Mecânica dos Solos (DEC – 2573)
Exame Final Data / /2021
Aluno: Turma:4
Aceite (anuência) da data, horário e forma de realização do exame final, cujo tempo de realização é de duas horas/aula.
1a Questão (valor 2,5 pontos)
Parte A - Tomando como base o canal de fluxo horizontal esquematizado, considerando para coeficiente de
permeabilidade k 1-M = k e k M-2 = 9k e
as respectivas pressões nos pontos 1 e 2, 20m 20m
u1 = 260kN/m2 e u2 = 100kN/m2,
determinar:
a) perda de carga entre 1-M e M-2, os Linha lina
de fluxo
de fluxo
respectivos gradientes hidráulicos e as
respectivas velocidades de
escoamento (velocidade de Darcy);
b) Valor da pressão neutra nos pontos
A e B; u1 = 1700kPa
c) força de percolação por unidade de
volume nos trechos 1M e M2.
Parte B – Relacionar, discutir e analisar os fatores influentes na permeabilidade de solos. Qual o significado do
coeficiente de permeabilidade k, inclusive em que unidade ele se expressa?
A permeabilidade do solo é uma propriedade importante que influencia a capacidade do solo de permitir o fluxo de água ou fluidos através dele.
Vários fatores influenciam a permeabilidade do solo, e entender esses fatores é fundamental para o projeto de estruturas geotécnicas, drenagem
de terrenos e gestão de recursos hídricos. Abaixo estão alguns dos fatores mais influentes na permeabilidade do solo:
1. Tamanho e distribuição de grãos: Solos com partículas maiores e mais uniformes geralmente têm maior permeabilidade do que solos
com partículas menores e mais variadas. Isso ocorre porque os espaços entre as partículas maiores permitem que a água se mova mais
livremente.
2. Porosidade: A porosidade do solo, ou seja, a fração de volume ocupada pelos espaços vazios, afeta diretamente sua permeabilidade.
Solos mais porosos têm maior capacidade de armazenar e transmitir água.
3. Compactação: Solos compactados tendem a ter uma menor permeabilidade devido à redução do volume de poros disponíveis para o
fluxo de água. A compactação pode ocorrer naturalmente devido ao peso das camadas superiores do solo ou ser induzida por atividades
humanas.
4. Estrutura do solo: A estrutura do solo, que se refere à organização das partículas individuais em agregados maiores, pode afetar
significativamente sua permeabilidade. Solos bem estruturados podem ter maior permeabilidade devido à presença de canais porosos
contínuos.
5. Teor de umidade: A quantidade de água presente no solo pode influenciar sua permeabilidade. Aumentos no teor de umidade podem
aumentar temporariamente a permeabilidade devido à lubrificação das partículas, mas em níveis extremos de saturação, a
permeabilidade pode diminuir devido ao bloqueio dos poros.
6. Minerais presentes: A composição mineral do solo pode afetar sua permeabilidade. Alguns minerais, como argilas, podem ter uma
estrutura mais fechada e, portanto, menor permeabilidade, enquanto outros, como areias, podem ter uma estrutura mais aberta e,
portanto, maior permeabilidade.
O coeficiente de permeabilidade, frequentemente representado por k, é uma medida quantitativa da capacidade de um solo permitir o fluxo de
água através dele. É expresso em unidades de comprimento por tempo, comummente metros por segundo (m/s) ou centímetros por segundo
(cm/s), dependendo da escala do problema. O coeficiente de permeabilidade é uma propriedade intrínseca do solo e é determinado
experimentalmente em laboratório ou através de métodos in situ, como testes de infiltração ou ensaios de piezômetro. Quanto maior o valor de k,
maior será a permeabilidade do solo.
2a Questão (valor 2,5 pontos)
Parte A – Tomando como base o ensaio de adensamento unidimensional de laboratório, apresentar, discutir e analisar
a curva de adensamento inclusive com as devidas apresentações esquemáticas? Como a curva de adensamento é
determinada no ensaio? Como é determinado o coeficiente de adensamento Cv, pelo método de Casagrande?
Parte B - Com a amostra de solo retirada no meio de uma camada de argila mole saturada, de 5m de espessura,
normalmente adensada, situada no campo entre duas camadas de areia, sendo que a camada de areia superior é
superficial e saturada (6m de espessura e ysat =20kN/m3), foram feitos ensaios de adensamento em laboratório, cujos
resultados se apresentam a seguir:
enat = 1,0 índice de vazios natural (inicial do ensaio de laboratório)
pa = 85kPa pressão de pré-adensamento
y nat =20kN/m3 peso específico natural da argila (na condição saturada)
Cc = 0,4 índice de compressão
Cv = 10-2 m2/dia coeficiente de adensamento
_0,0m
ynat = 20 kN/m3 w = 26% ys = 27kN/m3 areia
6,0m
2,5m
2m
ynat = 20 kN/m
3
w = 33,3% ys = 30kN/m 3
argila
2,5m
2m
__10,0m
11,0m
ynat = 25 kN/m3 w = 10% ys = 29,4kN/m3 areia
Estimar, com referência à camada de argila:
a) a variação total final da espessura desta camada de argila mole saturada, proveniente da colocação junto à
superfície de um extenso aterro de 8m de altura e de y =20kN/m3;
b) o recalque decorrido com o tempo de 4 (quatro) meses após a colocação do aterro; e
c) tempo necessário para que haja 70% do adensamento da camada de argila.
Obs. Na solução do problema considerar o nível de água subterrâneo junto da superfície natural do terreno.
3a Questão (valor 2 pontos)
Parte A - Para ensaios triaxiais do tipo CU (adensado - não drenado), com corpos de provas provenientes de
amostras do tipo argila, foram obtidos os resultados que se seguem. Estimar através de método analítico a envoltória
de resistência Mohr-Coulomb, em termos de tensões efetivas.
pressão Tensões efetivas
pressão Pressão
Corpo Desviat. neutra
conf. Axial
de σ1 na σ’3 σ’1 (σ’3+σ’1)/2 (σ’1-σ’3)/2
σ3 σ1
prova (kPa) ruptura (kPa) (kPa) (kPa) (kPa)
kPa) (kPa)
uf (kPa)
1 50 250 -40 300 90 340 215 125
2 100 380 -60 480 160 540 350 190
3 150 510 -80 660 230 740 485 255
Parte B - Discutir em detalhe:
✓ Como são realizados os ensaios de cisalhamento direto em laboratório?
Os ensaios de cisalhamento direto em laboratório são conduzidos para determinar as propriedades de resistência ao cisalhamento de materiais
como solos, rochas e materiais geotécnicos. Esses ensaios são particularmente importantes na caracterização de solos coesivos, como argilas,
para entender seu comportamento sob carregamento.
Aqui está um resumo dos passos típicos envolvidos na realização de ensaios de cisalhamento direto em laboratório:
1. Preparação das amostras:
• As amostras de solo, geralmente argilas, são preparadas em corpos de prova cilíndricos ou prismáticos, dependendo das normas e
procedimentos adotados.
• As amostras devem ser cuidadosamente preparadas e compactadas para garantir uma distribuição uniforme de partículas e uma
densidade adequada.
2. Montagem do equipamento:
• O equipamento de cisalhamento direto é montado, geralmente consistindo de duas placas de carga que aplicam uma força de
cisalhamento sobre a amostra.
• As placas de carga são colocadas em ambos os lados da amostra, e o espaço entre elas pode ser preenchido com uma película de teflon
ou outro material lubrificante para reduzir o atrito.
3. Aplicação de cargas:
• O ensaio começa com a aplicação de uma carga normal controlada sobre a amostra, que pode ser realizada de forma gradual ou
instantânea, dependendo do procedimento adotado.
• Após a aplicação da carga normal, é aplicada uma carga de cisalhamento controlada de forma perpendicular à direção da carga normal.
4. Registro de dados:
• Durante o ensaio, são registradas as deformações da amostra e as cargas aplicadas, utilizando dispositivos de medição adequados,
como extensômetros e células de carga.
• Esses dados são registrados ao longo do tempo e podem ser usados para determinar propriedades como resistência ao cisalhamento,
ângulo de atrito, coesão, entre outros.
5. Análise dos resultados:
• Após a conclusão do ensaio, os dados são analisados para determinar as propriedades de resistência ao cisalhamento do solo.
• Isso pode incluir a construção de curvas de resistência ao cisalhamento, como a curva de Mohr-Coulomb, que relaciona a tensão
normal com a tensão de cisalhamento, bem como a determinação do ângulo de atrito e da coesão do solo.
6. Interpretação dos resultados:
• Os resultados do ensaio de cisalhamento direto são interpretados para fornecer informações sobre o comportamento do solo sob
diferentes condições de carregamento.
• Essas informações são essenciais para o projeto e análise de estruturas geotécnicas, fundações, taludes, entre outros.
Em resumo, os ensaios de cisalhamento direto em laboratório são uma ferramenta fundamental na caracterização das propriedades de resistência
ao cisalhamento de materiais como argilas, fornecendo informações valiosas para projetos geotécnicos e de engenharia civil.
✓ Como é determinada a envoltória de resistência ao cisalhamento no caso do ensaio de cisalhamento direto
em laboratório?
4a Questão (valor 2 pontos)
Parte A - Discutir e discorrer em detalhe sobre a sondagem de simples reconhecimento de solo com SPT,
normatizado pela norma NBR6484/2020, incluindo na discussão:
✓ Os objetivos e os processos de perfuração devidamente utilizados;
✓ O ensaio SPT (ensaio em si, tipo e dimensões do amostrador, características do martelo, intervalo de ensaio);
✓ Método utilizado na determinação do nível de água subterrâneo;
Ensaio de perfuração com circulação de água;
A sondagem de simples reconhecimento de solo com SPT (Standard Penetration Test), normatizada pela norma NBR6484/2020, é uma
técnica amplamente utilizada na engenharia civil e geotécnica para obter informações sobre as características do solo em determinado
local. Essa sondagem é fundamental para projetos de fundações, estruturas de contenção, estradas, entre outros.
Objetivos e Processos de Perfuração:
Os objetivos da sondagem SPT incluem a determinação da resistência do solo à penetração, identificação da estratigrafia do subsolo,
avaliação da presença de água subterrânea e obtenção de amostras de solo para análise em laboratório. O processo de perfuração
envolve a utilização de um equipamento de sondagem, como uma sonda de percussão, que é introduzida no solo através de uma série
de golpes verticais.
Ensaio SPT:
O ensaio SPT consiste na cravação de um amostrador padrão de 50,8 mm de diâmetro e 35,7 mm de altura no solo através de uma série
de golpes padronizados. O amostrador é cravado por uma queda livre de 63,5 kg, que é levantada e solta de uma altura de 760 mm em
uma taxa de 30 golpes por minuto. O número de golpes necessários para cravar o amostrador em intervalos de 150 mm é registrado a
cada 150 mm de profundidade. O ensaio é conduzido até uma profundidade pré-determinada, geralmente em intervalos de 1,5 m a 3 m,
dependendo das características do projeto e do solo.
Método para Determinação do Nível de Água Subterrânea:
A determinação do nível de água subterrânea durante a sondagem SPT é essencial para avaliar a presença de água no subsolo, o que
pode afetar significativamente o comportamento do solo e as condições de projeto. O método utilizado para determinar o nível de água
subterrânea geralmente envolve a utilização de um piezômetro, que é um tubo instalado durante a sondagem e conectado a um
manômetro para medir a pressão da água no subsolo. O nível de água é registrado em intervalos regulares durante a sondagem para
fornecer informações precisas sobre sua profundidade e variação ao longo do perfil do solo.
Ensaio de Perfuração com Circulação de Água:
Em certos casos, quando a presença de água subterrânea é significativa ou quando é necessário obter amostras de solo de alta
qualidade, pode-se utilizar a técnica de perfuração com circulação de água. Nesse método, água é injetada continuamente na sonda
durante a perfuração, o que ajuda a estabilizar as paredes do furo, reduzir o atrito entre o amostrador e o solo e minimizar o colapso das
camadas do solo durante a extração do amostrador. Isso permite obter amostras mais representativas e precisas do solo para análise em
laboratório.
Em resumo, a sondagem de simples reconhecimento de solo com SPT, normatizada pela norma NBR6484/2020, é um procedimento
fundamental para a caracterização do subsolo em projetos de engenharia civil e geotécnica. O ensaio SPT, juntamente com métodos
para determinação do nível de água subterrânea e a possibilidade de utilização de perfuração com circulação de água, proporciona
informações valiosas para o projeto e dimensionamento de estruturas que interagem com o solo.
Parte B – O que significa um golpe de martelo e também o que significa o número Nspt (índice de resistência à
penetração)? Estimar o valor de Nspt nos exemplos a seguir, utilizando o segundo método proposto pelo
professor Belincanta, inclusive discutindo as bases e a justificativa deste método proposto.
a) 3/16 4/16 6/15
b ) 4/15 6/16 9/16
Assentamento do amostrador: (Unidade: Golpes/15 cm)
𝑁
( 1 .15)
𝐿1
15
N de golpes para cravar 30 cm após assentamento:
𝑛
(𝐿1 . (𝐿1 − 15) + 𝑛2 + 𝑛3 )
1
. 30
(𝐿1 − 15) + 𝐿2 + 𝐿3
Assentamento do amostrador: (Unidade: Golpes/15 cm)
𝑁
𝑁1 + ( 𝐿 2 . (15 − 𝐿1 ))
2
15
N de golpes para cravar 30 cm após assentamento:
𝑁
( 𝐿 2 ) . (𝐿2 − (15 − 𝐿1 )) + 𝑁3 )
2
. 30
(𝐿2 − (15 − 𝐿1 ) + 𝑁3 )
Um "golpe de martelo" refere-se a uma única ação de impacto de um martelo sobre o amostrador durante o ensaio SPT
(Standard Penetration Test). No ensaio SPT, o martelo é levantado e solto de uma altura específica, gerando uma queda
livre controlada sobre o amostrador cravado no solo. Cada vez que o martelo atinge o topo do amostrador, isso é
considerado um "golpe de martelo". Esses golpes são contados e registrados durante o ensaio para determinar a
resistência do solo à penetração em intervalos específicos de profundidade.
O "número Nspt" (Número de SPT) é uma medida da resistência à penetração do solo durante o ensaio SPT. Esse número
é determinado contando o número total de golpes de martelo necessários para penetrar o amostrador em cada intervalo
de 150 mm de profundidade. Quanto maior o número Nspt, maior a resistência do solo à penetração. O número Nspt é
frequentemente utilizado na prática de engenharia para caracterizar o solo e auxiliar no projeto de fundações e estruturas,
sendo uma medida útil da capacidade de carga e comportamento do solo em campo.