Azarias Xavier Sengo
Participação Política dos Munícipes no Processo de Tomada de Decisões nos Municípios
Moçambicanos
Mestrado em Governação e Política Publicas
Universidade Save
Extensão de Maxixe
2024
Azarias Xavier Sengo
Participação Política dos Munícipes no Processo de Tomada de Decisões nos Municípios
Moçambicanos
Trabalho de Pesquisa de Cidadania e
Grupos de Pressão a ser entregue no
curso de Mestrado em Governação e
Política Publicas.
Docente: Castro Magul
Universidade Save
Extensão de Maxixe
2024
Índice
Introdução................................................................................................................................3
Objectivos................................................................................................................................4
Geral........................................................................................................................................4
Específicos..............................................................................................................................4
Metodologia do trabalho.........................................................................................................4
I. Principais Conceitos sobre Participação Política e Democrática dos munícipes na
tomada de decisão...................................................................................................................5
1.1. Participação dos Munícipes..........................................................................................5
1.2. Participação Política.....................................................................................................5
II. Participação Política e Implicações dos Munícipes no Processo de Tomada de Decisões
6
2.1. Evolução histórica do processo da participação das comunidades locais em
Moçambique............................................................................................................................6
2.1.1. Emergência do sistema democrático em Moçambique............................................8
2.2. Quadro normativo para participação das comunidades locais nos processos
governativos em Moçambicano..............................................................................................9
2.3. Princípios Fundamentais da Organização para Consulta e Participação Comunitária
em Moçambique....................................................................................................................10
2.4. Formas de participação política nos municípios em Mocambique:...........................11
2.5. Etapas do processo de tomada de decisão Municipal................................................12
2.5.1. Lançamento do Plano Estratégico de Desenvolvimento........................................12
2.5.2. Diagnóstico Sectorial e nas comunidades..............................................................12
a) Diagnóstico Sectorial........................................................................................................12
b) Diagnóstico nas Comunidades..........................................................................................13
2.6. Actores envolvidos e o seu papel no processo de elaboração Plano Estratégico de
desenvolvimento....................................................................................................................13
Conclusão..............................................................................................................................14
Referência Bibliográfica.......................................................................................................15
3
Introdução
Esta trabalho consubstancia-se em torno da Participação dos Munícipes no Processo de Tomada
de Decisões, A pesquisa parte da constatação que nos Municípios moçambicanos fraca
participação da comunidade aliada à falta de critérios objectivos de selecção de prioridades
durante a tomada de varias decisões municipais. Partindo do problema identificado, formulou-se
a seguinte questão: De que maneira o processo de planificação participativa permiti ao munícipe
influenciar na tomada de decisões e a participar na elaboração do plano Estratégico de
desenvolvimento do Município.
A Implementação do processo de Planificação participativa em Moçambique enquadra-se no
âmbito no novo modelo de governação democrática: democracia participativa, enquanto um
conjunto de experiências e mecanismos que tem como finalidade estimular a participação directa
de cidadãos na vida política, através de canais de discussão e decisão. A democracia participativa
preserva a realidade do Estado. Todavia, ela busca superar a dicotomia entre representantes e
representados, recuperando o velho ideal da democracia grega: a participação activa e efectiva
dos cidadãos.
Em Moçambique, como forma de responder aos imperativos colocados pelo novo modelo
democrático, iniciou-se um conjunto de reformas institucionais e estruturais nos finais da década
1980 e início da década 90, que foram: a abertura política e económica. Estas reformas, para
além de criação de um ambiente institucional para a realização das eleições democráticas,
visavam adopção de mecanismos de descentralização política e a melhoria do funcionamento dos
órgãos descentralizados administrativamente. Como resultado, o país inicia Programa de
Reforma dos Órgãos locais em 1991, que teve a sua primeira experiência na Província de
Nampula no norte do País, com o objectivo de descentralizar o Estado, sucedido pela lei 3/94 e
posterior a emenda constitucional, pela lei 6/96 de 22 de Novembro, no quadro institucional para
a reforma dos órgãos locais, introduzindo um novo título sobre o poder local no artigo 3, onde
configurou-se as condições jurídicas para a organização participativa das comunidades na arena
governativa. (OSÓRIO, 2009:9)
4
Objectivos
Geral
Analisar o nível de influência dos munícipes na tomada de decisões e de a participação
dos munícipes na elaboração dos Planos de desenvolvimento local.
Específicos
Descrever a evolução histórica do processo da participação das comunidades locais em
Moçambique;
Descrever as principais etapas do processo de elaboração Plano Estratégico de
desenvolvimento dos Município;
Identificar os actores envolvidos e o seu papel no processo no processo de tomada de
decisão nos municípios;
Identificar os mecanismos de participação dos munícipes no processo de tomada de
decisão.
Metodologia do trabalho
O presente trabalho foi feito com base em pesquisa bibliográfica, que consistiu na recolha e
selecção de obras que versam sobre o tema, posteriormente tendo-se feito a leitura e
interpretação das mesmas com vista a sair algo mais consistente.
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I. Principais Conceitos sobre Participação Política e Democrática dos munícipes
na tomada de decisão
I.1. Participação dos Munícipes
Para falar de participação de munícipes, é recomendável tratar, em primeiro lugar do conceito de
participação. Participação é definida por Forquilha (2009: 13), como uma forma de organização
e um processo de capacitação para o exercício efectivo do poder. Para o autor, a participação é
vista, por um lado como o empowerment, como processo de desenvolvimento de procedimentos
práticos e experiencias que habilitam a população beneficiária a fazer ouvir sua opinião na
negociação e gerir eficazmente sua participação no desenvolvimento. Por outro lado, como algo
essencial e fundamental ao capacitar a população a tomar decisões e acções que ela acha
importante para seu bem-estar. Paulo (S.D) define participação como um processo activo através
do qual os beneficiários (a comunidade, população comum) influenciam a direcção e execução
de um projecto de desenvolvimento com intuito de melhorar o seu bem-estar em termos de
rendimento, crescimento, confiança e estatuto social.
I.2. Participação Política
Entretanto, em sociedades onde encontram-se diversos segmentos da população, sociais,
políticos e económicos torna-se difícil identificar interesses gerais. Portanto, há necessidade de
se constituir organizações de participação dos cidadãos envolvidos no processo de planificação.
A inclusão de valores, prioridades nas agendas de desenvolvimento local é feita através de
planificação participativa, significando a definição conjunta de prioridades, metas, objectivos a
ser realizados num período. (IDEM: 34).
É importância referenciar que no processo participativo são feitas consultas das dificuldades que
afectam as comunidades, no entanto Nguenha (2009:17), alerta que a maior inconveniência das
consultas comunitárias é que embora permitem que os cidadãos tenham a possibilidade de
expressarem as suas necessidades e até propostas de solução, mas nem sempre as decisões
tomadas têm como base tais propostas. Isto significa que as consultas comunitárias não
asseguram uma participação efectiva dos cidadãos.
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II. Participação Política e Implicações dos Munícipes no Processo de Tomada de
Decisões
II.1. Evolução histórica do processo da participação das comunidades locais em
Moçambique
Autores como Rocha (2002: 24), sustentam que as tentativas de materialização da participação
em Moçambique datam do período colonial com a constituição de associações de carácter
cultural e recreativo. Na perspectiva deste autor, estas associações eram como forma de reacção
ao estado crítico, económico e social. Noutra vertente, existiam os régulos (chefes tradicionais)
que funcionava como elo de ligação entre o governo e as comunidades, preservando os hábitos e
valores socioculturais e religiosos da comunidade a ser explorada pelos portugueses, mas, após a
independência, foram contestados pelo Estado por terem colaborado com o regime colonial. Por
conseguinte, e em sua substituição, foram criados os bairros e aldeias-comunais, grupos
dinamizadores (GD) que se afirmavam comprometidos e fieis á ideologia do partido no poder.
A participação no período pós-independência visava a materialização do Projecto político da
FRELIMO através dos grupos dinamizadores nas zonas de residência para o controlo popular.
Para efectivação do referido projecto, foram criadas várias organizações de massas tais como:
Organização da Mulher Moçambicana (OMM), Organização da Juventude Moçambicana (OJM),
Organização Nacional dos Professores (ONP), Organização Nacional dos Jornalistas (ONJ), com
o objectivo de enquadrar a população e usar estas instâncias para mobilizar diferentes grupos
(mulheres, jovens, professores, jornalistas para materializar o projecto político (ADALIMA,
2009:56). Para Kulipossa (2004: 23) neste período as decisões eram centralizadas ao nível do
topo, o que fazia com que estas não reflectissem na melhor maneira de vida das comunidades.
Por sua vez Geffray (1991: 58), sustenta que, para melhor controlar a população, a FRELIMO
baniu os partidos políticos, movimentos e associações com ideologias diferentes à sua (as
autoridades tradicionais, ritos animistas bem como a prática do lobolo - Decreto 6/78 de 22 de
Abril), o que mais tarde, contribui para o surgimento de movimentos de constelação localizados,
gerando a RENAMO (Resistência Nacional de Moçambique).
7
Rogersson (1997: 89) sustenta que nas décadas de 80 e 90, alguns Países em via
desenvolvimento foram marcadas por grandes mudanças na forma de encarar o papel do Estado e
sua relação com a sociedade. As mudanças reflectem a ideia segundo a qual o papel do Estado na
resolução de problemas económicos e sociais, durante as décadas de 80 e 90, revelou-se
inadequado. É neste período que o governo de Moçambique começa a virar sua atenção para as
populações no sentido de juntos trabalharem na identificação e resolução de problemas. Foi
assim que Moçambique inicia um processo de reformas de natureza política, económica e
administrativa devido à conjuntura interna (a guerra e suas consequência) e externa
(caracterizada pela diminuição de apoio vindo do bloco socialista, pois, este debatia-se com
problemas internos) bem como a pressão do Ocidente que condicionava qualquer apoio às
reformas políticas e económicas de Moçambique. Também há que destacar uma reflexão trazida
por Canhanga (2007: 24), sustentando que neste período de década 80 e 90, o desafio de
planificação participativa foi influenciado por uma conjuntura que transportou a economia do
país a um declínio, devido a factores negativos tais como: calamidades naturais, guerra civil que
durou 16 anos, destruindo várias infra-estruturas sociais e económicas, associado a isto, a
questão de falta de quadros qualificados e a debilidade das estruturas criadas para a direcção da
economia nacional. Por consequência, o país teve que se aliar às Instituições de Bretton Woods:
Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), como condição imposta pelo
Ocidente para apoiar Moçambique na reabilitação económica (abrahamsson & nilsson, 1994:
45). O governo de Moçambique adere a estas instituições em 1987 iniciando-se, deste modo, o
programa de reabilitação económica (PRE) com objectivo de estabilizar a economia do País num
período de três anos. Mais tarde, a mesmo veio a designar-se Programa de Reabilitação
Economiza e Social (PRES) ao incorporar-se a componente social nas reformas (Mosca, 2005:
12 - 45). Em 1989, aquando da realização do 5º congresso, a FRELIMO deixa de ser o partido de
orientação marxista-leninista abrindo espaço para adopção de um modelo de governação
democrática em Moçambique (Abrahamsson & Nilsson, op.cit: 65). Sendo assim, houve
necessidade de se reformular a Constituição da República que regia o País desde 1975. Adoptou-
se uma nova Constituição da República no ano de 1990, que preconizava a defesa e o respeito
das liberdades fundamentais do cidadão, introduzindo-se o pluralismo e sistema de democracia
multipartidária, incluindo-se uma nova forma de alargamento da participação das comunidades
no processo de governação e desenvolvimento local em Moçambique (ibdem).
8
O sistema instituído abriu espaço para a participação das populações na vida política, na
governação da realização de eleições, integração em partidos políticos bem como em
associações.
Para viabilizar estes princípios e valores o nº 2 do art.263 da Constituição da República de 1990
estabelece que, “no seu funcionamento, os órgãos locais do Estado, promovendo a utilização dos
recursos disponíveis, garantam a participação activa dos cidadãos e incentivas a iniciativa local
na solução dos problemas das comunidades.”
Como resultado da abertura política, em Moçambique, de uma forma geral, verifica-se a
renovação da forma de relacionamento do Estado com a sociedade, evitando-se o mecanismo de
orientação top-down (um modelo de tomada de decisões no sentido de cima para baixo) e
aplicando-se o botton-up (a tomada de decisão no sentido de baixo para cima) bem como a
introdução de diferentes tipologias de descentralização (Paulo, s/d).
À luz de tudo que fora referido anteriormente, pode-se sustentar a ideia de que a visão corrente
está inclinada para a tendência de que as províncias e os distritos possam e devem elaborar
estratégias adequadas ao nível regional e local e aplicar os fundos necessários para melhorar a
prestação de serviços para população, dando assim um contributo mais eficaz para a redução da
pobreza num país onde cerca de 50% da população, ainda vive em situação de extrema pobreza.
É neste quadro que os distritos e os municípios são chamados a elaborar os seus planos de
desenvolvimento.
II.1.1. Emergência do sistema democrático em Moçambique
Do ponto de vista político, a questão da participação comunitária está associada à emergência do
sistema político-democrático em Moçambique que foi influenciado pelo colapso da União das
Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), e consequente o fim da guerra fria; acompanhada pela
queda do Muro de Berlim. Por outro, a emergência do sistema político-democrático em
Moçambique fica a dever-se a teoria da Terceira Onda da Democracia de desenvolvida por
Mosca (2005: 22-34). Segundo este pensador, nos 15 anos que se seguiram ao fim da ditadura
portuguesa, em 1974, emergiram regimes políticos democráticos que substituíram regimes
autoritários (totalitários) que dominavam a Europa desde a primeira metade do século XX até
9
finais. Estes regimes afectaram também países na da Ásia e da América Latina. Com a
substituição dos regimes autoritários ocorreu uma considerável implantação dos regimes
democráticos no Mundo. Os movimentos que promoviam a democracia ganharam força e
atingiram Moçambique em 1990 com adopção de uma nova constituição, complementado com a
realização das primeiras eleições multipartidárias. As características dos sistemas políticos
democracias são: os governos são representativos porque são eleitos; as eleições são concorridas
livremente; a participação é ampla; os cidadãos desfrutam das liberdades políticas. E como tal, os
governos agem em favor do interesse da população. Portanto, a representação política, resultante
dum processo democrático, visa essencialmente, a fruição das liberdades políticas, participação
democrática, justiça, tolerância, segurança, bem-estar, estabilidade política.
II.2. Quadro normativo para participação das comunidades locais nos processos
governativos em Moçambicano
De acordo com Nguiraze & Aires (2011: 8-9) as mudanças introduzidas no quadro jurídicas no
início da década de 1990, permitiram o início do Programa de Reformas dos Órgãos Locais
(Prol), em 1991 que culminou com aprovação da lei número 3/94 que cria as primeiras bases
legais para o processo de descentralização política em Moçambique. A referida lei 3/94 foi
procedida pela emenda constitucional através da lei número 9/96, de 22 de Novembro, criando
condições para introdução na Constituição da República do capítulo XIV sobre o Poder Local. O
número 1 do artigo 272 da CRM afirma:
“O Poder Local compreende a existência de autarquias locais”. E o artigo 271 da mesma
constituição define: “ O Poder Local tem como objectivos organizar a participação dos cidadãos
na solução dos problemas próprios da sua comunidade e promover o desenvolvimento local, o
aprofundamento e a consolidação da democracia, no quadro da unidade do Estado
Moçambicano. O Poder Local apoia-se na iniciativa e na capacidade das populações e actua em
estreita colaboração com as organizações de participação dos cidadãos”.
Por sua vez, o número 2 do artigo 272 da CRM define: “ as autarquias locais são pessoas
colectivas públicas, dotadas de órgãos representativos próprios, que visam a prossecução dos
interesses das populações respectivas, sem prejuízo dos interesses nacionais e da participação do
Estado”.
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Artigo 273 da CRM fala sobre as Categorias das autarquias locais: 1. “As autarquias locais são
os municípios e as povoações. 2. Os municípios correspondem à circunscrição territorial das
cidades e vilas. 3. As povoações correspondem à circunscrição territorial da sede dos postos
administrativos.4. A lei pode estabelecer outras categorias autárquica superiores ou inferiores à
circunscrição territorial do município ou da povoação”.
Como se pode depreender a partir do exposto, a descentralização pode ser um factor estimulador
da democracia participativa e do desenvolvimento, pois, pela via de atribuição do exercício do
poder aos órgãos locais, opera-se a aproximação dos governantes aos governados, possibilitando-
se a influência destes no processo de tomada de decisões que directamente lhes dizem respeito.
Neste sentido, um processo de descentralização política não é apenas necessário, mas inevitável
para garantir que a administração responda as necessidades reais e aspirações da comunidade
local. É a habilidade racional de penetrar a periferia política e administrativa e de reduzir o peso
no centro político, ou seja, é uma forma racional da afirmação da autonomia (autarcizacão)
política das populações.
II.3. Princípios Fundamentais da Organização para Consulta e Participação
Comunitária em Moçambique.
Para organização da consulta e participação comunitária em Moçambique, o governo definiu três
princípios fundamentais: participação, representatividade e diversidade.
Princípio de Participação – o presente princípio afirma que os órgãos de participação
comunitária devem ser baseados num processo através do qual as pessoas, especialmente
as mais desfavorecidas, influenciam as decisões que lhes afectam, ou seja, o processo da
consulta e participação deve trazer para o processo de decisão as preocupações de todas
as pessoas que se querem fazer ouvir, o que implica abrangência, equidade e respeito
pelas formas de organização legítimas existentes desde que não se contradigam com leis
vigentes no país.
Princípio de Representatividade – este princípio estabelece que os órgãos de consulta e
de participação devem representar segmentos específicos da população do Distrito quer
na base geográficas das várias localidades, quer na base social dos vários grupos
populacionais e de interesses.
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Princípio de Diversidade – segundo este princípio, a composição dos órgãos de
participação devem reflectir em geral a constituição da população local, em termos de
género, idade, classe social, etc. De uma forma geral pode se afirmar que o conselho local
assenta no princípio de igualdade de tratamento dos cidadãos, direitos a diferenças, a
transparência e diálogo. Os diferentes actores e sectores das comunidades devem estar
representados nos órgãos que planificam, implementam e monitoram a planificação e o
desenvolvimento social, económico, e cultural das comunidades de acordo com os seus
interesses.
II.4. Formas de participação política nos municípios em Mocambique:
Adalima (2009: 67) classifica o conceito de participação em sete níveis:
i) Participação passiva – quando a participação é unilateral onde a agência de
intervenção limita-se dizer à comunidade o que pretende fazer ou está acontecendo
sob administração do projecto;
ii) Participação informativa – quando a comunidade se limita a responder as questões
colocadas pela equipa de intervenção e não têm oportunidade de se expressar;
iii) Participação consultiva – nos casos em que a comunidade é consultada mas não tem
oportunidade de tomar decisões;
iv) Participação por incentivos – reflecte a participação feita em troca de recursos
materiais;
v) Participação funcional – quando a comunidade participa na formação de grupos de
trabalho para alcançar objectivos predeterminados, comunidade não envolvida no
processo de planeamento, sendo que maior parte das decisões são tomadas pelos
promotores do projecto;
vi) Participação interactiva – quando a comunidade participa na análise que conduz aos
planos de acção e fortalecimento das instituições locais existentes. O grupo leva o
controlo sobre as decisões locais e a comunidade mantém as estruturas e práticas
locais;
vii) Auto – mobilização – a comunidade participa na tomada de iniciativas,
independentemente das instituições locais ou externas para mudanças sistemáticas.
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Os níveis de participação apresentados, demonstram-nos que os actores podem participar de
diversas maneiras, como é o caso, por exemplo, da participação passiva, informativa, consultada
sobre um determinado assunto. Também pode ser em função dos ganhos ou benefícios a serem
obtidos, no entanto há que referir que consideramos a participação interactiva como a que mais
se enquadra no nosso objecto de estudo porque ela permite que haja interacção entre os diversos
envolvidos no processo, ou seja, quando a comunidade participa na análise que conduz aos
planos de acção e fortalecimento das instituições locais existentes, isso por si só, leva ao alcance
dos resultados desejados. O grupo leva o controlo sobre as decisões locais e a comunidade
mantém as estruturas e práticas locais. Dentro deste contexto torna-se necessário compreender o
conceito de participação comunitária, sendo importante para o estudo.
II.5. Etapas do processo de tomada de decisão Municipal
O Método do Quadro Lógico, apresenta diversos passos na análise do processo de planificação e
tomada de decisão que se consubstanciam no seguinte: análise do contexto, análise das partes
interessadas, análise do problema, análise da situação, análise dos objectivos, actividades,
recursos ou fundos, medir a realização dos objectivos ou indicadores, análise dos riscos e
pressupostos. Ora, analisando as etapas do processo de elaboração do Plano Estratégico de
Desenvolvimento do Município à luz Método do Quadro Lógico, constatou-se que, o mesmo
obedeceu as etapas descritas a seguir:
II.5.1. Lançamento do Plano Estratégico de Desenvolvimento
Compreende a composição da equipe Técnica, constituída por elementos seleccionados de
diversos sectores (vereações), essa equipe constitui o corpo executivo municipal do processo de
planificação.
II.5.2. Diagnóstico Sectorial e nas comunidades
a) Diagnóstico Sectorial
O diagnóstico sectorial consisti no levantamento físico das infra-estruturas, recursos materiais e
humanos existentes e na identificação dos constrangimentos que os sectores enfrentam na sua
qualidade de prestadores de serviços. Este levantamento visava identificar e integrar no plano, as
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acções que contribuem para o aumento da capacidade de intervenção e melhoramento da
qualidade de serviços. O diagnóstico sectorial serviu também para conhecer as políticas,
estratégias e prioridades dos sectores.
b) Diagnóstico nas Comunidades
Nesta fase, a consulta e participação comunitária é feita através de encontros públicos realizados
em todos os bairros do Município. Segundo as autoridades municipais, são feitas reuniões de
auscultação a vários níveis desde os fóruns de consulta até presidências abertas nos bairros, onde
cada sector faz o registo mediante a sua área de intervenção. Cada sector e vereação faz o
levantamento das propostas das acções a serem inscritas no Plano Economico e Social (PES). O
Conselho Consultivo faz a revisão das propostas apresentadas pelos sectores/vereações, onde
elege quais as mais prioritárias e vitais mediante o orçamento disponível3.
II.6. Actores envolvidos e o seu papel no processo de elaboração Plano Estratégico
de desenvolvimento
Segundo Paulo (s\d:52), no processo de planificação participativa, vários actores estão
envolvidos como:
Comunidade local em conjunto com os líderes comunitários:
Organizações não-governamentais (ONGs);
Associações;
Conselho técnico distrital;
Sector Privado (comerciantes e produtores);
Conselho técnico Provincial através do Governo Provincial.
Assim, para as autoridades do Município, os principais actores envolvidos no processo de
planificação são Conselho de Desenvolvimento do Bairro, Líderes Religiosos e Médicos
tradicionais (autoridade Tradicionais), Mulher Autarca, Agentes Económicos, Fazedores da
Cultura, Juventude Municipal, Agricultores, Conselho Consultivos das Localidades Municipais.
O papel das autoridades tradicionais no processo de governação local é mobilizar a comunidade
para a sua participação no desenvolvimento local.
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Conclusão
Finda a realização do presente trabalho conclui-se que o processo participao dos munícipes na
tomada de decisões é justificado pela Lei em termos jurídicos, onde a ;lei deixa claro que a
tomada de decisões para assuntos próprios é pelas autoridades municipais, através das equipas
técnicas, consubstanciando-se a uma participação simbólica no modelo participativa, onde os s
munícipes participam de maneira consultiva através de conselhos consultivos ou estruturas locais
representativas. Entretanto, cabe a Equipe Técnica a escolha de prioridades para constituir ou
fazer parte das acções a ser instrumentalizadas no plano em função da capacidade e
disponibilidade orçamental. É importante lembrar que a participação efectiva vai para além de
uma simples consultas. A participação por via de conselhos consultivos torna o processo não
efectivo, ou seja, há pouco espaço de participação das comunidades locais no processo de
elaboração dos planos Estratégicos de desenvolvimento municipais. O munícipe é consultado,
mas não tem oportunidade de tomar decisões;
Em Moçambique a ideia de planificação participativa inicia no âmbito do processo de
descentralização administrativa, onde criou-se as condições para superar a crise de democracia,
reforçando o desenvolvimento local através de inclusão e gestão de projectos de
desenvolvimento
15
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