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Política Nacional de Fauna: PL 6268/2016

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*C0061621A*

C0061621A
CÂMARA DOS DEPUTADOS

PROJETO DE LEI N.º 6.268, DE 2016


(Do Sr. Valdir Colatto)

Dispõe sobre a Política Nacional de Fauna e dá outras providências.

DESPACHO:
ÀS COMISSÕES DE:
MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL;
FINANÇAS E TRIBUTAÇÃO (ART. 54 RICD) E
CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA (MÉRITO E ART. 54,
RICD)

APRECIAÇÃO:
Proposição Sujeita à Apreciação do Plenário

PUBLICAÇÃO INICIAL
Art. 137, caput - RICD

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O Congresso Nacional decreta:

CAPÍTULO I
DOS PRINCÍPIOS E CONCEITOS

Art. 1.º Esta lei institui a Política Nacional de Fauna e define os


princípios e diretrizes para a conservação da fauna silvestre no Brasil.

Art. 2.º Esta lei tem por princípios:

I – a preservação da integridade do patrimônio genético e da


diversidade biológica do País;

II – a soberania nacional sobre a diversidade biológica do País;

III – a precaução, quando houver ameaça de redução ou perda de


diversidade biológica, ou de dano à saúde humana, decorrente de atividade
autorizada na forma desta lei;

IV – o respeito às políticas, às normas e aos princípios relativos à


biossegurança e à proteção ambiental;

V – o cumprimento e o fortalecimento da Convenção sobre Diversidade


Biológica e dos demais atos internacionais relacionados à conservação e ao
uso sustentável da biodiversidade dos quais o Brasil é signatário;

VI – o desenvolvimento de planos de manejo de fauna silvestre,


visando à sua utilização sustentável, de forma que contribuam efetivamente
para a conservação da biodiversidade.

Art. 3.º Os animais das espécies silvestres que tenham todo ou parte
do seu ciclo de vida ocorrendo no território nacional ou nas águas jurisdicionais
brasileiras, constituem a fauna silvestre brasileira, bem de interesse da
coletividade, de domínio público, e sob tutela do Poder Público.

§ 1º Os dispositivos desta lei aplicam-se às espécies silvestres,


autóctones ou alóctones, terrestres ou aquáticas, que ocorram em vida livre no
território nacional, no mar territorial, na zona contígua, na zona econômica
exclusiva e na plataforma continental.

§ 2º Excetuam-se desta lei os peixes, crustáceos e moluscos, cuja


utilização econômica é regida pela legislação específica referente aos recursos
pesqueiros.

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Art. 4.º Compete ao Poder Público, por meio dos órgãos ambientais
competentes, estabelecer comitês ou grupos de trabalho para a elaboração e
acompanhamento da implementação de planos de ação ou de manejo para
espécies da fauna silvestre, objetivando a preservação da diversidade biológica
e da integridade dos ecossistemas brasileiros.

Art. 5.º Compete ao poder público fomentar e apoiar as ações voltadas


ao manejo em condições in situ e ex situ e ao desenvolvimento do
conhecimento sobre a fauna silvestre, bem como fomentar, apoiar e executar
as ações previstas nos planos de ação ou de manejo.

Art. 6.º Para os efeitos desta lei, entende-se por:

I – Centro de triagem: local ou instalação que tem por finalidade


receber animais silvestres para fins de triagem e reabilitação;

II – Coleção ex situ: coleção documentada de material biológico,


pertencente a instituição de ensino ou pesquisa, pública ou privada, ou mantida
por pessoa física;

III – Criadouro científico com finalidade de conservação: área


especialmente delimitada e preparada, dotada de instalações capazes de
possibilitar a criação de espécies da fauna silvestre brasileira com vistas à sua
conservação;

IV – Criadouro científico com finalidade de pesquisa: área


especialmente delimitada e preparada, dotada de instalações capazes de
possibilitar manutenção e/ou criação em cativeiro da fauna silvestre brasileira
com finalidade de subsidiar pesquisas científicas em Universidades, Centros de
Pesquisa e Instituições Oficiais ou oficializadas pelo Poder Público;

V – Criadouro comercial: área dotada de instalações capazes de


possibilitar o manejo, a reprodução, a criação ou a recria de espécies da fauna
silvestre com fins econômicos e industriais, e que impossibilitem a fuga dos
espécimes para a natureza;

VI – Espécie doméstica ou domesticada: espécie em cujo processo de


evolução influiu o ser humano, tornando-a dependente do homem ou do
ambiente antrópico, apresentando características biológicas e comportamentais
em estreita relação com o homem, podendo apresentar fenótipo variável,
diferente da espécie silvestre que a originou, inclusive a que interage
negativamente com a população humana;

VII – Fauna silvestre alóctone: espécie ou táxon cuja população ocorre


fora de sua área de distribuição geográfica original;

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VIII – Fauna silvestre autóctone: espécie ou táxon cuja população


ocorre dentro de sua área de distribuição geográfica original e de dispersão
potencial;

IX – Incremento: ação planejada visando a liberação de indivíduos


numa área onde a espécie já ocorre, com o objetivo de aumentar a população
e incrementar sua diversidade genética;

X – Introdução: liberação de organismos ou suas partes viáveis fora da


área de distribuição geográfica original;

XI – Jardim zoológico: qualquer coleção de animais silvestres mantidos


vivos em cativeiro ou em semi-liberdade e expostos à visitação pública, nos
temos da Lei nº 7.173, de 14 de dezembro de 1983.

XII – Manejo in situ: intervenção humana visando a manter, recuperar,


utilizar ou controlar populações de espécies silvestres na natureza, para
propiciar o uso sustentável dos recursos faunísticos e a estabilidade dos
ecossistemas, dos processos ecológicos ou dos sistemas produtivos;

XIII – Manejo ex situ: intervenção humana sobre espécimes ou


populações de animais silvestres mantidas em cativeiro;

XIV – Mantenedor de fauna silvestre: o que mantém legalmente sob


condições adequadas de cativeiro, sem reprodução e sem finalidade
econômica, espécimes da fauna silvestre.

XV – Material zoológico: espécime da fauna, no todo ou em parte, que


contém o material genético e seus produtos;

XVI – População asselvajada: indivíduos de espécie doméstica que


passaram a viver independentes em vida livre, de maneira selvagem;

XVII – Reabilitação: ação planejada que visa a preparação e o


treinamento de animais para sua liberação no ambiente natural;

XVIII – Reintrodução: ação planejada que visa estabelecer uma


espécie em uma área que foi, em algum momento, parte da sua distribuição
geográfica original, da qual foi extirpada ou se extinguiu;

XIX – Termo de Responsabilidade para Transporte de Material:


instrumento a ser firmado, previamente ao envio do material zoológico, pela
instituição e pelo pesquisador que detêm a responsabilidade sobre o material,
comprometendo-se a não destiná-lo para finalidade diversa da especificada na
autorização e a não transferir a responsabilidade sobre ele;

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XX – Termo de Transferência de Material: instrumento a ser firmado,


previamente ao envio do material zoológico, entre a instituição remetente e a
destinatária, no qual esta assume a responsabilidade pela guarda do material,
comprometendo-se a não destinar o material para finalidade diversa da
especificada na autorização obtida pela instituição remetente e a não transferir
a responsabilidade sobre esta a terceiros.

CAPÍTULO II

DO MANEJO IN SITU

Art. 7. O manejo da fauna silvestre in situ só pode ser realizado


mediante apresentação de plano de manejo ou projeto de pesquisa e sua
aprovação pelo órgão ambiental competente.
§ 1º O plano de manejo de fauna silvestre in situ deverá resultar de
pesquisas que incluam dados sobre a distribuição das espécies, parâmetros
populacionais e reprodutivos, estado de conservação, potencial para utilização
sustentável e programa de monitoramento das populações.
§ 2º O plano de manejo de fauna silvestre in situ recomendará as
intervenções necessárias à conservação e utilização sustentável dos recursos
faunísticos, incluindo medidas de proteção aos hábitats, quotas e
procedimentos de abate cinegético e formas de incremento populacional.
§ 3º Espécies da fauna silvestre brasileira ameaçadas de extinção só
podem ser manejadas para fins científicos ou conservacionistas.
Art. 8. Os espécimes provenientes do manejo in situ podem ser
comercializados conforme previsto no plano de manejo de fauna aprovado pelo
órgão ambiental competente.
Art. 9. Os espécimes provenientes do manejo em Reservas
Extrativistas (Resex) e Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS)
podem ser comercializados pelas populações tradicionais, desde que esse
comércio seja realizado em bases sustentáveis, de acordo com o plano de
manejo de fauna aprovado pelo órgão ambiental competente.
Art. 10. Fica proibida a introdução de espécimes, reintrodução ou
incremento populacional de espécies da fauna silvestre na natureza, salvo
quando previsto em plano de manejo de fauna ou projeto de pesquisa
aprovado pelo órgão ambiental competente.
Parágrafo único. Excetuam-se do previsto no caput os espécimes
recém-capturados da fauna silvestre nativa que tenham comprovação do local
preciso da captura.

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Art. 11. Cabe ao poder público impedir a introdução e promover ações


que visem ao controle da fauna silvestre ou à erradicação das espécies
exóticas consideradas nocivas à saúde pública, às atividades agropecuárias e
correlatas e à integridade e diversidade biológica dos ecossistemas.

CAPÍTULO III

DAS ESPÉCIES AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO

Art. 12. As espécies e subespécies relacionadas nas listas oficiais da


fauna silvestre brasileira ameaçada de extinção são classificadas nas seguintes
categorias:
I – criticamente em perigo: possui um risco extremamente alto de
extinção na natureza em um futuro imediato;
II – em perigo: não se encontra na categoria criticamente em perigo,
mas possui um risco muito alto de extinção na natureza em futuro próximo;
III – vulnerável: não se encontra nas categorias em perigo ou
criticamente em perigo, mas possui um risco alto de extinção na natureza em
um futuro médio.
IV – dados insuficientes: as espécies ou subespécies para as quais não
existem dados informativos para avaliação direta ou indireta de sua situação de
ameaça, o que lhes confere necessidade de maiores investigações sobre a
situação de suas populações.
Art. 13. Cabe ao poder público federal, estadual e municipal, em
conjunto com a sociedade civil, a proposição e a adoção de medidas, bem
como o desenvolvimento de ações, projetos de pesquisa ou planos de manejo
de fauna que visem a proteção da fauna considerada ameaçada de extinção,
bem como de seus sítios de reprodução, locais de abrigo e ambientes
particulares necessários à sobrevivência de qualquer espécie pertencente a
qualquer uma das categorias de ameaça.
Parágrafo único. Os programas de proteção das espécies ameaçadas
de extinção dependem de autorização do órgão ambiental competente.
Art. 14. Quando ocorrerem, em áreas de empreendimentos sujeitos a
licenciamento ambiental, espécies que constem nas listas oficiais de fauna
silvestre ameaçada de extinção, ficam os empreendedores obrigados a
financiar ações, projetos de pesquisa ou planos de manejo de fauna, de acordo
com critérios estabelecidos e regulamentados pelo órgão ambiental
competente visando a conservação dessas espécies.

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CAPÍTULO IV

DAS RESERVAS CINEGÉTICAS

Art. 15. O órgão ambiental competente pode autorizar a implementação


de reservas cinegéticas em propriedades privadas, cujo funcionamento deve
ser normatizado em regulamento específico.
§ 1º Para a autorização a que se refere o caput, a propriedade deve
comprovar regularidade no atendimento às exigências legais relativas às áreas
de preservação permanente e de reserva legal.
§ 2º Nas reservas cinegéticas, fica proibido o uso de animais
constantes nas listas oficiais de espécies ameaçadas.
Art. 16. Trinta por cento do lucro líquido anual de cada reserva
cinegética deve ser aplicada em planos de ação, projetos de pesquisa ou
planos de manejo de fauna aprovados pelo órgão ambiental competente para
recuperação e proteção de espécies da fauna silvestre brasileira.

CAPÍTULO V

DO MANEJO EX SITU

Art. 17. O órgão ambiental competente pode autorizar a criação e a


manutenção de animais da fauna silvestre brasileira e exótica, dependendo da
espécie e finalidade de criação em cativeiro nas seguintes modalidades:
I – centro de triagem;
II – criadouro científico com finalidade de pesquisa;
III - criadouro científico com finalidade de conservação;
IV – criadouro comercial;
V – mantenedor;
VI – jardim zoológico.
§ 1º Se necessário, podem ser instituídas outras modalidades, além
das previstas no caput, pelo órgão ambiental competente.
§ 2º As espécies a serem criadas e as finalidades da criação devem
seguir critérios estabelecidos em regulamento específico a ser proposto pelo
órgão ambiental competente.
Art. 18. Os animais recebidos pelos centros de triagem podem ser:
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I – destinados a criação ou manutenção em cativeiro Iegalizado;


II – destinados a projetos de pesquisa ou atividades previstas em
planos de ação ou de manejo;
III – submetidos à eutanásia.
§ 1º A destinação dos animais recebidos pelos centros de triagem deve
seguir critérios estabelecidos em regulamento.
§ 2º Os centros de triagem são unidades vinculadas a órgãos
ambientais oficiais.
Art. 19. O jardim zoológico legalmente estabelecido poderá,
dependendo de autorização do órgão ambiental competente, transacionar os
espécimes das espécies silvestres exóticas e o excedente de animais silvestres
nativos, comprovadamente nascidos em suas instalações, somente para
criadouros, mantenedores ou jardins zoológicos, desde que as espécies
estejam relacionadas na autorização de funcionamento do estabelecimento.

CAPÍTULO VI

DA EUTANÁSIA E DO ABATE DE ANIMAL SILVESTRE

Art. 20. A eutanásia e o abate de animal silvestre só são admissíveis:


I – para espécimes que sofreram graves injúrias;
II – quando o animal constituir ameaça à saúde pública, mediante
apresentação de laudo comprobatório pelo órgão competente;
III – quando o animal for considerado nocivo às atividades
agropecuárias e correlatas, mediante apresentação de laudo comprobatório
pelo órgão competente;
IV – quando constante entre as medidas preconizadas pelo plano de
manejo da espécie, aprovado pelo órgão ambiental competente;
V – quando caracterizada superpopulação, em condições in situ ou ex
situ, de acordo com critérios estabelecidos em regulamento;
VI – para os espécimes provenientes de resgates em áreas de
empreendimentos sujeitos a licenciamento ambiental, de acordo com critérios
estabelecidos em regulamento estabelecido pelo órgão ambiental competente.
Parágrafo único. O manejo previsto no caput deste artigo pode ser
realizado em unidades de conservação da natureza.
Art. 21. A escolha do método de eutanásia depende da espécie animal
envolvida, dos meios disponíveis para a contenção dos animais, da habilidade
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técnica do executor, do número de animais e, no caso de experimentação


animal, do protocolo de estudo, devendo ainda o método ser:
I – compatível com os fins desejados:
II – seguro para quem o executa, causando o mínimo de estresse no
operador, no observador e no animal;
III – realizado com o maior grau de confiabilidade possível,
comprovando-se sempre a morte do animal com a declaração do óbito pelo
profissional competente.

CAPÍTULO VII

DA COLETA DE MATERIAL ZOOLÓGICO

Art. 22. O órgão ambiental federal pode autorizar a coleta de


espécimes da fauna silvestre brasileira ou exótica para manutenção em
cativeiro, desde que necessária ao manejo da população, conforme previsto
em plano de manejo de fauna.
Art. 23. Será concedida licença para a coleta de material zoológico com
a finalidade de pesquisa científica, atividade didática ou para integrar coleção
biológica ex situ aos pesquisadores pertencentes a instituições nacionais de
ensino ou pesquisa
§ 1º As instituições a que se refere este artigo devem encaminhar ao
órgão ambiental federal relatório das atividades dos pesquisadores licenciados,
com a finalidade de compor um cadastro nacional de coleções biológicas ex
situ.
§ 2º O órgão federal de meio ambiente poderá conceder, conforme
regulamento, licença especial de coleta de material zoológico com finalidade de
pesquisa científica.
§ 3º A coleta ou a captura de material zoológico pode ser autorizada
desde que não comprometa a viabilidade das populações in situ.
§ 4º O uso de cães como parte da metodologia de projeto de pesquisa
executado em unidades de conservação da natureza será permitido desde que
atendido protocolo estabelecido pelo órgão gestor da unidade.
§ 5º A autorização para coleta de material científico poderá ser
temporária ou permanente, em função do tipo de vínculo mantido pelo
pesquisador com a respectiva instituição.

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Art. 24. As autorizações que contemplem a participação de


pesquisador estrangeiro ou pessoa jurídica estrangeira somente têm validade
quando acompanhadas de autorização emitida pelo órgão brasileiro
responsável pela política nacional científica e tecnológica, conforme legislação
específica vigente.
Parágrafo único. O pesquisador estrangeiro ou pessoa jurídica devem
estar associados a instituição brasileira, ficando a coordenação das atividades
autorizadas obrigatoriamente a cargo da contraparte nacional.
Art. 25. Os resultados das pesquisas científicas que envolvam coleta
de material zoológico devem compor um banco de dados cuja estrutura será
definida pelo órgão federal de meio ambiente competente.
Parágrafo único. Parte do material zoológico coletado, incluindo
espécimes tipo, deverá ser depositado em instituição de pesquisa nacional.
Art. 26. Pesquisas que envolvam espécies que constem nas listas
oficiais da fauna silvestre brasileira ameaçada de extinção serão autorizadas
pelo órgão ambiental competente mediante apresentação de projeto de
pesquisa com detalhamento específico para estas espécies.
CAPÍTULO VIII

DO TRANSPORTE, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO

Art. 27. O transporte intermunicipal ou interestadual de animais da


fauna silvestre, de suas partes, produtos e subprodutos fica condicionado à
comprovação de origem, na forma do regulamento definido pelo órgão
ambiental competente, sem prejuízo de outras exigências legais.
Art. 28. A exportação e a importação de espécimes da fauna silvestre,
de suas partes, produtos e subprodutos dependem de autorização do órgão
ambiental federal competente, sem prejuízo de outras exigências legais.
Parágrafo único. No caso de espécies que constem dos anexos da
Convenção Sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e
Flora Selvagens (Cites), é necessária a emissão da autorização prevista na
Convenção.
Art. 29. O empréstimo, a doação ou a troca de material zoológico entre
coleções registradas em cadastro nacional de coleções biológicas ex situ estão
isentos de autorização de transporte quando este ocorrer dentro do País.
§ 1º O empréstimo, a doação ou a troca de material zoológico deve ser
limitado àquele tombado e coletado em conformidade com a legislação vigente.
§ 2º O material zoológico deve ser transportado acompanhado de guia
de remessa emitida pelo curador da coleção remetente.
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§ 3º O curador da coleção deve manter registro de todo empréstimo ou


troca realizado com outras coleções cadastradas.
Art. 30. A exportação ou a reexportação de material zoológico, visando
o empréstimo ou intercâmbio não comercial, é isenta de autorização desde que
esse material seja proveniente de coleções científicas registradas em cadastro
nacional de coleções biológicas ex situ, habilitadas por norma específica, e
que:
I – a instituição ou coleção ex situ destinatária do material biológico
seja cadastrada na Autoridade Administrativa da Cites de seu país;
II – a instituição destinatária tenha assinado Termo de Transferência de
Material com a instituição remetente, quando couber;
III – a instituição remetente tenha assinado Termo de Responsabilidade
para Transporte de Material, quando couber;
IV – o material esteja acompanhado de “Guia de Remessa” emitida
pelo curador da coleção remetente, contendo a descrição do material e,
quando couber, especificação de substância ou meio químico utilizado para
preservá-lo.
Parágrafo único. A isenção prevista no caput deste artigo não se aplica
ao material zoológico quando estiver previsto acesso ao patrimônio genético.
Art. 31. A exportação visando o empréstimo ou intercâmbio não
comercial deve ser limitada ao material zoológico tombado e adquirido em
conformidade com a legislação vigente.
Art. 32. A importação de material zoológico consignado a coleções
científicas sediadas no exterior fica isenta de autorização, desde que o material
esteja acompanhado de guia de remessa emitida pela instituição remetente
com a descrição do material e, quando couber, a especificação de substância
ou meio químico utilizado para preservá-lo.
Art. 33. A exportação de agentes para controle biológico pode ser
autorizada mediante apresentação de solicitação instruída com cópia da
autorização de importação dos agentes, concedida pelo governo do pais
importador, sem prejuízo de outras exigências legais.

CAPÍTULO IX

DAS SANÇÕES

Art. 34. Constitui infração penal e administrativa contra a fauna silvestre


toda ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo, proteção,
preservação e conservação.

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Parágrafo único. Em propriedade particular deve o proprietário,


locatário, arrendatário, posseiro, parceiro ou ocupante a qualquer título,
notificar a autoridade ou órgão do poder público competente quando tomar
conhecimento de qualquer violação descrita nesta lei.
Art. 35. São proibidos a utilização, a perseguição, o aprisionamento, a
manutenção, a caça, o abate, a pesca, a apanha, a captura, a coleta, a
exposição, o transporte e o comércio de animais da fauna silvestre brasileira,
sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou
em desacordo com a obtida.
Art. 36. É proibido modificar, danificar ou destruir ninho, abrigo ou
criadouro natural, bem como realizar qualquer atividade que venha a impedir a
reprodução de animais da fauna silvestre brasileira, sem a devida permissão,
licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a
obtida, inclusive em propriedade particular.
Art. 37. É proibido vender, expor à venda, exportar ou adquirir, guardar,
ter em cativeiro ou depósito, utilizar ou transportar animais da fauna silvestre
brasileira, seus produtos e subprodutos, sem a devida permissão, licença ou
autorização da autoridade competente.
Art. 38. O abate de espécimes da fauna silvestre é proibido.
a) com visgos, atiradeiras, fundas, bodoques, veneno, incêndio ou
armadilhas que maltratem o animal;
b) com armas a bala, a menos de três quilômetros de qualquer via
férrea ou rodovia pública;
c) com armas de calibre .22 para animais de porte superior à lebre
européia (Lepus capensis);
d) com armadilhas constituídas de armas de fogo;
e) nas zonas urbanas, suburbanas e povoados;
f) na faixa de quinhentos metros de cada lado do eixo das vias férreas
e rodovias públicas;
g) nas unidades de conservação de proteção integral, exceto para o
controle de espécies em condições de superpopulação;
h) nos jardins zoológicos, nos parques e jardins públicos;
i) em condições não previstas no plano de manejo;
j) à noite, exceto em casos especiais e no caso de animais nocivos;
l) do interior de veículos de qualquer espécie.
Art. 39. A apuração das infrações administrativas far-se-á na forma do
art. 70 e seguintes da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998.

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Art. 40. Não se considera infração o abate de animais da fauna


silvestre para fins de subsistência.
Parágrafo único. Para os efeitos do caput, considera-se abate de
subsistência a utilização da fauna silvestre como alimento, por pessoas em
estado de necessidade, com finalidade de prover o seu próprio sustento ou de
sua família.
Art. 41. O atendimento clínico ou cirúrgico de espécimes da fauna
silvestre brasileira por médicos veterinários não constitui crime ou infração
contra a fauna.

CAPÍTULO X

DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 42. O art. 5º da Lei nº 7.797, de 1989, que “cria o Fundo Nacional
do Meio Ambiente e dá outras providências”, passa a vigorar acrescido do
seguinte inciso VIII:
“Art. 5° ...........................................................................
........................................................................................
VIII – Proteção da fauna silvestre brasileira”.
Art. 43. Revoga-se a Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967 e o § 5º do
art. 29 da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998.
Art. 44. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICATIVA

A Lei Federal nº 5.197/67, a qual rege, dentre outros, especificações


para o tratamento e conservação da fauna brasileira em seu artigo 1º,
parágrafo 1º, possui a seguinte redação:
“Art. 1º Os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu
desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a
fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são
propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição,
destruição, caça ou apanha.

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§ 1º Se peculiaridades regionais comportarem o exercício da caça, a


permissão será estabelecida em ato regulamentador do Poder Público
Federal”.
A previsão estabelece que o Poder Público Federal, no âmbito de sua
competência, possa prever e regulamentar o manejo, controle e o exercício de
caça, esta ultima enquanto atividade, que pode ser definida como a prática de
perseguir animais, geralmente selvagens, mas também assilvestrados, para
fins alimentares, para entretenimento, defesa de bens, populações e atividades
agrícolas ou com fins comerciais. A finalidade (e não a motivação, vale
observar) é um fator constitutivo do conceito de caça. Exemplo disso é o termo
em inglês, hunting, que se refere à caça praticada enquanto atividade legal, e o
termo poaching que designa a caça furtiva, que é uma atividade ilegal. Há
casos em que a introdução de animais exóticos para fins de produção perde o
controle e esses animais, restituídos ao ambiente, oferecem risco ao
ecossistema que os acolheu, oferecendo um objeto de caça para controle e
defesa da fauna nativa, como é o caso do javali-europeu, que é uma espécie
exótica invasora, que está liberada pelo Ibama para caça em todo o Brasil
como meio de controle de sua população, conforme Instrução Normativa nº 3
de 31 de janeiro de 2013.
No ambiente rural, a proximidade com os animais silvestres e o
eventual risco dessa proximidade, com acidentes e ataques desses animais,
tanto aos humanos como a suas propriedades e rebanhos, faz com que a caça
seja vista como uma prática regular, nestes casos sem finalidade de
entretenimento e de esporte, mas como prática de relação com o ambiente, a
qual, com o passar do tempo, pode se organizar como uma atividade de cunho
cultural, como uma prática social e mesmo como atividade geradora de ganho
social e econômica para as populações do meio rural.
Por fim vale citar que de acordo com os órgãos internacionais as
espécies animais nativas ou exóticas que formem populações fora de seu
sistema de ocorrência natural ou que exceda o tamanho populacional
desejável, interferindo negativamente no desenvolvimento de culturas,
ameacem ecossistemas, hábitats ou espécie devem ser manejadas. Estas
espécies, por suas vantagens competitivas e favorecidas pela ausência de
inimigos naturais têm capacidade de se proliferar e invadir ecossistemas, sejam
eles naturais ou antropizados.
Estas espécies apresentam uma das maiores ameaças ao meio
ambiente, com enormes prejuízos à economia, à biodiversidade e aos
ecossistemas naturais, além dos riscos à saúde humana. São consideradas a
segunda maior causa de perda de biodiversidade e de culturas agrícolas. Os
custos da prevenção, controle e erradicação de espécies exóticas invasoras
indicam que os danos para o meio ambiente e para a economia são
extremamente significativos. Neste contexto, levantamentos realizados nos

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Estados Unidos da América, Reino Unido, Austrália, África do Sul, Índia e Brasil
atestam que as perdas econômicas anuais decorrentes das invasões biológicas
nas culturas, pastagens e nas áreas de florestas ultrapassa os 336 bilhões de
dólares (2011).
Tendo em vista a complexidade dessa temática, muitas espécies
animais presentes no território brasileiro envolvem uma agenda bastante ampla
e desafiadora, com ações multidisciplinares e interinstitucionais. Ações de
prevenção, erradicação, controle e monitoramento são fundamentais e exigem
o envolvimento e a convergência de esforços dos diferentes órgãos
governamentais envolvidos no tema, além do setor empresarial e das
organizações não-governamentais.
O presente PL estabelece que o Poder Público Federal, no âmbito de
sua competência, possa prever e regulamentar o manejo, controle e o exercício
de caça conforme consta a seguir.

Sala das Sessões, em de de 2016.

Deputado VALDIR COLATTO

LEGISLAÇÃO CITADA ANEXADA PELA


Coordenação de Organização da Informação Legislativa - CELEG
Serviço de Tratamento da Informação Legislativa - SETIL
Seção de Legislação Citada - SELEC

LEI Nº 7.173, DE 14 DE DEZEMBRO DE 1983

Dispõe sobre o estabelecimento e


funcionamento de jardins zoológicos, e dá
outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte
Lei:

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Art. 1º Para os efeitos desta lei, considera-se jardim zoológico qualquer coleção
de animais silvestres mantidos vivos em cativeiro ou em semi-liberdade e expostos à visitação
pública.

Art. 2º Para atender a finalidades sócio-culturais e objetivos científicos, o Poder


Público Federal poderá manter ou autorizar a instalação e o funcionamento de jardins
zoológicos.
§ 1º Os Governos dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão
instalar e manter jardins zoológicos, desde que seja cumprido o que nesta lei se dispõe.
§ 2º Excepcionalmente, e uma vez cumpridas as exigências estabelecidas nesta lei
e em regulamentações complementares, poderão funcionar jardins zoológicos pertencentes a
pessoas jurídicas ou físicas.
.......................................................................................................................................................
.......................................................................................................................................................

LEI Nº 9.605, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998

Dispõe sobre as sanções penais e


administrativas derivadas de condutas e
atividades lesivas ao meio ambiente, e dá
outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
.......................................................................................................................................................

CAPÍTULO V
DOS CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTE

Seção I
Dos Crimes contra a Fauna

Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre,
nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade
competente, ou em desacordo com a obtida:
Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas:
I - quem impede a procriação da fauna, sem licença, autorização ou em desacordo
com a obtida;
II - quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural;
III - quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro ou
depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa ou em rota
migratória, bem como produtos e objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não
autorizados ou sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente.
§ 2º No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada ameaçada
de extinção, pode o juiz, considerando as circunstâncias, deixar de aplicar a pena.

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§ 3° São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies


nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de
seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou águas jurisdicionais
brasileiras.
§ 4º A pena é aumentada de metade, se o crime é praticado:
I - contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção, ainda que somente
no local da infração;
II - em período proibido à caça;
III - durante a noite;
IV - com abuso de licença;
V - em unidade de conservação;
VI - com emprego de métodos ou instrumentos capazes de provocar destruição em
massa.
§ 5º A pena é aumentada até o triplo, se o crime decorre do exercício de caça
profissional.
§ 6º As disposições deste artigo não se aplicam aos atos de pesca.

Art. 30. Exportar para o exterior peles e couros de anfíbios e répteis em bruto, sem
a autorização da autoridade ambiental competente:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
.......................................................................................................................................................

CAPÍTULO VI
DA INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA

Art. 70. Considera-se infração administrativa ambiental toda ação ou omissão que
viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente.
§ 1º São autoridades competentes para lavrar auto de infração ambiental e
instaurar processo administrativo os funcionários de órgãos ambientais integrantes do Sistema
Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA, designados para as atividades de fiscalização, bem
como os agentes das Capitanias dos Portos, do Ministério da Marinha.
§ 2º Qualquer pessoa, constatando infração ambiental, poderá dirigir
representação às autoridades relacionadas no parágrafo anterior, para efeito do exercício do
seu poder de polícia.
§ 3º A autoridade ambiental que tiver conhecimento de infração ambiental é
obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante processo administrativo próprio, sob
pena de co-responsabilidade.
§ 4º As infrações ambientais são apuradas em processo administrativo próprio,
assegurado o direito de ampla defesa e o contraditório, observadas as disposições desta Lei.

Art. 71. O processo administrativo para apuração de infração ambiental deve


observar os seguintes prazos máximos:
I - vinte dias para o infrator oferecer defesa ou impugnação contra o auto de
infração, contados da data da ciência da autuação;
II - trinta dias para a autoridade competente julgar o auto de infração, contados da
data da sua lavratura, apresentada ou não a defesa ou impugnação;
III - vinte dias para o infrator recorrer da decisão condenatória à instância superior
do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, ou à Diretoria de Portos e Costas, do
Ministério da Marinha, de acordo com o tipo de autuação;

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IV - cinco dias para o pagamento de multa, contados da data do recebimento da


notificação.
.......................................................................................................................................................
.......................................................................................................................................................

LEI Nº 7.797, DE 10 DE JULHO DE 1989

Cria o Fundo Nacional de Meio Ambiente e dá


outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Fica instituído o Fundo Nacional de Meio Ambiente, com o objetivo de


desenvolver os projetos que visem ao uso racional e sustentável de recursos naturais,
incluindo a manutenção, melhoria ou recuperação da qualidade ambiental no sentido de elevar
a qualidade de vida da população brasileira.

Art. 2º Constituirão recursos do Fundo Nacional de Meio Ambiente de que trata o


art. 1º desta Lei:
I - dotações orçamentárias da União;
II - recursos resultantes de doações, contribuições em dinheiro, valores, bens
móveis e imóveis, que venha a receber de pessoas físicas e jurídicas;
III - rendimentos de qualquer natureza, que venha a auferir como remuneração
decorrente de aplicações do seu patrimônio;
IV - outros, destinados por lei.
Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 8.134 de 27/12/1990)

Art. 3º Os recursos do Fundo Nacional de Meio Ambiente deverão ser aplicados


através de órgãos públicos dos níveis federal, estadual e municipal ou de entidades privadas
cujos objetivos estejam em consonância com os objetivos do Fundo Nacional de Meio
Ambiente, desde que não possuam, as referidas entidades, fins lucrativos.

Art. 4º O Fundo Nacional do Meio Ambiente é administrado pela Secretaria do


Meio Ambiente da Presidência da República, de acordo com as diretrizes fixadas pelo
Conselho de Governo, sem prejuízo das competências do CONAMA. (Artigo com redação
dada pela Lei nº 8.028 de 12/4/1990)

Art. 5º Serão consideradas prioritárias as aplicações de recursos financeiros de


que trata esta Lei, em projetos nas seguintes áreas:
I - Unidade de Conservação;
II - Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico;
III - Educação Ambiental;
IV - Manejo e Extensão Florestal;
V - Desenvolvimento Institucional;
VI - Controle Ambiental;

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VII - Aproveitamento Econômico Racional e Sustentável da Flora e Fauna


Nativas.
§ 1º Os programas serão periodicamente revistos, de acordo com os princípios e
diretrizes da política nacional de meio ambiente, devendo ser anualmente submetidos ao
Congresso Nacional.
§ 2º Sem prejuízo das ações em âmbito nacional, será dada prioridade aos projetos
que tenham sua área de atuação na Amazônia Legal ou no Pantanal Mato-Grossense.
(Parágrafo com redação dada pela Lei nº 13.156, de 4/8/2015)

Art. 6º Dentro de 90 (noventa) dias, a contar da data da publicação desta Lei, a


Secretaria de Planejamento e Coordenação da Presidência da República - SEPLAN/PR e o
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA
regulamentarão o Fundo Nacional de Meio Ambiente, fixando as normas para a obtenção e
distribuição de recursos, assim como as diretrizes e os critérios para sua aplicação .

Art. 7º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 8º Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 10 de julho de 1989; 168º da Independência e 101º da República.

JOSÉ SARNEY
Mailson Ferreira da Nóbrega
João Alves Filho
João Batista de Abreu
Rubens Bayma Denys

LEI Nº 5.197, DE 03 DE JANEIRO DE 1967

Dispõe sobre a proteção à fauna e dá outras


providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA:
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu


desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre,
bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são propriedades do Estado, sendo
proibida a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha.
§ 1º Se peculiaridades regionais comportarem o exercício da caça, a permissão
será estabelecida em ato regulamentador do Poder Público Federal.
§ 2º A utilização, perseguição, caça ou apanha de espécies da fauna silvestre em
terras de domínio privado, mesmo quando permitidas na forma do parágrafo anterior, poderão
ser igualmente proibidas pelos respectivos proprietários, assumindo estes a responsabilidade
da fiscalização de seus domínios. Nestas áreas, para a prática do ato de caça é necessário o
consentimento expresso ou tácito dos proprietários, nos termos dos arts. 594, 595, 596, 597 e
598 do Código Civil.
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Art. 2º É proibido o exercício da caça profissional.


.......................................................................................................................................................
.......................................................................................................................................................

INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS


RENOVÁVEIS

INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 03/2013, DE 31 DE JANEIRO DE 2013

(Publicado no D.O.U. de 1 de fevereiro de


2013, seção I, pág. 88-89)
Decreta a nocividade do Javali e dispõe sobre
o seu manejo e controle.

O PRESIDENTE DO INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E


DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS, no uso das atribuições que lhe confere o
item V, Art. 22 do Anexo I do Decreto nº 6.099, de 26 de abril de 2007, que aprova a
Estrutura Regimental do IBAMA, publicado no Diário Oficial da União, de 27 de abril de
2007, e Considerando que os javalis-europeus (Sus scrofa), em todas as suas formas,
linhagens, raças e diferentes graus de cruzamento com o porco doméstico, são animais
exóticos invasores e nocivos às espécies silvestres nativas, aos seres humanos, ao meio
ambiente, à agricultura, à pecuária e à saúde pública;
Considerando os registros de ataques de javalis aos seres humanos no Brasil;
Considerando os registros de ataques de javalis aos animais silvestres nativos e
animais domésticos;
Considerando, ainda, a variedade de doenças transmissíveis pelos javalis aos seres
humanos, animais domésticos e silvestres nativos;
Considerando o disposto no Art. 5º, Art. 6º e Art. 225, § 1º, Inciso I, da
Constituição Brasileira;
Considerando o disposto no Art. 7º, Incisos XVII e XVIII da Lei Complementar
nº 140, de 8 de dezembro de 2011;
Considerando o disposto no Art. 1º, § 1º, Art. 3º, § 2º e no Art. 10 da Lei nº 5.197,
de 03 de janeiro de 1967;
Considerando o disposto no Art. 2º, Incisos I e II da Lei nº 7.735, de 22 de
fevereiro de 1989;
Considerando o disposto no Art. 29 e Art. 37, Inciso II e IV, da Lei nº 9.605, de
12 de fevereiro de 1998;
Considerando as punições previstas para o crime de difusão de doença ou praga
que possa causar dano a floresta, plantação ou animais de utilidade econômica, conforme
disposto pelo Art. 259 do Decreto-Lei Nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940;
Considerando o disposto no preâmbulo e no item "h" do Artigo 8 da Convenção
sobre Diversidade Biológica, promulgada pelo Decreto nº 2.519, de 16 de março de 1998;
Considerando o objetivo específico 11.1.13 da Política Nacional de
Biodiversidade cujos princípios e diretrizes foram instituídos pelo Decreto nº 4.339, de 22 de
agosto de 2002;

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Considerando o disposto no Art. 2º, Incisos VIII e XVIII do anexo I do Decreto nº


6.099, de 26 de abril de 2007;
Considerando o objetivo e as diretrizes gerais da Resolução CONABIO nº 05, de
21 de outubro de 2009;
Considerando o disposto no Art. 20, § 1º e § 2º e Art. 21, parágrafo único, da
Portaria IBAMA nº102/1998, de 15 de julho de 1998;
Considerando as definições de fauna exótica invasora e fauna sinantrópica nociva
da Instrução Normativa Ibama nº 141/2006;
Considerando os documentos existentes no processo nº 02059.000116/2008-64 e,
em especial, o Parecer/AGU/PGF/IBAMA/PROGE nº 69/2006 e o Despacho nº 107/2006-
PROGE/COEPA do IBAMA Sede; resolve:

Art. 1º. Declarar a nocividade da espécie exótica invasora javali-europeu, de nome


científico Sus scrofa, em todas as suas formas, linhagens, raças e diferentes graus de
cruzamento com o porco doméstico, doravante denominados "javalis".
Parágrafo único. Esta Instrução Normativa não se aplica à população de porcos
ferais do Pantanal (Sus scrofa) conhecidos como porco-monteiro ou porco-do-pantanal.

Art. 2º Autorizar o controle populacional do javali vivendo em liberdade em todo


o território nacional.
§ 1º - Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, considera-se controle do
javali a perseguição, o abate, a captura e marcação de espécimes seguidas de soltura para
rastreamento, a captura seguida de eliminação e a eliminação direta de espécimes.
§ 2º - O controle do javali será realizado por meios físicos, observado o art. 10 da
Lei nº 5.197, de 03 de janeiro de 1967, e demais diplomas normativos que regulem a matéria.
§ 3º - O emprego de armadilhas, substâncias químicas (salvo o uso de anestésicos)
e a realização de soltura de animais para rastreamento com finalidade de controle somente
serão permitidos mediante autorização de manejo de espécies exóticas invasoras que deverá
ser solicitada no sítio eletrônico do Ibama na seção "Serviços".
§ 4º - É vedado o uso de produtos cuja composição ou método de aplicação sejam
capazes de afetar animais que não sejam alvo do controle.
§ 5º - Somente será permitido o uso de armadilhas que capturem e mantenham o
animal vivo, sendo proibidas aquelas capazes de matar ou ferir, como, por exemplo, laços e
dispositivos que envolvam o acionamento de armas de fogo.
§ 6º - A aquisição, transporte e uso de equipamentos e produtos para o controle
dos javalis serão de responsabilidade do interessado, observadas as previsões da autoridade
competente quanto ao seu emprego e destinação de embalagens e resíduos.
§ 7º - A aquisição, o transporte e o uso de armas de fogo para o controle de javalis
deverão obedecer as normas que regulamentam o assunto.
§ 8º - O controle de javalis não será permitido nas propriedades particulares sem o
consentimento dos titulares ou detentores dos direitos de uso da propriedade.
§ 9º - O controle de javalis dentro de Unidades de Conservação Federais,
Estaduais e Municipais deverá ser feito mediante anuência do gestor da Unidade.

Art. 3º O controle dos javalis vivendo em liberdade poderá ser realizado por
pessoas físicas ou jurídicas, conforme previsto nesta Instrução Normativa.
§ 1º - Todas as pessoas físicas e jurídicas que realizarem o controle de javalis
deverão estar previamente inscritas no Cadastro Técnico Federal (CTF) de atividades
potencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos recursos ambientais do IBAMA no código

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20-28, na categoria "Uso de Recursos Naturais", descrição "manejo de fauna exótica


invasora".
§ 2° - Para fins de fiscalização, todas as pessoas físicas e jurídicas que realizarem
o controle de javalis deverão portar cópia do Certificado de Regularidade no Cadastro
Técnico Federal durante as atividades.
§ 3° - As pessoas físicas e jurídicas que prestarem serviços de controle de javalis
para terceiros deverão informar as atividades previamente por meio da Declaração de manejo
de espécies exóticas invasoras, disponível no sítio eletrônico do Ibama na seção "Serviços".
§ 4º - Para fins de fiscalização, os prestadores de serviço que realizarem o controle
de javalis deverão portar cópia da declaração de atividades, prevista no parágrafo anterior, sob
pena de responsabilização.

Art. 4º O controle de javalis vivendo em vida livre será realizado sem limite de
quantidade e em qualquer época do ano.

Art. 5º Todos os produtos e subprodutos obtidos por meio do abate de javalis


vivendo em liberdade não poderão ser distribuídos ou comercializados.

Art. 6º Os javalis capturados durante as ações de controle deverão ser abatidos no


local da captura, sendo proibido o transporte de animais vivos.
§ 1º - Os animais capturados somente poderão ser soltos para uso de técnicas que
visem aumento da eficiência do controle, como o rastreamento por radiotelemetria, e
mediante autorização solicitada no sítio eletrônico do Ibama na seção "Serviços".
§ 2º - Em casos excepcionais, o transporte de animais vivos será permitido
mediante autorização da autoridade competente.
§ 3º - O transporte de animais abatidos deverá atender à legislação vigente.

Art. 7º As pessoas físicas e jurídicas que realizarem o controle do javali deverão


encaminhar relatórios trimestralmente por meio do Relatório de manejo de espécies exóticas
invasoras disponível no sítio eletrônico do Ibama na seção "Serviços".
Parágrafo único. O descumprimento do disposto no caput deste artigo será
impeditivo para emissão do Certificado de Regularidade no Cadastro Técnico Federal.

Art. 8º A instalação, registro e funcionamento de toda e qualquer modalidade de


novos criadouros de javalis no Brasil estão suspensos por tempo indeterminado.
Parágrafo único. Em casos excepcionais, poderão ser autorizadas criações
científicas exclusivamente com finalidades de pesquisas relacionadas às áreas de saúde e meio
ambiente.

Art. 9º Enquanto não for implementado o sistema eletrônico de informação para


controle de espécies exóticas invasoras (SISEEI) as solicitações de autorizações, as
declarações e os relatórios devem ser encaminhados às Unidades do IBAMA nos Estados.

Art. 10 O IBAMA constituirá, no prazo de 30 dias após a publicação desta


Instrução Normativa, um comitê permanente interinstitucional de manejo e monitoramento
das populações de javalis em território nacional, composto por representantes da Diretoria de
Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas - DBFLO e das Unidades descentralizadas do
IBAMA, para o acompanhamento das ações e revisão do plano de ação para o controle do
javali no Brasil.

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Parágrafo único. Serão convidados para compor o comitê permanente


representantes de instituições de pesquisa de notório saber e demais instituições pertinentes,
em especial, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA e a Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa.

Art. 11 Os infratores à presente Instrução Normativa serão responsabilizados de


acordo com a legislação vigente.

Art. 12 Os casos omissos serão resolvidos pela Presidência do Ibama.

Art. 13 Revogam-se a Instrução Normativa nº 08, de 17 de outubro de 2010, e as


demais disposições em contrário.

Art. 14 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.

VOLNEY ZANARDI JÚNIOR

FIM DO DOCUMENTO

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