Síndrome de Estocolmo ou síndroma de
Estocolomo (Stockholmssyndromet em sueco) é uma condição
ou teoria proposta que tenta explicar por que, às vezes, reféns desenvolvem
um vínculo psicológico com seus captores.
Supõe-se que resulte de um conjunto bastante específico de circunstâncias, ou
seja, os desequilíbrios de poder contidos em situações de reféns, sequestros e
relacionamentos abusivos. Portanto, é difícil encontrar um grande número de
pessoas que experimentam a síndrome de Estocolmo para conduzir estudos
com qualquer tipo de validade ou tamanho de amostra útil. Isso dificulta
determinar tendências no desenvolvimento e nos efeitos da condição e na
verdade é uma "doença contestada" devido a dúvidas sobre a legitimidade da
condição.
Embora a Síndrome de Estocolmo seja citada em diversas situações, não existem
trabalhos científicos que a identifiquem como uma patologia e ela também não é
reconhecida pelo manual de psiquiatria da Associação Psiquiátrica Americana
(APA), o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, Diagnostic
and Statistical Manual of Mental Disorders) ou pela Classificação Internacional de
Doenças (CID).
Como surgiu a Síndrome de Estocolmo?
O termo Síndrome de Estocolmo foi utilizado pela primeira vez pelo criminalista e
psiquiatra Nils Bejerot após examinar os reféns de um famoso assalto a um banco
sueco, os quais desenvolveram uma resposta afetiva por seus sequestradores.
Em 23 de agosto de 1973, logo após a abertura do Sveriges Kreditbanken, um
homem, Jan Olsson, adentrou com uma metralhadora e tomou três mulheres como
reféns. Em seguida, encontrou um jovem escondido no depósito, o qual também se
tornou refém. Ele exigiu uma quantia em dinheiro, um carro e a soltura de um
criminoso, Clark Olofsson, que estava cumprindo pena em uma prisão. A polícia
atendeu ao pedido do Olsoon, levando Olofsson ao banco.
No segundo dia do sequestro, uma das reféns, Kristin Enmark, chegou a pedir ao
primeiro-ministro sueco a soltura dos criminosos. Essa refém, devido à identificação
que desenvolveu com Olofsson, produziu alterações em seu comportamento
imperceptíveis por ela. Em uma declaração que deu a uma rádio sueca enquanto
estava em cativeiro, chegou a proferir diversos palavrões à polícia.
Após seis dias, uma ação da polícia desarmou os criminosos e encerrou o sequestro.
Jan Olsson foi condenado a 10 anos de prisão, e Clark Olofsson, a 6 anos. Olsson
disse, tempos depois em algumas entrevistas, que não conseguiu matar os reféns
porque ficou muito próximo deles. Um dos reféns, Sven, que chegou a ser ameaçado
durante o sequestro por Olsson, afirmou tempos depois ter que se esforçar muitas
vezes para lembrar que os sequestradores não eram seus amigos, e sim
criminosos. Kristin Enmark, mesmo após 40 anos do sequestro, ainda se corresponde
com Olofsson e o considera seu amigo.