100% acharam este documento útil (1 voto)
490 visualizações34 páginas

Filosofia: Da Cosmologia ao Helenismo

Enviado por

David Rosas
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
100% acharam este documento útil (1 voto)
490 visualizações34 páginas

Filosofia: Da Cosmologia ao Helenismo

Enviado por

David Rosas
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Licensed to David Lucas Rosas - davidrosas0123@gmail.

com

filosofia
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Pré Socráticos
Século VII à VI a.c. RETÓRICA: jogo de palavras e raciocínios
úteis em debates para driblar as teses dos
Os primeiros filósofos: destaca-se a
adversários e convencê-los.
construção de uma cosmologia.
Essas características favoreciam o
COSMOLOGIA: explicação racional e
relativismo (a verdade é relativa).
sistemática do universo.
• PRINCIPAIS AUTORES:
Dedicaram-se a investigar o mundo físico (a
natureza – physis), com base na razão - Protágoras: antropocentrismo
(logos).
“O homem é a medida de todas as
Os primeiros filósofos tentaram encontrar coisas”
o princípio primordial (arché), existente em
- Górgias: ceticismo
tudo.
SÓCRATES
• PRINCIPAIS AUTORES:
Assim como os sofistas, Sócrates
- Thales de Mileto: “Tudo é água”
abandonou a observação da natureza e
- Anaximandro: apeíron = indeterminado buscou analisar o ser humano.

- Anaxímenes: ar Opôs-se ao relativismo dos sofistas quanto


a moralidade e ao uso da retórica para fins
- Pitágoras: números
particulares.
- Demócrito: átomo
IRONIA: perguntas
- Heráclito: fogo (mudança)
• MÉTODO SOCRÁTICO
“Não se pode entrar duas vezes no mesmo
O filosofo parava transeuntes,
rio”
desenvolvendo um diálogo sobre
- Parmênides: Parado determinado tema, nas seguintes etapas:

“O ser é, o não ser não é” 1-Ironia: etapa das contradições

MONISMO: corrente de pensamento que 2-Maiêutica: (parir ideias) etapa de


acredita que a essência da realidade tem propostas de uma série de questões com o
uma explicação única objetivo de ajudar a conceber suas próprias
ideias.
SOFISTAS
“Conhece-te a ti mesmo”
Eram professores viajantes que vendiam
(autoconhecimento)
ensinamentos. Tinham como principal
objetivo o desenvolvimento da habilidade O homem é sua constante busca pela
da argumentação. razão, diferenciando-o dos demais seres.

9
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

CURIOSIDADES:

- Sócrates foi condenado porque ele


estava “corrompendo” a juventude
ateniense, porque estava indo contra os
Deuses.

- “Só sei que nada sei” (ignorância


socrática) acredita-se que isso é uma forma
de ampliar o conhecimento.

10
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Platão
ALEGORIA DA CAVERNA - Influencia de Heráclito

O teórico descreve que alguns homens, - Não gera conhecimento verdadeiro


desde a infância se encontravam
- Doxa: opinião
aprisionados em uma caverna, não
conseguem se mover em virtude das MUNDO INTELIGÍVEL
correntes que os mantem imobilizados.
-Voltado para a razão
Com está alegoria, Platão revela a
importância da aquisição do - Influência de Parmênides
conhecimento, sendo essência da aquisição - Gera conhecimento perfeito
do conhecimento, sendo esse o
instrumento que permite aos homens - Epistheme (conhecimento)
conhecer a verdade e estabelecer o Platão entende que o mundo inteligível é
pensamento crítico. superior ao mundo sensível.
O sendo crítico, que dispensa POLÍTICA PARA PLATÃO
investigação, é representado pelas
impressões vistas pelos homens através O rei filósofo
das sombras na parede da caverna. O
Pela educação, o indivíduo deveria alcançar
conhecimento científico, por sua vez, é
um equilíbrio entre os princípios voltados
representado pela luz.
para os desejos, paixões e razão, mas com
A República (livro VIII) equilíbrio hierárquico, pois, para o filósofo,
o lado racional deve preponderar.
• DESENVOLVIMENTO DA TEORIA
DAS IDEIAS: Fazendo uma analogia entre o indivíduo e a
polis, Platão também dividia a sociedade
filósofo enfrentou o empasse dos em grupos sociais:
pensamentos de Heráclito e Parmênides,
ou seja, os problemas da mudança e 1-Produtores: responsáveis pela
permanência, respectivamente. produção econômica

Buscou propor uma solução para esse 2-Guardiões: responsáveis pela defesa
empasse através de uma ontologia da polis
dualista. 3-Governantes: responsáveis pelo
ONTOLOGIA: estudo do ser governo

Platão utilizou-se de diversas alegorias para -A justiça dependeria do equilíbrio


desenvolver seus pensamentos. A alegoria entre esses grupos, ou seja, cada qual
da caverna foi essencial para o processo de cumprindo sua função.
desenvolvimento da teoria das ideias.

MUNDO SENSÍVEL

- Voltado para os sentidos

11
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

OBSERVAÇÃO: Alguns autores defendem


que o posicionamento político de Platão
pode ser considerado aristocrático, pois
supõem que o homem comum não seria
capaz de dirigir a polis, somente uma
parcela específica conseguiria governar a
polis.

Para Platão, o filósofo seria o mais apto ao


governo, uma vez que estaria em busca do
conhecimento, saberia fazer uso da
essência, da justiça e da verdade para
gerenciar a pólis.

SOFOCRACIA: governo dos sábios.

12
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Aristóteles
• O que é metafísica?
POTÊNCIA: possibilidade do ser, ser aquilo
Entre diversas contribuições de Aristóteles que ainda não é, mas pode vir a ser.
destacam-se os conceitos que explicam o
SUBSTÂNCIA: atributo estrutural e
“ser em geral”, área da filosofia chamada
essencial do ser, sem o qual ele não é.
metafísica, embora ele próprio usasse a
denominação “filosofia primeira”. ACIDENTE: atributo circunstancial, não é
essencial.
A SENSAÇÃO:
TEORIA DAS CAUSAS:
A finalidade da ciência é desvendar a
constituição essencial dos seres. 1-Causa formal: forma dada
O filósofo reconhecia a multiplicidade dos 2-Causa material: aquilo de que ele é feito
seres percebidos pelos sentidos como
elementos do real. Por isso, ele rejeitava a 3-Causa eficiente: agente transformador
teoria das ideias de Platão. 4-Causa final: finalidade objetivo
A ciência deveria partir da realidade - Toda substância é formada por matéria e
sensorial para buscar nela as estruturas forma.
essenciais de cada ser.
ANIMAL POLÍTICO
• MATÉRIA E FORMA:
Afirmava que o ser humano é por natureza
Aristóteles concebeu a noção de que todas um ser social, pois não pode viver isolado.
as coisas estariam constituídas de dois
princípios inseparáveis: A organização social adequada à natureza
humana é a pólis. Por isso, o ser humano é
1-Matéria (hylé): princípio um animal político, envolvido na vida da
indeterminado dos seres. pólis.
Ex: madeira A ética é entendida como parte da política.
A ética dirige-se ao bem individual,
2-Forma (morphé): princípio
enquanto a política se dirige ao bem
determinado em si próprio.
comum.
Ex: cadeira de madeira
• ÉTICA:
• TEORIA DO ATO E POTÊNCIA:
Para Aristóteles, a virtude consiste no meio
Retomando a problemática da termo ou justa medida (mediania) de
permanência e mudança, Aristóteles equilíbrio entre o excesso e a falta de um
entende que tudo está em movimento e atributo.
que não se encontra nada fora do ser.
EXCESSO → VIRTUDE ← ESCASSEZ
ATO: manifestação atual do ser.
(vício) (mediania) (vício)

13
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

-A boa conduta humana está relacionada a


uma escolha racional. Assim, para alcançar
seu fim (Telos) que é a felicidade
(Eudaimonia), o homem deveria agir com
equilíbrio no uso de suas virtudes.

FORMAS DE GOVERNO

Análise de formas de governo de acordo


com os critérios de qualidade e valor:

- Poder nas mãos de um: monarquia


seria bom, mas corrompida viraria
tirania

- Poder nas mãos de poucos:


aristocracia seria bom, mas
corrompido viraria oligarquia.

- Poder nas mãos de muitos:


democracia seria bom, mas
corrompido viraria demagogia.

A democracia constitucional deveria


conciliar antagonismos, visando o bem
comum.

O bom governo deve ter como virtude a


prudência (phránesis)

A política precede tudo.

14
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Helenismo
Busca da felicidade interior contestado. Defende a impossibilidade de
alcançar um conhecimento seguro.
- O período teve início depois da conquista
da Grécia pelos Macedônicos (Alexandre o • CINISMO:
Grande) 322 a.C.
Possui vertente socrática e defende o
- Caracterizou-se por um processo de desapego, principalmente, dos bens
interação entre a cultura dos povos materiais.
orientais conquistados.
Um representante dessa corrente é o
- As escolas filosóficas permaneceram Diógenes.
abertas, mas os valores gregos começaram
a mesclar-se com as diversas culturas.

- Houve o declínio da participação do


cidadão da pólis, devido o domínio da
Macedônia.

- A preocupação dos filósofos era


proporcionar às pessoas desorientadas e
inseguras com a vida social alguma
felicidade interior em meio às atribulações
da época.

ESCOLAS DA ÉPOCA

• EPICURISMO: buscava a ataraxia (ausência


de dor), serenidade, a imperturbabilidade
da alma. O prazer seria o princípio de uma
vida feliz.

- Tipos de prazer:
1-Naturais e necessário
2-Naturais e não necessários
3-Não naturais e não necessários

• HISTOICISMO

Defende que nem toda realidade existente


é uma realidade funcional. O homem não
dispõe de poder para alterar a ordem do
universo, cabendo a ele apenas
compreendê-lo e aceita-lo.

• PIRRONISMO

Defende que nenhum conhecimento é


seguro, qualquer argumento pode ser

15
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Moral e Ética ÉTICA NA HISTÓRIA:


AÇÃO E VALORES
1-Antiguidade:
A palavra moral do latim “mos” significa
Os sofistas afirmavam que não existe
“costumes” e refere-se a um conjunto de
normas e verdades universalmente válidas
normas que orientam o comportamento
(relativista)
humano, tendo como base os valores de
uma comunidade ou cultura. Sócrates: sustentou a existência de um
saber válido que decorre do conhecimento
Como as comunidades humanas são
de essência humana, a partir da qual se
distintas entre si, os valores também
pode conceber a fundamentação de uma
podem ser diferentes entre uma
moral universal.
comunidade e outra, dando origem a
códigos morais divergentes. Platão: defende a depuração de todo o
mundo material para o alcance do bem.
• LIBERDADE:
Aristóteles: a ética está diretamente
A consciência moral é a faculdade de
relacionada à política e à felicidade (fim
observar a própria conduta e julgar sobre
último) de todo homem.
os atos passados, presentes e intensões
futuras. EUDAIMONISMO: felicidade
Somente após o julgamento que a pessoa TELEOLOGISMO: fim
tem condições de escolher suas ações.
2-Idade Média:
A moral é criada pelo próprio homem. E ela
pode ser distinguida em: Thomas de Aquino e Agostinho de Hipona:
Abandono de tudo que é mundano,
1-Moral: agir conforme os costumes e estando a moral relacionada ao amor a
padrões estabelecidos socialmente. Deus. As condutas estão voltadas para a
relação de cada indivíduo por Deus.
2-Imoral: é toda conduta que contraria o
padrão moral estabelecido 3-Idade moderna:
3-Amoral: ocorre quando o indivíduo não Kant: ética do dever (deontologia)
tem consciência do padrão moral
Bentham: utilitarismo (certo e errado é
estabelecido.
definido pela ação imediata)
• AÇÃO HUMANA:
Hegel: vincula a proposta ética à história
A palavra ética vem do grego “ethos” que da sociedade.
significa “modo de ser”, “comportamento”.
BIOÉTICA:
A ética designa mais especificamente a
A bioética tenta analisar, compreender e
disciplina filosófica que investiga a moral e
solucionar os conflitos que possam a existir
a conduta humana. Estuda os diversos
sobre a conduta relacionada ao âmbito das
sistemas morais elaborados pelos seres
ciências da saúde. Trata de questões como
humanos, buscando compreender a
clonagem, eutanásia, aborto, transmutação
fundamentação das normas e as proibições
gênica, células tronco, pena de morte.
próprias de cada um.

16
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Filosofia na Idade Média


PATRÍSTICA Religião: religar a Deus por meio da fé
Homem + Deus (juízo final)
Fundação dos fundamentos do catolicismo.
O mal é a ausência do bem
PATER: pais fundadores
O mal existe para haver livre arbítrio
Tenta explicar os limites entre a fé e a
razão. Mal é ilusão

São Justino: A filosofia grega ESCOLÁSTICA


(principalmente Platão) preparou a alma
• TOMAS DE AQUINO
humana para a vida em Cristo.
Séc. X à XIV
Tertuliano: A filosofia grega é cheia de
heresias (exceto o historicismo). Baixa idade média
• AGOSTINHO DE HYPONA Aristóteles como base
Século V Aristotelismo Cristão
Queda de Roma Séc. XIII – conhecimento comercial
Sofre influência do maniqueísmo e do Conciliação entre fé e razão
neoplatonismo (complementares)
MANIQUEISMO: bem e mal existem Razão: luz natural
NEOPLATONISMO: ideias de Platão Fé: luz divina
estudava por Plotino.
Valoriza mais a fé.
Cria o platonismo cristão: encaixa Platão
dentro da Bíblia. - CINCO PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS:

TEORIA DA ILUMINAÇÃO: 1-Movimento: Tudo que move é movido


por Deus
Adaptação da teoria platônica ao
catolicismo. 2-Deus é a causa de tudo

Deus→ Centelha divina(razão)→ Homem 3-Deus criou tudo


(mente humana) →racionalidade 4-Comparação à Deus
A forma correta de usar a racionalidade é 5-Finalidade é Deus, criada por Deus
se aproximando de Deus. Fé ativa a mente
humana e liga a luz divina, permitindo o - TEORIA DAS CINCO VIAS:
conhecimento. 1-Primeiro motor imóvel
Crer para entender. 2-Primeira causa eficiente
Deus+ homem paraíso→ cria Eva→ 3-Necessário e contingente
expulsão do paraíso→ homem x Deus

17
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

4-Grau de perfeição

5-Finalidade do ser

- DIFERENÇA ENTRE PATRÍSTICA E


ESCOLÁSTICA:

A patrística era a filosofia dos padres da


igreja católica, enquanto a escolástica
valorizou a vida intelectual e a educação,
contribuindo para o surgimento das
universidades.

18
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Descartes
• CONTEXTO HISTÓRICO Faz uso da dúvida metódica hiperbólica
As grandes navegações iniciadas no século para encontrar o princípio seguro de
XV modificaram a imagem que o homem conhecimento.
tinha da Terra. • ESTÁGIO DA DÚVIDA:

As novas teorias científicas construídas por Sentidos (falíveis), sonho ou gênio


Copérnico, Galileu e Kepler reformularam maligno;
os princípios da física e a maneira de Teoria do cogito “Cogito ergo Sun”
compreender o universo.
(Penso logo existo)
A Reforma Protestante colocou quem
cheque a autoridade da igreja. Princípio seguro que traz a certeza de
que somos sujeitos pensantes.
O Renascimento traz uma visão de mundo
mais centrada no ser humano e sua - IDEIA INATA: Própria da natureza
capacidade racional. humana, vem com o homem desde o
nascimento.
PENSAMENTO FILOSÓFICO

O erro decorre do mal uso da razão

Desenvolveu um método que guiaria a


razão humana e o tiraria do erro.

O método utilizado desde a antiguidade


(Aristóteles) era muito formal e não
garantia a verdade das conclusões.

• AS REGRAS DO MÉTODO:
Essas regras visam alcançar o pensamento
inabalável
1-EVIDÊNCIA: jamais aceitar como verdade
um fato se não tiver evidencias.
2-ANÁLISE: Dividir no maior número de
partes possíveis.
3-SÍNTESE: conduzir o pensamento do mais
simples para o mais complexo.
4-ENUMERAÇÃO: revisão geral para
certificar a certeza.

O objetivo seria alcançar o conhecimento


inabalável.

Assume inicialmente um posicionamento


crítico.

19
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Empirismo Inglês
• conhecimento parte da experiência preenchida com as experiências sensíveis e
(JOHN LOCKE) seu processamento.

O desenvolvimento da ciência LOCK defende que existem dois tipos de


moderna nos séculos XV e XVI inseriu- ideias:
se num contexto de questionamento
1-SENSAÇÃO: são as primeiras ideias que
sobre os critérios e métodos para
chegam através do sentido. São moldadas
elaboração de um conhecimento
pela característica externa do objeto. Não
verdadeiro.
gera sentimento.
O processo de conhecer passou a ser
2-REFLEXÃO: está relacionada a sensação,
investigado por boa parte dos filósofos
mas possui uma análise interna. A reflexão,
da época.
ou percepção interna é responsável pelas
• IDEIAS INATAS operações da razão.

Descartes dizia que o verdadeiro Qualidade de um objeto: são


conhecimento das coisas externas características perceptíveis de um objeto.
devia ser conseguido por meio de uma As qualidades primárias são objetivas e as
ideia evidente e certa que poderia secundárias subjetivas.
deduzir outras sucessivamente.
• FRANCIS BACON
As ideias inatas seriam ideias que
A procura de um método.
teriam nascidos com o sujeito
pensante e que, por isso, dispensariam A ruptura por toda a autoridade
a percepção de um objeto exterior reestabelecida de conhecimento fez com
para se formarem no pensamento. que os pensadores buscassem uma base
segura, algo que garantisse a verdade de
PERCEPÇÃO EMPIRISTA
um raciocínio.
A proposta cartesiana provocou reação dos
Um dos principais problemas neste período
empiristas, quer tiveram defesa oposta, ao
estava relacionado com o processo de
falar que o conhecimento deriva da
entendimento humano.
experiência e dos sentidos.
Foi atribuído a Bacon o lema “Saber é
Empirismo vem do grego “impediria” que
Poder” que revela sua firme disposição de
significa experiência.
fazer dos conhecimentos científicos um
O Ensaio acerca do entendimento humano instrumento prático de controle da
(1689) demonstra a crítica ao inatismo natureza com o objetivo de expandir a
cartesiano. prosperidade humana.

TÁBULA RASA: ao nascer nossa mente TEORIA DOS ÍDOLOS:


seria como uma folha em branco que será

20
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Preocupava-se com a utilização dos Assim, toda ideia é a representação de


conhecimentos científicos na vida prática. alguma impressão.

Tinha aversão ao conhecimento Hume entendia também que as impressões


meramente contemplativo, como e as ideias se sucedem continuamente nas
desenvolvido na escolástica. operações mentais do ser humano. Esse
processo seria chamado de associação de
A ciência deve valorizar o estudo
ideias. Ele aponta três associações
experimental, visando o alcance do
possíveis:
conhecimento verdadeiro.
1-Semelhança: quando verificamos um
Bacon utilizava a palavra IDOLO no sentido
objeto que nos remete a outro, mesmo
científico de erro enraizado, falsa noção,
que seja por imagem.
preconceito, mal hábito mental.
2-Contiguidade: Quando a comparação se
• Os ídolos são:
dá entre objetos idênticos.
1-Da caverna: falsas noções do ser humano
3-Causa e efeito: Quando associamos o
enquanto indivíduo. Tem acesso a verdade,
que sucedeu pelo que veio antes.
mas não quer aceita-la.
Ex: está nublado, vai chover
2-Da tribo: falsas noções provenientes da
natureza humana. O último tipo de associação volta-se para
uma ligação sequencial de fenômeno.
3-Do mercado / Do foro: proveniente da
linguagem, da comunicação. (Quem conta Quando há a análise de uma sequência de
um conto aumenta um ponto). fenômenos e tendemos a liga-los, chama-
se de causalidade.
4-Do teatro: Críticas feitas ao pensamento
filosófico antigo. Objetiva apresentar o Essa observação é impulsionada pelo
método científico como a realidade de um hábito, que não tem qualquer
método de investigação. comprovação.

• DAVID HUME

Investigação acerca do entendimento


humano (1748)

Crítica do racionalismo dogmático e do


inatismo cartesiano.

Defendeu a tese segundo a qual todo


conhecimento deriva da experiência
sensível (sentidos).

Dizia que tudo seria entendido através de


percepções, as quais dividiu em duas
categorias:

1-Impressões: referem-se aos dados


fornecidos pelos sentidos.

2-Ideias: referem-se as representações


mentais, derivadas das impressões
sensoriais.

21
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Immanuel Kant
TIPOS DE CONHECIMENTO relação está condicionada ao tempo e
espaço em que ocorre a experiência.
Ele distingue duas formas básicas do ato de
conhecer: OBS: a relação espaço e tempo é subjetiva
(ao sujeito).
1-Conhecimento empírico: aquele que se
refere aos dados fornecidos pelos sentidos, 3-Juízo sintético a priori: acrescenta-se
ou seja, posterior à experiência. novas informações ao sujeito,
possibilitando a ampliação do
(a posteriori)
conhecimento sem se limitar a experiência.
2-Conhecimento puro: aquele que não
*O juízo sintético a priori é mais
depende de quaisquer dados dos sentidos,
importante para a ciência.
ou seja, é anterior à experiência (a priori)
*Não conhecemos as coisas em si mesmas
*O conhecimento puro conduz a juízos
(o ser em si), ou seja, são independentes
universais necessários.
de nós. Só conseguimos perceber as coisas
TIPOS DE SENTIDOS: para nós, de acordo com as nossas
estruturas mentais e sensibilidade.
São classificados em dois tipos:
Moralidade: Deontologia
1-Analítico: Aquele que o predicado já está
contido no sujeito, ou seja, basta analisar o METAFÍSICA DOS COSTUMES:
sujeito para deduzir o predicado
Kant busca no problema da moralidade
(elucidação).
princípios racionais e científicos, sendo ao
Ex: o triângulo tem 3 lados (o simples fato mesmo tempo universalmente válidos, mas
de dizer triângulo já deixa claro que tem 3 também adaptados ao cotidiano dos
lados) questionamentos morais.

2-Sintético: aquele em que o predicado A fundamentação racional dos costumes só


não está contido no sujeito. Acrescenta-se pode residir na razão.
algo de novo pelo predicado (ampliação).
A BOA VONTADE
VALOR DOS JUÍZOS:
Kant precisou encontrar seu princípio de
Kant distingue três categorias: julgamento da ação, localizando que deve
identificar o que, nas ações humanas, torna
1-Juízo analítico a priori: é um juízo algumas boas e outras ruins ou
universal e necessário, mas que serve inadequadas.
apenas para elucidar, ou explicar aquilo
que já está contido no sujeito. É comum que apontemos como boa ação
aquela que gera resultados positivos.
2-Juízo sintético a posteriori: amplia Contudo, Kant alerta que a pretensão
informações sobre o juízo, porém essa inicial da razão, ou seja, apenas os

22
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

resultados, estaremos desconsiderando a


tomada de decisão autônoma.

Kant analisa a boa vontade como aquela


que parte dos princípios corretos.

Definir todos esses princípios seria um


trabalho infrutífero, já que teríamos que
analisar todas as ações individuais.

Agir conforme o dever é quando o foco da


ação está nas consequências.

Agir por dever é não ter uma inclinação


pessoal na tomada da ação.

OS IMPERATIVOS:

Imperativo seria uma lei que sirva de


princípio geral, como uma ordem.

1-Imperativo hipotético: são as ações cujas


obrigações estão voltadas pata atingir um
resultado particular.

2-Imperativo categórico: são ações que


partem da tomada autônoma de decisões,
que buscam um princípio universal de
dever.

23
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Nicolau Maquiavel
É considerado o fundador do pensamento Para o governante manter-se no poder ele
político moderno, uma vez que deve estra desvinculado dos imites do juízo
desenvolveu sua filosofia política em um moral e das religiões. (os fins justificam os
quadro teórico diferente do que tinha sido meios).
até então.

No pensamento antigo, a política estava


relacionada com a ética e, na Idade Média,
essa ideia permaneceu, acrescida de
valores cristãos.

Maquiavel observou, porém, que havia


uma distância entre o ideal de política e a
realidade política.

Escreveu, então, o livro “O príncipe” (1513)


com o propósito de tratar da política tal
como ideal, mas ao contrário,
compreendendo e esclarecendo a política
real.

CONCEITOS CHAVES:

Virtú e fortú se apresentam na vida


humana e cabe aquele que busca o
governo equilibrá-las.

VIRTÚ: aquele que almeja a liderança e o


poder deve ter qualidades e atributos para
reverter as situações da realidade (se
relaciona ao livre arbítrio)

FORTÚ: o acaso e o caos são características


da vivência humana.

AMOR E TEMOS:

Aquele que deseja se manter no poder,


deve buscar ser amado e temido pelo seu
povo. Como tal fato é impossível, já que o
amor é individual e o temor é coletivo, o
príncipe sempre deve escolher ser temido
(sem ser tirânico).

24
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Contratualistas
THOMAS HOBBES (Leviatã) *Não podemos ir contra as ordens do
estado, porque isso seria contraditório.
O estado de natureza seria aquele no qual
não existe qualquer estrutura social, em JOHN LOCKE:
que os homens seriam plenamente livres e
Locke escreveu dois tratados sobre
agiriam de acordo com suas
governos. O primeiro critica o direito divino
individualidades.
ao trono e o segundo tratado busca
*Seria uma forma de sociedade hipotética. analisar a origem, a estruturação, a
manutenção e justificação do poder
- Hobbes propõe o conceito de
político.
equiparação de capacidade, dado não
existirem diferenças tão brutais entre os • O ESTADO DE NATUREZA:
homens a ponto de dar vantagem de um
Locke defendeu que o homem vivia em
deles sobre todos.
relativa paz, em plena liberdade, onde
- Os homens são dotados de desejos todos eram naturalmente iguais (condições
infinitos e a natureza é finita. diversas, mas que se equiparam).
- A rivalidade entre aqueles que querem a - Haviam conflitos, mas não tão
mesma coisa levaria ao conflito. deflagrados.
- A liberdade plana encaminha os seres - O ser humano só em direito à vida e à
humanos para um estado em que todos liberdade. Sendo livre é preciso
são um potencial ameaça. transformar a natureza em itens essenciais
para a vida.
- Em meio a tudo, o medo vai se instaurar.
A liberdade plena não parece mais um - Funda-se uma compreensão de direito
benefício, portanto o homem abre mão sobre a propriedade com base no uso.
dessa plenitude para preservar parte dessa
Como o trabalho é limitado ao indivíduo, a
liberdade.
propriedade também é quantitativamente
• A SOCIEDADE CIVIL (ESTADO): limitada.

- O contrato é artificial, metafórico, para Leis Naturais (jus naturalismo): Regras de


demonstrar o caráter formal da transição. convivência estabelecidas pelos
indivíduos.
- O estado não tem por função intervir em
relações básicas, somente naquelas que • A SOCIEDADE CIVIL:
geram desordem.
No estado de natureza cada um é juiz de si
- O estado viria para controlar, administrar mesmo e cada uma tem sua definição do
e organizar, além de buscar a paz e a que é seu.
ordem social.
- Em Locke o homem busca consolidar e
*Tipo de governo defendido por ele: proteger aquilo que possui no estado de
monarquia absolutista. natureza.

25
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

- Com a sociedade civil existe a proteção da desigual desde o estado de natureza. (“O
propriedade, da liberdade e de ataques homem nasce bom, a sociedade o
externos. corrompe”).

*Tipo de governo defendido: monarquia - O objetivo do contrato é garantir o bem


constitucional comum, sem ofender as liberdades
individuais.
*Se alguém estiver insatisfeito com o
estado pelo fato de ele não estar VONTADE GERAL: não é a soma de todas
cumprindo sua função, as pessoas podem as vontades, mas respaldar a vontade da
reclamar. maioria de acordo com as decisões
políticas.
*Liberalismo político: Liberdade no lema da
Revolução Francesa é influenciada por É o momento em que a individualidade é
Locke. deixada de lado e todos pensam conforme
a comunidade política.
JEAN JACQUES ROUSSEAU:
*Tipo de governo defendido: democracia
O homem antes da sociedade:
(inspira na política de Aristóteles)
- No sentido biológico, enquanto o homem
*É responsável por inspirar o princípio de
com base na alimentação e na hidratação,
igualdade defendido na Revolução
no estado de natureza, ele possuía isso de
Francesa.
maneira prática. (Bom Selvagem)

- O homem tenderia ao isolamento, ele se


mantinha autossuficiente.

- TEORIA DO BOM SELVAGEM:

Aquele que se mantinha pleno por não


encontrar razões para agir ao contrário.

- O homem passa a viver em sociedade


devido a vastidão da natureza e a
pequenez humana.

- Nas situações em que o risco natural


fosse claro, o homem abandonava o
isolamento em sua defesa.

- Dotados de razão, os homens se sentem


impelidos por seu potencial engenhoso.
(potencial engenhoso: criação de
instrumentos para facilitar a vida)

• A SOCIEDADE CIVIL:

Quando o primeiro homem cercou um


pedaço de terra e disse que era seu e tinha
quem lhe desse razão, criou-se o conceito
artificial de propriedade.

Aos poucos os homens vão buscando suas


propriedades, tornando a sociedade

26
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Montesquieu
O ESPÍRITO DAS LEIS (1748) - Há o foco na criação de instâncias
intermediárias, as quais são chamadas de
O próprio título da obra indica a percepção
contrapoderes
do autor de que a mudança social passava
pela transformação de propostas -Esses poderes estarão diferenciados em
legislativas. diversas funções para não se concentrarem
nas mãos de um só.
Explicita o que poderia ser entendida como
lei de duas formas centrais: O fato de todos A divisão dos poderes volta-se para
serem governados por algum tipo de lei funções fundamentais do governo.
(divina, natural, governamental) e que uma
Elas são:
lei nunca é um fenômeno individual, pois
parte de um horizonte de relação entre 1-Função de administrar: Executivo
seres ou pessoas.
2-Função de criar leis e regulamentos:
LEIS POSITIVAS: legislativo
São aquelas que regem a sociedade de 3-Função de julgar o cumprimento das
modos diversos. leis: judiciário
Devem ser postas em questão em seu teor Qualquer um dos três poderes pode vetar
particular e singular, pois voltam-se para uma lei. Isso possibilita a governabilidade.
relações locais.

As leis positivas podem ser de três tipo:

1-Regulamentam relações entre


governantes;

2-Regulamentam relações entre


governantes e governados;

3-Regulamentam relações entre estados.

A diversidade das leis refere-se as


diferenças em aspectos de cada lugar que
irão influenciar a legislação e a base de
governo.

MODELO DE GOVERNO IDEAL:

O autor possui a tendência ao regime


monárquico, porém sem nenhuma
tendência voltada para a tirania ou para o
despotismo.

27
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Adam Smith
Filósofo e economista escocês do século
XVIII

LIBERALISMO ECONÔMICO

Ideologia baseada na organização da


economia em linhas individualistas, ou
seja, sem a intervenção do estado.

“A mão invisível do estado”

A economia se orienta e se regula sozinha,


por meio da lei da oferta e da procura.

- KEYNESIANISMO: defende o controle


total do estado

- NEOLIBERALISMO: o estado controla


parcialmente

Adam Smith considerava que a iniciativa


privada deveria estar livre da interferência
do estado, o que aumentaria a
concorrência, diminuiria preços, facilitaria
as inovações tecnológicas, bem como
contribuiria para uma melhor qualidade
dos produtos e para aumentar o ritmo de
produção.

Suas ideias eram contrárias ao


mercantilismo e aos direitos feudais, tendo
exercido uma influência muito grande na
burguesia da época.

- Smith rechaça a ideia de que a riqueza de


uma nação estaria relacionada com a
quantidade de ouro e prata existentes em
um cobre. Ao contrário, a riqueza de uma
nação, está relacionada ao seu ponto de
vista liberal, com habilidade de produzir
bens.

*John Locke é o pai do liberalismo, ele fala


sobre a liberdade clássica, todo mundo
tem direito à liberdade.

28
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Hegel
IDEALISMO - Trata-se do movimento do real que
ocorre em três momentos específicos.
A vertente de pensamento se desenvolveu
no final do século XVIII e a primeira metade 1-Tese: ser em si (realidade de agora)
do século XIX e teve Hegel como principal
2-Antítese: contradição da tese, ser outro
expoente.
ou fora de si
Uma doutrina é idealista quando concebe a
3- Síntese: Ser para si, junta tese e antítese
noção de que o sujeito tem um papel mais
e transforma a nova realidade. (é uma
determinante que o objeto no processo do
nova tese)
conhecimento.
*Esses momentos se sucedem em espiral,
*Há vários tipos de idealismo ao longo da
ou seja, circulares e infinitos.
história.

• RACIONALISMO REAL:

Hegel entendia a realidade como um


processo análogo ao conhecimento. Ele
dizia que o real é racional e o racional é
real

Hegel rompeu com a distinção tradicional


entre consciência e mundo, sujeito e
objeto. Para ele a realidade se identificaria
totalmente como o espírito (ou razão),
enquanto a racionalidade seria o
fundamento de tudo que existe.

• MOVIMENTO DIALÉTICO:

*Diferente de Sócrates

Ao conceber a realidade com espírito,


Hegel queria destacar que ela não é apenas
uma substância (permanente, rígida), mas
um sujeito que pode atuar.

Entender a racionalidade enquanto espírito


é entende-la com o interesse de atuar
constante, ou seja, estar em movimento.

O movimento dialético possui momentos


que se contradizem, sem afetar a unidade
do processo, gerando um
autoenriquecimento.

29
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Utilitarismo
A UTILIDADE

O utilitarismo é uma doutrina ética


proposta primeiramente por Jeremy
Bentham (1748-1832) e depois por seu
aluno Stuart Mill (1086-1873).

Tal proposta fundamenta-se no princípio


da utilidade, que determina que a ética
deve basear-se em conceitos práticos.
(caráter pragmático)

A ação deve ter por finalidade


proporcionar a maior quantidade de
prazer (bem-estar) ao maior número de
pessoas possível, para que seja
moralmente correta.

O utilitarismo destaca por completo o


imperativo categórico kantiano, tirando
toda a correção moral de uma razão
universal e oferecendo-a ao sujeito.

• PROPOSTA DE BENTHAM:

Passou numa doutrina moral,


consequencialista, ou seja, prioriza a
consequência das ações em detrimento
das próprias

ações.

O que importa é o resultado.

A proposta era proporcionar a maior


quantidade de prazer ao maior número de
pessoas possível pela maior quantidade de
tempo.

• PROPOSTA DE MILL:

Aprimorou a proposta de seu professor


adicionando o caráter quantitativo, ou seja,
preocupou-se com o benefício gerado.

30
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Schopenhauer
O MUNDO COMO VONTADE E Para escapar da entediante repetição dos
REPRESENTAÇÃO: desejos, há duas opções:

A base do pensamento do autor está na 1-Negação das vontades


clássica questão da representação em
2-Contemplação da estética (música)
Kant, que discute a impossibilidade de o
sujeito perceber algo para além do Schopenhauer acreditava no amor como
fenômeno, ou seja, a percepção do meta de vida, mas não acreditava que ele
objetivo nunca visto é sempre relacional. tivesse algo a ver com felicidade. Era
apenas a vontade cega e irracional que
Os fenômenos aparecem no mundo como
todos os seres têm de se reproduzirem,
representação, em sua variedade e a partir
dando, assim, continuidade a vida e, por
de seus inúmeros casos e particularidades.
conseguinte, ao sofrimento.
Para Schopenhauer, a relação de espaço e
- Para ele a vontade é a essência do
tempo não garantem a noção de unidade,
mundo, a coisa em si kantiana, percebida
que parece presente na experiência
imediatamente por intermédio do próprio
cotidiana.
corpo.
- O que da unidade à realidade e aos atos
- Na concepção de realidade dualista do
é à vontade, que direciona o homem para
autor (coisa em si e fenômenos) a
todo o horizonte de realizações.
representação é a manifestação da
- Schopenhauer propõe que a consciência vontade (que é uma e transcendental)
seria só o início da relação, um desejo objetivada no mundo das ideias. Ou seja, a
inconsciente. representação é o que a mente e a
consciência nos permitem ver da coisa em
PARADOXO DA VONTADE:
si.
A vontade se revela através do corpo. É no
- Pela contemplação artística elevamos a
efeito percebido nas questões de dor e
mente à contemplação da verdade -
prazer, de estar satisfeitos e nas possíveis
libertos mesmo que momentaneamente –
decepções que encontramos à vontade.
da influência da vontade.
• PESSIMISMO:
- “A vontade é um cego robusto
Toda vontade gera uma percepção carregando um aleijado que enxerga”
objetificada, ou seja, a vontade se
direciona a infinitos desejos particulares.
Nunca todos estarão plenamente
satisfeitos. A vontade se cumpre, mas se
repete.

31
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Nietzsche
Filosofia a “golpes de martelos” - A vontade de potência refere-se não
apenas às pulsações contemplativas, sem
Nietzsche realizou uma crítica radical e
as quais a vida orgânica não se daria, mas
impiedosa da tradição filosófica e dos
também seria uma afirmação da vida
valores fundamentais da civilização
enquanto uma transcendência para a
ocidental, construindo um pensamento
plenitude essencial.
diferente e original.
AMOR FATI (amor ao destino)
Filosofia a golpes de martelos quer dizer
que se descontrói os pensamentos antigos. Implica aceitar o que nos foi dado e tirado.
Todos os acontecimentos se inserem em
Nenhum homem é capaz de alcançar a
uma ordem causal da natureza, assim
verdade.
como cada um de nós. Portanto, só
Aforismos: sentenças curtas que podemos concluir que nada poderia ter
exprimem um conceito, um conselho ou acontecido de outra forma, nada poderia
um ensinamento. ter sido diferente.

• INFLUÊNCIA DE SCHOPENHAUER: APOLÍNEO E DIONISÍACO:

Esse filosofo defende que tudo que o Críticos a tradição ocidental a partir de
mundo incluiu ou inclui, inevitavelmente Sócrates, a quem acusa de ter negado a
depende do sujeito e existe para o sujeito. intuição criadora da filosofia anterior (pré-
socráticos).
O mundo é representação e essa seria uma
ilusão para Schopenhauer. Nessa análise, o filósofo estabeleceu a
distinção entre dois princípios:
No processo de alcançar a essência a arte
teria grande relevância, pois pela - Apolíneo: Deus da razão, da clareza e da
contemplação estética o indivíduo se origem
despenderia de sua individualidade para
- Dionisíaco: Deus da aventura, da
fundir-se no objeto. Para Schopenhauer a
desordem e da fantasia.
essência do mundo seria à vontade.
Esses dois princípios complementares da
• VONTADE DE POTÊNCIA: realidade foram superados na Grécia por
A visão pessimista de Schopenhauer Sócrates que, optando pelo culto da razão
decepcionou Nietzsche, pois ele achava se opôs às visões contidas no mundo
que a felicidade plana deveria ser um dionisíaco.
sentido igualmente pleno. Diante disso GENALOGIA DA MORAL:
rompeu com a proposta de Schopenhauer.
Concluiu que a ideia de bem e mal não
A vontade de potência possui influência de constituem noções absolutas, no entanto
Schopenhauer, com algumas diferenças. que as concepções morais são construídas
pelos seres humanos de acordo com os

32
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

seus interesses. Ou seja, é um produto


histórico cultural.

Nietzsche denunciou a existência de uma


moral de rebanho na civilização cristã e
burguesa, pois seria uma moral irrefletida e
acompanhada de parte da população aos
valores dominantes.

33
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Sigmund Freud
INCONSCIENTE PESSOAL: 2-Superego: É a instância voltada para a
socialização. É o conjunto de regras de
Passagem do século XIX para o Século XX.
conduta que o indivíduo assume para si e
É médico neurologista, austríaco. que busca suprimir o ID.

Concebeu uma teoria da mente e criou a 3-ID: é a instância mais profunda do nosso
psicanálise. inconsciente, responsável pelas nossas
pulsões (impulsos), ou seja, tudo aquilo
A psicanálise é uma disciplina que consiste, que pode gerar satisfação.
basicamente, de uma teoria da mente e da
conduta humana vinculada à uma técnica
terapêutica.

Caracteriza-se pela interrupção dos


conteúdos inconscientes encontrados em
palavras, sonhos e fantasias do paciente.

• INCONSCIENTE:

Freud afirmou que a maior parte da nossa


vida psíquica é denominada inconsciente.

Outra parte, o consciente, seria bastante


reduzida e, em grande medida,
determinada pela primeira. Assim, o
inconsciente não seria a simples negação
abstrata do consciente, mas sim uma parte
integrada da nossa personalidade.

• APARELHO PSÍQUICO:

Para Freud estava estruturado em três


estágios:

1-Ego: é a instância mais próxima do nosso


consciente. É ele que interage com o
mundo externo. Um ego saudável é aquele
que consegue equilibrar as outras
instâncias. O ego é regido pelo princípio da
realidade.

34
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Sartre
FUNDAMENTAÇÃO: Um dos valores fundamentais da condição
humana é a liberdade que é algo positivo,
A escola fenomenológica teve impacto no mas possui um peso avassalador. (“O
século XX. homem está condenado a ser livre”)
Husserl foi o precursor, utilizando a - O próprio homem que se determina é
proposta cartesiana (penso logo existo), capaz de assumir a responsabilidade por
porém com o erro de que a tendência suas ações e condutas. Essa
humana fosse algo fixo. responsabilidade gera angústia.
A intencionalidade seria o fato de nunca se
possuir consciência sem alguma projeção
na consciência, sem a própria consciência.
Há medida em que experimentamos algo,
podemos afirmar que somos a existência
que precede a essência.

EXISTENCIALISMO:

Heidegger: a compreensão do ser no


mundo é marcada por uma estranheza,
que seria a experiência de ser nada a
princípio.

Não somos nada além de nossa relação


com os fenômenos. Há uma tentativa de
determinação que marca a existência
humana, mas que nunca atinge sua
plenitude.

- O homem nunca é e, definitivo, por estar


em busca de sua determinação (sentido
para a ação).

• O MUNDO:

O mundo parece pleno, na medida em que


nos relacionamos com o outro, tendo a
experiência de um horizonte temporal
(sempre agimos em função do futuro).

Agimos como o mundo diz que dedemos


agir. (ações naturalizadas)

• LIBERDADE:

35
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Hannah Arendt
FILOSOFIA POLÍTICA O MAL PARA HANNAH ARENDT:
Desenvolveu uma filosofia política - Banal: está relacionado aos agentes
centrada nos problemas contemporâneos, encarregados por ordens governamentais.
como a violência. - Radical: associa à prática da violência
extremada como resultado de uma prática
Entre suas obras se destacam aquelas que de governo.
fazem referência aos processos que levam
as pessoas a cometerem atos atrozes sob
regimes totalitários.

Afirmou que muitas pessoas que


torturavam, matavam e maltratavam eram
pessoas normais que, sob certas
circunstâncias, haviam realizado atos
imperdoáveis.

TRÊS CONDIÇÕES HUMANAS:

1- Vida: produzir é a atividade que se


corresponde com os processos
biológicos do corpo humano. São
atividades necessárias para viver,
mas que não perduram (porque
ninguém vive para sempre).
2- Mundanidade: Voltada para o
trabalho. É a atividade que produz
obras e resultados. Refere-se a
atividades como a fabricação de
instrumentos ou objetos de uso.
3- Pluralidade: dentro de suas ações
os indivíduos constroem aquilo que
os diferenciam uns dos outros.

PROPOSTA KANTIANA:
Kant propôs que o mal não está nos
instintos ou na origem pecaminosa dos
indivíduos, o mal seria uma rejeição
consciente do bem e está atrelado a ideia
de um instrumento utilizado pelo homem e
não um fim.

36
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Foucault
OS MICROPODERES em vigor através de um mecanismo sutil
que é a vigilância constante.
O autor centrou sua investigação em temas
como instituições sociais (educação, Esse controle através da observação gera
sistema carcerário...), sexualidade e a docilização dos corpos.
principalmente, o poder.
O modelo panóptico de Bentham seria um
As sociedades modernas apresentam uma meio arquitetônico que facilitaria esse
nova organização do poder que se processo.
desenvolveu a partir do século XVIII.
Foucault questionava os sistemas de
Nessa nova organização, o poder não se exclusão criados pelo ocidente.
concentra apenas no poder público e em
Estamos sempre vivenciando relações de
suas formas de repressão, mas está
poder que são feitas através de normas
disseminado pelos vários âmbitos da vida
impostas diariamente por padrões sociais.
social. O poder fragmentou-se em
Estamos sendo vigiados a todo momento,
micropoderes.
nos preocupamos o tempo todo com o que
Sem se deter apenas ao macro poder os outros vão pensar. Estamos sempre
centrado no estado, Foucault analisou recebendo essa relação de poder que nos é
esses micropoderes que se espalham pelas imposta mesmo sem percebermos.
diversas instituições da vida social, isto é,
TRABALHO DE FOUCAULT:
os poderes exercidos por uma rede imensa
de pessoas que interiorizam e cumprem as O trabalho de Foucault pode ser dividido
normas estabelecidas pela disciplina social em três:
(pais, professores, guardas)
1-Arqueologia das ciências humanas, da
VIGIAR E PUNIR: escrita, da literatura e do pensamento em
geral.
Para Foucault, o poder não poderia ser
algo essencialmente voltado para a 2-Subjetivação do poder (genealógico)
censura e repressão, mas para um criador.
3-O cuidado de si
- Acompanha a evolução dos mecanismos
de punição e castigo, que se tornam cada *Poder: rompimento com a tradição
vez menos visíveis e mais racionalizados. marxista. Para Marx o poder está ligado a
questão econômica. Porém Foucault
- Após as revoluções do século XVIII, as entende poder como um exercício. É uma
punições em praças públicas deixaram de relação desequilibrada, ninguém está fora
ser vistas como entretenimento e do poder, ninguém detém o monopólio do
passaram a ser vistas com repúdio. poder todo o tempo.
As sociedades contemporâneas possuem -O poder não está centralizado nas
um caráter disciplinar que será colocado instituições

37
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

- O poder atua sobre os indivíduos

- As relações de poder não são


negociáveis.

A HISTÓRIA DA LOUCURA:

A loucura é definida por um fator cultural.

O louco é para cada sociedade, não é


natural, nem mesmo uma doença, mas sim
uma definição cultural feita pela sociedade
em seu tempo.

-Na idade média, o louco era um sábio, um


andarilho, que tem uma palavra visionária,
que conhece o espaço a seu redor, pois
não é um cervo dos feudos.

-No renascimento, o louco é aquele que


tem um conhecimento restrito, que
aprofunda em apenas uma área. Fala-se
que ele é ligado ao sentimento.

-No século XV e XVII: o louco é um ninguém


perante a sociedade, o louco tem sua
palavra isolada, é julgado por ser errado, é
tratado muitas vezes como um criminoso,
devendo ficar confinado. Nesta época
prevalece a ideia maniqueísta.

-No século XVIII: a loucura passa a ser


estuda e começa a ser assunto de pauta
médica.

A loucura é definida pelo olhar da


sociedade de cada época.

38
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Bauman
MODERNIDADE LÍQUIDA: 3-Mercado líquido: a fluidez do mercado e
o consumo à crédito vão retardar nossas
Para Bauman a modernidade “sólida”,
satisfações.
forjada entre os séculos XIV e XV e cujo
apogeu se deu nos séculos XIX e XX. Teve
como traço básico a ideia de que o homem
seria capaz de criar um novo futuro para a
sociedade. A confiança do homem de que
ele seria capaz de moldar seu próprio
futuro era a principal característica desse
período.

A partir das próximas décadas,


principalmente após a queda do muro de
Berlim, em 1989, essa modernidade sólida
estaria em desintegração e seria
gradualmente substituída por uma
“modernidade sólida”.

- A palavra liquidez remete a uma fluidez,


à ausência de forma definida, velocidade,
mobilidade e inconsistência.

- A antiga confiança sólida em um futuro


arquitetado pela razão foi substituída pela
incerteza.

Essa fluidez se encontra nos seguintes


aspectos:

1-Amor líquido: marcado por laços que


não permanecem, não se estreitam, não se
criam vínculos. As relações são mais
flexíveis, aumentando os níveis de
insegurança.

2-Consumo líquido: Além da satisfação das


necessidades, consumir passou a ter um
papel primordial na construção das
personalidades. O ter passou a ser mais
importante que o ser.

39
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

John Rawls
FUNÇÃO DA JUSTIÇA: públicas sejam pensadas visando o bem
comum e não condições particulares.
Somente determinando qualquer
significado de justiça é que qualquer
sociedade, inclusive as atuais, podem
direcionar seus pensamentos políticos e
pensar como a coletividade de insere no
contexto de debate público.

O conceito de justiça estabelece qual o


campo possível de atuação das diversas
instituições sociais na distribuição dos
direitos e dos deveres em toda e qualquer
sociedade.

Já delimitada a responsabilidade de cada


esfera, é necessário pensar a divisão dos
frutos da cooperação social, ou seja, aquilo
que é produzido pela sociedade.

• EQUIDADE:

Rawls pretende propor uma teoria da


justiça que considere o horizonte da
diversidade tanto social quanto cultural, e
por meio de um debate público que
equacione esses interesses.

EQUIDADE é a distribuição, não


necessariamente igualitária dos direitos,
mas que busque um equilíbrio.

Rawls propõe um princípio da diferença, no


qual, se o indivíduo não possui acesso aos
bens primários, não há possibilidade de
exigir dele a mesma cooperação social e a
ideia de uma igualdade de oportunidades.

Em busca de uma democracia plena, Rawls


define o véu da ignorância. O corpo político
deve ser imparcial, para que as esferas

40
Licensed to David Lucas Rosas - [email protected]

Habermas
Segunda fase da Escola de Frankfurt. A RAZÃO COMUNICATIVA:

LINGUAGEM: Por vezes é considerada fraca por aceitar


críticas, mas reconhece a importância do
Considerando a linguagem o único
outro a fim de estabelecer um consenso.
elemento capaz de tornar plenamente
evidente o debate político e o horizonte da A compreensão do autor volta-se para um
construção da mesma, o autor pretende ideal liberal que deve seguir pressupostos
desenvolver uma teoria de agir básicos como: a impessoalidade das leis e a
comunicativo. garantia das liberdades individuais.

A sociedade precisa ser capaz de entender


o que o corpo político fala, por esse motivo
a linguagem é tão importante.

Nessa teoria, o autor pretende encontrar


um modelo de linguagem que se
desenvolva buscando a compreensão da
multiplicidade.

Para tal, o autor precisa estabelecer uma


teoria acerca da sociedade, pois sem o
conhecimento das diversas esferas sociais
é impossível compreender a diversidade de
discursos e propor um caminho.

- Suas teses visam, portanto, colocar em


questão o problema da pluralidade de
sujeitos e pensamentos, tornando o
pensamento político mais concreto.

AGIR COMUNICATIVO:

Verificando a estruturação do discurso, ele


chegou a dois tipos de fala:

1-Perlocucionária: direcionada pelo


intensão do agente.

2-Ilocucionária: direcionada pelo


significado do discurso.

É nesse segundo tipo de fala que o debate


público deve ser estabelecido.

Faz-se necessário alterar o discurso político


para que este se adeque ao mundo atual.

41

Você também pode gostar