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Tuberculose e Micoses Pulmonares: Diagnóstico e Tratamento

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PNEUMO III

Tuberculose e Micoses pulmonares

TUBERCULOSE
A tuberculose é uma doença infecciosa bacteriana causada pelo Mycobacterium tuberculosis, também
conhecido como bacilo de Koch. Segundo a OMS, um terço da população mundial está infectada pela tuberculose
(não significando doença). No Brasil ainda há elevada prevalência, estando atualmente em 20º lugar em número de
casos no mundo.

INFECÇÃO
Ocorre através da liberação do bacilo pelo indivíduo bacilífero, que necessita estar em contato com o
indivíduo suscetível. A tuberculose é uma doença urbana, especialmente da periferia (aglomerado populacional).
 O suscetível inala o bacilo e tem o primeiro contato → primoinfecção.
 Nas primeiras 3 semanas não há resposta imune → proliferação / disseminação de bacilos
 Entre 3 – 8 semanas → imunidade celular
o Pelo fato do bacilo ser aeróbio, ao ser contido pelas células, deixa de receber oxigênio e para de se
replicar, ficando na forma latente.
o Ocorre um processo de intensa inflamação e necrose em torno do bacilo → granuloma caseoso
o Na radiografia pode ser visto um nódulo pulmonar → nódulo de Ghon
 90% dos casos evoluem com controle da infecção, não surgindo doença
 Os 10% restantes evoluem com TB primária ou TB pós-primária (anos após a primoinfecção)

90% 10%

TB PRIMÁRIA
CONTROLE DA INFECÇÃO (adoecimento na primoinfecção)
TB PÓS-PRIMÁRIA
(reativação do foco anos depois / novo
contato – reinfecção)

TUBERCULOSE PULMONAR
Ocorre logo após a infecção (primária) ou anos após (pós-primária), por uma queda transitória da imunidade.

Primária
 Mais comum em crianças (1º contato)
 Quadro clássico: pneumonia arrastada, adenopatia hilar, paucibacilífera (não elimina bacilos no ambiente)
o O problema da transmissão é o caso-índice, ou seja, qual adulto transmitiu para a criança.

 Complicação → TB miliar
o Micronódulos pulmonares
o Doença disseminada, causando doença em todos os tecidos corporais
o Geralmente < 2 anos, imunodeprimidos e não vacinados com BCG

Pós-Primária
 Ocorre anos após a primoinfecção; forma bacilífera
 Mais comum em adultos 15 – 40 (reativação ou reinfecção)
 Resposta imune mais intensa → radiografia com infiltrado pulmonar
 Rompimento do granuloma, liberando bacilos que atingem a via aérea → paciente bacilífero
o Eliminação do bacilo através da fala, tosse, espirro
 Ocorre necrose pulmonar → cavitações
FORMA CAVITÁRIA
(bacilífera)
 Lobo superior: (1) apical e (2) posterior
 Lobo inferior: superior (6)
Complicação: bola fúngica (aspergiloma) – o fungo acaba
ocupando a cavidade existente no pulmão
DIAGNÓSTICO
Baseia-se na clínica, RX de tórax e escarro.

Clínica
 Tosse ≥ 3 semanas, febre (vespertina) e perda ponderal e do apetite

Escarro
 Baciloscopia (BAAR): pelo menos 2 amostras
o É o exame mais utilizado; leva de 24 a 48h para ficar pronto; traz riscos ao examinador
 Cultura: casos duvidosos, resistência
o Leva 30 a 40 dias para ficar pronta
o Através do antibiograma detecta-se resistência aos fármacos
 Teste Rápido: exame de escolha (MS)
o Avalia resistência à rifampicina
o A acurácia do teste rápido é superior ao da baciloscopia; o tempo do exame é de 2h (contra 24-48h
da baciloscopia); além disso há menor risco biológico.

DIAGNÓSTICO NA CRIANÇA
 Escore de pontuação
o Clínica / RX de tórax / Contato com TB / Prova tuberculínica / Estado nutricional

TUBERCULOSE PLEURAL
 Extra-pulmonar mais comum no Brasil
 HIV (+) → a mais comum é a ganglionar

Características do Líquido Pleural


Forma-se uma coleção líquida infecciosa (exsudato). O transudato se forma por aumento da pressão
hidrostática, e o exsudato é resultado de uma infecção.
 Exsudato, glicose baixa, PMN → linfomonocitário
 Sem eosinófilos / sem células mesoteliais
 ADA > 40U – sugestivo (enzima liberada por linfócitos ativados)

Diagnóstico
 Baciloscopia < 5%
 Cultura < 40%
 Biópsia pleural → até 90% de rendimento diagnóstico (padrão-ouro)

TUBERCULOSE MENÍNGEA
 Crianças não vacinadas, imunodeprimidos
 Evolução subaguda; acometimento de pares cranianos
 Líquor: ↑ proteínas, ↓ glicose, PMN → linfomonocitário
 TC: hidrocefalia

Diagnóstico
 Baciloscopia (15%)
 Cultura (50-80%)
TRATAMENTO
1 Rifampicina 3 Pirazinamida
2 Isoniazida 4 Etambutol

Estratégia DOTS → tratamento diretamente observado (medicação supervisionada por profissional)


Realizar baciloscopias mensais de acompanhamento!

ESQUEMA BÁSICO
- RIPE por 6 meses:
 2 meses (RIPE) + 4 meses (RI)
 Se < 10 anos: não fazer etambutol (E) – tem possibilidade de induzir neurite óptica com consequente
cegueira caso a medicação não seja retirada, e as crianças podem não reconhecer tal efeito.

ESQUEMA MENÍNGEO
- RIPE por 12 meses:
 2 meses (RIPE) + 10 meses (RI)
 Corticoide: 1 a 3 meses iniciais

FALÊNCIA* / MULTIRRESISTÊNCIA (R+I)


 Multirresistência pode ser causa de falha terapêutica
 CLEPT 18 meses: Capreomicina / Levofloxacino / E / P / Terizidona

Critérios de falência (1 dos 3 critérios é suficiente):


1) BAAR (+) ao final do tratamento
2) BAAR (+2/+3) até o 4º mês
3) BAAR que volta a ser (+) e se mantém por 2 meses

EFEITOS ADVERSOS
Todas causam Intolerância gástrica
Hepatotoxicidade
R, I e P (Pirazinamida é a pior / rifampicina é a melhor)
Alternativa: SEO (estrepto / etambutol / ofloxacin)
Específicos
Gripe / alergia (NIA, asma) / plaquetopenia, suor e
Rifampicina
urina alaranjada
Neuropatia periférica (repor vitamina B6 – piridoxina)
Isoniazida
Lúpus-like
Pirazinamida Hiperuricemia
Etambutol (lho) Neurite óptica
Estreptomicina Lesão renal e auditiva

INTOLERÂNCIA
 A “I” ou a “R” são substituídas por Estrepto (S)
 Se a “R” for retirada → 12 meses de tratamento
 Se a “I” for retirada → 9 meses de tratamento

SITUAÇÕES ESPECIAIS
 Gestante → RIPE + Piridoxina
 HIV (+) → RIPE + TARV (2 – 8 semanas após iniciar o tratamento da TB)
 Lesão hepática → interromper tratamento se
o Icterícia Suspender medicação e voltar RE + I + P
o TGO / TGP > 3x e sintomático 3 a 7 dias de intervalo entre drogas
o TGP / TGP > 5x e assintomático (descobrir a droga responsável)
 Sem melhora / cirrose → esquema SEO por 12 meses
o Estreptomicina / Etambutol / Ofloxacino
CONTROLE
 Tratar o bacilífero
o Após 15 dias de tratamento o paciente não infecta outras pessoas
 Vacina BCG
o Protege contra formas graves
 Avaliar contactantes (pessoas que moram ou trabalham com o bacilífero)
o Sintomáticos
 Avaliar doença (Rx + BAAR)
o Assintomáticos
 Avaliar risco de doença (TB latente) → PPD

PROVA TUBERCULÍNICA (PPD)


Indicada para estimar risco de adoecimento. Injeção de antígenos do bacilo de Koch em região de antebraço
e posterior avaliação da resposta imune (2 a 3 dias após).

RESULTADOS DO PPD
Repetir em 8 semanas
< 5 mm → não reator Sem infecção
(viragem?)
> 5 mm → reator Infecção ≥ 10mm se BCG há < 2 anos

O PPD não indica a doença. Ele indica infecção (quem teve contato com o bacilo).
A BCG só consegue tornar o PPD reator nos dois primeiros anos após a vacina, e, além disso, nesses casos
sempre teremos valores inferiores a 10 mm.

TRATAMENTO DA INFECÇÃO LATENTE


 Isoniazida 5-10mg/kg, 270 doses (9 – 12 meses)
1) Se ≥ 5 mm: contactantes, imunodeprimidos (droga, HIV)
2) ≥ 10 mm: doença debilitante (IRC em diálise, DM sem controle glicêmico, silicose)
3) Viragem tuberculínica recente (12 meses): acréscimo no valor do PPD ≥ 10 mm (ex.: 3 mm → 13
mm)

HIV
 PPD ≥ 5mm ou < 5mm, mas história prévia de PPD+
 Contactantes bacilíferos
 Cicatriz radiológica de BK não tratado

PREVENÇÃO (RN CONTACTANTES DE BACILÍFEROS)


Não vacinar Mais 6 meses de
Se (+) (≥ 5mm)
Isoniazida
Isoniazida por 3m
Suspender Isoniazida
Fazer PPD Se (-) (< 5 mm)
e fazer BCG
MICOSES PULMONARES
PARACOCCDIOIDOMICOSE
Paracoccidioides braziliensis
Atividades agrícolas (TB rural)
 Forma aguda: crianças/ adultos < 30 anos
o Febre, linfonodomegalia, hepatoesplenomegalia

 Forma crônica: adultos > 30 anos


o Sintomas respiratórios arrastados / infiltrado pulmonar (peri-hilar bilateral “em asa de morcego”)
o Lesão cutâneo-mucosa

Diagnóstico: Tratamento:
 Escarro / raspado / biópsia  Casos não graves: itraconazol
 Aspecto de “roda de leme” ao microscópio  Casos graves: anfotericina B
HISTOPLASMOSE
Histoplasma capsulatum
Cavernas, galinheiros... fezes
 Forma aguda: síndrome gripal de pássaros e morcegos!

 Forma crônica: aparece com mais frequência em pneumopatas (DPOC, bronquiectasia, fibrose cística...) por
favorecer a colonização do pulmão por fungos
o Sintomas respiratórios arrastados
o Infiltrado pulmonar em áreas mais apicais semelhantes ao BK

Diagnóstico: escarro / medula / sorologia

Tratamento:
 Casos não graves: itraconazol / voriconazol
 Casos graves: anfotericina B

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