UNIVERSIDADE LICUNGO
FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS
CURSO DE GADEC
Fundamentos de Estudos Ambientais
Jaime Machava
As mudanças ambientais globais e as comunidades
Beira
2024
Índice
1. Introdução................................................................................................................................................4
1.1. Objectivo Geral.....................................................................................................................................5
1.2. Objectivos Específicos..........................................................................................................................5
1.3. Metodologias.........................................................................................................................................5
2. Mudanças Climáticas...............................................................................................................................6
2.1. Impactos das mudanças climáticas........................................................................................................6
2.2. Adaptação às Mudanças Climáticas......................................................................................................7
2.3. Instrumentos de Adaptação às Mudanças Climáticas............................................................................8
2.4. Principais actores envolvidos na Adaptação às Mudanças Climáticas...................................................8
3. Resiliência Comunitária.........................................................................................................................10
3.1. Factores que contribuem para a resiliência comunitária......................................................................10
3.2. Acções para Promover a Resiliência Comunitária...............................................................................10
4. Conclusão...............................................................................................................................................12
5. Referências bibliográficas......................................................................................................................13
1. Introdução
As mudanças ambientais globais, especialmente as decorrentes das mudanças
climáticas, representam um dos maiores desafios enfrentados pela humanidade no
século XXI. O aumento das emissões de gases de efeito estufa, resultado das atividades
humanas, tem provocado alterações significativas nos padrões climáticos, levando a
eventos extremos mais frequentes e intensos, como secas, inundações e ondas de calor.
Neste contexto, é crucial entender a relação entre as comunidades e o ambiente, pois as
mudanças climáticas têm impactos diretos nas vidas das pessoas, especialmente aquelas
que dependem diretamente dos recursos naturais para subsistência. Comunidades
vulneráveis, como as que habitam áreas costeiras, regiões áridas ou montanhosas, são
particularmente afetadas pelas mudanças climáticas, enfrentando desafios como
escassez de água, perda de terras agrícolas e aumento da frequência de desastres
naturais.
Este trabalho tem como objetivo explorar a resiliência das comunidades frente às
mudanças climáticas. Buscamos compreender como diferentes comunidades ao redor do
mundo estão se adaptando e respondendo aos impactos das mudanças climáticas,
identificando estratégias eficazes de promoção da resiliência comunitária.
[Link] Geral
Descrever os impactos das mudanças climáticas na agricultura de subsistência
em Moçambique
[Link] Específicos
Analisar os efeitos diretos e indiretos das mudanças climáticas na produção
agrícola e na segurança alimentar das comunidades rurais em Moçambique;
Identificar as vulnerabilidades específicas do país às mudanças climáticas,
incluindo exposição a eventos climáticos extremos e limitações de recursos.
[Link]
Para a elaboração do presente trabalho aplicou-se a revisão bibliográfica, sendo que
segundo Marconi & Lakatos (2010),refere que a pesquisa bibliográfica consiste na
selecção e análise de materiais acessíveis ao público e que sejam capazes de fornecer
dados actuais e relevantes ao tema da pesquisa.
Quanto aos objectivos (Gil, 2008), é do tipo exploratória pois visa proporcionar maior
familiaridade com o problema (explicitá-lo). Pode envolver levantamento bibliográfico,
entrevistas com pessoas experientes no problema pesquisado.
O tipo de pesquisa seleccionado para o presente estudo possui uma abordagem
qualitativa pois, permite desenvolver componentes analíticos conceptuais, fornecendo
explicações a partir dos dados obtidos.
2. Mudanças Climáticas
Segundo Maroun (2007), mudanças climáticas denomina-se às variações do clima ao
longo do tempo em relação às médias históricas, causadas por processos internos ao
sistema terra-atmosfera ou pelo resultado da actividade humana, ou seja é qualquer
alteração no clima que é directa ou indirectamente atribuída à actividade humana (que
altera a composição global da atmosfera) e que é adicional à variabilidade natural do
clima observada ao longo de períodos de tempo comparáveis.
Segundo IPCC (2007), as alterações climáticas tornam-se o desafio mais complicado,
pois os seus impactos já se estão a manifestar, com mais secas, mais inundações, um
número maior de tempestades fortes e de ondas de calor, sobrecarregando pessoas,
empresas e governos, e afastando os recursos do desenvolvimento.
Ainda afirma o IPCC (2007), que as concentrações atmosféricas globais de CO 2,
ficaram na faixa de 200 a 300 partes por milhão (ppm) durante 800.000 anos, mas
aumentaram para cerca de 387 ppm nos últimos 150 anos, principalmente por causa da
queima de combustíveis fósseis e, em menor escala, da agricultura e alteração no uso da
terra.
Segundo MICOA (2007), a localização geográfica de Moçambique é um dos principais
factores que contribui para a vulnerabilidade do país aos eventos extremos, na medida
em que alguns dos ciclones tropicais e depressões são formados no Oceano Índico,
atravessam o Canal de Moçambique e afectam a zona costeira. Por outro lado, o país
apresenta uma extensa linha da costa, e é atravessado pela maior parte dos rios
internacionais que vão desaguar ao Oceano Índico.
Com a subida da temperatura global, aumenta a frequência e severidade de secas no
interior do país e de cheias nas regiões costeiras. Neste sentido, constituem exemplos
destes fenómenos as cheias que tiveram lugar nos anos 2000 e 2001 no sul e centro de
Moçambique respectivamente.
[Link] das mudanças climáticas
Em termos globais, a ocorrência de eventos climáticos extremos resulta em perdas de
vidas humanas e de bens, em danos nos ecossistemas e na maior probabilidade de
ocorrência de doenças cujos vectores são dependentes do clima. Estas doenças resultam
também da deterioração das condições ambientais, (MICOA, 2013).
Os registos sobre eventos extremos para o período de 1956 a 2007 indicam que os
eventos que provocaram maior número de óbitos e afectados foram as secas que
afectaram o país por um período superior a um ano. Contudo, considerando eventos de
duração inferior a um ano, as cheias de 2000 afiguram-se como sendo o evento que mais
causou mortes com 699 mortos e 4,5 milhões de afectados. Apesar de se registar um
aumento na frequência e intensidade de eventos extremos climáticos, tem-se registado
uma redução na perda de vidas humanas, (MICOA, 2013).
As mudanças climáticas podem resultar em destruição de infra-estruturas como pontes,
estradas, escolas, hospitais, redes eléctricas, residências, na perda de culturas agrícolas e
animais. Algumas das infra-estruturas destruídas são por não cumprirem a legislação
nacional sobre o ordenamento do território ou por faltar zoneamento de risco para
construção em áreas propensas a cheias e ciclones tropicais, (MICOA, 2013).
MICOA (2013), diz ainda que para além do supra citado, a ocorrência de eventos
climáticos extremos como secas, cheias e ciclones tropicais, a variação dos padrões de
temperatura e precipitação e o aumento do nível das águas do mar resultam em
degradação ambiental, perda de ecossistemas e da biodiversidade, erosão e intrusão
salina, perigando deste modo as fontes de subsistência e de rendimento e de subsistência
das comunidades.
[Link]ção às Mudanças Climáticas
Segundo PNUD (2007), a adaptação às mudanças climáticas é definida como sendo
ajustes empreendidos pelas sociedades humanas em sistemas ecológicos, sociais ou
económicos em resposta aos estímulos climáticos reais ou esperados e seus impactos.
Entretanto a adaptação pode tomar a forma de actividades elaboradas de modo a
melhorar a capacidade adaptativa do respectivo sistema, ou acções direccionadas a
modificar os sistemas socioeconómicos e ambientais de modo a evitar ou minimizar os
danos causados pelas mudanças climáticas.
A adaptação é vista como um ajustamento em sistemas naturais ou humanos em
resposta à mudança ambiental actual ou esperada, que modera o prejuízo ou explora as
oportunidades benéficas. A adaptação envolve lidar com a mudança climática tomando
medidas para reduzir os efeitos negativos, ou explorar os positivos, fazendo
ajustamentos adequados (UNFCCC, 2006).
Para Simões (2006), os estudos de vulnerabilidade e de adaptação são fundamentais
para a definição de prioridades, é importante que a adaptação às mudanças do clima não
seja vista, de forma isolada e específica como um problema ambiental, mas como uma
questão de administração de riscos generalizados que podem afectar todas as áreas
políticas (agricultura, saúde, protecção costeira, energia, finanças, indústria, comércio e
recursos hídricos).
De acordo com o IPCC (2001), os factores que determinam a capacidade adaptativa às
alterações climáticas incluem a riqueza económica, tecnologia e infra-estruturas,
informação, conhecimentos e competências, instituições, equidade e capital social.
Para o INGC (2009), a capacidade adaptativa abrange três componentes: consciência,
habilidade e acção, isto é, uma comunidade necessita de estar consciente dos impactos
potenciais, de ter os conhecimentos especializados ao nível tecnológico ou a capacidade
de adaptação, mas também requer poder económico para implementar as acções.
Para UNFCCC (2011), as metodologias importantes para avaliar as opções de adaptação
incluem abordagens “topo para base” e “base para topo”. Ambas abordagens
metodológicas são necessárias para promoção da avaliação integrada de adaptação.
[Link] de Adaptação às Mudanças Climáticas
Segundo MICOA (2005), Moçambique possui instrumentos sectoriais que estão
alinhados com a necessidade de reduzir a vulnerabilidade aos impactos das mudanças
climáticas e promover o desenvolvimento como, por exemplo:
Plano para a Redução da Pobreza;
Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Sector Agrário;
Estratégia de Acção Social Básica;
Plano Director de Gestão de Calamidades;
Estratégia Nacional de Adaptação à Mudanças Climáticas.
[Link] actores envolvidos na Adaptação às Mudanças Climáticas
Segundo MICOA (2013), há necessidade de assegurar um mecanismo de coordenação
eficaz que garanta a maximização das sinergias e a colmatação de lacunas entre as
respostas sectoriais, possibilitando uma comunicação e fluxo de informação eficazes
para atender as diversas necessidades.
Tabela 1: Actores envolvidos na AMC’s
Órgão/Sector Tipos de acções que podem ser implementadas
Governo Definição de políticas, regulamentos, normas técnicas em
linha com as MC;
Desenho e implementação de projectos de MC, incluindo
acções de adaptação e redução de riscos climáticos,
mitigação e
desenvolvimento de baixo carbono, e as questões
transversais.
Sector Privado Implementar acções/ projectos de adaptação e mitigação;
Mobilizar fundos para implementação de projectos de MC;
Potencial participação na criação de mecanismo interno de
financiamento de boas práticas para as MC.
Sociedade Civil Implementar actividades de adaptação e mitigação às MC
ao nível das comunidades;
Capacitar as comunidades locais em matérias de adaptação
e mitigação às MC.
Mídia Divulgar informação sobre boas práticas de redução de
vulnerabilidade;
Traduzir para linguagem comum as matérias sobre MC;
Transmitir as informações do sistema de aviso prévio em
todos os níveis
OCBs Transmitir o conhecimento local sobre observações de
fenómenos climáticos, mecanismos de adaptação aos
eventos
climáticos extremos nacionais;
Facilitar a interacção entre o saber científico e o saber local
sobre as MC;
Apoiar e cooperar na implementação de programas e
projectos de MC; e
Propor e apoiar na implementação de medidas de
adaptação às MC típicas da sua comunidade.
Academias e Desenvolver e incluir currículos de educação (formal e
Instituições informal) e capacitação sobre mudanças climáticas;
Nacionais Desenvolver programas de pesquisa e observação
sistemática, incluindo padronização dos métodos e
qualidade de dados;
Sistematizar e documentar o conhecimento científico,
técnico e local sobre as MC.
Fonte: MICOA (2013)
MICOA (2013), diz ainda que, tendo em conta os desafios ainda presentes para se
assegurar a implementação dos objectivos destas estratégias, são citados cinco
mecanismos como prioritários, nomeadamente: Coordenação; Implementação;
Monitoria e avaliação; Gestão de conhecimento e financiamento.
3. Resiliência Comunitária
A resiliência comunitária refere-se à capacidade de uma comunidade de se adaptar,
resistir e se recuperar de perturbações, como as mudanças climáticas, de modo a manter
seu funcionamento e bem-estar. É uma abordagem proativa que busca fortalecer as
capacidades locais de enfrentar desafios e crises, em vez de apenas responder a crises
quando elas ocorrem. A importância da resiliência comunitária para lidar com as
mudanças climáticas reside no fato de que essas mudanças frequentemente exacerbam
os desafios sociais, econômicos e ambientais enfrentados pelas comunidades, tornando-
as mais vulneráveis a eventos climáticos extremos e perturbações ambientais.
[Link] que contribuem para a resiliência comunitária
Capital Social: Refere-se às redes sociais, normas, confiança e relações de solidariedade
dentro de uma comunidade. Comunidades com alto capital social tendem a se organizar
melhor em situações de crise, compartilhando recursos, conhecimentos e apoio mútuo.
Capacidade Adaptativa: Refere-se à capacidade de uma comunidade de antecipar,
planejar e implementar medidas de adaptação às mudanças climáticas. Isso inclui a
diversificação de fontes de subsistência, investimentos em infraestrutura resiliente e o
desenvolvimento de sistemas de alerta precoce.
Governança Local: Refere-se aos processos de tomada de decisão e gestão de recursos
em nível local. Uma governança eficaz, participativa e transparente pode facilitar a
implementação de políticas e programas de adaptação às mudanças climáticas,
envolvendo ativamente os membros da comunidade na definição de prioridades e na
alocação de recursos.
[Link]ções para Promover a Resiliência Comunitária
a) Educação e Sensibilização Pública
- Realização de programas educacionais e campanhas de sensibilização sobre as
mudanças climáticas e seus impactos nas comunidades locais.
- Inclusão de conteúdos sobre mudanças climáticas nos currículos escolares e
realização de atividades extracurriculares para crianças e jovens.
- Realização de workshops, palestras e eventos comunitários para informar os
moradores sobre medidas de adaptação e mitigação das mudanças climáticas.
b) Desenvolvimento de Estratégias de Adaptação em Nível Comunitário
- Promoção do manejo sustentável dos recursos naturais, incluindo práticas agrícolas
resilientes, reflorestamento, conservação da água e proteção de ecossistemas.
- Incentivo à diversificação econômica, apoiando iniciativas de agricultura de
subsistência, pequenos negócios locais e turismo sustentável.
- Implementação de projetos de infraestrutura resiliente, como sistemas de drenagem
urbana, construção de abrigos anti-inundações e instalação de energia renovável.
c) Fortalecimento das Capacidades Locais de Resposta a Desastres e Gestão de
Riscos
- Treinamento de líderes comunitários, voluntários e equipes de resposta a desastres
em técnicas de gestão de emergências e primeiros socorros.
- Desenvolvimento de planos de contingência e sistemas de alerta precoce para
eventos climáticos extremos, como enchentes, secas e tempestades.
- Melhoria da infraestrutura de comunicação e transporte para facilitar a coordenação
de respostas a emergências e o acesso a serviços de saúde e assistência humanitária.
4. Conclusão
Ao longo deste trabalho, exploramos a relação entre as mudanças climáticas e as
comunidades, destacando a importância da resiliência comunitária para enfrentar os
desafios impostos pelas mudanças ambientais globais. Identificamos as principais
causas das mudanças climáticas, incluindo atividades humanas e fenômenos naturais, e
discutimos os efeitos dessas mudanças em nível global, regional e local, incluindo
exemplos de eventos extremos e suas consequências para as comunidades.
Enfatizamos a importância da resiliência comunitária como uma abordagem essencial
para enfrentar os desafios das mudanças climáticas. As comunidades são a linha de
frente das consequências das mudanças climáticas e têm um papel fundamental a
desempenhar na adaptação e na construção de um futuro mais sustentável e resiliente.
5. Referências bibliográficas
Gil, A. C. (2008). Como elaborar projetos de Pesquisa. 4. Ed. São Paulo: Atlas.
Maroun, M. R. (2007). Adaptação às mudanças climáticas. Rio de Janeiro. Brasil.
MICOA (2005). Avaliação da Vulnerabilidade As Mudanças Climáticas e Estratégias de
Adaptação. 1ᵒ ed, Maputo. Moçambique.
MICOA (2005). Avaliação da Vulnerabilidade As Mudanças Climáticas e Estratégias de
Adaptação. 1ᵒ ed, Maputo. Moçambique.
MICOA. (2007). Programa de Acção Nacional para a Adaptação às Mudanças
Climáticas (NAPA). Maputo. Moçambique.
MICOA. (2013). Estratégia Nacional de Adaptação e Mitigação de Mudanças
Climáticas 2013-2025. Maputo. Moçambique
IPCC, (2001) Third Assessment Report, Climate Change: Working Group II: Impacts,
Adaptation, and Vulnerability.
IPCC/CLIMATE CHANGE. (2007). Mitigation of Climate Change, Working Group III
Contribution to the Intergovernmental Panel on Climate Change, Fourth Assessment
Report, Summary for Policymakers. Disponível em [Link] Acessado em
Setembro de 2013.
INGC. (2009). Estudo sobre o impacto das alterações climáticas no risco de
calamidades em Moçambique. Relatório síntese 2ª versão, Maputo Maio de 2009.
PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO (PNUD,
2007).Combater as alterações climáticas. Relatório de Desenvolvimento Humano 2007-
2008.
UNFCCC (2006). Technologies for Adaptation to Climate Change. Germany:
UNFCCC.
Simões, A. F. (2006). O Transporte Aéreo Brasileiro no Contexto de Mudanças
Climáticas Globais: Emissões de CO2 e Alternativas de Mitigação. Rio de Janeiro.