou: "A perda de minha mãe foi o momento mais difícil. Foi quando a ausência
de uma família se fez sentir profundamente."
"Não posso nem imaginar como deve ter sido enfrentar isso sozinho", disse Gabriela.
Depois, ele mudou um pouco o foco da conversa: "E sobre seu ex-marido, Gabriela, ele não se
importaria que estivéssemos jantando juntos?"
Gabriela suspirou antes de responder: "Ah, meu ex-marido... Nos divorciamos depois que ele me
traiu. Então, não, ele não teria nenhum direito de opinar sobre isso."
Na manhã seguinte, Gabriela encontrou uma nota de Omar convidando-a para que jantassem juntos
com mais frequência. Junto à nota, havia um cartão de crédito para que ela usasse na compra dos
ingredientes necessários para as refeições. Com o cartão em mãos, Gabriela refletiu sobre como
proceder, dividida entre manter o profissionalismo e os sentimentos que tinha por ele. No final,
decidiu que o mais adequado seria devolver o cartão com uma nota, enfatizando a importância de
manter a relação profissional separada da vida pessoal.
No dia seguinte, ela levou um susto com o som do telefone. Era Omar. Gabriela temeu por um
momento que pudesse ser uma ligação para demiti-la, mas ele queria falar sobre algo mais pessoal:
"Sabe, Gabriela, não estou seguro do que pensará, mas preciso confessar meus sentimentos. Depois
de conhecê-la e saber sua história, comecei a sentir algo que nunca havia sentido antes."
"Senhor Omar, como alguém que já esteve casada, já não acredito na palavra 'nunca'. Começamos
com um bom sentimento um pelo outro, mas as pessoas podem mudar com o tempo e você poderia
acabar se arrependendo no futuro", disse Gabriela.
"Não, já não sou um jovem e estou disposto a me arrepender", disse Omar. "O que quero dizer é que
estou completamente apaixonado por você e por sua forma carinhosa de ser. Estou sentindo algo
que nunca senti por ninguém antes. Realmente gostaria que você e sua filha fizessem parte da
minha família."
"Isso é... É muito para pensar", disse Gabriela.
"Falo sério. Quero começar uma nova vida ao seu lado."
Gabriela, hesitante, respondeu: "Tenho medo de sofrer outra vez."
Valentina, tentando ser encorajadora, disse: "Mãe, todos merecem ser verdadeiramente felizes."
Influenciada pelas palavras de Valentina, Gabriela se emocionou. Depois de um momento de
reflexão, respondeu: "Aceito, aceito casar-me contigo. Não só por mim, mas também por
Valentina."
"Não sabe o quanto me faz feliz", expressou ele, claramente aliviado e contente.
Gabriela estava apaixonada como nunca e se sentia muito emocionada com a ideia de um
casamento verdadeiro. "Não posso acreditar que estou escolhendo meu vestido de noiva", exclamou
Gabriela enquanto olhava os vestidos. Ao chegar ao elegante salão do hotel para ver o lugar da
festa, Omar pediu permissão a Gabriela: "Meu amor, preciso resolver um assunto urgente do
trabalho. Pode me esperar aqui no hotel? Só preciso assinar um contrato e a pessoa está perto."
"Claro, resolva o que precisa. Vou te esperar aqui", respondeu Gabriela, compreensiva.
Enquanto caminhava pelo lobby do luxuoso hotel, admirando o brilho e a beleza ao seu redor,
Gabriela viveu o inesperado. Encontrou-se com Elias, seu ex-marido. A última pessoa que queria
ver apareceu de repente e, ao ver seu rosto, Gabriela sentiu uma onda de surpresa e irritação.
"O que faz em um hotel elegante como este? Não te pertence", zombou ele, olhando-a de maneira
crítica, como questionando sua presença ali. "Desde quando frequenta lugares assim?"
Gabriela não hesitou em responder, mantendo firmeza mesmo com o orgulho ferido: "Não é da sua
conta se uso maquiagem ou estou em um hotel elegante. Me deixe em paz e cuide da sua vida."
Elias insistiu, sendo grosseiro e provocativo: "Está tentando me substituir por um homem mais
velho e rico, Gabriela? Acha que isso passa despercebido? É óbvio que está se aproveitando dele."
"Não estou me aproveitando de ninguém, só busco ser feliz, algo que não consegui estando com
você."
"Ser feliz? Ou será o dinheiro dele que está te trazendo essa felicidade?"
"Minha vida não depende da sua aprovação ou julgamento. O que faço agora já não é da sua conta.
Afinal, agora tem sua própria esposa para se preocupar. E, a propósito, já teve seu bebê?"
A expressão de Elias mudou imediatamente de arrogante para assustada ao ver Omar se
aproximando: "Senhor Omar, o que faz aqui? Não vai entrar para que possamos resolver o
contrato?" Ele gaguejou, desconfortável.
Omar percebeu a tensão no ar e decidiu adiar a conversa com Gabriela para mais tarde. Olhando
fixamente para o ex-marido de Gabriela, disse com uma voz que não admitia réplicas: "Não vim
aqui para jogos, Elias. Vi como falou com ela e já não tenho nenhum interesse em fazer negócios
contigo."
Elias tentou argumentar: "Mas o contrato estava quase fechado."
Interrompendo, Omar levantou a mão, mostrando seu anel de noivado: "A razão pela qual estou
aqui é outra. O que queria discutir comigo já não é relevante. E, mesmo que essa reunião tivesse
ocorrido, não fecharia esse contrato contigo, pois seus objetivos não se alinham com a direção de
nossa empresa."
"Senhor Omar, vou baixar os preços e cumprir com todos os seus termos. Por favor, assine o
contrato. Se não conseguir que este contrato seja assinado, será um grande problema para a
empresa", disse Elias, desesperado.
"Se baixar os preços, outros cálculos não se encaixarão. O problema da sua empresa não me diz
respeito", disse Omar. "Ah, e mais uma coisa: se voltar a incomodar minha esposa, terá que se ver
comigo. Então, afaste-se dela, entendido?"
Ao notar a determinação em Omar, Elias tentou outro enfoque: "Gabriela, não vai dizer nada?"
Antes que Gabriela pudesse responder, Omar se interpôs entre eles: "Ela não tem nada a dizer.
Gabriela faz parte da minha vida agora e não permitirei que você ou algo do passado interfira."
Gabriela segurava firme a mão de Omar, buscando segurança enquanto saíam juntos do hotel. Ainda
chocada por ter encontrado Elias de surpresa, Gabriela perguntou a Omar como reconheceu seu ex-
marido. Ele explicou que Valentina já lhe havia mostrado algumas fotos de Elias.
Depois de toda a confusão daquele dia, Gabriela finalmente teve o casamento dos seus sonhos. Ela e
Valentina foram morar com Omar, começando uma nova vida. No entanto, alguns dias depois,
Gabriela estava em casa, finalizando os preparativos da mesa de jantar, quando Elias apareceu
novamente, murmurando palavras sem sentido: "Não vou permitir que este homem cuide de minha
filha. Ela vem comigo", exclamou ele, com voz enfurecida.
Valentina, que havia ouvido tudo desde a sala, entrou decidida, com uma expressão séria para
alguém da sua idade: "Nunca foi um pai para mim", disse, enfrentando o homem. "Omar é quem
cuida de mim e de mamãe. Ele é meu verdadeiro pai."
Gabriela olhou para Elias, que agora dependia de sua própria mãe para tudo. Omar havia exigido
que ele fosse demitido; caso contrário, não assinaria o contrato. Quando a discussão se
intensificava, Omar entrou na sala e deu um soco no rosto de Elias: "Já te disse que não tinha mais
nada para tratar contigo. Se não quiser que chame a polícia e te denuncie por invasão de
propriedade privada, recomendo que vá embora agora mesmo."
Elias saiu assustado e nunca mais voltou a incomodar a família. Os dias passaram e a vida sorriu
para Gabriela e Valentina. Valentina compartilhou seus planos de estudar no exterior, e Omar a
apoiou sem hesitar, prometendo fazer tudo para ajudá-la a alcançar seus sonhos. Refletindo sobre
seu passado, Gabriela se deu conta do quanto havia avançado: "Nunca pensei que poderia ser tão
feliz", confessou uma noite, olhando para Omar com olhos brilhantes de amor e gratidão.
"Você merece toda a felicidade do mundo", respondeu Omar, segurando sua mão. "E estarei aqui
para você e para Valentina por todo o tempo que quiser."
Gabriela tinha esperança para o futuro. Orava para que a vida ao lado de Omar continuasse sendo
essa imensa alegria, que pudessem envelhecer juntos, vendo Valentina crescer e, quem sabe, um dia
brincando com seus netos no jardim.