E-BOOK EDUCATIVO
PRODUZIDO E EDITADO POR
JAQUELINI DOULA
EBOOK-3
Síndromes
hipertensivas
na gestação
E st u d a,
Mãe!
Uma produção especial
E st u d a,
Mãe!
Para informar mulheres, pois, acreditamos que
o conhecimento liberta!
O QUE SÃO SÍNDROMES
HIPERTENSIVAS?
São complicações gestacionais onde o principal sintoma é o
aumento da pressão arterial. Existem diferentes síndromes e uma
pode evoluir para a outra. Infelizmente hoje elas são a principal
causa de morte materna no Brasil (cerca de 35%).
Apesar de diversas pesquisas mostrarem que elas acometem de
10% a 22% das gestantes, esse número tende a ser muito maior,
pois existe muita negligência de diagnóstico. Atualmente as
síndromes são: hipertensão gestacional, hipertensão arterial
crônica, pré-eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome de hellp, sendo esta
o estágio mais grave de todos.
Importante destacar que as mulheres diagnosticadas devem fazer
tratamento e rastreio pós parto, pois, muitas vezes após a gravidez
a mulher permanece hipertensa e existe um índice significativo de
mulheres que convulsionam logo após o parto/cirurgia;
QUAIS OS FATORES DE RISCO?
Histórico familiar de pré-eclâmpsia ou de HAG em gestações
anteriores;
Etnia (mulheres pretas tem mais chances de desenvolver pré-
eclâmpsia);
Obesidade;
Gemelaridade;
Primiparidade (primeira gestação);
Idade superior a 35 anos;
Diabetes Mellitus 1 ou 2;
Doença renal crônica;
Doenças autoimunes.
FIV (fertilzação in vitro);
HIPERTENSÃO GESTACIONAL
Também chamada de hipertensão transitória da gravidez, é o
aumento da pressão arterial de maneira transitória após as 20
semanas de gestação, com ausência de proteinúria na urina. Para
o diagnóstico, é preciso duas aferições de 14/9 com 4 horas de
intervalo entre elas.
Caso seja diagnosticada, o protocolo de cuidado inclui aferições
diárias da pressão arterial, ultrassom com doppler de maneira
periódica para acompanhamento do crescimento fetal,
monitoramento do líquido amniótico e garantia da vitalidade
fetal. Também é importante que se investigue sinais de pré-
eclâmpsia até o fim da gestação, pois ambas as síndromes tem
início idêntico, porém a pré-eclâmpsia tem maior gravidade. Cerca
de 10 a 50% dos casos de hipertensão gestacional evoluirão em
algum momento para pré-eclâmpsia.
Hipertensão gestacional não é indicação de cesariana e sim de
indução, as 37 semanas se pressão descontrolada e 39+5 semanas
se pressão controlada e exames todos ok, garantindo a segurança
do feto.
Importante destacar que a hipertensão gestacional tende a sumir
de 6 a 12 semanas após o fim da gestação, sendo necessário
cuidado durante o puerpério.
HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA
A hipertensão arterial crônica consiste em uma hipertensão que
não é causada propriamente pela gravidez, mas, que impacta
diretamente nela. Muitas mulheres sequer sabem que são
hipertensas, pois, no Brasil, não existe a cultura de checkup ou de
consulta pré concepcional. Dito isto, muitas descobrem que são
hipertensas ao engravidar, já no inicio da gravidez e iniciam o
tratamento de maneira tardia.
É importante que a mulher diagnosticada com a hipertensão
crônica tenha acompanhamento multidisciplinar. Isto porque, a
hipertensão pode causar problemas em outros órgãos, então é
importante que sejam feios exames para descartar outros riscos.
A hipertensão crônica nem sempre precisará de tratamento
medicamentoso no inicio da gravidez, porque, em geral, as
síndromes hipertensivas tendem a ser mais controladas. A partir
de um pico de pressão de 15/10 entra a necessidade de
tratamento, ou casa haja lesões encontradas.
O acompanhamento sugere aferição no mínimo três vezes por
semana, dieta balanceada, exercícios físicos, e sempre investigar o
aparecimento da pré-eclâmpsia, pois, assim como a hipertensão
gestacional, ela também pode evoluir (cerca de 13 a 40% dos casos
evoluem). O acompanhamento também é o mesmo da
hipertensão gestacional, com o adendo de que, no terceiro
trimestre, é melhor acompanhar com cardiotoografia
esporadicamente.
Não é indicação de cesariana, e, se tudo bem, pode induzir até
39+6 semanas.
PRÉ-ECLÂMPSIA
A pré-eclâmpsia não é apenas uma síndrome hipertensiva, ela é
um distúrbio placentário. Em geral, ela aparece com o aumento da
pressão arterial a partir das 20 semanas, por isso, quando aparece
qualquer aumento de pressão, é necessário investigar qual das
síndromes acomete a mulher. A diferença entre as outras é que a
pré-eclâmpsia apresenta proteinúria na urina (maior ou igual a
300mg em 24 horas). Outra diferença, é que a pré-eclâmpsia pode
dar sinal somente no momento do parto, ou até mesmo depois
dele.
Outra coisa importante sobre a pré-eclâmpsia é que, mesmo com
ausência de proteinúria, se tiver medição de 16/11 ela já é
diagnosticada (e, inclusive, já trás riscos para órgãos internos).
Hoje a classificação da pré-eclâmpsia gira em torno de duas
classificações: leve e grave, esta podendo levar a eclâmpsia e
síndrome de Hellp.
PRÉ-ECLÂMPSIA LEVE
A pré-eclâmpsia leve vem acompanhada de alguns sintomas mais
brandos, por isso leva este nome. Entre eles podemos encontrar:
Pressão arterial elevada (com diastólica menor de 10, maior
que 10 é sintoma de pré-eclâmpsia, ou seja, numa pressão 16
sistólica por 11 diastólica, é sinal de gravidade);
Edemas podem surgir, mas esse é um sintoma pouco
recorrente;
Ganho acelerado de peso. Muitos obstetras pedem que as
gestantes façam dieta por "comerem demais" e ignoram que
isto pode estar ligado a maiores complicações.
Proteinúria na urina acima de 300mg/24 horas. Este exame
pode ser feito tanto em emergências obstétricas quanto no
pré-natal;
Albuminúria também pode ser um forte indicativo de pré-
eclâmpsia;
PRÉ-ECLÂMPSIA GRAVE
A pré-eclâmpsia grave trás diversas consequências que podem se
tornar fatais ou evoluírem para outras sindromes hipertensivas,
como eclâmpsia ou Hellp, mas dessas falaremos em outro
capítulo. Os sinais de pré-eclâmpsia grave são
Pressão arterial acima de 16/11;
Visão comprometida: ver brilhinhos, luzes ou embaçar durante
dores de cabeça;
Cefaleia (dor de cabeça forte);
Dores estomacais;
Edema em membros superiores (inchaço anormal do rosto,
braços e mãos;
Lesões em órgãos internos, principalmente rins, coração e
pulmões;
RISCOS DA PRÉ-ECLÂMPSIA
Disfunção do sistema nervoso;
Eclâmpsia e Hellp;
Disfunção hepática;
Insuficiência renal;
Edema pulmonar;
AVC;
Parto prematuro e óbito fetal;
TRATAMENTOS E CURA
Existem muitas coisas a erem adotadas no pré-natal que podem
salvar a vida de milhares de mulheres ao redor do mundo. A
primeira é BOA PRÁTICA DO PRÉ NATAL. Muitas mulheres
evoluem pra pré-eclâmpsia grave por erros e negligências no pré-
natal.
Uma das medidas adotadas aqui no Brasil de cuidado com a pré
eclâmpsia é o aumento das consultas pré-natais a partir das 26
semanas, sendo uma a cada 15 dias e consultas semanais a partir
das 36 semanas.
A terapia anti-hipertensiva não previne pré-eclâmpsia ou os
desfechos perinatais adversos associados, mas diminui à metade
da incidência de desenvolvimento de hipertensão grave
(FIOCRUZ)
A aspirina (baixa dose) em mulheres identificadas como com risco
aumentado de pré-eclâmpsia com base em características
clínicas, resulta em uma diminuição de 25% da pré-eclâmpsia,
além da redução das taxas de parto prematuro < 37 semanas,
morte perinatal e restrição de crescimento intrauterino. (FIOCRUZ)
Suplemento oral de cálcio cálcio (de pelo menos 1g/d) em
mulheres de alto risco pode diminuir a incidência de pré-
eclâmpsia hipertensão gestacional e parto prematuro. (FIOCRUZ)
A Organização Mundial da Saúde (2011) recomenda que mulheres
com “alto risco” para desenvolver pré-eclâmpsia devem receber
AAS em dose baixa, iniciada antes de 20 semanas se possível. O
AAS é distribuído em forma de comprimidos de 100 mg em nosso
meio. A dose recomendada é de um comprimido de 100 mg ao
deitar. (FIOCRUZ)
Infelizmente, a cura da pré-eclâmpsia só ocorre após o parto.
PARTO
Primeiro é necessário pontuar que a melhor e mais segura via de
nascimento em casos de pré-eclâmpsia é o parto normal, pois,
operações com oscilações bruscas de pressão é extremamente
arriscado e pode ser considerada má prática médica. O ideal é que
a indução do parto ocorra as 37 semanas, mas, dependendo da
gravidade do caso, pode ocorrer antes. Em casos onde a cesariana
é necessária, essa mulher deve receber sulfato de magnésio pelo
menos 4 horas antes da cirurgia para controle de pressão arterial.
A pré-eclâmpsia costuma perdurar mesmo após o parto, podendo
chegar a até 6 meses ou tornando a mulher hipertensa crônica.
Esse controle pode exigir intervenções medicamentosas.
SÍNDROME HELLP
A síndrome de HELLP aparece na forma mais grave da pré-
eclâmpsia, geralmente antes as 37 semanas de gestação; Em
resumo, ela é associada ao inchaço no fígado e diminuição da
função hepática. Junto com isso, começa a ocorrer a destruição
dos glóbulos vermelhos do sangue, e em sua forma mais agressiva,
ela pode causar hemorragia interna e descolamento prematuro de
placenta.
O diagnóstico vem de exames laboratoriais, que mostram o mal
funcionamento dos órgãos e a hemólise (destruição dos glóbulos
vermelhos) e problemas de coagulação sanguínea.
Não existe tratamento pra HELLP, sendo necessária a interrupção
imediata da gravidez em caso de diagnóstico, pois é impossível
garantir a vitalidade materno-fetal.
Se não tratada com urgência, pode levar os dois, mãe e bebê a
óbito. Ter HELLP em uma gestação transforma futuras gestações
em gravidez de alto risco, pois é uma doença que pode e repetir
em gestações futuras. E, apear de rara, a HELLP é responsável por
boa parte das mortes maternas por causas hipertensivas.
ECLÂMPSIA
É a mais grave complicação hipertensiva na gestação,
caracterizada por convulsões antes, durante ou em até 48 horas
pós parto. Ela é completamente evitável se pré-natal adequado e
interrupção da gestação em momento oportuno. Ela é uma
complicação da pré-eclâmpsia, quando está em nível tão grave
que afeta o cérebro. Outro meio de identificar e tratar antes que
aconteça o pior é medir a proteinúria e utilizar sulfato de
magnésio em internação hospitalar.
Assim como a pré-eclâmpsia, a cura da eclâmpsia vem com o
nascimento do bebê. Os riscos da eclâmpsia para a mulher são:
AVC;
Coma;
Edema agudo de pulmão;
Hemorragia cerebral;
Rotura hepática;
Doenças cardiovasculares futuras;
Descolamento de placenta;
Para o bebê:
Restrição de crescimento intrauterino;
Prematuridade;
Morte neonatal/fetal;
Atraso no desenvolvimento psicomotor;
Hipóxia;
Isquemia cerebral;
Obrigada pela confiança !