AÉCIO RIBEIRO FILHO
INTELIGÊNCIA
ESPIRITUAL
O CAMINHO DA EXCELÊNCIA
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LIDERANÇA E PSICOLOGIA
R. Joseph Zarzour, 93 - cj 1001
07020-081 - Guarulhos - SP
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho ao meu Senhor Deus, de
onde emana toda Sabedoria e Inteligência
Espiritual.
A minha querida Jesiana Rita, meu bem, que
sempre me inspira e me incentiva nesta
caminhada.
A meus filhos queridos Kemuel e Kandace.
Ao meu amigo inspirador Geraldo Tadeu.
A todos os meus “coachees” e líderes aos
quais mentoreio.
Aos irmãos da Igreja Logos.
A minha família.
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO 05
1. INTRODUÇÃO 06
2. INTELIGÊNCIAS 11
3. FATORES DA INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL 17
4. ZONAS DO DESEMPENHO 22
5. APLICABILIDADE 27
6. MATRIZ 3.16 35
7. CONCLUSÃO 38
SOBRE O AUTOR 40
REFERÊNCIAS 41
05
APRESENTAÇÃO
Este pequeno livro é resultado de alguns anos de estudo e
pesquisa sobre a terceira inteligência, a inteligência espiritual.
Desde quando comecei a trabalhar com Desempenho de
Competências venho falando sobre a necessidade humana de
algo que lhe capacite plenamente para transitar na zona da
excelência.
Escrevi há pouco tempo o livro Liderança Disposicional, em
que dediquei um capítulo inteiro a este tema da Inteligência
Espiritual, e ali apresentei a base do que penso sobre o
assunto. Agora, dediquei todo este material ao tema, ainda de
modo sucinto, mas nem por isso irrelevante.
Neste livreto eu apresento o quanto é necessário ativar o
espírito para melhorar nossa performance em todas as áreas,
seja familiar, pessoal, profissional, relacional ou empresarial. O
uso da inteligência nos fará sempre aptos para os desafios da
vida.
Espero que você se divirta com a leitura destas paginas e
seja provocado a aplicar a sabedoria em sua vivência. Boa
leitura, bons estudos,
Guarulhos-SP, junho de 2020
Aécio Ribeiro Filho
1
INTRODUÇÃO
Há duas maneiras de enfrentar as adversidades da vida: ou você
complica mais, ou você simplifica.
“Complicar” - vem do latim “complex”, que significa “mais de
uma dobra”. Quando a vida está muito cheia de dobras, organiza-
lá se torna um desafio semelhante a ter que fazer um origami [1].
“Simples” - vem do latim “simplex”, que significa “uma única
dobra”. Quando a vida está complicada o melhor é simplificar.
Isso depende da “lente” que colocamos diante dos nossos olhos.
Depende de como enxergamos a crise, de como enxergamos os
desafios; depende do peso que colocamos em nossos ombros
quando exigimos de nós mesmos certos resultados.
É a maneira como olhamos a vida que define o quanto estamos
complicando ou simplificando.
Nosso objetivo com este trabalho é te ajudar a simplificar seus
movimentos, eliminar os esforços desnecessários e concentrar a
atenção no que é essencial. Isso faz toda a diferença.
[1] Origami é uma arte com dobraduras de papeis, de origem japonesa.
Normalmente, quando se faz um origami cria-se “esculturas” com muitas
dobras, um trabalho complexo que exige muita paciência. (Nota do autor)
06
Duas atitudes se fazem necessárias diante deste desafio: uma
atitude de contenção e outra de correção.
Muitas vezes, as coisas ficam mais complexas porque queremos
corrigir um problema antes de conter o fluxo dele. Por exemplo:
se a sua torneira quebra e a água começa a jorrar, não faz sentido
querer “trocar a torneira” antes de conter o vazamento. O
processo inteligente
nos diz que primeiro devemos fechar o registro - conter o fluxo -
para depois trocar a torneira (ou consertar a que quebrou).
Outro exemplo: se você for ao pronto-socorro com muita dor de
cabeça, o médico plantonista te faz algumas perguntas básicas e,
antes de dar um diagnóstico preciso, faz a medicação. Isto é: tem
que primeiro conter a dor de cabeça para depois encaminhar um
tratamento que evite novas crises.
Tenho acompanhado muitas pessoas que invertem a ordem.
Trazem demandas que exigem uma atitude de contenção, mas
elas insistem em querer corrigir primeiro. Aí complica!
Meus encaminhamentos são sempre nesta ordem: “primeiro
contenha. Depois corrija!”.
Um casal me procurou para ajudá-lo numa crise conflitiva. Tudo
começou quando a mulher sentiu um certo “esfriamento” do
marido. Então, passou a cobrar dele um melhor desempenho
enquanto esposo. O marido, por sua vez, não conseguia
compreender as cobranças, pois sequer havia se dado conta do tal
“esfriamento”.
Quando me procuraram, disseram que não sabiam o que fazer,
pois a coisa estava insustentável.
07
Eu sugeri um plano de contenção antes de fazer um inventário
em busca da “segunda camada”, aquela que teria gerado na
mulher o sentimento de desprezo.
Primeiro perguntei à esposa quais atitudes do marido fizeram
ela perceber o esfriamento. Ela me apresentou umas cinco. Eu
sugeri ao marido que se atentasse para aquelas cinco atitudes e
se policiasse para não as repetir.
Duas semanas depois, no acompanhamento, percebi que a
esposa estava menos aborrecida, e ai aproveitei para entender
melhor aquela crise. Descobri que ela carecia de um
acompanhamento psicológico e indiquei uma psicoterapia. Esta
foi a atitude de correção.
Simplificar a vida é uma questão de inteligência. Um grande
engano geral é associar a inteligência a soluções complexas. Há
quem pense que alguém é inteligente pelo fato de usar uma
métrica muito complicada para solucionar um problema. Eu
sempre penso que inteligência é a capacidade de conter os
problemas de modo simples, ainda que depois seja necessário
uma solução mais complexa.
Ouvi uma história de um empresário no interior de São Paulo
que era fabricante de creme dental. Ele estava tendo prejuízo em
sua produção porque algumas caixas eram lacradas sem o
produto dentro. Então, o empresário contratou um engenheiro
para solucionar este problema. O engenheiro desenvolveu uma
balança de alta precisão acoplada à esteira que identificava
quando a embalagem estava vazia pelo peso. Em seguida, um
braço automático era acionado e eliminava as embalagens vazias
antes de serem lacradas. O engenheiro pediu 45 dias para instalar
o equipamento.
08
O empresário pagou uma pequena fortuna por aquela solução
técnica. No entanto, antes de ele implantar a balança especial, o
setor de produção conseguiu reduzir o prejuízo em 90%.
O Empresário visitou a linha de produção e descobriu o que fora
feito para conter o problema: o encarregado lhe mostrou um
ventilador colocado próximo a esteira e, quando uma caixa vazia
estava entre as demais, o ventilador a descartava. Solução
simples e inteligente. De contenção, não corretiva.
Simplificar não é “gambiarrar”. É buscar saída inteligente de
contenção para depois procurar solução definitiva pela correção.
Neste caminho de simplificação precisamos ter cuidado para não
nos apegarmos a gambiarras funcionais: isso pode nos prender na
zona da mediocridade.
Há pessoas que complicam até o que já é simples. Isso é terrível.
Elas enxergam tudo de modo muito complicado. Uma dor no
dedo já é traduzida como um câncer. Uma pequena discussão
com o cônjuge já se torna motivo de divórcio. São pessoas que
agigantam pequenas coisas e tropeçam em poeira. A Inteligência
Espiritual nos convida a ser menos fatalistas e mais diligentes,
atuantes e práticos.
As pessoas que simplificam a vida são sempre mais otimistas e
dispostas. Além disso, são mais eficazes e produtivas. E isso
independe de perfil comportamental. [1]*
[1] Quando se analisa o perfil comportamental, algumas correntes
apresentam 4 perfis básicos: executor, comunicador, planejador e
analista. Os executores são mais práticos que os analistas, os
comunicadores mais otimistas que os planejadores.
09
2
INTELIGÊNCIAS
A inteligência é o maior patrimônio para quem tem grandes
desafios. Trata-se de um recurso intangível que faz toda a
diferença para a vida, para os relacionamentos, para os negócios e
para o desempenho em qualquer área.
As empresas que mais se destacam no mercado são as que
retém seu capital intelectual: valorizam, promovem e incentivam
o desenvolvimento de pessoas capazes de criar e inovar. Pagam
bons salários, oferecem liberdade para explorar, bonificam as
melhores ideias.
Um jogador de futebol carece de inteligência para elaborar seus
passes, determinar a força de um chute, avaliar os ângulos e retas,
e ainda conciliar isso com a velocidade do corpo, a posição dos
colegas e adversários. Uma grande jogada requer muita
inteligência.
Uma dona de casa precisa de inteligência para arrumar a casa,
distribuir os móveis de forma prática, preparar as refeições no
tempo certo e com a quantidade certa de tempero, habilidades
que parecem inatas, mas são todas desenvolvíveis.
Um artista precisa de inteligência para elaborar sua obra com
simetria, forma e ordem. E além disso tem que ser capaz de
enxergar a obra pronta antes de qualquer pessoa.
A inteligência é necessária à vida. 10
Inteligência é a capacidade de compreender e resolver novos
problemas e conflitos e adaptar-se a novas situações. Como
estamos o tempo inteiro em um movimento de imersão em coisas
novas, somos obrigados a desenvolver inteligência.
O desempenho das pessoas sempre foi associado à inteligência.
Na perspectiva cognitiva, a inteligência está relacionada ao
desempenho técnico. Os testes de Quociente Intelectual, o QI, é
que fazem a medição da inteligência de uma pessoa.
Alguém que tenha um QI acima de 115 já pode ser considerado
superdotado. Se chegar a 145, considera-se gênio, o que
representa somente 2% da população mundial.
A avaliação do QI é feita a partir de testes de solução de
problemas complexos. Estes testes apontam a idade mental da
pessoa, dividida pela idade cronológica, multiplicada por 100.
Somente profissionais que conhecem a fórmula podem aplicar
estes testes, uma vez que a idade mental é algo extremamente
subjetivo.
A maioria das pessoas (90%) tem QI variando entre 80 e 115, o
que teoricamente as qualifica para qualquer tarefa. Mas o número
de pessoas que se sentem aquém disso é gigante. São pessoas
que desconhecem o recurso que tem.
Quero dizer com isso que a absoluta maioria das pessoas que
estão lendo estas páginas traz em si um potencial gigantesco e
inteligência suficiente para viver melhor do que vivem.
Nos últimos anos, por volta de 1995, o psicólogo e jornalista
Daniel Goleman contribuiu muito com os estudos do desempenho
humano ao apresentar sua tese de inteligência emocional.
12
Segundo ele, mesmo que alguém tenha um QI considerável
para solucionar problemas técnicos, esta mesma pessoa pode
fracassar na vida pela ausência de Inteligência Emocional.
Goleman traduz por Inteligência Emocional (a cujos testes se
ofereceu a sigla QE) um conjunto de competências
comportamentais, que envolvem a abordagem dos
relacionamentos interpessoais, autoconhecimento, autoestima e
autocontrole.
Segundo esta teoria, as “soft-skills” (habilidades emocionais)
importam mais para o desempenho da pessoa do que as “hard-
skills” (habilidades técnicas). Desde então, a teoria da Inteligência
Emocional ganhou expressão nas Corporações, nos ambientes que
exigem alta performance e é uma das principais bases de trabalho
dos Coaches de performance.
Embora haja centenas de testes de avaliação pessoal, análise
de perfil comportamental, testes de autoconhecimento, etc., não
há ainda um teste oficial com indicadores emocionais para medir
o QE. Assim, a sigla QE apenas foi incorporada a teoria para fazer
distinção do QI. Isso não invalida o trabalho brilhante que
psicólogos e terapeutas comportamentais fazem com base em
seus testes específicos e plurais.
Naquela mesma década de 90, especialmente por conta do
trabalho de Danah Zohar, os estudos do desempenho acusaram a
existência de uma terceira inteligência. Esta seria uma
inteligência tão subjetiva para a Psicologia quando a ideia de
Deus para a Filosofia.
Trata-se da Inteligência Espiritual.
13
Esta terceira inteligência é o nosso objeto de trabalho. Tenho
procurado isentar este assunto do aspecto confessional, como
procura fazer a Danah Zohar, mas sempre somos traídos. Isso
porque esta “virtude” especial há milênios está associada a Deus
(ou aos deuses). Assim o sendo, os princípios que de algum modo
sinalizam como QS além de serem ontológicos, são também
aclamados nos círculos religiosos.
A Inteligência Espiritual parece ligada ao que alguns psicólogos
estão chamando de “ponto-deus”, uma área do cérebro que nos
faz buscar sentido para a vida e nos conecta espiritualmente. Se
isto é verdade, a ciência acabou de prescrutar uma área até então
explorada apenas religiosamente. O espírito humano é mais
impenetrável do que se imagina. O espírito é tão ligado a psiquê
que muitos o confundem, e não conseguem distinguir a divisão da
alma e do espírito.
Mas, sim, o espírito é um importante “tomo” da estrutura do ser
humano. Gosto de dizer que o espírito é uma espécie de “útero
divino” onde uma vida interior é gerada, com uma inteligência
ímpar, única e poderosa para aperfeiçoar as outras duas
inteligências: a cognitiva e a emocional.
A conjugação das três inteligências capacita o homem de modo
pleno. O alinhamento do espírito, alma e corpo configura a
metacompetência. “Meta” é o prefixo que indica “aquilo que vai
além”.
As pessoas de modo geral tem se preocupado com as duas
primeiras inteligências. A ênfase nos últimos anos para a
Inteligência Emocional é decorrente das preocupações humanas
com o avanço tecnológico, o mundo exponencial, a sociedade 4.0,
a Inteligência Artificial (IA) que vem desafiando cada vez mais o
homem para que entregue uma performance superlativa,
competitiva e inimitável. 14
Somente neste aspecto emocional a tecnologia seria incapaz de
substituir o homem.
Nenhuma IA ainda foi capaz de imitar os sentimentos, dar tom
ao discurso, criar expressões que comunicam tanto quanto as
palavras, etc. Estas são atribuições de grande valor hoje, pois
ainda preservam a exclusividade humana.
Particularmente, tenho convicção que a Inteligência Emocional
sofre grandes ameaças não da Inteligência Artificial, mas da
agitação transloucada que caracteriza a geração atual. Nossa
sociedade está cada vez mais doente da alma. Depressão,
síndrome do pânico, transtornos de ansiedade, burnout,
borderline, TDAH, entre outras psicopatologias tem produzido
prejuízos irrecuperáveis que vão da falência ao suicídio.
15
Mesmo com tanta ação em torno da Inteligência Emocional, as
doenças humanas continuam afetando a estrutura psíquica e nem
os psiquiatras e psicólogos dão conta de uma demanda tão
assustadora.
Talvez a saída seja unicamente espiritual. Buscar ativar o espírito
desenvolvendo as faculdades da inteligência espiritual para
minimizar essas distinções emocionais e melhorar o desempenho
técnico.
Essa “ativação” não é uma aventura religiosa, embora isso possa
acontecer neste âmbito. A espiritualidade não é religiosidade.
Religiosidade é o cumprimento de preceitos e dogmas, ritos e
liturgias, crença e fé. Espiritualidade é uma concepção de vida. É
uma abordagem comportamental, que pode ser evocada pela
religiosidade, mas também o pode pela contemplação, a
meditação e pelo desenvolvimento da consciência.
16
3
FATORES DA INTELIGÊNCIA
ESPIRITUAL
Devemos compreender melhor a inteligência espiritual por esta
ilustração abaixo:
O círculo central é o espírito. O círculo que o envolve é a alma,
ou a psiquê. O círculo verde claro é o corpo, a “soma”.
No corpo há cinco faculdades, chamadas de sentidos: visão,
audição, olfato, tato e paladar. Estes sentidos são necessários
para o homem se relacionar com o mundo físico.
17
Na alma temos três elementos facultativos: a mente (razão), a
vontade (desejos) e a emoção (sentimentos). São estes os
responsáveis pelo equilíbrio psíquico do homem.
No espírito há também três elementos: comunhão, consciência
e intuição. Desses elementos que emana a inteligência espiritual.
A comunhão é a capacidade de conexão espiritual que faz o
homem buscar sentido para a vida, encontrar seu propósito, o
querer. A consciência é a faculdade que filtra as ações humanas
com base no que se considera moralmente correto. A consciência
permite ao homem escolher ações e disciplinar seu
comportamento julgando as consequências de seus atos. E a
intuição é a faculdade que faz o homem perceber as coisas e
pressentir sem necessidade de análise ou racionalização.
Quando o espírito é acionado, a vida espiritual manifesta uma
inteligência carregada de princípios - e não apenas de valores -
que correspondem as virtudes universais e invariáveis, não
relativos nem condicionados a uma cultura.
A Inteligência Espiritual se expressa no comportamento. É um
fluxo que vem do espírito que interfere diretamente na maneira
como a pessoa age em qualquer circunstância.
Quando a Inteligência Espiritual está ativada, os enfrentamentos
da adversidade, dos desafios, da dor, de situações negativas são
vistos sob uma ótica diferente. Há uma capacitação espiritual para
enfrentar as circunstâncias, para ressignificar os desafios e até
compreender melhor a morte.
Danah Zohar afirma que pela inteligência espiritual
“solucionamos problemas de sentido e valor; é a inteligência com
a qual inserimos nossos atos e nossas vidas em um contexto mais
amplo, mais rico, mais gerador de significado”. 18
A ativação espiritual gera espontaneidade adaptativa, elevada
autopercepção, visão integralizado das coisas, transcendência da
dor, capacidade criativa, vida por princípios e capacidade de
argumentar com as diversas situações procurando saber o
“porque” e o “para que”.
Salomão afirmou que “a sabedoria edifica a casa, mas a
inteligência é que a mantém de pé”. A inteligência espiritual
solidifica as relações, dá consistência às Organizações e promove
o desenvolvimento.
Do ponto de vista prático, há alguns princípios os quais a
Inteligência Espiritual potencializa. Vejamos:
1. Visão: a capacidade espiritual e intuitiva de enxergar além do
óbvio. A visão espiritual “substantifica” o que ainda ainda não é,
dá forma, estabelece alvos e dá clareza as metas. Pela visão é
possível planejar estrategicamente e criar um “mapa” para
projetar a caminhada.
2. Mudança: um verdadeiro rompimento com os vícios
comportamentais e estruturais que limitam a excelência. A
mudança gerada pela inteligência espiritual nunca é impositiva,
operada à força. Antes, é sempre espontânea e livre. É pela
mudança que as novas oportunidades surgem
3. Governo: a inteligência espiritual desenvolve autocontrole,
disciplina e capacidade de gestão. O conhecimento mais profundo
de si mesmo habilita este “governo” pessoal e permite à pessoa
uma vidaaltamente equilibrada e moderada.
4. Responsabilidade: sem qualquer pressão ou imposição externa,
uma pessoa movida pela inteligência espiritual desenvolve alto
comprometimento e sua responsabilidade para com o
cumprimento de tarefas é evidente. 19
5. Ação: a ação é um fator importante que resulta da potência
gerada pela ativação do espírito. É quase impossível alguém
movido pela Inteligência Espiritual ser indiferente e inoperante.
6. Uso: a Inteligência Espiritual capacita a pessoa a transformar
recursos em propósitos com uma criatividade ímpar. E o uso é
sempre cuidadoso, proficiente e sem desperdícios.
7. Reciprocidade: capacidade de retribuir, generosidade. Há dois
elementos catalisadores da reciprocidade - o amor e a gratidão. A
Inteligência Espiritual habilita estes elementos de modo a
conduzir espontaneamente a pessoa a essa prática do bem.
8. Multiplicação: aqui reside um processo gerador de vida. A
multiplicação como resposta do espírito ativado faz com que
nossos atos ganhem amplitude superlativa. Pela multiplicação
nossa semente
ganha o mundo.
9. Grandeza: nada pode engrandecer mais que a Inteligência
Espiritual. No entanto, essa grandeza se manifesta em humildade.
Pela dimensão espiritual, passamos a ser confiantes sem ser
abusivos; ser servos sem ser subservientes; ser afável e
respeitador, considerando sempre o outro numa relação de honra
e lealdade.
10. Unidade: a consciência de que não somos isolados no
mundo, que somos interdependentes, resulta da ativação
espiritual. Somos conscientes de que a coletividade nos completa
e nos dignifica como ser.
11. Perseverança: a postura resiliente e destemida da
Inteligência Espiritual corrobora com a perseverança. Não é
insistência estúpida. É persistência inovadora.
20
A insistência mantém os mesmos métodos para suas buscas, e
normalmente fracassa. A perseverança cria estratégias, dribla os
obstáculos e prossegue até o fim.
12. Prosperidade: a mentalidade espiritual gera um novo senso
de prosperidade. A pessoa não resume a prosperidade a bens de
consumo; antes, a inteligência espiritual conduz a prosperidade
plena, em todos os níveis. É o nível mais pleno da autorrealização.
Todos estes fatores são inerentes à Inteligência Espiritual, ainda
que alguns deles sejam reconhecidos de outra forma. No entanto,
como já acenei acima, a Inteligência Espiritual “aperfeiçoa” nossa
experiência e nos conduz à zona de excelência, como veremos
adiante.
21
4
ZONAS DO DESEMPENHO
Em meu livro “Liderança Disposicional” eu já apresentei um
inventário sobre este assunto, mas ele faz parte de tudo que
tenho falado até aqui sobre a Inteligência Espiritual. É relevante
compreender as zonas de desempenho para sabermos de que
modo a Inteligência
Espiritual nos ajuda a transitar pela zona da excelência.
Observe abaixo este desenho:
I M E
Entre a incompetência (I) e a excelência (E) temos a
mediocridade. Isso é importante para sabermos o que significa
Zona da Excelência.
Antes, porém, vamos conceituar cada um dos elementos:
incompetência é a ausência total de capacidade, inabilidade total
para desempenhar qualquer tarefa.
22
Mediocridade é “o mínimo necessário”. Podemos dizer que a
mediocridade é o mesmo que média. Imagine isso a partir do
escore escolar: a média é o mínimo necessário para uma pessoa
ser aprovada. Se a média é 7, o mínimo que o aluno precisa é de 7
para ser aprovado. Abaixo de 7 é a zona da incompetência.
Excelência é “tudo aquilo que excede ao mínimo necessário”.
Portanto, qualquer nota acima de 7 é a zona da excelência. Neste
caso, há três níveis de excelência: 8, 9 e 10.
Quando falamos que a Inteligência Espiritual nos habilita para
a zona da excelência, estamos falando do desenvolvimento de
competências para atingir um dos três níveis acima do mínimo
necessário.
O problema da maioria das pessoas é que se contentam com a
mediocridade. Nosso desafio é ajudar estas pessoas a avançarem
para a excelência. E isso não é o resultado de um esforço
desmedido ou exagerado. Com a Inteligência Espiritual, a cultura
da excelência é espontânea e fluída.
A ativação espiritual promove uma mudança de padrões
mentais. A mentalidade medíocre, que enxerga o mínimo
necessário como a sua maior conquista, passa por uma
metamorfose. Essa transformação advém da consciência -
faculdade do espírito onde os princípios ficam internalizados - e a
pessoa simplesmente age na zona da excelência.
Em todas as áreas da vida a cultura de excelência gerada pela
Inteligência Espiritual se torna evidente. Seja na arrumação da
casa, na organização do trabalho, nos relacionamentos, na
maneira de comprar ou vender, no uso da palavras, no uso do
tempo, na arrumação da mochila, no controle das finanças, em
tudo haverá indicadores de excelência.
23
Há cinco áreas que são impactadas diretamente pela
Inteligência Espiritual: o que somos, o que temos, o que fazemos,
o que sabemos e aonde estamos.
O que somos. Uma questão de autoconhecimento. Saber
exatamente o que somos é um convite a visitar o mais profundo
de nosso ser. É procurar a nossa essência.
Há muitas teorias de autoconhecimento desenvolvidas pelos
estudiosos da “Inteligência Emocional”, todas válidas enquanto
objetivo, mas muitas delas rasas demais para chegar a este fim,
pois apenas permite um autoconhecimento na perspectiva
periférica do “eu”.
A Inteligência Espiritual permite um aprofundamento para de
fato sabermos quem somos, pois pela Inteligência Espiritual
buscamos esta identidade no âmago.
Quando Deus disse a Moisés: “Eu sou o que sou” (Exodo 3.14)
deixou-nos um princípio importante para nossos desafios:
somente podemos enfrentá-los e sermos bem-sucedidos quando
sabemos quem somos, e não vivemos condicionados ao que não
somos, mas que gostaríamos de ser.
Saber quem somos é o ponto de partida de nossas buscas. Este
conhecimento profundo nos conduzirá a outros quatro “autos”
significativos: a autoestima, a autonomia, a autoridade e o
autocontrole (FLORENTIN, 2015).
24
O que temos. Uma questão de recursos. A inteligência espiritual
é catalisadora da criatividade, e nos mostra como transformar os
nossos recursos em propósito. Muitas pessoas sabem o que não
tem e lamentam a falta. A Inteligência Espiritual convida esta
pessoa a enxergar o que tem e como usar este recurso.
Moisés, quando desafiado a enfrentar o Faraó, alegou a
ausência de recursos. Deus lhe inquiriu: “O que tens mas mãos?”
(Exodo 4.2).
Pela ótica da Inteligência Espiritual, podemos construir nossas
experiências da vida com o que temos. Ainda que seja um bastão
de madeira diante de um cetro de ouro.
O que fazemos. Uma questão de habilidades. Vamos falar sobre
isso mais à frente, mas devo apenas acenar que a Inteligência
Espiritual capacita o homem para desenvolver obras de
excelência, com agilidade, qualidade e beleza.
O que sabemos. Uma questão de autoridade. Somos autoridades
na área de conhecimento que dominamos. Cada pessoa pode se
dedicar a uma área e se aprofundar neste conhecimento afim de
se portar como autoridade.
Todos nós reverenciamos a autoridade de um médico quando
ele afirma algo sobre a saúde. Mas o mesmo médico, diante de
uma construção, se rende à autoridade do pedreiro - que domina
a ciência da construção. Isso significa que o que nós sabemos, o
que nós dominamos, nos coloca nos espaços para exercer nossa
autoridade.
25
Aonde estamos. Uma questão de destino, de propósito. A
Inteligência Espiritual insta para que nós saibamos para onde
estamos indo. O que vem depois? Qual o significado de meus
movimentos hoje em direção ao futuro? O que queremos, de fato?
Aonde vamos chegar?
Para todas estas cinco áreas (ser, ter, fazer, saber e estar) há
uma zona de excelência. Pela ativação do espirito - o que
acontece nos momentos de contemplação, nas paradas que
fazemos desta correria nevrálgica da vida, conseguimos olhar
para nós mesmos e perguntar: posso ser melhor? Posso usar
melhor meus recursos? Posso fazer melhor? Posso saber mais?
Posso ir além? São estas perguntas que nos convidam para a zona
da excelência.
26
5
APLICABILIDADE
Quando eu conheci o meu amigo Geraldo Tadeu, em 2013, eu
estava já desenvolvendo algum conteúdo para liderança e tinha
até um livro, “Treinamento de Lideranças”, que escrevi para
atender aos pastores do ministério que eu fazia parte.
Geraldo me apresentou os “Aplicativos de Excelência”. Não se
trata de aplicativo tecnológico, para celular ou computador. São
aplicativos para o ser humano, para serem incorporados a nossa
vida, para nos ajudar no desempenho pessoal ou institucional. A
ideia dos Aplicativos de Excelência (APLEX) está
fundamentalmente enraizada na Inteligência Espiritual.
São 22 Aplicativos, ou competências espirituais, que nos
ajudam de modo prático a transitar pela zona da excelência. E o
mais impressionante: ajudam a simplificar a vida.
Quando habilitamos os AplEx, seja na vida pessoal ou na
empresa/instituição, imergimos na cultura da excelência. Desde
então, não conseguimos mais levar a vida periférica do “eu
corrompido”. Não significa que nos tornamos perfeitos. Óbvio que
não! Mas, temos a consciência clara do nosso alvo em busca do
que é perfeito.
27
O Apóstolo Paulo (uma figura de grande expressão de
inteligência espiritual após sua conversão a Cristo), quando
versava sobre essa caminhada para a perfeição, afirmou:
“Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas
prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por
Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja
alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das
coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de
mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de
Deus em Cristo Jesus.” (Filipenses 3.12-14)
Nesta caminhada em busca da excelência, há aplicativos
fundamentais que dão base a todo o desempenho humano com
Inteligência Espiritual. Vejamos:
PLANO PESSOAL
Já escrevi sobre isso em “Liderança Disposicional”, e retomo
aqui por se tratar do fundamento da excelência pessoal. Os
estudos e teorias sobre o desempenho de competências
normalmente apresentam a tríade “CHA” como a base da alta
performance pessoal. CHA é um “acróstico” para Conhecimento,
Habilidade e Atitude.
Não podemos negar que este acróstico está correto. Estas três
competências passam pelo conceito da inteligência técnica e
emocional. Conhecimento é saber “o que fazer”; habilidade é
saber “como fazer”, e ambos estão relacionados a capacidade
técnica, a inteligência racional.
Atitude é “querer fazer”, e isso está associado a
inteligência emocional.
28
Dados dão conta, entretanto, que o CHA precisa de “mais erva”
(rs) para fazer efeito na zona da excelência. Por isso, os
aplicativos são mais eficazes neste processo, pois oferecem 5
competências, conjugando as três inteligências: racional,
emocional e espiritual.
Os cinco Aplicativos fundamentais de Excelência Pessoal são:
Conhecimento, Entendimento, Sabedoria, Habilidade e
Personalidade.
A Inteligência Espiritual nos faz compreender que o
conhecimento é um processo cíclico, que nos faz descobrir,
inventar, produzir e refletir (KOFMAN). Não é apenas “saber o que
fazer”. É aprender a aprender, instigando a nós mesmos em busca
de mais conhecimento para aperfeiçoar sempre o que já sabemos,
e aprendermos o que ainda não sabemos.
Entendimento é o elemento “emocional” que se associa ao
conhecimento. Entendimento é a capacidade de julgar as
consequências de um feito, de um ato ou de uma palavra.
Entendimento está no plano emocional porque requer
autocontrole, requer análise, embasamento moral para as
atitudes. Com entendimento, a pessoa julga suas atitudes com
base no dever, na justiça e na verdade. Pergunta a si mesma:
“devo fazer isso?”, em seguida “isto está correto?”, e, por fim “há
verdade nisto?”. Este é o pressuposto do entendimento.
O conhecimento com entendimento conduz inevitavelmente à
sabedoria. Sabedoria é a amplitude do conhecimento. O sufixo
“doria” acrescido a “saber” sugere um conhecimento mais amplo.
A sabedoria identifica o propósito de todas as coisas. Enquanto
o conhecimento diz “o que” e o entendimento diz “por que e para
que”, a sabedoria diz o “porque”.
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Os três pilares acima devem estar alinhados à habilidade. Saber
como fazer é tão importante e necessário quanto saber o que
fazer. A habilidade se traduz pelo talento. As habilidades são
plurais, de modo que uma pessoa pode ter habilidade numa
determinada área, outros em outra. Há quem seja habilidoso para
vender. Outros, para cozinhar, ainda outros, para cantar, outros
para operar máquinas, e assim, sucessivamente. As habilidades
são desenvolvíveis. Treino, experiência e observação são
necessários para tornar alguém habilidoso.
Por fim, na base deste pentagrama temos a personalidade - no
lugar da “atitude” do CHA. A Inteligência Espiritual faz com que a
pessoa reconheça a si como agente de uma operação, e sem tal
postura nada se constrói. A personalidade é a identidade da
pessoa, formada pela soma do caráter + temperamento. Caráter é
a essência; temperamento é o perfil comportamental. Se a
personalidade estiver corrompida, ainda que o individuo tenha
conhecimento, habilidade e atitude, o fim será desastroso:
corrupção, malversação, impiedade, roubalheira, rebeldia, etc. A
personalidade tratada no âmago, e não apenas “policiada” pela
disciplina, faz com que a pessoa seja guiada pelos princípios da
inteligência espiritual sem reservas.
PLANO INSTITUCIONAL (Corporativo ou Organizacional)
Muitas pessoas quando buscam implantar uma empresa pensam
quase sempre no aspecto organizacional e muito pouco na
estrutura orgânica. A empresa é uma organização e um organismo
ao mesmo tempo.
A Inteligência Espiritual conduz ao entendimento de ambos os
aspectos com a mesma valia, com a mesma importância. Por isso,
a estrutura de uma empresa com o fundamento da Inteligência
Espiritual é mais ampla e abrangente.
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A ciência da administração sugere, basicamente, uma
formatação triangular a fim de dar estrutura a uma empresa:
Organograma, OSM e Recursos. Nestes três itens está a “essência”
da empresa.
Organograma é a estrutura posicional de gestão. Comando,
liderança, coordenadores, gerentes e equipes. OSM estão
relacionados aos processos: organização, sistemas e métodos. E
os Recursos são a base da estabilidade da empresa: se houver
recursos e estes forem bem geridos o sucesso é quase inevitável.
A Inteligência Espiritual agrega alguns elementos como
fundamentais a esta estrutura. Tais elementos são visíveis na
estrutura da Igreja - não a igreja enquanto “denominação”, mas a
Igreja sob a perspectiva bíblica. A Igreja cristã foi instituída há
dois mil anos e não pára de crescer; é ainda uma das instituições
de maior credibilidade; está em todos os lugares e não tem
nenhum guru no topo de sua estrutura, senão o Cristo místico e
invisível.
Como uma instituição pode crescer sem a presença física de
seu líder principal? Como uma instituição pode romper a barreira
do tempo, das culturas e da ciência? Como uma instituição pode
ser acolhida em qualquer lugar do mundo? Decerto que esta
instituição tem uma estrutura espiritual digna de apreço.
Esta estrutura é pentadimensional: Ministério (no lugar de
Organograma), Doutrina (no lugar de OSM), Comunicação,
Recursos e Stakeholders.
Sobre este assunto eu também versei em “Liderança
Disposicional”. Aqui, cabe apenas algumas observações.
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MINISTÉRIO. Trata-se da governança corporativa, com uma
estrutura mínima que envolve “coordenação, planejamento,
operação, cuidado e treinamento”. Está baseado na passagem
bíblica de Efésios 4.11, em que Paulo diz que a estrutura
ministerial da igreja compõe-se de “apóstolos, profetas,
evangelistas, pastores e mestres”. A Inteligência Espiritual
requer esta estrutura de sucesso. Apóstolo é aquele que implanta,
que preside e que “lança os fundamentos” da empresa. Toda
instituição precisa de um apóstolo.
O Profeta é aquele que “enxerga o futuro”. O prefixo “pro” dá
ideia de futuro. Portanto, profeta é aquele que consegue desenhar
o processo, planejar as ações de modo estratégico. Profeta é o
planejador pois é capaz de ver os detalhes de toda a operação.
O Evangelista é o que operacionaliza, de fato. É que “vai a
campo”, que desenvolve o projeto desenhado pelo profeta,
atendendo ao propósito do apóstolo. Sem um “evangelista”, a
empresa se limita a ter uma boa ideia, mas sem ação.
O Pastor é o que cuida, gerencia e controla - função muito
necessária para qualquer empresa. Sem este gerenciamento, não
adianta um plano de ação e um bom projeto. O cuidado e o
controle são fundamentais a qualquer projeto de gestão.
O Mestre desenvolve a equipe com treinamento, capacitação e
“gestão do conhecimento”. Sem esta coluna magistral o projeto
fica a mercê da sorte, do empirismo e da aventura. A ciência que
advém do treinamento evita grandes danos operacionais.
Quando falamos destes aspectos ministeriais não estamos
limitando esta estrutura a “pessoas”, mas a “funções”. Assim, pode
ser que uma empresa tenha apenas 2 pessoas, mas elas terão que
assumir estes cinco aspectos ministeriais para conseguir alcançar
seu propósito. 32
DOUTRINA. Muitas vezes definimos o termo “doutrina” como
“ensino”. Mas, no que diz respeito a Inteligência Espiritual, a
mesma que coordena a funcionalidade eclesiástica, Doutrina é o
conjunto de procedimentos, normas e protocolos que viabilizam o
processo operacional. A Doutrina está associada aos valores e a
visão do empreendimento.
Uma instituição com Doutrina “desoportuniza” os erros e
estabelece procedimentos operacionais que são cumpridos por
todos os colaboradores, da governança ao operador. Quem
estabelece a doutrina é o “Apóstolo”, em conexão com o “Profeta”.
Neste caso, o presidente da instituição “mapeia” os processos
junto ao planejador para construir a doutrina.
COMUNICAÇÃO. Talvez a ausência de uma comunicação efetiva
seja o maior problema das empresas, especialmente as menores.
Comunicação é o conjunto de ações que trazem ao comum o que
é incomum. A comunicação deve ser interna (interdepartamental)
e externa (publicidade e propaganda).
A gestão desta comunicação é imprescindível para o sucesso do
negócio. Se a empresa tiver um excelente produto, uma boa
governança, protocolos perfeitos, mas não cuidar da
comunicação, está condenada ao fracasso.
A inteligência espiritual também interfere na boa comunicação,
promovendo harmonia nas relações internas e criatividade para
divulgar o produto ou serviço para seu público alvo.
RECURSOS. A capacidade dinâmica de uma empresa está
associada ao seus recursos. Não apenas os recursos tangíveis (que
são aqueles quantificáveis - envolvendo bens, capital, pessoas,
matéria-prima, etc.), mas principalmente os recursos “intangíveis”,
que são a maior força de uma instituição: credibilidade, marca,
estética, capital intelectual, expertise, entre outros diferenciais 33
STAKEHOLDERS. Esta palavra em inglês parece estranha, mas
ela significa “pessoas que tem interesse”. Este é o maior capital
de uma empresa/instituição. Não se deve pensar apenas em ter
funcionários e clientes, mas deve-se pensar no impacto que a
empresa causa em TODAS as pessoas com as quais ela se
relaciona: comunidade, investidores, funcionários, fornecedores,
clientes, etc. Neste caso, quando se tem inteligência espiritual, a
empresa/instituição se preocupa em construir este “Capital
Stakeholders” que lhe dará estabilidade e manterá sua presença
no mercado de modo significativo.
Estes aplicativos certamente concorrem para o sucesso seja da
pessoa ou da instituição. São fundamentais. Mas precisam estar
conjugados com os outros 12 elementos que apresentamos no
capitulo 3, que completam a plataforma dos AplEx-PI.
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6
MATRIZ 3:16
Para finalizar, vamos considerar uma matriz de trabalho que
pode fazer toda diferença para pessoas e instituições a partir da
Inteligência Espiritual.
Damos o nome de “matriz” a algum protótipo que sirva de
modelo para alguma outra coisa. Neste caso, vamos utilizar a
Matriz “3.16” com
base em um versículo bíblico que é considerado o “texto áureo”
de toda a Escritura:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu
Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça,
mas tenha a vida eterna”
(João 3.16).
Esta matriz apresenta um molde rico e instrutivo para as
empresas e instituições que buscam a excelência.
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Há cinco elementos que podem ser verificados aqui:
1. Amplitude - o mundo
2. Elemento qualificador - amor
3. Produto - o filho
4. Impactos individuais - salvação pessoal
5. Garantia - eternidade
Para compreender isso pelo plano administrativo, devemos
considerar nesta matriz um modelo para empreender com
sucesso. Antes de começar as atividades, devemos nos atentar
para estes cinco elementos.
1. Amplitude: zona de atuação. Qual é nosso espectro?
Quando definimos a amplitude de nosso negócio, isso facilita a
criação do “Plano de Ação”. Seu negócio é para uma cidade, um
estado, um país ou para o mundo? Isso pode parecer irrelevante,
mas é substancial para definir suas ações.
2. Elemento qualificador da operação. É o diferencial de negócio.
Como você pretende atuar com este negócio e o quanto você esta
disposto a investir seu tempo e suas forças fazem seu negócio
distinto. Quanto mais amor envolvido, tanto mais resultados serão
computados.
3. Produto: O empreendedor tem sempre que se preocupar com
a qualidade do seu produto. O que está entregando é competitivo
no mercado? Qual a exclusividade de seu produto? Ainda que já
tenha alguma coisa semelhante, quando a empresa se preocupa
em oferecer algo com excelência, certamente será um destaque e
não será copiado facilmente. O produto divino é inimitável. E
quanto ao seu produto?
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4. Impactos Individuais: A matriz 3.16 determinou o impacto
que o seu produto causaria naqueles que o recebessem. Isso é
muito sugestivo. Quando você lança um produto no mercado deve
ter em mente os impactos dele na pessoa que o recebe. Que
problema seu produto resolve? A qualidade de seu produto está
diretamente associada a capacidade de resolver algum problema.
Quando o empreendedor foca na “solução de problemas” ele dá
significância ao seu produto.
5. Garantia: É a garantia de que o produto resolve. Quando
maior sua certeza de que o produto é eficaz, maior será a sua
garantia. Isso também revela se o produto foi atestado em suas
provas sociais. Se o empreendedor não se preocupa com os
efeitos do ponto 4, certamente terá dificuldade de oferecer
alguma garantia.
Assim o sendo, resta-nos apresentar alguns passos para que a
matriz 3.16 seja eficaz, eficiente e efetiva:
1. Primeiro passo é definir qual o espectro de atuação. Isso vai
determinar todo o processo, a logística e a construção de metas
2. Produto ou serviço carecem de elementos qualitativos que os
diferenciem. Isso fala também da excelência operacional.
3. O terceiro elemento sugere que se faça avaliação contínua
sobre a entrega: o quanto isso impacta a zona de atuação.
4. A zona de atuação é genérica, mas os efeitos do produto tem
que ser pensados individualmente, levando em conta o “ser” que
o recebe.
5. Um fator importante para o projeto ser bem aceito é o quanto
quem o entrega acredita nele. Tal credibilidade se traduz na
garantia que é dada. 37
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CONCLUSÃO
A Inteligência Espiritual conjugada às outras duas inteligências
certamente conduzem o homem a sua plenitude. Não há mais
dúvidas quanto a necessidade de explorar esta capacidade
transcendente, no entanto acessível e imanente, para melhorar a
nossa qualidade de vida em todos os aspectos.
A busca por sentido e a autoconsciência de nossas limitações
nos fazem almejar continuamente por algo melhor, quase
inatingível. Esta busca termina quando desenvolvemos essa
capacidade espiritual. Nas palavras de Danah Zohar, usamos a
Inteligência Espiritual para sermos mais criativos, para lidar com
os problemas existenciais, para entender o âmago das coisas,
para integrar o “interpessoal e o intrapessoal”, para nos
projetarmos mais completamente na direção da pessoa
desenvolvida que temos o potencial de ser.
A sociedade, de modo geral, em razão de sua correria e busca
frenética por resultados e produtividade, não tem uma
Inteligência Espiritual . O materialismo, o consumismo, a
individualidade, a vaidade, tudo isso distancia o homem da
Inteligência Espiritual.
Precisamos de mais tempo contemplativo, mais dedicação a
momentos que nos ajudem a desenvolver nossa espiritualidade.
Isso certamente nos sarará das doenças deste século, cada vez
mais mergulhado nas psicoses, neuroses e outras enfermidades
físicas, emocionais e espirituais.
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Tomara que este material tenha te despertado para ser melhor.
Não procure ser o que não precisa ser, mas tenha sempre a meta
de ser melhor do que você é, dando sentido a sua existência e se
movimentando sempre em busca de um propósito. Isso somente
será possível com o espírito ativado para que a inteligência
espiritual flua do seu interior. Como diria Jesus: “rios de aguas
vivas” que emanam da fonte do espirito.
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SOBRE O AUTOR
Aécio Ribeiro Filho é especialista em Coaching e Liderança
Corporativa, Jornalista, Professor, Pastor e Escritor. Autor do livro
“Liderança Disposicional”, seu mais novo trabalho, atua com
treinamento de lideranças desde 2005 e tem uma trajetória de
sucesso nesta área. Como Mentor de Líderes desenvolve um
brilhante trabalho com um conteúdo altamente eficaz e uma
metodologia muito apreciada pelos seus “mentorados”. Aécio já
treinou mais de 2 mil líderes no Brasil e no exterior usando a
plataforma de princípios AplEx-PI (Aplicativos de Excelência
Pessoal e Institucional) e tem logrado grande êxito com este
trabalho.
Casado com Jesiana Rita, é pai de Kemuel e Kandace.
Atualmente mora em Guarulhos-SP onde dirige a Aetós Liderança
Corporativa e é presidente da Assembleia de Deus Logos. É
membro do Grupo de Excelência em Administração Estratégica e
Planejamento do CRASP - Conselho Regional de Administração de
São Paulo.
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REFERÊNCIAS
BIBLIA, A.T. Exodo; Provérbios. In: A Bíblia do Pregador. São Paulo:
SBB, 2009.
______, N.T. João; Aos Filipenses. In: A Bíblia do Pregador. São
Paulo: SBB, 2009.
RIBEIRO, A. Liderança Disposicional.São Paulo: Editora Ekklesia,
2019, 147p
FLORENTIN, M. 5 Autos que se Necesitan Para Ser Feliz. Franco,
Paraguai: Ed. Castillo S.A, 2015.
KONFMAN, F. Metamanagemant. São Paulo: Anakarana, 2002.
TADEU, G. Aplicativos de Excelência Pessoal e Institucional. Apostila
de Estudo. Curitiba: Acsa Consultoria, 2013.
ZOHAH, D. &MARSHALL, I. Rio de Janeiro: Viva Livros, 2017, e-
book.
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