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Trabalho de Quimica Inorganica

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Universidade Eduardo Mondlane

Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal


Licenciatura em Engenharia Agronómica
Química Inorgânica

Evolução Histórica da Tabela Periódica

Discente:

Ana Bela Lito Augusto

Docente:

Eng. Elias Narciso Matos

Maputo, Março de 2024


Índice
Introdução .................................................................................................................................. 3

Evolução histórica da Tabela periódica ..................................................................................... 4

As primeiras tentativas de classificação dos elementos ............................................................. 4

O parafuso telúrico de Chancourtois.......................................................................................... 5

As oitavas de Newlands ............................................................................................................. 6

Contribuições importantes à tabela periódica actual ................................................................. 7

A tabela de Mendeleev ........................................................................................................... 8

Rumo à tabela periódica actual ................................................................................................ 10

Conclusão................................................................................................................................. 11

Bibliografia .............................................................................................................................. 12
3

Introdução

A tabela periódica é um quadro sistemático que lista os elementos químicos conhecidos até
então, constitui uma ferramenta importantíssima na química, pois permite organizar e
compreender a natureza dos elementos e suas propriedades. Porém, para a construção da
imagem actual da mesma, foram necessárias diversas intervenções e o desenvolvimento de
diversas técnicas analíticas.

Desde a antiguidade, os cientistas buscavam compreender os elementos e suas propriedades,


mas foi a partir do século XIX que surgiram as primeiras ideias para organizar os elementos
de forma sistemática.

Ao longo dos anos, vários foram os cientistas que contribuíram no desenvolvimento da tabela
periódica, destacando-se nomes como, Wolfgang Döbereiner, Alexandre Chancourtois, John
Newlands, Henry Moseley e Dmitri Mendeleev.

Neste trabalho, serão explorados os principais marcos históricos da tabela periódica, desde as
primeiras tentativas de organização dos elementos até a criação da versão moderna, bem
como os cientistas e suas descobertas que influenciaram na sua criação.
4

Evolução histórica da Tabela periódica

A história da tabela periódica começa no final do século XVIII e início do século XIX, com o
aumento significativo de elementos químicos conhecidos até então, como o hidrogénio,
oxigénio, nitrogénio e carbono. Porém, naquela época os químicos não tinham estabelecido
critérios para organizá-los em função de suas propriedades e características (Usberco,
Spitaleri & Salvador, 2018).

Uma evidência clara deste facto foi dada em 1789, quando Antoine Lavoisier publicou um
livro que incluía uma lista de aproximadamente 33 elementos químicos conhecidos na época,
classificando-os em metais e ametais. Porém, essa classificação não levava em consideração
as propriedades dos elementos químicos.

A criação de um critério preciso na classificação dos elementos foi um processo longo que
resultou na tabela periódica actual.

No início do século XIX, os químicos já tinham desenvolvido em seu domínio técnicas de


laboratório que permitissem determinar diversas características dos elementos químicos
conhecidos nesta época, como densidade, massa e reactividade.

Particularmente, em 1800, os cientistas já haviam acumulado uma quantidade significativa de


informações relativa às propriedades físicas e químicas dos elementos conhecidos, com esta
informação, os cientistas acabaram percebendo que certos elementos têm propriedades
semelhantes. Este conhecimento originou a necessidade de agrupar os elementos com
propriedades semelhantes (Brady & Humiston, 2005).

Daí que os químicos usando sua criatividade imaginaram gráficos, tabelas e outras
representações que permitissem materializar tal agrupamento dos elementos químicos,
seguindo um certo padrão (Feltre, 2008).

As primeiras tentativas de classificação dos elementos

As primeiras tentativas de classificação dos elementos tiveram apenas sucesso limitado.


Destas, destacam-se as tentativas feitas pelos seguintes cientistas, Döbereiner, Chancourtois e
Newlands.
5

Tríades de Döbereiner

Em 1829, Johann Wolfgang Döbereiner propôs as chamadas tríades, isto é, dispondo os


elementos em grupos de três, exemplo: Ca, Sr e Ba, verificava-se que o elemento central
exibia um peso atómico que era a média do peso dos outros dois elementos (Neves, 2008).

Döbereiner observou esse efeito analisando três elementos quimicamente semelhantes, o


cálcio, o estrôncio e o bário. Outros exemplos de tríades descritos por Döbereiner (fig.1) são,
cloro/bromo/iodo, enxofre/selénio/telúrio e lítio/sódio/potássio.

Os elementos de uma mesma tríade apresentavam propriedades químicas semelhantes e a


massa atómica do elemento central era aproximadamente à média aritmética dos outros dois
elementos (Usberco, Spitaleri & Salvador, 2018).

A organização proposta pelo alemão Döbereiner não impressionou tanto, e acabou passando
praticamente despercebida. Porém, seu mérito foi ter sido, aparentemente, o primeiro a
mostrar relações entre elementos químicos conhecidos (Canto & Peruzzo, 2009).

Figura 1 - tríades de Döbereiner.


Fonte: Usberco, Spitaleri e Salvador (2018)

O parafuso telúrico de Chancourtois

Em 1862, o geólogo francês Alexandre Chancourtois dispôs os elementos químicos


conhecidos em ordem crescente de suas massas atómicas numa linha espiral em volta de um
cilindro. Tal disposição recebeu a denominação de parafuso telúrico (Canto & Peruzzo,
2009).

Chancourtois, fez ao redor do cilindro dissésseis divisões (fig.2), e os elementos com


propriedades semelhantes apareciam uns sobre os outros em voltas consecutivas da espiral.
6

Figura 2 - parafuso telúrico de Chancourtois.


Fonte: Usberco, Spitaleri e Salvador (2018)

Chancourtois propôs que as propriedades dos elementos estavam relacionadas ao número que
o elemento ocupava na sequência. Apesar de seu esforço, as regularidades por ele
encontradas não eram aplicáveis a todos os elementos conhecidos, e a ideia não recebeu
muita atenção (Canto & Peruzzo, 2009).

As oitavas de Newlands

Em 1865, o químico e músico inglês John Newlands dispôs os 61 elementos então


conhecidos em ordem crescente de suas massas atómicas em colunas verticais de 7 elementos
e notou que o oitavo elemento, contando a partir de um elemento escolhido, exibia
propriedades semelhantes às do primeiro, como a oitava nota, numa oitava musical. Por esse
motivo o arranjo foi denominado Lei das oitavas (Usberco, Spitaleri & Salvador, 2018).

Figura 3 - a lei das oitavas de Newlands


Fonte: Usberco, Spitaleri e Salvador (2018)
7

A lei das oitavas (fig. 3) não era observada para os elementos a partir do cálcio, e por buscar
relação entre química e música, a proposta de Newlands foi ridicularizada e abandonada
pelos membros da comunidade científica. Entretanto, embora o seu trabalho tenha sido
criticado na época, ela abriu caminho para a organização sistemática dos elementos e acabou
sendo reconhecido décadas depois (Chang & Goldsby, 2016).

O grande mérito e importância de Newlands estão na introdução da ideia da periodicidade das


propriedades dos elementos químicos, acabando por ser considerado precursor das ideias de
Mendeleev.

Contribuições importantes à tabela periódica actual

As primeiras propostas de classificação dos elementos químicos tiveram pouco êxito. Só em


1869 é que foi imaginada a tabela periódica, que deu origem à usada actualmente. Essa tabela
resultou do esforço de dois químicos, um russo, Dmitri Mendeleev, e um alemão, Julius
Lothar Meyer, que trabalharam independentemente e estabeleceram tabelas similares
publicadas quase ao mesmo tempo (Brady & Humiston, 2005).

Os dois cientistas, Lothar Meyer e o Dmitri Mendeleev, descobriram, cada um


individualmente em seu próprio laboratório, que os elementos, quando arranjados na ordem
crescente de massas atómicas, se agrupavam em famílias com propriedades semelhantes
(Atkins, Jones & Laverman, 2018).

Atribui-se maior valor e importância ao trabalho do russo Mendeleev por ter sido publicado
antes e pelo facto de ele ter sido mais bem-sucedido em demonstrar o valor da tabela
periódica à comunidade científica na época .

Brady e Humiston (2005), afirmam que, Mendeleev apresentou os resultados do seu trabalho
à sociedade Russa de Química no começo de 1849, enquanto a tabela de Meyer só apareceu
em Dezembro do mesmo ano, de forma que, geralmente, se atribui a tabela periódica a
Mendeleev.

A história reteve mais particularmente as classificações de Lothar Meyer e de Mendeleev. Em


particular a contribuição de Mendeleev, porque foi realizada com uma visão bastante mais
ampla que tudo aquilo que tinha até então sido proposto (Vidal, 1986).
8

A tabela de Mendeleev

O passo final e mais importante para o desenvolvimento da tabela periódica foi dado em 1869
pelo químico russo Dmitri Ivanovitch Mendeleev. Que realizou um estudo completo da
relação existente entre massas atómicas dos elementos e propriedades físicas e químicas dos
mesmos (Pauling, 1986).

Mendeleev era professor na Universidade de São Petersburgo, na Rússia, enquanto preparava


um livro didáctico para seus alunos, trabalhando com as fichas em que anotava as
propriedades de cada elemento, ele percebeu que, se arrumasse os elementos na ordem
crescente de massas (pesos atómicos), certas propriedades repetiam-se várias vezes,
mostrando um padrão regular, isto é, uma periodicidade (Usberco, Spitaleri & Salvador,
2018).

A partir dessa observação, Mendeleev organizou os elementos em uma tabela, alinhando-os


em linhas horizontais, adoptando o seguinte critério: colocou os elementos conhecidos em 12
linhas horizontais, em ordem crescente de massas atómicas, colocando na mesma vertical os
elementos com propriedades químicas semelhantes (Feltre, 2008).

No critério de Mendeleev, quando as propriedades de um elemento eram semelhantes às de


outro da mesma linha, esse elemento era deslocado para uma nova linha e posto na coluna do
elemento com o qual tinha semelhança. Dessa maneira, formaram-se colunas com elementos
que apresentavam propriedades químicas semelhantes.

As linhas horizontais foram denominadas períodos, e as colunas, grupos ou famílias. Assim,


ele colocou os cerca de 60 elementos, conhecidos na época.

Por exemplo, os elementos Li, Be, B, C, N, O e F estavam em uma fileira. O sódio era o
próximo elemento da fileira, como suas propriedades eram muito parecidas com as do lítio,
Mendeleev iniciou uma nova fileira. À medida que mais e mais elementos foram adicionados
à tabela, foram iniciadas novas linhas e os elementos com propriedades semelhantes, tais
como Li, Na e K forma colocados na mesma coluna vertical (Kotz, Treichel, Townsend &
Treichel, 2015).
9

Um esboço da tabela periódica do Mendeleev é mostrado na figura 4.

Figura 4 - tabela periódica de Mendeleev.


Fonte: Feltre (2008)

Uma das características importante na tabela de Mendeleev e uma marca de sua genialidade
foi o facto de ele deixar espaços vazios em sua tabela que correspondiam a elementos
desconhecidos na época. Ele foi capaz de prever a existência desses elementos, assim como
algumas de suas características foram confirmadas posteriormente (Usberco, Spitaleri &
Salvador, 2018).

Por exemplo, o germânio, que não tinha sido descoberto quando Mendeleev construiu sua
tabela. Portanto, havia um espaço vazio nesta posição. Com base na sua posição na tabela,
Mendeleev previu que as propriedades do germânio, que ele chamou de “eca-silício”,
deveriam ser intermediárias entre as do silício e as do germânio (Brady e Humiston, 2005).

Com a descoberta do germânio (Ge), em 1886, a previsão de Mendeleev foi confirmada.

A tabela a tabela seguinte, mostra as proximidades encontradas nas propriedades previstas e


as determinadas posteriormente para o elemento germânio.
Propriedades Propriedades prevista por Mendeleev Propriedades determinadas
para o eca-silício experimentalmente para silício
Massa atómica 5,50 5,47
Cor cinzento Cinzento-claro
Densidade do 4,7 4,7
óxido (g/cm3)
Tabela: comparação das propriedades previstas para o eca-silicio e observadas no germânio.
Fonte: Usberco, Spitaleri e Salvador (2018).
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A tabela de Mendeleev (fig.4) apresentou uma irregularidade em particular na linha de


número 7, o iodo (I) com massa 127 aparece depois do telúrio (Te), mas segundo o critério
usado pelo russo o iodo deveria vir antes do telúrio. Mendeleev reconheceu essa e outras
discrepâncias similares e alegou que as medições de massas atómicas conhecidas naquela
época eram imprecisas (Feltre, 2008).

A justificação de Mendeleev não pareceu tão ruim com base nos métodos analíticos até então
usados na determinação de massas atómicas. Mas na verdade, a sua ordem estava correcta, e
o que estava errada era a sua suposição de que as propriedades dos elementos eram em
função de suas massas atómicas (Kotz et al, 2015).

A lei periódica dos elementos, elaborada por Mendeleev, associadas as previsões e deduções
por parte do químico foram ferramentas úteis, que ajudaram a compreender o comportamento
químico dos elementos, facilitando, assim, o desenvolvimento de teorias sobre a natureza das
reacções químicas (Neves, 2008).

Rumo à tabela periódica actual

A tabela periódica de Mendeleev foi eficaz ao demonstrar a periodicidade das propriedades


dos elementos. Faltava, porém, encontrar uma explicação para essas propriedades, o que seria
feito no início do século XX.

Entre 1913 e 1914, o químico inglês Henry Moseley fez importantes descobertas trabalhando
com uma complexa técnica envolvendo raios X. Ele descobriu uma característica dos átomos
dos elementos que ficou conhecida como número atómico, que representava o número de
protões (cargas positivas no núcleo do átomo).

O conceito de número atómico, estabelecido por Moseley era uma característica que melhor
caracterizava um elemento químico do que sua massa atómica. Por isso, os químicos
organizaram os elementos em uma tabela em ordem crescente de número atómico, corrigindo
assim as inconsistências de tabela de Mendeleev (Kotz et al, 2015).

Na tabela periódica actual, os elementos químicos estão dispostos em ordem crescente de


número atomizo (Z). A lei periódica dos elementos estabelece que: quando os elementos
químicos são agrupados em ordem crescente de número atómico (Z), observa-se repetição
periódica de várias de suas características.
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Conclusão

A história da tabela periódica foi desenvolvida a partir de muitas observações experimentais e


ideias de vários químicos dos séculos XVIII e XIX. Com o tempo, varias foram as
contribuições destacáveis, na tentativa de classificar os elementos químicos com base num
critério lógico e observável.

Um dos pioneiros que a história regista, foi o químico alemão Döbereiner, propondo a lei das
tríades, posteriormente Chancourtois organizou os elementos em uma espiral, denominada de
parafuso telúrico e no mesmo ano Newlands propôs a lei das oitavas, embora criticada, a lei
das oitavas, abriu um caminho para a organização sistemática dos elementos.

Anos depois foi a vez de Dmitri Mendeleev e Lothar Meyer darem o seu contributo a
classificação dos elementos químicos, propondo de forma individual tabelas muito similares,
em que os elementos químicos estavam dispostos em ordem crescente de massas atómicas.

Dmitri Mendeleev é um nome gritante na história da organização dos elementos químicos,


devido a sua meticulosidade, audácia e genialidade ao arrumar os elementos químicos e
propor a periodicidade nas propriedades físicas e químicas dos elementos.

Por último, Henry Moseley em seus estudos percebeu que o número atómico é a
característica que melhor descreve os elementos químicos e propôs que os elementos
químicos fossem organizados na tabela em ordem crescente do seu número atómico. E essa é
a base de organização dos elementos químicos na tabela actual.
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Bibliografia

Atkins, P; Jones, L; Laverman, L.(2018). Princípios de química: questionando a vida


moderna e o meio ambiente (7a ed.). Porto Alegre: Bookman.

Brady, J. E & Humiston, G. E. (2005). Química geral (2a ed.). Rio de Janeiro: livros técnicos
e científicos.

Canto, T & Peruzzo, F. M.(2009). Química na abordagem do quotidiano (5a ed.). São Paulo:
Moderna.

Chang, R & Goldsby, K. A.(2016). Química (12a ed.). Florida: Mc Graw Hill Education.

Feltre, R. (2008). Química geral 1 (7a ed.). São Paulo: Moderna.

Kotz, J. C., Treichel, P. M., Townsend, J. R & Treichel, D. A (2015). Química geral e
reacções químicas (9a ed.). São Paulo: Cengage Learning.

Neves, L. S. (2008). História de química. Campinas: Átomo:

Pauling, L. (1986). Química geral. São Paulo: W. H. Freeman and Company.

Usberco, J; Spitaleri, P; Salvador (2018). Química 1 (3a ed.). São Paulo: Saraiva.

Vidal, B. (1986). História de Química. Lisboa: edições 70.

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