Descrever os exames de imagem: Tomografia, ressonância, radiografia
e ultrassonografia, citando as vantagens e desvantagens
Referência: Fundamentos de Radiologia de SQUIRE. 5ed. Porto Alegre: Porto Alegre:
Artmed, 1999
Radiologia convencional
Os Raios x são um tipo de radiação eletromagnética penetrante e invisível ao olho
humano, com comprimento de onda menor que o da luz visível. Os raios x são
produzidos quando se bombardeia um alvo com um metal, com elétrons em alta velocidade.
Eles são uma forma de energia radiante, semelhante em vários aspectos à luz visível.
Por exemplo, eles irradiam da fonte em todas as direções a menos que sejam detidos por
um absorvente. Assim, como os raios de luz, uma parte muito pequena do feixe de raios X
será absorvida pelo ar, enquanto todo o feixe será absorvido por uma lâmina de metal
espesso. A ciência da radiologia diagnóstica baseia-se nessa diferença, pois muitas
substâncias opacas à luz são penetradas pelos raios X. Ou seja, essa capacidade de
penetração permite que os raios x sejam utilizados para fazer imagens do interior do
corpo humano ou de estruturas internas de objetos, seja na indústria, na medicina ou
na pesquisa científica.
Quando a luz incide sobre o filme fotográfico, realiza-se um processo fotoquímico no qual
a prata metálica é precipitada em finas partículas dentro da emulsão gelatinosa, tornando o
filme preto quando processado quimicamente. Os locais do filme que não são expostos
à luz permanecem claros. Quando uma impressão "positiva" no papel é feita a partir
desse filme "negativo", os valores são invertidos: as áreas negras, com prata, impedem
que a luz alcance o papel fotossensível, enquanto as áreas claras no filme permitem ao
papel ser escurecido. A radiografia em simples depende do contraste natural e físico com
base na densidade do material pelo qual o feixe de raio X deve passar. Assim gases
produzem imagens radiografias pretas, gorduras cinza-escuro, tecidos moles cinzas e
ósseos imagens brancas.
O exame radiológico obedece a um protocolo padronizado com o objetivo de aumentar
a eficácia do diagnóstico. Para isso é fundamental que sejam utilizados corretamente os
fatores de exposição radiográfica e o correto posicionamento da região anatômica
determinada para cada incidência, associados à correta identificação da radiografia. Uma
radiografia que não obedeça a esses critérios pode induzir a erro no diagnóstico.
Os raios x podem ser produzidos quando elétrons são acelerados em direção a um alvo
metálico. O choque do feixe de elétrons com o anodo (alvo) produz dois tipos de raios x.
Um deles constitui o espectro contínuo e resulta na desaceleração (frenamento) do elétron
durante a passagem pelo alvo. O outro tipo é o raio-x característico do material do alvo.
Assim cada espectro de raios-x é a superposição de um espectro contínuo e de uma série
de linhas espectrais características do alvo.
O rendimento na geração de raios x é muito pequeno, pois aproximadamente 99% da
energia de frenagem dos elétrons é convertida em calor e apenas 1% é convertida em
raios x. Os raios x que saem pela janela da cúpula (carcaça) são denominados feixe útil de
radiação, e correspondem a apenas 10% de toda a radiação gerada no tubo de raio x.
Tubo de raio x
O sistema emissor de raio x, também denominada cabeçote, é constituído pelo tubo
(ampola) de raio x e pela cúpula (carcaça) que o envolve, o tubo (ampola) de raio x é
composto por um envoltório geralmente constituído de vidro pirex, resistente ao calor,
lacrado, e com vácuo formado no seu interior, onde são encontrados o catódio (pólo
negativo) e o anodo (pólo positivo). O catódio é responsável pela liberação dos elétrons
que irão se chocar produzindo raios X e calor. É constituído por um ou dois filamentos
semelhantes a hélices de tungstênio (tipo de metal) que suporta temperaturas elevadas
acima de 2.000 °C. O anodo é uma placa metálica de tungstênio, que possui uma
angulação com o eixo do tubo, e é capaz de suportar altas temperaturas resultantes do
choque dos elétrons vindos do catódio.
Identificação das Radiografias
A identificação deverá estar impressa e legível na radiografia, sem superpor estruturas
importantes do exame radiográfico. O numerador alfanumérico mais comum é feito de uma
base de acrílico ou alumínio, com as letras e números em chumbo. A identificação deve
estar sempre posicionada na radiografia em correspondência com o lado direito do
paciente. Uma radiografia ao ser analisada deve estar com a identificação legível e
posicionada de maneira que corresponda ao paciente em posição anatômica de frente
para o observador, ou seja, a identificação da radiografia deve estar sempre à esquerda do
observador. Nos exames de estruturas do corpo (mão, pés, joelhos etc.), deve ser
acrescentada obrigatoriamente à identificação a letra “D” quando a estrutura examinada for
lado direito e “E” quando a estrutura examinada for lado esquerdo.
Raios-x Contrastados
Alguns órgãos ou estruturas anatômicas do corpo humano, por serem de baixa densidade e
absorver pouco raio-x, não impressionam a película radiográfica, devemos então usar
alguma substância que tenha uma permeabilidade diferente dos raios-x. Essas
substâncias podem ser de metal como bário, na forma de sulfato para estudo
gastrintestinal. As estruturas que tipicamente necessitam do acréscimo de contraste para
aumentar a visibilidade incluem os vasos sanguíneos e a luz do trato gastrintestinal, o
sistema biliar e o sistema geniturinário. O gás pode ser utilizado para distender o trato
gastrointestinal inferior e torná-lo visível.
Fluoroscopia
É uma técnica radiológica que permite a visualização em tempo real do paciente.
Durante a fluoroscopia um feixe contínuo de raios X atravessa o paciente, projetando uma
imagem em uma tela fluorescente, a qual é amplificada por um intensificador eletrônico de
imagens e examinada por uma tela de televisor de alta resolução. Fluoroscopia é usada
com maior frequência.
● Com meios de contraste (p. ex.,
exames de deglutição ou cateterismo das
artérias coronárias)
● Durante procedimentos médicos
para orientar a colocação cardíaca de um
eletrodo, catéter ou agulha (p. ex., em exames
eletrofisiológicos ou intervenções
coronarianas percutâneas)
Radiografia Simples do Tórax
O estudo radiológico do tórax é largamente
utilizado e recomendado devido a sua
importância no diagnóstico das doenças
pulmonares, pleurais, mediastinais e do
arcabouço ósseo. A boa relação custo
benefício o torna o exame mais utilizados em muitos departamentos, a radiografia de tórax
serve também para futuras comparações com exames futuros, ao fornecer dados da
evolução da doença. Seu baixo custo, aliado à facilidade de realização e grande
disponibilidade, fazem com que este método seja muito frequente em serviços
ambulatoriais e centros de terapia intensiva.
Para a avaliação da radiografia de tórax, uma sistematização deve sempre ser adotada.
1) Partes Moles: avaliação das mamas, região cervical, supra-escapular, tecido subcutâneo
e abdome.
2) Ossos: coluna, clavículas, costelas, ombro, esterno e escápula.
3) Coração: morfologia e dimensões
4) Aorta e artérias pulmonares: verificação de anomalias congênitas e aneurismas.
5) Mediastino: alargamentos, pneumomediastino e massas.
6) Hilos Pulmonares: morfologia e dimensões
7) Parênquima Pulmonar: nódulos, massas, consolidações e cavidades.
8) Pleura: espessamentos, pneumotórax e derrame pleural.
9) Diafragma: altura, morfologia e estudo comparativo.
O exame radiológico padrão de tórax varia em diferentes serviços, mas deve consistir, no
mínimo, de duas incidências básicas, uma projeção póstero-anterior e outra lateral(2). As
radiografias de tórax são geralmente obtidas a uma distância de 180 cm entre o filme e o tubo,
para minimizar a distorção e a ampliação, sendo feitas em inspiração profunda.
RADIOGRAFIA CONVENCIONAL
Atualmente, a radiografia computadorizada (RC) ou radiografia digital vem substituindo as
técnicas convencionais de combinação tela-filme. A técnica de RC mais comum, a
radiografia computarizada com fósforo fotoestimulate (RCFF), utiliza uma placa coberta
de fósforo para substituir a combinação de tela-filme. Quando um cassete contendo a
placa de fósforo é exposto aos raios X, o fósforo armazena a energia dos raios X
absorvidos. Em seguida, o cassete exposto é colocado em um leitor que utiliza um laser
para estimular a liberação de elétrons, resultando em emissão de luz azul de
comprimento de onda curto. O brilho da luz azul é dependente da quantidade de energia
dos fótons dos raios X absorvidos. Essa luminescência gera um sinal elétrico, que vem a
ser reconstruído em uma imagem em escala de cinzas, a qual pode ser visualizada em um
monitor ou impressa. No entanto, a radiografia computarizada com fósforo
fotoestimulate (RCFF), fornece menos resolução espacial do que a radiografia simples.
Vantagens da radiologia convencional
Preço dos equipamentos convencionais
Talvez a principal vantagem da radiologia convencional seja o valor dos equipamentos. Por
isso, muitas clínicas e hospitais ainda optam por esse método em função do custo de
implementação do serviço.
Maior facilidade para fazer a radiografia convencional
Desvantagens:
● Exames convencionais precisam ser constantemente repetidos, aumentando a
exposição dos pacientes à radiação;
● O processo de revelação do filme radiográfico gera substâncias tóxicas que poluem
o meio ambiente, além de ser demorado;
● A grande quantidade de filme que precisa ser guardada ou descartada também vai
contra os princípios da sustentabilidade.
Tomografia Computadorizada
A tomografia computadorizada fornece informação radiográfica focalizada em apenas em
um corte transversal do paciente, sem imagens confusas. Ela proporciona uma amplitude
de valores de densidade para um determinado corte do paciente, o qual deve ser estudado
tendo em mente a anatomia regional do corte transversal. Nesse exame um feixe de raios
X condensado, fino como um lápis, atravessa o corpo no plano axial escolhido para
estudo à medida que o tubo de raio X move-se em um arco contido ao redor do paciente.
E alinhados ao corpo e colocados em oposição direta ao tubo de raio X, ficam detectores
eletrônicos especiais, bem mais
sensíveis que o filme de raio X
comum.
Esses detectores convertem o feixe
que sai da outra extremidade do corte
em pulsos elétricos amplificados, cuja
intensidade depende da quantidade de
raios X que não foi absorvida pelos
tecidos. Assim, se o feixe atravessa
principalmente áreas densas do corpo
(como osso) menos raios X irão
emergir do que quando o feixe
atravessa tecidos de baixa densidade (como os pulmões)
O tubo de raios X e os detectores estão inseridos em uma estrutura oca, forma de
rosquinha, através do qual o paciente passa durante a tomografia.
A tomografia computadorizada, uma técnica tomográfica axial, produz imagens seriadas
perpendiculares ao eixo longo do corpo. Os valores de atenuação gerados pela TC refletem
a densidade e o número atômico de vários tecidos e são normalmente expressos na forma
de coeficientes de atenuação relativa, ou unidades de Hounsfield.
A resolução do contraste de estruturas vasculares, órgãos e patologia, como
neoplasias hipervasculares, pode ser realçada após a infusão intravenosa de meio de
contraste hidrossolúvel. O tipo, o volume e a velocidade da administração.
A tomografia computadorizada que se baseia na formação de imagens através de cortes
no mesmo sentido, por meio da movimentação simultânea e oposta ao tubo de raio x e do
filme. A tomografia computadorizada é um método de imagens que, a exemplo da radiologia
convencional, utiliza o raio x para explorar o corpo humano.
No exame, o tubo de raio x gira em torno do paciente durante a emissão de um feixe
muito estreito de raios que, após atravessar o paciente, é captado por detectores
especiais, convertidos em sinal elétricos e enviados a um computador, que reconstrói
as imagens. Com isto, a tomografia permite associar a vantagem de cortes anatômicos
sem sobreposição com alta resolução.
A tomografia computadorizada tem três vantagens gerais importantes sobre a radiologia
convencional. A primeira é que as informações tridimensionais são apresentadas na forma
de uma série de cortes finos da estrutura interna da parte em questão. A segunda é que o
sistema é mais sensível na diferenciação de tipos de tecido quando comparado com a
radiologia convencional, de modo que diferenças entre tipos de tecidos podem ser mais
claramente delineadas e estudadas. A terceira vantagem é a habilidade para manipular e
ajustar a imagem após ter sido completada a varredura. Essa função inclui características
tais como ajuste de brilho, realce de bordas e zoom, ela também permite ajuste do contraste
ou da escala de cinza, o que é chamado de “ajuste de janela” para melhor visualização da
anatomia de interesse.
Variedade de equipamentos
Os equipamentos de TC convencionais operam tradicionalmente no modo corte a corte,
definido pelas fases de posicionamento do paciente e de aquisição de dados. Durante a
fase de aquisição de dados, o tubo de raios X gira ao redor do paciente, o qual é mantido
em posição estacionária. Um conjunto completo de projeções é adquirido no local do exame
prescrito antes da fase seguinte de posicionamento do paciente. Durante esta última
fase, o paciente é levado até o próximo local prescrito para exame.
O primeiro equipamento de TC helicoidal foi introduzido para aplicações clínicas no início
dos anos 1990. A TC helicoidal é caracterizada pelo transporte contínuo do paciente, ao
mesmo tempo em que uma série de rotações do tubo de raios X simultaneamente adquire
dados volumétricos. Em geral, essas aquisições dinâmicas são adquiridas durante uma
única apneia de cerca de 20 a 30 segundos.
As vantagens da tecnologia da TC helicoidal incluem redução do tempo de exame,
aumento das velocidades em que é possível obter adequadamente a imagem do volume de
interesse e aumento da capacidade de detecção de pequenas lesões que podem mudar de
posição em estudos sem apneia.
A TC com múltiplos detectores oferece vantagens adicionais de diminuição da carga de
contraste, redução do artefato de movimento cardíaco e respiratório e aumento das
habilidades de reconstrução multiplanar. Essas inovações causaram grande impacto no
desenvolvimento da angiotomografia computadorizada (ATC). A TC de múltiplos detectores
vem substituindo a angiografia. convencional como modalidade principal em pacientes com
lesões aórticas agudas
Ressonância Magnética
A RM não utiliza radiação ionizante. O paciente é posicionado no centro de um campo
magnético, onde são emitidas ondas de radiofreqüência ou sinais de rádio induzidos no
segmento do corpo a ser examinado. Não há efeitos biológicos secundários ao uso clínico
da RM. Ressonância Magnética (RM) é um método de imagem que se baseia no
comportamento dos prótons de hidrogênio (H+). Os átomos de hidrogênio estão
desalinhados no corpo humano, quando colocados dentro de um campo magnético intenso,
os prótons alinham-se alo longo do eixo deste campo magnético e logo retornam à posição
de equilíbrio logo que cessa a força (radiofreqüência – RF) que os fez alinhar-se, ou seja,
cessada a excitação, a energia é liberada é captada e emite um sinal ao equipamento de
RM que, por sua vez, forma a imagem.
A ressonância magnética é um equipamento computadorizado que utiliza ondas de rádio
e campos magnéticos para obtenção de imagens do corpo humano em vários planos e que
não utiliza radiação ionizante. É o exame de imagem mais moderno que existe
atualmente. O aparelho produz imagens milimétricas de diversas partes do corpo
humano.
A ressonância magnética nuclear (RNM) é uma técnica de física experimental conhecida
há cerca de 50 anos. Ela tem várias aplicações, não só na física, mas também na química,
na biologia e na medicina é a técnica utilizada nos tomógrafos que produzem imagens
do interior do corpo humano em pleno funcionamento, de forma não invasiva.
A principal característica da imagem T2 é que os líquidos se apresentam claros
(hiperintensos) na imagem. Tecidos musculares, vísceras, parênquimas em geral, dão
pouco sinal e se apresentam escuros, tal característica dos tecidos biológicos possibilita o
estudo por RM por contraste influenciado pela relação longitudinal produzindo imagens em
T1. Os benefícios clínicos em T1, melhor diferenciação entre substância branca e
cinzenta.
Livro
Na imagem da RM, utiliza-se emissão de radiofrequência pulsada na presença de um
forte campo magnético para gerar imagens de alta qualidade do corpo. Essas imagens
podem ser adquiridas em praticamente qualquer plano, apesar de serem obtidas com mais
frequência as axiais, coronais e sagitais.
Essas técnicas de imagem rápidas oferecem grandes vantagens em relação às imagens da
RM convencional, inclusive a diminuição dos tempos de aquisição das imagens, a redução
do desconforto do paciente e o aumento da capacidade de fazer imagens dos processos
fisiológicos no corpo. Além disso, é possível ser feita com uma única apneia, reduzindo o
artefato respiratório.
Dois termos muito usados na ressonância magnética são o termo de repetição (TR) e
tempo de eco (TF). O tempo de repetição é o tempo entre os pulso de radiofreqüência
que; e o tempo de eco é aquele entre o pulso de RF que excita os átomos de hidrogênio e a
chegada do sinal de retorno ao detector.
Técnicas mais usadas
As técnicas de fast spin-eco, fast gradiente-eco, imagem de difusão, imagem de perfusão e
imagem eco-planar (EPI) são exemplos de técnicas de imagem rápidas que podem ser
feitas nos equipamentos clínicos. A imagem de difusão é muito sensível à movimentação
molecular microscópica da água, demonstrando áreas de difusão intracelular limitada
(restrita) após um evento isquêmico agudo. Essa sequência é utilizada rotineiramente nos
protocolos clínicos de neuroimagem, porém, até certo ponto, é inespecífica para patologia,
já que as alterações de difusão características da isquemia aguda também podem ser
observadas com infecção e alguns tumores.
A perfusão por RM, uma técnica usada com menos frequência, fornece informações sobre o
suprimento sanguíneo a uma área particular do cérebro após a rápida injeção em bolus de
agente de contraste à base de gadolínio. Imagens eco-planares permitem a coleção de
todos os dados necessários para a reconstrução de imagem em uma fração de segundo,
após um único pulso de RF. Essa tecnologia resultou em avanços clínicos e científicos
importantes, como na avaliação do AVE e na imagem funcional do cérebro,
respectivamente. Os estudos funcionais por RM do cérebro humano que utilizam técnicas
EPI possibilitaram as investigações fisiológicas da organização funcional do cérebro.
A angiorressonância magnética inclui a contrastada é aquela que não utiliza contraste. A
angiorressonância magnética (ARM) contrastada tridimensionalmente é usada para
avaliação não invasiva de muitas anormalidades vasculares, inclusive aneurismas,
dissecções, anomalias vasculares e coarctação. Métodos de ARM sem contraste, como
time-of--flight (TOF), 3D são usados para avaliar as artérias intracranianas e artérias
carótidas.
Aplicações clínicas
A RM é tradicionalmente usada com indicações neurológicas, as quais incluem tumores
cerebrais, isquemia aguda, infecção e anormalidades congênitas. A RM tem sido usada em
diversas situações que não neurológicas, como para obtenção de imagem espinal,
musculoesquelética (ME), cardíaca, hepática, biliar, pancreática, adrenal, renal,
mamária e pélvica feminina. Os estudos da RM espinal são úteis na avaliação de
alterações degenerativas, herniação discal, infecção, doença metastática e anormalidades
congênitas. Aplicações ME comuns envolvem a obtenção de imagem de grandes
articulações, como joelho, ombro e quadril. A principal indicação para RM do joelho é para
exame dos meniscos e ligamentos após um problema articular interno. A ruptura do
manguito rotador constitui uma típica indicação no ombro.
ULTRASSONOGRAFIA
LIVRO
SAIBT, Ricardo Martins. Imaginologia para fisioterapeutas: organização de um manual mediante
revisão de literatura. 2012. repositorio.unesc.net
A ultrassonografia diagnóstica é uma técnica de imagem não invasiva que utiliza ondas
sonoras de alta frequência maiores do que 20 kHz kilohertz. Um dispositivo conhecido como
transdutor é usado para emitir e receber ondas sonoras de vários tecidos no corpo. O
transdutor é posicionado contra a pele do paciente com uma fina camada de gel. O gel
desloca o ar que refletiria praticamente todo o feixe de ultrassonografia incidente. Conforme
o som percorre o paciente, as frentes de onda se espalham, diminuindo a intensidade do
feixe geral. Nas interfaces teciduais, o feixe é parcialmente refletido e transmitido. As ondas
sonoras refletidas, ou ecos, viajam de volta ao transdutor, sendo convertidas em sinais
elétricos e amplificadas. A amplitude da onda de retorno depende, em parte, do grau de
absorção do feixe.
Um tom de cinza é atribuído a cada
amplitude, sendo geralmente
conferida aos ecos fortes uma
coloração próxima do branco, e aos
ecos fracos, uma próxima ao preto.
Além disso, a profundidade do
tecido refletor pode ser calculada a
partir do tempo total percorrido pelo
feixe conhecido e velocidade média
do som no tecido humano (1.540
m/s). As limitações dessa modalidade
dependem principalmente do operador.
Trata-se de uma modalidade não-invasiva, baseada na interação de ondas sonoras que
são refletidas de volta para o transdutor do ultrassom são registradas e convertidas em
imagens. Os equipamentos modernos de ultrassom mostram informações dinâmicas em
tempo real. O ultrassom constitui um estudo de maior resolução de contraste
relativamente à radiografia simples, demonstrando-se eficaz no estudo dos tecidos moles,
especificamente do tecido subcutâneo, músculos, tendões, ligamentos, complexo
cápsulo-sinovial, cartilagens e líquido sinovial, constituintes dos sistemas locomotores,
permitindo a clara distinção entre estruturas sólidas e líquidas
Emitem algumas limitações incluindo a visualização variável dos órgãos abdominais na
linha média (pâncreas) e da vascularização quando escurecida por gases intestinais, bem
como a incapacidade das ondas sonoras de penetrarem em gás ou em osso.
Existem muitas aplicações comuns da ultrassonografia, incluindo a imagem do abdome
(fígado, vesícula biliar, pâncreas e rins), pelve (órgãos reprodutivos femininos), feto
(avaliações fetais de rotina para detecção de anomalias), sistema vascular (aneurismas,
comunicações arteriovenosas, trombose venosa profunda), testículos (tumor, torção,
infecção), mamas, cérebro pediátrico (hemorragia, malformações congênitas) e tórax
(tamanho e localização de coleções de líquido pleural).
Além disso, intervenções guiadas por ultrassonografia são rotineiramente usadas para
facilitar a biópsia de lesões, a drenagem de abscessos e a ablação por radiofrequência. A
ultrassonografia Doppler é usada principalmente para avaliação do fluxo vascular por meio
da detecção de desvios de frequência no feixe refletido, utilizando um princípio chamado de
efeito Doppler. O Doppler colorido atribui cores (azul e vermelho) às estruturas de acordo
com seu movimento a favor ou contra os transdutores. É possível sobrepor essas
informações em uma imagem em escala de cinza.
A ultrassonografia endoluminal usa um cateter como transdutor de alta frequência (9 a 20
MHz) para obter imagens de estruturas que se encontram além do lúmen da víscera oca. É
preciso no estadiamento de câncer local e na detecção de pequenas lesões que podem não
ser visualizadas por outras modalidades de imagem.
A ultrassonografia transretal é realizada para examinar a próstata. A ecocardiografia
transesofágica é usada no exame de anormalidades cardiovasculares. As aplicações
geniturinárias (GU) incluem a orientação de injeções de colágeno, a análise da gravidade e
a extensão das estenoses ureterais, o diagnóstico de neoplasias do trato superior e de
divertículos uretrais, a identificação de cálculos submucosos e a visualização de
cruzamento de vasos antes da endopielotomia.
A ultrassonografia intravascular (USIV) tem sido aplicada para modelagem de morfologia
plaquetária, fluxo sanguíneo e geometria do lúmen do vaso.
A ultrassonografia tridimensional (US-3D) foi desenvolvida graças aos avanços no poder
de processamento do computador e rapidamente passou a ser usada de forma disseminada
para algumas aplicações clínicas, inclusive avaliação do desenvolvimento normal
embrionário e/ou fetal, bem como da morfologia cardíaca em anomalias congênitas
específicas.
Tem várias vantagens inerentes, seu custo é relativamente baixo, permite comparações
com o lado oposto normal, não utiliza radiação ionizante e pode ser realizada á beira do
leito ou na sala de cirurgia.
O estudo por ultrassonografia possibilita além das análises textural e da arquitetura
tecidual, a análise do contorno das estruturas, suas interfaces, a relação anatômica com
outras estruturas e a sua mensuração. Cabe ressaltar que cada tecido possui
características próprias quanto a interação com o som e o mais importante é analisar a sua
distribuição por todo o parênquima, se existem áreas de diferentes tonalidades, ou seja,
diferentes ecogenicidades, ou mesmo se a ecotextura está diferente do que geralmente se
encontra para determinado órgão.
Explicar como os exames de imagem auxiliam no diagnóstico
cinesiológico funcional e no acompanhamento periódico.
PAIVA, Francileida Alexandre de Oliveira et al. A IMPORTÂNCIA DOS EXAMES DE IMAGEM PARA
A FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA: UM ARTIGO DE REVISÃO. REVISTA DE TRABALHOS
ACADÊMICOS-UNIVERSO RECIFE, v. 4, n. 2, 2018.
A interpretação dos exames de imagem constituem em um importante processo de
formação do diagnóstico, que permite aos profissionais visualizar o interior do corpo,
onde é de fundamental importância que o fisioterapeuta saiba compreendê-los para que se
tenha um diagnóstico fisioterapêutico fidedigno. Sendo facilitador do diagnóstico na
avaliação cinesiológica e funcional do acompanhamento clínico de pacientes
portadores de patologias do sistema respiratório. Os exames de imagem atuam como
facilitadores no processo de elaboração do diagnóstico final da patologia, a partir da análise
dos exames pode-se confirmar a hipótese do diagnóstico, orientar a escolha do método,
técnica, e tratamento mais adequado para cada situação, esclarecimento de casos
clinicamente duvidosos e evolução do tratamento, os exames de imagem geralmente são
indispensáveis. No início de sua formação acadêmica o fisioterapeuta aprende que os
exames complementares e de imagem só devem ser solicitados após avaliação do
paciente, compreensão da anamnese, exames físicos e a formulação da hipótese(s).
O avanço tecnológico e as possíveis formas rápidas de diagnóstico e o acesso à informação
tornam os exames de imagem de extrema importância no auxílio do tratamento
fisioterapêutico do paciente e na condução do tratamento, proporcionando também o
acompanhamento e a evolução da situação clínica do paciente. Os métodos
disponíveis para diagnóstico de algumas patologias apresentam alterações na radiografia
de tórax, quando identificadas essas alterações precocemente inicia-se o tratamento
adequado evitando assim riscos de infecções, a radiologia de tórax é um dos exames mais
simples, de baixo custo que revela anormalidades não evidenciadas no exame clínico é o
início da avaliação para se obter um diagnóstico e de grande auxílio para o controle da
patologia, enquanto a tomografia computadorizada além de identificar as alterações localiza
também espessamentos, sendo mais sensível que a radiografia.
Dentre os exames de imagem solicitada na fisioterapia respiratória destacam-se radiografia
de tórax, tomografia computadorizada e ultrassonografia sendo uns dos mais importantes
no diagnóstico de patologias. A Ressonância Magnética tem progredido muito nos últimos
anos, devido a qualidade da imagem capturada e a ligação entre estrutura e função sendo
avaliadas em um único momento de execução com duração de em média 10 minutos, seus
avanços melhoram a qualidade do exame para diagnóstico que necessitem de alta
resolução principalmente a visualização de áreas vascularizadas, com a vantagem da não
exposição a radiação. O resultado de maior sensibilidade na diferenciação dos
componentes de partes moles, a tomografia computadorizada é um método de auxílio para
concluir o diagnóstico da patologia. Com a Tomografia Computadorizada veio o avanço
no diagnóstico por imagem em todas as áreas e por ser uma técnica de amplo uso e por
oferecer dados fidedignos contribui para a avaliação da gravidade pulmonar em tempo
real da estrutura anatômica.
DE QUEIROZ CERDEIRA, Denílson et al. Fisioterapia no sertão central do ceará: a caracterização
dos pacientes atendidos em um ambulatório de reabilitação funcional. Revista Expressão Católica,
v. 2, n. 1, 2013.
Observou-se no setor de Fisioterapia da Clínica Escola, que muitos pacientes jovens são
acometidos pela diminuição da amplitude de movimento, e na maioria das vezes, isso
acontece por conta de acidentes automobilísticos, lesões relacionadas ao esporte.
Entre os exames complementares apresentados pelos pacientes da Clínica Escola, a
radiografia (RX) foi o exame complementar mais predominante, com um total de 160
(65,8%) exames. Sendo que 49 (20,2%) dos prontuários não apresentaram qualquer tipo
de exame complementar. Já o ultra-som foi o terceiro exame mais presente, com 22
(9,1%), seguida de ressonância magnética com 6 exames (2,5%), tomografia
computadorizada com 5 exames (2,1%).
Esses exames ajudam a determinar o diagnóstico clínico do paciente e ajudam na
formação do diagnóstico cinesiológico funcional da Fisioterapia. A radiografia permite
visualizar alterações ósseas, que proporciona ao avaliador identificar possíveis sinais
que irão levá-lo a procurar mais dados para confirmar sua hipótese primária. Em
pacientes recém-traumatizados, o diagnóstico é mais confuso e difícil devido a sua
incapacidade de cooperação por causa de sua condição clínica. É de fundamental
importância a obtenção de exames por imagem, para ajudar no diagnóstico e o
planejamento do tratamento. Para um diagnóstico clínico preciso, os exames de
imagem, delimitam a extensão da lesão traumática presente ou confirmam a sua
ausência. A nitidez da radiografia é importante para que haja uma boa interpretação da
área avaliada devido à sobreposição de imagens, edema e condições físicas do paciente,
principalmente quando este é politraumatizado.
Discutir sobre a solicitação dos exames de imagem por fisioterapeutas.
DE BARROS, Fabio Batalha Monteiro. Autonomia profissional do fisioterapeuta ao longo da
história. 2003. pesquisagate.net.
A avaliação física nem sempre é suficiente para que o fisioterapeuta consiga identificar
com clareza uma lesão. Informações adicionais fornecidas por exames de imagem facilitam
o diagnóstico e o tratamento, auxiliando na escolha da intervenção mais adequada para
cada caso. Por isso, os profissionais estão autorizados a solicitar os exames de imagem.
O pedido já é contemplado em diversas resoluções do Conselho Federal de Fisioterapia e
Terapia Ocupacional (Coffito). A primeira delas data de 1987, em que o artigo 3º esclarece
a importância dos exames complementares na atuação do profissional:
Artigo 3º – O fisioterapeuta é profissional competente para buscar todas as informações
que julgar necessárias no acompanhamento evolutivo do tratamento do paciente sob sua
responsabilidade, recorrendo a outros profissionais da Equipe de Saúde, através de
solicitação de laudos técnicos especializados, como resultados dos exames
complementares, a eles inerentes.
Entretanto, nem todos os profissionais envolvidos na cadeia de atendimento estão cientes
dessa autorização. Diversos tribunais já avaliaram ações e decidiram a favor da prática. Um
dos últimos casos ocorreu em Natal (RN), onde um laboratório recusou uma solicitação de
exame assinada por um fisioterapeuta.
O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito) entrou com ação para
julgamento do caso, e o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) acabou
reconhecendo a legitimidade da prática em fevereiro de 2018.
Qualificação profissional para imaginologia
O ensino sobre solicitação, execução e interpretação de exames de imagem é previsto nas
Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fisioterapia, instituídas em
2002. O Conselho Nacional de Educação define que o estudante deve estar apto a:
VI: realizar consultas, avaliações e reavaliações do paciente colhendo dados, solicitando,
executando e interpretando exames propedêuticos e complementares que permitam
elaborar um diagnóstico cinético-funcional, para eleger e quantificar as intervenções e
condutas fisioterapêuticas apropriadas, objetivando tratar as disfunções no campo da
Fisioterapia, em toda sua extensão e complexidade, estabelecendo prognóstico,
reavaliando condutas e decidindo pela alta fisioterapêutica.