Helio Melo
Helio Melo
MELO
HÉLIO
MELO
O LAGO, 1996
SERINGUEIRA, 1987
12 HÉLIO
MELO
JACOPO CRIVELLI VISCONTI
46 O MUNDO
DE HÉLIO MELO
TONY GROSS
156 O CONTEMPORÂNEO
INTEMPESTIVO
DE HÉLIO MELO
LISETTE LAGNADO
SERINGUEIRAS, 1989
Para abrir estrada tem o mateiro e tem o toqueiro, que é o seu ajudante.
Tem o mateiro curioso, que confia no terçado.
Tem o que se baseia pelo sol, e também o que nasceu com o dom.
Esse entra e sai a qualquer hora, como se tivesse uma bússola na mão.
Hélio Melo. O caucho, a seringueira e seus mistérios (1986)
Como já foi observado, apesar da aparente simplicidade, ou até singeleza, ocupados nas várias tarefas de colheita da borracha, indígenas que retornam
da sua obra, o que realmente importa nos desenhos e nas pinturas de Hélio às suas aldeias após a caça, mulheres e crianças brincando ou trabalhando
Melo não cabe na superfície, “temos que reconhecer que a obra principal do perto das casas, animais de todo tipo passeando pela floresta, caçando ou
artista está por trás do que ele pinta, ou do que ele faz”.1 Na grande maioria sendo caçados, seres míticos da floresta como o Mapinguari, o Curupira e
de suas obras, a cena é estruturada de maneira bastante convencional, com a Mãe da Mata, e ainda criaturas híbridas, surgidas da imaginação do artis-
um primeiro plano rente ao chão, formado por plantas baixas ou grama alta, ta, como o homem-burro e o boi-seringueira, parentes próximos dos burros
elementos verticais (basicamente árvores) que fecham a cena dos dois lados que sobem em cavalos ou em árvores e observam indolentemente homens e
e, no espaço delimitado por esses eixos, os personagens. Trata-se de uma mulheres trabalharem para eles. Mesmo nas obras em que a ênfase é toda na
construção teatral ou cinematográfica do espaço que sugere, portanto, uma história que esses personagens encenam, como atores de uma representação
encenação e uma mise en scéne, não uma reprodução plana, direta e ingênua teatral, há sempre uma outra presença, que antecede, encerra e torna possí-
da realidade. Além disso, muitos dos temas em que aparecem esses perso- vel a própria existência deles e o desenrolar-se da narrativa: a da floresta. É a
nagens são recorrentes, sendo repetidos com poucas alterações em vários floresta a verdadeira protagonista da obra de Melo, e é possível dizer que ela
trabalhos, a distância de anos, o que reforça a analogia com uma represen- é a protagonista, e não apenas mais uma personagem ou, menos ainda, uma
tação teatral. Essas considerações, evidentemente, não são acessórias para a mera cena onde essa narrativa se dá, porque ela é tão viva quanto o restante
compreensão do trabalho do artista já que revelam um domínio pleno dos re- dos personagens. Não é por acaso, nesse sentido, que na sua produção abun-
cursos pictóricos e iconográficos, muito longe da simplicidade anteriormente dem desenhos e pinturas que têm como objetivo “apenas” retratar a floresta,
mencionada. Mas tem um outro sentido que cabe falar de uma obra, em que em distintos momentos do dia, com suas infinitas mudanças de luz, atmos-
é preciso olhar para o que está por trás, para o que está, por assim dizer, no fera e tonalidade. Mesmo que de uma maneira pouco convencional ou linear,
fundo: a verdadeira protagonista dessa obra está, de fato, quase sempre, no essas obras também contam uma história, porque a floresta que o artista
fundo, e não em primeiro plano. Na grande maioria das obras de Melo apare- retrata é um organismo vivo e consciente.
cem seres humanos e animais, ora sozinhos, ora em grupos mais ou menos
numerosos. Por sua obra, passeiam com a mesma naturalidade seringueiros
1 Dalmir Ferreira, Hélio Melo: apenas um simples homem da Amazônia. Universidade Federal
do Acre, 22 mar. 2001, disponível em: [Link]/site/noticias/ufac-na-imprensa/edicoes-2001/
marco/helio-melo-apenas-um-homem-da-amazonia [último acesso em 9 jan. 2023]. 14 15 MATA, 1985
O lado para o qual a seringueira é pendida está indicando onde se encontra outra.
Também tem outro mistério: cada seringueira tem uma arreação, ou seja, o lugar onde
começa o corte, que dá mais látex que a outra — é o lugar em que o sol nasce.
Hélio Melo. O caucho, a seringueira e seus mistérios (1986)
2 Eduardo Kohn, How Forests Think: Toward an Anthropology Beyond the Human. London,
Berkley and Los Angeles: University of California Press, 2013.
3 Esse pensamento aparece de maneira direta ou indireta em grande parte dos escritos de
Coccia, e com ênfase particular Cf. Emanuele Coccia, La vita delle piante: Metafisica della mes-
colanza. Bologna: Il Mulino, 2018.
6 Ver Bruce Albert e Davi Kopenawa, A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São
Paulo: Companhia das letras, 2015. 26 27 NOSSA VIVÊNCIA DE HOJE /O HOMEM E O BURRO VI, 1996
A Onça tem uma força no olhar, que chega a atrair a caça, quando começa a mirá-la.
Por exemplo, o Macaco: começa a gritar como se estivesse anestesiado e aos
poucos vai descendo até onde a Onça possa alcançá-lo. Assim também acontece
com o Jacu, o Mutum e outros.
Hélio Melo. Os mistérios da caça (1985)
7 O texto de Tony Gross, aqui incluído e citado, contextualiza com grande precisão
essas lutas e seu caráter inovador, à frente do seu tempo.
HISTÓRIA DA AMAZÔNIA —
DO SERINGUEIRO PARA O SERINGUEIRO, 1985
HISTÓRIA DA AMAZÔNIA —
DO SERINGUEIRO PARA O SERINGUEIRO, 1985
PRÓXIMA DUPLA:
AMANHECER, 1985 34
AMANHECER, 1984
2 William Chandless, “Notes on the River Aquiry, the Principal Affluent of the
river Purûs”. In: The Journal of the Royal Geographical Society of London, Vol. 36 (1866),
Londres: John Murray, 1866, p. 94. Tradução livre. 58 59 RIACHO, 1997
As cláusulas foram solapadas pelos acontecimentos antes mesmo de a tin-
ta do tratado recém-assinado secar. Como vimos, os brasileiros estavam
presentes no Rio Acre, em 1861. A demanda por borracha na Europa e na
América do Norte era crescente. O governo provincial do Amazonas em
Manaus estava ávido por incentivar a coleta e, assim, expandir sua recei-
ta. Um conjunto de circunstâncias se formou. Em 1866, o Brasil abriu o
sistema amazônico para a navegação internacional. Para Manaus, isso sig-
nificava que a Bolívia poderia exportar borracha do Rio Acre e outros rios
superiores em navios não brasileiros, privando o Amazonas da receita tri-
butária. Embora o látex possa ser extraído de várias espécies de árvores, o
Acre é particularmente rico em Hevea brasiliensis, que produz látex de alta
qualidade que pode ser extraído repetidamente por anos, se a árvore for
bem-cuidada. Em contraste, a outra principal espécie com potencial para
extração econômica — o caucho (Castilla ulei) — dá uma borracha de qua-
lidade inferior e sua árvore tem que ser derrubada para a extração do látex.
Assim, os interesses e investimentos fluíram para o Acre e sua abundância
de Hevea brasiliensis. Na década de 1870, esse movimento coincidiu com
uma grande seca no semiárido nordestino brasileiro. Dezenas de milhares
de camponeses perderam seus meios de subsistência, morrendo de fome
ou procurando emprego em outras regiões. Isso ofereceu à nova classe de
protosseringalistas no Amazonas uma solução para seu problema de falta
de mão de obra para abrir seus seringais; e esta é a origem da história de
Hélio Melo, o seringueiro.
Aquele João Gabriel, cuja feitoria Chandless havia registrado, em 1864,
no baixo Purus, era originário de Uruburetama, no Ceará. Na década de
1850, ele havia começado a coletar borracha no Purus, sendo um dos pri-
meiros a permanecer ali o ano todo. Durante um período de vinte anos, ele
acumulou riquezas e avançou rio acima até que, em meados da década de
1870, encontrou uma área particularmente promissora, na foz do Rio Anti-
mari, que deságua no Rio Acre. Ele retornou a Uruburetama para recrutar
mão de obra entre as vítimas da seca, e voltou ao Antimari em 3 de fevereiro
de 1878, no vapor Anajás, com sessenta recrutas — cinquenta e seis cearen-
ses, um amazonense, um paraense e um piauiense, além de um português.
Um desses cearenses era o bisavô de Hélio Melo.
A fundação dos seringais de João Gabriel na confluência dos rios Acre
e Antimari foi reproduzida por muitos outros seringalistas. Em um período
de vinte anos, formaram-se cerca de cem seringais no vale do Acre e qua-
trocentos no Juruá; estes e os dos rios Purus, Iaco e Tarauacá constituíam o
núcleo da produção global de borracha.
SERINGUEIRO, 1990
Em 1887, havia cerca de dez mil brasileiros no Acre e, em 1898, esse número
já se elevara a sessenta mil. Tanto o governo brasileiro quanto o boliviano per-
ceberam que esses brasileiros haviam cruzado a linha leste-oeste do rio Madei-
ra ao Javari, traçada pelo Tratado de Ayacucho, e estavam ocupando território
boliviano. Em 1898, a Bolívia enviou tropas para impor sua autoridade sobre
a região, estabeleceu um posto alfandegário no Rio Acre, em um local que foi
batizado de Puerto Alonso, e começou a taxar a borracha que descia rio abai-
xo para Manaus e Belém. Seguiram-se cinco anos de um episódio marcante
de hostilidades militares, diplomacia e financiamento internacional que mal é
lembrado fora do Acre.
Os seringalistas acreanos reagiram à declaração boliviana de soberania
e, com o apoio do governo provincial de Manaus, buscaram expulsar as tropas
bolivianas e extinguir o posto alfandegário. Manaus forneceu armas aos acrea-
nos e despachou um espanhol — Luis Gálvez, geralmente descrito como um
“aventureiro”, mas na verdade um jornalista e ex-diplomata — para aconselhar
os rebeldes. Tendo derrotado os bolivianos e renomeado Puerto Alonso como
Porto Acre, em julho de 1899, os acreanos declararam o Estado Independente
do Acre, com Gálvez como presidente. Em poucos meses, os revolucionários
estabeleceram um governo funcional com instituições modernas, feito ainda
mais notável devido às distâncias e dificuldades logísticas envolvidas. Eles pro-
puseram a anexação do estado pelo Brasil. Apesar da presença de milhares de
cidadãos brasileiros e do princípio aceito de uti possidetis, a resposta do governo
federal brasileiro foi honrar os termos do Tratado de Ayacucho e confirmar a
área como boliviana. O governo despachou uma canhoneira rio Purus acima a
fim de dissolver o governo e prender Gálvez. Os bolivianos retornaram ao Acre
e voltaram a tributar a borracha exportada da região.
O governo da província de Manaus financiou outra expedição revolucioná-
ria, que os críticos contemporâneos afirmavam ter sido composta por intelec-
tuais e artistas de Manaus e foi zombeteiramente chamada de Expedição dos
APRESENTAÇÃO DE SOLDADOS Poetas. Chegando ao Acre em novembro de 1900, a expedição proclamou a
DA BORRACHA EM FORTALEZA PARA segunda república independente, mas em cerca de um mês foi debandada pe-
EMBARQUE RUMO A AMAZÔNIA.
DÉCADA DE 1940 62 63 las forças bolivianas em Puerto Alonso e os sobreviventes devolvidos a Manaus.
Em Londres e Nova York, a Bolívia vinha planejando uma solução para a
questão do Acre que sustentasse sua reivindicação de soberania. Em 1901, o
país anunciou a criação do Sindicato Boliviano, uma empresa internacional
para a colonização do Acre. Os investidores, principalmente estadunidenses,
receberiam uma concessão de trinta anos para administrar o Acre, arrecadar
impostos, controlar a segurança pública e fornecer serviços públicos e in-
fraestrutura. Dessa vez, não apenas o governo provincial de Manaus, mas
também o governo federal do Rio de Janeiro reagiram. Com o apoio de am-
bos, um terceiro Estado Independente do Acre foi proclamado e os seringalis-
tas voltaram a armar seus trabalhadores. O comando dessa força militar foi
dado a José Plácido de Castro, ex-major do exército que trabalhava como agri-
mensor no Acre. Seguiu-se um ano de escaramuças e confrontos armados,
com Plácido de Castro levando vantagem nos últimos meses de 1902. O últi-
mo comandante boliviano rendeu-se em janeiro de 1903 e o governo federal
enviou tropas para controlar seu novo território. No final de 1903, Brasil e
Bolívia chegaram a um acordo no Tratado de Petrópolis, segundo o qual o
Acre seria incorporado ao Brasil e a Bolívia, recompensada.
O Acre tornou-se um território federal do Brasil e uma nítida sensação
de injustiça passou a habitar a visão de mundo do acreano. Do ponto de
vista dos acreanos, os heroicos acontecimentos de 1899 a 1903 impediram
que eles se tornassem bolivianos, mas seu desejo de integrar o Brasil de
forma plena aparentemente foi aceito com relutância pelo governo federal.
Eles constituíam um setor econômico dinâmico cujas receitas de exporta-
ção contribuíam para a economia brasileira, lutaram para expandir o ter-
ritório nacional, seus impostos subsidiaram o crescimento vertiginoso de
Manaus — que passou de um pequeno entreposto ribeirinho à cidade mais
moderna da América do Sul — e, no entanto, sua terra meramente angariou
o status de território administrado. Plácido de Castro continuou a defender
um estado independente, enquanto a maioria — os autonomistas — defen-
dia sua plena autonomia como estado dentro da federação brasileira. Foi
esta a causa política que persistiu por sessenta anos, permanecendo em
vigência ao longo dos primeiros anos de vida de Hélio Melo, e só sendo re-
solvida três anos depois de sua mudança para Rio Branco.
Os seringalistas brasileiros continuaram prosperando por mais alguns
anos. Em 1906, o Brasil respondia por 99% da produção mundial de bor-
racha e o Acre contribuía com grande parte disso. No entanto, em uma
história que foi contada muitas vezes em outros lugares, os bons tempos
chegaram ao fim abruptamente. Em 1876, Henry Wickham, um explorador
inglês, havia transportado setenta mil sementes de Hevea brasiliensis para
Londres. Ele o fez sob falsos pretextos, em um dos maiores exemplos de
“MAIS BORRACHA PARA A VITÓRIA”, biopirataria com maiores consequências econômicas para o país de origem.
JEAN-PIERRE CHABLOZ
CARTAZ CRIADO PARA O SERVIÇO As mudas foram cultivadas no jardim botânico de Kew Gardens e enviadas
ESPECIAL DE MOBILIZAÇÃO DE
TRABALHADORES PARA A AMAZÔNIA, para as colônias britânicas na Ásia, onde as plantações de borracha foram
SEMTA, 1943 estabelecidas. A borracha das plantações asiáticas era mais barata e mais
PRÓXIMA DUPLA: facilmente manejada e comercializada. O preço pago pela borracha brasilei-
MARCHA CÍVICA — PRAÇA JOSÉ DE ra despencou depois de 1912 e, em 1920, a borracha brasileira representava
ALENCAR, FORTALEZA. DÉCADA
64 DE 1940 apenas 20% da produção mundial.
A essa altura, muitas famílias seringalistas já haviam tido várias décadas
para diversificar seus bens, usando a riqueza obtida de seus seringais para in-
vestir em propriedades, comércio ou indústria em Manaus, Belém ou Rio de
Janeiro. Seus descendentes deixaram de viver nos (ou para os) seringais fami-
liares, que passaram a ser negligenciados, mantidos como ativos e geridos por
feitores ou arrendatários. Apesar da produção ter diminuído ao longo de trinta
anos (seu valor certamente caiu), para os seringueiros, a vida mudou pouco.
A Segunda Guerra Mundial trouxe uma crise de abastecimento de bor-
racha para os Estados Unidos e seus aliados. As tropas japonesas ocuparam
as áreas das plantações de borracha asiáticas e as ligações marítimas foram
interrompidas pela guerra submarina. Os Estados Unidos e o Brasil concor-
daram em revitalizar a produção de borracha da Amazônia para efeitos de
compensação. O acordo coincidiu com outra seca no Nordeste do Brasil, e o
governo recrutou 54 mil trabalhadores (trinta mil só do Ceará) para traba-
lhar como seringueiros no Acre. A operação ficou conhecida como Batalha
da Borracha, e os soldados (“soldados da borracha”) foram recrutados em
regime de mobilização de combate — repatriação no final da guerra, pensão
militar e ajuda no reassentamento. Um novo banco federal — o Banco de
Crédito da Borracha — foi criado para canalizar crédito aos seringalistas e
financiar suas operações.
Com o advento do fim da guerra, os soldados da borracha foram previ-
sivelmente esquecidos pelo governo brasileiro, somados ao contingente de
seringueiros que subsistia na novamente moribunda indústria da borracha
amazônica. Moribunda, mas não morta, já que o peso político dos seringa-
listas possibilitou que eles fizessem pressão pela continuidade do forneci-
mento de crédito federal subsidiado e por um sistema de preços mínimos
que lhes permitisse não ter prejuízos e manter a posse de seus seringais e
de sua força de trabalho por um período de mais vinte anos.
Em 1965, o governo militar instalado pelo golpe de 1964 acabou com a
garantia do preço mínimo e, aos seringalistas, restaram empreendimentos
deficitários, cujo futuro retorno econômico estava no valor de seus territó-
rios, e não no valor da borracha produzida. Na época, o valor de mercado do
terreno era próximo de zero, mas isso começaria a mudar na década de 1970.
SOLDADOS DA BORRACHA
EMBARCANDO EM FORTALEZA.
DÉCADA DE 1940 68 69
Voltemos ao mundo do seringal, mundo em que cresceu seu Hélio, para exa-
minar como ele funcionava do ponto de vista do seringueiro. Um migrante
prestes a ser seringueiro, como seu bisavô, trazido do nordeste, iniciava sua
nova vida de trabalhador já devendo ao seringalista os custos de sua viagem
até o seringal, viagem esta que durava várias semanas. No seringal, o se-
ringalista empregava dois trabalhadores para preparar áreas individuais de
floresta para cada seringueiro. O mateiro procurava as seringueiras na mata
virgem e o toqueiro abria caminho de árvore em árvore. Entre eles, fariam
um circuito que percorria de cem a cento e cinquenta árvores, chegando de
volta ao ponto de partida. Cada circuito era conhecido como uma estrada de
seringa. Normalmente, um seringueiro percorreria três estradas, cada uma
começando perto das outras, mas seguindo um circuito diferente. A pintura
Estrada da floresta, de seu Hélio, ilustra o desenho.3
Perto do início das estradas ficava a casa do seringueiro,4 erguida sobre
palafitas e construída em madeira ou bambu, com telhado de palma. Toda a
área compreendida pelas estradas e a casa é conhecida como colocação — do
verbo “colocar”, ou seja, onde o seringueiro foi colocado pelo seringalista. Um
seringueiro estava relativamente isolado em sua colocação; seus vizinhos mais
próximos podiam estar a uma distância de cinco a dez minutos, até trinta a
quarenta minutos a pé. A área coberta por uma colocação média girava em
torno de quinhentos a seiscentos hectares.
A jornada de trabalho é longa e difícil. Saindo antes do amanhecer, o
seringueiro visita cada árvore de uma estrada, fazendo uma incisão em de-
clive na casca e posicionando uma tigelinha de metal no final da incisão para
recolher o látex que escorre. Voltando ao ponto de partida, e com sorte tendo
comido alguma coisa, ele se põe de novo a caminho com um saco no qual
derrama o látex líquido das centenas de incisões. Voltando pela segunda vez O seringueiro trabalha uma estrada por vez, de modo que, a cada sema-
no final da tarde, começa a terceira parte do dia de trabalho. Trata-se da defu- na, ele faz duas sangrias nas árvores de cada estrada. Periodicamente, um
mação do látex líquido em um espeto sobre uma fogueira em uma estrutura funcionário do seringal visita a colocação com animais de carga para coletar
denominada defumador, localizada próxima à casa. É um trabalho a quente a borracha e deixar as mercadorias encomendadas pelo seringueiro. Uma
que consiste em respirar fumaças pungentes enquanto, um dia após o outro, vez por ano, o contador mostra ao seringueiro um extrato de conta. Uma
constrói-se uma bola de látex solidificado até que ela atinja quarenta ou cin- produção anual de mil quilos é considerada a quantidade padrão necessária
quenta quilos, para ser entregue no barracão. para manter o déficit do seringueiro em um nível administrável ou para
Sucessivas incisões inclinadas na casca formam um padrão de espinha que ele obtenha um pequeno excedente. Um seringueiro trabalhador, com
de peixe, que começa na altura do alcance do seringueiro e desce até a base árvores produtivas, famílias pequenas, hábitos frugais e sem interrupções
da árvore. Uma vez sangrada essa área da árvore, o seringueiro volta ao pon- por doenças, pode atingir mil e quinhentos quilos por ano. O ano de sangria
to inicial e faz incisões em movimento ascendente. Isso envolve cortar de- corresponde aos meses secos (abril a setembro). Durante os meses úmidos
graus em um pedaço de madeira para usá-lo como escada ou construir uma de inverno, são coletadas castanhas-do-pará.
plataforma ao redor da árvore. Trabalhar sozinho na floresta é arriscado e As rotinas de extração da borracha são tema de grande parte da arte de
muitos seringueiros cansados e apressados caíam e se machucavam escalan- Hélio Melo. Em suas pinturas e escritos, o objetivo é demonstrar as habilida-
do uma estrutura improvisada e úmida. des que o seringueiro precisa ter para operar e sobreviver em um ambiente
desafiador, para zelar pelas árvores de forma a navegar, em centenas de opera-
3 A versão de seu livro O caucho, a seringueira e seus mistérios (p. 41) ilustra com mais deta-
ções diárias, a linha tênue entre maximizar o fluxo de látex de cada incisão e
lhes os nomes dados aos componentes da estrada — a varação (um atalho a ser tomado quando a ESTRADA DA FLORESTA cometer o erro do corte descuidado ou muito profundo, que danifica a árvore.
[TAMBÉM ESTRADA DE SERINGA],
chuva ameaça), o estirão (um trecho sem seringueiras), a manga (uma trilha curta e sem saída REPUBLICADO NA CARTILHA O
saindo da trilha principal para chegar a uma árvore), o oito (um trecho em forma de oito) e a CAUCHO, A SERINGUEIRA E SEUS
perna de entrada e a perna de saída (o caminho inicial e o caminho de retorno). MISTÉRIOS, 1984, COM ANOTAÇÕES
4 Conhecida como tapiri, palhoça ou barraco. 70 EXPLICATIVAS.
SEM TÍTULO, 1989
6 Lema lançado por Humberto Castelo Branco, primeiro presidente do Brasil durante o
período da Ditadura Militar. [ne]
Em meio a esse súbito influxo de forasteiros e a mudanças dos supos-
tos proprietários das terras que ocupavam, havia dezenas de milhares de
seringueiros — e as múltiplas comunidades indígenas do Acre.
Os seringueiros descobriram que não tinham direitos legais de ocupação
de suas colocações. Num processo acelerado de expulsões, representantes de
novos proprietários chegavam e ordenavam aos seringueiros e a suas famílias
que desocupassem, em questão de dias ou horas, a colocação em que viviam
e as estradas que haviam explorado, às vezes por gerações. Coagidos a isso,
alguns receberam dinheiro para tomar o barco ou o ônibus para Rio Branco,
muitos não. Como vimos anteriormente, a população do município de Rio
Branco em 1960 era de 48 mil habitantes, dos quais dezessete mil residiam
na cidade. Nas décadas subsequentes, a população municipal aumentou subs-
tancialmente: 85 mil (1970), 150 mil (1980), 197 mil (1991). A maior parte
desse crescimento ocorreu na cidade de Rio Branco, que passou de 23 bairros
em 1970 a 133 em 1999, e englobava migrantes do interior do estado.
Durante um período de 25 anos, de meados dos anos 1970 a 2000, o
Acre — em particular Rio Branco e o vale do Rio Acre — sofreu uma trans-
formação substancial e violenta: de uma sociedade que tinha suas raízes
no seringal e na cultura amazônica ribeirinha, com forte influência de há-
bitos, sotaques e visão de mundo nordestinos, passou a ser uma sociedade
menos circunspecta, mais heterogênea e discordante, com forte ênfase na
pecuária e que cada vez mais, em termos de cultura e modos, em vez de ram jornais investigativos alternativos focados em notícias locais de cunho
uma sociedade amazônica, se comportava como um reduto do agronegócio político e social, particularmente a respeito de conflitos rurais envolvendo
predominante das regiões central, sudeste e sul do Brasil. seringueiros e populações indígenas. O mais proeminente foi o Varadouro
Em suas pinturas, seu Hélio explorou amplamente esse momento de (“Um jornal das selvas”), publicado entre 1977 e 1982.
confronto entre o mundo do seringal e a chegada da pecuária. Não devemos Muitos seringueiros despejados mudaram-se para Rio Branco ou outras
nos iludir pensando que suas representações de famílias de seringueiros sain- cidades menores e aprenderam a sobreviver em um ambiente urbano. Al-
do de sua colocação enquanto uma vaca descansa na varanda, de uma vaca guns aceitaram o reassentamento como pequenos agricultores em projetos
empoleirada em uma seringueira ou dos animais da floresta de mãos dadas e federais ou estaduais de colonização. O governo do estado, que assumiu em
chorando são mero capricho; elas incorporam uma compreensão amarga do 1974, estava atento à situação de potenciais conflitos rurais e demonstrou
significado da cena e uma raiva latente por sua ocorrência. alguma preocupação com a situação dos ex-seringueiros. Procurou assentá-
Junto dos fazendeiros, seus advogados, capatazes e peões, e dos pobres -los como pequenos produtores, permitindo assim o crescimento do setor do
migrantes rurais que buscavam dias melhores no Acre, chegaram a Rio agronegócio enquanto reduzia os riscos de conflito.
Branco um exército de funcionários federais — administradores, economis- No entanto, alguns seringueiros resistiram ao despejo. Sua forma de re-
tas, funcionários das agências de reforma agrária, de questões indígenas, sistência apresentava desafios não apenas para os fazendeiros que chegavam
de inteligência — e outros novos atores. A Confederação Nacional dos Tra- e queriam suas colocações, ou para as autoridades governamentais preocu-
balhadores na Agricultura enviou delegados para dar início ao processo de padas com a propagação da violência e da “subversão”, mas também para os
criação dos sindicatos dos trabalhadores rurais entre seringueiros e peque- sindicalistas enviados de Brasília com o intuito de ajudá-los a proteger seus
nos proprietários. A igreja católica ampliou sua presença e atuação junto às interesses. Sindicatos de trabalhadores rurais estavam sendo estabelecidos
comunidades rurais, urbanas e indígenas. Antropólogos e cientistas sociais, em municípios do vale do Acre. Os sindicatos de Brasiléia, primeiro, e de
ligados à nova universidade federal ou outras instituições, começaram a rea- Xapuri, posteriormente, estiveram na vanguarda da resistência às remoções
lizar trabalhos de campo em seringais, comunidades indígenas e outros e da reflexão sobre um possível modelo alternativo de desenvolvimento rural
assentamentos rurais, e a investigar a atuação de órgãos estaduais e federais que protegesse tanto seus direitos quanto o meio ambiente.
e do setor agropecuário. Os mais visíveis, talvez, foram os jornalistas — al- Esses líderes sindicais argumentaram que a extração de borracha não
guns deles correspondentes locais de jornais diários do Rio de Janeiro e de “MUTIRÃO CONTRA A JAGUNÇADA” estava condenada. Ela poderia continuar sendo uma atividade viável, abaste-
São Paulo — que colocavam diante de uma audiência nacional as notícias EMPATE NA ESTRADA DA BOCA cendo o mercado interno com um recurso estratégico, de maneira a permi-
DO ACRE (BR 317), EM SETEMBRO
dos acontecimentos correntes no Acre. Alguns também criaram e sustenta- 80 DE 1979 tir que seringueiros melhorassem suas condições de vida e participassem
dos benefícios da sociedade moderna. Eles argumentaram que era possível SERINGUEIROS REUNIDOS
EM XAPURI PARA UM EMPATE CONTRA
ao estado fornecer serviços de educação e saúde no seringal; que o forneci- O DESMATAMENTO DE SEU SERINGAL
mento de energia elétrica era viável, permitindo às famílias de seringueiros POR NOVOS PROPRIETÁRIOS
PAULISTAS. DÉCADA DE 1970
que se beneficiassem de eletrodomésticos e ferramentas que poupariam
trabalho; e que pequenos investimentos em melhorias nos varadouros (tri-
lhas) permitiriam aos seringueiros ir e vir de motocicleta.
A principal novidade desse modelo residia na forma de ocupação ter-
ritorial proposta. A política de reforma agrária e a lógica dos órgãos gover-
namentais de reforma agrária e do movimento sindical dos trabalhadores
rurais baseava-se no lote individual e na propriedade privada. Havia duas op-
ções básicas. Ou os beneficiários da reforma agrária seriam assentados em
suas propriedades atuais, tendo o latifundiário sido desapropriado e a pro-
priedade subdividida entre os trabalhadores; ou os beneficiários poderiam
ser reassentados em novos assentamentos de colonização. Em ambos os ca-
sos, eles seriam assentados em lotes individuais com a perspectiva de obter
títulos legais individuais. No entanto, o movimento seringueiro de Brasiléia
e Xapuri propunha um modelo radicalmente diferente. Eles queriam que o
seringal continuasse sendo uma propriedade que produzia borracha, casta-
nha-do-brasil e outros produtos florestais através da iniciativa conjunta de
seus ocupantes. A titularidade individual da colocação prejudicaria essa pos-
sibilidade, pois seringueiros independentes estariam livres para administrar
sua colocação enquanto propriedade privada — derrubando a floresta ou ven-
dendo a colocação no livre mercado, se assim o quisessem. No novo modelo
alternativo, seus meios de vida coletivos dependeriam da manutenção da
cobertura florestal e sua viabilidade dependeria, portanto, em tomadas de
decisão e gestão coletivas.
Esse novo modelo radical exigia que o estado expropriasse o seringal
em questão (ou confirmasse que se tratava de terra pública; como vimos an-
teriormente, muitos seringalistas reivindicavam a propriedade com base em
títulos parciais e legalmente duvidosos). As comunidades de seringueiros
poderiam então arrendar a propriedade do governo federal para a implemen-
tação de um empreendimento comunitário de desenvolvimento baseado na
gestão comunal de atividades econômicas, envolvendo a comercialização de
produtos florestais não madeireiros e uma gestão ambiental que proibisse o
desmatamento.
Seus proponentes chamaram esse modelo de reserva extrativista. O
nome também simboliza uma mudança radical. Faz referência à ideia de
reserva indígena, e essa identificação, por parte dos seringueiros, de um in-
teresse comum com as comunidades indígenas constitui uma reconciliação
histórica. O avanço da extração da borracha ao longo do sistema fluvial ama-
zônico representou uma invasão cruel e violenta das comunidades indígenas
e de seus territórios. Algumas comunidades recuaram rio acima na esperan-
ça de evitarem os recém-chegados, ou porque perderam o acesso aos recur-
sos de que dependiam. Outras tentaram resistir por meio de ataques à incur-
são e à instalação dos seringais. Esses ataques foram alvo de investidas
punitivas organizadas pelo seringal, que usava grupos de seringueiros para
localizar e matar, perseguir ou escravizar as comunidades indígenas que 82
encontravam. Às vezes, os cativos eram incorporados à força de trabalho, O movimento de resistência seringueiro e a campanha pela proteção da
mas o principal objetivo do seringalista seria afastar a comunidade e impe- floresta amazônica tiveram trajetórias convergentes. Em 1985, seringueiros
dir novos ataques ou a competição pelos recursos florestais. Essas correrias do Acre, com a ajuda de aliados, organizaram o primeiro encontro nacional
continuaram no século 20, mas, no final do século, uma das duas seguintes de seringueiros. Realizado em Brasília, foi um acontecimento de abrir os
situações prevaleceu. Na primeira, os grupos indígenas recuaram rio acima olhos. Centenas de representantes de todos os cantos da região amazônica
para onde não havia seringais e reconstruíram suas comunidades e meios chegaram a Brasília depois de passar dias e, em alguns casos, uma sema-
de subsistência. Na segunda, as comunidades foram incorporadas aos serin- na ou mais viajando a pé, de barco e de ônibus para chegar ao encontro. A
gais e se tornaram superficialmente indistinguíveis dos seringueiros não reunião estabeleceu uma nova organização — o Conselho Nacional dos Se-
indígenas, falando português e adotando estilos de vida regionais. Por exem- ringueiros (renomeado, a partir de 2009, como Conselho Nacional das Po-
plo, a região do Antimari, onde Hélio Melo nasceu e foi criado, era o territó- pulações Extrativistas) — e endossou o conceito de reserva extrativista. Hélio
rio ancestral do povo Apurinã. Descritos pelos primeiros viajantes como um Melo participou, vendendo seus quadros e tocando suas músicas. O cartaz
povo numeroso e valente, muitos Apurinã passaram o século 20 trabalhan- do encontro usou uma de suas pinturas.
do para os seringais locais, escondidos em plena vista. Somente com a desin- Nos anos seguintes, foi construída uma aliança entre os seringueiros do
tegração do sistema do seringal e a crescente luta pelos direitos territoriais Acre, sobretudo por meio do sindicato dos trabalhadores rurais de Xapuri, e
indígenas é que eles ressurgiram como comunidades Apurinã, pois haviam organizações ambientais no Brasil e no exterior, principalmente nos Estados
mantido sua língua e tradições, que em grande parte passaram despercebi- Unidos, em campanha contra o desmatamento da Amazônia. Essa aliança con-
das pela população regional. centrou-se especialmente no empréstimo concedido ao governo brasileiro pelo
No último quarto do século 20, a luta dos indígenas do Acre correu Banco Interamericano de Desenvolvimento para pavimentar o trecho final da
paralela à dos seringueiros: sob pressão interna e externa, o regime militar rodovia do centro-oeste, entre Porto Velho, capital de Rondônia, e o Acre. À
iniciou um processo de identificação e demarcação de terras indígenas no HÉLIO MELO EM UMA TOYOTA luz da experiência de um empréstimo anterior, destinado à pavimentação do
RETORNANDO DE BOCA DO ACRE
Acre. Como esse processo se desenrolou — com a crescente compreensão de PARA RIO BRANCO. trecho da rodovia de Cuiabá a Porto Velho, que resultou em uma onda de des-
seus direitos legais pelas comunidades indígenas e sua luta pelo reconhe- matamento e migração descontrolados, o novo empréstimo incluiu salvaguar-
cimento dos mesmos, em particular a demarcação de suas terras — é uma das rígidas de proteção ambiental e dos povos indígenas. Ficava cada vez mais
outra história que não pode ser contada neste texto, exceto para dizer que, claro que nem o governo federal nem os governos estaduais envolvidos tinham
por meio da mobilização e pressão comunitárias e com a ajuda de aliados, já intenção, capacidade ou vontade de cumprir o contrato de empréstimo. O presi-
foram demarcadas mais de trinta terras de treze etnias diferentes da região. dente do sindicato de Xapuri, o seringueiro Chico Mendes, passou a ser o por-
De um estado de indiferença ou hostilidade, as relações entre indígenas ta-voz das reivindicações para que o banco suspendesse o desembolso do em-
e seringueiros se transmutaram em um reconhecimento mutuamente soli- préstimo até que as salvaguardas fossem respeitadas. Diante das avaliações de
dário de seus interesses comuns em garantir direitos e a proteção da floresta descumprimento proporcionadas por essa inédita ligação direta entre Xapuri e
que forma a base do sustento de ambos. Washington, o empréstimo foi suspenso. De repente, as apostas aumentaram
No auge da onda de conversão de seringais em fazendas nas décadas de quando os governos estadual e federal foram forçados a considerar as implica-
1970 e 1980, os seringueiros de Brasiléia e Xapuri adotaram uma forma ções do poder das redes de cidadãos internacionais. Da mesma forma, os ati-
inédita e eficaz de enfrentamento não violento. Quando os fazendeiros apa- vistas ambientalistas foram obrigados a reconhecer que, dadas as circunstân-
reciam para expulsar as famílias de seringueiros e começar a desmatar a cias certas, os trabalhadores que fazem uso econômico da floresta não apenas
floresta para pastagem, os seringueiros os confrontavam em massa para têm um interesse semelhante ou maior que o deles em conservar os recursos
convencê-los a não prosseguir. Os peões do rancho estavam em menor nú- florestais, mas também podem ser os melhores guardiões da biodiversidade
mero. O fato de estarem armados não era garantia de superioridade na luta florestal. Os sindicalistas foram forçados a admitir que, além das questões de
e, sendo eles próprios em muitos casos ex-seringueiros, eram suscetíveis aos terra e direitos trabalhistas, proteger e melhorar os direitos e meios de vida dos
apelos à sua compreensão e solidariedade. O resultado foi que essas ações trabalhadores deveria incluir a luta pela proteção ambiental. Essa união de ato-
(chamadas de “empates”) muitas vezes dificultavam o desmatamento e o res, preocupações e campanhas anteriormente distintas, que teve no Acre um
preparo da terra para receber o gado. Alguns dos primeiros investidores em- de seus primeiros palcos, teve consequências no Brasil e no mundo e colocou
presariais desistiram nesse estágio, para reduzir suas perdas ou seus riscos o movimento dos seringueiros no centro do conceito de socioambientalismo.
reputacionais. No entanto, isso significava que eles eram frequentemente Em 1988, Chico Mendes foi assassinado por fazendeiros, assim como
substituídos por fazendeiros independentes ainda menos escrupulosos. Foi acontecera com Wilson Pinheiro oito anos antes. Chico Mendes não foi o pri-
nessa crescente atmosfera de tensão que a violência se acentuou. Em 1980, o meiro ativista seringueiro a ser assassinado em Xapuri naquele ano e, na data
presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, o seringueiro em que foi morto, pouco antes do Natal, ele se tornou o nonagésimo trabalha-
Wilson Pinheiro, foi assassinado por ordem de um fazendeiro. 84 85 dor rural a ser assassinado no Brasil naquele ano. Atordoado pela tempestade
internacional de condenações que se seguiu, o governo brasileiro reestruturou GLOSSÁRIO Barracão: armazém e escritório do seringuei- Regatão: ver “mascate”.
as agências ambientais federais e adotou o conceito de reserva extrativista que, ro, estoca a borracha coletada do serin- Seringal: uma área de floresta que se estende
gueiro para posterior embarque, e recebe desde a margem do rio e onde processos
com o tempo, foi aplicado não apenas aos seringueiros, mas a outras catego- e armazena mercadorias comerciais para naturais resultaram em seringueiras que
rias de coletores e colhedores de recursos naturais. Para melhorar suas cre- venda ao seringueiro. cresceram aleatoriamente e em baixas den-
denciais ambientais internacionais, o Brasil também se ofereceu para sediar a Cativo: seringueiro sujeito às práticas traba- sidades, e é reivindicada (como propriedade
lhistas restritivas impostas pelo seringa- privada, com base em título legal ou ocupa-
Cúpula da Terra das Nações Unidas (a eco-92) em 1992. lista (cf. liberto). ção de fato) por um empresário que busca
Seu Hélio estava envolvido nisso tudo. Como a maioria dos rio-branquen- Catraia/catraeiro: pequena embarcação de pas- extrair látex de suas árvores e escoar a pro-
ses da época, ele acompanhou o desenrolar dos acontecimentos à medida que sageiros, canoa/barqueiro. dução para exportação.
Colocação: área do seringal ocupada por um Seringalista: o patrão. Dependendo do seu ta-
eles eram discutidos nos locais de trabalho, nos lares e na vida social e cultu- seringueiro, compreendendo a casa, estra- manho e de como o seringal é gerido, este
ral de Rio Branco. Aceitou se candidatar ao cargo de vereador de Rio Branco das associadas e defumador, abrangendo título pode referir-se ao proprietário final,
pelo Partido dos Trabalhadores nas eleições municipais de 1988, mas não foi possivelmente várias centenas de hectares a um operador subsidiário ou a um admi-
e relativamente isolada das colocações vizi- nistrador.
eleito. Ele tinha um emprego de vigia noturno, seu tempo livre era dedicado nhas; derivado da palavra “colocar” — ou Seringueiro: trabalhador que extrai o látex das
à sua arte, e ele não era mais seringueiro, então não estava necessariamente seja, onde um seringueiro foi colocado seringueiras. Residente em colocação, su-
envolvido de forma direta no dia a dia do movimento dos seringueiros. Mas, pelo seringalista. jeito às regras e procedimentos estabeleci-
Defumador Fumeiro, estrutura onde o serin- dos pelo seringalista. O seringueiro pode
consolidada sua reputação de artista local, participou dos círculos de jornalis-
gueiro defuma a coleta diária de látex líqui- ser “cativo” trabalhar individualmente, ou
tas, pesquisadores, agentes culturais e outros artistas que formavam uma reta- do para formar uma bola sólida (a “péla”) em grupo auto-organizado (sendo, assim,
guarda urbana para os acontecimentos do interior. O seringal foi o seu mundo para que ela seja entregue ao barracão “liberto”).
Empate: impasse ou confronto pacífico entre Toqueiro: funcionário do seringalista que abre
e continua a ser o motor fundamental da sua arte.
seringueiros e trabalhadores contratados uma trilha ligando as árvores identificadas
Hélio Melo viveu os primeiros anos de um governo estadual que preten- por um fazendeiro para derrubar a flores- pelo mateiro para formar uma estrada.
dia incorporar os ideais dos seringueiros e buscava implantar um novo mode- ta com o objetivo de criar pasto.
lo de desenvolvimento adequado às realidades socioambientais de um estado Estrada: trilha sinuosa que conecta de 100 a
150 seringueiras na mata começando e
amazônico. A gestão denominou-se o Governo da Floresta e seu modelo de terminando na casa do seringueiro. Um
desenvolvimento foi chamado de Florestania. O governo tomou a arte de seu seringueiro normalmente tem três estra-
Hélio como emblema da Florestania, publicando novas tiragens de seus livros das, trabalha uma por dia, em rodízio, fa-
zendo dois circuitos por dia — o primeiro
e utilizando seus desenhos para ilustrar suas publicações. Ao inaugurar um para sangrar cada árvore e o segundo para
centro de artes cívicas próximo ao palácio do governador, no centro da cida- coletar o látex.
de, o governo batizou-o de Memorial dos Autonomistas, em reconhecimento à Liberto: o seringueiro que não está mais su-
jeito às práticas trabalhistas restritivas im-
campanha pela soberania do estado; o auditório do centro recebeu o nome de postas pelo seringalista (cf. cativo)
Theatro Hélio Melo. O uso da forma “theatro” é uma evocação ao período do Mapinguari: ser mítico que habita as florestas
Estado Independente do Acre e à campanha dos autonomistas. É também uma amazônicas — um ciclope humano peludo
com uma boca escancarada em seu abdô-
evocação adequada de Hélio Melo, pois em muitos aspectos ele encarnou os men — que se parece com a preguiça terres-
modos de uma época anterior: cortês, reservado, mas sociável, autodepreciativo tre gigante (Megatherium americanum) que
e irônico, ao mesmo passo que confiante em sua mirada através dos grandes foi extinta há cerca de 12.000 anos. Essa ex-
tinção coincidiu com a chegada dos primei-
óculos empoleirados na ponta do nariz. Ele conhecia o seringal — que era o ros humanos nas Américas e alguns suge-
seu mundo, e ele sabia o seu valor. Sua missão era registrá-lo e mostrar ao rem que o Mapinguari seja uma memória
mundo sua importância. cultural do M. americanum; outros defen-
dem a sobrevivência da preguiça-gigante
terrestre em refúgios florestais remotos.
Margem: a beira do rio, sede do seringal e lo-
cal do barracão.
Mascate: comerciante ambulante, vendia mer-
cadorias e comprava borracha e castanha-
-do-pará do seringueiro, independentemen-
te do seringalista. Também conhecido como
regatão.
Mateiro: funcionário do seringalista cuja tare-
fa é localizar seringueiras na Floresta.
EXPULSÃO I, 1990
95 SÉRIE VIA SACRA DA AMAZÔNIA
O PESO DA CRUZ, 1990 REUNIÃO, 1990
SÉRIE VIA SACRA DA AMAZÔNIA SÉRIE VIA SACRA DA AMAZÔNIA
PRÓXIMA DUPLA:
COLHENDO LÁTEX II, 1995 122 123 TEMPO DOS CORONÉIS I, 1983
CORTANDO SERINGA, 1996 SEM TÍTULO, 1982
MAPA DA ESTRADA (SERINGA), 1998 128 129 CAMINHO DO SERINGUEIRO E/OU ESTRADA DA SERINGA, 1996
COLHENDO LÁTEX, 1998 130
O HOMEM E O BURRO I, 1984
O HOMEM E O BURRO II, 1988 134
CAMINHO SEM DESTINO II, 1989
O MAPINGUARÍ, 1996
INTRODUÇÃO
Mais de quinze anos separam a escrita do presente texto sobre o artista Hélio
Melo (1926-2001) de sua participação na 27a Bienal de São Paulo em 2006.1
Analiso aqui esse processo curatorial com o intuito de explicitar como a flo-
resta amazônica ganhou valor simbólico no Pavilhão modernista consagra-
do pelo nome Ibirapuera, “árvore apodrecida” ou “pau podre” em língua Tupi.
No âmbito daquela edição, que aboliu oficialmente as representações
nacionais do regulamento da instituição, o convite ao “Seo Melo”, ex-serin-
gueiro, também músico e contador de histórias, permitiu desafiar as par-
tilhas políticas que norteiam o desenho de mapas, demarcação de terras,
disciplinas do saber e identidades sociais. Além disso, a bienal do “Como
Viver Junto”2 propunha examinar a coexistência de diferentes ritmos de
“contemporaneidade”, e deu atenção especial para a eclosão de iniciativas de
resistência baseadas em coletivos e comunidades.3
Nesse sentido, a 27a Bienal de São Paulo fez a opção de destacar o teor
de verdade expresso na autorrepresentação de um artista autodidata que
se sustentou com o trabalho extrativista em seringais. De certo modo, a
figura do Hélio Melo catalisa o lento processo de aproximar o evento mais
prestigiado entre os “quatrocentões” do iv Centenário do tecido pluriétnico
da sociedade brasileira — subverter a centralidade de São Paulo e abraçar a
diversidade cultural do país. Levar a “experiência acreana” no bojo de uma
bienal de arte que estava rompendo com a lógica das “representações nacio-
nais” reforçou a vontade de desvincular-se da trajetória de uma mostra, de
aspirações moldadas pelo modelo da Biennale di Venezia, “inteiramente
dirigida para o visitante educado, culto e sofisticado”.4
1 A curadora-geral da 27a Bienal de São Paulo (2006) Lisette Lagnado montou sua equipe com
Adriano Pedrosa, Cristina Freire, José Roca e Rosa Martínez, e Jochen Volz (curador convidado).
2 Título emprestado de um seminário de Roland Barthes. Comment vivre ensemble. Simu-
lations romanesques de quelques espaces quotidiens. Notes de cours et de séminaire au Collège de
France, 1976-1977, Claude Coste (dir.), Paris: Seuil, imec, 2002, p. 36: “De qui suis-je le con-
temporain? Avec qui est-ce que je vis? Le calendrier ne répond pas bien. […] On débouchera
peut-être sur ce paradoxe: un rapport insoupçonné entre le contemporain et l’intempestif[...]”.
3 Entre os coletivos, cabe mencionar: Eloísa Cartonera, Maria Galindo (Mujeres Creando),
jamac (Jardim Miriam Arte Clube), Long March Project, pages, Tadej Pogacar (daspu), Taller
Popular de Serigrafía e Paula Trope com os “meninos do Morrinho”.
4 Cf. Barbara Weinstein, A cor da Modernidade. A branquitude e a formação da identidade
paulista. São Paulo: Edusp, 2022.
Ao estado do Acre foi atribuída função estratégica de revisão crítica da
modernidade brasileira no escopo pedagógico de uma exposição internacio-
nal. Desde sua inauguração em 1951, teve seus rumos traçados pelo crítico
Lourival Gomes Machado e reafirmados a cada nova edição: “colocar a arte
moderna do Brasil, não em simples confronto, mas em vivo contato com a
arte do mundo, ao mesmo tempo em que, para São Paulo se buscaria con-
quistar a posição de centro artístico mundial”.5 Inútil frisar que a própria
fundação do Acre ressalta a artificialidade e arbitrariedade das fronteiras
geográficas, tendo em vista que o território foi anexado ao Brasil em 1903,
após conflitos com o Peru e a Bolívia. Ainda assim, como esquivar-se das
formas europeizantes, ou seja, como trabalhar com uma realidade distante
sem emular a posição de superioridade dos viajantes dos séculos 18 e 19?
Desde 2006, multiplicaram-se documentários e dissertações sobre Hélio
Melo, evocando os dados biográficos de praxe, a saber: uma existência módica
permeada de deslocamentos com a família entre os estados do Amazonas
e do Acre de acordo com pequenos empregos aqui e acolá para garantir o
ganha-pão. A fortuna crítica dessa produção de desenhos e pinturas se de-
fronta sempre com a contextualização dos três ciclos de extração da história
da (propaganda da) borracha no Brasil. Não tenciono realizar um estudo so-
ciológico, que atravessaria o final do século 19, e narraria a saga de tragédias
envolvendo a migração de uma mão de obra nordestina fugindo das secas,
a construção da estrada de ferro (abandonada) Madeira-Mamoré conhecida
como a Ferrovia do Diabo, os interesses norte-americanos na Segunda Guerra
Mundial e a perda da posição do Brasil para a Ásia no mercado internacional.
Como escreveu José Roca, “a árvore de Hélio é, portanto, um mapa; mas é
também uma crônica.”6
Decerto, a partir dos anos 1970, o artista fez da devastação da mata ori-
ginal e de seus biomas o principal assunto de uma obra cujo itinerário cruza
camadas de memória que invocam os povos da floresta, principalmente a
figura do ambientalista Chico Mendes, líder assassinado em 1988. É possível
encontrar um repertório de textos e imagens no website baseado na disserta-
ção do professor Rossini de Araujo Castro, dando ênfase à sua luta ambiental
e ao combate contra o capital estrangeiro que dizimou as populações indí-
genas.7 A pintura O Homem e o Cavalo (1996) opera como uma espécie de
alegoria da penetração do agronegócio na Amazônia, descontrole inquietante
que o artista denunciou em suas pequenas cartilhas educativas publicadas
nos anos 1980. A devastação não é de hoje, mas intensificou-se drasticamen-
te, estimulada no Congresso Nacional pela “Bancada BBB” (bala, boi e Bíblia),
bancada representada por negócios armamentistas, ruralistas e evangélicos,
por conta de infratores ambientais, sobretudo de madeireiros e mineiros.
5 Cf. Lourival Gomes Machado, Apresentação, i Bienal do Museu de Arte Moderna de São
Paulo, 1951.
6 Cf. Lisette Lagnado e Adriano Pedrosa (ed.). 27 a Bienal de São Paulo: Como Viver Junto
(catálogo). São Paulo: Fundação Bienal, 2008.
7 “Resistência armada e estratégias pacificadoras no repertório telúrico do artista da flo-
resta Hélio Melo”, disponível em <[Link] SEM TÍTULO, 1980
Último acesso em 09/01/2023. SEM TÍTULO, 1980 161
Bem antes de surgir o conceito de “ponto de não retorno”,8 a pintura de Melo
entrega uma antevisão da crise climática planetária.
Como remover a Bienal de São Paulo de sua histórica condição subalter-
na, dependente do envio de artistas decididos unilateralmente em serviços
culturais de embaixadas dos países mais ricos? E o que oferecer no lugar?
De janeiro a dezembro de 2006, em paralelo à realização da mostra
expositiva, um ciclo de seminários temáticos9 promoveu debates com o pú-
blico acerca do significado do “além da arte”.
O último seminário da 27a Bienal levantou discussões acerca do extra-
tivismo e da biodiversidade, dos conflitos de terra, das políticas públicas de
contato e decisão de “isolar-se”, do diálogo entre a ciência dos brancos e os
povos sem escrita. Com mediação do cocurador José Roca, contou com a
participação de seis palestrantes: David Harvey, Francisco Foot Hardman,
José Carlos Meirelles, Manuela Carneiro da Cunha, Marina Silva e Thierry
de Duve. O artista Jimmie Durham, que havia lançado um apelo para boico-
tar esta edição da Bienal, aceitou e declinou na última hora.10
Sob a perspectiva atual, a ausência de pessoas indígenas nas três mesas
constitui uma falta inadmissível, sintoma do problema, que ainda vigora, no
campo da representatividade, do desrespeito histórico às populações originá-
rias. Via de regra, sujeitos brancos se autoinvestem da missão de “dar visibi-
lidade” às injustiças sociais que incidem sobre comunidades vulneráveis e
marginalizadas, sem interpelar o monopólio de sua própria fala — mudança
que levou inclusive o povo Cherokee a contestar a suposta legitimidade de
Durham. É verdade, contudo, que a reflexão teórica da “transmodernidade
decolonial”11 já ensaiava alguns passos em direção à autorrepresentação. No
Brasil, o projeto coletivo “Vídeo nas aldeias”, trabalho pioneiro do ativista e
documentarista franco-brasileiro Vincent Carelli abriu, desde 1986, possibi-
lidades inéditas para cineastas indígenas tomarem a câmera em suas mãos e
produzirem suas próprias imagens. Uma simples operação como esta, gesto
que parece trivial, de consequências monumentais, consegue deslocar a pro-
dução audiovisual da esfera paternalista do filme etnográfico.
8 Expressão de autoria do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas para de-
signar o momento em que a mudança climática não poderá mais ser revertida.
9 A 27a Bienal de São Paulo organizou seis seminários temáticos: Marcel Broodthaers, Ar-
quitetura, Reconstrução, Vida Coletiva, Trocas e Acre.
10 Cf. Maíra das Neves, “Jimmie Durham e a estranha normalidade brasileira”. In: Masp
Afterall, 2020, disponível em <[Link]
zilian-normalcy>. Último acesso em 09/01/2021.
11 O manifesto “Decolonial Aesthetics”, assinado por vári*s pensador*s, dentre el*s Alanna
Lockward e Walter Mignolo, é de 2011. Disponível em <[Link]
[Link]/decolonial-aesthetics>. Último acesso em 09/01/2023.
12 Essa análise foi defendida por Paulo Herkenhoff ao fazer o balanço dos dez anos da chama-
da “Bienal da Antropofagia”. Cf. marcelina, Revista do Mestrado em Artes Visuais da Faculdade
Santa Marcelina, ano 1, no 1, São Paulo, 2008. Disponível em <[Link]
default/files/marcelina_01.pdf>. Último acesso em 09/01/2023.
13 Cf. Zizette Lagnado Dwek, “Hélio Oiticica: o mapa do Programa ambiental” (v. 1) e “Glos-
sário do Programa ambiental de Hélio Oiticica”. Tese de doutoramento. Faculdade de Filosofia
da Universidade de São Paulo, 2003. Inédito.
14 Cf. Hélio Oiticica, Esquema Geral da Nova Objetividade, 1967. 164 165
O MAPA DA ESTRADA I, 1983 166
SEM TÍTULO, S.D. 168 169 O CAÇADOR DE ONÇA, 1983
2. HÉLIO, CONTADOR DE HISTÓRIAS
Endosso o já dito por muitos autores, Hélio Melo era um mitólogo. A coleta
de memórias ancestrais, somada à defesa ecológica da “mãe terra”, eviden-
ciam um interesse por um patrimônio tanto material como imaterial. Seu
legado é visual, mas essencialmente iluminado pela capacidade da tradi-
ção oral engendrar visões e aparições. Malcontente de fixar seu traço nas
crostas das árvores e manusear tintas fabricadas para uso próprio, o artista
procurou capturar as lendas que circulavam entre os povos que habitam a
floresta. “Capturar”, exatamente no sentido familiar ao caçador que precisa
imobilizar sua presa se quiser extrair dela um sustento e, no caso do nar-
rador, uma verdade. Há um tempero na oralidade transcrita desses livretos
semelhantes aos cordéis, entre a crítica e um humor, que vem de longe, de
tempos anteriores a qualquer inscrição. O sustento, a economia de subsis-
tência, regula a caça para evitar a extinção dos animais. Até mesmo matar
sua caça requer um ensinamento ético, um código legado de geração a ge-
ração que protege a integridade dos seres vivos. Pois “nem todo dia é dia
de caça”, conforme orienta: “O velho falou: — Meu filho, se você tiver que
matar a caça, que seja a curso e não de tocaia. Faz um grande mal matar
caça que vem com fome à procura de alimento.” Então, não há lugar para
traições e covardias. Em outras palavras: a posição de vulnerabilidade exige
compostura e respeito à dignidade alheia.
Contrariamente à roupagem moralista das fábulas que recebemos de
Esopo e La Fontaine, o mesmo não se repete em Os mistérios da caça (1985)
e A experiência do caçador (1996), livretos que reúnem homenagens aos ani-
mais da selva. Frutos de paciência e observação assídua, são registros docu-
mentais que descrevem bichos raros como a Tiranaboia, Borboleta que pode
ser venenosa, alguns estratagemas da Paca ou da Cutia17 para escapar do
caçador, a agressividade dos Queixadas (Porcos selvagens) que andam em
bandos cada vez mais reduzidos, a enigmática intolerância do Cachorro à
carne do Tatu e até superstições (“Dizem que quando se mata um Tatu ca-
nastra, dentro de poucos dias morre uma pessoa da família”).
17 Seguimos aqui a recomendação de Hélio Melo de escrever o nome dos animais com letra
SOBREVIVENDO, S.D. 170 171 maiúscula.
A EXPERIÊNCIA DO CAÇADOR E OS MISTÉRIOS DA CAÇA, 1986 172
A EXPERIÊNCIA DO CAÇADOR E OS MISTÉRIOS DA CAÇA, 1986 174
Acreditar no poder transformador das historietas faz de Hélio Melo
um escritor-educador que não sucumbe ao antropoceno e tampouco abdica
de sua identidade como humano. Há todo um trabalho de coleta de me-
mórias populares, de respeito à ancestralidade transmitida de geração em
geração, que cultiva adágios antigos (“Todo mundo nasce com sorte, mas
sorte não é para todo mundo”), mas também se arrisca a lançar sentenças
de sabedoria particular (“A pessoa enfadada, quando ferra no sono, esquece
que o mundo existe…”).
Ele mesmo seringueiro, Hélio Melo acontece, portanto, junto com a
história do extrativismo capitalista. Tendo denunciado sistematicamente
a exploração da mão de obra por coronéis seringalistas, sua atuação se fez
na convivência com os primeiros donos da floresta. Não poupou críticas ao
invasor branco: “[…] lembro-me que os índios costumam dizer ‘essa terra
nossa’, mas eles deveriam dizer ‘terra nossa que não é nossa’.”18 Na com-
panhia das sociedades indígenas, aprendeu a enxergar o ecossistema como
entidade “habitada” (inclusive no sentido espiritual), que não se presta so-
mente a providenciar recursos naturais, mas é corpo também, superfície
a ser respeitada se quisermos que sua seiva nos alimente. Os cortes na
árvore obedecem a ordens e normas para que a árvore siga viva. Além do
seringal, rios e construções, alguns humanos e seres lendários pontuam a
paisagem, operando uma simbiose com esses espíritos. Os trabalhos mais
emblemáticos fundem as formas vegetal-animal (a árvore sendo substituí-
da pela criação de bois), abrindo clareiras amplas, esvaziadas de sua mata
original, com troncos decepados, testemunhas melancólicas de governos
irremediavelmente obtusos.
Não treinasse a prática da escuta, esses desenhos sequer alcançariam
a atmosfera vaporosa que banha humanos e não humanos, principalmente
criaturas híbridas. É de caso pensado, para honrar as riquezas da selva, que
Hélio Melo ignorou o sistema maniqueísta das dicotomias, esse legado que
o mundo ocidental ergueu em tragédia “civilizatória”. Matas, animais e o
cotidiano do seringueiro, com sua casa (tapiri, palhoça ou barraco) e utensí- Engana-se quem persistir na leitura superficial da humildade que cir-
lios, compõem um repertório de palavras e coisas que transita do texto para cundou a obra de Hélio Melo. Vida modesta, porém, ambição tremenda.
a imagem e vice-versa: a seringa, a raspadeira, a lâmina, a cabrita, o balde, a Detentor de rigorosa autocrítica, atributo dos que enxergam a linha que di-
tigelinha, o saco, a tubiba, o bronal, o poronga, a espingarda, a bandoleira, a vide o crepúsculo do anoitecer, o artista concedeu entrevistas disponíveis na
faca de defesa, a capanga (ou bosoroca), a estoupa (ou sarrapilha), o cavalete, internet que desfazem interpretações simplistas e insensíveis à intenciona-
o mourão, a péla, o cavador, o guindado, o cepo de assento, a bacia, a tábua lidade de cada pincelada. Ciente que acatar a metodologia do outro não é sa-
de bolar borracha, a fornalha, a cuia… e, claro, o cachorro, companheiro ber, inventou sua própria técnica para não ser dominado por regras alheias.
inseparável. Aliando disciplina artística e oralidade do narrador, e graças a Carregadas de luz — essa luz admirada por tantos artistas que cruzaram
um estreito vínculo com a população local, Hélio Melo coloca uma espécie seu caminho — suas imagens traduzem, através da impregnação das lendas
de bálsamo sobre as feridas do capitalismo, da modernidade e da industria- locais, a cosmovisão indígena. Como diriam os avós do artista Denilson
lização selvagem. É um patrimônio no melhor sentido territorial do termo, Baniwa: “Tudo era gente”.19
está presente em várias instituições oficiais e públicas de Rio Branco, per-
mitindo que a comunidade se reconheça em cada quadro, cada fábula, frag- 19 Cf. <[Link] Último acesso em 09/01/
mento de uma vida próxima e comum. 2023. “Dizem meus avós, que antigamente/ Antes de mim, você ou qualquer outro homem
sapiens dominar o planeta/ Tudo era gente: floresta, humanos e não humanos eram gente/
Havia a gente-onça, gente-papagaio, gente-árvore, gente-pedra; e a gente-gente/ Todos inclusive
18 Cf. Hélio Melo, Como salvar nossa floresta: do seringueiro para o seringueiro. Rio Branco: falávamos a mesma língua. Nos entendíamos. […]”
inpeca, 1999. 176 UM PEDAÇO DE MATA, 1994
TIRANDO AÇAÍ, 1984
POST-SCRIPTUM
Pintor, escritor, compositor, contador de “causos”, músi- dominavam a realidade da região. Era nos seringais e a
co... Um artista plural, considerado como um dos prin- partir de seu funcionamento, costumes e tradições que se
cipais representantes das raízes e das identidades cultu- caracterizava o cotidiano da população amazônica. Foi em
rais do Acre que nasceram e se desenvolveram a partir um deles que Hélio Melo se criou e passou por vivências e
da floresta. Quando pensamos em Hélio Holanda Melo experiências que posteriormente expressaria em sua obra.
e em sua obra, a Floresta Amazônica não é uma contin- Hélio Melo nasceu na Vila Antimari, em 20 de ju-
gência, mas sim um contexto significativo e central. Ele lho de 1926. Esta região é situada no estado do Amazo-
se inspirou naquilo que vivia em seu cotidiano: a rotina nas, marcada geograficamente pela confluência entre os
da floresta, as embarcações que navegavam nos rios, as rios Acre e Purus. Segundo relatos históricos, a partir
estradas de seringa, o contato com a fauna e com a flora, o de 1878, foi explorada pela tripulação do comendador
Mapinguari e outros seres lendários... e, tão especialmen- João Gabriel de Carvalho e Melo, cearense que já havia
te, as tonalidades e luzes que enxergava na Amazônia. E, adquirido fortuna em seringais locais.1 Na região, atual-
seguindo o fio da história, com seu olhar crítico e aguça- mente, localiza-se o município de Boca do Acre, com
do, a expulsão do seringueiro da floresta pela pecuária uma população de aproximadamente trinta mil habi-
extensiva e a migração para os centros urbanos. É esse o tantes e com profunda ligação de interdependência com
ambiente social, cultural, político e econômico que mar- a capital do Acre, Rio Branco, mesmo pertencendo ao
cou a vida e, consequentemente, a obra do artista. estado do Amazonas.
A origem da família de Hélio Melo dialoga direta- Foi nessa região que o avô paterno de Hélio Melo
mente com a história da migração nordestina para a trabalhou no extrativismo não só da seringa, mas tam-
Amazônia, consequência da seca ocorrida em fins da dé- bém da lenha para o abastecimento de embarcações à
cada de 1880 e do avanço da indústria da borracha. De vapor. E aqui destaca-se que, diferente da grande maio-
simples “droga do sertão”, a borracha se transformou em ria dos seringueiros, ele conseguiu, com muito trabalho,
produto de escala industrial, sobretudo nos mercados nor- superar as limitações impostas pelo sistema de avia-
te-americano e europeu. Segundo relatos do próprio Hé- mento,2 que aprisionava por dívidas e impedia a ascen-
lio, é neste cenário que seus bisavós, vindos do Ceará, se são da imensa maioria dos trabalhadores na região. Ao
aventuraram pelos rios amazônicos atraídos pela promes- longo de sua vida, conseguiu adquirir alguns seringais,
sa de melhores condições de vida e de enriquecimento,
1 Castro descreveu em detalhe a atuação de João Gabriel de Carva-
amplamente presente no imaginário nordestino da época.
lho e Melo na Amazônia, bem como o status atual das pesquisas que
O chamado Primeiro Ciclo da Borracha, ocorrido en- buscam indicativos sobre as relações entre a família de Hélio Melo e o
tre 1880 e 1920, promoveu uma grande migração humana referido comendador.
para a Amazônia, levando milhares de pessoas para den- Rossini de Araújo Castro, Ambiente Amazônico: a arte vivencial
do artista Hélio Melo. Rio Branco: Edição do Autor, 2013, pp. 141-148.
tro da floresta, interagindo com os povos nativos que lá já 2 Para maior aprofundamento nos funcionamentos dos seringais,
habitavam. Os seringais, unidades produtivas da borracha, conferir texto de Tony Gross incluído neste livro.
9 Hélio, o artista autêntico, O Jornal, 19 jun. 1978. 12 Sérgio Camargo, A propósito de Hélio Melo ou a beleza da luz, 08
10 Mesquita aprecia exposição artística, O Jornal, 15 jan. 1979. dez. 1983.
11 Sérgio Camargo em arte impressa, Jornal do Brasil, 17 out. 1990; 13 Dificuldades e sonhos do artista popular. Jornal do Brasil, data des-
Coluna Wilson Coutinho, Jornal do Brasil, data desconhecida. conhecida.
270
O CAUCHO, A SERINGUEIRA E SEUS MISTÉRIOS, 1985 272 273
O CAUCHO, A SERINGUEIRA E SEUS MISTÉRIOS, 1985 274
REFERÊNCIAS Publicações Jornais
BIBLIOGRÁFICAS castro, Rossini de Araújo. Ambiente amazô-
nico: a arte vivencial do artista Hélio Melo,
A propósito de Hélio Melo ou a beleza da luz.
Sérgio Camargo, 08 dez. 1983.
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martinello, Pedro. A batalha da borracha Brasil, 22 jul. 1992.
na Segunda Guerra Mundial. Rio Branco: Desenhos da memória e dos mistérios. Jornal de
Edufac, 2004, p. 398. Brasília, 27 abr. 1995.
Melo, Hélio. O caucho e a seringueira; História Do seringal a Washington, Hélio Melo leva a sua
da Amazônia; Os mistérios da mata; Os mis- arte até os Estados Unidos, 23 jul. 1988.
térios dos répteis e dos peixes; A experiência Do Seringal às telas. Revista Amazônia Nossa,
do caçador; Os mistérios dos pássaros e Via no 24, s.d.
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Elias Mansour, 2000. Hélio Holanda Melo. A arte acreana rumo à Itá-
neves, Marcos Vinícius. Histórias acreanas no lia. O Rio Branco, 20 set. 1989.
miolo de pote. Rio Branco: Fundação Elias Hélio Melo expõe na Bahia, 24 out. 1992.
Mansour, p. 258. Hélio Melo faz sua Via Sacra com o Cristo se-
Prefeitura Municipal de Rio Branco e Gabinete ringueiro. A Gazeta, 14 set. 1990.
do Senador Jorge Viana. A Rio Branco que Hélio Melo homenageado em exposição em Paris.
vivemos. Registro histórico dos 100 anos de O Rio Branco, 21 ago. 1986.
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Vídeos Hélio Melo vai levar suas telas. A Gazeta, 21
ferreira, Dalmir & Margarido, Silvio. A peleja abr. 1992.
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mary. Rio Branco, 1997. Mesquita aprecia exposição artística. O Jornal,
badaró, Jucá. Hélio Melo, o sábio da floresta. 15 jan. 1979.
Rio Branco, 2016. Sérgio Camargo em arte impressa. Jornal do Bra-
sil, 17 out. 1990.
Um espaço para difundir a vida do seringueiro.
A Gazeta, 20 mar. 1991.
Entrevista
melo, Fátima. Entrevista concedida à autora
na residência da entrevistada em 6 de ou-
tubro de 2022. Registro em áudio.
280 281
P. 107 P. 120 PP. 132-133 PP. 144-145 PP. 156-157 PP. 178-179
SEM TÍTULO, 1996 CORTANDO LÁTEX, 1980 O HOMEM E O BURRO I, 1984 A TRANSFORMAÇÃO DA A VISITA DA VACA II, 1994 TIRANDO AÇAÍ, 1984
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SERINGUEIRA I, 1989 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
SOBRE CARTÃO SOBRE TELA SOBRE PAPEL NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBRE PAPEL SOBRE PAPEL
32 × 43,5 CM 145 × 129 CM 36,5 × 51,4 CM SOBRE TECIDO 47 × 61,7 CM 31,2 × 46 CM
COLEÇÃO PARTICULAR, SP COLEÇÃO PARTICULAR, SP COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO 147 × 141 CM ACERVO FUNDAÇÃO GARIBALDI COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO
DE BELAS ARTES, AC COLEÇÃO PARTICULAR, SP BRASIL, AC DE BELAS ARTES, AC
PP. 108-109 P. 121
NAVIO OU GAIOLA, 1997 CORTANDO SERINGA NO JIRAU, P. 135 PP. 146 PP. 158-159 P. 180
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS DÉCADA DE 1980 O HOMEM E O BURRO II, 1988 O HOMEM E O BURRO IV, 1992 A TRANSFORMAÇÃO DA MÃE DA MATA, 1996
SOBRE PAPEL NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SERINGUEIRA II, 1984 ÓLEO SOBRE CHAPA METÁLICA
22 × 36 CM SOBRE PAPEL SOBRE CARTÃO SOBRE PAPEL NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS 150 × 121 CM
COLEÇÃO PARTICULAR, SP 55,1 × 43,9 CM 43,3 × 32,2 CM 60 × 53 CM SOBRE PAPEL ACERVO FUNDAÇÃO GARIBALDI
ACERVO FUNDAÇÃO GARIBALDI BRASIL, AC COLEÇÃO LUCIANA LUCIANI ACERVO FÁTIMA MELO, AC 30,5 × 45,7 CM BRASIL, AC
P. 110
CIANCARELLA, LUCCA (ITÁLIA) COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO
DEFUMANDO BORRACHA I, 1988 P. 122 P. 147 P. 182
DE BELAS ARTES, AC
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS COLHENDO LÁTEX II, 1995 PP. 136-137 O HOMEM E O BURRO V, 1993 SEM TÍTULO, 1989
SOBRE CARTÃO NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS CAMINHO SEM DESTINO II, 1989 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS P. 161 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
34,5 × 42,5 CM SOBRE TELA NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBRE PAPEL SEM TÍTULO, 1980 SOBRE TECIDO
COLEÇÃO LUCIANA LUCIANI 160 × 140 CM SOBRE TECIDO 27,6 × 23,7 CM NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS 143 × 138 CM
CIANCARELLA, LUCCA (ITÁLIA) COLEÇÃO PARTICULAR 148,5 × 203 CM COLEÇÃO PARTICULAR, SP SOBRE PAPEL COLEÇÃO PARTICULAR, SP
COLEÇÃO PARTICULAR, SP 22,3 × 29,6 CM
P. 111 P. 123 P.148 P. 183
ACERVO DO SERVIÇO SOCIAL DO
DEFUMANDO BORRACHA II, 1994 SERINGUEIRO TRANSPORTANDO P. 138 SEM TÍTULO, 1982 SEM TÍTULO, 1989
COMÉRCIO DO ACRE – SESC ACRE, AC
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS BORRACHA, 1998 O MAPINGUARÍ, 1996 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
SOBRE CARTÃO NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBRE NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBRE CARTÃO SEM TÍTULO, 1980 SOBRE TECIDO
29,5 × 35 CM CARTÃO SOBRE CARTÃO 27,5 × 41 CM NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS 142 × 133 CM
COLEÇÃO PARTICULAR, SP 37,2 × 45,8 CM 16 × 15,9 CM COLEÇÃO ASPASIA CAMARGO, RJ SOBRE PAPEL COLEÇÃO PARTICULAR, SP
ACERVO FÁTIMA MELO, AC ACERVO FÁTIMA MELO, AC 22,7 × 33,2 CM
P. 112 P. 149 P. 184
ACERVO DO SERVIÇO SOCIAL DO
SERINGAL, S.D. O MAPINGUARÍ, 1996 O PRANTO DOS ANIMAIS III, 1993 CURUPIRA, 1996
PP. 124-125 COMÉRCIO DO ACRE – SESC ACRE, AC
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS ÓLEO SOBRE CHAPA METÁLICA
TEMPO DOS CORONÉIS I, 1983
SOBRE PAPEL SOBRE CARTÃO SOBRE COMPENSADO P. 162 150 × 121 CM
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
19 × 28,5 CM 15,5 × 15,8 CM 25 × 31 CM TRANSFORMAÇÃO DA ACERVO FUNDAÇÃO GARIBALDI
SOBRE PAPEL
COLEÇÃO PARTICULAR, SP ACERVO FÁTIMA MELO, AC COLEÇÃO PARTICULAR, SP SERINGUEIRA III, 1997 BRASIL, AC
27,3 × 45,2 CM
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
P. 113 COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO P. 139 P. 150 P. 185
SOBRE CARTÃO
SERINGAL, 1997 DE BELAS ARTES, AC MAPINGUARI I, 1998 SEM TÍTULO, 1982 CABOCLINHO DA MATA, 1996
20,6 × 27,2 CM
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS ÓLEO SOBRE CHAPA METÁLICA
P. 126 COLEÇÃO PARTICULAR, SP
SOBRE CARTÃO SOBRE TECIDO SOBRE CARTÃO 150 × 121 CM
CORTANDO SERINGA, 1996
26,8 × 31,1 CM 152 × 82 CM 27 × 41 CM PP. 166-167 ACERVO FUNDAÇÃO GARIBALDI
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
ACERVO FÁTIMA MELO, AC COLEÇÃO PARTICULAR, SP COLEÇÃO ASPASIA CAMARGO, RJ O MAPA DA ESTRADA I, 1983 BRASIL, AC
SOBRE PAPEL
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
P. 114 28,2 × 20,5 CM P. 140 P. 151 P. 186
SOBRE MADEIRA
SEM TÍTULO, 1980 COLEÇÃO PARTICULAR MAPINGUARÍ II, 1998 SEM TÍTULO, 1983 MAPINGUARI, 1996
108,5 × 203,5 CM
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS ÓLEO SOBRE CHAPA METÁLICA
COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO
SOBRE PAPEL P. 127 SOBRE AGLOMERADO DE MADEIRA SOBRE CARTÃO 200 × 121 CM
DE BELAS ARTES, AC
18,7 × 25,5 CM SEM TÍTULO, 1982 101 × 46 CM 25,5 × 40,7 CM ACERVO FUNDAÇÃO GARIBALDI
COLEÇÃO PARTICULAR, SP NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS ACERVO FÁTIMA MELO, AC COLEÇÃO ASPASIA CAMARGO, RJ P. 168 BRASIL, AC
SOBRE CARTÃO SEM TÍTULO, S.D.
P. 115 P. 141 P. 152 P. 187
44 × 57,5 CM NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
SEM TÍTULO, 1980 MAPINGUARI, 1995 TEMPO DOS CORONÉIS IV, 1995 MATINTA PEREIRA, 1996
COLEÇÃO PARTICULAR, SP SOBRE CARTÃO
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS ÓLEO SOBRE CHAPA METÁLICA
39,5 × 35 CM
SOBRE CARTÃO P. 128 SOBRE PAPEL SOBRE AGLOMERADO SOBRE CARTÃO 150 × 122 CM
COLEÇÃO PARTICULAR, SP
17,5 × 25 CM MAPA DA ESTRADA (SERINGA), 1998 DE MADEIRA 35,7 × 32,8 CM ACERVO FUNDAÇÃO GARIBALDI
COLEÇÃO PARTICULAR, SP NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS 94,7 × 62 CM ACERVO FÁTIMA MELO, AC P. 169 BRASIL, AC
SOBRE CARTÃO ACERVO MARIA MAIA, DF O CAÇADOR DE ONÇA, 1983
PP. 116-117 P. 153 PP. 188-189
40 × 53 CM NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
SEM TÍTULO, 1981 P. 142 SEM TÍTULO, 1985 A VISITA DA VACA III, 2000
PINACOTECA DO ESTADO SOBRE PAPEL
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SEM TÍTULO, 1999 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
DE SÃO PAULO, SP 29,6 × 42,6 CM
SOBRE PAPEL NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBRE CARTÃO SOBRE AGLOMERADO DE MADEIRA
COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO
38 × 45,5 CM P. 129 SOBRE CARTÃO 28,5 × 39 CM 51,5 × 70 CM
DE BELAS ARTES, AC
ACERVO DO SERVIÇO SOCIAL CAMINHO DO SERINGUEIRO E/OU 23,6 × 20 CM COLEÇÃO PARTICULAR, RJ COLEÇÃO CENTRE GEORGES POMPIDOU,
DO COMÉRCIO DO ACRE – SESC ACRE, AC ESTRADA DA SERINGA, 1996 COLEÇÃO PARTICULAR, SP P. 170 PARIS (FRANÇA)
PP. 154-155
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBREVIVENDO, S.D.
P. 118 P. 143 O PRANTO DOS ANIMAIS II, 1989 P. 191
SOBRE PAPEL NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
PAISAGEM AMAZÔNICA, 1994 SEM TÍTULO, 2000 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS O HOMEM E O BURRO VII, 1999
39,8 × 54 CM SOBRE PAPEL
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBRE TECIDO ÓLEO SOBRE TELA
ACERVO FÁTIMA MELO, AC 47,8 × 48,2 CM
SOBRE PAPEL SOBRE CARTÃO 141,5 × 141,5 CM 92,8 × 73,8 CM
COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO
22,2 × 28 CM P. 131 31 × 39,5 CM COLEÇÃO PARTICULAR, SP ACERVO FÁTIMA MELO, AC
DE BELAS ARTES, AC
ACERVO FÁTIMA MELO, AC COLHENDO LÁTEX, 1998 COLEÇÃO PARTICULAR, SP
PP. 192-193
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS P. 177
PESCANDO, 1981
P. 119 SOBRE CARTÃO UM PEDAÇO DE MATA, 1994
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
O IGARAPÉ, 1994 36,4 × 28 CM NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
SOBRE CARTÃO
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS COLEÇÃO PARTICULAR, SP SOBRE CARTÃO
30 × 44 CM
SOBRE CARTÃO 25,5 × 34 CM
COLEÇÃO PARTICULAR, SP
26,5 × 33,9 CM COLEÇÃO CENTRE GEORGES POMPIDOU,
ACERVO FÁTIMA MELO, AC PARIS (FRANÇA)
282 283
P. 195 P. 206 P. 220 P. 229 P. 239 P. 252
O EMPATE, 1989 A VISITA DA VACA I, 1989 SEM TÍTULO, 1987 ESCOLHINHA DA ESPERANÇA SERINGAL, S.D. SEM TÍTULO, 1984
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SERINGAL, 1998 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
SOBRE CARTÃO SOBRE CARTÃO SOBRE CARTÃO COLORIDO NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBRE TELA SOBRE CARTÃO
35,4 × 28,9 CM 35 × 31,8 CM 30 × 32 CM SOBRE PAPEL 55,5 × 71 CM 30,6 × 43,5 CM
COLEÇÃO LUCIANA LUCIANI COLEÇÃO LUCIANA LUCIANI COLEÇÃO PARTICULAR, SP 35 × 50,5 CM ACERVO ATELIER MUSEU COLEÇÃO PARTICULAR, SP
CIANCARELA, LUCCA (ITÁLIA) CIANCARELA, LUCCA (ITÁLIA) COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO PENSATÓRIO, AC
P. 221 P. 253
DE BELAS ARTES, AC
P. 196 P. 207 QUEBRANDO CASTANHA, 1995 PP. 240-241 PÁSSARO, S.D.
SEM TÍTULO, S.D. CAMINHO SEM DESTINO I, 1987 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS P. 230 PORTO DE CATRAIA, C. 1981 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
NANQUIM SOBRE CARTÃO NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBRE CARTÃO PORTO DE CATRAIAS I, 1998 NANQUIM SOBRE PAPEL SOBRE CARTÃO
18,3 × 23 CM SOBRE PAPEL 37,5 × 33 CM NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS 18 × 27 CM 15,4 × 15,3 CM
COLEÇÃO PARTICULAR, SP 13 × 12 CM ACERVO FÁTIMA MELO, AC SOBRE PAPEL COLEÇÃO MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO ACERVO FÁTIMA MELO, AC
COLEÇÃO PARTICULAR, SP 37 × 51,6 CM ASSIS CHATEAUBRIAND – MASP |
P. 197 P. 222 P. 256
COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO DOAÇÃO NIETTA LINDENBERG DO MONTE,
TAPIRI, 1984 PP. 208-209 SERINGUEIROS NA CIDADE, 1996 FIM DE TARDE, 1987
DE BELAS ARTES, AC NO CONTEXTO DA EXPOSIÇÃO HISTÓRIAS
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS O CAÇADOR E A ONÇA II, 1992 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
DA ECOLOGIA (2021-25), SP
SOBRE PAPEL NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBRE CARTÃO P. 231 SOBRE PAPEL CARTÃO
27 × 40 CM SOBRE CARTÃO 12,6 × 14,1 CM 2º DISTRITO EM 1962, 2000 P. 242 28,5 × 21,5 CM
COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO 24,5 × 31 CM ACERVO FÁTIMA MELO, AC NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS FESTA NO SERINGAL, C. 1987 COLEÇÃO PARTICULAR, SP
DE BELAS ARTES, AC COLEÇÃO PARTICULAR, SP SOBRE TELA NANQUIM SOBRE PAPEL
IMIGRANTES CHEGANDO P. 260
78,8 × 98,7 CM 23,5 × 32,5 CM
PP. 198-199 PP. 210-211 NA CIDADE, 1996 CAMINHO SEM DESTINO III, 1980
COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO COLEÇÃO MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO
SEM TÍTULO, 1994 O NAVIO GAIOLA, 1994 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM SOBRE PAPEL
DE BELAS ARTES, AC ASSIS CHATEAUBRIAND – MASP |
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBRE CARTÃO 21 × 27,5 CM
DOAÇÃO NIETTA LINDENBERG DO MONTE,
SOBRE CARTÃO SOBRE CARTÃO 14,3 × 15,8 CM P. 232 COLEÇÃO PARTICULAR, SP
NO CONTEXTO DA EXPOSIÇÃO HISTÓRIAS
26 × 35,2 CM 29,5 × 41,6 CM ACERVO FÁTIMA MELO, AC BEBEDEIRA, 1998
DA ECOLOGIA (2021-25), SP P. 262
ACERVO MARIA MAIA, DF ACERVO FÁTIMA MELO, AC NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
P. 223 SEM TÍTULO, 1985
SOBRE CARTÃO P. 243
P. 200 P. 212 PROPAGANDA DA BORRACHA, 1996 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
37,9 × 48,8 CM O SERRADOR, 1983
SEM TÍTULO, S.D. CIPÓ DO SANTO DAIME, 1996 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBRE CARTÃO
ACERVO FÁTIMA MELO, AC NANQUIM SOBRE PAPEL
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBRE CARTÃO 26,5 × 41,5 CM
30,5 × 30,5 CM
SOBRE CARTÃO SOBRE CARTÃO 13,9 × 14,6 CM P. 233 COLEÇÃO PARTICULAR, RJ
COLEÇÃO MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO
21 × 31,5 CM 16,3 × 15,9 CM ACERVO FÁTIMA MELO, AC RESENHA, S.D.
ASSIS CHATEAUBRIAND – MASP | P. 263
COLEÇÃO ASPASIA CAMARGO, RJ ACERVO FÁTIMA MELO, AC NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
CONFLITO NO SERINGAL ARAPIXÍ, 1996 DOAÇÃO PIETRO MARIA BARDI (1983), SP SEM TÍTULO, 1983
SOBRE MADEIRA
P. 201 P. 213 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
81,5 × 78,5 CM PP. 244-245
SEM TÍTULO, 1986 O SERRADOR IV, 1996 SOBRE CARTÃO SOBRE CARTÃO
COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO O CAÇADOR E O VIADO, C. 1987
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS 17,2 × 18,7 CM 31 × 47,5 CM
DE BELAS ARTES, AC NANQUIM SOBRE PAPEL
SOBRE CARTÃO SOBRE PAPEL ACERVO FÁTIMA MELO, AC COLEÇÃO MARIANA CAMARGO, RJ
26 × 40 CM
32,5 × 44,5 CM 28,9 × 35,8 CM P. 234
P. 224 COLEÇÃO MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO
COLEÇÃO PARTICULAR, RJ ACERVO FÁTIMA MELO, AC SEM TÍTULO, 1986 P. 264
O SERINGUEIRO, 1997 ASSIS CHATEAUBRIAND – MASP |
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS O AMANHECER NO SERINGAL, S.D
PP. 202-203 P. 214 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS DOAÇÃO NIETTA LINDENBERG DO MONTE,
SOBRE CARTÃO NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
FESTA NO SERINGAL II, 1993 PESCARIA, 1994 SOBRE CARTÃO NO CONTEXTO DA EXPOSIÇÃO HISTÓRIAS
33,5 × 26 CM SOBRE CARTÃO
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS 21,2 × 27,7 CM DA ECOLOGIA (2021-25), SP
COLEÇÃO PARTICULAR, RJ 23 × 26 CM
SOBRE CARTÃO SOBRE CARTÃO ACERVO FÁTIMA MELO, AC
P. 246 COLEÇÃO PARTICULAR, SP
29 × 40,5 CM 32,5 × 44,4 CM P. 235
P. 225 O CAÇADOR I, 1994
ACERVO DA PINACOTECA DO ACERVO FÁTIMA MELO, AC O CAÇADOR II, 2000 P. 265
O CAÇADOR E A ONÇA I, 1996 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
ESTADO DE SÃO PAULO, SP NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SEM TÍTULO, 1992
P. 215 NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS SOBRE CARTÃO
SOBRE CARTÃO NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
P. 204 QUEBRANDO CASTANHA, 1995 SOBRE CARTÃO 29,5 × 24,5 CM
21,7 × 19,1 CM SOBRE CARTÃO
O CACHORRO DO DEPUTADO ANTES NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS 15,7 × 16 CM COLEÇÃO PAULO BETTI, RJ
ACERVO FÁTIMA MELO, AC 24,2 × 28,1 CM
E DEPOIS DA ELEIÇÃO, 1994 SOBRE PAPEL ACERVO FÁTIMA MELO, AC
P. 247 COLEÇÃO CRISTINA PAPE
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS 37 × 30 CM P. 237
CAÇADOR ASSUSTADO, 1996 A MÃE DA MATA, 1995
SOBRE TELA COLEÇÃO PARTICULAR, SP O HOMEM RATO, S.D. P. 269
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
138 × 159,5 CM NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS PONTE SOBRE O RIO ACRE, S.D.
PP. 216-217 SOBRE CARTÃO SOBRE CARTÃO
COLEÇÃO MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO SOBRE PAPEL NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
CAMINHO SEM DESTINO IV, 1995 15,3 × 15,8 CM 40 × 30 CM
ASSIS CHATEAUBRIAND – MASP | 56,1 × 82,6 CM SOBRE PAPEL
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS ACERVO FÁTIMA MELO, AC COLEÇÃO PAULO BETTI, RJ
DOAÇÃO ANA DALE, CARLOS DALE JÚNIOR, ACERVO FÁTIMA MELO, AC 20,6 × 29,4 CM
SOBRE AGLOMERADO DE MADEIRA
ANTONIO ALMEIDA (2020), SP P. 226 P. 249 COLEÇÃO PARTICULAR, AC
58,5 × 86,6 CM P. 238
CACHORRO DO DEPUTADO I, 1997 O HOMEM E O BURRO III, 1990
P. 205 ACERVO FÁTIMA MELO, AC MAPINGUARI, S.D. P. 271
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
A CHEGADA DO PALHAÇO RUFINO NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS ENCERRAMENTO DO MOBRAL, 1996
P. 218 SOBRE PAPEL SOBRE CARTÃO
NO SERINGAL, 1994 SOBRE PAPEL NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
SEM TÍTULO, 1989 32,2 × 40,4 CM 39 × 30 CM
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS 50,2 × 66 CM SOBRE AGLOMERADO DE MADEIRA
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS ACERVO FÁTIMA MELO, AC COLEÇÃO PAULO BETTI, RJ
SOBRE TELA ACERVO ATELIER MUSEU 42,5 × 54 CM
SOBRE CARTÃO
101,8 × 118,5 CM P. 227 PENSATÓRIO, AC PP. 250-251 COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO
36 × 32 CM
COLEÇÃO PARTICULAR, SP CACHORRO DO DEPUTADO II, 1997 TRACAJA NA POUSADA, 1990 DE BELAS ARTES, AC
COLEÇÃO PARTICULAR, RJ
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS
P. 219 SOBRE AGLOMERADO DE MADEIRA SOBRE CARTÃO
SEM TÍTULO, 1982 32,2 × 39,4 CM 25,5 × 33 CM
NANQUIM E EXTRATO DE FOLHAS ACERVO FÁTIMA MELO, AC COLEÇÃO PAULO BETTI, RJ
SOBRE CARTÃO
34,5 × 52 CM
COLEÇÃO MARIANA CAMARGO, RJ
284 285
REALIZAÇÃO EQUIPE CRÉDITO DE IMAGEM CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS AGRADECIMENTOS
ALMEIDA & DALE GALERIA DE ARTE ALAN CATHARINO ALFIO LAGNADO
AMANDA ARANTES ACERVO FUNDAÇÃO GARIBALDI BRASIL SERGIO GUERINI ASPASIA CAMARGO
SÓCIOS-PROPRIETÁRIOS
ANA MARIA TORRES DA SILVA PP. 21, 121, 156-157, 180, 184-187 PP. 2-5, 7-11, 15, 17-28, 30-33, 36-45, 48, 53, 55, CENTRE GEORGES POMPIDOU
ANTONIO ALMEIDA
ANTONIO GUSTAVO DIAS CASTRO 59, 61, 72-73, 89-105, 107-109, 111-127, 129, CRISTINA PAPE
CARLOS DALE JR. ACERVO ATELIER MUSEU PENSATÓRIO
ANNA LUISA VELIAGO COSTA 131-133, 136-147, 149, 152, 154, 156-158, 161-162, DALMIR FERREIRA/
PP. 23, 238-239
DIRETORA AYME OLIVEIRA SILVA 166-170, 177-180, 182-189, 191, 196-197, 199, ATELIER MUSEU PENSATÓRIO
ERICA SCHMATZ CARLOS RODRIGUES DOS SANTOS JÚNIOR ACERVO DO SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO 202-205, 207-217, 220-227, 229-233, 235, 237-239, DANILO DE S’ACRE
CLARA ROCCA DO ACRE – SESC ACRE 252-253, 256, 260, 264-265, 269, 271 DINHO GONÇALVES
ORGANIZAÇÃO
CRISTIANE RIBEIRO PP. 42-43, 45, 116-117, 161 FÁTIMA MELO
JACOPO CRIVELLI VISCONTI JEAN-PIERRE CHABLOZ
DANILO CAMPOS FLAVIA BURLAMAQUI
MARINA SCHIESARI A PELEJA DE HÉLIO MELO COM P. 64
EDUARDO FARAH FUNDAÇÃO GARIBALDI BRASIL
O MAPINGUARI DO ANTIMARY (1997),
PRODUÇÃO EXECUTIVA ELI CARLOS DA SILVA SILVIO MARGARIDO GERARDO VILASECA
DOCUMENTÁRIO DIRIGIDO POR
ANA CHUN GEORGETE MAALOULI NAKKA PP. 71, 81, 86, 278 JANAINA HEES
SÍLVIO MARGARIDO, DANILO DE S’ACRE,
CAROLINA TATANI GUILHERME CARVALHO GONZALES JULIANA TERESA LLUSSA
DALMIR FERREIRA, IVAN DE CASTELA ABAFILM
GUILHERME TORRES KIKI MAZZUCHELLI
CONSERVAÇÃO E MUSEOLOGIA E JORGE NAZARÉ P. 74
ITALO DOUGLAS LETÍCIA HELENA MAMED
CAROLINA TATANI PP. 47, 77, 84, 86, 259, 276, 278, 282-291
JOÃO VICTOR DA SILVA ELSO MARTINS LUCIANA LUCIANI CIANCARELA
CAROLLINNE AKEMY MIYASHITA
KAROLINE FREIRE ACERVO FUNDAÇÃO DE CULTURA P.78 LUIGI PIERETTI
SOPHIA MARIA QUIRINO SAWAYA DONADELLI
LUCIANA VUKELIC ELIAS MANSOUR/MEMORIAL LUIS BUARQUE DE HOLANDA
MALU VILLAS BÔAS LORENZO RATTI
LUZIANETE RIBEIRO SILVA DOS AUTONOMISTAS ACERVO DIGITAL MARCO ANTONIO CANTO PORTO
MORGANA VIANA PP. 110, 135, 195, 206
MARIA ANTONIA OLIVEIRA DA SILVA SANTOS DEPARTAMENTO DE PATRIMÔNIO MARIA MAIA
COORDENAÇÃO EDITORIAL PAUL JENKINS HISTÓRICO E CULTURAL – FEM ISABELLA MATHEUS MARIANA CAMARGO
ESPAÇ[Link] TATIANA KALLAS P. 51 P. 128 MUSEU ACREANO DE BELAS ARTES
VERÔNICA SOUZA MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO
GESTÃO DE PROJETO ACERVO DIGITAL DEPARTAMENTO DE RAFAEL ADORJÁN
VICTOR LUCAS ASSIS CHATEAUBRIAND (MASP)
BARBARA MASTROBUONO (ESPAÇ[Link]) PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL – FEM PP. 148, 150-151, 152, 200-201, 218-219, 234,
VITOR WERKHAIZER PAULO BETTI
MANOELA CÉZAR (ESPAÇ[Link]) PP. 51, 57, 70, 77-78, 81, 83, 110-111 246-247, 249, 250 262-263
PEDRO BUARQUE DE HOLANDA
IMPRESSÃO
PESQUISA ICONOGRÁFICA ACERVO FUNDAÇÃO DE CULTURA ELIAS FILIPE BERNDT PEDRO PAULO ALVES DE BRITO
IPSIS GRÁFICA E EDITORA
E LICENCIAMENTO MANSOUR/MEMORIAL DOS AUTONOMISTAS PP. 192-193 PINACOTECA DO ESTADO DE SÃO PAULO
CAROLLINNE AKEMY MIYASHITA PP. 56, 81 SESC ACRE
EDUARDO ORTEGA
AMANDA FELÍCIO (ESPAÇ[Link]) SILVIO MARGARIDO
COLEÇÃO JEAN PIERRE CHABLOZ | PP. 240-245
MARINA BIGARDI
MUSEU DE ARTE DA UNIVERSIDADE FEDERAL
JORGE NAZARÉ
TRADUÇÃO DO CEARÁ
P. 255
ADRIANA FRANCISCO PP. 62, 64, 66-69, 74
JULIA DE SOUZA
COLEÇÃO DO MUSEU ACREANO JOSÉ DIAZ E SILVIO MARGARIDO
PREPARAÇÃO DE BELAS ARTES P. 259
GUSTAVO COLOMBINI PP. 18, 104, 124-125, 132-133, 158, 166-167,169-170,
DANILO DE S’ACRE
178-179, 197, 229-231, 233, 271
REVISÃO PP. 77, 276-277
PAULA NUNES (ESPAÇ[Link]) ACERVO DA PINACOTECA DO ESTADO
DE SÃO PAULO
PROJETO GRÁFICO
PP. 128, 202-203
RAUL LOUREIRO
COLEÇÃO CENTRE GEORGES POMPIDOU
PRODUÇÃO GRÁFICA
PP. 177, 188-189
LILIA GÓES
COLEÇÃO MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO
ASSIS CHATEAUBRIAND – MASP/
DOAÇÃO ANA DALE, DALE JÚNIOR,
ANTONIO ALMEIDA (2020)
P. 204
COLEÇÃO MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO
ASSIS CHATEAUBRIAND – MASP/
DOAÇÃO NIETTA LINDENBERG DO MONTE,
NO CONTEXTO DA EXPOSIÇÃO HISTÓRIAS
DA ECOLOGIA (2021-25), SP
PP. 240-242, 244-245
COLEÇÃO MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO
ASSIS CHATEAUBRIAND – MASP/
DOAÇÃO PIETRO MARIA BARDI (1983)
P. 243
REVISTA VIVER BEM BRASIL. ANO 8. ED. 59
REALIZAÇÃO P. 266
COORDENAÇÃO EDITORIAL
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
23-150234 CDD-730.981
Índices para catálogo sistemático:
isbn 978-65-85036-03-0