INSTITUTO CULTUS DO GRUPO EDUCACIONAL FAVENI
PSICOPEDAGOGIA
FRANCIÉLLY CÁSSIA MARTINS RAMOS
A IMPORTÂNCIA DA PSICOPEDAGOGIA NO PROCESSO DE ENSINO
GUARACI - SP
2024
A IMPORTÂNCIA DA PSICOPEDAGOGIA NO PROCESSO DE ENSINO
Declaro que sou autora deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o
mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja
parcial ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e
corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de
investigações empíricas por mim realizadas para fins de produção deste trabalho.
Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e
administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de violação aos
direitos autorais.
RESUMO
O objetivo deste trabalho é analisar a importância da Psicopedagogia no processo de
aprendizagem da criança. Para tanto, será abordada a importância de uma equipe
multidisciplinar, especialmente a presença de um psicoterapeuta nas escolas para analisar
fatores que prejudicam a boa aprendizagem, visando esclarecer o tema e evitar esses processos
que constroem as dificuldades do conhecimento. Por fim, será discutida a importância de um
profissional especializado, como o psicopedagogo, para lidar com o problema em conjunto com
os professores, pais e os próprios alunos, destacando as possibilidades de ações para evitar o
insucesso na escola. Trata-se, portanto, de uma revisão bibliográfica, com uma abordagem
qualitativa, a partir de obras de diversos autores sobre o tema, revistas especializadas, artigos
publicados na internet, entre outros.
Palavras Chave: Psicopedagogia; Aprendizagem; Criança.
INTRODUÇÃO
Nos tempos atuais, as Instituições de Ensino, os pais e os alunos
convivem de forma cada vez mais frequente com as dificuldades de
aprendizagem, que se manifestam através das atitudes dos alunos em sala de
aula, comprometendo a vida escolar desses estudantes.
Importante ressaltar que muitas vezes essas dificuldades de
aprendizagem estão associadas a problemas de outra natureza, principalmente
comportamentais e emocionais. Sendo assim, os profissionais da educação
sentem a necessidade de refletir sobre suas ações pedagógicas, especialmente
no que diz respeito a entender o que pode facilitar ou dificultar que o aluno
aprenda.
Neste sentido, é necessário considerar que cada aluno é dotado de
capacidades e habilidades de maneira única, ou seja, o aprendizado acontece
para cada um de acordo com seus conhecimentos prévios, seu interesse e
motivação. Além disso, a aprendizagem envolve tanto a escola quanto a família e
a sociedade, em todos os espaços, sendo um processo dinâmico, no qual
proporciona a troca de conhecimento entre os atores (ALGERI, 2014, p. 02).
Todavia, verifica-se que há dificuldade entre alguns professores em
discriminar a criança que possui mau desempenho escolar devido a questões
pedagógico-sociais, daquelas que apresentam uma dificuldade de aprendizagem
que necessite de avaliação (e intervenção) por uma equipe especializada.
Desse modo, é necessário que haja um trabalho amplo do professor e
da escola junto à família da criança, visando analisar situações e descobrir o que
está causando dificuldade para que o aluno aprenda. Sendo certo que, se o
professor não se atentar às manifestações dos alunos, tanto no aspecto físico e
comportamental quanto no cognitivo, em cada faixa etária, terá dificuldade em
identificar o estágio que o aluno se encontra.
Lembrando que além dos pais é dever do Estado e da sociedade
promover a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e
garantir a liberdade de aprender, sendo estes dois princípios fundamentais
estabelecidos no art. 206, incisos I e II, da Constituição Federal de 1988.
Nesse aspecto, é importante destacar o trabalho de um psicoterapeuta
nas escolas no que diz respeito ao tratamento adequado tanto para os alunos
quanto aos professores e aos pais dos alunos com dificuldades de
aprendizagem.
A aprendizagem, na perspectiva de seu ensino, supõe a complexidade
do sistema didático e das disciplinas a ele relacionadas. Já na perspectiva dos
processos de desenvolvimentos daquele que aprende, supõe a complexidade do
sistema psicológico e todas as disciplinas, tais como a psicologia do
desenvolvimento, as relações entre afetividade, inteligência e interações sociais
e culturais, entre outras.
Entretanto, são consideradas, também, as tensões inevitáveis entre os
tempos da aprendizagem de cada aluno e dos alunos como um grupo ou classe
entre os tempos do ensino de cada professor e das exigências institucionais, que
justificam o valor que hoje se atribui à importância do aprender.
Assim sendo, existem vários questionamentos a respeito de como
enfrentar as dificuldades enfrentadas pelos alunos durante o processo de
aprendizagem na escola. Para tanto, podemos destacar a área da
Psicopedagogia, que, conforme já mencionado anteriormente, seu principal foco
de estudo é a aprendizagem.
Cabe destacar que, dentro da escola, o psicopedagogo pode atuar de
várias maneiras e em diferentes enfoques, ou seja, sua atuação no contexto
educacional implica num trabalho de caráter preventivo e de assessoramento.
Assim, o psicopedagogo não trabalha somente no atendimento aos
alunos que possuem alguma dificuldade de aprendizagem, mas também, dá
suporte pedagógico aos profissionais que estão em contato diariamente com
esses alunos e que influenciam o processo de ensino-aprendizagem.
Portanto, este trabalho tem por objetivo analisar a importância da
Psicopedagogia no processo de aprendizagem da criança. Trata-se, portanto,
No Capítulo abordará será feita uma análise geral acerca das
dificuldades de aprendizagem, de como os professores lidam com esse tipo de
problema.
Este trabalho trata-se, portanto, de uma revisão bibliográfica, com uma
abordagem qualitativa, a partir de obras de diversos autores sobre o tema,
revistas especializadas, artigos publicados na internet, entre outros.
DESENVOLVIMENTO
1 A PSICOPEDAGOGIA FRENTE ÀS DIFICULDADES DE
APRENDIZAGEM
1.1 Dificuldades de aprendizagem: Aspectos gerais
De acordo com Dockrell e Mcshane (2007, p. 137), o termo
aprendizagem descreve as limitações características que estamos lidando sem,
entretanto, discriminar entre as funções como memória, tempo de atenção,
linguagem ou habilidades espaciais.
O termo dificuldades foca sua atenção na natureza do problema, sem
especificar a priori se os padrões de desenvolvimento são caracterizados apenas
pelo atraso ou apenas pelas diferenças. Piaget (apud FERRACIOLLI, 1999, p.
188) afirma que a aprendizagem ocorre
quando há uma aquisição de conhecimento em função da experiência de
forma mediata, havendo, ao mesmo tempo, o processo de auto-regulação, onde
o sujeito procura ter sucesso na sua ação ou operação. Como, pelo processo de
equilibração, o sujeito procura adaptar a sua estrutura cognitiva à realidade
circundante - o que, em essência, significa o desenvolvimento mental - quando
ocorre a aprendizagem, ela tende a se confundir com o próprio desenvolvimento.
Para Smith e Strick (2007, p. 15), o termo dificuldades de
aprendizagem refere-se não a um único distúrbio,
mas a uma ampla gama de problemas que podem afetar qualquer área do
desempenho acadêmico. Raramente, elas podem ser atribuídas a uma única
causa: muitos aspectos diferentes podem prejudicar o funcionamento cerebral, e
os problemas psicológicos dessas crianças frequentemente são complicados, até
certo ponto, por seus ambientes doméstico e escolar.
Segundo Siqueira e Giannetti (2010, p. 79), vários estudos mostram
que em “torno de 15% a 20% das crianças no início da escolarização
apresentam dificuldade em aprender e, logo, mau desempenho escolar. Essas
estimativas podem chegar a 30%-50% se forem analisados os primeiros seis
anos de escolaridade”.
Atualmente, os professores, em geral, atribuem o fracasso do aluno ao
seu desinteresse pela aula, indisciplina, pela ausência de motivação e da própria
família no cenário educacional, pela incapacidade cognitiva do mesmo, entre
outros. Porém, não se pode deixar que incluir o sistema de ensino como
responsável pelo fracasso escolar, no que se refere a postura do professor, sua
formação, estrutura da escola, etc.
Na visão de Smith e Strick (2007, p. 15), muitas crianças com
dificuldades de aprendizagem “também lutam com comportamentos que
complicam suas dificuldades na escola. A mais saliente dessas é a
hiperatividade, uma inquietação extrema que afeta 15 a 20% das crianças com
dificuldades de aprendizagem”.
Alguns outros comportamentos problemáticos em geral observados
em alunos com dificuldades de aprendizagem são, segundo Smith e Strick (2007,
p. 16): fraco alcance de atenção, dificuldade para seguir instruções, imaturidade
social, dificuldade com a conversação, inflexibilidade, fraco planejamento e
habilidades organizacionais, distração, falta de destreza, falta de controle dos
impulsos.
Esses comportamentos, de acordo com as autoras,
surgem a partir das mesmas condições neurológicas que causam
problemas de aprendizagem. Infelizmente, quando eles não são compreendidos
como tais, só ajudam a convencer os pais e os professores de que a criança não
está fazendo um esforço para cooperar ou não está prestando a devida atenção.
Os problemas de aprendizagem podem ser apresentados de
diferentes formas. Nesse sentido, podemos afirmar que
algumas crianças são identificadas porque seu desempenho fica abaixo
da média dos colegas em determinadas tarefas. Outras são encaminhadas para
os profissionais por sua alteração de comportamento. Observações informais
como incapacidade para responder, imaturidade e incapacidade para seguir
instruções podem ser indicações de que a criança está apresentando
dificuldades no processo de aprendizagem (DOCKRELL e MCSHANE, 2007, p.
34).
De modo geral, para Kauark e Silva (2008, p. 267), “as crianças com
dificuldades de aprendizagem e de comportamento são descritas como menos
envolvidas com as tarefas escolares do que seus colegas sem dificuldades”
As dificuldades de aprendizagem podem ocorrer em determinadas
áreas do conhecimento. Por exemplo:
há alunos com verdadeiro talento na arte, na dança, na música, no esporte
ou em outra habilidade e apresentam dificuldades na leitura, escrita ou nos
cálculos. Cada ser humano é singular e apresenta características diferenciadas
(ALGERI, 2014, p. 03).
Assim, de acordo com Siqueira e Giannetti (2010, p. 80), para uma
aprendizagem de “sucesso” são necessárias várias habilidades cognitivas
associadas a oportunidades adequadas. Desse modo,
ambientes enriquecidos de experiências sensoriais são fundamentais,
sendo que a privação pode levar a prejuízos. Ambientes familiares pouco
estimuladores e com pouca interação sociolinguística podem levar a criança ao
não desenvolvimento de suas aptidões e habilidades.
A explicação das dificuldades de aprendizagem escolar
articulou-se na confluência de duas vertentes: das ciências biológicas e da
medicina do século XIX recebe a visão organicista das aptidões humanas,
carregada de pressupostos racistas e elitistas; da psicologia e da pedagogia da
passagem do século herda uma concepção menos heredológica da conduta
humana, isto é, um pouco mais atenta às influências ambientais – e mais
comprometida com os ideais liberais democráticos (PATTO, 1999, p. 62-63).
Deve-se, portanto, considerar o que de fato se sabe a respeito das
demandas cognitivas de tarefas como linguagem, leitura e número e os
problemas que as crianças com dificuldades de aprendizagem enfrentam frente a
essas tarefas.
A intervenção educacional deve ser individualizada de acordo com as
necessidades de cada criança. De uma forma geral, desenvolvem-se os pontos
fracos e reforçam as habilidades. Algumas crianças necessitarão de estratégias
multidisciplinares para sucesso em suas experiências acadêmicas; outras, a
orientação e as intervenções familiares serão suficientes (SIQUEIRA et. al.,
2011, p. 85).
É muito importante que haja uma forma de articulação entre a família
e a escola, tendo em vista o dever da primeira com o processo escolar, além de
serem capazes de detectar problemas nas práticas educativas, que ocasionam o
mau desempenho escolar de seus filhos.
Além disso, está previsto no art. 4º, do Estatuto da Criança e do
Adolescente (Lei nº. 8.069/90), que
É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder
público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à
saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à
cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e
comunitária.
Ainda, prevê o art. 55, do mesmo diploma legal, que “os pais ou
responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede
regular de ensino”.
A família deve proporcionar aos filhos um espaço de afetividade e
segurança, sendo que no caso de medos, incertezas, preconceitos e até mesmo
violência, os pais e professores devem sempre dialogar a respeito da educação
das crianças e jovens, tentando compreender as dificuldades apresentadas pelos
mesmos.
Resta claro, portanto, que não se pode focar o fracasso escolar tão
somente sobre o aluno. “Há todo um universo ao redor do mesmo que implica
em estar atento também a outras perspectivas que possibilitem este estudo,
sendo elas a escola, a sociedade e também o aluno” (LIMA, 2008, p. 05).
Sendo assim, é preciso que o professor tenha uma visão ampla sobre
o universo familiar dos alunos, buscando informações importantes para
compreender a influência da família no comportamento dos alunos e, no
processo de aprendizagem.
1.2 Das dificuldades de aprendizagem específicas
Segundo Siqueira et. al. (2011, p. 80), para uma aprendizagem de
“sucesso” são necessárias
várias habilidades cognitivas associadas a oportunidades adequadas.
Ambientes enriquecidos de experiências sensoriais são fundamentais, sendo que
a privação pode levar a prejuízos. Ambientes familiares pouco estimuladores e
com pouca interação sociolinguística podem levar a criança ao não
desenvolvimento de suas aptidões e habilidades.
Para se compreender as razões que levam uma criança a se
desempenhar pior em determinada tarefa cognitiva do que outras, devemos
conhecer de maneira clara o que está envolvido na realização satisfatória da
tarefa em questão, e então usar esta compreensão para analisar onde está o
problema das crianças com dificuldades de aprendizagem (DOCKRELL e
MCSHANE, 2007, p. 17).
As crianças que apresentam distúrbios de aprendizagem gerais têm
problemas com a maioria das matérias, e aquelas que apresentam uma
dificuldade específica, têm problemas em leitura ou matemática, por exemplo,
(DOCKRELL e MCSHANE 2007, p. 13).
Entretanto, os autores afirmam, ainda, que a diferença entre as
dificuldades acima mencionadas não é tão clara quanto parece, pois, as crianças
que parecem apresentar somente uma dificuldade de aprendizagem específica
acabam apresentando dificuldades em mais de uma matéria, mas não
necessariamente todas elas.
É importante destacar que os problemas apresentados por crianças
com dificuldades escolares podem se referir ao desenvolvimento inadequado das
estruturas da educação psicomotora, tais como: orientação espacial, orientação
temporal, esquema corporal e lateralidade.
Dessa maneira, pode-se dizer que a educação psicomotora é um meio
de favorecer a aprendizagem e as atividades psicomotoras irão beneficiar as
crianças fazendo com que haja melhora na sua aprendizagem.
Staes e De Meur (1984, apud RIBEIRO, 2005, p. 39) afirmam que “no
início da escolaridade aparecem as dificuldades escolares de muitas crianças. O
problema não está no nível da classe em que elas se encontram, mas no nível
da base”.
A educação motora é muito importante, pois a criança precisa de um
espaço adequado para que ela possa se expressar por meio de seu corpo.
Assim, os problemas apresentados por crianças com dificuldades escolares
podem se referir ao desenvolvimento inadequado dessas estruturas, tais como:
orientação espacial, orientação temporal, esquema corporal e lateralidade.
A Psicomotricidade existe nos menores gestos e em todas as
atividades que desenvolve a motricidade da criança, visando ao conhecimento e
ao domínio do seu próprio corpo. Por isso dizemos que a mesma é um fator
essencial e indispensável ao desenvolvimento global e uniforme da criança.
Nesse sentido, Borges e Rubio (2013, p. 01), afirmam que a estrutura
da Educação Psicomotora
é base fundamental para o processo intelectivo e de aprendizagem da
criança. O desenvolvimento evolui do geral para o específico; quando uma
criança apresenta dificuldades de aprendizagem, o fundo do problema, em
grande parte, está no nível das bases do desenvolvimento psicomotor.
Durante o processo de aprendizagem, os elementos básicos da
psicomotricidade são utilizados com freqüência. O desenvolvimento do Esquema
Corporal, Lateralidade, Estruturação Espacial, Orientação Temporal e Pré-Escrita
são fundamentais na aprendizagem; um problema em um destes elementos irá
prejudicar uma boa aprendizagem.
Importante ressaltar, ainda, que as crianças estão sempre em
movimento, se deslocando entre ações incertas, aleatórias, em função de sua
curiosidade com o mundo, para a construção de interesses próprios mais claros.
A escola pode aproveitar esse movimento ou, então, pode inibi-lo de tal modo
que desencoraje a criança em sua pesquisa com o meio.
Contudo, observa-se que a educação psicomotora é um meio que
favorece a aprendizagem e as atividades psicomotoras, nas quais irão beneficiar
as crianças fazendo com que haja melhora na sua aprendizagem.
Outro fator que dificulta a aprendizagem de muitas crianças no Brasil é
a desnutrição. Nesse sentido, é importante destacar o que acontece com o
organismo de uma criança a partir do momento em que ela passa a se alimentar
menos do que necessita.
Segundo Garcia e Patto (2010, p. 231-232), “em uma primeira etapa
ela sentirá fome, o que significa que, com uma necessidade básica não atendida,
diminui sua indisponibilidade para qualquer atividade, até para brincar”.
A autora ressalta, ainda, que
quando a fome se mantém, em intensidade e tempo, a ponto de interferir
com o suprimento energético necessário para manter todo o metabolismo do
corpo, o organismo tenta reequilibrar adotando medidas de contenção de gastos:
sacrifica as atividades que poderiam ser consideradas supérfluas, do ponto de
vista da sobrevivência.
É necessário, portanto, conhecer a realidade das famílias e da
comunidade local, para rever as práticas e relações que auxiliam no combate à
pobreza, à baixa escolaridade e à desnutrição.
Assim sendo, é necessário que as instituições de ensino elaborem
projetos mais eficazes de formação de educadores em conjunto com
profissionais da saúde para estabelecer mecanismos que detectam as
dificuldades encontradas, gerando a exclusão social, visando a sua erradicação.
Prosseguindo, além do exposto acima, encontramos, na escola e na
sociedade, várias crianças com dificuldades de aprendizagem específicas, como
a dislexia, discalculia e disgrafia, os quais são vistas como problemas por muitos
professores, uma vez que ora não conseguem saná-las, ora não sabem a quem
recorrer.
Algeri afirma que o aluno pode apresentar dificuldades na leitura,
escrita e na matemática.
Algumas dificuldades podem ser específicas da leitura e não apresentar
problemas na compreensão oral. Outras crianças leem, mas não compreendem
a mensagem textual. Há ainda crianças que não decodificam e não conseguem
fazer a compreensão oral e escrita (2014, p. 05).
De acordo com Siqueira e Giannetti (2010, p. 81), os transtornos de
aprendizagem ou TA, acometem 5% a 17% da população e podem perdurar por
toda a vida, trazendo prejuízos acadêmicos, sociais e emocionais. Os TAs
podem ser classificados de acordo com a área educacional em: transtornos de
matemática, da escrita e da leitura.
No transtorno de leitura (ou dislexia), o rendimento de leitura,
individualmente testado, é inferior, apresenta-se acentuadamente abaixo do
esperado para idade cronológica, inteligência e escolaridade. Corresponde a
80% de todos os transtornos de aprendizagem, sendo, portanto, o mais frequen-
te deles.
A dislexia, de acordo com Siqueira & Giannetti (2010, P. 81), é uma
“condição crônica que se manifesta de forma heterogênea em um modelo
dimensional. Apresenta origem neurobiológica com forte herança genética, mas
é modulado por fatores ambientais”.
No mesmo sentido, Ciasca (2016, p. 87) explica que a dislexia é um
transtorno específico de aprendizagem, de origem neurológica e
acomete pessoas de todas as origens e nível intelectual e caracteriza-se
por dificuldade na precisão (e/ou fluência) no reconhecimento de palavras e
baixa capacidade de decodificação e de soletração. Essas dificuldades são
resultado de déficit no processamento fonológico, que normalmente está abaixo
do esperado em relação a outras habilidades cognitivas.
A inabilidade de ler e compreender “é um dos maiores obstáculos à
aprendizagem, com graves consequências educacionais, sociais e emocionais.
Através da leitura, o indivíduo extrai conhecimento e significado de caracteres
simbólicos escritos” (SIQUEIRA e GIANNETTI, 2010, p. 81).
Os disléxicos parecem ter dificuldade em aceder às áreas localizadas
na parte posterior do cérebro, isto é, às regiões responsáveis pela análise de
palavras e pela automatização da leitura, recorrendo mais à área de Broca (área
frontal inferior esquerda) e a outras zonas do lado direito do cérebro que
fornecem pistas visuais (OLIVEIRA, 2017, p. 07).
Todavia, é necessário esclarecer que a dislexia não está associada a
um baixo nível intelectual; pelo contrário, uma criança que apresenta tal
transtorno pode revelar padrões excelentes, para a sua faixa etária, em outras
áreas que não a leitura.
Segundo as autoras, no transtorno da expressão escrita, a habilidade
de escrita, apresenta-se acentuadamente abaixo do esperado para idade
cronológica, inteligência e escolaridade e compromete todas as áreas
acadêmicas. Pode ser resultado de alterações motoras, de percepção espacial,
de linguagem, além de memória e atenção. Pode comprometer a grafia
(disgrafia) e/ou a ortografia e produção de texto (disortografia).
A escrita, muito além de simples habilidade motora, constitui um
sistema particular de símbolos que se impõe como crucial em todo o
desenvolvimento cultural da criança. Para Vygotsky (apud Massi, 2007, p. 70),
a linguagem escrita configura-se como um simbolismo de segunda ordem
relacionado aos sons da fala e, por isso, é secundária à linguagem oral.
Gradualmente, à medida que a fala, como ela intermediário, desaparece, a
escrita vai sendo dominada pela criança.
Os transtornos gramaticais caracterizam-se como sendo substituições,
omissões ou adições simples de nomes, verbos, adjetivos ou advérbios,
preposições, pronomes ou afixo indefinido, além da ordem de palavras alteradas.
Garcia (apud Algeri, 2014, p. 06), aponta que “o inicio da dificuldade
depende da gravidade, vindo desde os 7 anos, nos casos mais graves e aos 10
anos ou mais tarde nos casos mais leves”.
Os alunos com dificuldades na aprendizagem na escrita, quando estão
diante daqueles que não apresentam dificuldades, preferem não escrever para
não se expor, necessitando de mais apoio por parte dos pais e dos professores
para se sentirem encorajados a construírem textos, que podem ser
apresentados, inicialmente, aos familiares e amigos (ALGERI, 2014, p. 09).
Para ajudar um aluno com disgrafia, o educador deve, primeiramente,
estabelecer uma boa relação com a criança e fazê-la perceber que a sua
presença é importante para apoiá-la quando necessário.
É fundamental que o professor sinta quando e qual a ajuda que deve
providenciar a cada momento, não deixando de elogiar a criança pelo seu
esforço, mesmo que os resultados nem sempre estejam de acordo com o
expectável. No entanto, deve também ter a capacidade de perceber quando o
aluno revela desmotivação e desinteresse e, se necessário, alterar a intervenção,
adequando procedimentos visando estimular a criança (OLIVEIRA, 2017, p. 12).
No transtorno da matemática (ou discalculia), a capacidade
matemática, individualmente testada, encontra-se abaixo do esperado para idade
cronológica, inteligência e escolaridade e o corre igualmente em ambos os
gêneros, diferente dos outros transtornos (SIQUEIRA e GIANNETTI, 2010, p.
81).
Para Oliveira (2017, p. 15), a discalculia manifesta-se através da
dificuldade para realizar operações elementares de adição, subtração,
multiplicação e divisão, sem que seja resultado de um ensino inadequado ou
retardo mental global. A autora afirma, ainda, que
o número de pessoas com dificuldades para resolver problemas do dia a
dia é significativamente expressivo, atingindo 5% da população escolar. O que
nos mostra que tal transtorno prejudica significativamente o rendimento escolar e
as atividades cotidianas.
Essas dificuldades podem ser identificadas como dificuldades com
leitura e compreensão, como por exemplo, confundir os aspectos parecidos dos
números, como 6 e 9 ou 3 e 8; e as dificuldades em entender conceitos e
símbolos, lembrar como deve ser usado, por exemplo, o sinal de subtração
(JACINTO, p. 05).
A Matemática é essencial na vida de qualquer pessoa, no dia a dia, na
construção de saberes e conhecimentos ampliados, e desse modo,
o conhecimento matemático é construído diariamente em diversas
situações, pois em todos os momentos estamos em processo de ensino-
aprendizagem. Em relação à importância de ensinar e aprender matemática, é
preciso reflexão do professor/ educador, e ao mesmo tempo uma mediação
competente e adequada, na busca de apresentar atividades de acordo com a
realidade e as necessidades das crianças, de forma estruturada, acessível,
dinâmica, cultura, social, entrosada e divertida, isto é, o professor tem que ter
certos cuidados, desde como ensinar e onde ensinar competentemente
(OLIVEIRA, 2017, p. 16).
O educador deve, sempre que possível, planear atividades que
facilitem o sucesso do aluno e que o ajudem a melhorar o seu autoconceito e a
sua autoestima. Pode, por exemplo, recorrer à utilização de jogos e outros
materiais concretos que promovam a manipulação por parte da criança.
Para Algeri (2014, p. 06), a investigação da causa precisa considerar
os vários fatores que podem interferir na aprendizagem. “Estes podem ser de
ordem orgânica como: visão, audição, questões neurológicas, funcionamento
glandular, alimentação e sono”.
Os fatores ambientais também interferem na aprendizagem. Para a
autora, o ambiente onde o aluno está inserido e sua cultura nos permite fazer a
compreensão ideológica e os valores vivenciados pelo grupo onde o mesmo vive
e sua relação com a educação.
O que se deve ter em mente, portanto, é que a superação do fracasso
escolar depende de uma mudança de olhar:
ao invés de justificá-lo pelas carências da criança (o que ela não sabe, as
habilidades que ela não tem, sua condição de carência global enfim), assumi-lo
como mais um desrespeito a um direito fundamental do ser humano: o direito de
aprender, o direito ao ensino, o direito ao acesso aos bens culturais (GARCIA e
PATTO, 2010, p. 238).
Vale destacar que em caso de dificuldades de aprendizagem, a
intervenção tem sido objeto da Psicopedagogia, para quem, a ação
psicopedagógica é vista como combinação de procedimentos que partem de
aspectos psíquicos, com o objetivo de evitar e/ou auxiliar o paciente a superar o
fracasso escolar.
Assim, identificando perturbações existentes em seu processo de
aprendizagem, “o psicopedagogo pode promover a continuidade do
desenvolvimento cognitivo, partindo de suas condições e habilidades e
superando ou contornando do modo mais eficiente suas fragilidades” (MORAES
e MALUF, 2015, p. 87).
Destarte, é preciso compreender, estimular e ajudar os alunos,
buscando métodos e estratégias adequadas às necessidades identificadas no
processo de ensino-aprendizagem. Assim, se a criança apresenta dificuldades
no ato de aprender, é preciso agir de maneira cautelosa, de modo que ela não se
sinta questionada ou pressionada pelos professores e até mesmo pelos pais.
CONCLUSÃO
Vimos que um dos métodos específicos para se detectar a presença
de algum tipo de empecilho na aquisição da aprendizagem pelo aluno é a
intervenção pedagógica, no qual provoca avanços que não ocorreriam
espontaneamente.
Temos então a figura do psicopedagogo, que auxilia no processo de
ensino aprendizagem único e singular. É desejável que nesse processo haja a
geração de autonomia em quem é auxiliado, convidando-o a criar, produzir e
personalizar novos modos de lidar com as dificuldades.
A Psicopedagogia pode contribuir para processos de reflexão no
contexto escolar, fazendo com que os professores reconstruam a sua prática
pedagógica e lancem um “olhar” voltado para o aluno com dificuldades de
aprendizagem, amenizando o sentimento de incapacidade que se encontra
nessas crianças.
Entretanto, é importante destacar que a contribuição da
psicopedagogia não pode ser considerada como uma solução infalível contra o
fracasso escolar, pois deve-se considerar suas possibilidades e habilidades,
unidos com os educadores, a equipe escolar, as famílias e comunidade, numa
tarefa que conscientize a todos de suas forças e limitações.
Deve haver, portanto, propostas de ações psicopedagógicas
possíveis, tanto na prevenção quanto na superação das dificuldades de
aprendizagem e de transtornos de aprendizagem já instalados.
REFERÊNCIAS
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