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Estética E Semiótica Aplicada Ao Design: Aula 4

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ESTÉTICA E SEMIÓTICA

APLICADA AO DESIGN
AULA 4

Prof. Humberto Costa


CONVERSA INICIAL

Os objetos (fenômenos) que percebemos ao nosso redor têm a


capacidade de veicular as mais diferentes mensagens. Os objetos criados pelo
homem são altamente comunicativos, pois há, como pano de fundo, uma
intenção comunicativa.
Quanto maior e melhor é a nossa capacidade de leitura, maiores e
melhores são as nossas percepções. Ora, a leitura não se restringe somente à
atividade de se ler um texto escrito, pois tudo que é passível de sentido pode ser
lido. Assim, lemos um texto, uma pintura, uma fotografia, uma marca, um espaço,
os gestos, as entonações vocais etc.
Vejamos, o nosso desafio de estar no mundo é algo complexo, mas tal
complexidade pode ser minimizada quando desenvolvemos nossa capacidade
de leitura. É nesse ponto que a análise estética pode nos ajudar.

CONTEXTUALIZANDO

Um signo tem propriedades estética, e tais propriedades podem ser


analisadas. A vantagem da análise estética é ampliar o poder de leitura e de
conhecimento. Uma análise, por si só, não pressupõe conhecimento. Todavia,
uma análise nos fornece informações. E estas informações, quando
contextualizadas, transformam-se em conhecimento.
A análise estética tem o poder de ampliar nosso poder de leitura e a nossa
habilidade de elaborar mensagens com maior qualidade comunicativa. Ao
decompor um objeto em suas partes constituintes, estamos lendo tal objeto. A
leitura nos permite entender a arquitetura do objeto lido e compreender seu
modus operandi. O passo seguinte é compreender todo o processo utilizado para
construir tal objeto. Quando nos apropriamos dos conhecimentos que a leitura
analítica nos instrumentalizou, também lapidamos nossa capacidade de elaborar
mensagem mais assertivas no que tange a comunicação.
Por exemplo, compreendendo o que é o equilíbrio de uma forma,
compreendemos também o que é o desequilíbrio. Na sequência, estaremos
aptos a compor uma mensagem que se serve, por exemplo, do desequilíbrio
para falar da importância de equilibrarmos vida afetiva com a vida profissional.

2
A estética deve ser compreendida como algo que vai para além do belo
ou da beleza e de categorizações (belo, feio, harmonioso etc.). A estética nos
sensibiliza para lermos o mundo de forma mais apurada e nos capacita a
pensarmos por nós mesmos.
Nesta aula, primeiramente vamos entender o que é uma análise estética.
A seguir, vamos abordar os elementos da análise estética. Abordaremos
também as principais leis da Gestalt, pois estas leis nos ajudarão na elaboração
de uma análise estética. Terminaremos nossa caminhada com um exercício
analítico. Nosso objetivo, nesta aula, será o de aprendermos a elaborar uma
análise estética de objetos.

TEMA 1 – A ANÁLISE ESTÉTICA

Quando analisamos algo, estamos nos preparando para adquirir um


conhecimento. Uma análise, por si, só, não pressupõe conhecimento, mas
prepara o terreno. Para fazer uma análise, precisamos separar o todo em seus
elementos componentes, visando o estudo pormenorizado de cada parte desse
todo, com o propósito de conhecer sua natureza, suas funções, relações, causas
etc. É certo que há análise de todos os tipos, mas cada uma tem seu próprio
modus operandi. A análise estética é um tipo de análise que nos ajuda a
conhecer um objeto e no campo do design, é uma das mais proeminentes.
Não há uma definição universalmente aceita de objeto (Létoumeau,
2011). Para os nossos propósitos aqui, vamos considerar um objeto:

1) Quando o elemento é móvel e independente, não tendo necessariamente


um limite de volume ou de tamanho;
2) Quando o elemento é o resultado da intervenção humana;
3) Quando o elemento possui uso e uma função.

Seguindo nessa direção, um objeto pode ser um cartaz, uma fotografia,


um smartphone, um carro, um filme, um comercial etc. Em suma, se o fenômeno
que nos deparamos é capaz de representar uma outra coisa e é capaz de
produzir um efeito interpretativo, então estamos diante de algo (de um signo) que
pode ser analisado esteticamente.
É importante termos em mente que um objeto é o vestígio e o reflexo da
atividade humana, portanto, é um fenômeno social. Também, um objeto é

3
portador de sentidos, representações, alusões e simbolismos que contam muito
acerca da cultura material e espiritual das comunidades humanas onde estava
inserido (Létoumeau, 2011). O objeto “não é simplesmente para fazer, mas para
representar. Ele é, continuamente, um objeto-memória. Possui papéis e poderes.
Está investido de valores, de uma moral, de uma estética, de uma capacidade
comunicacional nunca definitivas” (Létoumeau, 2011, p. 145).
Nesse momento, nos interessa analisar um objeto pelo seu viés estético
e vamos considerar seu plano material e formal. Na sequência, quando
efetuarmos uma análise semiótica, trataremos do plano simbólico. A análise
estética nos preparará para a análise semiótica.

TEMA 2 – OS ELEMENTOS DA ANÁLISE ESTÉTICA

A análise estética volta-se para os elementos da forma:

• Elementos visuais: aqueles que vemos;


• Elementos conceituais: aqueles que imaginamos;
• Elementos relacionais: como os elementos interagem entre si.

Os elementos visuais são: cor, configuração real, textura e configuração


esquemática. Os elementos conceituais são elementos percebidos, mas que são
apenas imaginados: ponto, linha, volume e plano. Já os elementos relacionais
são: direção ou orientação, posição, espaço e gravidade.
Para que o resultado de uma análise estética seja satisfatório e para que
possa fornecer os subsídios para alavancar o conhecimento, devemos nos
debruçar com afinco na decomposição desses elementos. Assim, uma boa
análise demanda tempo, foco, propósito e determinação.

Figura 1 – Elementos da forma: visuais, conceituais e relacionais

4
O resultado dessa análise é fornecer os elementos que nos ajudarão a
compreender os fatores organizacionais da forma e de seus princípios. A
vantagem de compreender tais fatores é que melhoramos nossa capacidade de
leitura da forma e, por consequência, seremos capazes de criar elementos
comunicacionais mais aprimorados e que cumprirão seus propósitos de forma
adequada e assertiva.

TEMA 3 – ANÁLISE ESTÉTICA: OS ELEMENTOS VISUAIS

Para que possamos perceber uma forma, é fundamental a presença de


diferenças no campo visual. Tais diferenças acontecem por variações de
estímulos visuais, em função dos contrastes, que podem ser de diferentes tipos,
dos elementos que configuram um determinado objeto (Gomes Filho, 2002).
Como visto, os elementos visuais são: cor, configuração real, textura e a
configuração esquemática. A forma diz respeito aos limites exteriores da matéria
de que é constituído algo e que confere a este uma configuração.
Acerca das cores, um assunto amplo e complexo, nos interessa, nesse
momento, colocar que se trata de uma informação visual, cuja causa é um
estímulo físico. Tal informação visual é recebida pelos olhos e é decodificada
pelo cérebro.
A cor possui três parâmetros básicos:

1) Matiz: característica única que nos ajuda a diferenciar visualmente uma


cor da outra;
2) Saturação: se refere à pureza da cor;
3) Brilho: refere-se ao quanto a cor é clara ou escura.

Em termos de temperatura, as cores podem ser classificadas em quentes


ou frias (vide Figura 2).

Figura 2 – Os três parâmetros básicos da cor e temperatura da cor

5
O ser humano responde emocionalmente às cores. Nas culturas
ocidentais, há uma certa correlação entre cor e resposta emocional. Por
exemplo: o vermelho evoca perigo, alerta, excitação, paixão, sexo etc. O azul
evoca masculinidade, frieza, calma, confiança, estabilidade etc. O branco evoca
pureza, honestidade, frieza etc. O laranja é emocional, positivo, jovem etc. O
preto é denso, sério, representa a morte, a autoridade, a estabilidade e o poder.
O rosa é feminino, cálido, jovem etc. O verde é reconfortante, positivo e
representa a natureza e a esperança.
A configuração real de objetos diz respeito aos limites reais traduzidos
pelos pontos, linhas, planos, volumes ou massas. É a representação obtida por
meio de fotografia ou de ilustração, por exemplo. Ainda, pode ser representado
por outros meios, tais como um monumento, uma escultura ou um produto e
outros, em que o objeto é identificado e reconhecido (Gomes Filho, 2002).

Figura 3 – A configuração real da Estátua da Liberdade

Crédito: Maxx-Studio/Shutterstock.

A textura diz respeito ao conjunto de características que determina uma


superfície e pode ser visual ou tátil. Como exemplo de adjetivos que usamos
para descrever uma textura, citamos lisa, áspera, irregular etc.

6
Figura 4 – Exemplo de textura áspera

Crédito: R-studio/Shutterstock.

A configuração esquemática diz respeito as formas materiais que são


percebidas, mas que dificilmente coincidem com elas. Em outras palavras, é
quando o esqueleto estrutural pode ser incorporado por uma grande variedade
de formas. Assim, uma configuração esquemática nem sempre é percebida
como a forma de uma coisa particularmente conhecida. As configurações
esquemáticas são representadas por meio de desenhos, pinturas, gravuras,
fotografia e outros, só que por intermédio de mancha, sombra, traço, linha de
contorno, silhueta, chapado etc. Pode contemplar o objeto totalmente ou suas
partes (Gomes Filho, 2002).

Figura 5 – Configuração esquemática de uma bicicleta

Crédito: Jagoda/Shutterstock.

7
Na Figura 5, podemos perceber a forma (esqueleto estrutural) de uma
bicicleta, em função dos contrastes de forma e de cor.
Como mencionado anteriormente, os elementos conceituais são
elementos percebidos, mas que são apenas imaginados. São eles: ponto, linha,
plano e volume. O ponto é a unidade mais simples da comunicação visual. Sua
forma arredondada é a formulação mais corrente. Ele é singular e não possui
extensão. O ponto tem grande força de atração sobre o olhar, tanto de forma
natural ou quando produzido com o intuito de alcançar algum propósito. Na
análise estética, o ponto pode ser considerado como qualquer elemento que
funcione como forte centro de atração visual dentro de uma estrutura do objeto.

Figura 6 – O ponto como elemento de atração visual

1 2 3

Crédito: Bess Hamitii; PARVEEN9634; HstrongART/Shutterstock.

Nas imagens 1 e 2, podemos notar que o sol e a pupila negra do olho


constituem o principal ponto central de atração visual das imagens. Ambos os
pontos são representados pela sua forma perfeitamente esférica. Na imagem 1,
os ramos da árvore também podem ser exemplo de pontos. Já na imagem 3,
vemos como o ponto foi usado como elemento de atração visual no objeto
liquidificador. Note que o botão seletor de velocidade, um ponto esférico, ocupa
o centro de atração, seguido pelo botão de liga/desliga.
Vejamos também que o ponto é usado como unidade de medida de
qualidade de uma imagem. O DPI (pontos por polegada) é um exemplo. Quanto
maior a quantidade de pontos por polegadas, melhor a resolução de uma
imagem (e vice-versa).
A linha é definida como uma sucessão de pontos. Quando dois pontos
estão tão próximos entre si, que não podem reconhecer-se individualmente,
aumenta-se a sensação de direcionamento, e a cadeia de pontos se converte
em outro elemento visual distinto: a linha.

8
A linha é definida como uma sucessão de pontos e conforma, contorna e
delimita objetos. Note que quando dois pontos estão próximos entre si, de forma
que não podem reconhecer-se individualmente, percebe-se o aumento na
sensação de direcionamento. A linha também define estilos e qualifica partidos
formais como linhas modernas, linhas geométricas, linhas aerodinâmicas, linhas
orgânicas e outros (Gomes Filho, 2002).

Figura 7 – Sucessões de linhas orgânicas para compor um desenho

Crédito: Helen Lane/Shutterstock.

Na Figura 7, vemos que sucessões de linhas orgânicas foram usadas para


compor um desenho no estilo art nouveau. Na imagem da direita, as linhas
formam diversos elementos que juntos formam o todo. Quando adicionado cores
(imagem da esquerda), a composição ganha em vivacidade.

Figura 8 – Linhas sugerem movimento

Crédito: Everett - Art/Shutterstock.

9
Se olharmos para a ponte presente na Figura 8 (uma pintura de Claude
Monet), vemos que as linhas formam toda a sua estrutura e conferem leveza e
sugerem calma e elevação.
O volume se expressa por projeção nas três dimensões do espaço (é a
trajetória de um plano que se move e é limitado por planos). Ele também diz
respeito a um efeito que pode ser criado por meio de artifícios, como no desenho
ou na fotografia, sobre superfície plana. Ainda, podemos obter a sensação de
volume com a utilização de luz, de brilho, de sombra, de textura etc., ou com o
uso (ou não) da perspectiva linear. Note que em se tratando de representações
bidimensionais, o volume não existe, sendo apenas ilusão.

Figura 9 – O volume

Fonte: Pixabay.

O volume pictórico presente na Figura 9 é resultante do uso de linhas,


sombras, brilhos e cores e tais elementos dão a sensação de volume.
O plano é a sucessão de linhas. No âmbito da geometria, o plano tem
apenas duas dimensões: comprimento e largura. Todavia, no espaço, não
podemos expressar um plano sem espessura. A diferença entre um plano e um
sólido é relativa e dependente do contexto. Também há outro conceito: o plano
enquanto superfície. Por exemplo: fachadas de edifícios e de interiores (piso,
parede etc.); de ruas e estradas e correlatos (Gomes Filho, 2002).
Aqui iremos considerar dois conceitos:

1) Se o comprimento e a largura predominarem com respeito à espessura


(por exemplo: tampos de mesas ou folhas de papel), podemos considerar
a forma como um plano;

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2) O plano quando existente apenas como superfície de qualquer objeto.

Figura 10 – O plano

Crédito: View Apart/Shutterstock.

Na Figura 10, as placas de sinalização representam os planos, assim


como as fachadas dos edifícios (dentro do conceito de superfície: plano
contínuo). As janelas e portas, por exemplo, também são outros planos.
Para efeito da análise estética, os elementos relacionais são a direção ou
orientação, a posição, o espaço e a gravidade. Ressalta-se que tais elementos
não esgotam o assunto, mas nos auxiliam no exercício de uma análise estética.
Acerca da direção, esta pode ser equilibrada pelo movimento em direção
a um centro de atração e diz respeito à relação entre os eixos (diagonal,
ortogonal, em curva, por exemplo). Também pode indicar o sentido do
movimento das forças visuais ou de um ponto de atração qualquer. Na Figura
11, observamos diferentes objetos em que predominam diferentes direções.

11
Figura 11 – A direção

A posição diz respeito ao local, ao posicionamento do objeto no espaço.


Por exemplo: acima, abaixo, à esquerda, à direita etc. Com relação ao espaço,
este se refere à extensão ocupada pela forma no suporte. A forma pode deixar
muitas ou poucas áreas vazias no espaço (vide Figura 12).

Figura 12 – Posição e espaço

Note que na imagem A, os quadrados estão bem distribuídos pelo espaço.


Na imagem B, não há boa distribuição no espaço, e podemos dizer que o
quadrado está acima do círculo, à sua esquerda (ou o círculo abaixo do
quadrado, à sua direita).
A gravidade diz respeito à inércia visual da forma. Também se refere ao
peso e ao equilíbrio/desequilíbrio aparentes. No caso do equilíbrio, temos
formulações visuais iguais; e no caso do desequilíbrio, o contrário. Na Figura 13,
vemos a noção do desequilíbrio sendo usado para passar uma mensagem
importante: a necessidade de equilibrarmos nossa rotina diária, visando cuidar
da saúde. A gravidade faz com que o trabalho esteja pesando mais no que tange

12
o cuidado com a saúde. Na verdade, o designer poderia, servir-se da noção de
gravidade, usando uma balança, para passar diferentes mensagens.

Figura 13 – O (des)equilíbrio

Crédito: Iconic Bestiary/Shutterstock.

TEMA 4 – ANÁLISE ESTÉTICA: AS LEIS DA GESTALT

A Gestalt mostra como os elementos perceptíveis de um objeto são


transformados num todo (Gestalt) no processo de percepção e define as leis que
contribuem para a organização da forma (Gomes Filho, 2000; Costa, 2017).
São sete as leis da Gestalt que podemos usar na análise estética de um
objeto (Gomes Filho, 2002):

• Pregnância;
• Fechamento;
• Proximidade;
• Segregação;
• Semelhança;
• Continuidade;
• Unificação.

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A pregnância é a lei básica da Gestalt. Diz respeito à qualidade que
determina a facilidade com que percebemos as figuras, sendo que percebemos
mais facilmente as formas simples, regulares, simétricas e equilibradas (Costa,
2017). Na Figura 14, a imagem da esquerda tem baixa pregnância devido à
complexidade da forma, que se traduz em excesso de unidades compositivas.
Já a imagem da direita é de alta pregnância e baixa complexidade.

Figura 14 – Exemplo de pregnância da forma

Crédito: HiSunnySky; optimus23/Shutterstock.

Com o fechamento, podemos conseguir a sensação de fechamento visual


da forma. Duas são as características básicas do fechamento: formas
interrompidas e preenchimento visual de lacunas. A marca WWF constitui um
bom exemplo de uso adequado do fechamento. Outro exemplo seria a parte
imagética da marca Carrefour.

Figura 15 – Exemplo de fechamento

Crédito: Kametaro; rafapress/Shutterstock.

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Com relação à proximidade, podemos dizer que elementos próximos
tendem a ser agrupados visualmente: unidade de dentro do todo. Em outras
palavras, a relação que forma o um mostra que os elementos são relacionados
entre si de alguma maneira (Costa, 2017). Na Figura 16, vemos um belo exemplo
de proximidade formando uma bela composição.

Figura 16 – Exemplo de proximidade

Crédito: Ken Schulze/Shutterstock.

A segregação se refere à capacidade perceptiva de identificar, separar,


evidenciar ou destacar unidades formais em um todo compositivo ou em partes
deste todo. É possível segregar uma ou mais unidades, dependendo da
desigualdade dos estímulos produzidos pelo campo visual (em função de forças
de um ou mais tipos de contrastes de outro). É possível elaborar a segregação
por diversos meios: pontos, planos, linhas, cores, volumes, sombras, brilhos,
texturas etc. Para efeito de análise, podemos, ainda, estabelecer níveis de
segregação, como exemplo: identificando-se apenas as unidades principais de
um todo mais complexo, desde que seja suficiente para o objetivo desejado de
análise e/ou interpretação da forma do objeto (Costa, 2017). Na Figura 17,
podemos segregar como unidades principais: o veículo, a pista, a linha contínua
na pista, as montanhas ao fundo e, com relação ao carro, a carroceria, os faróis,
o retrovisor, os pneus, o para-brisas, a janela etc.

15
Figura 17 – Exemplo de segregação

Crédito: Piyawat Nandeenopparit/Shutterstock.

Acerca da semelhança, podemos dizer que elementos da mesma cor e


forma tendem a ser agrupados e a constituírem unidades. Estímulos mais
próximos e semelhantes possuem a tendência de serem mais agrupados.

Figura 18 – Exemplo de semelhança e de unificação

Crédito: Aleksandar Cholanchevski/Shutterstock.

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Já a continuação se refere à impressão visual de como as partes se
sucedem através do arranjo perceptivo da forma, de modo coerente (vide a
Figura 18, que também é um bom exemplo de continuação). Também diz
respeito à tendência de os elementos seguirem um ao outro, de tal maneira que
possibilita a boa continuidade de elementos como: linhas, pontos, planos, cores,
volumes etc. (Gomes Filho, 2002).
Quando um elemento se encerra nele mesmo e/ou vários elementos
podem ser percebidos como um todo, temos a ação da unificação.

Figura 19 – Uma representação dos símbolo yin-yang como exemplo de


unificação

Crédito: Oligo22/Shutterstock.

TEMA 5 – EXERCITANDO A ANÁLISE ESTÉTICA

Tomemos a Figura 20 e vamos efetuar uma análise estética. Vamos


utilizar, na medida do possível, os elementos que foram estudados. Lembre-se:
não existe uma análise correta, mas sim, uma análise adequada a partir de
determinados conceitos (aqueles que aqui foram abordados). Primeiramente,
analise toda a imagem em seus pormenores, decompondo-a em seus elementos
constituintes. Somente depois de uma boa leitura, comece a tecer a análise.

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Depois de concluída a análise, descanse por um tempo e retome a leitura. Veja
se a sua análise se sustenta.

Figura 20 – Imagem para análise

Fonte: Pixabay.

Na imagem presente na Figura 20, temos um pedaço de madeira, que


ocupa a diagonal inferior, um gancho preto perpendicular à madeira e uma linha
azulada (ou arame?) que perpassa o gancho preto, formando outra linha
diagonal. Há também um fundo borrado. Há o predomínio de cores frias, com
saturação e brilho em escala mediana. A configuração real dos elementos deixa-
os evidentes (estaca de madeira, gancho, linha). Acerca da textura visual,
podemos perceber superfícies ásperas e lisas. O gancho preto é o ponto que
mais chama a atenção na imagem, especialmente pela sua posição no espaço
e o contraste utilizado.
Na mesma imagem, vemos três linhas diagonais proeminentes (madeira,
gancho preto e linha azulada). Se entendermos o plano de fundo em sua
diagonalidade, então teremos cinco linhas diagonais. A atração visual fica por
conta do objeto preto, que detêm o maior peso visual por causa da cor e do
contraste com os demais elementos. Também é ele que equilibra a imagem,
especialmente se considerarmos o fio que passa por ele. Podemos identificar
três planos: fundo, plano diagonal (gancho e da estaca) e outro plano diagonal
formado pela linha azulada.
A imagem sugere movimentos rápidos, decorrentes das linhas retas que
perpassam a imagem e que é reforçado pelo volume bem-definido dos

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elementos. Também podemos identificar que os elementos apontam para
diferentes direções, mas o ponto negro na imagem (o gancho) detém a força.
A imagem, de forma geral, apresenta alta pregnância, pois há um arranjo
de proximidade entre os elementos. Embora o fundo esteja borrado, este em
nada atrapalha a pregnância. Podemos segregar os elementos facilmente, mas
a organização espacial deste contribui para uma unidade harmônica.
Por fim, cabe colocar que a imagem evoca uma ideia de avanço com
segurança, agilidade e responsabilidade. Isso é conseguido usando a boa
organização dos elementos. A centralidade que captura o olhar (esquematizada
pelo ganho preto) faz com que leiamos a imagem de forma suave e com relativa
facilidade, sem que percamos no percurso de leitura.

TROCANDO IDEIAS

Para reter o conhecimento adquirido nesta aula, vamos exemplificar as


leis da Gestalt. Para tanto, seria interessante que você coletasse exemplos de
cartazes, marcas e produtos em que há o predomínio e que possa exemplificar
cada uma das leis da Gestalt. Vimos que a marca do Carrefour é um bom
exemplo da lei do fechamento.
Mais uma vez, compare seu trabalho com os trabalhos dos colegas via
fórum on-line e a partir dessa atividade interativa e se for necessário, reelabore
as suas respostas. Em caso de dúvida, questione os seus colegas e, caso
persista alguma dúvida, recorra ao tutor.

NA PRÁTICA

Nesta atividade, vamos colocar em prática os conhecimentos adquiridos.


Você deve efetuar uma análise de cada um dos elementos abaixo e identificar o
que se pede.

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Crédito: Marco Rosales/Shutterstock.

Qual é o princípio visual Qual é o princípio A imagem acima


mais forte na imagem relacional mais forte na apresenta volume?
acima? imagem acima?

Crédito: David Zydd/Shutterstock.

Analisando a imagem acima, seria correto dizer que ela é um exemplo de


predomínio de continuidade? Justifique a resposta.

FINALIZANDO

Nesta aula, ampliamos nossa compreensão da mecânica de


funcionamento da semiótica. Ao tomarmos conhecimento de como os elementos
do signo funcionam, é certo que ampliamos nossa capacidade de leitura, bem
como nossa capacidade de elaborar mensagens mais assertivas.
Ao internalizarmos o processo de semiose, ou seja, de ação do signo,
entendemos o motivo pelo qual cada tipo de signo serve para trazer à mente,
objetos de espécies diferentes daqueles revelados por outro tipo de signo. Isso
maximiza nosso poder de comunicação.
A boa comunicação é uma qualidade cada vez mais requerida em dias
atuais. Assim, devemos investir consideravelmente em ações que visam
melhorar a nossa capacidade comunicativa.

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REFERÊNCIAS

COSTA, H. Da Educação Estésica à Educação Estética em Curso Superior


de Design. 195f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do
Paraná, Curitiba, 2017.

GOMES FILHO, J. Gestalt do objeto: sistema de leitura visual da forma. São


Paulo: Escrituras, 2002.

LÉTOUMEAU, J. Ferramentas para o pesquisador iniciante. Trad. Ivone C.


Benedetti. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.

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