Relatório de Estágio Final
Relatório de Estágio Final
Autor:
HUAMBO, 2024
MINISTÉRIO DO ENSINO SUPERIOR, CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
Autor:
HUAMBO, 2024
ÍNDICE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................5
CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO GERAL DO ESTÁGIO. ...................................8
Caracterização do município onde decorreram os estágios supervisionados.......9
CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO ........................................................18
Infraestrutura ..........................................................................................................19
Ensino Primário..................................................................................................20
I° Ciclo ........................................................................................................................20
Mapa Actualizado dos Alunos com Deficiencia/ 2023-2024 ............................21
Perspetivas: ........................................................................................................23
Localização da escola ...............................................................................................24
Missão da escola....................................................................................................24
Visão da escola ...................................................................................................24
Organigrama..............................................................................................................24
Justificação e importância do estágio realizado .....................................................25
Caracterização do estágio ......................................................................................25
PLANO DE ESTÁGIO .........................................................................................27
ACTIVIDADES REALIZADAS DURANTE O ESTÁGIO .............................................32
Reunião de concertação do estágio .......................................................................32
Encontro com o Director do Gabinete Provincial de Educação do Huambo .......32
Encontro com o corpo directivo da escola. ................................................................32
Observação das actividades lectivas nas salas especiais e de intervenção na sala
de recursos multifuncionais (planificação de aulas, provas, avaliação e intervenção
nas perturbações de desenvolvimento)..................................................................33
Seminário de capacitaçao aos estudantes estagiários sobre avaliação
diagnóstica e intervenção nas perturbações do desenvolvimento ......................38
Rastreio e agrupamento dos alunos com base a deficiência.....................................38
Encontro com os pais e encarregados de educação..............................................39
Visita algumas casas de alunos com NEEs ........................................................40
Identificação do caso .................................................................................................41
CAPÍTULO II – METODOLOGIA ............................................................................43
CAPÍTULO III- DIAGNÓSTICO DA NECESSIDADE IDENTIFICADA E PONTO
DE PARTIDA PARA A INTERVENÇÃO..............................................................45
CAPÍTULO IV – PROJECTO DE INTERVENÇÃO/ESTRATÉGIA DE INTERVENÇÃO
..................................................................................................................................47
CONCLUSÕES ......................................................................................................53
LIMITAÇÕES ENCONTRADAS ..........................................................................55
RECOMENDACÕES .................................................................................................56
BIBLIOGRAFIA ......................................................................................................57
ANEXOS
APÊNDICES
INTRODUÇÃO
Corrobora com a visão acima apresentada, Sassaki (2002, p.41) pois afirma que:
Foi somente nos séculos XVIII e XIX que surgiram os primeiros movimentos em
direcção à educação inclusiva. Pioneiros como Jean-Marc-Gaspard Itard e Maria
Montessori desenvolveram métodos educacionais inovadores que buscavam atender
às necessidades individuais de crianças com deficiências.
5
campo da educação especial. Com o surgimento de teorias psicológicas e
pedagógicas mais progressistas, como a teoria de Piaget e as ideias de Vygotsky,
começou-se a reconhecer a importância de adaptar o ensino para atender às
necessidades diversas dos alunos.
6
de Benguela (ISCED) que tem por finalidade descrever as actividades desenvolvidas
durante as jornadas bem como relatar as várias aprendizagens obtidas durante a
nossa estadia na escola.
7
CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO GERAL DO ESTÁGIO.
8
➢ Capacitar o estagiário a vivenciar e buscar soluções para situações-
problema no contexto prático, a partir de sua base de conhecimentos
teóricos, considerando criticamente os aspectos científicos, éticos,
sociais e económicos;
➢ Favorecer a integração ao contexto social no qual a instituição se insere,
em consonância com o compromisso da educação sócio inclusiva;
➢ Possibilitar a aproximação do estagiário com a instituição, conhecendo
todos os aspectos passiveis de interferirem nas actividades da
instituição, como infra-estrutura meios didácticos e administrativos,
projecto político pedagógico, planos de ensino, comunidade escolar,
entre outros;
➢ Desenvolver uma postura investigativa e uma visão crítica, que permita
compreender o espaço institucional como espaço de pesquisa e
reflexão;
➢ Proporcionar a observação e análise de situações reais de ensino–
aprendizagem, por vias da investigação-acção, propondo soluções
através do atendimento educativo especializado (AEE) ou do plano
educativo individualizado (PEI), e estratégias fundamentadas ao
conhecimento científico e ao contexto;
➢ Planear uma intervenção didáctica sobre um conteúdo em conjunto com
o/a professor/a supervisor/a da instituição. Esse planeamento deve ser
detalhado conforme as orientações do professor orientador;
➢ Supervisionar toda a actividade desenvolvida pelo estagiário;
➢ Reflectir sobre sua prática e a do estagiário;
➢ Não permitir juízos de valor, primando pela ética e deontologia
profissional.
9
Plantas Aromáticas. Ela é rica em minérios como: Ferro, Wolfrâmio, Estanho e
Molibdénio, Fluorite, Urânio, Ouro, Manganésio, Manganês, Bário, Fosfatos,
Radioactivos, Caulino, Cobre. Seu clima é tropical de altitude. Sua capital possui
uma população estimada em 2.075.713 habitantes com uma densidade de 58
habitantes/ Km2.
10
Figura nº 1: Mapa Administrativo do Huambo.
O município do Huambo é o mais populoso com 843 737 pessoas, o que representa
cerca de um terço da população da província (37%). Com menos de 100 mil cada
aparecem os municípios da Ecunha (82 541), Ukuma (55 054) e Tchinjenje (30 443).
11
Figura nº 2: Rede Escolar da Província do Huambo.
O Município do Huambo, por ter maior densidade populacional possui a maior rede
12
de escolas da Província, são 144 escolas do ensino primário, 48 colégios do I ciclo,
18 Liceus, 2 escolas de magistério e 5 escolas técnicas profissionais. A maior parte
dos liceus, escolas de magistério e escolas técnicas profissionais estão
concentradas na cidade do Huambo. De forma geral todos os liceus localizados nas
comunas sedes (capital do município).
1 Huambo 24
2 Caala 6
3 Bailundo 4
4 Cachiungo 3
5 Chicala-Cholohanga 3
6 Ecunha 3
7 Ucuma 3
13
8 Longonjo 3
9 Chinjenje 3
10 Mungo 3
11 Londuimbale 3
Total de Escolas 58
14
Seguidamente são apresentados os dados estatísticos referentes aos alunos com NEEs matriculados de 2017 até ao presente
ano lectivo:
Tabela 2 Nº de Alunos com Deficiência Matriculados a nível provincial no período de 2019 a 2023
15
1 Huambo 190 50 1150 234 78 50 53 55 1860
4 Cachiungo 9 6 18 23 6 3 2 4 71
5 Chicala-Cholohanga 7 7 12 13 2 2 4 3 50
6 Ecunha 6 4 6 7 3 4 1 2 33
7 Ucuma 8 5 8 5 4 2 3 4 39
Longonjo 15 9 48 21 8 5 6 5 117
Chinjenje 9 7 13 16 5 3 2 4 59
Mungo 6 5 3 4 1 1 1 2 23
16
Londuimbale 18 13 27 31 18 7 8 6 128
MF M F
17
1.2. CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO
Nessa secção buscaremos a história breve da escola especial, deduzindo que todas
as coisas têm seu princípio e percurso. Escrever sobre a Escola Especial consiste
em retratar uma instituição que surgiu há 34 anos, isto é, em 1990, com a finalidade
de prestar o atendimento as crianças, jovens, adultos rejeitados nas diversas esferas
sociais. O surgimento da escola foi impulsionado pela Igreja Baptista que na altura já
prestava serviços de apoio aos deficientes físicos.
Importa referir que complexo escolar do ensino especial foi criado sob o decreto
Executivo n° 106 1/2021 do sector provincial do Huambo, mas sua historia do ensino
Especial começa no ano 1979 quando foi nomeada como primeira directora a
senhora Holinda Nacatchenle. O ponto de partida para estes trabalhos foram as
igrejas.
Em 1995 criou-se a primeira turma com surdos e alunos com defices cognitivo na
escola n°103 com as turmas da 5ª, 6ª e 7ª Classe, a Directora nessa altura era a
Senhora Palmira Nafita Lombo e ja contavam com 15 professores. De 1997 a 1998 a
escola passa a funcionar no centro se alfabetiza ao a que chamamos de Aliança
francesa foi directora a Senhora Cristina Chilulu.
Em 2017 o Senhor Director Justo foi nomeado como chefe de gabinete para área de
18
ensino especial e em seu lugar foi indicado a director o senhor Victor Jai que
exerceu a função até ao ano de 2021, e de 2021 até a data presente exerce a
função de directora a Senhora Mariana Vassole Alicerces.
Localizada no bairro académico, rua Serpa Pinto, com 8 salas de aulas, 2 turnos e
capacidade para 576 alunos com Necessidades Educativas Especiais
nomeadamente crianças, jovens e adultos com deficiência visual, auditiva, intelectual
ou seja transtornos do espectro autista, e altas habilidades.
1.2.1. Infraestrutura
➢ Um (1) secretaria;
➢ Quatro (4) WC, sendo dois (2) dos professores e igual número dos alunos;
19
1.2.2. Ensino Primário
Classes MF F
Iniciação 40 10
1ª Classe 68 25
2ª Classe 77 31
3ª Classe 54 23
4ª Classe 62 25
5ª Classe 41 17
6ª Classe 47 17
1.2.3. I° Ciclo
Classes MF F
13ª Classe 11 10
Total 11 10
20
1.2.4. Mapa Actualizado dos Alunos com Deficiencia/ 2023-2024
C
la
Tipo de Deficiências
s
s
e Audit Vis lntelectu Moto Multipl Dese Co Un Sub-total por classe
Iniciaçã 11 2 4 1 5 1 24
o
1ªCla 16 2 8 1 2 6 3 38
sse
2ªClas 18 2 19 5 4 0 6 54
se
3ªClass 5 2 10 7 3 3 30
e
4ªClass 18 8 16 2 1 1 47
e
5ª 10 0 13 4 1 1 29
Classe
6ª 15 3 10 0 3 3 34
Classe
7ª 14 2 20 2 1 2 41
21
Classe
8ª 15 1 38 4 2 60
Classe
9ª 13 3 6 22
Classe
1ª
Classe
13ª 3 2 1 6
Classe
Totais 385
22
geral.
1.2.5. Perspetivas:
1- A criação de salas de artes e ofício, devido alunos que são atendidos, mas
que o impacto da lesão é tão profundo que evidentemente deixou uma
sequela, e por conta deste aspecto o aluno não consegue alcançar outros
níveis de escolaridade. Porém, há um outro lado que pode ser explorado que
é formação técnico profissional na oficina de arte e ofício;
3- Ampliação da instituição;
➢ Em 2010, aos 4 de abril, foi inaugurada a escola especial pelo governador Dr.
Faustino Muteka, comportando sete (7) salas de aulas para o atendimento
dos alunos com necessidades educativas especiais (NEEs)
23
Vários directores estiveram na direção da Escola Especial até a presente data:
Fazer com que toda a criança tenha o direito ao estudo, processo de ensino e
aprendizagem, sem exclusão d qualquer aluno, independentemente das condições
socioeconómicas, aspectos biológicos, psicologia, etnia ou raça.
1.2.9. Organigrama
➢ Director geral
➢ Sub-director pedagógico
➢ Sub-director administrativo
➢ Chefe de secretaria
24
1.3. Justificação e importância do estágio realizado
Essa é a etapa onde a conciliação da teoria com a prática é uma realidade, e buscar
compreender os principais desafios do processo de ensino e aprendizagem e sugerir
as possíveis soluções para reversão das aprendizagens que se mostrarem
insatisfatórias face aos objectivos definidos para o subsistema de ensino e promoção
de uma educação democrática constituem uma finalidade por alcançar.
25
voltadas para alunos com necessidades educativas especiais. Os estagiários tiveram
a oportunidade de trabalhar em conjunto com professores experientes, aprender
sobre adaptações curriculares, desenvolver estratégias de ensino inclusivo e,
principalmente vivenciar de perto a realidade e as necessidades dos alunos com
deficiências.
26
1.5. PLANO DE ESTÁGIO
➢ Professor
1 Reunião de ➢ Criar o calendário das actividades de Sala de reuniões 20 de
supervisor
concertação do estágio. do Gabinete janeiro
➢ Estudantes
estágio ➢ Familiarizar-se com os documentos Provincial da
estagiários.
oficiais reitores do estágio Educação.
supervisonado.
➢ Professor
2 Encontro com o ➢ Apresentar a equipa de estágio. Sala de reuniões 01 de
supervisor.
Director do ➢ Apresentar os documentos oficiais do Gabinete Fevereiro
➢ Estudantes
Gabinete reitores do estágio supervisionado Provincial da
estagiários.
Provincial de como garante da realização dos Educação.
➢ Técnicos do
Educação do estágios no Complexo Escolar de
Gabinete
Huambo Ensino Especial do Huambo.
Provincial da
➢ Aferir o andamento do processo de
Educação.
implementação das escolas inclusivas
na Província e o estado funcional dos
Gabinetes de Apoio Psicopedagógico
(GAP).
27
➢ Professor
3 Encontro com o ➢ Apresentar a equipa de estágio. Sala de 15 de
supervisor
corpo directivo da ➢ Apresentar os documentos oficiais professores do Fevereiro
➢ Estudantes
escola. reitores do estágio supervisionado Complexo Escolar
estagiários
como garante da realização dos de Ensino
➢ Corpo directivo
estágios no Complexo Escolar de Especial
da escola
Ensino Especial do Huambo.
➢ Coordenador do
➢ Definir os dias e horas de estágio.
GAB
➢ Conhecer a escola do ponto de vista
estrutural e funcional.
➢ Professor
4 Observação das ➢ Observar as actividades lectivas nas Salas especiais 22 de
supervisor
actividades salas especiais e de intervenção na Fevereiro
➢ Estudantes Sala de recursos
lectivas nas salas sala de recursos multifuncionais; a 28 de
estagiários multifuncionais
especiais e de ➢ Constatar as estratégias adaptativas Março
intervenção na utilizadas no ensino dos alunos com Gabinete de apoio
sala de recursos NEE; psicopedagógico
multifuncionais ➢ Averiguar o tratamento dos alunos
(planificação de com NEE em sala de aula;
aulas, aulas, ➢ Identificar a capacidade do professor
provas, avaliação em lidar com a diverisidade em sala
e intervenção nas de aula;
28
perturbações de ➢ Identificar as principais deficiências
desenvolvimento). atendidas na sala de recurso
multifuncional e as respectivas
actividades;
➢ Observar o processo de rastreio das
deficiências e a delimitação da
estratégia interventiva;
➢ Verificar o modo de avaliação das
aprendizagens face os diferentes
níveis de comprometimento dos
alunos.
➢ Professor
5 Seminário de ➢ Formar os estudantes estagiários Complexo Escolar 11 de
supervisor
capacitaçao aos sobre técnicas de avaliação de Ensino Abril
estudantes diagnóstica e intervenção nas Especial (Sala de
estagiários sobre perturbações das aprendizagens recursos
avaliação multifuncionais).
diagnóstica e
intervenção nas
perturbações do
desenvolvimento.
29
➢ Professor
6 Rastreio e ➢ Identificar as principais deficiências supervisor Complexo Escolar De 6 a
agrupamento dos atendidas no Complexo Escolar; ➢ Estagiários de Ensino 10 de
➢ GAP
alunos com base ➢ Avaliar o grau de comprometimento Especial (Sala de Maio
a deficiência. para melhor enquadramento na sala recursos
especial e/ou inclusiva; multifuncionais).
➢ Organizar as fichas de atendimento
educativo individualizado.
➢ Professor
7 Encontro com os ➢ Reflectir sobre a importância da supervisor Complexo Escolar 10 de
pais e participarção dos pais e encarregados ➢ Estagiários de Ensino Maio
➢ GAP
encarregados de de educação no PEA Especial.
educação.
➢ Professor
8 Visita as casas de ➢ Conhecer a realidade de vivência dos supervisor Residência dos De 11 de
alguns alunos alunos para redefinir estratégias ➢ Estagiários familiares. Abril a 10
➢ GAP
com NEE extras escolares. de Maio
➢ Professor
9 Sessões ➢ Aplicar técnicas adaptativas e supervisor Complexo Escolar De 19 a
interventivas dinâmicas de acordo com as ➢ Estagiários de Ensino 22 de
insuficiências dos alunos Especial. Maio
selecionados como amostra da
30
intervenção;
➢ Partilhar com os professores da sala
de recursos multifuncionais as
actividades adapatadas ao
atendimento especializado dos alunos
com dificuldades específicas de
aprendizagem, deficiência auditiva,
deficiência intelectual e autismo.
➢ Professor
10 Chá inclusivo e ➢ Capacitar os professores sobre supervisor Complexo Escolar 23 de
metodológico estratégias de ensino eficazes para ➢ Estagiários de Ensino Maio
alunos com NEEs; Especial.
➢ Desenvolver actividades práticas para
estimular o uso de recursos visuais,
tecnologias assistivas, puzzle, jogo de
palavra e memória, etc., para
desenvolver Planos Educacionais
Individualizados ou em Grupo.
31
1.6. ACTIVIDADES REALIZADAS DURANTE O ESTÁGIO
1.6.1. Reunião de concertação do estágio
Esta actividade teve como meta a atingir, a apresentação da equipa de estágio; tal
qual a concertação mantida com o GPE, onde as principais acções
32
consubstanciaram-se em:
No total foram observadas 30 aulas nas salas especiais e nas salas de recursos
multifuncionais no período correspondente de 22 de Fevereiro a 28 de Março. Tais
observações decorreram com as seguintes finalidades:
33
Na escola onde decorreu o estágio participou-se e observou-se aulas nas turmas da
2ª, 3ª, 4ª e 5ª classe, no período matinal. A turma da 2ª classe era composta por 37
alunos, dos quais 22 do género masculino e 15 do género feminino. Durante as
actividades de aulas constatou-se existir 3 alunos com TDAH (Transtorno de Deficit
de Atenção e Hiperatividade), 3 alunos com D.V (Deficiência Visual), 5 alunos com
Síndrome de Down, dos quais duas do género feminino, Uma com paralisia cerebral
(tetraplégica), 6 alunos com D.I ( Deficiência Intelectual), dos quais duas do género
feminino, 12 D.A ( Deficiência auditiva) dos quais 3 do género feminino e 7 com
algumas dificuldades de aprendizagem.
Constatou-se ainda que a turma antes referenciada é dividida em duas partes, dos
quais os alunos com Síndrome de Down e Deficiência Intelectual ocupavam 30 a
25% do espaço da sala, virando de costas aos alunos com outras deficiências.
Durante as aulas foi possível notar a perícia da professora estagiária na forma como
transmitia os conhecimentos aos alunos com deficiência auditiva recorrendo ao
material comprovativo e a linguagem gestual, tendo sido verificado insuficiências na
exploração dos meios visuais facilitadores da transmissão do conteúdo. Quanto aos
alunos com deficiência visual notou-se um défice em função da escassez de
máquinas Braille.
Para os alunos com deficiência visual constatou-se que os alunos que chegassem
mais cedo usavam as máquinas Braille e os demais usavam no dia seguinte, tendo
recorrido no uso das pautas Braille – um instrumento cansativo para o invisual –,
facto que levou a encontrar uma forma interventiva que passasse na alternância do
uso da máquina no mesmo dia, apenas a utilização em aulas diferentes para que
todos alunos possam trabalhar as suas habilidades diariamente. Outro especto
pertinente diz respeito a forma de correção da escrita Braille do conteúdo da aula e
que é feita por um outro professor especialista na área, dado que obrigava o aluno a
abandonar a sala, ir ao encontro do professor, afim de se proceder com a respectiva
34
correção.
À luz do que aconteceu com a turma da 3ª classe volta a repetir-se na classe actual,
na qual um dos professores trabalhava apenas com alunos portadores de
Deficiência Auditiva, por ser também portador da mesma deficiência e a professora
com os alunos portadores das demais deficiências e os supostamente normais.
35
Quando chamados a intervir na forma de actuação, como estagiários sugeriu-se a
criação de situações que promovam a inclusão e a integração, promover problemas
desafiadores a todos alunos, para que os mesmos sejam capazes de desenvolverem
a sua aprendizagem passo a passo com base na criatividade e nos estímulos
endógenos e exógenos.
Notou-se que a exemplo das outras classes a turma é dividida por duas e todas na
mesma sala, na qual a professora efectiva trabalha com os alunos com Deficiência
Intelectual e Síndrome de Down, a outra professora titular e uma estagiária
trabalham com os alunos portadores das demais deficiências e os não portadores.
36
Durante as secções foi possível constatar a forma sábia como a professora
estagiária fazia o acompanhamento ao aluno não visual no tocante a escrita e leitura
braille, e por parte da professora titular a comunicação em linguagem gestual
relactiva as aulas ministradas.
Importa referir que no decorrer das secções nas aulas de Língua Portuguesa os
alunos apresentavam dificuldades em reconhecer letras, dificuldades em copiar do
quadro e do livro, dificuldade em ler em voz alta e compreender aquilo que foi lido,
dificuldade com quebra – cabeças, dificuldades de perceber que uma palavra é
37
constituída por sílabas e as mesmas são constituídas por vogais e consoantes, troca
a letra S e T ou S e D, sem deixar de parte o manuseamento de mapas e algumas
vezes apresenta baixa estima
➢ Maior parte das salas de aulas os alunos que as compõe são pessoas com
deficiência auditiva de nível moderado e severo;
➢ Existem alunos com Paralisias cerebral numa ordem de 6 alunos, sendo que
seus níveis são parciais, todavia, os deixa sem se comunicar por via da fala,
mas sim com linguagens gestuais;
38
➢ O Gabinete de Apoio Psicopedagógico funciona juntamente a sala de
Recusos Multifuncionais e o Atendimento Especializado, velando mais os
alunos com paralisia cerebral, Autistas e alunos com Deficiências intelectual
de nível moderado;
De igual modo, foi-lhes apresentado o Decreto 187/17 que institui o ensino inclusivo
para lhe motivar a não terem estigmas em levar seus filhos as escolas regulares, isto
para a garantia de uma oportunidade de melhor desenvolver socialmente e facilitar
no aprendizado de novas coisas. Na mesma senda, foram despertadas a respeito
das acessibilidades e a salvaguarda que o estado angolano proporciona com base
aos decretos e a Constituição da República, isto para que possam continuar com os
tratamentos médicos, mormente as famílias que têm pessoas com paralisia cerebral,
autismo e deficiência motora.
Recomendou-se aos pais que para além da rotina de ida e busca dos filhos a escola,
deveriam também desenvolver o hábito de participar de forma conjunta das
39
actividades lectivas e recreativas que a escola promove com vista a conhecer mais a
vida de seu filho com seus colegas na escola e assim garantir um desenvolvimento
social do educando cada vez mais sustentável.
O encontro terminou com o desafio dos supervisores e técnicos dos GAPs visitarem
alguns alunos de forma aleatória antes que o ano termine, sobretudo aqueles que
mais dificuldades de aprendizagem manifestaram durante os dois primeiros
trimestres para trabalhar com as famílias deles no sentido de se receber estratégias
de trabalho para estimular as funções executivas de seus filhos e gerar neles mais
disposição ao aprendizado.
Disse que não queria levar seu filho porque achava que aquele espaço era escola de
pessoas dementes e como encarava o seu filho apenas com má formação
congénita, pensou que lá não seria seu lugar, tanto que mesmo até hoje tem
dificuldades em ir à escola do filho para que não se depare com a situação que ela
40
tem desenhada na mente. Portanto, reconhece o papel que a escola está a
desempenhar na vida de seu filho e hoje aos poucos vai vencendo certas barreiras.
Conforme é de domínio público, Angola faz parte dos países signatários dos
protocolos internacionais que ditaram a implementação e dinamização da nova
perspectiva de educação voltada à inclusão da pessoa com NEE. As deliberações
tomadas na Conferência Mundial de Educação para Todos (1990), Conferência
41
Mundial de Educação Especial em Salamanca (1994) e na Conferência de Incheon
(2015), constituíram uns dos vários dispositivos e documentos internacionais bases
para a aprovação da Lei nº187/17 de 16 de Agosto, que dita as Políticas Nacionais
de Educação Especial Orientada à Inclusão Escolar.
Fruto das observações às aulas realizadas nas salas especiais e na aferição feita ao
funcionamento da Sala de Recursos Multifuncionais (SRMs) – sala que presta a
assistência aos serviços de apoio à inclusão – verificaram-se as seguintes
insuficiências:
42
CAPÍTULO II – METODOLOGIA
Por outra, Quivy e Campenhoudt (1992, p.165) mencionam que a observação pode
ser de dois tipos: directa ou indirecta. Na observação directa, o investigador recolhe
as informações de um modo objectivo e regista-as. Contudo, os sujeitos observados
não intervêm na informação recolhida. Este tipo de estudo é “baseado na
observação visual”.
Os mesmos autores referem ainda que, neste tipo de observação, o instrumento que
é utilizado é um questionário ou é um guião de entrevista. Lucas (2006) menciona
que a observação participante ou observação directa consiste numa técnica não
documental. Esta também pode ser intitulada de observação naturalista ou
descritiva. Ainda segundo o mesmo autor, a técnica de observação participante é
caracterizada pelo papel e a postura que o investigador adopta durante a
observação, bem como o seu nível de participação e interação com o que observa.
No decorrer deste período de estágio foram observadas turmas dos anos já referidos
anteriormente durante três manhãs por semana, no período das 9h às 13h.
Posteriormente foi elaborado o registo do trabalho.
43
emocionais, mentais e físicas de cada aluno no contexto das salas de recursos
multifuncionais. A observação individual focalizou-se também na avaliação operativa
centralizada na aprendizagem, onde os alunos foram submetidos numa breve
actividade de manipulação de objectos diversos com pretenção de averiguar a
interação com as experiências de aprendizagens definidas e verificar possíveis
comprometimentos na qualidade de aprendizagem.
Relativamente a entrevista, foi aplicada ao corpo directivo, corpo docente das salas
regulares e sala de recursos multifuncionais, bem como aos alunos com deficiência
auditiva. Aos membros do corpo directivo e docente o método serviu para aferir os
conhecimentos que os mesmos possuem com relação as principais deficiências, as
metodologias adaptativas no atendimento do aluno com NEE, o impacto da
vinculação escola-familia, a articulação das actividades realizadas pelos professores
das salas regulares com os professores da sala de recursos multifuncionais e os
programas específicos de integração da comunidade no contexto do projecto de
extensão das instituições de ensino.
Aos alunos com deficiência auditiva a entrevista serviu para auxiliar na compreensão
das informações adquiridas por intermédio da observação no inerente a competência
linguística desenvolvida, habilidades matemáticas básicas, grau de satisfação de sua
inclusão na sala normal de ensino e os principais desafios enfrentados ao longo de
sua escolarização. Deduz-se que a triangulação destes dois métodos constitui bases
suficientes na compreensão dos fenómenos identificados.
No que tange aos testes padronizados, foram aplicados aos alunos portadores de
deficiência com o intuito de avaliar o conhecimento e as habilidades de forma
consistente e imparcial. Por outra os testes padronizados ocorreram em larga escala
e seguiram um conjunto de padrões e critérios para garantir uma avaliação justa e
comparável.
44
CAPÍTULO III- DIAGNÓSTICO DA NECESSIDADE IDENTIFICADA E PONTO DE
PARTIDA PARA A INTERVENÇÃO.
45
aluno na escola regular, como são os casos dos alunos com deficiência
intelectual severa, ou o transtorno do espectro autista de grau severo e outras
que forem identificadas.
Os NAIs dessa características funcionam também como uma escola, tendo seu
corpo directivo semelhante a direcção de um escola regular, possuem
coordenadores multidisciplinares, professores especialistas de educação/inclusiva
para trabalhar nas salas especiais, funcionamento de salas especiais/inclusivas,
serviço de atendimento itinerante e transitório, fornecimento de equipas
multidisciplinares, existência de técnicos da área administrativa para fins necessários
de serviços, oficinas, salas para os encontros, palestras e para trabalho.
46
CAPÍTULO IV – PROJECTO DE INTERVENÇÃO/ESTRATÉGIA DE
INTERVENÇÃO
Proposta 1
Objectivos Específicos:
Intervenientes:
47
Avaliação:
Argumento:
Projecto 2
Objectivos Específicos:
48
➢ Implementar práticas e directrizes actualizadas de inclusão educacional em
consonâncias com a legislação nacional sobre a educação especial na
perspectiva inclusiva.
Intervenientes:
Avaliação:
Argumento:
Projecto 3
49
Objectivo Geral:
Objetivos Específicos:
Intervenientes:
Avaliação:
Argumento:
50
Ao personalizar as estratégias de ensino, promover a formação adequada dos
profissionais envolvidos e estimular a participação da família, é possível criar um
ambiente educacional acolhedor e eficaz para o desenvolvimento pleno das crianças
com deficiência auditiva.
Projecto 4
Objectivo específico:
Intervenientes:
➢ Estudante estagiário
Avaliação:
51
Argumento:
52
CONCLUSÕES
Após uma incursão em torno dos vários aspectos que deram corpo ao relatório
infere-se que:
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➢ A estrutura organizacional da escola e o modo como as turmas são
distribuidas permitiu perceber que o Complexo Escolar de Ensino Especial do
Huambo tem vindo a ensaiar o modelo de Núcelo de Apoio a Inclusão (NAI)
da tipologia A.
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LIMITAÇÕES ENCONTRADAS
4. Os quartos de banho não estão adaptados para alunos com deficiência física-
motora (cadeirantes);
9. As duas fases da greve constituíram uma enorme limitação por ter gerado
quebra na realização das actividades do estágio.
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RECOMENDACÕES
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BIBLIOGRAFIA
Sassaki, R. K. (2002). Inclusão: construindo uma sociedade para todos (4ª ed.). Rio
de Janeiro:
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ANEXOS
OBSERVAÇÃO:
GUIÃO DE OBSERVAÇÃO DA AULA (anexo 2)
Escola:
Professor:
Disciplina: Classe: Turma:
Data:
Tema:
Assunto:
1. Início da aula
1.1. Supervisiona a entrada dos alunos a sala de aulas
1.2. Inicia a aula com recurso a uma motivação(Canção,
história ou dança)
1.3. Efectua a articulação das aprendizgens a realizar com
as aprendizagens anteriores
1.4. Orienta os alunos a organizar o espaçco e o material
didáctico
1.5. Explica de forma clara e objectiva as actividades a
serem realizadas
1.6. Faz correcção da tarefa
2. Selecção, organização e abordagem dos conteúdos
2.1. Domina o conteúdo
2.2. Apresenta o conteúdo de forma simplificada
2.3. Recorre a exemplos pertinentes, na exploração dos
conteúdos e os relacina com a vivência dos alunos
2.4. Promove a relação dos conteúdos com outrso saberes,
incluindo com a natureza local
2.5. Mostra clareza e rigor científico
3. Estratégias de ensino e aprendizagem
3.1. Mantém os alunos activamente envolvidos nas tarefas
propostas
3.2. Procura diferenciar as actividades de aprendizagem
em atenção as características individuais dos alunos
3.3. Orienta o trabalho dos alunos com base a instruções
precisas, visando a sua concentração e a autonomia na
realização das tarefas
3.4. Esclarece as dúvidas dos alunos
3.5. Promove actividades de apoio aos alunos que
apresentam dificuldades de aprendizagem
3.6. Utiliza metodologia adequada ao perfil dos alunos
3.7. Faz uso de meios de ensino
3.8. Os meios de ensino são de acordo ao conteúdo e aos
objectivos
4. Organização de trabalho
4.1. Promove actividades individuais e em grupo dentro da
sala de aulas
4.2. Gere o tempo de forma eficaz
4.3. Faz bom uso do quadro e do apagador
4.4. Tem letra legível e escreve sem erros ortográficos
5. No final da aula
5.1. Faz perguntas de consolidação
5.2. Marca tarefa para casa
AVALIADOR:
FICHA PARA ENTREVISTA CONTRATUAL (anexo 3)
Data___/_________/_______
Realizado com:___________________________________________________
Nome:__________________________________________________________
Data de nascimento:_____/___________/_______ Idade na Avaliação:______
Naturalidade:________________ Escola:______________________________
Coordenadora:____________________ Série:________ Turno:____________
Professora:______________________________________________________
Mãe:___________________________________________________________
Idade:_________________ Formação:______________ Profissão:__________
Pais vivem juntos? ____ Irmãos (Nome/idade/escola/série):
___________________________________________________________________
___________________________________________________________
Endereço:_______________________________________________________
Telefone:________________________________________________________
Reforço escolar: ( ) Sim ( ) Não ____________________________________
Actividades Extras: ( ) Sim ( ) Não ___________________________________
Outros acompanhamentos: ( ) Sim ( ) Não ____________________________
Quem indicou: ___________________________________________________
Queixa:
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________
Horários acertados para atendimento:_________________________________
FICHA DE FREQUÊNCIA
Psicopedagogo/a:_________________________________________________
Nome:__________________________________________________________
Data de nascimento:______________________________ Idade:___________
Escola:_________________________________________________________
Série:_______________________________ Turno:______________________
Mãe e Pai:_______________________________________________________
Telefones:_______________ Dia e hora de atendimento:__________________
Procedimento: ( ) Diagnóstico ( ) Tratamento