Seminário VI
REGRA-MATRIZ DE INCIDÊNCIA – HIPÓTESE
TRIBUTÁRIA
Gabriel Albano Buriola
Questões
1. Que é regra-matriz de incidência tributária? Qual sua funcionalidade
operacional no direito positivo?
O termo ‘regra’ será sinônimo de norma jurídica, pois tratará da interpretação do
intérprete a partir dos textos legislados para a construção da linguagem jurídica. E
será matriz, pois observará um modelo padrão sintático-semântico na produção dessa
linguagem. O termo ‘incidência’ se refere a normas produzidas a serem aplicadas. A
sua funcionalidade será a construção segura de uma norma jurídica padrão de
incidência através de uma hipótese a que se conjuga um mandamento/consequência.
2. Que é hipótese de incidência tributária? Qual sua função na composição
RMIT? Há necessidade de um critério pessoal compor a hipótese da RMIT?
Por quê?
A hipótese de incidência tributária trará a previsão de um fato através de um
descritor que designará o antecedente normativo. Neste, encontrar-se-ão critérios,
aspectos, elementos ou dados identificativos como critério material, espacial e
temporal. Assim, as normas padrões de incidência apresentarão composição sintática,
atrelados aos conteúdos mínimos de significação da hipótese e dos consequentes,
pelos mesmos critérios, construindo a regra matriz de incidência.
Para o ordenamento jurídica é irrelevante os acontecimentos impessoais, visto a
sua referência ser o sistema social, porque a linguagem buscada na referência será a
social e não a individual. Não interessa no núcleo material ações intrassubjetivas ou
autorreferentes, caracterizando que o fato de o verbo ser pessoal dispensa a
necessidade de um critério pessoal.
Portanto, em consonância com a linguagem social, as atividades envolverão os
sujeitos, haja vista o verbo estar no infinitivo certamente sempre alguém terá de
realizar a ação ou encontra-se no estado descrito na hipótese. Salvo algumas
exceções, o direito se interessa em quem vai sofrer os efeitos jurídicos da ação ou
condição descrita, atributo próprio do consequente. Na hipótese de incidência pode até
haver o critério pessoal, mas apenas para complementar a compreensão do sentido
legislado, o que ratifica a desnecessidade de um critério pessoal na composição da
hipótese da RMIT.
3. Que é incidência? Descrever, com suas palavras, a fenomenologia da
incidência tributária, diferenciando, se possível, incidência de aplicação do
direito.
A incidência se refere se refere a normas produzidas para serem aplicadas. Para
que isso ocorra e produza a regra matriz de incidência é necessária a subsunção do
fato (o fato jurídico tributário que foi constituído pela prescrição do direito positivo) se
identifica com a hipótese tributária. Assim, ocorrerá a titularidade do sujeito ativo em
exigir a prestação e a obrigação do sujeito passivo em cumpri-la. Portanto, a
fenomenologia da incidência ocorrerá com a concreção do fato previsto na hipótese,
com as consequências jurídicas prescritas.
Já a incidência de aplicação do direito encontra-se no consequente, aplicado
pelo próprio homem, podendo ser inadequado ou haver algum erro, diferente da
incidência tributária que ocorre mecanicamente quando há a subsunção do fato à
norma, de forma automática.
4. Que é evento? E fato? E fato jurídico? Qual a relação entre fato jurídico e
teoria das provas?
O evento é o acontecimento do mundo fenomênico despido de qualquer
formação linguística, de ordem natural, no mundo da experiência. O fato, por sua vez,
é o relato do evento delimitado no tempo e nos espaço, de ordem natural sendo o
enunciado linguístico sobre as coisas, os acontecimentos, e então o objeto da
experiência sobre o qual se fala. E, por fato jurídico, entende-se o relato do evento em
linguagem jurídica delimitado no tempo e no espaço, constituído em linguagem
competente antecedente a uma norma individual ao caso concreto.
Nesta esteira, a noticia do evento se jurisdicializa por meio do fato alegado,
obrigando o agente competente a realizar o procedimento prescrito pelo sistema
vinculando o fato jurídico com os direitos e deveres correlatados, na ordem jurídica.
Para que se comprove a ocorrência do fato alegado, necessário se fará o recurso
técnico das provas. Isto porque juridicizado o fato alegado, deve-se ser provado, pois
sem as provas o fato não existirá juridicamente. Alem disso, o objeto das provas são o
fatos alegados, afirmando ou negando os eventos, mas nunca estes que são apenas
acontecimentos do mundo da experiência.
5. Por que a expressão “fato gerador” é equívoca? Analisar os arts. 4º; 16, 105,
113, §1º, 114 e 144 do CTN e o AREsp 215273 (vide anexo I), explicando o
sentido em que o termo “fato gerador” foi empregado em cada uma de suas
aparições. (p. 2020)
A expressão ‘fato gerador’ é equivoca pois menciona a previsão legal do fato,
elaboração tipificadamente abstrata, situado no plano das ideias, no plano das
construções normativas gerais e abstratas, como aos enunciados denotativos, os fatos
jurídicos, que ocupam a posição sintática de antecedente das normas individuais e
concretas. Ou seja, há a necessidade da distinção entre o fato abstrato previsto na lei,
quanto ao evento de sua concretude ou a sua ocorrência no mundo dos fenômenos
físicos além do próprio fato jurídico tributário.
O art. 4º, art. 16, 114 do CTN classificam o fato gerador em uma hipótese, pois
em razão da hipótese de incidência ao praticar o ato determinado pela lei é que será
determinada a natureza jurídica do tributo.
Já o art. 105 expõe sobre o evento, pois estabelece um evento futuro a ser
aplicada a legislação tributária.
Por sua vez, o art. 113, §1º e o art. 144 expõem sobre o fato jurídico tributário.
Com a ocorrência do fato gerador surgirá a obrigação principal e sua consequente
obrigação de pagar o tributo, bem como na data da ocorrência do fato gerador é que o
lançamento deverá se reportar.
Em relação ao Resp 215273, o fato gerador foi definido como o próprio fato
jurídico tributário. Ele só incidiu a partir do momento da transcrição da propriedade,
isto é, quando ocorreu o fato jurídico de se transmitir o imóvel com a sua consequente
obrigação de se pagar o tributo de transferência.
6. Diferençar: a data do fato jurídico tributário da data no fato jurídico tributário
(vide anexo II) e, os conceitos de erro de fato e erro de direito.
A data no fato será a ocorrência do evento no mundo fenomênico e a data do fato
será a ocorrência do fato jurídico. Já erro de fato ocorre com falta de provas aos
relatos pronunciados, no plano dos acontecimentos, enquanto erro de direito ocorrerá
na subsunção da norma, quando houver erro entre a subsunção do fato ocorrido com
a norma a ser aplicada ocasionando,no mundo jurídico, então confronto entre a norma
e o fato.
7. Alteração no texto constitucional que acarrete a modificação em algum
aspecto da hipótese de incidência da RIMT (alargamento do critério material,
por exemplo), é suficiente para autorizar a tributação nos novos moldes?
(Vide anexo III).
A alteração no texto constitucional modificando algum aspecto da hipótese de
incidência será suficiente para autorizar a tributação nos novos moldes, haja vista a
Constituição Federal dispor sobre o sistema tributário. A Carta Magna detém
hierarquia normativa superior às demais normas infraconstitucionais devendo estas
estarem em consonância com aquela. Nesse sentido, com a alteração da Constituição
Federal, pode-se autorizar a tributação nos novos moldes, ampliando o critério
material ou outros aspectos da hipótese de incidência.
Ainda, segundo o critério temporal, a Carta Suprema será modificada
posteriormente às demais normas regulamentadoras da matéria, tornando,
consequentemente, inválida as normas anteriores obsoletas.