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Grid e Composição 5

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GRID E COMPOSIÇÃO

AULA 5

Prof. Fabiano de Miranda


CONVERSA INICIAL

Olá! Seja bem-vindo(a) a mais uma aula de nossa disciplina.


Neste momento, você já possui conhecimentos suficientes para tomar
decisões racionais e bem embasadas que darão suporte às suas criações em
projetos. E, por conta disso, chegou a hora de colocarmos em prática tudo o que
foi visto até aqui, visando à concepção e ao desenvolvimento de projetos
gráficos, especialmente projetos de diagramação.
Em um primeiro momento veremos como iniciar um projeto a partir da fase
de planejamento. Nesse sentido, é importante para o profissional que lidará com
projetos gráficos a compreensão das etapas de processo – ou fluxo de trabalho
–, os profissionais envolvidos nessa cadeia produtiva e formas de organizar e
visualizar o que será produzido, seja um livro, jornal, revista, aplicativo, site etc.
No segundo tema da aula, trataremos do uso do espaço gráfico em
publicações editoriais. Embora já tenhamos abordado anteriormente, este
assunto merece mais algumas considerações quanto às zonas de interesse de
telas e páginas e como lidar com elas.
Na sequência, o terceiro tema da aula será uma continuidade do segundo,
uma vez que analisaremos aspectos que podem ajudar na composição de
páginas harmoniosas e equilibradas visualmente.
O quarto tema aborda o uso de modelos prontos (templates) para a
produção editorial e tratará também de aspectos ligados às páginas mestres em
documentos, bem como o uso de estilos predefinidos para textos como forma de
agilizar o processo de diagramação de layouts.
Finalizaremos esta aula comentando brevemente sobre como podemos
lidar com os nossos arquivos digitais para uma publicação – quais os formatos
de arquivo ideais, quais cuidados devemos tomar e assim por diante.
Espero que você aproveite e que tenha uma boa jornada em mais esta
aula que se inicia.

CONTEXTUALIZANDO

Uma das características mais marcantes do trabalho na área editorial é a


dinâmica acelerada. No dia a dia de uma redação de jornal, por exemplo, tudo
precisa ser produzido e estar pronto literalmente de um dia para o outro, quase
sem margens de tempo adicional; tudo para que o jornal possa ser impresso pela

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gráfica e chegue sem atrasos nas mãos do leitor no dia seguinte. Compreender
o que está envolvido nesse movimento e o que fazer para otimizar o trabalho é
fundamental para um profissional que planeja atuar de forma plena no mercado.

TEMA 1 – PLANEJANDO O LAYOUT

Para conceber um produto gráfico, seja ele digital ou impresso, é


necessário seguir um determinado fluxo de trabalho composto por diversas
etapas bem definidas, no intuito de otimizar processos e evitar erros. Esse fluxo
normalmente envolverá muito planejamento prévio e contato constante com toda
uma cadeia de profissionais em cada etapa.
Nesse sentido, Zappaterra e Caldwell (2014) pontuam que alguns dos
fatores determinantes para a construção de layouts incluem possuir um
planejamento e cronograma; pensar no ciclo de produção, isto é, quais serão
as etapas de trabalho que deverão ser cumpridas e os profissionais envolvidos;
além de considerar os fatores práticos do projeto, como o orçamento
disponível, formato e número de páginas da publicação, número de exemplares
que será produzido e assim por diante.
A seguir, veremos como pode ser organizado o fluxo de trabalho (ou ciclo
de produção) de uma publicação. Também analisaremos como planejar e
visualizar a estrutura dos conteúdos que serão dispostos nas páginas de uma
edição de um livro, revista ou jornal.

1.1 Fluxo de trabalho

Muito do que determinará as etapas do fluxo de trabalho – bem como os


profissionais que se envolverão com o projeto – tem a ver com os objetivos da
comunicação e, especialmente, a forma de materialização da publicação. Em
outras palavras: é preciso determinar logo de início se a sua publicação será
digital, impressa ou ambas. Segundo Zappaterra e Caldwell (2014, p. 14):

Seria necessário um livro inteiro para explicar os vários papeis e


relações de cada designer que trabalha nos formatos digitais e
impresso para jornais e revistas, e eles diferem muito dependendo do
formato da mídia, e do tamanho e da circulação da publicação – uma
revista independente produzida semestralmente terá uma equipe e
necessidades muito diferentes das de um blog diário, por exemplo.

Aqui tomaremos como exemplo um fluxo de trabalho para a produção de


uma revista impressa. Para realizar esse tipo de projeto, normalmente há o

3
envolvimento de profissionais da área de design, jornalistas, editores, diretores
de arte, editores de imagem... isso somente para a idealização da revista! Para
a sua materialização propriamente dita, também devemos considerar os
profissionais da indústria gráfica que se envolverão com a impressão da revista
em sua versão final.
A seguir podemos observar um fluxo de trabalho típico que representa o
contato com uma gráfica para a impressão de um projeto (Figura 1).

Figura 1 – Fluxo de arquivos para impressão

Fonte: Buggy, 2004, p. 60-62.

4
Perceba que o fluxograma anterior engloba a participação de profissionais
de atendimento, outros atendentes, clientes, entre outros, os quais se envolverão
diretamente na etapa de impressão de um projeto. Por outro lado, se pensarmos
no fluxo seguido por uma publicação digital, profissionais de outras áreas de
formação terão de se envolver, por exemplo, programadores, webdesigners,
designers de interface e assim por diante, dependendo dos resultados almejados
para o produto final.
Independentemente do fluxo seguido e dos profissionais envolvidos, para
que todo o trabalho corra sem maiores problemas, um passo primordial é
elaborar um bom planejamento de todas as atividades do projeto, bem como
definir um cronograma para tudo o que será produzido; mas, para isso, é preciso
saber exatamente qual forma terá o seu projeto lá no final.

1.2 Paginação: olhando no espelho

Paginação é o nome que se dá em produtos como jornais e revistas para


a sequência de conteúdos que deverá ser seguida pela publicação. Esse
planejamento visa garantir que nenhum conteúdo se perca ou fique de fora, e
que possa se encaixar da melhor forma em uma edição (Zappaterra; Caldwell,
2014).
Uma ferramenta fundamental para nos ajudar a nos guiarmos pela
publicação é o espelho. Consiste em um diagrama estrutural, espécie de
storyboard, que contém a sequência de conteúdos que deverá ser seguida, isto
é, mostra a paginação i definida previamente e quaisquer alterações que possam
ocorrer. De acordo com Zappaterra e Caldwell (2014, p. 168), o espelho

permite que todos os envolvidos em sua produção vejam as páginas,


sua ordem, conteúdo, cadernos, proporção editorial/publicidade e
paginação de uma só vez. Normalmente uma responsabilidade do
editor de produção ou do gerente de estúdio, os espelhos são
atualizados constantemente para refletir as mudanças inevitáveis que
ocorrerão, desde uma reportagem que precisa ser ampliada, reduzida
ou descartada, até um anúncio específico que precisa ficar em frente a
uma página editorial específica.

Na Figura 2 você pode conferir um exemplo de espelho utilizado para uma


publicação como revista contendo 96 páginas.

5
Figura 2 – Exemplo de espelho em publicação com 96 folhas e três tipos de papel
(A, B e C). As folhas amarelas indicam impressão em quatro cores, as vermelhas
em duas cores e as cinzas em uma cor

Fonte: Zappaterra e Caldwell, 2014, p. 169.

O espelho pode ser composto por diferentes elementos dependendo do


tipo de publicação que estamos planejando. Por exemplo, uma revista impressa
pode contar com capa, editorial, sumário, matérias, anúncios etc. Um jornal
possui uma estrutura parecida, mas normalmente não emprega o sumário
(Collaro, 2012; Zappaterra; Caldwell, 2014). Já uma estrutura de livro pode
contar com a capa, folha de rosto, sumário, apresentação, prefácio, aberturas de
capítulo, capítulos, notas, bibliografia e índice (Haslam, 2007).
Vale lembrar que essas estruturas citadas são aquelas tipicamente
usadas para produtos impressos. Em produtos digitais, a estrutura será definida
de acordo com os fluxos de navegação que desejamos que o leitor percorra, o
que pode tornar essa estrutura bem mais complexa (para maiores informações,
consultar Lupton, 2015). De qualquer forma, é importante ter todas essas
informações definidas logo no início de um projeto, no intuito de evitar surpresas
desagradáveis no futuro.

TEMA 2 – USANDO O ESPAÇO

Uma questão que nos guiou até este momento é a seguinte: Como
podemos dividir o espaço gráfico para acomodar os conteúdos? Desde a
primeira aula de Grid e Composição, foi visto como dividimos e utilizamos o
espaço gráfico de uma publicação de diversas maneiras, seja esse espaço digital
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ou impresso. No entanto, algumas questões ainda ficaram de fora, como o
conceito de zonas ópticas de uma página e aspectos adicionais do fluxo de
diagramação nos layouts das publicações. Ambas serão exploradas a seguir.

2.1 Zonas ópticas da página

Vimos anteriormente que o espaço gráfico de uma tela ou uma página


pode ser dividido pelo grid tipográfico. Aqui vamos retroceder um pouco e
analisar as áreas da página que, intuitivamente, chamam mais a atenção do
público leitor.
Entre essas áreas está o centro da página. Parece um conceito simples
de compreender, porém pode ser um pouco mais complicado do que
imaginamos. Quando falamos em centro de um espaço gráfico, podemos nos
referir ao centro geométrico ou ao centro óptico:

Figura 3 – Centro geométrico versus centro óptico em uma página

Fonte: Baseado em Collaro, 2012.

Para Mazzarotto (2018), o centro geométrico consiste no “centro


verdadeiro” da página, calculado matematicamente; já o centro óptico trata da
nossa percepção visual, que tende a perceber o centro de uma composição um
pouco mais acima da posição “verdadeira”, a qual “parece estar certa”
(Mazzarotto, 2018).

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Por sua vez, Collaro (2012, p. 61) vai além e aponta que:

Ao fazermos a varredura visual em um veículo impresso, o olho


geralmente inicia o trajeto no centro óptico e, em seguida, se algum
elemento visual chamar sua atenção (um título, por exemplo),
provavelmente subirá para o canto superior esquerdo do layout;
continuando a trajetória, a varredura desce no sentido diagonal, até
chegar ao canto inferior direito.

Na Figura 4 você pode conferir exemplos de como funcionam as zonas


ópticas em uma página, isto é, qual caminho os nossos olhos costumam
percorrer intuitivamente ao observar um layout.

Figura 4 – Zonas ópticas da página e o caminho intuitivo dos olhos ao percorrer


a composição

Fonte: Collaro, 2012, p. 61.

Cabe ressaltar que, como o próprio Collaro (2012) pontua em seu livro, a
ordem de leitura e consequentemente as zonas ópticas da página apresentadas
acima não são regras universais: elas podem variar de cultura para a cultura. Por
exemplo, em algumas culturas orientais a ordem de escrita e a leitura intuitiva se
dão por uma sequência que começa pelo lado direito e prossegue para o lado
esquerdo dos layouts.

2.2 Diagramação vertical, horizontal ou modular

Os layouts das páginas de uma publicação podem ser organizados


levando em consideração muitos aspectos. Além das zonas ópticas da página,
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podemos fazer com que os olhos do leitor sejam guiados por outros fatores.
Assim, neste momento, resgatamos as possibilidades de diagramação
predominantemente vertical, horizontal ou modular descritas por Collaro
(2012). Mais adiante, a Figura 5 mostra como se comportam essas três formas
de diagramação.
Segundo Collaro (2012), a diagramação predominantemente vertical
atualmente é uma alternativa interessante para formatos próximos do tamanho
A4 (210mm x 297mm). Esse tipo de diagramação usa grids tipográficos de uma,
duas ou três colunas e costuma não ser muito bem quisto por diagramadores por
não permitir a mobilidade de fotos e demais elementos na página (Collaro, 2012).
Já em projetos com diagramação horizontal, há maior flexibilidade para
a página. Esta forma é muito empregada em jornais e newsletters. Aqui há uma
limitação da altura dos textos dispostos em uma única página, de modo a
horizontalizar o conteúdo. Para Collaro (2012 p. 69), quando “a altura das
matérias alcançar aproximadamente 15 cm, a disposição recomendada fica
entre uma ou duas colunas” enquanto “matérias cujas alturas alcançarem entre
15 e 30 cm, disposição em duas ou três colunas”.
Para finalizar, na disposição modular há uma mescla da distribuição
vertical e horizontal na mesma página. Nas palavras de Collaro (2012, p. 70),
“esse desenho é o mais indicado, pois as disposições contrastantes ajudam a
quebrar a monotonia.”

Figura 5 – Diagramação vertical, horizontal e modular

Fonte: Adaptado de Collaro, 2012, p. 68-70.

9
Para concluir, cabe aqui encerrarmos este tema com as palavras de
Peruyera (2018, p.185):

A recomendação é sempre estar preparado para as diferentes


situações, seja na criação do projeto gráfico, seja aumentando o
repertório de soluções possíveis. Podemos preparar vários tipos de
cabeçalhos, títulos e fios para prever essas situações, mas, ao mesmo
tempo, também temos que saber aplicá-los.

TEMA 3 – ORGANIZAÇÃO E HARMONIA

No intuito de conseguir um resultado visual organizado e harmonioso, há


formas bastante conhecidas e já consagradas para a configuração de layouts em
publicações. Entre as estratégias mais tradicionais está a disposição dos
elementos gráfico-informacionais de forma simétrica ou assimétrica nas
páginas.
Pensando mais além, formas sofisticadas de organização dos elementos
também levam em consideração o uso de variáveis gráficas como tamanho e
cor, os quais proporcionam ênfase e dão um senso de hierarquia às
informações na mensagem visual. A seguir veremos um pouco sobre essas
estratégias para a composição de layouts.

3.1 Simetria e assimetria

A composição de layouts simétricos segue uma estrutura clássica


bastante tradicional e muito conhecida no campo das artes, arquitetura e design.
Quanto a este tipo de composição, Collaro (2012, p. 60) coloca que:

Um layout é classificado como simétrico quando seus pesos visuais se


equivalem, estando sua sustentação assentada no centro geométrico
[...] Para avaliar se uma disposição é simétrica, basta imaginar uma
linha que passe pelo centro geométrico e verificar se existe
compensação entre os pesos visuais da página.

De forma geral na literatura especializada, o emprego de disposições


simétricas é tratado com muita cautela. Isso se deve ao fato de que esse tipo de
composição pode facilmente se tornar monótono, com pouco dinamismo e,
portanto, pouco atrativo para os leitores (para ver mais sobre esse assunto,
confira em: Collaro, 2012; Zappaterra; Caldwell, 2014; Mazzarotto, 2018;
Peruyera, 2018).
Por outro lado, ao contrário das composições simétricas, em composições
assimétricas não há repetição dos mesmos elementos em ambos os lados do

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centro óptico. O equilíbrio e a harmonia dessas composições ocorrem com base
em um delicado arranjo de pesos e contrapesos em cada um dos lados do layout.
Com experiência prática e bastante treinamento do olhar, o diagramador tende
a se tornar cada vez mais eficaz em estabelecer esses equilíbrios. Apesar de
serem normalmente mais difíceis de conceber, organizações assimétricas
tendem a ser mais atrativas e instigantes para o público.
Analise a Figura 6 a seguir e perceba as diferenças entre um arranjo de
elementos simétrico e outro arranjo assimétrico.

Figura 6 – Arranjo simétrico X arranjo assimétrico

Crédito: Yuttapholstocker/Shutterstock.

3.2 Ênfase e hierarquia

Entender como funcionam e quais são as zonas espaciais em uma página


– juntamente com os conhecimentos sobre grids tipográficos, os quais nos
auxiliam a dividir o espaço e a organizar as composições – são aspectos
fundamentais na racionalização de layouts. A partir desses conhecimentos
podemos trabalhar de forma mais confiante e confortável quanto à disposição de
elementos textuais e imagéticos nas páginas.

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Tendo isso em mente, os questionamentos que sempre devem ser feitos
para a disposição adequada de textos e imagens em layouts é o seguinte: qual
mensagem será transmitida? O que é mais importante de ser mostrado? Em
outras palavras: qual será a ênfase visual do material? De acordo com Gordon
e Gordon (2014, p. 18), “a ênfase visual é um meio de conduzir o observador
numa certa ordem de informações complexas ao criar um hierarquia visual e
destacar elementos”.
Para os mesmos autores, quatro pontos devem ser considerados para
proporcionar ênfase visual: tamanho, peso, cor e disposição (posicionamento)
ou distribuição. Isto significa que podemos aumentar a fonte de um título, por
exemplo, para dar mais destaque a ele (tamanho); também podemos colocar
negrito em partes do texto para enfatizá-las (peso); usar boxes ou linhas
coloridas para separar informações importantes (cor); além de aplicarmos os
conhecimentos sobre as zonas ópticas da página para destacar elementos
(posicionamento). Veja a comparação feita no exemplo da Figura 7 a seguir.

Figura 7 – Comparação entre um layout sem muita ênfase visual (à esquerda) e


outro utilizando mais os elementos de ênfase visual (à direita)

Fonte: Adaptado de Mazzarotto, 2018, p. 181-183.

De forma geral, dominar esses recursos e saber quando empregá-los


pode ser muito útil no intuito de produzir composições organizadas, harmoniosas
e instigantes ao leitor.

TEMA 4 – USO DE TEMPLATES

Ao falarmos de templates, estamos nos referindo ao uso de modelos


visuais prontos, como páginas pré-diagramadas – contendo exemplos já

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concebidos previamente para os usos da tipografia, grids e demais elementos
gráfico-informacionais.
Muitos profissionais de criação rejeitam o uso de templates ou modelos
prontos, por acreditarem que eles limitam a criatividade no momento de compor
os layouts. Embora com certa dose de razão, precisamos ponderar aqui também
os fatores práticos envolvidos na produção de qualquer material gráfico. Quanto
a isto, é inegável que o uso desses modelos facilita e agiliza enormemente o
trabalho.
A seguir veremos um pouco mais sobre esses modelos e como podemos
utilizá-los em nosso trabalho.

4.1 Páginas mestres

As páginas mestres (ou master pages) nada mais são do que páginas-
modelo que controlam o aspecto visual de todo um documento (ou pelo menos
de partes consideráveis dele). Elas podem influenciar em aspectos como grid
tipográfico, cores, posicionamento de cabeçalhos, fólios, marcadores de seção
e outros elementos gráfico-informacionais de uma página.
Confira na Figura 8 a seguir qual a aparência e alguns dos elementos que
uma página mestre pode conter.

Figura 8 – Exemplo de página mestre

Fonte: Gordon; Gordon, 2014, p. 65.

Mas qual a utilidade dessas páginas mestres ao nosso trabalho? Muita!


Pense, por exemplo, no trabalho de composição de um livro com mais de
trezentas páginas. Ou em um catálogo contendo quinhentos ou mais produtos.
Ou, ainda, em uma revista com edições semanais de aproximadamente oitenta

13
páginas cada uma. Essas situações são bem factíveis de acontecerem no dia a
dia. Assim como mudanças no tamanho de fontes, larguras de colunas, cores
aplicadas etc. nessas páginas. Agora imagine o trabalhão para mudar todos
esses elementos página por página, depois do trabalho praticamente pronto (e,
acredite, essas mudanças acontecem o tempo todo!). Usando páginas mestres,
essas alterações são realizadas automaticamente em todo o documento com
apenas alguns poucos cliques no mouse.
Portanto, as páginas mestres servem como auxílio para padronizar e dar
unidade a várias páginas de uma publicação. Também possibilitam alterações
rápidas no layout de muitas páginas ao mesmo tempo, o que pode ser de grande
ajuda em trabalhos mais extensos de diagramação.

Saiba mais
O capítulo 5 do livro Design editorial, de Zappaterra e Caldwell (2014),
apresenta dicas interessantes sobre o uso de templates. Vale conferir!

4.2 Trabalhando com estilos

Além das páginas mestres, outra ferramenta que serve como ótimo auxílio
para a composição de materiais extensos são os estilos de textos e estilos de
parágrafos. Segundo Peruyera (2018, p. 217), “estilos são configurações de
parâmetros predefinidos”.
Tanto os aplicativos de edição de texto tradicionais e mais populares,
como o Microsoft Word, quanto os aplicativos de editoração eletrônica, como o
Adobe InDesign, apresentam a possibilidade de se configurar e se usar estilos:

Figura 9 – Painéis de configuração de estilos no Microsoft Word (acima) e no


Adobe InDesign (abaixo)

14
Fonte: Baseado nos softwares MS Word e Adobe InDesign, 2019.

De modo geral, os estilos de texto e de parágrafo funcionam com base no


mesmo princípio das páginas mestres. Como bem coloca Peruyera (2018, p.
277-278), o uso de estilos facilita a aplicação de configurações de todos os
elementos marcados como similares:

Por exemplo, acabamos de diagramar um livro e marcamos todo o


texto com um estilo chamado Texto. Como o texto era menor do que o
esperado, podemos nos dar ao luxo de aumentar um pouco o corpo do
texto e a entrelinha, visto que não precisamos marcar novamente todos
os elementos; basta alterar o estilo Texto para que todas as instâncias
mudem automaticamente.

Alguns recursos mais avançados em softwares como o Adobe InDesign


permitem inclusive a adoção de scripts, isto é, linhas de programação curtas que
servem para automatizar processos de formatação de estilos de um documento.
O designer Gustavo Soares comenta brevemente sobre o assunto em um vídeo
disponível no YouTube, com o sugestivo título de “Como fazer 1 livro em 1 dia?”:
<[Link] No vídeo, o designer também dá valiosas
dicas sobre o uso de estilos para a preparação dos arquivos a fim de otimizar o
trabalho de composição em publicações editoriais. Também é recomendável
assistir aos outros vídeos do canal Academia Tipográfica no YouTube, os quais
trazem muitos conhecimentos interessantes e relevantes sobre os assuntos
tratados neste tema da nossa aula.

Saiba mais
Neste vídeo você pode conferir o funcionamento de scripts simples que
poderão lhe auxiliar no Adobe InDesign: <[Link]
O capítulo 2 do livro O essencial do design gráfico, de Gordon e Gordon
(2014), aborda aspectos da formatação de estilos de textos.
15
TEMA 5 – FINALIZANDO O LAYOUT

Neste último tema, veremos algumas dicas sobre como lidar com os
nossos arquivos digitais antes de enviá-los à publicação final. Antes de tudo,
uma das dicas mais valiosas que posso dar é organizar bem os seus arquivos.

5.1 Organizando os arquivos

Não é incomum encontrarmos nomes de arquivos como


Revista12_versãofinal_valeeste_finalfinal_ok. Quando trabalhamos sozinhos e
com poucos arquivos – o que raramente será o caso no mercado editorial –, pode
até ser fácil identificar qual arquivo é a versão correta. Porém, pense em um
cenário no qual você trabalhará em equipes com dezenas de profissionais e
lidará com centenas de arquivos.
Estabelecer uma forma lógica e clara de nomeação e de organização dos
arquivos é fundamental para ninguém ter de passar horas procurando o arquivo
certo ou, o que é ainda pior, cometer erros por causa da desorganização. Em
seu livro Diagramação e layout, usado bastante nesta disciplina, Peruyera (2018)
dá as seguintes dicas:

• Organizar os arquivos em pastas com nomes que possam ser


compreendidos por todos os profissionais envolvidos;
• Manter os arquivos que serão sempre reutilizados, como os templates, em
pastas separadas e fáceis de encontrar;
• No caso de projetos com muitas imagens, salve-as em uma pasta
separada e sempre preserve as versões originais; salve as imagens
editadas em outra pasta separada;
• Procure manter os arquivos referentes a um mesmo projeto agrupados
em um só local;
• Só apague aqueles arquivos que você tem certeza que não serão úteis
futuramente;
• Faça cópias do seu trabalho e envie para o seu e-mail, para drives na
nuvem, salve em pen drives, em HDs externos etc. Não arrisque perder
tudo! Tenha sempre mais de uma cópia do seu trabalho disponível em
locais diferentes;

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• Mantenha arquivos importantes sempre disponíveis, como templates,
fontes etc. Nunca se sabe quando o computador precisará ser formatado
ou substituído.

Agora que já tratamos um pouco sobre a organização do trabalho, vamos


explorar os tipos de arquivo de texto e imagem mais usados.

5.2 Formatos de arquivos

Quais formatos de arquivo você conhece? Se você já tem alguma


intimidade com o computador, provavelmente vários. Alguns tipos de arquivos
são bastante conhecidos como formatos de imagem, como é o caso do JPG.
Outros, como formatos de textos, a exemplo do DOCX. Entretanto, estes não
são os únicos formatos disponíveis e utilizados nas publicações editoriais.
Quando trabalhamos com imagens, basicamente existem dois tipos
principais de formatos digitais que devemos conhecer: imagens bitmap e
imagens vetoriais. Cada um deles possui características distintas, com relação
à sua criação e quanto à sua edição por meio de softwares específicos.
As imagens bitmap, como o próprio nome indica, consistem em “mapas
de bits”. Mas o que isso quer dizer? O autor Nelson Martins (2015) coloca que o
bitmap é formado pelos pixels de uma tela, isto é, algo como uma grade
quadriculada que pode apresentar cores em cada um dos seus pequenos
quadrados. A combinação de muitos pixels coloridos forma uma imagem em
bitmap (Martins, 2015).
Para Gordon e Gordon (2014), o bitmap é a melhor forma de manipular
fotografias e outras imagens de “tom contínuo”, simulando texturas complexas
do mundo real. Por outro lado, desvantagens desse formato incluem o tamanho
de arquivo muito grande – por precisar mapear todas as cores de todos os pixels
individualmente; além da impossibilidade de aumentar o tamanho de uma
imagem sem que ocorra perda de qualidade, uma vez que essas imagens não
possuem outra estrutura senão aquela já mapeada em sua versão “original”
(Gordon; Gordon, 2014). Formatos de arquivo bitmap mais conhecidos incluem
o JPG ou JPEG (Joint Photographic Experts Group), GIF (Graphics Interchange
Format), PNG (Portable Network Graphic), TIFF (Tagged Image File Format) e o
formato nativo do Adobe Photoshop, o PSD (Photoshop Document).

17
Por sua vez, as imagens vetoriais consistem em gráficos construídos
matematicamente, em tempo real, pelo computador. De acordo com Martins
(2015), “ao contrário das imagens mapeadas por bits, as imagens vetoriais,
criadas em softwares de desenho, são compostas de linhas, ângulos e formas
geométricas predefinidas por comandos no computador e cálculos matemáticos”
(2015, p. 21).
Isto significa que quando uma imagem vetorial é aumentada ou diminuída
não há perda de qualidade, uma vez que os cálculos são refeitos pelo
computador para manter a mesma estrutura desenhada. Então, é possível usar
o mesmo vetor para ilustrar uma capa de livro ou para adesivar a lateral de um
caminhão sem perda de qualidade. Além disso, os arquivos vetoriais tendem a
ter um tamanho muito menor se comparados aos bitmaps. Em contrapartida, os
vetores podem não apresentar o mesmo grau de realismo e detalhamento que
as imagens bitmap. Formatos de arquivos vetoriais incluem o SVG (Scalable
Vector Graphics) e os formatos nativos do CorelDRAW, o CDR, e do Adobe
Illustrator, o AI. De modo geral, é preciso ter em mente também que “os próprios
programas de edição vetorial importam e exportam formatos bitmap, assim como
o Photoshop trabalha e exporta vetores” (Peruyera, 2018, p. 245).
Para finalizarmos, não poderíamos deixar de citar os arquivos usados
para a impressão ou veiculação digital de publicações. Esses arquivos podem
incluir tanto textos quanto imagens, podendo trabalhar com bitmaps e vetores.
Um dos formatos mais populares é o DOC ou DOCX, próprios do Microsoft Word.
Apesar de relativamente versátil, esse tipo de documento não é recomendado
quando se necessita a abertura e leitura em diferentes computadores, uma vez
que a formatação do arquivo pode ser inteira modificada e perdida. Tamanhos
de margens, fontes, estilos, formatação de imagens etc. são características que
podem mudar em computadores e versões de software diferentes,
Além disso, alguns ajustes finos e configurações mais avançadas de
layout e tipografia são ausentes no Microsoft Word (por exemplo, controlar
exatamente a entrelinha do documento; ou então o uso de ligaturas em fontes
Open Type). Por isso, muitos diagramadores preferem usar o Adobe InDesign,
o QuarkXpress ou mesmo o Scribus no campo do software livre.
Para enviar arquivos para impressão em gráficas, um dos formatos cada
vez mais preferidos é o PDF (Portable Document File). “PDF é um formato de
arquivo desenvolvido para preservar as fontes, imagens, gráficos e formatações

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de um arquivo original criado a partir de diversos softwares nativos” (Martins,
2015, p. 117). Os arquivos PDF preservam a qualidade original dos documentos
e podem ser abertos em qualquer sistema que contenha um leitor compatível
instalado, como o Adobe Acrobat ou o Adobe Reader, este último de distribuição
gratuita. Diversos aplicativos podem gerar arquivos em formato PDF: Microsoft
Word, Power Point, Excel, Illustrator, InDesign, Photoshop etc.

Saiba mais
Que tal aprender mais sobre formatos de arquivo?
No livro de Nelson Martins (2015), A imagem digital na editoração, todo o
capítulo 2 aborda apenas este assunto.
Na Biblioteca Virtual você encontra o livro de Matias Peruyera (2018),
Diagramação e layout, que também trata do assunto nas páginas 243 a 254.
Para formatos digitais de publicação, você pode consultar na Biblioteca
Virtual a obra Livro Digital etc. (2014), do autor Fabio Flatschart.

TROCANDO IDEIAS

Indo além do que foi exposto nesta aula, acesse o fórum online para
comentar com a turma o que mais você acredita que é necessário saber para
trabalhar com publicações editoriais. Pense em aspectos importantes que não
foram tratados até o momento na disciplina.

NA PRÁTICA

Que tal um pouco de contato com profissionais que já atuam no ramo


editorial? Para a atividade de hoje, siga as instruções a seguir:

1. Leia esta aula.


2. Converse com um profissional do ramo editorial sobre o trabalho do
dia a dia – pode ser alguém que trabalhe em uma gráfica ou em uma
editora de livros, revistas ou jornal.
3. Anote e/ou grave todas as informações.
4. Agora compare com os conhecimentos adquiridos nesta aula: o que
ficou faltando? Alguma informação foi contrária ao que você aprendeu
na disciplina?
5. Escreva um texto de 500 palavras com as suas conclusões.

19
FINALIZANDO

Chegamos ao final de nossa aula.


Neste encontro começamos a observar como colocar em prática os
conhecimentos que você adquiriu até o momento. O nosso foco aqui foram as
etapas de concepção e desenvolvimento de projetos gráficos, principalmente
projetos editoriais.
Inicialmente vimos elementos das primeiras etapas de planejamento de
um projeto. Para tanto, tratamos das etapas do fluxo de trabalho, profissionais
envolvidos e do espelho como forma de visualização da estrutura do material
que será produzido, como livros, jornais ou revistas.
Em seguida, vimos como o espaço gráfico pode ser segmentado em
publicações editoriais. Aqui tratamos das zonas de interesse em telas e páginas,
e como trabalhar com elas. Já no terceiro tema da aula, continuamos tratando
da divisão do espaço, porém analisando aspectos que influenciam na
composição de páginas harmoniosas e equilibradas.
Na sequência, tratamos do uso de templates em projetos editoriais, com
elementos como a página mestre e estilos de texto. Por último, finalizamos
comentando sobre como lidar com arquivos digitais para publicações.
Até a próxima aula!

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REFERÊNCIAS

BUGGY, L. Curso de produção gráfica. Recife: Fundição Design e Tecnologia,


2004.

COLLARO, A. C. Produção gráfica: arte e técnica na direção de arte. 2. ed. São


Paulo: Pearson Prentice Hall, 2012.

GORDON, B.; GORDON, M. (Ed.). O essencial do design gráfico. 2. ed. São


Paulo: Senac São Paulo, 2014.

HASLAM, A. O livro e o designer II. São Paulo: Rosari, 2007.

LUPTON, E. Tipos na tela: um guia para designers, editores, tipógrafos,


blogueiros e estudantes. São Paulo: Gustavo Gili, 2015.

MARTINS, N. A imagem digital na editoração: ajustes, conversão e


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2015.

MAZZAROTTO, M. Design gráfico aplicado à publicidade. Curitiba:


InterSaberes, 2018.

PERUYERA, M. Diagramação e layout. Curitiba: InterSaberes, 2018.

ZAPPATERRA, Y.; CALDWELL, C. Design editorial: jornais e revistas/mídia


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