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LÍNGUA PORTUGUESA

FONOLOGIA
• Trissílaba: 3 sílabas.
1 FONOLOGIA Por exemplo: palhaço (pa-lha-ço).
Para escrever corretamente, dentro das normas aplicadas pela gra- • Polissílaba: 4 ou mais sílabas.
mática, é preciso estudar o menor elemento sonoro de uma palavra: o Por exemplo: dignidade (dig-ni-da-de,), particularmente
fonema. A fonologia, então, é o estudo feito dos fonemas. (par-ti-cu-lar-men-te).
Os fonemas podem ser classificados em vogais, semivogais e Pela tonicidade, ou seja, pela força com que a sílaba é falada e sua
consoantes. Esta qualificação ocorre de acordo com a forma como posição na palavra:
o ar passa pela boca e/ou nariz e como as cordas vocais vibram para • Oxítona: a última sílaba é a tônica.
produzir o som deles. • Paroxítona: a penúltima sílaba é a tônica.
Cuidado para não confundir fonema com letra! A letra é a repre- • Proparoxítona: a antepenúltima sílaba é a tônica.
sentação gráfica do fonema. Uma palavra pode ter quantidades dife-
A identificação da posição da sílaba tônica de uma palavra é feita
rentes de letras e fonemas.
de trás para frente. Desta forma, uma palavra oxítona possui como
Por exemplo: sílaba tônica a sílaba final da palavra.
Manhã: 5 letras Para realizar uma correta divisão silábica, é preciso ficar atento
m/ /a/ /nh/ /ã/: 4 fonemas às regras.
• Vogais: existem vogais nasais, quando ocorre o movimento do • Não separe ditongos e tritongos.
ar saindo pela boca e pelo nariz. Tais vogais acompanham as Por exemplo: sau-da-de, sa-guão.
letras m e n, ou também podem estar marcadas pelo til (~). No • Não separe os dígrafos CH, LH, NH, GU, QU.
caso das vogais orais, o som passa apenas pela boca.
Por exemplo: ca-cho, a-be-lha, ga-li-nha, Gui-lher-me,
Por exemplo: que-ri-do.
Mãe, lindo, tromba → vogais nasais • Não separe encontros consonantais que iniciam sílaba.
Flor, calor, festa → vogais orais Por exemplo: psi-có-lo-go, a-glu-ti-nar.
• Semivogais: os fonemas /i/ e /u/ acompanhados por uma vogal • Separe as vogais que formam um hiato.
na mesma sílaba da palavra constituem as semivogais. O som Por exemplo: pa-ra-í-so, sa-ú-de.
das semivogais é mais fraco do que o das vogais. • Separe os dígrafos RR, SS, SC, SÇ, XC.
Por exemplo: automóvel, história. Por exemplo: bar-ri-ga, as-sa-do, pis-ci-na, cres-ço,
• Consoantes: quando o ar que sai pela boca sofre uma quebra ex-ce-der.
formada por uma barreira como a língua, os lábios ou os dentes. • Separe as consoantes que estejam em sílabas diferentes.
São elas: b, c, d, f, g, j, k, l, lh, m, n, nh, p, rr, r, s, t, v, ch, z. Por exemplo: ad-jun-to, subs-tan-ti-vo, prag-má-ti-co.
Lembre-se de que estamos tratando de fonemas, e não de letras.
Por isso, os dígrafos também são citados como consoantes: os dígrafos
são os encontros de duas consoantes, também chamados de encontros
consonantais.
O encontro de dois sons vocálicos, ou seja, vogais ou semivogais,
chama-se encontro vocálico. Eles são divididos em: ditongo, tritongo
e hiato.
• Ditongo: na mesma sílaba, estão uma vogal e uma semivogal.
Por exemplo: pai (A → vogal, I → semivogal).
• Tritongo: na mesma sílaba, estão juntas uma semivogal, uma
vogal e outra semivogal.
Por exemplo: Uruguai (U → semivogal, A → vogal, I
→ semivogal).
• Hiato: são duas vogais juntas na mesma palavra, mas em sílabas
diferentes.
Por exemplo: juíza (ju-í-za).

1.1 Partição silábica


Quando um fonema é falado em uma só expiração, ou seja, em
uma única saída de ar, ele recebe o nome de sílaba. As palavras podem
ser classificadas de diferentes formas, de acordo com a quantidade de
sílabas ou quanto à sílaba tônica.
Pela quantidade de sílabas, as palavras podem ser:
• Monossílaba: 1 sílaba.
Por exemplo: céu (monossílaba).
• Dissílaba: 2 sílabas.
Por exemplo: jovem (jo-vem).

20
LÍNGUA PORTUGUESA
L
2 ACENTUAÇÃO GRÁFICA 2.3.5 Acentuação dos hiatos P
Acentuam-se os hiatos quando forem formados pelas letras I ou O
Antes de começar o estudo, é importante que você entenda quais R
U, sozinhas ou seguidas de S:
são os padrões de tonicidade da Língua Portuguesa e quais são os
encontros vocálicos presentes na Língua. Assim, fica mais fácil enten- • Por exemplo: saúva, baú, balaústre, país.
der quais são as regras e como elas surgem. Exceções:
• Seguidas de NH: tainha.
2.1 Padrões de tonicidade • Paroxítonas antecedidas de ditongo: feiura.
• Palavras oxítonas: última sílaba tônica (so-fá, ca-fé, ji-ló). • Com o I duplicado: xiita.
• Palavras paroxítonas: penúltima sílaba tônica (fer-ru-gem,
a-du-bo, sa-ú-de). 2.3.6 Ditongos abertos
• Palavras proparoxítonas: antepenúltima sílaba tônica (â-ni-mo, Serão acentuados os ditongos abertos ÉU, ÉI e ÓI, com ou sem
ví-ti-ma, ó-ti-mo). S, quando forem oxítonos ou monossílabos.
• Por exemplo: chapéu, réu, tonéis, herói, pastéis, hotéis, lençóis
2.2 Encontros vocálicos etc.
• Hiato: encontro vocálico que se separa (pi-a-no, sa-ú-de). Com a reforma ortográfica, caiu o acento do ditongo aberto em
• Ditongo: encontro vocálico que permanece unido na sílaba posição de paroxítona.
(cha-péu, to-néis). • Por exemplo: ideia, onomatopeia, jiboia, paranoia, heroico etc.
• Tritongo: encontro vocálico que permanece unido na sílaba
(sa-guão, U-ru-guai). 2.3.7 Formas verbais com hífen
Para saber se há acento em uma forma verbal com hífen, deve-se
2.3 Regras gerais analisar o padrão de tonicidade de cada bloco da palavra:
• Ajudá-lo (oxítona terminada em “a” → monossílabo átono).
2.3.1 Quanto às proparoxítonas
• Contar-lhe (oxítona terminada em “r” → monossílabo átono).
Acentuam-se todas as palavras proparoxítonas:
• Convidá-la-íamos (oxítona terminada em “a” → proparoxítona).
• Por exemplo: ví-ti-ma, â-ni-mo, hi-per-bó-li-co.

2.3.2 Quanto às paroxítonas 2.3.8 Verbos “ter” e “vir”


Quando escritos na 3ª pessoa do singular, não serão acentuados:
Não se acentuam as paroxítonas terminadas em A, E, O (seguidas
ou não de S) M e ENS. • Ele tem/vem.
• Por exemplo: castelo, granada, panela, pepino, pajem, imagens Quando escritos na 3ª pessoa do plural, receberão o acento
etc. circunflexo:
Acentuam-se as terminadas em R, N, L, X, I ou IS, US, UM, • Eles têm/vêm.
UNS, PS, Ã ou ÃS e ditongos. Nos verbos derivados das formas apresentadas anteriormente:
Por exemplo: sustentável, tórax, hífen, táxi, álbum, bíceps, prin- • Acento agudo para singular: contém, convém.
cípio etc. • Acento circunflexo para o plural: contêm, convêm.
Fique de olho em alguns casos particulares, como as palavras ter-
minadas em OM, ON, ONS. 2.3.9 Acentos diferenciais
• Por exemplo: iândom; próton, nêutrons etc. Alguns permanecem:
Com a reforma ortográfica, deixam de se acentuar as paroxítonas • Pôde/pode (pretérito perfeito/presente simples).
com OO e EE: • Pôr/por (verbo/preposição).
• Por exemplo: voo, enjoo, perdoo, magoo, leem, veem, deem, • Fôrma/forma (substantivo/verbo ou ainda substantivo).
creem etc. Caiu o acento diferencial de:
• Para/pára (preposição/verbo).
2.3.3 Quanto às oxítonas
• Pelo/pêlo (preposição + artigo/substantivo).
São acentuadas as terminadas em:
• Polo/pólo (preposição + artigo/substantivo).
• A ou AS: sofá, Pará.
• Pera/pêra (preposição + artigo/substantivo).
• E ou ES: rapé, café.
• O ou OS: avô, cipó.
• EM ou ENS: também, parabéns.

2.3.4 Acentuação de monossílabos


Acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em A, E O,
seguidos ou não de S.
• Por exemplo: pá, pó, pé, já, lá, fé, só.

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ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA

3 ACORDO ORTOGRÁFICO DA 3.2.3 Hiatos EE e OO


LÍNGUA PORTUGUESA Não se usa mais acento em palavras terminadas em EEM e OO(S).
• Abençoo, creem, deem, doo, enjoo, leem, magoo, perdoo,
O Acordo Ortográfico busca simplificar as regras ortográficas da
povoo, veem, voos, zoo.
Língua Portuguesa e unificar a nossa escrita e a das demais nações
de língua portuguesa: Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, 3.2.4 Acento diferencial
Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para,
Sua implementação no Brasil passou por algumas etapas: péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera. Por exemplo:
• 2009: vigência ainda não obrigatória. Ele para o carro.
• 2010-2015: adaptação completa às novas regras. Ele foi ao polo Norte.
• A partir de 1º de janeiro de 2016: emprego obrigatório. O Ele gosta de jogar polo.
acordo ortográfico passa a ser o único formato da língua reco- Esse gato tem pelos brancos.
nhecido no Brasil. Comi uma pera.
Entre as mudanças na língua portuguesa decorrentes da reforma Obs.:
ortográfica, podemos citar o fim do trema, alterações na forma de
• Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma
acentuar palavras com ditongos abertos e que sejam hiatos, supressão
do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na
dos acentos diferenciais e dos acentos tônicos, novas regras para o
3ª pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo,
emprego do hífen e inclusão das letras w, k e y ao idioma.
na 3ª pessoa do singular.
3.1 Trema • Por exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas
hoje ele pode.
Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para
indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui. • Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por
é preposição.
• Por exemplo: aguentar, bilíngue, cinquenta, delinquente, elo-
quente, ensanguentado, frequente, linguiça, quinquênio, sequên- • Por exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita
cia, sequestro, tranquilo etc. por mim.
Obs.: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em • Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural
suas derivadas. Exemplos: Müller, mülleriano. dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter,
reter, conter, convir, intervir, advir etc.). Por exemplo:
3.2 Regras de acentuação Ele tem dois carros. Eles têm dois carros.
Ele vem de Sorocaba. Eles vêm de Sorocaba.
3.2.1 Ditongos abertos em paroxítonas Ele mantém a palavra. Eles mantêm a palavra.
Não se usa mais o acento dos ditongos abertos EI e OI das pala- Ele convém aos estudantes. Eles convêm aos estudantes.
vras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba). Ele detém o poder. Eles detêm o poder.
• Por exemplo: alcateia, androide, apoia, apoio (verbo), asteroide, Ele intervém em todas as aulas. Eles intervêm em todas
boia, celuloide, claraboia, colmeia, Coreia, debiloide, epopeia, as aulas.
estoico, estreia, geleia, heroico, ideia, jiboia, joia, odisseia, para- • É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as
noia, paranoico, plateia, tramoia etc. palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a
Obs.: a regra vale somente para palavras paroxítonas. Assim, con- frase mais clara. Por exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?
tinuam a ser acentuadas as palavras oxítonas e os monossílabos tônicos
terminados em ÉI(S), ÓI(S).
3.2.5 Acento agudo no U tônico
Não se usa mais o acento agudo no U tônico das formas (tu) arguis,
• Por exemplo: papéis, herói, heróis, dói (verbo doer), sóis etc.
(ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir
A palavra ideia não leva mais acento, assim como heroico, mas o
e redarguir.
termo herói é acentuado.
3.3 Hífen com compostos
3.2.2 I e U tônicos depois de um ditongo
Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no I e no U 3.3.1 Palavras compostas sem
tônicos quando vierem depois de um ditongo. elementos de ligação
• Por exemplo: baiuca, bocaiuva (tipo de palmeira), cauila Usa-se o hífen nas palavras compostas que não apresentam ele-
(avarento). mentos de ligação.
Obs.: • Por exemplo: guarda-chuva, arco-íris, boa-fé, segunda-feira,
• Se a palavra for oxítona e o I ou o U estiverem em posição mesa-redonda, vaga-lume, joão-ninguém, porta-malas, porta-
final (ou seguidos de S), o acento permanece. Exemplos: tuiuiú, -bandeira, pão-duro, bate-boca etc.
tuiuiús, Piauí. Exceções: não se usa o hífen em certas palavras que perderam a
• Se o I ou o U forem precedidos de ditongo crescente, o acento noção de composição, como girassol, madressilva, mandachuva, pon-
permanece. Exemplos: guaíba, Guaíra. tapé, paraquedas, paraquedista, paraquedismo.

22
LÍNGUA PORTUGUESA
L
3.3.2 Compostos com palavras iguais 3.4.2 Casos particulares P
Usa-se o hífen em compostos que têm palavras iguais ou quase O
Prefixos SUB- e SOB- R
iguais, sem elementos de ligação.
Com os prefixos SUB- e SOB-, usa-se o hífen também diante de
• Por exemplo: reco-reco, blá-blá-blá, zum-zum, tico-tico, tique-
palavra iniciada por R.
-taque, cri-cri, glu-glu, rom-rom, pingue-pongue, zigue-zague,
esconde-esconde, pega-pega, corre-corre. • Por exemplo: sub-região, sub-reitor, sub-regional, sob-roda.

Prefixos CIRCUM- e PAN-


3.3.3 Compostos com elementos de ligação
Com os prefixos CIRCUM- e PAN-, usa-se o hífen diante de
Não se usa o hífen em compostos que apresentam elementos de
palavra iniciada por M, N e vogal.
ligação.
• Por exemplo: circum-murado, circum-navegação,
• Por exemplo: pé de moleque, pé de vento, pai de todos, dia a dia,
pan-americano.
fim de semana, cor de vinho, ponto e vírgula, camisa de força,
cara de pau, olho de sogra. Outros prefixos
Obs.: incluem-se nesse caso os compostos de base oracional. Usa-se o hífen com os prefixos EX-, SEM-, ALÉM-, AQUÉM-,
• Por exemplo: Maria vai com as outras, leva e traz, diz que diz RECÉM-, PÓS-, PRÉ-, PRÓ-, VICE-.
que, Deus me livre, Deus nos acuda, cor de burro quando foge, • Por exemplo: além-mar, além-túmulo, aquém-mar, ex-aluno,
bicho de sete cabeças, faz de conta. ex-diretor, ex-hospedeiro, pós-graduação, pré-história, pré-ves-
Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que- tibular, pró-europeu, recém-casado, recém-nascido, sem-terra,
-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa. vice-rei.

3.3.4 Topônimos Prefixo CO


Usa-se o hífen nas palavras compostas derivadas de topônimos O prefixo CO junta-se com o segundo elemento, mesmo quando
(nomes próprios de lugares), com ou sem elementos de ligação. Por este se inicia por O ou H. Neste último caso, corta-se o H. Se a palavra
exemplo: seguinte começar com R ou S, dobram-se essas letras.
• Belo Horizonte: belo-horizontino. • Por exemplo: coobrigação, coedição, coeducar, cofundador, coa-
bitação, coerdeiro, corréu, corresponsável, cosseno.
• Porto Alegre: porto-alegrense.
• Mato Grosso do Sul: mato-grossense-do-sul. Prefixos PRE- e RE-
• Rio Grande do Norte: rio-grandense-do-norte. Com os prefixos PRE- e RE-, não se usa o hífen, mesmo diante
• África do Sul: sul-africano. de palavras começadas por E.
• Por exemplo: preexistente, reescrever, reedição.
3.4 Uso do hífen com palavras
Prefixos AB-, OB- e AD-
formadas por prefixos
Na formação de palavras com AB-, OB- e AD-, usa-se o hífen
3.4.1 Casos gerais diante de palavra começada por B, D ou R.
• Por exemplo: ad-digital, ad-renal, ob-rogar, ab-rogar.
Antes de H
Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por H. 3.4.3 Outros casos do uso do hífen
• Por exemplo: anti-higiênico, anti-histórico, macro-história,
NÃO e QUASE
mini-hotel, proto-história, sobre-humano, super-homem,
ultra-humano. Não se usa o hífen na formação de palavras com não e quase.
• Por exemplo: (acordo de) não agressão, (isto é, um) quase delito.
Letras iguais
Usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma letra com que MAL
se inicia a outra palavra. Com mal, usa-se o hífen quando a palavra seguinte começar por
• Por exemplo: micro-ondas, anti-inflacionário, sub-bibliotecário, vogal, H ou L.
inter-regional. • Por exemplo: mal-entendido, mal-estar, mal-humorado,
mal-limpo.
Letras diferentes
Obs.: quando mal significa doença, usa-se o hífen se não houver
Não se usa o hífen se o prefixo terminar com letra diferente elemento de ligação.
daquela com que se inicia a outra palavra.
• Por exemplo: mal-francês.
• Por exemplo: aeroespacial agroindustrial autoescola, antiaéreo,
Se houver elemento de ligação, escreve-se sem o hífen.
intermunicipal, supersônico, superinteressante, semicírculo.
• Por exemplo: mal de Lázaro, mal de sete dias.
Obs.: se o prefixo terminar por vogal e a outra palavra começar
por R ou S, dobram-se essas letras. Tupi-guarani
• Por exemplo: minissaia, antirracismo, ultrassom, semirreta. Usa-se o hífen com sufixos de origem tupi-guarani que represen-
tam formas adjetivas: açu, guaçu, mirim:
• Por exemplo: capim-açu, amoré-guaçu, anajá-mirim.

23
ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA

‘Combinação ocasional
Usa-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadea-
mentos vocabulares.
• Por exemplo: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.

Hífen e translineação’
Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido
na linha seguinte.
• Por exemplo: O diretor foi receber os ex-
-alunos.

3.4.4 Síntese das principais regras do hífen


Síntese do hífen Exemplos
Letras diferentes Não use hífen Infraestrutura, extraoficial, supermercado

Anti-inflamatório, contra-argumento, inter-


Letras iguais Use hífen
racial, hiper-realista

Vogal + R ou S Não use hífen (duplique R ou S) Corréu, cosseno, minissaia, autorretrato

Bem Use hífen Bem-vindo, bem-humorado

3.4.5 Quadro resumo do emprego do hífen com prefixos


Prefixos Letra que inicia a palavra seguinte
H/VOGAL IDÊNTICA À QUE TERMINA O PREFIXO
Exemplos com H:
Ante-, anti-, contra-, entre-, extra-, ante-hipófise, anti-higiênico, anti-herói, contra-hospitalar, entre-hostil, extra-humano, infra-
infra-, intra-, sobre-, supra-, ultra- hepático, sobre-humano, supra-hepático, ultra-hiperbólico.
Exemplos com vogal idêntica:
anti-inflamatório, contra-ataque, infra-axilar, sobre-estimar, supra-auricular, ultra-aquecido.

B/R/D (Apenas com o prefixo “Ad”)


Ab-, ad-, ob-, sob-
Exemplos: ab-rogar (pôr em desuso), ad-rogar (adotar), ob-reptício (astucioso), sob-roda, ad-digital

H/M/N/VOGAL
Circum-, pan- Exemplos: circum-meridiano, circum-navegação, circum-oral, pan-americano, pan-mágico,
pan-negritude.

Ex- (no sentido de estado anterior), DIANTE DE QUALQUER PALAVRA


sota-, soto-, vice-, vizo- Exemplos: ex-namorada, sota-soberania (não total), soto-mestre (substituto), vice-reitor, vizo-rei.

H/R
Hiper-, inter-, super-
Exemplos: hiper-hidrose, hiper-raivoso, inter-humano, inter-racial, super-homem, super-resistente.

DIANTE DE QUALQUER PALAVRA


Pós-, pré-, pró- (tônicos e com Exemplos: pós-graduação, pré-escolar, pró-democracia.
significados próprios) Obs.: se os prefixos não forem autônomos, não haverá hífen. Exemplos: predeterminado,
pressupor, pospor, propor.

B /H/R
Exemplos: sub-bloco, sub-hepático,
Sub-
sub-humano, sub-região.
Obs.: “subumano” e “subepático” também são aceitas.

Pseudoprefixos (diferem-se dos


prefixos por apresentarem elevado
grau de independência e possuírem
H/VOGAL IDÊNTICA À QUE TERMINA O PREFIXO
uma significação mais ou menos
Exemplos com H: geo-histórico, mini-hospital, neo-helênico, proto-história, semi-hospitalar.
delimitada, presente à consciência
Exemplos com vogal idêntica:
dos falantes.)
arqui-inimigo, auto-observação, eletro-ótica, micro-ondas, micro-ônibus, neo-ortodoxia,
Aero-, agro-, arqui-, auto-, bio-, eletro-,
semi-interno, tele-educação.
geo-, hidro-, macro-, maxi-, mega,
micro-, mini-, multi-, neo-, pluri-,
proto-, pseudo-, retro-, semi-, tele-

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LÍNGUA PORTUGUESA
L
Não se utilizará o hífen:
P
• Em palavras iniciadas pelo prefixo CO-. O
• Por exemplo: Coadministrar, coautor, coexistência, R
cooptar, coerdeiro corresponsável, cosseno.
• Em palavras iniciadas pelos prefixos DES- ou IN- seguidos de
elementos sem o “h” inicial.
• Por exemplo: desarmonia, desumano, desumidificar,
inábil, inumano etc.
• Com a palavra não.
• Por exemplo: Não violência, não agressão, não
comparecimento.
• Em palavras que possuem os elementos BI, TRI, TETRA,
PENTA, HEXA etc.
• Por exemplo: bicampeão, bimensal, bimestral, bienal,
tridimensional, trimestral, triênio, tetracampeão, tetra-
plégico, pentacampeão, pentágono etc.
• Em relação ao prefixo HIDRO-, em alguns casos pode haver
duas formas de grafia.
• Por exemplo: hidroelétrica e hidrelétrica.
• No caso do elemento SOCIO, o hífen será utilizado apenas
quando houver função de substantivo (= de associado).
• Por exemplo: sócio-gerente / socioeconômico.

25
MATEMÁTICA
CONJUNTOS
Conjunto universo: em inúmeras situações é importante estabele-
1 CONJUNTOS cer o conjunto U ao qual pertencem os elementos de todos os conjuntos
considerados. Esse conjunto é chamado de conjunto universo. Assim:
1.1 Definição ▪ Quando se estuda as letras, o conjunto universo das letras é o
Os conjuntos numéricos são advindos da necessidade de contar ou alfabeto.
quantificar as coisas ou os objetos, adquirindo características próprias ▪ Quando se estuda a população humana, o conjunto universo é
que os diferem. Os componentes de um conjunto são chamados de ele- constituído de todos os seres humanos.
mentos. Costuma-se representar um conjunto nomeando os elementos Para descrever um conjunto A por meio de uma propriedade carac-
um a um, colocando-os entre chaves e separando-os por vírgula,o que terística p de seus elementos, deve-se mencionar, de modo explícito ou
chamamos de representação por extensão. Para nomear um conjunto, não, o conjunto universo U no qual se está trabalhando.
usa-se geralmente uma letra maiúscula. A = {x ∈ R | x>2}, onde U = R → forma explícita.
A = {1,2,3,4,5} → conjunto finito A = {x | x > 2} → forma implícita.

B = {1,2,3,4,5,…} → conjunto infinito 1.2 Subconjuntos


Ao montar o conjunto das vogais do alfabeto, os elementos serão Diz-se que B é um subconjunto de A se todos os elementos de B
a, e, i, o, u. pertencem a A.
A nomenclatura dos conjuntos é formada pelas letras maiúsculas
do alfabeto. A
.8
Conjunto dos estados da região Sul do Brasil:
.4
A = {Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul}. .1
B
-.1
1.1.1 Representação dos conjuntos
Os conjuntos podem ser representados em chaves ou em .8

diagramas.

Fique ligado Deve-se notar que A = {-1, 0, 1, 4, 8} e B = {-1, 8}, ou seja, todos
os elementos de B também são elementos do conjunto A.
Quando é dada uma característica dos elementos de um
conjunto, diz-se que ele está representado por compreensão. ▪ Os símbolos ⊂ (contido), ⊃ (contém), ⊄ (não está contido) e ⊅
A = {x | x é um múltiplo de dois maior que zero} (não contém) são utilizados para relacionar conjuntos.
Nesse caso, diz-se que B está contido em A ou B é subconjunto
▷ Representação em chaves de A (B ⊂ A). Pode-se dizer também que A contém B (A ⊃ B).
Conjunto dos estados brasileiros que fazem fronteira com o Observações:
Paraguai: ▪ Se A ⊂ B e B ⊂ A , então A = B.
B = {Paraná, Mato Grosso do Sul}.
▪ Para todo conjunto A, tem-se A ⊂ A.
▷ Representação em diagramas
▪ Para todo conjunto A, tem-se ∅ ⊂ A, onde ∅ representa o con-
Conjunto das cores da bandeira do Brasil: junto vazio.
D ▪ Todo conjunto é subconjunto de si próprio (D ⊂ D).
Verde ▪ O conjunto vazio é subconjunto de qualquer conjunto (Ø ⊂ D).
Amarelo
▪ Se um conjunto A possui p elementos, então ele possui 2p
Azul
subconjuntos.
Branco
▪ O conjunto formado por todos os subconjuntos de um conjunto
A, é denominado conjunto das partes de A. Assim, se A = {4, 7},
o conjunto das partes de A, é dado por {Ø, {4}, {7}, {4, 7}}.
1.1.2 Elementos e relação de pertinência 1.3 Operações com conjuntos
Quando um elemento está em um conjunto, dizemos que ele per-
União de conjuntos: a união de dois conjuntos quaisquer será
tence a esse conjunto. A relação de pertinência é representada pelo
representada por A ∪ B e terá os elementos que pertencem a A ou a B,
símbolo ∈ (pertence).
ou seja, todos os elementos.
Conjunto dos algarismos pares: G = {2, 4, 6, 8, 0}.
Observe que:
4∈G
7∉G

1.1.3 Conjuntos unitário, vazio e universo


Conjunto unitário: possui um só elemento. A U B
Conjunto da capital do Brasil: K = {Brasília}
Conjunto vazio: simbolizado por Ø ou {}, é o conjunto que não
possui elemento.
Conjunto dos estados brasileiros que fazem fronteira com o Chile:
M = Ø.

100
MATEMÁTICA
Interseção de conjuntos: a interseção de dois conjuntos quaisquer
será representada por A ∩ B. Os elementos que fazem parte do con-
junto interseção são os elementos comuns aos dois conjuntos.

A ∩ B

Conjuntos disjuntos: se dois conjuntos não possuem elementos


em comum, diz-se que eles são disjuntos. Simbolicamente, escreve-se M
A ∩ B = ∅. Nesse caso, a união dos conjuntos A e B é denominada A
T
união disjunta. O número de elementos A ∩ B nesse caso é igual a zero.
E

n (A ∩ B) = 0

Seja A = {1, 2, 3, 4, 5}, B = {1, 5, 6, 3}, C = {2, 4, 7, 8, 9} e


D = {10, 20}. Tem-se:
A ∪ B = {1, 2, 3, 4, 5, 6}
B ∪ A = {1, 2, 3, 4, 5, 6}
A ∩ B = {1, 3, 5}
B ∩ A = {1, 3, 5}
A ∪ B ∪ C = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9} e
A∩D=∅
É possível notar que A, B e C são todos disjuntos com D, mas A,
B e C não são dois a dois disjuntos.

Diferença de conjuntos: a diferença de dois conjuntos quaisquer


será representada por A – B e terá os elementos que pertencem somente
a A, mas não pertencem a B, ou seja, que são exclusivos de A.

A - B

Complementar de um conjunto: se A está contido no conjunto


universo U, o complementar de A é a diferença entre o conjunto uni-
verso e o conjunto A, será representado por CU(A) = U - A e terá
todos os elementos que pertencem ao conjunto universo, menos os
que pertencem ao conjunto A.

Cp(A)

101
CONJUNTOS NUMÉRICOS
Comutativa: ordem dos fatores não altera o produto.
2 CONJUNTOS NUMÉRICOS 3 ⋅ 4 = 4 ⋅ 3 = 12
Os números surgiram da necessidade de contar ou quantificar Associativa: o ajuntamento dos fatores não altera o resultado.
coisas ou objetos. Com o passar do tempo, foram adquirindo carac- 2 ⋅ (3 ⋅ 4) = (2 ⋅ 3) ⋅ 4 = 24
terísticas próprias.
Distributiva: um fator em evidência multiplica todas as parcelas
2.1 Números naturais dentro dos parênteses.
É o primeiro dos conjuntos numéricos. Representado pelo símbolo 2 ⋅ (3 + 4) = (2 ⋅ 3) + (2 ⋅ 4) = 6 + 8 = 14
ℕ e formado pelos seguintes elementos:
ℕ = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, ... + ∞} Fique ligado
O símbolo ∞ significa infinito, o + quer dizer positivo, então +∞ Na multiplicação existe jogo de sinais. Veja a seguir:
quer dizer infinito positivo.
Parcela Parcela Produto
2.2 Números inteiros
+ + +
Esse conjunto surgiu da necessidade de alguns cálculos não pos-
suírem resultados, pois esses resultados eram negativos. Representado + - -
pelo símbolo ℤ e formado pelos seguintes elementos:
- + -
ℤ = {- ∞, ..., -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, ..., + ∞}
- - +
2.2.1 Operações e propriedades
dos números naturais e inteiros 2 ⋅ (-3) = -6
As principais operações com os números naturais e inteiros são: -3 ⋅ (-7) = 21
adição, subtração, multiplicação, divisão, potenciação e radiciação (as
quatro primeiras são também chamadas operações fundamentais).
Divisão
Adição É o inverso da multiplicação. Os sinais que indicam a divisão
Na adição, a soma dos termos ou das parcelas resulta naquilo que são: ÷, :, /.
se chama total. 14 ÷ 7 = 2
2+2=4 25 : 5 = 5
As propriedades da adição são: 36/12 = 3
▪ Elemento neutro: qualquer número somado ao zero tem como
total o próprio número. Fique ligado
2+0=2 Por ser o inverso da multiplicação, a divisão também possui o
▪ Comutativa: a ordem dos termos não altera o total. jogo de sinal.
2+3=3+2=5
▪ Associativa: o ajuntamento de parcelas não altera o total.
2.3 Números racionais
(2 + 3) + 5 = 2 + (3 + 5) = 10
Os números racionais são os números que podem ser escritos na
Subtração forma de fração, são representados pela letra ℚ e podem ser escritos
Operação contrária à adição é conhecida como diferença. em forma de frações.
Os termos ou parcelas da subtração, assim como o total, têm nomes a
ℚ = (com b diferente de zero → b ≠ 0); em que a é o nume-
próprios: b
rador e b é o denominador.
M – N = P; em que M = minuendo, N = subtraendo e P = dife-
Pertencem também a este conjunto as dízimas periódicas (núme-
rença ou resto.
7–2=5 ros que apresentam uma série infinita de algarismos decimais, após a
vírgula) e os números decimais (aqueles que são escritos com a vírgula
Quando o subtraendo for maior que o minuendo, a diferença será
negativa. e cujo denominador são potências de 10).
Toda fração cujo numerador é menor que o denominador é cha-
Multiplicação mada de fração própria.
É a soma de uma quantidade de parcelas fixas. O resultado da
multiplicação chama-se produto. Os sinais que indicam a multipli- 2.3.1 Operações com números racionais
cação são o × e o ⋅.
Adição e subtração
4 × 7 = 7 + 7 + 7 + 7 = 28
Para somar frações deve estar atento se os denominadores das
7 ⋅ 4 = 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 + 4 = 28
frações são os mesmos. Caso sejam iguais, basta repetir o denominador
As propriedades da multiplicação são:
e somar (ou subtrair) os numeradores, porém se os denominadores
Elemento neutro: qualquer número multiplicado por 1 terá como
forem diferentes é preciso fazer o MMC (mínimo múltiplo comum)
produto o próprio número.
dos denominadores, constituindo novas frações equivalentes às frações
5⋅1=5
originais e proceder com o cálculo.

102
MATEMÁTICA
Propriedades das raízes:
2 4 6 n m n
+ = √a = (√am) = am/n
7 7 7 n m⋅n
√a = √a
m
2 4 10 12 22 √am = a = am/m = a1 = a
+ = + = Racionalização: se uma fração tem em seu denominador um radi-
3 5 15 15 15
cal, faz-se o seguinte:
Multiplicação
1 1 √a √a √a
Multiplicar numerador com numerador e denominador com deno- = ⋅ = =
√a √a √a √a 2
a
minador das frações.

3

5
=
15 2.3.2 Transformação de dízima M
A
4 7 28 periódica em fração T
Para transformar dízimas periódicas em fração, é preciso atentar-se
Divisão E
para algumas situações:
Para dividir frações, multiplicar a primeira fração com o inverso
▪ Verifique se depois da vírgula só há a parte periódica, ou se há
da segunda fração.
uma parte não periódica e uma periódica.
2 4 2 5 10 5 ▪ Observe quantas são as casas periódicas e, caso haja, as não periódi-
÷ = ⋅ = = cas. Lembre-se sempre que essa observação só será para os núme-
3 5 3 4 12 6
ros que estão depois da vírgula.
            (Simplificado por 2)
▪ Em relação à fração, o denominador será tantos 9 quantos forem as
Toda vez, que for possível, deve simplificar a fração até sua fração casas do período, seguido de tantos 0 quantos forem as casas não
irredutível (aquela que não pode mais ser simplificada). periódicas (caso haja e depois da vírgula). Já o numerador será o
número sem a vírgula até o primeiro período menos toda a parte
Potenciação
não periódica (caso haja).
Se a multiplicação é a soma de uma quantidade de parcelas fixas,
6
a potenciação é a multiplicação de uma quantidade de fatores fixos, tal 0,6666... =
quantidade indicada no expoente que acompanha a base da potência. 9
A potenciação é expressa por: a , cujo a é a base da potência e o
n 36
0,36363636... =
n é o expoente. 99
43 = 4 ⋅ 4 ⋅ 4 = 64
123 – 12 111
0,123333... = =
Propriedades das potências: 900 900
a0 = 1
30 = 1 28 – 2 26
2,8888... = =
a =a
1 9 9
51 = 5
a-n = 1/an 3754 – 37 3717
3,754545454... = =
2-3 = 1/23 = 1/8 990 990
am ⋅ an = a(m + n)
32 ⋅ 33 = 3(2 + 3) = 35 = 243 2.3.3 Transformação de número
a :a =a
m n (m - n) decimal em fração
45 : 43 = 4(5 – 3) = 42 = 16 Para transformar número decimal em fração, basta contar quantas
(am)n = am ⋅ n casas existem depois da vírgula; então o denominador da fração será o
(22)4 = 22 ⋅ 4 = 28 = 256 número 1 acompanhado de tantos zeros quantos forem o número de
am/n = √am
n casas, já o numerador será o número sem a vírgula.
3
72/3 = √72 3
0,3 =
mn
Não confunda: (a ) ≠ a m n
10
Não confunda também: (-a)n ≠ -an. 245
2,45 =
Radiciação 100
É a expressão da potenciação com expoente fracionário. 49586
n
A representação genérica da radiciação é: √a; cujo n é o índice da 49,586 =
1000
raiz, o a é o radicando e √ é o radical.
Quando o índice da raiz for o 2 ele não precisa aparecer e essa raiz
será uma raiz quadrada.

103
CONJUNTOS NUMÉRICOS

2.4 Números irracionais 2.6.2 Com os colchetes [ ]


São os números que não podem ser escritos na forma de fração. Quando os colchetes estiverem voltados para os números, significa
O conjunto é representado pela letra 𝕀 e tem como elementos as que farão parte do intervalo. Quando os colchetes estiverem invertidos,
dízimas não periódicas e as raízes não exatas. significa que os números não farão parte do intervalo.
]2;5[: o 2 e o 5 não fazem parte do intervalo.
2.5 Números reais [2;5[: o 2 faz parte do intervalo, mas o 5 não faz.
Simbolizado pela letra ℝ, é a união do conjunto dos números [2;5]: o 2 e o 5 fazem parte do intervalo.
racionais com o conjunto dos números irracionais.
2.6.3 Sobre uma reta numérica
Representado, temos:
▷ Intervalo aberto
0 2 5
R 2<x<5:
Em que 2 e 5 não fazem parte do intervalo numérico, representado
pela marcação aberta (sem preenchimento - O).
▷ Intervalo fechado e aberto

N Z Q I 2≤x<5:
0 2 5

Em que 2 faz parte do intervalo, representado pela marcação


fechada (preenchida ) em que 5 não faz parte do intervalo, represen-
tado pela marcação aberta (O).
▷ Intervalo fechado
0 2 5
2≤x≤5:
Colocando todos os números em uma reta, temos: Em que 2 e 5 fazem parte do intervalo numérico, representado
-2 -1 0 1 2 pela marcação fechada ( ).

As desigualdades ocorrem em razão de os números serem maiores


2.7 Múltiplos e divisores
ou menores uns dos outros. Os múltiplos são resultados de uma multiplicação de dois números
naturais.
Os símbolos das desigualdades são:
Os múltiplos de 3 são: 0, 3, 6, 9, 12, 15, 18, 21, 24, 27, 30... (os
≥ maior ou igual a. múltiplos são infinitos).
≤ menor ou igual a. Os divisores de um número são os números, cuja divisão desse
> maior que. número por eles será exata.
< menor que. Os divisores de 12 são: 1, 2, 3, 4, 6, 12.
Dessas desigualdades surgem os intervalos, que nada mais são do
Fique ligado
que um espaço dessa reta, entre dois números.
Os intervalos podem ser abertos ou fechados, depende dos sím- Números quadrados perfeitos são aqueles que resultam da
multiplicação de um número por ele mesmo.
bolos de desigualdade utilizados.
4=2⋅2
Intervalo aberto ocorre quando os números não fazem parte do 25 = 5 ⋅ 5
intervalo e os sinais de desigualdade são:
> maior que.
< menor que.
2.8 Números primos
São os números que têm apenas dois divisores, o 1 e ele mesmo.
Intervalo fechado ocorre quando os números fazem parte do inter-
(Alguns autores consideram os números primos aqueles que tem 4
valo e os sinais de desigualdade são:
divisores, sendo o 1, o -1, ele mesmo e o seu oposto – simétrico.)
≥ maior ou igual a.
2 (único primo par), 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, 29, 31, 37, 41, 43,
≤ menor ou igual a. 47, 53, 59, ...
Os números primos servem para decompor outros números.
2.6 Intervalos
A decomposição de um número em fatores primos serve para fazer
Os intervalos numéricos podem ser representados das seguintes
o MMC e o MDC (máximo divisor comum).
formas:

2.6.1 Com os símbolos <, >, ≤, ≥


2.9 MMC e MDC
O MMC de um, dois ou mais números é o menor número que, ao
Quando usar os símbolos < ou >, os números que os acompanham
mesmo tempo, é múltiplo de todos esses números.
não fazem parte do intervalo real. Quando usar os símbolos ≤ ou ≥, os
O MDC de dois ou mais números é o maior número que pode
números farão parte do intervalo real.
dividir todos esses números ao mesmo tempo.
2 < x < 5: o 2 e o 5 não fazem parte do intervalo.
2 ≤ x < 5: o 2 faz parte do intervalo, mas o 5 não. Para calcular, após decompor os números, o MMC de dois ou
mais números será o produto de todos os fatores primos, comuns e
2 ≤ x ≤ 5: o 2 e o 5 fazem parte do intervalo.

104
MATEMÁTICA
não comuns, elevados aos maiores expoentes. Já o MDC será apenas
2.11 Expressões numéricas
os fatores comuns a todos os números elevados aos menores expoentes.
Para resolver expressões numéricas, deve-se seguir a ordem:
6=2⋅3
18 = 2 ⋅ 3 ⋅ 3 = 2 ⋅ 32 ▪ Resolva os parênteses ( ), depois os colchetes [ ], depois as chaves
{ }, sempre nessa ordem.
35 = 5 ⋅ 7
144 = 2 ⋅ 2 ⋅ 2 ⋅ 2 ⋅ 3 ⋅ 3 = 24 ⋅ 32 ▪ Dentre as operações, resolva primeiro as potenciações e raízes (o
que vier primeiro), depois as multiplicações e divisões (o que vier
225 = 3 ⋅ 3 ⋅ 5 ⋅ 5 = 32 ⋅ 52
primeiro) e, por último, as somas e subtrações (o que vier primeiro).
490 = 2 ⋅ 5 ⋅ 7 ⋅ 7 = 2 ⋅ 5 ⋅ 72
Calcule o valor da expressão:
640 = 2 ⋅ 2 ⋅ 2 ⋅ 2 ⋅ 2 ⋅ 2 ⋅ 2 ⋅ 5 = 27 ⋅ 5
8 – {5 – [10 – (7 – 3 ⋅ 2)] ÷ 3}
MMC de 18 e 225 = 2 ⋅ 32 ⋅ 52 = 2 ⋅ 9 ⋅ 25 = 450
8 – {5 – [10 – (7 – 6)] ÷ 3}
MDC de 225 e 490 = 5
8 – {5 – [10 – (1)] ÷ 3} M
Para saber a quantidade de divisores de um número basta, depois A
8 – {5 – [9] ÷ 3}
da decomposição do número, pegar os expoentes dos fatores primos, T
8 – {5 – 3}
somar +1 e multiplicar os valores obtidos. E
8 – {2}
225 = 32 ⋅ 52 = 32+1 ⋅ 52+1 = 3 ⋅ 3 = 9
6
Nº de divisores = (2 + 1) ⋅ (2 + 1) = 3 ⋅ 3 = 9 divisores. Que são: 1,
3, 5, 9, 15, 25, 45, 75, 225.

2.10 Divisibilidade
As regras de divisibilidade servem para facilitar a resolução de
contas, para ajudar a descobrir se um número é ou não divisível por
outro. Veja algumas dessas regras.
Divisibilidade por 2: para um número ser divisível por 2, ele tem
de ser par.
14 é divisível por 2.
17 não é divisível por 2.
Divisibilidade por 3: para um número ser divisível por 3, a soma
dos seus algarismos tem de ser divisível por 3.
174 é divisível por 3, pois 1 + 7 + 4 = 12.
188 não é divisível por 3, pois 1 + 8 + 8 = 17.
Divisibilidade por 4: para um número ser divisível por 4, ele tem
de terminar em 00 ou os seus dois últimos números devem ser múl-
tiplos de 4.
300 é divisível por 4.
532 é divisível por 4.
766 não é divisível por 4.
Divisibilidade por 5: para um número ser divisível por 5, ele deve
terminar em 0 ou em 5.
35 é divisível por 5.
370 é divisível por 5.
548 não é divisível por 5.
Divisibilidade por 6: para um número ser divisível por 6, ele deve
ser divisível por 2 e por 3 ao mesmo tempo.
78 é divisível por 6.
576 é divisível por 6.
652 não é divisível por 6.
Divisibilidade por 9: para um número ser divisível por 9, a soma
dos seus algarismos deve ser divisível por 9.
75 é não divisível por 9.
684 é divisível por 9.
Divisibilidade por 10: para um número ser divisível por 10, ele
tem de terminar em 0.
90 é divisível por 10.
364 não é divisível por 10.

105
DIREITOS HUMANOS E
CIDADANIA
DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA

1 TEORIA GERAL DOS 1.2 Concepções


DIREITOS HUMANOS Ao analisarmos os Direitos Humanos, devemos nos perguntar
quais as premissas filosóficas que os precedem e os projetam, e o ali-
cerce sobre o qual estão levantadas as colunas que estruturam todos os
1.1 Conceitos direitos humanos e suas ramificações. Neste sentido, é possível afirmar
A conceitualização dos Direitos Humanos não obedece a uma as seguintes teorias basilares:
forma absoluta de definição universal. Muitos foram, e continuam ▷ Naturalismo: a pessoa humana é o fundamento atemporal dos Dire-
sendo, os teóricos que ref letem esse âmbito do Direito. Vejamos, a itos Humanos, pois, a partir dela, verificamos a existência de direitos
pré-concebidos e precedentes a qualquer modo de positivação estatal.
título de exemplos, alguns conceitos:
A dignidade, não importa a cultura na qual a pessoa esteja imersa,
Compreendemos por Direitos Humanos os direitos que o homem deve ser objeto de zelo e amparo, pois está presente no homem
possui pelo fato de ser homem, por sua própria natureza humana, enquanto homem. Neste sentido, os Direitos Humanos não são
pela dignidade que a ela é inerente. São direitos que não resultam de criados pelos homens, não são criados pelo Estado, mas resta a este
uma concessão da sociedade política. Pelo contrário, são direitos que a o reconhecimento destes direitos.
sociedade política tem o dever de consagrar.
João Baptista Herkenhoff (advogado e escritor) ▷ Positivismo: os Direitos Humanos não podem ser caracterizados
como absolutos. Devem obedecer à ordem prática do Direito que,
O conjunto institucionalizado de direitos e garantias do ser humano
como fruto social, leva em consideração fatores culturais, morais e so-
que tem por finalidade básica o respeito à sua dignidade por meio
ciais, variáveis em sua constituição. Portanto, não poderíamos almejar
de sua proteção contra o arbítrio do poder estatal e o estabelecimento
uma fundamentação absoluta, ou caráter permanente para algo que
de condições mínimas de vida e desenvolvimento da personalidade
necessariamente irá sofrer alterações. Isso gera uma tendência natural
humana.
à positivação dos Direitos Humanos pelas Constituições nacionais.
Alexandre de Moraes (jurista, magistrado e atual ministro do Supremo Tribunal Federal
– STF)
A expressão Direitos Humanos refere-se obviamente ao homem, e Fique ligado
como “direitos” só se pode designar aquilo que pertence à essência do D
homem, que não é puramente acidental, que não surge e desaparece A dignidade pode ser definida como consciência do próprio
H
com a mudança dos tempos, da moda, do estilo ou do sistema, deve ser valor, respeito que se tem para com a própria pessoa e o
U
algo que pertence ao homem como tal. reconhecimento de suas próprias qualidades. Neste sentido, o
ser capaz de reconhecimento de si e autoconsciência, inferindo M
Charlles Malik (relator da comissão de Direitos Humanos da ONU, 1947)
valores a seu contexto social, artístico e cultural, capaz de dar
Após analisarmos os conceitos dados, uma dúvida pode surgir: sentido e promover a liberdade é o ser humano.
“Qual é a diferença entre Direitos do Homem, Direitos Fundamentais e
Direitos Humanos?”. Pode-se dizer que a principal diferença entre esses
Não devemos estabelecer um ponto exato no nascimento dos Direitos
conceitos reside na positivação ou não dos referidos direitos, bem como
Humanos, mas os perceber como fruto do tempo e das experiências. Eles
o local onde se encontram positivados. Porém, as expressões têm sido,
nasceram fragmentados em resposta às atrocidades cometidas arbitra-
equivocadamente, usadas indistintamente como sinônimos. Observe:
riamente sobre o ser humano durante guerras e conflitos. O direito à
▷ Direitos do Homem: é a universalidade de direitos naturais (caráter liberdade e à vida são exemplos de alguns desses direitos. Mesmo com
jusnaturalista) que garantem a proteção global do homem e válido
perspectivas de fundamentação distintas, os Direitos Humanos perma-
em todos os tempos. Trata-se de direitos que não estão nos textos
necem tendo como horizonte de ação a Dignidade do Homem, que, na
constitucionais, nem mesmo em tratados de proteção aos direitos
condição de humano, já merece respeito e dignidade, ambos inseparáveis
humanos. Portanto, podemos caracterizar como direitos que:
de sua natureza.
▪ condicionam ao ser humano exercer sua humanidade;
▪ são universais, válidos em qualquer tempo e em qualquer lugar; 1.3 Terminologia
▪ são naturais, inseparáveis e imprescindíveis a qualquer ser humano. Para darmos a terminologia da expressão “direitos humanos”, precisa-
▷ Direitos Fundamentais: representam os direitos naturais posi- mos explicar as expressões “direitos do homem” e “direitos fundamentais”.
tivados ou escritos no Texto Constitucional, ganhando uma cono- ▷ Direitos do homem: expressão jusnaturalista que apresenta uma
tação de direitos positivos constitucionais. Um exemplo é o Título II série de direitos naturais, os quais visam a proteção global do homem
da CF/1988. É importante também ter cuidado para não confundir em todos os tempos. São direitos que não estão expressos na Con-
os direitos fundamentais com garantias fundamentais. A primeira es- stituição, nem nos tratados internacionais.
pécie são os bens protegidos pela Constituição, já a segunda é aquela
▷ Direitos fundamentais: expressão que apresenta a proteção interna
que visa proteger esses bens, ou seja, instrumentos constitucionais.
dos cidadãos, trata-se dos direitos previstos na Constituição, garan-
▷ Direitos Humanos: é a evolução dos direitos fundamentais, ou seja, tidos e limitados no tempo e no espaço.
quando esses direitos previstos nas normas internas passaram a ser reg-
▷ Direitos humanos: o termo se refere aos direitos inscritos em tratados
ulados em tratados internacionais (seja no plano global ou regional).
ou costumes internacionais, os quais já ultrapassaram as fronteiras es-
tatais de proteção interna e passaram a garantir a proteção internacional.
Fique ligado
Um tratado é um acordo entre os Estados, que se comprometem
1.4 Características
com regras específicas. Tratados internacionais têm diferentes Os Direitos Humanos são caracterizados pela:
designações, como pactos, cartas, protocolos, convenções e ▷ Historicidade: não nasceram todos de uma única vez, em um único
acordos. Um tratado é legalmente vinculativo para os Estados que momento histórico. Surgiram de maneira gradual, resultado de lutas
tenham consentido em se comprometer com as disposições do
contra o poder vigente, evoluem com o tempo e obedecem a fluxos
tratado – em outras palavras, que são parte do tratado.
circunstanciais do contexto a que estão inseridos. São assegurados
pela positivação jurídica dos Estados.

145
TEORIA GERAL DOS DIREITOS HUMANOS
▷ Universalidade: destinam-se a todos os seres humanos. Não limitam,
distinguem ou separam os homens por conta de sexo, orientação
política, religião, cor ou nacionalidade. Almejam respeitar e consid-
erar o princípio da liberdade e o princípio da dignidade presente em
todo e qualquer ser humano só pelo fato de o sê-lo.
▷ Inalienabilidade: os direitos não podem ser alienados, não podem
ser vendidos.
▷ Inexauribilidade: os Direitos Humanos não são esgotados em si
mesmos, não assumem rol taxativo. É admissível ampliá-los e não
os reduzir, respeitando-se sempre seu núcleo essencial.
▷ Irrenunciabilidade: os titulares desses direitos não podem re-
nunciá-los. Eles são inerentes à existência humana e, tomando
consciência disso, o Estado impede que os indivíduos deliberem
sobre direitos de ordem natural.
▷ Imprescritibilidade: podem ser exercidos em qualquer tempo. Ainda
que não tenham sido exigidos durante certo período, não significa
que não possam mais ser exigidos.
▷ Inviolabilidade: os Direitos Humanos não podem ser violados e
cabe ao Estado zelar para que a sua violação não ocorra.
▷ Complementaridade: a evolução dos Direitos Humanos é marcada
pelo complemento que cada direito dá ao outro.
▷ Efetividade: a concretização, a realização no mundo real. Os di-
reitos não permanecem somente ao plano teórico, mas se efetivam
no mundo.
▷ Concorrência: os Direitos Humanos não têm efeito isoladamente.
Eles coexistem entre si, ativam-se conjuntamente e um direito não
anula o outro.
▷ Limitabilidade: os limites dos direitos são postos por outros direitos.
A ponderação e o bom senso sobre determinadas situações confirmará
que tipo de limitação será essa. Exemplo::direito de propriedade ×
direito à vida.
▷ Vedação ao retrocesso: compreende-se a ampliação dos Direitos
Humanos enquanto Direitos Fundamentais, porém, não é permitido
reduzir esses direitos.
▷ Indivisibilidade: os Direitos Humanos formam um todo, um con-
junto de direitos que não podem ser analisados isoladamente.
▷ Aplicabilidade imediata: segundo o art. 5º, § 1º, da CF/1988, a
aplicação desses direitos é de ordem imediata.
▷ Essencialidade: os Direitos Humanos são inerentes à natureza
humana e fundamentam-se no princípio da dignidade de caráter
supremo e inigualável.

146
DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA

2 AFIRMAÇÃO HISTÓRICA Como era a sociedade antecedente à Revolução Francesa?

DOS DIREITOS HUMANOS Monárquica, absolutista, estamental, feudal; excessiva


intervenção do Estado; insatisfação da burguesia e das massas
Devemos evitar anacronismos para melhor compreender a evolu- populares; contato com ideais revolucionários iluministas e da
ção dos direitos humanos na história, ou seja, é importante julgar os revolução norte-americana.
documentos e as decisões tomadas de acordo com a mentalidade do
Quais são as fases da Revolução Francesa?
tempo histórico estudado.
Os direitos do homem nascem como direitos naturais universais, Monarquia Constitucional (criada a Declaração dos Direitos do
desenvolvem-se como direitos positivos particulares, para finalmente Homem e do Cidadão); Convenção Republicana; Terror; Diretório.
encontrarem sua plena realização como direitos positivos universais.
Norberto Bobbio 2.2 Declaração de Direitos do
2.1 Principais documentos Homem e do Cidadão (destaques)
Art. 1º Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As dis-
A seguir serão apresentados os principais documentos que remetem tinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum; [...]
à importância dos direitos humanos. Art. 2º A finalidade de toda associação política é a conservação dos
direitos naturais e imprescritíveis do homem; [...]
2.1.1 Magna Carta (1215) Art. 4º A liberdade consiste em poder fazer tudo o que não prejudique
Documento que limitava o poder monárquico inglês. Neste caso, o próximo. Assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não
o Rei João Sem-Terra o assinou, afastando qualquer possibilidade de tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da
sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites somente podem ser
absolutismo. Por meio deste documento, reconhecia que sua vontade
determinados pela lei; [...]
estava sujeita à lei. A Magna Carta surge como o primeiro passo his- Art. 7º Ninguém pode ser acusado preso ou detido senão nos casos
tórico no caminho para o Constitucionalismo. determinados pela Lei e de acordo com as formas por esta prescrita.
Os que solicitam, expedem, executam ou mandam executar ordens D
2.1.2 Habeas Corpus (1679) arbitrárias devem ser punidos. Mas qualquer cidadão convocado ou H
Bem anterior à Magna Carta, o Habeas Corpus já estava presente detido em virtude da lei deve obedecer imediatamente, caso contrário, U
torna-se culpado de resistências. [...] M
em território inglês, no caso de arbitrariedades cometidas pela justiça.
Art. 9º Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado
Não havia muita eficácia na realização desse direito até a formulação
e, se julgar indispensável prendê-lo, todo rigor desnecessário à guarda
da Lei de 1679. da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei. [...]
Art. 11 A livre comunicação das ideias e das opiniões é um dos mais
2.1.3 Bill of Rights (1689) preciosos direitos do homem. Todo cidadão pode, portanto, falar, escre-
O Bill of Rights ou lista de direitos, referentes à Declaração dos ver, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta
Direitos, foi uma proposta de lei aprovada em 1689, pelo Parlamento liberdade nos termos previstos na lei. [...]
inglês, imposta aos monarcas Guilherme III e Maria II. Art. 16 A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direi-
tos nem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição. [...]
2.1.4 Declaração de Direitos do
2.3 Convenções de Genebra
Povo da Virgínia (1776)
Sequência de tratados constituídos em Genebra, na Suíça. Em
É um documento que emerge em um contexto de luta pela inde-
função dos Direitos Humanitários, as convenções contaram com apoio
pendência dos Estados Unidos. Possui em sua essência aspirações
e liderança de Henri Durant, testemunha das atrocidades da Batalha
iluministas e contratualistas. Esse documento precede a Declaração
de Solferino (os tratados foram elaborados entre 1864-1949).
de Independência dos Estados Unidos.
▷ 1ª Convenção (1864): criação da Cruz Vermelha.
2.1.5 Declaração de Independência ▷ 2ª Convenção (1906): olhar sobre as forças navais.
dos Estados Unidos (1776) ▷ 3ª Convenção (1929): prisioneiros de guerra.
Promovido pelas treze colônias dos Estados Unidos da América, ▷ 4ª Convenção (1949): proteção dos civis durante a guerra.
este documento surgiu em resposta à dominação da Grã-Bretanha,
▷ Protocolo I (1977): trata das vítimas de guerra em conflitos
mobilizando a sociedade estadunidense em busca de sua independência. internacionais.
2.1.6 Declaração dos Direitos do ▷ Protocolo II (1977): trata das vítimas de guerras em conflitos não
internacionais.
Homem e do Cidadão (1789)
Um dos legados mais importantes deixados pela Revolução Fran- ▷ Protocolo III (2005): adicional à Cruz Vermelha – Cristal Vermelho.
cesa. É um dos principais documentos da história garantidores de
direitos essenciais ao homem e aplicados como garantias inalteráveis
2.4 Tratado de Versalhes (1919)
nas Constituições democráticas contemporâneas. A Declaração seria Acordo de Paz assinado entre países europeus que pôs fim oficial-
um tipo de preâmbulo para a futura Constituição Francesa e funda- mente à Primeira Guerra Mundial.
mentava-se nos princípios iluministas e nas declarações americanas.
Pela primeira vez foi institucionalizada uma ordem baseada na liber-
2.5 Liga das Nações (1919)
dade, na igualdade e na fraternidade, que vai ao encontro dos direitos Organização internacional constituída por potências europeias
individuais, não apenas com aplicação para França, mas para qualquer vencedoras da Primeira Guerra Mundial idealizada em Paris. Um dos
Estado, oferecendo, assim, outro conceito de homem e de cidadão. principais pontos foi a criação de uma organização com a função de
promover e assegurar a paz no mundo.

147
AFIRMAÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS HUMANOS
3. Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas
2.6 Organização Internacional internacionais de caráter econômico, político, cultural ou humanitá-
do Trabalho (OIT – 1919) rio, e para promover e estimular o respeito aos direitos humanos e
Visa a condições de trabalho que respeitem os direitos inerentes às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo,
língua ou religião.
ao homem. Instituída pelo Tratado de Versalhes, configura a parte
4. Ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a
XIII do mesmo Tratado e tem como base argumentativa as vertentes
consecução desses objetivos comuns.
humanitárias, políticas e econômicas.
Art. 2º A Organização e seus Membros, para a realização dos pro-
pósitos mencionados no Artigo 1, agirão de acordo com os seguintes
2.7 Tribunal de Nuremberg/Carta princípios:
das Nações Unidas (1945) 1. A organização é baseada no princípio de igualdade de todos os
Série de julgamentos realizados pelos países da aliança vitoriosa seus membros.
pós-guerra contra lideranças da Alemanha Nazista. Ocorreram em
2.10 Vertentes da proteção
Nuremberg na Alemanha. É possível evidenciar o Tribunal de Nurem-
berg, inclusive pelos erros, como um grande passo no processo de internacional da pessoa humana
Internacionalização dos Direitos Humanos. A proteção internacional da pessoa humana foi pautada no Direito
Internacional e é caracterizada por três vertentes:
2.8 Organização das Nações Unidas (1945) ▷ Direito Humanitário;
Nasceu em resposta à Segunda Guerra Mundial e ao fracasso da ▷ Direito Internacional dos Refugiados;
Liga das Nações. A Organização das Nações Unidas, em sua origem,
▷ Direito Internacional dos Direitos Humanos.
contava com 51 estados membros. Atualmente, possui 193, com os
seguintes objetivos: apoiar o desenvolvimento econômico; zelar pela 2.10.1 Direito Humanitário
segurança e paz mundial; promover os Direitos do Homem; estimu-
É especialmente aplicado nos conf litos armados internacionais
lar o progresso social e defender o meio ambiente. Alguns dos seus
ou não internacionais, tem origem convencional e consuetudinário.
principais órgãos são:
Neste caso, os limites de práticas de guerra são limitados por princípios
2.8.1 Assembleia Geral humanitários.

Composta por todos os Estados membros. É o órgão deliberativo ▷ Convenções de Haia (1899 e 1907): assim como as convenções
de Genebra tratam sobre leis e crimes de guerra, os acordos das
máximo que tem como atribuições principais discutir, iniciar estudos
Convenções Haia versam sobre os limites das condutas procedidas
e deliberar sobre qualquer questão que afete a paz e a segurança em
pelos envolvidos militarmente na guerra.
qualquer âmbito, exceto quando ela estiver sendo debatida pelo Con-
selho de Segurança. 2.10.2 Direito dos refugiados
2.8.2 Conselho de Segurança Para o Direito Internacional, o conceito de refugiado corresponde
àqueles que por receio bem fundamentado, contundente ameaça de
Composto por 15 Estados membros (5 permanentes e 10 tempo-
perseguição por razões de raça, religião, opinião política ou grupo
rários). Embora outros conselhos possam deliberar sobre questões de
social, não podem ou não querem permanecer em seus Estados, pois
segurança, apenas este decide o que os países membros são obrigados
essa permanência configura ameaça à vida.
a cumprir.
Origem desta vertente:
2.8.3 Conselho Econômico e Social ▷ Criação do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados
Composto por 54 membros. Coordena o trabalho econômico e (ACNUR);
social da ONU e das demais instituições integrantes, além de formular ▷ Convenção de 1951 (especificações sobre a proteção dos refugiados).
recomendações relacionadas a diversos setores. A Convenção de 1951 é completada pelo Protocolo de 1967. Este
último se preocupava em superar a conceitualização e a definição limi-
2.8.4 Tribunal Internacional da Justiça
tada de refugiado construída na Convenção de 1951.
Órgão jurídico máximo da ONU que, por meio de convenções
ou costumes internacionais, princípios gerais de direito reconhecidos 2.10.3 Direito Internacional
pelas nações civilizadas, jurisprudência e pareceres ou por meio de dos direitos humanos
acordos, tem o poder de decisão sobre qualquer litígio internacional,
É fundamentado na Declaração Universal dos Direitos Humanos,
seja ele parte integrante de seu estatuto ou solicitado por qualquer país
documento norteador dos direitos individuais e coletivos aperfeiçoados
membro ou não membro (apenas países, não indivíduos), desde que,
no decorrer do tempo.
no último caso, obedeça a alguns critérios.
Possui grande importância histórica, uma vez que nasce após a
2.9 Carta das Nações Unidas (destaques) Segunda Guerra Mundial, na Assembleia Geral das Nações Unidas
Art. 1º Os propósitos das Nações Unidas são: de 10 de dezembro de 1948, em que os países se comprometeram,
1. Manter a paz e a segurança internacionais, e para esse fim: tomar entre outros tópicos, a fortalecer os direitos humanos e a cooperação
coletivamente medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir internacional.
os atos de agressão ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por
meios pacíficos, e de conformidade com os princípios de Justiça e do
direito internacional, a um ajuste ou solução das controvérsias ou
situações que possam levar a uma perturbação da paz. [...]

148
DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA

3 DIREITOS HUMANOS E Fique ligado

RESPONSABILIDADE DO ESTADO A Constituição Imperial brasileira de 1824, em seu art. 179 (o último
da Carta Magna), seguindo os passos da Declaração dos Direitos do
Homem e do Cidadão, decretada pela Assembleia Nacional Francesa
3.1 Estado, seu conceito e funções em 1789, afirmou que a inviolabilidade dos direitos civis e políticos
para os Direitos Humanos tinha por base a liberdade, a segurança individual e a propriedade.
O Estado é um corpo político administrativo, delimitado juridi-
camente e territorialmente, e constituído por forma de poder soberana Art. 179 A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Políticos dos Cidadãos
com a função de garantir os direitos dos que o constituem e o bem-estar Brasileiros, que tem por base a liberdade, a segurança individual, e a
social. São três os pilares fundamentais que permitem sua articulação: propriedade, é garantida pela Constituição do Império, pela maneira
seguinte.
os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O Estado tem respon-
I – Nenhum Cidadão pode ser obrigado a fazer, ou deixar de fazer
sabilidades nas áreas, política, econômica e social que devem garantir
alguma cousa, senão em virtude da Lei. [...]
a eficiência, a estabilidade e equidade social.
V – Ninguém pode ser perseguido por motivo de Religião, uma vez
O contrato social ou contratualismo indica uma classe de teorias que respeite a do Estado, e não ofenda a Moral Publica. [...]
que tentam explicar os caminhos que levam as pessoas a formarem Trecho do texto original da Constituição de 1824.
Estados e/ou manterem a ordem social. Essa noção de contrato traz ▷ Segunda geração ou dimensão: direitos que se associam às liberda-
implícito que as pessoas renunciam a certos direitos para um governo des positivas, reais ou concretas, assegurando o princípio da iso-
ou outra autoridade a fim de obter as vantagens da ordem social. Sob nomia material entre os seres humanos. A Revolução Industrial
esse prisma, o contrato social seria um acordo entre os membros da foi o estopim da consagração dos direitos de segunda geração, a
sociedade, pelo qual reconhecem a autoridade, igualmente sobre todos, partir do século XIX, implicando na luta da classe proletária, na
de um conjunto de regras, de um regime político ou de um governante. defesa de seus direitos básicos: alimentação, saúde e educação.
No entanto, ao falarmos de Direitos Humanos, o Estado surge O início do século XX é marcado pela Primeira Grande Guerra D
como fenômeno garantidor e destrutivo, isto é, possui um lado positivo e pela fixação desses direitos, o que fica evidenciado, entre outros H
e outro negativo: o Estado que garante é o mesmo que pode violar os documentos, pela Constituição de Weimar e pelo Tratado de Ver- U
Direitos Humanos. A Revolução Francesa foi um momento da His- salhes, ambos de 1919. Surge com a queda do Estado Liberal e o M
aparecimento de um Estado de Bem-estar Social. O que está em
tória que, além de marcar o início da Idade Contemporânea, serve de
jogo não são mais as individualidades, mas as categorias: direitos
exemplo para analisarmos as responsabilidades do Estado e como esse
do idoso, direitos dos trabalhadores.
Estado estabelecido em prol do bem comum pode se tornar autoritário
e violar direitos diversos. A partir da Constituição de 1934, em meio à primeira passagem de
Getúlio Vargas pelo poder, verifica-se maior inserção dos direitos de
3.2 Gerações ou dimensões segunda geração nas Constituições brasileiras. Eles exigem do Estado
dos Direitos Humanos mais participação para serem implementados, ou seja, é necessária uma
atuação estatal positiva.
Em 1979, Karel Vasak (primeiro secretário-geral do Instituto
Art. 148 Cabe à União, aos Estados e aos Municípios favorecer e ani-
Internacional de Direitos Humanos em Estrasburgo), inspirado nos
mar o desenvolvimento das ciências, das artes, das letras e da cultura em
ideais da Revolução Francesa (liberdade, igualdade e fraternidade), foi geral, proteger os objetos de interesse histórico e o patrimônio artístico
o primeiro a propor uma divisão dos direitos humanos em gerações. do País, bem como prestar assistência ao trabalhador intelectual. [...]
Alguns doutrinadores divergem sobre a terminologia mais coe- Trecho do texto original da Constituição de 1934.
rente para se denominar o evento de evolução histórica dos direitos ▷ Terceira geração ou dimensão: baseada no princípio da fraternidade
fundamentais, e isto acontece principalmente sobre o uso das expres- (ou solidariedade), os direitos dessa geração tendem a proteger interesses
sões gerações e dimensões. É muito comum doutrinadores utilizarem de titularidade coletiva ou difusa. Não se destinam especificamente à
gerações, porém parte da doutrina tem se posicionado contrária ao uso proteção dos interesses individuais, de um grupo ou de um determinado
desse termo, defendendo o uso de dimensões, uma vez que gerações Estado, e demonstram grande preocupação com as gerações humanas,
poderia desencadear a falsa ideia de que, conforme fossem evoluindo, presentes e futuras. Essa geração possui origem na Revolução Técni-
ocorreria uma substituição de uma geração por outra. co-científico-informacional ou Terceira Revolução Industrial.
▷ Primeira geração ou dimensão: referem-se às liberdades negativas
ou clássicas. São chamados também de direitos de resistência ou de Fique ligado
defesa. Enfatizam o princípio da liberdade, configurando direitos
Em seu art. 225, a Constituição de 1988, a “Cidadã”, enuncia que todos
civis e políticos. A gênese dessa geração de direitos foi a resistência têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
burguesa contra o Estado absolutista opressor, contra os privilégios comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao
da nobreza, contra o sistema feudal que oprimia a burguesia incip- poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e de preservá-lo
iente. Para a realização dos direitos de primeira geração, bastou o para as presentes e futuras gerações. Assim, é a primeira, dentre as
surgimento do Estado de Direito, em que a atuação dos entes estatais Constituições brasileiras, que insere em seu texto um direito conhecido
deveria ser feita mediante lei, suprimindo a vontade despótica do rei. como de 3ª geração, ou seja, direito de solidariedade.
São direitos que surgiram com a Revolução Francesa e se afirma-
ram durante os séculos XVIII e XIX. Tinham como função limitar o Art. 225, CF/1988 Todos têm direito ao meio ambiente ecologica-
poder estatal e garantir liberdade aos indivíduos ou grupos. mente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

149
LEGISLAÇÃO
ESPECÍFICA
INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL
importância dessa matéria, é possível que alguma jurisprudência do
1 INTRODUÇÃO AO DIREITO STF seja contrária ao próprio texto constitucional. Dessa forma, o
CONSTITUCIONAL aluno precisa ter uma dupla percepção: conhecer o texto da Consti-
tuição e conhecer a jurisprudência do STF.
1.1 Noções gerais Contudo, ainda existe outra fonte de conhecimento essencial para
Para iniciarmos o estudo do Direito Constitucional, alguns con- o aprendizado em Direito Constitucional: a doutrina. A doutrina é
ceitos precisam ser esclarecidos. o pensamento produzido pelos estudiosos do Direito Constitucional.
Primeiramente, faz-se necessário conhecer qual será o objeto de Conhecer a doutrina também faz parte de sua preparação.
estudo desta disciplina jurídica: Constituição Federal. Em suma, para estudar Direito Constitucional é necessário estudar:
A Constituição Federal é a norma mais importante de todo o • A Constituição Federal;
ordenamento jurídico brasileiro. Ela é a norma principal, a norma • A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal;
fundamental. • A doutrina do Direito Constitucional.
Se pudéssemos posicionar as espécies normativas na forma de uma Neste estudo, apresentaremos o conteúdo de Direito Constitu-
pirâmide hierárquica, a Constituição Federal apareceria no topo desta cional atualizado, objetivo e necessário para prova, de forma que se
pirâmide, ao passo que as outras espécies normativas estariam todas tenha à mão um material suficiente ao estudo para concurso público.
abaixo dela, como na ilustração:
Fique ligado
CF/1988 Metodologia de Estudo
A preparação em Direito Constitucional precisa observar três passos:
LEI, MP 1. Leitura da Constituição Federal;
DECRETO
2. Leitura de material teórico;
PRESIDENCIAL 3. Resolução de exercícios.
O aluno que seguir esses passos certamente chegará à aprovação
PORTARIA em concurso público. Essa é a melhor orientação para quem está
iniciando os estudos.
Para que sua preparação seja adequada, é necessário ter em vista uma
Constituição atualizada. Isso por conta de que a Constituição Federal 1.1.1 Classificações
atual foi promulgada em 1988, mas já sofreu diversas alterações. Significa A partir de algumas características que possuem as constituições, é
dizer, numa linguagem mais jurídica, que ela foi emendada. possível classificá-las, agrupá-las. As classificações a seguir não são as
As emendas constitucionais são a única forma de alteração do texto únicas possíveis, realçando apenas aqueles elementos mais comumente
constitucional. Portanto, uma lei ou outra espécie normativa hierar- cobrados nos concursos públicos.
quicamente inferior à Constituição jamais poderá alterar o seu texto. • Quanto à origem: a Constituição Federal pode ser promulgada
Neste ponto, caberia a seguinte pergunta: o que torna a Cons- ou outorgada. A promulgada é aquela decorrente de um ver-
tituição Federal a norma mais importante do direito brasileiro? A dadeiro processo democrático para a sua elaboração, fruto de
resposta é muito simples: a Constituição possui alguns elementos que uma Assembleia Nacional Constituinte. A outorgada é aquela
a distinguem das outras espécies normativas, por exemplo: imposta, unilateralmente, por um governante ou por um grupo
• Princípios constitucionais; de pessoas, ao povo.
• Direitos fundamentais; • Quanto à possibilidade de alteração, mutação: podem ser fle-
xíveis, rígidas ou semirrígidas. As flexíveis não exigem, para a
• Organização do Estado;
sua alteração, qualquer processo legislativo especial. As rígidas,
• Organização dos Poderes. contudo, dependem de um processo legislativo de alteração mais
De nada adiantaria possuir uma Constituição Federal com tantos difícil do que aquele utilizado para as normas ordinárias. Já as
elementos essenciais ao Estado se não existisse alguém para protegê-la. constituições semirrígidas são aquelas cuja parte de seu texto
O próprio texto constitucional previu um Guardião para a Constitui- só pode ser alterada por um processo mais difícil, sendo que
ção: o Supremo Tribunal Federal (STF). outra parte pode ser mudada sem qualquer processo especial.
O STF é o órgão de cúpula do Poder Judiciário e possui como • Quanto à forma adotada: podem ser escritas/dogmáticas e
atribuição principal a guarda da Constituição. Ele é tão poderoso que, costumeiras. As dogmáticas são aquelas que apresentam um
se alguém editar uma norma que contrarie o disposto no texto cons- único texto, no qual encontramos sistematizadas e organizadas
titucional, o STF a declarará inconstitucional. Uma norma declarada todas as disposições essenciais do Estado. As costumeiras são
inconstitucional pelo STF não produzirá efeitos na sociedade. aquelas formadas pela reunião de diversos textos esparsos, reco-
nhecidos pelo povo como fundamentais, essenciais.
Além de guardião da Constituição Federal, o STF possui outra
atribuição: a de intérprete do texto fundamental. É o STF quem define • Quanto à extensão: podem ser sintéticas ou analíticas. As
a melhor interpretação para esta ou aquela norma constitucional. sintéticas são aquelas concisas, enxutas e que só trazem as dis-
posições políticas essenciais a respeito da forma, organização,
Quando um Tribunal manifesta sua interpretação, dizemos que ele
fundamentos e objetivos do Estado. As analíticas são aquelas que
revelou sua jurisprudência (o pensamento dos tribunais), sendo a do
abordam diversos assuntos, não necessariamente relacionados
STF a que mais interessa para o estudo do Direito Constitucional.
com a organização do Estado e dos poderes.
É exatamente neste ponto que se encontra a maior importância
A partir das classificações apresentadas acima, temos que a Cons-
do STF para o objetivo que se tem em vista: é essencial conhecer
tituição Federal de 1988 pode ser considerada por promulgada, rígida,
sua jurisprudência, pois costuma cair em prova. Para se ter ideia da
escrita e analítica.

202
LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA

2 TEORIA GERAL DA CONSTITUIÇÃO 2.2 Classificação das constituições


As constituições podem ser classificadas por diversos critérios.
2.1 Conceito de constituição e princípio Vejamos os principais deles.
da supremacia da constituição 2.2.1 Quanto ao conteúdo
Costuma-se dizer que a origem das constituições seria a chamada
Na verdade, não se trata de um critério de classificação de cons-
Magna Charta Libertatum, ou simplesmente Magna Carta, que foi assi-
tituições, mas sim de normas constitucionais.
nada em 1215, pelo Rei João Sem Terra da Inglaterra, a qual aceitava
Por ele, as normas constitucionais podem ser agrupadas em dois
limitações impostas à autoridade do rei por parte dos nobres locais.
grupos: constituição material e constituição formal.
Esse documento é considerado o embrião das constituições atuais
• Constituição material: conjunto de regras substancialmente
porque, pela primeira vez, entendia-se que até mesmo o próprio rei
constitucionais, ou seja, são aquelas normas que tratam de assun-
teria de se submeter a um documento jurídico.
tos propriamente constitucionais, como organização do Estado,
No entanto, embora se considere que essa seria a origem remota direitos fundamentais etc.
das constituições, o constitucionalismo, como ramo do Direito, sur-
• Constituição formal: o conjunto de todas as regras constantes
giu juntamente com as constituições escritas e rígidas, sendo que as da constituição escrita, consubstanciada em um documento
primeiras foram a dos Estados Unidos, em 1787, após a independência solene, mesmo que algumas dessas regras tratem de matéria
das 13 colônias inglesas, e a da França, em 1791, após a Revolução não propriamente constitucional. Ou seja, é tudo o que consta
Francesa de 1789. em uma constituição.
Essas duas constituições apresentavam dois traços marcantes: orga- Existem normas que são formalmente constitucionais, porém
nização do Estado e limitação do poder estatal, por meio da previsão materialmente não o são, porque tratam de assunto que poderia muito
de direitos e garantias fundamentais. bem não estar da Constituição. Exemplo disso é a disposição constante
no art. 242, § 2º:
Mas, o que vem a ser uma constituição?
§ 2º O Colégio Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro, será
A palavra “constituição” tem o significado de estrutura, formação, mantido na órbita federal.
organização.
Pode ser definida como a lei fundamental e suprema de um Estado, 2.2.2 Quanto à forma
que contém normas referentes à estruturação do Estado, forma de Quanto à sua forma, as constituições dividem-se em escritas e
governo e aquisição do poder, direitos e garantias dos cidadãos. costumeiras.
Ou seja, a constituição vai definir, em normas gerais, o funciona- • Escritas: conforme o próprio nome indica, caracterizam-se por
se encontrarem consubstanciadas em textos legais formais. A
mento do Estado, bem como os direitos fundamentais de seus cidadãos.
maioria dos países ocidentais adota essa forma.
É o principal documento jurídico de uma nação e todas as leis Por exemplo: constituição brasileira, americana, francesa,
lhe devem obediência, sendo que aquelas que contradisseram a cons- alemã, portuguesa etc.).
tituição serão consideradas como aberrações jurídicas, e não devem • Costumeiras: são aquelas que não estão codificadas somente
produzir efeitos. em textos legais formais, mas são formadas pelos costumes e L
Essa ideia de superioridade da constituição em relação às leis é o decisões dos tribunais (a chamada jurisprudência) e em textos E
que se chama de princípio da supremacia da constituição. constitucionais esparsos. S
• Seu maior exemplo é o da Constituição Inglesa, pois P
Para garantir tal supremacia, o Poder Judiciário se utiliza do cha-
aquele país não possui um documento intitulado “Cons-
mado mecanismo de controle de constitucionalidade, afastando do
tituição”, sendo as normas organizadoras do Estado
ordenamento jurídico aquelas normas consideradas inconstitucionais.
Inglês formadas ao longo de um extenso período.
2.1.1 Conceito ideal de constituição 2.2.3 Quanto ao modo de elaboração
Durante o século XIX, tendo em vista o surgimento de movimen- Quanto a esse critério, podem as constituições ser dogmáticas ou
tos liberais em praticamente toda a Europa, exigindo que os respectivos históricas. Na verdade, essa classificação está muito ligada à classifi-
monarcas de cada país aceitassem submeter-se a uma constituição, cação quanto à forma da constituição.
surgiram muitos textos com esse nome, mas que, na prática, serviam • Dogmáticas: são sempre escritas e são elaboradas por um
para legitimar o poder real. órgão constituinte em um momento preciso e determinado,
Ou seja, funcionavam como “falsas constituições” para reforçar a produzindo um documento que pode ser datado e que refle-
autoridade dos reis. tirá as ideias predominantes na sociedade em um determinado
momento.
Para combater isso, os constitucionalistas criaram o que ficou
• Toda constituição escrita é dogmática e vice-versa.
conhecido como “conceito ideal de Constituição”.
• Históricas: estão associadas às constituições costumeiras, têm
Dessa forma, para que uma constituição possa ser considerada sua formação dispersa no tempo, sendo consolidadas por meio
como tal, deve: de um lento processo histórico, não havendo um momento em
• Consagrar um sistema de garantias da liberdade (mecanismos que se possa dizer: “eis a nossa Constituição pronta!”, estando
de defesa do cidadão contra arbítrios estatais); em um processo de contínua formação e alteração, uma vez que
• Conter o princípio da divisão de poderes, permitindo o controle não estão consubstanciadas em um único documento.
sistêmico do Estado por si mesmo; • Uma vez mais, quem nos fornece o exemplo é a Constituição
• Ser escrita. Inglesa.

203
TEORIA GERAL DA CONSTITUIÇÃO

2.2.4 Quanto à origem 2.3 Poder constituinte


Sob esse ponto de vista, as constituições podem ser populares, O poder constituinte pode ser definido como a manifestação sobe-
outorgadas ou cesaristas. rana da suprema vontade política de um povo, social e juridicamente
• Populares: são elaboradas por um órgão eleito pela vontade organizado, que se manifesta na elaboração e alteração da Constituição.
popular, chamado normalmente de Assembleia Constituinte, Ou seja, é o poder constituinte que elabora e altera a Constituição.
que assim delibera e aprova o documento como representante
da vontade dos nacionais. Exemplo desse tipo é a nossa Cons- 2.3.1 Titularidade
tituição atual. Em uma democracia, o poder constituinte pertence ao povo.
• Outorgadas: caracterizam-se por serem elaboradas sem a par- Assim, a vontade constituinte é a vontade do próprio povo.
ticipação do povo, mas são impostas (outorgadas) por alguém Porém, embora o povo seja o titular do direito, quem o exerce são
ou um grupo que não recebeu do povo o poder constituinte seus representantes, uma vez que o exercício direto do poder consti-
originário.
tuinte pelo povo é inviável. Essa titularidade (mas não exercício direto)
Exemplo dessas constituições são as constituições brasileiras de fica claro no preâmbulo de nossa Constituição: “Nós, representantes
1824, 1937 e 1967. do povo brasileiro, reunidos...” e no parágrafo único do art. 1º. “Todo
Cesaristas ou plebiscitárias: representam um meio-termo entre os o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou
dois primeiros tipos, pois são elaboradas por alguém que não recebeu diretamente, nos termos desta Constituição”.
do povo a incumbência de elaborar a constituição, porém são subme-
tidas posteriormente a um processo de aprovação popular (plebiscito). 2.3.2 Espécies de poder constituinte
O poder constituinte classifica-se em:
2.2.5 Quanto à possibilidade de alteração • Poder constituinte originário
Nesse aspecto, as constituições podem ser: imutáveis, rígidas, O poder constituinte originário elabora a Constituição do Estado,
flexíveis ou semirrígidas. organizando-o e criando seus poderes.
• Imutáveis: não admitem qualquer modificação por qualquer
O exercício desse poder se manifesta na elaboração de uma nova
meio, tendo sempre o mesmo texto perpetuamente. Como se
constituição.
pode logo concluir, estão fadadas a uma existência de curta dura-
ção, uma vez que não podem ser alteradas para adaptarem-se às Pode-se identificar duas formas de expressão desse poder: através
mudanças da sociedade. de uma Assembleia Constituinte eleita pelo povo, ato chamado de
convenção (constituições populares, tendo como um dos exemplos a
• Rígidas: são aquelas que somente podem ser alteradas mediante
um processo especial, mais solene e mais difícil do que o utili- Constituição Federal de 1988) ou de um Movimento Revolucionário,
zado na elaboração das leis. A Constituição Brasileira de 1988 através de um ato de outorga, como ocorreu com a Constituição de
é rígida. 1824.
• Flexíveis: caracterizam-se por poderem ser modificadas sem a O poder constituinte originário caracteriza-se por ser inicial (dá
exigência de um processo qualificado diferente do adotado para início ao ordenamento jurídico), ilimitado (não é limitado por qualquer
a legislação ordinária. Ou seja, são aquelas que são alteradas da norma jurídica anterior) e incondicionado (forma livre de exercício).
mesma forma que as leis. • Poder constituinte derivado
• Semirrígidas ou semiflexíveis: são aquelas que contêm uma Tem esse nome porque deriva das normas estabelecidas pelo Poder
parte rígida, que somente pode ser alterada por um processo Constituinte originário.
diferenciado, e uma parte flexível, que pode ser alterada por leis Além de derivado do Poder Constituinte originário, apresenta
comuns. Quanto à extensão as características de subordinado ou limitado (encontra-se limitado
De acordo com esse critério, as constituições podem ser analíticas pelas normas do texto constitucional, às quais deve obedecer, sob pena
ou sintéticas. de inconstitucionalidade) e condicionado, uma vez que seu exercício
• Analíticas: também chamadas de dirigentes, têm esse nome por deve seguir as regras estabelecidas pelo Poder Constituinte originário.
serem mais detalhadas, regendo todos os assuntos que entendam Por sua vez, o poder constituinte derivado subdivide-se em:
relevantes à formação, destinação e funcionamento do Estado.
Poder constituinte derivado reformador: consiste na possibilidade
Por essa razão, são chamadas também de dirigentes. As cons-
de alterar-se o texto constitucional, respeitando-se os limites e a forma
tituições mais recentes tendem a ser analíticas.
estabelecidos na Constituição.
• Sintéticas: também chamadas de negativas, preocupam-se
somente com os princípios e as normas gerais de regência do Poder constituinte derivado decorrente: consiste na capacidade,
Estado, organizando-o e limitando seu poder através dos direi- em um Estado federal, de os estados membros se auto-organizarem
tos e garantias individuais. Ou seja, praticamente só possuem por meio de constituições estaduais, respeitando as regras contidas na
normas materialmente constitucionais. São chamadas de sin- Constituição Federal.
téticas por serem resumidas e tratarem somente dos assuntos Assim, no Brasil, por exemplo, cada estado possui a sua própria
materialmente constitucionais. Constituição, e os municípios podem elaborar suas leis orgânicas.
Um exemplo de constituição analítica é a nossa atual e um exemplo
de constituição sintética é a norte-americana. 2.4 Classificação das normas
constitucionais quanto à sua eficácia
As normas constitucionais podem ser classificadas de acordo com
sua aplicabilidade, ou seja, de acordo com sua capacidade de produ-
zirem efeitos.

204
LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA
A classificação tradicional é do jurista José Afonso da Silva, que II – O voto direto, secreto, universal e periódico;
divide as normas constitucionais em três categorias: normas de eficácia III – A separação dos Poderes;
plena, de eficácia contida e de eficácia limitada. IV – Os direitos e garantias individuais.
• Normas de eficácia plena: são aquelas que, desde a entrada em
Fique ligado
vigor da Constituição, produzem ou podem produzir todos os
seus efeitos essenciais, nos termos propostos pelo constituinte Teoria da dupla revisão
(por exemplo: os remédios constitucionais). O constitucionalista português José Gomes Canotilho, na obra
Direito Constitucional e Teoria da Constituição, defendia ser possível
• Normas de eficácia contida: são aquelas que, embora produzam
a alteração das cláusulas pétreas, desde que antes fosse alterado
seus efeitos desde logo, foi deixada margem, pelo constituinte, de
o texto constitucional que as defina (teoria da dupla revisão). Ou
restrição, pelo legislador ordinário, de seus efeitos. Por exemplo: seja, primeiro altera-se o rol das cláusulas pétreas e depois altera-
art. 5º, inciso XIII. se a constituição no particular.
• Normas de eficácia limitada: somente produzem seus efeitos No entanto, a maioria dos doutrinadores brasileiros rejeita
plenamente após a edição de lei ordinária ou complementar que esta tese por ser uma forma de burlar a vontade soberana do
lhes desenvolva a aplicabilidade. Ou seja, precisam ser regula- Constituinte Originário.
mentadas. Por exemplo: art. 7º, inciso XI.
Além desses três tipos, podemos citar também as normas • Restrições temporais
programáticas: O art. 60, § 1º, estabelece que a Constituição não poderá ser
• Normas programáticas: caracterizam-se por expressarem valo- emendada: na vigência de intervenção federal; na vigência de estado
res que devem ser respeitados e perseguidos pelo legislador. Não de defesa; na vigência de estado de sítio.
têm a pretensão de serem de aplicação imediata, mas, sim, de • Restrições formais
aplicação diferida, paulatina, constituindo um norte ao legisla- As restrições formais nada mais são do que os procedimentos
dor. Por isso, normalmente, trazem conceitos vagos e abertos. necessários para que a emenda constitucional possa ser votada e
Um exemplo de norma programática seria o art. 7º, inciso IV, aprovada.
de nossa Constituição Federal, que trata do salário-mínimo:
Pelo fato de a nossa constituição ser rígida, a elaboração de emen-
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros das exige um processo legislativo mais rígido e dificultoso do que o
que visem à melhoria de sua condição social: [...]
ordinário.
IV – Salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz
de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com Ou seja, as restrições formais são os requisitos que deverão ser
moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, observados para a aprovação da emenda. Estão ligados à iniciativa
transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe pre- para a propositura da emenda, ao rito e ao quórum necessários para
servem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer sua aprovação.
fim;
2.5.2 Iniciativa
2.5 Emendas constitucionais De acordo com o art. 60 da Constituição Federal de 1988, ela
No exercício do poder constituinte derivado, o Estado pode alte- poderá ser emendada mediante proposta: L
rar o texto constitucional, respeitados os limites impostos pelo poder I – De um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados E
constituinte originário. ou do Senado Federal; S
Estas alterações se dão por meio das chamadas emendas constitu- II – Do Presidente da República; P
cionais, as quais, uma vez aprovadas, passam a compor o texto original III – De mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades
da Magna Carta, em pé de igualdade com as demais normas. da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa
de seus membros.
A emenda constitucional é expressamente prevista como espécie
normativa no art. 59 da Constituição Federal. Ou seja, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) somente
pode ser apresentada por uma dessas pessoas ou entidades.
No entanto, para sua aprovação, uma proposta de emenda cons-
titucional não pode incidir em alguma das restrições previstas pelo 2.5.3 Rito e quórum de aprovação
constituinte.
A PEC terá sua constitucionalidade examinada pela Comissão
2.5.1 Restrições às emendas constitucionais de Constituição e Justiça da Casa onde foi proposta. Após isso, será
colocada em plenário e será votada em dois turnos, sendo que, em cada
As restrições às emendas constitucionais podem ser de dois tipos:
um deles, deverá ser aprovada por três quintos dos votos dos membros
materiais (também chamadas de cláusulas pétreas), temporais e formais.
daquela Casa (maioria qualificada de 60% dos membros).
• Restrições materiais
Se a PEC for aprovada nestes dois turnos, será enviada para vota-
Têm esse nome porque são restrições de conteúdo (matéria). Ou
ção na outra Casa legislativa, onde também deverá ser aprovada em
seja, a Constituição proíbe a aprovação de emendas que tratem de
dois turnos com três quintos de aprovação.
determinadas matérias.
Após isso, se aprovada, será então promulgada pelas mesas da
Essas matérias que não podem ser objeto de emendas estão previs-
Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
tas no art. 60, § 4º, e são chamadas pela doutrina de cláusulas pétreas.
Vejamos o texto deste dispositivo:
Art. 60 [...]
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente
a abolir:
I – A forma federativa de Estado;

205
INFORMÁTICA
INFORMÁTICA

1 WINDOWS 10 1.2.1 Área de Trabalho


A barra de tarefas apresenta como novidade a busca integrada.
O Microsoft Windows 10 é um sistema operacional lançado em
29 de julho de 2015. Essa versão trouxe inúmeras novidades, princi-
palmente por conta da sua portabilidade para celulares e tablets.

1.1 Requisitos mínimos


Para instalar o Windows 10, o computador deve ter no mínimo
1 GB de memória RAM para computadores com processador 32 bits
de 1 GHz, e 2 GB de RAM para processadores de 32 bits de 1 GHz.
Todavia, recomenda-se pelo menos 4 GB.
A versão 32 bits do Windows necessita, inicialmente, de 16 GB
de espaço livre em disco, enquanto o Windows 64 bits utiliza 20 GB.
A resolução mínima recomendada para o monitor é de 1.024 × 768.

1.2 Diferenças em relação à versão anterior 1.2.2 Cortana


O Windows 10 nasceu com a promessa de ser o último Windows Esse recurso opera junto ao campo de pesquisa localizado na barra
lançado pela Microsoft, o que não significa que não será atualizado. de tarefas do Windows. É uma ferramenta de execução de comandos
A proposta da fabricante é não lançar mais versões, a fim de tor- por voz, porém, ainda não conta com versão para o português do Brasil.
nar as atualizações mais constantes, sem a necessidade de aguardar
para atualizar junto com uma versão numerada. Em de outubro de 1.2.3 Continue de onde parou
2021, o Windows 11 foi lançado e conta com um visual mais limpo e Esse recurso permite uma troca entre computador, tablet e celular
minimalista, incluindo ícones remodelados, janelas translúcidas, nova sem que o usuário tenha de salvar os arquivos e os enviar para os apa-
iconografia e um Menu Iniciar centralizado. relhos; o próprio Windows se encarrega da sincronização.
Ao abrir um arquivo em um computador e editá-lo, basta abri-lo
O objetivo do projeto do novo Windows foi baseado na interope-
em outro dispositivo, de modo que as alterações já estarão acessíveis (a
rabilidade entre os diversos dispositivos como tablets, smartphones e velocidade e disponibilidade dependem da conexão à internet).
computadores, de modo que a integração seja transparente, sem que
o usuário precise, a cada momento, indicar o que deseja sincronizar. 1.2.4 Desbloqueio imediato de usuário
A Charms Bar, presente no Windows 8 e 8.1, foi removida, e a tela Trata-se de um recurso disponível que permite ao usuário que
inicial foi fundida ao botão (menu) Iniciar. Algumas outras novidades possua webcam usar uma forma de reconhecimento facial para logar
no sistema, sem a necessidade de digitar senha.
apresentadas pela Microsoft são:
▷ Xbox Live e novo Xbox app proporcionam novas experiências de 1.2.5 Múltiplas áreas de trabalho
jogo no Windows 10. No Xbox, é possível que jogadores e de- Uma das novidades do Windows 10 é a possibilidade de manipular
senvolvedores acessem à rede de jogos do Xbox Live, tanto nos “múltiplas Áreas de Trabalho”, uma característica que já estava há
computadores quanto no Xbox One. Os jogadores podem capturar, tempos presente no Linux e no MacOS. Ao usar o atalho Windows
editar e compartilhar seus melhores. + Tab, é possível criar uma Área de Trabalho e arrastar as janelas
desejadas para ela.
▷ Momentos no jogo com o Game DVR e disputar novos jogos com
os amigos nos dispositivos, conectando a outros usuários do mundo 1.2.6 Iniciar
todo. Os jogadores também podem disputar jogos no seu computa- Com essa opção em exibição, ao arrastar o mouse ligeiramente
dor, transmitidos por stream diretamente do console Xbox One para para baixo, são listados os programas abertos pela tela inicial. Pro-
o tablet ou computador Windows 10, dentro de casa. gramas abertos dentro do desktop não aparecem na lista, conforme
▷ Sequential mode: em dispositivos 2 em 1, o Windows 10 alterna fa- ilustrado a seguir.
cilmente entre teclado, mouse, toque e tablet. À medida que detecta
a transição, muda convenientemente para o novo modo.
▷ Novos apps universais: o Windows 10 oferece novos aplicativos de I
experiência, consistentes na sequência de dispositivos, para fotos, N
vídeos, música, mapas, pessoas e mensagens, correspondência e ca- F
lendário. Esses apps integrados têm design atualizado e uniformi- O
dade de app para app e de dispositivo para dispositivo. O conteúdo
é armazenado e sincronizado por meio do OneDrive, e isso permite
iniciar uma tarefa em um dispositivo e continuá-la em outro.

341
WINDOWS 10
Os aplicativos listados como acessórios são, efetivamente:
1.2.7 Aplicativos
Os aplicativos podem ser listados clicando-se no botão presente • Bloco de notas; • Notas autoadesivas;
na parte inferior do botão Iniciar, mais à esquerda. • Conexão de área de trabalho • Painel de entrada de
remota; expressões matemática;
• Diário do Windows; • Paint;
• Ferramenta de captura; • Visualizador XPS;
• Gravador de passos; • Windows Fax and Scan;
• internet Explorer; • Windows Media Player;
• Mapa de caracteres; • WordPad.

1.2.9 Bloco de notas


O bloco de notas é um editor de texto simples, e apenas texto, ou
seja, não aceita imagens ou formatações muito avançadas e são possíveis
apenas algumas formatações de fonte: tipo/nome da fonte, estilo de
fonte (negrito, itálico) e tamanho da fonte. A imagem a seguir ilustra
a janela do programa.

A cor da fonte não é uma opção de formatação presente. A janela


a seguir ilustra as opções.

1.2.8 Acessórios
O Windows 10 reorganizou seus acessórios ao remover algumas
aplicações para outro grupo (sistema do Windows).

342
INFORMÁTICA

1.2.10 Conexão de área de trabalho remota 1.2.11 Diário do Windows


A conexão remota do Windows não fica ativa por padrão, por A ferramenta Diário do Windows é uma novidade no Windows
questões de segurança. Para habilitar a conexão, é necessário abrir a 8. Ela permite que o usuário realize anotações como em um caderno.
janela de configuração das Propriedades do Sistema, ilustrada a seguir. Os recursos de formatação são limitados, de modo que o usuário pode
Essa opção é acessível pela janela Sistema do Windows. escrever com fonte manuscrita ou por meio de caixas de texto.

1.2.12 Ferramenta de captura


A ferramenta de captura, presente desde o Windows 7, permite o
print de partes da tela do computador. Para tanto, basta selecionar a
parte desejada usando o aplicativo.

A conexão pode ser limitada à rede por restrição de autentica-


ção em nível de rede, ou pela internet, usando contas de e-mail da
Microsoft. A figura a seguir ilustra a janela da Conexão de Área de
Trabalho Remota.
1.2.13 Gravador de passos
É um recurso vindo desde o Windows 8, muito útil para atendentes
de suporte que precisam apresentar o passo a passo das ações que um
usuário precisa executar para obter o resultado esperado. A figura a
seguir ilustra a ferramenta com um passo gravado para exemplificação.

I
N
F
O

343
WINDOWS 10

1.2.14 Mapa de caracteres 1.2.17 Paint


Frequentemente, faz-se necessário utilizar alguns símbolos diferen- O tradicional editor de desenho do Windows, que salva seus arqui-
ciados. Esses símbolos são chamados de caracteres especiais e esse recurso vos no formato PNG, JPEG, JPG, GIF, TIFF e BMP (Bitmap), não
consegue listar os caracteres não presentes no teclado para cada fonte ins- sofreu mudanças em comparação com a versão presente no Windows 7.
talada no computador e copiá-los para a área de transferência do Windows.

1.2.18 WordPad
É um editor de texto que faz parte do Windows, ao contrário do
MS Word, com mais recursos que o Bloco de Notas.

1.2.15 Notas autoadesivas


Por padrão, as notas autoadesivas são visíveis na Área de Trabalho,
elas se parecem com post-its.

1.2.16 Painel de entrada de


expressões matemáticas
Essa ferramenta possibilita o usuário de desenhar fórmulas mate-
1.2.19 Facilidade de acesso
máticas como integrais e somatórios, e ainda colar o resultado produ-
zido em documentos. É possível fazer isso utilizando o mouse ou outro Anteriormente conhecida como ferramentas de acessibilidade,
dispositivo de inserção como tablet canetas e mesas digitalizadoras. são recursos que têm por finalidade auxiliar pessoas com dificuldades
para utilizar os métodos tradicionais de interação com o computador.

344
INFORMÁTICA

Lupa 1.2.21 Painel de Controle


Ao utilizar a lupa, pode-se ampliar a tela ao redor do ponteiro do É o local onde se encontram as configurações do sistema ope-
mouse, como também é possível usar metade da tela do computador racional Windows e pode ser visualizado em dois modos: ícones ou
exibindo a imagem ampliada da área próxima ao cursor. categorias. As imagens a seguir representam, respectivamente, o modo
ícones e o modo categorias.
Narrador
O narrador é uma forma de leitor de tela que lê o texto das áreas
selecionadas com o mouse.

Teclado virtual
O teclado virtual é um software que permite entrada de texto
em programas de computador de maneira alternativa ao teclado
convencional.

Fique ligado
É preciso ter muito cuidado para não confundir o teclado virtual do
Windows com o teclado virtual usado nas páginas de internet Banking.

1.2.20 Calculadora
A calculadora do Windows 10 deixa de ser associada aos acessórios.
Outra grande mudança é o fato de que sua janela pode ser redimen-
sionada, bem como perde um modo de exibição, sendo eles: padrão,
científica e programador. Apresenta inúmeras opções de conversões
de medidas, conforme ilustrado respectivamente ilustradas a seguir. No modo categorias, as ferramentas são agrupadas de acordo com
sua similaridade, como “Sistema e segurança”, o que envolve o “His-
tórico de arquivos” e a opção “Corrigir problemas”.
A opção para remover um programa possui uma categoria exclusiva
chamada “Programas”.
Na categoria “Relógio, idioma e região”, temos acesso às opções
de configuração do idioma padrão do sistema. Por consequência, é
possível também o acesso às unidades métricas e monetárias, bem
como alterar o layout do teclado ou botões do mouse.
Algumas das configurações também podem ser realizadas pela
janela de configurações acessível pelo botão Iniciar.

1.2.22 Segurança e manutenção


Nessa seção, é possível verificar o nível de segurança do computa-
dor em relação ao sistema ou à possibilidade de invasão.

I
N
F
O

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