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Análise Psicanalítica de Horney em Filme

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ANA CRISTINA TOLENTINO MAGALHÃES


EDUARDO HENRIQUE ANDRADE MOREIRA
ESTÉFANY GONÇALVES SILVA
FERNANDA ALVES MACHADO
JOÃO PEDRO LOPES MAGALHÃES
RAFAEL BAPTISTÃO RIBEIRO
ROBERTA FERREIRA RODRIGUES
SANTIELLE RODRIGUES FREITAS

ANÁLISE DA OBRA “EU, MAMÃE E OS MENINOS” SOB TEORIA SOCIAL


PSICANALÍTICA DE KAREN HORNEY

Trabalho apresentado como exigência


parcial de avaliação na disciplina
Personalidade I, do curso de Psicologia,
do Centro Universitário de Patos de
Minas, sob orientação da professora
Raquel Gonçalves da Fonseca.

PATOS DE MINAS
2024
1

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................2

2 REVISÃO BIBLÍOGRÁFICA.....................................................................................3

2.1 A Teoria Social Psicanalítica de Karen Horney..................................................4

2.2 Ansiedade Básica e Hostilidade Básica.............................................................4

2.3 Necessidades Neuróticas...................................................................................4

2.4 Desenvolvimento da Personalidade e Influências Culturais...............................5

3 DESENVOLVIMENTO..............................................................................................5

4 DISCUSSÃO.............................................................................................................7

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................10
2

RESUMO: Este estudo analisa o filme "Eu, Mamãe e os Meninos" ("Les Garçons et
Guillaume, à Table!", 2013) utilizando a Teoria Psicanalítica de Karen Horney.
Guillaume Gallienne, responsável pela direção e interpretação deste filme
autobiográfico, investiga de forma profunda sua conexão complicada com a mãe,
discutindo questões como identidade, gênero e aceitação. Horney, conhecida por
suas críticas à teoria freudiana, destacava a importância da cultura na formação da
personalidade. Segundo a autora, a ansiedade básica, desempenha um papel
essencial na formação das neuroses e se revela por meio de necessidades
neuróticas, como a busca pelo amor e pela validação. A análise do filme revela
como a dinâmica familiar e a necessidade de validação materna moldam o
comportamento e a identidade de Guillaume. A teoria elaborada por Karen Horney
auxilia na compreensão das estratégias neuróticas utilizadas pelos personagens,
ressaltando como as condições culturais e sociais influenciam na construção da
personalidade. Neste estudo, é ilustrado como os conceitos da psicanálise podem
ser utilizados na análise de obras cinematográficas, a fim de obter uma
compreensão mais aprofundada do comportamento humano.

PALAVRAS-CHAVES: Psicanálise, Karen Horney, neurose, ansiedade básica,


necessidades neuróticas, análise, personalidade, validação, comportamento
humano.

1 INTRODUÇÃO

O estudo da psicanálise oferece uma lente rica e multifacetada para a


compreensão das complexidades da mente humana. No contexto do filme "Eu,
Mamãe e os Meninos" ("Les Garçons et Guillaume, à Table!", 2013), dirigido e
protagonizado por Guillaume Gallienne, emergem diversas oportunidades para uma
análise profunda. O filme, uma comédia dramática autobiográfica, narra a vida de
Guillaume e sua relação complexa com sua mãe, explorando questões de
identidade, gênero e aceitação.
Neste trabalho, a Teoria Social Psicanalítica de Karen Horney será a base
teórica para a análise dos personagens escolhidos. Horney, nascida em setembro
de 1885, nas imediações de Hamburgo, na Alemanha, teceu críticas pioneiras e
proposições que fizeram avançar a psicanálise (GARRISON, 1981). Desde
3

momentos muito precoces da psicanálise, Karen trouxe variados apontamentos


relevantes para grande parte das reflexões em destaque nesse campo, tais como: a
crítica ao referencial masculino nas teorizações e à universalidade do Édipo, a
ênfase na influência da cultura nas produções científicas e na própria subjetividade,
a necessidade de um olhar para questões culturais na clínica psicanalítica, entre
tantas outras (HORNEY, 1926/1991; 1937/1977; 1939/1966).
A autora sugeria que a psicanálise teria de se libertar de algumas heranças
do passado, de premissas atravessadas por noções datadas, se quisesse
desenvolver as suas potencialidades (HORNEY, 1939/1966). Assim, Horney
criticava alguns aspectos da psicanálise, especialmente no que tange à feminilidade,
não para condená-la, mas para libertá-la de “certas premissas condicionadas
historicamente e das teorias a que deram origem” (HORNEY, 1939/1966). A partir
disso, a autora alertava também que a psicanálise não deveria se tornar uma
ferramenta de adequação ao que era considerado normal em uma cultura, mas
preocupar-se com a saúde psíquica do sujeito, entendida por ela como a maior
liberdade subjetiva possível para usufruir das próprias capacidades (HORNEY,
1939/1966).
Através da perspectiva de Horney e da sua ênfase na ansiedade básica, nas
estratégias neuróticas de defesa e na busca de afeto e aprovação, buscaremos
entender como as dinâmicas familiares, especialmente a relação entre Guillaume e
sua mãe, moldam suas identidades e comportamentos. Focaremos nas
manifestações de ansiedade e nas estratégias de enfrentamento desenvolvidas
pelos personagens, proporcionando uma análise que não apenas ilumina os
elementos psicológicos do filme, mas também enriquece nossa compreensão das
teorias de Karen Horney.
Este estudo pretende oferecer uma contribuição significativa para o campo da
psicologia ao aplicar conceitos teóricos a uma narrativa cinematográfica,
demonstrando como as teorias psicanalíticas podem ser usadas para interpretar e
entender as nuances do comportamento humano em contextos culturais específicos.

2 REVISÃO BIBLÍOGRÁFICA

A fim de embasar nosso desenvolvimento e discussão, fizemos uma revisão


bibliográficas dos principais conceitos da Teoria Social Psicanalítica de Karen
4

Horney, consultando, para isso, livros, artigos e trabalhos realizados pela autora ao
longo do Século XX. Ademais, utilizamos o livro Teorias da Personalidade de Feist e
colaboradores, recomendado pela professora como material básico da disciplina
para elaborar esse trabalho

2.1 A Teoria Social Psicanalítica de Karen Horney

Karen Horney, uma figura proeminente na psicanálise, propôs uma


reinterpretação inovadora das teorias psicanalíticas clássicas. Nascida em 1885, na
Alemanha, Horney trouxe críticas contundentes ao modelo freudiano, especialmente
no que diz respeito à universalidade do complexo de Édipo e à visão masculina
predominante na teoria psicanalítica. Horney enfatizou a importância das influências
culturais e sociais no desenvolvimento da personalidade, argumentando que muitos
dos conceitos freudianos eram limitados por seu contexto cultural específico
(HORNEY, 1937).

2.2 Ansiedade Básica e Hostilidade Básica

Um dos conceitos centrais na teoria de Horney é a ansiedade básica, que ela


descreve como um sentimento profundo de insegurança e desamparo resultante de
relações interpessoais perturbadas na infância. Esta ansiedade emerge quando as
necessidades de proteção, orientação e amor da criança não são adequadamente
atendidas pelos pais, levando à hostilidade básica — um sentimento reprimido de
raiva e ressentimento em relação aos pais (HORNEY, 1939).
Horney postulou que as crianças, ao reprimir essa hostilidade para evitar a
perda de afeição parental, desenvolvem a ansiedade básica, que se manifesta em
comportamentos neuróticos na vida adulta. Essas manifestações incluem a busca
excessiva por afeto e aprovação, tendências para isolamento e uma necessidade de
poder ou domínio (HORNEY, 1939).

2.3 Necessidades Neuróticas

Para lidar com a ansiedade básica, Horney identificou que os indivíduos


desenvolvem necessidades neuróticas, que são estratégias inconscientes para
5

enfrentar essa insegurança profunda. Ela classificou essas necessidades em três


categorias principais: mover-se em direção aos outros (compliance), mover-se
contra os outros (agressão) e mover-se para longe dos outros (isolamento)
(HORNEY, 1945). Essas estratégias refletem tentativas patológicas de obter
segurança e satisfação, mas, quando excessivas, tornam-se desadaptativas e
contribuem para a formação de neuroses (FEIST, 2015).

2.4 Desenvolvimento da Personalidade e Influências Culturais

Horney foi uma das primeiras a destacar a influência das condições


socioculturais no desenvolvimento da personalidade, propondo que a cultura exerce
um papel crucial na formação dos traços de personalidade. Ela argumentou que
muitos comportamentos considerados normais ou patológicos são, na verdade,
respostas a pressões e expectativas culturais (HORNEY, 1937).
Além disso, Horney sugeriu que as neuroses não são simplesmente
resultados de conflitos internos entre instintos biológicos, mas também são
moldadas por tentativas de adaptação às demandas e aos perigos percebidos na
vida social e cultural (HORNEY, 1939). Este entendimento mais amplo permitiu uma
abordagem mais holística e culturalmente sensível na psicoterapia.

3 DESENVOLVIMENTO

“Eu, A Mamãe e Os Meninos” é um filme francês de 2013 que aborda a


história do jovem Guillaume, o personagem tem questões de identidade de gênero e
lida constantemente com a influência dominante da mãe em sua vida. “A teoria
social psicanalítica de Karen Horney foi construída sobre o pressuposto de que as
condições sociais e culturais, em especial as experiências da infância, são, em
grande parte responsáveis pela formação da personalidade” (FEIST, 2015, p. 112).
Para poder relacionar os personagens do filme com a teoria de Horney, devemos
entender os principais conceitos de sua psicologia, como as ideias sobre neurose,
desenvolvimento da personalidade e as tendências neuróticas.
Horney acreditava e argumentava que se os pais não satisfazem as
necessidades dos filhos de proteção e satisfação, a criança acaba desenvolvendo
um sentimento de hostilidade básica com relação aos pais. Ansiedade básica seria o
6

que acontece quando essa hostilidade é reprimida, gerando sentimentos de


insegurança e sensações de apreensão. Essa ansiedade tem papel fundamental no
desenvolvimento da neurose, para Horney (1997, p.75) hostilidade básica e a
ansiedade básica são fatores “inextricavelmente interligados”. De acordo com Karen
Horney, existem tentativas dos próprios neuróticos para combater a ansiedade
básica, essas tentativas se chamam necessidades neuróticas, alguns exemplos são
a busca em excesso por afeto e aprovação, o desejo de poder, a tendência a se
isolar, entre outras.
A partir disso, Horney agrupou essas necessidades neuróticas em três
categorias gerais, em 1945 ela identificou as tendências neuróticas: mover-se em
direção aos outros, mover-se contra os outros e mover-se para longe dos outros.
Essas tendências também se aplicam a indivíduos normais, porém existem
diferenças significativas entre as atitudes de uma pessoa normal e uma pessoa
neurótica (FEIST, 2015, p.117). O movimento de ir em direção aos outros refere-se
a se proteger contra sentimentos de desamparo, não é ligado a um espírito de amor
genuíno. O movimento de ir contra os outros está do lado oposto ao anterior, já que
ao invés de se moverem às pessoas com uma postura submissa, os indivíduos
agressivos se movem contra os outros de maneira dura e implacável. Já no terceiro
e último movimento, para longe dos outros, as pessoas são de menor importância.
Essa necessidade passa a ser neurótica quando há uma vontade compulsiva de se
colocar distante emocionalmente dos outros.
Guillaume Gallienne relata sua história de vida, criado por sua mãe Yvonne
Gallienne, o protagonista sempre foi condicionado a ter comportamentos femininos,
agindo como uma garota, apesar de ser um menino. Isso ocorria pelo fato de
Yvonne sempre ter desejado ter uma filha mulher. “Devido a suas necessidades
neuróticas, os pais, com frequência, dominam, negligenciam, superprotegem,
rejeitam ou mimam em excesso.” (FEIST, 2015, p.115). A falta de atenção de sua
mãe para com essa situação, resultaram em uma criação sem segurança e
satisfação, impossibilitando-o de crescer tendo sua própria personalidade, diante
disso, Guillaume formou uma personalidade totalmente baseada na de sua mãe. Em
situações assim, as crianças podem desenvolver o que Horney chamou de
hostilidade básica, que são as demonstrações de raiva, o que não é muito comum,
pois a maioria delas reprimem esses sentimentos, que acabam resultando em uma
insegurança por parte das mesmas, o que a psicanalista alemã nomeou de
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ansiedade básica. A partir dessa ansiedade e insegurança, Guillaume passou a se


comportar da maneira que sua mãe esperava, movido a necessidade de aprovação
constante.
Karen Horney nomeia esse comportamento como necessidades neuróticas,
cuja já mencionado, “caracterizam os neuróticos em suas tentativas de combater a
ansiedade básica” (FEIST, 2015, p.116). Ao longo do filme nota-se que Guillaume
demonstra uma necessidade grande de aprovação, principalmente por parte de sua
mãe, o que se relaciona com a necessidade neurótica de afeição e aprovação, pois
muitas vezes o protagonista acaba confundindo a própria identidade ao buscar
incessantemente o afeto e validação da mãe. Percorrendo a trama por esse mesmo
caminho, percebe-se também a necessidade neurótica de um parceiro poderoso,
que se faz presente quando o jovem se molda diante das expectativas maternas,
buscando segurança nessa relação. Juntamente com a necessidade neurótica de
restringir a própria vida dentro de limites estreitos, que é vista quando Guillaume se
comporta de maneira passiva diante dos limites que a família impõe dentro de suas
próprias expectativas. Em um certo momento do filme, Guillaume se vê indo atrás de
suas próprias escolhas e desejos, deixando de lado as expectativas da mãe sobre
sua identidade, essa atitude pode ser relacionada, ainda que indiretamente, com a
necessidade neurótica de poder, pois reflete uma luta pelo poder pessoal.
Há ainda, no comportamento de Guillaume, uma necessidade de se proteger contra
sentimentos de desamparo. Para suprir essa necessidade, pessoas submissas
como o jovem “lutam desesperadamente pela afeição e pela aprovação dos outros
ou procuram um parceiro poderoso que assumirá a responsabilidade por suas
vidas.” (FEIST, 2015, p.118). A mãe de Guillaume é retratada por ele como uma
figura sedutora e manipuladora, a relação dos dois, ao contrário de sua relação com
o pai, é mais emocionalmente carregada, pois ele tenta incessantemente ganhar o
amor e admiração da mãe, o que representa a luta desesperada por atenção que
afeição mencionada por Horney. Já o pai do protagonista é uma figura de respeito e
admiração para ele, Guillaume vê ele como o mais inteligente e viril dentre os
homens, refletindo a tendência de ver os outros como superiores.

4 DISCUSSÃO
8

Neste espaço, discutiremos sobre o filme “Eu, Mamãe e os Meninos”, de


Guillaume Gallienne e como ele contém diversos exemplos que podemos relacionar
com as teorias de Karen Horney. A história do filme nos apresenta Guillaume, um
jovem que, desde a infância, é tratado de forma diferente por sua mãe, que o vê
como uma figura feminina. Isso o leva a questionar sua sexualidade e identidade. O
fato de o protagonista passar o filme todo tentando entender quem ele era e como
deveria ser, para agradar sua mãe, demonstra que o ambiente em que Guillaume
cresceu influenciava seu desenvolvimento e comportamento. Guillaume se expõe a
vários contextos na tentativa de se descobrir. No final, percebe que talvez não fosse
a figura feminina que sua mãe tanto o incentivava a ser. A mãe, autoritária quanto ao
comportamento de Guillaume, ao descobrir que ele “não era gay", trata o assunto
como irrelevante, desconsiderando sua fala. Diante disso, Horney salientava a visão
de que a psicanálise deveria ir além da teoria dos instintos e enfatizar a importância
das influências culturais na formação da personalidade. "O homem é governado não
pelo princípio do prazer isolado, mas por dois princípios orientadores: segurança e
satisfação" (HORNEY, 1939, p. 73). Outrossim, ela alegava que as neuroses não
são resultado dos instintos, mas da "tentativa da pessoa de encontrar caminhos ao
longo de um deserto cheio de perigos desconhecidos" (HORNEY, 1939, p. 10). Esse
deserto é criado pela sociedade, e não pelos instintos ou pela anatomia.
Guillaume necessita de ter o afeto da mãe. Mesmo questionando se
realmente era a figura feminina que ela lhe atribuía, continuava a explorar essa
identidade na esperança de obter a validação da mãe, pois as consequências disso
lhe trariam comportamentos positivos da figura materna. Muitas pessoas veem o
amor e o afeito como a solução para todos os seus problemas. O amor genuíno, é
claro, pode ser uma experiência saudável, que produz crescimento, porém, a
necessidade desesperada por amor proporciona um terreno fértil para o
desenvolvimento de neuroses. Em vez de se beneficiarem com a necessidade de
amor, os neuróticos se esforçam de modo patológico para encontrá-lo. Suas
tentativas autodestrutivas resultam em baixa autoestima, hostilidade aumentada,
ansiedade básica, mais competitividade e uma necessidade excessiva contínua de
amor e afeição.
O fato de que Guillaume era incentivado desde criança ao mundo feminino, e
que mesmo diante disso se reconhece heterossexual, também pode ser explicado
pela teoria da psicanalista. Horney (1939) levantou a hipótese de que uma infância
9

difícil é a principal responsável pelas necessidades neuróticas. Essas necessidades


se tornam poderosas porque elas são o único meio que a criança tem de obter
sentimentos de segurança. No entanto, uma única experiência precoce não é
responsável pela personalidade posterior.
Considerando todos esses exemplos, notamos o quão poderoso é a influência
do meio em que estamos envolvidos e como ele pode nos atingir emocionalmente e
fisicamente. Guillaume passou por situações humilhantes para ter a validação do
familiar que mais lhe importava, sua mãe, na qual sempre foi uma figura propensa a
traumas (mesmo que ele não reconhecesse isso). Para que Guillaume, após a
descoberta da sua verdadeira sexualidade, consiga prosseguir com a sua vida de
forma saudável, cabe a ele entender a sua ocupação no meio em que convive,
questionar quais são as relações que deseja cultivar e estabelecer limites. Além
disso, ter “desapontado” sua mãe, lhe deu oportunidade de se sentir livre para
descobrir a sua subjetividade. Horney (1950) acreditava que cada indivíduo começa
a vida com um potencial para o desenvolvimento saudável, mas, assim como outros
organismos vivos, as pessoas precisam de condições favoráveis para o crescimento.
Essas condições devem incluir um ambiente afetivo e amoroso. A comédia francesa
ganhadora de 5 prêmios César destaca vários pontos que a psicanalista Karen
Horney aborda em suas teorias, é uma das obras com muitas camadas e
interpretações que vale a pena assistir.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FEIST, Jess. Teorias da personalidade. 8 Porto Alegre: AMGH, 2015

GARRISON, D. Karen Horney and Feminism. Journal of Women in Culture and


Society (672-691), 1981.

HORNEY, Karen. A personalidade neurótica do nosso tempo. Rio de Janeiro:


Civilização brasileira, 1977 (originalmente publicado em 1937).

HORNEY, Karen. Novos rumos na psicanálise. Rio de Janeiro: Civilização


Brasileira, 1966 (originalmente publicado em 1939).

HORNEY, Karen. Psicologia feminina: A fuga da feminilidade. Rio de Janeiro:


Bertrand Brasil, 1991 (originalmente publicado em 1926).

HORNEY, Karen. The neurotic personality of our time. New York: Norton, 1937

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