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JEAN CORREIA
MODELOS VOLUMÉTRICOS PARA FLORESTAS
SECUNDÁRIAS DO LITORAL DE SANTA CATARINA
Dissertação apresentada ao
Programa de Pós-graduação em
Recursos Genéticos Vegetais da
Universidade Federal de Santa
Catarina como requisito para
obtenção do título de Mestre em
Ciências, área de concentração em
Recursos Genéticos Vegetais.
Orientador: Dr. Alfredo Celso
Fantini
Florianópolis - SC
2015
Aos raros que creem no manejo de
florestas secundárias da Mata
Atlântica.
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar agradeço a Deus por ter me proporcionado
saúde e sabedoria durante este período, possibilitando seguir em frente
perante todas as dificuldades e incertezas.
À Renata, minha companheira de vida e de profissão, por estar
ao meu lado em todos os momentos, em especial nos inúmeros dias de
dificuldades, nos quais sempre me confortou e me fez seguir em frente,
espero poder retribuir todo seu apoio e carinho.
À minha família, em especial meu pai, irmãos e sobrinhos.
Ao meu orientador Fantini, por ter me proporcionado esta
oportunidade única, e pela liberdade para estabelecer meus objetivos,
assim como também por me instigar a conhecer mais sobre o manejo de
florestas nativas, além de sua grande ajuda na coleta de dados em
campo, fato certamente raro entre orientadores.
Aos demais que me auxiliaram na coleta de dados, nos árduos
dias de campo, Maycon Silva, Gustavo Mirales Silva, Giovani Paludo, e
principalmente, Geferson Piazza.
Aos meus colegas do LEMEF-UFSC, Geferson Piazza, Adriano
Martinho e Fernando de Lucca, pelas diversas conversas, sempre
produtivas e descontraídas.
Aos proprietários da área, Sr. Clemente Bisewski, Cristiano
Bisewski, e toda sua família, por concederam o local para a pesquisa,
além de auxiliarem na colheita das árvores, e em diversos outros
momentos.
Aos meus amigos da graduação, Alisson Munaretti, Erick
Ramos e Gustavo Mirales Silva, sempre presentes apesar da distância.
Ao amigo e Professor Renato Robert, pela oportunidade de
conhecer um pouco mais da realidade florestal do Brasil, e por
demonstrar todo seu empenho em melhorar a formação dos Engenheiros
Florestais do país, sendo, certamente, inspirador para muitos.
Ao programa de Pós-graduação em Recursos Genéticos
Vegetais, pelo ensino de qualidade e pela oportunidade, assim como
pelos auxílios durante o mestrado, em especial a secretária Bernadete,
pelos inúmeros apoios, e ao Professor Maurício Sedrez dos Reis pelos
auxílios estatísticos no início do projeto.
A CAPES, pelo auxílio financeiro.
A FATMA, por meio de Maris de Fatima Gaio, pelo grande
auxílio na parte burocrática do projeto.
Ao Professor Alexander Vibrans e a equipe do IFFSC, em
especial ao Paolo Moser, pelo auxílio nas estatísticas, e ao Heitor Uller
pelo auxílio nas identificações das plantas.
Não poderia deixar de agradecer aos que abriram as portas de
sua casa para min durante estes dois anos, e que me acolheram como
parte de sua família, além de me proporcionarem diversas conversas
politizadas e muito bem descontraídas, obrigado Hermínio Barbedo e
família. Certamente conhecendo vocês pude compreender que ainda
existem pessoas boas no mundo.
Por fim agradeço a todos que de alguma forma participaram de
minha vida durante esta etapa, e que de alguma forma, contribuíram
para a sua conclusão.
RESUMO
Objetivou-se com o presente trabalho a obtenção de estimadores de
volume de madeira de uma formação florestal secundária da Floresta
Ombrófila Densa, importante ferramenta em um contexto de manejo
desses ecossistemas, como uma estratégia de conservação pelo uso para
a Mata Atlântica. O local de estudo consiste em uma floresta secundária
localizada no município de Guaramirim, região norte de Santa Catarina,
onde são realizadas pesquisas da dinâmica do componente arbóreo há
cerca de seis anos. Foram cubadas 187 árvores, das quais foram
determinados os volumes de fuste e o total (até o limite de 5 cm de
diâmetro), com e sem casca, através do método de Smalian. Com os
volumes foram testados seis modelos florestais clássicos por meio de
análise de regressão, além de determinados os fatores de forma normal e
os fatores de casca, ambos em relação à floresta (todas as espécies) e
para Hyeronima alchorneoides. Para os critérios de seleção dos modelos
de volume, foram utilizadas as estatísticas Erro Padrão da Estimativa,
Coeficiente de Determinação Ajustado, Critério de Informação de
Akaike, Critério de Informação Bayesiano, além da análise gráfica dos
resíduos. Foram realizadas Análises de Variância para verificar
diferenças entre as estimativas dos modelos selecionados e dos fatores
de forma e de casca. As 187 árvores pertenciam a 40 espécies, sendo
que apenas H. alchorneoides obteve o número mínimo de 30 indivíduos
para os ajustes de modelos específicos. Para a maioria dos modelos os
ajustes foram satisfatórios, sendo o de Schumacher-hall (linearizado)
selecionado para volume de fuste e total da floresta, assim como para
volume de fuste de H. alchorneoides, e o de Husch para volume total de
H. alchorneoides. Foram obtidos os fatores de forma de fuste 0,8027
para a floresta e 0,7962 para a espécie. Os fatores de casca foram 0,9301
para a floresta e 0,9212 para H. alchorneoides. A Análise de Variância
demonstrou não haver diferenças significativas entre o volume com
casca estimado utilizando-se o modelo ajustado e o fator de forma, tanto
para a floresta quanto para H. alchorneoides. O mesmo se verificou para
estimativa do volume sem casca utilizando-se o modelo e o fator de
casca. Porém as análises dos resíduos demonstraram que os modelos
ajustados são mais indicados que os fatores de forma e de casca, exceto
para o volume sem casca para a floresta, sendo o fator de casca mais
indicado. Por fim o estudo resultou em informações de grande utilidade
para o planejamento e execução de planos de manejo florestal
sustentável, em florestas secundárias da Mata Atlântica do estado.
Palavras-chave: Volumetria. Fator de forma. Fator de casca. Florestas
secundárias. Mata Atlântica.
ABSTRACT
The aim of this work was to obtain volume estimators for a second-
growth forest in a Dense Ombrophilous Forest, considering the
management of these areas as a strategy of conservation by use in the
Atlantic forest. The study site was located in north-eastern Santa
Catarina state, municipality of Guaramirim, where several researches on
forest dynamics have been conducted for the past six years. In this study
187 trees were scaled, whose stem and total volumes were obtained (up
to 5 cm in diameter), with and without bark, through the Smalian’s
method. This data was utilized to test six classic forest models based in
regression analysis, and the form and the bark factors were also
determined, both to the forest (all species) and for Hyeronima
alchorneoides. The parameters Standard Error of Estimate, Adjusted
Coefficient of Determination, Akaike’s Information Criterion, Bayesian
Information Criterion, and the graphical analysis of residuals were
utilized to select the models. An analysis of variance was performed to
verify the differences between estimates of the selected models and
form and bark factors. The 187 trees resulted in 40 species, and only
Hyeronima alchorneoides has been found in a number greater than 30
individuals. For the most models the adjustments were satisfactory and
the Schumacher-hall (linearized) model was selected to the stem and
total volume of the forest, and to the stem volume of H. alchorneoides,
while the Husch model was selected to the total volume of H.
alchorneoides. The stem form factor to the forest was 0.8027 and to
species was 0.7962. Bark factors were 0.9301 to the forest and 0.9212 to
H. alchorneoides. The analysis of variance showed that there were no
significant differences between the stem volume with bark estimates by
using the model and the form factor, both to the forest and H.
alchorneoides. In the same way, there were not significant differences to
the volume without bark using the model and the bark factor. However,
the analysis of the residuals pointed that the fitted models are better
indicated than the form and bark factors, except for the volume without
bark to the forest, where the bark factor is the most recommended. This
study brings useful information for proper planning and implementing
sustainable forest management plans, for second-growth forests in the
State's Atlantic Forest.
keywords: Volume modeling. Form factor. Bark factor. Second-growth.
Atlantic forest.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Localização da propriedade em estudo, entre os municípios de
Guaramirim, Jaraguá do Sul e Massaranduba, na região norte do estado
de Santa Catarina, Brasil. ...................................................................... 35
Figura 2. Distribuição do número de indivíduos amostrados por classe
diamétrica da floresta. ........................................................................... 49
Figura 3. Dispersão dos volumes com casca (a) e sem casca (b) da
floresta em função do Diâmetro à Altura do Peito (DAP). ................... 52
Figura 4. Distribuição do número de indivíduos amostrados por classe
diamétrica de H. alchorneoides. ............................................................ 53
Figura 5. Dispersão dos volumes com casca (a) e sem casca (b) d e H.
alchorneoides em função do Diâmetro à Altura do Peito (DAP). ......... 56
Figura 6. Resíduos porcentuais do Modelo 1 - Husch (a) e do Modelo 3
- Schumacher-hall (b) para estimativa do volume total com casca da
floresta em função do Diâmetro à Altura do Peito (DAP). ................... 61
Figura 7. Resíduos porcentuais do Modelo 1 - Husch (a) e do Modelo 3
- Schumacher-hall (b) para estimativa do volume total sem casca da
floresta em função do Diâmetro à Altura do Peito (DAP). ................... 62
Figura 8. Resíduos porcentuais do Modelo 3 (Schumacher-hall) para
estimativa do volume de fuste com casca da floresta em função do
Diâmetro à Altura do Peito (DAP). ....................................................... 67
Figura 9. Resíduos porcentuais do Modelo 3 (Schumacher-hall) para
estimativa do volume de fuste sem casca da floresta em função do
Diâmetro à Altura do Peito (DAP). ....................................................... 68
Figura 10. Resíduos porcentuais do Modelo 1 - Husch (a) e do Modelo
2 - Schumacher-hall (b) para estimativa do volume total com casca de
H. alchorneoides em função do Diâmetro à Altura do Peito (DAP). .... 74
Figura 11. Resíduos porcentuais do Modelo 1 (Husch) para estimativa
do volume total sem casca de H. alchorneoides em função do Diâmetro
à Altura do Peito (DAP). ....................................................................... 75
Figura 12. Resíduos porcentuais do Modelo 3 (Schumacher-hall) para
estimativa do volume de fuste com casca de H. alchorneoides em
função do Diâmetro à Altura do Peito (DAP). ...................................... 80
Figura 13. Resíduos porcentuais do Modelo 3 (Schumacher-hall) para
estimativa do volume de fuste sem casca de H. alchorneoides em função
do Diâmetro à Altura do Peito (DAP). .................................................. 81
Figura 14. Resíduos porcentuais da estimativa do volume de fuste com
casca da floresta a partir do fator de forma normal, em função do
Diâmetro à Altura do Peito (DAP). ....................................................... 84
Figura 15. Resíduos porcentuais da estimativa do volume de fuste com
casca de H. alchorneoides a partir do fator de forma normal, em função
do Diâmetro à Altura do Peito (DAP). .................................................. 85
Figura 16. Resíduos porcentuais da estimativa do volume de fuste sem
casca da floresta a partir do fator de casca, em função do Diâmetro à
Altura do Peito (DAP). ......................................................................... 87
Figura 17. Resíduos porcentuais da estimativa do volume de fuste sem
casca de H. alchorneoides a partir do fator de casca, em função do
Diâmetro à Altura do Peito (DAP). ....................................................... 88
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Modelos testados para os ajustes de volume. ....................... 39
Tabela 2. Número de indivíduos amostrados por espécie, com seus
respectivos Diâmetros à Altura do Peito (DAP) médios. ...................... 46
Tabela 3. Estatísticas descritivas para a floresta................................... 51
Tabela 4. Estatísticas descritivas para H. alchorneoides. ..................... 55
Tabela 5. Valores Porcentuais obtidos a partir dos volumes médios
referentes às 187 árvores amostradas (185 para os valores sem casca)
para a floresta, e 35 para H. alchorneoides. .......................................... 57
Tabela 6. Critérios de seleção dos modelos avaliados, em relação ao
volume total, com e sem casca, para a floresta...................................... 59
Tabela 7. Coeficientes dos modelos avaliados, em relação ao volume
total, com e sem casca, para a floresta. ................................................. 60
Tabela 8. Critérios de seleção dos modelos avaliados, em relação ao
volume de fuste, com e sem casca, para a floresta. ............................... 65
Tabela 9. Coeficientes dos modelos avaliados, em relação ao volume de
fuste, com e sem casca, para a floresta. ................................................. 66
Tabela 10. Critérios de seleção dos modelos avaliados, em relação ao
volume total, com e sem casca, para H. alchorneoides. ........................ 71
Tabela 11. Coeficientes dos modelos avaliados, em relação ao volume
total, com e sem casca, para H. alchorneoides. ..................................... 72
Tabela 12. Critérios de seleção dos modelos avaliados, em relação ao
volume de fuste, com e sem casca, para H. alchorneoides. .................. 77
Tabela 13. Coeficientes dos modelos avaliados, em relação ao volume
de fuste, com e sem casca, para H. alchorneoides. ............................... 78
Tabela 14. Resumo dos modelos selecionados para os diferentes tipos
de volume estimados, com seus respectivos Coeficientes de
Determinação ajustados. ....................................................................... 90
Tabela 15. Resumo dos Fatores de forma normais médios (f1,3) e
Fatores de casca médios ao quadrado (K2) obtidos em relação ao volume
de fuste. ................................................................................................. 91
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ................................................................................... 19
1 INTRODUÇÃO ................................................................................... 21
1.1 MATA ATLÂNTICA ....................................................................... 21
1.2 COBERTURA FLORESTAL DE SANTA CATARINA ................. 22
1.3 CONSERVAÇÃO PELO USO ......................................................... 24
1.4 ESTUDOS DENDROMÉTRICOS ................................................... 26
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................... 28
2.1 DETERMINAÇÃO DO VOLUME DE ESPÉCIES FLORESTAIS 28
2.2 APLICAÇÕES EM ESPÉCIES FLORESTAIS NATIVAS ............. 30
3 OBJETIVOS ........................................................................................ 33
3.1 OBJETIVO GERAL ......................................................................... 33
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................ 33
4 MATERIAIS E MÉTODOS ............................................................... 34
4.1 LOCAL DE ESTUDO ...................................................................... 34
4.2 CUBAGEM RIGOROSA ................................................................. 36
4.3 SELEÇÃO DOS MODELOS VOLUMÉTRICOS ........................... 38
4.4 DETERMINAÇÃO DO FATOR DE FORMA................................. 43
4.5 DETERMINAÇÃO DO FATOR DE CASCA ................................. 44
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................ 46
5.1 AMOSTRA ....................................................................................... 46
5.2 MODELOS DE VOLUME TOTAL PARA A FLORESTA ............ 57
5.3 MODELOS DE VOLUME DE FUSTE PARA A FLORESTA ....... 64
5.4 MODELOS DE VOLUME TOTAL PARA H. alchorneoides ......... 69
5.5 MODELOS DE VOLUME DE FUSTE PARA H. alchorneoides.... 75
5.6 FATOR DE FORMA ........................................................................ 81
5.7 FATOR DE CASCA .......................................................................... 85
5.8 IMPLICAÇÕES PRÁTICAS............................................................. 88
6 CONCLUSÕES .................................................................................... 92
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................... 94
19
APRESENTAÇÃO
Após décadas de pesquisas em torno da ecologia e do potencial
produtivo das florestas nativas de Santa Catarina, finalmente as teorias
puderam ser colocadas em prática, através da assinatura de um termo de
Cooperação Técnico-científica entre a Fundação do Meio Ambiente de
Santa Catarina (FATMA) e a Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC), possibilitando a implantação de uma unidade de pesquisa em
Manejo de Florestas Secundárias no estado. O local selecionado possui
um histórico peculiar, que será detalhado ao longo da dissertação, já
contendo um arcabouço de informações, oriundas de três dissertações de
mestrado realizadas no mesmo. Neste contexto o presente trabalho trará
os primeiros resultados práticos obtidos após o início das atividades de
manejo na área, contendo informações sobre métodos de estimativas de
volume de madeira para a floresta em foco, fazendo parte de um
conjunto de trabalhos que estão sendo desenvolvidos visando elucidar
questões relacionadas ao manejo de florestas secundárias. A dissertação
foi estruturada em corpo único, iniciando com uma breve
contextualização sobre a Mata Atlântica, assim como a situação do
estado, e sobre conservação pelo uso. Na sequência a revisão
bibliográfica descreve definições gerais, assim como o “estado da arte”
a cerca da obtenção de volume de espécies florestais nativas. Após, são
detalhadas as metodologias utilizadas, e, por fim são relatados os
resultados obtidos e, de forma simplificada, suas implicações práticas, e
considerações finais.
20
21
1 INTRODUÇÃO
1.1 MATA ATLÂNTICA
Um dos biomas brasileiros com sua biodiversidade mais
ameaçada na atualidade é a Mata Atlântica, tanto pelo seu histórico de
ocupação urbana indiscriminada, nas áreas concentradas no litoral,
quanto pela substituição de suas áreas naturais por atividades de
produção intensiva, como agricultura e pecuária, aliada a exploração
desordenada de suas espécies florestais. Devido a este cenário de
degradação, e pela sua alta biodiversidade, associada ao alto grau de
endemismos, este bioma é classificado pela Conservação Internacional
(2015), como um dos 34 hotspots mundiais, atendendo os critérios
descritos por Myers (2000).
A Mata Atlântica é o único bioma no país a possuir uma
legislação própria, a Lei Nº 11.428, de 22 de Dezembro de 2006
(BRASIL, 2006) que, de modo geral, visa à conservação, proteção,
regeneração e utilização dos remanescentes de vegetação nativa no
estágio primário e nos estágios secundário inicial, médio e avançado de
regeneração, além de definir sua área de ocorrência original, através do
Decreto Nº 6.660, de 21 de novembro de 2008, que regulamenta a
referida Lei (BRASIL, 2008). O mapeamento produto do Decreto Nº
6.660 de 2008, delimita que as formações florestais e ecossistemas
naturais associados ao bioma contemplam uma área original de
aproximadamente 131 milhões de hectares, distribuídos em 17 estados
(BRASIL, 2008).
Apesar dos recentes esforços de conscientização sobre a
preservação da Mata Atlântica, esta ainda vem sofrendo uma grande
perda de sua cobertura vegetal. De acordo com os resultados da
22
Fundação SOS Mata Atlântica e INPE (2013), no decorrer de 28 anos,
entre os anos de 1985 e 2012, ocorreu um desmatamento de cerca de 1,8
milhões de hectares. Apesar da taxa de desmatamento ter sido
decrescente nestes 28 anos, entre os períodos de 2010 a 2011, e de 2011
a 2012, houve um aumento de 29% nestes valores, sendo a maior taxa
anual desde 2008 (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA; INPE,
2013). É importante também ressaltar a distribuição espacial destes
remanescentes florestais, pois a fragmentação pode atuar diretamente na
viabilidade dos processos ecológicos, sendo que apenas 8,5% dos
remanescentes são fragmentos com área acima de 100 ha de extensão
(FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA; INPE, 2013).
1.2 COBERTURA FLORESTAL DE SANTA CATARINA
O estado de Santa Catarina possui seu território completamente
inserido no bioma Mata Atlântica, dividido em três formações florestais
principais, de acordo com a classificação de Klein (1978), sendo estas a
Floresta Ombrófila Densa, a Floresta Ombrófila Mista, e a Floresta
Estacional Decidual. De acordo com os resultados do Inventário
Florístico Florestal de Santa Catarina (VIBRANS et al., 2012a), o estado
possui atualmente 29% de cobertura florestal remanescente. Esta
cobertura se apresenta fortemente fragmentada, fato comprovado pelo
predomínio de remanescentes com até 50 ha, somando 80% do número
total de fragmentos (VIBRANS et al., 2012a). As formações com maior
perda de cobertura no estado são a Floresta Ombrófila Mista e a Floresta
Estacional Decidual, com apenas 24,4% e 16,1% de sua área original
respectivamente (VIBRANS et al., 2012a). A Floresta Ombrófila Densa
apresenta uma situação menos drástica com 40,5% de sua área original
23
(VIBRANS et al., 2012a). Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica e
INPE (2013), em uma avaliação de nove dos 17 estados de ocorrência
do bioma, Santa Catarina foi o terceiro estado com maior redução de
área florestal, em uma projeção realizada entre 2011 e 2012, com 499 ha
de desflorestamento, ficando atrás apenas de Minas Gerais (10.752 ha) e
Paraná (2.011 ha).
A diversidade e estrutura florística dos remanescentes florestais
de Santa Catarina demonstra resultados coniventes com os dados de
cobertura, pois, de acordo com Schorn et al. (2012), destacam-se
novamente os estados críticos da Floresta Ombrófila Mista e Floresta
Estacional Decidual, com forte alteração estrutural e predomínio de
espécies pioneiras e secundárias, e, a Floresta Ombrófila Densa
demonstra situação mais amena, porém com forte predomínio de
espécies secundárias, frutos da exploração desordenada no passado. A
distribuição da diversidade genética dos fragmentos florestais do estado
também revela que a estrutura genética está fragilizada, porém é
passível de ser resgatada, desde que se adotem medidas que favoreçam o
fluxo gênico e a conectividade entre os fragmentos (REIS et al., 2012).
As condições atuais da Mata Atlântica demonstram que, apesar
dos esforços em conter a degradação, esta continua ocorrendo em
grandes proporções, destacando a importância da conservação do
pequeno percentual que resta, o qual se apresenta em um elevado grau
de alteração. Contando com a grande participação de pesquisas no
campo, estas condições ficam explícitas em relação à Santa Catarina,
demonstrando que as atuais formas de se elaborar, pensar e praticar o
que se diz por “preservação” e “conservação”, talvez não sejam as mais
adequadas para o bioma.
24
1.3 CONSERVAÇÃO PELO USO
Em um cenário de degradação, em que legislações ditas como
conservacionistas não apresentam resultados contundentes, ao menos
em um período de tempo relativamente curto, surgem novas discussões
sobre formas alternativas de conservação que busquem inserir o uso
como um fator benéfico para a manutenção da biodiversidade
(conservação pelo uso).
A questão da interferência humana na Mata Atlântica possui
uma perspectiva histórica que nem sempre é levada em conta, pois em
épocas passadas, os povos nativos já praticavam sistemas de corte e
queima (sistema em que a floresta é derrubada e queimada, para uso
alternativo do solo), com o objetivo de utilização da terra fértil das
florestas para o cultivo de alimentos, e para facilitar a caça nestes locais
abertos (DEAN, 1996). Este sistema talvez tenha levado a alteração de
milhares de hectares deste bioma, assim como outros do país, em uma
longa escala de tempo, dificultando a delimitação sobre o que são,
atualmente, florestas secundárias e florestas climácicas.
De acordo com Mo et al. (2011), em uma avaliação do impacto
do manejo florestal tradicional em uma Floresta Tropical Sazonal
Úmida da China, as florestas secundárias geradas após aplicação de
corte e queima, contribuem de forma complementar, para o aumento da
diversidade em nível de paisagem, sendo, portanto, um produto positivo
do uso humano. Outro exemplo da aplicação de sistemas de corte e
queima, denominado neste caso como “Roça de toco”, que possui a
peculiaridade do plantio intencional de espécies florestais, localizado no
município de Biguaçú, no próprio estado de Santa Catarina, demonstra
que ao longo do tempo, essa adaptação de sistema produtivo levou a
25
uma melhoria da diversificação da paisagem, através da formação de um
mosaico sob diferentes estágios sucessionais, alternados com áreas em
pleno uso, em uma paisagem anteriormente dominada por gramíneas
exóticas invasoras (DE LUCA et al., 2012; RODRIGUES, 2014). Desta
forma, sistemas de uso tradicionais podem ser positivos em relação à
conservação da biodiversidade, principalmente em formações
secundárias, resultantes do processo de interação, e possivelmente
coevolução, com o ser humano.
Considerando que em florestas tropicais, as espécies
pertencentes ao grupo das pioneiras e secundárias possuem uma
velocidade de crescimento muito alta, se comparada às espécies de
florestas maduras (HARTSHORN, 1980), sistemas que procurem
manejar as florestas secundárias, demonstram-se promissores do ponto
de vista da busca da sustentabilidade de produção, se comparados a
sistemas de manejo em florestas climácicas, as quais possuem um
crescimento lento, além de ser um estoque de madeira atualmente
disponível nas propriedades rurais de Santa Catarina (FANTINI;
SIMINSKI, 2007).
Em relação às implicações legais impostas pela “Lei da Mata
Atlântica”, as restrições referentes ao corte e supressão foram, talvez, as
mais expressivas, e tornam praticamente inviáveis qualquer forma de
manejo de produtos florestais madeireiros neste bioma. Estas medidas
legais levaram muitos proprietários rurais a converterem suas áreas,
antes degradadas, ou utilizadas para sistemas de corte e queima, ou
mesmo em estágios secundários de sucessão, para plantios homogêneos
de espécies florestais exóticas, reduzindo a representatividade dos
fragmentos nativos, e a diversidade tanto em nível local, quanto da
26
paisagem, distanciando ainda mais a realidade dos resultados almejados
(SIMINSKI, 2009; SIMINSKI et al., 2011).
Portanto o manejo das florestas secundárias da Mata Atlântica
pode ser uma alternativa, e para que se torne realidade, há necessidade
de informações sobre os fragmentos remanescentes, tanto em termos de
diversidade, quanto de estrutura da floresta, levando em conta conceitos
importantes para o manejo florestal, como a produtividade destas
espécies. Embora já tenha ocorrido uma evolução ao longo dos últimos
anos, ainda há uma insuficiência de informações relacionadas ao manejo
de florestas secundárias, especialmente com foco em sistemas que
conciliem o uso à conservação, que auxiliariam na manutenção da
biodiversidade, no bem estar e na permanência das populações rurais.
1.4 ESTUDOS DENDROMÉTRICOS
Dentre as informações estruturais de uma floresta, pode-se
destacar a altura e o diâmetro, assim como as variáveis oriundas destas,
sendo as principais a área basal e o volume.
A determinação do volume de espécies florestais é uma
informação básica para o planejamento adequado do manejo, visando
um correto ordenamento e dimensionamento da produção em níveis
sustentáveis. Porém é uma variável de difícil obtenção, a qual acarreta
em um alto custo para a sua determinação, especialmente em florestas
nativas. Uma forma de reduzir os custos do inventário florestal é através
do ajuste de modelos matemáticos para a estimativa de variáveis
dendrométricas de difícil obtenção, a partir de variáveis mais simples de
serem obtidas, sendo a mais comum o Diâmetro à Altura do Peito
(DAP), utilizada individualmente ou combinada à altura (SILVA;
27
PAULA NETO, 1979; FINGER, 1992). É importante ressaltar que para
espécies nativas, há uma grande ausência destas informações, sobretudo
para a Mata Atlântica, demonstrando a necessidade de mais esforços em
pesquisas nestas áreas.
Com base nesta problemática, e considerando a conservação
pelo uso como uma alternativa para a manutenção da biodiversidade da
Mata Atlântica, são imprescindíveis informações que possam subsidiar
propostas de manejo dessas florestas secundárias. Dentre estas
informações estão os modelos volumétricos, que permitem a obtenção
de estimativas confiáveis de volume (individual ou por área), e do
volume comercial, as quais possibilitam a realização de projeções da
produção, verificando a viabilidade tanto econômica quanto ecológica
do sistema.
28
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 DETERMINAÇÃO DO VOLUME DE ESPÉCIES FLORESTAIS
A determinação do volume de espécies florestais é um processo
que dispende trabalho, e por consequência, altos custos. Por este motivo,
a obtenção de volume, denominada de cubagem, é realizada a partir de
partes de árvores amostra, fornecendo conjuntos de dados utilizados no
ajuste de funções que descrevam a relação das diferentes dimensões da
árvore e seu volume (FINGER, 1992; MACHADO; FIGUEIREDO
FILHO, 2003).
A importância dos estudos da casca das árvores, ou seja, de sua
espessura e variação ao longo do fuste, esta relacionado ao tipo de
comercialização da matéria-prima florestal, que pode incluir ou não o
aproveitamento desta, sendo que em certos casos, a casca pode ser a
matéria prima principal (FINGER, 1992; SILVA; PAULA NETO,
1979).
De acordo com Silva e Paula Neto (1979) e Machado e
Figueiredo Filho (2003), a cubagem rigorosa de árvores pode ser
realizada por xilômetros (métodos de obtenção de volume por imersão
em água), ou por fórmulas (ou funções) matemáticas aplicadas a seções
do fuste. Os xilômetros obtêm estimativas mais precisas, porém são
mais trabalhosos, enquanto que as fórmulas obtêm boas estimativas, de
modo prático (SILVA; PAULA NETO, 1979; MACHADO;
FIGUEIREDO FILHO, 2003; SOARES et al., 2011a). Além destes
métodos, West (2009) cita a determinação de volumes através de uso de
escaneamentos a laser, permitindo a modelagem dos fustes, e outro
método ainda, seria a obtenção de volumes a partir de fotografias
digitais dos fustes em dimensões diferentes. Porém estes métodos ainda
29
são pouco utilizados no Brasil, devido a fatores como custos e
aplicabilidade.
O ajuste de fórmulas matemáticas é uma ferramenta que auxilia
no cálculo do volume total do fuste, denominado de volume rigoroso,
através da soma dos volumes das seções, em que cada seção se
assemelha a um determinado sólido geométrico (MACHADO;
FIGUEIREDO FILHO, 2003). De modo geral, a base da árvore é
representada por um nielóide, a parte central por um parabolóide, e o
ápice por um cone (SILVA; PAULA NETO, 1979; FINGER, 1992;
MACHADO; FIGUEIREDO FILHO, 2003).
Estas fórmulas são ainda, divididas em dois grupos, um
formado pelos métodos absolutos, que utilizam distâncias padrões para
as seções (fórmulas de Huber, Smalian e Newton), e outro formado
pelos métodos relativos, que delimitam a seções através de proporções
fixas em relação ao comprimento total da árvore (fórmula de Hohenadl)
(MACHADO; FIGUEIREDO FILHO, 2003). Dentre as várias fórmulas
para o cálculo de volume rigoroso, as mais comuns são as de Smalian,
de Huber e de Newton, as quais diferem em relação à forma de cálculo
do volume de cada seção (SILVA; PAULA NETO, 1979; FINGER,
1992; WEST, 2009).
Existem variações nas precisões das estimativas em relação às
diferentes fórmulas, em função do tipo de sólido geométrico. Conforme
Husch et al. (1982), a de Newton é a que apresenta melhor aplicação na
maioria dos casos, porém a de Smalian e de Huber são exatas quando as
seções se assemelham a parabolóides. O comprimento da seção também
pode interferir, sendo que comprimentos maiores de 1,20 m resultam em
grandes erros para o método de Smalian, indicando-se Huber ou Newton
30
nestes casos (SILVA, 1977). É importante ressaltar que, de acordo com
Finger (1992), quanto menor for o tamanho da secção, maior a
proximidade do volume calculado com o volume real.
A partir destes pontos abordados denota-se, portanto, que há
inúmeros métodos de determinação de volume em árvores, e que é
necessária atenção para a definição do método a ser aplicado, levando
em consideração tanto as precisões das estimativas, quanto a
aplicabilidade para cada situação.
2.2 APLICAÇÕES EM ESPÉCIES FLORESTAIS NATIVAS
Os estudos de volumetria no Brasil estão atualmente
concentrados em descrever plantios de espécies exóticas, em especial
dos gêneros Pinus e Eucalyptus, sendo pouco comuns para espécies
nativas. A maior parte dos trabalhos com nativas se restringem a
espécies da Amazônia e Cerrado, devido à possibilidade de manejo das
espécies destes biomas. Os poucos estudos fora destes, relacionados ao
bioma Mata Atlântica, estão restritos ao estado de São Paulo, e em sua
grande maioria para florestas plantadas, e alguns poucos relatos são
descritos para o Paraná e Rio Grande do Sul. No estado de Santa
Catarina poucas são as publicações, sendo o mais recente estudo
publicado através do Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina, se
tratando de um projeto em ampla escala, que considerou a determinação
do volume do fuste principal (até inserção dos primeiros galhos), e
através de métodos não destrutivos, no caso por escalada (VIBRANS et
al., 2012b).
De acordo com Machado e Figueiredo Filho (2003), devido a
implicações legais, as estimativas de volume em espécies nativas
31
geralmente são realizadas por métodos não destrutivos (sem que ocorra
a derrubada das árvores), ocasionando uma maior fonte de erros,
sobretudo na determinação do volume sem casca, que em certos casos é
de grande importância.
Scolforo et al. (1994), em estudos de Floresta Estacional
Semidecidual de Minas Gerais, concluíram que é possível obter
estimativas seguras do volume de fuste de espécies nativas, tanto
utilizando-se equações baseadas em fator de forma, quanto de equações
de volume propriamente ditas, porém, as últimas apresentam menores
erros relativos as médias verdadeiras. Santos et al. (2009), também
obtiveram bons ajustes através de equações tradicionais de volume de
fuste, para espécies nativas de Floresta Ombrófila Mista no Paraná,
Borsoi (2005) obteve conclusões similares para volume comercial,
porém para Floresta Ombrófila Mista do Rio Grande do Sul.
Schuch et al. (2008), em estudos específicos para Miconia
cinnamomifolia (De Candolle) Naudin, em Floresta Ombrófila Densa de
Santa Catarina, concluíram que é possível obter estimativas precisas de
volume comercial da espécie, com base em modelos que levem em
conta o DAP e a altura comercial, assim como Oller (2011), para
Tibouchina pulchra Cogn.. Silveira (2008), em estudos de volume da
Floresta Ombrófila Densa em Santa Catarina, também obteve ajustes
satisfatórios. Resultados similares foram encontrados para espécies de
Mata Atlântica no estado do Espírito Santo, descritos por Jorge (1982);
Souza e Jesus (1991), e por Chichorro et al. (2003). Durlo e Denardi
(1998), apresentaram resultados para Cabralea canjerana (Vell.) Mart.
em Floresta Estacional Decidual do Rio Grande do Sul, porém para
modelos de fator de forma comercial. Um dos poucos trabalhos em que
32
consta modelos de volume total (no caso até o diâmetro limite de 5 cm)
é descrito por Nunes (2013), para Floresta Estacional Semidecidual e
Floresta Ombrófila Densa do estado de São Paulo.
Dentre as fórmulas de cálculo do volume rigoroso, a mais
consagrada é a de Smalian, pela sua facilidade de aplicação, fato que
também vem sendo denotado no caso do uso em espécies nativas, apesar
das limitações já comentadas, sendo este método utilizado por Jorge
(1982); Souza e Jesus (1991); Scolforo et al. (1994); Durlo e Denardi
(1998); Chichorro et al. (2003); Borsoi (2005); Schuch et al. (2008);
Soares et al. (2011b); Oller (2011); Vibrans et al. (2012b) e Nunes
(2013).
Deste modo, embora tenha ocorrido uma evolução nos últimos
anos, fica evidente a insuficiência de informações relacionadas aos
modelos de obtenção de volume de espécies nativas, principalmente
para as florestas secundárias do bioma Mata Atlântica.
33
3 OBJETIVOS
3.1 OBJETIVO GERAL
Gerar estimadores de volume de madeira para florestas
secundárias da Floresta Ombrófila Densa em Santa Catarina, como
forma de subsídios a propostas de manejo florestal sustentável destas
formações.
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Testar, por meio de análise de regressão, diferentes modelos de
equações para estimativas de volume de fuste e total, com base em
variáveis dendrométricas;
Obter valores de fatores de forma e de fatores de casca;
Verificar qual o método é mais indicado para as estimativas de
volumes propostas.
34
4 MATERIAIS E MÉTODOS
4.1 LOCAL DE ESTUDO
A área de estudo compreende uma propriedade rural localizada
na região Norte Catarinense, mais precisamente entre os municípios de
Guaramirim, Jaraguá do Sul e Massaranduba (Figura 1). A propriedade
possui uma área total de 41,9 ha, sendo que em uma parte desta,
equivalente a 25 ha, foi realizado o plantio de mudas de espécies nativas
no ano de 1978, com projeto registrado no Instituto Brasileiro de
Desenvolvimento Florestal – IBDF, a fim de cumprir obrigações de
reposição florestal, referente às leis vigentes na época. O plantio não
utilizou espaçamentos regulares, e recebeu tratos culturais apenas nos
primeiros cinco anos após sua implantação, por isso ao longo do tempo
adquiriu características muito similares a uma floresta secundária
(SCHUCH, 2010), sendo, portanto, tratada neste trabalho com esta
definição. O restante da propriedade foi abandonado no mesmo período
referente ao plantio, sendo, portanto formado atualmente por uma
floresta secundária regenerada naturalmente.
A área delimitada pelo plantio recebeu licença para ser
manejada no ano de 2013, a partir termo de cooperação técnico-
científica Nº 10/2013 estabelecido entre a FATMA e a Universidade
Federal de Santa Catarina, partindo-se do pressuposto da permissão para
supressão de vegetação em casos de pesquisas científicas, descrito na
“Lei da Mata Atlântica” (Lei Nº 11.428, de 22 de Dezembro de 2006).
De acordo com o mapa Fitogeográfico proposto por Klein
(1978), a região está incluída na formação vegetacional de Floresta
Ombrófila Densa. O clima, segundo a classificação de Köppen, é do
Tipo Cfa - Temperado húmido com verões quentes. A área possui uma
35
declividade acentuada, com altitude de aproximadamente 300 metros
acima do nível do mar. Conforme a classificação do IBGE (2012), a
vegetação predominante no local é a Floresta Ombrófila Densa
Submontana.
Figura 1. Localização da propriedade em estudo, entre os municípios de
Guaramirim, Jaraguá do Sul e Massaranduba, na região norte do estado
de Santa Catarina, Brasil.
Na propriedade foram alocadas parcelas permanentes no ano de
2008, com propósito de avaliar e monitorar o desempenho da floresta
antes e após o manejo. Um total de 12 parcelas foram distribuídas de
forma casualizada na área referente ao plantio (25 ha), de formato
quadrado, com dimensões de 40 x 40 m, nas quais foram avaliados
todos os indivíduos com Diâmetro à Altura do Peito (DAP) maior ou
igual a cinco centímetros. Os mesmos foram identificados ao nível de
espécie (no campo quando possível ou posteriormente em laboratório), e
foram coletados os dados de DAP, altura total e altura comercial
36
(SCHUCH, 2010 e SCHMITZ, 2013). Por meio destes dados,
selecionaram-se as árvores a serem colhidas na etapa inicial do manejo
da área, as quais foram utilizadas para obtenção do volume através do
processo de cubagem rigorosa.
4.2 CUBAGEM RIGOROSA
O método de cálculo do volume rigoroso utilizado foi o de
Smalian, conforme descrição de Finger (1992), devido aos pontos
abordados no item 2. A cubagem rigorosa pelo método de Smalian
consiste na medição dos diâmetros ou circunferências nas extremidades
de cada seção do tronco (apenas a base do fuste é calculada a partir de
uma fórmula geral). Assim determinou-se o volume de cada seção
utilizando a seguinte função (MACHADO; FIGUEIREDO FILHO,
2003):
vi = (ga + gb).l
2
Considerando:
vi =volume da seção i (m³);
ga = área transversal na base da seção i (m²);
gb = área transversal no topo da seção i (m²);
l = comprimento da seção i (m);
i = número de seções (i= 1, 2, 3, ....., n).
O volume total foi obtido pelo somatório dos volumes parciais
(detalhados anteriormente), juntamente com o volume do “toco” (vt),
definido abaixo:
37
vt = (gt . lt)
Considerando:
vt =volume do “toco” (m3);
gt = área transversal do “toco” (m2);
lt = altura do “toco” (m).
Foram definidas as seguintes secções para tomada das medidas
dos diâmetros: 0,1 m; 0,3 m; 0,7 m; 1,0 m; 1,3 m; 2,0 m; e a cada metro
até a extremidade do fuste, sendo esta delimitada por bifurcações, ou
pelo diâmetro mínimo de cinco centímetros. O “toco” foi definido como
a seção até 0,1m. Todos os galhos foram mensurados a cada metro, até o
diâmetro limite de cinco centímetros. Com o uso de uma suta, a cada
ponto de medida foi obtido o diâmetro médio com casca, que consiste
em duas medidas perpendiculares em relação ao maior e menor
diâmetro no ponto. Além disso, em cada ponto de medida foi obtida a
espessura de casca simples (apenas uma medida por ponto), com auxílio
de um paquímetro digital. A altura de fuste, utilizada para a
determinação do volume de fuste também foi obtida nesta etapa, sendo
definida como altura até o início da copa (primeira bifurcação) e obtida
com o uso de trena. Um aspecto particular ao trabalho com espécies
nativas são as árvores que bifurcam a partir da base, sendo tratadas de
modo individual (cada bifurcação corresponde a um indivíduo), desde
que ocorram abaixo da altura de 1,3 m.
Todas as árvores colhidas durante a etapa inicial do manejo
foram cubadas, excluídas as que, durante o processo, perderam alguma
parte (galhos), as quais poderiam apresentar erros na estimativa. Foi
38
fixada a quantidade aproximada de 200 indivíduos a serem cubados para
o ajuste dos modelos para a floresta (que se refere a estimativa do
número de árvores a serem colhidas na primeira etapa do manejo), e de
30 indivíduos para o ajuste dos modelos específicos. A única espécie
que atingiu o limite foi Hyeronima alchorneoides, por ser dominante na
área, e também de grande interesse dos proprietários. Desta forma todos
os procedimentos descritos a seguir foram realizados tanto para a
floresta, quanto para a espécie.
Em todas as árvores foram realizadas coletas de material
vegetativo, ou fértil quando presente, para a garantia da correta
identificação da espécie. A nomenclatura botânica foi atualizada de
acordo com a Lista de Espécies da Flora do Brasil (2015). Os nomes
populares foram obtidos com o auxílio dos proprietários da floresta ao
longo dos trabalhos de campo, e quando não citados por estes, foram
consultados na Flora Digital do Rio Grande do Sul e Santa Catarina
(GIEHL, 2014).
Os indivíduos amostrados foram divididos em classes
diamétricas com intervalo de 5 cm a fim de se observar a distribuição.
Com os valores finais foram calculados os volumes totais e volumes de
fuste, com e sem casca, para cada árvore, os quais foram utilizados na
etapa de seleção dos modelos, e de obtenção de fatores de forma e de
casca.
4.3 SELEÇÃO DOS MODELOS VOLUMÉTRICOS
Com base nos dados de volume coletados na etapa da cubagem
(volume total e de fuste, ambos com e sem casca), utilizou-se da análise
de regressão para testar seis modelos florestais clássicos de volumetria,
39
e selecionar o modelo mais representativo para a espécie e para o grupo.
Os seis modelos previamente definidos são apresentados na Tabela 1.
Tabela 1. Modelos testados para os ajustes de volume.
Modelos Autores Modelo matemático
1 HUSCH ln(v) = b0 + b1*ln(dap) + ɛ
2 SPURR v = b0 + b1*dap2*h + ɛ
SCHUMACHER-
3 ln(v) = bo+b1*ln(dap)+b2*ln(h) + ɛ
HALL
v = b0 + b1*dap + b2*dap2 +
4 MEYER
b3*dap*h +b4*dap2*h + ɛ
v = b0 + b1*dap2 + b2*dap2*h + b3*h
5 STOATE
+ɛ
v = b0 + b1dap² + b2dap²h + b3dap h²
6 NASLUND
+b4h² + ɛ
ln = Logaritmo natural; v = volume (m3); dap = diâmetro à altura do
peito (cm); h = altura (m); b0, b1, b2, b3, b4 = coeficientes dos modelos;
ɛ = erro aleatório associado ao modelo.
Nos modelos de Schumacher-Hall (linearizado) e Husch, foi
utilizado o fator de Meyer para as correções no recálculo (ou
estimativa), devido a estes modelos apresentarem funções logarítmicas,
ou seja, que são submetidas a conversões (URBANO, 2007). Procedeu-
se também o recálculo dos resíduos, com base nos valores corrigidos
através do Fator de Meyer. O Fator de Meyer foi obtido a partir da
seguinte equação (URBANO, 2007):
Fator de Meyer = e0,5 . QMresíduo
Considerando:
e = 2,718281828;
40
QMresíduo = Quadrado médio do resíduo.
Para a seleção do melhor modelo, foi utilizada inicialmente a
Análise de Variância da regressão, com o objetivo de testar se existem
diferenças significativas entre os coeficientes dos modelos. No caso da
constatação dessa diferença, foi aplicado o teste t de student,
comparando cada valor dos coeficientes à zero (SOARES et al., 2011a).
Após esta etapa, foram analisados os critérios do Coeficiente de
Determinação Ajustado (R2ajustado), o Erro Padrão da Estimativa absoluto
(Syx) e em porcentagem (Syx(%)), o Critério de Informação de Akaike
(AIC) e o Critério de Informação Bayesiano (BIC), seguindo o ranking
sugerido por Bartoszeck (2000). Na etapa seguinte, foi realizada a
análise gráfica dos resíduos em forma porcentual (SILVA; PAULA
NETO, 1979; SOARES et al., 2011a).
O Coeficiente de Determinação (R2) demonstra qual a
porcentagem da variação dos dados em torno da média que esta sendo
representada pelo modelo ajustado, e devido aos modelos testados
apresentarem números diferentes de coeficientes, foi necessário ajustar o
R2 para que as comparações fossem adequadas em função desta
diferença, resultando na seguinte expressão (NETER et al., 1990):
R2ajustado = 1 – (n-1/n-p-1) * (SQresíduo/SQtotal)
Considerando:
R2ajustado = Coeficiente de Determinação Ajustado em função do número
de coeficientes de cada modelo;
n = número de observações;
41
p = número de variáveis independentes do respectivo modelo;
SQresíduo = Soma de Quadrados do Resíduo (ou desvios);
SQtotal = Soma de Quadrados Total.
O Erro Padrão da Estimativa indica o erro médio associado ao
uso da equação, portanto quanto menor for este, melhor será o modelo, o
qual foi obtido da seguinte maneira (SOARES et al., 2011a):
Syx = ± √QMresíduo
Considerando:
Syx = Erro Padrão da Estimativa;
QMresíduo = Quadrado Médio do Resíduo.
Na forma porcentual o Erro Padrão da Estimativa foi obtido
pela equação:
Syx(%) = (Syx/ Ÿ)*100
Sendo:
Syx(%) = Erro Padrão da Estimativa em porcentagem;
Syx = Erro Padrão da Estimativa;
Ÿ = valor médio da variável dependente.
O Critério de Informação de Akaike (AIC) demonstra a
distância geral relativa entre o modelo gerado e o modelo real, sendo,
42
portanto, melhor quanto menor for seu valor (VISMARA, 2009). O AIC
foi obtido através da seguinte equação (VISMARA, 2009):
AIC = -2 ln (mv) + 2 p
Sendo:
mv = valor de máxima verossimilhança apresentada pelo modelo;
p = número de parâmetros do modelo.
O Critério de Informação Bayesiano (BIC) foi desenvolvido de
modo a complementar as deficiências do AIC, sendo, de mesma forma,
melhor quanto menor for o seu valor, (SCHWARZ, 1978) o qual foi
definido como (CARVALHO, 2013):
BIC = -2 ln (mv) + ln(n)*p
Sendo:
mv = valor de máxima verossimilhança apresentada pelo modelo;
p = número de parâmetros do modelo;
n = número de observações.
A análise gráfica dos resíduos, obtidos em função da diferença
entre os valores da variável observada e da estimada, é de grande
relevância, pois possibilita a identificação de problemas como a
heterocedasticidade de variâncias, mesmo em casos onde a equação
demonstre ser precisa (SOARES et al., 2011a). Além disso, permite a
detecção de tendências resultantes do uso do modelo, como
43
subestimações ou superestimações. O mesmo foi calculado de forma
porcentual, de acordo com a seguinte equação:
Res(%) = Vest – Vobs * 100
Vobs
Sendo:
Res(%) = Resíduo porcentual;
Vest = Valor estimado;
Vobs = Valor observado.
4.4 DETERMINAÇÃO DO FATOR DE FORMA
O fator de forma é definido por Finger (1992), como um fator
que reduz o volume do cilindro formado pela área transversal e altura,
para o volume verdadeiro representado através do sólido de revolução,
podendo este fator ser calculado por diversos métodos. De acordo com
Silva e Paula Neto (1979), o fator de forma normal (f1,30) pode ser
obtido através da relação entre o volume rigoroso da árvore, e o volume
calculado considerando a forma de um cilindro (multiplicação da área
basal obtida com o DAP, e altura). A equação utilizada pode ser
resumida da seguinte maneira (SOARES et al., 2011a):
f1,30 = Vrigoroso
Vcilindro
Considerando:
f1,30 = Fator de forma normal;
44
Vrigoroso = Volume obtido a partir da cubagem rigorosa;
Vcilindro = Volume calculado atráves da multiplicação da área basal à
1,30m do solo, e da altura de fuste.
Com base no fator de forma é possível, portanto, realizar
estimativas dos volumes individuais de árvores sem necessidade de
cubá-las. O fator de forma obtido foi em relação ao volume de fuste com
casca. No intuito de se avaliar a eficiência do uso do fator de forma em
relação às estimativas geradas com o uso dos modelos, foi realizada uma
Análise de Variância de fator único, testando se há diferenças
significativas entre o volume real, o volume estimado pelo modelo, e o
volume estimado através do uso do fator de forma (adaptado de JORGE,
1982; SOUZA; JESUS, 1991; e SCOLFORO et al., 1994).
4.5 DETERMINAÇÃO DO FATOR DE CASCA
A determinação da espessura de casca foi realizada nas mesmas
posições determinadas para a cubagem rigorosa, por meio da diferença
entre as medições de diâmetro com casca e a dupla espessura da casca.
O fator de casca médio (K) pode ser facilmente obtido para uma série de
dados a partir da equação (HUSCH et al. 1982):
K = ∑dsc
∑dcc
Considerando:
K = Fator de casca médio;
45
dsc = Diâmetro sem casca;
dcc = Diâmetro com casca.
A partir das derivações desta equação é possível então, obter-se
uma série de informações, como volume sem casca, volume de casca,
espessura de casca, entre outras de grande utilidade no manejo florestal.
O volume sem casca estimado por meio do fator de casca (utilizado no
item 5.7) foi obtido pela seguinte equação:
Vsc = K2 * Vcc
Sendo:
Vsc = Volume sem casca;
Vcc = Volume com casca;
K = Fator de casca.
Similar ao realizado no fator de forma foi elaborada uma
Análise de Variância de fator único, testando se existem diferenças
significativas entre o volume real, o volume estimado pelo modelo, e o
volume estimado através do uso do fator de casca, visando avaliar
possíveis desvios no uso do fator de casca nas estimativas de volume
sem casca (adaptado de JORGE, 1982; SOUZA; JESUS, 1991; e
SCOLFORO et al., 1994).
46
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1 AMOSTRA
Ao total foram amostradas 187 árvores, pertencentes a 40
espécies, as quais estão detalhadas na Tabela 2, com seus respectivos
diâmetros médios. Para Hyeronima alchorneoides, foram amostrados 35
indivíduos, atingindo o número mínimo que possibilitou o ajuste de
modelos específicos. Embora apenas uma espécie tenha seus modelos
ajustados, essa merece destaque por sua grande representatividade na
Floresta Ombrófila Densa do estado (LINGNER et al., 2012), e por
possuir um grande potencial produtivo (SCHUCH, 2010), sendo citada
ainda, como uma espécie relacionada ao uso madeireiro tradicional por
agricultores familiares catarinenses (SIMINSKI, 2011).
Tabela 2. Número de indivíduos amostrados por espécie, com seus
respectivos Diâmetros à Altura do Peito (DAP) médios.
Nome DAP
Espécie Ni
popular médio
Licurana ou
Hyeronima alchorneoides Allemão 35 25,7
Urucurana
Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin Jacatirão 19 26,3
Alchornea triplinervia (Spreng.)
Tanheiro 12 21,6
Müll.Arg.
Allophylus petiolulatus Radlk. Ne 12 9,3
Annona neosericea H.Rainer Cortiça 12 15,4
Clusia criuva Cambess. Figueirinha 7 19,0
Guapira opposita (Vell.) Reitz Maria-mole 7 16,5
Matayba intermedia Radlk. Camboatá 7 18,3
Continua...
47
Continuação Tabela 2.
Miguel-
Cupania oblongifolia Mart. 6 14,5
pintado
Canela-
Nectandra membranacea (Sw.) Griseb. 6 29,0
branca
Bocuva,
Virola bicuhyba (Schott ex Spreng.)
Bicuíva ou 6 26,2
Warb.
Virola
Canela-
Nectandra oppositifolia Nees 5 29,7
garuva
Guaçatonga
Casearia decandra Jacq. ou 4 10,8
Cambroé*
Citharexylum myrianthum Cham. Tucaneira 4 29,7
Miconia cabucu Hoehne Pau-ferro 4 15,2
Myrcia spectabilis DC. Guamirim 4 6,9
Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill. Seca-ligeiro 3 13,2
Alchornea glandulosa Poepp. & Endl. Tanheiro 2 35,0
Pau-ripa ou
Andira fraxinifolia Benth. 2 16,7
Angelim
Bathysa australis (A.St.-Hil.) K.Schum. Macuqueiro 2 8,6
Cambroé,
Guaçatonga
Casearia obliqua Spreng. ou 2 13,6
Carvalhinho
*
Carvalinho,
Chá-de-
Casearia sylvestris Sw. 2 14,2
bugre ou
Varre-forno*
Coussapoa microcarpa (Schott) Rizzini Mata-pau 2 19,5
Fabaceae 1 Pau-urubu 2 22,4
Ficus luschnathiana (Miq.) Miq. Figueira 2 38,0
Myrcia splendens (Sw.) DC. Guamirim 2 16,9
Laranjeira-
Sloanea guianensis (Aubl.) Benth. 2 9,4
do-mato
Continua...
48
Continuação Tabela 2.
Guacá-
Trichilia lepidota Mart. 2 29,2
maciele
Canharana
Cabralea canjerana (Vell.) Mart. 1 39,4
ou Canjerana
Machaerium sp1 Pers. Ne 1 13,4
Magnolia ovata (A.St.-Hil.) Spreng. Baguaçú 1 20,5
Myrcia pubipetala Miq. Guamirim 1 19,5
Protium kleinii Cuatrec. Almecega 1 20,3
Prunus myrtifolia (L.) Urb. Pau-mel 1 31,8
Grandiúva-
Psychotria suterella Müll.Arg. 1 6,5
d'anta
Limoeiro-do-
Seguieria langsdorffii Moq. 1 18,1
mato*
Canemuçu,
Tetrorchidium rubrivenium Poepp. Embirão ou 1 13,4
Peloteira*
Xylopia brasiliensis Spreng. Pau-encrenca 1 26,7
Mamica-de-
Zanthoxylum sp1 L. 1 6,7
cadela
Falsa
Zollernia ilicifolia (Brongn.) Vogel espinheira- 1 8,9
santa
Total 187 20,7
*Nomes populares consultados em Giehl (2014). Ni = Número de
indivíduos; DAP = Diâmetro à Altura do Peito (cm) e Ne = Nome
popular não encontrado.
As árvores amostradas foram agrupadas em classes diamétricas
com intervalo de 5 cm (Figura 2). A distribuição nas classes demonstra
que os dados estão acumulados nas classes inferiores (abaixo de 30 cm
de DAP), sendo possivelmente representativo da floresta em questão, na
qual há o predomínio de indivíduos com dimensões reduzidas, de acordo
49
com os resultados encontrados por Schuch (2010), para a mesma área. É
importante ressaltar que duas árvores não possuíram suas medidas de
espessura de casca mensuradas por problemas no processo, ambas na
primeira classe, desta forma as estatísticas de volume sem casca se
referem a 185 observações.
Figura 2. Distribuição do número de indivíduos amostrados por classe
diamétrica da floresta.
Na Tabela 3 estão detalhadas as estatísticas descritivas, onde se
destaca a grande variabilidade dos dados, em especial no que se refere
aos volumes avaliados. Fato que pode novamente estar refletindo uma
característica da floresta em questão, ou efeitos da amostragem. A
dispersão dos dados em relação ao DAP (Figura 3) evidencia a
50
tendência exponencial que os volumes possuem, tanto para os valores
com casca, como para os sem casca, além do aumento de variação em
direção as classes de maior diâmetro.
51
Tabela 3. Estatísticas descritivas para a floresta.
Vfuste com Vtotal com Vfuste sem Vtotal sem
Estatística DAP Ht Hf Ec
casca casca casca casca
Mínimo 5,3 2,5 1,6 0,25 0,0042 0,0046 0,0045 0,0049
1º Quartil 11,5 12,3 6,0 4,23 0,0628 0,0756 0,0543 0,0619
Mediana 19,1 16,1 8,0 6,00 0,2160 0,2795 0,1907 0,2409
Média 20,7 15,9 8,7 6,49 0,3236 0,5142 0,2834 0,4352
3º Quartil 28,9 19,4 11,0 8,02 0,4594 0,7675 0,3903 0,6663
Máximo 55,7 32,9 19,9 34,30 2,2931 4,4479 2,0944 3,8230
Variância 115,8 26,3 14,6 9,41 0,1369 0,4099 0,1077 0,2941
Desvio padrão 10,8 5,1 3,8 3,07 0,3700 0,6402 0,3281 0,5423
DAP = Diâmetro à Altura do Peito (cm); Ht = Altura Total (m); Hf = Altura de Fuste (m), Ec = Simples espessura de
casca (mm) e V = Volume (m3).
52
Figura 3. Dispersão dos volumes com casca (a) e sem casca (b) da
floresta em função do Diâmetro à Altura do Peito (DAP).
53
A distribuição dos indivíduos de H. alchorneoides em classes
diamétricas (Figura 4), apresenta comportamento diferenciado em
relação à distribuição geral, estando os dados concentrados nas classes
centrais, podendo ser ocasionado pela amostragem, ou devido às
características da própria espécie no local (plantio ou regeneração
conduzida). Schuch (2010), descrevendo a estrutura da espécie na
mesma floresta analisada, obteve uma distribuição similar dos
indivíduos, com valores concentrados nas classes entre 15 e 35 cm de
DAP, denotando que a amostragem possivelmente reflete as
características da população.
Figura 4. Distribuição do número de indivíduos amostrados por classe
diamétrica de H. alchorneoides.
54
Para as estatísticas descritivas (Tabela 4), os dados agrupados
para a espécie possuem menor variação, se comparados aos valores para
a floresta, demonstrando que o agrupamento pode vir a melhorar os
modelos de volume a serem ajustados. A dispersão dos volumes da
espécie em relação ao DAP (Figura 5) apresenta, assim como nos dados
para a floresta, tendência exponencial, tanto para os valores com casca,
como para os sem casca, e também há o aumento da variação em
direção as classes de maior diâmetro.
55
Tabela 4. Estatísticas descritivas para H. alchorneoides.
Vfuste com Vtotal com Vfuste sem Vtotal sem
Estatística DAP Ht Hf Ec
casca casca casca casca
Mínimo 6,2 6,5 4,4 1,29 0,0134 0,0139 0,0087 0,0091
1º Quartil 17,9 16,3 7,2 6,00 0,2237 0,2299 0,1757 0,1803
Mediana 28,3 18,2 9,9 7,76 0,4064 0,7280 0,3435 0,5887
Média 25,7 17,8 9,7 8,16 0,4516 0,7813 0,3832 0,6350
3º Quartil 32,3 20,0 11,6 10,00 0,6346 1,0396 0,5318 0,8348
Máximo 46,9 24,8 17,6 19,25 1,2795 2,6936 1,1176 2,1902
Variância 96,8 17,4 11,1 7,82 0,1111 0,4355 0,0862 0,3009
Desvio padrão 9,8 4,2 3,3 2,80 0,3334 0,6599 0,2936 0,5485
DAP = Diâmetro à Altura do Peito (cm); Ht = Altura Total (m); Hf = Altura de Fuste (m), Ec = Simples espessura de
casca (mm) e V = Volume (m3).
56
Figura 5. Dispersão dos volumes com casca (a) e sem casca (b) d e H.
alchorneoides em função do Diâmetro à Altura do Peito (DAP).
57
De modo resumido, os sortimentos avaliados (Tabela 5)
indicam que a maior parte do volume está contida no fuste, fato
importante quando relacionado ao manejo visando à produção de
madeira serrada. Os galhos, no entanto, ainda representam uma porção
considerável do volume total, sendo importante levar em consideração
essa matéria-prima, que de modo geral, é direcionada para o uso
energético ou abandonada na floresta, sendo uma possível fonte de
madeira, desde que se desenvolvam técnicas e mercados específicos.
Tabela 5. Valores Porcentuais obtidos a partir dos volumes médios
referentes às 187 árvores amostradas (185 para os valores sem casca)
para a floresta, e 35 para H. alchorneoides.
Volume Toco Fuste Galhos Total*
Com casca - Floresta 1,3 % 62,9 % 35,8 % 100%
Sem casca - Floresta 1,4 % 65,1 % 33,5 % 83,7 %
Casca - Floresta 0,7 % 51,7 % 47,6 % 16,3 %
Com casca - H.
1,2 % 57,8 % 41,0 % 100%
alchorneoides
Sem casca - H.
1,4 % 60,4 % 38,3 % 81,3 %
alchorneoides
Casca - H. alchorneoides 0,6 % 46,7 % 52,7 % 18,7 %
* valores porcentuais da linha, em relação ao volume total com casca.
5.2 MODELOS DE VOLUME TOTAL PARA A FLORESTA
Em relação aos critérios para seleção dos modelos (Tabela 6),
de modo geral os valores do Erro Padrão da Estimativa e do Coeficiente
de Determinação Ajustado foram adequados, e muito próximos entre si,
58
comprovando que ambos os modelos apresentaram bons ajustes aos
dados. Diferenças mais evidentes foram obtidas nas avaliações do
Critério de Informação de Akaike e no Critério de Informação
Bayesiano, sendo os Modelos 1 e 3 superiores aos demais. Através do
Ranking geral, os Modelos 1 e 3 foram os melhores para o volume total
com casca, e o Modelo 1 foi o superior para o volume total sem casca,
porém muito próximo ao Modelo 3. Como o Modelo 1 se refere ao de
Husch, e o 3 ao de Schumacher-hall (linearizado), pode-se concluir
previamente que os modelos com a variável transformada (logarítmica),
foram os que melhor se ajustaram aos dados. Para ambos os modelos
destacados, todos os coeficientes foram significativos (Tabela 7). Desta
forma, para que apenas um modelo seja selecionado, foram analisados
os gráficos dos resíduos dos Modelos 1 e 3, tanto para o volume total
com casca (Figura 6), quanto para o sem casca (Figura 7).
59
Tabela 6. Critérios de seleção dos modelos avaliados, em relação ao volume total, com e sem casca, para a floresta.
Syx
Volume Modelo Syx C R2 aj. C AIC C BIC C Rank.
(%)
1 0,1518 29,5 6 0,97 2 16,79 1 26,49 1 10
2 0,1406 27,3 4 0,95 4 -198,35 3 -188,66 3 14
Total com 3 0,1483 28,8 5 0,98 1 -41,24 2 -28,31 2 10
casca 4 0,1276 24,8 2 0,96 3 -232,52 5 -213,13 5 15
5 0,1291 25,1 3 0,96 3 -229,11 4 -212,95 4 14
6 0,1247 24,3 1 0,96 3 -240,89 6 -221,50 6 16
1 0,1141 26,2 6 0,98 1 2,38 1 12,05 1 9
2 0,1102 25,3 4 0,96 3 -287,10 3 -277,44 3 13
Total sem 3 0,1118 25,7 5 0,98 1 -57,04 2 -44,16 2 10
casca 4 0,0990 22,7 2 0,97 2 -323,76 5 -304,44 5 14
5 0,1008 23,2 3 0,97 2 -318,21 4 -302,10 4 13
6 0,0967 22,2 1 0,97 2 -332,61 6 -313,29 6 15
2
Syx = Erro Padrão da Estimativa; R ajustado = Coeficiente de Determinação Ajustado; AIC = Critério de Informação de
Akaike; BIC = Critério de Informação Bayesiano; C = valor referente à classificação de cada modelo no critério
avaliado e Rank. = Somatório da classificação dos critérios de seleção. Em negrito os modelos de destaque.
60
Tabela 7. Coeficientes dos modelos avaliados, em relação ao volume total, com e sem casca, para a floresta.
Volume Modelo b0 b1 b2 b3 b4
1 -9,353161 2,710278 - - -
NS
2 0,010669 0,000047 - - -
Total com 3 -10,045586 2,349493 0,640598 - -
casca NS NS NS
4 0,020121 -0,002416 0,000696 -0,000450 0,000031
NS
5 0,049422 0,000497 0,000030 -0,008108 -
NS NS
6 -0,045741 0,000191 0,000068 -0,000064 0,000680NS
1 -9,495131 2,698192 - - -
NS
2 0,003505 0,000040 - - -
Total sem 3 -10,206982 2,348857 0,634736 - -
casca NS NS NS
4 0,033057 -0,004325 0,000613 -0,000350 0,000027
NS
5 0,049941 0,000382 0,000027 -0,007538 -
NS NS
6 -0,038219 0,000118 0,000060 -0,000055 0,000576
NS
coeficiente não significativo pelo teste t a um nível de probabilidade de 5%. “b0”, “b1”, “b2”, “b3” e “b4” se
referem aos coeficientes dos modelos.
61
Figura 6. Resíduos porcentuais do Modelo 1 - Husch (a) e do Modelo 3
- Schumacher-hall (b) para estimativa do volume total com casca da
floresta em função do Diâmetro à Altura do Peito (DAP).
62
Figura 7. Resíduos porcentuais do Modelo 1 - Husch (a) e do Modelo 3
- Schumacher-hall (b) para estimativa do volume total sem casca da
floresta em função do Diâmetro à Altura do Peito (DAP).
63
A Figura 6 demonstra que tanto no Modelo 1 quanto no 3, a
maioria dos resíduos estão bem distribuídos em relação as classes
diamétricas, estando concentrados entre -40% e 40%. Há uma tendência
de superestimação nas classes de diâmetro inferiores (menores que 30
cm) em ambos os modelos, com resíduos alcançando valores de até
cerca de 120%. No Modelo 1 (Figura 6a) há um número maior de dados
mal distribuídos nas classes inferiores em relação ao Modelo 3 (Figura
6b), sendo portanto o Modelo 3 preferível ao anterior para predizer
valores de volume total com casca para a floresta analisada.
Na Figura 7, um comportamento similar foi observado,
novamente com a maioria dos resíduos distribuídos entre -40% e 40%
em ambos os modelos, e ainda com uma tendência de superestimação
dos valores nas classes de diâmetro inferiores a 30 cm. Porém neste caso
a amplitude foi menor, principalmente no Modelo 3 (Figura 7b), com
poucos valores ultrapassando 60%. Deste modo, o Modelo 3 apresenta
comportamento superior em relação ao 1 (Figura 7a), sendo portanto,
mais eficiente para estimativas de volume total sem casca para o caso
em questão.
Nunes (2013), em um dos poucos trabalhos que relatam
descrições de modelos de volume total com casca (até 5 cm de
diâmetro) para espécies nativas, no caso para Floresta Ombrófila Densa
do estado de São Paulo, obteve também um bom ajuste, com um
Coeficiente de Determinação Ajustado de 0,97, valor próximo ao
encontrado no presente trabalho. No caso de modelos de volume total
sem casca, não foram encontrados trabalhos similares que
possibilitassem comparações.
64
5.3 MODELOS DE VOLUME DE FUSTE PARA A FLORESTA
Em relação ao volume de fuste com casca, os valores de ajustes
foram bons (Tabela 8), demonstrados pelos baixos valores do Erro
Padrão da Estimativa, assim como altos valores do Coeficiente de
Determinação Ajustado. O Modelo 3 destacou-se, apresentando um
baixo valor do Erro Padrão da Estimativa e um alto valor do Coeficiente
de Determinação Ajustado, além de bons valores de AIC e BIC. Para o
volume sem casca os resultados foram muito similares, com bons
ajustes, e novamente com destaque para o Modelo 3, com a mesma
colocação do volume com casca. Todos os coeficientes foram
significativos para o Modelo 3 (Tabela 9), em ambos os volumes. Com
base nestes resultados, procedeu-se as análise gráficas dos resíduos para
o Modelo 3 de volume de fuste com casca (Figura 8), e também do
Modelo 3 para o volume de fuste sem casca (Figura 9).
65
Tabela 8. Critérios de seleção dos modelos avaliados, em relação ao volume de fuste, com e sem casca, para a
floresta.
Syx
Volume Modelo Syx C R2aj. Vp AIC C BIC C Rank.
(%)
1 0,1142 35,3 6 0,95 4 105,62 1 115,31 1 12
2 0,0768 23,7 5 0,96 3 -425,19 3 -415,50 3 14
Fuste com 3 0,0507 15,7 2 0,99 1 -196,64 2 -183,72 2 7
casca 4 0,0527 16,3 3 0,98 2 -563,02 5 -543,64 5 15
5 0,0543 16,8 4 0,98 2 -552,79 4 -536,64 4 14
6 0,0483 14,9 1 0,98 2 -595,48 6 -576,09 6 15
1 0,0959 33,8 6 0,95 3 95,75 1 105,41 1 11
2 0,0728 25,7 5 0,95 3 -440,22 3 -430,56 3 14
Fuste sem 3 0,0468 16,5 2 0,99 1 -166,95 2 -154,06 2 7
casca 4 0,0489 17,3 3 0,98 2 -584,78 5 -565,45 5 15
5 0,0516 18,2 4 0,98 2 -565,55 4 -549,44 4 14
6 0,0445 15,7 1 0,98 2 -619,38 6 -600,06 6 15
Syx = Erro Padrão da Estimativa; R2ajustado = Coeficiente de Determinação Ajustado; AIC = Critério de Informação de
Akaike; BIC = Critério de Informação Bayesiano; C = valor referente à classificação de cada modelo no critério
avaliado e Rank. = Somatório da classificação dos critérios de seleção. Em negrito os modelos de destaque.
66
Tabela 9. Coeficientes dos modelos avaliados, em relação ao volume de fuste, com e sem casca, para a floresta.
Volume Modelo b0 b1 b2 b3 b4
1 -8,839886 2,419584 - - -
2 0,018760 0,000056 - - -
Fuste com 3 -9,285656 2,100113 0,665269 - -
casca NS NS
4 0,043718 -0,008695 0,000467 0,000304 0,000027
NS NS
5 -0,010852 0,000252 0,000037 -0,000647 -
6 -0,018057 0,000118 0,000065 -0,000075 0,000947
1 -9,029642 2,431297 - - -
NS
2 0,011545 0,000049 - - -
Fuste sem 3 -9,504432 2,140098 0,637631 - -
casca NS
4 0,053711 -0,009812 0,000471 0,000259 0,000022
NS NS
5 -0,006918 0,000226 0,000033 -0,001835 -
6 -0,019814 0,000089 0,000061 -0,000077 0,000929
NS
coeficiente não significativo pelo teste t a um nível de probabilidade de 5%. “b0”, “b1”, “b2”, “b3” e “b4” se
referem aos coeficientes dos modelos.
67
O gráfico de resíduos para o Modelo 3 em relação ao volume
com casca (Figura 8), demonstra que de modo geral os resíduos estão
bem distribuídos, entre os valores de -20% e 40%, demonstrando ser
adequado, porém com uma tendência em superestimar os volumes. Para
o volume sem casca (Figura 9), o gráfico de resíduos do Modelo 3
apresentou um comportamento muito similar em relação ao volume com
casca, o que era esperado devido aos valores muito próximos do ajuste
do modelo, demonstrando este também ser adequado para as estimativas
em questão.
Figura 8. Resíduos porcentuais do Modelo 3 (Schumacher-hall) para
estimativa do volume de fuste com casca da floresta em função do
Diâmetro à Altura do Peito (DAP).
68
Figura 9. Resíduos porcentuais do Modelo 3 (Schumacher-hall) para
estimativa do volume de fuste sem casca da floresta em função do
Diâmetro à Altura do Peito (DAP).
Jorge (1982), em pesquisas para Floresta Ombrófila Densa do
Espírito Santo, também obteve o modelo de Schumacher-hall entre os de
melhor ajuste para volume comercial com casca, com valores do
Coeficiente de Determinação Ajustado acima de 0,90, semelhante ao
presente estudo, e Erro Padrão de 12%, inferior ao encontrado neste
trabalho, e com resíduos distribuídos de forma próxima, entre os valores
de -30 e 30%. Chichorro et al. (2003), ajustaram o modelo de
Schumacher-hall para uma floresta secundária deste mesmo tipo
florestal do Espírito Santo, e obtiveram um Coeficiente de
Determinação Ajustado de 0,98.
69
De forma similar, em estudos de Floresta Ombrófila Densa do
Espírito Santo, Souza e Jesus (1991) obtiveram indícios de que o
modelo de Schumacher-hall seria o mais adequado para a floresta
analisada, embora os autores estivessem trabalhando com modelos de
espécies individuais. Da mesma forma, Vibrans et al. (2012b),
encontraram o modelo de Schumacher-hall (adaptado), como sendo o
mais adequado para estimativas de volume de fuste com casca para a
Floresta Ombrófila Densa de Santa Catarina, com um Coeficiente de
Determinação Ajustado de 0,93, e o Erro Padrão de 2,19%. Além dos
trabalhos já apresentados, Silveira (2008), também obteve bons ajustes
para modelos de volume comercial com casca em Floresta Ombrófila
Densa de Santa Catarina, com Coeficiente de Determinação Ajustado de
0,97 e Erro Padrão por volta de 13%, porém com modelo não
logarítmico (Stoate).
Desta forma os bons ajustes obtidos neste trabalho corroboram
com aqueles encontrados na literatura disponível. Esse fato pode ainda
ser um indicativo da qualidade dos modelos de volume de fuste sem
casca, frente à indisponibilidade de literatura para comparações diretas.
5.4 MODELOS DE VOLUME TOTAL PARA H. alchorneoides
Um ponto importante a ser destacado previamente em relação
aos Coeficientes (Tabela 11), é que os Modelos 4, 5 e 6, tanto para
volume com casca como sem casca, apresentaram todos os seus
coeficientes não significativos, demonstrando que estes modelos não se
ajustaram ao conjunto de dados, sendo, portanto, não adequados ao uso
proposto. De modo similar, o Modelo 3 apresentou o coeficiente “b2”
70
não significativo, o que resultaria na mesma forma matemática do
Modelo 1.
Os critérios avaliados para o volume com casca (Tabela 10),
demonstram bons ajustes, sobretudo para os Modelos 1 e 3, com
destaque para os valores do Coeficiente de Determinação Ajustado e do
Erro Padrão da Estimativa. Porém para os valores dos Critérios de
Informação de Akaike e Bayesiano o Modelo 2 apresentou os melhores
valores. Devido aos valores próximos do Ranking final entre os
Modelos 1, 2 e 3, sugere-se que ambos deveriam ser submetidos à
análise gráfica dos resíduos, entretanto o Modelo 3 apresentou o
coeficiente “b2” não significativo (Tabela 11), o que resultaria na
mesma forma matemática do Modelo 1, desta forma prefere-se esse,
levando-se em conta a busca da forma mais simples possível dos
modelos. Para o volume sem casca o comportamento foi similar (Tabela
10), porém com destaques para o Modelos 1, seguido pelo Modelo 3, e
de mesma forma o Modelo 3 apresentou o coeficiente “b2” não
significativo (Tabela 11), sendo, portanto, o Modelo 1 preferível.
71
Tabela 10. Critérios de seleção dos modelos avaliados, em relação ao volume total, com e sem casca, para H.
alchorneoides.
Syx
Volume Modelo Syx C R2aj. C AIC C BIC C Rank.
(%)
1 0,1948 24,9 1 0,98 1 -13,49 5 -8,82 6 13
2 0,2123 27,2 5 0,90 3 -5,20 1 -0,54 1 10
Total com 3 0,2016 25,8 2 0,98 1 -13,96 6 -7,74 5 14
casca 4 0,2012 25,8 2 0,91 2 -6,30 3 3,04 3 10
5 0,2025 25,9 3 0,91 2 -6,70 4 1,08 2 11
6 0,2040 26,1 4 0,90 3 -5,34 2 4,00 4 13
1 0,1543 24,3 1 0,98 1 -11,40 1 -6,73 2 5
2 0,1700 26,8 5 0,90 4 -20,79 3 -16,12 6 18
Total sem 3 0,1607 25,3 3 0,98 1 -12,74 2 -6,52 1 7
casca 4 0,1595 25,1 2 0,92 2 -22,58 6 -13,25 4 14
5 0,1616 25,4 4 0,91 3 -22,51 5 -14,74 5 17
6 0,1615 25,4 4 0,91 3 -21,68 4 -12,34 3 14
Syx = Erro Padrão da Estimativa; R2ajustado = Coeficiente de Determinação Ajustado; AIC = Critério de Informação de
Akaike; BIC = Critério de Informação Bayesiano; C = valor referente à classificação de cada modelo no critério
avaliado e Rank. = Somatório da classificação dos critérios de seleção. Em negrito os modelos de destaque.
72
Tabela 11. Coeficientes dos modelos avaliados, em relação ao volume total, com e sem casca, para H. alchorneoides.
Volume Modelo b0 b1 b2 b3 b4
1 -8,653572 2,510792 - - -
NS
2 -0,012572 0,000052 - - -
NS
Total com 3 -9,168259 2,295308 0,418023 - -
NS NS NS NS
casca 4 0,357845 -0,068873 0,002983 0,001209 -0,000043NS
5 0,135862NS 0,000903NS 0,000021NS -0,019732NS -
NS NS NS NS
6 -0,035748 0,000591 0,000054 -0,000051 0,000165NS
1 -9,133975 2,590031 - - -
NS
2 -0,027545 0,000044 - - -
NS
Total sem 3 -9,745675 2,333930 0,496815 - -
NS NS NS NS
casca 4 0,301416 -0,055254 0,002385 0,000790 -0,000029NS
5 0,142043NS 0,000672NS 0,000021NS -0,019082NS -
NS NS NS NS
6 -0,030486 0,000347 0,000057 -0,000056 0,000272 NS
NS
coeficiente não significativo pelo teste t a um nível de probabilidade de 5%. “b0”, “b1”, “b2”, “b3” e “b4” se
referem aos coeficientes dos modelos.
73
Para verificar tendenciosidades foi realizada a análise gráfica
dos resíduos para os Modelos 1 e 2 em relação ao volume com casca
(Figura 10), e para o Modelo 1 em relação ao volume sem casca (Figura
11).
A análise dos resíduos dos Modelos 1 e 2 para o volume com
casca (Figura 10), indica que o Modelo 1 possui uma distribuição
adequada dos mesmos, com a maioria dos valores entre -20% e 20%,
enquanto o Modelo 2 possui pontos mais discrepantes, com uma
distribuição entre -40% e 40%, com um ponto chegando próximo a
100%, sendo, portanto, o Modelo 1 o mais indicado. Em relação ao
volume sem casca, o gráfico dos resíduos do Modelo 1 (Figura 11)
demonstra uma distribuição homogênea dos mesmos, concentrados
entre -20% e 20%, reafirmando a qualidade do modelo, porém com uma
leve tendência de superestimação dos valores preditos, chegando alguns
pontos próximos a 40%.
Não foram encontradas referências para comparação direta de
modelos de volume total para H. alchorneoides, ou de outras espécies
similares. Entretanto a comparação com as estimativas da floresta (todas
as espécies) leva a concluir que os modelos específicos possuem
comportamento muito semelhante, ambos com modelos logarítmicos,
embora o específico seja de simples entrada (apenas DAP), e com o
mesmo valor do Coeficiente de Determinação Ajustado, porém com
melhores valores do Erro Padrão da Estimativa e distribuição dos
resíduos, tanto para volume com, como para sem casca.
74
Figura 10. Resíduos porcentuais do Modelo 1 - Husch (a) e do Modelo
2 - Schumacher-hall (b) para estimativa do volume total com casca de
H. alchorneoides em função do Diâmetro à Altura do Peito (DAP).
75
Figura 11. Resíduos porcentuais do Modelo 1 (Husch) para estimativa
do volume total sem casca de H. alchorneoides em função do Diâmetro
à Altura do Peito (DAP).
5.5 MODELOS DE VOLUME DE FUSTE PARA H. alchorneoides
Os valores dos critérios avaliados nos modelos (Tabela 12)
demonstram bons ajustes, com resultados muito próximos entre os
modelos com e sem casca. Em relação ao Coeficiente de Determinação
Ajustado se destacaram os Modelos 3, 4, 5 e 6, novamente tanto para o
volume com casca como o sem casca, e de mesma forma se comportou
o Erro Padrão da Estimativa para estes modelos, com valores muito
próximos a 10%. Nos valores de AIC e BIC, porém, se destacaram os
Modelos 1 e 3 (para ambos os volumes).
76
É importante destacar ainda que os resultados referentes aos
coeficientes obtidos (Tabela 13) denotam que os Modelos 2, 4 e 6,
possuem coeficientes não significativos, que caso fossem excluídos,
resultariam na mesma forma matemática, podendo ser, portanto, os
Modelos 4 e 6 redundantes ao Modelo 2. Por estas razões, e devido à
colocação superior no ranking final, o Modelo 3 pode ser considerado
superior em relação aos demais, sendo o selecionado para a análise
gráfica dos resíduos nos dois tipos de volume avaliados (Figuras 12 e
13).
77
Tabela 12. Critérios de seleção dos modelos avaliados, em relação ao volume de fuste, com e sem casca, para H.
alchorneoides.
Syx
Volume Modelo Syx C R2aj. C AIC C BIC C Rank.
(%)
1 0,1161 25,7 5 0,95 4 -0,51 1 4,16 1 11
2 0,0699 15,5 4 0,96 3 -83,03 3 -78,37 3 13
Fuste com 3 0,0462 10,2 3 0,99 1 -46,40 2 -40,18 2 8
casca 4 0,0453 10,0 2 0,98 2 -110,71 4 -101,38 4 12
5 0,0450 10,0 2 0,98 2 -112,00 6 -104,23 6 16
6 0,0446 9,9 1 0,98 2 -111,72 5 -102,39 5 13
1 0,0985 25,7 5 0,96 3 0,43 1 5,10 1 10
2 0,0710 18,5 4 0,94 4 -81,92 3 -77,25 3 14
Fuste sem 3 0,0456 11,9 2 0,99 1 -35,67 2 -29,45 2 7
casca 4 0,0457 11,9 2 0,98 2 -110,07 5 -100,73 4 13
5 0,0464 12,1 3 0,98 2 -109,82 4 -102,04 6 15
6 0,0454 11,8 1 0,98 2 -110,55 6 -101,22 5 14
Syx = Erro Padrão da Estimativa; R2ajustado = Coeficiente de Determinação Ajustado; AIC = Critério de Informação de
Akaike; BIC = Critério de Informação Bayesiano; C = valor referente à classificação de cada modelo no critério
avaliado e Rank. = Somatório da classificação dos critérios de seleção. Em negrito os modelos de destaque.
78
Tabela 13. Coeficientes dos modelos avaliados, em relação ao volume de fuste, com e sem casca, para H.
alchorneoides.
Volume Modelo b0 b1 b2 b3 b4
1 -7,838087 2,115691 - - -
NS
2 0,020976 0,000058 - - -
Fuste com 3 -8,846189 2,053026 0,545081 - -
casca NS NS NS NS
4 0,007039 0,003070 0,000102 -0,000543 0,000057
NS
5 0,033885 0,000172 0,000046 -0,005442 -
NS NS NS
6 0,011716 0,000122 0,000056 -0,000026 0,000027NS
1 -8,410362 2,234814 - - -
NS
2 0,006836 0,000051 - - -
Fuste sem 3 -9,374095 2,174907 0,521091 - -
casca NS NS NS NS
4 0,025838 -0,000216 0,000171 -0,000509 0,000049
NS NS
5 0,020928 0,000171 0,000039 -0,005587 -
NS NS NS
6 -0,004742 0,000096 0,000055 -0,000043 0,000258NS
NS
coeficiente não significativo pelo teste t a um nível de probabilidade de 5%. “b0”, “b1”, “b2”, “b3” e “b4” se
referem aos coeficientes dos modelos.
79
Os gráficos de resíduos apresentam comportamento muito
similar (Figura 12 e 13), com grande parte dos valores entre -10% e
10%, sem tendências evidentes ao longo das classes de diâmetro. Deste
modo, demonstra-se a eficiência dos modelos, evidenciando que o
Modelo 3 é indicado para estimativas de volume de fuste, tanto com
casca quanto sem casca, para H. alchorneoides.
Vibrans et al (2012b), obtiveram modelos específicos para
volume de fuste com casca de H. alchorneoides, chegando também ao
modelo de Schumacher-hall (adaptado) como o mais adequado, com um
valor próximo de Coeficiente de Determinação Ajustado, de 0,97,
porém com um Erro Padrão inferior, equivalente a 1,10%. De forma
similar, porém para outras espécies, Souza e Jesus (1991), obtiveram
resultados satisfatórios para Floresta Ombrófila Densa do Espírito
Santo, com Coeficientes de Determinação ajustado variando de 0,95 a
0,99, e Erros Padrões variando de 5 a 11%, sendo ainda o modelo de
Schumacher-hall o melhor para a maioria das espécies estudadas.
Schuch et al. (2008), para Miconia cinnamomifolia, outra espécie
secundária característica da Floresta Ombrófila Densa de Santa
Catarina, também obteve bom ajuste para modelo de volume comercial
com casca, com um Coeficiente de Determinação de 0,97, porém com
um modelo não logarítmico, assim como Oller (2011), para Tibouchina
pulchra, com Coeficiente de Determinação Ajustado de 0,95.
A proximidade dos resultados obtidos para os ajustes com a
literatura, embora pouco extensa, indica a qualidade do modelo de
volume de fuste com casca encontrado. Ainda se comparado ao modelo
geral obtido (item 5.3), os resultados foram muito próximos, porém com
80
melhores valores do Erro Padrão da Estimativa, e da distribuição dos
resíduos.
Para o volume de fuste sem casca, em comparação com o
modelo para a floresta, os resultados foram similares, com valores
próximos, porém com pouca superioridade do modelo específico em
relação ao Erro Padrão da Estimativa e a distribuição gráfica dos
resíduos.
Figura 12. Resíduos porcentuais do Modelo 3 (Schumacher-hall) para
estimativa do volume de fuste com casca de H. alchorneoides em
função do Diâmetro à Altura do Peito (DAP).
81
Figura 13. Resíduos porcentuais do Modelo 3 (Schumacher-hall) para
estimativa do volume de fuste sem casca de H. alchorneoides em função
do Diâmetro à Altura do Peito (DAP).
5.6 FATOR DE FORMA
Para as espécies agrupadas foi obtido um fator de forma normal
médio (f1,3) de 0,8027 (Desvio padrão = 0,1405), e de 0,7962 (Desvio
padrão = 0,1353) para H. alchorneoides. Os poucos relatos de fatores de
forma para espécies nativas da Mata Atlântica, embora para outras
formações, descrevem um fator de forma de 0,77, para Floresta
Ombrófila Mista do Rio Grande do Sul (em estágio médio e avançado
de regeneração), conforme Borsoi (2005), e de 0,827 para Floresta
Estacional Semidecidual de Minas Gerais, de acordo com Scolforo et al.
(1994). De modo específico para Floresta Ombrófila Densa, em Santa
82
Catarina foi obtido um fator de forma de 0,92 para Miconia
cinnamomifolia (SCHUCH et al., 2008), assim como para o estado do
Espírito Santo, com valores de 0,6293; 0,6137; 0,7027 e 0,6792, para as
espécies Cordia trichotoma (Vell.) Arráb. ex Steud.; Cariniana legalis
(Mart.) Kuntze, Bowdichia virgilioides Kunth e Joannesia princeps
Vell, respectivamente (SOUZA; JESUS, 1991). Além destes, Durlo e
Denardi (2009), em estudos de Cabralea canjerana para Floresta
Estacional Decidual do Rio Grande do Sul, encontraram um valor de
0,84.
Denota-se desta forma, a grande variabilidade dos valores de
fatores de forma para espécies nativas, ressalvas as diferenças nas
metodologias, estando possivelmente os resultados obtidos coerentes
com a realidade.
A Análise de Variância comparativa entre as estimativas
realizadas com o uso do modelo selecionado nos itens 5.3 (para volume
de fuste com casca das espécies agrupadas) e 5.5 (para volume de fuste
com casca de H. alchorneoides), com as estimativas obtidas através do
fator de forma normal, demonstrou não haver diferenças significativas
entre os três volumes comparados para a floresta (Fcalc = 0,17 e p =
0,85), assim como para H. alchorneoides (Fcalc = 0,03 e p = 0,97). Souza
e Jesus também não encontraram diferenças significativas entre
estimativas por meio do fator de forma e dos modelos, assim como
Scolforo et al. (1994).
Foram elaborados ainda os gráficos residuais (Figuras 14 e 15),
para auxiliar na detecção de problemas nas estimativas obtidas por meio
do uso do fator de forma, contrapondo às estimativas por meio dos
modelos. Comparando-se a Figura 14 com a Figura 8 (referente à
83
estimativa pelo modelo), denota-se que o fator de forma possui uma
amplitude maior dos resíduos, entre -40% e 40%, com tendência em
superestimar volumes, chegando a valores mais extremos se comparados
às estimativas através do modelo. Em relação à H. alchorneoides,
comparando-se a Figura 15 com a Figura 12, denota-se uma maior
amplitude nos resíduos dos volumes estimados a partir do fator de
forma, com valores concentrados entre -20% e 20%, com pontos
ultrapassando 40%, com novamente uma tendência a superestimar os
valores.
Portanto, tanto para as espécies agrupadas, como para H.
alchorneoides, as estimativas através dos modelos selecionados se
demonstraram preferíveis em relação às através dos fatores de forma
normal obtidos. Entretanto não se deve descartar o uso do fator de
forma, pois, não foram encontradas diferenças significativas entre as
estimativas e os valores reais, salientando-se a praticidade da aplicação
do uso do fator de forma no cálculo de volumes.
84
Figura 14. Resíduos porcentuais da estimativa do volume de fuste com
casca da floresta a partir do fator de forma normal, em função do
Diâmetro à Altura do Peito (DAP).
85
Figura 15. Resíduos porcentuais da estimativa do volume de fuste com
casca de H. alchorneoides a partir do fator de forma normal, em função
do Diâmetro à Altura do Peito (DAP).
5.7 FATOR DE CASCA
O fator de casca (K) obtido para as espécies agrupadas, em
relação ao volume de fuste, foi de 0,9301, e para H. alchorneoides foi de
0,9212. Os raros relatos em torno do fator de casca de espécies nativas
da Mata Atlântica, são descritos por Schuch et al. (2008), que traz um
valor de 0,91 para Miconia cinnamomifolia, e por Borsoi (2005), com
um fator de casca de 0,9456 para as espécies avaliadas, embora este
última se trate de Floresta Ombrófila Mista do Rio Grande do Sul
(excluindo-se Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze). Apesar de
escassos, os valores comparativos estão próximos, salientando-se que o
86
adequado seria a comparação entre formações florestais similares, e
entre espécies sempre que possível.
De modo semelhante ao realizado com o fator de forma, a
Análise de Variância entre o volume real, o volume estimado pelos
modelos (de acordo com o item 5.3 para a floresta e item 5.5 para H.
alchorneoides), e o volume estimado através do uso do fator de casca
(relacionando o volume real com casca e o fator de casca obtido),
demonstrou não haver diferenças significativas para os volumes das
espécies agrupadas (Fcalc = 0,01 e p = 0,99), assim como para H.
alchorneoides (Fcalc = 0,02 e p = 0,99). Apesar dos resultados,
procedeu-se com a análise gráfica dos resíduos, a fim de se detectar
tendências nas estimativas.
Na Figura 16 denota-se que a maioria dos valores está na faixa
entre -10 e 20%, demonstrando uma pequena tendência em superestimar
os volumes nas classes de diâmetro abaixo de 20 cm, com pontos
ultrapassando 30%. Deste modo, em comparação com a Figura 9, os
resíduos se mostraram mais adequadamente distribuídos em torno dos
valores reais, com menor amplitude, podendo gerar estimativas de
volume de fuste sem casca mais próximas da realidade, sendo, portanto,
o uso do fator de casca o mais adequado.
O gráfico dos resíduos para H. alchorneoides disposto na Figura
17, demonstra tendência em superestimar os valores de volume de fuste
sem casca nas classes inferiores a 20 cm de diâmetro, porém com uma
amplitude reduzida para os demais diâmetros entre -10 e 10%.
Entretanto a Figura 13, apesar de apresentar uma amplitude maior,
demonstra uma distribuição aleatória dos resíduos, sem tendências
evidentes, sendo esta uma característica desejável. Portanto a estimativa
87
a partir do fator de casca para a espécie demonstra ser tendenciosa,
sendo preferível o uso do modelo, principalmente no caso de se utilizar
amplitudes de diâmetros similares aos indicados neste trabalho.
Figura 16. Resíduos porcentuais da estimativa do volume de fuste sem
casca da floresta a partir do fator de casca, em função do Diâmetro à
Altura do Peito (DAP).
88
Figura 17. Resíduos porcentuais da estimativa do volume de fuste sem
casca de H. alchorneoides a partir do fator de casca, em função do
Diâmetro à Altura do Peito (DAP).
5.8 IMPLICAÇÕES PRÁTICAS
Apesar de Santa Catarina ser bem representada nacionalmente
por pesquisas na área florestal, com destaque para as espécies nativas,
fato comprovado por ser o primeiro estado do país a concluir seu
inventário florístico, ainda carece de um setor de extensão florestal,
atualmente suprido por Universidades e instituições não
governamentais. As discussões relacionadas à extensão florestal vêm
evoluindo, através do Grupo de Trabalho de Política Florestal
Catarinense (GT-PEFSC), o qual resultou em um documento referente
89
às “Diretrizes para a Política Florestal Catarinense” (SANTA
CATARINA, 2013).
Visando auxiliar no preenchimento dessa lacuna no estado
entorno das florestas nativas, esse item traz informações simplificadas
sobre os resultados alcançados, em relação à obtenção de volume da
floresta e da espécie abordada individualmente, auxiliando técnicos do
setor florestal, em ambas as esferas, tanto executora quanto
fiscalizadora. É importante salientar que os resultados são provenientes
do local de estudo, com a descrição detalhada no item 4, sendo
indicadas para este. No entanto na ausência de informações similares
para o restante do estado, sobretudo em relação aos modelos de volume
total e de fatores de forma e de casca, os valores podem vir a serem úteis
para as estimativas as quais se propõe.
Na Tabela 14 são apresentados os modelos selecionados para os
diferentes tipos de volume, e na Tabela 15 estão os fatores de forma e de
casca obtidos (foram priorizados os fatores de casca ao quadrado - K2,
pois são os utilizados diretamente nos cálculos dos volumes sem casca).
90
Tabela 14. Resumo dos modelos selecionados para os diferentes tipos de volume estimados, com seus respectivos
Coeficientes de Determinação ajustados.
Estimativa Modelo R2aj
VTCC - Floresta ln(vt) = -10,045586 + 2,349493*ln(dap) + 0,640598*ln(ht) 0,98
VTSC - Floresta ln(vt) = -10,206982 + 2,348857*ln(dap) + 0,634736*ln(ht) 0,98
VFCC – Floresta ln(vf) = -9,285656 + 2,100113*ln(dap) + 0,665269*ln(hf) 0,99
VFSC – Floresta ln(vf) = -9,504432+ 2,140098*ln(dap) + 0,637631*ln(hf) 0,99
VTCC - Licurana ln(vt) = -8,653572+ 2,510792*ln(dap) 0,98
VTSC - Licurana ln(vt) = -9,133975+ 2,590031*ln(dap) 0,98
VFCC – Licurana ln(vf) = -8,846189+ 2,053026*ln(dap) + 0,545081*ln(hf) 0,99
VFSC – Licurana ln(vf) = -9,374095+ 2,174907*ln(dap) + 0,521091*ln(hf) 0,99
3 3
ln = Logaritmo natural; vt = volume total (m ); vf = volume de fuste (m ); dap = diâmetro à altura do peito (cm); ht =
altura total (m); hf = altura de fuste (m); R2aj = Coeficiente de Determinação Ajustado; VTCC = Volume Total Com
Casca; VTSC = Volume Total Sem Casca; VFCC = Volume de Fuste Com Casca e VFSC = Volume de Fuste Sem
Casca.
91
Tabela 15. Resumo dos Fatores de forma normais médios (f1,3) e
Fatores de casca médios ao quadrado (K2) obtidos em relação ao volume
de fuste.
Estimativa Valor
Fator de forma - Floresta 0,8027
Fator de forma - Licurana 0,7962
Fator de casca - Floresta 0,8649
Fator de casca - Licurana 0,8486
92
6 CONCLUSÕES
Com base nos resultados obtidos pelo presente trabalho, foi
possível concluir os seguintes aspectos:
Por meio de análise de regressão obteve-se bons ajustes dos
modelos testados, tanto para estimativas de volume total como de
volume de fuste, ambos avaliados com e sem casca;
Os modelos logarítmicos se mostraram mais adequados aos demais,
em ambos os casos analisados;
Para volume de fuste e total da floresta, assim como para volume de
fuste de H. alchorneoides, o modelo de Schumacher-hall linearizado
(Modelo 3) foi o mais adequado;
Para volume total de H. alchorneoides, o modelo de Husch (Modelo
1) foi o mais adequado;
O fator de forma normal médio (f1,3) obtido para a floresta foi de
0,8027, e para H. alchorneoides foi de 0,7962;
O fator de casca médio (K) obtido para a floresta foi de 0,9301, e de
0,9212 para H. alchorneoides;
As Análises de Variância não apresentaram diferenças significativas
entre as estimativas por meio do uso dos modelos, e as realizadas
com o uso dos fatores de forma e de fatores de casca. Porém os
resíduos demonstraram que as estimativas por meio dos fatores
apresentam tendências em superestimar os valores, sendo preferível
o uso dos modelos, exceto para o fator de casca para a floresta, que
demonstrou um comportamento superior ao modelo;
As equações obtidas podem ser usadas para subsidiar propostas de
manejo de florestas secundárias, da Floresta Ombrófila Densa em
93
Santa Catarina, considerando a alternativa da conservação pelo uso
destas formações.
94
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