0% acharam este documento útil (0 voto)
207 visualizações64 páginas

Relatório de Estágio Final

Enviado por

Mario Artur
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
207 visualizações64 páginas

Relatório de Estágio Final

Enviado por

Mario Artur
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

REPÚBLICA DE ANGOLA

MINISTÉRIO DO ENSINO SUPERIOR, CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO DE BENGUELA

MESTRADO EM EDUCAÇÃO ESPECIAL 2ª EDIÇÃO

RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO DO MESTRADO EM


EDUCAÇÃO ESPECIAL

A educação inclusiva da criança com deficiência auditiva

Autor:

✓ Mário Jamba Artur ([email protected])

HUAMBO, 2024
MINISTÉRIO DO ENSINO SUPERIOR, CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO DE BENGUELA

A EDUCAÇÃO INCLUSIVA DA CRIANÇA COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Autor:

✓ Mário Jamba Artur ([email protected])

Orientador: António Mendes Sambalundo, Ph.D.

HUAMBO, 2024
ÍNDICE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................5
CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO GERAL DO ESTÁGIO. ...................................8
Caracterização do município onde decorreram os estágios supervisionados.......9
CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO ........................................................18
Infraestrutura ..........................................................................................................19
Ensino Primário..................................................................................................20
I° Ciclo ........................................................................................................................20
Mapa Actualizado dos Alunos com Deficiencia/ 2023-2024 ............................21
Perspetivas: ........................................................................................................23
Localização da escola ...............................................................................................24
Missão da escola....................................................................................................24
Visão da escola ...................................................................................................24
Organigrama..............................................................................................................24
Justificação e importância do estágio realizado .....................................................25
Caracterização do estágio ......................................................................................25
PLANO DE ESTÁGIO .........................................................................................27
ACTIVIDADES REALIZADAS DURANTE O ESTÁGIO .............................................32
Reunião de concertação do estágio .......................................................................32
Encontro com o Director do Gabinete Provincial de Educação do Huambo .......32
Encontro com o corpo directivo da escola. ................................................................32
Observação das actividades lectivas nas salas especiais e de intervenção na sala
de recursos multifuncionais (planificação de aulas, provas, avaliação e intervenção
nas perturbações de desenvolvimento)..................................................................33
Seminário de capacitaçao aos estudantes estagiários sobre avaliação
diagnóstica e intervenção nas perturbações do desenvolvimento ......................38
Rastreio e agrupamento dos alunos com base a deficiência.....................................38
Encontro com os pais e encarregados de educação..............................................39
Visita algumas casas de alunos com NEEs ........................................................40
Identificação do caso .................................................................................................41
CAPÍTULO II – METODOLOGIA ............................................................................43
CAPÍTULO III- DIAGNÓSTICO DA NECESSIDADE IDENTIFICADA E PONTO
DE PARTIDA PARA A INTERVENÇÃO..............................................................45
CAPÍTULO IV – PROJECTO DE INTERVENÇÃO/ESTRATÉGIA DE INTERVENÇÃO
..................................................................................................................................47
CONCLUSÕES ......................................................................................................53
LIMITAÇÕES ENCONTRADAS ..........................................................................55
RECOMENDACÕES .................................................................................................56
BIBLIOGRAFIA ......................................................................................................57
ANEXOS
APÊNDICES
INTRODUÇÃO

Desde os primórdios da história da humanidade, a educação sempre foi uma


ferramenta essencial para o desenvolvimento individual e coletivo das sociedades.
No entanto, ao longo dos séculos, a concepção e a prática da educação passaram
por transformações significativas, especialmente no que diz respeito à inclusão de
pessoas com necessidades especiais.

Nas civilizações antigas, como os egípcios, gregos e romanos, reconheciam a


importância da educação, mas raramente consideravam as necessidades
específicas das pessoas com deficiência. Muitas vezes, esses indivíduos eram
marginalizados e excluídos das oportunidades educacionais disponíveis.

Historicamente, a educação especial tem sido considerada como educação


de pessoas com deficiência, seja ela mental, auditiva, visual, motora, física
múltipla ou decorrente de distúrbios evasivos do desenvolvimento, além das
pessoas superdotadas que também têm integrado o alunado da educação
especial (Rogalski, 2010, p.3).

O anteriormente exposto, revela a importância e pertinência do assunto bem como a


preocupação da humanidade em querer ver incluída as pessoas com Necessidades
Educativas Especiais, e dar a eles um atendimento igualitário aos ditos normais,
concomitantemente garantir oportunidades igualitárias a todas as pessoas.

Corrobora com a visão acima apresentada, Sassaki (2002, p.41) pois afirma que:

É fundamental equiparmos as oportunidades para que todas as pessoas,


incluindo portadoras de deficiência, possam ter acesso a todos os serviços,
bens, ambientes construídos e ambientes naturais, em busca da realização
de seus sonhos e objetivos.

Foi somente nos séculos XVIII e XIX que surgiram os primeiros movimentos em
direcção à educação inclusiva. Pioneiros como Jean-Marc-Gaspard Itard e Maria
Montessori desenvolveram métodos educacionais inovadores que buscavam atender
às necessidades individuais de crianças com deficiências.

No entanto, foi durante o século XX que os avanços significativos foram feitos no

5
campo da educação especial. Com o surgimento de teorias psicológicas e
pedagógicas mais progressistas, como a teoria de Piaget e as ideias de Vygotsky,
começou-se a reconhecer a importância de adaptar o ensino para atender às
necessidades diversas dos alunos.

O século XX também testemunhou o surgimento de legislação que buscava garantir


o acesso à educação para todos, independentemente de suas habilidades ou
limitações. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Lei de Educação para Todos os
Deficientes (IDEA) de 1975 foi um marco importante na promoção da inclusão
educacional.

Desde então, houve um crescente reconhecimento global da importância da


educação inclusiva e do apoio às necessidades educativas especiais. Hoje, a
comunidade científica e educacional está comprometida em desenvolver práticas e
políticas que promovam uma educação de qualidade para todos os alunos,
independentemente de suas diferenças individuais.

O anteriormente dito se consubstancia na Convensão dos Direitos das Pessoas com


Deficiência de 2006 que foi ratificada por Angola em 2014, para que se pudessem
defender os interesses das pessoas vulneráveis e de igual modo serem inseridas
nos planos e políticas de estado.

Todavia, esta acção levou as instituições de ensino a redimensionarem suas visões


a respeito da educação inclusiva deixando a exclusão e o segracionismo para que
existissem um espaço onde as pessoas com deficiências poderiam melhor aprender
e compreender o mundo. Para tal, a sistema educativo angolano na sua Lei de Base
sobre a Educação e Ensino de 2017, alterada em 2021 pela Lei nº 30, no seu Art nº
define a necessidade de se tornar a escolas mais inclusiva e assim, criar os
Gabinetes de Apoio Psicopedagógicos com o intuito de se dar resposta as
exigências do processo de inclusão da pessoa com Necessidade Educativa
Especial.

Ora, o presente relatório está enquadrado no âmbito da realização dos estágios


curriculares supervisionados, incluídos no plano de estudo do segundo ano de
Mestrado em Ciências da Educação do Instituto Superior de Ciências da Educação

6
de Benguela (ISCED) que tem por finalidade descrever as actividades desenvolvidas
durante as jornadas bem como relatar as várias aprendizagens obtidas durante a
nossa estadia na escola.

O referido estágio, reflete a necessidade de se firmar a Educação Especial por conta


da importância que se tem em incluir as pessoas com Necessidades Educativas
Especiais no processo de Ensino-aprendizagem. Sendo assim, eles decorreram na
Província do Huambo no Complexo Escolar de Ensino Especial e teve seu início nos
dias … do ano em curso.

No relatório se descrevem a caracterização da zona onde se realizou o estágio,


desde a descrição da característica geopolítica da província do huambo, de modo
particular o município sede. Apresenta-se a caracterização suscita da educação na
província de modo exclusivo o ensino especial no município do Huambo e a
posterior a descrição característica da escola que se tornou campo das práticas de
execução dos estágios. Se pode encontrar ainda no relatório, um enquadramento
teórico sobre a temática que foi alvo de observação e aprendizado, que no caso é a
educação inclusiva da criança com deficiência auditiva.

7
CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO GERAL DO ESTÁGIO.

O estágio supervisionado é uma actividade prática que integra a formação


acadêmica dos estudantes, principalmente em cursos de graduação e técnicos. Este
estágio é realizado sob a supervisão de profissionais qualificados e de um orientador
acadêmico, e tem como objectivo proporcionar ao aluno a oportunidade de aplicar os
conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula em situações reais de trabalho.

Ele é caracterizado pela garantia educacional que serve para complementar a


formação acadêmica, permitindo que os estudantes desenvolvam habilidades
práticas e obtenham uma visão mais clara da sua futura profissão. Bem como a
supervisão de um docente da instituição de formação do candidato para que auxilie
na concretização das matérias ora aprendidas durante o primeiro ano de formação
curricular.

Outrossim, o estágio tem um carácter avaliativo para garantir a qualidade do


estagiário e por sua vez oferecer garantia de excelência na actividade que os
mesmos vão realizando durante o período que decorrer os estágios.

O presente estágio tem como objectivo:

1. Aprofundar o conhecimento relativo à população e às diferentes patologias;


2. Observação da intervenção das NEEs;
3. Desenvolver e implementar planos de intervenção com supervisão directa
do professor do estágio;
4. Avaliar o processo e produto dos programas de intervenção, relativamente
aos objectivos definidos;
5. Participar e dinamizar a vida institucional (reuniões institucionais, trocas
informais, redes e parcerias, etc.);
6. Reflectir as acções do estágio, sempre que possível em eventos científicos.

Portanto, esses objectivos podem ser alcançados com base as seguintes


estratégias:

➢ Proporcionar a vivência e análise de situações reais de ensino-


aprendizagem dando respostas aos fenómenos sociais;

8
➢ Capacitar o estagiário a vivenciar e buscar soluções para situações-
problema no contexto prático, a partir de sua base de conhecimentos
teóricos, considerando criticamente os aspectos científicos, éticos,
sociais e económicos;
➢ Favorecer a integração ao contexto social no qual a instituição se insere,
em consonância com o compromisso da educação sócio inclusiva;
➢ Possibilitar a aproximação do estagiário com a instituição, conhecendo
todos os aspectos passiveis de interferirem nas actividades da
instituição, como infra-estrutura meios didácticos e administrativos,
projecto político pedagógico, planos de ensino, comunidade escolar,
entre outros;
➢ Desenvolver uma postura investigativa e uma visão crítica, que permita
compreender o espaço institucional como espaço de pesquisa e
reflexão;
➢ Proporcionar a observação e análise de situações reais de ensino–
aprendizagem, por vias da investigação-acção, propondo soluções
através do atendimento educativo especializado (AEE) ou do plano
educativo individualizado (PEI), e estratégias fundamentadas ao
conhecimento científico e ao contexto;
➢ Planear uma intervenção didáctica sobre um conteúdo em conjunto com
o/a professor/a supervisor/a da instituição. Esse planeamento deve ser
detalhado conforme as orientações do professor orientador;
➢ Supervisionar toda a actividade desenvolvida pelo estagiário;
➢ Reflectir sobre sua prática e a do estagiário;
➢ Não permitir juízos de valor, primando pela ética e deontologia
profissional.

1.1. Caracterização do município onde decorreram os estágios


supervisionados.

Os estágios decorreram na província do Huambo, cuja capital também é Huambo.


Sua área é de 35 771,15 Km² e corresponde a 2,6 % do território nacional. Na
agropecuária, se destaca pela produção de Batata, Batata-Doce, Café Arábica,
Maracujá, Abacateiro, Milho, Feijão, Trigo, Citrinos e Hortícolas, Eucalipto, Pinheiro,

9
Plantas Aromáticas. Ela é rica em minérios como: Ferro, Wolfrâmio, Estanho e
Molibdénio, Fluorite, Urânio, Ouro, Manganésio, Manganês, Bário, Fosfatos,
Radioactivos, Caulino, Cobre. Seu clima é tropical de altitude. Sua capital possui
uma população estimada em 2.075.713 habitantes com uma densidade de 58
habitantes/ Km2.

A Província de Huambo, outrora como o segundo parque industrial do País,


actualmente espera o retorno de várias actividades, Metalomecânica, Química,
Materiais de Construção, bicicletas, TV, Têxteis, Confecções, Couros e Calçado,
Alimentar, Bebidas e tabacos, Madeira e Mobiliário.

Hoje algumas unidades se encontram em plena actividade do ramo alimentar, ligeiro


e pesado que laboram muito aquém das suas capacidades instaladas, num total de
65 unidades, destacando-se a ULISSES para montagem de bicicletas e motorizadas
e a SEFA.

A indústria extrativa aguarda um regresso às actividades, por quanto rica, em


recursos minerais como, Manganês, Bário, Ferro, Fosfatos, Radioactivos, Wolfrâmio,
Caulino, Grafite, Ouro e Cobre que clamam por relançamento e exploração. O
comércio conta com 407 estabelecimentos distribuídos, principalmente no município
sede de Huambo com 323 instalações.

10
Figura nº 1: Mapa Administrativo do Huambo.

Fonte: laboratório Geográfico do ISCED-Huambo (2020).

O município do Huambo é o mais populoso com 843 737 pessoas, o que representa
cerca de um terço da população da província (37%). Com menos de 100 mil cada
aparecem os municípios da Ecunha (82 541), Ukuma (55 054) e Tchinjenje (30 443).

Em cada quilómetro quadrado da província do Huambo, residem cerca de 59


pessoas. O município do Huambo apresenta a maior densidade populacional da
província com 254 habitantes por quilómetro quadrado, cerca de 4 vezes superior a
média da província. Seguem-se os municípios da Caála com 70, seguido dos
municípios de Ecunha e Londuimbali que apresentam uma média de 54 e 47
habitantes por quilómetro quadrado, respectivamente.

11
Figura nº 2: Rede Escolar da Província do Huambo.

Fonte: Gabinete Provincial da Educação (2020).

Segundo Lucamba (2021), a província do Huambo, conta com um total de 1037


escolas, incluindo as escolas privadas. Portanto existem aproximadamente 914
escolas do Ensino Primário, 79 Colégios do I Ciclo, 30 Liceus, 7 Escolas de
Magistério e 7 Escolas Técnicas Profissionais num horizonte de 2 389 231
habitantes.

O Município do Huambo, por ter maior densidade populacional possui a maior rede

12
de escolas da Província, são 144 escolas do ensino primário, 48 colégios do I ciclo,
18 Liceus, 2 escolas de magistério e 5 escolas técnicas profissionais. A maior parte
dos liceus, escolas de magistério e escolas técnicas profissionais estão
concentradas na cidade do Huambo. De forma geral todos os liceus localizados nas
comunas sedes (capital do município).

De acordo com o relatório síntese sobre a educação especial e inclusiva na


província do Huambo correspondente ao período de 2017 a 2023, regista-se um total
de 58 escolas inclusivas, sendo a capital da província a que alberga o maior número
e, vindo, posteriormente, oito (8) municípios com o menor número de instituições
escolares inclusivas, conforme consta na tabela abaixo:

Tabela 1 Escolas Inclusivas Distribuídas por Municípios

Fonte: Gabinete Provincial da Educação do Huambo

Nº Municípios Nº de escolas inclusivas

1 Huambo 24

2 Caala 6

3 Bailundo 4

4 Cachiungo 3

5 Chicala-Cholohanga 3

6 Ecunha 3

7 Ucuma 3

13
8 Longonjo 3

9 Chinjenje 3

10 Mungo 3

11 Londuimbale 3

Total de Escolas 58

14
Seguidamente são apresentados os dados estatísticos referentes aos alunos com NEEs matriculados de 2017 até ao presente
ano lectivo:

Tabela 2 Nº de Alunos com Deficiência Matriculados a nível provincial no período de 2019 a 2023

Fonte: Gabinete Provincial da Educação

Nº Municípios Nº de alunos por tipos de deficiências

Auditiva Visual Intelectual motora Múltiplas Tr. Tr. Tr. Total


Desenv. Conduta Linguagem

15
1 Huambo 190 50 1150 234 78 50 53 55 1860

2 Caala 20 15 101 28 15 6 8 9 202

3 Bailundo 15 11 115 31 10 8 11 18 219

4 Cachiungo 9 6 18 23 6 3 2 4 71

5 Chicala-Cholohanga 7 7 12 13 2 2 4 3 50
6 Ecunha 6 4 6 7 3 4 1 2 33

7 Ucuma 8 5 8 5 4 2 3 4 39

Longonjo 15 9 48 21 8 5 6 5 117

Chinjenje 9 7 13 16 5 3 2 4 59

Mungo 6 5 3 4 1 1 1 2 23
16
Londuimbale 18 13 27 31 18 7 8 6 128

Total 303 132 1501 413 150 91 99 112 2620

Nº total de alunos com deficiência a nível da província do Huambo 2620


No desenrolar dos últimos cinco (5) anos, o Gabinete Provincial da Educação
desenvolveu várias sessões formativas com a finalidade de minimizar a problemática
de professores intérpretes da Língua Gestual Angolana (LGA) no atendimento da
pessoa com deficiência auditiva nas salas inclusivas, professores intérpretes da
escrita Braille com o intuito de auxiliar no ensino da pessoa com deficiência visual e
a preparação metodológica dos professores em matérias de atendimento
diferenciado dos alunos com deficiência intelectual, conforme se pode aferir na
tabela abaixo:

Tabela 3 Formação dos professores nas escolas inclusivas

Fonte: Gabinete Provincial da Educação

Nº Área de Formação Nº de professores

MF M F

1 LGA 432 259 173

2 Braille 243 145 98

3 Deficiência Intelectual 321 137 144

Total 987 581 415

17
1.2. CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO

Nessa secção buscaremos a história breve da escola especial, deduzindo que todas
as coisas têm seu princípio e percurso. Escrever sobre a Escola Especial consiste
em retratar uma instituição que surgiu há 34 anos, isto é, em 1990, com a finalidade
de prestar o atendimento as crianças, jovens, adultos rejeitados nas diversas esferas
sociais. O surgimento da escola foi impulsionado pela Igreja Baptista que na altura já
prestava serviços de apoio aos deficientes físicos.

Importa referir que complexo escolar do ensino especial foi criado sob o decreto
Executivo n° 106 1/2021 do sector provincial do Huambo, mas sua historia do ensino
Especial começa no ano 1979 quando foi nomeada como primeira directora a
senhora Holinda Nacatchenle. O ponto de partida para estes trabalhos foram as
igrejas.

Em 1982 a 1983 iniciou o recrutamento de professores do ensino geral para forma


ao especial, isso na republica democrática da Alemanha. Na província do Huambo
apenas o professor Fernando Jonas Lucamba que trabalhava na escola 80 o que
actualmente chamada como n°01 aceitou o desafio.

Regressou ao país em 1989 com o grau de licenciatura em psicologia orientada para


diagnostico do ensino especial. Em 1990 foi criada a primeira turma do ensino
especial no Lar dos Pequeninos.

Em 1995 criou-se a primeira turma com surdos e alunos com defices cognitivo na
escola n°103 com as turmas da 5ª, 6ª e 7ª Classe, a Directora nessa altura era a
Senhora Palmira Nafita Lombo e ja contavam com 15 professores. De 1997 a 1998 a
escola passa a funcionar no centro se alfabetiza ao a que chamamos de Aliança
francesa foi directora a Senhora Cristina Chilulu.

Em 2010 foi inaugurada a escola do ensino especial pelo Governador do Huambo


Fernando Faustino Muteca, Localizada no Bairro Académico, foi construída no
âmbito do programa PIPI uma escola com 8 salas de aulas, funciona em dois turnos
indicado como director o Senhor Justo Jonas Fernando.

Em 2017 o Senhor Director Justo foi nomeado como chefe de gabinete para área de

18
ensino especial e em seu lugar foi indicado a director o senhor Victor Jai que
exerceu a função até ao ano de 2021, e de 2021 até a data presente exerce a
função de directora a Senhora Mariana Vassole Alicerces.

Localizada no bairro académico, rua Serpa Pinto, com 8 salas de aulas, 2 turnos e
capacidade para 576 alunos com Necessidades Educativas Especiais
nomeadamente crianças, jovens e adultos com deficiência visual, auditiva, intelectual
ou seja transtornos do espectro autista, e altas habilidades.

1.2.1. Infraestrutura

Em termos arquitetónicos a Escola Especial do Huambo presenta a seguinte


estrutura:

➢ Sete (8) salas de aulas;

➢ Um (1) secretaria;

➢ Uma (1) sala dos professores;

➢ Quatro (4) WC, sendo dois (2) dos professores e igual número dos alunos;

➢ Um (1) gabinete da Directora Geral

➢ Um (1) gabinete do Sub-director Pedagogico

➢ Um (1) gabinete do Sub-director Administrativo

➢ Uma (1) Sala de Recursos Multifuncionais (SRM)

Actualmente o Organigrama do complexo escolar conta com uma Diretora,


Subdirector Pedagógico e Subdirector Administrativo, 41 professores dos quais 27
sao do genero feminino e 2 auxiliares de limpeza.

No presente ano lectivo o complexo escolar do ensino especial matriculou 541


alunos, distribuídos da seguinte forma:

19
1.2.2. Ensino Primário

Classes MF F

Iniciação 40 10

1ª Classe 68 25

2ª Classe 77 31

3ª Classe 54 23

4ª Classe 62 25

5ª Classe 41 17

6ª Classe 47 17

Total 389 148

1.2.3. I° Ciclo

Classes MF F

13ª Classe 11 10

Total 11 10

20
1.2.4. Mapa Actualizado dos Alunos com Deficiencia/ 2023-2024

C
la
Tipo de Deficiências
s
s
e Audit Vis lntelectu Moto Multipl Dese Co Un Sub-total por classe

s iva ual al ra a nv. nd. g.

Iniciaçã 11 2 4 1 5 1 24
o

1ªCla 16 2 8 1 2 6 3 38
sse

2ªClas 18 2 19 5 4 0 6 54
se

3ªClass 5 2 10 7 3 3 30
e

4ªClass 18 8 16 2 1 1 47
e

5ª 10 0 13 4 1 1 29
Classe

6ª 15 3 10 0 3 3 34
Classe

7ª 14 2 20 2 1 2 41

21
Classe

8ª 15 1 38 4 2 60
Classe

9ª 13 3 6 22
Classe


Classe

13ª 3 2 1 6
Classe

Totais 385

Tendo em conta as especificidades de funcionamento das Escolas do Ensino


Especial na perspectiva inclusiva, estes estabelecimentos escolares devem ter em
funcionamento uma sala de recurso multifuncional.

A sala de recurso multifuncional é um espaço localizado e organizado onde se


realiza e Atendimento Educacional Especializado (AEE). A sala de recurso
multifuncional atende em media 5 alunos da Escola Especial e das Escolas
inclusivas por dia, num tempo de 30 a 40 minutos para cada aluno. Prestam serviço
nesta sala 5 técnicos.

Através da Politica Nacional da Educação Especial Orientada para inclusão


Educacional, documento que estabelece coma estratégia e reestruturação dos seus
órgãos e que as Escolas do Ensino Especial passem a actuar como Núcleo de Apoio
a inclusão, cujo objectivo consiste em apoiar a rede de Escolas do Ensino Geral por
meio de formação contínua, formação em serviço, produção de materiais e meios de
ensino e modos de comunicação. Neste sentido, a escola tem realizado estas
acções para assegurar a permanência das pessoas com deficiências no ensino

22
geral.

O decreto presidencial nº 187/17 de 16 Agosto de 2017 fala sobre o


redimensionamento das escolas do Ensino Especial passando a actuar coma Núcleo
de Apoio a inclusão, realizam as seguintes actividades:

1- Asseguram as ações de formação continua e em serviço aos professores do


ensino geral, as sextas-feiras em todos as municípios;

2- Trabalham coma itinerantes nas escolas inclusivas;

3- Asseguram processo de inclusão do ensino primário ao ensino superior;

4- Prestam serviços em técnicas de educaçao especial em 95 escolas


catalogadas coma inclusivas;

5- Alfabetizaçao das pessoas com deficiência visual nos Municípios


da Caala, Longonjo e Huambo.

1.2.5. Perspetivas:

1- A criação de salas de artes e ofício, devido alunos que são atendidos, mas
que o impacto da lesão é tão profundo que evidentemente deixou uma
sequela, e por conta deste aspecto o aluno não consegue alcançar outros
níveis de escolaridade. Porém, há um outro lado que pode ser explorado que
é formação técnico profissional na oficina de arte e ofício;

2- Transformação da escola em um verdadeiro núcleo de apoio a inclusão;

3- Ampliação da instituição;

4- Criar centros de recursos em todos os Municípios.

➢ Escola nº112 com uma sala especial de atendimento;

➢ Em 2010, aos 4 de abril, foi inaugurada a escola especial pelo governador Dr.
Faustino Muteka, comportando sete (7) salas de aulas para o atendimento
dos alunos com necessidades educativas especiais (NEEs)

23
Vários directores estiveram na direção da Escola Especial até a presente data:

➢ Palmira Nativa Sambo (1990-1998);

➢ Cristina Chilulo (1998-2010);

➢ Justo Jonas Fernando (2010-2017);

➢ Victor Jai (2017-2021);

➢ Mariana Vassole Alicerces (2022-).

1.2.6. Localização da escola

Tendo em conta as questões geográficas a escola situa-se no Bairro Académico,


comuna do Kpango, limitada a norte pelo Instituto Politécnico do Huambo, a sul pelo
Hospital Central, a este pela Mediateca Provincial e a oeste pela Estufa Fria.

1.2.7. Missão da escola

Fazer com que toda a criança tenha o direito ao estudo, processo de ensino e
aprendizagem, sem exclusão d qualquer aluno, independentemente das condições
socioeconómicas, aspectos biológicos, psicologia, etnia ou raça.

1.2.8. Visão da escola

Ser uma escola de acolhimento, dando oportunidade para o desenvolvimento


integral das crianças, adolescentes e jovens com necessidades educativas
especiais.

1.2.9. Organigrama

➢ Director geral

➢ Sub-director pedagógico

➢ Sub-director administrativo

➢ Chefe de secretaria

24
1.3. Justificação e importância do estágio realizado

A aposta nos recursos humanos constitui o maior e nobre investimento empreendido


pelas sociedades, desde tempos remotos, com o avançar da técnica,
industrialização e avanços no funcionamento das instituições o homem viu-se
carente de preparação com a finalidade de melhor responder com as exigências da
época.

Se educar e ensinar perfazem duas dimensões atreladas entre si e capazes de


proporcionar a preservação da humanidade, na medida em que as gerações mais
experientes partilham suas cosmovisões, percurso de vida, os segredos do cosmos,
os valores e costumes do grupo às gerações mais experientes, é vital que se preste
maior atenção à preparação de seus profissionais.

A formação de professores é necessária face aos desafios actuais. Não será


possível colmatar as insuficiências com homens indevidamente preparados, nessa
senda, para complementar a preparação docente é vital a conciliação da teoria com
a prática. É imprescindível que o futuro professor seja submetido ao estágio
supervisionado de modos a testar e comprovar in locu as diferentes abordagens
pedagógico-metodológicos aprendidos no contexto sala de aula.

O estágio revela-se ser uma etapa crucial na formação do futuro profissional em


educação no geral e especial em particular, tem por finalidade proporcionar ao
formando a oportunidade de colocar em prática as teorias aprendidas em sala de
aula, por meio de actividades realizadas numa classe que lhe é dada, igualmente, na
investigação dos vários factores que condicionam a aprendizagem da qualidade dos
alunos.

Essa é a etapa onde a conciliação da teoria com a prática é uma realidade, e buscar
compreender os principais desafios do processo de ensino e aprendizagem e sugerir
as possíveis soluções para reversão das aprendizagens que se mostrarem
insatisfatórias face aos objectivos definidos para o subsistema de ensino e promoção
de uma educação democrática constituem uma finalidade por alcançar.

1.4. Caracterização do estágio

O presente estágio envolveu a observação e práticas de actividades pedagógicas

25
voltadas para alunos com necessidades educativas especiais. Os estagiários tiveram
a oportunidade de trabalhar em conjunto com professores experientes, aprender
sobre adaptações curriculares, desenvolver estratégias de ensino inclusivo e,
principalmente vivenciar de perto a realidade e as necessidades dos alunos com
deficiências.

Além dos aspectos antes mencionados ajudou também os estagiários no


planeamento e execução de aulas, participação em reuniões pedagógicas,
elaboração de materiais didácticos adaptados, avaliação do desenvolvimento dos
alunos, entre outras actividades relacionadas ao ambiente escolar inclusivo.

26
1.5. PLANO DE ESTÁGIO

N/O ACTIVIDADES OBJECTIVOS EXECUTORES LOCAL DE DATA OBS


EXECUÇÃO

➢ Professor
1 Reunião de ➢ Criar o calendário das actividades de Sala de reuniões 20 de
supervisor
concertação do estágio. do Gabinete janeiro
➢ Estudantes
estágio ➢ Familiarizar-se com os documentos Provincial da
estagiários.
oficiais reitores do estágio Educação.
supervisonado.
➢ Professor
2 Encontro com o ➢ Apresentar a equipa de estágio. Sala de reuniões 01 de
supervisor.
Director do ➢ Apresentar os documentos oficiais do Gabinete Fevereiro
➢ Estudantes
Gabinete reitores do estágio supervisionado Provincial da
estagiários.
Provincial de como garante da realização dos Educação.
➢ Técnicos do
Educação do estágios no Complexo Escolar de
Gabinete
Huambo Ensino Especial do Huambo.
Provincial da
➢ Aferir o andamento do processo de
Educação.
implementação das escolas inclusivas
na Província e o estado funcional dos
Gabinetes de Apoio Psicopedagógico
(GAP).

27
➢ Professor
3 Encontro com o ➢ Apresentar a equipa de estágio. Sala de 15 de
supervisor
corpo directivo da ➢ Apresentar os documentos oficiais professores do Fevereiro
➢ Estudantes
escola. reitores do estágio supervisionado Complexo Escolar
estagiários
como garante da realização dos de Ensino
➢ Corpo directivo
estágios no Complexo Escolar de Especial
da escola
Ensino Especial do Huambo.
➢ Coordenador do
➢ Definir os dias e horas de estágio.
GAB
➢ Conhecer a escola do ponto de vista
estrutural e funcional.
➢ Professor
4 Observação das ➢ Observar as actividades lectivas nas Salas especiais 22 de
supervisor
actividades salas especiais e de intervenção na Fevereiro
➢ Estudantes Sala de recursos
lectivas nas salas sala de recursos multifuncionais; a 28 de
estagiários multifuncionais
especiais e de ➢ Constatar as estratégias adaptativas Março
intervenção na utilizadas no ensino dos alunos com Gabinete de apoio
sala de recursos NEE; psicopedagógico
multifuncionais ➢ Averiguar o tratamento dos alunos
(planificação de com NEE em sala de aula;
aulas, aulas, ➢ Identificar a capacidade do professor
provas, avaliação em lidar com a diverisidade em sala
e intervenção nas de aula;

28
perturbações de ➢ Identificar as principais deficiências
desenvolvimento). atendidas na sala de recurso
multifuncional e as respectivas
actividades;
➢ Observar o processo de rastreio das
deficiências e a delimitação da
estratégia interventiva;
➢ Verificar o modo de avaliação das
aprendizagens face os diferentes
níveis de comprometimento dos
alunos.
➢ Professor
5 Seminário de ➢ Formar os estudantes estagiários Complexo Escolar 11 de
supervisor
capacitaçao aos sobre técnicas de avaliação de Ensino Abril
estudantes diagnóstica e intervenção nas Especial (Sala de
estagiários sobre perturbações das aprendizagens recursos
avaliação multifuncionais).
diagnóstica e
intervenção nas
perturbações do
desenvolvimento.

29
➢ Professor
6 Rastreio e ➢ Identificar as principais deficiências supervisor Complexo Escolar De 6 a
agrupamento dos atendidas no Complexo Escolar; ➢ Estagiários de Ensino 10 de
➢ GAP
alunos com base ➢ Avaliar o grau de comprometimento Especial (Sala de Maio
a deficiência. para melhor enquadramento na sala recursos
especial e/ou inclusiva; multifuncionais).
➢ Organizar as fichas de atendimento
educativo individualizado.
➢ Professor
7 Encontro com os ➢ Reflectir sobre a importância da supervisor Complexo Escolar 10 de
pais e participarção dos pais e encarregados ➢ Estagiários de Ensino Maio
➢ GAP
encarregados de de educação no PEA Especial.
educação.

➢ Professor
8 Visita as casas de ➢ Conhecer a realidade de vivência dos supervisor Residência dos De 11 de
alguns alunos alunos para redefinir estratégias ➢ Estagiários familiares. Abril a 10
➢ GAP
com NEE extras escolares. de Maio

➢ Professor
9 Sessões ➢ Aplicar técnicas adaptativas e supervisor Complexo Escolar De 19 a
interventivas dinâmicas de acordo com as ➢ Estagiários de Ensino 22 de
insuficiências dos alunos Especial. Maio
selecionados como amostra da

30
intervenção;
➢ Partilhar com os professores da sala
de recursos multifuncionais as
actividades adapatadas ao
atendimento especializado dos alunos
com dificuldades específicas de
aprendizagem, deficiência auditiva,
deficiência intelectual e autismo.
➢ Professor
10 Chá inclusivo e ➢ Capacitar os professores sobre supervisor Complexo Escolar 23 de
metodológico estratégias de ensino eficazes para ➢ Estagiários de Ensino Maio
alunos com NEEs; Especial.
➢ Desenvolver actividades práticas para
estimular o uso de recursos visuais,
tecnologias assistivas, puzzle, jogo de
palavra e memória, etc., para
desenvolver Planos Educacionais
Individualizados ou em Grupo.

31
1.6. ACTIVIDADES REALIZADAS DURANTE O ESTÁGIO
1.6.1. Reunião de concertação do estágio

Esta actividade teve como finalidade criar o cronograma de estágio e familiarizar-se


com os documentos oficiais reitores do estágio supervisonado. A análise dos
documentos remeteu os estudantes a planificar outras actividades com vista a darem
respostas as estratégias determinadas pelo Plano de Estágios orientados pelo
Instituto Superior de Ciências da Educação de Benguela – ISCED. Este encontro
marcou o início das actividades do estágio sob orientação do supervisor.

1.6.2. Encontro com o Director do Gabinete Provincial de Educação do


Huambo

O encontro teve como objectivo apresentar a equipa de estágio, os documentos


oficiais reitores do estágio supervisionado como garante da realização dos estágios
no Complexo Escolar de Ensino Especial do Huambo. Permitiu, igualmente, aferir o
andamento do processo de implementação das escolas inclusivas na Província e o
estado funcional dos Gabinetes de Apoio Psicopedagógico (GAP). Depois do
encontro com a equipa do Gabinete Provincial da Educação do Huambo conclui-se o
seguinte:

➢ As credenciais dos estagiários devem ser enviadas para a Escola especial


para que por via delas tivessem autorização de realizarem as actividades;
➢ O início das actividades na escola deveria aguardar pela comunicação do
Gabinete Provincial da Educação (GPE), para que explicasse as
condições de trabalho e esclarecer a intenção do ISCED-Benguela em
realizar os estágios na província do Huambo;
➢ Os estágios devem acontecer somente a conter no Complexo Escolar de
Ensino Especial pois há maior condição de aprendizagem aos estagiários;
➢ O relatório final dos estágios deve ser enviado uma cópia ao GPE para
que tomem nota das conclusões e recomendações da actividade a fim de
estimular novos estudos pelo departamento da Educação Especial.

1.6.3. Encontro com o corpo directivo da escola.

Esta actividade teve como meta a atingir, a apresentação da equipa de estágio; tal
qual a concertação mantida com o GPE, onde as principais acções

32
consubstanciaram-se em:

• Apresentar os documentos oficiais reitores do estágio supervisionado


como garante da realização dos estágios no Complexo Escolar de Ensino
Especial do Huambo;
• Definir os dias e horas de estágio;
• Conhecer a escola do ponto de vista estrutural e funcional.

O referido encontro determinou que os estagiários deveriam trabalhar no período


matinal, isto é, com as classes do Ensino Primário e duas vezes por semana e
sempre que existir necessidade de se acrescer dias ou mudança de período, dever-
se-ia comunicar com a antecedência. Portanto, marcou-se a data de começo das
primeiras actividades.

1.6.4. Observação das actividades lectivas nas salas especiais e de


intervenção na sala de recursos multifuncionais (planificação de aulas,
provas, avaliação e intervenção nas perturbações de desenvolvimento).

No total foram observadas 30 aulas nas salas especiais e nas salas de recursos
multifuncionais no período correspondente de 22 de Fevereiro a 28 de Março. Tais
observações decorreram com as seguintes finalidades:

➢ Observar as actividades lectivas nas salas especiais e de intervenção na sala


de recursos multifuncionais;
➢ Constatar as estratégias adaptativas utilizadas no ensino dos alunos com
NEE;
➢ Averiguar o tratamento dos alunos com NEE em sala de aula;
➢ Identificar a capacidade do professor em lidar com a diverisidade em sala de
aula;
➢ Identificar as principais deficiências atendidas na sala de recurso
multifuncional e as respectivas actividades;
➢ Observar o processo de rastreio das deficiências e a delimitação da estratégia
interventiva;
➢ Verificar o modo de avaliação das aprendizagens face os diferentes níveis de
comprometimento dos alunos.

33
Na escola onde decorreu o estágio participou-se e observou-se aulas nas turmas da
2ª, 3ª, 4ª e 5ª classe, no período matinal. A turma da 2ª classe era composta por 37
alunos, dos quais 22 do género masculino e 15 do género feminino. Durante as
actividades de aulas constatou-se existir 3 alunos com TDAH (Transtorno de Deficit
de Atenção e Hiperatividade), 3 alunos com D.V (Deficiência Visual), 5 alunos com
Síndrome de Down, dos quais duas do género feminino, Uma com paralisia cerebral
(tetraplégica), 6 alunos com D.I ( Deficiência Intelectual), dos quais duas do género
feminino, 12 D.A ( Deficiência auditiva) dos quais 3 do género feminino e 7 com
algumas dificuldades de aprendizagem.

Constatou-se ainda que a turma antes referenciada é dividida em duas partes, dos
quais os alunos com Síndrome de Down e Deficiência Intelectual ocupavam 30 a
25% do espaço da sala, virando de costas aos alunos com outras deficiências.

Em sua defesa a professora da turma alegou ser um consenso entre a direção da


escola uma vez que no período em causa haviam professores estagiários
provenientes do Magistério Primário, tendo a professora ficado com os alunos com
Síndrome de Down e D.I e a professora estagiária com os restantes alunos.

Durante as aulas foi possível notar a perícia da professora estagiária na forma como
transmitia os conhecimentos aos alunos com deficiência auditiva recorrendo ao
material comprovativo e a linguagem gestual, tendo sido verificado insuficiências na
exploração dos meios visuais facilitadores da transmissão do conteúdo. Quanto aos
alunos com deficiência visual notou-se um défice em função da escassez de
máquinas Braille.

Para os alunos com deficiência visual constatou-se que os alunos que chegassem
mais cedo usavam as máquinas Braille e os demais usavam no dia seguinte, tendo
recorrido no uso das pautas Braille – um instrumento cansativo para o invisual –,
facto que levou a encontrar uma forma interventiva que passasse na alternância do
uso da máquina no mesmo dia, apenas a utilização em aulas diferentes para que
todos alunos possam trabalhar as suas habilidades diariamente. Outro especto
pertinente diz respeito a forma de correção da escrita Braille do conteúdo da aula e
que é feita por um outro professor especialista na área, dado que obrigava o aluno a
abandonar a sala, ir ao encontro do professor, afim de se proceder com a respectiva

34
correção.

A turma da 3ª Classe é constituída por 42 alunos dos quais 19 do género feminino,


com idades compreendidas entre os 12 e 27 anos, durante as secções de
observação e intervenção, percebeu-se que havia 2 alunos com TEA (Transtorno do
Espetro Autista), os quais evitavam contacto visual com os professores, algumas
vezes interessavam-se pouco a aula da professora preferindo ir a sala de recursos
multifuncionais resolvendo quebra cabeças, efectuar desenho tocar o piano, 4 com
Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade, os quais estavam
constantemente desatentos da aula e da explicação da professora, 17 com
Deficiência Auditiva dos quais 9 do género feminino, deste total 3 deles com uma
surdez ligeira e os demais profunda, uma com paralisia cerebral, a qual dificilmente
permanecia na cadeira em função da cadeira adaptativa à sua realidade, problemas
da coordenação motora grossa e fina, 5 com Síndrome de Down dos quais 2 do
género femenino, 6 normais dos quais 2 do género feminino, 1 com gagueira, o qual
quando a dificuldade fosse acentuada ao falar batia no tampo da carteira ou no
ombro do colega mais próximo, 5 com Deficiência Intelectual, entre os quais 1 do
género feminino e uma com discalculia pois apresentava dificuldades em diferenciar
os sinais adição, subtração bem como em quantificar objectos.

À luz do que aconteceu com a turma da 3ª classe volta a repetir-se na classe actual,
na qual um dos professores trabalhava apenas com alunos portadores de
Deficiência Auditiva, por ser também portador da mesma deficiência e a professora
com os alunos portadores das demais deficiências e os supostamente normais.

A interação dos alunos com Necessidades Educativas Especiais com os professores


decorria constantemente e activamente, de formas a tornar o processo de ensino-
aprendizagem mais significativo, a comunicação entre professores e alunos era
muito amigável. Os professores foram capazes de integrar-se com os alunos com
NEEs de forma eficiente e na busca de conhecimento, mas quanto a gestão de
tempo e alguns apectos voltados a gestão de organização, valores e normas de
conduta com base em uma pedagogia centrada nos alunos em detrimento das
dificuldades ou necessidades apresentadas pelos mesmos, bem como velar as
potencialidades que estes apresentem.

35
Quando chamados a intervir na forma de actuação, como estagiários sugeriu-se a
criação de situações que promovam a inclusão e a integração, promover problemas
desafiadores a todos alunos, para que os mesmos sejam capazes de desenvolverem
a sua aprendizagem passo a passo com base na criatividade e nos estímulos
endógenos e exógenos.

Que o professor seja capaz de oferecer oportunidade de os alunos serem


autónomos, de desenvolverem suas capacidades e potencialidades, de formas a
ultrapassar barreiras que um aluno com NEEs auxiliado por uma equipa possa
ultrapassar. Outrossim, velar pelas necessidades educacionais de cada aluno, pois
que, nem todos aprenderão a mesma coisa apesar de possuirem a mesma
deficiência.

Ao tratar-se de alunos com NEEs a escola, os professores e a comunidade escolar


devem ter em mente e acreditar na capacidade de regeneração da pessoa
independentemente das suas limitações iniciais, acredita-se que assim como a
inteligência de qualquer um pode ser expandida.

No que tange a 4ª classe, a turma é constituída por 50 alunos, das quais 25 do


género feminino. A mesma é leccionada por três (3) professoras, entre elas duas (2)
efectivas e outra estagiária. Entre as Duas professoras titulares uma é portadora de
uma deficiência, (tetraplégica). Durante as secções de observação foi possível
constatar que dois alunos sofrem de paralisia cerebral, dificultando a locomoção de
um e dificuldades na comunicação e imobilidade dos membros superiores e
inferiores do outro. Notou-se que duas alunas tem Sindrome de Down, um com
Deficiência Visual, 30 com Deficiência Auditiva, dos quais 16 do género feminino,
Nove (9) alunos com Deficiência Intelectual, dos quais três (3) do género feminino,
um (1) com Factor X (Deficiência Genética), três (3) com Múltiplas Deficiências dos
quais duas (2) do género feminino, dois com o Transtorno do Espetro do Autismo e
os demais não apresentaram nenhuma deficiência.

Notou-se que a exemplo das outras classes a turma é dividida por duas e todas na
mesma sala, na qual a professora efectiva trabalha com os alunos com Deficiência
Intelectual e Síndrome de Down, a outra professora titular e uma estagiária
trabalham com os alunos portadores das demais deficiências e os não portadores.

36
Durante as secções foi possível constatar a forma sábia como a professora
estagiária fazia o acompanhamento ao aluno não visual no tocante a escrita e leitura
braille, e por parte da professora titular a comunicação em linguagem gestual
relactiva as aulas ministradas.

Na mesma senda, notou-se limitações por parte do acompanhamento e a falta de


um Plano Educativo Individualizado (PEI) que atenda as necessidades apresentadas
pelos alunos em função do actual quadro, nem todas metodologias aplicadas
contribuem no alcance dos objectivos da aula tendo em conta as características dos
alunos que comportam a turma.

Relativamente a 5ª classe é constituída por 37 alunos, com idades compreendidas


entre os 14 e 29 anos, dos quais 16 do género feminino, a classe é leccionada por
duas professoras, ambas com necessidades educativas especiais. Uma delas no
caso a professora das disciplinas de Língua Portuguesa, Historia, E.M.C, Ciência da
natureza e Geografia possui uma deficiência auditiva ( ligeira), a professora de
Matemática e as restantes disciplinas teve uma paralisia cerebral na qual sido
afectada nos membros inferiores, facto que precisa da utilização de uma tecnologia
assistiva (cadeira de rodas), para a sua locomoção.

Durante as secções de observação e intervenção analisou-se que 1 das alunas tem


paralisia cerebral tendo os 2 membros superiores e inferiores comprometidos
necessitando uma cadeira de rodas para a locomoção e alguém para empurrá-la,
dificuldades na coordenação motora grossa e fina, na fala e na memória, 7 com
Deficiencia Intelectual, dos quais 4 do género feminino, pois no decorrer das aulas
precisam sempre de uma atenção diferenciada em relação aos demais alunos, uma
delas associada a um transtorno da fala, a dificuldade na coordenação motora, 12
deficientes auditivos, entre os quais 6 do género feminino, 1 com Síndrome de
Down, e 12 com dificuldades de aprendizagem, 2 com Multiplas deficiências e os
restantes não apresentavam deficiência.

Importa referir que no decorrer das secções nas aulas de Língua Portuguesa os
alunos apresentavam dificuldades em reconhecer letras, dificuldades em copiar do
quadro e do livro, dificuldade em ler em voz alta e compreender aquilo que foi lido,
dificuldade com quebra – cabeças, dificuldades de perceber que uma palavra é

37
constituída por sílabas e as mesmas são constituídas por vogais e consoantes, troca
a letra S e T ou S e D, sem deixar de parte o manuseamento de mapas e algumas
vezes apresenta baixa estima

1.6.5. Seminário de capacitaçao aos estudantes estagiários sobre avaliação


diagnóstica e intervenção nas perturbações do desenvolvimento.

O seminário teve como finalidade munir os estudantes estagiários de técnicas e


ferramentas para poder diagnosticar, avaliar e intervir em situações de problemas de
índole de perturbações do neurodesenvolvimento, concretamente nas dificuldades
específicas de aprendizagem. A formação foi facilitada pelo professor supervisor e
teve duração de 4h.

Foram apresentadas técnicas de avaliar a memória, a atenção, a sensopercepção,


técnicas para estimular o raciocínio lógico das crianças com deficiências intelectuais
bem como, alguns mecanismos de compreensão da vontade e desejos dos alunos
por via da técnica dos 10 desejos. Isto para facilitar o conhecimento das motivações
profissionais dos alunos e melhor lhes orientar profissionalmente.

Rastreio e agrupamento dos alunos com base a deficiência.

Com a finalidade de identificar as principais deficiências atendidas no Complexo


Escolar; avaliar o grau de comprometimento para melhor enquadramento na sala
especial e/ou inclusiva; organizar as fichas de atendimento educativo individualizado.
Os estagiários puderam verificar que:

➢ Maior parte das salas de aulas os alunos que as compõe são pessoas com
deficiência auditiva de nível moderado e severo;

➢ Existem alunos com Paralisias cerebral numa ordem de 6 alunos, sendo que
seus níveis são parciais, todavia, os deixa sem se comunicar por via da fala,
mas sim com linguagens gestuais;

➢ A par de alunos com Síndrome de Down, regista-se 10 alunos com problema


de desenvolvimento motor e alunos Sindromes do factor X;

38
➢ O Gabinete de Apoio Psicopedagógico funciona juntamente a sala de
Recusos Multifuncionais e o Atendimento Especializado, velando mais os
alunos com paralisia cerebral, Autistas e alunos com Deficiências intelectual
de nível moderado;

➢ Mais de 50 alunos sofrem de Deficiência intelectual associada ao transtorno


disruptivo de humor.

1.6.6. Encontro com os pais e encarregados de educação.

O encontro com os pais e encarregados de educação serviu para conscientiza-los


sobre a importância e o seu papel no processo de ensino-aprendizagem dos alunos
com necessidades educativas especiais para que se crie um estreitamento de
relação entre a escola e a família.

O encontro contou com mais de 186 pais e encarregados de educação, professores


da escola e outros 22 coordenadores dos núcleos de atendimento especializado
existentes no município do Huambo, o presidente da Comissão de Pais e
Encarregados de Educação e o Professor supervisor.

Durante o encontro, os pais foram esclarecidos sobre a importância de dar


continuidade nas tarefas orientadas pelos professores, sobretudo os exercícios
práticos para garantir um melhor desenvolvimento e minimizar o impacto negativo da
perturbação dos seus filhos.

De igual modo, foi-lhes apresentado o Decreto 187/17 que institui o ensino inclusivo
para lhe motivar a não terem estigmas em levar seus filhos as escolas regulares, isto
para a garantia de uma oportunidade de melhor desenvolver socialmente e facilitar
no aprendizado de novas coisas. Na mesma senda, foram despertadas a respeito
das acessibilidades e a salvaguarda que o estado angolano proporciona com base
aos decretos e a Constituição da República, isto para que possam continuar com os
tratamentos médicos, mormente as famílias que têm pessoas com paralisia cerebral,
autismo e deficiência motora.

Recomendou-se aos pais que para além da rotina de ida e busca dos filhos a escola,
deveriam também desenvolver o hábito de participar de forma conjunta das

39
actividades lectivas e recreativas que a escola promove com vista a conhecer mais a
vida de seu filho com seus colegas na escola e assim garantir um desenvolvimento
social do educando cada vez mais sustentável.

O encontro terminou com o desafio dos supervisores e técnicos dos GAPs visitarem
alguns alunos de forma aleatória antes que o ano termine, sobretudo aqueles que
mais dificuldades de aprendizagem manifestaram durante os dois primeiros
trimestres para trabalhar com as famílias deles no sentido de se receber estratégias
de trabalho para estimular as funções executivas de seus filhos e gerar neles mais
disposição ao aprendizado.

1.6.7. Visita algumas casas de alunos com NEEs

Os alunos visitados foram selecionados a princípio de forma intencional em virtude


da área de investigação para a dissertação dos estagiários com vista a observar e
conhecer a realidade do aluno além da escola e sala de aula, constatou-se a
necessidade de se conhecer também a zona onde os alunos vivem, com quem
vivem e como seus pais encaram o processo de aprendizagem de seus filhos.

Assim sendo, foram visitados 3 alunos:

1. Aluno com Sindrome de Down;

2. Aluno com discalculia associada a dislexia;

3. Aluno com deficiência auditiva;

O aluno com síndrome de Down estuda a 2ª classe e tem 14 anos de idade,


encontra-se numa desfasagem de idade quanto a classe. Os pais dizem ter aceitado
muito tarde a condição do filho e vencido a vergonha. Por auxílio e conselho de seus
vizinhos resolveu levar seu filho a escola especial.

Disse que não queria levar seu filho porque achava que aquele espaço era escola de
pessoas dementes e como encarava o seu filho apenas com má formação
congénita, pensou que lá não seria seu lugar, tanto que mesmo até hoje tem
dificuldades em ir à escola do filho para que não se depare com a situação que ela

40
tem desenhada na mente. Portanto, reconhece o papel que a escola está a
desempenhar na vida de seu filho e hoje aos poucos vai vencendo certas barreiras.

Os pais do aluno com discalculia associada a dislexia participam de forma ativa da


formação de seu filho, afirmaram que tardaram em levar o aluno para escola
especial não por falta de conhecimento da existência dela, mas pela falta de uma
previa orientação das escolas anteriores de seu filho porque ele reprovou bastante e
pensavam que era por causa da preguiça mental dele e desatenção dos
encarregados de educação.

Mas depois de ter sido aconselhado por um colega de trabalho a consultar o


psicólogo clinico foi recomendado a escola especial onde o menino começou a ser
acompanhado pelos técnicos daquela escola. Eles não acompanham o filho por falta
de técnicas para lidar com pessoas com essas características de aprendizado.

Os pais da criança com deficiência auditiva estão sempre presentes em todas as


actividades ligadas ao desenvolvimento intelectual de sua filha, tanto que participam
das sessões formativas da língua gestual angolana com o fim tornar viável a
comunicação. E de facto nota-se o nível de interação e desenvolvimento da menina
na escola e o seu rendimento académico tem 7 anos de idade e está a frequentar a
3ª classe.

1.7. Identificação do caso

A educação inclusiva perfaz uma realidade que impõem aos principais


intervenientes do processo de ensino e aprendizagem desafios que carecem de
mecanismos próprios e adequados para a salvaguarda dos direitos à educação de
qualidade e propiciadora de transformação do aluno com necessidades educativas
especiais (NEEs) quando inserido em uma sala regular ou especial, conforme é
descrito no manual de Diretrizes Nacionais Sobre o Atendimento Educativo
Especializado – DNSAEE.

Conforme é de domínio público, Angola faz parte dos países signatários dos
protocolos internacionais que ditaram a implementação e dinamização da nova
perspectiva de educação voltada à inclusão da pessoa com NEE. As deliberações
tomadas na Conferência Mundial de Educação para Todos (1990), Conferência

41
Mundial de Educação Especial em Salamanca (1994) e na Conferência de Incheon
(2015), constituíram uns dos vários dispositivos e documentos internacionais bases
para a aprovação da Lei nº187/17 de 16 de Agosto, que dita as Políticas Nacionais
de Educação Especial Orientada à Inclusão Escolar.

Fruto das observações às aulas realizadas nas salas especiais e na aferição feita ao
funcionamento da Sala de Recursos Multifuncionais (SRMs) – sala que presta a
assistência aos serviços de apoio à inclusão – verificaram-se as seguintes
insuficiências:

➢ Pouca exploração dos recursos adaptativos na escolarização da criança com


deficiência auditiva;
➢ Pouca atenção na SRM de determinados alunos com NEEs, ou seja,
constatou-se que os alunos surdos não frequentam a SRM dentro dos termos
definidos pelo Regulamento de Funcionamento das Salas de Recursos
Multifuncionais, editado pelo Instituto Nacional de Educação Especial em
2021 e que serve como documento orientador dessa actividade;
➢ Pouca interação e harmonia entre a actividade desenvolvida pelo professor da
SRM e o professor da sala regular, conforme regulado pelos documentos
normativos;
➢ Insuficiente vocabulário da Língua Gestual Angolana (LGA) nos alunos
frequentadores de classes avançadas, como a 4ª, 5ª e 6ª classe, habilidades
que teriam sido instigadas na SRM por via do AEE e ensino da LGA como
língua primária e da língua portuguesa como segunda língua;
➢ Falta de um Plano Educativo Individualizado (PEI) ou grupal voltado ao AEE
de alguns grupos de alunos com NEEs, com maior ênfase os alunos com
deficiências auditiva.

Face as insuficiências registadas surgiu a necessidade de se investigar sobre o


processo da educação inclusiva dos alunos com deficiência auditiva face as
disposições legais a nível internacional e nacional sobre a educação especial
orientada à inclusão escolar.

42
CAPÍTULO II – METODOLOGIA

Este relatório foi elaborado na base de informações adquiridas por conta da


aplicação de métodos específicos ao longo do estágio supervisionado como: a
observação, entrevista e testes padronizados. Na perspectiva de Afonso (2005, p.91
citado Tralha 2012) a observação é entendida como “uma técnica de recolha de
dados particularmente útil e fidedígna, na medida em que a informação obtida não
se encontra condicionada pelas opiniões e pontos de vistas dos sujeitos.”

Por outra, Quivy e Campenhoudt (1992, p.165) mencionam que a observação pode
ser de dois tipos: directa ou indirecta. Na observação directa, o investigador recolhe
as informações de um modo objectivo e regista-as. Contudo, os sujeitos observados
não intervêm na informação recolhida. Este tipo de estudo é “baseado na
observação visual”.

Torna-se também um método relevante, visto que captam os comportamentos no


momento em que eles se produzem, não necessitando de outro tipo de documentos
ou testemunhos. Por sua vez, na observação indirecta, o investigador contacta com
os sujeitos a serem observados com a finalidade de lhes fornecerem informação.
Este tipo de observação torna-se menos objectiva.

Os mesmos autores referem ainda que, neste tipo de observação, o instrumento que
é utilizado é um questionário ou é um guião de entrevista. Lucas (2006) menciona
que a observação participante ou observação directa consiste numa técnica não
documental. Esta também pode ser intitulada de observação naturalista ou
descritiva. Ainda segundo o mesmo autor, a técnica de observação participante é
caracterizada pelo papel e a postura que o investigador adopta durante a
observação, bem como o seu nível de participação e interação com o que observa.
No decorrer deste período de estágio foram observadas turmas dos anos já referidos
anteriormente durante três manhãs por semana, no período das 9h às 13h.
Posteriormente foi elaborado o registo do trabalho.

A observação obedeceu duas abordagens diferenciadas, isto é, elaborou-se uma


guia de observação as aulas colectivas nas salas regulares e, posteriormente, uma
guia de observação individual que favoreceu a aferição das características sociais,

43
emocionais, mentais e físicas de cada aluno no contexto das salas de recursos
multifuncionais. A observação individual focalizou-se também na avaliação operativa
centralizada na aprendizagem, onde os alunos foram submetidos numa breve
actividade de manipulação de objectos diversos com pretenção de averiguar a
interação com as experiências de aprendizagens definidas e verificar possíveis
comprometimentos na qualidade de aprendizagem.

Relativamente a entrevista, foi aplicada ao corpo directivo, corpo docente das salas
regulares e sala de recursos multifuncionais, bem como aos alunos com deficiência
auditiva. Aos membros do corpo directivo e docente o método serviu para aferir os
conhecimentos que os mesmos possuem com relação as principais deficiências, as
metodologias adaptativas no atendimento do aluno com NEE, o impacto da
vinculação escola-familia, a articulação das actividades realizadas pelos professores
das salas regulares com os professores da sala de recursos multifuncionais e os
programas específicos de integração da comunidade no contexto do projecto de
extensão das instituições de ensino.

Aos alunos com deficiência auditiva a entrevista serviu para auxiliar na compreensão
das informações adquiridas por intermédio da observação no inerente a competência
linguística desenvolvida, habilidades matemáticas básicas, grau de satisfação de sua
inclusão na sala normal de ensino e os principais desafios enfrentados ao longo de
sua escolarização. Deduz-se que a triangulação destes dois métodos constitui bases
suficientes na compreensão dos fenómenos identificados.

No que tange aos testes padronizados, foram aplicados aos alunos portadores de
deficiência com o intuito de avaliar o conhecimento e as habilidades de forma
consistente e imparcial. Por outra os testes padronizados ocorreram em larga escala
e seguiram um conjunto de padrões e critérios para garantir uma avaliação justa e
comparável.

44
CAPÍTULO III- DIAGNÓSTICO DA NECESSIDADE IDENTIFICADA E PONTO DE
PARTIDA PARA A INTERVENÇÃO.

A educação da criança surda é, desde tempos remotos, uma preocupação que


esteve no ápice das principais discussões internacionais. Como garantir uma
educação para todos e com qualidade constitui o desafio a alcançar. Desta feita,
diante das mudanças sociais evidenciadas ao longo da história da humanidade e
dos novos paradígmas sobre o olhar do processo de ensino e aprendizagem da
pessoa com NEE, surgiu a necessidade de inteirar-se, no campo de estágio, sobre
a educação inclusiva da criança com deficiência auditiva, tendo em perspectivas as
directrizes legais da actual legislação sobre a educação especial orientada à
inclusão escolar.

A necessidade do diagnóstico surgiu a partir das observações realizadas às aulas


nas salas especiais de ensino e na sala de recursos multifuncionais. Onde
constataram-se algumas insuficiências no inerente a inclusão da criança surda nos
principais serviços de apoio à inclusão tendentes ao seu desenvolvimento
psicolinguístico, cognitivo, afectivo, psicomotor, entre outras habilidades.

Para o diagnóstico do caso específico foram usados os métodos da observação e


entrevista operacional centrada na aprendizagem com a perspectiva de não apenas
aferir as questões metodológicas inclusivas, mas para entender como a forma
organizacional da escola e o estilo de atendimento da criança surda está a impactar
o desenvolvimento linguístico e expressivo dos alunos.

A observação da estrutura organizacional da escola e o modo como as turmas são


distribuidas permitiu perceber que o Complexo Escolar de Ensino Especial do
Huambo tem vindo a ensaiar o modelo de Núcelo de Apoio a Inclusão (NAI) da
tipologia A. De acordo com o manual de Directrizes Nacionais sobre os Núcleos de
Apoio a Inclusão – DNNAI (2021, p.7), constitui um NAI do tipo A:

Aqueles núcleos que para as funções previstas no Decreto 187/17 de 16 de


Agosto, são também destinados a educação e ensino do grupo de alunos com
deficiências mas sobretudo para os casos de evidente gravidade,
complexidade e que impossibilitem, quase por completo, a frequência do

45
aluno na escola regular, como são os casos dos alunos com deficiência
intelectual severa, ou o transtorno do espectro autista de grau severo e outras
que forem identificadas.

Os NAIs dessa características funcionam também como uma escola, tendo seu
corpo directivo semelhante a direcção de um escola regular, possuem
coordenadores multidisciplinares, professores especialistas de educação/inclusiva
para trabalhar nas salas especiais, funcionamento de salas especiais/inclusivas,
serviço de atendimento itinerante e transitório, fornecimento de equipas
multidisciplinares, existência de técnicos da área administrativa para fins necessários
de serviços, oficinas, salas para os encontros, palestras e para trabalho.

De modo geral, a observação e entrevista operatória centrada na aprendizagem dos


alunos permitiu identificar as seguintes insuficiências que motivaram o estudo da
educação inclusiva da criança com deficiência auditiva:

➢ Pouca exploração dos recursos adaptativos na escolarização da criança com


deficiência auditiva: apesar de existir vasto material didáctico adapativo na
SRM, pouco é explorado na literacia, numeracia e ensino da LGA na criança
surda.
➢ Pouca atenção na SRM de determinados alunos com NEEs, ou seja,
constatou-se que os alunos surdos não frequentam a SRM dentro dos termos
definidos pelo Regulamento de Funcionamento das Salas de Recursos
Multifuncionais, editado pelo Instituto Nacional de Educação Especial em
2021 e que serve como documento orientador dessa actividade;
➢ Pouca interação e harmonia entre a actividade desenvolvida pelo professor da
SRM e o professor da sala regular, conforme regulado pelos documentos
normativos;
➢ Insuficiente vocabulário da Língua Gestual Angolana (LGA) nos alunos
frequentadores de classes avançadas, como a 4ª, 5ª e 6ª classe, habilidades
que teriam sido instigadas na SRM por via do AEE focado no ensino da LGA
como língua primária e da língua portuguesa como segunda língua;
➢ Falta de um Plano Educativo Individualizado (PEI) ou grupal voltado ao AEE
dos alunos com deficiências auditiva.

46
CAPÍTULO IV – PROJECTO DE INTERVENÇÃO/ESTRATÉGIA DE
INTERVENÇÃO

Proposta 1

Título: dinamização do Atendimento Educativo Especializado da Criança com


Deficiência Auditiva

Objectivo Geral: melhorar a qualidade de vida e promover o desenvolvimento


educacional, social e emocional de crianças com deficiência auditiva por meio de
um atendimento educativo especializado e personalizado.

Objectivos Específicos:

➢ Oferecer suporte educacional individualizado para atender às necessidades


específicas de cada criança com deficiência auditiva.

➢ Promover a inclusão e integração social das crianças em ambientes


educacionais e comunitários.

➢ Capacitar os professores para apoiar o desenvolvimento da criança na SRM.

➢ Sensibilizar a comunidade escolar e a sociedade em geral sobre as


necessidades e potenciais das crianças com deficiência auditiva.

Intervenientes:

➢ Professores especializados em educação de crianças com deficiência


auditiva.

➢ Fonoaudiólogos para auxiliar no desenvolvimento da linguagem e


comunicação.

➢ Psicólogos para oferecer suporte emocional e psicológico.

➢ Pais, cuidadores e familiares das crianças.

➢ Equipe de apoio escolar e profissionais de saúde.

47
Avaliação:

A avaliação do projeto será realizada por meio de observação do desenvolvimento


e progresso das crianças atendidas, retorno dos pais, cuidadores e profissionais
envolvidos, avaliação do desempenho acadêmico e social das crianças na escola,
monitoramento da integração e participação das crianças em atividades educativas
e comunitárias.

Argumento:

O atendimento educativo especializado da criança com deficiência auditiva é


fundamental para garantir que essas crianças tenham acesso a uma educação de
qualidade e possam desenvolver todo o seu potencial. Através de uma abordagem
personalizada e inclusiva, podemos criar um ambiente que apoie o aprendizado, a
comunicação e a integração social das crianças com deficiência auditiva, permitindo
que elas alcancem o sucesso acadêmico e se tornem membros activos e
participativos da sociedade. Este projecto busca não apenas fornecer suporte
educacional, mas também promover a sensibilização e inclusão, criando uma
comunidade mais acolhedora e acessível para todos.

Projecto 2

Título: Aprimorando a Inclusão Escolar: uma análise aos normativos de


funcionamento dos NAIs.

Objectivo Geral: promover a eficiência e eficácia dos Núcleos de Apoio à Inclusão


(NAI), visando a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais do
fórum auditivo.

Objectivos Específicos:

➢ Capacitar os profissionais na identificação e no atendimento adequado às


demandas dos alunos com necessidades especiais, fundamentalmente os
alunos do fórum auditivo.

➢ Desenvolver estratégias colaborativas entre o Complexo Escolar de Ensino


Especial, professores, pais e alunos para promover um ambiente inclusivo.

48
➢ Implementar práticas e directrizes actualizadas de inclusão educacional em
consonâncias com a legislação nacional sobre a educação especial na
perspectiva inclusiva.

Intervenientes:

➢ Coordenadores e profissionais da secção de Ensino Especial do Gabinete


Provincial da Educação.

➢ Professores e funcionários das escolas inclusivas.

➢ Alunos com necessidades educacionais especiais e suas famílias.

➢ Especialistas em inclusão educacional.

Avaliação:

➢ Avaliação da participação e envolvimento dos profissionais nas actividades


de capacitação e treinamento.

➢ Monitoramento do impacto das estratégias implementadas nos resultados


acadêmicos e na integração dos alunos com deficiência.

➢ Colecta de contribuições dos pais, alunos e professores sobre a eficácia das


ações de inclusão promovidas.

Argumento:

Investir no fortalecimento dos NAIs é essencial para garantir a inclusão efetiva de


alunos com necessidades educacionais especiais. Através de capacitação,
colaboração e implementação de práticas inclusivas, é possível criar um ambiente
escolar acolhedor e promover o pleno desenvolvimento de todos os alunos,
independentemente de suas diferenças.

Projecto 3

Título: Ouvindo Além das Barreiras: Estratégias Adaptativas na Educação da


Criança com Deficiência Auditiva.

49
Objectivo Geral:

Aprimorar a qualidade da educação de crianças com deficiência auditiva,


promovendo métodos adaptativos eficazes para garantir uma aprendizagem
inclusiva e significativa.

Objetivos Específicos:

➢ Identificar as necessidades educacionais específicas das crianças com


deficiência auditiva.

➢ Desenvolver e implementar estratégias adaptativas personalizadas para


atender às necessidades de comunicação e aprendizagem dos alunos.

➢ Promover a formação e capacitação de professores e profissionais da


educação para a utilização eficaz de métodos adaptativos.

Intervenientes:

➢ Professores especializados em educação inclusiva.

➢ Alunos com deficiência auditiva.

➢ Gestores escolares e coordenadores pedagógicos.

➢ Professores do Complexo Escolar de Ensino Especial.

Avaliação:

➢ Monitoramento do progresso acadêmico e social das crianças com deficiência


auditiva ao longo do projecto.

➢ Avaliação periódica da eficácia das estratégias adaptativas implementadas.

➢ Colecta dos impactos das intervenções adaptativas.

Argumento:

É crucial adoptar métodos adaptativos na educação da criança com deficiência


auditiva para garantir que tenham acesso a uma educação de qualidade e inclusiva.

50
Ao personalizar as estratégias de ensino, promover a formação adequada dos
profissionais envolvidos e estimular a participação da família, é possível criar um
ambiente educacional acolhedor e eficaz para o desenvolvimento pleno das crianças
com deficiência auditiva.

Projecto 4

Título: uma viagem no mundo dos animais

Objectivo geral: conhecer alguns animais selvagens e domésticos em LGA.

Objectivo específico:

➢ Aprender os gestos de alguns animais selvagens e domésticos.

➢ Reconhecer alguns animais selvagens e domésticos e gesticular sua


representação em LGA.

Intervenientes:

➢ Estudante estagiário

➢ Professor surdo dos alunos

➢ Quatro alunos com deficiência auditiva

➢ Coordenador/a da sala de recursos multifuncionais

Avaliação:

➢ Mediante frases foi avaliada a aprendizagem do conteúdo aprendido;

➢ Os quatro alunos foram colocados diante de diferentes bonecos


representativos de alguns animais selvagens e domésticos e solicitou-se que
fizessem a representação dos gestos correspondentes a cada animal na
medida que foram aleatoriamente indicados;

➢ O professor gesticulava e os alunos mostravam o boneco correspondente a


expressão gestual.

51
Argumento:

Esta estratégia interventiva foi realizada na sala de recurso multifuncional como


demonstração da utilização dos métodos adaptativos no atendimento educativo
especializado da criança com deficiência auditiva. A realidade linguística das
crianças com deficiência auditiva no contexto angolano de forma ampla e no
Huambo de forma específica merece muita atenção por parte das agências e
agentes educativos, pois que, estas crianças começam a ser escolarizada sem antes
terem o contacto no seio familiar com a sua língua natural, dito de outro modo, as
crianças aderem a escola sem antes aprender o código linguístico mediador do
processo de ensino e aprendizagem.

Nessa perspectiva, além das actividades didácticas na sala inclusiva ou especial, a


legislação angolana sobre a educação especial orientada a inclusão escolar e os
manuais directrizes dos serviços de apoio a inclusão defendem a necessidade do
acompanhamento dos deficientes auditivos na sala de recursos multifuncionais.

52
CONCLUSÕES

Após uma incursão em torno dos vários aspectos que deram corpo ao relatório
infere-se que:

➢ Desde sempre a humanidade desejou ver incluída as pessoas com


Necessidades Educativas Especiais, e dar-lhes um atendimento igualitário
aos ditos normais, concomitantemente garantir oportunidades igualitárias a
todas as pessoas;
➢ O estágio supervisonado permitiu o aprofundamento do conhecimento relativo
à população e às diferentes patologias, tendo havido a oportunidade de
vincular os pressupostos teóricos aprendidos em sala de aula com a realidade
diária do público-alvo da educação especial;
➢ A nível provincial o Huambo conta com 54 escolas inclusivas e um total de
2620 alunos com NEEs matriculados no período de 2019 a 2023, e 987
professores capacitados nas áreas de LGA, escrita Braille e deficiência
intelectual;
➢ No presente ano lectivo o complexo escolar do ensino especial matriculou 541
alunos com NEEs,
➢ A sala de recurso multifuncional atende em media 5 alunos da Escola
Especial e das Escolas inclusivas por dia, num tempo de 30 a 40 minutos
para cada aluno. Prestam serviço nesta sala 5 técnicos.
➢ Pouca atenção na SRM de determinados alunos com NEEs, ou seja,
constatou-se que os alunos surdos não frequentam a SRM dentro dos termos
definidos pelo Regulamento de Funcionamento das Salas de Recursos
Multifuncionais, editado pelo Instituto Nacional de Educação Especial em
2021 e que serve como documento orientador dessa actividade;
➢ Pouca interação e harmonia entre a actividade desenvolvida pelo professor da
SRM e o professor da sala regular, conforme regulado pelos documentos
normativos;
➢ Insuficiente vocabulário da Língua Gestual Angolana (LGA) nos alunos
frequentadores de classes avançadas, como a 4ª, 5ª e 6ª classe, habilidades
que teriam sido instigadas na SRM por via do AEE e ensino da LGA como
língua primária e da língua portuguesa como segunda língua;

53
➢ A estrutura organizacional da escola e o modo como as turmas são
distribuidas permitiu perceber que o Complexo Escolar de Ensino Especial do
Huambo tem vindo a ensaiar o modelo de Núcelo de Apoio a Inclusão (NAI)
da tipologia A.

54
LIMITAÇÕES ENCONTRADAS

1. Falta de disponibilidade financeira para o normal funcionamento da


instituição e o projecto de inclusão;·

2. Falta de meios de transportes (para os alunos que vivem em zonas


distanciadas do Complexo e para professores que fazem serviços itinerantes
para facilitar a inclusão de alunos com NEEs;

3. Mau estado de conservação da Escola;

4. Os quartos de banho não estão adaptados para alunos com deficiência física-
motora (cadeirantes);

5. Insuficientes meios didácticos específicos para os alunos com deficiência;

6. Falta de sala, equipamento e pessoal para os primeiros socorros;

7. Falta de profissionais especializados para o atendimento diferenciado dos


alunos com NEEs signficativas;

8. Insuficientes salas para atender a demanda de alunos;

9. As duas fases da greve constituíram uma enorme limitação por ter gerado
quebra na realização das actividades do estágio.

55
RECOMENDACÕES

➢ Para a dinamização da inclusão dos alunos com deficiência auditiva


recomenda-se que seja dado início no próximo ano lectivo o atendimento
educativo especializado dos alunos com deficiência auditiva, para tal, dos
três professores surdos que operam na instituição um trabalhe na sala de
recurso multifuncional de maneira a ensinar a LGA como língua primária, a
língua portuguesa como língua secundária e a matemática básica;

➢ Dinamizar as formações que visam o estudo da legislação angolana


concernente a educação especial orientada a inclusão escolar e a
operacionalização dos seus serviços de apoio;

➢ Capacitar os professores que atendem os alunos com deficiência auditiva em


matérias relacionadas com o Manual para Gerir o Ensino e a aprendizagem
da Língua Gestual Angolana (LGA) nas Escolas Inclusivas, editado em 2023
pelo Instituto Nacional de Educação Especial;

➢ Intensificar os formações de capacitação sobre as metodologias adaptativas


no ensino dos alunos com deficiência auditiva;

➢ Que as propostas do presente relatório sirvam como bússoloa orientadora na


dinamização da educação inclusiva dos alunos com deficiência auditiva.

56
BIBLIOGRAFIA

Gonçalves, A. d., & Luimbi, E. M. (2021). Directrizes Nacionais sobre o Atendimento


Educativo Especializado. Luanda: Tangente MB.

Gonçalves, A. d., Sobrinho, F. T., & Joaquim, M. L. (2021). Directrizes Nacionais


Sobre Núcleos de Apoio a Inclusão. Luanda: Tangente MB.

Gonçalves, A. d., Sobrinho, F. T., & Joaquim, M. L. (2021). Regulamento de


Funcionamento das salas de Recursos Multifuncionais. Luanda: Tangente MB.

Rogalski, S. M. (12 de 07 de 2010). Histórico do Surgimento da Educação Especial.


Revista de Educação do IDEAU, p. 3.

Sassaki, R. K. (2002). Inclusão: construindo uma sociedade para todos (4ª ed.). Rio
de Janeiro:

57
ANEXOS

GUIÃO DE OBSERVAÇÃO INDIVIDUAL DO ALUNO (anexo 1)


ESCOLA:
NOME DO ALUNO(A):
IDADE: TURMA: CLASSE: TURNO: DATA:
PROFESSOR(A):

Como opções para o preenchimento do guião de observação, sugerimos:


SIM (S) NÃO (N) ÁS VEZES (AV) NÃO OBSERVADO (NB)

Características sociais, SIM NÃO ÁS NÃO


emocionais, mentais e físicas VEZES OBSERVADO
1. Chega alegre e sorridente à
escola
2. Manifesta timidez ou tristeza
3. Pede ajuda
4. É bem aceite pelos colegas
5. Integra-se facilmente ao grupo
6. Trata bem os colegas
7. Demosntra agressividade
8. Partilha o seu material
9. Demonstra interesse pelas
actividades
10. Tem preferência pelas
actividades de desenho,
pintura e música
11. Segue instruções
12. Cria situações novas
13. Aceita mudança de rotina
14. Chora com frequência
15. É muito observador
16. Brinca sozinho
17. Memoriza palavras, poesias e
canções
18. Apresenta prontidão na
aprendizagem
19. Emite recados com clareza e
facilidade
20. Pronuncia palavras com
dificuldade
21. Apresenta Gagueira
22. Apresenta dificuldade na
audição
23. Apresenta dificuldade visual
24. Tem coordenação motora e
equíbrio
25. Maneja bem o seu material
didáctico
26. Precisa de ajuda para lanchar
27. Tem maior interesse nas
actividades após o lanche
28. Vai sozinho ao quarto de
banho
29. Faz as necessidades em lugar
próprio

OBSERVAÇÃO:
GUIÃO DE OBSERVAÇÃO DA AULA (anexo 2)
Escola:
Professor:
Disciplina: Classe: Turma:
Data:
Tema:
Assunto:

ITEM SIM NÃO

1. Início da aula
1.1. Supervisiona a entrada dos alunos a sala de aulas
1.2. Inicia a aula com recurso a uma motivação(Canção,
história ou dança)
1.3. Efectua a articulação das aprendizgens a realizar com
as aprendizagens anteriores
1.4. Orienta os alunos a organizar o espaçco e o material
didáctico
1.5. Explica de forma clara e objectiva as actividades a
serem realizadas
1.6. Faz correcção da tarefa
2. Selecção, organização e abordagem dos conteúdos
2.1. Domina o conteúdo
2.2. Apresenta o conteúdo de forma simplificada
2.3. Recorre a exemplos pertinentes, na exploração dos
conteúdos e os relacina com a vivência dos alunos
2.4. Promove a relação dos conteúdos com outrso saberes,
incluindo com a natureza local
2.5. Mostra clareza e rigor científico
3. Estratégias de ensino e aprendizagem
3.1. Mantém os alunos activamente envolvidos nas tarefas
propostas
3.2. Procura diferenciar as actividades de aprendizagem
em atenção as características individuais dos alunos
3.3. Orienta o trabalho dos alunos com base a instruções
precisas, visando a sua concentração e a autonomia na
realização das tarefas
3.4. Esclarece as dúvidas dos alunos
3.5. Promove actividades de apoio aos alunos que
apresentam dificuldades de aprendizagem
3.6. Utiliza metodologia adequada ao perfil dos alunos
3.7. Faz uso de meios de ensino
3.8. Os meios de ensino são de acordo ao conteúdo e aos
objectivos
4. Organização de trabalho
4.1. Promove actividades individuais e em grupo dentro da
sala de aulas
4.2. Gere o tempo de forma eficaz
4.3. Faz bom uso do quadro e do apagador
4.4. Tem letra legível e escreve sem erros ortográficos
5. No final da aula
5.1. Faz perguntas de consolidação
5.2. Marca tarefa para casa

AVALIADOR:
FICHA PARA ENTREVISTA CONTRATUAL (anexo 3)
Data___/_________/_______
Realizado com:___________________________________________________
Nome:__________________________________________________________
Data de nascimento:_____/___________/_______ Idade na Avaliação:______
Naturalidade:________________ Escola:______________________________
Coordenadora:____________________ Série:________ Turno:____________
Professora:______________________________________________________
Mãe:___________________________________________________________
Idade:_________________ Formação:______________ Profissão:__________
Pais vivem juntos? ____ Irmãos (Nome/idade/escola/série):
___________________________________________________________________
___________________________________________________________
Endereço:_______________________________________________________
Telefone:________________________________________________________
Reforço escolar: ( ) Sim ( ) Não ____________________________________
Actividades Extras: ( ) Sim ( ) Não ___________________________________
Outros acompanhamentos: ( ) Sim ( ) Não ____________________________
Quem indicou: ___________________________________________________
Queixa:
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________
Horários acertados para atendimento:_________________________________
FICHA DE FREQUÊNCIA
Psicopedagogo/a:_________________________________________________
Nome:__________________________________________________________
Data de nascimento:______________________________ Idade:___________
Escola:_________________________________________________________
Série:_______________________________ Turno:______________________
Mãe e Pai:_______________________________________________________
Telefones:_______________ Dia e hora de atendimento:__________________
Procedimento: ( ) Diagnóstico ( ) Tratamento

Data Sessão Assinatura de Pagamento Observação


frequência








9ª Anamnese
10ª Devolução
APÊNDICES

Figura 1 Seminário de capacitaçao aos estudantes estagiários

Figura 2 Palestra com os pais e encarregados de educação

Figura 3 Intervenção com crianças surdas

Você também pode gostar