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ECOLOGIA

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Guilherme Nunes
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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI

ECOLOGIA

GUARULHOS – SP
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 4

2 CONTEXTO HISTÓRICO DA ECOLOGIA .............................................................. 5

2.1 Definições modernas da ecologia ....................................................................... 6

3 NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO BIOLÓGICA .............................................................. 9

4 DIFERENTES ECOSSISTEMAS DENTRO DA BIOSFERA ................................. 12

4.1 Níveis tróficos nos ecossistemas ...................................................................... 15

5 CONCEITOS BÁSICOS, HISTÓRICO, DOMÍNIO E RELAÇÃO COM OUTRAS

CIÊNCIAS ................................................................................................................. 16

5.1 Biodiversidade como fenômeno histórico ......................................................... 19

5.2 Relação entre os processos ecológicos e atributos físicos e químicos do meio

ambiente.................................................................................................................... 22

6 ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DE ECOSSISTEMAS (CADEIAS E TEIAS

TRÓFICAS, FLUXO DE ENERGIA E CICLOS BIOGEOQUÍMICOS) ....................... 26

6.1 Comunidades e níveis tróficos .......................................................................... 26

6.2 Modelos de transferência de energia ................................................................ 30

6.3 Ciclo de nutrientes ............................................................................................ 33

7 DESENVOLVIMENTO DE ECOSSISTEMAS: SUCESSÃO ECOLÓGICA ........... 36

7.1 Fases da sucessão ecológica ........................................................................... 37

8 INTERAÇÕES ECOLÓGICAS .............................................................................. 42

8.1 Tipos de interações entre consumidores e recursos ......................................... 42

8.2 Interações dos indivíduos da comunidade ........................................................ 44

8.3 Diferença entre mutualismo e interações não benéficas .................................. 45

1
9 USO DO HABITAT, TEORIA DE NICHO ECOLÓGICO E ASPECTOS

BIOCULTURAIS HUMANOS..................................................................................... 46

9.1 Teoria do Nicho Ecológico ................................................................................ 47

9.2 Aspectos bioculturais humanos ........................................................................ 48

9.3 Visão e atitudes do homem para com a natureza: paradigmas ........................ 49

10 FATORES ECOLÓGICOS (CLIMÁTICOS, FÍSICO-QUÍMICOS DA ÁGUA E

EDÁFICOS) ............................................................................................................... 50

10.1 Principais fatores que interferem no clima ........................................................ 50

10.2 Relação entre fatores físicos e correntes de ar/ água ....................................... 53

10.3 Características da água .................................................................................... 55

10.4 Mudanças físicas do solo e a influência na distribuição de organismos ........... 56

10.4.1 Mudanças físicas no solo ............................................................................. 58

11 HOMEM E AMBIENTE: DEGRADAÇÃO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE 59

11.1 Extinções em massa e papel do homem .......................................................... 60

11.2 As grandes ondas de extinção provocadas pelo homem .................................. 62

11.3 Desenvolvimento Sustentável ........................................................................... 63

11.4 Estratégias utilizadas pelos ecólogos ............................................................... 65

11.5 Como promover o desenvolvimento sustentável? ............................................ 65

12 ECOLOGIA E ACONTECIMENTOS ATUAIS ................................................... 69

12.1 Gases de efeito estufa ...................................................................................... 69

12.2 Poluição ............................................................................................................ 70

12.3 Queimadas e desmatamento ............................................................................ 71

13 PRINCIPAIS QUESTÕES AMBIENTAIS NO BRASIL E NO MUNDO .............. 72

13.1 Principais causas da problemática ambiental ................................................... 74

13.2 Ações para minimizar e evitar impactos ambientais negativos ......................... 76

2
14 RECURSOS FLORESTAIS.................................................................................. 77

14.1 Ecologia da vegetação ...................................................................................... 78

14.2 Proteção florestal integrada e seus componentes ............................................ 79

14.3 Métodos de conservação da biodiversidade e dos recursos naturais em

florestas......................................................................................................................80

15 ECONOMIA VERDE ............................................................................................ 83

15.1 Importância e benefícios da Economia Verde .................................................. 84

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 85

3
1 INTRODUÇÃO

Prezado aluno!

O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante


ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é
que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em
tempo hábil.
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora
que lhe convier para isso.
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser
seguida e prazos definidos para as atividades.

Bons estudos!

4
2 CONTEXTO HISTÓRICO DA ECOLOGIA

A ecologia é a ciência que procura entender os organismos e suas relações


com o meio ambiente, as populações, as comunidades, os ecossistemas e a biosfera
(LOPES, 2006). As raízes da ecologia levam aos estudos ligados à história natural,
algo que, em essência, é tão antigo quanto o homem. Os egípcios e os babilônios, por
exemplo, já aplicavam métodos ecológicos para combater as pragas que assolavam
suas culturas de cereais no vale do rio Nilo e na Mesopotâmia (PINTO-COELHO,
2007).
A palavra ecologia foi criada há mais de 100 anos pelo biólogo e naturalista
alemão Ernst Heinrich Haeckel (1834-1919), que uniu dois termos gregos: oikos, que
significa “casa”, e logos, que significa “estudo”. Logo, a ecologia é a ciência que estuda
as “causas naturais”, ou seja, os diversos ambientes da natureza, incluindo as
relações dos seres vivos entre si e com o ambiente. Em outras palavras, a ecologia
examina as conexões na natureza — a casa para a vida na Terra (MILLER, 2008).
Como surgiu a ecologia? A ecologia é de interesse prático desde o início da
história da humanidade. Na sociedade primitiva, todos os indivíduos necessitavam
conhecer seu ambiente, ou seja, entender as forças da natureza, as plantas e os
animais ao seu redor para sobreviver.
De acordo com Pinto-Coelho (2000) e Begon, Townsend e Harper (2011), a
ecologia foi definida pela primeira vez em 1866, por Ernst Haeckel, um entusiasta e
influente discípulo de Charles Darwin. Segundo ele, a ecologia era “a ciência capaz
de compreender a relação do organismo com o seu ambiente”.

Fonte: https://beduka.com/
5
Charles Darwin, nascido em 1809 na Inglaterra, foi um grande naturalista e
autor da importante obra de biologia intitulada A Origem das Espécies. Em 1831,
embarcou em um navio e, durante cinco anos, coletou e observou diversas formas de
vida ao redor do mundo, compreendendo melhor as mudanças ocorridas nas
espécies. O naturalista também coletou fósseis e fez observações geológicas que
mostraram a “evolução” que as espécies sofreram ao longo do tempo (SANTOS,
2018). É importante traçar a interface de Darwin com ecologia. O darwinismo foi um
dos movimentos que alavancou a relação entre organismos (principalmente
competição) como a principal forma de seleção natural. Mesmo anteriormente ao
nome ecologia, a ideia já existia. Darwin era apaixonado pela natureza e escreveu
diversas obras sobre a seleção natural e sexual das espécies.
Porém, mesmo que ainda não houvesse uma definição ou conhecimentos
suficientes para ecologia, muitos pesquisadores foram construindo aos poucos sua
definição. Por exemplo, Charles Darwin e Thomas mudaram a ideia platônica de que
a natureza sempre esteve em “equilíbrio perfeito” (visão aristotélica) e a base para
essa mudança de pensamentos está nos seguintes fatos:
 Muitas espécies foram extintas no decorrer dos tempos (por exemplo, os
dinossauros);
 Existe competição causada por pressão populacional;
 A seleção natural e a luta pela existência são mecanismos evidenciáveis na
natureza.

2.1 Definições modernas da ecologia

Apesar de seu desenvolvimento rápido, a ecologia ainda pode ser considerada


uma “ciência relativamente jovem”, pois ainda não existe uma fundamentação teórica
totalmente rígida (PINTO-COELHO, 2000). De maneira geral, a ecologia procura
responder a três perguntas básicas, sendo estas:

1. Onde estão os organismos?


2. Em quantos indivíduos ocorrem?
3. Por que eles estão lá (ou não estão)?

6
A ecologia e a economia estão relacionadas de certa forma. Porém, existem
outras ciências relacionadas à ecologia, as quais são apresentadas na figura a seguir:

Interação entre a ecologia e outras ciências

Fonte: Pinto-Coelho (2000. p. 13)

Em relação aos enfoques da ecologia moderna, de acordo com Pinto-Coelho


(2000), existem duas categorias, sendo estas:
1. Enfoque descritivo (história natural): consiste em levantamentos da fauna
e da flora (essa ciência também é denominada de taxonomia). Dado o seu caráter
essencialmente descritivo, há riscos de que a pesquisa se feche em si mesma,
tornando-se redundante, sem atingir resultados objetivos.
2. Enfoque experimental: baseia-se em testes de hipóteses por meio de uma
abordagem experimental que pode conter experimentos tanto de laboratório quanto
conduzidos no campo. Embora rígido sob o ponto de vista científico, tal enfoque pode,
muitas vezes, levar a um excessivo distanciamento da realidade.
Na área da ecologia são estudados os processos, as dinâmicas e as interações
entre todos os seres vivos de um ecossistema. As interações ecológicas são
caracterizadas pelo benefício de ambos os seres vivos (harmônicas) ou pelo prejuízo

7
de um deles (desarmônicas) e podem ocorrer entre seres da mesma espécie
(intraespecíficas) ou espécies diferentes (interespecíficas).
 Relações intraespecíficas harmônicas: sociedade (organização de
indivíduos da mesma espécie) e colônia (agrupamento de indivíduos da mesma
espécie com graus de dependência entre si).
 Relações intraespecíficas desarmônicas: as quais podem ser:
canibalismo e competições. São relações entre espécies iguais, porém há um prejuízo
para pelo menos um dos lados.
 Canibalismo: um animal mata e se alimenta de outro da mesma espécie.
 Competição intraespecífica: indivíduos da mesma espécie competem
por um ou mais recursos que, na maioria das vezes, não estão disponíveis em
quantidade suficiente no ecossistema.
 Relações interespecíficas harmônicas: mutualismo (ou simbiose),
protocooperação, inquilinismo (ou epibiose) e comensalismo.
 Relações interespecíficas desarmônicas: amensalismo (ou antibiose),
herbivorismo, predatismo, parasitismo e esclavagismo intra e interespecífico.
Ou seja, a ecologia tem como objeto de estudo as relações entre os organismos
e o ambiente envolvente. É importante definir meio ambiente em ecologia. Meio
ambiente é um conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um sistema
natural e que incluem a vegetação, os animais, os micro-organismos, o solo, as
rochas, a atmosfera e os fenômenos naturais que podem ocorrer em seus limites.
Meio ambiente também compreende recursos e fenômenos físicos, como ar, água e
clima, assim como energia, radiação, descarga elétrica e magnetismo. (STEIN, 2018)

Fonte: https://beduka.com/
8
A questão central em ecologia é determinar as causas da distribuição e da
abundância de organismos. Isso pode ser avaliado em nível da comunidade e em nível
das populações, por isso, a ecologia pode também ser dividida segundo seu objeto
central de estudo:
 Autoecologia: ecologia de populações.
 Sinecologia: ecologia de comunidades.
Por razões históricas e metodológicas, bem como por limitação de
conhecimentos, o estudo ecológico esteve inicialmente restrito ao estudo de
associações de plantas ou de animais, como segue:
 Ecologia vegetal: apresenta o problema da restrição a apenas um nível
trófico.
 Ecologia animal: neste caso, os produtores autótrofos não são
considerados.

3 NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO BIOLÓGICA

A ecologia busca compreender a importância de cada espécie na natureza e a


necessidade de preservar os vários ambientes naturais que a Terra abriga. Barsano
e Barbosa (2013) descrevem que não são apenas a fauna e a flora que merecem
cuidados: há outros fatores que também devem ser observados visando ao equilíbrio
da natureza, entre eles o espaço físico, a temperatura e a localização. O termo
biodiversidade (ou diversidade biológica) refere-se à riqueza e à variedade de
plantas e animais que são encontrados nos mais diferentes ambientes. As plantas, os
animais e os microrganismos fornecem alimentos, remédios e boa parte da matéria-
prima industrial consumida pelo ser humano.
Para melhor compreensão do mundo vivo, a biologia, a ecologia e muitas outras
áreas utilizam níveis de organização biológica em seus estudos. As estruturas
biológicas organizam-se hierarquicamente desde o nível de organização mais baixo
até ao nível de organização mais elevado, ou seja, da célula até a biosfera. Os níveis
mais elevados (acima do nível “população”) são frequentemente referidos como
organização ecológica.
De acordo com Begon (2007), Townsend, Begon e Harper (2010), Cain,
Bowman e Hacker (2011) e Nicolau (2017), cada nível de organização biológica é

9
composto, principalmente, pelas unidades estruturais do nível organizacional
imediatamente inferior, somado a um aumento da complexidade organizacional.
Um conceito básico associado à organização biológica é o da emergência, ou
surgimento, de caraterísticas e funções novas nos níveis organizacionais
sucessivamente mais elevados, não presentes nos níveis de organização mais baixos.
Isso significa que, na hierarquia, os níveis sucessivamente mais elevados apresentam
caraterísticas e funções novas, que resultam do respectivo aumento de complexidade.
Assim, teoricamente, uma alteração na organização da estrutura biológica de um nível
inferior acarreta alterações na organização das estruturas biológicas superiores — por
exemplo, alterações na estrutura de um átomo conduzem, ou podem conduzir, a
alterações na organização biológica de níveis superiores, indo da célula para o
organismo até a biosfera. Os níveis de organização biológica são uma das melhores
formas de delimitar a ecologia moderna, segundo Odum e Barrett (2015).

Hierarquia dos níveis de organização biológica.

Fonte: Adaptada de Odum e Barrett (2015).

Os níveis de organização biológica iniciam pela célula, a qual é definida como


a unidade básica, estrutural e funcional da vida. Ela é a menor unidade dos níveis de
organização biológica que se classifica como ser vivo. Alguns seres vivos são
constituídos por uma única célula (seres unicelulares como bactérias, fungos, algas,

10
entre outros), e outros são constituídos por conjuntos de células (seres multicelulares,
como animais, plantas e o homem), conforme ressalta Nicolau (2017).
Os tecidos são formados pela união de células especializadas. Eles estão
presentes em apenas alguns organismos multicelulares, como as plantas e os
animais. Quando organizados e juntos, os tecidos formam os órgãos, que são
formados por vários tipos de tecidos — por exemplo, o coração é formado por tecido
muscular, sanguíneo e tecido nervoso (nervos). Já os sistemas, por sua vez, são
formados pela união de vários órgãos que trabalham em conjunto para desempenhar
determinada função corporal — por exemplo, o sistema digestivo, que é formado por
vários órgãos como boca, estômago, intestinos, entre outros.
O conjunto de órgãos que constituem um ser vivo é denominado organismo.
As características principais dos organismos são a capacidade de extrair energia a
partir de nutrientes, de se adaptar às mudanças ambientais e de se reproduzir. A
ecologia se preocupa de forma ampla, mas não total, com os níveis de sistema além
do organismo. O termo população, originalmente cunhado para um grupo de
pessoas, foi ampliado para incluir grupos de indivíduos de qualquer tipo de organismo.
A população corresponde ao conjunto de indivíduos de uma mesma espécie que
ocorrem juntos em uma mesma área geográfica no mesmo intervalo de tempo
(LOPES, 2006; ODUM; BARRETT, 2015).
Já a comunidade (também denominada biocenose ou biota), inclui todas as
populações que ocupam uma certa área. Sobre a comunidade atuam vários fatores
físicos, químicos e geológicos do ambiente, como a luz, a umidade, a temperatura, os
nutrientes, o solo e a água. Esses são os componentes abióticos, enquanto que os
seres vivos são os componentes bióticos. A comunidade e o ambiente não vivo
(abiótico) funcionam juntos, que eles correspondem ao ecossistema — também
denominado biocenose ou biogeocenose em algumas bibliografias. Em relação à
paisagem, ela se refere à área heterogênea composta de um agregado de
ecossistemas em integração, que se repetem de maneira similar por toda a sua
extensão. Uma bacia hidrográfica é um bom exemplo de unidade de paisagem, porque
geralmente tem limites naturais identificáveis.
O bioma designa uma área geográfica onde são encontradas flora, fauna e
condições climáticas especificas. Em outras palavras, biomas são um conjunto de vida
vegetal e animal, constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e que

11
podem ser identificados em nível regional, com condições de geologia e clima
semelhantes e que, historicamente, sofreram os mesmos processos de formação da
paisagem, resultando em uma diversidade de flora e fauna própria.
A biosfera se refere ao conjunto de todos os ecossistemas da Terra, ou seja,
a camada da Terra que contém seres vivos. Parcelas da biosfera de diferentes
tamanhos podem ser consideradas ecossistemas, desde que haja intercâmbio de
matéria e de energia entre os elementos abióticos e bióticos. Dessa forma, pode-se
considerar ecossistema uma pequena lagoa ou um oceano inteiro.
A biosfera toda pode ser vista como um grande ecossistema. Embora a
distribuição dos organismos no planeta não seja homogênea, pois depende de fatores
abióticos que variam de região para região, em linhas gerais, os limites da biosfera
podem ser definidos com base nos regimes extremos de ocorrência de seres vivos:
cerca de 7 mil metros de altitude, onde voam algumas aves migratórias, e por volta de
11 mil metros de profundidade nos oceanos, onde se encontram bactérias e alguns
animais (LOPES, 2006).

Fonte: https://www.capasdelatierra.org/biosfera/

4 DIFERENTES ECOSSISTEMAS DENTRO DA BIOSFERA

Antes de começarmos a falar dos diferentes ecossistemas encontrados na


biosfera, é necessário entender e compreender o significado de biosfera. A biosfera é
a camada do planeta Terra onde existe vida. Ela varia de 5 km a 18 km de espessura.
Essa camada é comparativamente fina em relação ao diâmetro total do planeta, que
tem aproximadamente 13.000 km.
12
A biosfera refere-se ao conjunto de todos os ecossistemas da Terra, ou seja, a
camada da Terra que contém seres vivos. Parcelas da biosfera de diferentes
tamanhos podem ser considerados ecossistemas, desde que haja intercâmbio de
matéria e de energia entre os elementos abióticos e bióticos. Dessa forma, pode-se
considerar ecossistema uma pequena lagoa ou o oceano inteiro. A biosfera toda pode
ser vista como um grande ecossistema. Embora a distribuição dos organismos no
planeta não seja homogênea, pois depende de fatores abióticos que variam de região
para região, em linhas gerais, os limites da biosfera podem ser definidos com base
nos regimes extremos de ocorrência de seres vivos: cerca de 7 mil metros de altitude,
onde voam algumas aves migratórias, e por volta de 11 mil metros de profundidade
nos oceanos, onde se encontram bactérias e alguns animais (LOPES, 2006).
Os ecossistemas são classificados basicamente em dois tipos: ecossistemas
aquáticos e ecossistemas terrestres. Estes são muito semelhantes entre si, porém,
a diferença básica é a presença ou não de água, o que faz com que abriguem formas
de vidas diferentes, embora algumas espécies possam migrar de um ecossistema a
outro.
O ecossistema aquático tem duas subdivisões:
a) Ecossistema marinho: esse ecossistema abrange os mares e os oceanos
e todos os seres vivos que vivem em águas salgadas. É mais estável que o
ecossistema terrestre e de água doce, já que a salinidade não sofre muitas alterações,
ficando quase sempre em torno de 3,5% e as temperaturas das correntes marinhas
variam pouco. A luz solar penetra até 200 metros de profundidade. Essa estabilidade
favorece a vida nesse hábitat marinho.
b) Ecossistema de água doce: é muito importante para a manutenção de
muitos seres vivos, já que muitos animais e plantas dependem do curso dos rios para
sobreviver. Nos rios vivem muitos anfíbios, peixes e uma grande variedade de animais
invertebrados aquáticos.
Em relação aos ecossistemas terrestres, estes são divididos em diferentes
biomas. A distribuição dos biomas terrestres e seus tipos de vegetação e fauna estão
estreitamente ligados ao clima, uma vez que são as diferentes condições de
temperatura e incidência de luz solar nas várias regiões do planeta que facilitam ou
impedem a existência de qualquer tipo de vida. Desse modo, praticamente, a cada
clima corresponde um bioma, marcado por uma determinada composição faunística.

13
Em um mesmo bioma, pode-se encontrar vários ecossistemas. (LOPES, 2006).
Alguns dos principais biomas terrestres encontrados são:
Montanhas: nas grandes altitudes (acima de 3.000 metros), as montanhas não
apresentam vegetação. A cobertura vegetal, que alcança de 2.500 a 3.000 metros, é
composta de plantas orófilas (que apresentam uma vegetação rasteira); os campos
alpinos, com cerca de 200 espécies, se adaptaram às baixas temperaturas e à seca.
Esse bioma aparece nas grandes cadeias montanhosas, como os Andes, as
montanhas rochosas, os Alpes, entre outros.
Florestas: podem ser divididas em quatros subgrupos: florestas tropicais,
florestas temperadas, florestas coníferas e savanas. Todos esses tipos apresentam
uma grande população de árvores e níveis médios a altos de chuvas. Todas são
habitadas por uma grande diversidade de animais e podem ter um clima úmido ou
seco. As florestas tropicais, por exemplo, têm um clima quente e com muita chuva,
enquanto as florestas temperadas têm as quatro estações do ano bem definidas e a
intensidade de chuvas é moderada.
Pradarias: caracterizado por apresentar uma vegetação herbácea (rasteira),
recebendo o nome de pradaria na América do Norte e de pampas na América do Sul
(Brasil e Argentina), onde o clima é mais úmido.
Estepe: esse bioma é seco, frio e com vegetação rasteira. Geralmente, as
estepes estão na faixa de transição entre o deserto e a floresta, longe da influência
marítima e perto de barreiras montanhosas. São encontradas principalmente nos
EUA, na Mongólia, na Sibéria, no Tibete e na China.
Desertos: as temperaturas do deserto apresentam grandes amplitudes
térmicas, podendo atingir 50 °C durante o dia e cair para -1 °C à noite. São
ecossistemas que não têm muitos habitantes e recebem menos de 25 cm de chuva
durante todo ano, tornando-se o lar para plantas capazes de sobreviver nesse tipo de
ambiente. Cactos são bastante encontrados nos desertos, porque são capazes de
armazenar água. Os solos são sempre muito pobres, pedregosos ou arenosos.
Tundras: formada há cerca de 10 mil anos, a tundra é o bioma mais jovem da
Terra. Sua área de ocorrência é a região próxima ao oceano Glacial Ártico: Alasca,
norte do Canadá, Groelândia, norte da Rússia e norte da Escandinávia. A tundra tem
ecossistemas cuja composição botânica é influenciada pelas condições dos solos e
do clima. O solo fica congelado a maior parte do ano e a estação mais quente dura

14
mais ou menos 60 dias, sendo que a temperatura mais alta não ultrapassa 10 °C.
Esse é o bioma mais frio do mundo, e é basicamente um deserto gelado, pois
apresenta pouca precipitação durante o ano.
Savana: são formações típicas de regiões de clima tropical, com uma estação
chuvosa e outra seca. Localizam-se entre o bioma da floresta tropical e o dos desertos.
Existem vários tipos diferentes de savanas, sendo que as mais conhecidas são as
africanas. Esse tipo de bioma apresenta dois “andares” de vegetação tropófila: um
mais alto, formado por árvores, e outro mais baixo, composto de gramíneas.
Em território nacional, são seis os grandes biomas brasileiros (continentais).
 Amazônia;
 Cerrado;
 Caatinga;
 Mata Atlântica;
 Pantanal;
 Pampa.

Fonte: https://www12.senado.leg.br/

4.1 Níveis tróficos nos ecossistemas

Os organismos que compõem um ecossistema (tanto aquático como terrestre)


podem ser agrupados de acordo com suas necessidades alimentares. (LOPES, 2006).

15
Grupos de organismos que apresentam tipo semelhante de nutrição constituem
um nível trófico (do grego trofos, que significa “alimento”). Os níveis tróficos, de acordo
com Amabis e Martho (1997), são:
Produtores: o primeiro nível trófico é sempre ocupado por seres
fotossintetizantes, ou seja, algas, plantas e alguns tipos de bactérias. Esses
organismos são chamados de produtores, pois são os responsáveis pela produção de
todo alimento que mantém o ecossistema. O segundo nível trófico é ocupado pelos
herbívoros, animais que se alimentam de plantas. Eles são chamados de
consumidores primários, uma vez que se alimentam diretamente dos produtores. Os
animais carnívoros que se alimentam de animais herbívoros são consumidores
secundários, sendo que estes constituem o terceiro nível trófico. O quarto nível trófico
é formado pelos consumidores terciários, ou seja, animais carnívoros que se
alimentam de animais carnívoros, assim sucessivamente.
Decompositores: são em geral micro-organismos (bactérias e fungos) que
obtêm alimento por meio da decomposição da matéria orgânica dos cadáveres de
outros seres vivos. Tanto os produtores como os consumidores, quando morrem,
servem de alimento aos decompositores. Os micro-organismos decompositores
permitem a reciclagem dos materiais presentes nos cadáveres, liberando-os para
serem aproveitados por outros seres vivos.

5 CONCEITOS BÁSICOS, HISTÓRICO, DOMÍNIO E RELAÇÃO COM OUTRAS


CIÊNCIAS

Desde que a vida surgiu, há mais de 3,5 bilhões de anos, os seres vivos vêm
diversificando-se e adaptando-se às mudanças ocorridas em nosso planeta. Essa
capacidade de adaptação permitiu-lhes colonizar os mais variados ambientes na
Terra. Ou seja, os seres vivos se adaptam ao ambiente durante as gerações pelo
processo de seleção natural. Essa adaptação ocorre ao longo de muitas gerações, a
escala temporal do tempo evolutivo. Mas você sabe quais são os fatores que
determinam a distribuição de determinada espécie em determinado local do globo
terrestre ou como surgiu a vida na Terra?
Para a Ecologia, o meio ambiente é o panorama animado ou inanimado em que
se desenvolve a vida de um organismo. No meio ambiente, existem vários fatores

16
externos que têm uma influência no organismo. A Ecologia tem como objeto de estudo
as relações entre os organismos e o ambiente que os envolve.
Meio ambiente é um conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um
sistema natural e inclui toda a vegetação, os animais, microrganismos, solo, rochas,
atmosfera e fenômenos naturais que podem ocorrer em seus limites. O meio ambiente
também compreende recursos e fenômenos abióticos, como, por exemplo, ar, água e
clima, assim como energia, radiação, descarga elétrica e magnetismo.
Segundo Dajoz (1983), a Ecologia sempre foi confundida com outras disciplinas
vizinhas, como a Etologia, que é a ciência dos costumes ou do comportamento. A
confusão entre essas duas disciplinas deve-se, essencialmente, ao fato de que o
comportamento de um animal (objeto da Etologia) não pode manifestar-se senão em
um meio determinado e com relação a esse. Para melhor compreender a diferença
entre Ecologia e Etologia, vamos a um exemplo: uma colmeia de abelhas é objeto de
estudo da Etologia, que analisa o comportamento das abelhas; mas a relação da
colmeia com o ambiente, num modo geral, é objeto de estudo da Ecologia.
A Ecologia também é confundida com a Biogeografia, que é a ciência que
estuda a distribuição dos seres vivos na natureza. A distribuição dos animais tem
causas atuais (como, por exemplo, climáticas) — logo, de ordem ecológica —, mas
também causas antigas, de ordem paleogeográfica. A Ecologia, por si só, dificilmente
irá explicar completamente a distribuição de uma espécie (DAJOZ, 1983).
De modo geral, Ecologia é definida como o estudo científico das interações
entre organismos e seu ambiente. Porém, existem outras definições aceitáveis para
essa disciplina, como, por exemplo, o estudo científico das interações que determinam
a distribuição (localização geográfica) e a abundância dos organismos (CAIN;
BROWMAN; HACKER, 2018). Dessa forma, percebe-se que a Ecologia é
extremamente ampla, de modo que os ecólogos estudam as interações na natureza
em muitos níveis de organização biológica.
Cain, Browman e Hacker (2018) mencionam que as interações na natureza
formam a base para a primeira de oito máximas ecológicas, uma vez que nunca é
possível fazer somente uma coisa. Essa máxima sugere que todas as ações têm
múltiplos efeitos, pois os eventos são interligados na natureza, ou seja, as espécies
são conectadas umas às outras. A seguir, veja algumas das principais máximas
ecológicas:

17
 “Nunca é possível fazer somente uma coisa”: os organismos interagem
uns com os outros e com o seu ambiente físico. Dessa forma, os eventos, na natureza,
são interligados, e o que afeta um organismo acaba afetando outros organismos ou
lugares.
 “Tudo vai parar em algum lugar”: não há um lugar “remoto” no qual os
resíduos indesejáveis desaparecem.
 “Nenhuma população consegue crescer indefinidamente”: há limites
para o crescimento e a utilização de recursos de cada população — inclusive, a do
ser humano.
 “Não há almoço grátis”: a energia e os recursos de um organismo são
finitos, o influxo crescente em uma função (como a reprodução) resultará em uma
compensação, na qual haverá uma perda para outras funções (como o crescimento).
 “A evolução é importante”: os organismos mudam ou evoluem ao longo
do tempo, e a evolução é um processo contínuo, uma vez que os organismos
enfrentam continuamente novos desafios frente às mudanças tanto do meio abiótico
quanto do biótico.
 “O tempo é importante”: os ecossistemas mudam com o tempo. Quando
vemos o mundo como o conhecemos, é fácil esquecer como os eventos do passado
moldaram nosso presente e como nossas ações atuais podem afetar o futuro.
 “O espaço é importante”: as condições ambientais abióticas e bióticas
podem mudar drasticamente de um lugar para o outro, às vezes, ao longo de
distâncias muito curtas.
 “A vida seria impossível sem interações entre as espécies”: as espécies
dependem uma das outras e competem entre si para a obtenção de energia, recursos
e hábitat.
Rodrigues (2005) ressalta que os processos pelos quais os ecossistemas
alcançam e mantêm o estado de equilíbrio dinâmico representado pelo clímax
resultam da interação mútua de um crescente número de componentes da estrutura
adicionados durante a sucessão ecológica, sob a influência reguladora dos fatores
ecológicos — que são todos os condicionantes do ambiente passíveis de agir
diretamente sobre um organismo em, ao menos, uma fase de seu ciclo de vida.
Os fatores ecológicos atuam das seguintes formas:

18
 Eliminando espécies dos territórios nos quais as condições climáticas e
físico-químicas não sejam favoráveis, influindo na distribuição e repartição geográfica
dos organismos e na configuração dos biomas.
 Modificando as taxas de fecundidade e mortalidade dos organismos, agindo
na densidade das populações.
 Favorecendo, ou não, a manutenção de modificações adaptativas,
influenciando o próprio curso da evolução biológica.
De acordo com Reece et al. (2015), uma ideia errônea e comum sobre a
evolução das espécies é acreditar que os indivíduos evoluem. É verdade que a
seleção natural atua nos indivíduos: cada combinação de características de um
organismo afeta a sua sobrevivência e seu sucesso reprodutivo em comparação a
outros indivíduos, mas afeta populações, e não organismos.

5.1 Biodiversidade como fenômeno histórico

O termo biodiversidade (também denominado diversidade biológica em


algumas bibliografias) é utilizado para definir a riqueza e a variedade de plantas e
animais que são encontrados nos mais diferentes ambientes do planeta Terra. As
plantas, os animais e os microrganismos fornecem alimentos, remédios (na forma de
substâncias secretadas por eles) e boa parte da matéria-prima industrial consumida
pelo ser humano.
César e Sezar (2002) mencionam que pode existir entre 5 milhões e 30 milhões
de espécies espalhadas pelo planeta Terra, pois muitos ambientes ainda não foram
explorados. Esses milhões de espécies apresentam diferenças entre si, como cores,
formas, tamanhos, tipos de nutrição, respiração, reprodução e adaptações a
diferentes funções.
Estima-se que a Terra tenha 4,5 bilhões de anos e que a vida começou a surgir
há, aproximadamente, 3,5 bilhões de anos. Essa forma de vida inicial eram
organismos com células muito simples, as bactérias. Porém, ao longo da história dos
seres vivos — a qual está bem documentada por meio de estudos de fósseis e rochas
—, houve épocas de explosão de biodiversidade, com o surgimento de novos grupos,
e outras, ao contrário, de grandes extinções, com o desaparecimento de muitos
grupos que chegaram a ser dominantes na Terra.

19
Em cada uma dessas extinções, provavelmente, milhões de espécies
desapareceram, criando condições para a evolução de outras. (RODRIGUES, 2005).
No Quadro a seguir, apresenta-se um pequeno resumo do tipo de vida vegetal
e animal que surgiu ao longo dos anos no planeta Terra.

ANOS DECORRIDOS DESDE VIDA VEGETAL VIDA ANIMAL


O INÍCIO DO PERÍODO ATÉ
OS DIAS ATUAIS
10 mil Aumento no número de plantas Civilizações humanas.
herbáceas
3 milhões Extinção de muitas espécies de Extinção dos grandes
plantas. mamíferos.
63 milhões Domínio do ambiente terrestre Domínio do ambiente terrestre
pelas angiospermas. por mamíferos, aves, insetos,
irradiação dos mamíferos,
primeiros homens.
135 milhões Domínio das angiospermas, Apogeu e desaparecimento dos
declínio das gimnospermas. dinossauros; segunda grande
irradiação dos insetos;
primeiros primatas.
181 milhões Predomínio das gimnospermas, Dinossauros grandes,
como as cicas e coníferas. especializados, mais
abundantes. Aparecimento dos
primeiros mamíferos e das
primeiras aves
230 milhões Domínio do ambiente terrestre Aparecimento dos primeiros
pelas gimnospermas e dinossauros e de répteis
samambaias; diminuição dos semelhantes a mamíferos
musgos.
280 milhões Evolução das gimnospermas e Expansão dos répteis, declínio
angiospermas. dos anfíbios
345 milhões Era das grandes florestas de Período denominado Idade dos
gimnospermas e suas Anfíbios; primeira grande
precursoras, musgos e irradiação de insetos;
samambaias aparecimento dos primeiros
répteis.

20
405 milhões Expansão das plantas Período denominado Idade dos
terrestres; primeiras florestas Peixes; aparecimento dos
de musgos e samambaias. primeiros vertebrados
terrestres e dos anfíbios.
425 milhões Primeiras plantas vasculares, Aparecimento dos primeiros
algas e fungos. artrópodes adaptados a respirar
em meio terrestre; aumento do
número de peixes
500 milhões Invasão do ambiente terrestre Invertebrados marinhos
pelas plantas diversificados, os corais;
aparecimento dos primeiros
vertebrados aquáticos, os
peixes
600 milhões Invasão do ambiente terrestre Invertebrados marinhos
pelas plantas. diversificados, trilobitas;
aparecimento de animais com
esqueleto.
1,5 bilhão Algas marinhas abundantes. Procariontes abundantes.
2,5 bilhão Surgimento de pluricelulares acelomados e celomados, protistas
eucariontes e fungos.
4,5 bilhão Surgimento de bactérias anaeróbias e fotossintéticas; formação
da Terra e do restante do sistema.
Fonte: César e Sezar (2002, p. 19).

Mas como surgiram os primeiros seres vivos? Os cientistas imaginam que


moléculas orgânicas formadas na atmosfera eram arrastadas pelas chuvas para a
superfície, acumulando-se em poças e lagoas que se formavam nas depressões da
crosta terrestre. Essa acumulação (que ocorreu durante milhões de anos),
provavelmente, transformou muitos lagos da primitiva Terra em verdadeiras sopas
orgânicas. À medida que esses lagos secavam, as moléculas orgânicas
concentravam-se. Isso, aliado ao calor e à intensa radiação que atingia a mistura,
deve ter provocado reações químicas entre elas, originando novos tipos de
substâncias (AMABIS; MARTHO, 1997).
Para analisar e estudar as espécies de animais/vegetais que habitaram a Terra
ao longo das mais diferentes eras, é fundamental analisar os fósseis, que são
definidos como os restos preservados de organismos antigos. A partir dos fósseis, é
possível obter informações sobre a forma corporal (morfologia) de organismos que

21
viveram há muito tempo, assim como sobre onde e de que forma eles viveram. Porém,
para entender os padrões de mudança evolutiva, deve-se entender, também, como a
vida se modificou ao longo do tempo (SADAVA et al., 2009).
Sadava et al. (2009) mencionam, ainda, que boa parte da história da Terra
(inclusive da biodiversidade) está gravada nas rochas. As rochas e a sua composição,
tanto química quanto na distribuição dos fósseis nela presentes, fornecem dados
importantes para análise da biodiversidade do passado. As eras geológicas
subdividem-se em: Pré-Cambriana, Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica. Elas
representam cada uma das grandes divisões do tempo geológico do planeta Terra.

5.2 Relação entre os processos ecológicos e atributos físicos e químicos do


meio ambiente

No que se refere ao meio ambiente, ainda não existe uma resposta 100%
unânime sobre sua definição, pois esse termo pode apresentar diferentes conceitos,
de acordo com seus componentes. Porém, deve-se ter em mente que meio ambiente
é o conjunto de todas as coisas vivas e não vivas. Por exemplo, segundo o Art. 3º da
Lei nº. 6.938/1981, meio ambiente é o conjunto de condições, leis, influências e
interações de ordem física, química e biológica que permite, abriga e rege a vida em
todas as suas formas (BRASIL, 1981).
Cada espécie pertence a um determinando ecossistema, fazendo parte de uma
biocenose (conjunto de comunidades ecológicas) ou comunidade e podendo sofrer
distintos efeitos, como:
 Fatores bióticos: interação entre os seres vivos (predação, cadeia
alimentar, relações ecológicas, entre outros).
 Fatores abióticos: elementos não vivos do ambiente que afetam os
organismos vivos da biota. Esses elementos podem ser físicos ou químicos.
Os fatores físicos constituem o clima, determinado principalmente pela radiação
solar que chega à Terra, e a temperatura, que influencia outros aspectos climáticos,
como a umidade relativa do ar e a pluviosidade. Os fatores químicos, como os
nutrientes minerais e os ciclos biogeoquímicos (do nitrogênio, do oxigênio, do
carbono), são importantes para garantir a sobrevivência dos organismos e manter o
equilíbrio dos ecossistemas.

22
Porém, o ambiente físico também pode ser definido como o lugar onde os
organismos vivem, os recursos que lhes estão disponíveis e as taxas nas quais suas
populações podem crescer. Dessa forma, o conhecimento do ambiente físico é
essencial para compreender todos os fenômenos ecológicos, desde o resultado das
interações entre bactérias e fungos até as trocas de dióxido de carbono entre biosfera
e atmosfera (CAIN; BROWMAN; HACKER, 2018).
Se as condições físicas de um local não permitem que uma espécie sobreviva
e se reproduza, a espécie não será encontrada nesse local. De acordo com Reece et
al. (2015), os principais fatores abióticos que interferem nos processos ecológicos são:
 Temperatura: é um fator de grande importância e está diretamente
relacionado a variações do fator luz, uma vez que a redução ou o aumento do
fotoperíodo tem influência na temperatura. A temperatura ambiente é um fator
importante na distribuição das espécies devido ao seu efeito sobre os processos
biológicos. As células podem romper-se se a água que elas contêm congelar
(temperaturas inferiores a 0º C), e a proteína da maioria dos seres vivos desnatura em
temperaturas superiores a 45º C. Além disso, poucas espécies podem manter o
metabolismo ativo sob temperaturas muito altas ou muito baixas, embora adaptações
extraordinárias permitam que algumas espécies vivam fora do intervalo de
temperatura habitável por outras formas de vida.
 Água: pode ser encontrada em três estados da matéria, na forma sólida
(gelo, neve), na forma líquida (chuva, água) e na forma de vapor (vapor de água na
atmosfera). Todos os serem vivos necessitam da água no planeta Terra para
sobreviver. A seguir, veja alguns exemplos das funções da água:
 é um elemento construtivo da fotossíntese das plantas e dos organismos;
 funciona como um solvente para os nutrientes do solo;
 é um condutor de energia (muito utilizado em hidroelétricas);
 é um meio de transporte (como na navegação, em canais de drenagem);
 por meio da água, ocorre a regularização da energia no balanço energético
da Terra.
 Salinidade: a concentração de sal na água do ambiente afeta o balanço de
água dos seres vivos pela osmose.
 Luminosidade: a luz do sol absorvida pelas espécies fotossintetizantes
fornece a energia que governa a maioria dos ecossistemas, e a escassez de luz pode

23
limitar a distribuição dos seres vivos fotossintetizantes. Nas florestas, por exemplo, a
sombra das folhas da copa das árvores torna a competição pela luz muito intensa,
particularmente para as plântulas que crescem no estrato inferior da floresta. Nos
ambientes aquáticos, a maior parte da fotossíntese ocorre relativamente próximo à
superfície, uma vez que cada metro de profundidade de água absorve seletivamente
cerca de 45% da luz vermelha e cerca de 2% da luz azul que passa através dela. O
excesso de luz também pode limitar a sobrevivência dos seres vivos. A atmosfera é
mais fina e absorve menos radiação ultravioleta nas elevações mais altas. Dessa
forma, há maior probabilidade de que os raios solares danifiquem o DNA e as
proteínas em ambientes alpinos. Os seres vivos que vivem nesses ambientes são
expostos a altos níveis de radiação ultravioleta. Além disso, enfrentam outros
desafios, como temperaturas de congelamento e ventos fortes, que aumentam a
perda de água e inibem o seu crescimento.
 Clima: quatro fatores abióticos — temperatura, precipitação, luminosidade e
vento — são os principais componentes do clima. Os fatores climáticos,
principalmente a temperatura e a disponibilidade de água, têm grande influência na
distribuição dos seres vivos terrestres.
 Rochas e solo: o pH, a composição mineral e a estrutura física das rochas
e do solo limitam a distribuição de plantas e, consequentemente, dos animais que se
alimentam delas, contribuindo para o mosaico encontrado nos ecossistemas
terrestres.
Especificamente falando dos solos, Lima, Lima e Melo (2007) apresentam os
principais fatores que interferem na formação desses, como:
 Clima: exerce influência sobre a formação dos solos (intemperismo),
principalmente, devido às precipitações (chuvas) e à variação de temperatura. Por
exemplo, em regiões de clima quente e úmido, a ação do intemperismo é mais intensa
e rápida, pois temperaturas mais elevadas aceleram a velocidade das reações
químicas (que provocam a decomposição das rochas). A umidade, por sua vez, reage
com os minerais presente nas rochas, produzindo ácidos, os quais provocam a
corrosão das rochas.
 Material de origem: a rocha que dá origem ao solo é chamada de rocha
matriz, ou seja, o material de origem é a matéria-prima a partir da qual os solos se
desenvolvem, podendo ser de natureza mineral (rochas ou sedimentos) ou orgânica

24
(resíduos vegetais). Dependendo do tipo de material de origem, os solos podem ser
arenosos, argilosos, férteis ou pobres. Cabe ressaltar que uma mesma rocha pode
originar solos muito diferentes, pois depende da variação dos demais fatores de
formação.
 Relevo: o formato desigual do relevo favorece a distribuição irregular da
água das chuvas, do calor e da luz. Dependendo do tipo de relevo (plano, inclinado
ou abaciado), a água da chuva pode entrar no solo (infiltração), escoar pela superfície
(ocasionando erosão) ou acumular-se (formando banhados).
 Presença de organismos: os organismos que vivem no solo, como
vegetais, minhocas, insetos, fungos, bactérias, entre outros, exercem grande
influência na formação dos solos, pois, além de seus corpos serem fonte de matéria
orgânica, atuam, também, na transformação dos constituintes orgânicos e minerais. A
vegetação exerce influência na formação do solo pelo fornecimento de matéria
orgânica, na proteção contra a erosão pela ação das raízes fixadas no solo, assim
como as folhas evitam o impacto direto da chuva. Ao se decompor, a matéria orgânica
libera ácidos que também participam da transformação dos constituintes minerais do
solo. (LIMA; LIMA; MELO, 2007)
 Tempo: para a formação do solo, é necessário determinado tempo para a
atuação dos processos que levam à sua formação. O tempo que um solo leva para se
formar depende do tipo de rocha, do clima e do relevo. Solos desenvolvidos a partir
de rochas mais fáceis de serem intemperizadas formam-se mais rapidamente em
comparação com aqueles cujo material de origem é uma rocha de difícil alteração.

Fonte: http://feelhomecare.com.br/
25
6 ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DE ECOSSISTEMAS (CADEIAS E TEIAS
TRÓFICAS, FLUXO DE ENERGIA E CICLOS BIOGEOQUÍMICOS)

A cadeia alimentar é uma trilha ou uma sequência de nutrientes que relaciona


espécies diferentes em uma comunidade por meio da alimentação. Numa cadeia
alimentar, a energia e os nutrientes passam de um organismo para outro. As cadeias
alimentares raramente contêm mais de seis espécies, pois a quantidade de energia
transferida diminui a cada etapa, ou nível trófico.
Os componentes das cadeias são divididos, de maneira simplificada, em
produtores, consumidores e decompositores. Parte da matéria orgânica sintetizada
pelos produtores é consumida como fonte de energia para o metabolismo do próprio
organismo produtor, porém, outra parte é incorporada e fica disponível para os
heterótrofos do ecossistema. A cada nível trófico seguinte, parte da matéria orgânica
é usada no metabolismo dos organismos desse nível, outra parte é eliminada como
resíduo e somente uma fração é incorporada e disponível como alimento para o
próximo nível. (BRASIL, 1981).

6.1 Comunidades e níveis tróficos

Os níveis tróficos são a maneira utilizada pela ecologia para organizar os


organismos que compõem uma cadeia alimentar, na qual ocorre transferência de
massa e energia entre indivíduos ou populações. Os componentes dessas cadeias
podem ser divididos, de maneira simplista, em três grandes grupos: os produtores,
os consumidores e os decompositores.
O consumidor primário se alimenta do produtor, o consumidor secundário come
o consumidor primário, o consumidor terciário alimenta-se do secundário e assim
sucessivamente. Lembrando:
 Consumidores primários: ocupado pelos herbívoros, ou seja, animais que
se alimentam de plantas, alimentando-se dos produtores.
 Consumidores secundários: composto pelos carnívoros, animais que se
alimentam de animais herbívoros.
 Consumidores terciários: animais carnívoros que se alimentam de animais
carnívoros, e assim sucessivamente.

26
A fonte primária de energia para a vida na Terra é o sol. O sol tem a importante
função de manter aquecido o planeta e é a fonte de energia luminosa usada na
fotossíntese. Essa energia é convertida em matéria orgânica pelos autótrofos
fotossintetizantes e consumida pelos demais seres vivos (OLIVEIRA JUNIOR; SILVA,
2014).
Os organismos autótrofos de um ecossistema formam, por definição, o primeiro
nível trófico, que é o produtor. O principal meio de obtenção de energia pelos
autótrofos é a fotossíntese, sendo que, na ecologia, os autótrofos são também
chamados de produtores, pois estes são os sintetizadores da matéria orgânica
consumida pelos demais organismos do ecossistema.
Os heterótrofos são divididos em consumidores e decompositores. Os
animais herbívoros, que são consumidores primários, formam o segundo nível trófico.
Um ecossistema pode existir sem consumidores, mas não pode se manter sem
produtores e decompositores. Se não há decompositores, haverá acúmulo de matéria
orgânica, degradação ambiental e posterior morte dos seres vivos. Os animais
carnívoros que se alimentam dos herbívoros (consumidores secundários) formam o
terceiro nível trófico. Os animais carnívoros que se alimentam de animais carnívoros
(consumidores terciários) formam o quarto nível trófico, e assim por diante.
Os decompositores ocupam o último nível de transferência de energia entre
organismos de um ecossistema. Formam um grupo especial, nutrindo-se de
elementos mortos, excretas, restos de animais e vegetais provenientes de diferentes
níveis tróficos, degradando tanto produtores como consumidores. O Quadro a seguir
apresenta os níveis tróficos de forma resumida.

Componentes estruturais bióticos dos ecossistemas Nível trófico


Autótrofo = produtor 1°


Heterótrofo Consumidor

Uma das formas mais tradicionais de estudar a ecologia trófica está na


identificação das rotas alimentares dentro dos ecossistemas. A literatura ecológica
demonstra que existem basicamente cinco formas de se representar essas interações,
27
no entanto, apenas as três primeiras são de interesse neste capítulo, uma vez que
são as mais utilizadas:
 Cadeias alimentares;
 Teias tróficas;
 Pirâmides energéticas;
 Matrizes tróficas;
 Fluxos trófico-dinâmicos.
Quanto à cadeia alimentar, podemos dizer que é uma relação alimentar entre
produtores, consumidores e decompositores, em que a energia flui entre esses
indivíduos a partir dos seres autotróficos, que, por meio da fotossíntese ou
quimiossíntese, são capazes de transformar a matéria inorgânica em orgânica, sendo
está incorporada à cadeia a partir do momento em que um indivíduo se alimenta de
outro. A cadeia alimentar começa com plantas, algas e também alguns tipos de
bactérias e protozoários, que são seres vivos produtores. (STEIN, 2018)
A cadeia alimentar é uma trilha ou sequência de alimentos que relaciona
espécies diferentes em uma comunidade. Numa cadeia alimentar, a energia e os
nutrientes passam de um organismo para outro. Ou seja, cadeia alimentar é a
sequência linear, não ramificada, em que um ser vivo serve de alimento para o outro,
desde o produtor até os decompositores. Exemplo:

Planta Vaca Homem Decompositores

As cadeias alimentares raramente contêm mais de seis espécies, pois a


quantidade de energia transferida diminui a cada etapa, ou nível trófico. O fluxo de
energia ao longo de uma cadeia alimentar é sempre unidirecional, no sentido dos
produtores para os decompositores, e nunca no sentido inverso. (STEIN, 2018)

Fonte: https://ascadeiasalimentares.weebly.com/

28
Nos ecossistemas se estabelecem muitas cadeias alimentares, que se
entrelaçam formando uma rede ou teia alimentar. Ela representa as várias maneiras
em que a energia contida no alimento flui pela comunidade ecológica. De acordo com
Barsano, Barbosa e Viana (2014), teia alimentar são as muitas relações alimentares
que os animais desenvolvem dentro do ecossistema. Por exemplo, o homem, como
um ser onívoro, pode alimentar-se tanto de vegetais quanto de animais, não se
limitando a um único nível trófico, ou seja, alimenta-se de animais consumidores
primários, secundários ou terciários.
A teia alimentar pode ser definida como o conjunto de cadeias alimentares.
Uma comunidade de seres vivos pode conter centenas ou mesmo milhares de
espécies. Cada espécie participa, em geral, de diferentes cadeias alimentares, sendo
que estas se interligam para formar as teias alimentares.
A cadeia alimentar é uma sequência linear teórica e teia alimentar é uma
representação mais fiel da natureza, em que as cadeias alimentares se conectam ou
se sobrepõem, formando redes alimentares.
Os principais atributos de uma dada teia alimentar, segundo menciona Pinto-
Coelho (2011), são:
a) Número de espécies na rede (S): número total de espécies presentes numa
dada rede.
b) Densidade de ligações (D): número de ligações tróficas associadas a cada
espécie presente na rede.
c) Espécie trófica: conjunto de espécies que compartilham o mesmo conjunto
de presas ou são atacadas pelo mesmo predador.
d) Predador de topo: espécie que não é predada por nenhum predador na
rede em que se alimenta.
e) Espécies basais: organismos que não se alimentam de nenhuma outra
espécie. Em geral, são produtores primários.
f) Ciclos tróficos: ocorrem quando um organismo A se alimenta do organismo
B, que, por sua vez, se alimenta do organismo C, que se alimenta do organismo A.
g) Conectância: número de interações tróficas realizadas dividido pelo número
de interações tróficas possíveis.

29
h) Nível trófico: número de ligações tróficas entre uma dada espécie na rede
e a espécie basal a ela associada, podendo haver uma espécie que ocupe
simultaneamente mais de um nível trófico.
i) Onívoro: organismo que se alimenta em dois ou mais níveis tróficos
diferentes.
j) Compartimentos: ocorre quando existe um grupo com fortes interações
tróficas, podendo haver, em uma dada rede, certo paralelismo trófico, ou seja, a
existência de vários compartimentos relativamente independentes entre si.

Fonte: https://www.tutorbrasil.com.br/

6.2 Modelos de transferência de energia

Para os ecólogos, a energia pode ser definida como a capacidade de executar


trabalho. O comportamento da energia é descrito pelas seguintes leis: a primeira lei
da termodinâmica, ou lei da conservação da energia, que estabelece que a energia
pode ser transformada de uma forma para outra, mas não pode ser criada nem
destruída. A segunda lei da termodinâmica, ou lei da entropia, pode apresentar
diferentes interpretações, mas, de modo geral, nenhum processo envolvendo
transformação de energia ocorrerá espontaneamente, a menos que haja a
degradação da energia de uma forma concentrada para uma forma dispersa (ODUM;
BARRETT, 2006).
30
Os conceitos fundamentais da termodinâmica, delineados no parágrafo
anterior, são os mais importantes das leis naturais e se aplicam a todos os sistemas
biológicos e ecológicos. Sem nenhuma exceção, é possível transgredir essas leis da
física. Qualquer sistema da humanidade ou da natureza que não esteja em
conformidade com tais conceitos está condenado (ODUM; BARRETT, 2006).
Para representar a quantidade de energia armazenada em um determinado
nicho ecológico, utiliza-se as denominadas pirâmides ecológicas. Estas são
representações gráficas da contribuição relativa dos vários níveis tróficos, por meio
dos quais se transfere matéria e flui energia no ecossistema. Existem três tipos de
pirâmides: as de energia, biomassa e número.
Na pirâmide de energia, conforme indicado na Figura abaixo, uma vez que a
fonte primária de energia dos ecossistemas terrestres é o sol, fica claro que toda a
energia entra pelos vegetais fotossintetizantes para, daí, distribuir-se para os demais
níveis. Os vegetais, portanto, funcionam como conservadores de energia, que
transformam energia luminosa em energia química, por meio do processo de
fotossíntese.

Fonte: Adaptada de Shutterstock

Analisando a Figura anterior, é possível obter algumas conclusões, como:


 A quantidade de energia disponível diminui à medida que é transferida de
um nível trófico para outro.
 Em um ecossistema, a matéria é cíclica, a energia não.
 Quanto mais afastados estamos dos produtores, menor é a quantidade de
energia disponível em um ecossistema.
 A matéria apresenta um ciclo e a energia apresenta um fluxo.
31
Amabis e Martho (2006) comentam que essa perda de energia de um nível
trófico para outro ocorre por dois aspectos. Em primeiro lugar, parte da energia contida
no alimento não é aproveitada (digerida) e é consequentemente eliminada como
fezes. Em segundo lugar, um organismo precisa constantemente gastar parte do
alimento que ingere (ou fabrica) como combustível para suas atividades. Logo,
quando respiram, plantas e animais estão queimando alimento para obter energia.
Assim, essa energia é perdida na forma de calor e irradiada para fora do ecossistema.
A biomassa é expressa em termos de quantidades de matéria orgânica por
unidade de área, em um dado momento. A forma da pirâmide de biomassa também
pode variar dependendo do ecossistema. De modo geral, a biomassa dos produtores
é maior que a de herbívoros, que é maior que a de carnívoros. Nesses casos, a
pirâmide apresenta o ápice voltado para cima. Isso ocorre nos ecossistemas
terrestres, em que os produtores apresentam grande porte. As pirâmides de biomassa
representam o total da soma das massas dos indivíduos que participam de cada nível
trófico de uma cadeia alimentar.
Quando se fala em comparação de biomassa, geralmente se usa a chamada
massa seca, isto é, a massa total menos a massa de água do organismo. O uso da
massa seca em vez da massa fresca é útil, pois há diferença em relação à proporção
em massa de água entre os seres vivos e essa diferença pode distorcer a análise
quantitativa de matéria orgânica incorporada (OLIVEIRA JUNIOR; SILVA, 2014).
Às vezes, a pirâmide de biomassa apresenta-se invertida, como pode ocorrer
nos oceanos e nos lagos, em que os produtores são pequenos e rapidamente
consumidos pelos consumidores primários.

Exemplos de pirâmide de biomassa direta (a) e de pirâmide de biomassa inversa (b)


Fonte: Adaptada de Shutterstock

A pirâmide de números indica o número de indivíduos em cada nível trófico.


Por exemplo, em um campo, 5 mil plantas são necessárias para alimentar 300
gafanhotos, que servirão de alimento a apenas uma ave, conforme indicado na Figura
abaixo:
32
Exemplo de pirâmide de número. Fonte: Adaptada de Shutterstock

Percebe-se pela Figura anterior que é necessário um grande número de


produtores para alimentar poucos herbívoros, que, por sua vez, servirão de alimento
para um número ainda menor de carnívoros. Ao contrário das pirâmides de energia,
as pirâmides de número podem ser invertidas, ou seja, não necessariamente a
pirâmide de números precisa ter o ápice para cima. Por exemplo, em uma floresta,
uma única árvore pode sustentar um grande número de herbívoros. Nesse caso, a
pirâmide terá a forma inversa.

Exemplo de pirâmide de número invertida. Fonte: Adaptada de Shutterstock.

De modo geral, nos ecossistemas, enquanto a energia tem de ser reposta


continuamente pelo sol, a matéria disponível na Terra tem de ser constantemente
reutilizada para a manutenção da vida. Logo, enquanto a energia flui
unidirecionalmente, a matéria é reciclada, e cada elemento químico apresenta um
ciclo característico (AMABIS; MARTHO, 2006), conhecidos como ciclos
biogeoquímicos.

6.3 Ciclo de nutrientes

Os compostos orgânicos nos seres vivos são constituídos por cerca de 25


elementos químicos diferentes. Os seres vivos suprem constantemente esses
elementos vitais absorvendo nutrientes. Os elementos, depois de assimilados pelos
33
produtores, são transformados e devolvidos ao ambiente por meio da ação dos
microrganismos decompositores. Cada elemento segue um trajeto diferente, chamado
de ciclo de nutrientes, ou ciclo mineral. Algumas partes de um ciclo ocorrem
rapidamente, outras podem durar milhares de anos. (STEIN, 2018)
Um ciclo de nutrientes é o movimento de matéria orgânica e inorgânica de
forma a torná-la utilizável novamente para a produção de matéria viva. O processo é
regulado por microrganismos que decompõem a matéria em nutrientes minerais.
Ciclos de nutrientes ocorrem dentro dos ecossistemas – sistemas interligados, cuja
matéria e os fluxos de energia são trocados entre os organismos na forma de
alimentação.
De modo geral, pode-se definir nutriente como sendo um elemento necessário
para o crescimento de algum organismo. Definido o termo, é possível afirmar que os
nutrientes são elementos químicos essenciais para a manutenção de estruturas e de
processos vitais. Existem três grandes grupos para os nutrientes:
 Construtores: carbono (C), oxigênio (O), hidrogênio (H) e nitrogênio (N).
 Macronutrientes: enxofre (S), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca),
magnésio (Mg), cloro (Cl) e sódio (Na).
 Micronutrientes: ferro (Fe), manganês (Mn), boro (B), zinco (Zn), cobre (Cu)
e Molibdênio (Mo).
Ferreira (2015) descreve que um dos principais pré-requisitos para a evolução
e a manutenção da vida na Terra são os ciclos biogeoquímicos. Por se tratar de um
processo natural, ocorre a reciclagem de vários elementos, em diferentes formas
químicas, do meio ambiente para os organismos vivos, e depois fazem o processo
contrário, ou seja, trazem esses elementos dos organismos para o meio ambiente,
como o ciclo do carbono.
Em relação ao ciclo do carbono, todos os seres vivos têm carbono na sua
composição. O gás carbônico (CO2) da atmosfera é absorvido pelas plantas e
bactérias para realizar a fotossíntese e quimiossíntese. Sintetizam compostos
orgânicos, como os carboidratos, que formam parte de seus tecidos. Os animais usam
os carboidratos na respiração, que devolve o CO2 para a atmosfera. Esta última é a
etapa mais rápida do ciclo do carbono.
Amabis e Martho (2006) ressaltam que, algumas vezes, o retorno do carbono
para a atmosfera é demorado, podendo levar milhões de anos para ocorrer. É o caso

34
dos compostos de carbono que não foram atacados pelos decompositores e se
transformaram, no subsolo, em carvão, turfa e petróleo. Estes contêm o carbono que
fora antes parte de seres vivos. Por milhões de anos, os restos de seres vivos se
transformaram em fósseis ricos em combustíveis. Quando um combustível fóssil é
queimado, libera carbono na atmosfera e, dessa forma, o homem tem restituído à
atmosfera, na forma de CO2, átomos de carbono que ficaram fora de circulação
durante milhões de anos, provocando impactos ambientais como o aquecimento
global.
Em se tratando do ciclo do nitrogênio, os seres vivos não podem existir sem
esse macronutriente, o qual compõe as proteínas e os ácidos nucleicos. A atmosfera
tem cerca de 80% de nitrogênio gasoso, mas somente as bactérias utilizam o
nitrogênio nesse estado. Todos os outros seres vivos têm de usar compostos de
nitrogênio, como os nitratos. O nitrogênio chega a outros seres vivos por meio das
plantas que absorvem esses nitratos pelas raízes. Os animais obtêm nitrogênio ao se
alimentar de plantas ou de outros animais que comeram plantas. Quando os seres
vivos morrem, o nitrogênio volta para a atmosfera por desnitrificação. (STEIN, 2018).

Fonte: Aduan, Vilela e Reis Júnior (2004, p. 12).

O ciclo global da água responde pela maior movimentação de uma substância


química pela superfície terrestre. A água, em estado líquido, é por excelência um dos
elementos mais importantes na manutenção e na caracterização da biosfera. A água
é a substância mais abundante sobre a crosta terrestre, cobrindo em torno de 70%
35
dela (ADUAN; VILELA; REIS JÚNIOR, 2004). A Figura anterior apresenta os principais
estoques e fluxos do ciclo global de água em km³ e km³/ano.
Em um ecossistema, o elemento oxigênio aproveitado pelos seres vivos
provém de três fontes principais: gás oxigênio (O2 ), gás carbônico (CO2 ) e água
(H2 O), conforme ressaltam Amabis e Martho (2006), Odum (2004) e Townsend,
Begon e Harper (2011). O O2 é captado por plantas e animais e utilizado na
respiração. Nesse processo, átomos de oxigênio combinam-se com átomos de
hidrogênio, liberados pela decomposição das moléculas orgânicas respiradas,
formando a água. A água ingerida pelos seres vivos, ou aquela que foi produzida na
respiração e em outras reações vitais, pode ser eliminada por meio da transpiração
ou da excreção de suor e urina. Parte dela, porém, é empregada como reagente em
reações químicas, de modo que seus átomos de oxigênio voltam a fazer parte de
moléculas orgânicas.
A decomposição dos cadáveres, pelos decompositores, leva à liberação do
elemento oxigênio na forma de CO2 e H2 O. O oxigênio presente no CO2 poderá
voltar a fazer parte de moléculas orgânicas por meio da fotossíntese. Dessa forma,
em seu ciclo pelos ecossistemas, os átomos do elemento oxigênio passam
continuamente pelas formas de CO2, de H2 O, de O2 e de moléculas orgânicas.
Os seres vivos utilizam o fósforo para produzir muitos compostos. As plantas o
absorvem do solo na forma de fosfato e o transfere para os demais seres vivos. Os
fosfatos finalmente são levados pela água e se acumulam em sedimentos, que
formam as rochas, após milhões de anos.

7 DESENVOLVIMENTO DE ECOSSISTEMAS: SUCESSÃO ECOLÓGICA

A sucessão ecológica é um dos mais antigos e fundamentais conceitos em


ecologia. Compreender sua importância e dinâmica é vital para os profissionais da
área ambiental. Ao longo do tempo, o desenvolvimento do ecossistema, mais
conhecido como sucessão ecológica, envolve mudanças na repartição da energia, na
estrutura das espécies e nos processos da comunidade. Em outras palavras, a
sucessão num ecossistema pode ser descrita como uma evolução em direção a uma
grande diversidade e, consequentemente, a um grande número de nichos ecológicos.

36
Segundo Schorn (2005), as comunidades (junção de vários indivíduos de
espécies de plantas e animais em um determinado espaço) são como
superorganismos e a sucessão é a maturação dessa comunidade ao longo do tempo,
até o estágio denominado clímax.
Mas o que é sucessão ecológica? A troca gradativa de espécies em uma
determinada comunidade recebe o nome de sucessão. Se uma faixa de terra está
sem vegetação, esta não fica exposta por muito tempo. Logo, as plantas e,
posteriormente, os animais começam a ocupá-la. Com o passar do tempo, as espécies
nessa nova comunidade vão mudando. As primeiras a chegar são substituídas à
medida que se instalam espécies diferentes. A sucessão se dá até que a comunidade
se desenvolva em uma comunidade estável, chamada de comunidade clímax.
A expressão sucessão ecológica é usada para descrever processos de
alteração nos ecossistemas sobre várias escalas, como temporal, espacial ou
vegetacional. Ou seja, sucessão é o processo ordenado de mudanças em um
determinado ecossistema, resultando na modificação do ambiente físico pela
comunidade biológica (ROSARIO, 2010).
A sucessão vegetal, entendida como um processo de auto-organização ou
amadurecimento do ecossistema, direciona-se da simplicidade para a complexidade
organizacional, de formas de vida mais simples para mais complexas e diversificadas
(SCHORN, 2005).

7.1 Fases da sucessão ecológica

Existem, basicamente, três tipos de sucessão ecológica, sendo estas:


1. Sucessão degradativa: é aquela que ocorre em uma escala de tempo
relativamente curta, com ocorrência em qualquer matéria orgânica morta (exemplo:
animais ou plantas em decomposição). Normalmente, diferentes espécies aparecem
e desaparecem, à medida que a degradação da matéria orgânica utiliza alguns
recursos e torna outros disponíveis. Outra característica da sucessão degradativa é
que ela é um processo finito, uma vez que o recurso pode ser totalmente mineralizado
ou metabolizado.

37
2. Sucessão alogênica: sucessão em que o processo de substituição de
espécies ocorre como resultado de mudanças externas (incêndios, tempestades e
processos geológicos) ou forças geofísico-químicas
3. Sucessão autogênica: ocorre em ambientes recém-criados, geralmente
decorrentes de processos biológicos que modificam condições e recursos. Essa
sucessão pode ser dividida em duas formas distintas, sucessão primária e sucessão
secundária.
Especificamente falando da sucessão autogênica, está passa por três fases
distintas, sendo estas:
 Comunidade pioneira (ou ecese).
 Comunidade secundária (também denominada intermediária ou seral).
 Comunidade clímax.
A Figura a seguir apresenta um esquema mostrando como o ocorre o processo
de sucessões ecológicas primária e secundária.

Fonte: Adaptada de Oliveira Junior e Silva (2004, p. 659).

De acordo com Townsend, Begon e Harper (2011), a sucessão primária


(também denominada de ecese) é decorrente da capacidade de uma espécie
pioneira de se reproduzir em uma nova área. Frequentemente demoram centenas de
anos para ocorrerem, sendo que ocorre em ambientes que não têm estabelecimento
de organismos, ou seja, áreas que ainda não foram povoadas ou, então, que os seres
foram eliminados, por diferentes motivos. Derrames de lava causados por erupções
vulcânicas, substratos expostos pela retração de uma geleira e dunas de areia recém-
formados são exemplos de sucessão primária, conforme indicado na Figura a seguir:

38
Exemplos de ambientes que estão passando por sucessão primária.
Fonte: (a) Denis Kichatof; (b) Been there YB; (c) Thijs Peters / Shutterstock.com

As espécies pioneiras são aquelas primeiras espécies que aparecem


colonizando áreas onde antes não existiam seres vivos, como algas que colonizam
rochas nuas. Geralmente, as espécies são autótrofas ou mantêm relação ecológica
harmônica com seres autótrofos (como bactérias autótrofas, gramíneas, líquens,
dentre outros). A comunidade pioneira é formada por espécies capazes de viver em
ambientes inóspitos. A presença dessas espécies modifica o microambiente,
produzindo alterações de fatores abióticos e bióticos no ecossistema em formação.
Com isso, abrem caminho para que outras espécies se estabeleçam no local, com o
surgimento de novos nichos ecológicos (OLIVEIRA JUNIOR; SILVA, 2004).
Na sucessão secundária ocorrem mudanças em determinada área, após a
destruição parcial de uma comunidade. Essa destruição pode ocorrer em uma
pequena área de floresta nativa, após a queda de uma árvore, ou em vários hectares,
em razão de uma cultura agrícola abandonada. Dessa forma, a sucessão secundária
ocorre em um ambiente total ou parcialmente destruído, porém, que já foi
anteriormente ocupado por outra comunidade biológica.

Exemplos de ambientes que estão passando por sucessão secundária.


Fonte: (a) Rich Carey; (b) Vladimir Melnikov/Shutterstock.com.

Embora degradado, esse ambiente oferece condições mais favoráveis à


ocupação de novas comunidades, o que torna a colonização das espécies pioneiras
mais rápida, uma vez que as sementes e os esporos permanecem no solo. Essa
destruição pode ocorrer tanto por fenômenos naturais (ventos, chuvas, etc.) como em
razão da ação humana, que, por sinal, é a mais representativa.
39
É importante mencionar e apresentar o conceito de espécie oportunista (ou
espécies fugitivas), pois estão sempre “correndo” de um lugar para outro, sendo que
essas espécies se servem rapidamente de novas oportunidades. As espécies
oportunistas, em geral, são pequenas e têm um ciclo de vida curto (por exemplo, algas
azuis, musgos, capim, dentre outras). Essas características fazem com que elas se
espalhem rapidamente e se apoderem de novos ambientes antes de outras espécies.
Porém, quando as outras espécies conseguem se estabelecer, as oportunistas
costumam ficar espremidas.
Quando um determinado ecossistema sofre degradação (como queimadas ou
desmatamento), ocorre o fenômeno conhecido como sucessão ecológica. Por
exemplo, após uma floresta ser totalmente destruída, diferentes espécies irão ocupar
a área em diferentes períodos. Essas espécies podem ser divididas em:
 Colonizadoras: são as gramíneas ou demais plantas de pequeno porte,
com esporos ou sementes transportadas pelos ventos.
 Pioneiras (P): são as primeiras a aparecerem em uma clareira recente. São
espécies cujas sementes necessitam da luz solar direta para germinarem.
Normalmente, são de tamanho médio e transportadas por longas distâncias por
animais, principalmente pássaros e morcegos. Apresentam dormência e alta
longevidade. A regeneração natural ocorre principalmente a partir do banco de
sementes existentes no solo. A plântula necessita de luz para desenvolvimento e
apresenta pouca reserva. A planta jovem apresenta rápido crescimento e competição
por luz. São espécies de rápido crescimento, regeneração precoce, com produção
contínua de sementes, e ciclo de vida curto, podendo atingir de 5 a 8 m de altura. São
modificadoras do ambiente após a germinação e o desenvolvimento, propiciando
condições para germinação e desenvolvimento das espécies secundárias e
climácicas. De acordo com Amabis e Martho (2006), as espécies pioneiras, ao
ocuparem um ambiente, acabam por modificá-lo, geralmente tornando suas condições
mais propícias ao desenvolvimento de seres vivos. O material orgânico e os nutrientes
se acumulam no solo, contribuindo para aumentar sua fertilidade.
 Secundárias (S): também conhecidas como oportunistas de clareira, têm
sementes geralmente aladas e de curta longevidade natural, necessitando de
períodos secos para sua dispersão anemocórica (disseminação de sementes de uma
planta pela ação dos ventos), porém, também podem apresentar dispersão zoocórica

40
(dispersão de sementes por animais). As sementes não apresentam dormência e têm
condições de germinarem à sombra da mata, muitas vezes formando banco de
plântulas sob o dossel. As plântulas recém-germinadas apresentam pouca reserva e
o desenvolvimento delas é estimulado com o surgimento de clareira. Algumas
bibliografias dividem as espécies secundárias em inicial e tardia. Nas espécies
caracterizadas como inicial, o crescimento é mais rápido, a madeira é leve e não
toleram sombra, sendo o tempo para primeira reprodução de 5 a 10 anos. Já nas
espécies secundárias tardias, o crescimento é de médio a rápido, a madeira
normalmente é dura, são intolerantes à sombra no estágio juvenil e a idade da primeira
reprodução é entre 10 e 20 anos (MORAES et al., 2012).
 Climácicas (C): com uma grande quantidade de nutrientes, todas as
condições e todos os recursos ideais e uma fauna já associada ao local, outras
espécies muito mais exigentes, com ciclo de vida longo e melhores competidoras, se
estabelecem: as espécies clímax. Elas dependem da umidade no solo e também de
uma ampla gama de nutrientes para que suas sementes germinem. As sementes das
espécies clímax geralmente são grandes e protegidas por uma camada grossa de
tecido que evita a perda de água e dificulta a predação por pequenos insetos.
Enquanto as pioneiras e secundárias são pouco exigentes, competidoras inferiores e
investem em sementes pequenas que são facilmente dispersadas por vento e água,
as espécies clímax são competidoras superiores, mais exigentes e dependem
geralmente da fauna para dispersar suas sementes, que são grandes e associadas a
frutos. Os frutos nessas espécies são fundamentais, é por meio deles que a maioria é
dispersada.
Especificamente falando das florestas secundárias, estas são classificadas de
acordo com o estágio de regeneração. O Conselho Nacional do Meio Ambiente
(CONAMA, 1994), por meio da Resolução nº 29, de 7 de dezembro de 1994, define
estas em:
 Estágio inicial de regeneração: surge logo após o abandono do solo. Este
estágio, geralmente, dura entre 6 e 10 anos, dependendo do grau de degradação do
solo e do entorno. A altura média da vegetação não ultrapassa 4 m.
 Estágio médio de regeneração: este estágio pode ocorrer entre 6 e 15 anos
depois do abandono do solo. As árvores podem atingir o comprimento de 12 m. A
diversidade aumenta, mas ainda há predominância de espécies de árvores pioneiras.

41
 Estágio avançado de regeneração: inicia-se geralmente depois de 15 anos
e pode levar de 60 a 200 anos para alcançar novamente o estágio semelhante à
floresta primária (floresta intocada ou aquela em que a ação humana não provocou
significativas alterações das suas características originais de estrutura e de espécies).
A diversidade aumenta gradualmente à medida que o tempo passa e esse processo
é acelerado caso existam remanescentes primários para fornecer sementes. A altura
média das árvores é superior a 12 m. (MORAES et al., 2012).

8 INTERAÇÕES ECOLÓGICAS

As comunidades de seres vivos são constituídas por populações de diferentes


espécies, as quais acabam se relacionando de formas distintas. Algumas espécies
alimentam-se de outras, outras competem entre si por alimento. Há também aquelas
que convivem harmoniosamente, trocando benefícios entre si. A vida e a evolução das
comunidades biológicas dependem exatamente da variedade dessas relações.
No ambiente, é possível encontrar uma grande variedade de relações
ecológicas entre os seres vivos.

8.1 Tipos de interações entre consumidores e recursos

Entende-se por consumidor qualquer organismo que ingere matéria orgânica


produzida a partir de matéria inorgânica pelos produtores primários, geralmente
através da fotossíntese. Assim, todos os consumidores são heterótrofos, enquanto
que os produtores são denominados autotróficos. A cadeia alimentar contém vários
tipos de consumidores, os quais ocupam diferentes níveis tróficos.

Fonte: https://www.grupoescolar.com/
42
Todo organismo vivo é consumidor de outro organismo vivo (recurso) ou é
consumido por outro. Desta forma, Townsend, Begon e Harper. (2011) mencionam
que os recursos ambientais são consumidos por organismos no curso de seu
crescimento e sua reprodução. As plantas e as algas realizam a fotossíntese e obtêm
energia e materiais para o seu crescimento e reprodução a partir da matéria
inorgânica. Dessa forma, seus recursos são radiação solar, dióxido de carbono, água
e nutrientes minerais.
Os organismos “quimiossintéticos” obtêm energia por meio da oxidação do
metano, íons amônia, ácido sulfúrico ou ferro ferroso. Estes vivem em ambientes tais
como fontes hidrotermais do mar profundo, usando recursos que eram abundantes
durante as fases iniciais de vida na Terra (TOWNSEND; BEGON; HARPER, 2011).
Todos os outros organismos utilizam os corpos de outros organismos como
fonte alimentar. Em cada caso, o que foi consumido não é mais disponível para outro
consumidor. Por exemplo, um coelho consumido por uma águia não fica mais
disponível para outra águia. Da mesma forma que a quantidade de radiação solar
absorvida e assimilada como produto da fotossíntese por uma folha não é mais
disponível para outra folha. Isso tem uma consequência importante: os organismos
podem competir entre si para capturar uma porção de um recurso limitado.
As espécies que se encontram atualmente na Terra só existem porque estão
extremamente adaptadas ao ambiente onde se encontram. Porém, essas espécies
precisam de condições e recursos adequados e ao mesmo tempo suficientes, para
que permita a sua sobrevivência e reprodução.
Condições: elementos abióticos do ambiente, bem como características
físicas e químicas que não podem ser consumidas ou esgotadas pelos organismos e
podem variar nas suas intensidades e temporalmente. Exemplos de condições:
 temperatura;
 umidade do ar;
 pH de lagoas, oceanos, lagos, rios, etc.;
 pressão atmosférica.
Recursos: podem ser bióticos ou abióticos, definidos como sendo qualquer
substância ou objeto exigido por um organismo para sua manutenção, seu
crescimento e sua reprodução. Pode-se citar como exemplos de recursos:

43
 alimento (animal, frutos, folhas, caules, flores, matéria orgânica morta,
sangue, etc.);
 luminosidade (possibilita o crescimento, a sobrevivência e a reprodução dos
vegetais);
 abrigos (tocas em árvores ou solo, etc.);
 território (espaço);
 água;
 parceiros sexuais.
Amabis e Martho (1997) mencionam que cada espécie apresenta um modo de
vida peculiar no ecossistema, ou seja, vive em um hábitat específico, tem um ciclo de
atividade de tantas horas, tem determinados competidores e/ ou predadores, se
reproduz em determinadas épocas do ano, se alimenta de um determinado tipo de
alimento e assim por diante. A esse conjunto de particularidades quanto ao modo de
vida típico de cada espécie chamamos nicho ecológico.
Logo, mesmo que cada espécie apresente um nicho ecológico típico, alguns
aspectos de seu modo de vida podem coincidir com as de outras espécies da
comunidade. Quando os nichos de duas espécies coincidem em pontos importantes,
elas poderão se tornar competidoras. Caso a competição seja acirrada, uma das
espécies poderá desaparecer ou sofrer lentas modificações, adaptando-se a um novo
nicho.

8.2 Interações dos indivíduos da comunidade

Os indivíduos das diferentes espécies de uma comunidade biológica interagem


entre si e com o biótopo, também denominado de ecótopo (região que apresenta
regularidade nas condições ambientais e nas populações animais e vegetais). Essas
interações são genericamente denominadas de relações ou interações ecológicas
(AMABIS; MARTHO, 1997).
Os mesmos autores mencionam que as interações dos seres de uma
comunidade ocorrem tanto com indivíduos de mesma espécie (interações
intraespecíficas ou homotípicas) como com indivíduos de espécies distintas
(interações interespecíficas ou heterotípicas). Em ambos os casos, as interações
podem ser classificadas em harmônicas (também denominadas de positivas), quando

44
trazem vantagens a pelo menos um dos indivíduos que interagem, sem causar
prejuízo para outras espécies, e desarmônicas (ou negativas), quando implicam
prejuízo para algum dos indivíduos que interagem.

8.3 Diferença entre mutualismo e interações não benéficas

As interações não benéficas ocorrem principalmente em razão da competição


interespecífica, em que os indivíduos de ambas as espécies envolvidas são
prejudicados e ocorre quando indivíduos de duas espécies disputam um mesmo
recurso do ambiente. Na grande maioria dos casos, esse recurso é alimento, mas as
espécies também podem competir por água, espaço, locais de reprodução, dentre
outros.
De acordo com Odum (2004), as associações entre as populações de duas
espécies que se traduzem por efeitos positivos estão extraordinariamente expandidas
e são provavelmente tão importantes como a competição, o parasitismo, e assim por
diante, na determinação da natureza das populações e das comunidades. As
interações positivas podem ser adequadamente consideradas numa série evolutiva,
como se segue:
 Comensalismo: uma população é beneficiada.
 Protocooperação: ambas as populações são beneficiadas.
 Mutualismo: ambas as populações se beneficiam e se tornam
completamente dependentes uma da outra.
Quando ambas as espécies na interação entre populações têm efeitos
benéficos mútuos, em vez de efeitos prejudiciais, um termo positivo é utilizado. Nesses
casos, ambas as populações crescem e prosperam, atingindo níveis de equilíbrio
mutualmente benéficos. Se os efeitos benéficos da outra população são necessários
para o crescimento e a sobrevivência de ambas as populações, a relação é conhecida
como mutualismo (ODUM; BARRETT, 2015).
Quando indivíduos de duas ou mais espécies vivem em contato direto e íntimo,
seu relacionamento é chamado de simbiose. Esse capítulo adota uma definição geral
de simbiose, que inclui todas essas interações, sejam danosas, úteis ou neutras.
Alguns biólogos definem simbiose como sinônimo de mutualismo, em que ambas as
espécies se beneficiam (CAMPBELL et al., 2010).

45
O mutualismo é uma relação em que há vantagens recíprocas para os
indivíduos das espécies que interagem. A principal diferença entre mutualismo e
cooperação é que o primeiro é uma associação obrigatória, em que os indivíduos das
espécies associadas não conseguem sobreviver separadamente. Já na cooperação,
ocorre uma associação não obrigatória, na qual os indivíduos das espécies que
interagem podem sobreviver independentemente (AMABIS; MARTHO, 1997). Odum
(2004) menciona que o comensalismo constitui um tipo simples de interação positiva
e representa porventura o primeiro passo no sentido do desenvolvimento de relações
benéficas.

9 USO DO HABITAT, TEORIA DE NICHO ECOLÓGICO E ASPECTOS


BIOCULTURAIS HUMANOS

Segundo a Ecologia Habitat (do latim “ele habita”) é um conceito que inclui o
espaço físico e os fatores abióticos que formam um ecossistema e que assim definem
a distribuição das populações de uma determinada comunidade. No uso do Habitat,
diferentes estratégias físicas (biológicas) e culturais são utilizadas, nem sempre de
forma positiva, quando isto ocorre é comum haver migração de espécies para outro
habitat. A Ecologia Humana aborda questões específicas sobre o Habitat, como os
modos de produção, as escolhas adaptativas inseridas na obtenção de recursos pelas
populações. No caso dos seres humanos a relação destes com o seu habitat, o
desenvolvimento e avanços científicos e tecnológicos, bem como as relações da
sociedade com estes processos é fundamental, incluindo também aspectos evolutivos
e adaptativos. (STEIN, 2018).

Fonte: http://premiapao.com.br/
46
9.1 Teoria do Nicho Ecológico

Existem diferentes definições para o termo nicho ecológico:

 Para a Ecologia:

A posição ou status de um organismo dentro de sua comunidade e ecossistema


resultante de suas adaptações estruturais, respostas fisiológicas e comportamento
específico por herança e/ou aprendizado. (ODUM, 1959).

 Para a Biologia:

Nicho ecológico é a soma total do uso dos recursos bióticos e abióticos por um
organismo em seu ecossistema. (CAMPBELL, 1996).

 Para a Ecologia Humana:

Relação do indivíduo ou da população com todos os aspectos de seu ambiente,


dessa forma o papel ecológico das espécies dentro da comunidade. (Ricklefs,1996).
Na evolução dos conceitos de nicho ecológico chegamos a definição de que as
condições em que um organismo (espécie, população) pode persistir (sobreviver e
reproduzir-se) são em geral maiores do que as condições em que o organismo
realmente vive. Esta redução é causada por interações bióticas. Podemos classificar
o nicho ecológico em:
Nicho Fundamental: Nicho com os limites máximos possíveis, no qual um
organismo pode ocupar na ausência de interações prejudiciais com outras espécies,
contando apenas com condições abióticas, tolerância para tais condições e respostas
fisiológicas a estes fatores.
Nicho Realizado ou Efetivo: É o nicho verdadeiro do organismo, na situação
real em que se encontra, limitado ou expandido pelas interações com outros
organismos, da mesma ou de outra espécie.

47
Fonte: www.commons.wikimedia.org.com.br

9.2 Aspectos bioculturais humanos

Grande parte das ações humanas são bioculturais (comer, dormir, defecar,
acasalar, cantar, dançar, pensar ou meditar). Toda ação humana é, ao mesmo tempo,
totalmente biológica e totalmente cultural. (STEIN, 2018).
A Cultura é tudo o que não é apenas biológico. “Modos de sentir, pensar e agir
comuns a grupos maiores ou menores de pessoas”, segundo o sociólogo Guy Rocher,
in Sociologia Geral. A Cultura envolve hábitos alimentares (culinária), vestuário,
crenças (religião, por exemplo), valores (honestidade, honra e vergonha, questões
relativas à sexualidade e costumes), divertimentos, etc. A Biologia do Homem, agrega
aos indivíduos necessidades peculiares para manterem-se vivos, o ato de
alimentarem-se, respirarem, acasalarem-se, dormirem, etc, que refletem as
necessidades orgânicas estudadas pela Biologia. Desde o nascimento até a morte, o
ser humano está marcado e marca uma sociedade. O Homem tem a capacidade de
se adaptar ao meio, transformando-o, que o distingue dos outros animais. Enquanto
os animais são dotados de mecanismos biológicos, o ser humano tem de criar
condições para se proteger, ex: roupa. É a fraqueza biológica que o obriga a produzir
cultura, concluindo que tudo o que é cultural não é natural, porque é criado pelo
homem.

48
9.3 Visão e atitudes do homem para com a natureza: paradigmas

Ampliar a percepção que possuímos quanto a visão e as atitudes do homem


para com a natureza é um dos importantes papéis desempenhados pela Ecologia
Humana. Desde o surgimento do Homem na Terra, a natureza tem passado por
intensas modificações, algumas influenciadas diretamente pelo próprio Homem.
Assim, o processo de degradação do meio ambiente se confunde com o aparecimento
do homem no planeta.

O dinamismo da civilização industrial introduziu radicais mudanças no Meio


Ambiente físico. Essas transformações implicaram a formação de novos
conceitos sobre o ambiente e o seu uso. A Revolução Industrial, que teve
início no século XVIII, alicerçou-se, nos três fatores básicos da produção: a
natureza, o capital e o trabalho. Porém, desde meados do século XX, um
novo, dinâmico e revolucionário fator foi acrescentado: a tecnologia. Esse
elemento novo provocou um salto, qualitativo e quantitativo, nos fatores
resultantes do processo industrial. Passou-se a gerar bens industriais numa
quantidade e numa brevidade de tempo antes impensáveis. (Carvalho, 2003,
p.67)

Estamos vivendo atualmente uma crise de paradigma, ao ocuparmos a posição


de “ser superior” em relação a todos os demais seres que habitam o planeta. Tal crise
envolve aspectos ético-morais, ocorrendo com a influência da política, da economia,
da cultura e da religião sobre o homem e sua atuação em relação ao meio ambiente.
Para compreendermos melhor tais questões vamos definir o conceito de “Paradigma”?

Paradigma: do grego “parádeigma”, significa literalmente um modelo, a


representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, uma
matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um saber
científico.

O paradigma ambiental dominante é fundamentado num modelo de


desenvolvimento fundamentado em princípios, valores e conceitos que foram
construídos na visão de uma natureza infinita e que devem estar a serviço do homem;
assim tudo se justifica em nome do progresso, da técnica, do crescimento econômico
e da geração e acumulo de riquezas. As questões ambientais contemporâneas
exigem uma reavaliação de conceitos, ou seja, uma mudança de paradigmas. Com
um paradigma equivocado sendo adotado por grande parte da sociedade, passamos

49
pela maior crise ambiental já presenciada, o que cobra da sociedade humana uma
mudança de paradigmas.

 Novo modelo de paradigma:

O desenvolvimento sustentável passa a ser o novo modelo de paradigma


proposto para as questões ambientais, este é fundamentado nas diferentes relações
que o Homem tem em relação a natureza, atendendo às necessidades do presente
sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias
necessidades. (STEIN, 2018).

10 FATORES ECOLÓGICOS (CLIMÁTICOS, FÍSICO-QUÍMICOS DA ÁGUA E


EDÁFICOS)

Sem os solos, com certeza não haveria vida no planeta Terra. Isso porque os
solos sustentam praticamente toda a vegetação, a qual é de suma importância para a
fauna e, inclusive, para o homem. Um solo, da mesma forma que uma floresta, é um
ecossistema no qual milhares de criaturas diferentes interagem e contribuem para que
os ciclos globais se tornem possíveis.
Em relação aos solos, este deve ser interpretado e estudado levando em
consideração todos os elementos presentes, pois todos atuam em conjunto nas
diferentes funções que o solo desempenha. Existem diferentes fatores que interferem
na formação dos solos, sendo estes: o clima, o material de origem, os organismos, o
relevo e o tempo.
Especificamente falando do clima, este é o conjunto de fenômenos associados
às variações do tempo da atmosfera terrestre em um determinado local.

10.1 Principais fatores que interferem no clima

Certas características físicas de uma determinada região, como o grau de


luminosidade, o índice pluviométrico, a umidade e a temperatura, constituem, em
conjunto, o clima regional, também chamado macroclima (AMABIS; MARTHO, 1997).
A mais clara presença do clima no nosso dia a dia é o ciclo anual das estações:

50
primavera, verão, outono e inverno. Esse ciclo é determinado pela posição da Terra
em sua órbita e sua inclinação axial em relação ao plano eclíptico (ALMEIDA, 2007).
A seguir, são apresentados e descritos os principais fatores que influenciam no
clima de uma determinada região.
Latitude: tudo o que se encontra sobre a Linha do Equador tem uma latitude
0°, sendo que está aumenta à medida que se desloca para o norte e diminui à medida
que se desloca para o Sul. As diferenças de latitude alteram a temperatura. Logo,
quanto maior a latitude (distância da linha do equador), menor a incidência solar e,
consequentemente, menor a temperatura. Isso ocorre em função dos raios solares
não conseguirem atingir as regiões extratrópicos.
Altitude: quanto maior a altitude, menor a temperatura, mesmo que se esteja
na mesma latitude. Dessa forma, uma cidade localizada a 900 metros do nível do mar
terá 5°C a menos que uma cidade localizada ao nível do mar. Ou seja, a temperatura
diminui 1°C a cada 180 metros de altitude, dessa forma, a pressão atmosférica é
menor em altitudes mais elevadas.
Continentalismo/maritimidade: as águas do mar se aquecem e se resfriam
lentamente, dessa forma, as regiões litorâneas têm temperaturas mais amenas e com
pequenas variações. Os ventos carregados de umidade vindos dos oceanos tornam
essas regiões mais úmidas e chuvosas. As áreas situadas no interior dos continentes
não têm essas características. As rochas se aquecem muito rápido, quando expostas
ao sol, mas também esfriam rapidamente quando privadas de energia solar. Dessa
forma, no interior dos continentes, a amplitude térmica aumenta e as chuvas
diminuem, pois, os ventos vão perdendo a umidade à medida que penetram nos
continentes. Em locais mais elevados, a temperatura é mais baixa em relação às áreas
litorâneas; já a pressão atmosférica diminui com o aumento da altitude: quanto maior
a altitude, menor a quantidade de oxigênio, pois o ar fica menos denso.
Massas de ar: o elemento mais importante para a explicação da mudança no
comportamento dos fenômenos atmosféricos são as massas de ar, uma vez que estas
constituem os volumes da atmosfera que têm algumas propriedades em comum, em
virtude da área onde se localizam. No Quadro abaixo, observe algumas das principais
características das massas de ar encontradas na América do Sul.

51
MASSAS CARACTERÍSTICAS
Massa equatorial (mEa) Quente e úmida, dominando a parte litorânea da
Amazônia e do Nordeste em alguns momentos do
ano, tem seu centro de origem no Oceano Atlântico.
Massa equatorial continental (mEc) Quente e úmida, com centro de origem na parte
ocidental da Amazônia, que domina a porção
noroeste da Amazônia durante quase todo ano
Massa tropical atlântica (mTa) Quente e úmida originária do Oceano Atlântico nas
imediações do Trópico de Capricórnio e exerce
enorme influência sobre a parte litorânea do Brasil
Massa tropical continental (mTc) Quente e seca, originando-se na depressão do
Chaco, e abrange uma área de atuação muito
limitada, permanecendo em sua região de origem
durante quase todo o ano
Massa polar atlântica (mPa) Fria e úmida, forma-se nas porções do Oceano
Atlântico próximas à Patagônia. Atua mais no
inverno, quando entra no Brasil como uma frente
fria, provocando chuvas e queda de temperatura.
Fonte: Adaptado de Almeida (2007)

Pena (2017) ressalta que no verão, em território nacional, as massas mEc,


mEa, mTc e mTa compõem a totalidade da influência climática. A mTc é a única
completamente seca, as demais massas são oriundas de ambientes úmidos, como da
floresta amazônica ou dos oceanos. Logo, o verão acaba sendo úmido e chuvoso e
com altas temperaturas elevadas. Já durante o inverno, a mPa apresenta maior
influência, restringindo a mEc à Amazônia. Todas as demais massas são empurradas
para fora do país. Consequentemente, o inverno torna o território brasileiro mais frio,
com as menores temperaturas registradas na região Sul e as maiores ao Norte.
Vegetação: a cobertura da flora auxilia no aumento da umidade do ar, pois as
plantas retiram umidade do solo, por meio das raízes, e transferem para a troposfera,
por meio da evapotranspiração. Esse processo auxilia na umidade do ar e, por
conseguinte, no índice pluviométrico local.
Existem diferentes tipos de evapotranspiração, sendo estes, de acordo com
Tomasella e Rossato (2005):

52
 Evapotranspiração potencial: água utilizada por uma extensa superfície
vegetada, em crescimento ativo e cobrindo totalmente um terreno bem suprido de
umidade. Ou seja, em nenhum instante a demanda atmosférica é restringida por falta
de água no solo.
 Evapotranspiração real: é aquela que ocorre numa superfície vegetada,
independentemente de sua área, de seu porte e das condições de umidade do solo.
Portanto, é aquela que ocorre em qualquer circunstância, sem imposição de qualquer
condição de contorno.
 Evapotranspiração de referência: é um parâmetro agrometereológico de
extensão de superfície, medido pela cobertura total de grama com altura de 0,08 a
0,15 m, em crescimento ativo e sem deficiência hídrica.
Relevo: além de estar associado à altitude, o relevo influencia na organização
climática, a partir do momento em que interfere na circulação das massas de ar.
Correntes marítimas: estas são verdadeiros rios dentro do mar, modificando
o clima em razão da distribuição de umidade e calor. As correntes quentes podem
amenizar o clima, como a corrente do Golfo em relação ao clima da Europa ocidental.
Correntes frias podem ser responsáveis pelo aparecimento de regiões desérticas,
porque as águas frias fornecem menor umidade para a atmosfera.

10.2 Relação entre fatores físicos e correntes de ar/ água

Segundo Boligian e Alves (2004), a atmosfera terrestre é uma mistura de gases


que contorna o planeta Terra, sendo que em condições normais são inodoros e
incolores, estando divididos pela exosfera, termosfera, mesosfera, estratosfera e
troposfera. A atmosfera é formada por uma camada de gases com espessura entre
750 e 1.000 km, a qual envolve a superfície terrestre, sendo mantida ao redor do
planeta Terra pela ação da força da gravidade.
A atmosfera exerce funções vitais, as quais garantem a vida no planeta Terra.
(ALVES, 2004).
Dentre essas funções, pode-se citar:
 Filtragem: uma das funções dos gases da atmosfera é impedir a passagem
dos raios solares. Esses gases impedem cerca de dois terços das radiações solares,

53
fazendo com que os raios em excesso e nocivos não cheguem à superfície terrestre,
permitindo a vida na Terra.
 Proteção: no espaço há muitos fragmentos de astros que se desintegram e,
constantemente, os planetas são atingidos por esses fragmentos. A atmosfera é
responsável por não deixar que eles cheguem até a superfície.
 Conservação: ela é responsável por permitir a vida durante a noite. Todo o
calor incidido no planeta durante o dia é conservado pela atmosfera, para que durante
a noite o planeta continue aquecido, como se fosse uma estufa. Ou seja, o efeito
estufa pode ser considerado a principal função da atmosfera, visando à existência de
qualquer vida na Terra. O efeito estufa é o nome dado à capacidade que a atmosfera
tem de manter as temperaturas estáveis em nosso planeta. Sem esse efeito, as
temperaturas teriam amplitudes térmicas enormes diárias e, assim, não haveria o
desenvolvimento de qualquer tipo de vida em nosso planeta.
Porém, não há como falarmos de atmosfera sem mencionar sua importância
com a umidade do ar. A umidade atmosférica (quantidade de vapor de água existente
no ar) varia de um lugar para outro, e até em um mesmo lugar, dependendo do dia,
do mês ou da estação do ano. A umidade da atmosfera pode ser considerada em
números absolutos (g/m3) ou relativamente ao seu ponto de saturação, ou seja, à
capacidade máxima de reter umidade. Portanto, umidade relativa de 60%, por
exemplo, quer dizer que faltam 40% para atingir a capacidade de retenção total do
vapor de água no ar.
Quando o vapor de água da atmosfera atinge seu ponto de saturação, ocorrem
as precipitações, que podem se apresentar sob várias formas: chuva, neve, granizo,
geada, nevoeiro e orvalho. A forma mais comum de precipitação é a chuva, a qual
resulta da conjugação de dois fatores: o vapor de água atingir seu ponto de saturação
e a queda de temperatura da atmosfera.
Basicamente, existem três tipos de chuvas:
1. Chuvas convectivas ou de convecção: também conhecidas como chuva
de verão, são geralmente chuvas de grande intensidade e pequena duração, restritas
a áreas pequenas. São precipitações que podem provocar importantes inundações
em pequenas bacias.
2. Chuvas orográficas: podem ser denominadas também de chuva de
relevo/montanhas (orografia: oros = montanha), em que os ventos úmidos, que

54
sopram geralmente dos oceanos, encontram uma elevação, ocasionando uma subida
forçada do ar. O ar, ao subir, se resfria, atingindo o ponto de orvalho (temperatura na
qual a água passa da fase de vapor para a líquida), ocorrendo a condensação e a
consequente formação de nuvens, podendo resultar em precipitação. São chuvas de
pequena intensidade e grande duração, que cobrem pequenas áreas.
3. Chuvas frontais: podem ser denominadas também de ciclônicas, sendo que
resulta do encontro de duas massas de ar com características distintas de temperatura
e umidade. Desse encontro, a massa de ar quente sobe, resfriando o ar e
aproximando-se do ponto de saturação, dando origem à formação de nuvens e
consequente precipitação.
Dentro da atmosfera, existem porções que apresentam características próprias
de temperatura, umidade e pressão. Essas porções são conhecidas como massas de
ar, as quais são responsáveis pela dinâmica do clima na superfície da Terra, pois são
capazes de mudar o tempo de forma repentina onde chegam. (ALVES, 2004).
O encontro de duas massas de ar de temperaturas diferentes recebe o nome
de frente. Os principais tipos de frente são:
 Frente fria: origina-se quando o ar frio substitui o ar quente, trazendo frio
para a região.
 Frente quente: forma-se quando o ar quente substitui o ar frio, fazendo a
temperatura subir na região.
 Frente estacionária: ocorre quando há um equilíbrio entre a massa de ar frio
e a de ar quente.
 Frente em dissipação: ocorre quando uma das duas massas (de ar quente
ou de ar frio) começa a se afastar.

10.3 Características da água

A água é uma substância fundamental para os seres vivos, atuando como


veículo de assimilação e eliminação de muitas substâncias, além de servir para manter
estável a temperatura corporal (TELLES; COSTA, 2007). A água pura é um líquido
incolor, inodoro, insípido e transparente. Contudo, por ser considerada, a água, um
dos melhores solventes existentes, raramente é encontrada em estado absoluto de
pureza.

55
Segundo Richter e Netto (2005), a água tem diferentes características, as quais
são determinadas por uma série de parâmetros. A seguir, as principais características
da água:
 Físicas: podem ser perceptíveis pelo homem por meio de seus sentidos. As
características físicas das águas são de pouca importância na questão sanitária e
normalmente são fáceis de determinar. Entre as características físicas, pode-se citar
a turbidez, a cor, os sólidos em suspensão, a temperatura, o sabor, o odor e a
condutividade elétrica.
 Químicas: são substâncias dissolvidas que podem vir a causar alterações
nos valores dos parâmetros de potencial hidrogeniônico (pH), alcalinidade, acidez,
dureza, ferro e manganês, cloretos, nitrogênio, fósforo, oxigênio dissolvido, matéria
orgânica e inorgânica, entre outros.
 Microbiológicas: estão relacionadas aos diversos microrganismos que
habitam o ambiente aquático. Sua importância manifesta-se no controle de
transmissão de doenças e na degradação da matéria orgânica realizada por bactérias.

Fonte: http://www.centroeducacionalgetsemani.com.br/

10.4 Mudanças físicas do solo e a influência na distribuição de organismos

De acordo com Brady e Weil (2014), todo o processo de formação do solo


começa com a desagregação e a decomposição de rochas. Em contato com a
atmosfera, as rochas têm sua composição química e suas características físicas
alteradas pela ação do calor do sol, da água das chuvas, dos ventos e de outros

56
fatores ambientais. Em outras palavras, as rochas sofrem intemperismos físicos e
químicos.
Brady e Weil (2014) mencionam que a massa do solo fornece sustentação
física, ancorando o sistema radicular para que a planta não tombe. Para obter energia,
as raízes das plantas dependem do processo de respiração, o qual tem-se o consumo
de oxigênio (O2) e liberação de CO2, sendo que uma importante função do solo é a
aeração (por meio dos poros), permitindo que o CO2 saia e o O2 do ar fresco entre
no solo (rizosfera).
Os poros do solo têm, ainda, a função de absorver a água da chuva e retê-la,
de modo que ela possa ser aproveitada pelas raízes das plantas. Além disso, o solo
também controla as variações de temperatura, em que as propriedades isolantes do
solo protegem a parte mais profunda do sistema radicular das grandes oscilações de
temperatura que muitas vezes ocorrem na superfície.
De acordo com Reinert e Reichert (2006), um solo bem estruturado apresenta:
 Poros adequados para a entrada de ar e água no solo.
 Porosidade adequada para que a água se movimente pelo solo, sendo
disponível para as culturas, assim como permita uma boa drenagem do solo.
 Porosidade adequada para o crescimento das culturas após a germinação
das sementes, permitindo que as raízes explorem maior volume de solo em busca de
ar, água e nutrientes.
 Resistência à erosão pela alta agregação.
Os organismos do solo, de acordo com Brady e Weil (2014), são as criaturas
que passam toda a sua vida, ou parte dela, no ambiente do solo. Cada punhado do
solo pode conter bilhões de organismos, representados por quase todos os tipos seres
vivos. Os pesquisadores do solo utilizam o conceito de diversidade biológica como um
indicador de qualidade do solo. A alta diversidade de espécies indica que os
organismos atualmente presentes são bem distribuídos entre um grande número de
espécies. A maioria dos ecologistas acredita que a complexidade e a diversidade de
espécies geralmente estão acompanhadas de um alto grau de diversidade funcional,
ou seja, da capacidade de utilizarem uma ampla variedade de substratos e de
realizarem uma grande variedade de processos.

57
10.4.1 Mudanças físicas no solo

Os solos apresentam diferentes características físicas, as quais permitem


distinguir um determinado tipo de solo dos demais. Algumas características
rotineiramente observadas na descrição morfológica de solos são: cor, textura,
estrutura, consistência, porosidade, presença de minerais, dentre outros (EMBRAPA,
2018).
Como as alterações nas características físicas do solo podem interferir na
distribuição dos organismos? De acordo com Philippi Junior e Pelicioni (2014), as
alterações ou a poluição do solo podem ocorrer de forma natural ou artificial. Porém,
na grande maioria dos casos, as atividades antrópicas são as maiores responsáveis
pelas alterações. No Quadro a seguir, são apresentados alguns dos principais
impactos ambientais causados pelas diferentes atividades humanas nos solos.

ATIVIDADES IMPACTOS AMBIENTAIS


Desmatamento Alterações climáticas; danos à flora e à fauna; erosão do solo;
empobrecimento do solo; assoreamento de recursos hídricos;
aumento do escoamento da água; redução de infiltração da
água; inundações
Movimentos de terra Alterações na drenagem das águas; erosão do solo;
assoreamento dos recursos hídricos.
Impermeabilização do solo Aumento do escoamento das águas; redução da infiltração da
água; problemas de drenagem; inundações
Aterros de rios, riachos, Problemas de drenagem; assoreamento; inundações;
lagoas, entre outros prejuízos econômicos e sociais
Lançamento de efluentes Alterações nas características químicas, físicas e biológicas
dos solos, além de poluição ambiental, como: prejuízos à
saúde do homem; danos à fauna e à flora; danos materiais;
prejuízos às atividades; danos econômicos e sociais.
Fonte: Adaptado de Mota (1999)

De acordo com Abiko e Moraes (2009) e Philippi Junior e Pelicioni (2014), umas
das grandes preocupações relacionadas com a poluição dos solos, principalmente em
áreas urbanas, é quanto aos resíduos sólidos, principalmente por que estes, em
muitos casos, são lançados no ambiente de forma incorreta. Dentre as consequências
negativas ocasionadas por essa prática inadequada dos resíduos, pode-se citar:
58
 Aspecto estético desagradável.
 Maus odores, resultantes da decomposição dos detritos.
 Proliferação de insetos e roedores transmissores de doenças.
 Possibilidade de acesso de pessoas, podendo ocasionar doenças por
contato direto.
 Poluição da água subterrânea ou superficial, por infiltração de líquidos e
carreamento de impurezas por escoamento superficial.
 Possibilidade de queima dos resíduos, com incômodos à população e
causando poluição do ar.
 Desvalorização de áreas próximas ao depósito de resíduos sólidos.
A poluição do solo provoca vários problemas ambientais, atingindo também
outros segmentos do meio ambiente, como mananciais, rios, mares, lençóis freáticos,
entre outros. Logo, dentre as consequências ambientais, estão: o solo pode ficar
infértil para o plantio (desfertilização); contaminação de rios, lençóis freáticos,
mananciais, nascentes, lagos, entre outros; desequilíbrio do ecossistema, por meio
da extinção de plantas e animais da região atingida; mudanças na densidade e
consistência do solo; saturação do solo; alterações na tipografia do solo; perda da
capacidade de drenagem natural; elevação na temperatura do solo, quando ocorre
formação de gases no subsolo (metano e CO2 , por exemplo); impregnação de
substâncias poluentes; mudanças no cheiro da terra que compõe o solo; formação de
lamas de esgoto na superfície; e deslizamento de terras em regiões íngremes,
provocadas pela infiltração de poluentes líquidos.

11 HOMEM E AMBIENTE: DEGRADAÇÃO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE

Sem a menor sombra de dúvida, a chamada sociedade de consumo, na qual,


para ser feliz, não basta consumir o necessário, mas, se possível, também o supérfluo,
acabou por conferir às relações do homem com o meio ambiente um caráter
extremamente agressivo. A Revolução Industrial, o crescimento urbano desordenado
e o apelo da propaganda aumentaram o volume de resíduos produzidos e
intensificaram a poluição do ar, das águas e dos solos. Logo, a extinção de um grande
número de espécies está atrelada às mais diversas atividades antrópicas. (STEIN,
2018)

59
11.1 Extinções em massa e papel do homem

O aniquilamento das espécies sempre aconteceu, e ainda continua


acontecendo, de forma natural desde o princípio da vida na Terra. Dentre as suas
principais causas naturais estão os processos de desertificação, as glaciações e as
alterações na atmosfera, como as provocadas por atividades vulcânicas ou meteoros.
Porém, o homem, nas últimas décadas, é o principal responsável pela extinção de
grande quantidade de espécies (BRASIL, 1998). Ou seja, quando falamos de extinção
de espécies, não há como não relacionar as ações humanas com essa problemática.
Isso porque:
 A população humana está aumentando rapidamente e, em breve, pode
colidir com os limites ambientais.
 Mesmo que o crescimento da população não fosse um problema grave, o
aumento do uso de recursos por pessoa está expandindo a pegada ecológica humana
geral e colocando pressão sobre os recursos da Terra.
 Podemos retardar o crescimento da população humana reduzindo a pobreza
por meio do desenvolvimento econômico, elevando a condição da mulher e
incentivando o planejamento familiar. No entanto, quanto mais elevada a classe social,
maior é a demanda de recursos naturais utilizada por ela.
Os efeitos negativos do homem sobre o meio ambiente começaram
principalmente após a Revolução Industrial, quando houve um crescimento
exponencial sem planejamento que nunca tinha sido visto na civilização humana e em
suas cidades. A partir daí, foram surgindo os centros urbanos que conhecemos nos
dias atuais. Muitos dos problemas contemporâneos originaram-se a partir desse
crescimento desordenado e do desenvolvimento de veículos feitos para servir esse
estilo de vida: do trem a vapor ao automóvel (WALL; WATERMAN, 2013).
O sistema político mudou, temos a administração pública, por exemplo, mas os
problemas ambientais urbanos continuaram e agora são muito mais significativos. A
falta de planejamento adequado, aliada a uma má administração dos centros urbanos,
gerou um grande problema socioambiental: cidades precárias e insalubres.
Maharashtra, na Índia, pode ser considerada a maior área coberta por habitações de
baixa renda e tem atualmente cerca de 19 milhões de habitantes. É um lugar
totalmente insalubre, sem qualquer estrutura urbana básica, como sistema de
esgotamento sanitário ou recolhimento de resíduos sólidos. Neza, no México,
60
concentra 4 milhões de pessoas em condições semelhantes. Já no Brasil, a maior
favela, a Rocinha, concentra 70 mil pessoas. Além disso, essa ocupação desordenada
ocorreu em muitos locais inadequados para moradia, resultando em riscos evidentes
para o meio ambiente e também para essas próprias populações.
Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (2012) apontam que o padrão de vida da
população dita privilegiada incentiva o consumismo. Assim, a demanda para esse
consumo faz aumentar a demanda de alimentos provenientes de cadeias cada vez
mais complexas e artificiais, o que gera excesso de poluentes atmosféricos. Dentre
as consequências ambientais desse crescimento desordenado, pode-se citar o
constante aumento da lista de animais e plantas ameaçados de extinção.
Entretanto, como definimos o risco de extinção enfrentado por uma espécie?
Uma espécie pode ser descrita, de acordo com Townsend, Begon e Harper (2011):
 Criticamente em perigo: se o risco de extinção for igual ou superior a 50%
nos próximos 10 anos ou nas três próximas gerações, o que durar mais.
 Em perigo: se a probabilidade de extinção é de mais de 20% nos próximos
20 anos ou em cinco gerações.
 Vulnerável: se houver chance de extinção maior do que 10% em 100 anos.
 Quase ameaçada: se uma espécie está próxima de se qualificar no futuro
próximo.
 De menor preocupação: se uma espécie não se encaixar em nenhuma
dessas categorias de ameaça.
As espécies que têm alto risco de extinção são quase sempre raras, mas nem
todas as espécies raras estão ameaçadas. Uma espécie pode ser rara por ter uma
pequena distribuição geográfica, por seu hábitat ser incomum ou por ter populações
locais de pequeno tamanho. As espécies que são raras pelos três critérios são
intrinsicamente vulneráveis à extinção. No entanto, as espécies precisam ser raras
apenas por um critério para se tornarem em perigo (TOWNSEND; BEGON; HARPER,
2011).
A Figura a seguir apresenta os níveis de ameaça em função do tempo e da
probabilidade de extinção.

61
Fonte: Townsend, Begon e Harper (2011, p. 515).

11.2 As grandes ondas de extinção provocadas pelo homem

De acordo com Dias (2015), a relação entre os humanos e o meio ambiente


pode ser estudada considerando-se quatro fases de nossa existência, que são: (1) o
período que compreende o predomínio de sociedades de coletores e caçadores,
essencialmente nômades; (2) a etapa de surgimento das sociedades agrícolas; (3) o
aparecimento das civilizações; e, finalmente, (4) a Revolução Industrial.
Porém, de modo geral, o homem provocou ao menos três grandes ondas de
extinção por meio de seu comportamento insustentável ao longo do tempo, as quais
são descritas por Dias (2015) e Szpilmann (2015):
1. Fauna terrestre: a partir da Revolução Cognitiva do Homo sapiens (70 mil
anos atrás), quando surgiram novas formas de pensar e de se comunicar e, dessa
forma, começaram a se formar estruturas sociais mais elaboradas, ocorreu a primeira
onda de extinção provocada pela disseminação dos caçadores-coletores. O planeta
então abrigava cerca de 200 gêneros de grandes mamíferos terrestres (pesando mais
de 50 kg). Passados pouco menos de 60 mil anos, metade já havia desaparecido.
Dessa forma, muito antes do homem inventar a própria roda, inúmeras espécies já
estavam sendo extintas em razão das ações do homem.

62
2. Fauna e flora terrestres: a partir da Revolução Agrícola (a qual ocorreu
cerca de 12 mil anos atrás), quando o homem começou a manipular e produzir plantas
e animais, a disseminação dos agricultores provocou a segunda onda de extinção.
Além disso, também há cerca de 12 mil anos, época de povoamento das Américas, o
Homo sapiens encontrou mamutes, mastodontes, camelos, tigres-dentes-de-sabre,
leões-gigantes, preguiças-gigantes e dezenas de espécies de grande porte. Não
demorou mais do que 2 mil anos para todas essas espécies desaparecerem pela ação
do homem. Nesse curto intervalo de tempo (comparado ao surgimento da Terra), dos
47 gêneros de grandes mamíferos da América do Norte, 34 foram extintos. Na
América do Sul foi ainda pior, 50 dos 60 gêneros da megafauna desapareceram.
3. Fauna marinha (intercâmbio colombiano): a partir da Revolução Científica
(a qual começou a ocorrer mais ou menos 500 anos atrás), teve início a terceira onda
de extinção, provocada pela extraordinária expansão das atividades científicas,
comerciais e industriais da humanidade, especialmente nos dois últimos séculos.
Além da deletéria ação sobre fauna e flora terrestres, que continua até os dias atuais,
a terceira onda de extinção atingiu e continua atingindo com grande intensidade as
espécies, não apenas as marinhas, mas também as terrestres.

11.3 Desenvolvimento Sustentável

Durante séculos o homem vem retirando do meio ambiente matérias-primas


para seu sustento e devolvendo ao meio ambiente poluição e contaminação,
provocando impactos ambientais gigantescos. Conforme ressalta Schwanke (2013),
esse modelo, chamado sistema aberto, depende de um suprimento contínuo e
inesgotável de matéria e energia, que, depois de utilizada, é devolvida ao meio
ambiente. Para que tal modelo possa ter sucesso, as seguintes premissas teriam de
ser verdadeiras:
 Suprimento inesgotável de energia.
 Suprimento inesgotável de matéria.
 Capacidade infinita do meio de reciclar matéria e absorver energia.
Schwanke (2013) ressalta, ainda, que a percepção de impacto ambiental se
tornou uma realidade para os diversos setores da sociedade (indústrias, governos e
população), que tomaram consciência de que o acúmulo de resíduos pode trazer

63
consequências para a saúde e para a qualidade ambiental. No setor produtivo, esses
valores foram gradativamente incorporados com ações no sentido da utilização
racional dos recursos naturais e do controle dos impactos negativos ao meio ambiente,
originando uma nova percepção ambiental. Dessa forma, surge o modelo de
desenvolvimento sustentável, o qual foi conceituado em 1987 pela Comissão
Mundial de Desenvolvimento e Meio Ambiente, formada pela ONU em 1984.
De maneira geral, o desenvolvimento sustentável visa a atender três aspectos
básicos, sendo eles econômico, ambiental e social, que devem interagir totalmente
para que a sustentabilidade se mantenha.
Cabe ressaltar que o desenvolvimento pode ser aplicado de um modo macro,
como em um país ou até mesmo para o planeta num todo, ou de maneira micro, como
em uma cidade, um bairro, uma residência ou até mesmo em uma propriedade
agrícola. Os pilares da sustentabilidade são definidos como:
 Social: refere-se ao capital humano de um empreendimento, uma
comunidade ou uma sociedade como um todo. Além de ter salários justos e estar
adequado à legislação trabalhista, é preciso pensar em outros aspectos como o bem-
estar dos seus funcionários, propiciando, por exemplo, um ambiente de trabalho
agradável, pensando na saúde do trabalhador e da sua família. Além disso, é
imprescindível ver como a atividade econômica afeta as comunidades ao redor. Nesse
item, está contido também problemas gerais da sociedade como educação, violência
e até o lazer.
 Ambiental: refere-se ao capital natural de um empreendimento ou uma
sociedade. A princípio, praticamente toda atividade econômica tem impacto ambiental
negativo. Nesse aspecto, a empresa ou a sociedade deve pensar nas formas de
amenizar esses impactos e compensar o que não é possível amenizar. Assim, uma
empresa que usa determinada matéria-prima deve planejar formas de repor os
recursos ou, se não é possível, diminuir o máximo possível o uso desse material. Além
disso, deve ser levada em conta a adequação à legislação ambiental.
 Econômico: neste pilar são analisados os temas ligados à produção, à
distribuição e ao consumo de bens e serviços e devem ser levados em conta os outros
dois aspectos.

64
11.4 Estratégias utilizadas pelos ecólogos

Dentre as medidas que podem ser adotadas tanto pelos governos quanto pela
sociedade civil em geral para a construção de um mundo mais sustentável, pode-se
citar alguns exemplos:
 Redução ou eliminação do desmatamento.
 Reflorestamento de áreas naturais devastadas.
 Preservação das áreas de proteção ambiental, como reservas e unidades de
conservação de matas ciliares.
 Fiscalização, por parte do governo e da população, de atos de degradação
ao meio ambiente.
 Adoção da política dos 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) ou dos 5Rs
(repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar).
 Contenção na produção de lixo e direcioná-lo corretamente para a
diminuição de seus impactos.
 Diminuição da incidência de queimadas.
 Diminuição da emissão de poluentes na atmosfera, tanto pelas chaminés
das indústrias quanto pelos escapamentos de veículos e outros.
 Opção por fontes limpas de produção de energia que não gerem impactos
ambientais em larga e média escalas.
 Adoção de formas de conscientizar os meios político e social das medidas
anteriormente apresentadas.
Essas medidas são, portanto, formas viáveis e práticas de se construir uma
sociedade sustentável que não comprometa o meio natural tanto na atualidade quanto
no futuro a médio e longo prazos. (STEIN, 2018).

11.5 Como promover o desenvolvimento sustentável?

Sustentabilidade é uma palavra relativamente nova, porém com grande


destaque atualmente, o que leva as organizações a adotarem políticas e práticas
sustentáveis em razão da exigência da sociedade e do mercado. Porém, nem sempre
promover o desenvolvimento de forma sustentável é uma tarefa fácil, por envolver,

65
normalmente, uma briga de interesses políticos, financeiros, econômicos, sociais e,
principalmente, ambientais. (STEIN, 2018)
Uma das formas de promover o desenvolvimento sustentável é por meio dos
planos de mitigação, que buscam reverter danos parciais e minimizar situações de
risco e de impactos ambientais, por meio da intervenção em áreas vulneráveis e da
implementação de programas operacionais que permitam, a curto prazo, mitigar
situações críticas com base na definição de prioridades. Dentre os principais planos
de mitigação, estão:
 Manter, em estado próximo do natural, a maior parte das zonas degradadas.
 Condicionar as explorações agrícola e pecuária.
 Impedir a ocupação com habitação nas áreas delimitadas de proteção.
 Condicionar as instalações industriais.
 Desviar vias e transferir construções em zonas de risco.
 Limitar a construção de estradas marginais e a intensidade de tráfego.
 Controlar a ocupação de terras e extrações.
 Investir em tecnologias que visam ao reuso da água.
Práticas que visam à mitigação ambiental são de grande importância, pois têm
por intuito reduzir ou remediar um determinado impacto ambiental, nocivo ao
ambiente. Entretanto, como, exatamente, conseguimos fazer isso? A seguir,
apresentam-se alguns exemplos de práticas sustentáveis e/ou que visam a mitigar
(reduzir) impactos ambientais.
Sabe-se que a água é de fundamental importância para a vida na Terra e que
sua conservação pode ser realizada por várias atividades, tais como a redução da
demanda da água, o melhoramento do seu uso e a redução das perdas e dos
desperdícios (TOMAZ, 2001). De acordo com Macêdo (2001), o reuso de água é
considerado uma das principais alternativas para o uso mais racional da água. Dessa
forma, é um grande exemplo de promover o desenvolvimento de forma mais
sustentável.
De maneira geral, a expressão reuso de água consiste no uso de efluentes
tratados ou não para fins benéficos, tais como irrigação, uso industrial e fins urbanos
não potáveis, em substituição à fonte de água normalmente utilizada (MIERZWA;
HESPANHOL, 2005). Já Lavrador Filho (1987, apud MANCUSO; SANTOS, 2003)
define a prática de reuso como o aproveitamento de águas já utilizadas em alguma

66
atividade, para suprir necessidades de outros fins, podendo este ser, inclusive, o
original. O mesmo autor ressalta que o reuso pode ser realizado de forma direta ou
indireta, com ações planejadas ou não planejadas, gerando assim as seguintes
definições:
 Reuso indireto não planejado: a água utilizada, uma ou mais vezes para
uma determinada atividade, ou seja, o efluente de uma atividade é destinado ao meio
ambiente (sem tratamento) e captado em um ponto a jusante (um ponto depois do
ponto em que é descartado) para ser reutilizada.
 Reuso indireto planejado: o efluente, depois de passar por tratamento, é
destinado ao meio ambiente de forma planejada e consciente, para ser captado
novamente em um ponto a jusante (ou seja, rio abaixo) com a intenção do reuso.
 Reuso direto: o efluente, após ser tratado, é direcionado diretamente ao
ponto em que o reuso será realizado. Ocorre sempre de forma planejada.
De acordo com Mierzwa e Hespanhol (2005), a prática de reuso pode ser
implantada de duas maneiras:
 Reuso direto de efluentes: compreende o uso de efluente originado por um
processo diretamente em outro, em razão das características compatíveis, podendo-
se utilizar parcialmente o efluente ou misturá-lo com a água de abastecimento.
 Reuso de efluentes tratados: utilizam-se efluentes que tenham sido
submetidos a um tratamento. Após o tratamento, é verificado se o efluente atinge as
características necessárias (de acordo com leis), caso contrário, realiza-se um novo
tratamento.
A prática do reuso de água contribui de forma significativa com a redução do
volume de água captado pelo sistema de abastecimento convencional e do efluente
gerado pela prática da atividade. Sobretudo, deve ser adotada no momento em que
as características do efluente disponível sejam compatíveis com os requisitos de
qualidade exigidos para a finalidade de sua aplicação (MIERZWA; HESPANHOL,
2005).
Tanto os países desenvolvidos quanto aqueles em desenvolvimento são
altamente dependentes dos combustíveis fósseis para fazer avançar a sociedade e
manter o atual modo de vida (DIAS, 2015). Porém, os combustíveis fósseis são
considerados recursos naturais não renováveis, em razão do tempo necessário para
a sua produção, os quais encontram-se na natureza em quantidades limitadas e se

67
extinguem ao longo do tempo. Apenas se forem considerados naturais, esses
combustíveis trazem severos problemas ambientais, como o aquecimento global,
causado pelo excesso de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, a chuva ácida,
ocasionada pela reação entre os poluentes e o vapor d’água, além da poluição da
atmosfera e a contaminação de águas e solos.
Dessa forma, toda prática que visa a reduzir o uso de combustíveis fósseis é
bem-vinda. Uma das maneiras para tal é o princípio conhecido como 3Rs da
sustentabilidade, ou seja, reduzir, reutilizar e reciclar.
Na grande maioria dos casos, compramos coisas que não precisamos ou que
usamos poucas vezes. Portanto, reduzir significa comprar bens e serviços de acordo
com nossas necessidades para evitar desperdícios. Além disso, jogamos no lixo
muitas coisas que, na realidade, poderiam ser reutilizadas para outros fins. Logo, ao
reutilizar, geramos uma boa economia dos recursos naturais (inclusive combustíveis
fósseis), além de estarmos colaborando para o desenvolvimento sustentável do
planeta.
Em relação à reciclagem, é um termo genericamente utilizado para designar o
reaproveitamento de materiais beneficiados como matéria-prima para um novo
produto. Muitos materiais podem ser reciclados, podendo-se citar como exemplos o
papel, o vidro, o metal e o plástico. (DIAS, 2015).

Fonte: http://www.institutopuruna.com.br/

A questão que precisa estar mais ou menos clara para todos é que precisamos
chegar a um acordo sobre a capacidade de suporte da Terra e como medir o impacto
68
do consumo sobre os recursos do planeta. A pegada ecológica é um indicador
ambiental de caráter integrador do impacto que exerce uma certa comunidade
humana — país, região ou cidade — sobre o seu entorno, considerando tanto os
recursos necessários como os resíduos gerados para a manutenção do modelo
produtivo e do consumo da comunidade.
Pegada ecológica é a área de terreno necessária para produzir os recursos
consumidos e para assimilar os resíduos gerados por uma população determinada
com um modo de vida específico, onde quer que se encontre essa área. Constitui uma
ferramenta de contabilidade de recursos naturais para medir a sustentabilidade (DIAS,
2015).

12 ECOLOGIA E ACONTECIMENTOS ATUAIS

Até o início do século XIX, o crescimento da população mundial foi


relativamente lento, resultado do equilíbrio que existia entre as taxas de natalidade e
de mortalidade, pois ambas se apresentavam bastante lentas. Isso acontecia porque
era muito comum a ocorrência de grandes catástrofes sociais, como fome e pestes,
que ocasionavam a morte de um grande número de pessoas. Porém, o relativo
equilíbrio entre as taxas de natalidade e mortalidade foi rompido (primeiro nos países
desenvolvidos e posteriormente nos países subdesenvolvidos) no final do século XIX,
principalmente devido ao resultado das transformações provocadas pela
industrialização e pelo avanço da medicina (ALMEIDA, 2007).
Esses benefícios para o homem vêm resultando em uma série de malefícios
para o meio ambiente. Entre eles, a geração de resíduos sólidos, a poluição (da água,
do solo e da atmosfera), o aumento do efeito estufa, o aquecimento global, as
mudanças climáticas, entre outras. Além desses fatores já interferem no meio
ambiente, o homem ainda faz uso da caça, pesca, desmatamento e queimadas para
beneficiamento próprio, o que coloca uma enorme lista de animais e plantas em risco
de extinção.

12.1 Gases de efeito estufa

Embora o clima tenha sempre variado de modo natural, pesquisas e simulações


sofisticadas vêm sinalizando um processo gradual de aumento das temperaturas
69
médias. Somando-se ao processo natural, as atividades do homem, também
denominadas atividades antrópicas, estão contribuindo para a produção de gases
de efeito estufa, acentuando a concentração desses gases na atmosfera e,
consequentemente, ampliando a capacidade de absorção de energia que
naturalmente já possuem.
As emissões antrópicas de dióxido de carbono, o gás que mais contribui para
a intensificação do efeito estufa “antrópico”, decorrem principalmente da queima de
combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás natural, e de processos de
modificação do uso do solo (desmatamento e queimadas), conforme menciona
Almeida (2007).

Exemplo de emissão antrópica de dióxido de carbono.


Fonte: Toa55/Shuttestock.com

12.2 Poluição

Poluição é qualquer degradação das condições ambientais do habitat de uma


coletividade humana. Abiko e Moraes (2009) descrevem que os principais tipos de
poluição são:
 Poluição do solo;
 Poluição do ar;
 Poluição da água;
 Poluição acústica;
 Poluição visual.
70
Esses tipos de poluição dificilmente ocorrem de forma isolada, em geral
ocorrendo conjuntamente, com várias relações de interdependência entre eles. Os
autores exemplificam essa interdependência da seguinte maneira: a disposição
inadequada de lixo em terrenos baldios pode causar, simultaneamente, a poluição do
solo, da água, por meio do líquido gerado pelo resíduo, que percola pelas camadas
do solo, podendo atingir o lençol freático, do ar, por meio da queima do lixo ou dos
gases gerados na sua decomposição e poluição visual, pelo aspecto desagradável
dos resíduos.

12.3 Queimadas e desmatamento

As queimadas e o desmatamento ilegais são outros vilões que ocasionam em


uma enorme perda de biodiversidade. Eles respondem por mais de 75% das emissões
de gás carbônico, sendo responsáveis por colocar o Brasil entre os dez maiores
emissores de gases de efeito estufa. As queimadas, mesmo sendo irregulares, são
comuns no país, para a renovação de pastagens e o preparo de novas áreas para
agropecuária.
O desmatamento ocorre em todo o planeta. Para você ter uma ideia da
situação, há 10 mil anos, 55% do planeta Terra era coberto por florestas. Isso equivale
a cerca de 70 milhões de quilômetros quadrados; entretanto, restam atualmente
apenas 20 milhões de quilômetros quadrados de florestas. A situação mais grave é a
da Mata Atlântica, que já tem cerca de 93% da sua cobertura original desmatada. Além
disso, cerca de 30% do Cerrado e 15% da Floresta Amazônica estão
irremediavelmente perdidos (SITUAÇÃO..., [2013]).
As florestas tropicais são as que mais sofrem na questão do desmatamento,
pois são o alvo predileto das queimadas e também da extração de madeira. Um dado
alarmante é que entre 1960 e 1990 cerca de 1/5 das matas tropicais foi destruído,
uma velocidade realmente assustadora (SITUAÇÃO..., [2013]).
Todos esses problemas ambientais são responsáveis por uma enorme perda
de biodiversidade. Somente no Brasil, no final de 2016, tínhamos 3.286 espécies
ameaçadas de fauna e flora, das quais 698 eram de espécies de animais terrestres e,
dessas, 165 estavam na categoria “criticamente em perigo”, a mais grave de todas,
com altíssimo risco de extinção. Isso representa cerca de 27% de todas as espécies

71
analisadas. Além disso, tínhamos 475 espécies ameaçadas de animais aquáticos e
marinhos (153 delas “criticamente em perigo”) e 2.113 espécies ameaçadas de
plantas (467 delas “criticamente em perigo”), conforme o WWF (2016). A missão dos
ambientalistas é estudar e compreender as consequências que a poluição e a perda
de espécies podem ocasionar no planeta Terra.

Fonte: Adaptada de Fedorov Oleksiy e Vladimir Melnikov/Shuttestock.com.

13 PRINCIPAIS QUESTÕES AMBIENTAIS NO BRASIL E NO MUNDO

Hoje, vivenciamos uma grande crise ambiental mundial, em consequência da


má gestão de recursos naturais com o passar das décadas, principalmente após a
revolução industrial. Um desses efeitos diz respeito às alterações climáticas,
especificamente, ao aquecimento global. Nesse aspecto, é preciso ter em mente que
o aquecimento global é natural, dentro da escala do tempo geológico. No entanto,
devido à intensa emissão de gases do efeito estufa, como CO2, o CH4 e o N2 O, esse
processo tem sido mais rápido, causando diversos efeitos, como o acelerado desgelo
das calotas polares, ou mesmo o aumento na intensidade de eventos climáticos,
como, por exemplo, furacões. Esse é um aspecto relacionado diretamente à
exploração do petróleo e à emissão de seus resíduos para a atmosfera, mas podemos
também relatar outros problemas, como a poluição da água pelo esgoto sanitário, um
problema básico, mas que se perpetua desde as mais antigas civilizações humanas;
relacionado diretamente à saúde pública, ou mesmo à poluição do solo que, por sua
vez, reflete na qualidade do alimento que ingerimos. Esses são apenas alguns dos
desafios ambientais que a humanidade terá que enfrentar e resolver para o futuro.

72
Nosso planeta é, atualmente, alvo de uma grande quantidade de problemas
ambientais, decorrentes de fatores diversos, independentes e interligados, que podem
se diferenciar em relação à localização e às especificidades locais.
Os efeitos podem ser visualizados de forma isolada ou cumulativa, sendo uma
consequência do outro. Os impactos podem ter diversas causas, assim como uma
única ação pode desencadear muitos impactos. (ALMEIDA, 2007).
Podemos citar, como os principais problemas no mundo:
 Poluição do ar;
 Desmatamento;
 Extinção de espécies;
 Degradação do solo;
 Superpopulação ou crescimento demográfico;
 Aquecimento climático, devido ao efeito estufa.
A questão é que, na prática, colocar apenas uma causa em primeiro lugar torna-
se uma tarefa árdua, devido à correlação e à interdependência entre causas. Muitas
vezes, há dificuldade em simplesmente definir uma escala de prioridade.
Uma coisa é certa: existe relação entre a pobreza e a degradação ambiental.
Conforme pesquisa feita a cada dois anos pelas universidades de Yale e Columbia,
178 países foram classificados com base em 20 indicadores, distribuídos por nove
categorias, como saúde ambiental, poluição do ar, recursos hídricos, biodiversidade e
habitat. Os países de extrema pobreza possuem altos níveis de degradação de
recursos naturais, possivelmente relacionado ao fato de que, por serem países
pobres, não há dinheiro para tratamento de resíduos e efluentes. Como já mencionado
anteriormente, uma única ação pode desencadear muitas consequências; por isso,
vamos analisar apenas a deposição de resíduos sem prévio tratamento e sua correta
disposição. Essa única ação pode causar contaminação do solo, da água,
configurando sérios problemas de saúde pública, por serem vetores de doenças.
Em 2013, o relatório sobre o índice de desenvolvimento humano (IDH), feito
pelo programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD), mostrou que é
preciso enfrentar os problemas ambientais, pois se não os enfrentarmos, os avanços
do desenvolvimento humano poderão regredir drasticamente. As regiões mais pobres
do globo deverão ser as mais afetadas, com uma redução no IDH de 22% no sul da
Ásia e de 24% na África Subsaariana.

73
Existem alguns fenômenos naturais que causam modificações no meio
ambiente, chamados distúrbios naturais. Um bom exemplo disso são os incêndios
florestais espontâneos que ocorrem no bioma do cerrado brasileiro. Portanto, cabe
lembrar que os desastres naturais são divididos em duas categorias de origem:
climatológica e geológica.
Mesmo com a ocorrência desses fenômenos naturais, algumas atividades do
homem que causam alterações no meio ambiente podem interferir no agravamento
desses desastres, como desmatamento e assentamento de pessoas em zonas de
risco. (ALMEIDA, 2007).
No Brasil, os desastres mais frequentes são: deslizamento, enchentes,
erosões, seca, incêndio florestal e chuva de granizo. Apesar disso, os desastres que
mais causam impactos econômicos são os de origem geológica, como terremotos,
vulcões e tsunamis.
Em muitos casos, a origem do desastre pode não ser esclarecida, por ter se
iniciador de tal forma e desencadeado outro tipo de desastre.
Em relação aos tipos de desastre, os maiores causadores de mortes de
pessoas no mundo são os furacões e os terremotos; em terceiro lugar, estão as
inundações, e em seguida, as tempestades elétricas e os tornados.

13.1 Principais causas da problemática ambiental

Com o passar dos anos, verificou-se uma baixa capacidade de autodepuração


do ar em relação ao grau e quantidade de emissão que a atmosfera recebe.
São dados reais que, em países em desenvolvimento ou países emergentes
países que possuem padrão de vida entre baixo e médio, base industrial em
desenvolvimento e IDH variando entre médio e elevado, de 500 mil a um milhão de
pessoas morrem anualmente, devido à poluição atmosférica.
Ligada à agricultura mundial, a prática de queimadas é aplicada com o objetivo
de “limpar” áreas a serem utilizadas para o cultivo de determinadas plantas, inclusive
para a criação de gado e outras espécies que alimentam a indústria.
 A poluição do ar tem como principal vilã as atividades antrópicas,
impactando a saúde e o meio ambiente. A emissão gerada por determinadas
atividades, como o processo industrial, que apenas atendem aos padrões
consumistas da sociedade, pode variar por questões culturais e tecnológicas.
74
 O desmatamento é a remoção completa ou parcial de vegetação,
atualmente tendo como causa principal a ação do homem.
 Sendo a maioria dos problemas ambientais relacionados à ação antrópica,
seria equivalente colocar a superpopulação no ranking de causas dos problemas
ambientais. O desmatamento afeta diretamente a qualidade de vida do homem, que
é totalmente dependente deste recurso.
 A extinção de espécies é consequência de outras ações, com grandes
complicações para a fauna a partir de pequenas alterações no meio ambiente.
 A degradação do solo pode ser causada por diversos fatores, sendo um
deles a erosão (um fenômeno natural, facilmente intensificado pela ação do homem).
Outros fatores que causam a degradação do solo são a salinização e a compactação,
entre outros.
 A superpopulação (ou o crescimento demográfico) diz respeito ao número
excessivo de pessoas habitando determinado local. Esta causa acaba se agravando
principalmente em função da carência em políticas públicas e em planejamento
urbano com definições de zonas.
 O aquecimento climático, decorrente do efeito estufa, nada mais é do que
o aquecimento da temperatura média do oceano e da atmosfera terrestre, causado
pelas emissões de gases, que intensificam o efeito estufa.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou, recentemente, que uma em
cada nove mortes ocorridas em 2012 estava relacionada a doenças causadas por
agentes cancerígenos e outros poluentes presentes no ar.

Fonte: https://biologo.com.br/
75
Algumas soluções possíveis seriam substituir os combustíveis fósseis por
energia renovável; o reflorestamento; reduzir as emissões originadas pela agricultura
ou alterar processos industriais (DEUTSCHE WELLE, 2016).
De acordo com relatório publicado pela revista científica The Lancet, a poluição
do ar causou a morte de 101.739 pessoas no Brasil em 2015, o que equivale a 7,49%
do total de mortes no país durante o período. De acordo com o estudo, a poluição do
ar foi a grande vilã responsável pela maioria dos óbitos (70.685) (SILVER, 2017).

13.2 Ações para minimizar e evitar impactos ambientais negativos

Os impactos negativos normalmente estão associados a atividades do homem,


estando ainda relacionados à falta de planejamento e a medidas preventivas.
Visto que o conceito de impacto concerne às consequências que determinadas
ações podem trazer para o meio ambiente, é preciso buscar, através de estudos,
alternativas para minimizar esses riscos, sendo necessário, primeiramente, identificá-
las de acordo com a atividade que estamos avaliando. Minimizar significa reduzir os
impactos ao meio ambiente no caso, aqueles inevitáveis. Um bom exemplo de
minimização de impactos é a construção de uma cortina vegetal para conter as
emissões de partículas para uma comunidade vizinha.
Uma das ferramentas mais importantes e eficazes para minimizar impactos é o
planejamento ambiental, pois, neste processo, aprofundamos conceitos,
entendimentos e análises, proporcionando a projeção e a avaliação desses impactos,
e, como consequência, a definição de melhores alternativas.
Para alcançarmos resultados, é necessário seguir alguns passos dentro do
planejamento:
 Planejar a realidade, com base em um conhecimento aprofundado, tendo
como objetivo maior eficiência no processo e nas metas traçadas;
 Elaborar estratégias para o alcance de metas;
 Planejar detalhadamente, avaliando todos os riscos possíveis, desde os
mais comuns aos menos prováveis.
Para o planejamento, é importante que tenhamos profissionais qualificados,
realmente preocupados e conscientes das necessidades reais de se manter um bom
trabalho, pois este é fundamental, o alicerce para o sucesso e para a garantia de
melhores condições para o meio ambiente.
76
14 RECURSOS FLORESTAIS

Os recursos florestais compreendem todas as espécies vegetais do Planeta,


que podem ser encontradas em florestas ou de forma isolada. Segundo Mafuca
(2001), além de fornecerem lenha, carvão vegetal, madeiras e outros bens valorizados
pelo mercado, as florestas auxiliam no desenvolvimento de um país. Porém, seu uso
necessita de uma gestão adequada. Afinal, por mais que as florestas sejam um
recurso renovável, muitas espécies demoram décadas ou até séculos para atingir a
fase adulta.
De acordo com o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (MATO
GROSSO DO SUL, 2015), a gestão dos recursos florestais objetiva estabelecer
princípios adequados de manejo, uso e conservação desses recursos. Isso ocorre por
meio do controle da supressão da vegetação, do controle de queimadas e da
promoção de ações de conservação genética dos recursos florestais, por exemplo.
O Sistema Nacional de Informações Florestais (SNIF) (BRASIL, 2020) descreve
que o Brasil é um país florestal com aproximadamente 493,5 milhões de hectares (o
que corresponde a aproximadamente 58% do seu território) cobertos por florestas
naturais e plantadas. Esse número indica que o País possui a segunda maior área de
florestas do mundo, atrás apenas da Rússia. Do total da vegetação, 485,8 milhões de
hectares são florestas nativas e 7,7 milhões de hectares são florestas plantadas.
No Brasil, no contexto da exploração de recursos florestais, a região amazônica
está em posição de destaque, especialmente em virtude da produção de madeira
nativa para fins industriais, que está entre as atividades econômicas mais importantes
da região (BARBOSA; VIANA, 2014).
Houve um aumento de 13,7% no desmatamento da Amazônia no período de
agosto de 2017 a julho de 2018, em comparação com o mesmo ciclo anual anterior.
Para você ter uma ideia, o total de vegetação removido foi de 7.900 km², uma área
equivalente a mais de cinco vezes a capital de São Paulo. Especialistas descrevem
que esse já é considerado, inclusive, o maior desmatamento da história brasileira
(DESMATAMENTO..., 2018).

77
14.1 Ecologia da vegetação

De modo geral, a ecologia é o estudo científico das interações entre organismos


e seu ambiente. Porém, existem outras definições aceitáveis para a ecologia. Ela é
descrita, por exemplo, como o estudo científico das interações que determinam a
distribuição (localização geográfica) e a abundância dos organismos (CAIN;
BROWMAN; HACKER, 2018). Como você pode notar, a ecologia é extremamente
ampla; logo, os ecólogos estudam as interações na natureza em muitos níveis de
organização biológica.
Quando se fala da ecologia da vegetação, é preciso levar em conta alguns
conceitos importantes, como organismos, populações, comunidade, ecossistemas e
biomas. Os organismos vivos podem ser associados de acordo com as espécies,
que são conjuntos de indivíduos semelhantes, férteis entre si e que produzem
descendentes também férteis. Por sua vez, as populações compreendem um
conjunto de indivíduos da mesma espécie vivendo numa determinada região e num
determinado tempo.
Já a comunidade (também conhecida como “biocenose” ou “biota”) é o
conjunto de todos os indivíduos de espécies diferentes que vivem em determinada
área. É comum encontrar a expressão “comunidade biótica”, que se refere ao conjunto
de organismos de espécies diferentes que convivem numa mesma área, mantendo
entre si um relacionamento que pode ser harmônico ou desarmônico.
O conceito de ecossistema foi proposto pela primeira vez em 1935, pelo
ecólogo britânico Sir Arthur G. Tansley (ODUM; BARRETT, 2015). O ecossistema tem
todos os componentes (biológicos e físicos) necessários para a sua sobrevivência.
Consequentemente, é a unidade básica ao redor da qual se pode organizar a teoria e
a prática em ecologia. Os fatores que atuam sobre o ecossistema são denominados
“fatores abióticos”, que são os componentes não vivos, como temperatura, umidade,
solo, água, etc. Já os fatores bióticos, ou componentes biológicos (animais, plantas e
outros), caracterizam-se por comunidades compostas por populações de diferentes
espécies.
Uma comunidade está intimamente associada com o meio abiótico que a cerca,
existindo inter-relações entre ambos. Esse conjunto recebe o nome de “ecossistema”.
São exemplos de ecossistemas: uma floresta, uma campina, uma faixa mais

78
superficial ou mais profunda do mar, o fundo de uma lagoa, um aquário ou até mesmo
uma porção d’água, pois nela também se encontram organismos interagindo com
fatores abióticos.
Os ecossistemas podem ser pequenos, como uma pequena lagoa, ou muito
grandes, como a floresta amazônica ou o oceano atlântico. Em qualquer caso, porém,
um ecossistema deve ser uma unidade autossuficiente, na qual ocorre intercâmbio de
matéria e energia segundo uma trajetória circular.
Os ecossistemas terrestres são divididos em diferentes biomas. A distribuição
dos biomas terrestres e seus tipos de vegetação e fauna estão estreitamente ligados
ao clima. Afinal, são as diferentes condições de temperatura e incidência de luz solar
nas várias regiões do Planeta que facilitam ou impedem a existência de qualquer tipo
de vida. Desse modo, praticamente a cada clima corresponde um bioma, marcado por
determinada composição faunística.

14.2 Proteção florestal integrada e seus componentes

De modo geral, a proteção florestal integrada busca incentivar as atividades


econômicas e o desenvolvimento social, mas sem que haja degradação ou
minimização da vegetação. Infelizmente, a agricultura e a pecuária são as principais
causas do desmatamento em território nacional.
Rodrigues (1999) e Deus e Bakonyi (2012) afirmam que o desmatamento para
atividades agropastoris e a necessidade de evitar a reestruturação da floresta natural
para atingir o ápice da produção desejada são as consequências de impactos
ambientais causados diretamente pelas atividades agropecuárias. Contudo, além do
desmatamento, existem outros problemas atrelados ao setor agrícola, como a
diminuição da biodiversidade, a erosão do solo e o esgotamento de mananciais de
água doce. Amaro (2003) apresenta os principais componentes da proteção
integrada, que você pode ver a seguir.
 Produção integrada: visa à regulação do ecossistema, ao bem-estar dos
animais e à preservação dos recursos naturais.
 Estabilidade dos ecossistemas: para assegurá-la, é necessário evitar
impactos ecológicos das atividades agrícolas que possam afetar os recursos naturais
e os componentes da regulação natural.

79
 Equilíbrio do ciclo dos elementos nutritivos: para assegurá-lo, é preciso
reduzir ao mínimo as perdas de nutrientes, compensando prudentemente a sua
substituição por meio de fertilizações bem fundamentadas e privilegiando a reciclagem
da matéria orgânica produzida na exploração agrícola.
 Fertilidade do solo: é a capacidade do solo de assegurar a produção
agrícola sem intervenções exteriores; é uma função do equilíbrio das características
físicas, químicas e biológicas do solo, bem evidenciado pela fauna do solo, de que as
minhocas são um típico indicador.
 Biodiversidade: a nível genético, das espécies e do ecossistema, é
considerada a espinha dorsal da estabilidade do ecossistema, dos fatores de
regulação natural e da qualidade da paisagem.
Como é possível promover a agricultura e a pecuária sem degradar o meio
ambiente e sem realizar a supressão da vegetação? Para que isso ocorra, as políticas
públicas têm um papel fundamental. Elas devem incentivar a sustentabilidade desse
setor. Porém, a sustentabilidade deve sempre conciliar as questões sociais e
econômicas. (AMARO, 2003).

14.3 Métodos de conservação da biodiversidade e dos recursos naturais em


florestas

A proteção dos recursos florestais é fundamental, sendo que os demais


recursos (animais e pesqueiros) dependem deles para sobreviver, visto que as
florestas são fonte de alimento, proteção e moradia para os animais. Porém, o homem
é a principal ameaça às florestas, já que elas são suprimidas para dar lugar a áreas
agrícolas, domiciliares, industriais, entre outras. Além disso, a madeira é utilizada para
as mais diversas atividades.
Como é possível conservar as florestas? Principalmente por meio da educação
ambiental, mostrando para a população a importância das florestas e as
consequências ambientais que ocorrem quando elas são cortadas.
Quando se fala de conservação da biodiversidade, não se pode deixar de fora
as Unidades de Conservação (UCs). Amparado pela Lei nº 9.985, de 18 de julho de
2000, o Sistema Nacional de Conservação da Natureza (Snuc) foi elaborado para a
conservação da biodiversidade e dos recursos naturais do País. Por meio dele, foram
instituídos os critérios para a manutenção e a criação das UCs, que envolvem o
80
espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo águas jurisdicionais, com
características naturais relevantes. As UCs são legalmente instituídas pelo Poder
Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de
administração, ao qual se aplicam garantias de proteção (art. 2º, I) (BRASIL, 2000).
Como vimos, as UCs objetivam a preservação da biodiversidade, mas isso não
quer dizer que não pode haver atividades nessas áreas. Existem algumas atividades
permitidas em UCs, principalmente relacionadas à educação ambiental, como a
visitação de escolas, da comunidade e de turistas. Em algumas UCs, é possível fazer
o manejo da vegetação, desde que isso ocorra de forma sustentável.
Após a criação de uma UC, seja ela pública ou privada, é fundamental criar um
Plano de Manejo (PM). É recomendável que toda UC tenha seu próprio PM, que deve
ser elaborado em função dos objetivos gerais pelos quais a unidade foi criada. De
modo geral, o PM representa uma etapa do planejamento da UC, o qual deve ser
contínuo, num ciclo permanente de planejar, executar, avaliar e replanejar. Isso requer
simultaneidade entre a implementação do PM e a sua atualização, mediante o aporte
de novos conhecimentos (planejamento contínuo).
Existe alguma forma de fazer uso comercial e exploratório das florestas sem
provocar grandes impactos ambientais? Sim. Inclusive, o Novo Código Florestal,
sobretudo o art. 31, define que a exploração comercial das florestas nativas é possível
desde que seja elaborado o Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS), o qual
deve ser previamente aprovado pelos órgãos ambientais competentes (BRASIL,
2012).
Araújo, Oliveira e Alves (2015) descrevem que nesse PMFS devem estar
especificados todos os parâmetros técnicos para as etapas de condução dos
trabalhos para a correta exploração dos produtos da floresta. A ideia é facilitar a
reposição florestal e garantir que as técnicas desse manejo sejam compatíveis com
as especificidades de cada ecossistema, de maneira que todas as atividades previstas
no PM sejam executadas causando o mínimo de alteração na área explorada,
inclusive na cobertura arbórea.
O § 1º do art. 31 relaciona as bases técnicas e científicas do PMFS, obrigando
o empreendedor (nesse caso, o dono da floresta ou o detentor do direito de explorá-
la) a contratar um responsável técnico qualificado para elaborar o PMFS. Araújo,
Oliveira e Alves (2015) afirmam que esse profissional geralmente é um engenheiro

81
florestal, que pode ter o apoio de vários técnicos florestais e outros profissionais na
elaboração, na execução e na condução do PMFS.
Em muitos casos, a supressão da vegetação acaba sendo inevitável, dada a
necessidade de promover o crescimento econômico. Desse modo, o licenciamento
ambiental surge como uma importante ferramenta para promover essa supressão da
forma mais sustentável possível. Nesses casos, também é essencial exigir a
recomposição vegetal. A recomposição vegetal refere-se ao plantio de mudas nativas,
que pode ocorrer na mesma área ou em um novo local, visando a minimizar os
impactos ambientais causados pela supressão da vegetação para a instalação de
determinada atividade/ empreendimento. Além disso, é necessário atentar à
regeneração e à compensação florestal. A regeneração ocorre quando as condições
da área permitem que a vegetação anteriormente existente volte a brotar e a crescer,
exercendo suas funções ambientais.
Já na compensação, o plantio da vegetação ocorre em outras áreas/locais,
visto que na área inicial a vegetação já não tem mais condições de crescer, seja
devido à intensa degradação ambiental ou à construção de alguma obra/
empreendimento/atividade. Essa outra área deve apresentar o mesmo tipo de
vegetação e o mesmo bioma; caso contrário, pode-se inserir uma espécie exótica,
com potencial de colocar em risco a vegetação nativa.
Segundo a Embrapa (2019b), o plantio de mudas é o método mais usual para
a recuperação de áreas degradadas. Ele apresenta como objetivo principal a
aceleração do processo de sucessão natural, visando a proteger rapidamente o solo
contra a erosão e garantir o aceleramento e o sucesso da regeneração. Uma das
principais vantagens desse método é o controle da densidade de plantio, o qual deve
ser próximo ao original, bem como o controle da composição florística inicial. Os
espaçamentos mais usuais entre mudas são 2 m × 2 m (2.500 plantas/ha) e 3 m × 2
m (1.667 plantas/ha).
Esse é um método de fácil operacionalização e apresenta custos reduzidos
quando a área é de fácil acesso (como áreas planas). Porém, o plantio de mudas deve
contemplar espécies herbáceas, arbustivas ou arbóreas, visando a uma cobertura
imediata para proteger o solo. Esse método também é adotado nos chamados
“plantios de enriquecimento”, em que são introduzidas principalmente espécies tardias
e clímax em áreas onde já existe alguma regeneração florestal.

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(a) Recomposição vegetal e (b) regeneração vegetal.
Fonte: a) Matt Kay/Shutterstock.com.; b) NeagoneFo/Shutterstock.com

Como você deve imaginar, o governo (federal, estadual e municipal) tem um


papel importante nesse processo, que é fiscalizar e controlar o desmatamento ilegal.
Para combater ameaças que coloquem em risco as florestas, o governo federal criou
o Programa Pró-Espécies, que organiza e estabelece as ações de prevenção,
conservação, manejo e gestão das florestas. Esse programa se baseia em três
instrumentos:
 Listas nacionais oficiais de espécies ameaçadas de extinção;
 Planos de Ação Nacionais (PANs) para a conservação de espécies
ameaçadas de extinção;
 Bases de dados e sistemas de informação.
O Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2019c), além de atuar na proteção e
na recuperação das espécies brasileiras, trabalha no desenho de um modelo de
desenvolvimento que assegure a utilização sustentável dos componentes da
biodiversidade. Contudo, esses objetivos não podem ser alcançados individualmente,
seja pelo próprio Ministério ou isoladamente pelo governo. Eles devem ser
trabalhados em uma efetiva aliança nacional, que deve envolver as esferas de
governo federal, estadual e municipal, além dos setores acadêmico-científico, não
governamental e empresarial.

15 ECONOMIA VERDE

Economia verde é um conjunto de processos produtivos (industriais,


comerciais, agrícolas e de serviços) que ao ser aplicado em um determinado local
(país, cidade, empresa, comunidade, etc.), possa gerar nele um desenvolvimento

83
sustentável nos aspectos ambiental e social. O principal objetivo da Economia Verde
é possibilitar o desenvolvimento econômico compatibilizando-o com igualdade social,
erradicação da pobreza e melhoria do bem-estar dos seres humanos, reduzindo os
impactos ambientais negativos e a escassez ecológica.

15.1 Importância e benefícios da Economia Verde

Especialistas que atuam nas áreas de Economia e Meio Ambiente, defendem


que a aplicação da Economia Verde em países desenvolvidos e em desenvolvimento
aumenta a geração de empregos e o progresso econômico. Ao mesmo tempo,
combate as causas do aquecimento global (emissões de CO2), do consumo irracional
de água potável e dos fatores que geram a deterioração dos ecossistemas.

Principais características da Economia Verde:


 Pouco uso de combustíveis fósseis (gasolina, carvão, diesel, etc.) e aumento
do uso de fontes limpas e renováveis de energia;
 Eficiência na utilização de recursos naturais;
 Práticas e processos que visam à inclusão social e erradicação da pobreza;
 Investimento e valorização da agricultura verde;
 Tratamento adequado do lixo com sistemas eficientes de reciclagem;
 Qualidade e eficiência nos sistemas de mobilidade urbana.
O PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) define
economia verde como uma economia que resulta em melhoria do bem-estar da
humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente
riscos ambientais e escassez ecológica. (PNUMA, 2020).

Fonte: https://eco21.eco.br/
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REFERÊNCIAS

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

BEGON, Michael. Ecologia: de indivíduos a ecossistemas. Porto Alegre: Artmed,


2007. x, 740p., [8]p. de estampas, il. (algumas col.), 28cm. (Biblioteca Artmed).
Bibliografia: p. [659]-706. 4ed. 2007

ODUM, Eugene Pleasants; [BASIC ecology. Português; ODUM, Eugene


Pleasants. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988. xi, 434p., il., 23 cm.
Bibliografia: p. 381-422.

TOWNSEND, Colin R. Fundamentos em ecologia. Porto Alegre: Artmed, 2006.


592p., il. (algumas col.), 25cm. (Biblioteca Artmed). Bibliografia: p. [551]-563. 2ed.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

AMABIS, J. M.; MARTHO, G. R. Fundamentos da biologia moderna. 2. ed. São


Paulo: Moderna, 1997.

BARBOSA, V. Os 20 países do mundo com pior desempenho ambiental em 2014.


Exame, 13 se. 2016. Disponível em: . Acesso em: 10 jan. 2018.

BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. Meio Ambiente: guia prático e didático. 2. ed.


São Paulo: Érica, 2013.

BEGON, M.; TOWNSEND, C. R.; HARPER, J. L. Fundamentos em ecologia. 3. ed.


Porto Alegre: Artmed, 2011.

CAMPBELL, N. et al. Biologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.

DEUTSCHE WELLE. Os cinco maiores problemas ambientais do mundo e suas


soluções. Terra, 13 out. 2016. Disponível em: . Acesso em: 10 jan. 2018

85
EMBRAPA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Disponível em:
https://www.embrapa.br/. Acesso em: 07 out. 2020.

PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO. Índice de


Desenvolvimento Humano Municipal Brasileiro. Brasília: PNUD, 2013. Disponível
em: . Acesso em: 10 jan. 2018.

PNUMA, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Disponível em:
https://www.unenvironment.org/. Acesso em: 07 out. 2020.

RODRIGUES, G. S. Bases ecológicas de sustentabilidade e sistemas de


avaliação. In: RODRIGUES, G. S. et al. Avaliação de impactos ambientais para
gestão da APA da Barra do Rio Mamanguape-PB. Jaguariúna: Embrapa Meio
Ambiente, 2005. Disponível em: . Acesso em: 21 set. 2018.

SADAVA, D. et al. Vida: a ciência da biologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. v. 2.
SITUAÇÃO atual do desmatamento no Brasil. [2013?]. Disponível em: . Acesso em:
19 jun. 2018.

SILVER, K. Poluição mata mais de 100 mil pessoas por ano no Brasil, diz relatório.
BBC, 20 out. 2017. Disponível em: . Acesso em: 10 jan. 2018.

STEIN, Ronei Tiago. Introdução à ecologia. SAGAH: Soluções Educacionais


Integradas, 2018.

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