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CNGC Judicial

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PROVIMENTO CGJ N.

39, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2020

Aprova o Código de Normas Gerais da


Corregedoria-Geral da Justiça – CNGC.

O CORREGEDOR-GERAL DA JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO


GROSSO, no uso de suas atribuições legais, regimentais e institucionais, e em
conformidade à decisão exarada nos autos do Expediente CIA n. 0030370-
18.2019.8.11.0000,
RESOLVE:
Art. 1º Fica aprovado o Código de Normas Gerais da Corregedoria-Geral da
Justiça – CNGC, nos termos do Anexo Único deste Provimento.
Art. 2º O Código de Normais Gerais da Corregedoria-Geral da Justiça –
CNGC pode ser alterado por meio de provimento, a ser elaborado sem prejudicar a
sistemática e a numeração existentes.
Art. 3º Esta norma, suas alterações e todos os formulários padronizados serão
disponibilizados no site da Corregedoria-Geral da Justiça
([Link] em duas vias: uma sem as referências e remissões e
outra tachada, com todas as alterações existentes.
Art. 4º Ficam revogados os provimentos da Corregedoria-Geral da Justiça que
alteraram dispositivos da Consolidação das Normas Gerais da Corregedoria-Geral da
Justiça – Foro Judicial – até 30 de abril de 2020.
Art. 5º Este Provimento entra em vigor na data de sua publicação.

Desembargador LUIZ FERREIRA DA SILVA


(documento assinado digitalmente)
ANEXO ÚNICO
CÓDIGO DE NORMAS GERAIS DA CORREGEDORIA-GERAL DA JUSTIÇA
- CNGC

TÍTULO I
DA CORREGEDORIA-GERAL DA JUSTIÇA

CAPÍTULO I
DOS ATOS DA CORREGEDORIA

Seção I
Do Código e seu uso

Art. 1º O Código de Normas Gerais da Corregedoria-Geral da Justiça,


denominado CNGC, estabelece o regramento administrativo de determinadas matérias
judiciais e administrativas, sem prejuízo de outros atos em vigor ou a serem editados.
Parágrafo único. Este Código, os provimentos que o alterarem ou os atos
autônomos editados pela Corregedoria-Geral da Justiça serão disponibilizados apenas
em sua forma eletrônica no site do Tribunal de Justiça.
Art. 2º Deverão ser integrados ao texto deste Código os atos normativos que
tenham por objeto:
I - definir regramentos gerais de procedimentos judiciais e administrativos por
meio de normas complementares às disposições legais existentes;
II - regulamentar, quando necessário, as disposições do Conselho Nacional de
Justiça, do Tribunal Pleno, do Órgão Especial ou do Conselho da Magistratura desta
Corte de Justiça;
III – regulamentar matérias de competência do Corregedor-Geral da Justiça,
nos termos do Código de Organização e Divisão Judiciárias – Coje e dos Regimentos
Internos do Tribunal de Justiça e da Corregedoria-Geral da Justiça.
Parágrafo único. Além das matérias elencadas nos incisos deste artigo, podem
ser inseridas disposições relativas a outras matérias necessárias aos serviços judiciários,
a critério do Corregedor-Geral da Justiça.
Art. 3º Este Código pode ser alterado por meio de provimento, que após sua
expedição será remetido para publicação no Diário da Justiça Eletrônico.
§ 1º Compete ao Departamento de Orientação e Fiscalização, da Corregedoria-
Geral da Justiça, atualizar o texto alterado, enviando-o aos integrantes dos Foros
Judicial e Administrativo pelo sistema eletrônico de informações.
§ 2º Os provimentos editados pela Corregedoria-Geral da Justiça apenas serão
integrados ao texto deste Código quando houver determinação expressa nesse sentido.

Seção II
Dos atos normativos

Art. 4º Os atos de natureza normativa expedidos pelo Corregedor-Geral da


Justiça, no âmbito de sua competência, observarão a seguinte nomenclatura:
I - Provimento: ato de caráter normativo interno e externo com a finalidade de
esclarecer e orientar a execução dos serviços judiciais e extrajudiciais em geral; quando
se destinar a alterar outro provimento, deverá ser redigido de tal forma a indicar
expressamente a norma alterada, a fim de preservar a sistematização e a numeração
existente;
II - Instrução Normativa: ato de caráter vinculativo complementar, com o
objetivo de orientar a execução de serviço judiciário específico;
III - Orientação: ato de caráter explicativo, com medidas para aperfeiçoamento
do serviço judiciário;
IV - Ofício-Circular: ato de caráter requisitório ou de divulgação, contendo
solicitação de informações administrativas, técnicas, processuais e financeiras,
estabelecendo o modo de sua realização ou a divulgação de decisões e atos da
Corregedoria;
V - Portaria: ato interno contendo delegações ou designações, de natureza geral
ou especial, para desempenho de funções definidas no próprio ato; destinado ainda a
aplicar, em casos concretos, os dispositivos legais atinentes à atividade funcional de
magistrados, serventuários e funcionários da Justiça;
VI - Recomendação: instrumento por intermédio do qual se expõem, em ato
formal, razões fáticas e jurídicas sobre determinada questão, com o objetivo de
persuadir o destinatário a praticar ou deixar de praticar determinados atos em benefício
da melhoria dos serviços judiciários, atuando, assim, como instrumento de prevenção de
responsabilidades ou correção de condutas;
VII - Ordem de Serviço: ato de providência interna e circunscrita ao plano
administrativo da Corregedoria-Geral da Justiça.
Art. 5º Os atos normativos devem ser publicados no Diário da Justiça
Eletrônico, salvo nos casos de segredo de justiça decorrente da lei ou de decisão
administrativa ou judicial.

Seção III
Dos atos normativos subsidiários

Art. 6º Havendo necessidade, em face das peculiaridades da unidade judiciária


e observados os princípios da legalidade, da impessoalidade, da publicidade, da
eficiência, da proporcionalidade e da razoabilidade, o magistrado poderá editar normas
complementares às disposições deste Código, por meio exclusivo de portarias e ordens
de serviço, que serão enviadas à Corregedoria-Geral da Justiça para aprovação.
§ 1º As portarias ou ordens de serviço exaradas no âmbito das unidades
judiciárias somente terão eficácia após a sua aprovação pelo Corregedor-Geral da
Justiça.
§ 2º Aprovada a portaria ou a ordem de serviço, o magistrado responsável por
sua edição será comunicado e deverá determinar sua publicação no Diário da Justiça
Eletrônico.
§ 3º Se em virtude do teor da portaria ou da ordem de serviço forem afetados
de qualquer forma o Ministério Público, a Ordem dos Advogados do Brasil, a
Defensoria Pública ou outra entidade de classe, todos deverão ser comunicados pelo
magistrado responsável por sua edição, com cópia para conhecimento.

Seção IV
Da consulta

Art. 7º As dúvidas a respeito da execução do serviço judiciário serão sanadas


pelo magistrado responsável pela unidade judiciária.
Art. 8º Admite-se consulta à Corregedoria-Geral da Justiça quando
preenchidos, cumulativamente, os seguintes requisitos:
I - interesse geral;
II - abstração do objeto.
Parágrafo único A consulta deverá ser formulada exclusivamente pelo
magistrado, sob pena de não conhecimento.
Art. 9º Não se conhecerá da consulta apresentada à Corregedoria-Geral da
Justiça que:
I - não preencher os requisitos estabelecidos neste Código;
II - versar sobre matéria jurisdicional;
III - tratar de matéria não afeta à Corregedoria-Geral da Justiça, nos termos do
Regimento Interno do Tribunal de Justiça.

CAPÍTULO II
DA FUNÇÃO CORRECIONAL

Seção I
Disposições gerais

Art. 10. A função correcional consiste na orientação e na fiscalização


permanente dos serviços judiciais da primeira instância, bem como na fiscalização das
Unidades Prisionais e demais estabelecimentos em relação aos quais, por imposição
legal, esses deveres forem atribuídos ao Poder Judiciário e será exercida nos seguintes
termos:
I - em todo o Estado de Mato Grosso, pelo Corregedor-Geral da Justiça;
II – na respectiva unidade judiciária e nos limites de sua competência, pelo
magistrado.
Parágrafo único A atividade correcional do Corregedor-Geral da Justiça
poderá ser exercida mediante delegação aos magistrados auxiliares da Corregedoria-
Geral da Justiça.
Art. 11. A função correcional será exercida por meio de inspeções ou de
correições nas unidades judiciárias, conforme determinado pelo Corregedor-Geral da
Justiça.
§ 1º A inspeção e a correição podem ser realizadas de forma presencial ou
virtual, com abrangência geral ou parcial.
§ 2º A correição pode ter caráter ordinário ou extraordinário.

Seção II
Da inspeção
Art. 12. A inspeção consiste na apuração de fato determinado, relacionado ao
conhecimento e à verificação do funcionamento dos serviços judiciais, havendo ou não
evidências de irregularidades.
§ 1º Se, durante a inspeção, outros fatos forem constatados, relacionados ao
funcionamento dos serviços judiciais, sua apuração será determinada nos mesmos autos.
§ 2º A inspeção poderá ser realizada independentemente de convocação ou
comunicação prévia, mediante decisão fundamentada do Corregedor-Geral da Justiça.
Art. 13. O Corregedor-Geral da Justiça disporá de livre ingresso nos locais
onde se processem as atividades inspecionadas, podendo, se entender conveniente,
acessar documentos, livros, registros de computadores ou qualquer outro dado ou
elemento de prova que repute relevante para os propósitos da inspeção.
Parágrafo único. Se necessário, poderão ser designados servidores de outros
órgãos do Poder Judiciário ou, mediante cooperação, dos órgãos dos Poderes Executivo
e Legislativo para auxiliar nos trabalhos de inspeção.
Art. 14. Concluída a diligência, o Corregedor-Geral da Justiça ou aquele por
ele designado mandará lavrar auto circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for
útil aos objetivos da inspeção.
§ 1º O Corregedor-Geral da Justiça determinará a adoção das medidas de sua
competência e, se for o caso, proporá ao Conselho da Magistratura, ao Órgão Especial
ou ao Tribunal Pleno as demais que tenha por necessárias e adequadas aos objetivos da
inspeção, à vista das necessidades ou deficiências nela evidenciadas.
§ 2º Em qualquer momento em que apuradas, as irregularidades que constituam
ilícito penal deverão ser imediatamente comunicadas ao Ministério Público.

Seção III
Da correição ordinária

Art. 15. A correição ordinária é a atividade de fiscalização e de


acompanhamento da prestação do serviço judicial e de análise de desempenho da
unidade judiciária em face das metas estabelecidas pela Corregedoria-Geral da Justiça e
pelo Conselho Nacional de Justiça, a ser realizada pelo menos uma vez ao ano, de forma
remota ou presencial, com caráter geral ou parcial, em todas as unidades judiciárias,
abrangendo simultaneamente os gabinetes e as secretarias.
Parágrafo único. A correição ordinária será realizada por demanda ou por
excelência, sendo a primeira efetivada presencial ou remotamente e a segunda apenas de
forma remota.
Art. 16. A correição ordinária remota será realizada pela Auditoria de Gestão
de Primeira Instância, sob a coordenação de um magistrado auxiliar da Corregedoria-
Geral da Justiça, e consiste na extração de dados dos sistemas informatizados de gestão
de processos, para verificação permanente do desempenho de cada unidade judiciária
em relação aos parâmetros estabelecidos pela Corregedoria-Geral da Justiça.
§ 1º Os parâmetros são definidos em instrução normativa, a partir de
indicadores propostos pela Auditoria de Gestão de Primeira Instância e validados pelo
Corregedor-Geral da Justiça.
§ 2º Ao término da correição ordinária remota, a Auditoria de Gestão de
Primeira Instância encaminhará, no prazo de até 5 (cinco) dias corridos, relatório
circunstanciado dos dados estatísticos da unidade judiciária correicionada ao
Corregedor-Geral da Justiça e, se for o caso, proporá a realização de correição por
demanda ou por excelência.
Art. 17. A correição ordinária por demanda consiste na intervenção na unidade
judiciária, de forma remota ou presencial, pela Corregedoria-Geral da Justiça, para fazer
cumprir o Plano de Projeção de Resultados – PPR, regulamentado por instrução
normativa, com o objetivo de alcançar os parâmetros estabelecidos.
Parágrafo único. Determinada a realização de correição ordinária por
demanda, o Corregedor-Geral da Justiça deverá adotar as medidas administrativas para
apurar, se for o caso, a responsabilidade pela má prestação do serviço judiciário.
Art. 18. Havendo necessidade, será realizada a correição ordinária por
demanda presencial, durante a qual os servidores da comarca ficarão à disposição do
Corregedor-Geral da Justiça ou do magistrado auxiliar para realização dos trabalhos
correcionais.
Parágrafo único. Na correição ordinária por demanda presencial, o relatório
final das atividades deve ser apresentado no prazo de 30 (trinta) dias corridos, após a
conclusão dos trabalhos.
Art. 19. A correição ordinária por excelência consiste na premiação da(s)
unidade(s) judiciária(s) que alcançar(em) o melhor desempenho dentre todas as
unidades do Estado, de acordo com o relatório das correições remotas do período,
regulamentado por instrução normativa.
Seção IV
Da correição extraordinária

Art. 20. A correição extraordinária visa à apuração de fato irregular


relacionado ao funcionamento dos serviços judiciais e consiste na fiscalização
excepcional, realizável a qualquer momento, podendo ser presencial ou remota, geral ou
parcial.
§ 1º A correição extraordinária pode ser realizada em segredo de justiça,
dispensada a comunicação ou convocação prévia, mediante decisão fundamentada do
Corregedor-Geral da Justiça.
§ 2º Concluída a correição, o Corregedor-Geral da Justiça, ou aquele por ele
designado, mandará elaborar relatório, observando, no que for cabível, o previsto no
parágrafo único do art. 18 deste Código.

Seção V
Do regime de exceção

Art. 21. Concluída a inspeção ou correição, seja ordinária ou extraordinária, o


Corregedor-Geral da Justiça poderá propor ao Conselho da Magistratura a decretação de
regime de exceção em qualquer comarca ou vara, indicando a distribuição de
competência entre os magistrados que venham a atuar durante o respectivo período.
Parágrafo único Igual medida pode ser adotada de ofício quando necessário
para a regularização da unidade judiciária.
Art. 22. Declarada a unidade judiciária em regime de exceção, caberá ao
magistrado auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça planejar e executar os atos, sob a
coordenação do Corregedor-Geral da Justiça, destacando-se, entre outras, as seguintes
medidas:
I - inspeção prévia, qualitativa e quantitativa, presencial ou virtual;
II - apoio ao julgamento;
III - regularização dos atos judiciais na secretaria da unidade judiciária,
inclusive no que se refere ao cumprimento de mandados;
IV - realização de audiências e sessões de julgamento pelo Tribunal do Júri.
Art. 23. Concluído o regime de exceção, o magistrado auxiliar da
Corregedoria-Geral da Justiça deverá elaborar, no prazo de 15 (quinze) dias corridos,
relatório pormenorizado de todas as atividades desenvolvidas, com os dados dos
indicadores do painel estratégico do sistema Omni, para monitoramento posterior da
Auditoria de Gestão da Primeira Instância, fazendo constar, se for o caso, sugestão para
apuração de responsabilidade.
Parágrafo único O relatório será avaliado pelo Corregedor-Geral da Justiça,
que determinará, conforme o caso, a apuração de responsabilidade.

Seção VI
Da autocorreição

Art. 24. A atividade correcional do magistrado é permanente e compreende a


fiscalização e orientação da unidade judiciária.
Parágrafo único. Identificada eventual irregularidade, o magistrado deve
adotar providência imediata para sua regularização.
Art. 25. A autocorreição, para fins de elaboração do Plano de Projeção de
Resultados - PPR, deverá ser realizada até o 15º (décimo quinto) dia útil do mês de
fevereiro de cada ano.
§ 1º O magistrado deverá acessar o sistema Omni, ou outro que venha a ser
definido, e obter o relatório com as seguintes informações:
I - processos paralisados por mais de 30 (trinta) dias corridos;
II - índice de cumprimento das metas do Conselho Nacional de Justiça e da
Corregedoria-Geral da Justiça;
III - quantidade de presos provisórios e condenados ou adolescentes
apreendidos;
IV - total de processos conclusos para despacho, decisão e sentença;
V – correção nos lançamentos nos sistemas de tramitação processual da
primeira instância, como número do tema, controvérsia ou Número Único do Tema –
NUT do Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas – IRDR que determinou o
sobrestamento do feito, bem como o nome do tribunal.
§ 2º Depois de gerar os relatórios, o magistrado deverá elaborar o PPR com as
seguintes informações:
I - prazo, não superior a 60 (sessenta) dias corridos, para a regularização dos
processos pendentes na secretaria da unidade judiciária;
II - prazo, não superior a 60 (sessenta) dias corridos, para sentenciar, despachar
e decidir os processos conclusos;
III - prazo, não superior ao do mês de novembro do corrente ano, para
cumprimento das metas do Conselho Nacional de Justiça e da Corregedoria-Geral da
Justiça;
IV – outras informações reputadas importantes, bem como as irregularidades
encontradas e as providências determinadas para saná-las.
§ 3º O termo inicial dos prazos estabelecidos nos incisos I e II é a data da
realização do PPR.
§ 4º O PPR será elaborado no sistema de autocorreição on-line constante no
Sistema de Correição Eletrônica – SCE, disponível no portal dos magistrados e no site
do Tribunal de Justiça ([Link]), na página da Corregedoria-Geral da Justiça.
§ 5º O PPR será submetido ao Corregedor-Geral da Justiça para avaliação e
aprovação.
Art. 26. Caso o magistrado assuma a unidade judiciária após a aprovação do
PPR elaborado pelo magistrado antecedente, deverá dar sequência ao cronograma
previsto.
§ 1º Se o magistrado, com base em elementos objetivos, entender que não é
possível alcançar os resultados esperados, deve submeter novo PPR ao Corregedor-
Geral da Justiça.
§ 2º A submissão de novo PPR ao Corregedor-Geral da Justiça deve ser
efetivado em até 15 (quinze) dias corridos, contados da data em que o magistrado
assumiu a unidade judiciária.
Art. 27. Na elaboração do PPR, os magistrados atenderão, preferencialmente, a
ordem cronológica de conclusão para proferir sentença, nos termos do art. 12 do Código
de Processo Civil.
Parágrafo único. A lista de processos aptos a julgamento permanecerá à
disposição para consulta pública.

Seção VII
Do relatório de saída da unidade judiciária

Art. 28. Ao se afastar em definitivo da unidade judiciária, independentemente


do motivo, o magistrado deverá elaborar relatório com os seguintes dados:
I - número de processos em andamento (distribuídos e não sentenciados);
II - número de processos devolvidos sem despacho, decisão ou sentença;
III - pauta das audiências designadas;
IV - relatório de crianças e/ou adolescentes acolhidos, a ser obtido no Sistema
Nacional de Adoção e Acolhimento – SNA;
V - relatório de réus presos, indicando se são provisórios ou definitivos.
§ 1º O relatório deve ser remetido ao Corregedor-Geral da Justiça, com cópia
para o e-mail funcional do magistrado que irá assumir a unidade judiciária.
§ 2º O relatório deve ser enviado até o último dia útil em que o magistrado
atuou na unidade judiciária.
§ 3º Os dados do relatório não deverão constar da ficha funcional do
magistrado.
Art. 29. O magistrado que assumiu a unidade judiciária poderá impugnar o
relatório mediante ofício a ser submetido ao Corregedor-Geral da Justiça.
Parágrafo único. O prazo para impugnação do relatório é de 15 (quinze) dias
úteis, contados da data em que o magistrado assumiu a unidade judiciária.

Seção VIII
Da correição das unidades prisionais

Art. 30. Os estabelecimentos prisionais e outros destinados ao recolhimento de


pessoas, sujeitos à atividade correcional do juízo, serão visitados uma vez por mês,
conforme determina o inciso VII do art. 66 da Lei de Execução Penal - LEP.
§ 1º A correição mensal será registrada em termo sucinto no Livro de Visitas e
Correições, podendo conter unicamente o registro da presença, sem prejuízo do cadastro
eletrônico perante o Conselho Nacional de Justiça, cuja cópia, após sua lavratura, será
encaminhada à autoridade administrativa da unidade prisional, para arquivamento.
§ 2º Ressalvado o afastamento deferido por prazo igual ou superior a 30 (trinta)
dias corridos, ou por motivo relevante devidamente comunicado à Corregedoria-Geral
da Justiça, o magistrado responsável pela correição realizará, pessoalmente, a visita
mensal, vedada a atribuição dessa atividade ao magistrado que estiver respondendo pela
unidade judiciária por período inferior.
TÍTULO II
DO MAGISTRADO E DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA

CAPÍTULO I
DO MAGISTRADO

Seção I
Disposições gerais

Art. 31. O exercício da magistratura exige conduta compatível com os


princípios do Código de Ética e da Lei Orgânica da Magistratura Nacional.
Art. 32. Além de processar e julgar os feitos de sua competência, compete ao
magistrado:
I - orientar e fiscalizar os serviços da unidade judiciária, zelando pela prática
dos atos processuais com observância da forma, dos prazos legais e da eficiência na
gestão;
II - discriminar, mediante ordem de serviço, os atos meramente ordinatórios a
serem praticados pelo gestor judiciário e seus servidores, visando à celeridade da
prestação jurisdicional;
III - submeter à Corregedoria-Geral da Justiça as portarias e as ordens de
serviço baixadas, para prévia aprovação;
IV - manter-se informado de todos os atos normativos do Conselho Nacional
de Justiça, da Presidência, do Órgão Especial, do Conselho da Magistratura e da
Corregedoria-Geral da Justiça deste Tribunal, cumprindo-os e fazendo-os cumprir, no
que lhe couber;
V - comunicar à Procuradoria-Geral de Justiça, à seccional local da Ordem dos
Advogados do Brasil, à Procuradoria-Geral do Estado e do Município, bem como à
Defensoria Pública de Mato Grosso as faltas, omissões, ausências ou outros atos
praticados por membros dos mencionados órgãos, que lhes possam interessar
disciplinarmente;
VI - sugerir à Corregedoria-Geral de Justiça medidas para aprimoramento das
práticas e rotinas cartorárias;
VII - adotar as medidas necessárias para cumprir as metas fixadas pela
Corregedoria-Geral da Justiça e pelo Conselho Nacional de Justiça;
VIII - encaminhar à Corregedoria-Geral da Justiça eventuais dúvidas de caráter
estritamente administrativo suscitadas por servidores, quando ele próprio também
estiver em dúvida ou tiver receio de conflitar com orientação de outra comarca ou da
Corregedoria, fundamentando as razões do seu proceder;
IX - comunicar à Corregedoria-Geral da Justiça sempre que instaurados
sindicância, processo administrativo disciplinar ou ação penal contra servidor da Justiça,
bem como o resultado;
X - providenciar a alimentação regular dos sistemas da Corregedoria-Geral da
Justiça ou do Conselho Nacional de Justiça, aplicáveis a sua competência.

Seção II
Desenvolvimento e aplicação de projetos

Art. 33. O desenvolvimento ou a aplicação de projeto ou campanha pelo


magistrado, independentemente de sua natureza, estão sujeitos a prévia e expressa
autorização do Corregedor-Geral da Justiça.
§ 1º Caso o magistrado pretenda desenvolver ou aplicar projeto na unidade
judiciária, deve, primeiramente, submeter o pedido ao Corregedor-Geral da Justiça
mediante ofício, expondo suas razões, a metodologia de trabalho e a previsão de alcance
de resultados.
§ 2º Os projetos e as campanhas já em andamento na data da entrada em vigor
deste Código devem ser encaminhados, no prazo de 15 (quinze) dias corridos, para
avaliação pelo Corregedor-Geral da Justiça, que decidirá acerca de sua continuidade.

Seção III
Disposições finais

Art. 34. É proibido ao magistrado, por ocasião do usufruto de férias ou


qualquer outro tipo de afastamento, devolver os autos ao cartório sem despacho, decisão
ou sentença.
Parágrafo único. No caso de férias ou qualquer outro tipo de afastamento, os
feitos permanecerão conclusos ao magistrado, obedecendo-se à ordem de conclusão,
ficando à disposição das partes para, no caso de urgência, serem enviados ao substituto
legal.

CAPÍTULO II
DO GESTOR JUDICIÁRIO
Seção I
Disposições gerais

Art. 35. Ao gestor judiciário, titular ou designado, incumbe:


I - chefiar, sob a supervisão e direção do magistrado, a unidade judiciária em
que estiver lotado;
II - assinar, observada a forma prescrita, todos os termos dos processos e
demais atos praticados no juízo em que servir;
III - zelar pela arrecadação da taxa judiciária, das custas e demais exigências
fiscais e outros quaisquer valores devidos pelas partes;
IV - preparar, diariamente, o expediente do magistrado;
V - ter em boa guarda os autos, livros e papéis de sua secretaria;
VI - zelar pela entrega, mediante carga, diariamente, ao magistrado, ao
Promotor de Justiça, ao Defensor Público ou ao Advogado dos autos conclusos ou com
vista;
VII - remeter à Corregedoria-Geral da Justiça, no prazo estabelecido, relatório
estatístico do movimento forense da secretaria;
VIII - devolver à distribuição ou ao depósito os objetos encaminhados em
razão de audiência, salvo se ordenada pelo magistrado sua entrega ao interessado, caso
em que esta deverá ser comunicada ao depositário ou distribuidor;
IX - fornecer certidão, independentemente de despacho, do que constar nos
autos, livros e papéis da unidade judiciária, salvo quando a certidão se referir a
processo:
a) de interdição, antes de publicada a sentença;
b) de arresto ou sequestro, antes de realizado;
c) formado em segredo de justiça;
d) penal, antes da pronúncia ou sentença definitiva;
e) especial, regulado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente;
f) administrativo, de caráter reservado;
X - extrair, autenticar, conferir e consertar traslados;
XI - autenticar reproduções de quaisquer peças ou documentos de processos
que tramitem em sua secretaria;
XII - promover e fiscalizar a alimentação de dados ao sistema, assim como
remeter os autos ao Distribuidor, independentemente de despacho, para inclusão dos
dados qualificativos das partes que não possam ser lançados pela secretaria;
XIII - extrair guia de execução penal;
XIV - proceder aos cálculos referentes à liquidação e/ou unificação de penas
privativas de liberdade;
XV - realizar todos os atos que lhe forem atribuídos nas leis processuais, neste
Código e em resoluções do Órgão Especial, do Conselho da Magistratura e da
Corregedoria-Geral da Justiça;
XVI - impulsionar, por certidão, os feitos que dependam da mera prática de
atos ordinatórios.
Parágrafo único. As certidões, nos casos enumerados no inciso IX, alíneas “a”
a “f”, somente serão fornecidas mediante petição deferida pelo magistrado competente e
comprovante de recolhimento das custas, em guia própria.
Art. 36. O gestor judiciário fica autorizado a assinar, sempre mencionando que
o faz por ordem do magistrado ou da Corregedoria-Geral da Justiça, os seguintes
documentos:
I - expediente de simples comunicação de designação de datas, ou de outros
despachos, ou ainda de informações solicitadas;
II - mandado e carta de citação, intimação e notificação;
III - ofício requisitando comparecimento de militar para participar de
audiência;
IV - ofício comunicando ao chefe da repartição pública a data e o horário do
comparecimento de servidor público à audiência;
V - ofício comunicando o desfecho dos processos e inquéritos;
VI - ofício respondendo solicitação de outros gestores a respeito de informação
ou certidão de processo;
VII - ofício enviando autos de processos ou cartas precatórias, se houver
decisão nesse sentido;
VIII - ofício solicitando informação ou devolução de carta precatória, se
houver decisão nesse sentido;
IX - ofício enviando documento para instruir carta precatória;
X - ofício informando da prisão ou da existência da ação, se solicitado;
XI - ofício informando sobre o processamento de carta precatória;
XII - ofício respondendo a requisição de informações sobre o andamento de
carta precatória;
XIII - editais.
§ 1º Não podem ser assinados pelo gestor judiciário:
I - mandados de prisão, de sequestro, de arresto e de busca e apreensão;
II - contramandados;
III - alvarás de soltura, salvos-condutos, requisições de réu preso, de internação
ou de tratamento;
IV - cartas precatórias, arbitrais e rogatórias;
V - guias de recolhimento, de internação, de tratamento, de saída temporária,
de transferência ou remoção de presos e de interdição;
VI - autorizações de qualquer natureza;
VII - ofícios requisitando informação sob sigilo fiscal, telefônico ou bancário e
armas, drogas, veículos ou objetos apreendidos;
VIII - ofícios e alvarás para levantamento de depósito;
IX - ofícios dirigidos a magistrados e demais autoridades judiciárias de igual
ou superior instância; a integrantes dos Poderes Legislativo e Executivo, seus
secretários ou detentores de cargos assemelhados; a integrantes do Ministério Público; a
reitores e diretores de Faculdades; a bispos e seus superiores; a comandantes de
unidades militares das Forças Armadas e outros destinatários na ordem protocolar.
§ 2º Decorrido o prazo para cumprimento da carta precatória, deverá o gestor
judiciário expedir ofício solicitando sua devolução devidamente cumprida e, caso não
haja cumprimento, encaminhar os autos conclusos ao magistrado para providências.
Art. 37. É vedado aos gestor judiciário o recebimento de valores a qualquer
título.
§ 1º Sendo procurado pelo interessado para recebimento de valores, deverá o
gestor judiciário expedir a guia de recolhimento da conta judicial vinculada ao processo
para depósito pela parte.
§ 2º Caso já esteja encerrado o expediente bancário, o gestor judiciário deverá
expedir a referida guia de recolhimento e certificar nos autos o horário do seu
fornecimento, para apreciação do magistrado.
Art. 38. O gestor judiciário, ou servidor a sua ordem, poderá abrir a
correspondência dirigida ao juízo desde que não haja ressalva de “reserva”,
“confidencial” ou equivalente.
Parágrafo único. Se a correspondência se referir a processos, deve informar
nos autos o que for necessário, ou tomar as providências adequadas, quando meramente
impulsionadoras do feito, lavrando-se a respectiva certidão de impulsionamento.
Art. 39. Caso sejam devolvidos mandado, carta precatória ou qualquer outro
expediente com diligência parcial ou sem a prática de nenhum ato, a secretaria intimará
a parte interessada, independentemente de determinação judicial, para prestar outras
informações ou indicar novo endereço para o cumprimento do mandado, que deverá ser
novamente emitido, aditado e entregue ao oficial de justiça para a realização de novas
diligências, independentemente de ordem judicial.
Parágrafo único. Se, no cumprimento dessa intimação, a parte requerer a
expedição de carta precatória, fica imediatamente deferida a diligência, desde que haja
prazo suficiente para o seu cumprimento.

Seção II
Da transição

Art. 40. Durante a transição do cargo de gestor judiciário, o titular em


atividade no juízo deverá entregar ao servidor que o sucederá relatório circunstanciado,
anuído pelo magistrado responsável, com os seguintes elementos básicos:
I - agenda das audiências designadas e eventuais diligências ou expedientes a
serem providenciados;
II - inventário do material permanente da unidade;
III - relação de bens, valores e objetos apreendidos, vinculados à serventia
judicial, com a devida discriminação, relacionados por processos, a ser conferida e
aceita pelo gestor sucessor;
IV - estrutura organizacional do juízo com detalhamento do quadro de pessoal
e respectivas atribuições, além da programação de férias do magistrado e dos
servidores;
V - relação de selos de autenticidade.
§ 1º Caso considere necessário, o gestor sucessor poderá solicitar dados e
informações complementares.
§ 2º O pedido de complementação de informações será objeto de conhecimento
e decisão pelo magistrado da unidade judiciária.

CAPÍTULO III
DO OFICIAL DE JUSTIÇA
Seção I
Disposições gerais

Art. 41. Os oficiais de justiça cumprirão, indistintamente, mandados cíveis e


criminais.
Art. 42. Nas comarcas onde houver sido criada e instalada Central de
Mandados, os mandados serão distribuídos aos oficiais de justiça por sorteio, nos
termos da legislação que disciplina o seu funcionamento, cabendo à Central o controle
do prazo necessário para o cumprimento dos mandados que se encontram em posse dos
oficiais, devendo ser observadas as seguintes regras:
I - inexistindo expressa determinação legal ou fixação pelo magistrado, será de
10 (dez) dias corridos o prazo para cumprimento do mandado;
II - em se tratando de intimação para audiência, se o mandado for entregue ao
oficial de justiça nos 10 (dez) dias anteriores à realização do ato, a devolução deverá ser
feita com, no mínimo, 48 (quarenta e oito) horas de antecedência;
III - será de 20 (vinte) dias corridos o prazo para cumprimento do mandado de
intimação quando ele for entregue ao oficial de justiça com 30 (trinta) dias corridos ou
mais de antecedência da realização da audiência.
Parágrafo único. Os mandados deverão ser retirados da secretaria ou da
Central de Mandados pelo oficial de justiça mediante carga, constituindo falta funcional
grave o descumprimento dessa obrigação.
Art. 43. Ocorrendo circunstâncias relevantes que justifiquem atraso no
cumprimento do mandado, o oficial de justiça deverá informar detalhadamente ao
magistrado, que decidirá de plano pela sua manutenção ou substituição no processo.
Art. 44. Somente o magistrado pode sustar o cumprimento dos mandados
expedidos.
Parágrafo único. A retenção indevida de mandados sob alegação de eventual
acordo das partes, solicitação do interessado ou escusas semelhantes, constitui
irregularidade que deve ser apurada.
Art. 45. Os oficiais de justiça deverão comparecer ao fórum e proceder ao
registro do ponto duas vezes na semana, às segundas-feiras e quintas-feiras, das 09
(nove) horas às 17 (dezessete) horas, bem como quando estiverem escalados para o
plantão.
§ 1º O não comparecimento ao fórum implica falta ao serviço, que será
descontada dos vencimentos.
§ 2º Será lançada falta mesmo que o não comparecimento decorra do
cumprimento de diligência; entretanto, o magistrado a abonará à vista da certidão
demonstrando a realização da diligência.
Art. 46. As diligências e os atos atribuídos ao oficial de justiça são
intransferíveis, e somente com autorização do magistrado poderá ocorrer a sua
substituição, sendo proibida, inclusive, a entrega de mandado para ser cumprido por
outro oficial de justiça ou por preposto.
Art. 47. Não é admissível a utilização pelos oficiais de justiça de prepostos,
tampouco a realização de diligências por telefone, sob pena de responsabilidade civil,
criminal e administrativa.
Art. 48. Nenhum oficial de justiça do Estado de Mato Grosso, no cumprimento
de dever funcional, poderá receber diretamente da parte ou do advogado, a qualquer
título, valores financeiros, especialmente dinheiro, para o custeio das despesas de
condução, constituindo falta grave, punível de acordo com a legislação aplicável, o
descumprimento dessa proibição.

Seção II
Do cumprimento dos atos processuais

Art. 49. Os oficiais de justiça receberão os valores das diligências por ato.
Art. 50. Consideram-se ato único, para fins de pagamento de diligência, as
intimações e citações que devem ser realizadas ao mesmo tempo e no mesmo endereço.
Parágrafo único. Somente poderão se enquadrar no conceito de ato único:
I - as determinações oriundas de um mesmo processo e desde que cumpridas
no mesmo endereço;
II - a citação por hora certa;
III - as ordens emanadas em ações distintas, desde que propostas pelo mesmo
autor, ou autores em litisconsórcio, contra o mesmo réu, ou mesmos réus em
litisconsórcio.
Art. 51. Em se tratando de medidas urgentes, em que o oficial de justiça
constatar que o citando ou intimando encontra-se em outra zona diversa da constante no
mandado, deverá cumprir o ato e certificar nos autos a necessidade de complementação
da diligência, a fim de que a parte seja intimada para complementação.
Parágrafo único. Sendo negativo o resultado, o oficial de justiça certificará
nos autos a fim de que nova diligência seja paga para o novo cumprimento do mesmo
ato.
Art. 52. Havendo endereços distintos no mandado judicial para o cumprimento
dos atos e não sendo encontrada a pessoa no primeiro endereço, contar-se-á outro ato
para seu cumprimento no segundo endereço.
Parágrafo único. Quando houver apenas um endereço indicado no mandado
judicial e a pessoa a ser intimada nele não for encontrada e ali for obtida a informação
de que será encontrada em outro endereço, o oficial de justiça fará jus a tantos atos
quantos forem os locais visitados.

Seção III
Da diligência

Art. 53. O Juiz Diretor do Foro deverá fixar os valores da condução dos
oficiais de justiça para cumprimento de mandados judiciais e prática de atos processuais
de qualquer natureza por meio de portaria, que será remetida à Corregedoria-Geral da
Justiça para exame e homologação.
§ 1º A portaria de que trata o caput deve ser atualizada no mês de janeiro de
cada ano.
§ 2º A remuneração do oficial de justiça corresponde a 70% (setenta por cento)
do valor previsto nas tabelas de tarifa de táxi de cada comarca, tanto para diligência na
zona urbana quanto na rural.
§ 3º Caso a comarca não tenha disponível o serviço de táxi, o valor será fixado
com base na tabela da comarca sede do polo.
§ 4º Além da condução, o interessado na diligência deverá pagar também
despesas de estada, quando necessárias, juntando-se os comprovantes aos autos.
§ 5º As tabelas já divulgadas deverão ser reeditadas e ajustadas a partir da data
de publicação deste Código.
§ 6º Nas diligências a serem cumpridas num raio de até 1.000 (mil) metros de
distância do fórum, não será devido o valor referente às despesas para condução de que
trata esta norma.
Art. 54. Os oficiais de justiça valer-se-ão dos critérios da economicidade e da
celeridade ao traçarem seus roteiros para cumprimento das diligências.
Art. 55. No caso de cumprimento do mandado por dois ou mais oficiais de
justiça, somente haverá o ressarcimento àquele que suportou os gastos da diligência.
Art. 56. Se a parte desejar oferecer condução ao oficial de justiça, propondo-se
a custear as respectivas despesas, formulará requerimento justificado ao magistrado do
processo, que decidirá sobre a real conveniência e necessidade dessa forma de
cumprimento do mandado, tendo em vista o problema da onerosidade do processo.
§ 1º Nos processos de recuperação judicial, o autor deverá, no ato da
distribuição, depositar numerário suficiente para o custeio da condução do oficial de
justiça para o cumprimento de todas as diligências necessárias, em caso de decretação
da quebra.
§ 2º Nas execuções fiscais, sempre que possível, as citações serão feitas por
correio, com aviso de recebimento; entretanto, se a Fazenda Pública requerer que sejam
realizadas por mandado, deverão ser tomadas as seguintes providências:
I - a despesa de condução deverá ser antecipada, e o oficial de justiça, após
cumprido o ato de citação, devolverá o mandado devidamente certificado à secretaria,
onde aguardará pelo prazo de 5 (cinco) dias úteis, estabelecido no art. 8º da Lei n.
6.830/80;
II – transcorrido o prazo mencionado no item anterior sem que a parte tenha
efetuado o pagamento da dívida, nem garantido a execução, será o mandado devolvido
ao oficial de justiça, após a antecipação das despesas de diligência pela Fazenda
Pública, para o cumprimento dos demais atos (penhora ou arresto e avaliação);
III - não será devida diligência se a Fazenda Pública proporcionar meios para o
cumprimento do ato.
§ 3º A verba indenizatória instituída pela Lei Estadual n. 10.138/2014 destina-
se também a cobrir as despesas de deslocamento dos oficiais de justiça nos processos
que envolvem a Fazenda Pública.

Seção IV
Do cumprimento dos atos

Art. 57. O descumprimento injustificado dos mandados, além da necessária


apuração da responsabilidade funcional, acarretará a automática exclusão do oficial de
justiça da participação na distribuição de novos feitos, com a suspensão do valor da
verba indenizatória pelo cumprimento dos mandados da justiça gratuita - VIPAE,
mediante comunicação dos fatos pelo gestor judiciário ou pelo Chefe da Divisão da
Central de Mandados, conforme o caso, ao Cartório Distribuidor, sob pena de incorrer
em falta funcional grave.
§ 1º A exclusão e a suspensão do valor da verba indenizatória pelo
cumprimento dos mandados da justiça gratuita – VIPAE será por tempo indeterminado,
e o oficial de justiça só voltará a participar da distribuição de novos feitos por decisão
do magistrado e depois de devolvidos todos os mandados em atraso, devidamente
cumpridos, caso em que o gestor judiciário ou o Chefe da Divisão da Central de
Mandados comunicará a normalização da situação e a decisão do magistrado ao
Cartório Distribuidor.
§ 2º Se a comunicação ao Cartório Distribuidor não for efetivada, ou, feita a
comunicação, este não promover a exclusão do oficial de justiça, a parte ou seu
advogado poderá representar ao Juiz Diretor do Foro, que adotará as providências
necessárias.
§ 3º Ocorrendo desídia do oficial de justiça no cumprimento de mandados
judiciais, o magistrado deve determinar a apuração administrativa.
Art. 58. O oficial de justiça efetuará o cumprimento do mandado judicial sem
receber novo valor de condução quando não o tiver cumprido em conformidade com os
seguintes parâmetros:
I - os oficiais de justiça deverão consignar em suas certidões, de forma clara e
precisa, o itinerário percorrido, a indicação do lugar e a descrição da pessoa citada ou
intimada, com o número de sua carteira de identidade, o órgão expedidor, se possível o
número do Cadastro de Pessoa Física - CPF, fazendo a leitura da petição ou do
mandado, a declaração de entrega da contrafé ou a recusa em recebê-la, o nome das
testemunhas que presenciaram o ato, se houve recusa na aposição da nota de ciente ou
se infrutífera a diligência;
II - as citações e intimações de réus presos deverão ser feitas no próprio
estabelecimento penal em que se encontrarem, sendo lá também entregues cópias da
decisão que determinou a realização do ato;
III - não encontrando a pessoa no endereço constante do mandado, o oficial de justiça,
na mesma oportunidade, apurará com alguém da família ou da casa, ou vizinho,
onde se acha aquela e o seu atual endereço completo, lavrando certidão do ocorrido e
adotando as seguintes providências:
a) se estiver no território da comarca e for encontrada no endereço obtido no
local, procederá o meirinho de acordo com o inciso I;
b) se for confirmado o endereço, mas a pessoa estiver fora, na ocasião, o
meirinho indagará o horário do retorno dela e marcará a hora mais propícia para renovar
a diligência;
c) se ficar apurado, na diligência, que a pessoa não será encontrada naquele
endereço, mas sim em comarca de diversa jurisdição, o oficial de justiça fará constar
essa informação na certidão;
IV - se a pessoa a ser citada, intimada ou notificada não for encontrada no local
e houver fundada suspeita de ocultação, o oficial de justiça deverá obedecer às
disposições dos arts. 252 a 254 do Código de Processo Civil, ressalvadas as regras
específicas quanto aos feitos criminais.
Art. 59. Nos atos que importem apreensão de coisas, especialmente na busca e
apreensão de veículos, o oficial de justiça deverá descrever minuciosamente os bens,
especificando suas características, estado de conservação, acessórios, funcionamento,
quilometragem, entre outras que se mostrem relevantes, de preferência com registro
fotográfico.
Art. 60. A Coordenadoria ou Gerência Administrativa do Fórum comunicará
ao Cartório Distribuidor ou ao chefe da Central de Mandados, conforme o caso, com
antecedência mínima de 10 (dez) dias, as férias e licenças do oficial de justiça, salvo
para tratamento de saúde, para o fim de suspender a distribuição de mandados a partir
do décimo dia anterior ao previsto para o afastamento.
§ 1º Até o dia imediatamente anterior ao início de suas férias ou licença, o
oficial de justiça restituirá, devidamente cumpridos, todos os mandados que lhe foram
distribuídos, devolvendo na secretaria, com a necessária justificativa, os que não foram
cumpridos.
§ 2º O oficial de justiça que entrar no gozo de férias ou licença retendo consigo
mandados, quando do seu retorno ao serviço será excluído por 30 (trinta) dias corridos
da distribuição de novos feitos, sem prejuízo da necessária instauração de procedimento
disciplinar pelo Diretor do Foro.
§ 3º Fica suspensa a distribuição dos mandados aos oficiais de justiça no
período em que estiverem no usufruto de licença-compensatória, retornando a
distribuição no primeiro dia útil subsequente.1
Art. 61. O Juiz Diretor do Foro deverá elaborar escala de plantão, ficando a
seu critério a fixação da periodicidade e o número mínimo de meirinhos que tornará
disponível para cada magistrado da comarca, nos termos do § 2º do art. 129 do Código
de Organização e Divisão Judiciárias – Coje, de modo que cada magistrado possa contar
com oficiais de justiça diariamente.
Art. 62. A contagem do prazo para cumprimento do mandado terá início no
primeiro dia útil subsequente à sua distribuição, constituindo dever funcional do oficial
de justiça verificar diariamente na Central de Mandados a existência de mandados e/ou
comunicados.
§ 1º Em se tratando de mandado para cumprimento de mais de um ato
processual, o prazo será contado individualmente para cada ato, exceto no caso da
avaliação, que deverá ser realizada concomitantemente com a penhora.
§ 2º O gestor judiciário, constatando a existência de mandado em atraso com
prazo superior a 5 (cinco) dias corridos, por meio do relatório gerado no sistema
informatizado, comunicará o magistrado acerca do ocorrido, para as providências
cabíveis quanto a eventual desídia.
§ 3º REVOGADO.2
Art. 63. O pedido de dilação de prazo deverá ser justificado e formulado até 24
(vinte e quatro) horas antes do seu vencimento e entregue à Central de Mandados.
Parágrafo único. Deferido o pedido de dilação, o prazo concedido pelo
magistrado será automaticamente acrescido ao anteriormente fixado para cumprimento
do mandado, considerando-se ciente o oficial de justiça a partir da comunicação do
deferimento pela Central de Mandados.

1 Provimentos nºs. 25 e 40/2021-CGJ


2 Provimentos nºs. 25 e 40/2021-CGJ
Art. 64. Não haverá distribuição de mandados ao oficial de justiça nos 10 (dez)
dias corridos que antecederem o início de suas férias, exceto se o período de gozo for
igual ou menor que 5 (cinco) dias.
§ 1º Os mandados judiciais distribuídos até 10 (dez) dias corridos antes do
início das férias deverão ser cumpridos e devolvidos antes do afastamento.
§ 2º O gozo de férias compensatórias e licenças por prazo igual ou inferior a 05
(cinco) dias corridos prorroga automaticamente o prazo para cumprimento do mandado.
Art. 65. O oficial de justiça não poderá recusar-se a receber mandados em
virtude do atingimento do teto de sua produtividade.
Art. 66. Para facilitar o cumprimento das disposições desta seção pelas pessoas
jurídicas de direito público, fica determinado que, quando da expedição de intimação
para diligências dos oficiais de justiça, seja relacionado no mesmo mandado ou
expediente de intimação o maior número possível de processos que aguardam o
depósito daqueles valores.
Art. 67. Os mandados de avaliação expedidos nos termos do art. 523 do
Código de Processo Civil que não puderem ser cumpridos pelo oficial de justiça em
virtude da ausência de conhecimento especializado ou técnico, deverão ser devolvidos
imediatamente à secretaria, juntamente com certidão a respeito de tal circunstância, para
serem juntados aos autos, que serão conclusos para decisão judicial.
Art. 68. No caso de busca e apreensão criminal, somente quando já iniciado
processo crime o cumprimento do mandado será de incumbência do oficial de justiça do
juízo, com o auxílio da força pública, se necessário.
Art. 69. Ocorrendo o descumprimento do disposto nesta seção, o fato deverá
ser imediatamente comunicado pelo Juiz Diretor do Foro à Corregedoria-Geral da
Justiça, contendo a indicação do servidor infrator, a quantidade e a natureza da infração
cometida, bem como as providências adotadas.

CAPÍTULO IV
DEPOSITÁRIO JUDICIAL, AVALIADOR, CONTADOR E PARTIDOR

Art. 70. Às pessoas designadas ou nomeadas depositárias incumbe a guarda, a


conservação e a administração dos bens que lhes forem confiados, observando-se as
disposições da legislação processual, de regulamentos e de provimentos.
§ 1º Eventual dificuldade na conservação ou administração do bem deverá ser
imediatamente comunicada ao magistrado responsável pelo processo.
§ 2º Não podem figurar como depositários os magistrados, os funcionários ou
os serventuários da Justiça, bem como os parentes de até terceiro grau.
Art. 71. Nas comarcas onde não houver avaliador judicial no quadro funcional,
ou houver em número insuficiente, as avaliações judiciais que não forem de natureza
complexa ou não exigirem conhecimento técnico específico poderão ser realizadas pelo
mesmo oficial de justiça do processo.
Art. 72. O Juiz Diretor do Foro poderá admitir inscrições de pessoas com
habilitação técnica específica para integrar o cadastro de avaliadores não oficiais da
comarca, não gerando a inscrição, uma vez deferida, ônus financeiro ou vinculação de
qualquer natureza jurídica, principalmente de ordem empregatícia ou funcional, com o
Poder Judiciário.
§ 1º A pessoa cadastrada somente poderá servir em casos de extrema
necessidade e exigência de capacitação técnica específica, quando então atuará como
perito avaliador, nos termos da legislação processual civil, mediante despacho
fundamentado do magistrado do processo reconhecendo a necessidade da avaliação
técnica.
§ 2º A disposição do caput não se aplica na comarca onde houver avaliador
público concursado ou, na ausência deste, oficial de justiça ou qualquer outro servidor
do Poder Judiciário com a mesma habilitação técnica.
Art. 73. Aos contadores incumbe:
I - proceder à apuração das condenações, inclusive de natureza eleitoral,
sujeitas à liquidação;
II - elaborar contas e cálculos, nos quais se incluirão todas as despesas
reembolsáveis, desde que necessárias e comprovadas nos autos, tais como as de
publicações de editais pela imprensa, indenização de viagem e diária de testemunhas e
outras previstas em lei, sempre que houver necessidade, conforme disposição legal ou
judicial;
III - prestar informações acerca dos cálculos elaborados;
IV - conferir as prestações de conta apresentadas nos autos.
§ 1º Na elaboração dos cálculos referentes às custas e/ou multas e cálculos
diversos, o contador terá até 10 (dez) dias, podendo ser solicitada a dilação de prazo
para cumprimento.
§ 2º Após o prazo, o gestor judiciário deverá efetuar a cobrança para a
devolução por ofício, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas.
§ 3º Não atendida a determinação, o gestor judiciário deverá informar ao
magistrado, incontinenti, para a comunicação ao Diretor do Fórum e adoção de outras
providências que julgar necessárias.
Art. 74. Sendo impossível a realização do cálculo ou da conta, por deficiência
ou inexistência de elementos essenciais ou devido à alta complexidade desses cálculos a
demandar perícia especializada, os autos serão imediatamente devolvidos ao magistrado
de origem, devidamente informados.
Art. 75. Aos partidores compete fazer o esboço de partilha ou de sobrepartilha,
de acordo com o despacho que as houver deliberado e o disposto na legislação
processual, bem como proceder às conferências de partilhas amigáveis, caso haja
determinação judicial nesse sentido.

CAPÍTULO V
DO BANCO DE PERITOS, TRADUTORES, INTÉRPRETES E
ADMINISTRADORES JUDICIAIS

Art. 76. Este capítulo estabelece procedimentos visando ao credenciamento de


profissionais para atuarem como peritos em processos cíveis e criminais nos quais se
exige a realização de perícia, bem como para a atuação como administradores judiciais
nos processos de recuperação judicial e falência.
Art. 77. O banco de peritos, tradutores, intérpretes e administradores judiciais,
disponibilizado no site do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, ficará sob a
responsabilidade da Corregedoria-Geral da Justiça, que administrará o sistema por meio
do Departamento de Aprimoramento da Primeira Instância – Dapi.
Art. 78. O Dapi deverá credenciar os profissionais por meio de cadastro
eletrônico na internet, na página da Corregedoria-Geral da Justiça.
§ 1º O profissional autônomo interessado em se credenciar deverá preencher os
formulários disponibilizados no site do Tribunal de Justiça, na página da Corregedoria.
§ 2º Para a formação do cadastro, será realizada consulta pública na rede
mundial de computadores ou em jornais de grande circulação, além de consulta direta a
universidades, entidades, órgãos e conselhos de classe, ao Ministério Público, à
Defensoria Pública e à Ordem dos Advogados do Brasil, para a indicação de
profissionais ou de órgãos técnicos interessados, conforme disposto no § 2º do art. 1º da
Resolução n. 233, de 13 de julho de 2016, do Conselho Nacional de Justiça.
Art. 79. Para ser nomeado como perito, tradutor, intérprete ou administrador
judicial, o profissional credenciado deve preencher os seguintes requisitos:
I - ser bacharel e estar cadastrado e regular perante seu órgão de classe;
II - ser inscrito na Previdência Social e estar em dia com as contribuições
devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS;
III - não ser cônjuge, companheiro ou parente, em linha colateral até o terceiro
grau, de magistrado ou desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Mato
Grosso, de advogado com atuação no processo ou de servidor do juízo em que tramita a
causa, para a prestação dos serviços de que trata este capítulo.
Parágrafo único. Os requisitos contidos nos incisos do art. 79 devem estar
previstos em edital.
Art. 80. A escolha dos profissionais credenciados para atuarem será feita pelo
magistrado da causa em que for necessária a realização de seus encargos.
Parágrafo único. O magistrado deverá acessar, no Portal dos Magistrados, a
opção banco de peritos, tradutores, intérpretes e administradores, e escolher entre os
nomes ali sugeridos.
Art. 81. A Corregedoria-Geral da Justiça poderá descredenciar os profissionais
nas seguintes hipóteses:
I – por desinteresse da Administração;
II - por prática de atos ou omissões lesivos ao devedor e ao Poder Judiciário na
realização das atividades correlacionadas à perícia, quando informado pelo magistrado
titular da causa;
III – por descumprimento das regras constantes neste capítulo.
Art. 82. Para atuação nos processos, o nomeado deverá ter o conhecimento e as
qualificações necessários.
Parágrafo único. Se não existir profissional ou órgão detentor da
especialidade necessária cadastrado ou quando indicado conjuntamente pelas partes, o
magistrado poderá nomear profissional ou órgão não cadastrado, caso em que este
deverá providenciar o seu cadastro no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de ficar sem
eficácia a nomeação.
Art. 83. Os manuais de operação do sistema ficarão disponibilizados no site do
Tribunal de Justiça de Mato Grosso, na página do banco de peritos, tradutores,
intérpretes e administradores judiciais.
Art. 84. São deveres dos profissionais e dos órgãos cadastrados a observância
das determinações judiciais e o estrito cumprimento dos prazos legais, bem como:
I - atuar com diligência;
II - cumprir as exigências previstas em lei;
III - observar o sigilo devido nos processos em segredo de justiça;
IV - observar, rigorosamente, a data e os horários designados para a realização
das perícias e dos atos técnicos ou científicos;
V - apresentar os laudos periciais e/ou complementares no prazo legal ou em
outro fixado pelo magistrado;
VI - manter seus dados cadastrais e informações correlatas anualmente
atualizados;
VII - cumprir as determinações do magistrado quanto ao trabalho a ser
desenvolvido;
VIII - nas perícias:
a) responder fielmente aos quesitos;
b) prestar os esclarecimentos complementares que se fizerem necessários;
c) identificar-se ao periciando ou à pessoa que acompanhará a perícia,
informando os procedimentos técnicos que serão adotados na atividade pericial, bem
como devolvendo-lhes toda a documentação utilizada.

TÍTULO III
DA ADVOCACIA DATIVA

Art. 85. O Juiz Diretor do Foro realizará o cadastramento de advogados


interessados no exercício da atividade dativa.
Parágrafo único. O cadastro deve ser efetivado no caso de ausência ou
insuficiência dos serviços prestados pela Defensoria Pública.
Art. 86. O requerimento de cadastro será feito pelo advogado, devendo
constar:
I - a sua qualificação e o número da inscrição na Ordem dos Advogados do
Brasil - OAB;
II - o endereço do escritório;
III – a certidão da seccional da OAB atestando não haver impedimentos à sua
atuação profissional;
IV - a área de atuação, destacando sua especialidade.
§ 1º Realizado o cadastro, a lista com os advogados interessados na nomeação
dativa será disponibilizada aos demais magistrados da comarca.
§ 2º Em caso de necessidade, não sendo possível a nomeação de advogado
indicado no cadastro, o magistrado responsável pelo processo poderá nomear outro
profissional.
Art. 87. No ato de nomeação, o magistrado poderá fixar desde já o valor dos
honorários advocatícios devidos ao profissional, tomando em conta a natureza da causa
ou do ato processual, utilizando como parâmetro meramente orientativo, sem
vinculação, a tabela de honorários advocatícios da Ordem dos Advogados do Brasil –
Seccional do Estado de Mato Grosso.
§ 1º No caso de o advogado dativo ser removido do processo por deixar de
cumprir suas obrigações profissionais, perderá o direito à percepção integral da
remuneração fixada na forma do caput do art. 87, devendo o magistrado arbitrá-la em
valor proporcional ao trabalho realizado até o momento da destituição.
§ 2º Ocorrendo substituição do advogado dativo no curso da ação, a
remuneração será fixada individualmente, levando em consideração os atos processuais
praticados.
§ 3º Na sentença, o magistrado determinará a expedição de certidão em favor
do advogado dativo, com o valor dos honorários que lhe são devidos.
§ 4º Se a nomeação ocorrer para a prática de ato processual específico, a
certidão será expedida tão logo realizado, podendo, desde então, o advogado dativo
requerer a sua expedição para fins de cobrança.
§ 5º Se houver mais de um advogado dativo, serão expedidas tantas certidões
quantos forem os que tiverem atuado no processo, fixando-se o quantum devido a cada
um.
Art. 88. A prestação de assistência judiciária, nos termos deste título, é
totalmente gratuita, vedada ao advogado dativo cobrar do assistido os honorários
advocatícios, taxas, custas ou emolumentos.
Art. 89. Constituem obrigações fundamentais para a percepção da
remuneração instituída:
I - patrocinar a causa do beneficiário com zelo e diligência, usando de todos os
recursos técnico-profissionais, até decisão final, inclusive de instâncias superiores, se
for o caso;
II - não receber do beneficiário qualquer remuneração a título de honorários
profissionais.
Art. 90. A certidão de crédito, relativa aos honorários do advogado dativo,
deve ser emitida em numeração serial, em ordem crescente, em cada unidade judiciária,
com renovação a cada ano.
§ 1º Deve constar da certidão de crédito o seu número de série, o número do
processo, dados da unidade judiciária, nomes das partes, nome do advogado dativo e
sua inscrição na OAB e o valor fixado a título de honorários advocatícios, podendo ser
assinada física ou eletronicamente pelo gestor judiciário.
§ 2º Emitida a certidão de crédito, ela deve ser imediatamente cadastrada no
Sistema de Certidões de Crédito do Tribunal de Justiça.

TÍTULO IV
DA COMUNICAÇÃO ACERCA DAS AÇÕES EM DESFAVOR DOS
CARTÓRIOS EXTRAJUDICIAIS

Art. 91. Os magistrados devem comunicar à Corregedoria-Geral da Justiça,


imediatamente após o ajuizamento, a existência de ação judicial em desfavor de
cartorário deste Estado, com cópia da inicial e respectivos documentos.

TÍTULO V
DOS SISTEMAS ELETRÔNICOS

CAPÍTULO I
DO SISTEMA DE TRAMITAÇÃO PROCESSUAL

Seção I
Do sistema PJe

Art. 92. O uso do Processo Judicial Eletrônico – PJe é disciplinado pela


Resolução n. 185, de 18 de dezembro de 2013, do Conselho Nacional de Justiça, e pela
Resolução n. 3, de 12 de abril de 2018, do Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça do
Estado de Mato Grosso, ou pelos atos que porventura as substituírem.
Seção II
Do sistema Sisbajud

Art. 93. O Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário – Sisbajud, criado a


partir do Acordo de Cooperação Técnica n. 41/2019, firmado pelo Conselho Nacional
de Justiça, Banco Central e Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, é uma
ferramenta que automatiza o envio de ordem judicial em que o magistrado poderá
solicitar extratos bancários, extratos da conta do FGTS e do PIS, faturas de cartão de
crédito, contratos de câmbio, contratos de abertura de conta e cópia de cheques.
Parágrafo único. No âmbito do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso,
o cadastro dos usuários do Sisbajud será realizado pela Corregedoria-Geral da Justiça,
através do endereço eletrônico [Link]@[Link].

Seção III
Do sistema Renajud

Art. 94. O sistema Renajud é uma ferramenta que possibilita tanto a inserção
quanto a retirada de constrições judiciais dos veículos encontrados na Base Índica
Nacional – BIN do Registro Nacional de Veículos Automotores – Renavam, integrando
o Poder Judiciário e o Departamento Nacional de Trânsito – Denatran.
Parágrafo único. O magistrado deverá solicitar o seu cadastramento por
mensagem eletrônica ([Link]@[Link]) dirigida ao juiz auxiliar da
Corregedoria-Geral da Justiça indicado para exercer a função Master no sistema
informatizado, ressaltando-se que o acesso ao sistema Renajud se efetiva com o uso de
certificado digital.
Art. 95. A utilização do sistema Renajud pressupõe:
I - rigorosa observância do manual e do regulamento integrantes do Acordo de
Cooperação Técnica firmado entre o Conselho Nacional de Justiça e o Ministério da
Justiça;
II – autorização para que os usuários cadastrados (magistrados ou servidores
judiciais) com a habilitação de “operador” efetuem consultas, insiram e retirem
constrições;
III - a prévia decisão judicial determinando a constrição do veículo automotor,
com indicação do número de registro do veículo (placa e chassi) ou número do Cadastro
de Pessoa Física – CPF ou Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ do
proprietário, dados esses imprescindíveis para a realização da consulta ou da constrição.
Art. 96. O sistema Renajud possibilita consulta, inclusão e retirada de restrição
de transferência, licenciamento e circulação, bem como de averbação de registro de
penhora.

Seção IV
Do sistema Infojud

Art. 97. As requisições de informações à Receita Federal para apuração de


endereço ou situação econômico-financeira da parte serão efetivadas exclusivamente
pelo sistema Infojud, que se efetiva mediante acesso ao Centro Virtual de Atendimento
– eCAC.
Parágrafo único. O portal eCAC
([Link] apenas será acessado por meio
do certificado digital ou em nuvem, sendo necessários o cadastro prévio e a atribuição
do respectivo selo de confiabilidade no portal [Link] ([Link]
ressaltando-se que o cadastramento é realizado uma única vez.
Art. 98. As informações sigilosas das partes devem ser juntadas aos autos do
processo, passando o arquivo a correr em segredo de justiça, conforme previsto nos
incisos I e III do art. 189 do Código de Processo Civil.
Parágrafo único. Serão igualmente juntadas aos autos as informações que
versarem apenas sobre o endereço da parte, não sendo necessária a tramitação sob
segredo de justiça.

Seção V
Do sistema Malote Digital

Art. 99. O envio ou o recebimento eletrônico das correspondências


compartilhadas entre as unidades judiciárias do País e entre estas e o Poder Judiciário
do Estado de Mato Grosso serão efetivadas por meio do sistema Malote Digital.
Art. 100. Constitui obrigação dos magistrados e servidores o acesso diário ao
sistema Malote Digital.
Art. 101. Os prazos fixados nos expedientes serão contados a partir do
primeiro dia útil subsequente ao do dia da sua remessa via sistema Malote Digital.
Art. 102. O magistrado deverá comunicar, imediatamente, ao Departamento de
Aprimoramento da Primeira Instância – Dapi a existência de eventual problema no
sistema que impossibilite o regular envio e/ou recebimento dos expedientes, a fim de
que não ocorra qualquer prejuízo às atividades administrativas e jurisdicionais.
Parágrafo único. Não solucionado o problema em tempo hábil, recomenda-se
que o magistrado comunique o fato à Corregedoria-Geral da Justiça.
Art. 103. As correspondências a serem enviadas deverão ser classificadas de
acordo com as duas opções disponibilizadas no sistema de Malote Digital: “Prioridade
Alta” ou “Prioridade Normal”.
Parágrafo único. A referida classificação não compromete o nível de
responsabilidade das respectivas correspondências nem altera os prazos estabelecidos
nos expedientes.

Seção VI
Da emissão eletrônica e gratuita de certidões on-line na primeira instância

Art. 104. O serviço de emissão eletrônica e gratuita de certidões negativas e


positivas cíveis e criminais no âmbito da primeira instância do Poder Judiciário de Mato
Grosso encontra-se disponível no sítio eletrônico deste Tribunal de Justiça, no serviço
de emissão e autenticação de certidões ([Link]
primeiro-grau?opcaoCertidao=1).
Art. 105. A pesquisa de distribuição de processos ativos será realizada como
informado no campo “Nome”, sem abreviações e sem preposições, e no campo do
documento cadastral – CPF, sendo emitida uma única certidão, baseada nos sistemas
informatizados utilizados na primeira instância.
Art. 106. A certidão será emitida após a consulta à base de dados do Tribunal
de Justiça e terá dados referentes a todas as comarcas do Estado de Mato Grosso, salvo
aquelas que não possuem meios de envio eletrônico de seus dados.
Art. 107. Em razão da transmissão diária das informações processuais da
primeira instância à base de dados do Tribunal de Justiça, a certidão on-line conterá a
data do último recebimento integral das referidas informações.
Art. 108. As informações acerca das distribuições processuais contidas na
certidão serão vinculadas à data mencionada no artigo anterior.
Art. 109. A certidão on-line equivale, para todos os efeitos legais, àquela
expedida pelas unidades distribuidoras das comarcas do Estado de Mato Grosso, desde
que seguidos os procedimentos de validação e autenticação.
Art. 110. A certidão de distribuição emitida on-line terá validade de até 30
(trinta) dias, contados a partir da data de sua emissão, bem como conterá um código
alfanumérico para conferência de sua autenticidade.
§ 1º A verificação de autenticidade das certidões on-line poderá ser feita pelo
interessado mediante acesso ao endereço eletrônico [Link], no serviço de
emissão e autenticação de certidões ([Link]
certidoes).
§ 2º A certidão ficará disponível para consulta de autenticidade por até 3 (três)
meses, a partir da data de sua emissão; após este período, ficará armazenada em bases
de dados apenas para fins de estatística do Tribunal de Justiça do Estado de Mato
Grosso.
§ 3º A emissão da certidão on-line com a locução “NADA CONSTA” apenas
ocorrerá se não for constatado pelo sistema informatizado nenhum registro em desfavor
do interessado.
Art. 111. As certidões que por qualquer motivo não forem expedidas de forma
on-line deverão ser emitidas nas unidades distribuidoras competentes, durante o
expediente forense.
Art. 112. Não serão impeditivos para a expedição da certidão on-line:
I - inquérito policial, antes do recebimento da denúncia;
II - processos e/ou procedimentos referentes à infância e juventude;
III - incidentes processuais, salvo embargos de terceiros em processo de
execução;
IV - procedimentos administrativos;
V - termos circunstanciados.
Art. 113. Serão impeditivos para a expedição da certidão on-line:
I - processos que tramitam em segredo de justiça;
II - ocorrência de homônimos, quando houver convergência de CPF ou quando
o autuado apresentar documento nulo.
Art. 114. Processos arquivados em definitivo serão excluídos da busca para
análise com fins de emissão de certidão negativa.
Art. 115. Os dados cadastrais necessários à emissão da certidão negativa serão
fornecidos pelo solicitante, sendo de exclusiva responsabilidade do destinatário e do
interessado a sua conferência.
§ 1º A pessoa ou entidade requisitante da certidão será apta a responder se esta
é ou não adequada à finalidade a que se destina.
§ 2º As pessoas ou entidades recebedoras da certidão on-line deverão, como
princípio de cautela, não admitir outra página de validação que não seja a do Tribunal
de Justiça do Estado de Mato Grosso e, ainda, verificar se os documentos pessoais do
portador da certidão condizem com os dados nesta informados.
Art. 116. O Sistema de Expedição de Certidão – SEC, no âmbito das Centrais
de Distribuição da Primeira Instância do Poder Judiciário de Mato Grosso, é acessível
por meio do endereço eletrônico [Link].
§ 1º Caso o distribuidor não possua permissão de acesso ao sistema, deverá
abrir um chamado na Coordenadoria de Tecnologia da Informação, junto ao Service
Desk Manager – SDM, acessado por meio do link [Link].
§ 2º As instruções detalhadas de utilização do Sistema de Expedição de
Certidão – SEC estarão disponíveis em manual e demais conteúdos disponibilizados
pelo Departamento de Aprimoramento da Primeira Instância – Dapi.
Art. 117. As certidões negativas e positivas de existência de processos de
emissão das centrais de distribuição das comarcas deverão ser expedidas
exclusivamente por meio do Sistema de Expedição de Certidão – SEC, em cujos
documentos, automaticamente, será aposto o selo digital, sendo vedada sua emissão por
qualquer sistema informatizado de acompanhamento processual.
§ 1º O distribuidor poderá limitar a abrangência da pesquisa à sua comarca,
devendo constar tal opção no campo de observação da certidão.
§ 2º A certidão será enviada ao e-mail do solicitante após a devida
compensação da guia de pagamento e da checagem realizada pela Central de
Distribuição da comarca, abrangendo as certidões positivas de pessoa física, e negativas
e positivas de pessoa jurídica.
Art. 118. As certidões serão gratuitas quando:
I - emitidas pela ferramenta disponível ao público no endereço eletrônico do
Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso, desde que em nome de pessoa física;
II - solicitadas à Central de Distribuição pelo interessado, em seu nome ou em
nome de terceiro que lhe tenha conferido procuração para tal, desde que sejam pessoas
físicas.
§ 1º A solicitação da certidão de existência de processos poderá ser feita pelo
interessado mediante uso da ferramenta disponível no sítio eletrônico do Tribunal de
Justiça ou, presencialmente, no cartório distribuidor de sua comarca.
§ 2º Em se tratando de solicitação presencial, o interessado deverá apresentar
ao distribuidor os documentos que comprovem seu direito à gratuidade.
Art. 119. As certidões serão expedidas, mediante pagamento da respectiva
taxa, quando solicitadas:
I - à Central de Distribuição em nome de pessoa física que não o solicitante e
quando aquela não tenha conferido procuração para o ato;
II - em nome de pessoa jurídica.
Parágrafo único. O valor da certidão é vinculado à quantidade de anos
abrangidos pela busca que se pretende realizar, nos termos da tabela de custas e taxas
judiciárias editada pela Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso.

CAPÍTULO II
DA VIDEOCONFERÊNCIA ENTRE A CORREGEDORIA-GERAL DA JUSTIÇA E
AS COMARCAS DO ESTADO DE MATO GROSSO

Art. 120. Ante a necessidade de comunicação, caberá à Corregedoria-Geral da


Justiça fixar data e horário para a realização de videoconferência com os magistrados ou
servidores, em suas respectivas comarcas.
Art. 121. É facultado aos magistrados o agendamento de reunião com a
Corregedoria-Geral da Justiça, pelo sistema de videoconferência, sempre que a situação
exigir agilidade, em decorrência da urgência, bem como de necessidades atinentes ao
exercício da jurisdição.

TÍTULO VI
DOS OFÍCIOS DE JUSTIÇA

CAPÍTULO I
DAS NORMAS FUNDAMENTAIS
Art. 122. As regras deste capítulo têm caráter geral e aplicam-se a todos os
ofícios de justiça no que não contrariarem as disposições específicas contidas em
capítulos próprios a este ou a outros atos normativos.
Art. 123. Os servidores darão atendimento prioritário às pessoas com
deficiência, aos idosos, às gestantes, às lactantes e às pessoas acompanhadas por
crianças de colo, mediante garantia de lugar privilegiado em filas, distribuição de senhas
com numeração adequada ao atendimento preferencial, alocação de espaço para
atendimento exclusivo no balcão, ou implantação de qualquer outro sistema que,
observadas as peculiaridades existentes, assegure a prioridade.
Parágrafo único. A prioridade prevista no caput deste artigo também se aplica
aos advogados públicos e privados, promotores e procuradores do Ministério Público e
defensores públicos.
Art. 124. Os servidores devem disponibilizar todas as informações
concernentes ao andamento dos processos, inclusive com o fornecimento de fotocópias,
quando solicitadas e às expensas do requerente.
§ 1º Nos casos de processos que tramitam em segredo de justiça, as
informações processuais serão restringidas às partes, advogados, seus estagiários e
auxiliares, devidamente credenciados.
§ 2º O atendimento ao público também será realizado por via telefônica e as
informações se resumirão ao estado atual do processo, conforme lançado no sistema
informatizado, devendo o atendente orientar a parte a consultar o andamento do feito no
site do Tribunal de Justiça ([Link]) ou nos sistemas PJe ou Projudi.
§ 3º Não serão prestadas informações via telefônica, sob nenhuma
circunstância, acerca de feitos que tramitam em segredo de justiça.
Art. 125. No atendimento às pessoas com deficiência visual deverá ser
certificado nos autos ou nos termos respectivos que o interessado apresentou documento
oficial de identificação civil com foto, devidamente especificado quanto ao número e ao
órgão expedidor, fazendo constar a assinatura de duas testemunhas e do próprio
interessado, se souber assinar.
Art. 126. Compete aos servidores, terceirizados e estagiários da Justiça:
I - criar ambiente de motivação, dada a importância do Poder Judiciário para a
sociedade;
II - fomentar a melhoria permanente e contínua dos serviços;
III - assegurar o compartilhamento dos conhecimentos relativos ao serviço,
bem como incentivar e aperfeiçoar o aprendizado;
IV - estimular as relações baseadas na ética, na confiança e na cooperação;
V - tratar respeitosamente aqueles que lhes são subordinados e assegurar
tratamento cordial entre si;
VI - alinhar suas ações e atividades à missão e valores do Tribunal de Justiça
do Estado de Mato Grosso;
VII - levar ao conhecimento dos órgãos competentes as dificuldades
encontradas e as melhorias sugeridas, quando lhes faltar competência para resolvê-las;
VIII - agir com proatividade, antecipando possíveis problemas e adotando
medidas corretivas;
IX - desempenhar suas funções com assertividade, responsabilidade,
imparcialidade, dinamismo e empatia;
X - otimizar e zelar pelos recursos materiais, ambientais e econômicos postos à
disposição da unidade judiciária, colocando em prática as políticas de sustentabilidade
do Poder Judiciário;
XI - atentar ao bom atendimento do público externo (partes, advogados e
população em geral), de modo a facilitar o acesso de pessoas em situação de
vulnerabilidade (deficientes físicos, idosos, gestantes, entre outros), assegurando o
tratamento educado e condigno aos usuários e zelando pela qualidade e rapidez dos
serviços prestados pela unidade judiciária;
XII - manter permanente diálogo com os magistrados, informando-os sobre
eventuais problemas e dificuldades concernentes a:
a) atendimento ao público externo;
b) existência de superposição de atribuições, procedimentos desarticulados e
interações deficientes entre os diversos órgãos;
c) procedimentos muito complexos ou pouco organizados;
d) defasagem de normas expedidas pelo Tribunal de Justiça;
e) treinamento ou insuficiência do número de funcionários;
f) recursos materiais disponibilizados;
g) utilização do sistema informatizado oficial;
h) cumprimento dos objetivos institucionais do Tribunal de Justiça do Estado
de Mato Grosso.
CAPÍTULO II
DO OFÍCIO DE JUSTIÇA CÍVEL

Seção I
Da conclusão e vista

Art. 127. A conclusão dos autos ao magistrado será realizada diariamente e,


em caso de recusa do seu recebimento, o gestor judiciário certificará o fato e
comunicará à Corregedoria-Geral da Justiça.
Parágrafo único. Caso o Ministério Público, a Defensoria Pública ou a
Advocacia Pública se recusem ao recebimento de carga ou vista, o magistrado
determinará a sua realização via sistema eletrônico e, em seguida, comunicará ao
respectivo órgão disciplinar para providências.

Seção II
Do impedimento e da suspeição

Art. 128. O auxiliar da justiça que se declarar impedido ou suspeito


comunicará imediatamente ao magistrado que preside o processo para ciência e
providência.
Art. 129. O magistrado que se declarar impedido ou suspeito comunicará,
mediante ofício, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, ao Corregedor-Geral da Justiça.
Parágrafo único. Na comunicação deverão constar as seguintes informações e
documentos:
I - o número e a natureza do processo;
II - a qualificação completa das partes;
III - a identificação do advogado e o respectivo número de inscrição na OAB;
IV - o nome do magistrado substituto ou de outro magistrado para o qual foi
concluso o processo;
V - cópia da decisão ou do pronunciamento judicial em que o magistrado
averbou sua suspeição ou impedimento.

Seção III
Das audiências
Art. 130. É obrigatória a utilização de gravação audiovisual na colheita da
prova oral nas audiências de instrução, bem como nas cartas precatórias.
Art. 131. Quando for necessária a preservação da intimidade, da honra e da
imagem do depoente, o magistrado procederá ao registro de suas declarações por
escrito, ou por gravação digital apenas em áudio, sem registro visual.
Art. 132. Em caso de problema técnico que impossibilite a utilização do
sistema de gravação audiovisual de audiências, os depoimentos serão reduzidos a termo.
Art. 133. Nos depoimentos, as partes e as testemunhas serão previamente
informadas sobre a gravação de som e imagem, exclusivamente para documentação
processual, e quanto à segurança e à confiabilidade do sistema adotado.
Art. 134. Os atos processuais poderão ser repetidos, de ofício ou mediante
insurgência da parte, quando houver falha ou deficiência na gravação que impossibilite
a perfeita compreensão.
Art. 135. A designação e a realização de audiências, salvo nos casos
expressamente previstos em lei, são atribuições exclusivas e indelegáveis do
magistrado.
Art. 136. Havendo adiamento da audiência, ou designação para sua
continuidade, a nova data será marcada no próprio termo, com ciência imediata aos
comparecentes.
Art. 137. A audiência será reduzida a termo, o qual será juntado ao processo,
constando obrigatoriamente as seguintes informações:
I - a data e o horário da audiência;
II - o nome do magistrado;
III - o número do processo;
IV - a identificação das partes e, conforme o caso, de seus representantes, com
o registro da presença ou da ausência no ato;
V - se for o caso, a presença do Ministério Público ou da Defensoria Pública;
VI - o resumo dos principais fatos ocorridos em audiência e, em relação aos
depoimentos, a ordem em que foram tomados;
VII - as deliberações, por extenso, do magistrado.
Parágrafo único. É dispensada a assinatura do termo de audiência, sendo
suficiente a assinatura eletrônica do magistrado.
Art. 138. O termo de depoimento será lavrado em separado e indicará:
I - se é depoimento pessoal da parte, interrogatório, oitiva de informante ou
testemunha;
II - o nome e a qualificação do depoente, resguardadas as hipóteses de
necessidade de sigilo;
III - a advertência de que a gravação audiovisual, inclusive a realizada pela
própria parte, será utilizada exclusivamente para documentação processual.
Parágrafo único. Poderá ser dispensado o termo de depoimento se as
informações mencionadas nos incisos II e III forem registradas pelo sistema de gravação
audiovisual.
Art. 139. O sistema de gravação audiovisual de audiências poderá ser utilizado
para consignação de qualquer manifestação das partes ou de seus representantes.
Art. 140. As decisões e sentenças proferidas em audiência serão
obrigatoriamente transcritas.
Art. 141. O exercício, pela parte, da faculdade de que trata o § 6º do art. 367
do Código de Processo Civil será comunicada ao magistrado antes de iniciar a gravação.
Parágrafo único. O magistrado consignará no termo de audiência o nome da
parte e o meio de registro adotado para a gravação.

Seção IV
Da videoconferência

Art. 142. A oitiva de testemunhas, a acareação e o depoimento pessoal de


pessoas residentes fora do juízo dar-se-á por videoconferência, que será regulamentada
por ato normativo próprio.

Seção V
Dos atos, dos termos e das certidões

Art. 143. Os atos serão redigidos em vernáculo, sem abreviaturas, com


algarismos também expressos por extenso, com fundo inteiramente branco, salvo
disposição expressa em contrário, mediante a utilização obrigatória do padrão de
formatação extraído diretamente do sistema PJe.
Art. 144. Nos termos e atos em geral, a qualificação das pessoas será a mais
completa possível, consignando-se:
I - o nome completo, sem abreviatura;
II - o número do RG e do CPF;
III - a naturalidade;
IV - o estado civil;
V - a profissão;
VI - o endereço residencial e profissional, com indicação de rua, número,
bairro e cidade;
VII - a filiação;
VIII - a data de nascimento.
Art. 145. Os ofícios, mandados, cartas, alvarás e demais documentos serão
gerados nos respectivos processos eletrônicos, no próprio sistema informatizado,
dispensada a lavratura de certidão que ateste sua expedição.

Seção VI
Dos atos do gestor judiciário

Art. 146. O gestor judiciário, até 15 (quinze) dias antes da realização da


audiência, examinará o processo a fim de verificar se todas as providências para a sua
realização foram tomadas.
Parágrafo único. Diante de irregularidade ou omissão, a falha existente deverá
ser suprida, fazendo-se a conclusão dos autos, se necessário for.
Art. 147. Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória,
independem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo
magistrado quando necessário.
Art. 148. Salvo decisão jurisdicional motivada em sentido contrário, o servidor
praticará atos ordinatórios nas situações abaixo descritas:
I - constatada falta ou irregularidade na representação de qualquer das partes,
providenciará a intimação necessária à regularização no prazo de 15 (quinze) dias úteis,
prorrogável por igual período por despacho do magistrado, com as advertências
previstas nos arts. 76 e 104 do Código de Processo Civil;
II - constatada a falta ou a insuficiência das custas e despesas de ingresso,
providenciará a intimação do autor, na pessoa de seu advogado, para recolhê-las no
prazo de 15 (quinze) dias úteis, sob pena de cancelamento da distribuição, nos termos
do art. 290 do CPC;
III - constatada a falta ou a insuficiência do valor para a prática dos atos
processuais, intimará o autor, na pessoa de seu advogado, para recolher o valor devido
no prazo de 5 (cinco) dias úteis, sob pena de extinção do processo;
IV – após ser devolvido o mandado ou a carta de citação com resultado
negativo, intimará o autor/exequente a se manifestar no prazo de 5 (cinco) dias úteis; e
se fornecido novo endereço ou meio necessário para o cumprimento da diligência, a
carta ou o mandado serão expedidos independentemente de nova ordem judicial;
V - em processo de conhecimento ou execução, dará cumprimento e procederá
à devolução da carta precatória destinada apenas à citação ou intimação;
VI – após ser devolvida a carta precatória sem o efetivo cumprimento,
procederá à intimação da parte interessada para se manifestar no prazo de 5 (cinco) dias
úteis; e se fornecido novo endereço ou meio necessário para o cumprimento, a
diligência será cumprida independentemente de nova ordem judicial;
VII - verificada a paralisação do processo por período superior a 1 (um) ano em
razão da inércia das partes, providenciará a intimação do interessado pelo Diário da
Justiça Eletrônico para, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, dar andamento, sob pena de
extinção pela perda superveniente do interesse de agir; se esse prazo decorrer sem
manifestação, os autos serão conclusos ao magistrado para as providências necessárias;
VIII - constatado que o autor não promoveu por mais de 30 (trinta) dias os atos
e diligências que lhe competem, providenciará sua intimação pelo Diário da Justiça
Eletrônico para, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, fazê-lo, sob pena de extinção pela
perda superveniente do interesse de agir; se esse prazo decorrer sem manifestação, os
autos serão conclusos ao magistrado para as providências necessárias;
IX - findo o prazo de suspensão do processo de que trata o § 4º do art. 313 do
Código de Processo Civil, intimará a parte, na pessoa de seu advogado, para promover o
andamento do processo, sob pena de extinção pela perda superveniente do interesse de
agir;
X - designada a data de realização da perícia pelos órgãos públicos ou
entidades conveniadas, providenciará a intimação das partes;
XI - com a juntada aos autos de laudos periciais, documentos ou outras
informações requisitadas pelo juízo, intimará as partes para se manifestarem,
diretamente ou por meio dos seus assistentes técnicos;
XII – se deferido o requerimento de ordem de arrombamento e reforço policial,
formulado pelo oficial de justiça, juntará aos autos cópia do documento;
XIII – no mandado de entrega de bens ao depositário, fará constar a seguinte
advertência: “Fica o depositário advertido de que o descumprimento da ordem judicial
poderá implicar imposição de multa, busca e apreensão ou remoção de coisas, inclusive
com uso de força policial, sem prejuízo de outras medidas”;
XIV - restando negativas as duas hastas públicas inicialmente designadas,
intimará o exequente para se manifestar em 5 (cinco) dias úteis; e se requerida nova
hasta, desde logo designará mais uma data, salvo determinação em contrário;
XV - após a apresentação do comprovante de cumprimento da obrigação pelo
devedor, intimará o exequente para se manifestar a respeito do documento em 5 (cinco)
dias úteis, sob pena de extinção da execução na forma do inciso III do art. 924 do
Código de Processo Civil;
XVI - nomeado perito especializado, transcorrido o prazo de 15 (quinze) dias
para arguição de impedimento ou suspeição pela parte, indicação de assistente técnico e
apresentação de quesito, intimará o perito para apresentar em 5 (cinco) dias úteis
proposta de honorários;
XVII - apresentada a proposta de honorários, intimará as partes para, querendo,
manifestarem-se no prazo de 5 (cinco) dias úteis, após o que o magistrado arbitrará o
valor;
XVIII - formalizada a penhora por qualquer dos meios legais, intimará o
executado quando representado por advogado nos autos, via Diário da Justiça
Eletrônico;
XIX - recebido o recurso de apelação cível, intimará a parte contrária para, no
prazo de 15 (quinze) dias úteis, apresentar contrarrazões, remetendo os autos, em
seguida, ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso;
XX - na hipótese de apelação interposta contra decisão de indeferimento da
petição inicial, de improcedência liminar do pedido e de extinção do feito sem resolução
de mérito, remeterá os autos ao magistrado, e caso não haja exercício de retratação,
expedirá a citação do réu, a fim de responder ao recurso, devendo o autor apelante
providenciar o necessário para tanto;
XXI - publicado edital do leilão, intimará a parte a proceder, pelo menos 5
(cinco) dias úteis antes da data designada para o ato, a atualização do débito, incluindo-
se, também, despesas com os editais.
Parágrafo único. O decurso de prazo, no sistema PJe, é gerado
automaticamente, sendo vedada a determinação para certificação pelo gestor judiciário
ou por qualquer outro servidor.
Art. 149. Nenhum processo permanecerá paralisado na unidade judiciária além
dos prazos legais ou judiciais, ou ficará sem andamento por mais de 30 (trinta) dias no
aguardo de diligências.
Parágrafo único. Decorrido o prazo de 30 (trinta) dias corridos, o servidor
responsável reiterará a diligência uma única vez e, em caso de não atendimento, os
autos serão conclusos ao magistrado para as providências cabíveis.
Art. 150. O gestor judiciário manterá rigoroso controle dos prazos de todos os
processos, adotando os seguintes procedimentos:
I - diariamente verificará os prazos, certificando-se, por conseguinte, do
decurso deles, a fim de adotar as providências cabíveis;
II - acompanhará, com regularidade, a devolução dos avisos de recebimento
das cartas postadas, os quais serão juntados aos autos imediatamente após o retorno.

Seção VII
Das certidões

Art. 151. Compete exclusivamente ao gestor judiciário expedir certidões em


breve relatório ou de inteiro teor.
§ 1º A certidão será expedida com base nas informações constantes no sistema
informatizado, cabendo ao gestor judiciário dar a sua fé pública do que nela constar ou
não.
§ 2º As certidões serão expedidas no prazo de 5 (cinco) dias, contados da data
do recebimento do respectivo pedido pela unidade judiciária, salvo quando houver
expressa previsão legal de prazo diverso.
§ 3º A expedição de certidão em processos que correm em segredo de justiça
dependerá de despacho do magistrado competente.
Art. 152. A certidão de que trata o inciso I do art. 1.017 do Código de Processo
Civil, referente à interposição de recurso de agravo de instrumento, deverá conter os
seguintes dados:
I - data da intimação da decisão;
II - nome completo do intimando, bem como número de inscrição na OAB e a
especificação da parte de que é patrono;
III - nome completo do intimado, bem como número de inscrição na OAB e a
especificação da parte de que é patrono;
IV - local e data da expedição da certidão, conforme modelo disponível no
sistema informatizado.

Seção VIII
Dos ofícios

Art. 153. Os ofícios expedidos serão datados, bem como identificados com o
número dos autos respectivos, o nome das partes e o seu objeto, devendo, inclusive, a
sua numeração seguir ordem cronológica e uma cópia ficar anexada aos autos.
Parágrafo único. Os ofícios que não forem extraídos de processos serão
numerados sequencialmente, em série renovável anualmente, de acordo com as
respectivas datas de expedição.
Art. 154. Todos os ofícios endereçados a magistrados, ao Tribunal ou às
demais autoridades constituídas serão assinados obrigatoriamente pelo juiz remetente;
os dirigidos a outras secretarias, bem como a pessoas físicas e jurídicas em geral,
poderão ser assinados pelo gestor judiciário.
Art. 155. Os ofícios expedidos e enviados ao Instituto Nacional do Seguro
Social - INSS e a outros órgãos públicos para implantarem os benefícios e pensões
concedidos ao segurado deverão ser acompanhados:
I - do endereço do autor;
II - da cópia do CPF, da carteira de identidade ou CTPS;
III - da cópia da certidão de óbito, quando se tratar de pensão por morte, e, na
impossibilidade, pelo menos de documentos que identifiquem o autor da ação (RG,
CPF, CTPS, nome, filiação, data e local de nascimento).
Parágrafo único. Esta norma se aplica também aos casos de ofícios referentes
a descontos de pensão alimentícia em folha, a ser realizado pelos órgãos públicos e/ou
particulares.

Seção IX
Dos mandados
Art. 156. O gestor judiciário poderá assinar os mandados expedidos, desde que
neles conste a anuência expressa do magistrado, bem como menção à portaria que
autoriza o ato.
Art. 157. As ordens dirigidas ao foro extrajudicial serão expressas em
mandados direcionados ao titular da respectiva serventia, a quem o interessado
antecipará os emolumentos, exceto nos casos de assistência judiciária gratuita ou de
eventuais isenções legais.
Art. 158. Na ausência de prazo expressamente determinado, os mandados
serão cumpridos em, no máximo, 10 (dez) dias corridos.
Art. 159. No caso de intimação para audiência, os mandados serão devolvidos
até 48 (quarenta e oito) horas antes da data designada, salvo deliberação judicial em
contrário.
Art. 160. Os mandados expedidos para internação em unidades de terapia
intensiva - UTIs deverão ser instruídos com a prescrição médica de urgência do
respectivo serviço e, caso não haja convênio com o Sistema Único de Saúde - SUS,
deve-se especificar qual a fonte pagadora: União, Estado ou Município.
Art. 161. Em todos os mandados expedidos deverão constar:
I - os dados do processo, tais como nome das partes, número do processo,
objeto, dentre outros que se julgar necessários;
II - o seguinte texto, ao pé do instrumento:
“É vedado ao oficial de justiça o recebimento de qualquer numerário
diretamente da parte. A identificação do oficial de justiça, no desempenho de suas
funções, será feita mediante apresentação de carteira funcional, obrigatória em todas as
diligências”.
Parágrafo único. Nos mandados em geral, constarão todos os endereços dos
destinatários da ordem judicial, declinados ou existentes nos autos, inclusive do local de
trabalho.
Art. 162. O gestor judiciário relacionará mensalmente os mandados em poder
dos oficiais de justiça que transcorreram os prazos legais ou judiciais sem o devido
cumprimento, comunicando, por conseguinte, ao magistrado para que tome as
providências cabíveis.
Seção X
Dos depósitos judiciais

Art. 163. Os depósitos judiciais serão efetuados mediante guia emitida pelo
interessado, por intermédio do banco credenciado pelo Tribunal de Justiça.
Parágrafo único. Os valores referentes ao pagamento das citadas guias ficarão
à disposição e sob responsabilidade do juízo.
Art. 164. É vedado aos servidores, sob qualquer pretexto, receber valores ou
manter quantia destinada a depósito judicial em seu poder, em conta bancária pessoal ou
do ofício.
Parágrafo único. Na impossibilidade de emissão e/ou recolhimento da guia
respectiva, caberá ao responsável efetuar o depósito, obrigatoriamente, no primeiro dia
útil de expediente bancário, de tudo lavrando certidão nos autos.
Art. 165. A movimentação dos valores depositados judicialmente somente
ocorrerá por ordem expressa do magistrado.
Art. 166. O alvará de levantamento será expedido em nome da parte, ou do
advogado que detiver procuração válida nos autos com poderes expressos para receber e
dar quitação, ou em nome de ambos.

Seção XI
Das cartas precatórias, arbitrais e de ordem

Art. 167. O cumprimento da carta precatória fica condicionada ao


recolhimento das custas judiciais previstas no item 6 da Tabela B da Lei n. 7.603/2001,
que deverá ser providenciada pelo interessado.
Parágrafo único. Caso a carta precatória seja remetida sem o devido
recolhimento, o juízo deprecado oficiará o juízo deprecante para sanar a irregularidade
no prazo de 10 (dez) dias, contados desde o recebimento da missiva no juízo deprecado.
Art. 168. No caso de expedição de carta precatória entre comarcas do Estado
de Mato Grosso, as custas serão obrigatoriamente recolhidas no juízo deprecante,
mediante guia de recolhimento padrão disponível no site do Tribunal de Justiça
([Link]).
§ 1º As cartas precatórias deverão estar devidamente assinadas pelos
magistrados, bem como instruídas com o comprovante de pagamento das guias ou
comunicação de justiça gratuita.
§ 2º Faltando algum dos requisitos previstos no § 1º, o juízo deprecado oficiará
ao juízo deprecante para, em 10 (dez) dias, sanar a irregularidade, sob pena de
devolução independentemente de cumprimento.
Art. 169. Os magistrados devolverão as cartas precatórias em que o advogado
da parte interessada, apesar de intimado para manifestação e/ou providência,
permanecer inerte por mais de 30 (trinta) dias corridos.
Art. 170. Na expedição de carta precatória para realização de atos processuais
com data marcada, recomenda-se ao juízo deprecante que fixe razoável período, assim
entendendo, nos casos sem urgência, um prazo mínimo de 60 (sessenta) dias corridos
para o devido cumprimento.
Art. 171. Em caso de indisponibilidade do sistema PJe, em se tratando de
urgência, as cartas precatórias poderão ser recebidas por e-mail ou malote digital.
Art. 172. As disposições previstas nesta seção são aplicáveis, no que couber,
ao cumprimento da carta arbitral e da carta de ordem.
Art. 173. Se o objeto da carta for exame pericial de documento específico, este
será remetido em original.
Art. 174. O magistrado considerará a facilidade da comunicação e a natureza
das diligências para fixar o prazo de cumprimento das cartas.

Seção XII
Da cooperação jurídica internacional

Art. 175. Os pedidos de cooperação jurídica internacional devem ser


formalmente apresentados, conforme os modelos fornecidos pelo Ministério da Justiça e
disponibilizados no site do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso.
Art. 176. Antes de extrair o pedido de cooperação jurídica internacional, o
magistrado deverá se certificar da existência de acordo internacional bilateral ou
multilateral que dê suporte ao encaminhamento do pedido e de seu respectivo
instrumento.
Parágrafo único. Na hipótese de inexistência de acordo internacional bilateral
ou multilateral, o magistrado deverá consultar as recomendações previstas na Portaria
Interministerial n. 501, de 21 de março de 2012, do Ministério da Justiça e do
Ministério das Relações Exteriores.
Art. 177. São instrumentos de cooperação jurídica internacional a carta
rogatória, o auxílio direto, os formulários e os requerimentos.
Art. 178. Se não existir acordo internacional bilateral ou multilateral ou, se
existente, não puder ele ser aplicado em razão de extrapolar o alcance de suas
disposições, o pedido de cooperação jurídica internacional deverá ser encaminhado com
fundamento no compromisso de reciprocidade, tendo como referência as disposições
contidas na Portaria Interministerial n. 501, de 21 de março de 2012, do Ministério da
Justiça e do Ministério das Relações Exteriores.
Art. 179. No caso de cooperação em matéria civil, sempre que não houver
acordo internacional, ou se este não puder ser aplicado, o pedido deverá conter o nome e
o endereço completos do responsável, no país requerido, pelo pagamento das despesas
processuais decorrentes da diligência, salvo se:
I - a parte requerente da diligência for beneficiária da justiça gratuita;
II - a carta rogatória for extraída de ações de competência da Justiça da
Infância e da Juventude, nos termos da Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990;
III - a carta rogatória for extraída de ações de cobrança de alimentos no
estrangeiro com base na Convenção de Nova Iorque (Convenção Sobre Prestação de
Alimentos no Estrangeiro, ONU/1956);
IV – houver previsão legal em sentido diverso.
§ 1º A indicação daquele que fará o pagamento não poderá recair sobre a
pessoa alvo da diligência, considerando que o não pagamento das despesas processuais
poderá resultar na inexecução do pedido.
§ 2º Será desnecessária a indicação quando os acordos internacionais previrem
que o cumprimento do pedido não poderá acarretar o reembolso de nenhum tipo de taxa
ou despesa, salvo se, pela complexidade da diligência a ser realizada, vier a ocasionar
custos especiais em sua execução.
Art. 180. Os pedidos de cooperação jurídica internacional deverão ser
encaminhados, pelo magistrado, diretamente à autoridade central brasileira competente.
Art. 181. Tratando-se de matéria civil, o pedido será encaminhado ao
Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional - DRCI
do Ministério da Justiça, exceto quando a matéria versar sobre a cobrança de alimentos
no estrangeiro, com base na Convenção de Nova Iorque, caso em que o pedido será
encaminhado à Secretaria de Cooperação Jurídica Internacional da Procuradoria-Geral
da República - SCI/PGR.
Art. 182. Quando se tratar de matéria penal, o pedido deverá ser encaminhado
ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional -
DRCI do Ministério da Justiça, exceto quando dirigido ao Canadá, caso em que deverá
ser encaminhado à Secretaria de Cooperação Jurídica Internacional da Procuradoria-
Geral da República - SCI/PGR.
Art. 183. Nenhum pedido de cooperação jurídica internacional poderá ser
encaminhado diretamente pelo magistrado às autoridades estrangeiras sem a
intermediação das autoridades centrais ou do Ministério das Relações Exteriores,
quando for o caso, em atenção ao princípio da soberania.
Art. 184. Os pedidos deverão ser instruídos com os documentos necessários à
realização da diligência e serão encaminhados à autoridade central juntamente com a
correspondente versão para o idioma do país rogado ou requerido, excetuadas as
hipóteses de dispensa.
Art. 185. A versão para o idioma estrangeiro, quando do encaminhamento, e a
tradução, após o seu retorno, deverão ser providenciadas e custeadas pela parte
requerente da diligência.
Art. 186. Os pedidos de cooperação jurídica internacional que forem
devolvidos ao magistrado para correções, adaptações ou complementações, receberão
tratamento prioritário e, após sanados, serão reencaminhados ao Tribunal de Justiça.
Art. 187. Os pedidos de cooperação jurídica internacional, dependendo da
finalidade, serão instruídos com as seguintes peças:
I - petição inicial, denúncia ou queixa;
II - sentença ou acórdão;
III - despacho judicial ordenando a sua expedição;
IV - original da versão oficial ou juramentada do pedido e dos documentos que
os acompanham;
V - duas fotocópias do pedido e de sua correspondente versão no idioma
estrangeiro para cada alvo da medida;
VI - outros documentos imprescindíveis à realização da diligência, com
observância do princípio da economicidade.
Parágrafo único. Além dos documentos mencionados nos incisos do art. 187,
o magistrado mandará trasladar as peças necessárias ou juntar fotocópias autenticadas,
bem como instruir o pedido com mapa, desenho ou gráfico, sempre que esses
documentos devam ser examinados na diligência pelas partes, peritos ou testemunhas.
Art. 188. Quando o objeto da carta for exame pericial de documento, será
remetido o original, ficando nos autos a fotocópia.
Art. 189. Os pedidos de cooperação jurídica internacional serão redigidos de
forma clara e concisa, de modo a tornar prontamente inteligível a finalidade a ser
alcançada.
Art. 190. Na redação do pedido, evitar-se-á a fixação de prazo para o
cumprimento da medida pelas autoridades estrangeiras, diante dos princípios
norteadores das relações internacionais.
Art. 191. A descrição da finalidade deverá constar expressamente no texto do
pedido, não sendo suficiente a simples indicação remissiva a despachos ou decisões em
documentos que instruem o pedido.
Art. 192. Além da descrição da finalidade, também serão prestadas
informações adicionais para concretizar diligência, especialmente nas seguintes
situações:
I - quando a finalidade do pedido de cooperação for a realização de inquirição e
interrogatório, o magistrado deverá incluir o rol de quesitos a serem formulados à
pessoa que será inquirida ou interrogada;
II - quando a finalidade for realizar cobrança, serão indicados o valor nominal,
em moeda corrente nacional, e os dados bancários para transferência internacional, tais
como o nome do beneficiário e da instituição financeira, o número da agência, o código
SWIFT (BIC) da instituição e o IBAN da conta corrente;
III - quando a finalidade for obter dados telemáticos, serão indicados o
endereço eletrônico, a hora de acesso, o fuso horário do local de acesso, a localização do
servidor de rede e demais informações disponíveis;
IV - caso seja necessária a citação ou a intimação pessoal do alvo da medida,
tal circunstância deverá constar expressamente do pedido, bem como os procedimentos
especiais a serem adotados pelas autoridades estrangeiras.
Art. 193. O pedido de cooperação jurídica para instruir o procedimento de
quebra de sigilo bancário indicará:
I - os fundados indícios do uso da conta corrente para finalidades espúrias;
II - o nexo de causalidade entre a investigação em curso, a pessoa suspeita e o
titular da conta corrente;
III - o nome da instituição financeira;
IV - o número e o local da agência;
V - o tipo de informação ou o documento solicitado;
VI - o período em relação ao qual as informações financeiras são requisitadas.
Parágrafo único. Ao pedido será anexada cópia da decisão judicial que
decretou a quebra do sigilo bancário da conta corrente objeto da diligência.
Art. 194. Nos pedidos de cooperação jurídica em matéria penal que visam a
instruir a quebra de sigilo de dados telemáticos, o magistrado poderá encaminhar, com
antecedência, requerimento à Organização Internacional de Polícia Criminal - Interpol,
indagando sobre a possibilidade de envio de comunicação ao escritório dessa instituição
no país de destino, para que seja diligenciada a manutenção dos dados telemáticos na
empresa alvo da diligência, enquanto o pedido de cooperação tramita perante as
autoridades centrais.
Art. 195. Quando a finalidade for intimação da parte para comparecimento em
audiência a ser realizada no Brasil, o pedido deverá chegar à autoridade central
brasileira competente com antecedência mínima de 90 (noventa) dias em matéria penal
e de 180 (cento e oitenta) dias em matéria civil.
Art. 196. O magistrado deverá designar a audiência para uma data que não
comprometa os prazos mínimos descritos no art. 195.
Art. 197. O magistrado poderá, conforme as peculiaridades do caso, realizar a
audiência para oitiva da parte ou testemunha mediante qualquer meio de comunicação,
sendo dispensada a cooperação jurídica internacional.
Parágrafo único. Caso não seja possível a realização do ato na forma do
caput, deve ser providenciado o pedido para cooperação jurídica internacional.
Art. 198. O pedido de cooperação jurídica não terá por finalidade a realização
de variadas diligências, a fim de se evitar que a multiplicidade cause confusão às
autoridades estrangeiras e prejudique a sua realização.
Art. 199. Independentemente da existência de acordo internacional que dê
suporte ao encaminhamento do pedido de cooperação, deverá ser consignado em seu
fecho o compromisso de reciprocidade.
Art. 200. O pedido que tenha por objeto a realização de penhora será
encaminhado exclusivamente para tal finalidade, competindo ao magistrado aferir a
efetividade da medida constritiva diante dos acordos internacionais aplicáveis à espécie.
Seção XIII
Reconvenção

Art. 201. A reconvenção será oferecida na contestação, com o recolhimento


das custas, se for o caso, devendo, inclusive, ser distribuída e anotada no Cartório
Distribuidor/Central de Cadastro.
§ 1º Recebida a reconvenção, o gestor judiciário certificará e intimará o
autor/reconvindo, na pessoa do advogado, para contestar no prazo de 15 (quinze) dias
úteis, ouvindo-se o Ministério Público, se necessário.
§ 2º Se a contestação à reconvenção vier instruída com documentos e/ou se
tiverem sido arguidas questões preliminares, a secretaria intimará desde logo o
réu/reconvinte para manifestar-se no prazo de 15 (quinze) dias úteis; findo esse período,
com ou sem manifestação da parte, os autos serão conclusos.
§ 3º Se a contestação da reconvenção não vier instruída com documentos nem
tiverem sido arguidas questões preliminares, os autos serão conclusos.

Seção XIV
Da inserção de tópico síntese nas sentenças exaradas em processos que versem
sobre concessão ou revisão de benefícios previdenciários ou assistenciais

Art. 202. Nas sentenças prolatadas em ações previdenciárias de revisão e/ou de


concessão de benefícios previdenciários ou assistenciais, será incluído no último
parágrafo uma síntese do julgado, especificando-se:
I - nos casos de implantação de benefício:
a) o nome do segurado;
b) o benefício concedido;
c) a renda mensal atual;
d) a data de início do benefício – DIB;
e) a renda mensal inicial – RMI, fixada judicialmente ou “a calcular pelo
INSS”, quando for o caso;
f) a data do início do pagamento (data da elaboração do cálculo pelo contador
judicial), quando for o caso;
II - nos casos de conversão de tempo especial em comum:
a) o período acolhido judicialmente;
III - nas hipóteses de benefício concedido a pessoa incapaz:
a) o nome do representante legal autorizado a receber o benefício do INSS;
IV – nos casos de revisão:
a) o número do benefício;
b) a espécie de revisão e, se for o caso de incluir novos salários de
contribuição, informar as competências e o novo valor da RMI;
V - nos casos de benefícios concedidos com base na atividade rural:
a) o período a ser considerado como atividade rural;
VI - nos casos de emissão de CTC ou averbação:
a) os períodos que deverão ser certificados/averbados;
VII – prazo mínimo de 30 (trinta) dias para a autarquia cumprir a sentença.

Seção XV
Do edital

Art. 203. Ressalvado requerimento da parte, os editais serão expedidos por


extrato, contendo os requisitos obrigatórios, além de cabeçalho destacado com a
finalidade do ato e o nome do seu destinatário.
§ 1º Nos editais de citação e naqueles para conhecimento de terceiros, o seu
resumo será solicitado à parte interessada, que deverá apresentá-lo no prazo de 15
(quinze) dias úteis; não sendo fornecido, os documentos serão expedidos com a
transcrição integral da petição inicial, após consulta ao magistrado.
§ 2º Nos editais para citação e intimação de empresas deverão constar os
nomes dos sócios-gerentes ou diretores.
§ 3º Em caso de segredo de justiça, os editais extraídos de processos conterão
somente o indispensável à finalidade do ato, com o nome das partes identificadas pelas
iniciais e o nome do advogado, do membro do Ministério Público ou da Defensoria
Pública, sendo o relato da matéria de fato, se necessário, feito com terminologia concisa
e adequada, evitando-se expor a intimidade das partes envolvidas ou de terceiros.
Art. 204. Expedido o edital, em se tratando de justiça gratuita, será remetido
diretamente ao Diário da Justiça Eletrônico para publicação; se extraído de processos
com custas judiciais, será entregue à parte interessada para publicação, mediante termo
nos autos.
Seção XVI
Dos recursos

Art. 205. O gestor judiciário, antes de remeter os autos à instância superior,


certificará a existência de mídia ou de qualquer documento depositado na unidade
judiciária.
Parágrafo único. Tratando-se de recurso de agravo de instrumento, após o
cumprimento do disposto no art. 1.018 do Código de Processo Civil, os autos serão
conclusos para que o magistrado mantenha ou reforme a decisão agravada; caso seja
reformada ou modificada, intimará as partes e comunicará ao relator do recurso.

Seção XVII
Da indisponibilidade de bens

Art. 206. As decisões judiciais que decretarem ou levantarem a


indisponibilidade de bens serão cadastradas na Central Nacional de Indisponibilidade de
Bens pelos respectivos juízos.
Parágrafo único. É vedada a expedição de ofícios ou mandados em papel, seja
à Corregedoria-Geral da Justiça, seja aos oficiais de registros de imóveis, ressalvados:
I - os casos de indisponibilidade de imóvel determinado, hipótese em que a
ordem será enviada diretamente à serventia de competência registral, com indicação do
nome do titular de domínio ou dos direitos reais atingidos, o endereço do imóvel e o
número da matrícula;
II - os casos de levantamento do gravame em que o cadastro da decretação de
indisponibilidade tenha sido feito pela sistemática antiga, por ofício ou por mandado.

Seção XVIII
Da penhora de imóvel

Art. 207. As penhoras serão comunicadas aos respectivos oficiais de registro


de imóveis para averbação, exclusivamente por meio do sistema denominado “penhora
on-line”, vedada, para esse fim, a expedição de certidões ou de mandados em papel.
Parágrafo único. A certidão de inteiro teor do ato, necessária à averbação,
será expedida, obrigatoriamente, por meio do preenchimento do respectivo formulário
eletrônico existente no sistema da “penhora on-line”.
Art. 208. Para observância dos incisos I e VI do art. 886 do Código de
Processo Civil, cogitando-se de bem imóvel, impõe-se a exibição de certidão atualizada
do registro de imóveis para a expedição do respectivo edital de leilão.

Seção XIX
Da alienação de bem penhorado por iniciativa particular

Art. 209. Na execução por quantia certa, não tendo havido manifestação de
interesse pela adjudicação mediante requerimento expresso, proceder-se-á à alienação
por iniciativa particular, a ser realizada pelo próprio exequente ou por intermédio de
corretor ou leiloeiro público credenciado no Juízo da Execução.
Art. 210. No requerimento de expropriação por meio da alienação por
iniciativa particular, esclarecerá o exequente se ultimará pessoalmente o procedimento
ou se o fará por intermédio de corretor ou leiloeiro público credenciado no juízo, na
forma prevista no art. 209 deste Código.
§ 1º A comissão do corretor ou leiloeiro público será fixada pelo magistrado,
em montante não superior a 5% (cinco por cento) sobre o valor da transação,
ressalvadas circunstâncias especiais de cada caso concreto, e será suportada pelo
proponente adquirente, o que deverá ser objeto de advertência expressa na divulgação
da alienação.
§ 2º Em caso de pagamento parcelado, a comissão devida será retida e paga
proporcionalmente, à medida que as parcelas forem sendo adimplidas.
Art. 211. Se o exequente optar pela alienação mediante intermediação e não
indicar o profissional de sua preferência, o magistrado fará a nomeação, fixando desde
logo o prazo no qual a alienação será efetivada, o preço mínimo, as condições de
pagamento, as garantias para a hipótese de pagamento parcelado, bem como a comissão
devida, observado o limite estabelecido no § 1º do art. 210 deste Código.
§ 1º A falta de interessados no prazo assinalado será comunicada ao
magistrado, que determinará as providências cabíveis, inclusive eventual dilação de
prazo, procedendo-se, se necessário, à atualização da avaliação.
§ 2º Caso haja interessados na aquisição por valor inferior ao da avaliação, as
propostas serão consignadas nos autos para decisão judicial do incidente, ouvidas as
partes.
Art. 212. A alienação por iniciativa particular será precedida de ampla
publicidade, preferencialmente por mídia eletrônica, sendo desnecessária a publicação
de editais.
Parágrafo único. As despesas de publicidade correrão, de ordinário, por conta
do profissional credenciado, ressalvando-se a possibilidade de serem carreadas ao
executado, à vista de circunstâncias particulares de cada caso, a serem apreciadas pelo
Juízo da Execução.
Art. 213. A divulgação publicitária da alienação por iniciativa particular terá
por conteúdo necessário todas as informações sobre o procedimento e os bens a serem
alienados, notadamente o seguinte:
I – o número do processo judicial e a comarca onde se processa a execução;
II – a data da realização da penhora;
III - a existência, ou não, de ônus ou garantias reais; assim como de penhoras
anteriores sobre o mesmo imóvel, em outros processos contra o mesmo devedor; de
débitos fiscais federais, estaduais ou municipais e de eventual recurso pendente;
IV – as fotografias do bem, sempre que possível, com a informação
suplementar, em caso de imóvel, de estar desocupado ou ocupado pelo executado ou por
terceiro;
V – o valor da avaliação judicial;
VI – o preço mínimo fixado para a alienação;
VII - as condições de pagamento e as garantias que haverão de ser prestadas,
no caso de proposta para pagamento parcelado;
VIII - a descrição do procedimento, notadamente quanto a dia, horário e local
em que serão colhidas as propostas;
IX - a informação de que a alienação será formalizada por termo nos autos da
execução;
X - a informação de que a alienação judicial poderá ser julgada ineficaz se não
forem prestadas as garantias exigidas pelo juízo; se o proponente provar, nos 5 (cinco)
dias seguintes à assinatura do termo de alienação, a existência de ônus real ou gravame
até então não mencionado; se a alienação se realizar por preço que vier a ser
considerado pelo juízo como vil; e nos casos de ausência de prévia notificação, acerca
da alienação, das pessoas indicadas no art. 889 do Código de Processo Civil;
XI - o nome do corretor ou do leiloeiro responsável pela intermediação, com
endereço e telefone;
XII - a comissão devida, arbitrada pelo magistrado em percentual sobre o valor
da alienação, a cargo do proponente;
XIII - outras informações que se mostrarem relevantes para o aperfeiçoamento
do procedimento de alienação por iniciativa particular.
Art. 214. Não se harmonizando as propostas com as condições fixadas pelo
juízo para a efetivação da alienação por iniciativa particular, a questão será submetida à
apreciação judicial, após serem ouvidas as partes.
Art. 215. O gestor judiciário lavrará termo de alienação, que será subscrito
pelo magistrado, pelo exequente, pelo adquirente e, se estiver presente, pelo executado,
expedindo-se carta de alienação do imóvel para o devido registro imobiliário, ou, se o
bem for móvel, mandado de entrega ao adquirente.
§ 1º Até a formalização do termo, caberá a remição.
§ 2º Para fins de registro imobiliário, a carta de alienação deverá ser instruída
com cópia do termo de formalização lavrado nos autos e prova de quitação do imposto
de transmissão.

Seção XX
Da alienação em leilão judicial

Art. 216. Publicados os editais de leilão, o oficial de justiça,


independentemente de despacho, cientificará, pelo menos 5 (cinco) dias antes da data
designada para o ato, as pessoas indicadas no art. 889 do Código de Processo Civil, e
intimará a parte interessada a apresentar tempestivamente a atualização do débito,
incluindo-se as despesas com os editais.
Art. 217. Quando ocorrer arrematação de bens móveis, é de conveniência que
não se libere o produto antes da entrega dos bens ao arrematante.
Art. 218. É vedada aos leiloeiros a realização de pagamentos, notadamente
quando dependentes de ordem judicial.
Art. 219. Independentemente da modalidade do leilão e salvo decisão judicial
em contrário, não serão admitidos lances inferiores a 50% (cinquenta por cento) do
valor da avaliação.
Parágrafo único. Ressalvada determinação judicial diversa e quando houver
incapaz, serão permitidos lances inferiores a 80% (oitenta por cento), observado, neste
caso, o disposto no art. 896 do Código de Processo Civil.
Seção XXI
Das execuções extintas havendo penhora ou arresto pendente

Art. 220. Nas execuções julgadas extintas, havendo penhora ou arresto, antes
de serem levados os autos ao arquivo, deverão ser promovidos à conclusão, para que se
determine o levantamento do ato, caso ainda inocorrente.

Seção XXII
Das cartas de adjudicação, alienação ou arrematação

Art. 221. Serão expedidas cartas de adjudicação, alienação ou arrematação


relativas a bens imóveis, veículos automotores ou outros bens dependentes de registro
no órgão competente.
Parágrafo único. Fora das situações previstas no caput, a expedição das cartas
ficará a critério do interessado, caso em que a entrega dos bens móveis se fará mediante
mandado judicial dirigido ao depositário.
Art. 222. As cartas determinarão expressamente o cancelamento do registro da
penhora que originou a execução e, se não houver dúvida de que os respectivos credores
tiveram oportunidade de se habilitar na disputa do preço do bem, as cartas também
poderão determinar o cancelamento dos registros de outras constrições.
Art. 223. Nas cartas constarão os números de RG e CPF dos interessados e
todos os elementos necessários à sua identificação, não se admitindo referências dúbias
ou vagas.
§ 1º Quando tiverem por objeto bem imóvel, serão rigorosamente observadas
as exigências do art. 225 da Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973, não se admitindo
referências que não coincidam com as constantes dos registros imobiliários anteriores.
§ 2º Se os autos não contiverem dados suficientes, a secretaria intimará o
interessado para que os forneça.
Art. 224. O magistrado somente determinará a expedição da carta de
arrematação, alienação, adjudicação ou remição após o recolhimento dos tributos
devidos e das custas processuais, se houver.
Art. 225. Para fins de registro imobiliário, a carta de alienação do imóvel
conterá:
I - a data, o nome e o endereço do juízo;
II - o número do processo e a qualificação das partes;
III - o nome e a qualificação do adquirente, com expressa referência a:
a) nacionalidade;
b) profissão;
c) domicílio;
d) endereço residencial;
e) estado civil;
f) regime de bens, se casado;
g) número do documento de identidade e repartição expedidora;
h) número de inscrição no CPF ou no CNPJ;
i) quando representados, também dos seus procuradores;
IV - a descrição precisa do bem;
V - o valor da aquisição e a forma de pagamento;
VI - se o bem for imóvel, o número da matrícula, das folhas, do livro e a
identificação do cartório de registro imobiliário; além disso, se possível, sua descrição
precisa, com as características, as confrontações e a localização, mencionando os nomes
dos confrontantes.
Art. 226. Se houver outras penhoras sobre o imóvel contristado, deverá ser
comunicada a ocorrência da alienação aos respectivos juízos, para as providências
devidas.

Seção XXIII
Da liberação de valores

Art. 227. Nas arrematações e alienações por iniciativa particular, enquanto não
houver certidão a respeito da efetiva entrega dos bens ao adquirente, não será liberado o
numerário respectivo em favor do credor.
Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, certificar-se-á a omissão e
remeter-se-ão os autos ao magistrado.

Seção XXIV
Da remessa de processos com saldo devedor de custas judiciais e taxa judiciária
dos foros judicial e extrajudicial e multa de processos administrativos para
inscrição em dívida ativa na Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso
Art. 228. Os servidores da Central de Arrecadação e Arquivamento, após a constatação
da inadimplência de custas judiciais, taxa judiciária, bem como multas de processo
administrativo e judicial, e devida intimação para pagamento no prazo de 5 (cinco) dias,
deverão encaminhar para o Departamento de Controle e Arrecadação – DCA/TJMT os
seguintes documentos:2
I - Certidão de débito para protesto (única), com o valor da taxa judiciária,
custas processuais e multas administrativas elencados separadamente;2
II - Certidão de débito para inscrição em dívida ativa (única), com o valor da
taxa judiciária, custas processuais e multas administrativas registrados separadamente;3
III – Cópia da sentença;4
IV – Demonstrativo de cálculo atualizado e com correção monetária. 5
Parágrafo único. O Departamento de Controle e Arrecadação poderá solicitar outros
documentos quando houver necessidade.6

2 Provimento n. 18/2021-CGJ
2 Provimento n. 18/2021-CGJ
3 Provimento n. 18/2021-CGJ
4 Provimento n. 18/2021-CGJ
5 Provimento n. 18/2021-CGJ
6 Provimento n. 18/2021-CGJ
Art. 229. A Coordenadoria Administrativa, após a constatação da
inadimplência da multa de processo administrativo, já tendo havido a devida intimação
para pagamento no prazo de 5 (cinco) dias, encaminhará à Central de Arquivamento e
Arrecadação/TJMT, por meio de ofício, os seguintes documentos:
I - certidão de débito para multas de processo administrativo ou judicial;
II - decisão presidencial.
Art. 230. Caberá ao Departamento de Controle e Arrecadação - DCA:
I – a análise dos documentos advindos das primeira e segunda instâncias;
II – o controle e o gerenciamento dos valores executados;
III – o cadastramento do devedor e do valor pendente no sistema Sada da
PGE/MT;
IV – o envio do cadastro à Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso, para
a devida inscrição na dívida ativa do Estado;
V – o encaminhamento dos comprovantes de quitação da dívida às unidades
judiciárias das primeira e segunda instâncias, para baixa no sistema do Poder
Judiciário/MT.
Art. 231. A guia de recolhimento da dívida ativa será atualizada e emitida pelo
Departamento de Controle e Arrecadação – DCA/TJMT.

Seção XXXV
Das custas processuais

Art. 232. As custas e os emolumentos dos atos praticados no foro judicial e


extrajudicial poderão ser reajustados por meio de provimento.
Art. 233. A taxa judiciária, as custas judiciais e as despesas judiciais deverão
ser recolhidas no ato da distribuição da inicial, exceto nos casos de isenção legal ou
assistência judiciária gratuita.
§ 1º Não havendo preparo no prazo de 15 (quinze) dias, a secretaria certificará
o fato e enviará o feito ao gabinete para análise acerca do julgamento, sem resolução do
mérito, com o arquivamento definitivo pela secretaria.
§ 2º É vedado, em qualquer circunstância, o recolhimento de custas ao final.
§ 3º O magistrado poderá, conforme o caso, conceder direito a parcelamento de
despesas processuais que o beneficiário tiver de adiantar no curso do procedimento, nas
seguintes condições:
I - o parcelamento poderá ser realizado em até 6 (seis) parcelas mensais e
sucessivas, sujeitas à correção monetária, sendo a primeira após a decisão favorável do
magistrado;
II - o parcelamento é referente às custas de preparo do processo, a serem pagas
quando da distribuição do feito, e não abrange as despesas processuais havidas no curso
do processo.
§ 4º Aplica-se às custas da condenação a mesma regra prevista no inciso I do §
3º deste artigo.
Art. 234. Será cancelada a distribuição do feito se a parte, intimada na pessoa
de seu advogado, não realizar o pagamento das custas e das despesas de ingresso em 15
(quinze) dias.
§ 1º Havendo recolhimento a menor das custas devidas, antes do arquivamento
dos autos a parte será intimada para complementação.
§ 2º O prazo a que alude o caput será contado a partir da intimação do
advogado da parte, realizada por meio do Diário da Justiça Eletrônico ou por outra
forma prevista em lei.
§ 3º A intervenção do amicus curiae, nos termos do art. 138 do Código de
Processo Civil, implica o recolhimento das custas pertinentes à “petição”, previstas na
Lei Estadual n. 7.603/2001.
Art. 235. O pedido de tutela provisória, seja de urgência (cautelar ou
antecipada) ou de evidência, formulado em caráter incidental ao processo, não depende
do pagamento de custas.
§ 1º No momento da distribuição do pedido de tutela em caráter antecedente, o
requerente procederá ao recolhimento das custas pertinentes, na forma indicada em sua
petição inicial, levando em consideração o pedido de tutela final.
§ 2º Em caso de posterior cumulação de pedidos, ainda que decorrente da
complementação da argumentação, pleiteada quando do aditamento, nos termos do
inciso I do § 1º do art. 303 do Código de Processo Civil, o requerente deverá proceder
ao recolhimento das custas complementares respectivas.
§ 3º O aditamento não ocasionará a incidência de novas custas processuais,
salvo se houver a cumulação de pedidos, nos termos do § 2º deste artigo.
§ 4º Na hipótese de distribuição da ação para a discussão da tutela antecipada
estabilizada, qualquer das partes poderá pleitear o desarquivamento dos autos em que a
liminar foi concedida para instruir a petição inicial, caso em que o juízo que deferiu a
tutela estará prevento.
Art. 236. Ficam isentos de custas judiciais e emolumentos o Estado e o
Município, e suas respectivas autarquias e fundações, nos termos do parágrafo único do
art. 4º do Provimento n. 27/2004-CM.
§ 1º A isenção prevista no caput não alcança as entidades fiscalizadoras do
exercício profissional, nem exime as pessoas jurídicas a que se refere do reembolso das
despesas judiciais feitas pela parte vencedora.
§ 2º As despesas com diligências dos oficiais de justiça, correios e fotocópias
serão suportadas pela Fazenda Pública Federal, Estadual e Municipal, por não
constituírem custas ou emolumentos.
Art. 237. Nos casos de necessidade de remessa dos autos para cálculo ou
pagamento de outras despesas judiciais, a quitação do valor devido ao contador, quando
este não integrar a Justiça oficializada, será feita pela parte interessada e diretamente a
ele.
Art. 238. O processo que apresente saldo pendente de pagamento de custas ao
Funajuris, após arquivado, somente poderá ser impulsionado mediante integral quitação
das custas pendentes, bem como do pagamento da taxa de desarquivamento.
Parágrafo único. O simples desarquivamento para vista independe de
pagamento do saldo devedor das custas, entretanto não isenta do pagamento da taxa de
desarquivamento do processo.
Art. 239. Ao ser expedido mandado para prática de ato decorrente de sentença
prolatada em prol de beneficiários de assistência judiciária, para cumprimento perante
serventias extrajudiciais (atuais serviços notariais e registrais), o magistrado deverá
fazer constar tal circunstância do ato mandamental, para cientificar o oficial ou notário a
observar a gratuidade.
Art. 240. É vedado aos distribuidores não oficializados o recebimento de todo
e qualquer valor devido ao Funajuris, ficando tal arrecadação a cargo exclusivo do
responsável pelos serviços desse Fundo.
Art. 241. É vedado o recebimento, por qualquer servidor, de guias de
recolhimento rasuradas e/ou adulteradas e de valores destinados ao Funajuris, os quais
devem ser recolhidos por meio de guias padronizadas do Fundo, disponíveis no
endereço eletrônico do Tribunal de Justiça ([Link]).
Seção XXVI
Do arquivamento

Art. 242. Transitada em julgado a sentença e decorridos 15 (quinze) dias sem a


manifestação da parte vencedora expressando o desejo de executá-la, os autos serão
arquivados.
§ 1º Extinto o processo, com ou sem resolução do mérito, e ordenado o
arquivamento dos autos, a secretaria providenciará a baixa no sistema, lançando o
andamento correspondente e preenchendo a data de encerramento.
§ 2º Após o trânsito em julgado da decisão que tenha excluído algumas das
partes de processo em andamento, a secretaria comunicará o fato ao distribuidor para ser
lançada baixa na distribuição, independentemente de determinação judicial.
Art. 243. A entrega de documentos de processos findos, assim como a baixa na
distribuição, fica condicionada ao pagamento das custas.

CAPÍTULO III
DO OFÍCIO DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE

Seção I
Dos Serviços da Infância e da Juventude

Art. 244. Os serviços judiciários, sob a supervisão da autoridade judicial,


poderão ter a colaboração de entidades responsáveis pela assistência à criança e ao
adolescente.
Art. 245. Ao se prestar informações a terceiros, os ofícios da Infância e da
Juventude deverão cuidar para que se observem as limitações do segredo de justiça, nos
termos da Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990.
Parágrafo único. Quando as informações forem solicitadas por autoridade
judicial, bem como antes da subida dos autos à instância superior, a certidão deverá ser
detalhada, fazendo constar a natureza dos atos infracionais a que se referem, se houve
aplicação de qualquer das medidas previstas no art. 112 da Lei n. 8.069/1990 e o seu
cumprimento.
Art. 246. Se a criança ou o adolescente, envolvido em procedimentos da
Justiça da Infância e da Juventude, não possuir registro civil e/ou inscrição no Cadastro
de Pessoa Física, o assento de seu nascimento deverá ser feito à vista dos elementos
disponíveis, conforme determina o § 1º do art. 102 da Lei n. 8.069/1990, e a inscrição
no cadastro de pessoa física - CPF nos termos da Instrução Normativa n. 1.548/2015 da
Receita Federal do Brasil, mediante requisição da autoridade judiciária.
Parágrafo único. Serão isentos de multas, custas e emolumentos e terão
absoluta prioridade os registros, as inscrições, as averbações e as certidões necessárias à
regularização do registro civil e do cadastro de pessoa física da criança ou do
adolescente.
Art. 247. Nos procedimentos de colocação em família substituta, os editais
expedidos pelos Juízos da Infância e da Juventude deverão se limitar aos dados
essenciais à identificação dos pais ou responsáveis.

Seção II
Da prioridade dos feitos da Infância e da Juventude

Art. 248. Terão prioridade absoluta as ações relacionadas a crianças e


adolescentes, especialmente quando tratarem de:
I - perda ou suspensão do poder familiar;
II - deferimento ou destituição da tutela;
III - colocação em família substituta;
IV - apuração de ato infracional atribuído a adolescente;
V - apuração de infração administrativa às normas de proteção à criança e ao
adolescente;
VI - adoção e guarda judicial;
VII - criança ou adolescente com deficiência ou com doença crônica, conforme
§ 9º do art. 47 e parágrafo único do art. 70-A da Lei n. 8.069/1990.
Art. 249. Os Cartórios Distribuidores do Poder Judiciário do Estado de Mato
Grosso tratarão os pedidos de medidas protetivas, adoção, guarda, tutela, suspensão e
destituição do poder familiar entre aqueles que reclamam apreciação urgente e imediata.
Art. 250. Terão prioridade nas unidades judiciárias da Infância e da Juventude,
bem como naquelas que cumulam esta competência, os pedidos de medidas de proteção,
adoção, guarda, tutela, suspensão e destituição do poder familiar, quanto ao
cumprimento de despachos, decisões e sentenças, observando o prazo improrrogável de
24 (vinte e quatro) horas.
Art. 251. Será priorizado pelos oficiais de justiça o cumprimento dos
mandados expedidos em feitos dessa natureza, fazendo-o no prazo máximo de 72
(setenta e duas) horas, salvo se outro menor for fixado pelo magistrado.

Seção III
Dos pedidos do Conselho Tutelar e do Ministério Público para aplicação de
medidas de proteção

Art. 252. Os casos encaminhados pelo Conselho Tutelar para aplicação de


medidas que não sejam da atribuição do próprio órgão, nos termos do inciso V do art.
136 e do inciso VII do art. 148 da Lei n. 8.069/1990, serão registrados e autuados como
pedido de providência e encaminhados ao Ministério Público em 24 (vinte e quatro)
horas.
Art. 253. Havendo representação do Ministério Público para aplicação de
medida de proteção, esta deve ser registrada e autuada como medida de proteção e, em
seguida, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, submetida à conclusão.
Art. 254. Realizada alguma diligência determinada pelo magistrado e
cumprida pelos auxiliares da justiça, se houver necessidade de manifestação do
Ministério Público, o promotor de justiça será intimado a se pronunciar no prazo
máximo de 5 (cinco) dias, se outro não for expressamente fixado.
Art. 255. Ordenada ou comunicada a aplicação da medida de proteção prevista
no inciso VII do art. 101 da Lei n. 8.069/1990 (acolhimento institucional), a equipe
interprofissional do juízo será imediatamente cientificada para que proceda ao
acompanhamento, buscando abreviar o tempo de permanência da criança ou do
adolescente na instituição.
Art. 256. Os procedimentos que envolverem crianças ou adolescentes em
situação de acolhimento institucional terão prioridade no atendimento por parte do Juízo
da Infância e da Juventude.
Art. 257. Se o mesmo fato der origem, eventualmente, a um ou mais
procedimentos, deverá tal circunstância ser certificada em um deles, preferencialmente
na medida de proteção.
Parágrafo único. Havendo vários procedimentos de medida de proteção, a
certificação referida no caput deste artigo será realizada nos autos cuja instrução estiver
mais adiantada, trasladando-se, nesse caso, as peças indispensáveis à compreensão e à
solução do caso e promovendo-se o arquivamento dos demais feitos, com as baixas e
anotações necessárias.
Art. 258. Os autos do pedido de providência ou da medida de proteção deverão
ser apensados aos da ação de guarda, de tutela, de destituição da tutela, de adoção ou de
destituição ou suspensão do poder familiar.

Seção IV
Da equipe interprofissional ou multidisciplinar

Art. 259. A equipe interprofissional ou multidisciplinar é formada por


assistentes sociais e psicólogos responsáveis por elaborar os estudos sociais,
psicológicos ou psicossociais das situações que digam respeito às crianças, aos
adolescentes e às famílias submetidos à competência das Varas da Infância e da
Juventude do Estado de Mato Grosso.
Art. 260. Compete à equipe interprofissional ou multidisciplinar da Justiça da
Infância e da Juventude:
I - fornecer subsídios por escrito, mediante laudos, ou verbalmente, na
audiência, e bem assim desenvolver trabalhos de aconselhamento, orientação,
encaminhamento, prevenção e outros, tudo sob a imediata subordinação à autoridade
judiciária, assegurada a livre manifestação do ponto de vista técnico, conforme previsto
no art. 151 da Lei n. 8.069/1990;
II - elaborar relatório de reavaliação de situação da criança ou do adolescente
que estiver inserido em programa de acolhimento familiar ou institucional, no máximo,
a cada 3 (três) meses, a fim de auxiliar a autoridade judiciária a decidir de forma
fundamentada sobre a possibilidade de reintegração familiar ou a colocação em família
substituta, conforme previsto no § 1º do art. 19 e no art. 28 da Lei n. 8.069/1900;
III - auxiliar a autoridade judiciária na colocação em família substituta,
ouvindo, sempre que possível, a criança ou o adolescente, considerando sua opinião e
respeitando seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as
implicações da medida, conforme previsto nos §§ 1º, 5º e 6º do art. 28 da Lei n.
8.069/1990 e na Lei n. 13.431, de 4 de abril de 2017;
IV - realizar previamente a preparação gradativa para inserção da criança ou do
adolescente na família substituta e o acompanhamento posterior, nos termos do § 5º do
arts. 28 e do § 7º do art. 166 da Lei n. 8.069/1990;
V - acompanhar, obrigatoriamente, o estágio de convivência que precede à
adoção, nos termos do § 4º do art. 46 da Lei n. 8.069/1990;
VI - auxiliar a autoridade judiciária e orientar na preparação psicossocial e
jurídica do pretendente à adoção, conforme previsto nos §§ 3º e 4º do art. 50 da Lei n.
8.069/1990, bem como elaborar estudo psicossocial ou perícia, que conterá subsídios
que permitam aferir a capacidade e o preparo dos postulantes para o exercício de uma
paternidade ou maternidade responsável, à luz dos requisitos e princípios estabelecidos
na Lei n. 8.069/1990.
VII - auxiliar a autoridade judiciária nas ações de perda e de suspensão do
poder familiar, orientando e prestando esclarecimentos quanto ao consentimento aos
titulares do poder familiar, em especial, no caso de adoção, conforme previsto no § 2º
do art. 166 da Lei n. 8.069/1990;
VIII - realizar o estudo social por ordem da autoridade judicial, a fim de
auxiliar nos pedidos de guarda provisória, bem como no estágio de convivência, no caso
de adoção, nos termos do art. 167 da Lei n. 8.069/1990;
IX - auxiliar a autoridade judiciária na adoção internacional de adolescente,
elaborando parecer técnico, respeitando o seu estágio de desenvolvimento e grau de
compreensão sobre as implicações da medida, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do
art. 28 e inciso III do § 1º do art. 51 da Lei n. 8.069/1990;
X - assistir a mãe adolescente, conforme disposto no § 6º do art. 19 da Lei n.
8.069/1990;
XI - auxiliar a autoridade judiciária realizando a oitiva de gestante ou mãe que
manifeste interesse em entregar seu filho para adoção, antes ou logo após o nascimento,
elaborando relatório de estudo psicossocial, considerando, inclusive, os eventuais
efeitos do estado gestacional e puerperal, nos termos do § 1º do art. 19-A da Lei n.
8.069/1990.
Art. 261. Os profissionais credenciados nas áreas de assistência social e
psicologia devem observar o provimento que dispõe sobre a prestação de serviço das
suas respectivas profissões no âmbito da Justiça da primeira instância, em especial da
Infância e da Juventude.
Art. 262. Na ausência de prazo determinado pelo magistrado, a equipe
interprofissional ou multidisciplinar deverá apresentar o resultado do estudo no prazo de
15 (quinze) dias corridos.
Art. 263. No período de realização do atendimento pela equipe
interprofissional será evitada a presença de pessoas que possam comprometer a eficácia
dos trabalhos a serem desenvolvidos.
Art. 264. A equipe interprofissional ou multidisciplinar acompanhará as
crianças e os adolescentes institucionalizados na comarca, a critério do Juízo da Infância
e da Juventude.
Art. 265. Dentre outras atribuições, a equipe interprofissional ou
multidisciplinar deverá:
I - contribuir para a criação de mecanismos que agilizem e melhorem a
prestação do serviço;
II - participar da elaboração e execução de programas socioeducativos
destinados a crianças em situação de risco;
III - atuar em pesquisas e programas de prevenção à violência.
Art. 266. A equipe interprofissional ou multidisciplinar, além das normas
regidas neste Código, cumprirá o Código de Ética de suas respectivas profissões.
Art. 267. A equipe interprofissional ou multidisciplinar deve apresentar o
relatório psicossocial no prazo fixado pelo magistrado, que decidirá, também, sobre
eventual dilação de prazo, desde que devidamente justificada pelos profissionais da
área.

Seção V
Das disposições relativas ao processo de adoção e acolhimento de crianças e
adolescentes

Art. 268. De toda comunicação de acolhimento, autuar-se-á o procedimento de


medida protetiva visando ao acompanhamento da criança ou do adolescente
institucionalizado para que, no mais curto lapso temporal possível, seja reintegrado à
família biológica ou inserido em família substituta, dado o caráter provisório do
acolhimento, conforme dispõe o § 1º do art. 101 da Lei n. 8.069/1990.
Parágrafo único. Não havendo instituição acolhedora na comarca, deve-se
encaminhar a criança ou o adolescente, apenas com a guia de acolhimento, aos juízes
das comarcas mais próximas em que funcionarem tais instituições, dispensando-se,
neste momento, o pedido de providências declinando a competência.
Art. 269. A condição da criança ou do adolescente como “apta para adoção”
deve ocorrer após o trânsito em julgado da decisão no processo de destituição ou
extinção do poder familiar ou, ainda, quando a criança ou o adolescente for órfão ou
tiver ambos os genitores desconhecidos.
Parágrafo único. O magistrado poderá, no melhor interesse da criança ou do
adolescente, determinar sua inclusão cautelar na condição “apta para adoção” antes do
trânsito em julgado da decisão que destitui ou extingue o poder familiar, hipótese em
que o pretendente deve ser informado sobre o risco jurídico.
Art. 270. O pretendente interessado em iniciar o processo de habilitação
poderá, alternativamente:
I - realizar seu pré-cadastro no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento -
SNA, em formulário disponível nos endereços eletrônicos [Link]/sna e
[Link] e, em seguida, protocolizar o pedido de habilitação para
adoção na Vara da Infância e da Juventude da comarca de seu domicílio;
II - preencher o formulário indicado no inciso I deste artigo diretamente na
secretaria da Vara da Infância e da Juventude da comarca de seu domicílio,
acompanhado dos seguintes documentos, elencados no art. 197-A da Lei n. 8.069/1990:
a) cópias autenticadas da certidão de nascimento, se solteiro, ou da certidão de
casamento, ou declaração relativa ao período de união estável;
b) em qualquer caso, declaração de anuência do outro cônjuge ou companheiro,
nos termos do inciso I do art. 165 da Lei n. 8.069/1990;
c) cópias da cédula de identidade e da inscrição no Cadastro de Pessoas
Físicas;
d) comprovantes de renda e de domicílio;
e) atestados de sanidade física e mental;
f) certidão de antecedentes criminais;
g) certidão negativa de distribuição cível;
h) outros documentos, a critério do interessado, comprobatórios de sua aptidão
para adotar.
Parágrafo único. O requerente pode manifestar, em relação ao futuro
adotando, preferência por idade, sexo, cor, raça, saúde física e mental e outras
características pessoais, devendo o magistrado priorizar a tramitação da habilitação nos
casos em que o pretendente apresentar perfil de adotando de difícil colocação em
família substituta.
Art. 271. O pedido de habilitação à adoção será isento de custas ou pagamento
de despesas de qualquer natureza, nos termos do § 2º do art. 141 da Lei n. 8.069/1990,
e, após distribuído, será imediatamente concluso ao magistrado competente que, no
prazo de 48 (quarenta e oito) horas, poderá:
I - determinar a prévia intimação das partes para participar de curso
preparatório para adoção;
II - determinar a realização de estudo psicossocial pela equipe interprofissional
ou multidisciplinar;
III - conferir vista dos autos ao Ministério Público Estadual, para se manifestar
no prazo de cinco (05) dias, nos termos do art. 197-B da Lei n. 8.069/1990.
§ 1º É obrigatória a participação do pretendente em curso preparatório à adoção
oferecido pela Justiça da Infância e da Juventude, com apoio da equipe interprofissional
ou multidisciplinar do juízo, conforme determinação contida no § 1º do art. 197-C da
Lei n. 8.069/1990.
§ 2º Concluído o curso preparatório à adoção e juntado o estudo psicossocial, a
autoridade judiciária dará vista dos autos ao Ministério Público, por 05 (cinco) dias,
decidindo, a seguir, em igual prazo, nos termos do parágrafo único do art. 197-D da Lei
n. 8.069/1990.
§ 3º O relatório do estudo psicossocial será elaborado a partir de dados
coletados no ambiente social dos requerentes e consistirá na descrição e análise de todos
os aspectos relevantes para o julgamento da habilitação, assegurada a livre manifestação
técnica, conforme previsto no art. 151 da Lei n. 8.069/1990.
§ 4º Deferido o pedido de habilitação, o pretendente será inserido no Sistema
Nacional de Adoção e Acolhimento - SNA, instituído pela Portaria Conjunta n. 4, de 4
de julho de 2019, do Conselho Nacional de Justiça, cuja implantação e funcionamento
foi regulamentado pela Resolução n. 289, de 14 de agosto de 2019, do Conselho
Nacional de Justiça.
§ 5º O pedido de habilitação será indeferido se o requerente não satisfizer os
requisitos legais para a adoção, previstos nos arts. 29, 42, 43 e 44 da Lei n. 8.069/1990.
§ 6º O indeferimento do pedido de habilitação não impedirá futura solicitação.
§ 7º A inscrição dos pretendentes no Sistema Nacional de Adoção e
Acolhimento - SNA será efetuada em ordem cronológica, a partir da sentença de
habilitação, observado como critério de desempate a data do ajuizamento do pedido.
§ 8º No caso de 03 (três) recusas injustificadas, pelo habilitado, à adoção de
crianças e adolescentes dentro do perfil indicado, haverá a reavaliação da habilitação
concedida, podendo ser excluído ou não do cadastro, conforme previsto no § 4º do art.
197-E da Lei n. 8.069/1990.
§ 9º A desistência do pretendente em relação à guarda para fins de adoção ou a
devolução da criança ou do adolescente depois do trânsito em julgado da sentença de
adoção, importará sua exclusão dos cadastros de adoção e vedação de renovação da
habilitação, salvo por decisão judicial fundamentada e sem prejuízo das demais sanções
previstas na legislação vigente, de acordo com o § 5º do art. 197-E da Lei n.
8.069/1990.
Art. 272. A habilitação dos pretendentes à adoção terá validade de 03 (três)
anos, devendo ser renovada até o seu vencimento, conforme previsto no art. 2º do anexo
II da Resolução n. 289/2019 do Conselho Nacional de Justiça, mediante avaliação da
equipe interprofissional ou multidisciplinar do juízo.
§ 1º Expirado o prazo mencionado no caput deste artigo, a habilitação será
suspensa por 30 (trinta) dias, durante os quais o postulante poderá solicitar a renovação,
mas não será consultado para novas adoções.
§ 2º Se o pretendente não renovar sua habilitação no prazo previsto no § 1º
deste artigo, esta será arquivada, com imediata inativação no SNA.
§ 3º O pretendente é responsável pela atualização de seus dados pessoais e
meios de contato junto à Vara da Infância e da Juventude da comarca de seu domicílio,
podendo alterá-los diretamente em área exclusiva do Sistema Nacional de Adoção e
Acolhimento – SNA ou presencialmente, mediante pedido protocolizado informando as
alterações.
§ 4º Em caso de mudança de domicílio, o pretendente comunicará de imediato
à Vara da Infância e da Juventude, juntando cópia do comprovante do novo endereço
nos autos do processo original, ou requererá, pessoalmente, a remessa dos autos para a
vara com competência em Infância e Juventude do novo endereço.
§ 5º A eventual desatualização de dados que ocasione restrição na
comunicação com o pretendente será considerada como recusa injustificada pelo
habilitado à adoção de crianças ou adolescentes, incidindo a regra do § 4º do art. 197-E
da Lei n. 8.069/1990.
§ 6º Havendo mudança de endereço do pretendente, o magistrado da comarca
de destino verificará a necessidade de nova avaliação psicossocial, podendo suspender o
processo.
§ 7º No caso de separação dos pretendentes, e permanecendo o interesse de
qualquer deles ou de ambos em se manter no Sistema Nacional de Adoção e
Acolhimento - SNA, serão renovadas as avaliações, mantendo, para efeito de ordem no
cadastro, a mesma data-base da habilitação do casal.
§ 8º A inclusão dos novos dados do pretendente no sistema não altera a data-
base de habilitação inicial.
Art. 273. Iniciada a vinculação entre a criança ou o adolescente e o
pretendente, a habilitação do pretendente ficará suspensa no Sistema Nacional de
Adoção e Acolhimento - SNA para novas consultas.
§ 1º Iniciado o estágio de convivência, caso o pretendente esteja habilitado
para adoção de outras crianças ou adolescentes, o sistema o reclassificará, sendo
mantida como data da classificação a do início do estágio de convivência, observada a
hipótese do § 3º do art. 197-E da Lei n. 8.069/1990.
§ 2º Realizada a vinculação, o juízo terá o prazo de 15 (quinze) dias para
comunicar o fato ao pretendente, atualizando as informações no sistema.
Art. 274. Havendo criança ou adolescente disponível para adoção na comarca,
será realizada consulta, pelo gestor judiciário, pela equipe técnica ou por servidor
indicado pelo Juízo da Infância e da Juventude, aos pretendentes habilitados.
Parágrafo único. A consulta poderá ser realizada por telefone e o pretendente
terá o prazo máximo de 02 (dois) dias para resposta, sendo certo que, na consulta, será
considerado o bem-estar e o interesse superior da criança ou do adolescente, o perfil do
pretendente, bem como a ordem cronológica da inscrição.
Art. 275. A ordem de preferência dos pretendentes habilitados à adoção dar-se-
á da seguinte forma:
I - pretendentes domiciliados na comarca terão preferência à adoção das
crianças cadastradas nestas;
II - pretendentes residentes em Mato Grosso terão preferência à adoção sobre
os que residem fora do Estado;
III - pretendentes nacionais a grupos de irmãos terão preferência à adoção
sobre candidatos interessados em apenas um ou em parte dos integrantes do grupo;
IV - pretendentes nacionais terão preferência à adoção sobre os internacionais,
qualquer que seja a condição desses.
Art. 276. Esgotadas as tentativas de consulta na comarca, a autoridade
judiciária realizará a consulta de pretendentes no Estado de Mato Grosso, pelo Sistema
Nacional de Adoção e Acolhimento - SNA, observando a ordem cronológica de
habilitação e o perfil da criança e do adolescente.
Art. 277. Não havendo pretendentes estaduais interessados no perfil da criança
ou do adolescente disponível à adoção, o magistrado atuante na Vara da Infância e da
Juventude da comarca de acolhimento efetuará, pelo Sistema Nacional de Adoção e
Acolhimento - SNA, consulta a pretendentes de outros Estados da Federação.
Art. 278. Esgotada a busca por pretendentes nacionais, deve o magistrado
competente, no prazo máximo de 5 (cinco) dias, iniciar as buscas internacionais,
mediante ciência da Comissão Estadual Judiciária de Adoção - Ceja/MT.
Art. 279. Caso não sejam localizados pretendentes habilitados na comarca, no
Estado de Mato Grosso, em outros Estados da Federação e no cadastro internacional, o
magistrado atuante na Vara da Infância e da Juventude deve inserir a criança ou o
adolescente no Projeto Busca Ativa: Uma Família para Amar, pelo Sistema Adoção,
com acesso pelo endereço eletrônico [Link]
Art. 280. A adoção internacional reger-se-á pelo disposto nos arts. 51, 52, 52-
C e 52-D da Lei n. 8.069/1990, bem como pelo Regimento Interno da Comissão
Estadual Judiciária de Adoção – Ceja/MT.
Art. 281. Os pretendentes à adoção brasileiros e estrangeiros domiciliados no
Brasil, com visto de permanência, deverão cadastrar-se na comarca de seu domicílio,
como dispõe o art. 50 da Lei n. 8.069/1990.
Art. 282. É vedado o deferimento da guarda ou da adoção ao pretendente
residente ou domiciliado fora do país que não esteja devidamente habilitado para adoção
internacional na Ceja/MT.
Art. 283. Os magistrados remeterão à Ceja, dentro dos 10 (dez) dias
subsequentes à prolação, as sentenças deferindo adoção de crianças ou de adolescentes
por pretendentes estrangeiros.
Art. 284. Após prolatada a sentença de adoção, o magistrado atuante na Vara
da Infância e da Juventude deve acessar o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento –
SNA, página da criança ou adolescente, especificamente o campo eletrônico
“Andamento”, e selecionar a opção “Concluir adoção pelo cadastro”.

Seção VI
Do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento - SNA
Art. 285. O Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento - SNA é um conjunto
dinâmico que agrega informações sobre:
I - acolhimento institucional e familiar, adoção e outras modalidades de
colocação em família substituta;
II - pretendentes nacionais e estrangeiros habilitados à adoção.
§ 1º A Corregedoria-Geral da Justiça, por sua Comissão Estadual Judiciária de
Adoção - Ceja, será responsável pela administração do SNA no Estado de Mato Grosso
e terá acesso integral aos dados cadastrados, competindo-lhe, ainda, realizar o cadastro
dos pretendentes e a liberação de acesso ao usuário, além de zelar pela correta
alimentação do sistema.
§ 2º A responsabilidade pelo cadastro de pretendentes à adoção, pela expedição
de documentos, pela classificação, pela atualização, pela inclusão e exclusão de dados
do sistema é exclusiva das autoridades judiciárias, sendo efetuada pelo site do Conselho
Nacional de Justiça, no endereço eletrônico [Link]/sna.
Art. 286. O encaminhamento de crianças e adolescentes às unidades de
acolhimento institucional, governamental ou particular, somente poderá ser realizado
mediante expedição de guia de acolhimento no SNA pela autoridade judiciária.
§ 1º No caso de situação de risco constatada pelo Conselho Tutelar fora do
horário de expediente forense, as crianças e adolescentes serão encaminhadas à
instituição de acolhimento sem a guia, devendo o encaminhamento ser comunicado ao
magistrado competente em até 24 (vinte e quatro) horas, conforme previsto no art. 93 da
Lei n. 8.069/1990.
§ 2º Quando o magistrado competente decidir pelo desacolhimento da criança
ou do adolescente, deverá expedir a guia de desligamento no SNA.
Art. 287. Os juízes atuantes nas Varas da Infância e da Juventude realizarão as
audiências concentradas, uma vez a cada semestre, preferencialmente nos meses de abril
e outubro, para reavaliação da situação de cada criança e adolescente submetido à
medida protetiva de acolhimento, à vista do seu caráter excepcional e provisório,
conforme prescrito nos §§ 1º e 2º do art. 19 da Lei n. 8.069/1990.
§ 1º As audiências deverão ser realizadas, sempre que possível, dentro das
unidades de acolhimento e têm como objetivo concentrar esforços para a reinserção da
criança ou do adolescente à sua família biológica ou extensa e/ou a sua colocação em
família substituta.
§ 2º O SNA gerará automaticamente o relatório eletrônico das audiências
concentradas na unidade judiciária, contendo as estatísticas referentes às crianças e aos
adolescentes que passaram por acolhimento naquele semestre, substituindo o
preenchimento eletrônico dos dados.
Art. 288. O SNA integra todos os cadastros municipais, estaduais e nacional de
crianças e adolescentes em condições de serem adotados e de pretendentes habilitados à
adoção, inclusive os cadastros internacionais, consoante disposição dos §§ 5º e 6º do art.
50 da Lei n. 8.069/1990.
Art. 289. O pretendente poderá solicitar suspensão de consulta para adoção
pelo prazo máximo de 06 (seis) meses, com fundamento no inciso II do art. 313 e § 4º
desse mesmo artigo do Código de Processo Civil.
Art. 290. O SNA tornará inativa a habilitação dos pretendentes à adoção nos
seguintes casos:
I - quando transcorridos 30 (trinta) dias do vencimento do processo de
habilitação, caso não haja pedido de renovação;
II - quando se registrar o trânsito em julgado de sentença que deferir pedido de
adoção na forma pretendida pelo postulante;
III - quando houver decisão judicial.
§ 1º Tornada inativa a habilitação, o pretendente não será consultado para
novas adoções, devendo se submeter a novo processo de habilitação.
§ 2º Os casos omissos ou que suscitarem dúvidas deverão ser decididos pelo
magistrado do processo de habilitação.
§ 3º As comunicações com o pretendente serão realizadas preferencialmente
por meio eletrônico.
Art. 291. A correta inserção dos dados no SNA será objeto de verificação
durante as correições realizadas nas respectivas varas.

Seção VII
Da autorização de viagem da criança e do adolescente e da implantação do
“Viagem Legal”

Art. 292. Nenhuma criança ou adolescente menor de 16 (dezesseis) anos


poderá viajar para fora da comarca onde reside desacompanhado dos pais ou dos
responsáveis sem expressa autorização judicial.
§ 1º A autoridade judiciária poderá, a pedido dos pais ou responsável, conceder
autorização válida por 2 (dois) anos.
§ 2º No Estado de Mato Grosso, a autorização judicial é dispensável, para
viagens nacionais, quando criança ou adolescente menor de 16 (dezesseis) anos viajar
autorizado expressamente por qualquer de seus pais, ou responsável legal, por meio de
escritura pública ou de documento particular com firma reconhecida por semelhança ou
autenticidade.
Art. 293. Para fins do disposto neste Código, entende-se por responsável pela
criança ou adolescente aquele que detiver sua guarda por prazo indeterminado
(definitiva ou permanente), além do tutor, excluídas as hipóteses de guarda e tutela
provisórias.
Art. 294. O guardião por prazo indeterminado (anteriormente nominado
guardião definitivo) ou o tutor, ambos judicialmente nomeados em termo de
compromisso, que não sejam os genitores, poderão autorizar a viagem da criança ou
adolescente sob seus cuidados, para todos os fins deste Código, como se pais fossem.
Art. 295. A concessão de autorização judicial para criança ou adolescente
menor de 16 (dezesseis) anos viajar dentro do território nacional depende dos seguintes
requisitos:
I - comparecimento à Vara da Infância e da Juventude da comarca do domicílio
do requerente, de um dos pais ou do responsável legal, portando documento oficial com
fotografia;
II - no caso de guardião ou tutor, apresentação de documento comprobatório
dessa condição;
III - em qualquer caso, apresentação de documento da criança.
§ 1º Devem ser expedidas em 02 (duas) vias as autorizações de viagem,
devendo a segunda ser arquivada juntamente com o pedido, que será cadastrado e
registrado no Livro de Registro de Requerimentos Avulsos e Ofícios, dispensando-se
autuação.
§ 2º O pedido, em qualquer caso, será registrado e autuado em meio virtual, no
sistema Processo Judicial Eletrônico – PJe.
Art. 296. O requerimento e a autorização judicial de viagem para crianças e
adolescentes são gratuitos.
Art. 297. Os interessados poderão solicitar autorização judicial no endereço
eletrônico [Link], no qual obterão todas as informações necessárias
para a utilização do sistema.
Art. 298. Na autorização de viagem, ou documento apartado, os pais ou
responsáveis podem autorizar a hospedagem da criança ou adolescente em hotel, pensão
ou estabelecimento congênere, conforme disciplina o art. 82 da Lei n. 8.069/1990.
Art. 299. As viagens internacionais de crianças e adolescentes menores de 16
(dezesseis) anos devem atender às disposições da Lei n. 8.069/90 e da Resolução n. 131,
de 26 de maio de 2011, do Conselho Nacional de Justiça.
Art. 300. Sem prévia e expressa autorização judicial, nenhuma criança ou
adolescente brasileiro poderá sair do país em companhia de estrangeiro residente ou
domiciliado no exterior.
Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput, devendo ser observadas
as regras dos arts. 1º ou 2º da Resolução n. 131/2011 do Conselho Nacional de Justiça
se:
I - o estrangeiro for genitor da criança ou adolescente;
II - a criança ou adolescente, nascido no Brasil, não tiver nacionalidade
brasileira.
Art. 301. As autorizações de viagem ao exterior exaradas pelos pais ou
responsáveis deverão ser apresentadas em duas vias originais, uma das quais
permanecerá retida pela Polícia Federal.
§ 1º O reconhecimento de firma poderá ser por autenticidade ou semelhança.
§ 2º Ainda que não haja reconhecimento de firma, serão válidas as autorizações
de pais ou responsáveis que forem exaradas na presença de autoridade consular
brasileira, devendo, nesta hipótese, constar a assinatura da autoridade consular no
documento de autorização.
§ 3º Os documentos mencionados no § 1º do art. 2º e nos arts. 4º, 5º, 6º e 7º da
Resolução n. 131/2011 do Conselho Nacional de Justiça serão apresentados no original
ou em cópia autenticada no Brasil ou por repartição consular brasileira, permanecendo
retida com a fiscalização da Polícia Federal a cópia (simples ou autenticada), a ser
providenciada pelo interessado.
§ 4º Nos documentos de autorização dada pelos genitores, tutores ou guardiões
definitivos deve constar o prazo de validade, compreendendo-se, em caso de omissão,
que a autorização é válida por 2 (dois) anos.
Art. 302. Os juízes competentes deverão providenciar ampla e permanente
divulgação local do conteúdo desta seção, especialmente à Promotoria de Justiça da
Infância e Juventude, à Defensoria Pública, à Ordem dos Advogados do Brasil, às
empresas de transporte aéreo e rodoviário, às agências de turismo, às autoridades
policiais civis e militares, à guarda municipal, aos conselhos tutelares e aos agentes da
infância e juventude da comarca.

Seção VIII
Dos procedimentos de natureza infracional

Art. 303. As ocorrências relativas a atos infracionais praticados por


adolescente serão distribuídas, registradas e autuadas como auto de apreensão em
flagrante ou boletim de ocorrência circunstanciado, conforme o caso, e, em seguida,
remetidas à secretaria da vara com competência para a Infância e Juventude já com a
certidão dos antecedentes, sendo, após, encaminhadas ao Ministério Público,
independentemente de despacho.
Parágrafo único. Oferecida a representação, os autos serão remetidos ao
Cartório Distribuidor para as anotações de praxe e, se necessário, conforme o caso, as
exclusões pertinentes, não dependendo a distribuição de qualquer recolhimento.
Art. 304. Todo aditamento à representação deve ser observado pelo gestor
judiciário e submetido à imediata apreciação judicial.
Parágrafo único. Recebido o aditamento, será imediatamente anotado no
sistema eletrônico e, em seguida, retificada a distribuição.
Art. 305. Oferecida representação para apuração de ato infracional atribuído a
adolescente, deverá esta ser distribuída, registrada e imediatamente encaminhada ao
magistrado para a designação da audiência de apresentação do adolescente e decisão
acerca de eventual necessidade de internação provisória, cabendo ao gestor judiciário
cuidar para que o representado e seus pais ou responsáveis sejam cientificados do teor
da representação e notificados a comparecerem à audiência, acompanhados de
advogado.
§ 1º Caso não seja localizado o adolescente, o gestor judiciário, imediatamente,
certificará nos autos, que serão remetidos à conclusão do magistrado para eventual
determinação da providência contida no § 3º do art. 184 da Lei n. 8.069/1990.
§ 2º Havendo a informação de estar o adolescente internado, o gestor judiciário
expedirá ofício requisitando sua apresentação, nos termos do § 4º do art. 184 da Lei n.
8.069/1990.
§ 3º No caso de representação em face de adolescente que já responda a outro
procedimento para apuração de ato infracional, todos os feitos serão encaminhados ao
magistrado para exame na audiência de apresentação, com o objetivo de realização de
todos os atos de instrução, se possível, no mesmo dia e horário.
§ 4º O gestor judiciário cuidará das intimações e requisições necessárias às
audiências e comunicará à equipe técnica do juízo a data e a hora dos atos, a fim de que
sejam programadas as sessões de entrevistas a se realizarem no fórum e as visitas
domiciliares.
§ 5º O gestor judiciário diligenciará para que todos os atos processuais sejam
rigorosamente cumpridos dentro do prazo legal de 45 (quarenta e cinco) dias quando o
adolescente estiver internado provisoriamente e, extrapolados os prazos legais ou
fixados judicialmente, comunicará imediatamente ao magistrado.
§ 6º Havendo mais de um procedimento para apuração de ato infracional em
relação a um mesmo adolescente e estando pelo menos um dos feitos já sentenciado, tal
fato será certificado nos autos que ainda se encontram em tramitação, prosseguindo-se
ou iniciando-se o cumprimento da medida socioeducativa aplicada a partir da audiência
admonitória, arquivando-se os que já foram julgados, com as baixas e anotações
pertinentes.

Seção IX
Do cumprimento das medidas socioeducativas

Art. 306. As sindicâncias que forem encaminhadas pelo Ministério Público,


com proposta de concessão de remissão condicionada à aplicação de medida
socioeducativa, nos termos do § 1º do art. 186 da Lei n. 8.069/1990, assim que
homologadas pelo magistrado, deverão ser imediatamente transformadas em executivos
de medida socioeducativa, com anotação no sistema informatizado de acompanhamento
processual.
§ 1º Em cada processo sentenciado com aplicação de medida socioeducativa
será extraída a correspondente guia de execução e, em caso de adolescente que estiver
em mais de um processo, as medidas socioeducativas aplicadas devem ser reunidas em
um único feito.
§ 2º Os relatórios e estudos apresentados pela equipe interprofissional para
progressão de medida socioeducativa serão juntados aos respectivos autos, para
posterior conclusão ao magistrado.

Seção X
Da aplicação das medidas socioeducativas e do arquivamento dos autos

Art. 307. Quando da execução das medidas socioeducativas, salvo as de


advertência e reparação do dano aplicadas de forma isolada, será providenciada a
expedição da carta de guia.
Parágrafo único. As medidas de advertência e de reparação de dano, quando
aplicadas de forma isolada, serão executadas nos próprios autos do processo de
conhecimento.
Art. 308. Nos procedimentos instaurados para apuração de ato infracional, se,
depois de oferecida a representação, não for localizado o adolescente após a decretação
da busca e apreensão prevista no § 3º do art. 184 da Lei n. 8.069/1990, proceder-se-á ao
arquivamento dos feitos que estejam paralisados ou suspensos.

Seção XI
Do adolescente em conflito com a lei – do ingresso do adolescente em programa ou
unidade de execução de medida socioeducativa ou em unidade de internação
provisória

Art. 309. É competência do Poder Executivo Estadual criar, desenvolver e


manter programas para a execução das medidas socioeducativas de semiliberdade e
internação e a gestão de vagas nas unidades socioeducativas do Estado de Mato Grosso,
em observância ao inciso III do art. 4º da Lei n. 12.594/2012.
Art. 310. Prolatada a sentença e mantida a medida socioeducativa privativa de
liberdade, deverá o juízo do processo de conhecimento comunicá-lo, em 24 (vinte e
quatro) horas, solicitando vaga de internação definitiva ao órgão gestor do sistema
socioeducativo, observado o § 3º do art. 6º da Resolução n. 165, de 16 de novembro de
2012, do Conselho Nacional de Justiça.
§ 1º Devem ser enviadas, ao órgão gestor do atendimento socioeducativo e ao
Juízo da Execução, cópias dos seguintes documentos:
I - sentença ou acórdão que decretou a medida;
II - estudos técnicos realizados durante a fase de conhecimento;
III - histórico escolar, caso existente.
§ 2º O processo de conhecimento em que for concedida a remissão ao
adolescente, cumulada com execução de medida socioeducativa, será arquivado
provisoriamente até o efetivo cumprimento da medida socioeducativa ou da revogação
da remissão.
Art. 311. Nas sindicâncias que forem encaminhadas pelo Ministério Público
com proposta de concessão de remissão condicionada à aplicação de medida
socioeducativa, conforme previsto no § 1º do art. 186 da Lei n. 8.069/1990, assim que
homologada pelo magistrado, deverão ser expedidas as guias de execução para
prestação de serviços e convertidas em executivos de medida socioeducativa, com
anotação no sistema informatizado de acompanhamento processual.
§ 1º Em cada processo sentenciado com aplicação de medida socioeducativa
deverá ser extraída a correspondente guia de execução; e se o adolescente tiver mais de
um processo, as medidas socioeducativas aplicadas devem ser unificadas em um único
feito.
§ 2º Os relatórios e estudos apresentados pela equipe interprofissional para fins
de progressão de medida socioeducativa deverão ser juntados aos respectivos autos,
para posterior conclusão ao magistrado.

Seção XII
Da internação provisória

Art. 312. Decretada a internação provisória pela autoridade judicial e atestada


a existência de vaga em unidade socioeducativa, caberá à Secretaria de Estado de
Segurança Pública - SESP, por intermédio do órgão gestor do Sistema Socioeducativo,
promover a remoção ou o traslado do adolescente à unidade socioeducativa de destino.
Parágrafo único. Na hipótese do caput deste artigo, o encaminhamento do
adolescente será efetuado juntamente com a guia de execução própria, expedida pelo
juízo do processo de conhecimento, em duas vias, sendo uma cópia destinada ao Juízo
da Infância e da Juventude da comarca para onde o adolescente será transferido e outra
para a unidade socioeducativa.
Art. 313. Os Juízos da Infância e da Juventude não poderão promover a
remoção de adolescente, para cumprimento de internação provisória em outras
comarcas, sem a expedição da respectiva guia de execução provisória.
§ 1º A remoção de adolescente em conflito com a lei, em cumprimento de
internação provisória ou de medida socioeducativa de internação de uma unidade
socioeducativa para outra, só poderá ocorrer em casos excepcionais, demonstrada a
urgência e quando houver necessidade de medida de proteção integral à preservação da
vida e segurança do adolescente, precedida de apresentação de relatório pormenorizado
dos fatos pela unidade gestora do Sistema Socioeducativo ao magistrado da execução,
que dará ciência ao Ministério Público Estadual e à defesa do adolescente,
imediatamente.
§ 2º A remoção só pode ocorrer quando não houver unidade socioeducativa na
comarca do juízo do processo de conhecimento, em casos especialíssimos e desde que
exista vaga na unidade socioeducativa de destino, atestada pelo órgão gestor do Sistema
Socioeducativo ao magistrado solicitante.
§ 3º Fica vedado o pedido de condução do adolescente, internado
provisoriamente em outra comarca, ao juízo de origem para realização de audiência de
apresentação ou continuação, exceto nos casos em que for necessária a realização de
reconhecimento ou por motivo diverso em que a presença do adolescente seja
imprescindível.
Art. 314. No caso de adolescente custodiado por força de decreto judicial de
internação provisória previsto no art. 108 da Lei n. 8.069/1990, decorrido o prazo de 45
(quarenta e cinco) dias, o magistrado responsável pela fiscalização da unidade onde o
adolescente se encontra internado comunicará o excesso de prazo ao juízo que preside o
processo de conhecimento no qual foi determinada a internação provisória, para as
providências que entender cabíveis.
§ 1º Decorrido o prazo de 24 (vinte e quatro) horas da comunicação
mencionada no caput sem qualquer resposta pelo juízo que preside o processo de
conhecimento, o magistrado responsável pela fiscalização da unidade dará
conhecimento do fato à Corregedoria-Geral da Justiça.
§ 2º É de responsabilidade do juízo que decretou a internação provisória
eventual excesso de prazo, nos termos do que dispõe o § 1º do art. 45 da Lei n.
12.594/2012.
§ 3º O prazo referido no caput deste artigo deve ser contado a partir da data em
que for efetivada a apreensão do adolescente e não admite prorrogação.
§ 4º Liberado o adolescente, por qualquer motivo, antes de expirado o prazo
referido no caput, a renovação da internação provisória não poderá ultrapassar o período
que faltar ao alcance do prazo máximo legal.

Seção XIII
Da execução das medidas socioeducativas

Art. 315. O acompanhamento da execução das medidas socioeducativas e de


seus incidentes caberá ao juízo do local onde está sediada a unidade ou o serviço de
cumprimento.
§ 1º Em caso de transferência, após o transcurso de 48 (quarenta e oito) horas
da aludida remessa ao juízo competente, o gestor judiciário obterá informações sobre o
número do registro do processo executivo de medida socioeducativa, certificando a
respeito nos autos de conhecimento, para facilitação de futuras comunicações.
§ 2º Autuada a guia de execução, a autoridade judiciária solicitará,
imediatamente, designação do programa ou da unidade de cumprimento da medida ao
órgão gestor do atendimento socioeducativo, observando-se os prazos estabelecidos no
parágrafo único do art. 55 e no art. 56 da Lei n. 12.594/2012.
§ 3º A autoridade judiciária dará vista da proposta de plano individual de
atendimento – PIA de que trata o § 2º deste artigo ao defensor e ao Ministério Público
pelo prazo sucessivo de 3 (três) dias, contados do recebimento da proposta encaminhada
pela direção do programa de atendimento.
§ 4º O defensor e o Ministério Público poderão requerer, e o magistrado da
execução poderá determinar, de ofício, a realização de qualquer avaliação ou perícia que
entenderem necessárias para complementação do plano individual de atendimento –
PIA.
§ 5º A impugnação ou a complementação do plano individual requerida pelo
defensor ou pelo Ministério Público deverá ser fundamentada, podendo a autoridade
judiciária indeferi-la se entender insuficiente a motivação.
§ 6º Admitida a impugnação ou se entender que o plano é inadequado, a
autoridade judiciária designará, se necessário, audiência da qual cientificará o defensor,
o Ministério Público, a direção do programa de atendimento, o adolescente e seus pais
ou responsável.
§ 7º A impugnação de que trata o § 6º deste artigo não suspenderá a execução
do plano individual, salvo determinação judicial em contrário.
§ 8º Findo o prazo sem impugnação, considerar-se-á o plano individual de
atendimento - PIA homologado.

Seção XIV
Procedimento para apuração de infração administrativa

Art. 316. A representação formulada pelo Ministério Público ou pelo Conselho


Tutelar ou, ainda, o auto de infração elaborado por servidor efetivo ou voluntário
credenciado (agentes da Infância e da Juventude) objetivando a imposição de
penalidade administrativa por infração às normas de proteção à criança e ao adolescente
previstas diretamente na lei, em portarias ou em alvarás judiciais, conforme dispõe o art.
149 da Lei n. 8.069/1990, serão distribuídos, registrados e autuados, respectivamente,
como Representação ou Procedimento de Apuração de Infração Administrativa.
Parágrafo único. Observada a contagem do prazo disciplinado no art. 195 da
Lei n. 8.069/1990 e constatada a ausência de defesa por parte do requerido, o gestor
judiciário certificará o fato nos autos e os encaminhará ao Ministério Público para
manifestação.

Seção XV
Da colheita de depoimento de crianças e adolescentes vítimas e testemunhas de
crimes - “depoimento especial”

Art. 317. Nas comarcas do Estado de Mato Grosso dotadas de equipamentos


necessários para oitiva de crianças e adolescentes vítimas e testemunhas de crimes,
torna-se obrigatória a sua utilização para colheita do “depoimento especial”.
Art. 318. A realização do depoimento especial contará com o apoio de equipe
técnica do juízo, nos termos do art. 151 da Lei n. 8.069/1990, composta por psicólogo
e/ou assistente social previamente designados pelo magistrado, que priorizará os
profissionais capacitados por este Tribunal para atuarem na colheita da oitiva especial.
Art. 319. O depoimento especial deve ser colhido através do sistema de
videogravação em sala específica e adequada, em condições de segurança, privacidade e
conforto à criança e ao adolescente.
Art. 320. Para o depoimento especial, o magistrado e a equipe técnica
utilizarão os princípios básicos da entrevista cognitiva, estando preparados para o
implemento de apoio, orientação e, se necessário, encaminhamento da criança e/ou do
adolescente para programas específicos de assistência à saúde física e emocional.
§ 1º O depoimento especial será realizado em audiência previamente
designada, a ser presidida pelo magistrado e com a participação dos demais integrantes
jurídicos do processo (Ministério Público, defensor público, advogados, denunciados
etc.), com apoio da equipe técnica, por meio do ponto de som utilizado pelo técnico
facilitador.
§ 2º A intimação da criança ou do adolescente será realizada de modo
diferenciado, por meio de seus representantes legais, e, na oportunidade, o oficial de
justiça fará os esclarecimentos a respeito da finalidade da audiência e informará que a
criança e/ou o adolescente deve comparecer à sede do juízo 30 (trinta) minutos antes do
início do referido ato processual.
§ 3º A audiência será realizada em 3 (três) etapas, a saber:
I – “acolhimento inicial”, com a chegada da criança e/ou do adolescente à sede
do juízo, evitando-se o encontro do inquirido com o denunciado, a ser realizado pela
equipe técnica (psicólogo e/ou assistente social), com as seguintes características:
a) o profissional da equipe técnica deve esclarecer à criança e/ou ao
adolescente e a seus responsáveis legais qual a natureza do ato processual que será
realizado e como se procederá à colheita do depoimento, obtendo informações acerca da
criança e/ou do adolescente;
b) na sala onde será colhido o depoimento especial, após os esclarecimentos
iniciais e a apresentação do sistema à criança e/ou ao adolescente e a seus responsáveis
legais, recomenda-se a utilização de técnicas de aproximação adequadas à idade, ao
estágio de desenvolvimento e à capacidade cognitiva do inquirido, estabelecendo-se,
assim, um ambiente para deixá-lo à vontade;
II - depoimento propriamente dito, com o acionamento do equipamento de
gravação, abordando-se os fatos contidos no processo, devendo o profissional técnico:
a) auxiliar a criança e/ou o adolescente a relatar o ocorrido, utilizando
diferentes tipos de indagações e dando preferência a perguntas abertas, evitando
qualquer tipo de indução, possibilitando, assim, que a criança e/ou o adolescente se
manifeste de modo livre;
b) realizar uma abordagem por meio da recriação do contexto, narrativa livre
do inquirido e questionamento;
c) intermediar o contato e adequar ao universo infanto-juvenil as indagações
formuladas pelo magistrado e pelas partes (Ministério Público, defensor público,
advogados);
III - “acolhimento final”, momento em que o profissional técnico realizará o
fechamento da entrevista, verificando e intervindo conforme o estado emocional do
entrevistado/inquirido, fará esclarecimentos finais, discutindo tópicos neutros (retomada
do “rapport”), esclarecendo ao responsável legal quanto à forma de desenvolvimento do
depoimento e encerrando o ato.
§ 4º Havendo necessidade, verificada pelo magistrado ou a pedido das partes
ou por orientação e sugestão do profissional técnico, serão realizados encaminhamentos
à rede de atendimento para apoio à saúde física, mental e emocional do
entrevistado/inquirido.
§ 5º O magistrado poderá determinar, se entender necessário, que o
profissional técnico que acompanhou o ato processual emita relatório a respeito do
assunto, o qual avaliará o comportamento do inquirido, juntando documentos criados e
apresentados durante a técnica de colheita do depoimento.
§ 6º Durante a oitiva, recomenda-se a utilização de técnicas que possam
facilitar a manifestação da criança e/ou do adolescente, respeitando sempre o estado
emocional do inquirido e a sua capacidade cognitiva, pelo que se recomenda que o
depoimento especial seja desenvolvido por meio de metodologia que dure em média 01
(uma) hora e 30 (trinta) minutos de abordagem.
Art. 321. Após a colheita do depoimento, a gravação original deverá ser
mantida em local seguro, de modo a preservar o sigilo do seu conteúdo.

CAPÍTULO IV
DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS

Seção I
Disposições Gerais
Art. 322. No ato de distribuição do feito pelo Juizado Especial ou do recurso
pela Turma Recursal, os autos serão registrados seguindo as classes processuais
definidas pelo Conselho Nacional de Justiça.

Seção II
Da distribuição

Art. 323. Registrado o pedido, será agendada sessão de conciliação pelo


sistema eletrônico, de forma automática, no prazo de 30 (trinta) dias,
independentemente de despacho do magistrado.
§ 1º Na ausência de sistema eletrônico, o agendamento de sessão de
conciliação deverá ser realizado pela própria secretaria, nos termos do caput deste
artigo.
§ 2º Os casos urgentes que necessitem de despacho serão, excepcionalmente,
distribuídos e submetidos ao magistrado antes da sessão de conciliação.
§ 3º A secretaria deve registrar a data e a hora da apresentação de petições e
demais expedientes recebidos, tanto no original quanto em eventuais cópias.
§ 4º O gestor judiciário registrará e autuará os incidentes processuais em
apenso aos autos principais, se for o caso, fazendo-os conclusos em seguida.
§ 5º Recebidos os embargos de terceiro, o gestor judiciário procederá ao
registro, à autuação e ao apensamento aos autos principais, independentemente de
qualquer despacho.
Art. 324. A parte que não estiver assistida por advogado pode dirigir-se à
secretaria do Juizado Especial, munida dos documentos que vão instruir sua petição, e
solicitar que seu pedido seja reduzido a termo pelo servidor responsável.
Parágrafo único. Após a confecção da peça e aprovação da parte solicitante, o
servidor encarregado deverá proceder à distribuição da ação no sistema informatizado,
conferindo se todas as páginas estão legíveis e, em seguida, entregar o recebido da
distribuição ao reclamante.
Art. 325. Antes de realizar a distribuição da petição inicial nos Juizados
Especiais Cíveis e da Fazenda Pública, o usuário deve, no ato de cadastramento das
partes, preencher todos os campos do sistema eletrônico, especialmente endereço, e-
mail e telefone das partes envolvidas na relação processual, para, somente então,
proceder à distribuição da ação.
Art. 326. Constatado qualquer erro no cadastramento da ação, deverá a
secretaria promover a retificação da autuação, independentemente de decisão judicial.

Seção III
Da citação e da intimação

Art. 327. A citação far-se-á por correspondência, com aviso de recebimento -


AR e considerar-se-á feita na data da entrega da carta no endereço do réu.
Parágrafo único. Este artigo não se aplica à citação eletrônica.
Art. 328. A citação eletrônica considerar-se-á automaticamente realizada após
10 (dez) dias corridos, contados da data de seu envio.
§ 1º A citação eletrônica somente será possível se a íntegra dos autos estiver
disponível para o citando.
§ 2º Quando, por motivo técnico, for inviável o uso do meio eletrônico para a
realização da citação, esse ato processual poderá ser praticado segundo as regras gerais
para o procedimento documentado em autos de papel, digitalizando-se o documento,
que deverá ser posteriormente destruído.
Art. 329. A citação para audiência de conciliação, nos Juizados Especiais
Cíveis, deverá ser efetuada com antecedência mínima de 20 (vinte) dias, sendo que no
Juizado Especial da Fazenda Pública o prazo é de 30 (trinta) dias.
Art. 330. Na intimação por telefone, o servidor responsável deverá certificar
qual o número chamado, o dia, o horário, a pessoa com quem falou e, em resumo, o teor
da comunicação e da respectiva resposta, além de outras informações pertinentes.
Art. 331. As intimações do Ministério Público e do representante da
Defensoria Pública serão efetuadas eletronicamente.
Art. 332. A sentença homologatória de acordo judicial ou extrajudicial
dispensa a intimação das partes e de seus patronos.
Art. 333. Prolatada sentença homologatória de acordo, e não sendo o caso de
se aguardar eventual cumprimento da transação, o processo deverá ser arquivado, com
as anotações devidas.
Art. 334. As intimações endereçadas aos advogados das partes, acerca dos atos
processuais, serão feitas pelo Diário da Justiça Eletrônico, salvo nos casos em que, por
lei, se exigir a intimação pessoal.
Art. 335. As certidões de decurso de prazo, de tempestividade das
manifestações das partes e de trânsito em julgado serão geradas automaticamente pelo
sistema informatizado.
§ 1º Na hipótese de falha no sistema, as certidões referidas no caput deste
artigo deverão ser geradas pela secretaria.
§ 2º Na obrigação de fazer, após certidão de trânsito em julgado, o gestor do
Juizado Especial da Fazenda Pública deverá intimar diretamente a parte para
cumprimento da sentença.

Seção IV
Da comunicação eletrônica dos grandes demandantes no âmbito dos Juizados
Especiais do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso

Art. 336. As instituições públicas ou privadas com maior número de demandas


no Estado de Mato Grosso deverão se cadastrar no serviço “cadastro de pessoa
jurídica”, disponibilizado no aplicativo ClickJud-MT, para efeito de recebimento de
citações e intimações, as quais serão efetuadas exclusivamente pela via eletrônica, salvo
expressa determinação judicial para utilização de outro meio de citação ou intimação.
§ 1º Os magistrados poderão solicitar o cadastro de empresas, ainda que não
estejam relacionadas na lista das maiores demandadas do Estado, para que sejam citadas
e intimadas eletronicamente.
§ 2º Em caso de inviabilidade técnica no uso do meio eletrônico, devidamente
justificada, esses atos processuais poderão ser praticados pelos meios tradicionais,
sendo posteriormente efetuada a digitalização.
Art. 337. As empresas devem manter seus cadastros atualizados por meio do
aplicativo ClickJud-MT.
§ 1º A empresa deverá cadastrar o seu CNPJ, nome da empresa, endereço,
telefone e e-mail, além de todos os seus CNPJs, por meio do formulário de solicitação
de acesso, na aba “CNPJs vinculados”, e anexar, ao final, o ato constitutivo da pessoa
jurídica.
§ 2º Para centralização do recebimento de notificações de citações e intimações
eletrônicas, a empresa poderá informar os dados pessoais de um preposto e os CNPJs ao
qual este ficará vinculado, devendo, para tanto, anexar carta de preposto ou procuração
devidamente assinada.
§ 3º A empresa poderá informar, em seus respectivos CNPJs, mais de um
preposto desde que esses representantes não coincidam.
§ 4º São informações obrigatórias para cadastro do preposto: nome, CPF, e-
mail e telefone, ressaltando-se que o representante cadastrado deverá possuir certificado
digital vinculado ao CPF.
§ 5º Fica sob a responsabilidade da empresa manter atualizadas as informações
indicadas no § 4º deste artigo em caso de qualquer alteração nos dados fornecidos
inicialmente.
Art. 338. Em caráter informativo, poderá ser efetivada remessa de
correspondência eletrônica comunicando o envio da citação e intimação às empresas
que fornecerem e-mail corretamente.
Parágrafo único. Também serão encaminhadas as intimações para o endereço
eletrônico dos advogados devidamente habilitados no processo.
Art. 339. No momento da distribuição da inicial, quando a parte possuir
endereço eletrônico, este deverá ser cadastrado para envio das comunicações dos atos
processuais.

Seção V
Da conciliação

Art. 340. Não obtida a conciliação, constará do termo de audiência que a


contestação deverá ser apresentada no prazo de 5 (cinco) dias, a contar da audiência de
conciliação, sob pena de revelia.
Art. 341. Constará no termo de audiência que o prazo para impugnar a
contestação e os documentos nela acostados será de 5 (cinco) dias a partir do término do
prazo para apresentação da defesa.
Art. 342. Após juntar o termo de audiência, o conciliador remeterá os autos
conclusos para sentença, sendo desnecessária a permanência do processo na secretaria
para aguardar o decurso dos prazos de contestação e impugnação.
Art. 343. Registrados, autuados e cadastrados no sistema, os acordos serão
levados à homologação do magistrado, dispensando-se a intimação das partes e de seus
patronos e arquivando-se, em seguida, com as baixas respectivas.
Seção VI
Da gravação das audiências

Art. 344. Fica instituído o sistema de gravação das audiências de instrução nos
Juizados Especiais, por meio de registro fonográfico ou audiovisual.
Art. 345. Serão gravados os depoimentos das partes, das testemunhas, dos
peritos, dos assistentes técnicos e outros necessários à instrução processual.
Art. 346. Os atos essenciais, bem como as conclusões das sentenças e decisões
serão registrados pelo sistema de informática, consignando-se no termo respectivo o
nome das pessoas ouvidas através das gravações.
Art. 347. Se qualquer causa impeditiva da gravação ocorrer no curso da
audiência, os depoimentos serão colhidos pelo sistema de digitação.

Seção VII
Das custas recursais e do processo

Art. 348. As custas processuais nos Juizados Especiais serão calculadas


conforme tabela de custas do foro judicial, devidas nas seguintes hipóteses:
I - no preparo do recurso inominado, que compreenderá todas as despesas,
inclusive as dispensadas em primeiro grau;
II - na extinção do processo motivada pelo não comparecimento do autor;
III - quando reconhecida a litigância de má-fé, no processo de conhecimento
e/ou na execução;
IV - quando os embargos do devedor forem julgados improcedentes;
V - quando se tratar de execução de sentença que tenha sido objeto de recurso
desprovido do devedor.
Art. 349. Todas as custas devidas no processo deverão ser recolhidas, por
ocasião do preparo, em nome do Funajuris, mediante guia de recolhimento.
Art. 350. O recorrente deverá recolher as custas processuais em instituição
bancária, por meio de guia de recolhimento emitida pela internet, nas 48 (quarenta e
oito) horas após a distribuição do processo ou a interposição do recurso, sob pena de
deserção.
Parágrafo único. Os processos virtuais que tramitam no Projudi e no PJe
dispensam o cumprimento e o pagamento das custas dos Cartórios não Oficializados
referentes ao item 1 da Tabela D da Lei n. 7.603/2001, que dispõe sobre os atos de
averbação, retificação, cancelamento ou anotação no Livro de Distribuição, bem como
do ato de distribuição contido no item 5 da Tabela D da referida lei.
Art. 351. Nos recursos cíveis inominados, a base de cálculo para o preparo será
o valor equivalente à pretensão do recorrente.
Art. 352. Se totalmente provido o recurso, após o trânsito em julgado da
decisão, caso haja requerimento do recorrente, o valor do preparo será devolvido.
§ 1º O Juiz Diretor do Foro deferirá o pedido de restituição do valor do preparo
nos próprios autos em que o recurso foi integralmente provido.
§ 2º Após deferido o pedido, nos termos do § 1º deste artigo, será expedido
ofício ao Departamento de Controle e Arrecadação – DCA para efetuar a restituição,
informando o nome do recorrente, seu CPF ou CNPJ, o número da conta corrente, o
prefixo da agência e o banco em que deverá ser creditado o valor a ser restituído.
§ 3º O ofício previsto no § 2º deste artigo deverá ser instruído com cópias dos
seguintes documentos:
I – acordão;
II – pedido de restituição do valor do preparo;
III – despacho que deferiu a devolução;
IV – guias de recolhimento.
§ 4º Se houve pedido de crédito do valor do preparo na conta corrente do
advogado, o ofício previsto no § 2º deste artigo deverá ser instruído, também, com cópia
do instrumento de procuração com poderes para receber e dar quitação.
Art. 353. Se o recurso inominado não for recebido pelo juízo a quo ou não for
conhecido pelo juízo ad quem, em razão da deserção ou intempestividade, o valor do
preparo não será restituído.

Seção VIII
Do arquivamento

Art. 354. Transitada em julgado a sentença e decorridos 15 (quinze) dias sem a


manifestação da parte vencedora expressando o desejo de executá-la, os autos serão
arquivados.

CAPÍTULO V
DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL
Seção I
Disposições Gerais

Art. 355. A baixa do termo circunstanciado à delegacia de polícia de origem


será registrada no sistema informatizado de acompanhamento processual.
Art. 356. A secretaria informará imediatamente ao magistrado o escoamento
do prazo concedido para a realização de diligência pela autoridade policial, bem como
para o pronunciamento do Ministério Público.
Art. 357. Dependerá de decisão judicial a remessa do procedimento a outro
juízo, comunicando-se ao distribuidor.

Seção II
Da Audiência Preliminar

Art. 358. A audiência preliminar poderá ser conduzida por conciliador, sob
supervisão do magistrado togado, sendo obrigatória a intimação prévia do Ministério
Público.
Art. 359. O gestor judiciário providenciará, desde logo, independentemente de
despacho do magistrado, a requisição de antecedentes e a certificação das circunstâncias
de que tratam os incisos I e II do § 2º do art. 76 da Lei n. 9.099/1995, antes da remessa
dos autos ao Ministério Público.

Seção III
Da citação e da intimação

Art. 360. No caso de o acusado não ser encontrado para ser citado, antes da
remessa dos autos ao juízo comum para os devidos fins, é recomendável que o
magistrado solicite informações à Justiça Eleitoral, utilizando-se do Sistema de
Informações Eleitorais - Siel e da Receita Federal, tão somente por intermédio do
Sistema Infojud, buscando o endereço do autor do fato, salvo se verificar, de plano, que
tais medidas serão infrutíferas.
Parágrafo único. A busca de informação por qualquer outro sistema será
efetivada por quem o requerer, salvo se protegida por reserva de jurisdição.
Seção IV
Das comunicações pela secretaria

Art. 361. Aos institutos de identificação serão comunicados o recebimento da


denúncia ou queixa-crime e, após o trânsito em julgado da decisão, o arquivamento, a
condenação ou a absolvição do réu e a extinção da punibilidade, com a sua respectiva
motivação.
Parágrafo único. No caso de condenação transitada em julgado, o fato será
comunicado ao Tribunal Regional Eleitoral – TRE, via Sistema de Informações de
Óbitos e Direitos Políticos – Infodip, e à Vara de Execuções Penais.

Seção V
Do cumprimento de atos ordinatórios pelos gestores dos Juizados Especiais
Criminais

Art. 362. Serão distribuídos e registrados os termos circunstanciados, as


queixas-crime e os procedimentos criminais diversos, antes de levados à conclusão.

Seção VI
Do aditamento à denúncia

Art. 363. Todo aditamento à denúncia deve ser observado pelo gestor
judiciário e submetido à imediata apreciação judicial.
Parágrafo único. Recebido o aditamento, as alterações provenientes serão
imediatamente anotadas no sistema informatizado.

Seção VII
Dos apensos e dos autos em apartado

Art. 364. Deverão ser processados, sempre, em autos apartados:


I - as exceções previstas no art. 95 do Código de Processo Penal:
a) de suspeição;
b) de incompetência do juízo;
c) de ilegitimidade de parte;
d) de coisa julgada;
II - o incidente de restituição de coisa apreendida, quando duvidoso o direito do
requerente, nos termos do art. 120 do Código de Processo Penal;
III - o incidente de falsidade, nos termos do art. 145 do Código de Processo
Penal;
IV - o incidente de insanidade mental, nos termos do art. 153 do Código de
Processo Penal.
§ 1º Qualquer procedimento apenso terá a seguinte menção: “Este processo é
parte integrante dos autos da Ação Penal n....”.
§ 2º Serão desapensados e arquivados os autos de recurso em sentido estrito,
arbitramento de fiança, liberdade provisória, restituições, dentre outros já julgados,
certificando-se o fato nos autos principais e trasladando-se para eles a decisão prolatada
nos autos incidentais.
§ 3º Os autos em apenso serão baixados e arquivados sempre que contiverem
decisão transitada em julgado, da qual se trasladará cópia para os autos principais,
certificando-se o seu arquivamento com o respectivo número do maço.

Seção VIII
Do depósito e da guarda de armas e objetos apreendidos

Art. 365. Após a certidão do registro da ação penal, o gestor judiciário


verificará a existência de armas e objetos apreendidos que não foram devolvidos às
vítimas nem encaminhados ao setor de depósito; se houver, deverá remetê-los.
§ 1º O setor de depósito, ao receber as armas e objetos apreendidos, deverá
registrá-los em sistema próprio, vinculando-os aos feitos em andamento, e guardá-los
em local seguro.
§ 2º O bem apreendido e não encaminhado ao juízo terá a remessa solicitada,
independentemente de despacho judicial; não sendo atendida a solicitação, o gestor
judiciário certificará a respeito e fará os autos conclusos.
§ 3º As armas, os instrumentos e os objetos mencionados receberão etiquetas,
nas quais constarão as seguintes informações:
I - a vara à qual foram distribuídos;
II - o número dos autos do procedimento criminal;
III - o nome do imputado e da vítima (se constantes);
IV - a unidade policial de origem;
V - o número dos autos de investigação.
Seção IX
Expediente emitido

Art. 366. Aplicam-se ao gestor judiciário que atua no Juizado Especial


Criminal as mesmas autorizações e vedações previstas no art. 36 deste Código.

Seção X
Das comunicações pela secretaria

Art. 367. Caberá ao gestor judiciário encaminhar à Central de Distribuição, se


houver; ao Instituto de Identificação do Estado, bem como a seu correspondente no
âmbito federal; e à delegacia de polícia de onde proveio o procedimento inquisitorial,
com certidão nos respectivos autos, as seguintes comunicações:
I - arquivamento do inquérito policial;
II - decisão de recebimento da denúncia ou da queixa-crime e eventual
aditamento destas;
III - suspensão condicional do processo;
IV - trânsito em julgado da decisão da extinção da punibilidade, da condenação
ou da absolvição;
V - extinção da pena com decisão transitada em julgado.
§ 1º O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, até o dia 15 (quinze) de
cada mês, via Sistema Infodip, em cumprimento ao disposto no inciso III do art. 15 da
Constituição Federal, será comunicado a respeito das sentenças condenatórias
definitivas, fornecendo-se também, em relação a cada condenado, individualmente, a
qualificação completa, os dados a respeito do título de eleitor, a classificação do crime,
as datas da sentença e da sua irrecorribilidade.
§ 2º A Central de Distribuição, se houver, será comunicada a respeito da
revogação da suspensão condicional da pena e dos incidentes processuais, devendo ser
informados também a completa qualificação do condenado, os dados dos títulos de
eleitor, a classificação do crime, as datas da sentença e de seu trânsito em julgado, com
certificação nos respectivos autos.

Seção XI
Da fiança
Art. 368. O depósito do valor da fiança, registrado no sistema próprio e
lavrado no respectivo termo, deve ser certificado nos autos e imediatamente depositado
na conta judicial do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso.
§ 1º Decretada a perda ou a quebra da fiança, deduzidos as custas e os encargos
a que for o réu obrigado, o restante do valor será recolhido ao Fundo Penitenciário do
Estado do Mato Grosso – Funpen/MT, conforme previsto no inciso XIII do art. 2º da
Lei Complementar n. 498/2013.
§ 2º Não havendo perda nem quebra da fiança, deduzidas as despesas a que foi
obrigado o afiançado, o valor será a este devolvido, mediante alvará de levantamento a
ser cumprido na forma do art. 347 do Código de Processo Penal.
§ 3º Efetivada a intimação do afiançado ou de seu advogado e decorrido o
prazo de 30 (trinta) dias sem manifestação, o valor será destinado ao Funpen/MT.

Seção XII
Das intimações

Art. 369. Independe de determinação judicial a intimação de atos de que


devam tomar conhecimento:
I - o acusado e seu defensor;
II - o advogado do querelante;
III - o Ministério Público;
IV - o assistente de acusação, quando habilitado e admitido no processo;
V - demais interessados.
§ 1º A parte, independentemente de determinação judicial, deverá ser intimada
para falar sobre a testemunha não encontrada que por ela tenha sido arrolada.
§ 2º O gestor judiciário deve intimar da sentença condenatória,
necessariamente, o Ministério Público, o réu e, posteriormente, o defensor, seja
constituído, dativo ou defensor público, correndo o prazo processual do último ato,
observadas as regras do art. 392 do Código de Processo Penal.
§ 3º Em se tratando de sentença absolutória, o gestor deverá intimar o
Ministério Público e a defesa.
§ 4º Procurado o réu para intimação da sentença, via oficial de justiça, e
restando a diligência negativa, o gestor judiciário deverá expedir edital de intimação, no
qual deverá constar o nome do réu, o prazo, as disposições de lei e as penas aplicadas
(se for o caso), o regime de cumprimento e o conteúdo sucinto da sentença.
§ 5º A intimação do querelante ou do assistente de acusação deve ser pessoal
ou ao advogado, somente sendo permitida a intimação editalícia, com prazo de 10 (dez)
dias, se não forem aqueles encontrados, nos termos do art. 391 do Código de Processo
Penal.

Seção XIII
Dos prazos

Art. 370. O cumprimento dos atos previstos em lei ou ordenados no processo


se dará em 2 (dois) dias, conforme dispõe o art. 799 do Código de Processo Penal, salvo
quando houver determinação judicial diversa.

Seção XIV
Da sentença

Art. 371. O gestor judiciário deverá certificar, separadamente, o trânsito em


julgado da sentença ao Ministério Público, ao assistente da acusação, à defesa e ao réu.
§ 1º Expedida a guia de execução definitiva, o gestor judiciário deverá
proceder às comunicações devidas, acerca da condenação, ao Instituto Nacional de
Identificação – INI, ao Tribunal Regional Eleitoral – TRE, via Sistema Infodip, e à
Central de Distribuição.
§ 2º Caso seja verificada a existência de armas, objetos e veículos apreendidos
sem destinação na sentença, o gestor deverá remeter os autos conclusos para que o
magistrado decida sobre a devida destinação; depois de cumpridas as formalidades,
remeterá os autos ao arquivo definitivo.
§ 3º Após a extinção da punibilidade pelo cumprimento da pena ou pela
prescrição executória, a Vara de Execuções Penais procederá às comunicações devidas
ao Instituto Nacional de Identificação – INI, ao Tribunal Regional Eleitoral – TRE, via
Sistema Infodip, e à Central de Distribuição acerca da extinção da punibilidade e
remeterá a guia de execução penal ao arquivo definitivo.
§ 4º Nos processos suspensos com fundamento no art. 366 do Código de
Processo Penal, enquanto não encontrado o réu, os autos serão encaminhados ao
arquivo provisório, sem baixa na distribuição.
§ 5º Com a eventual localização do réu ou o transcurso do prazo da prescrição
da pretensão punitiva in abstrato, nos termos do art. 109 do Código Penal, cessará a
suspensão e os autos serão conclusos ao magistrado.
§ 6º Nos processos sentenciados com pena a ser cumprida em regime fechado e
estando o réu foragido ou em lugar incerto, expedido o mandado de prisão, deverá o
gestor judiciário:
I - proceder ao cálculo prescricional;
II - agendar o cálculo prescricional no sistema informatizado de
acompanhamento processual através de lembrete;
III - remeter os autos ao arquivo provisório;
IV – encaminhar os autos conclusos para sentença, depois do decurso do prazo
prescricional sem a captura do réu.

Seção XV
Guias de execução penal

Art. 372. Transitada em julgado a sentença condenatória, qualquer que tenha


sido a pena ou medida de segurança imposta, será extraída guia de recolhimento ou de
internação, que deverá ser acompanhada de cópia da denúncia, da sentença com certidão
do trânsito em julgado e outras peças indispensáveis, com remessa à Central de
Distribuição.
Parágrafo único. Expedida a guia, uma cópia deverá ser juntada aos autos,
com certificação da remessa à Central de Distribuição; após, os autos deverão ser
arquivados, com as devidas baixas processuais.

Seção XVI
Dos alvarás de soltura

Art. 373. Os alvarás de soltura serão expedidos no sistema BNMP – Banco


Nacional de Monitoramento de Prisões, ou outro que o substituir, e encaminhados por
meio eletrônico para cumprimento.

Seção XVII
Arquivo ou remessa de autos a outro juízo
Art. 374. No caso de arquivamento ou remessa de autos a outro juízo, o gestor
judiciário providenciará as baixas processuais.

Seção XVIII
Das custas

Art. 375. Adota-se a cobrança das custas de distribuição com relação às ações
penais de iniciativa privada no âmbito dos Juizados Especiais, com base nos valores
descritos na Tabela B, item 1, da Lei n. 7.603/2001.
Parágrafo único. A cobrança de preparo de recurso criminal interposto na
Turma Recursal será feita de acordo com os valores previstos na Tabela A, item 1, da
Lei n. 7.603/2001.

CAPÍTULO VI
DO OFÍCIO DE JUSTIÇA CRIMINAL

Seção I
Disposições gerais

Art. 376. O ofício de justiça comunicará ao Instituto de Identificação do


Estado de Mato Grosso, para as anotações cabíveis, juntamente com a qualificação
completa do acusado:
I - o recebimento ou rejeição da denúncia ou da queixa;
II - o aditamento da denúncia;
III - a inclusão, nas denúncias, de pessoas não indiciadas nos inquéritos
policiais e nos autos de prisão em flagrante delito;
IV - a não inclusão, nas denúncias, de pessoas indiciadas nos inquéritos
policiais e nos autos de prisão em flagrante delito;
V - o desfecho do inquérito ou da ação penal;
VI - a suspensão do processo, nos termos do art. 366 do Código de Processo
Penal;
VII - a homologação de transação realizada no Juizado Especial Criminal, para
o fim de cumprir o disposto no inciso II do § 2º do art. 76 da Lei n. 9.099/1995, bem
como o seu desfecho;
VIII - a suspensão do processo, a revogação ou a extinção da punibilidade,
previstas no art. 89 da Lei n. 9.099/1995;
IX - o cumprimento do mandado de prisão, quando esta se der no ato da
audiência admonitória;
X - a prisão informada pelo juízo do cumprimento do mandado de prisão, nos
termos do § 3º do art. 289-A do Código de Processo Penal, na hipótese da deprecação
prevista no art. 289 do Código de Processo Penal;
XI - a homologação de acordo de não persecução penal.
§ 1º As comunicações serão individualizadas, referindo-se a cada acusado
isoladamente.
§ 2º A comunicação referida no inciso I deste artigo poderá, se for o caso, ser
substituída pelo ofício de requisição da folha de antecedentes dirigido ao Instituto de
Identificação do Estado de Mato Grosso, que contém os mesmos dados a respeito do réu
e da ação penal.
§ 3º A comunicação referida no inciso VII deste artigo somente constará na
folha de antecedentes judicialmente requisitada, mantendo-se a sua exclusão nas
certidões expedidas para efeitos civis.
Art. 377. O gestor judiciário comunicará a ocorrência de prisão e citação do
réu, por processo em trâmite na unidade judiciária, em curso ou suspenso nos termos do
art. 366 do Código de Processo Penal, a outros ofícios de justiça que também possuam
processos em andamento contra o mesmo acusado.
Parágrafo único. Os juízos com processos em andamento que receberem a
comunicação de novos antecedentes deverão comunicar esse fato imediatamente ao
Juízo da Execução competente, para as providências cabíveis.
Art. 378. Das sentenças condenatórias prolatadas em processos criminais com
trânsito em julgado, serão extraídas cópias para encaminhamento às vítimas ou, sendo o
caso, aos familiares, via correio ou qualquer outro meio eletrônico.

Seção II
Da suspensão do processo

Art. 379. Em processo com mais de um réu, no qual foi determinada a


suspensão para um deles, nos termos do art. 366 do Código de Processo Penal, o ofício
de justiça providenciará, se houver necessidade, o desmembramento do feito.
Art. 380. A fim de buscar o paradeiro de réu cujo processo está suspenso nos
termos do art. 366 do Código de Processo Penal, o ofício de justiça, no mês de fevereiro
de cada ano, deve efetivar busca pelo endereço do réu nos sistemas informatizados, só
desarquivando o processo caso seja localizado para citação.

Seção III
Expediente emitido

Art. 381. Aplicam-se ao gestor judiciário que atua no Ofício de Justiça


Criminal as mesmas autorizações e vedações previstas no art. 36 deste Código.

Seção IV
Expediente recebido

Art. 382. O gestor judiciário, ou o servidor encarregado do expediente, poderá


abrir a correspondência dirigida ao magistrado, desde que não haja ressalva de
“confidencial” ou equivalente.
§ 1º Nas correspondências referentes a processos ou procedimentos diversos
que tramitam na secretaria da unidade judiciária, deverá o servidor responsável indicar
no respectivo documento o horário e a data do seu recebimento, para posterior juntada
aos autos, se for o caso, ou, então, encaminhá-lo ao magistrado para as devidas
providências.
§ 2º Os ofícios solicitando informações em casos de habeas corpus ou
expedientes diversos que se relacionam com providências urgentes deverão:
I – se os autos estiverem na secretaria, ser juntados imediatamente para o
devido atendimento;
II - se os autos estiverem conclusos, ser encaminhados imediatamente ao
magistrado para as devidas providências.

Seção V
Citação

Art. 383. Havendo disponibilidade de equipamentos eletrônicos e de


funcionários aptos a operá-los, tanto nas dependências dos fóruns, como nas unidades
prisionais, a citação e a intimação de réu que estiver preso poderá ser realizada por
videoconferência, salvo determinação em contrário do magistrado que preside o
processo.
Parágrafo único. Na citação e intimação por videoconferência deverão ser
rigorosamente observadas as formalidades previstas no Código de Processo Penal.
Art. 384. Esgotados os meios disponíveis para a localização do réu ou do
querelado, o que deverá ser certificado com clareza pelo oficial de justiça, o Ministério
Público e a defesa, independentemente de despacho, serão cientificados da negativa e
intimados pelo gestor judiciário a se manifestarem nos autos antes da citação editalícia.
§ 1º É reservado ao Ministério Público valer-se do direito de requisição para
obtenção do paradeiro do réu.
§ 2º Determinada a citação editalícia, o edital será afixado no lugar de costume
e publicado no Diário da Justiça Eletrônico – DJE, devendo ser certificada a sua
afixação e publicação.

Seção VI
Das intimações e das notificações em geral

Art. 385. Independe de determinação judicial a intimação ou a notificação das


partes e dos interessados em relação aos atos de que devam tomar conhecimento.
§ 1º A intimação ou notificação das partes poderá ser feita pessoalmente pelo
gestor judiciário, por mandado ou por publicação no DJE, por meio de relação
numerada sequencialmente, constando dela a natureza da ação, o número do registro do
processo, os nomes das partes, os nomes dos advogados e o objeto da intimação ou
notificação, com o conteúdo reduzido para conhecimento aos advogados.
§ 2º Os defensores dativos nomeados para réus que não constituíram
advogados poderão optar pela forma de intimação de todos os atos e termos da ação
penal via DJE, mediante pedido expresso nos autos.
§ 3º A intimação ou notificação do Ministério Público será pessoal.
§ 4º Sendo a parte representada por defensor público ou dativo, a intimação ou
notificação de todos os atos processuais será feita pessoalmente pelo gestor judiciário
ou por mandado, salvo se o profissional declarar expressamente que aceita a intimação
via DJE.
§ 5º Nos casos de medidas protetivas de urgência previstas na Lei n.
11.340/2006, a decisão que deferir ou indeferir a medida requerida poderá servir como
mandado, desde que presentes os requisitos mínimos para seu cumprimento.
Seção VII
Da movimentação dos processos

Art. 386. O gestor judiciário ou o servidor responsável, independentemente de


despacho judicial, deverá adotar as seguintes providências:
I - juntar petições, ofícios, laudos, certidões, folhas de antecedentes, precatórias
e rogatórias devolvidas e desavolumadas e documentos outros relacionados aos autos
que forem entregues na secretaria;
II - intimar as partes e interessados dos atos de que devam tomar
conhecimento;
III - intimar as partes para que se manifestem sobre documentos juntados em
qualquer fase do processo, bem como sobre a testemunha não encontrada e que por elas
tenha sido arrolada;
IV - dar vista às partes da carta precatória ou rogatória, depois das alegações
finais e antes da sentença, se cumprido o ato deprecado;
V - intimar as partes no caso de expedição de carta precatória, indicando a
finalidade deprecada;
VI - solicitar a devolução de mandado de prisão, independentemente de
cumprimento, em caso de revogação da prisão, de sentença absolutória e de extinção da
punibilidade;
VII - solicitar informações do juízo deprecado sobre o cumprimento de carta
precatória;
VIII - solicitar laudos e assemelhados, desde que requeridos nos autos;
IX - intimar o signatário de petição não assinada para firmá-la no prazo de 5
(cinco) dias, incluindo-se as denúncias, as queixas-crime e os atos expedidos pelos
servidores, sendo os autos encaminhados ao Ministério Público e à Defensoria Pública
com carga;
X - atender imediatamente os pedidos de certidões criminais ou informações a
respeito da situação processual de indiciados, denunciados, réus ou querelados;
XI - intimar a parte para recolher custas judiciais, inclusive as remanescentes;
XII - intimar a parte para esclarecer divergência entre a qualificação constante
da petição e a dos documentos que a instruem ou em relação aos dados já constantes do
processo, incluindo-se as denúncias e queixas-crime; esclarecidas as divergências, os
autos serão encaminhados conclusos ao magistrado para conhecimento e decisão,
inclusive quanto à necessidade de aditamento da denúncia ou queixa-crime;
XIII - intimar o querelante para fornecer cópias da queixa-crime em número
suficiente para a citação dos querelados;
XIV - reiterar a expedição de citação, intimação, notificação e determinações
diversas do magistrado, por mandado, carta precatória ou ofício, quando indicado novo
endereço, observando-se, no caso de audiência, a possibilidade de aproveitamento da
mesma designação;
XV - abrir vista ao Ministério Público, após a juntada de pedidos de liberdade
provisória, relaxamento de flagrante ou restituição de bens, para a sua devida
intervenção, zelando pelo cumprimento de prazo;
XVI - recebido o recurso, com a juntada das razões nos autos, intimar a parte
adversa para apresentação de contrarrazões.
§ 1º Nos casos em que, dada vista às partes para se manifestarem sobre
testemunhas não localizadas, houver a desistência da inquirição destas, o gestor
judiciário abrirá vista para as diligências, nos termos do art. 499 do Código de Processo
Penal; se nada for requerido ou se forem atendidas as diligências na fase própria, o
gestor judiciário abrirá vista às partes para as alegações escritas;
§ 2º Deferidas as diligências que forem requeridas na fase própria e aguardado
o prazo de 5 (cinco) dias, em relação aos réus soltos, e de 3 (três) dias, em relação aos
presos, se outro não for fixado para o seu cumprimento, o gestor judiciário, em não
sendo atendidas as diligências, fará os autos conclusos ao magistrado, para
conhecimento e decisão.

Seção VIII
Dos procedimentos inquisitoriais

Art. 387. Os inquéritos policiais, as peças informativas e os procedimentos


instaurados para o exercício da ação penal privada serão lançados no sistema eletrônico
de acordo com o Sistema de Gestão de Tabelas Processuais Unificadas do Conselho
Nacional de Justiça.
§ 1º Antes do oferecimento da denúncia, o inquérito policial e/ou outras peças
informativas não deverão ser reautuados, nem serão computados nos relatórios
estatísticos, devendo, no entanto, ser devidamente virtualizados, distribuídos e incluídos
no sistema PJe.
§ 2º Assim que distribuídos às unidades judiciárias competentes, os inquéritos
policiais deverão, independentemente de prévio despacho, ser encaminhados ao
Ministério Público.
§ 3º Com a denúncia ou com o pedido que se encontre sob reserva de
jurisdição, os autos de inquérito policial serão encaminhados à apreciação judicial.
§ 4º O inquérito policial, em caso de réu preso, se o Ministério Público
requerer diligência ou deixar transcorrer o prazo do art. 46 do Código de Processo Penal
sem nenhuma manifestação, deverá ser imediatamente concluso.
§ 5º Os inquéritos policiais relatados ou por ocasião do primeiro pedido de
dilação de prazo, oriundos da Polícia Judiciária Civil ou da Polícia Federal, serão
enviados à distribuição criminal, visando ao registro de procedimento investigatório e
prevenção do juízo, procedendo a Central de Distribuição ao encaminhamento à
secretaria da unidade judiciária para o qual ocorrer a distribuição, devendo o gestor
judiciário responsável remeter ao Ministério Público os autos, independentemente de
despacho inicial da autoridade judiciária, mediante carga.
§ 6º Os instrumentos e objetos que acompanharem os inquéritos policiais, com
ressalva das armas de fogo, ficarão à disposição do Juízo Criminal desde o momento do
seu registro e distribuição pela Central de Distribuição ou pela unidade judiciária
criminal.
§ 7º Após a providência inicial de registro, a tramitação dos inquéritos policiais
ocorrerá entre o Ministério Público e as Delegacias de Polícia, entre o Ministério
Público e a Corregedoria-Geral da Polícia Judiciária Civil ou entre o Ministério Público
e a Superintendência da Polícia Federal.
§ 8º Ocorrendo representação da autoridade policial pela decretação da prisão
temporária, no interesse do inquérito policial já instaurado, atendendo ao princípio da
celeridade, o pedido poderá ser encaminhado ao juízo competente, acompanhado do
prévio parecer do Ministério Público.
Art. 388. Os inquéritos policiais, os autos de prisão em flagrante e outras peças
informativas somente serão distribuídos aos juízos criminais mediante utilização das
Tabelas Processuais Unificadas do Conselho Nacional de Justiça, quando houver:
I - inquérito instaurado a pedido do ofendido ou de seu representante legal,
para instruir ação penal privada, que deva aguardar, em juízo, a iniciativa da parte
interessada, conforme art. 19 do Código de Processo Penal;
II - comunicação de prisão em flagrante, com os respectivos autos;
III - denúncia ou queixa;
IV - pedido de arquivamento formulado pelo Ministério Público;
V - medidas cautelares, tais como busca e apreensão, sequestro, quebra de
sigilo bancário ou telefônico, dentre outras previstas na legislação.
Parágrafo único. Nas hipóteses descritas no caput, o gestor judiciário da
unidade judiciária criminal ou do juízo com atribuição criminal, ao receber, pela
primeira vez, autos de inquérito policial, peças informativas, requerimentos ou mesmo
notitia criminis, remetê-los-á, imediatamente, ao magistrado competente.
Art. 389. As pessoas envolvidas nos fatos referidos nas peças informativas,
para fins de certidão, serão reputadas interessadas e, nessa condição, mencionadas.
Art. 390. Deverá ser certificado nos autos do inquérito policial o recebimento
de armas e objetos apreendidos.
§ 1º É proibida a cautela de armas apreendidas, devendo o depósito e sua
guarda ser feitos na forma legal, sendo recomendada, desde que possível, a remessa
imediata delas ao Comando da Região Militar a que está vinculado, nos termos da Lei
n. 10.826/2003, excluídos, em qualquer hipótese, os “Tiros de Guerra” e as “Delegacias
do Serviço Militar”.
§ 2º Quando da remessa de armas de fogo, acessórios ou munições ao
Comando do Exército mais próximo, em Cuiabá, Cáceres e Rondonópolis, deverá ser
confeccionada a respectiva relação e enviada por ofício do juízo, por oficial de justiça
acompanhado de policial militar, requisitado com antecedência; sendo a retirada e o
transporte realizados diretamente pelo Exército, a relação de armas, acessórios ou
munições será recebida pela autoridade responsável.
§ 3º As armas de fogo, os acessórios ou as munições deverão ser embaladas e
lacradas de forma a garantir a segurança no transporte e encaminhadas por ofício que,
depois de recebido pela autoridade competente, será devolvido no juízo pelo oficial de
justiça responsável.
§ 4º Nas comarcas em que houver seção de depósito, as providências
determinadas nos §§ 1º, 2º e 3º competirão ao respectivo magistrado supervisor, após
comunicação do juízo do processo acerca da definitiva disponibilidade das armas
apreendidas.
Art. 391. Decorrido o prazo para conclusão do inquérito ou para a realização
de diligência pela autoridade policial, assim como para a manifestação do representante
do Ministério Público ou do interessado, inclusive em procedimentos investigatórios, o
gestor judiciário informará tal fato imediatamente ao magistrado e providenciará ofício
de cobrança dos autos, que deve ser assinado pelo magistrado, no qual será fixado prazo
exíguo.
Art. 392. O arquivamento de inquérito policial, após a decisão de homologação
pela instância revisora, deverá ser anotado no sistema em que ocorreu a sua distribuição
inicial e comunicado aos institutos de identificação estadual e federal.

Seção IX
Das cartas precatórias

Art. 393. A carta precatória será instruída com as peças necessárias à boa
realização do ato, dela devendo constar o nome de todos os acusados ou querelados.
Art. 394. A carta precatória deve ser instruída, de acordo com seu objeto, com
as seguintes peças:
I - tendo por objeto a citação, deve, obrigatoriamente, ser instruída com cópia
da denúncia ou queixa-crime;
II - tendo por objeto o interrogatório, além da denúncia ou queixa-crime, é
imprescindível que ela seja instruída com a cópia do interrogatório policial;
III - tendo por objeto a inquirição de testemunhas, deverá, ainda, ser instruída
com cópia da defesa prévia, se houver, e do depoimento policial.
§ 1º Havendo mais de um réu, sendo as defesas conflitantes, será instruída
também com cópia do interrogatório de todos, com a advertência da necessidade de
nomeação de defensores distintos.
§ 2º Deverá ser informado por quem foram arroladas as testemunhas, se pela
acusação ou pela defesa, e, no caso de haver mais de um réu, por qual deles.
Art. 395. A carta precatória recebida e destinada à realização de prova
testemunhal, especialmente se provinda de outro Estado, depois de comunicada ao juízo
deprecante a data designada para a diligência solicitada, será cumprida na presença de
defensor nomeado para a defesa do réu, caso deixe de comparecer o advogado por ele
constituído.
Art. 396. É proibida a entrega de cartas precatórias criminais diretamente aos
defensores constituídos, devendo a devolução ser feita à comarca de origem, por
intermédio dos meios oficiais.

Seção X
Das regras gerais do procedimento

Art. 397. Ao receber a denúncia ou a queixa-crime, o magistrado, além das


providências previstas no Código de Processo Penal e/ou em legislação específica, deve
determinar:
I - a comunicação do recebimento da denúncia ou da queixa-crime ao
Distribuidor, ao Instituto de Identificação e, quando for o caso, à Delegacia de Polícia
de onde se originou o inquérito policial, bem como a alimentação do banco de dados do
Sistema Nacional de Informações Criminais – Sinic;
II - a solicitação de informações sobre os antecedentes do acusado ou
querelado ao juízo do lugar de sua residência, à Superintendência do Sistema Prisional
do Estado, às Varas de Execuções Penais e ao Instituto de Identificação do Estado,
assim como a realização de consulta no Sistema Nacional de Informações Criminais –
Sinic, desde que o Ministério Público ou o querelante comprovem que efetivaram as
solicitações e não obtiveram resposta.
§ 1º O mandado será acompanhado de cópia da denúncia ou da queixa-crime.
§ 2º No mandado de citação deve constar a obrigatoriedade de o oficial de
justiça indagar ao acusado se ele pretende constituir advogado ou se o magistrado deve
lhe nomear um defensor público ou dativo para patrocinar sua defesa e, neste caso, as
razões pelas quais não tem a intenção de contratar defensor.
§ 3º O oficial de justiça, ao lavrar a certidão, além de certificar sobre a citação
do réu, deve mencionar se este informou se pretende ou não constituir advogado e, em
caso negativo, sempre que possível, os motivos pelos quais não tenciona contratar
defensor.

Seção XI
Da requisição de pessoas presas
Art. 398. As requisições de réus e as de testemunhas e/ou informantes deverão
ser feitas aos diretores de estabelecimentos penais ou aos delegados de polícia,
respectivamente, com antecedência mínima de 5 (cinco) dias, contados da data indicada
para a realização do ato processual ou administrativo.
Parágrafo único. A requisição será feita individualmente, oportunidade em
que esclarecer-se-á a respeito da imputação, na hipótese de ser o acusado aquele que
deverá participar dos atos acima mencionados.
Art. 399. Se houver decisão judicial que indique a periculosidade do preso,
esta deverá constar expressamente da requisição.
Art. 400. Se o magistrado entender que é impossível formular a requisição com
a antecedência mínima prevista no art. 398 deste Código, deverá efetuar a comunicação
com a presteza necessária, para se evitar o adiamento do ato sob o argumento da
exiguidade de tempo para sua realização na data prevista.

Seção XII
Dos atos do magistrado

Art. 401. Serão sempre assinados pelo magistrado:


I - os mandados de prisão;
II - os contramandados;
III - os alvarás de soltura;
IV - os salvos-condutos;
V - as requisições de réu preso;
VI - as guias de recolhimento, de internação ou de tratamento;
VII - os ofícios e alvarás para levantamento de depósito;
VIII - ofícios dirigidos a magistrados e demais autoridades constituídas.

Seção XIII
Da instrução processual

Art. 402. Na organização da pauta de audiências, deverá ser reservado um


período para os processos de réu preso, sendo aconselhável que, quando possível, não
sejam marcadas audiências no período matutino, reservando-o para outras atividades
jurisdicionais.
Parágrafo único. Apesar do disposto no caput deste artigo, a fim de se evitar
acúmulo de serviço ou a superação de prazos processuais, as audiências poderão ser
realizadas a partir das 8 (oito) horas.
Art. 403. Em audiência, será dada oportunidade às partes para, desde logo, se
pronunciarem a respeito de testemunha não encontrada; se houver insistência na
inquirição ou requerendo a substituição, deve-se designar, imediatamente, nova data
para a inquirição, intimando-se os presentes, devendo ser informado no ato, ou no prazo
legal, se for o caso, o novo endereço.
§ 1º Na designação de datas para as audiências, deve-se priorizar os processos
cuja prescrição esteja próxima.
§ 2º Salvo inconveniência decorrente do caso concreto, a ser aferida pelo
magistrado, o réu deve permanecer ao lado de seu defensor na tribuna de defesa, nas
audiências e sessões do Tribunal do Júri.
Art. 404. Se não se tratar de audiência em segredo de justiça, fica a critério do
magistrado facultar a presença de público ou familiares do acusado na sala de
audiências do fórum, vedado o acesso à sala do estabelecimento penal.
Art. 405. As audiências admonitórias e de justificação poderão se realizar por
videoconferência, ainda que não se trate das hipóteses previstas nos incisos I a IV do §
2º do art. 185 do Código de Processo Penal.
Art. 406. O poder de polícia das audiências será exercido pelo magistrado da
unidade judiciária competente, ainda que à distância.
Art. 407. Aplicam-se as disposições desta seção, no que couber, à oitiva de
testemunhas por videoconferência, respeitadas as normas do § 3º do art. 222 do Código
de Processo Penal e a Resolução n. 105, de 6 de abril de 2010, do Conselho Nacional de
Justiça.

Seção XIV
Da movimentação dos processos

Art. 408. Realizada a juntada das petições, os autos serão, de imediato,


levados à conclusão, se houver necessidade de apreciação ou de providências judiciais.
Art. 409. Nos casos em que a decisão a respeito de qualquer dessas medidas
estiver na dependência de manifestação do Ministério Público, caberá ao gestor
judiciário abrir vista dos autos ao presentante desse órgão, zelando pelo cumprimento
do prazo; após a apresentação da respectiva manifestação, deve o processo ser
encaminhado diretamente ao magistrado, caso contrário, o fato deve ser comunicado ao
magistrado para as providências cabíveis.
Art. 410. Realizadas as diligências consideradas imprescindíveis, nos termos
do parágrafo único do art. 404 do Código de Processo Penal, o gestor judiciário,
independentemente de despacho judicial, abrirá vista às partes para a apresentação das
alegações finais, por memoriais, no prazo sucessivo de 5 (cinco) dias.
Parágrafo único. A determinação de prazo diverso dependerá sempre de
despacho judicial.
Art. 411. O gestor judiciário deverá revisar mensalmente os processos para
verificar se alguma diligência se encontra pendente de cumprimento, fazendo-os
conclusos se o impulso depender do magistrado.
Art. 412. Salvo se a lei permitir ou o magistrado motivadamente o determinar,
nenhum processo, sob pena de responsabilidade do gestor judiciário, poderá ficar sem
movimentação na secretaria.

Seção XV
Das sentenças

Art. 413. A fixação do regime inicial de cumprimento da pena é obrigatória,


mesmo que o magistrado, desde logo, decida substituir a pena aplicada por restritiva de
direito, não sendo recomendado especificar o estabelecimento penal do Estado onde
dever-se-á executar a pena.
Art. 414. Havendo condenação criminal de servidor público ou de profissional
qualificado, a sentença deve conter disposição expressa de que, ocorrendo o trânsito em
julgado, seja feita comunicação ao órgão público ao qual o servidor é vinculado e/ou ao
órgão de classe, respectivamente.
Art. 415. O réu e o defensor, seja advogado constituído ou dativo, seja
defensor público, devem ser necessariamente intimados da sentença condenatória,
correndo o prazo recursal do último ato.
Parágrafo único. A intimação do réu por edital, exclusiva para os casos de
sentença condenatória, será precedida de diligência do oficial de justiça no cumprimento
do mandado, devendo constar do edital o nome do réu, os prazos do edital e para
eventual recurso, as disposições de lei e as penas aplicadas, o regime de cumprimento e
a transcrição da parte dispositiva da sentença.
Art. 416. No ato de intimação pessoal do réu, ser-lhe-á indagado se deseja
recorrer da sentença; expressado o desejo de fazê-lo, o oficial de justiça ou o gestor
reduzirá a termo a sua manifestação, independentemente do defensor.
Parágrafo único. Cabe à secretaria do juízo, no momento da expedição do
mandado de intimação da sentença, expedir também termo de apelação, com espaço
reservado para o réu assinalar a intenção de recorrer da sentença condenatória.
Art. 417. O trânsito em julgado da sentença será certificado separadamente ao
Ministério Público, ao assistente da acusação, ao defensor e ao réu.

Seção XVI
Das ordens de soltura e de prisão e transferência e remoção de presos

Art. 418. Ninguém será recolhido em qualquer estabelecimento penitenciário


e/ou prisional do Estado desacompanhado da competente guia de recolhimento ou
mandado de prisão, conforme o caso, ficando passível de responsabilidade criminal a
autoridade que receber o preso sem a observância dessa formalidade.
Art. 419. Além das formalidades legais, os alvarás de soltura deverão ser
expedidos pelo Banco Nacional de Monitoramento de Prisões - BNMP ou sistema
nacional que o substitua, contendo os elementos indispensáveis para a segura
identificação da pessoa a ser liberada, devendo ser encaminhados ao estabelecimento
penal por malote digital.
§ 1º Encaminhado o alvará de soltura por meio do malote digital, o gestor
judiciário confirmará, via telefone, o recebimento da ordem de soltura pelo
estabelecimento penal e certificará nos autos a data, o horário da ligação, o nome e o
cargo de quem recebeu a ordem.
§ 2º Havendo indisponibilidade do malote digital, o envio do alvará de soltura
ou mandado de prisão será por meio de e-mail institucional, com o cumprimento da
determinação posta no parágrafo anterior.
§ 3º Na hipótese de impossibilidade comprovada do encaminhamento do alvará
por malote digital ou e-mail institucional, o cumprimento será realizado por intermédio
de oficial de justiça, que deverá certificar a data, o local e o horário do cumprimento da
ordem, o nome do estabelecimento penal e do diretor, bem como se resultou ou não na
soltura da pessoa identificada no mandado, bem assim as razões que eventualmente
justificaram a manutenção da prisão.
§ 4º A pessoa em favor da qual for expedido o alvará de soltura será colocada
imediatamente em liberdade, salvo se estiver presa em flagrante por outro crime ou
houver mandado de prisão expedido em seu desfavor, após a consulta ao sistema de
informação criminal do respectivo tribunal e ao sistema nacional, que será de
responsabilidade do diretor da unidade prisional.
§ 5º Ainda que outros motivos justifiquem a manutenção da prisão, nas
hipóteses previstas no § 4º deste artigo, o alvará de soltura deverá ser expedido e
apresentado à autoridade administrativa responsável pela custódia, para baixa nos
registros competentes em relação ao processo ou inquérito a que se refere o alvará.
§ 6º O cumprimento do alvará de soltura é ato que envolve o juízo prolator da
decisão e a autoridade administrativa responsável pela prisão, não estando submetido a
jurisdição, condições ou procedimentos de qualquer outro órgão judiciário ou
administrativo, ressalvadas as hipóteses legais.
§ 7º Ao receber o alvará de soltura, o agente responsável pela prisão, no caso
de dúvida, deverá:
I - confirmar o envio eletrônico pela autoridade judicial competente ou exigir a
identificação pessoal do oficial de justiça;
II - confirmar a expedição da ordem, mantendo imediatamente contato
telefônico com o gestor judiciário.
§ 8º A soltura somente será efetuada se for confirmada a expedição do alvará e
se inexistirem outras ordens de prisão em vigência em desfavor da pessoa identificada
no documento.
§ 9º É dever do agente responsável pela prisão fazer a checagem e o
cumprimento das ordens judiciais, constituindo irregularidade grave a liberação de
presos sem a observância dessas formalidades.
§ 10 Quando for encaminhado o alvará de soltura por meio eletrônico, o gestor
judiciário confirmará, via telefone, no primeiro dia útil subsequente ao envio, o seu
cumprimento, certificando nos autos a data, o horário da ligação, o nome e o cargo do
servidor que deu cumprimento à ordem, bem como se resultou ou não na soltura do
preso e as razões que eventualmente justificaram a manutenção da custódia.
§ 11 Caso a ordem de soltura tenha sido exarada durante o plantão judiciário, a
confirmação do cumprimento da medida deverá ser realizada, no prazo de 24 (vinte e
quatro) horas, pelo magistrado plantonista que encaminhou o alvará de soltura, que
mandará certificar nos autos a data, o horário da ligação, o nome e o cargo do servidor
que lhe deu cumprimento.
Art. 420. O gestor judiciário deverá informar à Corregedoria-Geral da Justiça
quando o encaminhamento e o cumprimento do alvará de soltura não tiverem sido
realizados por meio eletrônico, também, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas.
Art. 421. Decorrido o prazo de 5 (cinco) dias após a decisão que determinou a
soltura, o processo deverá ser concluso ao magistrado para verificação do cumprimento
do respectivo alvará.
Art. 422. As requisições e comunicações dos atos processuais ao indiciado, à
vítima, à testemunha, ao réu ou ao condenado preso serão realizadas por meio
eletrônico.
Art. 423. A checagem da pessoa a ser solta deverá ser realizada pela unidade
prisional, de acordo com a regulamentação do fluxo interno pela Secretaria Adjunta de
Administração Penitenciária do Estado de Mato Grosso, para o cumprimento das ordens
judiciais encaminhadas por meio eletrônico.
Art. 424. Os mandados de prisão deverão ser transmitidos por meio eletrônico
(malote digital e e-mail institucional) para o seu devido cumprimento, nos termos do
Provimento n. 48, de 9 de dezembro de 2019, da Corregedoria-Geral da Justiça.
Art. 425. Toda ordem de prisão, qualquer que seja a sua natureza, oriunda de
juízo de outro Estado, somente poderá ser cumprida mediante carta precatória que se
revele devidamente instruída com o mandado e a cópia da decisão escrita da autoridade
judiciária deprecante.
§ 1º Recebida a ordem de prisão civil ou criminal decorrente de carta
precatória de outro Estado da Federação, deverá o juízo deprecado se abster de
determinar o registro no sistema BNMP.
§ 2º Quando encaminhada carta precatória a outro Estado da Federação, além
de o juízo expedidor inserir o mandado de prisão no sistema BNMP, deverá fazer
constar a expressão “mandado de prisão já incluído no BNMP”.
Art. 426. A autoridade judiciária que receber por ofício pedido de prisão de
pessoa no território de sua comarca deverá, em regra, devolver o ofício, solicitando ao
juízo que decretou a prisão a remessa do mandado de prisão via carta precatória,
inclusive com cópia do próprio mandado e da decisão ou sentença que decretou a
prisão.
§ 1º Na hipótese da ordem de prisão vir com cláusula de urgência e/ou com
informação precisa acerca da localização da pessoa a ser presa, deverá o magistrado
realizar, de imediato, contato telefônico ou por outro meio igualmente rápido, para
certificar-se sobre a expedição da ordem de prisão e sobre sua vigência, e, se houver a
confirmação, deverá solicitar no mesmo contato o envio da respectiva carta precatória,
no prazo máximo de 05 (cinco) dias, sem prejuízo de determinar o imediato
cumprimento do mandado de prisão.
§ 2º Na mesma situação do § 1º deste artigo, caso o recebimento do ofício e do
mandado de prisão ocorram em plantão judiciário, não se obtendo êxito no contato
imediato com o juízo expedidor da ordem de prisão, deverá o magistrado determinar o
imediato cumprimento do mandado de prisão, sem prejuízo de persistir nas tentativas de
contato com o juízo que determinou a prisão.
§ 3º Se frustradas todas as tentativas perpetradas pelo magistrado plantonista,
deverá este determinar que o fato da prisão, caso esta venha a ocorrer ainda no plantão
judiciário, e a frustração nas tentativas de contato com o juízo expedidor da ordem
sejam levados ao conhecimento do juízo competente para o processamento das cartas
precatórias, no primeiro dia útil imediato, cabendo ao juízo competente:
I - receber, processar e cumprir a eventual carta precatória;
II - solicitar, com urgência, via fac simile ou telefone, do juízo que determinou
a prisão a expedição e remessa da carta precatória para formalização processual da
prisão, no mesmo prazo de 5 (cinco) dias, sob pena de presumir-se o desinteresse na
manutenção da prisão.
§ 4º A comunicação, pelo juízo plantonista ao juízo competente para receber,
processar e cumprir a carta precatória, com todos os documentos que a instruem, será
autuada neste último juízo como simples solicitação de providências, apenas com
registro do número de protocolo do documento, e, caso não remetida a carta precatória
no prazo de 05 (cinco) dias, o gestor judiciário certificará e fará conclusos os autos da
solicitação de providências para que o magistrado determine a imediata soltura do
preso.
§ 5º O mesmo procedimento dos §§ 1º, 2º, 3º e 4º deverá ser adotado pelo
magistrado que receber da autoridade policial comunicação de cumprimento de
mandado de prisão, no caso de a autoridade policial informar que o mandado lhe foi
remetido diretamente por juízo ou por autoridade policial de jurisdição diversa, sem
prejuízo de verificar se consta distribuída na comarca carta precatória que tenha por
objeto o cumprimento do mesmo mandado de prisão.
§ 6º É desnecessária carta precatória para o cumprimento do mandado de
prisão nos casos em que o ato de constrição for extraído do Banco Nacional de
Monitoramento de Prisões – BNMP, fato este que deverá ser certificado nos autos e
remetido à conclusão.
Art. 427. A autoridade policial que receber, seja ou não através da atividade da
polícia interestadual, cópia ou original de mandado de prisão oriundo de juízo diverso
daquele em que exerce sua atividade policial, deverá, se o mandado vier com cláusula
de urgência e/ou com a indicação clara e precisa do endereço da pessoa a ser presa,
realizar, de imediato, contato telefônico ou por outro meio igualmente rápido, para
certificar-se sobre a expedição da ordem de prisão e sobre sua vigência
§ 1º Se houver a confirmação, deverá solicitar e recomendar no mesmo contato
o envio da respectiva carta precatória, via juízo que decretou a prisão, no prazo máximo
de 5 (cinco) dias, alertando o emitente do mandado de prisão que se não for enviada a
carta precatória neste prazo, o preso será posto em liberdade incondicionalmente, sem
prejuízo de determinar o imediato cumprimento do mandado de prisão.
§ 2º Nos casos de mandado de prisão com cláusula de urgência e/ou indicação
exata do endereço da pessoa a ser presa, obtido sucesso na prisão, deverá a autoridade
policial fazer a imediata comunicação ao juízo ao qual estiver vinculada sua atividade
policial, seja ou não no plantão judiciário, em procedimento idêntico ao da prisão em
flagrante delito, relatando circunstanciadamente ao juízo o cumprimento do disposto no
caput deste artigo.
Art. 428. Comunicado ao juízo expedidor da ordem, se não for deprecada a
prisão no prazo de 5 (cinco) dias, será efetivado arquivamento dos autos, por, ao
configurar-se a omissão, estar a prisão desprovida de interesse legal, cientificando-
se à origem.
Art. 429. Todas as comunicações realizadas, conforme as disposições
anteriores, serão devidamente lançadas nos autos pelo gestor judiciário,
especialmente a data, o horário, o nome da pessoa que o atendeu e a função que
exerce junto ao juízo de onde emanou o ofício ou o mandado de prisão.
Art. 430. O gestor judiciário, ao efetuar as comunicações previstas nos
dispositivos anteriores, esclarecerá a existência do prazo de 5 (cinco) dias.
Art. 431. A transferência ou remoção de presos para fora do Estado de Mato
Grosso dependerá de anuência do juízo de origem nas hipóteses em que houver prisão
provisória ou definitiva também decretada nesta unidade da Federação.
Parágrafo único. Quando ocorrer a transferência ou remoção de presos, a
Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária deverá comunicar o juízo
responsável pela unidade prisional na qual eles se encontravam, no prazo de 24 (vinte e
quatro) horas.
Art. 432. A entrada e a transferência de presos nas unidades prisionais do
Estado de Mato Grosso independem de prévia anuência dos juízos de origem e de
destino, assegurado o controle judicial posterior.
§ 1º A Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária deve alocar os
presos, na medida do possível, em unidades prisionais próximas às suas casas ou ao
local de sua reabilitação social.
§ 2º A Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária deverá comunicar
aos juízos de origem e de destino, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, sobre a
transferência dos presos.
§ 3º O descumprimento ao disposto no § 2º deste artigo poderá configurar
infração administrativa e criminal da autoridade recalcitrante.
§ 4º As comunicações sobre a movimentação dos presos deverão ser feitas,
preferencialmente, por malote digital ou outro meio eletrônico.
Art. 433. O magistrado corregedor dos presídios só poderá negar o ingresso do
preso na unidade prisional quando houver decisão decretando a interdição total ou
parcial do estabelecimento.
Parágrafo único. O magistrado corregedor dos presídios não poderá negar a
entrada de presos advindos de comarcas que não possuam unidade prisional, salvo se a
interdição também obstar o ingresso de presos da própria comarca.
Art. 434. Sempre que a Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária
comunicar ao juízo das execuções a transferência do preso, o processo executivo de
pena deverá ser encaminhado pelo juízo de origem ao de destino, via Sistema
Eletrônico de Execução Unificado – SEEU/CNJ.
Art. 435. Antes de deliberar sobre a transferência de preso, o juízo competente
deverá ouvir a Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária sobre o seu perfil e
periculosidade, com vistas a avaliar se a unidade prisional de destino é adequada a sua
custódia.
Art. 436. O magistrado que proferir sentença condenatória, ao tempo em
que determinar a intimação pessoal do réu, deverá comunicar, também, ao diretor da
unidade prisional que o custodia.
Parágrafo único. O diretor da unidade prisional deverá anotar a sentença
nos registros do preso, informar sobre a existência de outros processos pendentes, se
houver, e providenciar a transferência do preso para local apropriado, se for o caso.
Art. 437. Os juízes, em condições ordinárias, encaminharão à autoridade
responsável as requisições de transferência ou de remoção de presos, com prazo
suficiente, de acordo com as condições da comarca, possibilitando ao sistema
prisional a realização da operação com razoável segurança.
Art. 438. A prisão civil não tem conotação penal, não podendo as pessoas
sujeitas a ela ser recolhidas em celas comuns.
Art. 439. As comunicações dos atos processuais ao indiciado, réu ou
condenado preso serão realizadas por oficial de justiça diretamente no estabelecimento
onde aquele estiver custodiado, dispensada a requisição para a formalização de tais atos
em juízo.
Art. 440. Expirado o prazo da prisão civil ou temporária, o preso será colocado
imediatamente em liberdade, independentemente da expedição de alvará de soltura,
ressalvada, no último caso, a decretação de sua prisão preventiva, circunstância que
impedirá sua libertação.
Parágrafo único. Entendendo a autoridade policial ou o Ministério Público ser
desnecessária a continuidade da prisão temporária antes do término do prazo fixado,
solicitará ao juízo competente a sua revogação, informando detalhadamente as
diligências realizadas e as razões de tal convencimento.

Seção XVII
Das comunicações pela secretaria

Art. 441. Caberá ao gestor judiciário encaminhar ao Cartório Distribuidor, ao


Instituto de Identificação do Estado, bem como ao instituto de identificação
correspondente no âmbito federal e à Delegacia de Polícia de onde proveio o
procedimento inquisitorial, com certidão nos respectivos autos, as seguintes
comunicações:
I - o arquivamento do inquérito policial;
II - a decisão de recebimento da denúncia ou da queixa-crime e eventual
aditamento dessas;
III - o trânsito em julgado da decisão de extinção da punibilidade, de
condenação ou de absolvição;
IV - a extinção da pena com decisão transitada em julgado.
§ 1º Na comunicação de que trata este artigo, deverá, obrigatoriamente, ser
mencionado no respectivo ofício:
I - IDENTIFICAÇÃO: número do inquérito policial, delegacia instauradora,
número do processo criminal, data da sentença e do seu trânsito em julgado, dispositivo
legal violado, bem como a pena aplicada;
II - EXCLUSÃO: para os casos de decisão de arquivamento de inquérito
policial, ou de não oferecimento de denúncia pelo Ministério Público e, ainda, nos casos
de prolação de sentenças absolutórias e de extinção de punibilidade;
III - INCLUSÃO: para o registro inicial dos indiciados em inquérito policial e
dos réus denunciados nas ações penais, assim como para as situações que representem
alguma alteração nos dados do processo, como o trânsito em julgado das sentenças
condenatórias e posteriores ocorrências durante o cumprimento da pena, tais como
concessão de suspensão condicional da pena, livramento condicional, progressão e
regressão de regime prisional, fugas, etc.
§ 2º Encerrado o processo penal ou arquivado o inquérito policial, o
magistrado, de ofício ou mediante representação do delegado de polícia ou a
requerimento do Ministério Público, determinará a destruição das amostras guardadas
para contraprova, se houver.
Art. 442. Também será comunicado ao Cartório Distribuidor, certificando-se
nos respectivos autos, pelo gestor judiciário:
I - a revogação da suspensão condicional da pena;
II - os incidentes processuais como a conversão da pena.
Art. 443. O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso será comunicado, até
o dia 15 (quinze) de cada mês, via Sistema Infodip, para os fins do inciso III do art. 15
da Constituição Federal, a respeito das sentenças condenatórias definitivas, e, com a
maior brevidade possível, comunicar-se-á também a irrecorrível decisão que extinguiu a
pena ou a punibilidade do condenado.
Parágrafo único. Constarão da comunicação referida no caput deste artigo,
além da completa qualificação do condenado, dados a respeito do título de eleitor, a
classificação do crime e a data da sentença e de seu trânsito em julgado.

Seção XVIII
Da certidão de antecedentes criminais

Art. 444. Além dos dados elementares do interessado, indiciado ou imputado,


para a requisição de folhas de antecedentes criminais deverão estar explicitados o
número da carteira de identidade e o órgão expedidor desse documento.
§ 1º A requisição será dirigida ao Instituto de Identificação do Estado de Mato
Grosso e do Estado de origem, de residência do indiciado ou réu, sempre no curso do
inquérito policial ou no momento do recebimento da denúncia ou da queixa-crime, e
para cada um deles será confeccionada a respectiva requisição.
§ 2º Tratando-se de requisições judiciais, a certidão deverá esclarecer a respeito
da data do fato e do recebimento da denúncia, com a capitulação legal, sendo vedado o
uso de mero extrato de processos em tramitação, devendo constar ainda:
I - os termos da condenação (dispositivo legal, pena imposta, regime inicial de
cumprimento de pena) ou da absolvição (o dispositivo legal);
II - a data da irrecorribilidade da sentença respectiva, ou, se for o caso, a data
da extinção de punibilidade;
III - a data do cumprimento ou da extinção da pena aplicada, se houver, de
forma detalhada, para fins de reincidência.
Art. 445. As informações solicitadas à Superintendência do Sistema Prisional
deverão ser atendidas no prazo máximo de 5 (cinco) dias e, no caso de indiciado ou réu
preso, serão requisitadas para atendimento imediato e em caráter de urgência.
Parágrafo único. O não atendimento e a inobservância dos prazos
estabelecidos nesta norma deverão ser objeto de providências legais pelo magistrado,
tais como a requisição de termo circunstanciado por crime de desobediência previsto no
art. 330 do Código Penal, a reclamação administrativa perante o superior hierárquico da
autoridade requisitada ou outra medida tendente a suprir a omissão.

Seção XIX
Das certidões de processos criminais para efeitos civis
Art. 446. Salvo requerimento da parte, requisição judicial ou outra hipótese
expressa em lei, as certidões criminais serão expedidas com a observação “nada consta
para efeitos civis”, nos seguintes casos:
I - distribuição de termo circunstanciado, inquérito ou processo em tramitação
e se não houver sentença condenatória transitada em julgado;
II - indiciado não denunciado;
III - não recebimento de denúncia ou queixa-crime;
IV - trancamento da ação penal;
V - extinção da punibilidade ou da pena;
VI - absolvição;
VII - impronúncia;
VIII - condenação com suspensão condicional da pena não revogada;
IX - reabilitação não revogada;
X - condenação à pena pecuniária, infligida isoladamente, ou à pena restritiva
de direitos, não convertida; porém será positiva a informação, tratando-se de pena
restritiva de direito que implique na proibição de habilitação ou autorização para
conduzir veículos, aeronaves ou ofício que exija habilitação especial, de licença ou de
autorização do Poder Público e a certidão se destinar a um desses fins específicos;
XI - pedido de explicações em juízo, interpelação, justificação e peças
informativas.
§ 1º Revogado o sursis ou no caso da conversão da pena restritiva de direitos
em privativa de liberdade, a certidão será positiva, exigindo assim que o Juízo Criminal
competente comunique ao distribuidor, com a máxima urgência.
§ 2º Em nenhuma hipótese, para efeitos judiciais, o magistrado aceitará a
certidão negativa com a observação “para efeitos civis”.
Art. 447. A expedição de certidões para fins criminais aos indiciados ou
imputados pobres importará gratuidade.
Art. 448. No caso de homonímia, não dispondo a comarca de informação
suficiente referente ao indiciado ou imputado indicado nos autos, será fornecida certidão
negativa de distribuição sempre que o interessado declare de próprio punho, se possível,
e sob as penas da lei não ser ela a pessoa que figura nos autos, sendo, na realidade, seu
homônimo.
§ 1º Serão arquivadas as certidões positiva e original da mencionada
declaração.
§ 2º Na certidão de que trata o § 1º deste artigo constará, em qualquer caso, a
seguinte advertência: “fornecida mediante declaração do interessado de que é
homônimo do indiciado ou imputado”.
Art. 449. Fica instituído e disponibilizado ao público o serviço de emissão
eletrônica e gratuita de certidões negativas cíveis e criminais no âmbito da primeira
instância do Poder Judiciário de Mato Grosso, no endereço eletrônico
[Link]
§ 1º A pesquisa de distribuição de processos ativos será realizada como
informado no campo “Nome”, sem abreviações e sem preposições, e no campo do
documento cadastral – CPF, sendo emitida apenas uma única certidão, baseada nos
sistemas informatizados utilizados na primeira instância.
§ 2º A certidão on-line equivale, para todos os efeitos legais, àquela expedida
pelos Cartórios Distribuidores das comarcas da capital e do interior, desde que seguidos
os procedimentos de validação e autenticação.
Art. 450. A certidão de distribuição emitida on-line terá validade de até 30
(trinta) dias, contados a partir da data de sua emissão, e conterá um código alfanumérico
para conferência de sua autenticidade.
Parágrafo único. A certidão ficará disponível para consulta de autenticidade
por até 3 (três) meses, a partir da data de sua emissão; após este período, a certidão
ficará armazenada em bases de dados apenas para fins de estatística do Tribunal de
Justiça do Estado de Mato Grosso.
Art. 451. A emissão da certidão on-line apenas ocorrerá se não for constatado
pelo sistema informatizado nenhum registro em desfavor do interessado e cuja busca
resulte expressamente na locução "nada consta".
§ 1º As certidões que por qualquer motivo não forem expedidas de forma on-
line deverão ser emitidas nas unidades distribuidoras competentes, durante o expediente
forense.
§ 2º Não serão impeditivos para a expedição da certidão on-line:
I - inquérito policial, antes do recebimento da denúncia;
II - processos referentes à Infância e Juventude;
III - incidentes processuais, salvo embargos de terceiros em processo de
execução;
IV - processos administrativos;
V - termos circunstanciados de ocorrência.
§ 3º Serão impeditivos para a expedição da certidão on-line:
I - processos que tramitam em segredo de justiça;
II - ocorrência de homônimos, quando houver convergência de CPF ou quando
o autuado apresentar documento nulo.
Art. 452. Os dados cadastrais necessários à emissão da certidão negativa serão
fornecidos pelo solicitante, sendo de exclusiva responsabilidade do destinatário e do
interessado a sua conferência.
Parágrafo único. As pessoas ou entidades recebedoras da certidão on-line
deverão, como princípio de cautela, não admitir outra página de validação que não seja
a do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso e, ainda, verificar se os documentos
pessoais do portador da certidão condizem com os dados nesta informados.
Art. 453. As secretarias das unidades judiciárias criminais, para instrução
processual, poderão extrair do sistema informatizado o relatório de antecedentes
criminais sem a necessidade de solicitação de certidão à Central de Distribuição,
tornando desnecessária a utilização do selo de autenticidade.
§ 1º Para as requisições de antecedentes criminais oriundas de outros Estados
será extraído do sistema informatizado o relatório de antecedentes pela Central de
Distribuição.
§ 2º As certidões de antecedentes criminais solicitadas pelas partes ou por
terceiros continuarão sendo expedidas pela Central de Distribuição com o selo de
autenticidade.
§ 3º As certidões urgentes serão entregues no mesmo dia ou no prazo de 24
(vinte e quatro) horas; para as demais certidões, o prazo de entrega será de 5 (cinco)
dias.

Seção XX
Da fiança criminal

Art. 454. Os valores de fianças criminais arbitrados por magistrado nos autos
de prisão em flagrante, inquéritos policiais ou processos a ele submetidos deverão ser
recolhidos, fora do expediente bancário, por meio de guia própria (boleto bancário) e
depositados judicialmente na conta Siscondj.
Art. 455. Ao Protocolo e à Central de Distribuição ficam vedados o
recebimento de valores de fiança em espécie encaminhados com o flagrante, cabendo às
delegacias o depósito judicial na conta Siscondj e a juntada das guias nos autos.
Art. 456. Recebida ou não a denúncia, o juízo competente determinará à
instituição bancária depositária da fiança, se o depósito já não estiver na Conta Judicial
Única e ainda que prestada no inquérito, que o valor seja imediatamente transferido para
a Conta Judicial Única, sob pena de desobediência, nos termos do art. 330 do Código
Penal, assinalando prazo não superior a 10 (dez) dias.
Art. 457. Devem ser anotados, pela secretaria, todos os depósitos feitos,
inclusive os prestados na delegacia de polícia, mantendo controle permanente e
anotando-se eventuais levantamentos.
Art. 458. Em caso de sentença condenatória, absolutória ou de extinção da
punibilidade, se não constar expressamente da sentença a destinação da fiança, a
secretaria deve fazer conclusão dos autos com certidão específica para tomada das
providências necessárias pelo magistrado, no sentido de ser estipulada a destinação da
fiança, evitando-se que tais importâncias fiquem perpetuamente depositadas à
disposição do juízo.
§ 1º O valor da fiança será integralmente restituído ao réu ou a seus sucessores
no caso de absolvição ou extinção da punibilidade por qualquer motivo, salvo nas
hipóteses em que seja imposta uma destinação específica à fiança como condição de
suspensão condicional do processo ou transação penal.
§ 2º No caso de condenação, deduzidas as custas processuais e o montante
devido à vítima, se for o caso, será devolvido ao sentenciado o saldo remanescente, se
houver, e se não tiver sido decretada a quebra ou perda da fiança.
§ 3º Efetivada a intimação do afiançado ou de seu advogado e decorrido o
prazo de 30 (trinta) dias sem manifestação, o valor será destinado ao Fundo
Penitenciário do Estado do Mato Grosso – Funpen/MT.

Seção XXI
Do depósito e da guarda de objetos apreendidos

Art. 459. As armas, os instrumentos e os objetos integrantes dos processos


inquisitoriais acompanharão os autos ao juízo competente, com descritivo claro e
preciso sobre cada coisa apreendida, já juntada ou para a juntada posterior nos autos do
processo em que ocorreu a apreensão, seja inquérito policial, ação penal ou outro
processo qualquer, bem como com certidão ou informação da remessa e do respectivo
recebimento pelo juízo destinatário.
§ 1º Não serão recebidas pelo juízo destinatário as armas ou outras coisas
apreendidas se não enviadas pela autoridade na forma prevista no caput deste artigo.
§ 2º Não serão recebidos pelo juízo destinatário os documentos pessoais
apreendidos que não forem objeto do delito; havendo algum documento encartado nos
autos, o gestor judiciário deverá restituí-lo às partes, mediante certidão,
independentemente de requerimento.
§ 3º Caberá aos gestores judiciários de cada unidade judiciária, devidamente
designados pelos magistrados dos respectivos juízos, o registro dos bens apreendidos no
Sistema Nacional de Bens Apreendidos – SNBA, conforme dispõe a Resolução n. 63,
de 16 de dezembro de 2008, do Conselho Nacional de Justiça, enquanto o Sistema de
Bens Apreendidos do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso não estiver a ele
interligado.
Art. 460. No caso de comarca com mais de um magistrado, havendo
diversidade entre o magistrado destinatário e o Juiz Diretor do Foro, serão as armas e
demais coisas apreendidas encaminhadas a este último, na qualidade de responsável
pela Seção de Depósito do Fórum, com memorial descritivo das armas e de outros
objetos enviados, juntando-se aos autos a cópia deste memorial com o respectivo recibo
da Direção do Foro.
Parágrafo único. O inquérito policial, o termo circunstanciado, o ato
infracional ou qualquer documento acompanhado de armas ou objetos apreendidos
deverão ser encaminhados pela Delegacia de Polícia diretamente à Central de
Administração ou à Seção de Depósito e Guarda de Objetos Apreendidos.
Art. 461. As armas, os instrumentos e os objetos mencionados serão
etiquetados, devendo constar:
I - a unidade judiciária à qual foram distribuídos;
II - o número dos autos do processo-crime;
III - o nome do imputado e da vítima, se constantes;
IV - a unidade policial de origem e o número dos autos de investigação do
Registro do Distribuidor e da delegacia de origem.
Art. 462. Nas unidades judiciárias criminais, todas as armas, os instrumentos e
os objetos serão recolhidos na Seção de Depósito, sob a responsabilidade do Juiz
Diretor do Foro, inclusive as armas ou outras coisas apreendidas nos Juizados Especiais
Criminais.
Art. 463. Na Seção de Depósito, será feito o cadastro rápido da ação no
Sistema Nacional de Bens Apreendidos - SNBA, conforme dispõe a Resolução n.
63/2008 do Conselho Nacional de Justiça, no endereço eletrônico
[Link] ou pelo site do Conselho Nacional de Justiça, no link
“sistemas”.
§ 1º O responsável pelo cadastramento dos dados no site do Conselho Nacional
de Justiça deverá solicitar seu acesso ao sistema, por ofício, ao Corregedor-Geral da
Justiça, no e-mail [Link]@[Link].
§ 2º As armas, os objetos e os bens apreendidos serão classificados e lançados
no sistema informatizado de acompanhamento processual no andamento “509 –
Certidão de Registro”, devendo a certidão ser impressa e anexada à ação, remetendo-se
ao Cartório Distribuidor para finalização do cadastro, distribuição e posterior remessa à
secretaria da unidade judiciária.
Art. 464. Quando existirem armas, instrumentos e objetos depositados, o
magistrado do processo criminal comunicará o trânsito em julgado da sentença e
solicitará ao magistrado supervisor da Seção de Depósito de Armas as providências
legais cabíveis, tais como remessa, destruição, restituição e baixa dos registros lançados
no site do Conselho Nacional de Justiça.
Art. 465. Observado o disposto nos arts. 119, 122, 123 e 124 do Código de
Processo Penal, somente as armas de fogo, qualquer que seja o tipo, serão
encaminhadas com urgência à unidade do Exército Brasileiro para destruição ou doação
aos órgãos de segurança pública ou às Forças Armadas, nos termos da previsão contida
no art. 25 da Lei n. 10.826/2003, após a elaboração do respectivo laudo pericial,
intimação das partes sobre o seu resultado e eventual notificação do proprietário de boa-
fé para manifestação quanto ao interesse na restituição, caso não seja imprescindível
para o esclarecimento dos fatos apurados no processo judicial.
Parágrafo único. O magistrado encaminhará semestralmente ao Sistema
Nacional de Armas – Sinarm, em se tratando de arma de fogo de uso permitido, ou ao
Sistema de Gerenciamento Militar de Armas – Sigma, caso se trate de arma de fogo de
uso restrito, a relação das armas apreendidas e que porventura não tenham sido
encaminhadas ao Exército Brasileiro para destruição ou doação, mencionando suas
características e o local onde se encontram.
Art. 466. Se as coisas apreendidas e depositadas forem facilmente
deterioráveis, o magistrado supervisor da Seção de Depósito comunicará ao juízo do
processo para os fins do § 5º do art. 120 do Código de Processo Penal.

Seção XXII
Da alienação antecipada dos bens aprendidos sujeitos à pena de perdimento

Art. 467. Os bens apreendidos, tais como aeronaves, embarcações, veículos


automotores e equipamentos de informática, sujeitos à pena de perdimento, deverão ser
mantidos pelos magistrados com competência criminal, desde a data da efetiva
apreensão, sob rigoroso acompanhamento do estado da coisa ou do bem, diretamente ou
por depositário formalmente para isso designado sob responsabilidade.
§ 1º Justificadamente, em cada caso, o magistrado ordenará a alienação
antecipada da coisa ou do bem apreendido para preservar-lhe o respectivo valor, quando
verificar que a ação do tempo ou qualquer outra circunstância, independentemente das
providências normais de preservação, ocasione depreciação natural ou perda de valor
em si ou, de qualquer modo, a perda da equivalência com o valor real na data da
apreensão.
§ 2º Verificada a conveniência, oportunidade ou necessidade da alienação
antecipada, o magistrado deverá observar as disposições das legislações pertinentes do
direito processual, do Conselho Nacional de Justiça (Recomendação n. 30, de 10 de
fevereiro de 2010) e, subsidiariamente, da lei processual civil relativas à execução por
quantia certa quando da avaliação, licitação e adjudicação ou arrematação.
§ 3º Com base no poder geral de cautela e, por analogia, no disposto nos arts.
120, 122, 123 e 133 do Código de Processo Penal, os magistrados com competência
criminal, em autos nos quais existam bens apreendidos sujeitos à pena de perdimento na
forma da legislação respectiva, além do disposto nos §§ 1º e 2ºdeste artigo, deverão:
I - depositar as importâncias em dinheiro ou valor, assim apuradas, na conta de
depósito judicial, vencendo as atualizações correspondentes, e ali as conservar até a sua
restituição, perda ou destinação por ordem judicial;
II - adotar providências no sentido de evitar o arquivamento dos autos antes da
efetiva destinação do produto da alienação;
III - promover, conjuntamente com o Diretor do Foro, salvo nas comarcas de
primeira entrância, periodicamente, audiências ou sessões unificadas para alienação
antecipada de bens nos processos sob a sua jurisdição ou sob a jurisdição das suas
unidades judiciárias (leilão unificado), com ampla divulgação, permitindo maior
número de participações.
§ 4º Na alienação antecipada relativa aos crimes de tráfico de drogas aplica-se
o disposto nesta Seção, naquilo em que não conflitar com as regras específicas previstas
nas Leis n. 11.343/2006 e 7.560/1986 e em instrução normativa da Corregedoria-Geral
da Justiça.
Art. 468. É proibida a retirada, mesmo a título de depósito, de armas,
instrumentos e objetos apreendidos.
Parágrafo único. Os veículos e quaisquer outros meios de transporte, assim
como maquinismos, utensílios, instrumentos, engenhos e objetos de qualquer natureza,
utilizados para a prática de crimes definidos na legislação do Sistema Nacional de
Políticas Públicas sobre Drogas – Sisnad/MJSP, não serão recebidos pelas secretarias
judiciais, devendo ficar sob custódia da autoridade de polícia judiciária que presidir o
inquérito, ou daquela que sucedê-la, a qual deverá comunicar, imediatamente, ao juízo
competente, nos termos do art. 61 da Lei n. 11.343/2006.
Art. 469. Recaindo a apreensão sobre dinheiro ou cheques emitidos como
ordem de pagamento, a autoridade policial que presidir o inquérito deverá, de imediato,
requerer ao juízo competente a intimação do Ministério Público para que postule a
conversão em moeda nacional, se for o caso.
§ 1º Antes de realizar a compensação dos cheques, após a instauração do
inquérito, devem ser providenciadas cópias autênticas dos respectivos títulos.
§ 2ºAs importâncias resultantes devem ser depositadas na conta judicial única,
vinculada ao respectivo processo ou inquérito, devendo, obrigatoriamente, ser anotadas
todas as ocorrências nos próprios autos e nos registros virtuais do feito.
Art. 470. A requerimento do Ministério Público, os bens serão alienados,
excetuados aqueles que a União, por intermédio da Secretaria Nacional Antidrogas –
Senad, indicar para serem colocados sob custódia da autoridade policial, de órgãos de
inteligência ou militar federal, envolvidos nas operações de prevenção e repressão ao
tráfico ilícito e uso indevido de substâncias entorpecentes ou que determinem
dependência física ou psíquica.
Art. 471. Reconhecido o nexo de instrumentalidade entre o delito e os objetos
utilizados para a sua prática e o risco de perda do valor econômico pelo decurso do
tempo, proceder-se-á à avaliação, intimando-se a União, o Ministério Público, o
denunciado e, por edital, eventuais interessados, para manifestação em 5 (cinco) dias,
dirimindo o magistrado eventuais divergências acerca da importância atribuída,
procedendo-se à alienação por leilão, cujo produto será depositado na Conta Judicial
Única, com vinculação ao processo ou inquérito.
Art. 472. Se a União requerer a liberação do produto do leilão antes do trânsito
em julgado da sentença, o magistrado, ouvindo sempre o Ministério Público e o
denunciado ou indiciado, decidirá sobre qual a melhor forma de garantir a restituição do
valor, na eventualidade futura de uma absolvição ou extinção da punibilidade, ou
mesmo se na sentença final for reconhecida a inocorrência do nexo de causalidade a que
se refere a norma anterior, observados todos os procedimentos do Capítulo IV do Título
IV da Lei n. 11.343/2006.
Art. 473. O magistrado deverá requisitar, com urgência, ao Departamento
Estadual de Trânsito – Detran, à Delegacia da Polícia Rodoviária Federal – DPRF e à
Delegacia Especializada de Roubos e Furtos, onde houver, informações existentes a
respeito do veículo e de seu proprietário e quanto ao registro de ilícito penal que
envolva o veículo, e, bem assim, dos fabricantes ou das concessionárias pertinentes,
todas as informações a respeito do adquirente, fornecendo, para tanto, os dados do
veículo, inclusive número do motor e do câmbio, visando a sua legal restituição.
Art. 474. Após serem apresentadas as informações mencionadas no art. 473,
poderá ser realizada alienação judicial do veículo apreendido, nas seguintes situações
cumulativas:
I - não houver possibilidade de se identificar o proprietário;
II - não houver pedido de restituição pendente de apreciação;
III - não for útil para a instrução processual;
IV - não for o caso de perdimento do bem.
Parágrafo único. O produto da alienação judicial será depositado em conta
única vinculada ao Tribunal de Justiça, com comprovação nos autos.
Art. 475. Se for imprescindível para a instrução processual, observar-se-á
rigorosamente o disposto no art. 123 do Código de Processo Penal e, quanto às
alienações judiciais referidas, aplicam-se as disposições dos arts. 730 e 879 a 903 do
Código de Processo Civil.
Art. 476. Realizada a alienação do bem, os valores apurados serão recolhidos
na conta única do Poder Judiciário e, com o trânsito em julgado, transferidos à
Secretaria Nacional de Política sobre Drogas do Ministério da Justiça e Segurança
Pública – Senad/MJSP, por meio de Guia de Recolhimento da União, na forma prevista
no Manual de Avaliação e Alienação Definitiva e Cautelar de Bens, disponibilizado na
página do Ministério da Justiça e Segurança Pública na internet
(https:/[Link]/sua-protecao/politicas-sobre-drogas).
§ 1º Para o preenchimento da guia, deverá constar no campo “contribuinte” o
nome do órgão que determinou o recolhimento e o seu respectivo CNPJ, e no campo
“número de referência” deverá constar o número do processo a que está vinculado o
bem alienado.
§ 2º Efetuado o depósito, um comprovante deverá ser juntado aos autos,
remetendo-se, ainda, cópias ao Senad e ao Sisnad.

Seção XXIII
Do depósito de substâncias entorpecentes e explosivas

Art. 477. Quando da realização da audiência de custódia ou apreciação do auto


de prisão em flagrante, o magistrado desde logo verificará a regularidade formal do
laudo de constatação e deliberará sobre a destruição das drogas apreendidas, guardando-
se amostra.
§ 1º Ao receber o auto de prisão em flagrante apreciado, ou com audiência de
custódia realizada, o gestor judiciário verificará se houve deliberação expressa quanto à
destruição ou manutenção da apreensão dos entorpecentes; se não houver, promoverá
imediata conclusão para tal fim.
§ 2º A decisão quanto à destruição ou manutenção da apreensão dos
entorpecentes será imediatamente comunicada à autoridade policial responsável,
preferencialmente por meio eletrônico, via integração de sistemas, ou e-mail.
Art. 478. Na hipótese de apreensão de entorpecentes sem prisão em flagrante,
após a vinda do respectivo laudo de constatação ou toxicológico, no prazo máximo de
30 (trinta) dias contados da apreensão, a autoridade policial encaminhará os autos ao
magistrado competente para decisão quanto à destruição dos entorpecentes, preservadas
amostras.
Parágrafo único. Qualquer que seja a fase do inquérito policial ou do
processo, verificando o escrivão que não houve decisão quanto à destruição ou
manutenção da apreensão dos entorpecentes, certificará e promoverá imediata conclusão
ao magistrado.
Art. 479. Encerrado o processo penal ou arquivado o inquérito policial ou
termo circunstanciado de ocorrência, o magistrado determinará a destruição das
amostras guardadas para contraprova, não podendo os autos ser remetidos ao arquivo
sem a respectiva comunicação.
Art. 480. Ao serem apreendidas substâncias entorpecentes ou que determinem
dependência física ou psíquica, serão lançados nos próprios autos, dentre outros dados,
a natureza, a quantidade, a unidade, o peso, o volume e o conteúdo da substância e a
descrição do recipiente ou invólucro, incumbindo à autoridade policial proceder à
necessária perícia, nos moldes legais.
Parágrafo único. Se a unidade policial não dispuser de instrumento apto a
encontrar o peso da substância, deverá a autoridade policial esclarecer de modo
expresso qual foi o equipamento utilizado, fazendo constar a marca, o modelo e o
número de série, se existentes, bem como a data de eventual aferição, a sua propriedade
e onde poderá ser novamente encontrado.
Art. 481. As substâncias entorpecentes e explosivas não serão recebidas pelas
secretarias das unidades judiciárias, devendo permanecer em depósito junto à unidade
da Polícia Judiciária Civil, sob a responsabilidade e fiscalização da respectiva
autoridade que presidir o inquérito ou daquela que sucedê-la.
§ 1º Também não serão recebidas substâncias que evidenciarem a possibilidade
de serem consideradas como matéria-prima para a preparação de substância
entorpecente que cause dependência física ou psíquica e, bem assim, sementes de
plantas que possam produzir tais substâncias entorpecentes, proscritas no território
nacional.
§ 2º Após o trânsito em julgado da sentença, as substâncias entorpecentes ou
que determinem dependência física ou psíquica, apreendidas por infração a qualquer dos
dispositivos da Lei n. 11.343, de 23 de agosto de 2006, devidamente comprovadas por
laudo definitivo, deverão ser levadas ao órgão competente do Ministério da Saúde ou
congênere estadual; cabendo à autoridade policial a responsabilidade pela legal e
regular entrega, não dispensando, inclusive, a pesagem ou medição volumétrica no
momento do recebimento, por parte do responsável do citado órgão.
Art. 482. Se a custódia da substância entorpecente ou que determine
dependência física ou psíquica revelar-se inconveniente ou perigosa, deverá ser
destruída por determinação da autoridade judicial competente, desde que preservada
porção suficiente à realização da prova pericial e da contraprova.
§ 1º Em qualquer caso, haverá prévia oportunidade para manifestação do
Ministério Público e do imputado, se identificado, através de defensor constituído ou
nomeado para o ato, e se o requerimento para destruição da substância não for de
autoria da autoridade policial, esta será ouvida pelo magistrado, no prazo de 05 (cinco)
dias.
§ 2º Ao determinar a destruição, a autoridade judicial designará dia, hora e
local para sua concretização, devendo comunicar à autoridade policial que tiver
atribuições para efetivá-la, ao Ministério Público e à autoridade sanitária, para se
fazerem presentes e acompanharem o ato, que será supervisionado pela autoridade
judicial competente.
§ 3º Dos atos previstos no caput deste artigo será lavrado o auto
circunstanciado a que se refere a Lei n. 12.961/2014, a ser subscrito por todos os
presentes e por pelo menos duas testemunhas, juntando-se cópia nos autos do inquérito
ou da ação penal.
§ 4º Sob os mesmos fundamentos, as medidas previstas nos §§ 2º e 3º deste
artigo deverão ser adotadas em relação à "matéria-prima" das substâncias mencionadas.
§ 5º Se apresentada a justificativa acerca da autorização legal ou regulamentar
a que alude o art. 2º da Lei n. 11.343/2006 antes de determinada a destruição, o
imputado será cientificado de que disporá do prazo de 05 (cinco) dias para provar a
autorização legal ou regulamentar referente à detenção, posse ou propriedade da
substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica, bem como, se
for o caso, das matérias-primas e sementes de plantas destinadas à preparação ou que
possam produzir tais substâncias, ouvindo-se o Ministério Público no mesmo prazo.
Art. 483. Em nenhuma hipótese, as secretarias das unidades judiciárias
criminais receberão substâncias explosivas.

Seção XXIV
Do habeas corpus – informações

Art. 484. O pedido de informações referente a habeas corpus será prestado no


prazo máximo de 5 (cinco) dias, salvo se outro for fixado pelo relator.
§ 1º A autoridade apresentará as considerações de caráter jurídico
indispensáveis, identificando as teses levantadas na impetração, procurando demonstrar,
com base em dados concretos dos autos, os motivos da prisão, os fundamentos da
decisão atacada e as razões de eventual excesso de prazo na instrução, conforme o caso.
§ 2º A autoridade judiciária apontada como coatora em autos de habeas corpus
ainda não julgados prestará informações complementares no prazo de 24 (vinte e
quatro) horas e, independentemente de nova requisição, quando no processo ocorrer fato
relevante diretamente vinculado ao objeto da impetração.

Seção XXV
Dos incidentes criminais

Art. 485. Os incidentes processuais criminais são questões pontuais a serem


decididas pelo magistrado e serão distribuídos, em regra, em autos apartados, com
posterior apensamento aos autos principais, para não causar prejuízo ao trâmite
processual do inquérito policial, da ação penal ou da execução penal.
Art. 486. Os incidentes criminais serão distribuídos nas seguintes classes
processuais, conforme a tabela taxonômica do Conselho Nacional de Justiça:
I - 385 Execução Criminal – SEEU;
II - 406 Incidentes;
III - 409 Anistia – SEEU;
IV - 411 Comutação de Pena – SEEU;
V - 407 Conversão de Pena – SEEU;
VI - 408 Excesso ou Desvio;
VII - 410 Indulto – SEEU;
VIII - 11957 Remição de Pena – SEEU;
IX - 1283 Superveniência de Doença Mental – SEEU;
X - 1288 Transferência entre Estabelecimentos Penais;
XI - 1284 Unificação de Penas – SEEU;
XII - 316 Questões e Processos Incidentes;
XIII - 1717 Alienação de Bens do Acusado;
XIV - 327 Embargos de Terceiro;
XV - 1715 Embargos do Acusado;
XVI - 326 Restituição de Coisas Apreendidas;
XVII - 317 Exceções;
XVIII - 324 Exceção da Verdade;
XIX - 322 Exceção de Coisa Julgada;
XX - 321 Exceção de Ilegitimidade de Parte;
XXI - 323 Exceção de Impedimento;
XXII - 319 Exceção de Incompetência de Juízo;
XXIII - 320 Exceção de Litispendência;
XXIV - 318 Exceção de Suspeição;
XXV - 331 Incidentes;
XXVI - 1178 Arguição de Inconstitucionalidade;
XXVII - 1787 Assistência Judiciária;
XXVIII - 1719 Avaliação para Atestar Dependência de Drogas;
XXIX - 325 Conflito de Jurisdição;
XXX - 432 Desaforamento de Julgamento;
XXXI - 11788 Exibição de Documento ou Coisa;
XXXII - 11789 Impugnação ao Valor da Causa;
XXXIII - 11790 Impugnação de Assistência Judiciária;
XXXIV - 332 Incidente de Falsidade;
XXXV - 433 Incidente de Uniformização de Jurisprudência;
XXXVI - 333 Insanidade Mental do Acusado;
XXXVII - 11791 Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei;
XXXVIII - 1291 Reabilitação;
XXXIX - 328 Medidas Assecuratórias;
XL - 330 Arresto / Hipoteca Legal;
XLI - 329 Sequestro;
XLII - 308 Medidas Cautelares;
XLIII - 11955 Cautelar Inominada Criminal;
XLIV - 11793 Justificação Criminal;
XLV - 311 Medidas Investigatórias sobre Organizações Criminosas;
XLVI - 10967 Medidas Protetivas - Estatuto do Idoso;
XLVII - 1268 Medidas Protetivas de urgência - Lei Maria da Penha;
XLVIII - 309 Pedido de Busca e Apreensão Criminal;
XLIX - 310 Pedido de Quebra de Sigilo de Dados e/ou Telefônico.
Seção XXVI
Do procedimento para cremação de cadáver

Art. 487. A autorização para cremação do cadáver daquele que houver


manifestado essa vontade, no caso de morte violenta, será expedida pela autoridade
judicial competente para analisar questões relacionadas ao inquérito policial, depois de
ouvido o Ministério Público.
Art. 488. Nos casos de urgência, o pedido será formulado perante a autoridade
policial, a qual, após opinar sobre a conveniência ou não da liberação do corpo,
remeterá, imediatamente, os autos ao juízo.
Art. 489. Nos dias em que não houver expediente forense, o incidente deverá
ser decidido pelo magistrado responsável pelo plantão judiciário.
Art. 490. Os autos serão instruídos com:
I - prova de que o falecido, em vida, manifestou a vontade de ser cremado;
II - boletim de ocorrência policial;
III - laudo médico-legal ou declaração dos médicos legistas concernente à
liberação do corpo para cremação.
Art. 491. O pedido de autorização será apreciado, prioritariamente, pela
autoridade judiciária competente.
Parágrafo único. A urgência na providência decorrerá do interesse da família
na remoção do corpo, da impossibilidade de conservação do cadáver ou, ainda, de
imperativo da saúde pública.
Art. 492. Não se convencendo da urgência ou da conveniência da liberação
imediata do corpo, o magistrado ordenará o retorno do pedido de autorização à polícia,
sem prejuízo de posterior apreciação.
Art. 493. Os pedidos de autorização para cremação de cadáver, após a
efetivação da medida ou de seu indeferimento, deverão ser imediatamente distribuídos e
apensados aos autos de inquérito policial ou de processo criminal, se já instaurado.

Seção XXVII
Dos procedimentos sigilosos

Art. 494. No recebimento, na movimentação e na guarda de feitos e


documentos sigilosos, as unidades do Poder Judiciário de Mato Grosso deverão tomar
as medidas para que o acesso atenda às cautelas de segurança previstas nesta norma,
sendo os servidores responsáveis pelos seus atos, na forma da lei.
Parágrafo único. No caso de violação de sigilo, o magistrado responsável pelo
deferimento da medida determinará a imediata apuração dos fatos.

Seção XXVIII
Das medidas cautelares apreciadas no plantão judicial

Art. 495. Durante o plantão judicial, a competência para conhecer e apreciar o


pedido de medidas cautelares ou assecuratórias criminais será do magistrado
plantonista.
Art. 496. Nos expedientes referentes aos pedidos decididos durante o plantão
deverá constar expressamente essa informação.
Art. 497. Não será admitido pedido de prorrogação de prazo de medida
cautelar de interceptação de comunicação telefônica, telemática ou de informática
durante o plantão judiciário, ressalvada a hipótese de risco iminente e grave à
integridade ou à vida de terceiros, bem como durante o plantão de recesso previsto no
art. 62 da Lei n. 5.010/66.
Art. 498. Na ata do plantão judiciário constará, apenas, a existência da
distribuição de "medida cautelar sigilosa", sem qualquer outra referência, não sendo
arquivado no plantão judiciário nenhum ato referente à medida.
Art. 499. Quando da formulação de eventual pedido de prorrogação de prazo
pela autoridade competente, deve ser apresentado o relatório circunstanciado das
investigações realizadas.
§ 1º No caso de requerimento de interceptação telefônica, devem constar do
pedido de prorrogação de prazo:
I - os áudios (CD/DVD) com o inteiro teor das comunicações interceptadas;
II - as transcrições das conversas relevantes à apreciação do pedido de
prorrogação;
III - o relatório circunstanciado das investigações com seu resultado.
§ 2º Sempre que possível, os áudios, as transcrições das conversas relevantes à
apreciação do pedido de prorrogação e os relatórios serão gravados de forma sigilosa e
encriptados com chaves definidas pelo magistrado condutor do processo criminal.
Seção XXIX
Da execução penal

Art. 500. O Sistema Eletrônico de Execução Unificado – SEEU, desenvolvido


pelo Conselho Nacional de Justiça, fica definido como o meio de controle informatizado
da execução penal no âmbito da Justiça Comum de primeiro grau do Estado de Mato
Grosso.
§ 1º Os processos de execução penal e seus incidentes, em andamento como
processos físicos, serão digitalizados e cadastrados na base de dados do SEEU e, após,
arquivados, sem prejuízo do desarquivamento posterior, a critério do magistrado da
execução penal ou para:
I - digitalização, pela secretaria da unidade judiciária, de algum documento
que, a pedido de qualquer interessado ou por decisão judicial, deva ser anexado ao
SEEU;
II - carga excepcional e devidamente justificada do processo ao Ministério
Público, à Defensoria Pública ou à defesa do condenado;
III - conferência das informações cadastradas no SEEU.
§ 2° Os processos de execução penal e seus incidentes em primeiro grau de
jurisdição tramitarão exclusivamente no sistema SEEU, sem prejuízo do
desarquivamento do processo físico que foi digitalizado, na forma disposta no § l° deste
artigo.
§ 3º Tramitarão no SEEU apenas as execuções de penas, inclusive alternativas
e de medidas de segurança, não incluídas, por conseguinte, as transações penais e as
suspensões condicionais do processo.
§ 4° Os incidentes da execução penal serão processados no próprio processo
eletrônico da execução penal no SEEU, somente se formando instrumento apartado em
caso de recurso de agravo em execução penal.
Art. 501. Para cada condenado será formado um único processo de execução
penal, individual e indivisível, que reunirá todas as condenações que lhe forem
impostas, inclusive aquelas que vierem a ocorrer no curso da execução.
§ 1º O distribuidor, antes de cadastrar a guia de execução, verificará a
existência de outro processo de execução em curso no SEEU e nos demais sistemas, de
forma a evitar a duplicidade de execuções.
§ 2° Verificada a existência de processo de execução do mesmo condenado,
anterior e em curso, o distribuidor, após as anotações, encaminhará a guia ao juízo
competente, via malote digital, para a imediata implantação no executivo de pena em
curso, preservando-se a numeração única.
§ 3º Sobrevindo condenação após a extinção de processo de execução anterior,
será formado novo processo de execução penal, com novo número único.
§ 4º Ao magistrado é vedado implementar, sob pena de responsabilidade
funcional, incidente da execução no SEEU sem regularizar ou unificar todas as guias
certificadas como existentes contra o condenado.
Art. 502. No âmbito da execução penal é obrigatória a utilização do malote
digital para a remessa de guias e quaisquer correspondências, independentemente de sua
natureza, excetuados os atos que se praticam via SEEU, entre o Tribunal de Justiça, as
varas criminais e as varas de execução penal, e entre estas e as unidades prisionais.
Parágrafo único. Na falta de integração com as unidades prisionais, a
comunicação será feita obrigatoriamente por meio eletrônico (e-mail).
Art. 503. Havendo a necessidade de remessa do processo a outra comarca,
deverá a secretaria da unidade judiciária verificar se a vara de destino está integrada ao
SEEU, hipótese em que a remessa se processará por meio eletrônico; e, não estando o
juízo destinatário integrado ao referido sistema, o processo eletrônico será transformado
em formato PDF, incluindo as peças anexadas, os relatórios de cumprimento de pena e
o atestado de penas a cumprir, para envio via malote digital.
Art. 504. Recebida carta precatória de outro juízo ainda não integrado ao
SEEU, para fiscalização e cumprimento de penas, deverá ser solicitada pelo distribuidor
a remessa do processo executivo de pena, no prazo máximo de 10 (dez) dias, que será
cadastrado no SEEU, digitalizando-se e anexando-se eletronicamente os documentos
imprescindíveis, como arquivamento definitivo do processo físico.
Parágrafo único. É vedada a execução ou a fiscalização de pena por carta
precatória.
Art. 505. O processo executivo de pena físico recebido de outro juízo ainda
não integrado ao SEEU deverá ser digitalizado e cadastrado pelo distribuidor.
Art. 506. Os mandados serão expedidos pela secretaria da unidade judiciária,
diretamente no SEEU, sendo encaminhados para a Central de Mandados, que, por sua
vez, distribuirá por meio do próprio SEEU ao oficial de justiça.
§ 1° A secretaria da unidade judiciária fará constar no mandado a zona de
cumprimento ou se deverá ser distribuído ao oficial plantonista.
§ 2° O oficial de justiça deverá verificar o SEEU para acessar os mandados,
sendo responsável por imprimir, realizar o cumprimento e certificar diretamente em seu
cadastro SEEU.
Art. 507. As decisões prolatadas pelo juiz da execução penal comportam
recurso de agravo em execução penal, no prazo de 05 (cinco) dias, que será interposto
por petição no processo eletrônico da execução no SEEU.
Art. 508. A remessa do recurso e das peças indicadas pelas partes ao Tribunal
de Justiça, após a tramitação no juízo de primeiro grau no SEEU, será realizada pela
unidade judiciária via ofício protocolado no sistema PJe – 2º grau.3
§ 1º Da autuação do agravo de execução penal (413) devem constar os
seguintes dados:2
I - processo referência: número único do processo em trâmite no SEEU;
II - polo ativo: agravante;
III - polo passivo: agravado;
IV - outros participantes: Ministério Público do Estado de Mato Grosso (custos
legis);
V - assunto: conforme o caso, disponíveis sob o assunto pai n. 7942 (execução
penal e de medidas alternativas), do Sistema de Gestão das Tabelas Processuais
Unificadas do Conselho Nacional de Justiça e outros assuntos relacionados ao feito;
VI - segredo de justiça, se for o caso;
VII - pedido de liminar, se houver;
VIII - prioridade, se houver.
§ 2º Fica vedado o envio das peças do agravo de execução penal por meio
físico ou por qualquer outro meio eletrônico diverso do sistema PJe.14
§ 3º O acesso ao PJe – 2º grau deve ser solicitado à Coordenadoria de
Tecnologia da Informação, via chamado SDM.2

3 Provimento n. 10/2021-CGJ
2 Provimento n. 10/2021-CGJ
1 Provimento n. 10/2021-CGJ
2 Provimento n. 10/2021-CGJ
3 Provimento n. 10/2021-CGJ
§ 4º Após o julgamento do recurso, as peças produzidas a partir da distribuição
na segunda instância serão encaminhadas à respectiva unidade judiciária via sistema
Malote Digital.3
Art. 509. O sistema SEEU conterá calculadora que informará, tempestiva e
automaticamente, por aviso eletrônico, ao juiz da execução penal, ao Ministério
Público, à Defensoria Pública e ao defensor constituído, as datas estipuladas para:
I - obtenção de progressão de regime;
II - concessão de livramento condicional;
III - enquadramento do condenado nas hipóteses de indulto e de comutação de
penas.
Art. 510. Por meio dos dados constantes da calculadora de pena do SEEU, uma
vez preenchido o requisito temporal, o incidente para concessão do benefício será
instaurado de ofício pelo juiz da execução penal.
§ 1º Sempre que instaurado incidente quanto a benefício prisional, e sem
prejuízo da comunicação periódica na forma da Lei n. 7.210/1984, as unidades
prisionais deverão instruí-lo com atestados de conduta carcerária, de dias trabalhados,
de estudos e de leitura, para fins de remição.
§ 2° Na hipótese de ausência de algum dos documentos referidos no § 1º deste
artigo, a secretaria da unidade judiciária providenciará junto ao órgão competente a
anexação eletrônica do documento necessário.
§ 3° Após a conferência, pela secretaria da unidade judiciária, e estando em
ordem o processo, este será encaminhado ao Ministério Público para manifestação, no
prazo de 05 (cinco) dias.
§ 4° Decorrido o prazo fixado no § 3º deste artigo, o processo:
I - em caso de manifestação favorável ou de pedido de diligência, será concluso
ao juiz da execução penal para decisão;
II - em caso de manifestação desfavorável, será remetido à defesa por igual
prazo.
§ 5° A decisão do incidente será lançada no sistema eletrônico, seguindo-se à
intimação do Ministério Público, da Defensoria Pública e do defensor constituído, bem
como à ciência eletrônica dirigida à unidade prisional.
Art. 511. Os pedidos incidentais no processo de execução penal, quando não
instaurados de ofício, serão solicitados pelo requerente no SEEU, no processo de
execução de pena do condenado.
§ 1° Os pedidos podem ser instaurados por iniciativa do Ministério Público, do
condenado representado por advogado ou da Defensoria Pública.
§ 2° Verificada, pelo sistema eletrônico, a ausência de requisito objetivo
necessário à concessão do benefício pleiteado, o processo será concluso ao magistrado
da execução penal, que poderá indeferir o pedido liminarmente.
Art. 512. Havendo notícia de descumprimento de alguma das condições
impostas ao condenado, intimar-se-á, independentemente de despacho judicial, o
defensor particular ou a Defensoria Pública para a justificativa, em 05 (cinco) dias,
ouvindo-se em seguida o Ministério Público.
§ 1° O processo será, em seguida, concluso para decisão.
§ 2° Havendo possibilidade de regressão do regime, nos termos do § 2º do art.
118 da Lei 7.210/1984, a oitiva pessoal do condenado deverá ser realizada em até 10
(dez) dias.

Seção XXX
Da execução da pena

Art. 513. As atas e os termos de audiência serão assinados digitalmente apenas


pelo magistrado presidente do ato, facultando-se aos demais participantes da audiência
que possuam assinatura digital assinar os termos.
Art. 514. Serão encaminhados para o estabelecimento prisional adequado ao
cumprimento de suas penas privativas de liberdade, no caso a Colônia Agrícola ou
Industrial, os reeducandos ingressos no regime semiaberto, com triagem prévia daqueles
que possuam experiência no desenvolvimento da atividade agrícola ou industrial, ou, na
ausência desta experiência, os que denotarem aptidão física para suportar a densidade
decorrente da natureza da mencionada atividade.
Art. 515. Ordinariamente, o Juízo da Execução Penal mato-grossense decidirá
a respeito da transferência ou da remoção do preso e somente em casos revestidos de
excepcionalidade, apoiando-se na necessidade de manutenção da saúde do preso, se
gravemente atingida ou, ainda, para preservar a sua vida.
Art. 516. Prolatada a sentença ou o acórdão condenatório, ressalvada a
hipótese de interposição de recurso com efeito suspensivo por parte do Ministério
Público, será o réu colocado imediatamente no regime imposto na decisão, estando ele
em regime mais gravoso, podendo, para tanto, o órgão prolator realizar audiência
admonitória, ou determinar a expedição da guia de recolhimento provisório, que deverá
ser encaminhada à distribuição para remessa ao Juízo da Execução Penal, no prazo
máximo de 05 (cinco) dias.
Art. 517. No caso de condenado à pena privativa de liberdade a ser cumprida
em regime inicialmente aberto, estando o réu solto quando do trânsito em julgado da
sentença condenatória, a contagem do início do cumprimento da pena dar-se-á a partir
da data da audiência admonitória, ficando vedado o seu recolhimento à prisão.
Art. 518. A expedição de guia de recolhimento, bem como o seu
cadastramento no SEEU, ocorrerá após a prisão do condenado, devendo o magistrado da
execução penal recusar o recebimento da guia se não acompanhada de prova legal a
respeito.
Art. 519. A fiscalização das penas em regime semiaberto e aberto e das
restritivas de direitos iniciar-se-á com a guia de recolhimento, devidamente instruída
com os documentos e implantada no SEEU.
Art. 520. Independentemente de deliberação judicial, a secretaria da unidade
judiciária designará audiência admonitória, providenciando-se a intimação do
condenado, de sua defesa e do Ministério Público.
Art. 521. Noticiado o cumprimento integral das condições pelo condenado e
colhida a manifestação do Ministério Público, o processo será concluso ao juiz da
execução penal, no SEEU, para julgamento.
Parágrafo único. O Instituto de Identificação ligado à Perícia Oficial e
Identificação Técnica – Politec e o Tribunal Regional Eleitoral serão comunicados por
meio do SEEU, mas enquanto não integrados ao sistema via web service, a
comunicação será efetivada por meio físico, seguindo-se sua anexação ao sistema
eletrônico, mediante digitalização.
Art. 522. Concedida a suspensão condicional da pena, a audiência admonitória
e a fiscalização do cumprimento das condições do sursis realizar-se-ão já no Juízo da
Execução Penal competente.
Art. 523. Logo que transitar em julgado a sentença que conceder o sursis,
expedir-se-á guia de execução, que será enviada, de imediato, ao Juízo da Execução
Penal competente, acompanhada das peças descritas do art. 106 da Lei nº 7.210/1984.
Art. 524. Se for o caso de cumprimento do sursis em comarca diversa, seja
deste ou de outro Estado, a guia de execução será enviada acompanhada também dos
documentos mencionados no art. 517 deste Código.
Art. 525. Transitada em julgado a sentença penal condenatória ou a absolutória
imprópria, a unidade judiciária responsável pelo julgamento expedirá, no prazo máximo
de 05 (cinco) dias, guia de execução para cumprimento de penas privativas de liberdade
ou restritivas de direitos e de medidas de segurança.
§ 1º A guia de condenado preso será gerada pelo BNMP 2.0 ou outro sistema
de processo eletrônico, devendo, em qualquer caso, ser instruída com a digitalização,
em arquivos formato PDF de até 2 MB (dois megabytes), contendo as seguintes peças e
informações:
I - qualificação completa do condenado e cópia de seus documentos pessoais,
se houver, e, em caso positivo, a informação de onde estão arquivados os originais
apreendidos no momento da sua prisão, se preso;
II - cópia da denúncia e da decisão de seu recebimento;
III - cópia da sentença, acórdãos e respectivas certidões de publicação;
IV - informação sobre aplicação, pelo juízo da condenação, da detração
prevista no § 2° do art. 387 do Código de Processo Penal;
V - informação sobre os endereços nos quais o condenado possa ser
encontrado;
VI - certidão de trânsito em julgado da condenação;
VII - cópia de mandados de prisão expedidos e certidão da data de seu
cumprimento; além de auto de prisão em flagrante delito, se houver;
VIII - cópia dos alvarás de soltura expedidos; e a certidão da data de seu
cumprimento;
IX - certidão acerca do estabelecimento prisional em que o condenado está
recolhido;
X - cópia de decisão de pronúncia e da certidão de preclusão do prazo recursal,
se houver;
XI - cópias das decisões que tenham aplicado ao condenado medidas cautelares
alternativas à prisão;
XII - cópia de laudo de avaliação e de auto de restituição, quanto aos crimes
patrimoniais;
XIII - cópias de decisões de suspensão da prescrição e do restabelecimento do
prazo, nos termos do art. 366 do Código de Processo Penal;
XIV - cópias de outras peças reputadas imprescindíveis à execução da pena.
§ 2° A remessa da guia de execução e suas peças será feita por malote digital
ao distribuidor do foro competente para a execução da pena.
§ 3° O juízo da condenação enviará, ainda, por meio eletrônico, segunda via da
guia de execução às Superintendências Prisionais Regionais Leste e Oeste do Sistema
Penitenciário, da Secretaria de Estado de Segurança Pública - SESP, para fins de
matrícula do condenado em estabelecimento prisional compatível com a condenação.
§ 4° A guia de execução erroneamente preenchida ou incompleta, assim como
aquela deficientemente instruída, deverá ser devolvida por malote digital à unidade
judiciária remetente, independentemente de decisão judicial e com indicação expressa
da deficiência, para correção e reenvio no prazo de 48 (quarenta e oito) horas.
§ 5° Em sendo viável a correção do vício pela unidade judiciária competente
para a execução da pena, esta será providenciada desde já, independentemente da
devolução da guia ao emitente, obtendo a secretaria o documento faltante por meio
eletrônico.
Art. 526. A execução das medidas de segurança iniciar-se-á com a guia de
execução para fins de internação ou de tratamento ambulatorial.
Art. 527. Expedida a guia, uma cópia deverá ser juntada aos autos e a remessa
ao distribuidor certificada.
Art. 528. O magistrado assinará a guia de execução tão-somente após a
anexação das peças processuais que, por cópia, devem acompanhá-la, visando a
conferência de sua exatidão.
Art. 529. A guia será cadastrada pelo distribuidor e enviada ao Juízo da
Execução Penal via SEEU.15
§ 1° Implantada a guia e demais eventos da execução, o SEEU disponibilizará
automaticamente o cálculo de liquidação de pena, com informações quanto ao término e
provável data de benefícios, tais como progressão de regime e livramento condicional.
§ 2° Após a implantação da guia no SEEU pela secretaria, o processo será
concluso ao juiz da execução penal para a adequação do regime, unificação de penas e
demais providências para a continuação ou início da execução.
§ 3° Em se tratando de condenação definitiva pelos crimes especificados no art.
9º-A da Lei n. 7.210/1984 (Lei de Execução Penal), ao receber o processo executivo de
pena, o Juiz da Execução Penal comunicará a Perícia Oficial e Identificação Técnica -

1 Provimento n. 29/2020-CGJ
POLITEC para que esta providencie, junto à Administração Penitenciária, a coleta do
material biológico para identificação do perfil genético do condenado.126
§ 4º Na hipótese do parágrafo anterior, deverão ser encaminhadas à POLITEC
cópias da sentença condenatória, da guia de recolhimento e do extrato de execução de
pena, bem como informações sobre a qualificação do condenado, a tipificação da
condenação, o número do processo executivo de pena, o número da ação penal
respectiva e a unidade prisional em que se encontra o custodiado.2
§ 5º Cumpridos os procedimentos estabelecidos nos parágrafos anteriores, será
aberta vista do processo ao Ministério Público e à Defensoria Pública, quando não
houver patrono privado constituído, independentemente de decisão judicial.3
§ 4º Sempre que houver alteração do cumprimento da pena, bem como no mês
de janeiro de cada ano, serão impressas e entregues ao condenado cópia do atestado de
penas a cumprir e do relatório de situação processual executória, juntando-se ao SEEU o
comprovante da respectiva entrega.4
Art. 530. Expedida a guia de execução penal, os autos do processo deverão ser
baixados pela secretaria, que deverá preencher a data de encerramento no sistema
informatizado, com a baixa nos relatórios estatísticos e demais controles com posterior
arquivamento dos autos.
Art. 531. Comunicar-se-á por ofício, instruído com as peças processuais
necessárias, qualquer alteração posterior à expedição da guia de recolhimento, seja
quanto ao regime de cumprimento da pena, seja quanto ao tempo de duração dela ou da
medida de segurança aplicada, cabendo ao Juízo da Execução Penal comunicar ao
Distribuidor.
Art. 532. Recebida a guia de recolhimento, que deverá conter, além do regime
inicial fixado na sentença, informação sobre eventual detração modificativa do regime
de cumprimento da pena, deferida pelo juízo do processo de conhecimento, nos lindes
do § 2º do art. 387 do Código de Processo Penal, o estabelecimento penal onde está
preso o executado promoverá a sua imediata transferência à unidade penal adequada,
salvo se por outro motivo ele estiver preso, assegurado o controle judicial posterior.
Art. 533. As unidades prisionais deverão obrigatoriamente utilizar o SEEU
para:

1 Provimento n. 29/2021-CGJ
2 Provimento n. 29/2021-CGJ
3 Provimento n. 29/2021-CGJ
4 Provimento n. 29/2021-CGJ
I - a realização de comunicações em geral ao magistrado da execução penal
relativas ao cumprimento de pena, inclusive quanto ao cometimento de falta disciplinar,
e envio de atestados de comportamento carcerário, de trabalho e estudos, para fins de
remição;
II - a obtenção do atestado de penas a cumprir pelo condenado, bem como
relatório de sua situação processual executória.
Seção XXXI
Da execução provisória da pena

Art. 534. Tratando-se de condenado preso por sentença condenatória ou


absolutória imprópria recorríveis, será expedida guia de recolhimento provisória da
pena privativa de liberdade ou medida de segurança.
Art. 535. A guia de recolhimento provisória será expedida ao Juízo da
Execução Penal de acordo com o padrão do Conselho Nacional de Justiça (anexos da
Resolução n. 113, de 20 de abril de 2010), após o recebimento do recurso,
independentemente de quem o interpôs, acompanhada, no que couber, das peças e
informações previstas nos arts. 105 e 106 da Lei n. 7.210/1984, sendo obrigatória a
inserção de certidão referente ao(s) recurso(s) interposto(s) e ausência de efeito
suspensivo.
Art. 536. Deverá ser anotada na guia de recolhimento expedida nestas
condições a expressão "PROVISÓRIO", em sequência da expressão guia de
recolhimento.
Art. 537. A expedição da guia de recolhimento provisório será certificada nos
autos do processo criminal.
Art. 538. Estando o processo em grau de recurso, e não tendo sido expedida a
guia de recolhimento provisório, às secretarias desses órgãos caberá expedi-la e remetê-
la ao juízo competente.
Art. 539. Sobrevindo decisão absolutória, o respectivo juízo comunicará,
imediatamente e por malote digital, o fato ao juiz da execução penal para anotação do
resultado ou cancelamento da guia.
Art. 540. Sobrevindo trânsito em julgado da condenação, o juízo de
conhecimento encaminhará por malote digital as peças complementares.

Seção XXXII
Da corregedoria dos presídios

Art. 541. A função correcional nas unidades prisionais consiste em orientação,


fiscalização e inspeção permanente sobre a cadeia, penitenciária, colônia agrícola ou
industrial e casa do albergado, localizadas na área de jurisdição do magistrado
designado corregedor, dentre as varas de execução penal da comarca.
§ 1º No desempenho dessa função, poderão ser baixadas instruções (ordens de
serviço), emendados erros, determinadas providências e, inclusive, encaminhados
ofícios à Superintendência das Unidades Prisionais (órgão da Secretaria de Estado de
Segurança Pública), bem como cópia do averiguado para o Ministério Público, para fins
de apurar responsabilidade criminal.
§ 2º A função correcional será exercida por meio de correições ordinárias ou
extraordinárias, gerais ou parciais e inspeções correcionais.
§ 3º Sempre que houver indícios veementes de ocultação, remoção ilegal ou
dificultação do cumprimento de ordem judicial de soltura, ou de apresentação de preso,
poderá ser feita correição extraordinária ou inspeção em presídio ou cadeia pública.
Art. 542. As correições não substituem a exigência prevista no inciso VII do
art. 66 da Lei n. 7.210/1984, não se dispensando o juiz da execução penal de realizar a
inspeção mensal nos estabelecimentos prisionais que lhe são afetos, inclusive em
obediência ao que dispõe a Resolução n. 47, de 18 de dezembro de 2007, do Conselho
Nacional de Justiça.
Art. 543. O magistrado da vara criminal (ou vara única) que não dispuser de
unidade prisional na sua comarca e deixar os presos em outra unidade, informará, até o
dia 10 (dez) de cada mês, ao magistrado corregedor da comarca em que referidos presos
se encontrem, a situação individual de cada um, mencionando nome do réu, data da
prisão e, sendo o caso, data do trânsito em julgado ou existência de recurso pendente.
Parágrafo único. A ausência da remessa dessas informações ou seu excessivo
atraso deverão ser comunicados pelo Juízo da Execução Penal à Corregedoria-Geral da
Justiça, para a tomada das providências devidas.
Art. 544. Quando o réu se encontrar preso em comarca diversa, o magistrado
da condenação deverá oficiar ao magistrado corregedor da unidade prisional, dando
conhecimento da condenação e remetendo, desde logo, a guia de execução e os
documentos pertinentes.
Art. 545. Os alvarás de soltura deverão ser instruídos com certidões, negativa
ou positiva, do distribuidor da comarca de origem e, quando existir ordem de prisão
contra o requerente, da secretaria competente.
Art. 546. Se a certidão acusar distribuição de inquérito policial ou de denúncia,
o postulante deverá fazer prova de que, no juízo a que foi distribuído, inexiste ordem de
prisão.
Art. 547. O cumprimento de alvará de soltura protocolizado no horário de
expediente não se suspende pelo encerramento deste.
§ 1º Se, por qualquer razão, o cumprimento imediato do alvará de soltura se
mostrar inviável, o juiz determinará ao gestor judiciário que remeta o alvará ao
magistrado de plantão.
§ 2º Fora do horário de expediente, o cumprimento de alvará de soltura ficará a
cargo do magistrado de plantão, a quem deverá ser apresentado pelo interessado,
devidamente instruído.
§ 3º Excepcionalmente, e desde que fora do expediente forense, o cumprimento
do alvará será determinado pelo magistrado de plantão, após certidão do oficial de
justiça plantonista quanto à veracidade do mandado de soltura.
Art. 548. No caso de prisão civil ou falimentar, os presos ficarão à disposição
do juízo da decisão, ao qual está afeto, exclusivamente, o cumprimento de alvará de
soltura, que não depende de estar instruído com certidões; no entanto, questões
administrativas voltadas à estada do preso na unidade prisional serão decididas pelo
magistrado corregedor.
Art. 549. Na correição devem ser verificados, obrigatoriamente, os seguintes
itens, entre outros peculiares à unidade prisional:
I - o quadro de funcionários e se a situação funcional se encontra regular;
II - se a disposição dos móveis e as condições de higiene e ordem do local de
trabalho são convenientes;
III - as questões de segurança tanto dos presidiários quanto dos agentes
prisionais e, se entender necessário, solicitar relatório do comandante da Polícia Militar
da comarca ou região;
IV - se foram sanadas e se não estão sendo repetidas todas as irregularidades
constatadas na correição anterior, adotando as providências disciplinares cabíveis;
V - se a secretaria da unidade prisional possui cópias da Lei n. 7.210/1984 e do
Regimento Interno Padrão dos Estabelecimentos Prisionais do Estado de Mato Grosso;
VI - se o arquivo de livros, pastas e papéis é seguro, limpo, livre de insetos;
VII - se há inventário de bens dos presos, tais como documentos e roupas e,
ainda, se as informações são colhidas na entrada do preso no estabelecimento prisional;
VIII - se o cadastramento e o controle dos documentos atinentes a cada preso
são feitos em pasta individual, colocada em fichário por ordem alfabética ou, se
possível, virtual;
IX - se o livro de controle dos albergados é preenchido no momento da entrada
(e não na saída), visando evitar favorecimentos por parte de agentes prisionais a alguns
detentos do regime semiaberto;
X - se os relatórios dos albergados são enviados mensalmente ao Juízo da
Execução Penal;
XI - se os reeducandos que trabalham possuem as planilhas individualizadas
constando horário de início e de final da jornada, bem como se assinam a cada dia, com
a devida fiscalização do diretor do estabelecimento prisional;
XII - se foram firmados convênios com escolas ou cursos de formação
educacional, nos termos do Provimento n. 25/2007 da Corregedoria-Geral da Justiça
deste Estado.
Art. 550. O magistrado corregedor da unidade prisional, ao tomar
conhecimento de motim ou fuga, deverá requisitar do diretor relatório, que deverá ser
entregue no prazo de 24 (vinte e quatro) horas.
Art. 551. Com a chegada do relatório, o magistrado deverá tomar as seguintes
providências:
I - dar ciência ao Ministério Público;
II - oficiar à autoridade policial, para que tome as medidas legais cabíveis,
instaurando, se for o caso, inquérito policial para apurar os fatos;
III - oficiar ao diretor do estabelecimento prisional para que tome as
providências no sentido de evitar futuras fugas, bem como para verificar, por meio de
procedimento administrativo, as responsabilidades da fuga ocorrida;
IV - oficiar ao superintendente do Sistema Prisional para que tome ciência dos
fatos e das providências que entender cabíveis, inclusive com a instauração de
sindicância sobre os fatos ocorridos;
V - determinar a juntada de cópia do relatório do diretor da cadeia nos
processos de cada fugitivo;
VI - determinar, nos processos, a expedição de mandado de captura;
VII - posteriormente, inspecionar o estabelecimento prisional para verificar a
destruição de celas e dependências e, se for o caso, interditar temporariamente o
estabelecimento.
Parágrafo único. Ao juiz-corregedor compete a prática de atos estritamente
correcionais, não carcerários ou administrativos, sendo de responsabilidade do Poder
Executivo quaisquer providências relacionadas ao estabelecimento prisional.
Seção XXXIII
Da execução de pena de multa e utilização dos recursos das penas de prestação
pecuniária aplicada em substituição à pena privativa de liberdade como condição à
suspensão condicional do processo e à transação penal

Art. 552. Se a pena de multa for a única aplicada, após o trânsito em julgado
da decisão, o juízo da condenação intimará o sentenciado a pagá-la em 10 (dez) dias ou,
se for o caso, requerer o parcelamento da obrigação por petição.
Art. 553. Não encontrado para intimação, ou não efetuado o recolhimento da
multa, ou não requerido seu parcelamento, o juiz da condenação determinará as
providências previstas no art. 555 deste Código.
Art. 554. O manejo e a destinação desses recursos, que são públicos, deverão
ser norteados pelos princípios constitucionais da Administração Pública, previstos,
dentre outros, no caput do art. 37 da Constituição Federal, sem olvidar a indispensável e
formal prestação de contas perante a unidade judiciária, sob pena de responsabilidade,
assegurando-se a publicidade e a transparência na destinação dos recursos.

Seção XXXIV
Da inscrição em dívida ativa

Art. 555. Comprovado o não pagamento da pena pecuniária aplicada, os dados


deverão ser remetidos ao Departamento de Controle e Arrecadação (DCA).
Parágrafo único. Ao remeter a pena pecuniária para inscrição em dívida ativa,
o magistrado observará a legislação sobre o limite do valor monetário mínimo para tal
inclusão, devendo, se constatado que o valor a ser inscrito é inferior a este limite, abster-
se de determinar a inscrição, sem prejuízo da informação sobre o valor à Procuradoria
Fiscal do Estado.

Seção XXXV
Da destinação dos valores

Art. 556. A prestação pecuniária destina-se, preferencialmente, à vítima ou a


seus dependentes.
Art. 557. Os valores da conta judicial, quando não destinados às vítimas ou a
seus dependentes, deverão destinar-se preferencialmente:
I - a entidade pública ou privada com finalidade social;
II - a atividades de caráter essencial à segurança pública, à educação e à saúde,
desde que essas atendam às áreas vitais de relevante cunho social, a critério da unidade
judiciária;
III - aos conselhos da comunidade.
IV - a projetos de ação da Justiça Comunitária.
§ 1º Os recursos destinados às entidades devem estar vinculados ao orçamento
do projeto escolhido.
§ 2º A Justiça Comunitária do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso
poderá receber recursos oriundos da aplicação das penas de prestação pecuniária e das
medidas alternativas, desde que não haja na localidade abrangida pela unidade gestora
entidade com finalidade social ligada à justiça criminal ou execução penal, tendo em
vista a prioridade destas sobre aquela, a teor do que dispõem os incisos I a V do § 1º do
art. 2º da Resolução n. 154, de 13 de julho de 2012, do Conselho Nacional de Justiça.
Art. 558. A receita da conta vinculada irá financiar projetos apresentados pelas
entidades, priorizando-se o repasse desses valores aquelas que:
I - mantenham, por maior tempo, número expressivo de cumpridores de
prestação de serviço à comunidade ou à entidade pública;
II - atuem diretamente na execução penal, assistência à ressocialização de
apenados, assistência às vítimas de crimes e prevenção da criminalidade, incluídos os
conselhos da comunidade;
III - prestem serviços de maior relevância social;
IV - apresentem projetos com viabilidade de execução, segundo a utilidade e a
necessidade, obedecendo-se aos critérios estabelecidos nas políticas públicas
específicas.
Art. 559. A análise e a aprovação do projeto e das condições pelo magistrado
responsável deverão ser precedidas de prévio parecer do Ministério Público, que deverá
ser cientificado de todo o processo de escolha.
Art. 560. É vedada a destinação desses recursos:
I - ao custeio do Poder Judiciário;
II - à promoção pessoal de quaisquer dos integrantes do sistema de Justiça ou
integrantes das entidades beneficiadas e, no caso dessas, para pagamento de quaisquer
espécies de remuneração a seus membros;
III - a fins político-partidários;
IV - a entidades que não estejam regularmente constituídas, sob pena de
responsabilização, caso haja desvio de finalidade;
V - ao modelo tradicional de entrega de "cesta básica" ou outra forma de
pagamento direto à entidade.
Art. 561. É vedada a escolha aleatória das entidades, devendo ser motivada a
decisão do magistrado que legitimar o seu ingresso entre os beneficiários da unidade
judiciária.
Art. 562. É vedada, ainda, a destinação de todo o recurso arrecadado a uma
única entidade, em havendo outras cadastradas, ou a um grupo reduzido de entidades,
dando-se uma distribuição equânime dos valores, de acordo com o número de entidades
interessadas e com a abrangência e relevância de cada projeto apresentado.
Parágrafo único. A vedação de que trata o caput deste artigo não se aplica à
destinação de recursos ao Conselho da Comunidade para financiar projetos que
contemplem a prestação de assistência material, à saúde, à educação, ao trabalho e
social aos sentenciados e a melhoria do Sistema Penitenciário do Estado de Mato
Grosso.
Art. 563. Para fins de destinação das verbas oriundas das penas pecuniárias,
consideram-se entidades públicas aquelas definidas no inciso II do § 2º do art. 1º da Lei
n. 9.784/1999, e entidades privadas com destinação social, aquelas que atendam aos
requisitos dos art. 2º da Lei n. 9.637/1998, do art. 2º da Lei n. 9.790/1999 e do art. 2º da
Lei n. 13.019/2014; e, ainda, o Conselho da Comunidade estabelecido nos termos do
art. 80 da Lei n. 7.210/1984.
Art. 564. Na execução da pena de prestação pecuniária decorrente da
substituição da pena privativa de liberdade, suspensão condicional do processo ou
transação penal, os valores serão recolhidos em conta judicial própria, vinculada à conta
única do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso, nos autos do procedimento que
tramitará na secretaria do juízo competente ou na Central de Penas Alternativas – Cepa.
Parágrafo único. A movimentação da referida conta será feita, tão-somente,
por meio de alvará judicial, vedado o recolhimento em cartório ou em secretaria.
Art. 565. Quando, no âmbito dos Juizados Especiais Criminais, a transação
penal importar em pagamentos em pecúnia, fica facultado aos juízes destinar tais
valores à conta judicial referida no art. 566 deste Código, movimentada pelo Juízo da
Execução Penal da respectiva comarca.
Parágrafo único. Igual providência poderá ser adotada pelo Juízo Criminal em
relação aos valores provenientes das prestações pecuniárias fixados por ocasião da
suspensão condicional do processo.
Art. 566. Embora exista a possibilidade de os valores oriundos de pena
pecuniária serem depositados no Funpen Estadual, deve ser observado o disposto na
Resolução n. 154/2012 do Conselho Nacional de Justiça, do Provimento n. 21, de 30 de
agosto de 2012, da Corregedoria Nacional de Justiça e deste Código.
Art. 567. Todos os depósitos realizados na conta, por meio de guia expedida
pelo sistema Siscondj, deverão identificar o nome do sacado (depositante) e o número
do feito que originou a pena pecuniária.
Art. 568. Caso não conste a identificação referida no item anterior, o
depositante deverá informar, por meio de petição, o processo de origem e juntar a guia,
comprovando, assim, o pagamento no procedimento específico na Cepa, e, na sua
ausência, na unidade judiciária de execução da pena competente.
Parágrafo único. Não deve ser recebida a guia avulsa, ou juntada nos autos,
sem acompanhamento das informações de identificação por meio de petição de
advogado ou defensor público.
Art. 569. Cabe ao magistrado de cada unidade judiciária com competência
para execução penal ou medida alternativa:
I - fixar, já na audiência admonitória, a forma de pagamento e a data de
vencimento da prestação, com a entrega da guia de depósito preenchida ao apenado,
facilitando-lhe o pagamento;
II - determinar o pagamento dos valores, por meio de depósito judicial, à
instituição financeira gestora da conta judicial, exclusivamente, para os depósitos
originados de pena de prestação pecuniária decorrentes de medidas alternativas à pena,
por meio de emissão de guias pelo Siscondj, no site do TJMT;
III - determinar que o pagamento do valor imposto a título de pena deve ser
feito em dinheiro, por meio de depósito judicial;
IV - formar, se possível, equipe multidisciplinar para atender aos fins deste
Código, composta, preferencialmente, por um contador, um assistente social e um
servidor efetivo com formação em Administração, Direito ou Contabilidade;
V - lançar anualmente editais para cadastro e apresentação de projetos por parte
das entidades assistenciais interessadas na utilização da verba;
VI - exigir a prestação de contas das entidades beneficiadas;
VII - homologar a prestação de contas dos projetos habilitados;
VIII - abster-se de indicar, em suas decisões, termos de audiência, suspensão
condicional da pena ou do processo, entidades a serem beneficiadas por prestações
pecuniárias, salvo se os beneficiários forem as próprias vítimas da infração penal
(reparação do dano), destinando-se as prestações de serviço e os pagamentos em
dinheiro na forma estabelecida nesta seção.
Art. 570. A homologação da prestação de contas será precedida de
manifestação da equipe multidisciplinar do juízo competente para a execução da pena
ou medida alternativa, onde houver, e do Ministério Público.
Art. 571. O edital deverá atender ao disposto na Resolução n. 154/2012 do
Conselho Nacional de Justiça, bem como fixar o prazo de inscrição, os requisitos
mínimos a serem atendidos pela entidade interessada e a documentação necessária; além
disso, estabelecer os critérios e o prazo de seleção dos projetos, o período máximo de
execução do projeto e, finalmente, a data de divulgação do resultado.
Art. 572. Anualmente, o Juízo da Execução Penal, o Juízo Criminal ou Juizado
Especial Criminal que possuam recursos de prestação pecuniária decorrentes da
substituição da pena privativa de liberdade, suspensão condicional do processo ou
transação penal, deverão divulgar, pelos meios de comunicação local mais utilizados,
bem como fixar no átrio do fórum, os termos deste Código e edital, preferencialmente
no mês de janeiro, com as especificações pertinentes, estabelecendo o prazo de 30
(trinta) dias para que as entidades realizem o cadastro para serem habilitadas e
apresentarem projetos, com a finalidade de receberem os recursos provenientes das
penas pecuniárias.
Art. 573. O requerimento de cadastro deverá ser apresentado pela entidade
interessada ao juízo competente, no prazo previsto no edital a que se refere o art. 572,
por meio de formulário próprio.
Art. 574. Findo o prazo de 30 (trinta) dias da publicação do edital e recebido o
requerimento de cadastro, deverá ser realizada visita à entidade, no prazo de 30 (trinta)
dias, preferencialmente por assistente social ou equipe multidisciplinar, ou, na
impossibilidade, por servidor do quadro do Poder Judiciário, lavrando-se relatório de
visita, no qual constarão informações pormenorizadas a respeito da entidade, bem como
de suas instalações, inclusive mediante registro fotográfico.
Art. 575. Apresentado o relatório de visita e preenchidos os requisitos do
edital, os autos serão encaminhados com vista para o Ministério Público para
manifestação no prazo de 10 (dez) dias.
Art. 576. Retornando os autos, o juízo competente publicará a relação das
entidades com cadastro regular.
Parágrafo único. Após o transcurso de 10 (dez) dias da publicação do cadastro
previsto no caput deste artigo, a entidade cadastrada poderá apresentar o projeto a ser
analisado pelo juízo competente, que deve verificar se está na forma exigida por este
Código.
Art. 577. A cada 2 (dois) anos, as entidades deverão recadastrar-se,
apresentando os documentos relacionados no art. 579 deste Código.
Art. 578. É dispensado o chamamento público quando os recursos forem
destinados ao Conselho da Comunidade para o financiamento de projetos que
contemplem a prestação de assistência material, à saúde, à educação, ao trabalho e
social aos sentenciados e a melhoria do Sistema Penitenciário do Estado de Mato
Grosso.
Art. 579. As entidades interessadas em se tornarem beneficiárias deverão
realizar o cadastro na unidade judiciária competente e apresentar o requerimento
instruído com os seguintes documentos:
I - cópia legível do estatuto social ou contrato social atualizado e registrado em
cartório;
II - cópia do RG e do CPF dos integrantes do quadro de diretores, sócios ou
administradores, ou cópia do ato que designou a autoridade pública solicitante;
III - número do CNPJ da entidade;
IV - os comprovantes de regularidade fiscal das Fazendas Públicas nas esferas
federal, estadual e municipal.
Art. 580. O projeto deve ser apresentado no prazo de 10 (dez) dias após a
publicação da relação das entidades com os cadastros regulares, em 2 (duas) vias.
Parágrafo único. O projeto a ser apresentado pela entidade que pretende obter
os recursos deverá seguir o Modelo Orientado para Projetos Sociais e conter as
seguintes especificações:
I - dados de identificação do projeto e da instituição;
II - justificativa;
III - objetivos do projeto;
IV - o público-alvo;
V - impacto;
VI - recursos materiais, acompanhados de 3 (três) orçamentos referentes ao
mesmo objeto de aquisição, na existência de estabelecimentos comerciais na unidade
judiciária respectiva, se houver, sendo estes legíveis, com nome de um responsável
devidamente identificado e com validade no momento do pagamento, admitindo-se
orçamento via e-mail;
VII - calendário de execução do projeto;
VIII - descrição de recursos humanos necessários à execução do projeto, com a
identificação (RG, CPF e comprovante de residência) das pessoas que participarão da
respectiva execução;
IX - resumo dos projetos já desenvolvidos na área de atuação, para avaliação
de sua proficiência.
Art. 581. Havendo a apresentação de projetos em desconformidade com as
especificações aqui previstas, será a entidade notificada para sanar a irregularidade, no
prazo de 5 (cinco) dias, prorrogável por mais 5 (cinco) por decisão fundamentada.
Art. 582. Não obedecendo ao disposto no art. 580 deste Código, a entidade
será excluída do cadastro da unidade judiciária responsável pela destinação dos recursos
aqui previstos.
Art. 583. Os projetos cadastrados serão analisados pela equipe
multidisciplinar, se houver, ou por servidor com formação em Contabilidade ou
Administração, que deverá apresentar parecer técnico, no prazo de 15 (quinze) dias,
indicando as entidades e projetos que atendam aos seguintes requisitos:
I - relevante cunho social;
II - viabilidade de implementação;
III - utilidade e necessidade;
IV - benefícios à segurança pública, educação ou saúde.
Art. 584. Apresentado o parecer técnico, os autos serão encaminhados ao
Ministério Público para manifestação, no prazo de 10 (dez) dias, e a seguir conclusos ao
magistrado, que decidirá, no mesmo prazo, com fundamento nos requisitos do artigo
anterior e no disposto na Resolução n. 154/2012 do Conselho Nacional de Justiça, quais
projetos serão contemplados.
Art. 585. As entidades poderão apresentar um ou mais projetos, devidamente
instruídos nos termos desta seção.
Art. 586. Habilitados os projetos, haverá a formação de banco de dados no
juízo para fins de formação de cadastro a que se refere o inciso I do art. 3º do
Provimento n. 21/2012 da Corregedoria Nacional de Justiça.
Parágrafo único. O Departamento de Aprimoramento da Primeira Instância –
Dapi desenvolverá sistema próprio para que o juízo competente possa ter banco de
entidades com cadastro regular e projetos habilitados.
Art. 587. Habilitados os projetos, o juízo competente decidirá sobre a
destinação dos recursos.
§ 1º No despacho inicial, o magistrado a que compete a execução penal
determinará a publicação de edital para dar ampla publicidade das unidades com
projetos habilitados, com o valor do orçamento de execução parcial e total.
§ 2º O procedimento referido terá como peça inicial o edital referido no § 1º
deste artigo, acompanhado de cópias do relatório de visita e pareceres.
§ 3º A escolha da entidade habilitada será efetuada pelo Juízo da Execução
Penal, Juízo Criminal ou Juizado Especial Criminal.

Seção XXXVI
Procedimento do Juízo da Execução, do Juízo Criminal e do Juizado Especial
Criminal

Art. 588. O Juízo da Execução, o Juízo Criminal ou o Juizado Especial


Criminal decidirá sobre a destinação dos recursos aos projetos habilitados quando o
numerário não for destinado total ou parcialmente ao Conselho da Comunidade, na
forma descrita no parágrafo único do art. 562 deste Código.
§ 1º No despacho inicial, o magistrado deverá:
I - indicar os projetos selecionados por sua unidade judiciária que receberão os
recursos;
II - determinar à entidade beneficiada abertura de conta bancária específica
para movimentação dos valores referentes ao projeto, no prazo de 10 (dez) dias.
§ 2º A esse procedimento ficarão apensos os projetos com as respectivas
prestações de contas, termos de visitas de acompanhamento da execução e pareceres.
Art. 589. A partir do momento em que houver a disponibilidade de recursos
suficientes para atender ao(s) projeto(s) apresentado(s), será feita a destinação do
numerário respectivo.
Art. 590. A decisão fixará o prazo para a prestação de contas, conforme o
cronograma de execução apresentado no projeto.
Art. 591. Os valores destinados a cada entidade serão levantados de acordo
com o cronograma de despesas estabelecido no projeto, por meio de único alvará
judicial.
Art. 592. Feita a destinação do recurso ao projeto, o magistrado responsável
pela unidade judiciária deverá estabelecer o critério para o acompanhamento da
execução do cronograma apresentado, sendo fiscalizado pela equipe multidisciplinar o
cumprimento do prazo inicialmente proposto, em atendimento à exigência contida no
edital e no projeto.
Art. 593. A entidade será intimada para apresentar a prestação de contas da
execução parcial do projeto por meio de carta de intimação, com comprovante de
recebimento.
Art. 594. A partir da data de intimação, as entidades terão 15 (quinze) dias
para juntarem a prestação de contas da verba recebida e de sua destinação.
Parágrafo único. O prazo a que se refere o caput poderá ser prorrogado, por
uma única vez, por mais 10 (dez) dias, a requerimento da entidade beneficiada.
Art. 595. A entidade que deixar de entregar o relatório no prazo determinado
ficará impedida de participar do certame subsequente.
Parágrafo único. O impedimento também se aplica aos casos em que a
apresentação do projeto ocorrer sem alguma das especificações obrigatórias e quando
não for atendido o prazo determinado pelo magistrado.
Art. 596. As prestações de contas de cada entidade serão juntadas nos autos
que foram distribuídos na Cepa ou nas secretarias das varas de execução, conforme
disposto no § 2º do art. 588 deste Código.
Art. 597. A entidade beneficiada deve fazer a prestação de contas à equipe
multidisciplinar do juízo, acompanhada, no final do projeto, dos seguintes itens:
I - relatório detalhado, assinado pelo responsável pela entidade beneficiada,
com informações, tais como: execução do objeto e atingimento dos objetivos; meta
alcançada; população beneficiada; avaliação da qualidade dos serviços prestados;
montante de recursos aplicados; descrição do alcance social; localidade e/ou endereço
da execução do objeto/objetivo; demais informações ou registros e, especialmente, as
atividades realizadas no atendimento ao público, inclusive com registro fotográfico;
II - relatório de execução físico-financeira consolidado, com todo o recurso
utilizado e metas executadas;
III - relação de pagamentos efetuados, em sequência cronológica e relação de
bens adquiridos, produzidos ou construídos com os recursos pactuados, respectivas
notas fiscais e “atestados”;
IV - demais documentos contábeis e financeiros e, ainda, a declaração de
guarda e conservação destes.
Art. 598. Tanto o promotor de justiça quanto o magistrado poderão requisitar
documentos, informações, comprovantes ou esclarecimentos e, bem assim, realizar
inspeções pessoais.
Art. 599. A prestação de contas recebida pelo magistrado será encaminhada à
equipe multidisciplinar ou ao assistente social da unidade judiciária, se houver, que
emitirá parecer, no prazo de 10 (dez) dias, acerca da execução do objeto e alcance dos
objetivos, com avaliação das atividades realizadas no atendimento ao público.
Parágrafo único. Após o parecer da equipe multidisciplinar, a prestação de
contas será remetida ao Ministério Público, para manifestação, também no prazo de 10
(dez) dias.
Art. 600. Não havendo diligências a serem realizadas, e cumpridas as
providências determinadas, o magistrado apreciará as contas apresentadas, zelando
sempre pela publicidade e transparência na destinação dos recursos e correta aplicação.
Art. 601. Concluída a execução do projeto, a instituição prestará contas à
unidade judiciária, no prazo máximo de 15 (quinze) dias, sob pena de enquadramento de
conduta do seu representante legal em crime de desobediência, nos termos do art. 330
do Código Penal, podendo gerar, em caso de desvio, responsabilidade civil, penal e
administrativa.
Art. 602. Homologadas as contas, os processos relativos ao projeto e
respectiva prestação de contas serão desapensados e arquivados.
Parágrafo único. Eventual sobra de recursos será depositada na subconta do
procedimento administrativo, na forma prevista no parágrafo único do art. 588 deste
Código.

Seção XXXVII
Execução de pena e regulamentação da utilização dos recursos das penas de
prestação pecuniária e das medidas alternativas nos crimes ambientais
Art. 603. Na execução da pena de prestação pecuniária decorrente de infração
ambiental, os valores serão recolhidos em conta judicial única vinculada à unidade
gestora, com movimentação apenas por meio de alvará judicial, emitido pelo juízo da
Vara Especializada do Meio Ambiente e/ou do Juizado Especial Volante Ambiental,
sendo vedado o recolhimento em cartório ou secretaria.
Art. 604. Cabe ao juízo da Vara Especializada do Meio Ambiente e/ou do
Juizado Especial Volante Ambiental:
I - fixar, na audiência de transação penal ou na audiência de suspensão
condicional do processo, a forma de pagamento e a data de vencimento das prestações,
com a entrega de guia de depósito preenchida ao apenado, facilitando-lhe o pagamento;
II - determinar o pagamento dos valores, por meio de depósito judicial, à
instituição financeira gestora da conta judicial, exclusivamente, para os depósitos
originados de pena de prestação pecuniária decorrente de medidas alternativas à pena,
por meio de emissão de guias pelo SisconDJ, no site do TJMT;
III - determinar que o pagamento do valor imposto a título de pena deve ser
feito em dinheiro, por meio de depósito judicial;
IV - formar equipe multidisciplinar para atender aos fins deste Código,
composta, preferencialmente, por um contador, um assistente social e um servidor
efetivo com formação em Administração, Direito ou Contabilidade, salvo se ausentes
profissionais aptos à composição;
V - lançar anualmente editais para cadastro e apresentação de projetos por parte
das entidades assistenciais interessadas na utilização da verba;
VI - exigir a prestação de contas das entidades beneficiadas;
VII - homologar a prestação de contas dos projetos habilitados;
VIII - abster-se de indicar em suas decisões, termos de audiência, suspensão
condicional da pena ou do processo, entidades a serem beneficiadas por prestações
pecuniárias, salvo se os beneficiários forem as próprias vítimas da infração penal
(reparação do dano), destinando-se a prestação de serviço e os pagamentos em dinheiro
na forma estabelecida nesta Seção, porque isto se dará por intermédio do processo de
habilitação.
Art. 605. A homologação da prestação de contas será precedida de
manifestação da equipe multidisciplinar do juízo competente para a execução da pena
ou da medida alternativa, onde houver, e do Ministério Público.
Art. 606. O edital para a habilitação das entidades a que se refere o inciso V do
art. 569 deste Código deverá atender ao disposto na Resolução n. 154/2012 do Conselho
Nacional de Justiça, bem como fixar o prazo de inscrição, os requisitos mínimos a
serem atendidos pela entidade e a documentação necessária; além disso, deverá
estabelecer os critérios e o prazo de seleção dos projetos, o período máximo de
execução do projeto e, finalmente, a data de divulgação do resultado.
Art. 607. A prestação pecuniária destina-se, preferencialmente:
I - à entidade pública ou privada com finalidade socioambiental;
II - às atividades de caráter essencial ao meio ambiente físico, natural, cultural,
artificial, preferencialmente, ou à segurança pública, à educação, à saúde, desde que
essas atendam às áreas vitais de relevante cunho social, a critério da unidade judiciária.
Art. 608. No que não conflitar com a presente norma, aplica-se o disposto no
Provimento n. 05/2015-CGJ.
Art. 609. Os valores depositados em contas correntes que foram abertas em
conformidade com a Resolução n. 154/2012 do Conselho Nacional de Justiça e com os
Provimentos ns. 59/2012 e 33/2014-CGJ, deverão ser depositados em conta nova que se
abrirá, nos termos deste Código, com imediato fechamento da conta antiga.
Art. 610. Durante o período de execução do projeto, o assistente social
vinculado ou indicado pelo juízo, ou, em sua falta, o servidor do quadro deste Poder
Judiciário, realizará visitas periódicas às entidades que estejam recebendo os
prestadores de serviços ou valores em dinheiro.
Art. 611. Os juízes da execução penal procederão às adequações
indispensáveis ao fiel cumprimento deste Código, no prazo de 90 (noventa) dias,
contados da data de sua publicação, inclusive quanto ao cadastramento das entidades
conveniadas.

Seção XXXVIII
Da Central de Execução das Medidas e Penas Alternativas – Cepa

Art. 612. A Central de Execução das Medidas e Penas Alternativas – Cepa,


integrada ao Juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá/MT, reconhecida pela
sigla “Cepa/MT”, tem competência para promover a execução das penas e medidas não
privativas de liberdade e condições impostas pelos Juízos Criminais e Juizados
Especiais Criminais da Capital.
Parágrafo único. A execução consiste no acompanhamento do infrator
beneficiado durante o período de satisfação da alternativa penal ou condição imposta,
mediante fiscalização do seu efetivo cumprimento por agentes designados e orientação
de profissionais de formação multidisciplinar, sob a orientação do magistrado.
Art. 613. Os Juízos Criminais da Capital, ao imporem penas alternativas
autônomas ou substitutas, na forma do art. 43 e seguintes do Código Penal, que
importem em fiscalização e acompanhamento do infrator beneficiado durante o período
de satisfação, ordenarão a expedição de “guia para execução de penas e medidas não
privativas de liberdade”, na forma dos arts. 147, 149, 151 e 154 da Lei n. 7.210/1984,
desde que transitada em julgado a decisão.
§ 1º Do mesmo modo, os juízos dos Juizados Especiais Criminais da Capital
farão expedir “guia para execução de penas e medidas não privativas de liberdade” ao
imporem aos infratores, em sentença penal condenatória, sanção ou condição que
tenham a mesma natureza das acima enumeradas e que necessitarem de fiscalização e
acompanhamento do beneficiário durante o período de satisfação.
§ 2º A “guia para execução de penas e medidas não privativas de liberdade”
deverá ser instruída com os documentos, as certidões e as informações que possibilitem
a execução da alternativa penal.
§ 3º Expedida a “guia para execução de penas e medidas não privativas de
liberdade”, em decorrência de sentença penal condenatória e suspensão condicional da
pena, deverá ser o processo arquivado, com baixa no relatório estatístico e controle do
juízo.
Art. 614. Recebida a “guia para execução de penas e medidas não privativas de
liberdade”, o juízo da Cepa/MT passará a ter competência para todos os atos da
execução, fiscalização e acompanhamento do infrator beneficiado.
Art. 615. A “guia para execução de penas e medidas não privativas de
liberdade” fica sujeita a registro no cartório distribuidor quando remetida à Cepa/MT, e
sujeita a baixa no mesmo cartório quando remetida ao juízo de origem.
Art. 616. Não será expedida a “guia para execução de penas e medidas não
privativas de liberdade” quando for imposta multa isoladamente, nos termos do art. 50
do Código Penal, do art. 164 da Lei n. 7.210/84 e do art. 84 da Lei n. 9.099/95.
Art. 617. A Corregedoria-Geral da Justiça aprovará e distribuirá o modelo da
“guia para execução de penas e medidas não privativas de liberdade” de que trata esta
Seção.
Art. 618. Quando da imposição de prestação de serviços à comunidade ou
entidade pública, caberá ao juízo da Cepa/MT especificar as condições em que a
atividade será desenvolvida, assim como designar a entidade recipiente, nos termos dos
incisos I e III do art. 149 da Lei n. 7.210/1984.
§ 1º A Cepa/MT deverá manter cadastro de entidades públicas ou privadas
capacitadas para receber os infratores beneficiados com as alternativas penais.
§ 2º O juízo da Cepa/MT fará a designação da entidade para que o infrator
beneficiado cumpra a alternativa penal imposta, à vista dos estudos e pareceres
multidisciplinares respectivos, tendo em conta atividade que melhor se ajuste às
caraterísticas, condições pessoais e individualidade do infrator beneficiado e, ainda, a
natureza da infração praticada.
Art. 619. Declarada extinta a punibilidade pelo integral e satisfatório
cumprimento da alternativa penal imposta, o juízo da Cepa/MT determinará a baixa do
relatório estatístico, o registro, a distribuição e o arquivamento do processo executivo.
Art. 620. O juízo da Cepa/MT baixará ordem de serviço disciplinando a
atividade dos agentes de fiscalização e demais profissionais à sua disposição.
Art. 621. Os juízes criminais e dos Juizados Especiais Criminais da Comarca
de Cuiabá/MT deverão determinar a remessa à Cepa/MT das guias de execução de
penas restritivas de direitos, sursis e demais medidas penais alternativas, aplicadas em
bojo de sentença penal condenatória irrecorrível, instruindo-as com as peças descritas
no art. 106 da Lei n. 7.210/1984 e com outras que as partes requererem ou o juízo da
condenação entender conveniente.
Art. 622. Nos casos de suspensão do processo a que se refere o caput do art. 89
da Lei n. 9.099/95, a competência para a fiscalização das condições e adoção das
providências mencionadas no referido dispositivo é do magistrado prolator do ato, não
se procedendo a confecção de guia de execução e encaminhamento à Cepa/MT.

Seção XXXIX
Do cumprimento de atos ordinatórios pelos gestores judiciários das secretarias
judiciais criminais

Art. 623. Procedida à distribuição ou redistribuição do feito, o Cartório


Distribuidor deverá anexar informações a respeito dos antecedentes criminais dos
denunciados e/ou querelados.
Parágrafo único. Após o registro, as cartas precatórias, as petições iniciais de
qualquer natureza e a comunicação de prisão em flagrante delito serão levadas à
conclusão pelo gestor judiciário, sendo que os inquéritos policiais, independentemente
de prévio despacho, deverão ser encaminhados à Central de Inquéritos, na comarca em
que houver, ou ao Ministério Público, com posterior retorno diretamente à secretaria.
Art. 624. Todo aditamento à denúncia ou queixa-crime deve ser submetido à
imediata apreciação do magistrado.
Parágrafo único. Recebido o aditamento, os autos serão imediatamente
encaminhados ao Cartório Distribuidor/Central de Cadastro para as devidas anotações e
expedição de certidão atualizada sobre os antecedentes criminais.
Art. 625. Todos os procedimentos que se processarem em apartado deverão ser
distribuídos, cadastrados e registrados, observadas as respectivas competências.
§ 1º Deverão ser processados, sempre, em autos apartados:
I - exceções processuais capituladas no art. 95 do Código de Processo Penal;
II - incidentes de restituição de coisa apreendida, quando duvidoso o direito do
requerente;
III - incidentes de falsidade e insanidade;
IV - incidentes de cobrança de autos, que serão posteriormente juntados aos
autos, após a devolução;
V - pedidos de exame de dependência toxicológica, de vaga para reeducando e
de desaforamento;
VI - carta testemunhável;
VII - impugnação do direito à assistência judiciária;
VIII - reclamações, correições parciais e outros feitos classificados como
diversos;
IX - recurso em sentido estrito, quando processado na forma de instrumento;
X - agravo em execução penal.
§ 2º Os demais pedidos, tais como de relaxamento de prisão em flagrante, de
revogação de prisão, de depósito ou restituição de bens e valores apreendidos, quando
for induvidoso o direito do requerente, de restituição de fiança, autorização para
visitação de preso, dentre outros, serão processados nos próprios autos principais.
§ 3º Os autos apensados e os que tramitarem em apartado serão baixados e
arquivados sempre que contiverem decisão transitada em julgado, da qual se trasladará
cópia para os autos principais, certificando-se o seu arquivamento e desapensamento,
salvo determinação judicial em contrário.
§ 4º Instaurado incidente de insanidade mental, após a apresentação dos
quesitos pelas partes, o gestor judiciário agendará diretamente junto ao Instituto Médico
Legal a data para realização do referido exame, encaminhando, por ofício, as cópias
necessárias para a sua realização.
§ 5º O gestor judiciário deve expedir todos os atos indispensáveis às
intimações, tais como mandado, carta precatória, matéria para publicação na imprensa,
dentre outros.

Seção XL
Da guia de recolhimento/execução penal

Art. 626. Caberá ao Juízo da Execução Penal preencher e conferir as datas


lançadas no sistema SEEU, devendo a guia de execução ser formada com os
documentos exigidos no art. 106 da Lei n. 7.210/1984.

Seção XLI
Do arquivamento

Art. 627. Deverá o gestor judiciário ou o servidor responsável, antes do


arquivamento do feito criminal, observar se existe pendência nos autos a ser cumprida
ou informada ao magistrado.
Parágrafo único. Constatada a existência de mandado de prisão em aberto,
deverá o gestor judiciário, mediante ofício, solicitar a sua devolução,
independentemente de seu cumprimento, cientificando a respectiva autoridade sobre os
motivos da solicitação, para as necessárias anotações.

Seção XLII
Do uso de aparelhos de monitoramento eletrônico

Art. 628. Fica autorizado o uso de equipamentos para monitoramento


eletrônico de apenados, nas hipóteses em que o magistrado entenda que deva ser
deferida a liberdade vigiada.
§ 1º Na definição dos apenados a se sujeitarem ao monitoramento eletrônico,
deverão ser priorizados os casos de condenados que podem cumprir pena fora do
estabelecimento prisional, mas demandam certo grau de supervisão estatal.
§ 2º A utilização do monitoramento eletrônico deverá ser precedida de estudo
psicossocial do reeducando, que atestará se o perfil do apenado corresponde às
possibilidades e expectativas do projeto, ante os fins ressocializadores da pena previstos
na Lei n. 7.210/1984.
§ 3º A utilização de monitoramento eletrônico dependerá, ainda, do número de
aparelhos disponíveis no Estado, cujo ônus de aquisição e disponibilização é da
Secretaria de Estado e Segurança Pública - SESP.
Art. 629. O monitoramento eletrônico só será permitido nos casos de regime
aberto ou semiaberto, trabalho externo vigiado no regime fechado, penas restritivas de
direito que estabeleçam limitação de horários ou da frequência a certos lugares, prisão
domiciliar, livramento condicional ou suspensão condicional da pena.
§ 1º Em caso de possuir o apenado mais de uma condenação, o uso do
monitoramento eletrônico só será admitido quando as penas, mesmo somadas, não
ultrapassarem o limite previsto na alínea “b” do § 2º do art. 33 do Código Penal
Brasileiro.
§ 2º Os usuários da monitoração eletrônica que estiverem cumprindo o regime
de albergue ficam dispensados do recolhimento ao estabelecimento penal no período
noturno e nos dias de folga.
Art. 630. A utilização do monitoramento eletrônico deverá ser sempre
precedida de prévio consentimento do apenado e da manifestação das partes e poderá
ser revogada a qualquer tempo.
Parágrafo único. Os aparelhos a serem utilizados deverão ser discretos, de
forma que os condenados tenham sua imagem preservada e não sejam estigmatizados.
Art. 631. Antes do início do cumprimento da pena por monitoramento, serão
os monitorados informados por escrito acerca das regras e do funcionamento do
programa e dos seguintes deveres:
I - receber visitas do servidor responsável pela monitoração eletrônica,
responder aos seus contatos e cumprir suas orientações;
II - abster-se de remover, de violar, de modificar, de danificar, de qualquer
forma, o dispositivo de monitoração eletrônica ou de permitir que outrem o faça.
§ 1º A violação comprovada dos deveres previstos neste artigo poderá
acarretar, a critério do Juízo da Execução, ouvido o Ministério Público e a defesa:
I - regressão do regime;
II - revogação da autorização de saída temporária;
III - revogação da suspensão condicional da pena;
IV - revogação do livramento condicional;
V - conversão de pena restritiva de direito em pena privativa de liberdade;
VI - revogação da prisão domiciliar;
VII - advertência por escrito, para todos os casos em que o Juízo da Execução
decida não aplicar alguma das medidas previstas nos incisos anteriores.
§ 2º A concordância com os termos do programa e sua aceitação deverão ser
formalizadas por escrito, com a assinatura do monitorado, ou a seu rogo, se analfabeto,
sempre na presença de advogado ou defensor público e do representante do Ministério
Público.
§ 3º Uma das vias do termo de audiência, no qual constarão todas as
obrigações assumidas, seus direitos e deveres, será entregue ao monitorado.
Art. 632. Se qualquer causa impeditiva do monitoramento ocorrer no curso da
execução da pena, o reeducando voltará a cumpri-la nos moldes tradicionais, a critério
do magistrado.
Art. 633. O agressor de violência doméstica e familiar contra a mulher poderá
ser obrigado a utilizar equipamento eletrônico de monitoramento para fins de
fiscalização imediata e efetiva das medidas protetivas de urgência.
§ 1º A utilização do equipamento – monitoração eletrônica e botão de alerta –
pode se dar cautelarmente, por decisão interlocutória fundamentada, e posteriormente à
sentença, em apoio ao cumprimento dos regimes semiaberto e aberto.
§ 2º O agressor deverá ser instruído sobre o uso do equipamento eletrônico de
monitoramento e dos procedimentos para fins de fiscalização efetiva da medida de
afastamento.
§ 3º O magistrado que determinar o monitoramento eletrônico deverá levar em
consideração, entre outras condições, o grau de periculosidade do ofensor e os
antecedentes criminais.
§ 4º Faculta-se à vítima ou familiar, cujo agressor foi inserido em programa de
monitoramento eletrônico como medida protetiva de urgência ou em cumprimento aos
regimes semiaberto ou aberto, requerer, expressa e justificadamente, o uso do botão de
alerta, que é um mecanismo eletrônico a ser acionado em situações nas quais se
sentirem ameaçados.
Art. 634. Todos os recuperandos que praticarem crimes contra a mulher em
sede de violência doméstica e que ingressarem ou retornarem ao regime semiaberto
deverão ser inseridos, mediante decisão fundamentada, no Programa de Monitoramento
Eletrônico.
Art. 635. A vítima ou seu familiar, em caso de impossibilidade, justificará a
necessidade de o recuperando ser ou permanecer inserido no Programa de
Monitoramento Eletrônico, com o uso de tornozeleira e botão de alerta, em petição
dirigida ao magistrado, que avaliará a necessidade de designar audiência para a ouvida
da ofendida ou familiar.
Art. 636. A Central de Monitoramento, tão logo alertada sobre a infringência
das condições estabelecidas ao sentenciado em crimes praticados com violência
doméstica e familiar contra a mulher, deverá se deslocar imediatamente, através do SOE
– Setor de Operações Especiais, para realizar a captura do agressor recalcitrante, bem
como noticiar à polícia para que dê proteção à vítima e/ou a seus familiares.

Seção XLIII
Da comunicação eletrônica entre as Varas Criminais e os órgãos da SESP

Art. 637. As comunicações relacionadas a movimentação de presos, remessa


de atestados de comportamento carcerário e de dias trabalhados, para fins de remição de
pena, deverão ser feitas preferencialmente por malote digital ou outro meio eletrônico
com aviso de recebimento.
Art. 638. A caixa postal eletrônica deverá ser consultada ao menos a cada 24
(vinte e quatro) horas, a fim de não prejudicar ou retardar o atendimento das
solicitações.
Art. 639. As correspondências deverão ser atendidas na ordem de chegada,
exceto quando constar aviso de prioridade (geralmente representada pelo símbolo “!”,
em vermelho), quando serão processadas como tal.
Art. 640. O endereço eletrônico a ser utilizado é o de cada Vara Criminal,
conforme listagem disponibilizada no sítio eletrônico do Tribunal de Justiça de Mato
Grosso.
Art. 641. Os endereços para os quais os expedientes serão direcionados na
Secretaria de Estado de Segurança Pública - SESP são os seguintes, alternativamente:
I - sprl@[Link] (Superintendência Regional Leste do Sistema
Penitenciário);
II - spro@[Link] (Superintendência Regional Oeste do Sistema
Penitenciário).
Art. 642. Poderá o magistrado dispensar a expedição de ofícios nos casos ora
referidos, cabendo a comunicação com conteúdo claro e específico, na qual constará
sempre o nome e a matrícula do responsável pelo envio do e-mail.
§ 1º A opção “assunto” do e-mail deverá ser preenchida com o número e a
natureza do processo ou inquérito a que se refere tal solicitação.
§ 2º A resposta deverá ser encaminhada ao e-mail indicado na solicitação, com
a opção “responder com histórico”, devidamente assinalada, de modo a possibilitar sua
identificação por parte do solicitante.
§ 3º Compete ao gestor de primeira instância e ao funcionário encarregado da
Secretaria de Estado de Segurança Pública – SESP manter as caixas postais limpas,
excluindo os e-mails já respondidos e os que não sejam de interesse dos Poderes.
Art. 643. As comarcas que porventura ficarem sem conexão de internet
deverão comunicar imediatamente à Coordenadoria de Tecnologia da Informação e à
Coordenadoria da Corregedoria-Geral da Justiça para que sejam tomadas as
providências necessárias.
Parágrafo único. Em caso de perda de conexão, as solicitações de
informações deverão ser encaminhadas via correio e/ou fac simile, enquanto perdurar tal
situação.
Art. 644. A Coordenadoria de Tecnologia da Informação comunicará a todos
os juízos em caso de manutenção nos equipamentos e/ou de interrupção programada dos
links de internet nas comarcas.
Art. 645. A contagem do prazo para prestação das informações iniciar-se-á no
primeiro dia útil posterior à data do recebimento do e-mail.
Parágrafo único. Decorrido o prazo sem remessa das informações, competirá
ao órgão solicitante certificar o decurso de prazo, comunicando imediatamente à
Corregedoria-Geral da Justiça ou à Corregedoria da Secretaria de Estado de Segurança
Pública – SESP, via e-mail corporativo, para a tomada de eventuais medidas
disciplinares que se afigurarem cabíveis.
Seção XLIV
Dos procedimentos para interdição de unidades prisionais no Estado

Art. 646. Verificada a situação precária do prédio de penitenciária ou de cadeia


pública, o juiz da execução ou o magistrado corregedor dos presídios, por meio de
portaria, instaurará procedimento judicial para analisar a conveniência da interdição da
unidade prisional.
Art. 647. Nos autos deverão constar os seguintes documentos:
I - relatório de inspeção detalhado, elaborado pelo magistrado corregedor dos
presídios, na forma do que dispõe o Provimento n. 64/2007-CGJ/MT;
II - relatório de inspeção detalhado, realizado pela Coordenadoria de Vigilância
Sanitária, sobre as condições sanitárias e higiênicas do estabelecimento penal;
III - relatório técnico, confeccionado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato
Grosso, sobre as condições estruturais e de segurança da unidade prisional;
IV - fotografias da unidade, assinalando as condições apontadas.
Art. 648. Ultimadas as diligências, sem prejuízo de outras medidas julgadas de
interesse público, e com manifestação do Ministério Público, o magistrado corregedor
dos presídios deverá ouvir, no prazo de 10 (dez) dias, o Grupo de Monitoramento e
Fiscalização do Sistema Carcerário de Mato Grosso - GMF/TJMT e a Procuradoria-
Geral do Estado de Mato Grosso.
Parágrafo único. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação do Grupo de
Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário de Mato Grosso - GMF/TJMT e
da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso, o magistrado decidirá acerca da
interdição ou não da unidade prisional.
Art. 649. Declarada a interdição da unidade prisional, o juiz-corregedor
expedirá portaria constando obrigatoriamente a vedação ao recebimento de presos,
mesmo que a título provisório e precário.
Parágrafo único. A desobediência à vedação referida no caput acarretará a
responsabilização cível, criminal e administrativa dos envolvidos, sem prejuízo de
enquadramento nas penas de improbidade administrativa ou prevaricação, se for o caso.
Art. 650. Deverá o magistrado, em virtude do impacto da medida extrema,
reavaliar a decisão judicial de interdição, no máximo, a cada 3 (três) meses, em decisão
fundamentada.
§ 1º Somente por deliberação do magistrado competente poderá o prédio ser
desinterditado, devendo a decisão ser instruída com igual relatório de inspeção e com
novas fotografias comprobatórios do atendimento das exigências legais.
§ 2º Poderá o magistrado, antes de decidir sobre a liberação do prédio e se
entender conveniente, determinar a realização de novas perícias técnicas.

Seção XLV
Do programa Jurado Voluntário

Art. 651. O programa Jurado Voluntário tem como objetivo subsidiar os


magistrados quando da elaboração da lista anual de jurados de que tratam os arts. 425 e
426 do Código de Processo Penal.
Art. 652. O sistema, para uso da população em geral, ficará hospedado no sítio
da Corregedoria-Geral da Justiça ([Link]
Art. 653. O sistema, para uso dos juízes, ficará hospedado no sítio da
Corregedoria-Geral da Justiça ([Link] no “Portal dos
Magistrados”, ícone “Jurado Voluntário”, com acesso exclusivo.
Art. 654. A Corregedoria-Geral da Justiça funcionará como administradora do
sistema, zelará por sua correta alimentação e terá acesso integral aos dados cadastrados.
Art. 655. O uso da lista dos voluntários cadastrados no sistema é obrigatório e
os juízes aos quais estão afetas as varas do Tribunal do Júri deverão fomentar
campanhas incentivando a alimentação do sistema, a fim de que se torne o principal
meio de seleção de jurados.
Parágrafo único. Ficam autorizadas as parcerias com universidades,
faculdades e entidades filantrópicas, como forma de incentivar a divulgação do
programa e a participação dos cidadãos interessados.
Art. 656. Os juízes analisarão a relação de voluntários cadastrados no sistema,
no prazo de até 30 (trinta) dias antes da elaboração da lista anual geral de jurados.
Art. 657. A inscrição no sistema não implicará a inclusão do nome do
interessado na lista anual geral, e este não fará jus à obtenção de qualquer justificativa,
caso nela não venha a figurar.
Art. 658. O Poder Judiciário poderá firmar termo de cooperação técnica com
universidades e faculdades para conferir ponto extracurricular ao voluntário que tiver
seu nome incluído na lista anual geral, e que estiver regularmente matriculado em curso
de nível superior, pela efetiva participação no programa Jurado Voluntário.
Parágrafo único. Considerar-se-á como efetiva a participação do convocado
que comparecer para a sessão e compuser o conselho.

Seção XLVI
Dos procedimentos para a doação e a alienação judicial de produtos florestais
apreendidos em processos ambientais

Art. 659. Toda e qualquer alienação de produtos apreendidos em procedimento


criminal deverá ocorrer com observância na Lei n. 8.666/1993, exceto se forem objeto
de doação.
Art. 660. Diante da constatação de risco iminente de deterioração ou
perecimento dos produtos objeto de apreensão, deverá ser providenciada sua doação ou
venda logo no início do procedimento judicial, seja por ocasião da audiência de
transação penal, de suspensão condicional do processo ou, quando for o caso, no
momento do recebimento da denúncia.
§ 1º Será considerado sob risco iminente todo produto florestal que não seja
possível ser mantido em local adequado, sob vigilância, ou, ainda, quando inviável o
transporte e guarda, atestado pela autoridade policial ou por agente do órgão ambiental.
§ 2º Não ocorrendo a hipótese do § 1º deste artigo, o produto será doado ou
vendido após o trânsito em julgado da sentença.
Art. 661. No caso de doação, esta será precedida de avaliação realizada por
pessoa nomeada pelo magistrado, atentando-se para que seja feita em favor de
instituições e entidades públicas ou privadas, sem fins lucrativos, indicadas por
comissão composta por representantes do Poder Judiciário, do Ministério Público e da
Prefeitura Municipal, que terá, ainda, a função de receber e de decidir sobre os pedidos.
Parágrafo único. Determinada a doação, o magistrado expedirá alvará judicial
autorizando o donatário a retirar o produto doado do local onde se encontra depositado,
bem como seu transporte para o local onde será utilizado.
Art. 662. No caso de venda, esta também será precedida de vistoria e
avaliação, realizada por pessoa nomeada pelo magistrado, que deverá apresentar laudo
especificando as características do produto a ser leiloado, bem como o local em que se
encontra, para exame por parte dos interessados.
§ 1º O produto apreendido em decorrência da prática de infração ambiental
será vendido no estado de conservação e condição em que se encontra, pressupondo-se
que tenha sido previamente examinado pelo licitante, não cabendo, pois, a respeito dele,
qualquer reclamação posterior quanto às suas qualidades intrínsecas ou extrínsecas.
§ 2º A compra deverá ser feita à vista, a quem oferecer maior lance, com
depósito, no ato, de valor mínimo de 30% (trinta por cento) da arrematação, devendo o
restante ocorrer no prazo máximo de 48 (quarenta e oito) horas após o lance.
§ 3º O depósito do valor de entrada (30%), bem como do remanescente (70%),
deverá ser feito na Conta Única Judicial.
§ 4º O depósito deverá ser feito preferencialmente por transferência bancária,
ou por meio de cheque, que será considerado efetivado após a sua compensação.
§ 5º O valor da comissão e das despesas do leiloeiro será acrescido no valor do
lance.
§ 6º A retirada do produto ou subproduto florestal ficará por conta do
arrematante e deverá ocorrer no prazo máximo de 20 (vinte) dias após a arrematação.
Art. 663. Poderão oferecer lances as pessoas jurídicas regulares, excluídos os
infratores ambientais.
§ 1º O credenciamento da pessoa jurídica perante o leiloeiro estará
condicionado à apresentação dos seguintes documentos:
I - CNPJ;
II - Certidão da Junta Comercial;
III - Inscrição Estadual;
IV - Inscrição no CC-Sema;
V - CNRF.
§ 2º Os documentos listados nos incisos do § 1º deste artigo poderão ser
exigidos no original, ou por intermédio de fotocópias integrais legíveis, autenticadas em
cartório ou acompanhadas do original, para que a comissão as autentique.
Art. 664. O arrematante que não efetuar o pagamento do saldo remanescente
no prazo assinalado de 48 (quarenta e oito) horas perderá o valor depositado a título de
sinal.
Art. 665. A não retirada dos produtos pagos pelo arrematante, no prazo de 20
(vinte) dias após a realização do leilão, implicará multa diária de 1% (um por cento)
sobre o valor do bem.
Art. 666. Realizado o leilão, o arrematante receberá cópia do auto de
arrematação em que deverá constar, obrigatoriamente, os dados identificadores da
pessoa jurídica (razão social, nome fantasia, CNPJ, endereço, telefone e identificação
dos sócios), além da especificação do produto ou de seu subproduto florestal
(quantidade e tipo) e o local onde está depositado.
Art. 667. Após pagamento integral do valor dos lances, o magistrado oficiará à
Secretaria de Estado do Meio Ambiente determinando que, no prazo máximo de 72
(setenta e duas) horas, seja creditado em favor do arrematante, junto ao CC-Sema, o
produto florestal arrematado, anexando ao expediente cópia do auto de arrematação.

Seção XLVII
Da obrigatoriedade de inserção das datas de prescrição das ações penais em curso
no sistema informatizado de acompanhamento processual

Art. 668. É obrigatório o preenchimento no sistema informatizado de


acompanhamento processual do campo “data de prescrição”, que deverá ser alimentado,
doravante, em todos os processos criminais, para cada acusado, individualmente.
§ 1º Havendo mais de um delito, deverá ser informado aquele cuja prescrição
estiver mais próxima.
§ 2º Ocorrendo a prescrição de um dos crimes, deverá ser informada no sistema
informatizado de acompanhamento processual a data da próxima prescrição.
Art. 669. No caso de processos novos, o campo deverá ser alimentado pela
secretaria na primeira movimentação processual.
Art. 670. O campo deverá ser alterado sempre que ocorrer causa interruptiva
ou suspensiva da prescrição, independentemente de despacho.

Seção XLVIII
Do travamento da pauta de audiências em processos criminais

Art. 671. A realização de audiências criminais de réus presos não poderá


ultrapassar 60 (sessenta) dias da data da sua designação, devendo o sistema
informatizado de acompanhamento processual proceder ao travamento da pauta nesses
casos.
Art. 672. A realização de audiências criminais de réus soltos não poderá, em
nenhuma hipótese, ultrapassar 180 (cento e oitenta) dias da data da sua designação.
Art. 673. Os magistrados farão o controle do tempo de tramitação de processos
de réus presos através do Sistema de Inspeção e Acompanhamento de Produção, opção
“Presos Provisórios”, na forma preconizada no § 2º do art. 1º da Resolução n. 66, de 27
de janeiro de 2009, do Conselho Nacional de Justiça.

Seção XLIX
Do controle de processos com réus presos provisoriamente

Art. 674. Os magistrados criminais do Estado devem alimentar o sistema


informatizado de acompanhamento processual, inserindo os dados respectivos nos
registros referentes a réus presos.
Art. 675. As alterações na situação de cada preso, em razão de soltura, de fuga
ou em caso de ter a prisão provisória transformada em definitiva, devem ser informadas,
obrigatoriamente, logo que ocorram.
Art. 676. Na forma preconizada na Resolução n. 66/2009 do Conselho
Nacional de Justiça, os magistrados farão mensalmente o controle do tempo de
tramitação de processos de réus presos através do Sistema de Inspeção e
Acompanhamento de Produção - Siap, utilizando-se da opção “Presos Provisórios”,
ficando dispensados de enviar relatório mensal à Corregedoria.
Parágrafo único. A Corregedoria-Geral da Justiça fará o controle mensal do
tempo de tramitação de réus presos pelo Sistema de Inspeção e Acompanhamento de
Produção - Siap, mantendo os relatórios disponíveis para os fins previstos no art. 7º da
Resolução n. 66/2009 do Conselho Nacional de Justiça.

Seção L
Dos procedimentos atinentes à tramitação prioritária de processos judiciais na
esfera criminal

Art. 677. Os processos judiciais, inclusive cartas precatórias, rogatórias e de


ordem, que tenham por objeto a apuração de crimes sexuais praticados contra crianças e
adolescentes terão prioridade na tramitação nos juízos de primeira instância.
Art. 678. A prioridade processual poderá ser solicitada pelo Ministério
Público, pela Defensoria Pública ou por advogado constituído, diretamente ao juízo
competente, que analisará o pedido no prazo máximo de 10 (dez) dias.
Parágrafo único. Ainda que não haja manifestação de quaisquer das pessoas
relacionadas no caput, poderá o magistrado condutor do feito decretar, de ofício, a
tramitação prioritária do processo.
Art. 679. Deferida ou decretada a prioridade, os processos judiciais serão
identificados de forma que fique evidente o regime de tramitação prioritária.
Art. 680. A prioridade de tramitação consiste na autuação, prolação de
despachos, decisões ou sentenças, designação de audiências, expedição de documentos
necessários ao cumprimento da ordem judicial, bem como no encaminhamento dos
autos à apreciação do magistrado competente e na remessa dos autos ao Ministério
Público ou à Defensoria Pública, em caráter prioritário sobre os demais processos
judiciais que não gozem do benefício ora estabelecido.
Art. 681. Compete aos gestores das unidades judiciárias e aos demais
servidores do juízo, bem como aos oficiais de justiça, por ocasião do cumprimento de
mandados judiciais provenientes dos respectivos processos, a observância das regras
quanto à prioridade de tramitação previstas nesta seção.
Art. 682. As serventias judiciais, observadas a competência e a capacidade
operacional, poderão suplementar os procedimentos ora estabelecidos, de forma a
imprimir aos respectivos processos judiciais mais celeridade e eficiência, garantindo a
absoluta prioridade à criança e ao adolescente e observando a doutrina da proteção
integral.
Art. 683. Terão prioridade de tramitação, em qualquer juízo ou tribunal, os
procedimentos judiciais:
I - em que figure como parte ou interessado pessoa com idade igual ou superior
a 60 (sessenta) anos, ou portadora de doença grave, assim compreendida qualquer das
enumeradas no inciso XIV do art. 6º da Lei n. 7.713, de 22 de dezembro de 1988;
II - regulados pela Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990.
§ 1º A pessoa interessada na obtenção do benefício, juntando prova de sua
condição, deverá requerê-lo à autoridade judiciária competente para decidir o feito, que
determinará ao cartório do juízo as providências a serem cumpridas.
§ 2º Deferida a prioridade, os autos receberão identificação própria que
evidencie o regime de tramitação prioritária.
§ 3º Concedida a prioridade, essa não cessará com a morte do beneficiado,
estendendo-se em favor do cônjuge supérstite ou do companheiro em união estável.
§ 4º A tramitação prioritária independe de deferimento pelo órgão jurisdicional
e deverá ser imediatamente concedida diante da prova da condição de beneficiário.
§ 5º As serventias judiciais, observada a competência e a capacidade
operacional, poderão suplementar os procedimentos ora estabelecidos, de forma a
imprimir aos respectivos processos judiciais mais celeridade e eficiência.

Seção LI
Do Banco Nacional de Monitoramento de Prisões – BNMP

Art. 684. É obrigatório o registro dos mandados de prisão expedidos pelas


autoridades judiciárias locais no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões -
BNMP, nos termos dos arts. 285 e 289-A do Código de Processo Penal e da Resolução
n. 251, de 4 de setembro de 2018, do Conselho Nacional de Justiça, devendo a serventia
encaminhar cópia, por meio eletrônico e em endereço específico para tal finalidade, ao
órgão de capturas da Polícia Judiciária.
Art. 685. A informação do mandado de prisão, para fins de registro no
Conselho Nacional de Justiça, será prestada diretamente ao BNMP, no prazo de 24
(vinte e quatro) horas, a partir da expedição.
Art. 686. Na hipótese de o magistrado determinar que o mandado de prisão
seja expedido em caráter restrito ou sigiloso, o prazo para sua inclusão no BNMP e a
respectiva certidão de seu cumprimento, com a devida justificativa, se iniciará após o
efetivo cumprimento ou quando, por decisão judicial, cessar a restrição.
Art. 687. A responsabilidade pela atualização das informações do BNMP,
assim como pelo conteúdo disponibilizado, é exclusiva das autoridades judiciárias
responsáveis pela expedição dos mandados de prisão.
Art. 688. A autoridade judiciária responsável pela expedição dos mandados de
prisão atualizará as informações dos mandados de prisão registrados no BNMP no prazo
de 24 (vinte e quatro) horas, a contar da revogação da prisão ou do conhecimento do
cumprimento da ordem.
§ 1º Em caso de revogação do decreto de prisão ou de absolvição do réu, o
juízo requisitará imediatamente a devolução do mandado ao órgão encarregado de seu
cumprimento.
§ 2º Cumprido o mandado de prisão ou no caso de prisão em flagrante delito de
pessoa a respeito da qual esteja pendente de cumprimento mandado de prisão expedido
por outra autoridade judiciária, o juízo que tomou conhecimento da prisão deverá
comunicá-la às demais autoridades judiciárias, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas.
§ 3º No caso de conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, nos
termos do inciso II do art. 310 do Código de Processo Penal, a informação prestada pela
autoridade judiciária incluirá a circunstância do mandado já estar cumprido.

Seção LII
Da uniformização do procedimento de comunicação da prisão de estrangeiro no
âmbito do Poder Judiciário

Art. 689. A autoridade judiciária deverá comunicar a prisão de qualquer pessoa


estrangeira à missão diplomática de seu Estado de origem ou, na sua falta, ao Ministério
das Relações Exteriores e ao Ministério da Justiça, no prazo máximo de 5 (cinco) dias.
§ 1º A comunicação de que trata o caput deste artigo será acompanhada dos
seguintes documentos:
I - na hipótese de prisão definitiva, de cópia da sentença penal condenatória ou
do acórdão transitado em julgado;
II - na hipótese de prisão cautelar, de cópia da decisão que manteve a prisão em
flagrante ou que decretou a prisão provisória.
§ 2º Incumbe à autoridade judiciária, após a realização das perícias pertinentes,
encaminhar o passaporte do preso estrangeiro à respectiva missão diplomática ou, na
sua falta, ao Ministério das Relações Exteriores, no prazo máximo de 5 (cinco) dias.
Art. 690. Caberá ao magistrado da execução penal comunicar à missão
diplomática do Estado de origem do preso estrangeiro, ou, na sua falta, ao Ministério
das Relações Exteriores e ao Ministério da Justiça, no prazo máximo de 5 (cinco) dias:
I - a progressão ou regressão de regime;
II - a concessão de livramento condicional;
III - a extinção da punibilidade.
Parágrafo único. A comunicação de que trata o caput será acompanhada da
respectiva decisão.

Seção LIII
Da proteção a vítimas e testemunhas por meio da ocultação de seus dados pessoais
Art. 691. Aplicam-se as disposições desta seção aos inquéritos e processos
criminais em que os réus são acusados de:
I - crime previsto no inciso III do art. 1º da Lei Federal n. 7.960, de 21 de
dezembro de 1989 (prisão temporária);
II – crimes previstos na Lei n. 9.613, de 3 de março de 1998 (lavagem de
dinheiro);
III – crimes previstos na Lei n. 9.455, de 7 de abril de 1997 (tortura);
IV - qualquer outro crime praticado por organização criminosa, definida no art.
2º da Lei n. 12.694, de 24 de julho de 2012, e no § 1º do art. 1º da Lei n. 12.850, de 2 de
agosto de 2013, quando as vítimas ou testemunhas reclamarem de coação ou grave
ameaça, em decorrência de depoimentos que devam prestar ou tenham prestado.
Art. 692. As vítimas ou testemunhas coagidas ou submetidas a grave ameaça,
assim desejando, terão os seus endereços e dados de qualificação preservados,
dispensando o lançamento nos termos de seus depoimentos, devendo os delegados de
polícia, promotores de justiça e juízes de direito proceder conforme dispõe esta seção.
§ 1º Os dados ocultados deverão ser anotados em impressos distintos,
remetidos pela autoridade policial ao magistrado competente e ao Ministério Público
juntamente com os autos do inquérito, após edição do relatório.
§ 2º No ofício de Justiça, será arquivada a comunicação em pasta própria,
contendo a indicação do processo ao qual se refere e sendo autuada com, no máximo,
duzentas folhas, numeradas, sob responsabilidade do gestor judiciário.
§ 3º O acesso à pasta fica garantido ao Ministério Público e ao defensor
constituído ou nomeado nos autos, com controle de vistas, feito pelo gestor judiciário,
declinando a data.
Art. 693. O mandado de intimação de vítima ou testemunha que reclame tais
providências será feito em separado, individualizado, de modo que os demais
convocados para depoimentos não tenham acesso aos seus dados pessoais.
§ 1º O magistrado poderá indicar oficial de justiça para cumprir esse tipo de
mandado, independentemente da zona a que estiver vinculado, vedada sua distribuição
pelas centrais de mandados, devendo ser juntada aos autos, após cumprimento, apenas a
certidão correspondente do oficial de justiça, sem identificação dos nomes e dos
endereços, limitando-se a mencionar o cumprimento ou não da ordem, e, em caso de
não cumprimento, o motivo, sob as penas da lei.
§ 2º Caso o oficial de justiça venha a certificar, em sua certidão, novo endereço
da vítima ou testemunha protegida, esta deverá ser juntada na pasta de comunicação
própria, e, nos autos, será juntada certidão em que os novos dados fornecidos estejam
ocultos.
Art. 694. Os inquéritos e processos criminais que se enquadram nos termos do
art. 693 deverão ser assinalados no sistema informatizado de acompanhamento
processual, em campo próprio, o que servirá para a criação de indicadores, os quais
serão auditados pela Corregedoria-Geral da Justiça e gerarão alertas para as secretarias e
gabinetes respectivos.
Art. 695. Terão acesso aos dados sigilosos referentes às pessoas protegidas a
autoridade policial, o Ministério Público e o magistrado competente e, quando remetido
o feito ao juízo, apenas o gestor judiciário da secretaria correspondente.
Parágrafo único. O defensor do indiciado ou acusado, regularmente
constituído por instrumento de mandato, após a conclusão das investigações, poderá
postular, provando ser imprescindível ao exercício do direito de defesa, o conhecimento
do nome e da filiação da pessoa protegida, mediante requerimento fundamentado e
dirigido ao magistrado criminal competente, oportunidade em que o juiz de direito
ouvirá o Ministério Público a respeito do pedido, no prazo legal.
Art. 696. Por ocasião da tomada do depoimento de vítimas ou testemunhas
protegidas, as autoridades, na presidência da investigação ou do processo penal,
adotarão todas as medidas necessárias para evitar contato delas com o indiciado ou
acusado.
Parágrafo único. O juízo poderá, após a citação, a requerimento do Ministério
Público, tomar antecipadamente o depoimento de vítimas e testemunhas ameaçadas ou
coagidas, sem prejuízo de futura reinquirição, a pedido do acusado, se imprescindível ao
direito de defesa.
Art. 697. Caso a vítima ou testemunha declare, durante a investigação ou
processo penal, haver cessado a coação ou ameaça e que não necessita mais de sigilo
quanto à sua identificação ou endereço, tomada sua manifestação por termo nos autos,
pode o juízo restabelecer a publicidade quanto a seus dados.
Art. 698. O descumprimento das normas desta seção implicará falta funcional,
sem prejuízo das sanções penais cabíveis por violação de sigilo.

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