Reforço Estrutural com FRP: Estudo e Análise
Reforço Estrutural com FRP: Estudo e Análise
2009
Ao saudoso Avô Gaspar, que certamente ficaria muito feliz por ver este
trabalho concluído.
resumo Nos dias de hoje, os engenheiros estão cada vez mais à procura de novos
materiais que permitam prolongar a vida das estruturas existentes permitindo,
ao mesmo tempo, a concepção e construção de novas estruturas duradouras.
Os polímeros reforçados com fibras (FRP’s – Fiber Reinforced Polymer) são
uma nova classe de materiais leves, de alta resistência, não corrosíveis e com
inúmeras vantagens em relação aos materiais convencionais para aplicação
na área estrutural. Assim, dada a grande importância destes novos materiais e
a necessidade de criar códigos que permitam o controlo da sua aplicação, na
presente dissertação estudaram-se os documentos propostos pela fib, pelo
ACI e pelo CNR. Numa primeira fase fez-se uma pesquisa bibliográfica sobre
os produtos (materiais), técnicas e soluções de reforço estrutural e controlo de
qualidade do reforço com FRP’s, fazendo-se para cada um destes pontos uma
confrontação das recomendações, normas e guidelines existentes a fim de
saber qual o grau de abordagem de cada uma acerca dos mesmos.
Por fim, para uma viga teórica fez-se uma análise paramétrica variando o
momento reduzido da secção, o número de camadas de reforço e a sua
disposição de aplicação no elemento a fim de perceber qual a sensibilidade e
as modificações resultantes para cada um dos documentos aplicados. Desta
análise pode-se concluir que o reforço é mais eficaz quando aplicado a par,
sendo as soluções obtidas pelo documento da fib as mais viáveis.
keywords ACI, adhesive, beam, bending moment, CNR, column, confinement, document,
fabric, fib, flexural, FRP system, laminate, slab, shear, sheet, strengthening,
structure.
abstract Nowadays engineers are increasingly looking for new materials that permit
extend the life of existing structures while at the same time, permit the
conception and construction of new durable structures. The fiber reinforced
polymers (FRP’s) are a new class of lightweight, high strength, non corrosive
and with numerous advantages over conventional materials for application in
the structural area. Thus, given the importance of these new materials and the
need to create codes that allow the monitoring of its implementation, in this
dissertation we studied the documents proposed by the fib, the ACI and the
CNR. In a first step, we was done a bibliographic research about the products
(materials), structural reinforcement techniques and solutions and quality
control of FRP’s reinforcements, making up for each of these points a
comparison of existents recommendations, standards and guidelines in order to
know the degree of approach of each one about them.
Finally, for an theoretical beam we was don an parametric analysis varying the
reduced moment of the section, the number of reinforcement layers and their
application disposal in the element to find out the sensibility and the resulting
changes for each one of applied documents. From this analysis we can
conclude that the strengthening is most effective when applied together and the
solutions obtained by the fib document are the most viable.
“Quando todos pensam o mesmo
é sinal que ninguém pensa muito.”
Walter Lippmann
Índice
2.3. Comentário sobre a abordagem das diferentes normas em relação aos materiais .... 12
IX
Reforço de estruturas com FRP’s
3.2. Comentário sobre a abordagem das diferentes normas em relação aos sistemas FRP19
X
Índice
6.2. Apresentação do modelo teórico da viga para reforço à flexão e ao corte ............... 43
XI
Reforço de estruturas com FRP’s
6.5. Apresentação do modelo teórico do pilar para reforço à flexão e confinamento ......91
XII
Índice
XIII
Índice de figuras
Capítulo 2
Figura 2.1: Componentes básicos que formam um compósito FRP (adaptado de ISIS,
2006a). ....................................................................................................................... 5
Figura 2.2: Resina epoxi (adaptado de Megalooikonomou, 2007)........................................ 8
Figura 2.3: Ordem de aplicação dos materiais poliméricos (adaptado de BASF, 2007). ...... 9
Figura 2.4: Comportamento à tracção de fibras e outros materiais (adaptado de ACI 440R-
96, 2002). ................................................................................................................. 10
Capítulo 3
Figura 3.1: Possíveis orientações das fibras (adaptado de Marques, 2008). ....................... 15
Figura 3.2: Exemplos de sistemas FRP pré-fabricados (adaptado de Changzhou, 2008;
Cruz e Barros, 2002; Fonseca, 2007; Sika, 2003, respectivamente). ...................... 17
Capítulo 4
Figura 4.1: Reforço de lajes à flexão (a) - adaptado de BASF, (2007); b) - adaptado de
Juvandes e Costa, (2002); c) - adaptado de Motavalli, (2008)). .............................. 22
Figura 4.2: a) - Comportamento de uma viga com reforço e sem reforço à flexão (adaptado
de BASF, 2007); b) - Reforço de vigas à flexão e ao corte (adaptado de BASF,
2007); c) - Sistema NSM (adaptado de Szabó e Balázs, 2007). ............................. 23
Figura 4.3: a) - Comportamento de uma viga com reforço e sem reforço ao corte (adaptado
de BASF, 2007); b) - Reforço ao corte (adaptado de Juvandes e Costa, 2002); c) -
Reforço ao corte e à flexão (adaptado de Juvandes e Costa, 2002). ....................... 23
Figura 4.4: Diferentes formas de reforço ao corte com FRP's (adaptado de CNR, 2004). . 24
XV
Reforço de estruturas com FRP’s
Capítulo 5
Figura 5.1: Inspecção acústica com martelo (adaptado de ISIS, 2006e). ............................ 36
Figura 5.2: Ensaio pull-off (adaptado de ISIS, 2006e). ....................................................... 37
Capítulo 6
XVI
Índice
Figura 6.17: Pormenor das armaduras do pilar: a) - Zona das vigas; b) - Zona da fundação.
................................................................................................................................. 92
Figura 6.18: Pressão de confinamento exercida pelo FRP e características da secção
(adaptado de fib, 2001). ........................................................................................... 95
Figura 6.19: Geometria e propriedades da secção confinada (adaptado de CNR, 2004). . 101
Figura 6.20: Referencial usado nos cálculos. .................................................................... 103
Capítulo 7
Figura 7.1: Disposição dos laminados: a) Dois laminados sobrepostos; b) Dois laminados a
par. ......................................................................................................................... 110
Figura 7.2: Rácio entre o momento flector resistente após o reforço e antes do reforço para
os documentos em análise, tendo em conta a variação do momento reduzido e do
número de camadas de reforço. ............................................................................. 111
Figura 7.3: Rácio entre o momento flector resistente após o reforço e antes do reforço para
os documentos em análise – representação por momento reduzido. ..................... 115
Figura 7.4: Rácio entre o momento flector resistente após o reforço e antes do reforço para
os documentos em análise – representação por momento reduzido. Camadas
sobrepostas v.s. Camadas a par. ............................................................................. 117
XVII
Índice de tabelas
Capítulo 2
Tabela 2.1: Comparação das propriedades típicas dos adesivos epoxi, betão e aço macio
(adaptado de fib, 2001). ............................................................................................. 8
Tabela 2.2: Tipos de fibras e suas propriedades (adaptado de ACI 440.2R-02, 2002;
Fonseca 2005). ......................................................................................................... 12
Capítulo 3
Tabela 3.1: Descrição dos produtos usados nos sistemas FRP curados in-situ (adaptado de
Juvandes e Costa, 2002). ......................................................................................... 16
Tabela 3.2: Propriedades de algumas mantas /tecidos de FRP comerciais. ........................ 17
Tabela 3.3: Propriedades de algumas resinas para aplicação das mantas e tecidos acima
referidos. .................................................................................................................. 17
Tabela 3.4: Propriedades dos laminados CFRP comerciais. ............................................... 18
Tabela 3.5: Principais características da resina epoxi de colagem – A.R.1. ....................... 18
Tabela 3.6: Principais características da resina epoxi de colagem – B.R.1. ........................ 18
Tabela 3.7: Principais características da resina epoxi de colagem – C.R.1. ........................ 19
Capítulo 5
Tabela 5.1: Checklist básica para controlo e garantia de qualidade (adaptado de ISIS,
2006e). ..................................................................................................................... 29
Capítulo 6
XIX
Reforço de estruturas com FRP’s
Tabela 6.3: Factor de redução ambiental, CE, para os diferentes tipos de FRP (adaptado de
ACI 440.2R-02, 2002). ............................................................................................ 63
Tabela 6.4: Factor correctivo η1 para o FRP devido aos efeitos a longo prazo (adaptado de
CNR, 2004).............................................................................................................. 71
Tabela 6.5: Coeficientes de segurança parciais para os sistemas e produtos FRP (adaptado
de CNR, 2004). ........................................................................................................ 73
Tabela 6.6: Momentos flectores actuantes em ULS na viga a reforçar............................... 75
Tabela 6.7: Características principais do sistema laminado de CFRP. ............................... 75
Tabela 6.8: Estado inicial da viga. ...................................................................................... 76
Tabela 6.9: Soluções de reforço FRP obtida em ULS......................................................... 76
Tabela 6.10: Comprimento de colagem do reforço FRP. .................................................... 77
Tabela 6.11: Resultados obtidos para a limitação das tensões em SLS. ............................. 78
Tabela 6.12: Resultados obtidos para o controlo da deformação em SLS. ......................... 80
Tabela 6.13:Resultados obtidos para o controlo da fendilhação em SLS ........................... 81
Tabela 6.14: Factor de redução de resistência associado ao reforço FRP (adaptado de
ACI 440.2R-02, 2002). ............................................................................................ 86
Tabela 6.15: Esforço transverso actuante em ULS na viga a reforçar. ............................... 89
Tabela 6.16: Características principais da manta de CFRP. ............................................... 89
Tabela 6.17: Resistência da secção ao esforço transverso antes do reforço. ...................... 90
Tabela 6.18: Capacidade resistente da secção após o reforço. ............................................ 90
Tabela 6.19: Expoente a (adaptado de CEN, 2004). ......................................................... 102
Tabela 6.20: Esforços actuantes de cálculo. ...................................................................... 104
Tabela 6.21: Esforços resistentes de cálculo da secção. ................................................... 104
Tabela 6.22: Resistência de cálculo do betão confinado à compressão. ........................... 104
Tabela 6.23: Esforços resistentes de cálculo da secção confinada. ................................... 105
Tabela 6.24: Características principais do sistema laminado de CFRP. ........................... 105
Tabela 6.25: Esforços resistentes de cálculo da secção confinada e reforçada à flexão. .. 106
Capítulo 7
XX
Lista de acrónimos
XXI
Lista de símbolos
Desenvolvimento da tese
Letras maiúsculas latinas
Ac - Área da secção de betão
As - Área de aço das armaduras longitudinais
MEdz/y - Momento de cálculo em relação ao eixo considerado, incluindo um momento de
segunda ordem
MRd - Momento flector resistente da secção antes do reforço
M'Rd - Momento flector resistente da secção após o reforço
MRdz/y - Momento resistente na direcção considerada
Mrd0 - Valor de cálculo do momento flector resistente do elemento não reforçado
MSd - Momento flector actuante
Msdf - Valor de cálculo do momento flector actuante na secção crítica reforçada em
ULS
Mx - Momento flector na direcção x
My - Momento flector na direcção y
N - Esforço axial
NEd - Valor de cálculo do esforço axial
NRd - Esforço axial resistente da do elemento
R - Grau de reforço
Tg - Glass Transition Temperatura/Temperatura de transição vítrea
Wk - Valor característico da largura das fendas
Letras gregas
α - Flecha
ε - Extensão
μ - Momento reduzido da secção
ζ - Tensão
ζcc - Tensão de compressão no betão em serviço
ζst - Tensão de tracção no aço em serviço
xx xx
xx xx
XXIII
Reforço de estruturas com FRP’s
Documento da fib
Letras maiúsculas latinas
Af - Área da secção transversal do reforço FRP
Ag - Área da secção transversal de betão
As - Área de aço da armadura longitudinal
As1 - Área de aço da armadura longitudinal inferior
As2 - Área de aço da armadura longitudinal superior
Ecm - Módulo de elasticidade secante do betão
Ef - Módulo de elasticidade de cálculo do FRP
Efk - Valor característico do módulo de elasticidade do FRP
Efu - Valor último do módulo de elasticidade do FRP
Ej - Módulo de elasticidade do encamisamento FRP
Es - Módulo de elasticidade do aço
Esec,u - Módulo de elasticidade secante último do betão confinado
I02 - Momento de inércia da secção homogeneizada fendilhada antes do reforço
I1 - Momento de inércia da secção não fendilhada em SLS
I2 - Momento de inércia da secção fendilhada em SLS
Kconf - Rigidez do confinamento FRP
L - Distância a partir do apoio onde se efectua a dispensa do FRP
M0 - Momento flector para as cargas em serviço antes do reforço
Ma - Momento flector actuante na secção de dispensa do reforço
Mcr - Momento de fendilhação
Mk - Momento flector actuante em SLS para a combinação de acções adequada
MRd - Valor de cálculo do momento flector resistente
MSd - Valor de cálculo do momento flector actuante
Nfa - Valor de cálculo da força de tracção máxima suportada pelo FRP
Nfa,max - Força máxima de tracção suportada pelo FRP para o comprimento de
ancoragem máximo
N'fa,max - Força máxima de tracção suportada pelo FRP para um comprimento de
ancoragem inferior ao máximo
Nrk - Esforço axial na secção devido ao binário de forças
Psd - Carregamento inicial no elemento
XXIV
Simbologia
XXV
Reforço de estruturas com FRP’s
Letras gregas
α - Factor de redução da tensão de aderência devido à influência de possíveis
fendas
αe - Ângulo que a direcção principal das fibras faz em relação ao eixo do elemento
XXVI
Simbologia
XXVII
Reforço de estruturas com FRP’s
Documento do ACI
Letras maiúsculas latinas
CE - Factor de redução ambiental
Af - Área da secção transversal do reforço FRP
Ag - Área da secção transversal de betão
As - Área de aço da armadura longitudinal inferior
Ast - Área de aço da armadura longitudinal
Ec - Módulo de elasticidade do betão
XXVIII
Simbologia
XXIX
Reforço de estruturas com FRP’s
fs - Tensão no aço
fs,s - Tensão no aço para cargas em serviço (SLS)
fy - Tensão de cedência do aço
h - Altura da secção
k - Coeficiente que multiplicado pela altura útil da secção dá uma aproximação da
profundidade do eixo neutro
k1 - Coeficiente de modificação - influência do betão
k2 - Coeficiente de modificação - influência da configuração do reforço
ka - Factor de eficiência do reforço FRP
km - Factor de redução de resistência a aplicar à extensão máxima de cálculo do FRP
kv - Coeficiente de redução de colagem
l - Comprimento do elemento
lb - Comprimento de colagem
n - Número de camadas de reforço FRP
r - Raio dos cantos da secção
sf - Distância entre os pontos médios de dois reforços consecutivos
tf - Espessura do reforço FRP
wf - Largura da tira de reforço
Letras gregas
α - Ângulo que a direcção principal das fibras faz em relação ao eixo do elemento
β1 - Coeficiente que permite simular a distribuição não linear de tensões na secção
γ - Coeficiente que permite simular a distribuição não linear de tensões na secção
δ - Flecha a curto prazo
ε*fu - Valor característico da extensão máxima do FRP
εbi - Extensão na fibra mais afastada à tracção para cargas em serviço antes do
reforço
εfe - Extensão efectiva no FRP
εfu - Valor de cálculo da extensão máxima do FRP
εs - Extensão na armadura ordinária inferior
εsy - Extensão de cedência da armadura ordinária
λΔ - Flecha a longo prazo
XXX
Simbologia
Documento do CNR
Letras maiúsculas latinas
Ac - Área da secção de betão
Af - Área da secção transversal do reforço FRP
Ag - Área da secção de betão
As - Área de aço da armadura longitudinal
CE - Factor de redução ambiental
Ef - Valor característico do módulo de elasticidade do FRP
Efib - Valor característico do módulo de elasticidade de uma fibra
I0 - Momento de inércia da secção antes do reforço
I1 - Momento de inércia da secção após o reforço
M0 - Momento flector actuante antes do reforço
MRd - Momento flector resistente de cálculo
NRcc,d - Capacidade axial do elemento
Nsd - Esforço axial de cálculo
VRd - Esforço transverso resistente
VRd,ct - Contribuição do betão para o esforço transverso resistente
VRd,f - Contribuição do reforço FRP para o esforço transverso resistente
VRd,max - Esforço transverso resistente máximo
VRd,s - Contribuição do aço para o esforço transverso resistente
VSd - Esforço transverso actuante
Xd - Valor de cálculo de determinada propriedade
Xk - Valor característico de determinada propriedade
ΔM1 - Acréscimo de momento flector após o reforço
xx xx
XXXI
Reforço de estruturas com FRP’s
XXXII
Simbologia
XXXIII
Reforço de estruturas com FRP’s
ξ - Critério de ductilidade
ξlim - Limite máximo do critério de ductilidade
ρf - Proporção geométrica de reforço
ρfib - Densidade das fibras
ζf - Tensão no sistema FRP em serviço
XXXIV
Capítulo 1.
Introdução, Motivação, Objectivos e Estratégia
1.1. Introdução
Nos dias de hoje os engenheiros estão, cada vez mais, à procura de novos materiais que
permitam prolongar a vida das estruturas existentes permitindo, ao mesmo tempo, a
concepção e construção de novas estruturas duradouras. Os polímeros reforçados com
fibras (FRP’s – Fiber Reinforced Polymer) são uma nova classe de materiais leves, de alta
resistência, não corrosíveis e com inúmeras vantagens em relação aos materiais
convencionais que surgiu, há cerca de 15 anos, como solução para aplicação na área
estrutural.
1
Reforço de estruturas com FRP’s
Normas e Guidelines
Documentos técnicos
O trabalho desenvolvido nesta dissertação centrou-se nas propostas da fib (fib, 2001), do
ACI (ACI 440.2R-02, 2002) e do CNR (CNR, 2004).
2
Introdução, Motivação, Objectivos e Estratégia
1.2. Motivação
A reabilitação e reforço de estruturas é cada vez mais uma realidade e uma prioridade, pelo
que o desenvolvimento de novos materiais e técnicas tem cada vez mais importância.
Assim, o recurso aos materiais compósitos é cada vez mais frequente, tornando-se
necessário normalizar os produtos e sistemas existentes, e criar processos de cálculo
adequados para que se consigam resultados positivos.
1.3. Objectivos
1.4. Estratégia
Nesta dissertação estudaram-se os documentos propostos pela fib, pelo ACI e pelo CNR.
Numa primeira fase, capítulos 2 a 5, fez-se uma pesquisa bibliográfica sobre os produtos
(materiais), técnicas e soluções de reforço estrutural e, por fim, controlo de qualidade do
reforço com FRP’s, fazendo-se para cada um destes pontos uma confrontação das
recomendações, normas e guidelines existentes a fim de saber qual o grau de abordagem de
cada uma acerca dos mesmos. Numa fase seguinte, capítulo 6, aplicou-se cada uma das
3
Reforço de estruturas com FRP’s
metodologias de cálculo propostas pelos documentos analisados a uma viga teórica com
necessidades de reforço à flexão e ao corte devido a um aumento de esforços provocado
pelo aumento da sobrecarga em quatro vezes.
Quanto ao pilar teórico, a sua necessidade de reforço surgiu devido a não ter sido calculado
ao sismo. Este foi sujeito a um espectro de resposta de um sismo, de onde foi possível
obter os dados que conduziram ao seu reforço.
Por fim, no capítulo 7, para uma viga teórica em condições idênticas às da viga teórica
estudada, fez-se variar o momento reduzido da secção, o número de camadas de reforço e a
sua disposição de aplicação no elemento a fim de perceber qual a sensibilidade e as
modificações resultantes para cada um dos documentos aplicados.
4
Capítulo 2.
Materiais de reforço FRP
Os sistemas FRP são constituídos por materiais (produtos) que possuem propriedades
físicas e mecânicas diferentes entre si, surgindo a necessidade de criar métodos e normas
que regulem e normalizem os materiais e sistemas disponíveis.
A selecção dos materiais para o reforço é um processo complexo pois todos os sistemas
são únicos, sendo as fibras e a resina concebidas para trabalhar em conjunto. Apenas os
sistemas testados e aplicados em larga escala no reforço de estruturas de betão devem ser
utilizados (fib, 2001).
Os compósitos FRP são constituídos por fibras de alta resistência embebidas numa matriz
polimérica, podendo-se combinar as propriedades de ambos de forma a atender as
necessidades de aplicação. As propriedades do compósito FRP dependem das propriedades
dos diferentes constituintes, devendo-se analisar as propriedades das fibras e da matriz, em
separado, e só depois analisar as propriedades do compósito FRP como um todo.
Figura 2.1: Componentes básicos que formam um compósito FRP (adaptado de ISIS, 2006a).
5
Reforço de estruturas com FRP’s
A matriz tem grande influência nas propriedades mecânicas do compósito, tais como na
rigidez, nas propriedades transversais e nas propriedades em compressão. Uma selecção
correcta da matriz para um sistema compósito deve ter em atenção as características físicas
e químicas da mesma, sendo importante que o material desta possua uma baixa densidade,
geralmente menor que a da fibra, de tal forma que o peso geral do compósito seja
minimizado (fib, 2001; ISIS, 2006a).
As resinas de poliésteres, de vinil e de epoxi são as mais usadas nas matrizes poliméricas
com fibras de reforço de alta performance. São polímeros termoendurecíveis com boa
trabalhabilidade e boa resistência química.
6
Materiais de reforço FRP
As resinas de vinil são muitas vezes identificadas como uma classe de poliésteres por causa
dos seus processos de transformação serem similares. Estas resinas são resistentes aos
ácidos fortes e álcalis, têm uma reduzida absorção de humidade e retracção em comparação
com o poliéster, baixa viscosidade e baixo tempo de cura. As resinas de vinil são um pouco
mais caras que os poliésteres, apresentam uma retracção volumétrica entre 5-10% e uma
capacidade resistente de colagem moderada quando comparadas com as resinas epoxi
(Fonseca, 2005; Mallick, 1993).
2.1.1. Adesivos
Os adesivos são usados para colar os sistemas FRP laminados pré-curados à face do betão,
permitindo a transferência de tensões tangenciais entre as faces do betão e o laminado
(ACI 440.2R-02, 2002). O adesivo mais comummente usado é o epoxi, que é o resultado
de uma mistura de resina epoxi (polímero) com um endurecedor, podendo ou não conter
outros aditivos.
Quando se utilizam adesivos epoxídicos há dois conceitos que precisam ser tomados
em consideração, o Pot-life e o Open-time. Pot-life representa o tempo durante o qual se
pode trabalhar com o adesivo depois de misturada a resina com o endurecedor, e antes de
este começar a endurecer dentro do recipiente; para estes adesivos, o pot-life pode variar
entre alguns segundos até vários anos. Open-time é o tempo que o adesivo, após colocado
em cada superfície, tem à disposição antes de ser colado/unido. Os fabricantes não
especificam o open-time das resinas pois assumem que estas são utilizadas num espaço de
tempo próximo da abertura.
7
Reforço de estruturas com FRP’s
sólido, elástico ou como vidro para materiais com características similares à borracha, e
que ocorre para temperaturas entre 85-340ºC para os diferentes polímeros (Mallick, 1993).
Algumas vantagens dos adesivos epoxídicos usados na Engenharia Civil são (fib, 2001):
As propriedades típicas dos adesivos epoxi de cura a frio usados nas aplicações de
engenharia civil podem ser encontradas na Tabela 2.1.
Tabela 2.1: Comparação das propriedades típicas dos adesivos epoxi, betão e aço macio
(adaptado de fib, 2001).
Propriedades (a 20ºC) Adesivo epoxi de cura a frio Betão Aço macio
3
Densidade (kg/m ) 1100 – 1700 2350 7800
Módulo de Young (GPa) 0,5 – 0,2 25 – 45 200 - 210
Módulo de distorção (GPa) 0,2 – 8 0,2 0,3
Coeficiente de Poisson 0,3 – 0,4 0,2 0,3
Resistência à tracção (MPa) 9 – 30 1–5 200 - 600
Resistência ao corte (MPa) 10 – 30 2–5 200 - 600
Resistência à compressão (MPa) 55 – 110 25 – 150 200 - 600
Deformação na rotura por tracção (%) 0.5 – 5 0,015 25
Energia de rotura aproximada (Jm-2) 200 – 1000 100 105 - 106
Coeficiente de expansão térmica (10-6/ºC) 25 -100 11 – 13 10 - 15
Temperatura de transição vítrea (ºC) 45 – 80 - -
O primário geralmente é constituído por um epoxi claro de baixa viscosidade e alto teor de
sólidos, que é usado para penetrar na superfície do betão proporcionando uma melhor
8
Materiais de reforço FRP
adesão de colagem à resina de saturação ou adesivo. A superfície deve ser limpa para
remover os vestígios de nata de cimento, impurezas e gorduras (ACI 440.2R-02, 2002).
A massa de epoxi niveladora é usada para preencher espaços vazios, furos, fissuras e
irregularidades de planeza de forma a proporcionar uma superfície lisa onde se possa colar
o FRP e para evitar a formação de bolhas durante a cura da resina de saturação
(ACI 440.2R-02, 2002).
Figura 2.3: Ordem de aplicação dos materiais poliméricos (adaptado de BASF, 2007).
9
Reforço de estruturas com FRP’s
2.2. Fibras
As fibras são o principal constituinte num sistema compósito de FRP. Ocupam grande
parte do volume, partilham grande parte da carga que actua na estrutura do compósito e são
as responsáveis pela resistência e rigidez dos compósitos. É importante uma selecção
correcta do tipo, quantidade e orientação das fibras pois influenciam as seguintes
características de um compósito laminado (Mallick, 1993):
a) Peso específico;
b) Resistência e módulo de elasticidade à tracção/compressão;
c) Resistência à fadiga e os mecanismos de rotura por fadiga;
d) Custo.
As fibras mais comummente usadas nos sistemas FRP para aplicação em engenharia civil
são fibras contínuas de vidro (G), aramida (A) (Kevlar (K)) e carbono (C). A adequação
das várias fibras às aplicações em específico depende da necessidade de resistência, de
rigidez, das considerações de durabilidade, do custo e da disponibilidade de componentes e
materiais (ISIS, 2006a). A Figura 2.4 mostra o comportamento à tracção de vários tipos de
fibras.
(MPa) S-Vidro
Carbono
HS Aramida
Aramida IM
3000 HM
AH-Vidro
Carbono
HM E-Vidro
2000
Aço pré-esforçado
1000
Betão armado
1 2 3 4 5 (%)
Figura 2.4: Comportamento à tracção de fibras e outros materiais (adaptado de ACI 440R-96, 2002).
10
Materiais de reforço FRP
As fibras de vidro (G) são produzidas por um processo chamado fusão directa onde as
fibras, com um diâmetro de 3 a 25 microns, são formadas por um processo rápido e
contínuo de extracção por fusão do vidro (Mallick, 1993). As principais vantagens são a
resistência à temperatura, transparência, isotropia de expansão térmica, boa aderência às
matrizes poliméricas, boa resistência química e boa razão características mecânicas/preço.
Existem várias categorias de fibras de vidro mas as mais comuns são as E-glass e as
S-Glass, sendo estas últimas mais caras mas mais resistentes. Como principais limitações
apresenta grande susceptibilidade a danos da superfície e características mecânicas
específicas inferiores às dos outros tipos de fibras, especialmente em termos de módulo de
elasticidade (Fonseca, 2005).
As fibras de vidro são muitas vezes escolhidas para aplicações que tolerem aumentos de
massa (os FRP’s de vidro são mais pesados que os de carbono ou aramida) e que tolerem
grandes desvios (devido às extensões) resultantes do seu baixo módulo elástico
(ISIS, 2006a).
As fibras de aramida (A) (Kevlar (K)) são produzidas a partir de um composto sintético
chamado poliamida aromática por um processo de extrusão e fiação. A rigidez pode variar
de 83GPa a 186GPa consoante sejam fibras de baixo módulo ou fibras de elevado módulo,
respectivamente. As fibras de aramida são caracterizadas pela elevada resistência
específica em tracção, excelente resistência ao choque, vibrações e desgaste, módulo de
elasticidade moderado, baixa densidade e bom comportamento ao fogo. Em contrapartida,
possuem baixa resistência à compressão e às tensões tangenciais, devido às propriedades
anisotrópicas das fibras, à sensibilidade aos raios ultravioleta (UV), à má resistência
química aos ácidos fortes concentrados e à elevada absorção de humidade
(Fonseca, 2005; ISIS, 2006a).
As fibras de carbono (C) são produzidas por um processo chamado pirólise controlada,
onde as fibras resultantes podem ter propriedades que variam largamente e, por isso,
11
Reforço de estruturas com FRP’s
As principais vantagens das fibras de carbono são o seu alto módulo de elasticidade,
excelentes características mecânicas em tracção e compressão, baixa densidade, boa
estabilidade dimensional (coeficiente de expansão térmica baixo) e boa resistência térmica,
química e aos agentes ambientais. Estas fibras são ideais para aplicação em estruturas
sensíveis ao aumento de peso ou deformações (ISIS, 2006a). As desvantagens que
apresentam são a sensibilidade ao choque, fraca resistência à abrasão, corrosão do tipo
galvânico quando em contacto com metais e ataque pelo oxigénio do ar a temperaturas
superiores a 400ºC (Fonseca, 2005)
Tabela 2.2: Tipos de fibras e suas propriedades (adaptado de ACI 440.2R-02, 2002; Fonseca 2005).
Módulo de Resistência última Tensão de Densidade
Tipo de fibra
elasticidade (GPa) (MPa) rotura (%) (g/cm3)
Carbono
Normal 220-235 <3790 >1,2 1,90
Alta resistência 220-235 3790-4825 >1,4 1,90
Ultra alta resistência 220-235 4825-6200 >1,5 1,90
Alto módulo 345-515 >3100 >0,5 2,00
Ultra alto módulo 515-690 >2410 >0,2 2,15
Vidro
69-72 1860-2685 >4,5 2,60
E-Vidro
86-90 3445-4825 >5,4 2,48
S-Vidro
Aramida
69-83 3445-4135 >2,5 1,44
Normal
110-124 3445-4135 >1,6 1,47
Alta performance
Após a análise da norma “Externally bonded FRP reinforcement for RC structures” da fib,
“Guide for the design and construction of externally bonded FRP systems for strengthening
12
Materiais de reforço FRP
A norma da fib, no capítulo 2, faz referência aos materiais usados no reforço com FRP’s.
Menciona os adesivos dando uma noção da sua função e das características de que depende
o seu bom desempenho. Esta apenas aprofunda com mais detalhe o adesivo epoxi, dado ser
o mais comumente usado. Introduz os conceitos de pot-life, open-time e temperatura de
transição vítrea (glass transition temperature) que são muito importantes. Em relação à
matriz, faz um enquadramento sintético e claro das suas características, funções e tipos.
Refere também, quais os tipos de materiais existentes para as matrizes e especifica o mais
usado. Esta norma não faz referência à utilização e não especifica nada sobre primers,
puttie fillers, resinas de saturação e revestimentos protectores. Em relação às fibras, faz
uma descrição sintética dos tipos de fibras existentes e algumas das suas características.
Apresenta um quadro resumo com as propriedades típicas das fibras.
A guideline do ACI é um pouco vaga em relação aos materiais. Foca pontos que as outras
duas publicações não focam mas fá-lo de uma forma muito superficial. Esta guideline faz
referência a vários tipos de resina mas não detalha nenhum deles. No entanto, indica as
características que as resinas devem possuir. Em relação à matriz, nada é dito. Existe uma
ligeira mistura do conceito de matriz com o conceito de resina, sendo os tipos de matrizes e
suas propriedades mencionados nas resinas. A alusão feita aos primers, putty fillers,
adesivos de saturação e revestimentos protectores é também muito superficial, baseando-se
na transmissão da sua simples existência. Quanto às fibras, apenas são referidos os tipos de
fibras existentes e suas propriedades, em anexo à norma, na forma de quadro resumo.
13
Reforço de estruturas com FRP’s
14
Capítulo 3.
Sistemas e produtos FRP
Na abordagem dos sistemas e produtos FRP importa perceber qual a diferença entre ambos
os conceitos. Define-se produto como sendo um elemento produzido para a reparação e o
sistema como sendo a mistura de um ou mais produtos ou a utilização consecutiva de dois
ou mais produtos. Como exemplo, no caso dos compósitos FRP, o laminado e o adesivo
(ou a manta e a resina de impregnação) são os produtos, ao passo que o sistema é o
compósito obtido peça ligação do laminado com o adesivo (ou da ligação da manta com a
resina) (Azevedo, 2008).
Existem diferentes sistemas de reforço com FRP por colagem exterior (FRP-EBR) que
podem ser divididos, de uma forma geral, em sistemas curados in-situ (wet-lay-up e
prepreg) e sistemas pré-fabricados ou pré-curados (pre-cured) (fib, 2001). A configuração
geométrica e espacial e a disposição das fibras permitem ainda classificar estes sistemas
segundo três grupos: unidireccionais (1D), bidireccionais (2D) e multidireccionais (3D)
(ACI 440R-96, 2002; Juvandes e Costa, 2002).
15
Reforço de estruturas com FRP’s
Nos sistemas FRP curados in-situ – wet-lay-up, a matriz e as fibras são fornecidas em
separado e o processo de fabrico do compósito FRP (matriz + fibras) é efectuado na zona
de aplicação do sistema. Os sistemas curados in-situ são classificados, em termos da
direcção que as fibras apresentam, em mantas (fibras dispostas unidireccionalmente) e
tecidos (fibras dispostas em várias direcções), como se pode ver na Tabela 3.1
(Barros, 2004).
Tabela 3.1: Descrição dos produtos usados nos sistemas FRP curados in-situ
(adaptado de Juvandes e Costa, 2002).
Orientação das
Designação Descrição Estado
fibras
Disposição de faixas contínuas e paralelas
Mantas
de fibras sobre uma rede de protecção. Unidireccionais Secas
“sheets”
(200 – 300 g/m2)
Bidireccionais:
Entrelaçamento direccionado de dois fios
“Woven 0/+90º Pré-
ou faixa de fibras.
roving”* 0/+45º impregnadas**
(600 – 800 g/m2)
0/-45º
Espalhamento aleatório das fibras num
Multidireccional
Tecidos “Mat”* tapete rolante que, depois, é pulverizado Secos
“fabrics” com resina para adquirir consistência.
Unidireccional
Fios contínuos tecidos por um processo ou
Pré-
“Cloth”* têxtil convencional. Bidireccional
impregnados**
(150 – 400 g/m2) ou
Multidireccional
* - designação internacional para o arranjo das fibras;
** - aplicação de uma camada suave de resina sem a cura total, para criar alguma coesão entre as fibras
(estado prepreg).
16
Sistemas e produtos FRP
Tabela 3.3: Propriedades de algumas resinas para aplicação das mantas e tecidos acima referidos.
Temperatura Resistência Módulo de
Pot-life
Fabricante Produto Função da resina de aplicação à tracção elasticidade
(min./ºC)
(ºC) (MPa) (MPa)
A.R.1 Primário/impregnação +15 a +40 45 3500 240/+23
A
A.R.2 Primário/impregnação +10 a +35 30 4500 60/+23
B.R.1 Primário - 12 593 20/+25
B
B.R.2 Impregnação >+5 17 2800 76/+25
C C.R.1 Primário/impregnação +8 a +35 35 - 45/+20
Figura 3.2: Exemplos de sistemas FRP pré-fabricados (adaptado de Changzhou, 2008; Cruz e Barros, 2002;
Fonseca, 2007; Sika, 2003, respectivamente).
17
Reforço de estruturas com FRP’s
18
Sistemas e produtos FRP
Após a análise da norma “Externally bonded FRP reinforcement for RC structures” da fib,
“Guide for the design and construction of externally bonded FRP systems for strengthening
concrete structures” do ACI Committee 440, do módulo educacional – “Introduction to
FRP composites for construction” do ISIS-Canada e da “Guide for the Design and
Construction of Externally Bonded FRP Systems for Strengthrning Existing Structures” do
CNR podem-se fazer alguns comentários acerca da abordagem da mesmas em relação aos
sistemas FRP.
A norma da fib, no capítulo 2, não fala dos processos de manufactura, refere que saem do
âmbito do documento. Fala nos dois grandes grupos de sistemas e, para cada um deles,
refere os produtos existentes (mantas, tecidos, disposição das fibras, etc.) e o modo como
podem ser aplicados.
A guideline ACI 440.2R-02 refere os dois grandes grupos de sistemas existentes e seus
produtos. Esta guideline diferencia os sistemas curados in-situ no que respeita a sistemas
secos ou pré-impregnados. Esta guideline remete-nos para a ACI 440R-96 onde são
especificados a pormenor estes sistemas e, principalmente, os seus constituintes.
O documento do CNR no seu capítulo 2 fala dos sistemas para reforço FRP, centrando-se
nos três tipos de sistemas existentes: os pré-fabricados; os curados in-situ e os pré-
19
Reforço de estruturas com FRP’s
impregnados. Para cada um destes é feita uma breve descrição, são apresentadas as
principais características mecânicas e exemplos de fichas técnicas que os devem
acompanhar.
Uma grande lacuna que existe hoje em dia em todas as normas e guidelines é o facto de
estas não regularem ou definirem intervalos de valores para as características dos
constituintes dos sistemas, nem definirem as características a apresentar bem como as suas
unidades. Cada fabricante tem o seu produto com as suas características em termos de
resistência, módulo de elasticidade, alongamento na rotura, temperatura de aplicação,
tempo de vida, etc. Devido a este facto cada resina, cada primário e cada tipo de fibra, têm
propriedades singulares e por isso, sistemas idênticos têm características, por vezes, muito
diferentes. Um outro aspecto muito importante que não é abordado é a forma de
apresentação, por parte dos fabricantes, das características dos produtos e das suas
unidades. Ao fazer a pesquisa dos produtos anteriormente mencionados pode-se verificar
que cada fabricante apresenta as características que acha importantes e com as unidades
usadas no país onde se encontra, não usando as unidades no sistema internacional, SI.
Desta forma torna-se difícil comparar produtos de fabricantes diferentes pois não se possui
valores com as mesmas unidades nem com as mesmas características base.
20
Capítulo 4.
Técnicas de reforço
As técnicas de reforço com sistemas FRP podem ser divididas em dois grupos: os sistemas
FRP-EBR (Externally Bonded Reinforcement) onde o sistema é colado exteriormente e os
sistemas FRP-NSM (Near-Surface Mounted Reinforcement) onde o sistema é inserido em
ranhuras feitas no elemento a reforçar.
As aplicações dos reforços com sistemas FRP são variadas sendo indicados para todo tipo
de estruturas desde edifícios, pontes, túneis, marinas, aumento de ductilidade, etc. Este tipo
de sistemas é usado quando é necessário efectuar o reforço das estruturas à flexão, ao
corte, ao impacto, controlo de fissuração, reforço à acção sísmica, confinamento, etc., sem
aumento significativo das secções e, consequentemente, sem o aumento indesejado da
inércia (Soares e Martins, 2006).
21
Reforço de estruturas com FRP’s
fendilhação ou quando se pretende fazer aberturas nos panos de laje. O reforço pode ser
orientado numa direcção ou em duas direcções (Figura 4.1 a), sendo que a aplicação de
fibras ao longo da face inferior da laje melhora a capacidade de carga, diminui a
deformação da laje (quando pré-esforçada), melhora a resistência e permite controlar a
fendilhação. Quando o reforço é unidireccional, a orientação das fibras deve ser paralela à
direcção do maior esforço e perpendicular às fendas.
a) b) c)
Figura 4.1: Reforço de lajes à flexão (a) - adaptado de BASF, (2007);
b) - adaptado de Juvandes e Costa, (2002); c) - adaptado de Motavalli, (2008)).
O reforço das lajes à flexão pode ser feito com laminados, mantas ou tecidos. No caso dos
laminados, este são colados à laje com uma resina epoxi podendo ser, ou não, ancorados
nas pontas para evitar o descolamento da tira. Os laminados podem ser aplicados
paralelamente ou ortogonalmente, conforme mostra a Figura 4.1 c). As mantas e tecidos
fazem parte dos sistemas curados in-situ, os quais são impregnados com uma resina e
depois aplicados à face do betão. Podem ser aplicadas várias camadas de forma a conseguir
a resistência necessária, fazendo sempre a impregnação das diversas camadas de reforço
(fib, 2001; ISIS, 2006f).
As vigas são elementos que estão sujeitos a esforços de flexão e corte, e, como tal, podem
necessitar de reforço se as acções a que estão sujeitas ultrapassarem os seus valores de
dimensionamento, se as deformações forem excessivas ou se existir ocorrência de
fendilhação.
22
Técnicas de reforço
(Figura 4.2 b). Uma outra técnica de reforço à flexão de vigas é a aplicação de sistemas
FRP-NSM, onde se inserem tiras ou barras de FRP em pequenas ranhuras feitas na base da
viga e na direcção do maior esforço (Figura 4.2 c). Esta técnica é usada quando se
necessita de maiores capacidades resistentes, já que a capacidade de ancoragem do sistema
é muito maior, ou quando há necessidades de resistir a danos provocados por altas
temperaturas, fogo, raios UV ou colisões (Motavalli e Czaderski, 2007;
Szabó e Balázs, 2007). No caso de vigas com grandes deformações ou vigas que irão
experimentar grandes cargas, pode-se recorrer ao reforço com laminados colados pré-
esforçados.
c)
a) b)
Figura 4.2: a) - Comportamento de uma viga com reforço e sem reforço à flexão (adaptado de BASF, 2007);
b) - Reforço de vigas à flexão e ao corte (adaptado de BASF, 2007);
c) - Sistema NSM (adaptado de Szabó e Balázs, 2007).
a) b) c)
Figura 4.3: a) - Comportamento de uma viga com reforço e sem reforço ao corte (adaptado de BASF, 2007);
b) - Reforço ao corte (adaptado de Juvandes e Costa, 2002); c) - Reforço ao corte e à flexão
(adaptado de Juvandes e Costa, 2002).
23
Reforço de estruturas com FRP’s
O reforço ao corte deve ser feito com as fibras orientadas transversalmente ao eixo da peça
ou segundo a normal às potenciais fendas de corte. Este reforço ao corte, que é muitas
vezes necessário para aumentar a ductilidade em flexão, pode ser colocado de forma
contínua ao longo da viga ou em faixas com espaçamento limitado. O reforço pode ser
feito com laminados pré-fabricados com formas em “L” ou “U” (Figura 4.3 b e c), colados
na viga com resinas epoxi e ancorados nas pontas, quando necessário, ou feito com
sistemas curados in-situ, mantas ou tecidos, que são colados na viga com as fibras
orientadas perpendicularmente ao seu eixo (Figura 4.2 b).
A aplicação do reforço pode ser feita de três formas, dependendo da geometria da viga, da
liberdade existente nas suas faces e do tipo de sistema usado. Assim, o reforço pode ser
aplicado apenas nas duas faces laterais da viga; pode ser aplicado em forma de “U”,
cobrindo as duas faces laterais e a base da viga; ou então pode ser aplicado de forma a
envolver todas as faces da viga (Figura 4.4). Em muitos casos, o comportamento do
reforço aplicado nas três faces é considerado idêntico ao aplicado nas quatro faces. Das
três formas de reforço apresentadas, a mais eficaz é aquela onde o reforço envolve todas as
faces do elemento.
a) Reforço nas faces laterais b) Reforço em “U” c) Reforço envolvendo todas as faces
Figura 4.4: Diferentes formas de reforço ao corte com FRP's (adaptado de CNR, 2004).
24
Técnicas de reforço
mantas ou tecidos colados externamente no pilar. O reforço com laminados e feito por
colagem destes no pilar com resinas epoxi, com a direcção das fibras orientada
paralelamente ao eixo do pilar. O reforço com recurso a barras pré-fabricadas é feito pela
técnica NSM, tal como descrito no reforço de vigas à flexão, com estas instaladas
paralelamente ao eixo do pilar (Figura 4.5 a). No reforço com mantas e tecidos, estes
devem ser aplicados com a direcção principal das fibras orientada paralelamente ao eixo do
pilar.
Confinamento helicoidal
a) b) c)
Figura 4.5: a) - Reforço de pilares à flexão e confinamento (adaptado de Juvandes e Costa, 2002);
b) - Reforço de pilares ao corte (adaptado de Juvandes e Costa, 2002); c) - Comportamento de pilares
confinados com secção rectangular, circular e não confinados (adaptado de ISIS, 2006c).
Reforço ao corte – O reforço de pilares ao corte é necessário quando estes são sujeitos a
esforços cortantes para os quais não foram dimensionados ou quando há necessidades de
resistir a acções sísmicas. O reforço ao corte pode ser feito com a aplicação de mantas ou
tecidos de forma a confinar o pilar, ou ainda com laminados pré-fabricados, cuja aplicação
é mais simples pois o laminado pré-fabricado em forma de “casca” é colado ao pilar,
fazendo o confinamento. No caso das mantas, estas têm de ser aplicadas com a direcção
das fibras perpendiculares ao eixo do pilar, enroladas no pilar de forma helicoidal,
conforme mostra a Figura 4.5 b).
25
Reforço de estruturas com FRP’s
dispostas nas direcções transversal e/ou longitudinal, consoante se queira reforçar o pilar
ao corte e/ou confinar o pilar para aumento da resistência sísmica e axial, respectivamente.
A aplicação das mantas pode ser feita de forma manual (wet-lay-up systems) ou pode ser
aplicada por meios automáticos que enrolam as mantas no pilar, confinando-o. O reforço
pode ainda ser feito com laminados rígidos pré-fabricado em forma de “casca” colados no
pilar, fazendo o confinamento.
Após a análise da norma “Externally bonded FRP reinforcement for RC structures” da fib,
“Guide for the design and construction of externally bonded FRP systems for strengthening
concrete structures” do ACI Committee 440, do módulo educacional “Introduction to FRP
composites for construction” do ISIS-Canada e da “Guide for the Design and Construction
of Externally Bonded FRP Systems for Strengthrning Existing Structures” do CNR podem-
se fazer alguns comentários acerca da abordagem da mesmas em relação às técnicas de
reforço com FRP.
26
Técnicas de reforço
27
Reforço de estruturas com FRP’s
normas, o cálculo toma como exemplo as vigas e os pilares, embora neste documento se
possa encontrar um capítulo dedicado a estruturas de alvenaria.
De uma forma geral, todos estes documentos abordam o reforço à flexão, ao corte, à torção
e ao confinamento de uma forma genérica e não direccionada a cada elemento estrutural
em concreto. É então necessário, para cada tipo de elemento estrutural a reforçar, fazer
uma análise e verificar a forma como o cálculo do reforço deve ser feito, tentando, de
alguma forma, evitar a simplificação dos exemplos de cálculo e expondo os passos a seguir
no cálculo do reforço de elementos de betão armado mais complexos, como é o caso de
estruturas hiperestáticas, lajes, pilares sujeitos a flexão composta, etc.
28
Capítulo 5.
Controlo de Qualidade
O desempenho e a durabilidade dos sistemas de reforço FRP por colagem externa (FRP-
EBR) dependem muito da qualidade dos materiais usados e do cuidado tido por quem os
aplica. O processo de instalação pode variar de sistema para sistema dependendo do tipo e
das condições da estrutura e por isso, sistemas idênticos podem ter metodologias de
aplicação diferentes. É muito importante quando se usam sistemas de reforço FRP o
desenvolvimento e colocação em prática de processos de controlo e garantia de qualidade
durante o processo de instalação. A Tabela 5.1 mostra uma checklist com as
recomendações típicas de controlo e garantia de qualidade (ISIS, 2006e).
Tabela 5.1: Checklist básica para controlo e garantia de qualidade (adaptado de ISIS, 2006e).
Checklist básica para controlo e garantia de qualidade
Materiais e sistemas FRP qualificados
Os adesivos e sistemas FRP-EBR usados devem ser caracterizados de acordo com métodos
de teste standard. Os materiais FRP devem cumprir as qualificações em termos de
29
Reforço de estruturas com FRP’s
propriedades mecânicas, físicas e químicas exigidas pelo projecto. Embora muitos dos
fornecedores de FRP’s disponibilizem informação acerca das propriedades dos seus
sistemas de reforço, normalmente são realizados testes de qualificação por uma autoridade
competente independente para confirmar a validade das propriedades físicas e mecânicas
disponibilizadas (fib, 2001; ISIS, 2006e). As qualificações podem incluir testes para
verificar (ISIS, 2006e):
Viscosidade e tixotropia – o agente polimérico de colagem deve ser capaz de ser aplicado
imediatamente após a mistura, de acordo com as instruções do fabricante, em camadas com
a espessura mínima especificada e proporcionando um humedecimento correcto. A
viscosidade do adesivo deve ser optimizada de acordo com a utilização pretendida e irá
diferir para os sistemas FRP-EBR pré-fabricados e wet-lay-up. Esta pode ser determinada
de acordo com a ISO 3219, CEN 1995. A tixotropia é necessária quando se requer uma alta
viscosidade com capacidade de humedecimento durante o espalhamento. A aptidão do
adesivo para aplicação em superfícies verticais, horizontais e inclinadas pode ser verificada
pela EN 1799, CEN 1998 (fib, 2001).
Condições de cura e retracção – o adesivo deve ser capaz de curar com a resistência
necessária mesmo sob condições extremas de temperatura e humidade, as quais devem ser
30
Controlo de qualidade
Propriedades do puttie filler – os puttie fillers usados em conjunto com os adesivos devem
ser electricamente não condutores, altamente resistentes à humidade, capazes de resistir a
temperaturas até 120ºC, sem degradação e ter dimensões máximas das partículas de
0,5 mm (fib, 2001).
31
Reforço de estruturas com FRP’s
A definição da espessura do FRP deve ser claramente indicada, sendo geralmente feita
referência à espessura global ou à espessura das fibras secas (fib, 2001).
32
Controlo de qualidade
A instalação dos sistemas FRP requer muito cuidado, pelo que esta só deve ser feita por
pessoal qualificado, treinado e com prática. O produtor do sistema FRP ou o agente
autorizado deve formar e informar o pessoal das empresas que adquirem os seus sistemas
FRP acerca dos procedimentos de aplicação dos mesmos. O construtor responsável pela
33
Reforço de estruturas com FRP’s
As inspecções devem ser realizadas antes, durante e após a instalação dos materiais FRP de
forma a garantir que o reforço da estrutura seja feito conforme o desejado, devendo as
inspecções ser conduzidas por um engenheiro treinado e certificado. As inspecções devem
avaliar a presença e a extensão de delaminações, a adequação da cura da resina, a adesão, a
espessura do FRP, o alinhamento das fibras, as propriedades da colagem e as propriedades
dos materiais existentes (ISIS, 2006e).
A superfície de betão deve ser inspeccionada no que diz respeito à solidez e à preparação
adequada da mesma. Esta inspecção deve incluir a examinação da rugosidade das
superfícies, a existência de buracos, fissuras, saliências, ângulos afiados e outras
imperfeições.
Devem ser recolhidas amostras ao longo da aplicação dos sistemas de reforço, das várias
resinas e dos sistemas FRP’s, podendo ser testados posteriormente a fim de verificar e
comprovar as suas propriedades (ISIS, 2006e).
34
Controlo de qualidade
Os registos das inspecções diárias devem conter (ACI 440.2R-02, 2002; Petersen e
Poulsen, 2001):
Após a instalação dos sistemas de reforço FRP-EBR devem ser efectuados vários testes
para garantir que estes foram correctamente instalados e que serão capazes de executar a
longo prazo a função para a qual foram concebidos. Os testes de controlo de qualidade
mais comuns são descritos em seguida.
Após a resina começar a endurecer (geralmente dentro das primeiras 24 horas após a
aplicação), deve ser feita uma inspecção visual e acústica (por exemplo, com um martelo,
Figura 5.1) ao FRP colado, a fim de identificar áreas descoladas, bolsas de ar e vazios
35
Reforço de estruturas com FRP’s
debaixo do FRP. Podem ser usadas outras técnicas de inspecção não destrutivas, tais como
inspecção ultra sónica e termografia, que permitem determinar imperfeições, vazios, bolsas
de ar e delaminações (ISIS, 2006e).
Os vazios e/ou delaminações detectados após a instalação e cura do sistema FRP devem ser
reparados. A técnica de reparação a usar depende do tamanho e da localização das
delaminações e dos seus efeitos no comportamento estrutural do sistema FRP. Consoante a
dimensão das delaminações, diferentes considerações devem ser adoptadas (ISIS, 2006e):
Área de delaminação >16000 mm2 – são consideradas grandes delaminações e devem ser
reparadas fazendo o corte selectivo da área afectada seguido de posterior aplicação de
“primer”, massa de nivelamento e aplicação de uma manta de FRP equivalente à
removida, de modo a fazer um remendo.
Área de delaminação entre 1300 e 16000 mm2 – são consideradas delaminações moderadas
e podem ser reparadas por injecção de resina saturante a baixa pressão nos vazios das
delaminações ou reparadas pelo método usado para as grandes delaminações.
Podem ser recolhidas pequenas amostras do sistema FRP instalado, retiradas de zonas não
críticas para avaliar a espessura do sistema de reforço curado. As áreas de onde se
recolheram as amostras devem ser reparadas com um remendo (ISIS, 2006e).
36
Controlo de qualidade
Em alguns casos, as estruturas reforçadas com sistemas FRP podem ser sujeitas a ensaios
de carga para verificar o desempenho do sistema de reforço em serviço. Sempre que seja
necessário efectuar ensaios de carga, deve ser consultado um engenheiro experiente o qual
deve ser o responsável pela execução dos testes. O engenheiro deve fornecer um relatório
escrito sobre todos os aspectos relativos ao controlo e garantia de qualidade, testes e
resultados.
Após a análise da norma “Externally bonded FRP reinforcement for RC structures” da fib,
“Guide for the design and construction of externally bonded FRP systems for strengthening
concrete structures” do ACI Committee 440, do módulo educacional “Introduction to FRP
composites for construction” do ISIS-Canada e da “Guide for the Design and Construction
of Externally Bonded FRP Systems for Strengthrning Existing Structures” do CNR
podem-se fazer alguns comentários acerca da abordagem da mesmas em relação ao
controlo de qualidade.
37
Reforço de estruturas com FRP’s
Em relação ao controlo e garantia de qualidade, aborda a forma como este controlo é feito,
desde os materiais, construtor/aplicador até as fases antes, durante e após a aplicação dos
sistemas. Para a caracterização e controlo de qualidade dos materiais, refere as
propriedades geométricas, físicas, mecânicas e durabilidade exigidas, bem como as normas
que as estabelecem. Para o controlo de qualidade in-situ, antes e durante a execução
prática, esta norma identifica quais os aspectos que devem ser avaliados e controlados pelo
engenheiro desde o controlo dos materiais quando chegam à obra até ao controlo das
condições e processos de aplicação. Em relação ao controlo de qualidade após a execução,
a norma refere algumas técnicas não destrutivas e parcialmente destrutivas que permitem
diagnosticar a presença de vazios, delaminações, bolsas de ar, etc. Em relação à reparação
destas imperfeições, é feita uma simples descrição da forma como pode ser feita.
38
Controlo de qualidade
aceitação dos materiais a norma é bastante clara, fazendo uma descrição das características
e requisitos que os materiais devem satisfazer, referenciando normas para o seu ensaio. Na
avaliação e aceitação dos trabalhos, a norma estipula limites para as imperfeições, para as
características da cura da resina, adesão ao betão e espessura final do sistema. São referidas
normas e ensaios normalizados que permitem fazer esta avaliação.
Relativamente aos processos de instalação dos sistemas FRP-EBR, é feita uma descrição
objectiva da forma como este é feito e de quais os equipamentos que são utilizados.
Destes quatro documentos analisados, pode-se concluir que a norma da fib é que melhor
aborda as questões relativas ao controlo e garantia de qualidade, no entanto considera-se
que, tanto o módulo educacional canadiano como a guideline do ACI também são bons
documentos a seguir, embora não sejam tão específicos.
39
Reforço de estruturas com FRP’s
Existe uma outra norma de ensaios, ACI 440K, do ACI Committee 440 (ACI 440K, 2001),
que apresenta modelos de métodos de ensaio para determinar as propriedades mecânicas a
curto prazo e a longo prazo, determinar propriedades termo-mecânicas e ensaios de
durabilidade de varões e mantas/tecidos FRP. É possível aplicar esta norma para
determinar as características e propriedades dos produtos e sistemas e assim conseguir
saber se apresentam os requisitos necessários ao desempenho da sua função e qualidade.
40
Capítulo 6.
Análise e aplicação das normas
No primeiro capítulo é feita uma pequena resenha sobre a técnica de reforço EBR e suas
aplicações, é feita a distinção entre os conceitos de reparação, reforço e reconstrução e são
ainda apresentados os conteúdos e objectivos do documento. Note-se que este documento é
direccionado para a reparação e reforço de estruturas de betão armado, empregando
sistemas FRP pela técnica EBR, pelo que todas as bases de cálculo e conceitos de
segurança nele presentes não se aplicam a outras técnicas de reforço.
No segundo capítulo é feita uma breve síntese dos materiais constituintes dos sistemas de
reforço FRP, dos tipos de sistemas FRP-EBR e das técnicas básicas e especiais de reforço.
O terceiro capítulo é dedicado às bases de cálculo e conceitos de segurança, onde são
definidos os limites de cálculo e verificação aos estados limites, bem como, os modelos
dos materiais FRP e os coeficientes de segurança parciais a aplicar. O quarto capítulo é
integralmente dedicado ao reforço à flexão, sendo apresentados os possíveis modos de
41
Reforço de estruturas com FRP’s
Este documento é apenas uma proposta normativa que apresenta várias expressões e
procedimentos que precisam de ser revistos, necessitando assim de maior comprovação
prática. Note-se que, até à data, este é o documento com propostas de dimensionamento
mais abrangentes, alertando o projectista para uma série de verificações de segurança, que
não são mencionadas noutras propostas e que não deveram ser ignoradas (Azevedo, 2008).
O documento apresentado pelo ACI é uma guideline que se encontra dividida em 5 partes
materializadas em 15 capítulos e 3 anexos.
Na primeira parte deste documento é feito um breve apanhado histórico sobre o uso dos
FRP, são apresentadas as formas comerciais mais correntes de reforço por colagem
exterior e são também apresentadas as definições e notações usadas ao longo de todo o
documento. Na segunda parte apresentam-se as propriedades físicas e mecânicas dos
materiais integrantes dos sistemas FRP, bem como informação acerca da durabilidade e
comportamento a longo prazo. A terceira parte aborda as recomendações a seguir no
manuseamento, armazenamento, transporte e aplicação dos produtos e sistemas FRP, bem
como as práticas para a inspecção e manutenção dos mesmos. Na quarta parte, são
delineadas e apresentadas as recomendações para dimensionamento do reforço à flexão, ao
corte, compressão axial e aumento de ductilidade de elementos de betão armado. Nesta
parte são também apresentadas disposições construtivas, detalhes de execução do reforço e
especificações para projecto. Por fim, na quinta parte são apresentados exemplos de
cálculo de reforço FRP.
42
Análise e aplicação das normas
Como pressupostos para o cálculo da viga, considerou-se que esta pertencia a um edifício
de habitação, o qual posteriormente irá ser transformado num edifício comercial, passando
a sobrecarga de utilização para um valor quatro vezes superior. Este edifício é constituído
por uma estrutura reticulada de vigas e pilares, onde as lajes são unidireccionais, pré-
fabricadas de vigotas e abobadilha.
43
Reforço de estruturas com FRP’s
Dos pressupostos acima indicados e das cargas adoptadas para o dimensionamento (ver
Tabela 6.1) resultou uma viga com uma secção de 0,3 x 0,6 m, com armadura inferior de
4ϕ20 a meio vão, dispensando 2ϕ20 a 0,80 m das extremidades, e com armadura superior
de 2ϕ12. A armadura transversal é constituída por estribos de dois ramos em ϕ6 espaçados
a 0,150 m ao longo de 1,50 m medidos a partir das extremidades da viga e estribos de dois
ramos em ϕ6 espaçados a 0,200 m nas restantes zonas.
Cargas variáveis – Q
Sobrecarga 10,00
A viga teórica cumpre todos os limites impostos pelo EC2 no que respeita a estados limites
últimos (ULS) e estados limites de utilização (SLS),
σ cc 0,45 f ck
Combinações Quase Permanentes
Limitação das tensões σ cc 0,60 f ck
st 0,80 f yk
Combinações Raras
44
Análise e aplicação das normas
5,00
4,90
2Ø12
0,40 0,40
0,30 0,27
0,60 0,57
0,30 x 0,60
0,40 0,40
4,90
O reforço à flexão foi feito com laminados de carbono (CFRP), tendo sido adoptado o
mesmo tipo de laminado para os três documentos em análise.
Princípios básicos
De acordo com Silva, (2008), a segurança dos elementos reforçados pela técnica EBR deve
ser verificada, entre outros, para os Estados Limites Últimos (ULS) de:
45
Reforço de estruturas com FRP’s
Ainda de acordo com Silva, (2008) a verificação destes mesmos elementos em Estados
Limites de Serviço (SLS) é feita controlando os seguintes parâmetros:
Ainda para a verificação aos SLS, deve ser admitido que os materiais têm um
comportamento linear elástico, quer para a análise em secção fendilhada (onde é
desprezada a contribuição do betão à tracção) quer para análise em secção não fendilhada.
46
Análise e aplicação das normas
De forma a prevenir o colapso da estrutura após a ruína do sistema de FRP devido a actos
de vandalismo, impacto, fogo ou outras causas, devem ser definidos limites de reforço.
Vários autores e fornecedores de sistemas de reforço FRP têm recomendado que se
assegure que a estrutura, após uma eventual perda do reforço, resista no mínimo às acções
permanentes e de sobrecarga não majoradas (valores característicos). Segundo Azevedo,
(2008) uma das recomendações existentes estabelece que o aumento de resistência à flexão
de elementos de betão, por colagem exterior de sistemas compósitos de FRP, não deve
exceder o dobro da resistência do elemento não reforçado. O grau de reforço é definido
através do parâmetro R dado por,
M sdf
R 2 (6.1)
M rd 0
Onde, Msdf é o valor de cálculo do momento flector actuante na secção critica em ULS,
respeitando as combinações de acções definidas no EC2; e Mrd0 é o valor de cálculo do
momento flector resistente do elemento não reforçado.
A norma recomenda que, o estado de toda e qualquer estrutura que irá ser sujeita a reforço,
seja conhecido e avaliado através de inspecções, análise dos documentos existentes e
análises estruturais, bem como análise e verificação do estado dos elementos existentes.
Tal como nas estruturas novas de betão armado, a metodologia de cálculo de reforço de
estruturas com FRP tem de verificar os estados limites de serviço (SLS – Serviciability
Limit State) (limitação de tensões, limitação de deformações e controlo de fendilhação),
47
Reforço de estruturas com FRP’s
bem como o estado limite último (ULS – Ultimate Limit State). Em alguns casos o cálculo
é condicionado pelos estados SLS, nomeadamente quando o reforço se prende com o
objectivo de aumentar a resistência do elemento em serviço, tal como acontece neste
trabalho.
Acções
Materiais
Para a verificação ao estado SLS são utilizados valores característicos para as propriedades
mecânicas do FRP.
A lei de comportamento à tracção do FRP proposta pela norma segue uma lei de
tensão-extensão linear dada pela equação,
f E fk f (6.2)
Em relação à verificação ao estado ULS, a lei constitutiva do FRP adoptada continua a ser
linear mas passa a ser dada por,
f E fu f f fd (6.3)
f fk
E fu = (6.4)
ε fuk
FRP
f fk
f fd
Efu
fd fuk
Figura 6.2: Lei de comportamento tensão-extensão do material FRP.
48
Análise e aplicação das normas
O valor de cálculo da resistência à tracção do FRP, que limita a equação (6.3), pode ser
obtido pela relação,
f fk
f fd = (6.5)
γf
Sendo γf o coeficiente de segurança do material FRP, dado na Tabela 6.2. No respeitante
aos coeficientes de segurança a aplicar ao FRP, são sugeridos por este documento valores
que são influenciados pelo método de aplicação e pelo tipo de fibra usada no sistema. No
entanto, outros valores podem ser adoptados, já que, como refere a norma, a falta de dados
e estudos a este respeito levam a que esta questão deva ser estudada com mais detalhe.
Tabela 6.2: Coeficiente de segurança dos materiais FRP, γf (adaptado de fib, 2001).
Tipo de Fibra Tipo de sistema FRP
Pré-fabricados Curados in-situ
CFRP 1,20 1,35
AFRP 1,25 1,45
GFRP 1,30 1,50
f fd
ε fd = (6.6)
E fu
49
Reforço de estruturas com FRP’s
c0
d2
As2
M0
x0
d
h
d1 As1
b
Figura 6.3: Distribuição de tensões e deformações numa secção de betão armado
(adaptado de fib, 2001).
Es
s (6.8)
E cm
A extensão no betão, εc0, na fibra mais afastada da região em compressão é dada por,
M 0 x0
co (6.9)
Ec I 02
Vindo o momento de inércia da secção homogeneizada fendilhada,
bx03
I 02 s 1As 2 x0 d 2 s As1 d x0
2 2
(6.10)
3
50
Análise e aplicação das normas
51
Reforço de estruturas com FRP’s
M Rd M Sd (6.11)
Onde, MRd representa o valor de cálculo do momento flector resistente e MSd representa o
valor de cálculo do momento flector actuante. O valor do momento flector resistente está
condicionado pela máxima deformação de cada material (betão, aço e FRP). A resistência
da secção considera-se esgotada quando um dos materiais atinge a sua deformação
máxima.
Para cada modo de rotura existe uma extensão limite máxima no compósito. Assim, para o
modo de rotura que ocorre por cedência do aço seguida de esmagamento do betão
mantendo-se intacto o FRP, a posição do eixo neutro é obtida do equilíbrio de extensões e
forças internas na secção,
x d2
s 2 cu (6.13)
x
hx
f cu 0 (6.14)
x
Note-se que na equação (6.12), Esεs2 não deve exceder fyd e nas equações (6.13) e (6.14) é
imposto εcu=3,5 ‰.
b 0,85f cd
c=cu=0,0035
As2Ess2
d2 s2 x
Gx
As2
h d
As1
s1 Asf yd
tf Af Ef f
Af
0 f
bf
Figura 6.6: Secção sujeita a momento flector em estado limite último
(adaptado de fib, 2001).
Onde, δG=0,4.
52
Análise e aplicação das normas
A área de reforço FRP só é considerada como suficiente quando, para além de verificar o
critério de segurança dado pela equação (6.11), também verificar as condições,
d x f yd
s1 cu (6.16)
x Es
b) Limitação da extensão no FRP à extensão limite última, εfud
hx
f cu 0 fud (6.17)
x
Considerando agora o outro modo de rotura, que envolve a cedência do aço seguida da
rotura do FRP (devido a baixas percentagens de aço e FRP), modo este que só será
possível teoricamente pois, normalmente, ocorre primeiro o descolamento do FRP, não
sendo activado este mecanismo de rotura. No entanto, a metodologia de cálculo que
permite a obtenção da área de FRP que levará a ocorrência teórica deste modo de rotura
passa pela aplicação das equações (6.11) a (6.15), fazendo as seguintes alterações:
1000
1000 c 0,5 12 c para c 0,002
(6.18)
1 2
para 0,002 c 0,0035
3000 c
8 1000 c
46 1000 para c 0,002
G c
c 4 2
(6.19)
1000 3000
c
para 0,002 c 0,0035
2000 c 3000 c 2
53
Reforço de estruturas com FRP’s
1
Rk 0,15 f ck 3 (6.20)
Ef
As A f
Es (6.21)
eq
bd
No caso do esforço de corte actuante ser superior ao esforço de corte resistente da secção,
deve ser previsto reforço ao corte do elemento.
Com o reforço à flexão de um elemento, grande parte das vezes existe a possibilidade
ocorrência de roturas por corte. Para que se evite este tipo de rotura, deve ser verificada a
condição,
54
Análise e aplicação das normas
Para a verificação desta condição são propostas três metodologias, sendo as duas mais
importantes,
A metodologia de verificação da zona de ancoragem adoptada pela norma foi proposta por
Neubauer e Rostásty, (1997) e baseia-se no modelo de Holzenkämpfer, (1994). Esta
metodologia permite quantificar a força máxima de tracção no compósito que leva ao seu
descolamento, Nfa,max, bem como o comprimento efectivo de ancoragem, lb,max. Desta forma
torna-se possível evitar o descolamento do FRP limitando a força de tracção instalada no
compósito à força correspondente ao comprimento de amarração disponível na estrutura
em reforço.
Ef tf
lb,max mm (6.23)
c2 f ctm
Onde, c2 é uma constante que deve ser obtida por calibração experimental (na
impossibilidade de se efectuar essa calibração a norma recomenda que se tome c2=2); tf é a
espessura de reforço FRP (em mm); Ef e fctm são o módulo de elasticidade do compósito
(em MPa) e a resistência à tracção do betão (em MPa), respectivamente.
A força máxima, Nfa,max, que pode ser suportada pelo reforço FRP sem recurso a sistemas
de ancoragem adicionais é,
55
Reforço de estruturas com FRP’s
Onde, α é um factor de redução (α=0,9 para vigas) para ter em conta a influência de
possíveis fendas na tensão de aderência; c1 é uma constante que deve ser obtida por
calibração experimental (na impossibilidade de se efectuar essa calibração a norma
recomenda que se tome c1=0,64); kc é um factor que depende da qualidade do betão
(geralmente kc=1, mas para betões de baixa qualidade kc=0,67); e kb é um factor
geométrico que é dado por,
bf
2
kb 1,06 b 1 e b f 0,33 (6.25)
bf b
1
400
Onde, b e bf são a largura da secção transversal do elemento (em mm) e a largura colada do
reforço (em mm), respectivamente.
N fa N fa,max (6.26)
Onde, Nfa é o valor de cálculo da força máxima que pode ser suportada pelo FRP na secção
de dispensa e que pode ser obtido a partir do momento actuante, Ma, na secção situada à
distância L do apoio (secção onde se dispensa o compósito), mediante o equilíbrio de
forças nos diferentes materiais constituintes da secção. Uma aproximação de Nfa é dada
por,
Me
N fa
AE (6.27)
z 1 s s
A f E f
Note-se que para os casos em que o comprimento de ancoragem, lb, é inferior ao máximo
comprimento de ancoragem, lb,max, a máxima força que pode ser ancorada já não é dada
pela equação (6.24) mas sim por,
lb lb
N 'fa ,max N fa ,max 2 (6.28)
lb,max lb,max
56
Análise e aplicação das normas
b f cbd (6.29)
f ctk 0,05
f cbd 1,8 (6.30)
c
Sendo, fctk 0,05 a resistência do betão à tracção (MPa); e γc o coeficiente de segurança do
betão.
A condição (6.29) deve ser verificada para duas regiões distintas: a primeira para a região
onde a armadura ordinária se encontra em regime elástico (εs1 < εsyd) e a segunda para a
região onde a armadura se encontra plastificada (εs1 ≥ εsyd). As expressões que permitem
estas verificações são,
Vsd
Se s1 syd então f cbd
As Es (6.31)
0,95db f 1
A f E f
Vsd
Se s1 syd então f cbd (6.32)
0,95db f
Onde, Vsd é o valor do esforço transverso na secção onde ocorre a plastificação das
armaduras ordinárias.
Após a verificação de todas as condições impostas relativas aos estados ULS, a solução
apontada como ideal terá de verificar também os limites impostos pelos SLS. Tal como
dito em 6.3.1.1, os estados SLS que têm de ser verificados são a limitação de tensões, a
limitação da deformação e o controlo de fendilhação.
Para a verificação do SLS importa conhecer a posição do eixo neutro, bem como o
momento de inércia da secção fendilhada para as combinações de acções Quase
Permanentes e Raras.
57
Reforço de estruturas com FRP’s
elástico do sistema FRP e assumindo que o betão não resiste à tracção, a análise em secção
fendilhada é feita com base na Figura 6.7.
c0 c
Ns 2
d2
As2 xe s2
Nc
Mk
d
h
d1 As1 s1 Ns1
Af 0 Nf
b f
Figura 6.7: Análise linear elástica da secção fendilhada (adaptado de fib, 2001).
bxe s 1As 2 xe d 2 s As1 d xe f A f h 1 0 xe
1 2
(6.33)
2 c
Onde, αf=Ef/Ec. Para valores de extensão inicial, ε0, reduzidos, o termo (1+ ε0/ εc) torna-se
aproximadamente 1 podendo a equação (6.33) ser resolvida directamente em ordem a xe.
No entanto, para valores elevados de ε0 quando comparados com a extensão no betão, εc, na
fibra mais comprimida, a profundidade do eixo neutro e a extensão no betão são dados
iterativamente pelas equações (6.33) e (6.34).
Mk
Ec c
x x d 2 h d 2 d xe h d
bxe h e s 1As 2 e
1 (6.34)
s As1
2 3 xe xe
O momento de inércia da secção fendilhada, I2, tal como o eixo neutro xe, depende do
momento actuante Mk e pode ser calculada por,
bxe3
I2 s 1As 2 xe d 2 s As1 d xe f A f h xe
2 2 2
(6.35)
3
Segundo a norma fib, a limitação das tensões em serviço deve respeitar os limites a seguir
expostos de modo a prevenir eventuais danos ou fluência excessiva no betão, cedência no
aço e fluência excessiva ou rotura por fluência no reforço FRP. Com a aplicação do reforço
FRP o estado de tensão no betão muda significativamente. Para evitar a compressão
excessiva que pode levar ao aparecimento de fendas longitudinais e extensões residuais,
58
Análise e aplicação das normas
são impostas as seguintes limitações para a tensão de compressão no betão (estes limites
são os indicados no EC2),
d xe
s Es c 0,80 f yk para combinaçõe s Raras (6.37)
xe
O nível de tensão no FRP em serviço deve ser limitado de forma semelhante ao exposto
para o aço. Assim, para combinações Quase Permanentes,
A verificação ao estado limite de deformação é feita pelo método bilinear proposto pelo
CEB. Os valores limites das deformações a adoptar são os definidos no EC2. Estes limites
são função do tipo de estrutura ou elemento e têm em conta que a deformação de um
elemento ou de uma estrutura não deve ser prejudicial ao seu correcto funcionamento ou ao
seu aspecto. É devido a este facto que é habitual considerar que as condições de utilização
de uma viga são alteradas quando a flecha, a, causada pelas cargas de serviço para a
combinação Quase Permanente provocam uma flecha superior a L/250.
a a1 1 b a2 b (6.39)
59
Reforço de estruturas com FRP’s
0 se M k M cr
n
M cr 2 (6.40)
1 - 1 2 se M k M cr
Mk
Os coeficientes β1 e β2 têm em conta as características da colagem do reforço FRP e o tipo
de carregamento no elemento, respectivamente (β1=0,5 para aço liso e β1=1 para aço
nervurado; β2=0,5 para carregamento de longa duração e β2=1 para carregamento de curta
duração). O expoente n da potência toma-se igual a 2 para betões correntes (classes até
C30/35) e igual a 3 para betões de elevada resistência (classes superiores a C30/35).
As flechas em secção não fendilhada, a1, e em secção fendilhada, a2, são obtidas pelas
equações que derivam de uma análise elástica clássica,
Mk
a1 k M l 2 (6.41)
Ec I 1
M0 M M0
a2 k M l 2 k e Mk M0
Ec I 2
(6.42)
Ec I 02
Onde, kM é um coeficiente que depende das condições de apoio do elemento (para uma
viga simplesmente apoiada com um carregamento uniformemente distribuído kM=5/48);
Io2 é o momento de inércia da secção fendilhada antes do reforço; I1 e I2 são os momentos
de inércia da secção não fendilhada e da secção fendilhada após o reforço, respectivamente
e M0 e Mk são o momento actuante antes do reforço e o momento actuante após o reforço,
respectivamente.
Controlo da fendilhação
Wk srm 2 (6.43)
60
Análise e aplicação das normas
0 se M k M cr
n
M cr (6.44)
1 - 1 2 se M k M cr
Mk
A extensão da armadura em regime fendilhado, ε2, pode ser estimada pela equação,
N rk E f A f 0 Mk
2 e N rk (6.45)
Es As1 E f A f 0,9d
O cálculo da distância média entre fendas, srm, é feito de acordo com a equação,
2 f ctm Ac ,eff b E f Af
srm (6.46)
fm u f Es As1 b E f A f
Onde, fctm é a resistência média do betão à tracção; ηfm é a tensão média de aderência do
FRP (ηfm=1,25fctm); uf é o perímetro de aderência do reforço FRP; Af é a área da secção
transversal do reforço FRP; Ef é o módulo de elasticidade do reforço FRP; As1 é a área de
armadura longitudinal inferior; Es é o módulo de elasticidade do aço; ξb é um parâmetro de
aderência e Ac,eff é a área efectiva de betão traccionada dada por,
Ac ,eff min 2,5h d b;
h x b
(6.47)
3
Onde, h e d são a altura e a altura útil da secção transversal do elemento, respectivamente;
b é a largura da secção transversal do elemento e x é a distância da fibra extrema mais
comprimida ao eixo neutro determinado em secção fendilhada.
fm E s d s
b (6.48)
sm E f 4t f
Onde, ηsm é a tensão media de aderência das armaduras ordinárias (ηsm=1,8fctm); ds é o
diâmetro médio dos varões da armadura inferior; e tf é a espessura do reforço FRP.
Para o cálculo em ULS e para a verificação em SLS do reforço obtido, devem ser
utilizadas combinações de acções dadas pelo EC1 à excepção da combinação fundamental.
61
Reforço de estruturas com FRP’s
De uma maneira geral, as propriedades dos materiais disponibilizadas pelos fabricantes não
são determinadas tendo em linha de conta os efeitos da exposição prolongada a condições
ambientais. Segundo este documento, estes efeitos devem ser contabilizados logo nas
propriedades iniciais dos materiais porque a longa exposição a vários tipos de ambientes
pode reduzir as propriedades resistentes dos sistemas FRP, pelo que as propriedades destes
mesmos materiais deverão ser afectadas de um coeficiente de segurança obtido com base
na condição de exposição ambiental. Na Tabela 6.3 encontram-se os valores propostos pelo
documento em análise para o factor de redução ambiental, CE. Assim, o valor de cálculo da
resistência à tracção do FRP, ffu, é dado pelo produto do valor característico da resistência à
tracção do FRP, f fu* , pelo factor de redução ambiental, como se mostra a seguir,
f fu CE f fu* (6.49)
De forma semelhante, o valor de cálculo da extensão máxima do FRP, εfu, é dado pelo
produto do valor característico da extensão máxima no FRP, *fu , pelo factor de redução
ambiental,
fu CE *fu (6.50)
Considera-se que o material FRP possui um comportamento linear elástico até à rotura, tal
como na fib. O módulo de elasticidade de cálculo, Ef, pode ser determinado pela lei de
Hooke, traduzida na equação,
f fu
Ef (6.51)
fu
O ACI recomenda que os valores característicos da resistência à tracção e da extensão
última do FRP devam ser fornecidos pelo fabricante, o qual os deverá obter a partir de
resultados experimentais normalizados pela diferença entre o valor médio e três vezes o
desvio padrão, de acordo com as equações,
f fu* f fu 3 (6.52)
*fu fu 3 (6.53)
62
Análise e aplicação das normas
Tabela 6.3: Factor de redução ambiental, CE, para os diferentes tipos de FRP
(adaptado de ACI 440.2R-02, 2002).
Tipo de fibra e tipo de Factor de redução ambiental
Condições de exposição
resina CE
Carbono/Epoxi 0,95
Ambientes interiores Vidro/Epoxi 0,75
Aramida/Epoxi 0,85
Carbono/Epoxi 0,85
Ambientes exteriores (pontes, pilares e
Vidro/Epoxi 0,65
parques de estacionamento a descoberto)
Aramida/Epoxi 0,75
Ambientes agressivos (instalações Carbono/Epoxi 0,85
químicas, estações de tratamento de Vidro/Epoxi 0,50
águas) Aramida/Epoxi 0,70
O nível de extensões iniciais, εbi, pode ser determinado através de uma análise elástica
linear em secção fendilhada do elemento a reforçar.
A verificação aos ULS proposta pela guideline em análise considera os cinco modos de
rotura presentes na Figura 6.8.
Modos de rotura
63
Reforço de estruturas com FRP’s
M n M u (6.54)
Tal como no documento proposto pela fib, a rotura e o valor do momento flector resistente
da secção são condicionados pelas máximas extensões admitidas no betão, aço e FRP.
Então, de maneira a proporcionar uma suficiente aderência da ligação betão-compósito e a
transferência necessária da força do compósito para o betão, a extensão máxima no FRP,
εfu, deve ser limitada utilizando um coeficiente de redução, km, tal como mostra a equação,
fe k m fu (6.56)
Onde, εfe é a máxima extensão ou extensão efectiva no FRP em estado limite último.
1 nE f t f
1
360000 0,90 para nE f t f 180000
60 fu
km (6.57)
1 90000
0,90 para nE f t f 180000
60 nE f t f
fu
64
Análise e aplicação das normas
Onde, Ef deve entrar em N/mm2, tf em mm e εfu deve ser adimensional. Note-se que o
coeficiente de redução km é unicamente baseado na experiência adquirida e na investigação
de reforço de elementos por colagem exterior de FRP, sendo portanto necessário
desenvolver mais investigação sobre a ligação entre o FRP e o betão.
f fe E f fe (6.58)
d c
s fe bi (6.59)
hc
Onde, εbi é a extensão inicial na secção; d é altura útil do elemento e c é a profundidade do
eixo neutro (Figura 6.9). Conhecida a extensão no aço e considerando que estes tem um
comportamento elasto-plástico, a tensão no aço, fs, é,
f s Es s f y (6.60)
As f s A f f fe
c (6.61)
f c' 1b
Os coeficientes γ e β1 são parâmetros que permitem simular a distribuição não linear de
tensões na secção como uma distribuição rectangular equivalente de tensões (Figura 6.9).
65
Reforço de estruturas com FRP’s
b f'c
c
c 1.c
Eixo
d Neutro
h d-c
h-c
s fs fs
Figura 6.9: Distribuição de tensões e extensões numa secção à flexão (adaptado de ACI 440.2R-02, 2002).
f c' 27,5 MPa , β1 deve ser reduzido linearmente de 0,05 por cada incremento de
resistência de 7 MPa, embora β1 não deva ser inferior a 0,65.
Conhecida a posição do eixo neutro, o momento flector resistente, Mn, é dado por,
c c
M n As f s d 1 f A f f fe h 1 (6.62)
2 2
Como comprimento de colagem, lb, o ACI propõe uma metodologia simplificada em que
este é dado pelo maior dos valores entre d/2 e 0,15 m. O comprimento de colagem é
contabilizado a partir do ponto de inflecção do diagrama de momentos ou a partir do ponto
em que o momento no diagrama iguala ao momento flector de fendilhação. Quando o
reforço é constituído por mais que uma camada de reforço FRP, o comprimento de
colagem a adoptar deve ser tal que a camada de reforço que fica em contacto com a
superfície de betão deve ter um comprimento de colagem igual ao produto entre o número
de camadas e o comprimento de colagem de uma só camada. As restantes camadas devem
possuir um comprimento de colagem uma vez inferior ao comprimento da camada anterior.
66
Análise e aplicação das normas
lb lb lb
Figura 6.10: Comprimento de ancoragem de camadas sobrepostas.
Após a verificação de todas as condições impostas relativas aos estados ULS, a solução
apontada como ideal terá de verificar também os limites impostos pelos SLS. Note-se que
a guideline do ACI apenas contempla a verificação da limitação das tensões e das
deformações, encontrando-se as disposições referentes a estas verificações no documento
ACI 318-05, (2004).
De acordo com a ACI 440.2R-02, as tensões na armadura devem ser limitadas a 80% da
tensão de cedência do aço, fy. O nível de tensão no aço, fs,s, é obtido através de uma análise
elástica em secção fendilhada da qual resulta a equação,
kd
M s bi A f E f h 3 d kd Es
f s ,s 0,8 f y (6.63)
kd kd
As Es d d kd A f E f h h kd
3 3
Onde, Ms é o momento actuante na secção crítica para a combinação Rara de acções; e k é
um coeficiente que multiplicado pela altura útil dá a posição aproximada do eixo neutro. k
é determinado pela equação,
2
E Ef E E h E E
k s s f 2 s s f f s s f f (6.64)
Ec Ec Ec Ec d Ec Ec
Onde, ρs e ρf são a percentagem de aço e de reforço FRP, respectivamente, e é dada pelo
quociente entre a área de reforço (aço ou FRP) e o produto da base pela altura útil da
secção.
67
Reforço de estruturas com FRP’s
Ef h kd
f f ,s f s.s bi E f (6.65)
Es d kd
Os limites impostos a esta tensão dependem do tipo de fibras e são impostos tendo em
conta os ciclos de fadiga a que o FRP irá estar exposto. Assim, para fibras de vidro
f f ,s 0,20 f fu ; para fibras de aramida f f ,s 0,30 f fu ; e para fibras de carbono
f f ,s 0,55 f fu .
M
3
M
3
I g cr I g 1 cr I cr (6.66)
Ma M a
Onde, Icr é o momento de inércia da secção fendilhada; Ma é o momento actuante para
combinações Raras; e Mcr é o momento de fendilhação dado por,
fr I g
M cr e f r 7,5 f c' (6.67)
hc
Os limites de deformação máxima a curto prazo em serviço, δ, impostos pela
ACI 318-05, (2004), dependem do tipo de elemento estrutural e variam desde L/180 para
elementos cuja flecha não afecte a sua utilização (p.ex. telhados e elementos não
estruturais) até L/480 para elementos cuja flecha afecte a sua utilização (p.ex. lajes de
pavimentos e vigas).
Em relação à deformação a longo prazo, é proposto que esta seja determinada adicionando
ao valor da deformação a curto prazo a parcela correspondente à deformação por fluência
obtida através da multiplicação da deformação a curto prazo por um factor λ∆ dado por,
68
Análise e aplicação das normas
(6.68)
1 50 '
Onde, ρ’ é a percentagem de armadura de compressão na secção crítica e ξ é um factor que
depende da duração da carga (duração de cinco ou mais anos, ξ=2,0;duração superior a um
ano, ξ=1,4; duração superior a meio ano, ξ=1,2; e duração superior a três meses,
ξ=1,0).
Para o cálculo em ULS e verificação aos SLS são adoptadas as mesmas combinações de
acções que são propostas pela norma da fib. Assim, as combinações a usar e os respectivos
coeficientes são dados pelo EC2.
Art pt
t eq e Art (6.69)
1000 n fib
Onde, pt é a massa da manta em g/m2; n é o número de direcções das fibras; ρfib é a
densidade das fibras em g/cm3; e teq é a espessura equivalente em mm.
Para estes sistemas, a determinação dos valores característicos das propriedades mecânicas
é feita aplicando um factor ao módulo de elasticidade, αfE, e outro à resistência à tracção,
69
Reforço de estruturas com FRP’s
αff, de forma a considerar o efeito da resina no compósito após impregnação. Estes factores
devem ser disponibilizados pelo fornecedor do sistema, sendo que no caso de não o ser
possível deve ser tomado um valor inferior a 0,9. O valor característico do módulo de
elasticidade, Ef, é dado por,
Onde, Efib é o módulo de elasticidade de uma fibra. Da equação (6.70) pode-se concluir
que o valor característico do módulo de elasticidade é dado por fE E fib . De maneira
Onde, ffib é o valor característico da resistência à tracção de uma fibra. Tal como para o
modulo de elasticidade, o valor característico da resistência à tracção é dado por ff f fib .
Xk
X d (6.72)
m
Onde, Xd é o valor de cálculo de determinada propriedade; ε é um factor correctivo que
depende das condições de exposição do reforço e dos efeitos a longo prazo; Xk é o valor
característico da propriedade em causa; e γm é um coeficiente de segurança parcial.
O factor correctivo, ε, toma diferentes valores consoante se esteja a analisar estados limites
últimos (ULS) ou estados limites de utilização (SLS). Para ULS, o factor correctivo
designa-se por εa, e pretende traduzir os efeitos das condições ambientais (alcalinidade do
meio, humidade, temperatura, ciclos térmicos, ciclos de gelo/degelo e radiações
ultravioleta) nas propriedades mecânicas do compósito. Os valores a adoptar para este
factor são iguais aos adoptados pela guideline do ACI para o factor de redução CE,
presentes na Tabela 6.3.
No respeitante aos SLS, o factor correctivo toma a designação de ε1, e pretende simular os
efeitos da degradação das propriedades do FRP a longo prazo devido a efeitos de fluência,
relaxação e fadiga. Este factor depende do tipo de carregamento a que o elemento está
70
Análise e aplicação das normas
sujeito. Assim, quando este se encontra submetido a mais que um tipo de carregamento, o
factor de redução deve ser obtido do produto entre os factores correspondentes aos
respectivos carregamentos.
Tabela 6.4: Factor correctivo η1 para o FRP devido aos efeitos a longo prazo (adaptado de CNR, 2004).
Tipo de carregamento Tipo de fibra e tipo de resina ε1
Vidro/Epoxi 0,30
Continuo (fluência e relaxação) Aramida/Epoxi 0,50
Carbono/Epoxi 0,80
Cíclico (fadiga) Todos 0,50
Tal como o exposto anteriormente para as normas, o elemento que irá ser sujeito a reforço
possui extensões na face onde este vai ser instalado. O cálculo das extensões em serviço e
antes do reforço é feito tal como o exposto para a norma fib no número 6.3.2.1.
A guideline proposta pelo CNR considera os quatro modos de rotura da Figura 6.11 como
sendo os mais condicionantes. Os dois modos relacionados com a rotura por descolamento
do FRP nas extremidades e rotura por descolamento ao longo do reforço são evitados
fazendo a limitação da tensão de cálculo e da extensão de cálculo do FRP, para a
determinação do momento resistente.
Modos de rotura
71
Reforço de estruturas com FRP’s
fk
fd min a , fdd (6.73)
f
Onde, εfk é o valor característico da extensão máxima no FRP; εa é um factor correctivo
que traduz os efeitos das condições ambientais (igual ao coeficiente de redução ambiental
CE adoptado pela guideline do ACI e especificado na Tabela 6.3); γf é o coeficiente parcial
de segurança (Tabela 6.5); e εfdd é o valor de cálculo da extensão correspondente ao início
do descolamento do FRP. Esta extensão é dada por,
f fdd , 2
fdd (6.74)
Ef
Onde, Ef é o módulo de elasticidade do FRP; e ffdd,2 é o valor de cálculo da tensão última de
tracção no FRP considerando a rotura por descolamento intermédio do FRP, e que é dado
pelo produto de um coeficiente de eficiência, kcr, que toma o valor de 3 quando não é
conhecido o valor de calculo da tensão última de tracção no FRP considerando a rotura por
descolamento nas extremidades do reforço, ffdd. Assim, o valor de cálculo da tensão última
de tracção no FRP é dado por,
k cr 2 E f Fk
f fdd , 2 k cr f fdd (6.75)
f ,d c tf
Onde, γf,d e γc são os coeficientes parciais do FRP (Tabela 6.5) e do betão, respectivamente;
ΓFk é o valor característico da energia de fractura da interface betão-compósito; e tf é a
espessura do reforço FRP. O valor característico da energia de fractura da interface, ΓFk, é
dado por,
Onde, fck é o valor característico da resistência à compressão do betão; fctm é o valor médio
da resistência à tracção do betão; e kb é um factor geométrico dado por,
bf
2 bf
kb b e 0,33 (6.77)
bf b
1
400
72
Análise e aplicação das normas
Eftf
le (6.78)
2 f ctm
Tabela 6.5: Coeficientes de segurança parciais para os sistemas e produtos FRP (adaptado de CNR, 2004).
Coeficiente de Aplicação de sistemas Aplicação de sistemas
Modo de rotura
segurança certificados globalmente certificados produto a produto
Rotura do FRP γf 1,10 1,25
Descolamento do FRP γf,d 1,20 1,50
Os restantes modos de ruína, por rotura do FRP e por esmagamento do betão com cedência
do aço à tracção, influenciam o cálculo e o valor do momento resistente. Para o cálculo
considerando a rotura do FRP, é tomado o valor da extensão no FRP, εf, igual ao valor da
extensão máxima de cálculo do FRP, εfd. Já para o cálculo considerando a rotura por
esmagamento do betão com cedência do aço à tracção, é tomado o valor da extensão no
betão, εc, igual ao valor da extensão máxima de cálculo no betão, εcu. Para ambos os casos,
o perfil de extensões na secção é linear sendo assim possível determinar as restantes
extensões nos diferentes materiais ao longo da secção.
Deve também ser verificado um critério de ductilidade, de modo a que a rotura ocorra com
plastificação das armaduras ordinárias. Este critério é função da profundidade do eixo
neutro e depende da extensão máxima do betão, εcu, e da extensão de cedência das
armaduras ordinárias, εsy. Assim,
x cu
lim (6.79)
d cu yd
À semelhança do exposto na norma da fib, os estados SLS a verificar são a limitação das
tensões, a limitação da deformação e o controlo da fendilhação. No entanto, a guideline
proposta pelo CNR remete estas verificações para os regulamentos Nacionais Italianos. Na
análise feita optou-se por adoptar a metodologia proposta pela fib tendo sempre em conta o
proposto também pelo CNR. Esta verificação é feita admitindo que os materiais têm um
comportamento linear elástico, quer para análise em secção fendilhada ou secção não
fendilhada. Tal como o proposto pela fib, para a verificação aos SLS importa conhecer a
73
Reforço de estruturas com FRP’s
Segundo o CNR, as tensões em serviço no sistema FRP para combinações de acções Quase
Permanentes devem ser limitadas a,
f f fk (6.80)
Onde, ffk é o valor característico da resistência do FRP; e ε é um factor correctivo para ter
em conta os efeitos a longo prazo no reforço, e que depende do tipo de carregamento e do
tipo de fibra (ver Tabela 6.4). Para as tensões em serviço no betão e na armadura, os
limites que estas têm de verificar são os adoptados na norma fib e que se encontram nas
equações (6.36) e (6.37). O cálculo das tensões nos diferentes materiais é feito com base no
princípio da sobreposição dos efeitos (PSE), considerando a condição M M 0 M 1 ,
sendo M0 o momento actuante antes do reforço e ΔM1 o acréscimo de momento após o
reforço. Então, aplicando o PSE vem,
Tensão no betão c c 0 c1 c0 M 0 s c1 M 1 s
W0,c W1,c
Tensão no aço s s 0 s1 s 0 ns M 0 i s1 ns M 1 i
W0,s W1,s
n f M 1
Tensão no FRP f i
W1, f
Onde,
74
Análise e aplicação das normas
Ef
nf Relação de módulos.
Ec
O eixo neutro, x0, e os momentos de inércia antes e após o reforço, I0 e I1, devem ser
determinados tendo em conta o estado fendilhado ou não fendilhado da secção.
75
Reforço de estruturas com FRP’s
A solução obtida segundo o documento do CNR resulta da situação em que ocorre rotura
do FRP. Este modo de rotura é devido à baixa extensão de cálculo do FRP admitida por
este documento quando comparada com a extensão admitida pelo outros dois documentos.
76
Análise e aplicação das normas
pela rotura do FRP. Isto deve-se ao CNR propor que a extensão de cálculo do FRP, εfd, seja
o valor mínimo entre a extensão de cálculo correspondente ao início do descolamento do
FRP, εfdd, e o valor característico da extensão máxima no FRP minorada com os
respectivos coeficientes (equação (6.73). Assim, sendo a extensão de cálculo do FRP
limitada a um valor baixo quando comparado com o valor admitido pelas propostas da fib e
do ACI, o momento flector resistente também será baixo. Daqui se justifica que a proposta
do CNR resulte num menor valor de momento resistente com uma maior quantidade de
reforço e que o modo de rotura condicionante seja a rotura do FRP.
Ao fazer uma comparação dos parâmetros da solução do CNR com os parâmetros das
soluções da fib e do ACI, facilmente se poderá concluir que, à partida, o modo de rotura
que irá ocorrer não será a rotura pelo FRP mas sim rotura por esmagamento do betão, já
que a área de FRP é bastante elevada quando comparada com as outras duas soluções.
Desta forma conclui-se que a limitação da extensão de cálculo imposta pelo CNR não é a
mais correcta pois leva a resultados que poderão não corresponder à realidade.
Pela análise dos resultados pode-se concluir que os comprimentos de colagem são
idênticos para as três normas.
77
Reforço de estruturas com FRP’s
A verificação aos estados limites de serviço das soluções obtidas em ULS, feita pelas
propostas em estudo, é algo diferente no que respeita à filosofia aplicada bem como aos
limites impostos.
O ACI não impõe um limite de tensão no betão ao contrário dos outros documentos. Este
apenas impõe limites de tensão no aço e no FRP, sendo que o limite de tensão no FRP, tal
como nos outros documentos, depende do tipo de fibra. O limite de tensão no aço e no FRP
é cumprido para a combinação Quase Permanente de acções. No entanto, apesar da tensão
no aço para a combinação Rara de acções não cumprir o limite, considera-se que esta
limitação é verificada pois a tensão obtida é praticamente igual à tensão limite e os
coeficientes de segurança empregues ao longo dos cálculos permitem a existência de
alguma margem livre de resistência. Desta forma é possível fazer com que o reforço seja
mais económico, dispensando a aplicação de mais laminados.
78
Análise e aplicação das normas
A metodologia proposta pelo CNR é muito semelhante à proposta pela fib, já que os limites
de tensão a aplicar são remetidos para os regulamentos de cada país. Como se pode
verificar pela análise da Tabela 6.11, a tensão no aço e no FRP verifica os limites impostos
ao contrário do betão que não consegue respeitar o limite de tensões imposto, para ambas
as combinações de acções.
Pela análise da Tabela 6.11 pode-se verificar que os três documentos propõem a
verificação dos limites das tensões no FRP apenas para a combinação Quase Permanente
de acções. No entanto, a verificação para a combinação Rara de acções também faria todo
o sentido já que o valor do carregamento resultante desta combinação é superior ao dado
pela combinação Quase Permanente. Quanto à verificação das tensões no betão e no aço,
também não existe um consenso entre os documentos, como se pode observar pela
Tabela 6.11.
Das três soluções obtidas, pode-se verificar que apenas as tensões da fib e do CNR são
idênticas, existindo uma discrepância em relação às do ACI principalmente na tensão no
FRP.
A verificação da deformação segundo o proposto pela fib e pelo CNR é feita para a
combinação Quase Permanentes e combinação Rara de acções, enquanto que o ACI
enuncia que a verificação apenas deva ser feita para a combinação Quase Permanente de
acções.
79
Reforço de estruturas com FRP’s
Tempo imediato - - - - -
CNR
Longo prazo 0,00583 0,0200 L/250 0,00938 0,0200 L/250
Pela análise da Tabela 6.12 pode-se verificar que todos os limites são cumpridos à
excepção da flecha a longo prazo para a combinação Quase Permanente de acções
calculada segundo o ACI. A determinação do valor desta flecha depende do tempo de
carregamento, tendo sido considerado 5 ou mais anos. Esta flecha é determinada a partir da
flecha a tempo imediato afectando-a de um coeficiente que tem em conta os efeitos de
fluência e relaxação, tornando-se assim num resultado um pouco aproximado.
O CNR propõe que seja avaliada e controlada a abertura de fendas remetendo também esta
verificação para os documentos nacionais de cada país. Assim, os resultados obtidos por
ambos os documentos são bastante aproximados, já que a metodologia usada é igual. Pela
análise da Tabela 6.13 pode-se verificar que o controlo da abertura de fendas respeita os
limites impostos.
80
Análise e aplicação das normas
ACI - - - -
Dos três documentos aplicados pode-se concluir que o proposto pelo CNR é o mais
conservativo e mais dispendioso, pois resulta numa solução com maior quantidade de
laminado e menor momento resistente, sendo o ganho de resistência após reforço de
26,9%. O documento menos conservativo é o da fib, já que se conseguem bons ganhos de
resistência em termos de momento flector com a menor quantidade de laminado e o menor
custo em comparação com as outras soluções obtidas. Aqui o ganho de resistência após
reforço foi de 33,9%. Por fim, a solução obtida pelo ACI é aquela que apresenta um maior
ganho de resistência em termos de momento flector, 41,8%.
À semelhança do que foi dito em 6.3, o aumento da sobrecarga na viga teórica na ordem
das quatro vezes a sobrecarga inicial, levou à existência da necessidade do seu reforço ao
corte. O tipo de fibras adoptado para este reforço é o mesmo que foi usado no reforço à
flexão, fibras de carbono, mas optou-se por aplicar mantas de CFRP unidireccionais em
vez de laminados.
Como se refere no Capítulo 4, existem várias formas de aplicar o reforço ao corte, tendo-se
optado neste trabalho pela aplicação do reforço em três faces do elemento (nas faces
laterais e na base.). Uma vez que as mantas de CFRP adoptadas são unidireccionais, foi
imposto que a orientação das fibras seja sempre perpendicular ao eixo da viga para que se
consiga obter a máxima mobilização de resistência, ou seja, para que se obtenha a máxima
eficácia do reforço. A Figura 6.12 representa a correlação do nível de tensão com a
variação da orientação das fibras em relação ao eixo da viga.
81
Reforço de estruturas com FRP’s
Tal como no reforço à flexão, também no corte o reforço é calculado em relação aos
estados limites últimos de utilização. Para tal, é usada a combinação fundamental de
acções dada pelo EC2.
No que concerne aos estados limites de serviço, o reforço ao corte, não tem de verificar
qualquer imposição.
A extensão efectiva do FRP, εf,e, depende da forma do reforço adoptada e do tipo de fibra.
Como se convencionou para este trabalho que o reforço seria aplicado em três faces do
elemento, a extensão efectiva é dada pelo menor dos valores entre,
f 23
0 , 56
f 23
0 , 30
f ,e mínimo 0,65 cm 10 ; 0,17 cm
3 fu (6.81)
E E
fu f fu f
Onde, fcm é o valor médio da resistência à compressão do betão em MPa; Efu é o valor
último do módulo de elasticidade do FRP em GPa; ρf é a percentagem de reforço FRP; e εfu
é a extensão última do FRP. Conhecida a extensão efectiva, é possível determinar o valor
característico da extensão efectiva do FRP, εfk,e, multiplicando a extensão efectiva por um
factor de redução, k, que normalmente assume o valor de 0,8.
fk ,e k f ,e (6.82)
82
Análise e aplicação das normas
O valor de cálculo da extensão efectiva do FRP, εfd,e, pode então ser obtido pela minoração
do valor característico da extensão efectiva FRP por um coeficiente de segurança, γf. Este
coeficiente de segurança assume os valores dados na Tabela 6.2 consoante o tipo de fibra.
No entanto, alguns autores propõem que o valor característico da extensão efectiva seja
limitado a 0,006 para que se mantenha a integridade do betão e a correcta mobilização da
interligação dos agregados.
Onde, VRd2 é o esforço transverso resistente máximo; Vcd é a contribuição do betão para a
resistência de cálculo ao corte; Vwd é a contribuição da armadura para a resistência de
cálculo ao corte; e Vfd é a contribuição do FRP para a resistência do elemento ao corte. A
contribuição do FRP é obtida pela expressão,
Onde, εfd,e é a extensão efectiva de cálculo; Efu é o valor último do módulo de elasticidade
na direcção das fibras; bw é a largura mínima da secção transversal; d é a altura útil da
secção; ζ é o ângulo que as fendas diagonais fazem em relação ao eixo do elemento,
normalmente assume-se 45º; αe é o ângulo que a direcção principal das fibras faz em
relação ao eixo do elemento; e ρf é a percentagem de reforço FRP, que para reforços
contínuos colados ao longo do elemento é dado por 2t f sin e bw , sendo tf a espessura do
reforço.
Embora o aumento de esforço no elemento implique o seu reforço ao corte, não existe a
necessidade de efectuar este reforço ao longo de todo o elemento. Assim, para o caso em
estudo, o comprimento a reforçar a partir dos apoios, é determinado através do sistema de
equações de esforço transverso (equação (6.85) e da confrontação do diagrama de esforço
83
Reforço de estruturas com FRP’s
transverso com a respectiva distribuição de estribos (Figura 6.13 e Figura 6.1). Após
encontrada a zona onde será feita a dispensa do reforço, x, é necessário verificar se a
armadura de esforço transverso dessa zona resiste ao esforço transverso, V. Caso não
resista, terá novamente de se encontrar um novo x para fazer a dispensa de armadura.
V'
V
Psd L
V 2 Psd x V 'V
x (6.85)
x
V ' Psd ' L P ' x Psd '
2
sd
O reforço ao corte, à semelhança do exposto para a norma fib, é calculado para os estados
limites últimos de utilização. Para tal, devem ser usadas as mesmas combinações de acções
adoptadas no reforço à flexão e que são dadas pela guideline ACI 318-05, (2004). Os
factores de redução de resistência a empregar são também definidos nesta guideline.
Também neste documento, no que respeita a SLS, não é proposta nenhuma verificação ao
reforço obtido em ULS.
84
Análise e aplicação das normas
k1k 2 Le
kv 0,75 (6.87)
11900 fu
Onde, k1 e k2 são coeficientes de modificação; e Le é o comprimento de colagem activo,
que indica o comprimento para o qual as tensões de colagem se mantêm. Este
comprimento é dado por,
23300
Le
nt f E f 0,58 (6.88)
2/3
f'
k1 c (6.89)
27
d f Le
k2 para reforço em três faces (6.90)
df
Onde, f’c é a resistência do betão à compressão; e df é a altura livre da viga onde irá ser
colado o reforço.
Vn Vu (6.91)
85
Reforço de estruturas com FRP’s
Tabela 6.14: Factor de redução de resistência associado ao reforço FRP (adaptado de ACI 440.2R-02, 2002).
ψf
Elementos reforçados nas quatro faces 0,95
Elementos reforçados em duas ou três faces 0,85
A fv f fe sin cos d f
Vf (6.93)
sf
Onde,
A fv 2nt f w f (6.94)
f fe fe E f (6.95)
86
Análise e aplicação das normas
h d df
Wf Wf
bw Sf Sf
a) b) c)
Figura 6.14: Esquema representativo das variáveis usadas no reforço ao corte
(adaptado de ACI 440.2R-02, 2002).
Dado que foi admitido que o reforço será feito com mantas de CFRP, a distância sf é
determinada assumindo que o reforço na viga é feito com recurso a dois grandes estribos
de CFRP, em que cada um abrange metade da viga, sendo wf=L/2. Desta forma, sf vale
também L/2. Fazendo a substituição destas duas variáveis na equação (6.93), resulta a
fórmula simplificada que permite a determinação da contribuição do FRP para o reforço ao
corte com mantas FRP,
Tal como dito no documento da fib, o reforço não é necessário ao longo de todo o
elemento. A distância à partir do apoio na qual se faz a dispensa de reforço é calculada da
mesma forma que em 6.4.1.2.
Tal como para os documentos da fib e do ACI, a verificação do cálculo do reforço ao corte
é apenas feita em relação aos ULS. Para tal, é usada a combinação fundamental de acções
dada pelo EC2.
Para o cálculo do reforço ao corte, tal como nos outros documentos em análise, é
necessário determinar a resistência efectiva de cálculo do FRP, ffed. Para tal, o documento
do CNR propõe uma metodologia simplificada que tem em linha de conta o efeito da
concentração de tensões entre o betão e o FRP, junto a fendas de corte. Sendo o reforço
aplicado em três faces do elemento, a resistência efectiva de cálculo é dada por,
87
Reforço de estruturas com FRP’s
1 le sin
f fed f fdd 1
3 min 0,9d ; hw
(6.97)
1 2 E f Fk
f fdd (6.98)
f ,d c tf
As variáveis da equação anterior estão definidas na equação (6.75).
À semelhança do que é proposto pelos outros dois documentos, o reforço ao corte tem de
verificar a condição,
Para elementos de secção rectangular e cujo reforço é feito por colagem nas faces, a
contribuição do reforço FRP para a resistência ao corte, VRd,f, é dada por,
wf
0,9 d f fed 2 t f cot cot
1
VRd , f (6.101)
Rd pf
As variáveis da equação anterior encontram-se identificadas na Figura 6.15, onde, γRd é um
coeficiente parcial de segurança que vale 1,20; d é a altura útil da secção; ffed é a resistência
efectiva de cálculo; tf é a espessura do reforço; ζ é o ângulo que as fendas de corte fazem
com o eixo do elemento; β é o ângulo que a direcção principal das fibras faz com o eixo do
elemento; wf e pf são a dimensão e o espaçamento do reforço, respectivamente.
88
Análise e aplicação das normas
p' f wf
d
h hw
pf
bw tf pf
a) b)
Figura 6.15: Esquema representativo das variáveis usadas no reforço ao corte (adaptado de CNR, 2004).
Também para este documento se aplica a simplificação efectuada para a proposta do ACI,
onde se considera que a distância pf é determinada assumindo que o reforço na viga é feito
com recurso a dois grandes estribos de CFRP, em que cada um abrange metade da viga,
sendo wf=L/2. Desta forma, pf vale também L/2.
O reforço ao corte do elemento teórico foi efectuado com recurso a mantas de carbono –
CFRP. Tal como no reforço à flexão, também aqui foi adoptado sempre o mesmo tipo de
manta para que a comparação de resultados se torne mais fácil. As principais propriedades
da manta usada encontram-se na Tabela 6.16.
89
Reforço de estruturas com FRP’s
A configuração do reforço adoptada para os três documentos passa pela sua aplicação em
três faces (base e laterais), sendo a direcção principal das fibras perpendicular ao eixo do
elemento (90º). A altura livre nas laterais do elemento onde cola o reforço foi admitida
igual à altura total de secção. Para a orientação das fendas provocadas pelo esforço
transverso foi admitido que estas fariam um ângulo de 45º com o eixo do elemento.
Dos valores da tabela anterior, pode-se constatar que embora estes sejam obtidos segundo
o EC2, os valores determinados para o documento do ACI são superiores aos dos outros
dois documentos. Esta discrepância deve-se ao facto dos valores de resistência do betão e
do aço usados serem valores característicos e não de cálculo. Estes valores serão
minorados aquando da determinação da capacidade resistente do conjunto.
90
Análise e aplicação das normas
O documento do ACI propõe a limitação das extensões no FRP a εfe≤0,004, a qual não é
cumprida. Desta forma é necessário aplicar ancoragens mecânicas nas extremidades do
reforço. Segundo os outros dois documentos não são necessárias estas ancoragens.
O pilar estudado faz parte de um edifício situado em Évora e que foi modelado com
recurso ao programa SAP 2000. É um edifício regular em planta e em altura, constituído
por 5 pisos, cada um com 3,20 m de pé-direito. O edifício é constituído por uma estrutura
reticulada de betão armado com lajes aligeiradas pré-fabricadas e armadas numa só
direcção. A direcção de amarração das lajes é alternada entre panos de laje e entre pisos,
como se mostra na Figura 6.16 a). As vigas do edifício são iguais à viga teórica
apresentada em 6.2, bem como as lajes aligeiradas. O terraço do edifício é não acessível e
possui uma carga permanente distribuída de 4 kN/m2 correspondente à betonilha de
regularização, à impermeabilização, ao isolamento e à brita de acabamento. Para efeitos de
cálculo também foi considerada a acção do vento calculada segundo o RSA, (2004) para a
zona do edifício.
91
Reforço de estruturas com FRP’s
5,00
Pilar a reforçar
5,00
a) b)
Figura 6.16: a) - Planta do edifício e amarração das lajes; b) - Esquema do edifício.
O pilar estudado foi um pilar de canto, tendo sido dimensionado com recurso aos esforços
obtidos da modelação. Do dimensionamento resultou um pilar com secção de 0,3x0,4
armado com 8ϕ12, com estribos em ϕ6//0,200 e ϕ6//0,100 em secções localizadas
(Figura 6.17).
0,20
0,20
Pilar
Pilar 0,20
0,20
0,20
0,20
0,10
0,10
0,10
0,10
0,10 Sapata / Fundação
0,10
Viga 0,10
0,10
0,10
0,10
0,10
0,20
0,20
0,30
X
0,20
0,40
Y Z
a) b)
Figura 6.17: Pormenor das armaduras do pilar: a) - Zona das vigas; b) - Zona da fundação.
O pilar teórico cumpre todos os limites impostos pelo EC2 no que respeita a estados
limites últimos (ULS) e estados limites de utilização (SLS).
92
Análise e aplicação das normas
A necessidade de reforço do pilar teórico surgiu devido ao edifício onde este se insere não
ter sido calculado ao sismo, sendo então necessário proceder ao seu reforço por forma a
que este resista à solicitação de um eventual sismo.
O reforço por confinamento foi feito com mantas de carbono (CFRP), tendo sido adoptado
o mesmo tipo de manta para os três documentos em análise.
Em elementos confinados, por oposição ao aço e após cedência deste, o FRP exerce uma
pressão de confinamento crescente com comportamento elástico até à rotura. Assim, desta
forma é possível continuar o aumento de carga no pilar, suportada pela pressão de
confinamento constante do aço e pela pressão de confinamento crescente do FRP. Note-se
que a pressão de confinamento é tanto maior quanto maior for a dilatação lateral do betão.
A resistência última do betão confinado está directamente relacionada com a tensão de
rotura do reforço FRP de confinamento do elemento.
93
Reforço de estruturas com FRP’s
1 2t j f j
fl = ρ j f j = (6.102)
2 dj
Onde, tj é a espessura do FRP; dj é o diâmetro da secção; e fj é a resistência última do
encamisamento de FRP.
f f
f cc f co 2,254 1 7,94 l 2 l 1,254 (6.103)
f co f co
f cc
cc co 1 5 1 (6.104)
f co
Onde, fcc é a resistência do betão confinado; εcc é a extensão de compressão para o pico de
resistência de confinamento fcc; fco é a valor de cálculo da resistência do betão não
confinado à compressão; e εco é a extensão do betão não confinado para o pico de tensão.
Ec Ec
Esec,u
1 2 p ju fj (6.105)
1 2 p
Ej
5700
p 500 (6.106)
f co
Sendo assim, a extensão última, εcu, e a tensão última, fcu, são dadas por,
f cu Esec,u cu (6.107)
94
Análise e aplicação das normas
Ec cu
f cu (6.109)
1 2 p ju
Ecc
1
2 p ju Ecc Ec (6.110)
cu cc
Ec Ecc
A norma para além deste método mais exacto e mais complexo, apresenta outros dois que
são baseados em aproximações, os quais não serão aqui referidos.
Betão não
confinado
FRP t bf
rc
45º s' s FRP 45º
l
d' d
Betão não
confinado
D
j j b'=b-2rc
D-s'/2
D b
a) b) c)
Figura 6.18: Pressão de confinamento exercida pelo FRP e características da secção (adaptado de fib, 2001).
A pressão de confinamento lateral, ζl, pode ser calculada a partir da tensão instalada no
encamisamento de FRP, ζj.
Então,
l K conf l (6.111)
1
K conf jEj (6.112)
2
95
Reforço de estruturas com FRP’s
1
fl j E j ju (6.113)
2
Onde, εju é a extensão de rotura do encamisamento FRP.
Sendo a secção estudada de forma rectangular, as equações (6.111) e (6.112) sofreram uma
ligeira alteração. De forma semelhante ao elementos de secção circular, as pressões
máximas de confinamento lateral provocadas pelo encamisamento FRP em secções
quadradas ou rectangulares são dadas por,
lx K conf , x ju ly K conf , y ju
K conf , x jx k e E j K conf , y jy k e E j
(6.114)
2b f t j 2b f t j
jx jy
sd sd
Onde, ρjx e ρjy representam a relação volumétrica de reforço por confinamento na direcção
x e y, respectivamente.
b '2 d '2
ke 1
A (6.115)
3 Ag 1 s
A
g
Onde, b’ e d’ são as dimensões das faces correspondentes ao betão não confinado, Ag é a
área da secção de betão; e As é a área total de aço de reforço longitudinal.
Substituindo na equação (6.103) o parâmetro fl pelo mínimo dos valores ζlx e ζly, é possível
obter a resistência do betão confinado.
De acordo com a guideline do ACI, os sistemas de encamisamento FRP podem ser usados
para aumentar a resistência à compressão axial dos elementos de betão, fazendo o
96
Análise e aplicação das normas
Onde, f cc' é a resistência aparente do betão confinado; Ag é a área da secção e Ast é a área
total do reforço longitudinal. Ψf é um factor de redução adicional, cujo valor recomendado
pela norma é 0,95. Consultando a ACI 318-05, (2004), pode-se obter o valor do coeficiente
de segurança ϕ, que se considera 0,65.
f f
f cc' f c' 2,25 1 7,9 l' 2 l' 1,25 (6.117)
fc fc
A determinação do pico de resistência do betão confinado pode ser feita por uma simples
aproximação, substituindo na equação (6.117) o valor da pressão de confinamento do FRP,
resultante da extensão efectiva máxima no encamisamento de FRP,
ka f f fe ka f fe E f
fl (6.118)
2 2
97
Reforço de estruturas com FRP’s
2n t f b h
f (6.120)
bh
O factor de eficiência do reforço FRP, ka, é dado por,
ka 1
b 2r 2 h 2r 2
A (6.121)
3 b h1 st
Ag
Onde, b e h são os lados da secção quadrada ou rectangular; n é o número de camadas de
reforço; tf é a espessura de uma camada de reforço; r é o raio dos cantos da secção (mínimo
0,02 m); Ast e Ag são as áreas de aço longitudinal e de betão, respectivamente.
A norma recomenda, que o esforço de corte seja avaliado com recurso à metodologia
presente no capítulo sobre reforço de vigas ao corte (ponto 6.4.2 deste trabalho), de forma
a evitar possíveis roturas por corte.
O reforço por encamisamento deve respeitar os estados limites de serviço SLS. Então, para
assegurar que não ocorre fendilhação radial devido a deformações plásticas, a norma
manda que as tensões não ultrapassem 0,65 f c' no betão e 0,60 f y no aço.
98
Análise e aplicação das normas
O confinamento de elementos de betão armado pode ser efectuado com tiras de FRP
envoltas sobre o perímetro do elemento de forma contínua ou descontínua. O aumento da
capacidade axial e da extensão última do betão confinado com o FRP depende da pressão
de confinamento aplicada, que por sua vez depende da secção do elemento e da rigidez do
FRP. Em elementos confinados com FRP, ao contrário de elementos confinados com aço, a
pressão lateral aumenta linearmente com a expansão lateral do elemento, devido à lei de
comportamento do FRP possuir um comportamento linear – elástico até à rotura.
A maneira mais eficaz de se confinar um elemento é aplicando o reforço FRP com as fibras
direccionadas ortogonalmente ao eixo do elemento. Também é possível fazer este
confinamento instalando o reforço de forma helicoidal no elemento mas, a eficiência deste
é inferior ao confinamento ortogonal e deve ser avaliada de forma apropriada. Para
elementos de secção rectangular, em que b/d>2 ou max{b,d}>9000, o efeito de
confinamento proporcionado pelo FRP deve ser desprezado.
Segundo a norma, o calculo do reforço por confinamento com FRP em estado limite último
ULS deve satisfazer a condição,
N sd N Rcc ,d (6.122)
Onde Nsd é o esforço axial de cálculo; e NRcc,d é a capacidade axial do elemento, dada por,
1
N Rcc ,d Ac f ccd As f yd (6.123)
Rd
Onde, γRd é o factor de segurança e que vale 1,10; Ac é a área da secção de betão armado;
fccd é a resistência de cálculo do betão confinado; As é a área de aço longitudinal; e fyd é a
tensão de cedência do aço.
99
Reforço de estruturas com FRP’s
1 f1,eff
N Rcc ,d Ac f ccd As f yd com 0.05 (6.124)
Rd f cd
Onde, fcd é a resistência de cálculo do betão não confinado; e fl,eff é a pressão efectiva de
confinamento lateral.
1
fl f E f fd ,rid (6.125)
2
f l ,eff keff f l (6.126)
fd ,rid min a fk ; 0,004 (6.127)
f
Onde, εa é o factor de conversão ambiental dado na Tabela 6.3; e γf é um coeficiente de
segurança dado na Tabela 6.5.
b'2 d '2
kh 1 (6.128)
3 Ag
Onde, b’ e d’ são as dimensões indicadas na Figura 6.19 b); e Ag é a área da secção do
elemento.
100
Análise e aplicação das normas
Betão não
confinado
bf
45º rc
pf ' pf FRP 45º
d' d
Betão não
confinado
b'=b-2rc
D-pf ''/2
b
D
a) b)
Figura 6.19: Geometria e propriedades da secção confinada (adaptado de CNR, 2004).
2
p 'f
k v 1 (6.129)
2 d min
Onde, dmin é a menor dimensão da secção transversal. O espaçamento máximo admitido
para as tiras de reforço deve satisfazer a condição p 'f d min 2 .
1
k
1 tan f 2 (6.130)
Na equação (6.125), a proporção geométrica de reforço, ρf, para o caso em que o reforço é
aplicado de forma continua é dada por,
2 t f b d
f (6.131)
b d
Onde, tf é a espessura do FRP; bf é a largura da tira; e pf é o espaçamento das tiras.
2 t f b d b f
f (6.132)
bd p f
101
Reforço de estruturas com FRP’s
O pilar em estudo não foi dimensionado à acção sísmica, tendo por isso a necessidade de
ser reforçado. No ponto anterior tratou-se o reforço por confinamento, com o qual se
consegue aumentar a ductilidade e a resistência à compressão do betão confinado. Com o
aumento da resistência à compressão do betão confinado é possível aumentar, embora
ligeiramente, a resistência do elemento à flexão (acção de momentos flectores). Quando
este aumento não é o bastante para se conseguir resistir aos momentos flectores que se
instalam no elemento, torna-se necessário reforçar à flexão. O pilar em estudo, sendo um
pilar de canto, esta sujeito a flexão composta desviada (N+Mx+My). Relativamente aos
pilares, os três documentos estudados apenas apontam como medida de reforço o
confinamento, para a qual descrevem a metodologia de cálculo e os limites a impor.
Relativamente ao reforço dos pilares à flexão os documentos remetem para o capítulo
referente ao reforço de vigas à flexão, situação que não é possível nem viável devido às
metodologias apresentadas serem propostas para vigas simplesmente apoiadas e sujeitas a
flexão simples.
Sendo os três documentos omissos relativamente a esta matéria, tentou-se fazer uma
análise simplificada da secção do pilar a fim de se conseguir reforçá-lo à flexão. Para tal
recorreu-se ao programa Response 2000 (RSP, 2009) e à decomposição da flexão
composta desviada em flexão composta simples segundo a fórmula da interacção de
momentos dada pelo EC2,
a
M Edy
a
M Edz 1,0
(6.133)
M M
Rdz Rdy
Onde, MEdz/y é o momento de cálculo em relação ao eixo considerado, incluindo um
momento de segunda ordem; MRdz/y é o momento resistente na direcção considerada; e a é
um expoente que vale 2 para secções circulares e elípticas e para secções rectangulares
vale,
102
Análise e aplicação das normas
Na tabela, NEd é o valor de cálculo do esforço axial; e NRd é o esforço axial resistente do
elemento, que é dado por NRd=Acfcd+Asfyd em que Ac é a área bruta da secção transversal de
betão e As é a área de aço das armaduras longitudinais.
Através do programa de elementos finitos SAP 2000 foi possível obter os esforços axiais e
os momentos flectores actuantes no pilar em estudo para um sismo afastado na região de
Évora. Com estes esforços e com o programa Response 2000 foi possível, através da
equação (6.133), avaliar a necessidade de reforço do pilar e verificar se o reforço proposto
era o suficiente. Dado o programa Response 2000 ser um pouco limitado, a modelação do
reforço à flexão foi simulada com uma barra de reforço FRP longitudinal aplicada na face
pretendida, cujas propriedades dos materiais foram definidas de acordo com o laminado a
aplicar. Uma outra simplificação admitida foi terem-se desprezado as extensões iniciais do
elemento, já que o programa não permite a sua consideração nos cálculos. As extensões no
FRP foram controladas tendo por base as limitações impostas por cada documento na
matéria referente ao reforço de vigas à flexão. Os fenómenos de rotura por descolamento
das extremidades ou descolamento ao longo do FRP foram desprezados já que por cima
dos laminados longitudinais será aplicado o encamisamento de confinamento.
Z X
Figura 6.20: Referencial usado nos cálculos.
103
Reforço de estruturas com FRP’s
cálculo
cálculo
Os esforços resistentes da tabela anterior são iguais para as duas combinações devido ao
esforço axial instalado no pilar ser praticamente igual para ambas as combinações. Como
se pode verificar pela fórmula da interacção de momentos, o pilar não tem capacidade de
resistir à acção sísmica pois o resultado é superior a 1,0.
Dos três documentos aplicados, é da proposta do CNR que resulta a maior resistência à
compressão do betão confinado, sendo portanto a proposta menos conservadora. A
104
Análise e aplicação das normas
proposta do ACI é que se revela mais conservadora pois o seu resultado é o menor dos três
obtidos.
Com o auxílio do programa Response 2000 fez-se a modelação do reforço do pilar por
aplicação do laminado de CFRP e considerando a resistência do betão confinado. A partir
da modelação foi possível conhecer o aumento da resistência do pilar e perceber, pela
fórmula da interacção de momentos, se o reforço era suficiente. Na Tabela 6.23 encontram-
se os resultados obtidos do Response 2000 e para cada situação é apresentado um pequeno
105
Reforço de estruturas com FRP’s
esquema onde se identificam por meio de um “X” as faces onde se considerou a aplicação
de um laminado.
Pelos resultados obtidos pode-se verificar que para os documentos da fib e do ACI, a
aplicação de uma camada de laminado nas faces no plano em Y são suficientes para
verificar a interacção de momentos quando o sismo actua segundo a direcção X. As
extensões para os esforços indicados cumprem a limitação imposta pelos documentos.
Como já referido anteriormente, para o sismo nesta direcção o confinamento para a
proposta do CNR consegue conferir a resistência necessária dispensando o reforço à
flexão.
106
Análise e aplicação das normas
Das duas direcções de solicitação do sismo, pode-se concluir que a mais condicionante
para o pilar é a direcção Y. É desta solicitação que resulta o reforço do pilar e que se traduz
num reforço nas quatro faces para as propostas da fib e do ACI e reforços nas duas faces
dos planos em X para a proposta do CNR.
107
Capítulo 7.
Análise paramétrica
O elemento teórico considerado na análise paramétrica foi uma viga simplesmente apoiada,
cujos pressupostos para o seu pré-dimensionamento e para o seu dimensionamento foram
os mesmos que se adoptaram para o modelo teórico estudado, e que são dados em 6.2. As
cargas consideradas no dimensionamento da viga foram também as usadas no
dimensionamento do modelo teórico anteriormente estudado e encontram-se na Tabela 6.1.
Para a análise paramétrica estudaram-se cinco tipos de secções cujos momentos reduzidos
variaram de µ=0,05 até µ=0,25. Para todas as secções impôs-se que a maior dimensão
fosse o dobro da menor dimensão (h≈2b).
109
Reforço de estruturas com FRP’s
A notação usada para designar o número de camadas aplicadas deve ser interpretada da
seguinte forma: quando se indica “uma camada a par/sobreposta” significa que apenas
existe um laminado aplicado; “duas camadas a par/sobrepostas” significa que existem dois
laminados aplicados, e assim sucessivamente. A Figura 7.1 ilustra a disposição dos
laminados explicando melhor o que se expôs neste parágrafo.
a) b)
Figura 7.1: Disposição dos laminados: a) Dois laminados sobrepostos; b) Dois laminados a par.
110
Análise paramétrica
qualquer outra limitação imposta para além dos estados limites últimos. No respeitante à
dispensa do laminado de reforço, também não foi avaliada a sua posição.
Neste ponto efectuaram-se três tipos de análise onde se mostra a evolução do momento
flector resistente para cada documento em análise, para diferentes camadas de reforço a par
e para secções com diferentes momentos reduzidos.
fib ACI
4,0 4,0
3,5 3,5
3,0 3,0
CNR
M'Rd/MRd
M'Rd/MRd
4,0
2,5 2,5
1,5 1,5
3,0
M'Rd/MRd
1,0 1,0
0,05 0,10 0,15 0,20 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25
2,5 0,25
µ µ
a) 2,0 b)
CNR
1,5
4,0
3,5 1,0
0,05 0,10 0,15 0,20 0,25
3,0
µ
M'Rd/MRd
1,5
Figura 7.2: Rácio entre o momento flector
resistente após o reforço e antes do reforço para os
1,0 documentos em análise, tendo em conta a variação
0,05 0,10 0,15 0,20 0,25
do momento reduzido e do número de camadas de
µ
reforço.
c)
Os gráficos da Figura 7.2 representam o comportamento do rácio entre o momento flector
resistente após o reforço, M’Rd, e o momento flector resistente antes do reforço, MRd, para
cada secção de momento reduzido, µ, e para diferentes camadas de laminado a par.
111
Reforço de estruturas com FRP’s
O gráfico a) traduz os resultados obtidos pela aplicação do documento proposto pela fib.
Pela análise do gráfico pode-se verificar que os maiores valores de M’Rd/MRd,
independentemente no número de laminados, são obtidos para a secção de menor µ. Para
valores de µ=0,25, verifica-se que M’Rd/MRd apresenta menores valores. Analisando o
comportamento das curvas respeitantes ao número de laminados, independentemente do
seu número, observa-se que o seu comportamento é sempre decrescente, sendo mais
acentuado para µ entre 0,05 e 0,15.
A secção de µ=0,05 é aquela que apresenta maiores acréscimos de M’Rd consoante se vai
aumentando o número de camadas de reforço, o que leva a concluir que o reforço é mais
eficiente para µ’s baixos. Neste tipo de secções o modo de rotura que condiciona o
dimensionamento é a rotura do FRP, sendo a resistência do FRP toda mobilizada, daqui se
justifica os maiores valores de M’Rd/MRd. A secção de µ=0,25 é aquela que apresenta
menores acréscimos de M’Rd consoante se vai aumentando o número de camadas de
reforço, o que leva a concluir que o reforço é menos eficiente para µ’s altos. Neste tipo de
secções o modo de rotura que condiciona o dimensionamento é a rotura por esmagamento
do betão, não sendo mobilizada toda a resistência do FRP devido à ocorrência do
esmagamento do betão, daqui se justifica os baixos valores de M’Rd/MRd.
Para secções a partir de µ>0,15 pode-se verificar que os acréscimos de M’Rd com o
aumento do número de camadas são baixos, devido ao modo de rotura que condiciona o
dimensionamento (rotura por esmagamento do betão), o qual não permite a mobilização de
toda a resistência do FRP por falta de capacidade resistente do betão.
O gráfico b) traduz os resultados obtidos pela aplicação do documento proposto pelo ACI.
Pela análise do gráfico pode-se verificar que os maiores valores de M’Rd/MRd,
independentemente no número de laminados, são obtidos para a secção de menor µ. Para
valores de µ=0,25 verifica-se que M’Rd/MRd é igual a 1, ou seja, não existe nenhum
acréscimo de resistência com o reforço. Analisando o comportamento das curvas
respeitantes ao número de laminados, independentemente do seu número, observa-se que o
seu comportamento é sempre decrescente, sendo mais acentuado para µ entre 0,05 e 0,10.
112
Análise paramétrica
conclusões. No entanto, para µ=0,25 pode-se concluir que o reforço é inviável dado que
M’Rd/MRd é igual a 1 para todas as camadas de reforço.
Para secções a partir de µ>0,15 pode-se verificar que os acréscimos de M’Rd com o
aumento do número de camadas são baixos, nomeadamente, a partir das três camadas de
reforço, devido à redução da geometria da secção e ao modo de rotura que condiciona o
dimensionamento (rotura por esmagamento do betão), o qual não permite a mobilização de
toda a resistência do FRP. Pode-se concluir que para µ>0,15 e para camadas de reforço
superiores a três, o reforço é inviável devido aos acréscimos de M’Rd serem mínimos.
O gráfico c) traduz os resultados obtidos pela aplicação do documento proposto pelo CNR.
Pela análise do gráfico pode-se verificar que os maiores valores de M’Rd/MRd,
independentemente no número de laminados, são obtidos para a secção de menor µ. Para
valores de µ=0,25, verifica-se que M’Rd/MRd apresenta menores valores. Analisando o
comportamento das curvas respeitantes ao número de laminados, independentemente do
seu número, observa-se que o seu comportamento é sempre decrescente, sendo mais
acentuado para µ entre 0,05 e 0,10. No entanto, dado que a rotura do FRP é o modo de
rotura dominante, pode-se verificar que o comportamento das curvas é idêntico, sendo
estas paralelas entre si.
Tal como na fib, a secção de µ=0,05 é aquela que apresenta maiores acréscimos de M’Rd e
a secção de µ=0,25 é aquela que apresenta menores acréscimos de M’Rd consoante se vai
aumentando o número de camadas de reforço. Ao contrário dos outros dois documentos,
para µ=0,25 o modo de rotura que condiciona o dimensionamento é a rotura pelo FRP, à
excepção de quando se aplicam cinco camadas de reforço. Desta forma, pode-se verificar
pelo gráfico que os ganhos de M’Rd são mais significativos quando comparados com os
resultados dos outros documentos analisados.
Para secções a partir de µ>0,15 e para uma camada de reforço verifica-se que o reforço é
ineficiente, pois M’Rd/MRd é igual a 1.
113
Reforço de estruturas com FRP’s
Pode-se verificar pelos gráficos da Figura 7.3 que, para os três documentos, o rácio
M’Rd/MRd aumenta consoante se aumentam o número de camadas de reforço. Para secções
de µ≤0,10, a proposta da fib é aquela que apresenta maiores ganhos de resistência,
aproximando-se das outras propostas para secções em que 0,15≤µ≤0,25. Quanto à proposta
do ACI, os resultados obtidos são intermédios entre as outras duas soluções para µ≤0,10 e
para secções em que 0,15≤µ≤0,20, os resultados são similares aos da fib. Para secções de
µ=0,25, o reforço não apresenta ganhos de resistência, sendo por isso inviável. Verifica-se
também que para mais de três camadas de reforço e µ≥0,20, os acréscimos de M’Rd são
inferiores aos obtidos pelos outros documentos. Quanto às soluções obtidas pelo
documento do CNR, o reforço utilizando apenas uma camada de laminado é praticamente
inviável, já que para µ≥0,05 não se conseguem ganhos de resistência. De uma forma geral,
pode-se verificar que as soluções obtidas pelo documento do CNR resultam num menor
acréscimo de M’Rd, mas para mais de três camadas de reforço e
µ≥0,20, os acréscimos de M’Rd são superiores aos obtidos pelos outros documentos. Da
análise pode-se concluir que para µ≤0,20, as soluções obtidas pela fib e pelo ACI são as
que resultam em maiores acréscimos de resistência, respectivamente, e para µ>0,20, as
soluções obtidas pelo CNR são as que resultam em maiores acréscimos de resistência.
Para secções em que µ=0,25, a proposta do ACI não deve ser aplicada, dado que não
existirá um aumento de resistência. Como já referido e analisando o gráfico a) da
Figura 7.3, µ=0,05 é a secção onde o reforço se traduz num maior aumento de M’Rd,
estando esta situação relacionada com o modo de rotura dominante neste tipo de secções –
rotura do FRP –, modo que permite a máxima mobilização da resistência do FRP.
Pode-se ainda verificar pelo abaixamento das curvas que à medida que o momento
reduzido aumenta, os ganhos de resistência com o reforço são cada vez menores. Para
µ=0,25 os ganhos de resistência são muito pouco expressivos ou até mesmo nulos, estando
esta situação relacionada com o modo de rotura dominante neste tipo de secções – rotura
114
Análise paramétrica
µ = 0,05 µ = 0,10
4,0 4,0
3,5 3,5
3,0 3,0
M'Rd/MRd
M'Rd/MRf
2,5 2,5
2,0 2,0
1,5 1,5
1,0 1,0
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
Nº camadas a par Nº camadas a par
a) b)
µ = 0,15 µ = 0,20
4,0 4,0
3,5 3,5
3,0 3,0
M'Rd/MRd
M'Rd/MRd
2,5 2,5
2,0 2,0
5 camadas a par
1,5 4,0 1,5
1,0 1,0
3,5
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
Nº camadas a par Nº camadas a par
3,0
c) d)
M'Rd/MRd
2,5
µ = 0,25
4,0
2,0
3,5
1,5
3,0
1,0
M'Rd/MRd
1,5
Figura 7.3: Rácio entre o momento flector
1,0 resistente após o reforço e antes do reforço para
1 2 3 4 5 os documentos em análise – representação por
Nº camadas a par momento reduzido.
e)
115
Reforço de estruturas com FRP’s
por esmagamento do betão –, modo que não permite a grande mobilização da resistência
do FRP devido aos grandes níveis de tensão no betão, os quais levam à sua rotura.
Analisando o comportamento geral dos três documentos pode-se verificar que para
µ=0,05 os maiores ganhos de resistência são obtidos pela proposta da fib, conseguindo-se
um aumento de 3,9 vezes o momento flector resistente da viga sem reforço. A proposta do
CNR é aquela da qual resultam os menores ganhos de resistência, conseguindo-se apenas
ganhos máximos de 2,1 vezes o momento flector resistente da viga sem reforço. Em
relação à secção de µ=0,25 os maiores ganhos de resistência são obtidos pela proposta do
CNR e da fib, conseguindo-se um aumento de 1,3 e 1,2 vezes o momento flector resistente
da viga sem reforço, respectivamente. Em relação aos ganhos de resistência obtidos pela
proposta do ACI, estes são nulos.
Neste ponto efectuou-se uma análise onde se mostra a evolução do momento flector
resistente para cada documento em análise, para diferentes momentos reduzidos e para
diferentes camadas de reforço sobrepostas.
Olhando para os gráficos pode-se verificar que para a proposta da fib os resultados obtidos
pela aplicação das camadas de reforço sobrepostas ou a par são os mesmos devido à
sobreposição perfeita das duas curvas. Sendo assim, os comentários feitos em 7.2 são
válidos para esta situação. A proposta da fib é aquela que apresenta maiores ganhos de
resistência quando comparada com os outros documentos para a situação da aplicação de
camadas de laminado sobrepostas.
116
Análise paramétrica
µ = 0,05 µ = 0,10
4,0 4,0
3,5 3,5
3,0 3,0
M'Rd/MRd
M'Rd/MRd
2,5 2,5
2,0 2,0
1,5 1,5
1,0 1,0
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
Número de camadas Número de camadas
a) b)
µ = 0,15 µ = 0,20
4,0 4,0
3,5 3,5
5 camadas a par
4,0
3,0 3,0
M'Rd/MRd
M'Rd/MRd
2,5 3,5 µ
2,5 = 0,25
4,0
2,0 2,0
3,0
3,5
M'Rd/MRd
1,5 1,5
2,5
1,0 3,0 1,0
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
M'Rd/MRd
1,5
Figura 7.4: Rácio entre o momento flector
resistente após o reforço e antes do reforço para os
1,0
1 2 3 4 5
documentos em análise – representação por
Número de camadas
momento reduzido. Camadas sobrepostas v.s.
Camadas a par.
e)
117
Reforço de estruturas com FRP’s
Atentando nos resultados da proposta do ACI, verifica-se que para a aplicação de camadas
de reforço sobrepostas os valores de M’Rd/MRd diminuem à medida que se aumentam o
número de camadas de laminado sobrepostas, tendendo para 1 a partir de valores de
µ>0,10 e camadas de laminado em número superior a dois. Sendo estes resultados
contraditórios, pois no limite o momento flector resistente manter-se-ia constante com o
aumento do número de camadas, a justificação está no facto de com o aumento do número
de camadas de reforço a extensão no aço diminuir e consequentemente a ductilidade do
elemento também diminuir. Então, como o ACI propõe a afectação do momento flector
resistente de um coeficiente de ductilidade, ϕ, que varia entre 0,7 e 0,9 consoante a
extensão no aço aumenta, quanto maior é o número de camadas de reforço, menor é a
extensão no aço, menor é o coeficiente de ductilidade e menor é o momento flector
resistente. Para além desta justificação, a metodologia de cálculo proposta pelo ACI foi
elaborada tendo em conta que as camadas de reforço seriam aplicadas a par e não
sobrepostas.
Quanto aos resultados da proposta do CNR pode-se verificar que o comportamento das
curvas para os dois tipos de reforço é o mesmo. A diferença reside no facto dos acréscimos
de M’Rd serem inferiores para o caso em que se fazem os cálculos adoptando laminados
sobrepostos. Assim sendo, todos os comentários tecidos em 7.2 são aqui aplicáveis.
De uma forma geral, os resultados obtidos pelo documento da fib são bastante diferentes
dos obtidos pelos restantes documentos. No entanto, apenas se poderão comparar os
resultados da fib e do CNR, sendo que os primeiros são bastante superiores aos segundos,
principalmente para secções entre 0,05≤µ≤0,20.
Conclui-se então que segundo a proposta da fib os resultados não diferem caso os
laminados sejam considerados a par ou sobrepostos, não acontecendo o mesmo para a
proposta do CNR em que os resultados são algo inferiores. A proposta do ACI não é
aplicável quando se considera um reforço com laminados sobrepostos, pois o momento
flector resistente diminui ao invés de aumentar ou se manter constante.
118
Capítulo 8.
Considerações finais
8.1. Conclusões
Nos dias de hoje os engenheiros estão, cada vez mais, à procura de novos materiais que
permitam prolongar a vida das estruturas existentes, sendo os polímeros reforçados com
fibras (FRP’s – Fiber Reinforced Polymer) uma nova classe de materiais leves, de alta
resistência, não corrosíveis e com inúmeras vantagens em relação aos materiais
convencionais.
A selecção dos materiais para o reforço é um processo complexo pois todos os sistemas
são únicos e por isso apenas os sistemas testados e aplicados em larga escala no reforço de
estruturas de betão devem ser utilizados.
Dos documentos analisados, o proposto pelo CNR é o mais completo no que respeita à
abordagem sobre os vários tipos de materiais de reforço FRP.
Existem diferentes sistemas de reforço com FRP por colagem exterior (FRP-EBR)
podendo ser divididos em sistemas curados in-situ (wet-lay-up e prepreg) e sistemas pré-
fabricados ou pré-curados (pre-cured). Uma grande lacuna que existe hoje em dia em todas
as normas e guidelines é o facto de estas não regularem ou definirem intervalos de valores
para as características dos constituintes dos sistemas, nem definirem as características a
119
Reforço de estruturas com FRP’s
apresentar bem como as suas unidades. Cada fabricante tem o seu produto com as suas
características em termos de resistência, módulo de elasticidade, alongamento na rotura,
temperatura de aplicação, tempo de vida, etc. Devido a este facto cada resina, cada
primário e cada tipo de fibra, têm propriedades singulares e por isso, sistemas idênticos
têm características, por vezes, muito diferentes.
As técnicas de reforço com sistemas FRP podem ser divididas em dois grupos: os sistemas
FRP-EBR (Externally Bonded Reinforcement), onde o sistema é colado exteriormente, e os
sistemas FRP-NSM (Near-Surface Mounted Reinforcement), onde o sistema é inserido em
ranhuras feitas no elemento a reforçar.
O reforço das lajes à flexão pode ser feito com laminados, mantas ou tecidos. Os
laminados podem ser aplicados paralelamente ou ortogonalmente e as mantas podem ser
aplicadas em várias camadas de forma a conseguir a resistência necessária.
O reforço ao corte deve ser feito com as fibras orientadas transversalmente ao eixo da peça
ou segundo a normal às potenciais fendas de corte, aplicadas de forma contínua ou em
intervalos. O reforço pode ser aplicado apenas nas duas faces laterais da viga; em forma de
“U” cobrindo as duas faces laterais e a base da viga; ou então pode ser aplicado de forma a
envolver todas as faces da viga. O comportamento do reforço aplicado nas três faces é
considerado idêntico ao aplicado nas quatro faces.
O reforço de pilares à flexão pode ser feito pela colagem de laminados, de barras e cascas
pré-fabricadas ou pela aplicação de mantas ou tecidos colados externamente no pilar,
sempre com a direcção das fibras orientada paralelamente ao seu eixo.
O reforço de pilares ao corte pode ser feito com a aplicação de mantas ou tecidos de forma
a confinar o pilar, ou ainda com laminados pré-fabricados, aplicados com a direcção das
fibras perpendiculares ao eixo do pilar.
120
Considerações finais
A lei de comportamento à tracção do FRP segue uma lei de tensão-extensão linear até à
rotura.
121
Reforço de estruturas com FRP’s
betão. A solução obtida segundo o documento do CNR resulta da situação em que ocorre
rotura do FRP, devido à baixa extensão de cálculo do FRP admitida por este documento
quando comparada com a extensão admitida pelo outros dois documentos. Desta forma
conclui-se que a limitação da extensão de cálculo imposta pelo CNR não é a mais correcta
pois leva a resultados que poderão não corresponder à realidade.
Para os três documentos analisados, na verificação aos estados limites de serviço, o betão
não cumpre a limitação de tensões imposta para ambas as combinações de acções.
Dos três documentos aplicados pode-se concluir que o proposto pelo CNR é o mais
conservativo e o mais dispendioso, pois resulta numa solução com maior quantidade de
laminado e menor momento resistente, sendo o ganho de resistência após reforço de
26,9 %. O documento menos conservativo é o da fib, já que se conseguem bons ganhos de
resistência em termos de momento flector com a menor quantidade de laminado e o menor
custo em comparação com as outras soluções obtidas. Aqui o ganho de resistência após
reforço foi de 33,9 %. Por fim, a solução obtida pelo ACI é aquela que apresenta um maior
ganho de resistência em termos de momento flector, 41,8%.
No reforço ao corte o dimensionamento é feito em relação aos ULS, não sendo proposta
nenhuma verificação do reforço no que respeita a SLS.
Em relação à contribuição do reforço FRP pode-se verificar que a solução do CNR é mais
conservativa já que o nível de tensão no FRP é o mais baixo quando comparado com as
outras soluções. Por sua vez, a solução do ACI é a menos conservativa, pois é a que
apresenta maior nível de tensão no FRP.
122
Considerações finais
seu grau de conservadorismo é idêntico. A solução obtida pela fib é a menos conservativa,
resultando numa maior resistência do elemento reforçado.
A necessidade de reforço do pilar teórico surgiu devido ao edifício onde este se insere não
ter sido calculado ao sismo, sendo então necessário proceder ao seu reforço por forma a
que este resista à solicitação de um eventual sismo.
Em elementos confinados, por oposição ao aço e após cedência deste, o FRP exerce uma
pressão de confinamento crescente com comportamento elástico até à rotura.
Dos três documentos aplicados, é da proposta do CNR que resulta a maior resistência à
compressão do betão confinado, sendo portanto a proposta menos conservadora. A
proposta do ACI é a que se revela mais conservadora pois o seu resultado é o menor dos
três obtidos.
Das duas direcções de solicitação do sismo, pode-se concluir que a mais condicionante
para o pilar é a direcção Y. É desta solicitação que resulta o reforço do pilar e que se traduz
num reforço nas quatro faces para as propostas da fib e do ACI e reforços nas duas faces
dos planos em X para a proposta do CNR.
O elemento teórico considerado na análise paramétrica foi uma viga simplesmente apoiada.
Estudaram-se cinco tipos de secções cujos momentos reduzidos variaram de µ=0,05 até
µ=0,25, impondo-se que a maior dimensão fosse o dobro da menor dimensão. A análise
paramétrica foi efectuada tendo em conta a variação do número de camadas de laminado,
para a situação em que estes eram aplicados a par e para a situação em que estes eram
aplicados sobrepostos.
Segundo a proposta da fib, a secção de µ=0,05 é aquela que apresenta maiores acréscimos
de M’Rd consoante se vai aumentando o número de camadas de reforço a par, o que leva a
concluir que o reforço é mais eficiente para µ’s baixos. A secção de µ=0,25 é aquela que
apresenta menores acréscimos de M’Rd consoante se vai aumentando o número de camadas
de reforço a par, o que leva a concluir que o reforço é menos eficiente para µ’s altos.
123
Reforço de estruturas com FRP’s
Segundo a proposta do CNR e à semelhança do que se passa nos outros dois documentos, a
secção de µ=0,05 é aquela que apresenta maiores acréscimos de M’Rd, e a secção de
µ=0,25 é aquela que apresenta menores acréscimos de M’Rd consoante se vai aumentando o
número de camadas de reforço a par. Ao contrário dos outros dois documentos, para
µ=0,25 os ganhos de M’Rd são mais significativos quando comparados com os resultados
dos outros documentos analisados. Para secções a partir de µ>0,15 e para uma camada de
reforço verifica-se que o reforço é ineficiente, pois M’Rd/MRd é igual a 1.
Do comportamento geral dos três documentos pode-se verificar que para µ=0,05 os
maiores ganhos de resistência são obtidos pela proposta da fib, conseguindo-se um
aumento de 3,9 vezes o momento flector resistente da viga sem reforço. A proposta do
CNR é aquela da qual resultam os menores ganhos de resistência, conseguindo-se apenas
ganhos máximos de 2,1 vezes o momento flector resistente da viga sem reforço. Em
relação à secção de µ=0,25, os maiores ganhos de resistência são obtidos pela proposta do
CNR e da fib, conseguindo-se um aumento de 1,3 e 1,2 vezes o momento flector resistente
da viga sem reforço, respectivamente. Em relação aos ganhos de resistência obtidos pela
proposta do ACI, estes são nulos.
Para a proposta da fib, os resultados obtidos pela aplicação das camadas de reforço
sobrepostas ou a par são os mesmos, devido à sobreposição perfeita das duas curvas. A
proposta da fib é aquela que apresenta maiores ganhos de resistência quando comparada
com os outros documentos para a situação da aplicação de camadas de laminado
sobrepostas.
124
Considerações finais
Dos resultados da proposta do CNR pode-se verificar que o comportamento das curvas
para os dois tipos de reforço é o mesmo. A diferença reside no facto dos acréscimos de
M’Rd serem inferiores para o caso em que se fazem os cálculos adoptando laminados
sobrepostos.
Conclui-se que segundo a proposta da fib os resultados não diferem caso os laminados
sejam considerados a par ou sobrepostos, não acontecendo o mesmo para a proposta do
CNR em que os resultados são algo inferiores. A proposta do ACI não é aplicável quando
se considera um reforço com laminados sobrepostos pois o momento flector resistente
diminui ao invés de aumentar ou se manter constante.
No que respeita às restantes normas, guidelines e recomendações propõe-se que seja feito
um estudo e seja avaliada a credibilidade e fiabilidade de cada uma no que respeita a
metodologias de dimensionamento, estados limites de utilização, processos de aplicação do
reforço e monitorização dos elementos reforçados.
125
Reforço de estruturas com FRP’s
Em relação à definição dos materiais constituintes dos sistemas FRP propõe-se que sejam
criadas regras de apresentação dos diversos materiais, as quais permitam a uniformização
da determinação e apresentação das propriedades dos sistemas FRP, com a finalidade de se
normalizar a vasta gama de produtos e sistemas FRP.
126
Referências Bibliográficas
ACI 440K (2001), Recommended Test Methods for FRP Rods and Sheets, ACI
Subcommittee 440-K, 83 p.
ACI 440.2R-02 (2002), Guide for the Design and Construction of Externally bonded FRP
Systems for Strengthening Concrete Structures, ACI Committee 440, 45 p.
ACI 318-05 (2004), Building Code Requirements for Structural Concrete and
Commentary, Structural Building Code, ACI Committee 318, 430 p.
ACI 440.3R-04 (2004), Guide Test Methods for Fiber-Reinforced Polymers (FRPs) for
Reinforcing or Strengthening Concrete Structures, ACI Committee 440, 39 p.
CEN (2004), Eurocódigo 2: Projecto de Estruturas de Betão – Parte 1-1: Regras Gerais e
Regras para Edifícios, Comissão Técnica CEN/TC250, 225 p.
Changzhou Lianke FRP Co. Ltd (2008), Pultruded FRP Profiles, http://www.made-in-
china.com/showroom/liankefrp/product-detailyoLQrUPYsuVH/China-Pultruded-
Frp-Profiles.html (última visita em 6 Novembro 2008).
CNR (2004), CNR-DT200/2004 – Guide for the Design and Construction of Externally
Bonded FRP Systems for Strengthening Existing Structures, National Research
Council, Advisory Committee on Technical Recommendations for Construction,
Rome, 144 p.
fib (2001), Externally Bonded FRP Reinforcement for RC Structures, Technical Report on
the Design and Use of Externally Bonded Fibre Reinforced Polymer Reinforcement
(FRP EBR) for Reinforced Concrete Structures, Task Group 9.3 FRP
Reinforcement for Concrete Structures, International Federation for Structural
Concrete (fib), Switzerland.
IPQ (1998), Eurocódigo 2: Projecto de Estruturas de Betão – Parte 1-1: Regras Gerais e
Regras para Edifícios, Comissão Técnica CT115 (LNEC), 157 p.
128
Referências bibliográficas
ISIS (2006e), Module 6 – Application and Handling of FRP Reinforcements for Concrete,
The Canadian Network of Centres of Excellence on Intelligent Sensing for
Innovate Structures, ISIS Canada Corp., Department of Civil Engineering, Queen’s
University, Canada, 27 p.
ISIS (2006f), Module 7 – An Introduction to Life Cycle Engineering & Costing for
Innovative Infrastructure, The Canadian Network of Centres of Excellence on
Intelligent Sensing for Innovate Structures, ISIS Canada Corp., Department of Civil
Engineering, Queen’s University, Canada, 28 p.
129
Reforço de estruturas com FRP’s
ISIS (2006g), Module 8 – Durability of FRP Composites for Construction, The Canadian
Network of Centres of Excellence on Intelligent Sensing for Innovate Structures,
ISIS Canada Corp., Department of Civil Engineering, Queen’s University, Canada,
21 p.
JSCE (2001), Recommendations for the Upgrading of Concrete Structures with Use of
Continuous Fiber Sheets, JSCE – Japan Society of Civil Engineers, Japan, 41 p.
130
Referências bibliográficas
S&P (2006), Design Guideline for S&P FRP Systems, S&P Clever Reinforcement
Company, Switzerland, 58 p.
131
Reforço de estruturas com FRP’s
Sika (2003), Sika Carbodur FRP Composites for Repair & Strengthening of Structures,
Design Manual, Sika Poland SP, e.d. March 2003, Poland, 78 p.
132
Anexos
Neste anexo encontram-se os dados relativos a alguns pontos do corpo desta dissertação.
A. Análise paramétrica
Documento da fib
Nº camadas a par 1
Nº camadas sobrepostas 1
Nº camadas a par 2
Nº camadas sobrepostas 1
Nº camadas a par 3
Nº camadas sobrepostas 1
Nº camadas a par 4
Nº camadas sobrepostas 1
Nº camadas a par 5
Nº camadas sobrepostas 1
Documento do ACI
Nº camadas a par 1
Nº camadas sobrepostas 1
134
Anexos
Nº camadas a par 2
Nº camadas sobrepostas 1
Nº camadas a par 3
Nº camadas sobrepostas 1
Nº camadas a par 4
Nº camadas sobrepostas 1
Nº camadas a par 5
Nº camadas sobrepostas 1
135
Reforço de estruturas com FRP’s
Documento do CNR
Nº camadas a par 1
Nº camadas sobrepostas 1
Nº camadas a par 2
Nº camadas sobrepostas 1
Nº camadas a par 3
Nº camadas sobrepostas 1
Nº camadas a par 4
Nº camadas sobrepostas 1
136
Anexos
Nº camadas a par 5
Nº camadas sobrepostas 1
miu 0,05
fib
ACI
137
Reforço de estruturas com FRP’s
CNR
miu 0,10
fib
ACI
CNR
138
Anexos
miu 0,15
fib
ACI
CNR
miu 0,20
fib
139
Reforço de estruturas com FRP’s
ACI
CNR
miu 0,25
fib
ACI
140
Anexos
CNR
miu 0,05
fib
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 290,4 1,6 Cedência do aço seguida da rotura do FRP
2 416,6 2,3 Cedência do aço seguida da rotura do FRP
3 537,2 2,9 Cedência do aço seguida da rotura do FRP
4 650,2 3,5 Cedência do aço seguida da rotura do FRP
5 714,8 3,9 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
ACI
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 249,5 1,3 Rotura do FRP
2 227,7 1,2 Rotura do FRP
3 214,9 1,2 Rotura do FRP
4 208,5 1,1 Rotura do FRP
5 204,7 1,1 Rotura do FRP
141
Reforço de estruturas com FRP’s
CNR
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 211,0 1,1 Rotura do FRP
2 231,2 1,2 Rotura do FRP
3 246,8 1,3 Rotura do FRP
4 259,8 1,4 Rotura do FRP
5 271,3 1,5 Rotura do FRP
miu 0,10
fib
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 254,1 1,4 Cedência do aço seguida da rotura do FRP
2 344,8 1,9 Cedência do aço seguida da rotura do FRP
3 384,1 2,1 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
4 408,8 2,2 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
5 428,0 2,3 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
142
Anexos
ACI
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 224,1 1,2 Rotura do FRP
2 204,2 1,1 Rotura do FRP
3 193,0 1,0 Rotura do FRP
4 187,4 1,0 Rotura do FRP
5 185,0 1,0 Rotura do FRP
CNR
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 193,7 1,0 Rotura do FRP
2 208,6 1,1 Rotura do FRP
3 220,1 1,2 Rotura do FRP
4 229,8 1,2 Rotura do FRP
5 238,3 1,3 Rotura do FRP
143
Reforço de estruturas com FRP’s
miu 0,15
fib
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 233,9 1,3 Cedência do aço seguida da rotura do FRP
2 269,7 1,5 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
3 290,2 1,6 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
4 305,0 1,6 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
5 316,3 1,7 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
ACI
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 210,0 1,1 Rotura do FRP
2 190,7 1,0 Rotura do FRP
3 185,0 1,0 Rotura do FRP
4 185,0 1,0 Rotura do FRP
5 185,0 1,0 Rotura do FRP
CNR
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 185,3 1,0 Rotura do FRP
2 197,5 1,1 Rotura do FRP
3 207,0 1,1 Rotura do FRP
4 215,0 1,2 Rotura do FRP
5 222,0 1,2 Rotura do FRP
144
Anexos
miu 0,20
fib
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 203,5 1,1 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
2 224,8 1,2 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
3 238,2 1,3 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
4 247,7 1,3 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
5 254,9 1,4 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
ACI
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 200,0 1,1 Rotura do FRP
2 185,0 1,0 Rotura do FRP
3 185,0 1,0 Rotura do FRP
4 185,0 1,0 Rotura do FRP
5 185,0 1,0 Rotura do FRP
145
Reforço de estruturas com FRP’s
CNR
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 185,0 1,0 Rotura do FRP
2 190,8 1,0 Rotura do FRP
3 198,9 1,1 Rotura do FRP
4 205,8 1,1 Rotura do FRP
5 211,8 1,1 Rotura do FRP
miu 0,25
fib
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 185,0 1,0 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
2 196,0 1,1 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
3 204,8 1,1 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
4 211,0 1,1 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
5 215,6 1,2 Cedência do aço seguida do esmagamento do betão
146
Anexos
ACI
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 185,0 1,0 Esmagamento do betão com cedência do aço
2 185,0 1,0 Rotura do FRP
3 185,0 1,0 Rotura do FRP
4 185,0 1,0 Rotura do FRP
5 185,0 1,0 Rotura do FRP
CNR
Nº camadas
MRd (kN.m) M'Rd/MRd Modo de rotura
sobrepostas
1 185,0 1,0 Rotura do FRP
2 186,4 1,0 Rotura do FRP
3 193,5 1,0 Rotura do FRP
4 199,5 1,1 Rotura do FRP
5 204,7 1,1 Rotura do FRP
147