Brazilian Journal of Development 43928
ISSN: 2525-8761
Uso de antiflamatórios não esteroidais em pacientes diagnosticados
com hipertensão arterial: uma revisão integrativa
Use of non-steroid anti-flamatory agents in patients diagnosed with
arterial hypertension an integrative review
DOI:10.34117/bjdv8n6-092
Recebimento dos originais: 21/04/2022
Aceitação para publicação: 31/05/2022
Vitória Maria Rocha Nunes
Acadêmica do curso de farmácia da Faculdade de Imperatriz – FACIMP WYDEN
Instituição: Faculdade de Imperatriz – FACIMP WYDEN
Endereço: Av. Prudente de Morais, s/n, Parque Sanharol, Imperatriz - MA
CEP: 65900-000
E-mail: Vitó
[email protected].
Patrício Francisco da Silva
Orientador, Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional, Professor dos cursos de
Farmácia e Enfermagem da Faculdade de Imperatriz – FACIMP WYDEN
Instituição: Faculdade de Imperatriz – FACIMP WYDEN
Endereço: Av. Prudente de Morais, s/n, Parque Sanharol, Imperatriz - MA
CEP: 65900-000
E-mail: Patrí
[email protected]RESUMO
A hipertensão arterial é uma condição que atinge uma grande quantidade de pessoas por
todo o mundo, acarretando um alto custo na saúde pública, impactando diretamente no
desenvolvimento socioeconômico, além de ser um fator para o desenvolvimento de outras
condições clínicas como doenças cardiovasculares. As medicações não esteroidais
(AINEs), são a classificações de medicações mais prescritas no mundo incluindo os
analgésicos e antipiréticos que muitas vezes são utilizados em problemas
cardiovasculares como é o caso da Hipertensão. Possuem funções antiinflamatórias agem
no processo de dor e inchaço, O objetivo dessa pesquisa foi abordar quais são os anti-
inflamatórios não esteroidais usados pelos pacientes diagnosticados com hipertensão.
Trata-se de uma revisão integrativa. Foi realizado levantamento dos artigos na literatura
a partir das bases de dados das ciências da saúde em geral SciELO (Scientific Electronic
Library Online), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe), MEDLINE
(National Library of Medicine, Estados Unidos) . A busca eletrônica foi realizada por
meio da combinação dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “medicamentos não
esteriodais” e “portadores de hipertensão” e se baseou na adoção do critério de inclusão
referente à indexação de artigos nas bases de dados publicados entre 2016 e 2021. Após
leitura dos títulos e resumos foram selecionados 12 artigos para fundamentar os resultados
e discussão. Os resultados apontaram que a prevalência da Hipertensão Arterial é uma
das cardiopatias congênitas mais prevalentes em neonatos, principalmente em
prematuros. Os anti-inflamatórios não esteroidais são usados profilaticamente e como
primeira linha no tratamento farmacológico para o fechamento do canal arterial. Por isso,
a escolha do melhor fármaco para cada caso é de grande importância. Diante disso, a
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relevância do tema se baseia nessa melhorescolha que leva em consideração a eficácia, os
efeitos colaterais, a via de administração de cada um.
Palavras-chave: antiflamatórios, não esterodais, pacientes, hipertesão arterial.
ABSTRACT
Hypertension is a condition that reaches a large number of people around the world, causing a
high cost in public health, directly impacting socioeconomic development, as well as being a
factor for the development of other clinical conditions such as cardiovascular disease. Non -
steroidal medications (NSAIDs) are the most prescribed medications in the world including
painkillers and antipyretics that are often used in cardiovascular problems such as hypertension.
They have anti-inflammatory functions act in the pain and swelling process, the purpose of this
research was to address which non-steroidal anti-inflammatory drugs used by patients diagnosed
with hypertension. This is an integrative review. A survey of articles was conducted from the
literature from the health science databases in general Scielo (Scientific Electronic Library
Online), Lilacs (Latin American and Caribbean literature), Medline (National Library of
Medicine, United States). Electronic search was performed through the combination of health
science descriptors (decs): “non -steriodal medicines” and “patients with hypertension” and was
based on the adoption of the inclusion criterion regarding the indexing of articles in the published
databases between 2016 and 2021. After reading the titles and summaries were selected 12 articles
to substantiate the results and discussion. The results pointed out that the prevalence of arterial
hypertension is one of the most prevalent congenital heart disease in neonates, especially in
premature. Non-steroidal anti-inflammatory drugs are used prophylactically and as a first line in
pharmacological treatment for the closure of the arterial. Therefore, choosing the best drug for
each case is of great importance. Given this, the relevance of the theme is based on this better
choice that takes into account the effectiveness, side effects, the management of each one.
Keywords: antiflamatory, not sterodal, patients, arterial hypever.
1 INTRODUÇÃO
Pressão arterial é o nome dado à pressão exercida pelo sangue ao passar nas
artérias do nosso corpo. Quando os níveis pressóricos se mantêm constantemente
elevados, ocasiona a hipertensão arterial, uma condição clínica de causa multifatorial. A
hipertensão possui três estágios, ou apenas hipertensão sistólica isolada (NOBRE, 2013).
A hipertensão arterial é uma condição que atinge uma grande quantidade de pessoas por
todo o mundo, acarretando um alto custo na saúde pública, impactando diretamente no
desenvolvimento socioeconômico, além de ser um fator para o desenvolvimento de outras
condições clínicas como doenças cardiovasculares (MOURA, 2015).
Apesar de no Brasil os estudos a respeito da hipertensão sejam poucos e não
representativos, a prevalência desta patologia crônica ainda é alta, variando de 22% a
44%. Além disso, os índices de mortalidade por doenças cônicas não transmissíveis são
elevados, ocasionando consequências para a sociedade (MACHADO; CAMPOS, 2014).
São variáveis as medicações utilizadas para o tratamento da hipertensão. Dentre
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estas existem os bloqueadores adrenérgicos, os bloqueadores dos canais de cálcio, os
diuréticos, as drogas que intervém no sistema renina angiotensina e outros mecanismos.
Essas drogas possuem um efeito positivo caso administradas de forma regularmente, mas
o problema se instala caso sejam administradas juntamente com outras medicações
(LONGO; MARTELLI; ZIMMERMANN, 2011).
As medicações não esteroidais (AINEs), são a classificações de medicações mais
prescritas no mundo incluindo os analgésicos e antipiréticos que muitas vezes são
utilizados em problemas cardiovasculares como é o caso da Hipertensão. Possuem
funções antiinflamatórias agem no processo de dor e inchaço, contudo, sua utilização
associada a antihipertensivos podem acarretar piora nos quadros de hipertensão
(NASCIMENTO et al, 2013).
Os AINES agem inibindo a produção das prostaglandinas ocasionando a elevação
da pressão arterial pois ao inibir a COX gera redução sistêmica e renal das
prostaglandinas. Desta forma os AINES podem contrapor à ação dos anti-hipertensivos,
podendo não exercer nenhum efeito sob a pressão arterial, mas também podem ocasionar
crises hipertensivas (NASCIMENTO et al, 2013).
Por isso, deve-se está alertando a população sobre a importância de se cuidar e
manter uma vida saudável diariamente. Cabe também a disponibilização de recursos e
incentivo por parte dos nossos governantes para que possa ser criado mais projetos que
chamem a população para realização de cuidados básicos de saúde. Além disso, o papel
do farmacêutico é importante no processo de Assistência Farmacêutica aos portadores
dessa patologia, visto que são responsáveis pelo processo de orientação na prescrição e
dispensação desses medicamentos.
Diante desse contexto, o objetivo da pesquisa foi abordar quais são os anti-
inflamatórios não esteroidais usados pelos pacientes diagnosticados com hipertensão.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 CONCEITOS E CARACTERIZAÇÕES DA HIPERTENSÃO ARTERIAL
SISTÊMICA
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é considerada na saúde pública um dos
problemas mais relevantes no cenário mundial. Apesar de apresentar elevada prevalência
(no Brasil de 22 a 44%), ainda surge uma grande estatística populacional que não tem
conhecimento de serem portadores do problema. Dos indivíduos que sabem do seu
diagnóstico, aproximadamente 40% ainda não tiveram a iniciativa de começar o
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tratamento. Além disso, somente uma reduzida parcela dessas pessoas está em controle
com os níveis de pressão arterial (PINTA; FERRIA, 2003).
Por ser relacionada como uma doença idiopática e assintomática pode surgir uma
espera bastante elevada no diagnóstico da hipertensão, o que poderá levar os indivíduos
a não adotarem de modo progressivo o tratamento correto da HAS (BRASIL, 2006).
Nesse sentido, a equipe de saúde torna-se um mediador importante na redução
dessa doença, aproximando-se mais da realidade das famílias e da comunidade em geral,
além de possibilitar o enriquecimento dos seus conhecimentos em relação às condições
dos riscos e danos a qual essa população está exposta (LIMA, 2010).
A detecção precoce, o tratamento correto e adequado, e os conhecimentos dos
fatores que influenciam no controle da hipertensão, produzem importantes benefícios
educativos para uma comunidade, pois, uma população bem informada e orientada pelas
equipes multidisciplinares da saúde básica, é capaz de reduzir ainda mais essa negativa
realidade (GUYTON; HALL, 2002).
Para o processo de verificação e avaliação dos níveis tensionais deverá ser uma
prática rotineira e obrigatória no atendimento e acolhimento do usuário na atenção
primária à saúde. O Médico, bem como a sua equipe, com o auxílio do farmacêutico deve
estar devidamente capacitado e treinado para identificar e constatar por meio da história
de vida do paciente e dos seus níveis de características pressóricas a possibilidade deste
tornar-se um hipertenso (SILVA; COLOSIMO; PIERIN, 2016).
O estabelecimento do real vínculo entre pacientes com hipertensão arterial
sistêmica e, as Unidades Básicas de Saúde são indispensáveis para controlar o
agravamento dessas doenças crônicas, bem como impedir o surgimento de problemas
clínicos, como internações hospitalares, doenças cardiovasculares e mortalidade, que
provém consequentemente da ausência do diagnóstico precoce, acompanhamento e
tratamento (MALFATTI; ASSUNÇÃO, 2011).
Segundo Costa (2005) em relação à prática clínica, todos os pacientes com
Hipertensão Arterial Sistêmica deverão ser cadastrados no programa e tem a ficha espelho
preenchida com verificação, registros adequados e atualização do SIAB. Também é
realizada a avaliação e o monitoramento semanal dos cadastros da ficha espelho com a
finalidade de desenvolver e acompanhar o seu processo de atualização e identificar
defeitos que pudessem ser sanados. Tais estratégias de intervenção contribuem para o
auxílio do trabalho em equipe, como a perspectiva de identificação dos ausentes e
subsidiar o acompanhamento e desenvolvimento de temáticas nas ações coletivas.
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Falhas ao preencher esses registros causam interferência no trabalho da equipe da
saúde básica, levando em consideração que esses gestores e essa equipe devem se
planejar, preparar e organizar suas ações e atividades a partir da inserção de informações
(AURÉLIO; FONSECA; MENDONÇA, 2014).
Um dos fatores de prevenção da HAS é a efetuação dos exames complementares
que em muitos dos casos é um desafio colocado para as equipes inseridas na Saúde da
Família, as quais enfrentam ocasiões como escassez de vagas para os exames na Unidade
Básica de Saúde, a qualidade dos exames e a demora dos resultados na hora do seu
recebimento e, em consequência disso, destaca-se a indispensável conexão entre
instâncias de liderança para o planejamento de formas para articular os recursos e as redes,
garantindo aos pacientes possibilidades de integralidade e acesso na atenção básica
(COSTA; SILVA; CARVALHO, 2011).
Para as ações de educação em relação à Hipertensão Arterial Sistêmica, a equipe
determina juntamente com a liderança da comunidade, que auxiliam e ajudam na
organização e divulgação das ações que são realizadas através de visita domiciliar. Assim,
torna-se relevante esse aliado nas atividades propostas pela UBS (BARRETO, 2011).
Todos os pacientes cadastrados no sistema SIAB obtém orientações sobre riscos
do tabagismo, alimentação saudável, benefícios da ação regular de saúde bucal e atividade
física. Para isso, são estabelecidas estratégias educativas na UBS antes da realização de
cada assistência clínica e na comunidade. As atividades educacionais tem por finalidade
a informação a população sobre a prática de hábitos de vida saudáveis e também dando
garantia para essa comunidade a abertura de espaços de fala, experiências e troca de ideias
a fim de compreendê-los em cultura e condições, seus hábitos, autocuidado, mobilização
e o comparecimento nas inúmeras ações estipuladas pela equipe (LIMA, 2010).
A equipe da UBS planeja e organiza estas atividades em parceria com as
lideranças comunitárias, ACS e farmacêuticos, os quais têm como funções delegadas, o
encontro de um ambiente adequado e convidar familiares e pacientes para essas
mobilizações a fim de explicar sobre as questões que abrange a Hipertensão Arterial
Sistêmica. A gestão municipal em muitos casos apoia com instrumentos e recursos
materiais necessários. Cada ação tem início com palestras tendo a participação direta dos
integrantes da equipe, e na sequência são realizadas dinâmicas participativas com
participação e interação dos usuários (COSTA, 2005).
A educação na área da saúde é um mecanismo de suma importância para as
Equipes de Saúde da Família, tanto para a prevenção de doenças crônicas (Hipertensão
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Arterial Sistêmica) como para dar apoio aos pacientes no gerenciamento dessas doenças
(MENDES, 2012).
2.1.1 Fatores que influenciam no surgimento da hipertensão arterial sistêmica
A elevada maioria dos casos de hipertensão arterial sistêmica que não apresentam
uma razão que possa ser de fácil identificação é conhecida como hipertensão essencial ou
primária que corresponde a 95 % do total dos casos já preexistentes no contexto brasileiro
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2015). Diante desse contexto,
existem diversos fatores de risco como: Obesidade, Alimentação, Bebidas Alcoólicas,
Tabagismo, dentre outros.
O excesso de peso, também conhecido como Obesidade, é um fator predisponente
para a hipertensão arterial sistêmica. Estima-se que 20% a 30% da prevalência da
hipertensão podem ser fundamentadas pela presença do excesso de peso. Todos os
indivíduos hipertensos que apresenta excesso de peso devem ser inseridos em programas
e projetos de redução de peso (BRASIL, 2007). Os indivíduos considerados sedentários
possuem elevada chance de apresentarem risco para Hipertensão Arterial em comparação
aos ativos (BERNARDO, 2015,).
Outro fator é o cuidado com a alimentação. Segundo Girotto (2016) a dieta
desempenha um papel relevante no controle da hipertensão arterial. Uma dieta com um
conteúdo reduzido e que é baseada em frutas, legumes e verduras, leguminosas, cereais
integrais, leite e derivados desnatados, quantidade mínima de gorduras saturadas, trans e
colesterol mostrou ser capaz de diminuir a pressão arterial em indivíduos considerados
hipertensos.
As relações entre o elevado consumo de bebida alcoólica e o aumento da pressão
arterial têm sido mencionadas em estudos observacionais e a redução da ingestão de
álcool pode diminuir a pressão arterial em homens hipertensos que consomem grandes
quantidades de bebidas alcoólicas (BRASIL, 2006).
O risco associado ao tabagismo é proporcional ao número de cigarros fumados e
à profundidade da inalação. Entretanto, os hipertensos que fumam devem ser
repetidamente estimulados ao abandono desse hábito por intermédio de medidas e
aconselhamentos terapêuticos de suportes específicos (BRASIL, 2006).
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2.1.2 Tratamento da hipertensão arterial sistêmica
O tratamento considerado para a Hipertensão Arterial Sistêmica pode ser
estabelecido em dois processos os que não utilizam medicamentos e os que usam
medicamento. O procedimento do tratamento sem a utilização de medicamentos
apresenta como finalidade o auxílio na redução da pressão arterial, e se possível poder
evitar as relações de riscos e as complicações por intermédio de algumas transformações
no estilo de vida como: a diminuição da ingestão do fator sódio, diminuição de peso,
elevada ingestão do fator potássio, uma rica dieta em vegetais, frutas e alimentos com
reduzida quantidade de gordura, a abolição ou diminuição do álcool e a prática constante
de atividade física. Alimentação rica em cálcio em um contexto atual é preconizada em
inserção com toda a série de dietéticas medidas a serem adotadas, que em um conjunto
são válidas para a diminuição da Pressão Arterial (MANO, 2009).
As transformações do estilo e qualidade de vida são aplicadas a todos os devidos
pacientes que se predispões a redução do risco da relação cardiovascular, sendo incluídos
os normotensos, e que tem necessidade também se impondo o tratamento medicamentoso
da hipertensão (MANO, 2009).
Se, apesar dessas transformações no estilo e qualidade de vida, a Pressão Arterial
continuar igual ou acima a 140/90 mmHg (ou não apresentar em um ótimo nível na
presença de outros diversos fatores que levam o risco das características cardiovasculares)
por três a seis meses, a considerada terapia coma utilização de medicamentos deve ser
imediatamente iniciada. Se a Pressão Arterial estiver elevada de forma extrema ou o
paciente atestar como portador de alguns índices de riscos considerados de
cardiovasculares, a relação da monoterapia poderá ser utilizada (NETTINA, 2003).
Segundo os pensamentos de Nettina (2003), Mano (2009) ressalta que o
tratamento por meio de uso de medicamento se estabelece quando os processos não
medicamentosos não se tornam suficientes para controlara PA. Em qualquer ocasião a
relação do tratamento não medicamentoso sempre deverá ser realizado e mantido. São
medicamentos que devem ser de primeira linha para o acompanhamento do tratamento
da Hipertensão Arterial Sistêmica, todos com benéfico resultado com comprovação em
diversos trabalhos no processo de prevenção das possíveis e relativas complicações do
sistema cardiovascular: os diuréticos considerados tiazídicos, os considerados
bloqueadores das relações de canais de cálcio, os beta bloqueadores e os bloqueadores
AT1 e os inibidores da ECA.
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Se a doença não vir a ter controle com a primeira medicação dentro de um a três
meses, três distintas opções podem ser estabelecidas: se o portador estiver fazendo
realmente a utilização do medicamento e não teve o desenvolvimento dos efeitos
considerados colaterais, a dose correta desse medicamento poderá ser elevada; se esse
paciente apresentar alguns efeitos de características colaterais, outra classificação de
medicamento deve ser utilizada como processo de substituição; um segundo fármaco de
outra classificação deverá ser inserido. (NETTINA, 2003).
Diante desse contexto a HAS, torna-se uma doença preocupante se não for tratada
corretamente, sendo que a prevenção ainda é um dos meios mais eficientes para que esse
usuário possa ter uma qualidade de vida saudável. Através dessa conduta o profissional
farmacêutico é importante no acompanhamento e orientação através da assistência
farmacêutica.
2.3 ANTI-INFLAMAÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS
Os anti-inflamatórios é uma classe de medicações muito usada pela população,
utilizados para amenizar os sinais e sintomas como dor e edema em um processo
inflamatório. Esses medicamentos se subdividem em anti-inflamatórios esteroidais
(AIES)e anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) (LYNKON TIN YANG KO, 2018).
Segundo Lynkon Tin Yang Ko (2018), a hisória do uso dos AINES inicia-se com
os assírios que utilizavam o extrato da folha de salgueiro para o alivío dos sintomas
apresentados no músculo esquelético. Os egípcios utilizavam o cozimento de murta e
salgueiro para tratar dores nas articulações e inflamações ligadas a ferimentos.
Os AINES são classificados em COX 1,2 e 3 sendo a última descoberta
recentemente. A COX é classificada como inibidor não seletivo e a COX 2 é classificada
como inibidores seletivos. A COX 1 trata-se de uma enzima constitutiva que atua na
produção de prostraglandina, enquanto a COX 2 age nos processos inflamatórios. Já a COX
3 é uma variaçãodas COX 1 agindo por meio da inibição de medicações toque possuem
efeitos antipiréticos analgésicos que são potencialmente inibidas pelos AINES (SANTOS,
et al., 2021). Essa classificação é demostrada no quadro 01.
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Quadro 1- Classificação dos AINES
INIBIDORES INIBIDORES NÃO INIBIDORES NÃO INIBIDORES
SELETIVOS COX-1 SELETIVOS COX-1 SELETIVOS COX-1 ALTAMENTTE
E COX-2 SELETIVOS COX-2
ASS (>100mg) Meloxicam Rofecoxibe (Vioxx)
ASS (<100mg) Indometacina Nimesulida Valdecoxibe
(Bextra)
Piroxicam Etodolaco Celecoxibe (Celebra)
Diclofenaco Lumirsacoxibe
(Prexige)
Ibuprofeno Etoricoxibe
(Arcoxia)
Parecoxibe
Fonte: Adaptado de: SANTTOS, ESCOBAR, RODRIGUES (2021).
Ao analisar um estudo de caso Rodrigues et al., (2021) observou que houve uma
possível interação medicamentosa entre o anti-hipertensivo losartana e hidroclorotiazida
e AINE ácido acetilsalisílico utilazado como agente antiplaquetário. A interação se dá
pelo fato do AINE agir inibindo a enzima da cicloxigenase o que acaba ocasionando uma
diminuição renal da síntese de prostraglandina, promovendo a diminuição da eliminação
do sódio diminuindo assim a eficácia da medicação anti-hipertensiva.
2.3.1 Mecanismo de ação dos anti-inflamatórios não esteroidais
Os anti-inflamatórios não esteroidais agem inibindo a síntese de prostaglandinas
e tromboxanos, através da inibição das enzimas ciclo-oxigenases (COX-1 e COX-2) e
consequentemente a redução da conversão de ácido araquidônico em prostaglandinas,
sendo usados em pacientes com esclerose sistêmica progressiva, artrite reumatoide, lúpus
eritematosos sistêmicos, poliomielite, artrose, febre, cefaleias, entre outros, por
possuírem ação analgésica, antitérmica, anti-inflamatória e antitrombótica (SILVA et al.,
2019).
Os AINEs representam uma família de fármacos que em sua fórmula química
apresentam um grupo ácido ligado a um anel aromático e que têm como mecanismo de
ação a inibição das enzimas ciclo-oxigenases. A inibição das COXs causa a redução da
produção de prostanóides inflamatórios e, assim, dos processos mediados por estes. Os
AINEs podem apresentar diferentes graus de seletividade em relação às isoformas COX-
1 e COX-2. Em função disso, são divididos em AINEs tradicionais (AINETs), que atuam
sobre as duas isoformas enzimáticas, e AINEs seletivos para a COX-2, chamados de
Coxibes (BRAGHIROLLI et al., 2018).
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As prostaglandinas são moléculas produzidas a partir do ácido araquidônico, um
ácido graxo presente nos fosfolipídios que compõem as membranas celulares. O ácido
araquidônico é liberado das bicamadas lipídicas por ação hidrolítica da enzima
fosfolipase A2. Quando liberado, ele é convertido em prostanóides pelas enzimas ciclo-
oxigenases (COX). Essas enzimas existem em duas isoformas no nosso organismo: COX-
1 e COX-2 (BRAGHIROLLI et al., 2018).
Ainda que a maior parte da COX-2 seja produzida de forma induzida, alguns
estudos revelam que a expressão constitutiva da COX-2, apesar de ser baixa, contribui
positivamente nos processos homeostáticos do organismo, como a função renal,
cardiovascular e pulmonar e na organogênese normal de fetos. Por essa razão, alguns
trabalhos indagam o fato da inibição da COX2 estar somente relacionado aos efeitos
benéficos da ação dos AINEs, que demonstram que a COX-2 está presente em
importantes processos em especial no sistema reprodutor feminino (LOPES; DORADO;
NARDINO, 2016).
2.3.2 Os Efeitos dos anti-inflamatórios não esteroidais
Os efeitos anti-inflamatórios dos AINES acontecem pela redução da
vasodilatação, resultante da síntese de prostaglandinas que possuem atividades
vasodilatadoras. No edema, sua ação é de forma indireta, visto que ao diminuir a
vasodilatação consequentemente há menos mediadores químicos atuando, diminuindo
assim a permeabilidade de vênulas pós-capilares (DORADO; NARDINO, 2016).
Como efeito antipirético, os AINEs conseguem reajustar o equilíbrio no
hipotálamo inibindo a produção de prostaglandinas naquele local, pois ele é responsável
pelo controle da temperatura corporal. Conquanto, supõe-se que exista outro mecanismo
para o controle da temperatura, uma vez que as prostaglandinas não são as únicas
responsáveis pela febre, mas ainda não foi descoberto (SOUZA et al,. 2019).
O efeito analgésico dos AINEs se dá pela redução de produção de prostaglandinas
que são responsáveis na sensibilização de nociceptores para os mediadores da inflamação,
como a bradicina. Com o estímulo da produção de COX2 que acontece e nos processos
inflamatórios aumenta-se o número de prostaglandinas, e quando há a inibição da enzima,
ocorre a redução da dor (NASCIMENTO et al,. 2017).
As principais reações adversas dos AINES ocorrem no trato gastrointestinal
(TGI), no sistema nervoso central (SNC), no sistema hematopoiético, no fígado, na pele
e no rim. É importante ressaltar que, em geral, os efeitos adversos tendem a ser dose-
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dependente. É possível ainda que ocorra anemia devido às perdas sanguíneas pelo trato
gastrointestinais relacionadas às úlceras silentes (CASTRO et al,. 2017).
Os Anti-Inflamatórios Não Esteroides (AINEs) têm sido usados como alternativa
terapêutica para a diminuição da dor. São medicamentos excessivamente prescritos,
sendo uma das classes terapêuticas mais utilizadas a nível mundial. Apesar de todos os
efeitos benéficos que os AINEs apresentam a maior parte das pessoas não tem a
compreensão do risco da sua utilização e dos potenciais reações adversas que este grupo
de medicamentos desencadeia. Além disso, há possíveis interações com inúmeros
fármacos, estima-se que os efeitos adversos que ocorrem, cerca de 25%, se devem aos
AINEs (CASTEL-BRANCO et al., 2013).
2.4 USO DE ANTIFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS EM PACIENTES
HIPERTENSOS
Nos últimos anos tem sido questionada a segurança da utilização dos AINEs
com relação aqueles pacientes hipertensos e com risco de doenças
cardiovasculares, sendo que, estes medicamentos não possuem ensaios randomizados
para avaliar estes riscos. Outros estudos apontam que os inibidores seletivos da COX-
2 aumentam os riscos de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, insuficiência
cardíaca e renal (BREU, 2017).
Entretanto, os riscos desses efeitos adversos é consideravelmente bem maior em
alguns pacientes com histórico familiar para o desenvolvimento destas patologias,
sendo nesses casos, o uso de inibidores seletivos da COX-2 limitado para situações
em que não haja alternativa apropriada (SILVA, 2018).
Para Sentinela (2018) desse modo, considerando-se a hipertensão arterial como
grave problema de saúde pública, que acomete grande número de indivíduos,
principalmente do sexo masculino, é necessário que estes pacientes recebam orientação
adequada para utilização de medicamentos, inclusive os AINEs.
Geralmente, os seres humanos com problemas hipertensos utilizam várias
associações de medicamentos para controle da pressão, o que na maioria das
vezes gera grande risco devido a sobreposição de medicamentos (MAIA et al,. 2019).
A via da ciclooxigenase é intercedida por enzimas que catalisam a síntese das
prostaglandinas e tromboxanos, assim a COX possui três apresentações: a COX-
1, a COX 2 e a COX 3 (NASCIMENTO; SOUZA, 2019).
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Segundo Braga (2019) A COX-1 está presente em diversos tecidos, tais como
intestino, rins, estômago, desempenhando função citoprotetoranos mesmos. A COX-2
não está presente na constituição de tecidos, entretanto participa fisiologicamente
na produção de prostaglandinas, de modo que proporciona sua síntese induzida
por meio da existência de um processo inflamatório, ocasionando a excreção de
alguns mediadores químicos que potencializam casos como a vasodilatação.
A COX-3 apresenta sua distribuição restrita, sendo encontrada em abundância
nas amostras de tecido encefálico e cardíaco.
3 METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa realizada por meio de levantamento
bibliográfico relacionado ao uso de anti-inflamatórios não esteriodais a pacientes
portadores de hipertensão, conforme metodologia definida por Tavares et al.(2013).
Com o intuito de responder a pergunta norteadora: Quais os principais cuidados
com medicamentos não esteriodais utilizados nos pacientes com hipertensão?, foi
realizado levantamento dos artigos na literatura a partir das bases de dados das ciências
da saúde em geral SciELO (Scientific Electronic Library Online), LILACS (Literatura
Latino-Americana e do Caribe), MEDLINE (National Library of Medicine, Estados
Unidos) .
A busca eletrônica foi realizada por meio da combinação dos Descritores em
Ciências da Saúde (DeCS): “medicamentos não esteriodais” e “portadores de
hipertensão” e se baseou na adoção do critério de inclusão referente à indexação de artigos
nas bases de dados publicados entre 2016 e 2021 em português e inglês com tema central
relacionado à avaliação de serviços farmacêuticos hospitalares.
Foram definidos como critérios de exclusão: cartas ao editor, artigos de opinião,
produções sem disponibilidade do texto na íntegra, publicações relacionadas a
intervenções específicas, dissertações de mestrado e teses de doutorado.
Uma primeira análise foi realizada pela leitura dos títulos das publicações
selecionadas, seguida pela leitura e análise crítica dos resumos respeitando os critérios de
exclusão. Em seguida, a verificação dos artigos na íntegra para identificação das ideias
centrais. Os dados foram coletados por meio de instrumento descritivo tabulado em
planilha do Excel abrangendo procedência, título, autoria, periódico, métodos, objetivos,
resultados e conclusão.
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A partir da busca pelos descritores e filtros, foram instraídos 169 artigos, sendo
82 resultados da base de dados MEDLINE, 60 na LILACS, 27 na SCIELO. Após leitura
dos títulos e resumos foram selecionados 12 artigos para fundamentar os resultados e
discussão.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para extração dos dados dos artigos selecionados foi elaborada uma ficha padrão
com campos para coleta dos dados como título, autores, ano de publicação, revista e tipo
de estudo, resumidos no Quadro 1.
Quadro 1 - Estudos incluídos na revisão bibliográfica e suas principais características.
Título Autores Ano de Revista Tipo de estudo
publicação
Association of placebo,
indomethacin, ibuprofen, and Journal of the
acetaminophen with closure of MITRA S, et al. 2018 American Revisão
hemodynamically significant Medical sistemática emeta-
patent ductus arteriosus in Association análise
preterm infants: a systematic
review and meta-analysis
Pharmacotherapy for patent FERGUSON JM. 2019 Congenital Heart Revisão de
ductus arteriosus closure Disease literatura
Patent ductus arteriosus in the PRESCOTT S, et Advances in Revisão deliteratura
preterm infant al. 2017 neonatal care integrativa
Comparative study of the
efficacy and safety of
paracetamol, ibuprofen, and EL-MASHAD 2017 European journal Estudo prospectivo
indomethacin in closure of AER, of pediatrics
patent ductus arteriosus in et al
preterm neonates
Paracetamol for the treatment of Archives of
patent ductus arteriosus in Disease in Revisão
preterm neonates: a systematic TERRIN G, et al 2016 Childhood-Fetal sistemática e meta-
review and meta-analysis and Neonatal análise
Edition
Efficacy and safety of oral
paracetamol versus oral The Journal of Estudo de caso-
ibuprofen for closure of patent EL-FARRASH 2019 Maternal-Fetal & controle
ductus arteriosus in preterm RA, Neonatal randomizado
infants: a randomized et al. Medicine intervencionista
controlled trial
The dark side of ibuprofen in the Expert opinion on
treatment of patent ductus CUZZOLIN L, et 2018 drug metabolism Revisão
arteriosus: could paracetamolbe al. & toxicology integrativa
the solution?
Oral ibuprofen is superior to oral
paracetamol for patent ductus Estudo retrospectivo
arteriosus in very low and LU J, et al. 2019 Medicine
extremely low birth weight
infants
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Paracetamol in patent ductus BARDANZELL BioMed research Revisão
arteriosus treatment: efficacious U F, 2017 international integrativa
and safe? et al.
Hipertensão arterial: Uma LIMA, T.E et al., Brazilian Journal Revisão
revisão sistemática 2021 of Health Review integrativa
1. Tendências na prevalência
de hipertensão arterial sistêmica e na JULIÃO, N.A et Ciênc. saúde Revisão
utilização de serviços de saúde no al., 2021 coletiva integrativa
Brasil ao longo de uma década
(2008-2019).
Efeitos adversos do uso de anti- GONALVES, H.
inflamatório nãoesteroidais R. et al., 2020. Revista Saúde Revisão
(aines) no sistema 2020 viva integrativa
gastrointestinal: revisão de
literatura
Fonte: Autora (2021).
A partir da leitura dos artigos na íntegra, evidenciou-se que a Hipertensão Arterial
(HA) é caracterizada como uma doença crônica não transmissível (DCNT), que compõe
uma das principais causas de morte prematuras em todo o mundo, afetando
principalmente indivíduos de baixa condição socioeconômica. A HA apresenta uma
trajetória clínica de progressão lenta e assintomática, que quando não controlada afeta
negativamente a qualidade de vida dos pacientes e seus familiares, trazendo inúmeras
limitações e empecilhos para as atividades diárias e o desencadeamento de sintomas
clínicos (LIMA et al., 2021).
Segundo Julião et al., (2021) A abordagem terapêutica do paciente hipertenso
inclui medidas não medicamentosas e o uso de fármacos específicos, com o objetivo de
reduzir os níveis pressóricos, proteger órgãos-alvo, prevenir complicações
cardiovasculares e renais. Dessa forma, para definir o esquema terapêutico deve-se
considerar não apenas o nível da PA, mas também se há presença de fatores de risco
adicionais e quais os anti-inflamatório não esteriodais devem ser administrados.
Diante do encontrado na literatura, evidenciou-se que o ibuprofeno, a
indometacina e o paracetamol são os anti- inflamatórios não esteroidais mais indicados
para o tratamento da Hiertensão Arterial. Segundo Ferguson JM, et al. (2016), isso
acontece porque os dois primeiros bloqueiam a reação da COX, em que o ácido
araquidônico é convertido em prostaglandina, por isso que são denominados inibidores
de COX. O paracetamol bloqueia a reação da peroxidase, após a primeira reação,
chamado de inibidor da reação da peroxidase. A inibição da produção de prostaglandinas
é o que induz o fechamento do canal arterial (PRESSCOT S, et al., 2016).
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O tratamento com AINES possui uma eficácia variada de acordo com a idade
populacional. Um exemplo é que a HA em prematuros possui menor reação ao tratamento
de inibição da COX devido a uma maior expressão de receptores de prostaglandinas na
parede do canal arterial (EL-MASHAD ERA, et al., 2016). De acordo com Bardanzellu F,
et al. (2017), o ibuprofeno é o fármaco de primeira escolha para o tratamentoda persistência
do canal arterial hemodinamicamente significativa, porém não é recomendado o seu uso
profilático, como a indometacina.
O ibuprofeno, apesar de propor muitos benefícios, pode aumentar o risco de
hiperbilirrubinemia e de hipertensão pulmonar. Ele é um inibidor não seletivo da COX e
tem metabolismo hepático, com participação dos citocromos CYP2C8 e CYP2C9, mas
tem depuração mais complexa que a indometacina. A primeira dose recomendada é de 10
miligramas por quilo, seguida de duas doses de 5 miligramas por quilo em intervalos de
24 horas. Ou, ainda, pode ser administrada com uma dose ampliada de 20 miligramas por
quilo no primeiro dia e de 10 miligramas por quilo nos dias subsequentes, em doses
intravenosas ou orais (KLUCKOW M, 2013; LEWIS TR, et al., 2018).
Segundo Lu J, et al. (2019), o ibuprofeno oral possui a mesma eficácia em relação
ao ibuprofeno intravenoso em pessoas com HA, porém com menos efeitos colaterais.
Além disso, o tratamento com o fármaco oral possui uma maior eficácia no fechamento
do canal arterial em recém-nascidos de muito baixo peso e, ainda, uma menor necessidade
de uso de esteroide pós-natal para doença pulmonar crônica em recém-nascidos deextremo
baixo peso.
Essa melhor eficácia do ibuprofeno no tratamento da HA é explicada por
Nishizaki N, et al. (2020), pois seu estudo de caso-controle afirma que essa droga possui
menos efeitos vasoconstritores e, com isso, menos efeitos adversos no fluxo sanguíneo dos
órgãos, em relação ao tratamento com a indometacina. Um exemplo desse menor efeito
vasoconstritor é a menor nefrotoxicidade do ibuprofeno nos recém-nascidos prematuros
que são tratados com essa droga. Porém, apesar desse menor risco, faz-se necessário um
acompanhamento da função renal.
Em relação à indometacina, que também é um inibidor da COX não seletivo, possui
metabolismo hepático e é administrada por via endovenosa ou oral, em 3 doses, de acordo
com o peso da criança. Recomenda-se administração de 0,1 miligrama por quilo na
primeira dose e 0,2 miligrama por quilo nas duas doses subsequentes que pode ser
prolongada de acordo com a necessidade. Ela sofre intensa variação na concentração
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plasmática, mesmo com a dose igual à baseada no peso, que pode ser devidamente
explicada porinterferências genéticas (MITRA, et al., 2018).
O estudo de Terring (2016) também demonstrou essa importância do uso da
indometacina de forma profilática, mostrando a sua eficácia na redução de números de
canais arteriais sintomáticos, a necessidade de cirurgia e de hemorragia intraventricular
grave, também sem evidências de malefício tardio.
De acordo com o estudo de caso-controle de Nishizaki N, et al. (2020), ainda, os
efeitos colaterais do tratamento farmacológico acontecem com maior frequência quando
é usado a indometacina. É por esse motivo que o uso dessa droga como tratamento
Hipertensão Arterial tem diminuído em todo o mundo. Porém, na revisão de literatura de
Pacifici GM (2016), é afirmado que o ibuprofeno intravenoso possui menos risco de causar
uma doença cardiovascular no paciente do que a indometacina intravenosa.
É importante lembrar que os pacientes precisam ser monitorados constantemente
para que seja avaliada a necessidade de um segundo ciclo farmacológico. De acordo com
Escobar HA, et al. (2019), essa avaliação depende de alguns fatores, como: a clínica do
paciente, a resposta ao primeiro ciclo de tratamento farmacológico, possíveis contra-
indicações farmacológicas e avanço de idade.
Além disso, o mesmo estudo afirma que o primeiro ciclo deve ser feito com
ibuprofeno ou indometacina em três doses, exceto em casos de contra-indicações ou idade
pós natal maior que duas semanas. Um segundo ciclo de ibuprofeno pode ser feito, sem
evidências de complicações de curto prazo. Porém, o terceiro ciclo de indometacina está
relacionado com um aumento na leucomalácia periventricular, por isso, é recomendado
apenas até dois ciclos de indometacina.
5 CONCLUSÃO
Os anti-inflamatórios não esteroides estão entre os mais prescritos do mundo,
estando eles relacionados as reações adversas do trato gastrointestinal e cardiovascular.
As evidências sobre o aumento do risco cardiovascular com o uso de AINEs são ainda
incompletos pela ausência de ensaios randomizados e controlados com poder para avaliar
desfechos cardiovasculares relevantes
Entretanto, o resultado de estudos clínicos prospectivos e de meta analise indicam
que os inibidores seletivos da cox 2 exercem importantes efeitos cardiovasculares
adversos que incluem aumento do risco de infarto do miocárdio, acidente vascular
cerebral, insuficiência cardíaca, insuficiência renal e hipertensão arterial
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A prevalência da Hipertensão Arterial é uma das cardiopatias congênitas mais
prevalentes em neonatos, principalmente em prematuros. Os anti-inflamatórios não
esteroidais são usados profilaticamente e como primeira linha no tratamento
farmacológico para o fechamento do canal arterial. Por isso, a escolha do melhor fármaco
para cada caso é de grande importância.
Diante disso, a relevância do tema se baseia nessa melhor escolha que leva em
consideração a eficácia, os efeitos colaterais, a via de administração de cada um. A
literatura é vasta em relação ao tema, porém escassa quando se trata de estudosbrasileiros.
Isso mostra a importância em voltar a atenção para o tema com a elaboração de mais
estudos que possam estabelecer a melhor escolha do uso de anti-inflamatórios.
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