Não se pode negar que são grandes as responsabilidades de um gestor escolar, e que seu
sucesso depende muito do esforço de toda equipe, pois o desempenho de cada um é que irá
contribuir para que os resultados sejam alcançados. Não basta a um gestor ter apenas
competência técnica, ele precisa saber gerir e investir no potencial humano, motivar e elevar a
autoestima da equipe, pois só assim a equipe será capaz de enfrentar situações difíceis,
solucionar conflitos e encontrar soluções para qualquer problema que se apresentem no
cotidiano escolar.
Para uma escola obter sucesso, é necessário que seus gestores estejam intimamente ligados
ao relacionamento entre o corpo docente e os professores, quanto mais próxima esta relação,
melhores serão os rendimentos dos trabalhos pedagógicos e a aprendizagem dos alunos.
Além de buscar a participação da unidade escolar, o gestor precisa manter uma boa
comunicação, investir na formação pessoal, desenvolver relações transparentes de modo a não
criar conflitos entre o grupo, aceitando e sabendo lidar com ideias diferentes, traçando
estratégias, reformuladas ações individuais e coletivas, ter comprometimento, apresentar
resultados imediatos.
Um gestor moderno tem sua liderança reconhecida naturalmente, através da sua conduta, de
seu relacionamento com todos os integrantes da escola, de seu conhecimento nos mais
variados assuntos
As interações entre as pessoas no ambiente escolar também nascem da aceitação do outro,
onde o respeito e o acolhimento facilitam a convivência entre todos. “O ideal de uma escola
cidadã está no cerne de um projeto de transformar a instituição convencional em uma rede de
relações humanas fortemente “participativa”, envolvendo alunos, professores, funcionários,
mães, pais e toda a comunidade servida pelEmbora a responsabilidades pelo desempenho
escolar tenha sido atribuída somente à escola, a cada dia se constata que a parceria entre a
escola e os pais é fundamental para a aprendizagem e o desempenho dos alunos.
O envolvimento e a participação da família no processo educacional são uma ótima
oportunidade desenvolver um trabalho em equipe. Mas o que cabe a cada um? Na busca em
proteger seus filhos das mudanças que ocorrem nos dias de hoje, os pais protegem
excessivamente seus filhos ao invés de prepará-los para vencerem na sociedade.
a unidade de ensino”. (GADOTTI, 1995, p. 13). São gestores todos os profissionais que de um
modo geral, atuam nas funções de diretor de escola, coordenador pedagógico, assessor
pedagógico, orientador educacional e vocacional, supervisor educacional e gestor de sala de
aula como é concebido o professor hoje em dia e todos os funcionários que existem dentro de
uma escola.
Sabemos que as relações sociais, institucionais e familiares estão estreitamente relacionadas
aos resultados finais nos processos de aprendizagem.
O que precisamos compreender é que cada pessoa tem um estilo próprio de fazer as coisas, e
de desempenhar seu papel dentro deste sistema e como isso afeta seu trabalho. Entre os
fatores que influenciam e determinam o conhecimento de cada um, a aprendizagem é o fator
que mais contribuí para a formação de um indivíduo, mas ela só ocorre se, se o indivíduo se
predispuser a concretizá-la.
Me baseado no organograma administrativo escolar, procurei analisar o perfil do diretor
escolar, sua função, encargo e suas relações com a equipe, funcionários, alunos e
colaboradores, para compreender sua gestão. Numa visão geral são características de um
gestor escolar sua forma de auto avalia-se, ouvir os que o cercam como forma de
aperfeiçoamento, ter disposição para trabalho coletivo, ser mediador, ter iniciativa, dominar os
assuntos técnicos, pedagógicos, administrativos e financeiros, ser ético, solidário, conhecedor
da realidade escolar assim como também a comunidade a que está inserido.
Um diretor deve sempre tornar-se de conhecimento público, todas as suas ações, prestar conta
de seus atos e decisões de forma antecipada, não esperando que venham as cobranças para
só depois prestar esclarecimentos.
Através do diálogo, ele consegue a cooperação de seu grupo, pois a eficiência dos educadores
está diretamente ligada à eficiência dos gestores, pois ambos são responsáveis por criar uma
boa equipe de trabalho, podendo utilizar os meios de comunicações existentes e disponíveis na
escola para dar clareza e justiça aos seus atos.
Entendemos que a pessoa que pretende assumir este papel deve apresentar estas
características que influenciaram diretamente a forma como irá conduzir a gestão de sua
escola, evitando agir por impulso, demonstrando coerência entre aquilo que ele diz e o que ele
faz, tendo a certeza que suas orientações não irão gerar dúvidas sobre a sua gestão, causando
um clima de desconfiança entre as pessoas.
A gestão participativa é algo que advêm de um poder de decisão democrática,
coletivo e escolhido de forma abrangente pensando no bem comum. Portanto,
esse processo de gerenciamento requer um poder de liderança, pois, um gestor
deve participar de maneira ativa e coesa de todos os momentos de escolha da
instituição. Participação essa que deve ser compreendida como um modelo de
gestão democrática e que leve em consideração todas as opiniões acerca do
futuro e dos projetos propostos para melhoria da instituição.
Então, os profissionais da educação devem entender que não se pode pensar
em participação coletiva nas tomadas de decisões, ocasionando democracia,
sem refletir sobre autonomia da instituição. Esse mecanismo de autonomia é
um processo dinâmico e complexo, contudo extremamente necessário para o
desenvolvimento e aperfeiçoamento das instituições. Dessa forma,
compreender que a liberdade e independência são princípios que fundamentam
os universos de igualdade de oportunidades das tomadas de decisões, podendo
assim, ocasionar o melhoramento e desenvolvimento positivo da instituição.
Para Oliveira (2010) todos os cidadãos necessitam conhecer os mecanismos
utilizados para a tomada de decisão, sendo este uma ferramenta que perpasse
a transparência, deixando evidentes as escolhas realizadas, as garantias de
fiscalização das ações e um respeito mútuo ao pluralismo de opiniões surgidas
no espaço da instituição.
Assim, a gestão educacional considerada como democrática, tem sua
fundamentação no princípio a legislação educacional brasileira, sendo
considerada obrigatória sua existência nas instituições de ensino atuais. A
sociedade deve entender gestão educacional democrática como, de acordo com
Oliveira:
[…] forma não violenta que faz com que a comunidade educacional se capacite
para levar a termo um projeto pedagógico de qualidade e possa também gerar
“cidadãos ativos” que participem da sociedade como profissionais
compromissados e não se ausentem de ações organizadas que questionam a
invisibilidade do poder (2010; p. 17).
Entendem aqui claramente que esse processo no âmbito escolar inicia-se com a
elaboração do projeto político pedagógico, onde se deve reunir a todos, analisar
argumentos, conhecer a história enquanto instituição, a política, construir a
filosofia e missão social, enfim, diversos mecanismos que exigem o coletivismo
de todos que compõem a instituição escolar.
Assim, a instituição educacional não pode perder sua autonomia, sua
capacidade de construir metas ou ações que venham melhorar sua estrutura
física ou mesmo curricular, o processo avaliativo de suas ações requer saberes
que construídos ao longo dos anos formados por um fluxograma de possíveis
possibilidades de ações a serem melhoradas ou criadas em prol de um
atendimento de qualidade.
Ao passo que a instituição escolar adquiriu essa autonomia nos democratizamos
em uma construção coletiva, melhorando o processo de tomada de decisão e
mediando as ações a serem desempenhadas. Segundo Gadotti: “Educar
significa, então, capacitar, potencializar, para que o educando seja capaz de
buscar a resposta do que pergunta, significa formar para a autonomia”
(GADOTTI, 2010; p.13).
Essa atitude de democratizar o processo educacional o tornando dinâmico e
participativo nas escolhas feitas pelo grupo possibilita para o gestor escolar,
uma realidade de co-responsabilidades, pois, se todos foram de comum acordo
no momento das decisões, também se têm a corroboração de todos na
execução das ações pedagógicas que estão asseguradas no plano de metas da
instituição.
O gestor nesse caso fará um papel importantíssimo de organizador das ideias e
pautará atribuições necessárias ao cumprimento de tais medidas, sendo ele um
elo de mediação positiva entre gerenciamento externo educacional e ambiente
interno com suas respectivas peculiaridades preexistente.
Dessa maneira, não teríamos a capacidade de acreditar em uma autonomia da
instituição educacional sem o pleno reconhecimento da liberdade dos sujeitos
que a compõem. Portanto, essas atitudes de democracia que devem gerar
ambientes autônomos e coletivos resultam do direcionamento das tomadas de
decisões de forma conjunta, sendo necessário o respeito para ouvir e saber
mediar os fatos ocorridos. Não se pode classificar a existência de uma
autonomia da instituição educacional em abstrato, fora do direcionamento da
autonomia organizada dos seus membros, advoga Ferreira:
O que está em causa não é “conceder maior ou menor autonomia às escolas”,
mas sim reconhecer a autonomia da escola como um valor intrínseco à sua
organização, e utilizar essa autonomia em benefício das aprendizagens dos
alunos (FERREIRA, 2011; p.25).
Concomitantemente, a classificação da autonomia da escola é um processo
contínuo que garante a instituição educacional um poder de liderança na
tomada de decisão, levando em consideração suas particularidades e
conquistas ao longo dos anos, pensado claramente em trabalhar os pontos
fracos e fortalecer os fortes ali existentes.
O gestor mediador do processo é um verdadeiro líder no espaço em que atua,
fazendo com que os demais profissionais tenham na figura dele confiança e
respeito para poderem exercer a democracia no cenário da educação.
O cenário contemporâneo da educação no Ceará e porque não falar no território
brasileiro como quase totalidade é um momento de transição ainda recente, no
que se refere à democracia, principalmente a política de resultados no espaço
escolar. As pessoas às vezes confundem democracia com atos que na verdade
não condizem com a instância da construção coletiva, como o respeito às
diversas opiniões ou saberes e, assim, continua-se a produzir uma cultura de
desigualdade e desumanidade.
Ser um líder é saber ouvir, assimilar o que é necessário e útil a maioria, e
conduzir os espaços coletivos de forma organizada e harmoniosa, gerando
entre os membros da comunidade envolvimento e participação no processo
contínuo de tomada de decisão.
Contudo deve-se reconhecer que o poder de decisão deve advir da escola com
seus representantes locais, pessoas que conheçam seus problemas e seus
pontos fortes, membros que vejam na escola um lugar de melhorias sociais e
um universo de construção da autonomia e da participação. Afirma Ferreira
que:
[…] Em determinadas situações e mediante certas condições, os órgãos
representativos das escolas (reunindo professores, outros funcionários, alunos,
pais e outros elementos da comunidade) podem gerir certos recursos melhor
que a administração central ou regional (FERREIRA, 2011; p.27).
O gestor escolar líder tem um papel central nesse espaço comunicativo de
mediação de opiniões, ele necessita compreender que a assimilação dessas
múltiplas falas advém de uma discussão coletiva e que todos os envolvidos
nessa dinâmica social almejam o enriquecimento e o fortalecimento da escola.
Para Lück (2010) diversos estudiosos revelam em suas pesquisas literárias
alguns elementos fundamentais e comuns para a atuação da prática de
liderança, dando significado a estruturação desse personagem tão importante
na dinâmica do gerenciamento de uma organização. Portanto, os elementos
fundamentais são os seguintes: i) Influência sobre pessoas, a partir de sua
motivação para uma atividade; ii) Propósito claros de orientação, assumidos
por essas pessoas; iii) Processos sociais dinâmicos, interativos e participativos;
iv) Modelagem de valores educacionais elevados; v) Orientação para o
desenvolvimento e aprendizagem contínuos.
Assim, compreende-se que um líder tem um papel de extrema importância no
convencimento de um grupo, que seu poder de conduzir os trabalhos influência
de maneira estimulante no processo de tomada de decisão. Então, a liderança é
exercida com a influência que se concretiza com a gestão de pessoas,
considerando dessa maneira os esforços do grupo e seus respectivos talentos
ou habilidades. Levando-se em conta o conhecimento sobre a organização
educacional e seus respectivos projetos de trabalho, no qual asseguram a
oferta de uma educação de qualidade (LÜCK, 2010).