Formação em psicologia,
intersetorialidade e rede de
enfrentamento à violência contra a
mulher
Psychology training, intersectoriality and network to confront
violence against women
Ana Carla de M Frederico
Ana Carolina de M Frederico
Allan Henrique Gomes
Resumo: A rede de enfrentamento à violência contra as mulheres configura-se pela
multiplicidade de serviços e instituições que atuam de forma articulada, visando
contemplar a multidimensionalidade e a complexidade desse fenômeno que
corresponde ao principal violador dos direitos à vida, à saúde e à integridade física e
emocional da mulher. O artigo discorre acerca das reverberações de uma experiência
de estágio no processo de formação em psicologia, realizado em um Núcleo Maria da
Penha, serviço que integra a rede de enfrentamento. A pesquisa utilizou-se do método
cartográfico na produção das informações e no processo de análise, tendo por objetivo
analisar a potência da rede de enfrentamento enquanto instrumento de proteção em
casos de violência contra a mulher. Foram definidas três categorias de análise:
percorrendo a rede de atendimento - rota crítica, a qual problematiza o caminho
percorrido pela mulher na tentativa de romper com a violência; refletindo a rede de
enfrentamento, discute a atuação articulada dos serviços da rede; e, a rede na vida e
a vida em rede que discorre acerca da potência da rede de enfrentamento na proteção
social da mulher. Quando a lógica do enfrentamento opera, a rede torna-se potente
uma vez que a limitação de um serviço constitui a especialidade do outro. Desse modo,
a demanda é contemplada seja esta referente à prevenção, assistência qualificada,
combate à violência ou acesso aos direitos.
Palavras-chave: Proteção Social; Violação de Direitos; Políticas Públicas; Formação
em Psicologia.
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Abstract: The network to confront violence against women is set up by the
multiplicity of services and institutions that work in an articulated manner, aiming to
contemplate the multidimensionality and complexity of violence against women, a
phenomenon that corresponds to the main violator of the rights to life, health, physical
and emotional integrity of women. The article discusses the reverberations of an
internship experience during the graduation in Psychology, carried out in a Maria da
Penha Center, a service that integrates the confront network. The research used the
cartographic method for the production of information and for the analysis process,
aiming to analyze the power of the confront network as an instrument of protection in
cases of violence against women. Three categories of analysis were defined: going
through the confront network - critical route, which contests the path taken by women
in an attempt to break with violence; reflecting the coping network, which talks about
the articulated performance of network services; and, the network in life and the life
over the network that talks over the power of the coping network in the social
protection of women. When the logic of coping operates well, the network becomes
powerful since the limitation of one service is the specialty of the other. Thus, the
demand is seen whether it is related to prevention, qualified assistance, combating
violence or access to rights.
Keywords: Social Protection; Violation of Rights; Public Policy; Psychology Training.
INTRODUÇÃO
“O sujeito da experiência é como um território de
passagem”
(Jorge Larrosa Bondía)
Um caminho prediz a passagem por diferentes territórios, cenários e
paisagens, cabendo ao viajante percebê-las e experienciá-las. O mundo
contemporâneo tem sido marcado por um excesso de informações, constituindo
sujeitos que constantemente se movimentam ao encontro de notícias e
novidades, para que possam ser reconhecidos como informantes, informados e
donos de uma opinião que lhes pareça própria. Quando a informação passa a
ser opinião, e esta se torna preponderante, cristalizada e inalterável, não há
espaço para a experiência (BONDÍA, 2002, p. 22).
Ao sacralizarmos informações e opiniões ficamos empobrecidos de
experiência, reduzindo a capacidade de aprender. “O par informação/opinião é
muito geral e permeia também nossa ideia de aprendizagem” (BONDÍA, 2002,
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p. 23). Desse modo, ainda que vivenciemos acontecimentos e tenhamos acesso
a novos saberes no processo de formação acadêmica, uma experiência somente
nos acontecerá se colocarmo-nos como passíveis de sermos afetados. O afeto
permite a passagem de uma perspectiva objetiva, de uma suposta neutralidade
científica, para o âmbito intersubjetivo, da relação, da troca, da experiência,
uma vez que esta última só é alcançada através dos afetos (GLEIZER, 2005, p.
13).
A experiência, enquanto mecanismo de subjetivação, não indica mero
acesso a novas informações e territórios, mas àquilo que “nos passa, o que nos
acontece, o que nos toca” (BONDÍA, 2002, p. 21). Assim, o que
compartilharemos no presente texto são as reverberações de uma experiência
de estágio em psicologia, realizado em 2018, no Núcleo Maria da Penha, cuja
implementação provém da iniciativa de faculdades e universidades de Direito,
conforme definido por meio da Lei 11.340/06, popularmente conhecida como Lei
Maria da Penha. O objetivo desses núcleos é oferecer às mulheres em situação
de violência doméstica e familiar o atendimento gratuito, especializado,
humanizado e multidisciplinar. Para tanto, o espaço conta com a atuação
conjunta do Direito e da Psicologia (BRASIL, 2006).
Núcleo e Lei receberam esse nome em homenagem a Maria da Penha
Maia Fernandes, mulher que sofreu violência e tentativas de assassinato por
parte do companheiro, mobilizando-se em busca de justiça, ao longo de
aproximadamente 20 anos. O caso tornou-se representativo do fenômeno da
violência contra a mulher no país e Maria da Penha da luta pela proteção da
mulher.
A violência contra a mulher requer visibilidade social, necessitando ser
compreendida como problema de ordem pública, não inerente à vida privada.
Uma pesquisa relativa à tolerância social desse fenômeno, realizada pela
fundação Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2014) revelou que
63% dos entrevistados acreditam que a violência dentro de casa deve ser
discutida somente entre os membros da família. Assim, os resultados da
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pesquisa alertam para a necessidade da ampliação de políticas públicas que
garantam à mulher uma vida sem violência (BRASIL, 2011a, p. 47).
A Lei Maria da Penha especifica cinco formas de violência, a saber, física,
psicológica, sexual, patrimonial e moral (BRASIL, 2006); todas marcadas pelo
sofrimento psicológico, qualificando-se como demanda que requer uma atuação
especializada, própria do profissional psicólogo (BRASIL, 2011a, p. 15). Nesse
sentido, a atuação da psicologia no campo das políticas de enfrentamento à
violência contra a mulher se faz não apenas necessária, mas fundamental, para
a superação emocional do trauma vivido, podendo cooperar ativa e amplamente
no enfrentamento à violência contra as mulheres.
Essa violência se expressa através de “ação ou conduta, baseada no
gênero, que cause morte, dano ou sofrimento para a mulher tanto no âmbito
público quanto no privado” (BRASIL, 2011a, p. 20). A variedade de contextos
sociais habitados pela mulher pode expô-la a diferentes graus de
vulnerabilidade no que tange à violência. Segundo Martins (2015, p. 8), esta se
configura como multicausal, multidimensional e multifacetada, ou seja,
contempla em sua gênese constituições históricas, culturais, políticas e sociais,
sendo composta por múltiplos aspectos e questões conceituais.
Tais características apontam para a necessidade de uma pluralidade de
ações para o enfrentamento desse complexo fenômeno. Para tanto, aponta-se o
trabalho em rede como potência nesse cenário, uma vez que este é uma
alternativa para articulação dos autores envolvidos, empreendendo atuação
interdisciplinar, multiprofissional e intersetorial. Ferro e Silva (2014, p. 129)
conceituam o trabalho interdisciplinar como aquele que contempla a visão de
vários especialistas, emprestando técnicas e metodologias de outros saberes;
multiprofissional como sendo composto por profissionais de diferentes áreas
que buscam gestão integrada e corresponsabilização; e intersetorial como uma
relação entre diferentes setores a fim de alcançar resultados mais efetivos.
Em 2003, a criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres cooperou
para a garantia da liberação de recursos destinados à criação de serviços e
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implementação de políticas públicas que procuram dar conta do fenômeno dá
violência em todas as suas expressões. Teixeira (2002, p. 2) conceitua políticas
públicas como princípios norteadores que regulamentam a ação do poder
público de forma sistematizada e explícita, fornecem regras e procedimentos de
mediação entre sociedade e Estado, além de garantir direitos nas diferentes
esferas sociais, usualmente, envolvendo aplicação de recursos públicos.
Dentre as políticas públicas, que se destinam à proteção e garantia de
direitos, encontra-se a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres,
consistindo na atuação articulada dos serviços de atendimento, com
instituições não governamentais e a comunidade (BRASIL, 2011b, p. 21). Tal
articulação configura- se como potente no enfrentamento desse fenômeno.
Segundo Gleizer (2005, p. 16), potência refere-se à capacidade de
expandir o território de ação no mundo, afetando e sendo afetada de diferentes
modos pelas relações e encontros que estabelece. A rede de enfrentamento
surge como possibilidade de “fazer com que os encontros possam somar
experiências ao invés de subtrair” a capacidade de agir da mulher para
superação da situação de violência (GLEIZER, 2005, p.16). Nesse sentido, o
objetivo de nossa pesquisa é analisar a potência da rede de enfrentamento como
instrumento de proteção em casos de violência contra a mulher.
MÉTODOS E PROCEDIMENTOS
O presente artigo reverberou da imersão teórica e prática vivenciada a
partir do Estágio Curricular Obrigatório (licenciatura em Psicologia - processos
educacionais) do quarto ano de graduação em Psicologia da Associação
Catarinense de Ensino – Faculdade Guilherme Guimbala, situada em
Joinville/SC. Tal modalidade de estágio abrange diferentes campos de atuação,
entre os quais encontra-se o Núcleo Maria da Penha, atualmente, Centro de
Referência e Núcleo de Extensão Maria da Penha – CER-NEMAPE, anexo ao
Núcleo de Práticas Jurídicas da instituição.
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O CER-NEMAPE realiza acolhimento e orientação, além de suporte
jurídico e psicológico a mulheres em situação de violência doméstica e familiar,
propondo-se a prestar atendimento integral e humanizado, bem como
encaminhamento aos demais serviços da rede de atendimento. Enquanto
estagiárias de psicologia inseridas neste espaço, coordenamos ao longo do ano
de 2018 o Grupo Empodera. Frequentamos eventos relativos aos direitos da
mulher e empreendemos visitas à Delegacia da Mulher, ao Conselho Municipal
dos Direitos da Mulher (CMDM) e a três Centros de Referência de Assistência
Social (CRAS) da cidade de Joinville.
Realizamos ainda, impulsionadas por uma apreciação pelo campo, duas
viagens de pesquisa. A primeira à Organização Não Governamental THEMIS,
uma organização da sociedade civil situada em Porto Alegre/RS, pioneira no
movimento de garantia ao direito das mulheres no país. O percurso implicou
na participação em uma reunião junto à equipe de trabalho da instituição, na
presença em um fórum para instauração de um novo núcleo do programa de
formação de Promotoras Legais Populares e na participação em uma aula
inaugural do curso em território assistido pela THEMIS.
A segunda viagem teve por destino Londrina/PR, ocasião na qual
acompanhamos representantes do CMDM de Joinville/SC, em uma visita
técnica aos serviços da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres
do município paranaense. O objetivo foi compreender como se consolidou o
processo de articulação da Rede, reconhecida como uma das referências
nacionais na área. O trajeto na cidade incluiu reuniões com coordenadoras e
equipes de alguns serviços, entre eles: Centro de Referência de Atendimento à
Mulher (CRAM), Juizado Especializado de Violência Doméstica e Familiar
contra a Mulher, Núcleo Maria da Penha da Universidade Estadual de
Londrina, Casa da Mulher e Instituto Médico Legal.
O processo de estágio e pesquisa empreendeu um percurso cartográfico.
Segundo Santos (2017, p. 187), o cartógrafo se propõe a descobrir e vivenciar o
percurso como ato criador, ilustrando, sentido e buscando significado na
própria trajetória. “Pensar a cartografia como caminho para pesquisar nas
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várias áreas das ciências humanas, implica buscar novas formas de conceber
sentidos ao pensamento” (SANTOS, 2017, p. 185). Considerando que somos
seres em constante transformação, inseridos em um contexto histórico e
político, concebemos ser pertinente o uso de um método que permitisse abarcar
esse movimento no decorrer do desenvolvimento da pesquisa.
A partir de anotações e registros em diários de campo, relatórios foram
produzidos visando reunir as vivências do estágio. Esses configuraram-se como
documentos virtuais, corrigidos pela dupla de estagiárias, a fim de serem
compartilhados nas orientações semanais com a psicóloga orientadora do
estágio. Foram elaborados 8 relatórios referentes a visitas técnicas em 5
serviços públicos do município, 2 viagens de pesquisa e a participação em 1
evento relativo ao combate à violência contra a mulher.
Os diários de campo compreenderam notas semanais, contemplando a
descrição de 15 encontros do grupo Empodera e 49 registros de atuação no CER-
NEMAPE, incluindo ações como acolhimento e discussão interdisciplinar dos
casos, junto à advogada coordenadora do núcleo e estagiários de direito e
psicologia. Tanto relatórios quanto diários de campo contemplaram relato
descritivo de diálogos, reuniões e dados informativos, assim como percepções,
reflexões e sentidos reverberados pela experiência.
Os registros, portanto, não se resumiram à escrita descritiva das
vivências, mas a uma narrativa implicada, configurando-se como espaço de
experimentação. A leitura desse conteúdo a posteriori possibilitou uma
“interlocução subjetiva”, auxiliando-nos na exposição objetiva dos eventos
vivenciados (DIEHL; MARASCHIN; TITTONI, 2006, p.411). O diário de
campo, assim como os relatórios elaborados ao longo do estágio foram
revisitados e utilizados como recurso de memória na construção desse texto.
Kastrup e Barros (2015, p. 91) afirmam que na cartografia, a análise não
é separada das demais etapas da pesquisa, não sendo apenas uma fase a ser
realizada ao final do processo. Trata-se de algo construído junto ao campo, onde
cartógrafo e objeto unem-se para que ocorra o cultivo dos dados da pesquisa. O
continuum empreendido nesse processo, no qual transitamos entre a
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experiência de estágio e as reflexões para elaboração do presente artigo,
evidencia o caráter cartográfico dessa pesquisa.
As categorias de análise procederam da releitura dos relatórios e diários
de campo, da busca por suporte conceitual e da organização, por similaridade,
dos conteúdos registrados, contemplando tanto o aporte teórico como as
reflexões provenientes da experiência. A partir desse movimento, foram
definidas três categorias, sendo estas: (1) percorrendo a rede de atendimento -
rota crítica; (2) refletindo a rede de enfrentamento; e (3) a Rede na vida e a vida
em rede.
PERCORRENDO A REDE DE ATENDIMENTO: ROTA CRÍTICA
O contato com o campo durante o estágio configurou-se como prática
formativa, uma vez que possibilitou acessar novos lugares sociais, econômicos,
culturais e subjetivos; oportunizou a vivência da teoria e forneceu
instrumentalização diante de situações concretas. Cury (2013, p. 115) ressalta
que as experiências de estágio desenvolvem a capacidade de pensar cenários,
analisar demandas, elaborar projetos, avaliar contextos, além de favorecer uma
postura crítica e ética.
Ao longo desse processo, enquanto estagiárias, fomos marcadas por
experiências que desconstruíram, construíram e modificaram os sentidos que
atribuíamos ao fazer da Psicologia. Dentre as experiências que oportunizaram
tal movimento, o estágio vivenciado no quarto ano da graduação foi
significativo, visto que possibilitou a inserção num campo que até então não
tínhamos aproximação, o CER-NEMAPE. A atuação nesse espaço consistia em
acolher e orientar mulheres em situação de violência. Neste fazer, fomos
confrontadas com a complexidade de tal fenômeno que transpassa as relações
sociais em nosso tempo.
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A demanda chegava ao CER-NEMAPE de forma espontânea ou
encaminhada por outros serviços integradores da rede de atendimento, cuja
existência tomamos conhecimento a partir dessa prática. Essa Rede baseia-se
nos princípios e diretrizes da Política Nacional de Enfrentamento à Violência
contra a Mulher e atua em quatro principais áreas, sendo elas: saúde, justiça,
segurança pública e assistência social, conciliando serviços de atendimento
especializados e não-especializados (BRASIL, 2011b, p. 14), conforme quadro
abaixo:
Quadro 01 – Comparativo de serviços
Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência
Serviços Não-especializados no Serviços Especializados no atendimento à
atendimento à mulher em mulher em situação de violência.
situação de violência.
Hospitais Gerais Serviço de Saúde voltado para o
atendimento aos casos de violência sexual e
doméstica.
Serviços de Atenção Básica Casa Abrigo
Programa Saúde da Família Casa de Acolhimento Provisório
Delegacias comuns Delegacia Especializada de Atendimento à
Mulher e Ouvidoria da Mulher (Ligue 180)
Polícia Militar Núcleo da Mulher nas Defensorias Públicas
Polícia Federal Promotorias Especializadas
Ministério Público Juizado Especial de Violência Doméstica e
Familiar contra a Mulher.
Defensoria Pública Núcleo Maria da Penha
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CREAS - Centro de Referência CRAM - Centro de Referência de
Atendimento à Mulher em Situação de
Especializado de Assistência
Violência
Social
CRAS - Centro de Referência de Posto de Atendimento Humanizado nos
Assistência Social Aeroportos (tráfico de pessoas)
Núcleo de Atendimento à Mulher nos
Serviços de Apoio ao Migrante
Fonte: BRASIL 2011b, p.14.
Usualmente, apresentam-se como porta de entrada da rede de
atendimento os serviços não-especializados, enquanto os especializados
configuram-se como serviços que prestam assistência exclusiva à mulher
através de profissionais qualificados. Apesar da pluralidade de serviços
propostos pela Secretaria de Política para as Mulheres em 2003, estes
encontram-se em fase de implementação nos municípios do país, não estando
consolidados em todo território nacional (BRASIL, 2011b, p.14).
Apesar de serem ainda poucos, os serviços disponíveis, especialmente
levando em conta a magnitude do fenômeno, é importante considerar que a rede
de atendimento à mulher em situação de violência foi construída em um período
muito curto de tempo, respondendo a uma política recentemente instalada e
que ainda está em fase de expansão e consolidação (BRASIL 2011b, p.17).
A urgência da criação de uma rede de atendimento provém de
estatísticas de casos de violência contra a mulher que representam significativo
percentual dentre as ocorrências registradas no Brasil, configurando-se como
principal violador dos direitos à vida, à saúde e à integridade física da mulher
(BRASIL, 2003, p. 11). Em Joinville, esta rede é composta por Casa Abrigo,
Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Núcleos Maria da Penha,
Defensoria Pública, CRAS, CREAS entre outros, sendo estes,
majoritariamente, serviços não-especializados nessa demanda.
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Durante os acolhimentos realizados no CER-NEMAPE, tornou-se
evidente a relevância desta rede para oferecer suporte integral às mulheres em
situação de violência. Entretanto, apesar dos vários serviços presentes no
município, estes parecem operar isoladamente, tendo conhecimento restrito
e/ou equivocado acerca das especificidades oferecidas pelas instituições outras,
reduzindo a realização de encaminhamentos capazes de atender a demanda em
sua complexidade. Esse quadro tornou-se passível de alteração visto a
promulgação, em setembro de 2019, do Decreto 35.651 que institui a Rede de
Enfrentamento à Violência Contra Mulher em Joinville, responsável pela
articulação, fortalecimento e acompanhamento de políticas públicas para as
mulheres em situação de violência na cidade (JOINVILLE, 2019).
Quando os serviços que compõem a rede atuam de maneira
desarticulada, a possibilidade de uma assistência integral é prejudicada,
fazendo com que a mulher não encontre alternativas efetivas ante os obstáculos
impostos pela complexidade da situação (GOMES, 2016). A dificuldade
encontrada pelas mulheres quando buscam ajuda é denominada “rota crítica”.
O conceito refere-se ao caminho percorrido na tentativa de romper com a
violência, envolvendo a sequência de decisões tomadas e ações executadas
durante esse processo. Ainda, a rota crítica diz respeito ao:
Caminho que a mulher percorre na tentativa de
encontrar uma resposta do Estado e das redes sociais
frente à situação de violência. Essa trajetória
caracteriza-se por idas e vindas, círculos que fazem com
que o mesmo caminho seja repetido sem resultar em
soluções, levando ao desgaste emocional e à
revitimização (BRASIL, 2011a, p.30).
O termo foi proposto pela Organização Pan-Americana da Saúde a partir
de uma investigação, em dez países latino-americanos, a respeito do caminho
percorrido pelas mulheres para sair da situação de violência. A pesquisa
constatou que são poucos os recursos, comunitários e de saúde que auxiliam a
mulher na superação desse quadro, sendo que os principais motivos que as
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mantêm sob violência são a vergonha, o medo, as limitações financeiras, a culpa
e as pressões familiares. Outro aspecto apontado como problemática é a falta
de eficácia institucional que opera através da atitude negativa dos servidores,
falta de orientação e burocratização (MENEGHEL, 2011, p. 744).
A incidência da rota crítica pode ser percebida no relato de mulheres
atendidas no CER-NEMAPE, conforme registrado em diário de campo.
Contou que quando procurou um serviço de porta de
entrada da rede estava nervosa, trêmula e com falta de
ar. Ao ser atendida foi tratada com preconceito e
hostilidade, o que a levou a pensar em desistir de buscar
ajuda. Relatou que naquele momento achou que não
teria saída, que o jeito seria tentar viver como estava
(Diário de Campo, 2018).
Quando em situação de violência, a mulher encontra-se fragilizada, de
modo que, capacitação e manejo não-especializados podem gerar desesperança
e dificultar a superação do quadro de violência vivenciado. Além disso, o
desconhecimento e falta de informação da mulher acerca dos serviços prestados
pela rede tendem a favorecer a ocorrência da rota crítica.
Relatou que quando sofreu violência física pela
primeira vez procurou um dos serviços da rede, mas não
sabia o que fazer e quais eram os seu s direitos.
Compartilhou que não tinha nenhuma informação, não
sabia onde buscar ajuda e acabou indo em vários
lugares, sem conseguir orientação, por isso desistiu.
Porém, recentemente, a situação ficou insustentável e
decidiu se mobilizar novamente. Foi q uando resolveu
fazer o boletim de ocorrência, sendo encaminhada para
o NUMAPE (Diário de Campo, 2018).
Nota-se que a não articulação dos serviços faz com que a mulher,
buscando sair da situação de violência, acesse repetidas vezes um mesmo
serviço, bata em portas erradas e sofra com mais uma violação, vivenciando a
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revitimização. Nesse aspecto, Carvalho e Lobato (2008, p. 3) discorrem acerca
de uma dupla vitimização da mulher quando esta procura auxílio. Uma
vitimização primária, a qual corresponde à agressão propriamente dita, ou seja,
conduta violadora dos direitos, e a secundária que ocorre ao longo do processo
de registro e apuração do fato pois, muitas vezes a iniciativa da mulher é
reprovada pelos membros da família e, sua dor, banalizada pelos
representantes do Estado.
Os atos violentos contra a mulher geram marcas e consequências
psicológicas que transcendem os danos imediatos e são agravadas quando a
mulher se depara com a rota crítica. Kashani (1998, p. 26) menciona como
consequências psicológicas mais recorrentes o sentimento de impotência,
ansiedade, insônia, depressão, estresse pós-traumático e comportamentos
autodestrutivos, como uso abusivo de substâncias e tentativas de suicídio.
Nesse sentido, compreendemos que quando a mulher busca um serviço
como recurso último e a Rede não fornece o suporte necessário para romper com
a situação de violência, esta precisa permanecer no ambiente que lhe oferece
riscos e a tendência é que este se torne cada vez mais hostil. Em pesquisa com
1500 mulheres que sofreram violência doméstica, a psicóloga americana Lenore
Walker (2017, p. 91), reconheceu um padrão que denominou “Ciclo da
Violência”. Segundo dados publicados, a violência nas relações afetivas e
íntimas apresenta três fases: tensão, explosão e lua-de-mel.
Durante a primeira fase ocorre a intensificação gradual da violência,
abrangendo agressões verbais, provocações, discussões e/ou episódios de
agressões físicas leves, como puxões e apertões. A tensão aumenta e sai do
controle, levando à segunda fase, explosão, que configura-se por ataque de fúria
e agressões físicas graves. A lua-de-mel é a fase marcada pelo arrependimento
do agressor, promessas de mudança e comportamento gentil e amoroso na
tentativa de compensar a mulher. Contudo, logo novos incidentes de tensão
aparecem e, consequentemente, um novo ciclo de violência (WALKER, 2017, p.
91).
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Com o passar do tempo, as fases tornam a se repetir
mais frequentemente e, mais do que isso, a cada
retomada do ciclo, a fase da explosão se torna mais
violenta, podendo ter por consequência, caso não seja
interrompida, o feminicídio, ou seja, o assassinato da
mulher pelo agressor (SENADO FEDERAL, 2016, p. 4).
O desconhecimento do ciclo da violência pelos serviços, assim como pelas
mulheres, resulta em banalização do fenômeno e pode promover a manutenção
dá rota crítica. As “idas e vindas” da mulher nos serviços da Rede em busca de
auxílio para a superação da situação de violência, quando não efetiva,
configura-se como uma falha em relação à proteção do direito dessas mulheres.
Essa impunidade, por um lado produz mais silêncio, medo e insegurança; e por
outro encoraja a reincidência dos atos violentos por parte daquele que comete
a agressão. Sendo assim, a rota crítica opera como fenômeno violador dos
direitos básicos, como dignidade e segurança (BRASIL, 2016).
Problematizando a revitimização das mulheres e a rota crítica
constatadas no campo de estágio, fez-se pertinente visitar cidades que
consideradas referência nacional no combate à violência contra a mulher.
Nesse movimento, deparamo-nos com uma atuação articulada da Rede de
Atendimento, intitulada, pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, Rede
de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Na próxima seção
discorreremos acerca das implicações dessa passagem do atendimento ao
enfrentamento.
REFLETINDO A REDE DE ENFRENTAMENTO
Compreender a rede de enfrentamento tornou-se fundamental;
primeiramente, devido à alta demanda psicológica observada nos acolhimentos
realizados às mulheres em situação de violência no NUMAPE, assim como, por
possibilitar a aproximação com essa temática. Nesse contexto, realizamos
visitas a instituições públicas do município de Joinville/SC, a fim de criar
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aproximações e compreender as competências de cada uma delas. Esse
movimento revelou uma potência até então desconhecida, que era abortada
pela falta de comunicação entre os serviços.
A fim de conhecer redes que atuam de maneira articulada no país,
realizamos viagens de pesquisa a cidades (Londrina/PR e Porto Alegre/RS) que
vêm superando a fragmentação a partir da lógica de enfrentamento
apresentada pela Secretaria de Política para Mulheres. Desse modo, em junho
de 2018, embarcamos sentido Porto Alegre.
Nessa cidade, nos deparamos com uma instituição não governamental
atuante no combate à violência contra a mulher há mais de 25 anos. A ONG
THEMIS junto a serviços governamentais, não governamentais e iniciativas
civis integra a rede de enfrentamento à Violência contra a Mulher do município.
Proposta em 2010, tal rede refere-se à atuação articulada entre as
instituições/serviços governamentais, não-governamentais e a comunidade,
visando o desenvolvimento de estratégias efetivas que contemplem todos os
eixos da política nacional (BRASIL, 2011a, p. 26),
Desde 1993 a THEMIS, em parceria com serviços e profissionais da rede,
vem formando Promotoras Legais Populares (PLPs), mulheres que residem em
territórios de difícil acesso e hipossuficientes, as quais recebem capacitação
realizada invariavelmente em locais comuns àquela comunidade. O objetivo é
promover o empoderamento legal das mesmas em relação a seus direitos e ao
combate à violência. Tal conhecimento as coloca num novo lugar, lugar esse que
as faz ser escutadas e respeitadas diante do olhar do outro como mulher
detentora de certo poder.
Receber o título de Promotoras Legais Populares lhes
reveste de um certo tipo de blindagem que assemelha -
se, segundo a fala dessas mulheres, a receber um
distintivo. Em sua etimologia, a palavra refere -se a algo
que é “distinguidor entre, que permite a diferenciação e
oposição”, porquanto, tornar-se PLP distingue-as de sua
posição anterior - uma parte do coletivo impotente
(Relatório Porto Alegre/RS, 2018)
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v.1, n.2, jul./dez., 2020, p. 242-268.ISSN 2675-7826.
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Esse empoderamento reverbera tanto no fortalecimento das mulheres da
comunidade como das próprias PLPs e profissionais envolvidos no projeto, pois
essas mulheres, que em grande parte possuem histórico de violência e
vulnerabilidade, passam a ser referência como promotoras de direitos,
recebendo um reconhecimento da família, comunidade e dos próprios serviços
da rede. Desse modo, ações educativas voltadas para a conscientização e
sensibilização se configuram, conforme previsto nas diretrizes da política
nacional de enfrentamento, como meio de prevenção, possibilitando a
superação desse quadro a partir dá informação e conhecimento dos direitos
(BRASIL, 2001b, p. 35).
As iniciativas civis, que envolvem a coletividade, a exemplo das PLPs,
permitem que a mulher inserida em uma esfera social carregada de encontros
que desvalorizam, reduzem a vitalidade e imobilizam, vivencie um contraponto,
deparando-se com encontros que fortalecem os vínculos, ampliam a potência de
agir, compartilhar e afirmar-se. Tais encontros, ainda, se estabelecem como
força motriz para ação (MIURA; SAWAIA, 2013, p. 339).
O contato com a rede de enfrentamento em Porto Alegre evidenciou que
o movimento desta compreendê atuação nos diferentes eixos previstos nas
políticas públicas, conforme ilustrado no quadro a seguir:
Figura 02 - Estrutura
Fonte: BRASIL, 2011a, p.26
A noção de enfrentamento, portanto, não considera apenas o combate das
violências, mas contempla também ações educativas e culturais que operem
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como prevenção; no campo da assistência visa fortalecer a rede e capacitar os
agentes públicos, além de buscar o acesso e garantia dos direitos, cumprindo as
legislações (nacional e internacional) e promovendo projetos para o
empoderamento das mulheres (BRASIL, 2011a, p. 26).
Nesse cenário, a psicologia faz-se pertinente, não apenas como área do
saber que contribui com conhecimentos acerca dos fenômenos que perpassam
tal espaço, mas também a partir da contribuição do profissional psicólogo no
acolhimento da demanda, formação continuada dos agentes dos serviços,
ampliação da articulação da rede, assim como mediando conflitos e favorecendo
o diálogo entre os profissionais que compõem a equipe.
A rede de enfrentamento à violência contra as mulheres
é marcada, portanto, pela multiplicidade de serviços e
de instituições. Esta diversidade deve ser compreendida
como parte de um processo de construção que visa
abarcar a multidimensionalidade e a complexidade da
violência contra às mulheres. Todavia, para que o
enfrentamento da violência se efetive é import ante que
serviços e instituições atuem de forma articulada e
integrada (BRASIL, 2011b, p. 16).
Logo, a Rede de Enfrentamento compreende não apenas os serviços, mas
sobretudo a gestão e controle de ações que visam a garantia do direito das
mulheres, em contraponto à Rede de atendimento que contempla apenas a
assistência e atendimento da demanda. Assim, enquanto esta última opera de
maneira passiva, aguardando que a mulher recorra a uma de suas portas de
entrada, o enfrentamento vai para além, movendo-se em direção à sociedade, a
partir de ações de conscientização, prevenção e combate à violência.
Desse modo, a rede de enfrentamento contempla, além do que está
previsto na rede de atendimento, dimensões mais abrangentes como
estratégias para a garantia de direitos e, portanto, para a efetivação da
proteção social. Di Giovanni (1998, p. 9), afirma que o desenvolvimento de
sistemas de proteção social é inerente à civilização humana, configurando-se
como formas “que as sociedades constituem para proteger parte ou o conjunto
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de seus membros” visando à garantia da vida e à prevenção de situações de
risco.
A proteção social faz-se necessária quando situações de vulnerabilidade
se apresentam, possibilitando o enfrentamento num campo de
responsabilidade pública e coletiva. As políticas de proteção à mulher concebem
que a vulnerabilidade ocorre quando esta é exposta à privações ou risco à
integridade física e/ou psicológica, não possuindo recursos disponíveis para
responder a tais contingências sem sofrer prejuízo. Quando a vulnerabilidade
é de natureza relacional, interferindo nos vínculos sociais ou envolvendo
relacionamento íntimo, as possibilidades de superar esse quadro tornam-se
ainda mais remotas (BRASIL, 2017, p. 21).
Segundo Sposati (2011, p. 42), “estar protegido significa ter forças
próprias ou de terceiros que impeçam que alguma
agressão/precarização/privação venha a ocorrer, deteriorando uma dada
condição”. Para as mulheres em situação de violência, a vinculação com outras
pessoas, grupos e serviços da rede de enfrentamento podem configurar
oportunidades de proteção social. Paugam (2008, p. 4) afirma que o vínculo
social fundamenta tal proteção e se expressa através de todas as formas de
coletividade e aproximação dos indivíduos em dado território, podendo ser
diferenciado em quatro níveis: filiação, participação eletiva, participação
orgânica e cidadania.
A filiação corresponde à proteção próxima, relacionada ao
reconhecimento afetivo de pais, filhos e irmãos; a participação eletiva trata-se,
também, de proteção próxima, envolvendo escolha pessoal de cônjuge, amigos
e grupos de afinidade, abrange reconhecimento afetivo ou similitude; o vínculo
de participação orgânica decorre de uma proteção contratualizada, envolve
relações estabelecidas no âmbito profissional, reconhecimento pelo trabalho e
estima social; enquanto o vínculo de cidadania refere-se à proteção jurídica
entre membros de uma comunidade através do reconhecimento dos direitos
civis, políticos e sociais (PAUGAM, 2008, p. 4).
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A REDE NA VIDA E A VIDA EM REDE
Uma vez que a vida em sociedade se configura por relacionamentos em
diferentes níveis, propomos pensar a vida em rede, ou seja, constituída através
de enlaces mediados por tramas sociais. A mulher que sofre violência tem seus
vínculos afetados de modo a enfraquecer e desatar laços nos diferentes níveis
de proteção social. A rede, por sua vez, apresenta-se como potência na proteção
dos vínculos da mulher, através do acolhimento, orientação, assistência e
proteção dos direitos desta. Tal panorama revelou-se nos registros realizados
em diário de campo, nos quais foi possível perceber que o contato com o CER-
NEMAPE e outros serviços da rede, alteraram os vínculos empreendidos pela
mulher, assim como a qualidade desses, ampliando as possibilidades de
proteção social.
Entre os casos acolhidos, elencamos dois para análise, sendo o primeiro
de Alice (nome fictício) 27 anos, acompanhada pelo núcleo ao longo de 7 meses
e Sônia 6, 49 anos, que frequentou o serviço por pouco mais de 3 meses. Com
base nos registros realizados, desenvolvemos diagramas para analisar o modo
como os vínculos relacionais dessas mulheres alteraram-se diante do quadro de
violência e posterior acesso à rede, conforme delineado abaixo:
Diagrama 01 – Vínculos iniciais
Fonte primária.
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O esquema ilustra os vínculos relacionais de Alice em seu primeiro
contato com o Núcleo Maria da Penha, após reincidência de tentativa de
suicídio devido quadro de depressão. Enquanto inserida em contexto de
violência, esta apresentava fragilidade nos relacionamentos produtores de
proteção social. No âmbito do reconhecimento afetivo, o vínculo com a mãe e o
padrasto apresentava-se, respectivamente, conflituoso e distante. Em relação
ao pai, o contato permanecia rompido desde a adolescência. Ainda dentro do
que Paugam (2008, p. 4) descreve como vínculo de filiação, o contato com os
irmãos era esporádico e frágil, sendo que estes, apesar do conflito, estabeleciam
relação com o pai.
Alice residia com o companheiro, com quem mantinha relacionamento
conflituoso devido às agressões sofridas por esta, e com os dois filhos com os
quais empreendia relacionamento intenso. A relação entre o companheiro e os
filhos configurava-se frágil, pois presenciavam a violência cometida contra a
mãe. Em linhas gerais, os relacionamentos empreendidos por Alice forneciam
um debilitado nível de proteção social, uma vez que seus vínculos de filiação se
encontravam fragilizados e seu vínculo de participação eletiva incluía
unicamente o companheiro que a agredia.
Segundo Sposati (2009, p. 25), as rupturas dos vínculos familiares e
comunitários, geram isolamento, desfiliação, exclusão, ausência de sentimento
de pertencimento, inseguranças e fragilidades que reverberam em desproteção.
No caso de Alice a relação com o companheiro não permitia o estabelecimento
de vínculos de participação orgânica, pois era impedida de manter um emprego,
assim como foi afastada dos círculos que compreendiam seus vínculos de
cidadania.
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Diagrama 02 – Vínculos posteriormente
Fonte primária.
Conforme diagrama 02, é possível observar que foram acessados, por
Alice, diversos serviços da rede alterando sua condição de proteção social.
Devido à tentativa de suicídio, foi internada no hospital, sendo encaminhada,
no momento dá alta, à UBS para acompanhamento de seu quadro psicológico.
A Unidade de Saúde lhe forneceu o medicamento, encaminhando-a ao CRAS a
fim de que Alice tivesse acesso à assistência, visto encontrar-se sem renda, uma
vez que a medida protetiva deferida através da delegacia da mulher outorgou
o afastamento do ex-companheiro responsável pelo sustento familiar.
A aproximação entre o CER-NEMAPE e a delegacia, decorrente das
visitas realizadas pelo Núcleo aos serviços da rede, permitiu que o primeiro
fosse pensado como possibilidade de suporte para Alice. Tal encaminhamento
permitiu acesso à orientação e assistência jurídica, tanto para representação
criminal, no processo contra o agressor, quanto para questões cíveis de divórcio
e guarda através do Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ) da faculdade. O suporte
psicológico à mulher e ao filho mais velho, foi realizado a partir do grupo de
acolhimento disponibilizado pelo CER-NEMAPE.
Assim, o contato com a rede, possibilitou a recuperação dos vínculos de
participação orgânica, marcada pela reintegração no mercado de trabalho e de
cidadania, visto acesso aos direitos civis, políticos e sociais. O vínculo de
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participação eletiva, antes restrito ao relacionamento conflituoso com o
companheiro, foi ampliado pela reaproximação com os pares e retorno à prática
de esportes coletivos. Alice passou a residir com a mãe e o padrasto,
estabelecendo um vínculo intenso com os mesmos e retomou, ainda que de
forma frágil, um relacionamento com o pai, fortalecendo a filiação.
A mulher exposta à situação de violência frequentemente vivencia uma
redução nas possibilidades de vínculo, esse decorrente isolamento pode suscitar
quadros de vulnerabilidade, uma vez que esta envolve necessidades
insatisfeitas em múltiplos âmbitos, relações sociais fragilizadas, baixa
capacidade de mobilização de recursos e, por vezes, precariedade da renda por
um longo período (SPOSATI, 2009, p. 40). Esse fenômeno pode ser observado
nos relatos de Sonia – assim como em outros casos – conforme delineado abaixo:
Diagrama 03 – Vínculos finais
Fonte primária.
O quadro comparativo representa que Sônia, antes de se relacionar com
o companheiro, mantinha relações intensas a nível de filiação, cidadania e
participação eletiva interrompidas após início do relacionamento, pela privação
do contato com pais, filhos e amigos.
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O diagrama representa que Sônia, antes de envolver-se com o
companheiro, mantinha relações intensas a nível de filiação, cidadania e
participação eletiva. Após dois meses de relacionamento, Sônia passou a residir
na casa do companheiro, sendo pressionada a deixar a filha de 8 anos e o filho
de 16, residindo sozinhos em sua casa. Esta foi privada, também, do contato
com os pais e amigos, deixando de frequentar os lugares habituais a fim de
evitar ofensas e conflitos com o companheiro que reprovava tais iniciativas.
Nos primeiros encontros com Sônia, ela frequentemente justificava os
comportamentos controladores e agressivos do companheiro, afirmando que ele
era inseguro e “carente” requerendo sua constante atenção. O crescente medo
e descontentamento causados pelas ações dele levaram-na a buscar orientação
no Núcleo. Após pouco mais de três meses de acesso aos serviços oferecidos
nesse espaço, apresentava-se com os vínculos de filiação, eletivos e orgânicos
restaurados, rompendo o relacionamento com o companheiro. É conhecido que
a mulher em situação de violência pode vir a ser impedida ou forçada a práticas
ou vivências que estão em desacordo com sua vontade ou interesse (BRASIL,
2017, p. 21). O contato com a rede, a exemplo de Sônia, é capaz de
instrumentalizar a mulher, de forma a permitir que esta reestabeleça os
vínculos, gerando proteção social.
A mulher em situação de violência encontra-se num relacionamento onde
há prejuízo na sua integridade física, psicológica e/ou moral, esse quadro
representa uma violação dos direitos humanos, demandando ações no âmbito
das políticas públicas que assegurem proteção e assistência. Tal resultado
torna-se possível, a partir da atuação articulada dos órgãos competentes e da
capacitação dos agentes dos serviços que compõem a rede (CAVALCANTI;
OLIVEIRA, 2017, p. 203).
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A violência contra a mulher traduz-se em um fenômeno complexo e
multideterminado, de modo que a atuação isolada dos serviços, sejam estes
especializados ou não, mostra-se insuficiente na garantia de proteção social e
na promoção de direitos. Políticas públicas foram desenvolvidas e serviços
implementados com esse objetivo, entretanto, são limitados em sua
abrangência, e nas possibilidades de fornecer suporte integral à mulher. Ainda
que diferentes portas encontrem-se instaladas em dado território, a ausência
de comunicação e o conhecimento superficial dos servidores a respeito das
atribuições destas pode resultar em um atendimento limitado e,
consequentemente, na rota-crítica.
Quando a lógica do enfrentamento opera, a rede torna-se potente uma
vez que a limitação de um serviço pode constituir a especialidade do outro.
Desse modo, a demanda é contemplada seja esta referente à prevenção,
assistência qualificada, combate a violência ou acesso aos direitos. A rede de
enfrentamento atua a partir dá implementação de políticas amplas e
articuladas, que visam dar conta da violência contra a mulher em todas as suas
expressões. O acesso aos serviços da rede alteram a qualidade dos vínculos
empreendidos pela mulher, ampliando, assim, as possibilidades de proteção
social.
Refletindo acerca da experiência de estágio proporcionada pela
graduação, concebemos que a psicologia pode cooperar ativa e amplamente na
consolidação da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres,
possibilitando encontros entre a práxis e a academia, gerando conhecimento na
pesquisa em Psicologia e tornando mais potente o combate a esse fenômeno. O
processo de formação, portanto, deve viabilizar a aproximação do graduando
com experiências que busquem capacitá-lo a atuar em espaços habitados por
diferentes profissionais.
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Considerando que a potência da rede no enfrentamento à violência
contra a mulher configura-se, principalmente, pela articulação entre os
serviços, sugere-se para futuras pesquisas a investigação de dispositivos
facilitadores para comunicação e troca de informações entre estes.
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Allan Henrique Gomes
Doutor em Psicologia (UFSC), professor do curso de Psicologia (ACE/FGG),
docente do Programa de Pós-Graduação em Educação (UNIVILLE).
[email protected] Recebido em 17 de novembro de 2020.
Aceito em 12 de dezembro de 2020.
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