Desenvolvimento - Projecto
Desenvolvimento - Projecto
1. Introdução
O presente projecto de pesquisa com o tema: Uso da solução de alho como insecticida natural
no controle de carraças em bovino, foi concebido levando em conta que em Moçambique
vários produtores tem enfrentado grandes prejuízos económicos resultantes do ataque massivo
das pragas e doenças.
O parasitismo é um dos factores que causa diminuição da eficiência produtiva dos animais
(Bianchin et al., 1999), implicando em grandes perdas económicas.
Dentre os fitoterápicos, destaca-se o alho (Allium sativum L.), que além do uso generalizado
como condimento, são atribuídas a ele qualidades terapêuticas. O alho é rico em substâncias
organossulfuradas e dentre estas se destacam a alicina (Ankri & Mirelman, 1999) e o ajoeno
(Urbina et al., 1993), principais responsáveis pelos efeitos antiparasitários.
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O presente projecto está subdividido ou estruturado em III Capítulos a se destacar:
Capitulo III: Resultados esperados, onde estão pontuadas as expectativas do autor a respeito
do trabalho e pontuadas de forma mais ampla e sem aprofundamento.
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1.1. Justificativa da escolha do tema
O uso de pesticidas alternativos, menos agressivos ao homem e outros animais assim como à
natureza com função de repelência, atracção, insecticida e fungicida aliado ao maneio
adequado do animal, solo, planta e água, garante a produção de alimentos orgânicos, sem
resíduos tóxicos além de preservar a saúde do homem.
TAIMO & CALEGARI, (2007) afirmam que pertencem a este grupo as formulações que tem
como características principais, a baixa ou nenhuma toxidade ao homem e a natureza, a
eficiência no combate aos artrópodes e microrganismos nocivos, o não favorecimento à
ocorrência de formas de resistência desses fito parasitas, a disponibilidade e o custo reduzido.
Da mesma forma, terá maior impacto na sociedade na valoração do alho sendo a sua função
não apenas do consumo mas também no uso como insecticida para o tratamento de animais e
sendo também de baixo custo.
1.2. Problematização
Na criação de animais, as pragas e doenças surgem como um sinal de desequilíbrio que são as
verdadeiras causas dos problemas de saúde, porém, o uso de insecticidas é considerado como
um dos principais factores responsáveis pelo controle de caraças e outros parasitas que
provocam varias doenças ao animal.
No entanto, a maior parte dos insecticidas sintéticos oferece riscos para o meio ambiente e a
saúde das pessoas através de impactos nos ecossistemas gerados principalmente pela
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poluição da água. Esses riscos ocorrem quando os insecticidas são utilizados de forma
indiscriminada (CELESTINO, 2000). Desta forma, os criadores tem usado frequentemente a
Cipermetrina no tratamento de animais e tem tido bons resultados, porém, este insecticida é
uma substância do grupo dos piretróides (substâncias sintéticas derivadas da piretrina natural)
e possui classificação toxicológica nível II (altamente tóxico) e é foto-estável, não se
degradando com a luz solar.
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1.3. Hipóteses
Tendo como suporte a ideia de (VEIGA, 2000, p, 5), considerando que “as hipóteses são
respostas provisórias à questão central ou ao problema da pesquisa”. No ponto de vista de
LAKATOS, define “hipóteses como as prováveis causas do problema”. Nesta óptica, Há
pertinência de levantamento das seguintes hipóteses que providenciam as ditas “respostas
provisórias”:
Presume-se que a solução de alho como insecticida natural terá bons ou maus
resultados.
1.4. Objectivos
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1.5. Delimitação do Tema
O ponto de referência para este projecto é a quinta da empresa Transcom Sharaf, cita na zona
da Manga, Cidade da Beira, a qual está vocacionada na criação do gado leiteiro. A pesquisa
será realizada num período compreendido de uns (2) meses, Dezembro e Janeiro.
Para a realização do presente trabalho será necessário o uso dos seguintes métodos:
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1.7.2. O método experimental
São aquelas nas quais o pesquisador intervêm de maneira activa para obter dados, controla as
variáveis em uma amostra aleatória, introduz um tratamento, ou seja, um fenómeno da
realidade é produzido de forma controlada, com objectivo de descobrir os factores que o
produzem, ou seja, que por eles são produzidos TEXEIRA apud ARTUR ( 2010:60).
1. Alho - 3Kg
2. Balde - 30 L
3. Faca
4. Água - 20L
5. Pulverizador
6. Almofariz
7. Esferográfica
8. Bloco de notas
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1.7.4. Instrumentos de Recolha de Dados
1.7.5. Observação
LAKATOS & MARCONI (2003:190), “observação é uma técnica de colecta de dados para
conseguir informações e utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da
realidade.
A autora deste trabalho, segundo esta técnica vai ao campo para verificar as condições do
local de estudo para ter detalhes das condições sanitárias do gado e das instalações de
acomodação dos animais; Bem como para assistir em locus a acção da solução do alho sobre
os animais após a sua aplicação e serão ilustrados através de imagens fotográficas.
Neste âmbito, a pesquisa é de extrema importância pois fará com que o produtores rurais
tenham conhecimento da actual situação de produção agroecológica, de forma simples, com
baixos custos e sem por em causa o produto final.
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1.8.2. Relevância Científica
O estudo trará a camada científica contributos relacionados a agroecológica, olhando para uso
de insecticidas de origem orgânica para combater caraças, visto que é biodegradável, não são
tóxicos e nem contaminam o meio ambiente e também trará conhecimento para futuros
pesquisadores nesta cadeia de criação tendo em vista outras espécies.
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CAPITULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2. Conceito
Allium sativum L. é uma planta herbácea bolbosa, com folhas lineares, flores brancas ou
avermelhadas e que pode atingir até 70 cm de altura. O seu bolbo encontra-se protegido no
solo (geófito) e é composto por um conjunto de bolbilhos oblongo-aguçados, comumente
denominados de dentes de alho (Cunha et al., 2009). Os seus bolbilhos não possuem pecíolo
(sésseis) e estão cobertos por túnicas externas (peças de proteção) de cor branca ou rosada.
O gênero Allium pertence à família Liliaceae e compreende mais de 600 espécies, entre estas
o Allium sativum L (GURIB-FAKIN, 2006), uma monocotiledônea conhecida popularmente
como alho, sendo originária de clima temperado, porém cultivada em todo o mundo
(MENEZES SOBRINHO, 1983).
O alho é uma planta constituída por folhas escamiformes e um bulbo ou cabeça utilizada para
fins medicinais e como tempero (BLOCK, 2010), por possuir sulfóxidos de cisteína,
composto responsável pelo odor e paladar característicos (FRITSCH et al., 2006). Além disso,
contém alicina, um líquido amarelado que aparece após a trituração ou o corte do alho, sendo
responsável por parte das propriedades farmacêuticas da planta (SCHINEIDER, 1984).
A planta de alho pode ser bem aproveitada, sendo que as folhas e as inflorescências devem ser
consumidas ainda verdes e os bulbos devem ser destinados aos condimentos alimentares e
para medicamentos fitoterápicos (KIK & GEBHARDT, 2001) em função dos efeitos
atribuídos aos compostos sulfurados, abundantes nos tecidos desta espécie (LORENZI &
MATOS, 2002).
O alho é constituído por cerca de 30 substâncias de uso farmacêutico, sendo que o bulbo
apresenta rendimento aproximado de 0,1 a 0,2% de óleo volátil (MILNER, 2001). Todavia, os
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compostos extraídos do alho, bem como a concentração destes, dependem do estágio de
maturação do bulbo, da forma e do local que este foi cultivado, do manejo no processamento,
manipulação e armazenamento (MARCHIORI, 2005).
Dessa forma, a utilização de alho (Allium Sativum) como fitoterápico é considerada uma
alternativa, pois favorece a saúde do produtor, assim como a do animal e, por substituir os
produtos químicos, atua positivamente na conservação da biodiversidade local. Um estudo
demonstra a eficiência do alho quando manipulado a partir do bulbo da planta e óleo de soja,
macerado e aquecido, no tratamento de mastite de vacas no período reprodutivo (NEVES &
DE FÁTIMA RODRIGUÊS, 2013).
O alho também pode ser indicado para o tratamento de carrapatos em bovinos, atuando como
insecticida sobre esses parasitas e, quando picado e misturado ao sal mineral, ajuda no
controle da mosca-do-chifre (ALTIERI & NICHOLLS, 2000; CATALAN et al., 2012).
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2.3. Composição química de A. sativum
O alho é rico em compostos sulfóxidos, entre os quais podemos encontrar aliinas (sulfóxidos
de alquilcisteína) e aminoácidos não voláteis (tiossulfinatos), aos quais se devem as
propriedades medicinais que lhe são reconhecidas (Martins et al., 2016; Cunha et al., 2009). É
composto ainda por frutosanas (cerca de 75%), açúcares redutores (15%) compostos
tiociânicos (tiocinato de alilo e outros derivados alílicos), sais minerais, saponinas e vestígios
de vitaminas (A, complexo B e C) (Cunha et al., 2009).
Outros compostos voláteis significativos são os ajoenes bem como diversos compostos
sulfurados para além da aliina, como a alicina, 1,2 – vinilditina, alixina e S-23 alilcisteina.
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Figura: Ciclo biológico do carrapato-do-boi, Rhipicephalus (B.) microplus, ilustrando a fase
de vida livre e a fase de vida parasitária. Fotos: Vinicius da Silva Rodrigues.
2.4.1. Importância
Com relação a sua importância, este carrapato proporciona grandes perdas na pecuária
mundial, além de ser transmissor dos agentes etiológicos da “tristeza parasitária bovina”,
doença causada por bactérias do gênero Anaplasma e protozoários do género Babesia
(Guglielmone et al., 2006) e que provoca debilidade nos animais.
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al., 2014). As lesões causadas pelo carrapato em decorrência do parasitismo, também
provocam depreciação do valor do couro dos animais. Os danos causados podem ainda ser
atribuídos à perda de peso dos animais e também à redução da produção de leite, decorrentes
da intensa espoliação sanguínea e irritabilidade provocada pelos carrapatos em função de sua
picada. A morte de animais, como consequência das altas infestações por carrapatos, também
é uma triste realidade comumente presente no sistema de produção de bovinos. Outro factor
que causa prejuízo são os inúmeros gastos na tentativa de realizar o controle deste
ectoparasito, como, por exemplo, custos do acaricida e despesas relacionadas à aplicação dos
mesmos. Ainda há o agravante do aparecimento de populações de carrapatos resistentes aos
carrapaticidas, resistência desencadeada principalmente pelo uso incorrecto ou desordenado
dos acaricidas. O aparecimento de populações de carrapatos resistentes é um dos grandes
entraves na produção de bovinos, pois relatos de resistência abrangem uma ampla gama de
acaricidas utilizados comercialmente. Além da redução na produção de leite, o descarte do
leite devido à presença de resíduos de produtos químicos utilizados no combate ao carrapato é
comummente presente e relatado, proporcionando ainda mais prejuízos ao produtor.
Os prejuízos aos pecuaristas são uma realidade quando se trata do impacto causado pelo
carrapato-do-boi, no entanto ainda há o risco de contaminação ambiental em função do mau
uso dos produtos químicos empregados no combate dos carrapatos. Como o R. (B.) microplus
proporciona tantos prejuízos na cadeia produtiva bovina, o controle desse ectoparasito deve
ser realizado de forma eficiente a fim de minimizar ou retardar o aparecimento da resistência.
Reino – Metazoa
Filo – Arthropoda
Classe – Arachnida
Subclasse – Acari
Superordem - Parasitiformes
Ordem – Ixodida
Superfamília – Ixodoidea
Família – Ixodidae
Subfamília – Rhipicephalinae
Gênero – Rhipicephalus
Subgênero – Boophilus
Espécie – Rhipicephalus (Boophilus) microplus.
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2.6. Ciclo biológico da Caraça
Trata-se de um carrapato que necessita de um único hospedeiro para completar seu ciclo de
vida (Rocha, 1984) e apresenta predileção em parasitar bovinos, com preferência para Bos
tauros e seus cruzamentos em relação ao Bos indicus (Gonzales, 1975). Em suma, o ciclo de
vida do R. (B.) microplus pode ser dividido em duas etapas, a fase parasitária e a fase de vida
livre (ou fase não parasitária). A fase parasitária compreende desde a fixação da larva em um
hospedeiro sensível até chegar ao estádio adulto, com consequente desprendimento das
teleóginas (fêmeas ingurgitadas). A partir deste momento dá-se o início da fase de vida livre
em que, após cair ao solo, a teleógina busca local adequado e inícia a ovipostura com
subsequente incubação dos ovos e posterior eclosão das larvas.
Como citado anteriormente, a fase não parasitária inicia-se no momento em que a teleógina se
desprende do animal e cai ao solo. Preferencialmente, as teleóginas se desprendem do
hospedeiro no início da manhã e ou final de tarde, períodos esses com as condições climáticas
mais favoráveis à fêmea ingurgitada. Neste instante ela procura junto ao solo um lugar que
seja seguro e protegido, tanto de inimigos naturais quanto da incidência intensa de luz solar
(Hitchcock, 1955). Por um período de 3 a 5 dias após o desprendimento da teleógina, em
condições climáticas adequadas, ocorre o que chamamos de período de pré-postura, tempo
esse necessário para que ocorra maturação dos ovários, produção e maturação dos ovos. Esse
tempo pode variar de acordo com as condições climáticas (Legg, 1930). Posteriormente a esse
período tem início a ovipostura. Após a ovipostura, a fêmea morre, finalizando assim seu
ciclo de vida e deixando ali seus ovos para incubação. Cada teleógina possui potencial de
reverter em torno de 50% de seu peso corporal em massa de ovos, geralmente cada teleógina
tem a capacidade de realizar ovipostura de aproximadamente 3.000 ovos. Decorrido o tempo
necessário de incubação eclodem as larvas, que apresentam três pares de pernas (hexápodas).
O período de incubação também pode variar de acordo com as condições climáticas (por
exemplo, o frio pode prolongar o período de incubação). Sua coloração quase translúcida é
modificada após a exposição e contacto com o ar e assim, a quitina passa a adquirir uma
tonalidade avermelhada. Depois de um curto período de quiescência as larvas sobem em
grupos para as pontas das folhas do capim, onde permanecem agrupadas à espera do
hospedeiro.
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Estudos realizados por Gauss; Furlong (2002) relatam que as larvas podem permanecer à
espera de um hospedeiro na pastagem por mais de oitenta dias. A fase não parasitária termina
quando as larvas conseguem alcançar e fixar-se no hospedeiro ou quando elas morrem sem
encontrar nenhum hospedeiro em potencial. Como dito anteriormente, as condições climáticas
influenciam directamente na duração da fase não parasitária. Estudos mostram que, na
primavera e verão (meses mais quentes), o tempo desde o desprendimento da teleógina até o
aparecimento de suas larvas na pastagem é menor do que durante as estações de outono e
inverno, de modo a tornar a fase não parasitária mais longa nas estações com temperaturas
médias menores (Campos Pereira et al., 2008). É relevante lembrar que, em torno de 95% dos
carrapatos em um sistema de produção de bovinos encontram-se na pastagem e estão nos
estágios de ovos, larvas e/ ou teleóginas, e somente 5% da população de carrapatos
encontram-se parasitando os bovinos (Campos Pereira et al., 2008). Isso se torna um grande
problema com relação ao controle desse ectoparasito, haja vista que as acções de combate ao
R. (B.) microplus são destinadas apenas aos carrapatos fixos (fase parasitária) que
representam a minoria da população.
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CAPITULO III: RESULTADOS ESPERADOS
3. Resultados Esperados
Nesta pesquisa espera-se que a solução de alho possa apresentar uma percentagem
considerável no controle dos parasitas, próxima ao produto químico obtendo-se bons
resultados com vista a melhorar a produção, proporcionando alta produtividade e com maior
eficiência no gado leiteiro, no Bairro da Manga (cidade da Beira), com custos baixos de
produção, se possível futuramente diminuir o uso de insecticidas inorgânicos uma vez que são
prejudiciais a saúde do animal, meio ambiente e do homem que consome o produto final
(carne, leite).
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