GESPOL
Sistema de Gestão da Polícia
Militar do Estado de São Paulo
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
São Paulo (Estado). Polícia Militar
GESPOL : Sistema de Gestão da Polícia Militar do
Estado de São Paulo. -- 3. ed. -- São Paulo : Policia
Militar do Estado de São Paulo, 2021.
ISBN 978-65-88847-04-6
1. Gestão da qualidade total 2. São Paulo
(Estado). Polícia Militar I. Título.
21-96094 CDD-658.562
Índices para catálogo sistemático:
1. GESPOL : Sistema de Gestão da Polícia Militar do
Estado de São Paulo : Administração 658.562
Eliete Marques da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9380
PREFÁCIO
É com grande satisfação que entregamos ao público policial-militar e à
sociedade em geral a 3ª edição do Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado
de São Paulo (GESPOL), obra central da doutrina institucional, cuja proposta é
destacar as bases elementares de nossa atuação e as diversas áreas de gestão
que compõem o todo indivisível, que é a Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Os primeiros passos do GESPOL datam do final de 2008 e início de
2009, na gestão do Cel PM Roberto Antonio Diniz, Comandante-Geral, e por
iniciativa do Cel PM Manoel Messias Mello, Comandante do Policiamento de
Área Metropolitana - 9. O trabalho, de grande qualidade, inovação e lastreado
por conceitos e prerrogativas da Fundação Nacional da Qualidade, conseguiu
diagnosticar as principais áreas de gestão da Polícia Militar, tratando-as de modo
sistêmico, organizado e coeso.
Houve, na sequência, uma atualização do trabalho, no final de 2010,
visando consubstanciar, com fidedignidade, a Instituição Policial-Militar daquele
período.
Já se vão mais de dez anos desde a última edição e muitas mudanças
ocorreram nesse período. Fez-se necessário, portanto, modernizar o GESPOL
com o escopo de retratar a Polícia Militar dos dias atuais, reforçando os avanços
verificados na política de pessoal, educação, logística, tecnologia, inteligência,
etc., todavia mantendo as premissas idealizadas nos compêndios anteriores.
Paralelamente, um dos objetivos desta revisão é reafirmar a cultura profissional
e a observância, cada vez maior, aos regulamentos e instruções pelo nosso
público, produzindo o efeito compliance.
Para tanto, foi estabelecido Grupo de Trabalho multidisciplinar, com
profissionais das diversas áreas de gestão expostas nesta edição. O grupo se
preocupou em estudar a Polícia Militar dos anos 2020, com suas peculiaridades,
técnicas, anseios e dificuldades. As áreas estão expostas de modo padronizado,
evidenciando subdivisões tratadas em diretivas, as quais “apontam para”, ou
seja, estabelecem prioridades de atenção em cada uma das gestões.
Com esta nova edição do GESPOL, pretende-se valorizar ainda mais a
doutrina policial-militar e, sobretudo, o trabalho de nossos profissionais, seja nas
atividades-meio, que dão suporte sistêmico para a realização dos mais diversos
serviços, seja na imprescindível atividade-fim da Polícia Militar, que prevalece
pelo contato direto com as comunidades no sentido de amparar pessoas, desde
a prestação de simples informações até o tratamento de ocorrências policiais
complexas e de alto risco.
Esta é a Força Pública de São Paulo, presente cotidianamente na vida da
população bandeirante, que passa por contínuos avanços para entregar serviços
de excelência ao público destinatário. Somos uma Instituição de vanguarda, que
se preocupa com a valorização intrínseca de seus 83.000 homens e mulheres,
objetivando um ambiente profissional de muita qualidade, para, com a mesma
qualidade, expandir-se na relação com a sociedade.
190 anos, servindo e protegendo sempre!
FERNANDO ALENCAR MEDEIROS
Coronel PM - Comandante-Geral
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AISP Área de Interesse de Segurança Pública
BOe Boletim de Ocorrência Eletrônico
Bol G PM Boletim Geral PM
CACI Comitê de Administração de Crise de Imagem
CAJ Coordenadoria de Assuntos Jurídicos
CAPS Centro de Atenção Psicológica e Social
CAvPM Comando de Aviação da Polícia Militar
CBI Comando de Bombeiros do Interior
CBM Comando de Bombeiros Metropolitano
CCB Comando do Corpo de Bombeiros
CComSoc Centro de Comunicação Social
CEE Conselho Estadual de Educação
CFP Comando de Força de Patrulha
CGP Comando de Grupo de Patrulha
CIPA Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
CIPM Centro de Inteligência da Polícia Militar
Cmt G Comandante-Geral
COFIN Controle Orçamentário e Financeiro
CONSEG Conselho Comunitário de Segurança
Coord Op PM Coordenadoria Operacional da Polícia Militar
COP Câmeras Operacionais Portáteis
COPOM Centro de Operações da Polícia Militar
Correg PM Corregedoria da Polícia Militar
CPA/M Comando de Policiamento de Área Metropolitana
CPAmb Comando de Policiamento Ambiental
CPC Comando de Policiamento da Capital
CPChq Comando de Policiamento de Choque
CPI Comando de Policiamento do Interior
CPM Comando de Policiamento Metropolitano
CPP Cartão de Prioridade de Patrulhamento
CPRv Comando de Policiamento Rodoviário
CPTran Comando de Policiamento de Trânsito
DEC Diretoria de Educação e Cultura
DETRAN Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo
DF Diretoria de Finanças
DL Diretoria de Logística
DP Diretoria de Pessoal
DPCDH Diretoria de Polícia Comunitária e Direitos Humanos
DS Diretoria de Saúde
DSA/CG Departamento de Suporte Administrativo do Comando-Geral
DTIC Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação
EM Estado-Maior
EM/E Estado-Maior Especial
FNQ Fundação Nacional da Qualidade
Gab Cmt G Gabinete do Comandante-Geral
GESPOL Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
HT Transceptor Móvel
IBGC Instituto Brasileiro de Governança Corporativa
IoT Internet das Coisas
ISOP Inteligência de Segurança e Ordem Pública
ISP Inteligência de Segurança Pública
MEG® Modelo de Excelência da Gestão®
MFQT Matriz de Formação, Qualificação e Treinamento
MO Matrizes Organizacionais
NAPS Núcleo de Atenção Psicológica e Social
NORSOP Normas para o Sistema Operacional de Policiamento PM
NUMEC/CEJUSC Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania no âmbito da
Polícia Militar
OAI Objeto de Análise de Inteligência
OPM Organização Policial-Militar
PARO Plano de Aplicação de Recursos Orçamentários
PCO Pesquisa de Clima Organizacional
PMESP Polícia Militar do Estado de São Paulo
PMRG Presidio Militar “Romão Gomes”
POP Procedimento Operacional Padrão
PPI Plano de Policiamento Inteligente
PPMQ Prêmio Polícia Militar da Qualidade
ProAP Programa de Atualização Profissional
PRODESP Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo
PROERD Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência
QAOPM Quadro Auxiliar de Oficiais da Polícia Militar
QOM Quadro de Oficiais Músicos
QOPM Quadro de Oficiais Policial-Militares
QOS Quadro de Oficiais de Saúde
QPPM Quadro de Praças Policial-Militares
RDPM Regulamento Disciplinar da Polícia Militar
RPT Relação de Prioridade de Transferência
SADE Sistema de Avaliação de Desempenho dos Integrantes da Polícia Militar
SAP Secretaria da Administração Penitenciária
SEPM Sistema de Ensino da Polícia Militar
SGP Sistema de Gestão de Pessoas
SIAFEM Sistema de Administração Financeira para Estados e Municípios
SiCOE Sistema de Comandos e Operações em Emergências
SIGECD Sistema de Gerenciamento e Custódia de Evidências Digitais
SIGEO Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária
SIOPM Sistema de Informações Operacionais da Polícia Militar
SIPA Sistema Integrado de Pagamento
SIPOM Sistema de Inteligência da Polícia Militar
SIRH Sistema Integrado de Recursos Humanos
SISCOM Sistema de Comunicação Social da Polícia Militar
SisMen Sistema de Saúde Mental da Polícia Militar
SISUPA Sistema de Supervisão e Padronização
SSP Secretaria da Segurança Pública
Subcmt PM Subcomandante PM
Sup Reg Supervisor Regional
TAF Teste de Aptidão Física
TAT Teste de Aptidão de Tiro
TIC Tecnologia da Informação e Comunicação
TMD Terminal Móvel de Dados
TPD Terminal Portátil de Dados
UGE Unidade Gestora Executora
SUMÁRIO
A PMESP E A FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE...................................................13
ESTRUTURAÇÃO DO GESPOL....................................................................................... 17
FUNDAMENTOS E BASE DA GESTÃO DA PMESP...........................................................21
GESTÃO DE PESSOAS...................................................................................................29
4.1 DIRETIVA DE SELEÇÃO E ALISTAMENTO DE PESSOAL........................................................................... 30
4.2 DIRETIVA DA FORMAÇÃO, QUALIFICAÇÃO E TREINAMENTO.............................................................. 31
4.3 DIRETIVA DE FIXAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DO EFETIVO........................................................................... 32
4.4 DIRETIVA DE VALORIZAÇÃO DO POLICIAL MILITAR.............................................................................. 32
4.4.1 Sistema de Proteção Social................................................................................................................33
4.4.2 Direitos e Garantias...........................................................................................................................34
4.4.3 Elogios, Láureas, Medalhas e Reconhecimentos..............................................................................35
4.4.4 Plano de Carreira...............................................................................................................................36
4.5 DIRETIVA DE MONITORAMENTO E CONTROLE.................................................................................... 37
4.5.1 Controle de Efetivo............................................................................................................................37
4.5.2 Controle de Inspeção Periódica de Saúde........................................................................................38
4.5.3 Controle de Aptidão Física.................................................................................................................38
4.5.4 Controle de Aptidão de Tiro Defensivo na Preservação da Vida.....................................................38
4.5.5 Avaliação de Desempenho................................................................................................................39
4.5.6 Justiça e Disciplina.............................................................................................................................39
4.5.7 Gestão Prisional.................................................................................................................................40
GESTÃO DE SAÚDE.......................................................................................................43
5.1 DIRETIVA DA SAÚDE PREVENTIVA........................................................................................................ 45
5.1.1 Prática de Condicionamento Físico como Ação Preventiva.............................................................46
5.1.2 Cuidados com a Segurança do Trabalho ..........................................................................................46
5.2 DIRETIVA DE EQUIPES MULTIDISCIPLINARES DE PREVENÇÃO, RECUPERAÇÃO E REABILITAÇÃO........ 46
5.2.1 Capilaridade dos Órgãos de Saúde...................................................................................................47
5.3 DIRETIVA DO SISTEMA DE SAÚDE MENTAL (SisMen)........................................................................... 48
5.3.1 Programa de Acompanhamento e Apoio ao Policial Militar (PAAPM).............................................48
5.3.2 Programa de Prevenção ao Suicídio..................................................................................................48
5.3.3 Apoio em Incidentes Críticos e Apoio Social....................................................................................49
5.3.4 Atenção Médica à Saúde Mental......................................................................................................49
5.4 DIRETIVA DE MEDICINA TÁTICA............................................................................................................ 50
5.4.1 Desenvolvimento das Atividades de Medicina Tática......................................................................50
GESTÃO DO CONHECIMENTO E INOVAÇÃO..................................................................53
6.1 DIRETIVA DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA................................................................................................. 58
6.2 DIRETIVA DE TREINAMENTO CONTÍNUO.............................................................................................. 60
GESTÃO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL............................................................................63
7.1 DIRETIVA DE ESTRUTURAÇÃO DO POLICIAL MILITAR PROTETOR SOCIAL............................................ 64
7.2 DIRETIVA DA CIDADANIA E GOVERNANÇA........................................................................................... 66
7.3 DIRETIVA DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS E FORTALECIMENTO DA MARCA DA PMESP ..................... 67
7.4 DIRETIVA DE INFORMAÇÕES PÚBLICAS................................................................................................ 69
GESTÃO ORGANIZACIONAL.........................................................................................73
8.1 DIRETIVA DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL MULTIDIVISIONAL........................................................ 75
8.2 DIRETIVA DA GOVERNANÇA CORPORATIVA......................................................................................... 80
GESTÃO DE FINANÇAS.................................................................................................83
9.1 DIRETIVA DE PLANEJAMENTO DAS DESPESAS..................................................................................... 84
9.2 DIRETIVA DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA........................................................................................... 85
GESTÃO DE LOGÍSTICA.................................................................................................89
10.1 DIRETIVA DO PLANEJAMENTO LOGÍSTICO......................................................................................... 91
10.2 DIRETIVA DE INTEGRAÇÃO COM AS DEMAIS ÁREAS DE GESTÃO DA PMESP.................................... 92
10.3 DIRETIVA DE IMPLANTAÇÃO DAS INOVAÇÕES DO MERCADO FORNECEDOR................................... 93
GESTÃO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO....................................97
11.1 DIRETIVA DE PLANEJAMENTO, PROCESSOS E PROJETOS................................................................... 99
11.2 DIRETIVA DE INTEGRAÇÃO E INOVAÇÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO.. 100
11.3 DIRETIVA DE DESENVOLVIMENTO E IMPLANTAÇÃO DE SOLUÇÕES DE TIC COM FOCO NO
ATENDIMENTO AO CIDADÃO..................................................................................................................... 104
GESTÃO DE INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA E ORDEM PÚBLICA.................................. 107
12.1 DIRETIVA DE ANÁLISE POLICIAL-MILITAR E SISTEMAS INTELIGENTES............................................. 111
12.2 DIRETIVA DE ANÁLISE DE RISCOS DE INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA E ORDEM PÚBLICA.............. 114
12.3 DIRETIVA DE QUALIFICAÇÃO E TREINAMENTO EM INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA E ORDEM
PÚBLICA..................................................................................................................................................... 116
GESTÃO OPERACIONAL.............................................................................................. 119
13.1 DIRETIVA DE EQUILÍBRIO NA DISTRIBUIÇÃO E EMPREGO DE RECURSOS E MEIOS.......................... 121
13.2 DIRETIVA DO SISTEMA DE RESPONSABILIDADE TERRITORIAL......................................................... 123
13.3 DIRETIVA DA UTILIZAÇÃO DE ATIVOS OPERACIONAIS..................................................................... 124
13.4 DIRETIVA DO CONTROLE DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS DE POLICIAMENTO............................. 126
SISTEMA DE CONTROLE............................................................................................. 129
14.1 CONTROLE DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO............................................................................... 130
14.2 CONTROLE DA ATIVIDADE OPERACIONAL........................................................................................ 130
14.3 PESQUISA DE CLIMA ORGANIZACIONAL.......................................................................................... 131
14.4 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO E CERTIFICAÇÃO DA EXCELÊNCIA DA GESTÃO................................. 132
CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................134
REFERÊNCIAS............................................................................................................. 136
APRESENTAÇÃO
A Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), por intermédio de seus
recursos e meios, presta serviços de forma igualitária à população paulista nos 645
municípios do Estado, diuturna e ininterruptamente, obedecendo aos princípios da
Administração Pública previstos no artigo 37 da Constituição Federal.
Nossa missão é proteger as pessoas, fazer cumprir as leis, combater o crime
e preservar a ordem pública. Pretendemos, como visão de futuro, contribuir para
que as pessoas se sintam plenamente seguras e protegidas no Estado de São Paulo.
No rol de valores que cultuamos estão o patriotismo, civismo, hierarquia, disciplina,
profissionalismo, lealdade, constância, verdade real, honra, dignidade humana,
honestidade e coragem.
A presente edição do GESPOL tem por foco consolidar os avanços havidos
na PMESP na última década, tornando-o um referencial doutrinário moderno das
Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública que dialoga, de modo intrínseco,
com o processo gerencial, a estrutura e as atividades desenvolvidas.
É inegável que muitas transformações positivas ocorreram em diversas
áreas, a exemplo da Gestão do Conhecimento e Inovação, Gestão de Tecnologia
da Informação e Comunicação (TIC) e, sobretudo, Gestão Operacional, que é a
protagonista de todo o Sistema, para onde convergem os principais esforços e
melhorias institucionais, com intuito finalístico de prestar serviços de excelência à
sociedade em geral.
Há igualmente destaque para novas áreas de gestão, a saber: Gestão
Organizacional e Gestão de Inteligência de Segurança e Ordem Pública. Talvez
não tão novas assim, considerando que nas edições anteriores, invariavelmente,
assuntos referentes a ambas eram abordados na exposição de conceitos e ideias
relativos a pessoas, parte operacional e TIC. Agora, no entanto, amadurecidas no
seio institucional, e dada a relevância com que são tratadas na tomada de decisões
estratégicas, têm o merecido destaque no Sistema.
É o momento também de reavivar os fundamentos da gestão da PMESP,
alicerçados por seus três pilares doutrinários: Direitos Humanos, Polícia Comunitária
e Excelência da Gestão. Este último tem alterada a nomenclatura para melhor se
adequar aos modernos conceitos da Fundação Nacional da Qualidade. Os três
fundamentos constituem a verdadeira identidade da Instituição, de respeito
irrestrito ao cidadão, proximidade com os diversos públicos e comunidades e
implementação de iniciativas eficientes de gestão que buscam o aperfeiçoamento
dos processos e rotinas administrativas e operacionais.
A PMESP E A FUNDAÇÃO
1
NACIONAL DA QUALIDADE
A PMESP E A FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE
A Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) apresenta os fundamentos da
gestão para excelência, ou seja, conceitos reconhecidos internacionalmente que
se traduzem em processos gerenciais e consequentes resultados, encontrados
em organizações de classe mundial que buscam o aperfeiçoamento constante e
a adaptação às mudanças globais. São eles: pensamento sistêmico, aprendizado
organizacional e inovação, liderança transformadora, compromisso com as
partes interessadas, adaptabilidade, desenvolvimento sustentável, orientação por
processos e geração de valor (FNQ, 2016, p. 14-15).
A PMESP optou pela internalização do Modelo de Excelência da Gestão®
(MEG®), da FNQ. Tal modelo incorpora os fundamentos para a excelência visando à
gestão da Organização Policial-Militar (OPM) dentro do ciclo PDCL (Plan, Do, Check,
Learn), isto é, Planejamento, Execução, Verificação e Aprendizado.
A representação gráfica do MEG® é baseada no Tangram (quebra-cabeça de
peças de origem chinesa), o qual permite à organização adaptá-lo de acordo com
a forma que melhor define seu modelo de gestão. A figura a seguir representa o
modelo de gestão da PMESP:
Figura 1.1: Representação gráfica da FNQ, 2016, p. 12, adaptado para a PMESP.
Fonte: 6ª EM/PM (PMESP).
O modelo adaptado para a PMESP contempla os Fundamentos da Gestão
para a Excelência, os quais foram dispostos de maneira a representar a área de
atuação da Instituição (o Estado de São Paulo) e evidenciar o inter-relacionamento
entre eles.
14 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
Suas cores foram inspiradas nas cores da bandeira paulista e utilizadas para
indicar as seguintes correlações com as etapas do ciclo PDCL: a cor preta representa
a etapa de planejamento (P) de ações; a cor cinza, a etapa de execução (D) das
ações planejadas; a cor vermelha, a etapa de verificação (C) dos resultados obtidos;
a cor branca, a etapa do aprendizado (L) gerado e as consequentes inovações
processadas, estes permeando toda a Organização.
A partir do modelo incorporado, a PMESP busca consubstanciar os
fundamentos por intermédio, entre outros instrumentos, de um plano estratégico,
que comunica os objetivos estratégicos, metas, indicadores, iniciativas e seus
respectivos planos de ação, alinhando os esforços institucionais às necessidades
da sociedade, dos cidadãos e do governo.
Para avaliar o grau de maturidade da gestão no que concerne à aderência
ao MEG®, bem como os processos gerenciais e os resultados organizacionais, a
Instituição desenvolve, anualmente, desde 2001, o processo de certificação da
excelência da gestão denominado Prêmio Polícia Militar da Qualidade (PPMQ).
As principais etapas do PPMQ são: a candidatura da OPM, de nível mínimo
Batalhão, e sua análise pela Secretaria Executiva do PPMQ; a preparação das
candidatas; a autoavaliação da gestão, com a elaboração do Relatório Organizacional
pela candidata; a avaliação com a composição e treinamento dos avaliadores; a
devolutiva da avaliação das OPM por meio de instrumento denominado Diagnóstico
de Maturidade da Gestão; e a certificação e reconhecimento, culminando na
avaliação final de todo o processo.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 15
Fonte: Canstock.
ESTRUTURAÇÃO
2
DO GESPOL
ESTRUTURAÇÃO DO GESPOL
A estruturação do GESPOL recebeu ajustes em relação à edição anterior, com
o objetivo de aperfeiçoar as relações necessárias à melhor prestação dos serviços
de segurança pública para a população.
A nova disposição é constatada na seguinte representação:
Figura 2.1: Representação gráfica do GESPOL.
Fonte: PMESP.
O pensamento e atuação sistêmicos representam a base sobre a qual é
construída a estratégia da Instituição, ao passo que, nas demais extremidades,
enquanto sustentáculos, estão posicionados os fundamentos da gestão da PMESP:
Direitos Humanos, Polícia Comunitária e Excelência da Gestão.
18 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
A missão, visão de futuro e valores (dispostos no círculo mais externo e
influenciadores dos demais círculos) orientam o exercício cotidiano de nossas
atribuições constitucionais, são nossas premissas. Na sequência, imediatamente
inscritas ao primeiro círculo, estão as áreas de gestão representativas das
atividades-meio, com o atributo de dar suporte à prestação de serviços da PMESP,
a saber: Pessoas, Saúde, Conhecimento e Inovação, Comunicação Social,
Organizacional, Finanças, Logística, TIC e Inteligência de Segurança e Ordem
Pública. As atividades-meio, por sua vez, convergem para a atividade-fim da Polícia
Militar, aqui representada pela Gestão Operacional. Em posição nuclear na figura
está a Sociedade enquanto cliente máximo e irrestrito dos esforços institucionais.
Nesse contexto é que se insere a denominada “cadeia de valor”, que são as
atividades necessárias (“cadeia”) para a execução de um serviço/produto que a
OPM entrega, com o objetivo de trazer resultados (“agregar valor”) para as partes
interessadas, por meio de processos primários (aqueles que geram valor ao público
externo, ou seja, com foco na atividade-fim), de apoio (aqueles que geram valor ao
público interno e permitem que a atividade-fim seja executada, isto é, as atividades-
meio) e também gerenciais (aqueles relacionados a atividades de monitoramento e
controle dos demais processos).
O objetivo desta obra é explorar o conteúdo dessas partes e, sobretudo, como
se concatenam na linha de Pensamento e Atuação Sistêmicos. Nesse caminhar, o
compêndio foi dividido em:
• fundamentos e base da gestão;
• gestão das atividades-meio;
• gestão da atividade-fim;
• sistemas de controle.
Na simbiose de seus organismos é que se constrói a Instituição do dia a dia,
sempre com vistas ao atendimento da sociedade. Como não poderia ser diferente,
esta obra será iniciada pelo alicerce, que são os fundamentos e a base da gestão,
delineados no capítulo a seguir.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 19
Fonte: Istock.
FUNDAMENTOS E BASE DA
3
GESTÃO DA PMESP
FUNDAMENTOS E BASE DA GESTÃO DA PMESP
O preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
consagrou o anseio popular de instituir um Estado Democrático que assegure,
como ideais máximos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, o
exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o
desenvolvimento, a igualdade e a justiça.
A fim de contribuir para o alcance desse anseio, a PMESP elegeu como
cláusulas de seu Sistema de Gestão, desde os anos 2000, três fundamentos, a
saber, Direitos Humanos, Polícia Comunitária e Excelência da Gestão:
Figura 3.1: Fundamentos da Gestão na representação gráfica do GESPOL.
Fonte: PMESP.
A proteção aos Direitos Humanos pelos policiais militares, com todo
o arcabouço legal que impõe a sua observância, potencializa a percepção de
segurança e a própria confiança do público em relação aos serviços prestados,
o que, por consequência, colabora na bem-vinda aproximação comunitária, na
projeção dos princípios de cidadania e na desmistificação de supostos paradigmas
da Força Pública.
Os Direitos Humanos, segundo RAMOS (2015, p. 27), consistem em um
conjunto de direitos considerado indispensável para uma vida humana pautada na
liberdade, igualdade e dignidade. Os Direitos Humanos são os direitos essenciais
e indispensáveis à vida digna. A conscientização da necessidade de proteção dos
direitos mínimos de toda e qualquer pessoa foi alcançada após muitas adversidades,
lutas e dedicação de muitos, que sacrificaram a própria vida por este ideal. Nesse
sentido, a Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, delineada
em 1789, durante a Revolução Francesa, já contemplava a necessidade de uma
22 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
força pública, destinada à garantia dos direitos nela assegurados (artigo 12).
Não de forma desproposital, os princípios de Direitos Humanos estão
consagrados na frase inscrita nos rodapés de nossos documentos: Nós, Policiais
Militares, sob a proteção de Deus, estamos compromissados com a defesa da Vida,
da Integridade Física e da Dignidade da Pessoa Humana. Mais do que defensora,
a PMESP é promotora dos Direitos Humanos, atuando perante a sociedade para
garantir a convivência humana - pacífica, ordeira e igualitária -, independentemente
de sexo, raça, credo, ocupação, vulnerabilidade ou outras características.
Pelo exposto, o fundamento dos Direitos Humanos é considerado cláusula
pétrea na Força Pública de São Paulo e irradia seus princípios para todas as áreas
de gestão e também para os demais fundamentos do Sistema, na medida em que
a Polícia Comunitária, que busca concretizar a cidadania, encontra razão de ser na
dignidade da pessoa humana, enquanto a Excelência da Gestão tem por objetivo a
prestação dos serviços à sociedade na maior e melhor medida, em homenagem à
eficiência que se espera dos Poderes Públicos.
É inequívoca a importância da segurança pública no cenário de qualquer
sociedade. Ela é indispensável para o melhor funcionamento de todas as áreas que
compõem a ordem social, como, por exemplo, a saúde e a educação. Prova disso
é que a segurança pública é tratada na Constituição Federal no Título que cuida
das Instituições Democráticas, em que, ao lado de outras instituições igualmente
importantes, figuram as Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares.
A promoção da segurança pública é dever do Estado. Mas não só, a segurança
pública é direito e, principalmente, responsabilidade de todos.
Por isso, o papel da Polícia Militar não pode se restringir a cumprir e fazer
cumprir as leis. Uma instituição responsável pela polícia ostensiva e preservação da
ordem pública, enquanto integrante do mecanismo social, deve exercer papel ativo
na conscientização das comunidades quanto à parcela de responsabilidade de
cada um na promoção da segurança pública. Falamos agora sobre o fundamento
Polícia Comunitária ou Polícia de Aproximação.
A Polícia Comunitária está assentada na ideia de que ambas, Polícia e
Comunidade, precisam trabalhar juntas para identificar e resolver os problemas
relacionados à segurança. Tem-se uma evolução em relação ao modelo tradicional
de polícia, cujo enfoque é combater o criminoso depois que os danos já foram
experimentados pela sociedade. Trata-se, assim, de uma filosofia e de uma
estratégia, fundadas na premissa de que é preciso agir também nas causas da
insegurança.
A efetiva aplicação dos princípios da Polícia Comunitária faz surgir nos
cidadãos e nos policiais militares o senso de pertencimento a um mesmo grupo
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 23
FUNDAMENTOS E BASE DA GESTÃO DA PMESP
social, que se complementa, que busca soluções conjuntas, gerando confiança nas
instituições e a sinergia necessária para a promoção dos valores fundamentais que
orientam o Estado Democrático de Direito.
É importante frisar que a Polícia Comunitária não se esgota no Programa
de Policiamento Comunitário, baseado no sistema japonês Koban/Chuzaisho,
disseminando-se, pois, em todos os tipos, programas, processos e modalidades
de policiamento que compõem as ações de polícia ostensiva e de preservação
da ordem pública. Cabe destaque para iniciativas mais tangíveis com o intuito de
promover a cidadania mediante aproximação e integração da Polícia Militar com
as respectivas comunidades, tais como: o Programa Educacional de Resistência às
Drogas e à Violência (PROERD), o Programa de Policiamento Escolar, o Programa
Vizinhança Solidária e, mais recentemente, a implantação dos postos dos Centros
Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania no âmbito da Polícia Militar (NUMEC/
CEJUSC), os quais, mediante parceria com o Poder Judiciário, reforçam o papel
do policial militar como pacificador social, quando, com técnicas de mediação
comunitária, auxilia litigantes na autocomposição de conflitos.
A Excelência da Gestão, por sua vez, é a própria síntese deste trabalho,
com o que a PMESP evidencia suas áreas de gestão para atingir resultados
harmonizados, de forma proativa e com constância de propósitos. Trata-se de
gerenciar a Instituição por meio de sistemas, processos e fatores inter-relacionados,
que otimizem a contribuição dos colaboradores e promovam novos patamares de
conhecimento a partir de melhorias contínuas e inovações.
Em 1996, a PMESP, ao adotar a Gestão pela Qualidade como estratégia
organizacional, induziu importante mudança com foco na definição dos processos
e dos padrões de trabalho, utilização de ferramentas de gestão destinadas ao
planejamento, organização, liderança e controle, além do direcionamento de
esforços para maximizar seus processos e resultados.
Essa evolução está associada à aplicabilidade da Excelência da Gestão,
citando-se, por exemplo, a elaboração de Planejamentos Estratégicos e Planos de
Comando, a implantação do Escritório de Gerenciamento de Projetos e a instituição
do Sistema de Supervisão e Padronização (SISUPA), que permitiu a estruturação de
Procedimentos Operacionais Padrão (POP) voltados à atuação técnica, legalista e
doutrinária do policial militar.
Fato é que, com a nova estratégia organizacional, bastante perceptível
nos últimos decênios pela incorporação dos fundamentos de Direitos Humanos,
Polícia Comunitária e Excelência da Gestão, viu-se um grande amadurecimento da
Instituição por meio de medidas direcionadas, de modo direto, para a atividade
operacional e, por conseguinte, para o bem-estar da população.
Nesse sentido, menciona-se que a taxa de homicídios por grupo de 100.000
24 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
habitantes no Estado de São Paulo atualmente é a menor do Brasil, conforme
demonstrado no Atlas da Violência 2020, organizado pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. E, o que é
mais relevante, salvo pouquíssimas variações, a referida taxa tem sofrido redução
paulatina desde o início dos anos 2000.
Figura 3.2: Gráfico com a taxa de homicídios no Estado de São Paulo, de 2000 a 2020.
Fonte: Coordenaria de Análise e Planejamento da SSP.
Os resultados operacionais, aqui representados pela diminuição da taxa de
homicídios, dão o tom da qualidade dos serviços prestados pela Polícia Militar,
porém o processo não se inicia propriamente na atividade operacional. Há por
trás todo um robusto sistema focado em infraestrutura, equipamentos, tecnologia,
inteligência e, sobretudo, na seleção, capacitação e valorização do militar do Estado.
Esse sistema deve operar através de uma relação de interdependência que
gere efeitos sobre os diversos componentes que formam a organização. Ou seja, a
relação simbiótica e harmônica necessária ao pleno sucesso da Instituição somente
pode ser obtida por intermédio de uma base sólida, isto é, através do Pensamento
e Atuação Sistêmicos. Trata-se do olhar conjunto da PMESP, de reflexões e de
constantes exercícios, entendendo que qualquer impacto em uma de suas partes
pode gerar alterações substanciais no todo, influindo sobremaneira nos resultados.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 25
FUNDAMENTOS E BASE DA GESTÃO DA PMESP
Figura 3.3: Base da Gestão - Pensamento e Atuação Sistêmicos na representação gráfica do GESPOL.
Fonte: PMESP.
A partir de agora, o sistema Polícia Militar será apresentado pelas partes que
o compõem, isto é, pelas suas Áreas de Gestão, as quais, de maneira intrínseca,
desenvolvem estratégias e desempenham tarefas sob a perspectiva de um todo
indissociável, com vistas ao maior empreendimento institucional, que é levar a
percepção de segurança à população de todos os rincões do Estado de São Paulo
com respeito à cidadania e de acordo com a política de aproximação comunitária.
As Áreas de Gestão podem ser classificadas como atividades-meio, que dão suporte
para a atividade operacional, e atividade-fim, orientada ao atendimento direto à
sociedade por intermédio dos serviços de polícia ostensiva, preservação da ordem
pública, bombeiros e defesa civil.
As atividades na PMESP que dão o suporte humano e material ao
cumprimento de suas missões precípuas foram abaixo classificadas conforme a
área de conhecimento predominante:
Figura 3.4: Áreas de Gestão de Atividades-meio na representação gráfica
Fonte: PMESP.
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POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
Contudo, nunca é demais dizer que essas áreas não são estanques, tendo
aqui sido individualizadas tão somente para fins didáticos. A reflexão é necessária
diante da quantidade de atributos relacionados ao policial militar, o qual possui uma
gama de direitos e deveres, e necessita de cuidados relativos à saúde, educação,
equipamentos, tecnologias, entre outros, para o melhor desempenho de suas
atribuições, conforme será adiante demonstrado.
Por sua vez, a atividade-fim, focada no atendimento direto à população, será
aqui representada pela Gestão Operacional, na interface com o público destinatário
dos serviços e interações da Polícia Militar, ou seja, com a sociedade em geral.
Figura 3.5: Localização da Gestão Operacional na representação gráfica do GESPOL.
Fonte: PMESP.
Cada área catalogada conta com diretivas, isto é, com um conjunto de ações
tendentes ao alcance de suas finalidades imediatas (enquanto atividades-meio) e
mediatas (atividade-fim).
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Fonte: infotec_75
4
GESTÃO DE PESSOAS
GESTÃO DE PESSOAS
Sob a máxima de que as pessoas que compõem uma organização são seu
principal investimento e a referência mestra nos serviços de excelência prestados
à população, é absolutamente intencional iniciar a exposição das áreas pela Gestão
de Pessoas.
Pretende-se demonstrar desde o cuidado com a seleção e alistamento,
passando pelo processo de formação, qualificação e treinamento, sucedido pela
dinâmica de fixação e distribuição de efetivo, ao que se somam, com especial
destaque, as políticas de valorização e controle de pessoal.
É inegável que medidas voltadas à qualidade do público interno influem,
invariavelmente, na melhor disposição de atendimento e de respeito à dignidade
das pessoas, na boa relação com as comunidades e na eficácia das estratégias
institucionais de segurança e ordem pública.
4.1 DIRETIVA DE SELEÇÃO E ALISTAMENTO DE PESSOAL
Suprir a necessidade de pessoal, por intermédio de processo seletivo e
de alistamento transparentes que permitam a incorporação de pessoas
com requisitos, qualificações, aptidões e habilidades adequados às
necessidades da Instituição.
O processo de seleção e alistamento visa identificar pessoas adequadas às
características, especificidades, estratégias organizacionais e competências da
PMESP.
Precede à fase de seleção a definição das características essenciais ao
desempenho do cargo, por meio do agrupamento de conhecimentos, habilidades
e atitudes correlacionados e mensurados por padrões preestabelecidos. Assim,
definem-se as competências essenciais para o desenvolvimento do cargo com base
na visão de futuro, valores e missão da Instituição.
A partir daí, em consonância com as orientações legislativas, em especial a
Lei Complementar nº 1.291, de 22 de julho de 2016, são estabelecidos os perfis
físico, comportamental e profissional que irão satisfazer as competências do cargo.
Com essa base, é possível definir os exames que comporão o portfólio de
requisitos de ingresso na carreira, com provas de nível de escolaridade, aptidão
física, saúde física e mental, perfil psicológico, além de investigações de conduta
social, reputação e idoneidade. Para impedir qualquer grau de subjetividade na
seleção, a prova de nível de escolaridade é elaborada por empresa terceirizada,
ficando as demais a cargo de profissionais da própria PMESP com capacitação e
especialização técnica. Todas as fases do concurso são controladas e monitoradas
pelo Sistema de Ingresso e Seleção, gerido pela Diretoria de Pessoal.
Preenchidos os requisitos e uma vez selecionado de acordo com o número
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POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
de vagas do concurso, o candidato é nomeado e empossado, compondo, a partir
de então, o efetivo policial-militar, ainda em processo de formação.
Para manter sob controle a rotatividade de efetivo (turnover), particularmente
por conta da passagem dimensionada dos profissionais para a reserva, são
desenvolvidos trabalhos para provimento originário de cargos, de acordo com
o Plano de Completamento de Efetivo, que prevê, em média com dois anos de
antecedência, a necessidade quantitativa de ingresso de novos policiais militares,
considerando, inclusive, a previsão de tempo para a formação do profissional e o
provável decurso até a sua inatividade.
4.2 DIRETIVA DA FORMAÇÃO, QUALIFICAÇÃO E TREINAMENTO
Planejar e aplicar iniciativas de formação, qualificação e treinamento dos
policiais militares para o desenvolvimento das ações de polícia ostensiva,
preservação da ordem pública, bombeiros e defesa civil.
A partir do ingresso na Instituição, inicia-se o processo de formação,
qualificação e treinamento a que se submeterá o policial militar durante toda a
carreira.
Na etapa de formação, os policiais militares são capacitados com
conhecimentos, habilidades e atitudes correlacionados com as competências
necessárias ao desempenho do cargo, de forma técnica e comprometida. A
preocupação, nesse momento, é com a capacitação mais ampla do policial militar,
com fundamental dedicação às atividades de policiamento ostensivo e preventivo.
A qualificação, por sua vez, está relacionada aos cursos e estágios de
especialização, aperfeiçoamento, habilitação e atualização previstos no Calendário
de Cursos e Estágios da PMESP, de periodicidade anual, com vários temas objetivando
preparar o profissional para o desempenho das mais diversas atividades, a exemplo
do Curso de Força Tática, Curso de Bombeiros e Curso de Policiamento Ambiental.
Já o treinamento policial-militar, especialmente elaborado para a tropa
pronta, tem por condão atualizar os profissionais em relação aos assuntos mais
proeminentes de segurança pública, além de reforçar conhecimentos e habilidades
referentes, a título de ilustração, aos Procedimentos Operacionais Padrão e Tiro
Policial na Preservação da Vida - Método Giraldi®.
Na Gestão do Conhecimento e Inovação serão delineadas, de modo muito
mais amplo, ideias e conceitos a respeito do assunto.
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GESTÃO DE PESSOAS
4.3 DIRETIVA DE FIXAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DO EFETIVO
Destinar policiais militares de maneira equacionada para as atividades
de polícia ostensiva, preservação da ordem pública, bombeiros e defesa
civil, racionalizando o emprego do efetivo territorial e por especialidades
nas diversas regiões do Estado.
O processo para fixação e distribuição do efetivo ocorre de forma racional e
equilibrada, objetivando equacionar o percentual de efetivo existente nas diversas
OPM da Instituição.
É utilizada como ferramenta para consecução desse objetivo a aplicação contínua
de critérios técnicos previstos nas Instruções para a Distribuição e o Completamento
do Efetivo Policial-Militar Territorial (I-28-PM), e nas Instruções para a Distribuição e o
Completamento do Efetivo Territorial do Corpo de Bombeiros (I-39-PM).
Há também observância à Matriz Organizacional, com a descrição de funções
e de ajustes de cargos, considerados os quadros e qualificações estabelecidos em
organogramas comuns em cada escalão.
A PMESP tem especial interesse de que as movimentações dos policiais
militares se deem de modo justo e equilibrado. Para tanto, existem mecanismos
reguladores que possibilitam a movimentação por critérios de conveniência própria
ou de conveniência do serviço, este último ditado pelo interesse da Instituição, de
acordo com o banco de talentos existente.
Os estudos são pontuados pela Relação de Prioridade de Transferência
(RPT), que se destina a movimentar policiais militares entre as OPM de Comandos
distintos, e os Bancos de Dados de Oficiais e de Praças, concebidos para subsidiar
a movimentação no âmbito das OPM subordinadas aos Órgãos de Direção Geral e
Setorial, Assessorias, Casa Militar e sedes de Grandes Comandos.
Nesse quesito em particular, convém mencionar que, quando da formatura
de novos policiais militares, que deverão cumprir seus estágios probatórios em
OPM operacionais, abre-se a possibilidade de movimentação de policiais militares
mais antigos pelo critério de conveniência própria, pelas vias da RPT e Banco de
Dados, o que reforça o compromisso de valorização profissional.
4.4 DIRETIVA DE VALORIZAÇÃO DO POLICIAL MILITAR
Reconhecer e valorizar o policial militar são fatores decisivos para
o comprometimento profissional com os objetivos da Instituição,
impulsionando-a na obtenção de melhor desempenho e resultados
satisfatórios.
Para ser reconhecida como referência nacional e internacional em serviços
de segurança pública, a PMESP depende diretamente do comprometimento de
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POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
seus homens e mulheres. Assim, busca constantemente motivá-los, reconhecê-los
e torná-los mais críticos, articulados e reflexivos.
Dessa maneira, esta Instituição implementa ações de valorização,
especialmente quanto aos aspectos de autoestima e realização profissional,
possibilitando que as atitudes repercutam positivamente na atividade-fim e
fortaleçam no policial o sentimento de importância de seu papel na sociedade.
4.4.1 Sistema de Proteção Social
A seguridade social nasce da necessidade humana de proteção contra os
riscos naturais e as contingências sociais. Trata-se de tema altamente controverso
no mundo todo, notadamente quanto à responsabilidade pelo seu custeio.
A previdência social, ramo da seguridade social, tem caráter contributivo
e pode ser entendida como uma forma de seguro social, destinado aos seus
contribuintes.
O Sistema de Proteção Social Militar, por outro lado, não deve ser confundido
com qualquer regime de previdência social, diante das particularidades da carreira
militar, muitas das quais apenas os militares estão sujeitos.
O policial militar, ao término do cumprimento de seu tempo de serviço,
não se aposenta (aposentadoria enquanto benefício previdenciário). Ele ingressa
na inatividade, que pode ser temporária, no caso da reserva, pois está sujeito a
ser convocado para retornar ao serviço nas condições legalmente estabelecidas,
inclusive contra sua vontade.
Isso sem contar os riscos cotidianos à vida e integridade física, experimentados,
não raras vezes, pelo simples fato de ser policial militar. As consequências de um
infortúnio podem até extrapolar a figura do policial militar, atingindo diretamente
suas famílias, notadamente seus cônjuges, companheiros e descendentes, estes
muitas vezes em idade de pleno desenvolvimento.
Por isso, a existência de um regime específico de proteção social é deveras
necessária porque, embora os policiais militares possam ser considerados
servidores públicos em sentido amplo, não o são em seu sentido estrito, na ocasião
em que, diferentemente dos servidores públicos de modo geral, levam às últimas
consequências o dever de servir e proteger.
Por essa lógica, a PMESP é atuante na defesa da manutenção de um sistema
próprio de proteção social dos militares dos Estados para que a sociedade sempre
tenha voluntários dispostos a proteger os direitos básicos das pessoas (vida,
integridade física, liberdade e patrimônio), ainda que com o sacrifício da própria
vida de nossos profissionais, compromisso este firmado em juramento.
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GESTÃO DE PESSOAS
Nesse aspecto, a aprovação da Lei federal nº 13.954, de 16 de dezembro
de 2019, que dispõe sobre o Sistema de Proteção Social dos Militares, federais e
estaduais, configura-se como fundamental conquista no contexto de valorização
profissional e assegura a continuidade de direitos essenciais quando da passagem
dos militares para a inatividade, quais sejam, a integralidade e a paridade de
vencimentos.
4.4.2 Direitos e Garantias
Com fundamento na Constituição Federal e no arcabouço legislativo que
estrutura o regime jurídico dos militares do Estado de São Paulo, aos policiais
militares são conferidos direitos e garantias. Esses direitos e garantias formam, ao
lado dos deveres e restrições impostos aos policiais militares, um regime jurídico
específico e necessário ao bom exercício das atribuições em prol da população
paulista.
Nesse sentido, ao policial militar enquanto cidadão são garantidos direitos
sociais fundamentais, como décimo-terceiro salário, férias anuais remuneradas,
estas acrescidas de um terço a mais do que o salário normal, licença-gestante,
licença-paternidade e licença-adoção, previstos na Constituição Federal, na
Constituição do Estado de São Paulo e em legislação específica.
Um exemplo particular é a Lei nº 14.984, de 12 de abril de 2013, a qual,
diante da missão institucional, prevê o pagamento de indenização nos casos de
morte ou invalidez permanente, total ou parcial, ocorridas em serviço ou que com
ele guardem relação, como nos casos de deslocamento até o local de trabalho ou
a atuação em razão da função pública.
Para a gestão dos direitos e garantias do policial militar, a PMESP conta
com órgãos próprios, como a Diretoria de Pessoal, a qual é responsável pela
implementação das políticas referentes ao sistema de recursos humanos e por
gerir, documentar, controlar, publicar e efetivar os direitos e garantias efetivados.
Com o mesmo condão, há o Centro Integrado de Apoio Financeiro, responsável
pela política e gestão dos lançamentos de frequência e adicionais que impactarão
na vida financeira do militar do Estado, como forma de retribuição aos serviços e
funções desempenhadas.
É oportuno ressaltar que a concretização desse ordenamento demanda a
estruturação de regulamentos e de sistemas próprios, permitindo a fruição dos
direitos e garantias de maneira mais célere e menos burocrática.
Nesse ponto, vale mencionar o Sistema de Gestão de Pessoas (SGP), o
Sistema Integrado de Recursos Humanos (SIRH), o Sistema Integrado de Pagamento
(SIPA) e o Sistema “Perícias”, além das diversas instruções destinadas a esclarecer
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POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
e organizar as rotinas necessárias, como as Instruções para os Afastamentos na
Polícia Militar (I-36-PM) e as Instruções para o Novo Policial Militar (I-46-PM), esta
voltada ao novo integrante dos Quadros da Instituição, não só no que se refere
às questões institucionais (história, valores, estrutura, carreira, deveres, etc.), mas
também aos seus direitos e garantias.
4.4.3 Elogios, Láureas, Medalhas e Reconhecimentos
De modo muito peculiar no campo da valorização profissional, o Elogio
Individual é uma das recompensas policial-militares previstas no Regulamento
Disciplinar da Polícia Militar (RDPM), como reconhecimento aos bons serviços
prestados pelos homens e mulheres da PMESP. Trata-se de ato administrativo que
coloca em relevo as qualidades morais e profissionais do militar do Estado, podendo
ser formulado independentemente da classificação de seu comportamento, com
registro nos assentamentos individuais.
O PMZITO do Mérito Pessoal foi criado em 1974, por meio de Portaria do
Comandante-Geral, como forma de distinguir os integrantes que se destacavam
por seus méritos pessoais e profissionais. Consistia num medalhão de metal,
sobreposto a uma placa de couro, e conservava em sua heráldica um ícone gráfico
representativo da Instituição naquela década, no caso, um mascote.
Em 1984, a honraria passou a ser denominada Láurea do Mérito Pessoal, cuja
denominação é mantida até hoje, tendo por objetivo valorizar o policial militar que
se destaca no cumprimento de seus deveres. Busca-se elevar o moral individual e
coletivo do efetivo por intermédio da distinção daqueles que, reconhecidamente,
realizam serviços de excelência. Tal honraria pode ser concedida em até 5 graus,
conforme normatização própria.
Paralelamente, há a outorga de Medalhas da Polícia Militar como
reconhecimento aos seus profissionais. Nesse cenário, vale destacar a Medalha
Cruz de Sangue, instituída pelo Decreto nº 42.953, de 20 de março de 1998, e
concedida aos policiais militares feridos ou falecidos (concessão post mortem) no
desempenho da função policial-militar ou em razão dela. De igual modo, merece
menção a Medalha Valor Militar, instituída pela Lei nº 2.248, de 14 de agosto de
1953, e concedida aos oficiais e praças que demonstram lealdade, constância e
valor.
Existem ainda outras medidas como o Programa de Valorização Profissional
denominado Policial Nota 10, por meio do qual o Governador do Estado de São
Paulo e o Secretário da Segurança Pública prestam homenagens aos policiais,
militares e civis, que se destacaram em face dos relevantes serviços prestados à
sociedade no exercício de suas funções. A distinção acontece na presença de seus
Comandantes/Chefes/Diretores, familiares e convidados.
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GESTÃO DE PESSOAS
No mesmo sentido, desde 2009, é realizado, no Quartel do Comando-Geral
o Café com o Comandante, com vistas não só ao reconhecimento meritório, mas
também ao estreitamento do Comando da Instituição com os seus integrantes.
Há também a previsão de cerimônias mensais de valorização profissional,
com vistas ao reconhecimento e homenagem no âmbito das Unidades da PMESP,
como a premiação ao Policial Militar do Mês, a homenagem aos aniversariantes e
a despedida dos novos veteranos.
4.4.4 Plano de Carreira
A Lei Complementar nº 1.291, de 22 de julho de 2016, prevê a possibilidade
de ingresso na PMESP, mediante concurso público, em 4 carreiras distintas, a saber:
Quadro de Oficiais Policial-Militares (QOPM), Quadro de Oficiais de Saúde (QOS),
Quadro de Oficiais Músicos (QOM) e Quadro de Praças Policial-Militares (QPPM).
De todo o efetivo da PMESP atualmente fixado, 92.727 vagas, ou 98,9%,
dizem respeito ao QOPM e QPPM, isto é, aos Quadros cujos integrantes se dedicam
ao exercício das atividades finalísticas da PMESP.
As carreiras são estruturadas de modo a permitir a progressão nos postos ou
graduações de acordo com critérios de merecimento e antiguidade. A meritocracia
é cada vez mais valorizada na PMESP, sendo aspecto determinante para o alcance
de níveis gerenciais e de supervisão mais elevados.
Exemplo disso no contexto dos oficiais é que o ingresso no Mestrado ou
Doutorado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública só é possível
mediante aprovação em processo seletivo interno. Vale lembrar que a conclusão
desses cursos é uma das condições para a promoção aos postos de Major PM e de
Coronel PM, respectivamente.
No caso das praças, a progressão na carreira exige a conclusão dos Cursos
Superiores de Tecnólogo de Polícia Ostensiva e Preservação da Ordem Pública I (para
a promoção à graduação de 3º Sargento PM) e II (para a promoção à graduação de
1º Sargento PM), conforme Lei Complementar nº 892, de 31 de janeiro de 2001, e
Decreto nº 54.911, de 14 de outubro de 2009.
Mediante aptidão intelectual, traduzida na aprovação em processo seletivo,
os integrantes do QPPM podem obter não só a progressão mais célere dentro do
mesmo Quadro, mas também a mudança para qualquer dos Quadros de Oficiais
atualmente previstos, seja de provimento originário (QOPM, QOS e QOM), seja
de provimento derivado (Quadro Auxiliar de Oficiais da Polícia Militar - QAOPM),
desde que preenchidos todos os requisitos de inscrição no concurso e todas as
condições para nomeação nos cargos de cada Quadro. Aqui vale a máxima: sempre
é possível ascender, basta querer.
36 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
4.5 DIRETIVA DE MONITORAMENTO E CONTROLE
Desenvolver programas e processos de controle e monitoramento,
objetivando o alinhamento da pessoa às necessidades e características
da Instituição.
A Instituição utiliza diversos programas e processos de monitoramento e
controle de pessoas que permitem a identificação de melhorias individuais para
consequente consecução dos objetivos estratégicos. Esta diretiva mantém íntima
ligação e por vezes até se funde com a diretiva de valorização.
4.5.1 Controle de Efetivo
O controle de efetivo ocorre por meio de diversos sistemas informatizados
de Gestão de Pessoas, a citar:
• Sistema Integrado de Recursos Humanos e Sistema de Gestão de Pessoas,
que aglutinam informações de cadastro, habilidades e situação funcional,
permitindo o desenvolvimento de estudos estratégicos para contratação,
fixação e movimentação de pessoal (RPT e Banco de dados), bem como
o controle de afastamentos temporários por OPM, que, se não for bem
equalizado, pode comprometer o desempenho das missões policiais, em
especial do policiamento ostensivo. Estes sistemas são constantemente
atualizados buscando a integração a outros sistemas para realização de
controle apurado, desde o ingresso do policial militar até a sua inatividade;
• Sistema de Gerenciamento de Imagens, que se destina à captura da imagem
fotográfica dos policiais militares, gerando controle relacionado à identidade
funcional do policial militar;
• Sistema Escala Corporativa, que permite informações fidedignas em tempo
real da rotina de serviço policial-militar. Os registros de acompanhamento do
sistema subsidiam a gerência na adoção de métodos de melhoria e estudo
de emprego de pessoal, buscando a melhoria da prestação de serviço à
sociedade;
• Sistema de Controle de Admissão e Aposentadoria, desenvolvido pelo
Tribunal de Contas do Estado e utilizado também para controle do fluxo de
policiais militares na Instituição, desde a entrada até a exclusão do quadro
ativo;
• Sistema Perícias, utilizado em conjunto pelas Unidades de Saúde da PMESP
e as Seções de Pessoal, integrando as áreas e possibilitando controle integral
dos afastamentos laborais e periciais do efetivo;
• Sistema de Recadastramento Geral de Ativos, acessado por meio do site
da Secretaria da Fazenda e Planejamento ([Link]
[Link]/), permite acesso a informações referentes a cadastro, formação,
habilidades e provimento.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 37
GESTÃO DE PESSOAS
Prospectando a gestão do futuro, a PMESP busca, por meio de inovações
tecnológicas, integrar os sistemas inteligentes de controle e auxílio de pessoal,
objetivando padronização, facilidade de acesso aos produtos e serviços, celeridade,
automatização no processamento de direitos e vantagens, de forma a desonerar as
rotinas administrativas para emprego intensivo das pessoas na atividade-fim.
4.5.2 Controle de Inspeção Periódica de Saúde
O profissional de segurança pública deve ser mantido sempre em suas
melhores condições físicas e de saúde para bem executar suas tarefas diárias, razão
pela qual a ação da administração de pessoal deve priorizar medidas preventivas
de diagnóstico proativo.
A sistematização das rotinas preventivas médicas e odontológicas é de
periodicidade anual e tem por objetivo a qualidade de vida do profissional e a
redução dos afastamentos, por consequência, do absenteísmo, mantendo o efetivo
pronto para o desenvolvimento do serviço policial-militar.
4.5.3 Controle de Aptidão Física
Aliada à questão da saúde preventiva, a aptidão física é relevante fator de
composição da qualidade de vida do policial militar, irradiando ganhos para as
diversas atividades desempenhadas. Para tal mister, existem programas padrão
de treinamento e de prática de condicionamento físico que visam estabelecer
política institucional de Educação Física, recomendando-se a execução de pelo
menos 3 sessões semanais de treinamento para os policiais militares, devidamente
acompanhados por profissional habilitado.
Os programas são monitorados por Testes de Aptidão Física (TAF), de
periodicidade anual, precedidos por avaliação médica subsidiada por exames
laboratoriais básicos, como forma de controle e diagnóstico da condição física dos
policiais militares.
4.5.4 Controle de Aptidão de Tiro Defensivo na Preservação da Vida
A capacitação técnica de tiro defensivo, uma das ferramentas que diferenciam
o profissional de segurança pública, dada a autorização plena de porte de arma
de fogo, é elemento fundamental na composição do profissional apto para o
desempenho de sua atividade.
A ausência de não conformidades envolvendo armas na execução operacional
é fator preponderante na manutenção de uma imagem positiva da PMESP perante
a sociedade. O reconhecimento positivo, por sua vez, possui forte influência sobre
a autoestima do profissional compromissado com a defesa da vida e da integridade
física da pessoa humana.
38 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
As dinâmicas de Tiro Defensivo na Preservação da Vida, baseadas no
Método Giraldi®, são regularmente exigidas do policial militar por intermédio do
Teste de Aptidão de Tiro (TAT), também de periodicidade anual, que representa
o treinamento da técnica relativa ao uso adequado da arma de fogo na atividade
policial, com a finalidade de proteger a si próprio e a servir e proteger a sociedade.
4.5.5 Avaliação de Desempenho
O policial militar, semestralmente, é submetido à avaliação de desempenho,
conforme padrão de trabalho disciplinado pelo Sistema de Avaliação de
Desempenho dos Integrantes da Polícia Militar (SADE), nos termos das Instruções
do Sistema de Avaliação de Desempenho dos Integrantes da Polícia Militar (I-24-
PM), destinado à melhoria contínua e ao fortalecimento do relacionamento entre
os profissionais da Polícia Militar.
A avaliação dos papéis profissionais proporciona ao policial militar o
feedback de seu desempenho na função exercida, dando suporte para a motivação
profissional por meio da conscientização acerca da sua importância para o êxito da
Instituição.
As metas a serem trabalhadas no período de avaliação seguinte devem estar
atreladas às estratégias organizacionais. Por esse motivo, as condutas individuais
estão alinhadas aos objetivos da PMESP, proporcionando condições favoráveis para
o alcance do comprometimento pleno do homem e da missão e visão de futuro
institucionais.
4.5.6 Justiça e Disciplina
O policial militar integra categoria especial de agentes públicos, diferenciando-
se pelo uso de equipamento, farda, armamento, viatura, além da investidura
do poder de polícia, o que o qualifica como autoridade policial. Por isso, foram
estabelecidas regras de conduta que devem ser observadas durante o serviço e
também nos horários de folga, considerando que o policial militar está sujeito aos
desdobramentos da hierarquia e da disciplina, condição necessária para o exercício
do cargo, a qualquer momento.
Ao RDPM, instituído pela Lei Complementar nº 893, de 9 de março de 2001,
coube a tarefa de apresentar a deontologia policial-militar, constituída pelos valores
e deveres éticos, traduzidos em normas de conduta, que se impõem para que o
exercício da profissão policial-militar atinja plenamente os ideais de realização do
bem comum, mediante a preservação da ordem pública.
O RDPM prevê os seguintes mecanismos a serem utilizados pelos gestores
institucionais: concessão de recompensas, como o registro de elogio individual
em assentamentos e o cancelamento de punições, e a aplicação de sanções
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 39
GESTÃO DE PESSOAS
disciplinares, objetivando a correção de atitudes.
As recompensas são determinantes para a progressão na carreira, permitindo
maior celeridade na promoção ao posto ou graduação superior para aquele
que possui mais qualidade moral e profissional, revelada, a título de ilustração,
em elogios individuais e, no caso das praças da PMESP, em classificação de
comportamento, verificada conforme a existência ou não de sanções disciplinares
anteriores e o tempo transcorrido entre elas. Trata-se, novamente, de se destacar
o aspecto meritório na progressão nas carreiras.
Quanto às sanções disciplinares, a aplicação consciente e equilibrada aos
casos de eventuais desvios de conduta assegura a manutenção do comportamento
ético do policial militar, sem desrespeitar sua dignidade enquanto pessoa humana.
Por esse motivo, a aplicação de sanções observa critérios de transparência,
competência e dosimetria previamente estabelecidos em lei.
Insta lembrar que a aplicação de sanções disciplinares é medida de exceção,
pois o que se busca, desde a formação profissional até o exercício das atribuições
no dia a dia, é estimular a disciplina consciente do profissional de segurança e
ordem pública, dada a importância do seu papel na sociedade.
Quando do cometimento de faltas mais graves, que podem configurar
também infrações penais, observam-se normas especiais, a exemplo do Direito
Penal, Militar ou comum, bem como normas específicas do próprio RDPM, que
preveem processos administrativos que podem ensejar a exoneração das fileiras
por demissão ou expulsão, sendo a PMESP reconhecida pelo zelo e seriedade com
que trata seus processos de depuração interna.
Por fim, é importante mencionar que são utilizados diversos procedimentos
administrativos de apuração, como Investigações Preliminares, Procedimentos
Disciplinares, Sindicâncias, Inquéritos Policial-Militares e Processos Regulares, tudo
conforme leis e regulamentos próprios, sendo o controle realizado no âmbito do
Sistema de Polícia Judiciária Militar e Disciplina da Polícia Militar, que possui como
Órgão Central a Corregedoria PM.
4.5.7 Gestão Prisional
Diante da especificidade do serviço policial-militar, é necessário o
estabelecimento de sistema prisional diferenciado para policiais militares presos em
regime fechado e semiaberto, visando à preservação da tranquilidade, segurança e
salubridade pública.
Nesse contexto, o Presidio Militar “Romão Gomes” (PMRG) é a Unidade
responsável pela internação de oficiais e praças da PMESP condenados pela Justiça
ou à sua disposição, exercendo o controle da vida penitenciária e contribuindo
40 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
para a ressocialização dos presos. Trata-se da única prisão no Estado que abriga
exclusivamente policiais militares e ex-policiais militares, contando com mais de 70
anos de existência.
A existência de um estabelecimento prisional adequado assegura a eficácia
da missão da PMESP, pois confere ao policial militar, a priori, o direito de não ser
recolhido ao cárcere juntamente com os demais infratores da lei, isto é, juntamente
com aqueles que por ele possam ter sido presos em flagrante.
As situações de manutenção no PMRG ou de remoção para outras unidades
prisionais são deliberadas pelo Juízo das Execuções Criminais da Justiça Militar
Estadual, conforme dispõe o Regimento Interno do PMRG.
Trata-se, portanto, de órgão fundamental no contexto da Gestão de Pessoas,
com Prêmios de Qualidade e Certificação ISO 2012, sendo reconhecido pela eficácia
no cumprimento de sua função social, qual seja, a de efetivar as disposições de
sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração
social do condenado e do internado.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 41
Fonte: Istockphoto.
GESTÃO DE SAÚDE
5
GESTÃO DE SAÚDE
Figura 5.1: Representação gráfica da Gestão de Saúde.
Fonte: Diretoria de Saúde (PMESP).
A Gestão de Saúde está intimamente ligada à Gestão de Pessoas, na medida
em que, dentro da visão holística do ser humano, cuida da dimensão fundamental
da qualidade de vida no exercício profissional, propiciando baixo índice de
absenteísmo e alto desempenho e produtividade. É, por conseguinte, uma das
engrenagens da valorização profissional, disponibilizando ao policial militar um
vasto leque de serviços diretamente correlacionados com a sua saúde e bem-estar.
Todos esforços gerenciais estão voltados para a consecução dos objetivos
declarados de forma sucinta na missão institucional de proteger as pessoas,
garantir o cumprimento da lei, combater o crime e preservar a ordem pública.
Nesse diapasão, como o sistema é interligado e os resultados decorrem do
equilíbrio entre as partes, o êxito da atividade policial-militar depende em muito
da capacidade de assegurar a saúde psicofísica de todos os seus integrantes.
Essas premissas orientam a Gestão de Saúde e reiteram a missão da Diretoria
de Saúde, que é promover, proteger, recuperar e reabilitar a saúde do policial
militar, com serviços de qualidade, emprego das melhores práticas e empenho de
equipes multidisciplinares.
O espectro da Gestão de Saúde divide-se nas seguintes diretivas: Diretiva de
Saúde Preventiva, que busca mitigar manifestações clínicas de problemas agudos
ou crônicos, Diretiva de Equipes Multidisciplinares de Prevenção, Recuperação e
Reabilitação, que concentra forças na atenção preventiva e no acompanhamento
44 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
de vitimados, Diretiva do Sistema de Saúde Mental, com foco no bem-estar
psicossocial do policial militar, e Diretiva de Medicina Tática, que prevê a atuação
de profissionais de saúde no cenário operacional da Polícia Militar.
5.1 DIRETIVA DA SAÚDE PREVENTIVA
Garantir a manutenção do efetivo policial-militar apto para o
desempenho da atividade operacional, reduzindo o absenteísmo.
Para assegurar que o policial militar tenha plena capacidade de exercer suas
atividades profissionais e garantir sua qualidade de vida, a PMESP adota, por meio
da Gestão de Saúde, postura de atendimento proativo em quatro diferentes níveis
de prevenção.
A prevenção primária tende à remoção das causas ou fatores de risco antes do
desenvolvimento de uma manifestação clínica, individual ou coletiva. Integram esta
prevenção medidas de proteção específica, como as imunizações, e de promoção à
saúde, mediante identificação de fatores de risco e prescrição de ações corretivas,
como os cuidados com a alimentação e a prática de atividade física. Nos tempos de
enfrentamento à COVID-19, houve forte trabalho de prevenção primária quando
da Campanha de Vacinação voltada a todos os profissionais de segurança pública
alocados no Estado de São Paulo, iniciativa que se deu no interior de quartéis da
Polícia Militar.
A prevenção secundária tem por objetivo detectar um agravo de saúde em
fase inicial, muitas vezes sem o início das manifestações que impactam na qualidade
de vida e na produtividade do policial militar, cujo tratamento precoce permite
reduzir ou até mesmo eliminar a disseminação e os efeitos a longo prazo. Nesse
contexto, destacam-se os exames periódicos de saúde médica e odontológica,
realizados, no mínimo, anualmente.
Já a prevenção terciária diz respeito às ações destinadas a minimizar os
prejuízos à saúde do policial militar, consequentes de problemas agudos ou
crônicos. Aqui, busca-se a reabilitação e a redução de agravos com medidas de
recuperação.
E a prevenção quaternária, em consonância com o dicionário da World
Organization of Family Doctors, busca identificar indivíduos sob risco de novas
intervenções, a fim de protegê-los de ações médicas excessivas, mediante
tratamentos eticamente aceitáveis. Destaca-se nesse nível o papel do Departamento
de Perícias Médicas na condução e encaminhamento técnico dos policiais militares
com longos períodos de absenteísmo e de restrição laboral, permitindo a busca
ativa por suas recuperações e reabilitações.
A sistematização das rotinas preventivas na Gestão de Saúde impacta
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 45
GESTÃO DE SAÚDE
diretamente na redução dos níveis de absenteísmo, mantendo o efetivo apto ao
serviço policial-militar e, ao mesmo tempo, cuidando integralmente da saúde física
e mental dos integrantes da Instituição, com repercussões diretas na produtividade
e na qualidade dos serviços prestados à população.
5.1.1 Prática de Condicionamento Físico como Ação Preventiva
Aliada à questão da saúde preventiva, a aptidão física é relevante fator
de composição de um clima favorável nas Unidades. Para tal mister, foram
estabelecidos programas padronizados de treinamento físico individual, os quais
dispensam material sofisticado ou instalações especiais. Esses padrões estão
consolidados em atos normativos internos, denominados Programa Padrão de
Treinamento de Condicionamento Físico, Programa Padrão de TAF (Teste de Aptidão
Física) e Prática de Treinamento.
A prática de condicionamento físico deve ser precedida de avaliação
médica com atenção às hipóteses de obesidade excessiva, diabetes, pressão
arterial alterada, doença infeciosa, uso de medicamentos e outras que requeiram
orientação especializada.
5.1.2 Cuidados com a Segurança do Trabalho
A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes das Organizações Policial-
Militares (CIPA/OPM) tem por objetivo a prevenção de acidentes e doenças
decorrentes do trabalho, de modo a torná-lo compatível com a preservação da
vida e a promoção da saúde do policial militar.
Devem constituir a CIPA/OPM todas as Unidades a partir do nível de Batalhão
PM ou correspondente, devendo ter seu suporte administrativo no respectivo
Órgão de Relações Públicas, nos termos do Regimento Interno da CIPA/OPM (RI-
6-PM).
5.2 DIRETIVA DE EQUIPES MULTIDISCIPLINARES DE
PREVENÇÃO, RECUPERAÇÃO E REABILITAÇÃO
Atuar em equipes multidisciplinares nos Programas de Apoio para
prevenir de forma integral as doenças, garantindo a saúde física e
mental, recuperando e reabilitando os vitimados por lesões diversas,
além de promover a autoestima e a dignidade do policial militar.
O profissional de segurança pública deve ser mantido sempre em suas melhores
condições de saúde física e mental para executar suas tarefas diárias, razão pela
qual a administração de pessoal, com o empenho das equipes multidisciplinares,
dedica-se à promoção de saúde, nos diferentes níveis de prevenção, e nas ações
de recuperação e reabilitação.
46 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
Contando com assistência médica, odontológica, fisioterápica, psicológica,
de enfermagem e de terapia ocupacional, o Sistema de Saúde da Policia Militar
atua diuturnamente para a saúde plena do efetivo da Instituição, disponibilizando
recursos humanos para serem empregados em seus múltiplos campos de atuação,
com prioridade para o policiamento ostensivo e preventivo.
5.2.1 Capilaridade dos Órgãos de Saúde
Com um sistema de saúde capilarizado em todo o Estado de São Paulo, a
Gestão de Saúde dispõe dos seguintes órgãos: Centro Médico, Centro Odontológico,
Centro de Reabilitação e Policlínicas, situados na Capital, e Unidades Integradas de
Saúde e Gabinetes Odontológicos, distribuídos na Capital, Região Metropolitana e
no Interior do Estado.
O Centro Médico, Unidade centenária, atua no nível terciário em todas
as esferas da atenção em saúde, sendo dividido em: Departamento Clínico,
Departamento Técnico e Departamento de Perícias Médicas. É elemento-chave
na assistência hospitalar e ambulatorial nas diversas especialidades clínicas e
cirúrgicas, contando com gerenciamento administrativo, de logística e de finanças
próprios.
O Centro Odontológico, organizado nas Divisões de Policlínica, Técnica, de
Logística e Administrativa, dedica-se ao atendimento nas múltiplas especialidades
odontológicas, contribuindo sobremaneira com a saúde e bem-estar do policial
militar.
Aos profissionais vitimados, qualquer que seja a origem, a Instituição
disponibiliza, por meio do Centro de Reabilitação da Polícia Militar, atendimento
multidisciplinar que visa, com o uso dos recursos de excelência, às melhores práticas
e métodos, a fim de reintegrá-los ao ambiente de serviço, restabelecendo-lhes a
dignidade humana. O Centro de Reabilitação é organizado nas Divisões Técnica, de
Reabilitação e Administrativa.
No tocante às Policlínicas, Unidades Integradas de Saúde e Gabinetes
Odontológicos, subordinados aos comandantes das OPM onde estão sediadas, o
principal objetivo é a orientação técnica da Gestão de Saúde, em especial atenção
às medidas de Saúde Coletiva e Preventivas, bem como às de Medicina do Trabalho,
conceituadas como Medicina Pericial, em íntima relação com o Departamento de
Perícias Médicas do Centro Médico.
Merecem igualmente especial menção os profissionais da área psicológica e
de assistência social, que integram o Centro e os Núcleos de Atenção Psicológica e
Social, subordinado à Diretoria de Pessoal.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 47
GESTÃO DE SAÚDE
5.3 DIRETIVA DO SISTEMA DE SAÚDE MENTAL (SisMen)
Garantir o bem-estar biopsicossocial dos policiais militares.
A missão institucional da PMESP é peculiar porque impõe ao policial militar
o contato diuturno e recorrente com inúmeras situações perigosas e insalubres
que podem expor a um risco real a sua própria vida ou de terceiros, exigindo
um forte trabalho mental desse profissional, lastreado em técnica, bom senso e
racionalidade.
A par dessa consciência, o Decreto nº 46.039, de 23 de agosto de 2001, criou
o Sistema de Saúde Mental da Polícia Militar do Estado de São Paulo (SisMen),
destinado a melhor organizar a prevenção, o tratamento e o restabelecimento da
saúde mental do policial militar.
A PMESP desenvolve trabalhos desse Sistema por intermédio de seu
Centro de Atenção Psicológica e Social (CAPS) e respectivos Núcleos de Atenção
Psicológica e Social (NAPS) regionais, distribuídos por todo o Estado, em interface
com a Divisão de Psiquiatria do Centro Médico, objetivando ampla assistência
psiquiátrica, psicológica e social aos policiais militares.
O SisMen estabelece o emprego de profissionais previamente credenciados,
o que se justifica pela particularidade do público a que se destina.
5.3.1 Programa de Acompanhamento e Apoio ao Policial Militar (PAAPM)
Em ação especial coordenada pelo CAPS e pelos NAPS são desenvolvidos
processos de psicoeducação em atenção àqueles que se envolveram em
ocorrências de risco ou apresentaram distúrbios de ordem emocional, objetivando
o restabelecimento do equilíbrio, de seus valores éticos e sociais, favorecendo a
retomada harmônica de suas atividades profissionais e consequente interação com
a sociedade.
5.3.2 Programa de Prevenção ao Suicídio
Através de processos de apoio psicológico, por meio de atendimentos
psicoterapêuticos para a conscientização da problemática do suicídio, desenvolve-
se este programa destinado aos policiais militares ativos e veteranos, com a
finalidade de auxiliá-los no processo de autoconhecimento, promovendo o bem-
estar psicossocial.
A PMESP conta com diversos profissionais capacitados para a realização
de palestras relacionadas ao assunto, bem como para a atuação na prevenção e
restabelecimento do equilíbrio mental de seus integrantes.
48 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
A título de exemplo, em setembro de 2019 foi realizado o 1º Simpósio de
Promoção da Vida, com a organização de palestras e a divulgação de material
explicativo a policiais militares no intuito de sensibilizá-los sobre o comportamento
suicida, sinais de alerta, fatores de risco e de proteção, como forma de prevenção
a esse mal que atinge toda a humanidade.
Nas reuniões, é enfatizada a necessidade de (i) ações preventivas, visando
reduzir a frequência de comportamentos autodestrutivos; (ii) sensibilização para a
criação e manutenção de uma rede de apoio, como estratégia para a preservação
da vida, de forma a perceber os sinais e oferecer ou receber ajuda; e (iii) divulgação
quanto aos meios de acesso ao SisMen, para o imediato acionamento dos
profissionais capacitados.
5.3.3 Apoio em Incidentes Críticos e Apoio Social
Trata-se do estabelecimento de processos de apoio em incidentes críticos
em que os policiais possam figurar como vítimas, e ainda o processo de Apoio
Social, por meio de intervenções preventivas e pontuais na atividade de serviço
social de atendimento aos policiais militares ativos, veteranos e familiares, com o
objetivo de encaminhar ou acompanhar, conforme o caso, a solução de problemas
biopsicossociais.
5.3.4 Atenção Médica à Saúde Mental
Através das atividades desempenhadas pela Divisão de Psiquiatria do Centro
Médico, a atenção médica psiquiátrica objetiva a prevenção, o diagnóstico precoce
da enfermidade mental e o estabelecimento da intervenção terapêutica apropriada
e antecipada, para mitigar os efeitos de transtornos mentais diversos na qualidade
de vida e laboral.
Destacam-se as avaliações de saúde mental realizadas no âmbito ambulatorial
e hospitalar, psicoterapias, visitas clínicas e domiciliares, ampla assistência
multiprofissional à saúde mental e práticas para reabilitação plena do policial
militar com especial atenção às atividades do Hospital-Dia, que funciona como
uma espécie de assistência intermediária entre a internação e o atendimento
ambulatorial, com procedimentos clínicos, cirúrgicos, diagnósticos e terapêuticos,
cuja permanência do paciente na Unidade de Saúde não supere 12 horas.
Em interface com o Departamento de Perícias Médicas, adotam-se medidas
para adequação ao serviço do efetivo que se encontra em enfermidade de saúde
mental, a fim de permitir o mais breve restabelecimento das suas funções.
A Divisão de Psiquiatria atua também na elaboração de laudos periciais para
subsidiar decisões administrativas, tais como: aprovação ou não de candidato
em concurso público de ingresso, aferição de sanidade mental para a imposição
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 49
GESTÃO DE SAÚDE
de sanção disciplinar, concessão de porte de arma de fogo para inativos,
reconhecimento de causa de isenção de imposto de renda para aposentados (a ser
homologado pelo Diretor de Saúde com posterior encaminhamento à São Paulo
Previdência), avaliação de saúde mental para confirmação ou exoneração em
estágio probatório, determinação de nexo causal em declaração de incapacidade
para o serviço.
Destaca-se ainda a ação da Divisão de Psiquiatria como subsidiária técnica nas
demandas judiciais que correlacionam a Saúde Mental ao serviço policial-militar.
5.4 DIRETIVA DE MEDICINA TÁTICA
Atuar no teatro de operações a fim de dispor dos melhores recursos para
garantir a saúde do policial militar, mitigando os danos decorrentes das
injúrias típicas desse cenário.
A PMESP possui diversos grupos especializados, com atuação em situações
específicas das mais variadas naturezas, geralmente com sensível exposição do
policial militar a riscos à sua integridade física.
A existência do Grupo de Medicina Tática especializado, para apoio ao
profissional durante operações especiais ou de grande porte, permite que ações
realizadas pela PMESP possam ser assistidas diretamente por Oficial Médico PM
ou policial militar com formação em Enfermagem, devidamente habilitado tanto
nos quesitos técnicos da área de saúde, quanto na postura e atitudes em meio à
operação em andamento. Isso permite o atendimento imediato em caso de lesões,
com retorno do profissional à operação ou encaminhamento ao órgão de saúde
mais adequado para seu atendimento, de acordo com o agravo sofrido.
5.4.1 Desenvolvimento das Atividades de Medicina Tática
Nas operações que requeiram apoio do Grupo de Medicina Tática, o
Comando-Geral, Coordenador Operacional PM ou Grande Comando responsável
pode solicitar à Diretoria de Saúde, pelo meio mais adequado à situação e com a
maior antecedência possível, o acionamento do Grupo de Medicina Tática. O oficial
médico mais antigo que participar da operação será envolvido em todas as etapas
de inteligência, planejamento e execução, a fim de assessorar o comandante da
operação e melhor gerenciar os recursos de saúde empregados.
A composição mínima de uma Equipe de Medicina Tática para o exercício
de suas atividades deverá ser: um oficial médico PM, um policial militar com
formação em Enfermagem e um policial militar motorista de viatura Categoria D.
Poderão ainda ser empregados profissionais de saúde de outras áreas, a critério do
comandante da operação e do coordenador operacional de Medicina Tática.
50 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
A Equipe de Medicina Tática deverá seguir os Procedimentos Operacionais
Padrão (POP) específicos da atividade policial-militar que estiver prestando apoio,
no sentido de se posicionar e se deslocar da forma mais eficaz e segura possível,
utilizando, inclusivo, uniforme operacional e armamento adequados.
Durante o socorro a policiais militares, deverão ser seguidos os Manuais
e Protocolos Técnicos específicos para a situação em questão, como o Tactical
Combat Casualty Care, o Advanced Cardiovascular Life Support, o Advanced Trauma
Life Support, o Prehospital Trauma Life Support e outros que sejam aplicáveis, a
critério do coordenador operacional de Medicina Tática.
Quando em operação do Sistema de Comandos e Operações em Emergências
(SiCOE), o oficial médico deverá atuar como o líder da Unidade Médica, sendo
responsável pelo desenvolvimento do plano médico, fornecimento de assistência
médica, supervisão dos aspectos de saúde da unidade de intervenção e obtenção
da ajuda médica e transporte para unidade de intervenção a feridos e doentes.
Além do mais, deverá coordenar-se com outras funções de saúde e segurança e
preparar relatórios e registros.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 51
Fonte: Adobestock.
GESTÃO DO CONHECIMENTO E
6
INOVAÇÃO
GESTÃO DO CONHECIMENTO E INOVAÇÃO
Após delinear as principais características da Gestão de Pessoas e Gestão
de Saúde, é tempo de detalhar as qualidades e avanços do sistema de ensino da
Polícia Militar, na busca de uma composição integral do ser humano e profissional
de polícia.
A PMESP está em constante processo evolutivo, e isso também se verifica
na Gestão do Conhecimento e Inovação, até porque a aprendizagem contínua e
o estímulo ao autodesenvolvimento protagonizam o fomento às competências
individuais, viabilizando o crescimento pessoal e profissional.
Já foi explicado que o acesso às forças de segurança do Estado de São Paulo
se dá por meio de concurso público, com a particularidade de que seus integrantes
podem alcançar diferentes postos e graduações ao longo da carreira, seja pelo
critério de antiguidade, seja pelo merecimento, este último indispensável aos
postos mais elevados de comando e gestão institucional.
A singularidade das Polícias Militares requer um sistema de ensino específico,
o que encontra suporte na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei federal nº
9.394, de 20 de dezembro de 1996), a qual estabelece que o ensino militar é
regulado em lei específica, admitida a equivalência de estudos, de acordo com as
normas fixadas pelos sistemas de ensino (artigo 83, grifo nosso).
Essa lei específica, no caso do Estado de São Paulo, é a Lei Complementar nº
1.036, de 11 de janeiro de 2008, que instituiu o Sistema de Ensino da Polícia Militar
do Estado de São Paulo (SEPM). Vale mencionar, também, a Lei Complementar nº
1.291, de 22 de julho de 2016, que instituiu a respectiva Lei de Ingresso.
Levando-se em conta os cargos destinados à gestão e execução precípuas das
atividades de policiamento ostensivo, preservação da ordem pública, bombeiros e
defesa civil, vale relembrar que são duas as possibilidades de ingresso na Polícia
Militar, ambas por concurso: (i) como Soldado PM 2ª Classe no Curso Superior de
Técnico de Polícia Ostensiva e Preservação da Ordem Pública (Curso de Formação
de Soldados); (ii) como Aluno-Oficial no Bacharelado em Ciências Policiais de
Segurança e Ordem Pública (Curso de Formação de Oficiais).
Em ambas as situações, o ingresso se dá através da realização de várias fases
de concurso, envolvendo provas de conhecimento, testes de aptidão física, exames
clínicos e psicológicos, análise documental e, por último, avaliação de conduta
social, sendo que, se aprovados em todas as etapas e obtiverem classificação
dentre o número de vagas ofertadas, os candidatos frequentarão os respectivos
cursos de formação.
Na concepção do profissional policial-militar, há a preocupação em garantir
não só as condições técnico-pedagógicas e atualização constante de seus saberes
para o exercício da função ao longo da carreira, mas também o delineamento e
54 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
a estruturação da base inicial com os conhecimentos presentes, vivenciados e
fomentados em sociedade.
A despeito da especificidade educacional, há que se primar pela integração
com o sistema nacional de ensino, muito pela possibilidade de aproximação
com outros núcleos de conhecimento igualmente relevantes no cenário da
segurança pública em geral. Nesse contexto, um dos escopos institucionais é o
reconhecimento, no universo acadêmico civil, de seus órgãos de ensino e cursos
desenvolvidos internamente.
Para tanto, a PMESP preocupa-se em estruturar cursos que dialoguem e
atendam aos requisitos estabelecidos pelo Ministério da Educação e pela Secretaria
Estadual de Educação, viabilizando o reconhecimento:
• do Curso destinado à formação inicial da Praça PM, como Curso Superior
de Tecnologia de Segurança Pública, do eixo tecnológico de SEGURANÇA,
conforme Parecer do Conselho Estadual de Educação (CEE) nº 443, de 21 de
novembro de 2018;
• do Curso destinado à formação inicial do Oficial PM, como Curso de
Bacharelado no âmbito civil, conforme Parecer CEE nº 142, de 21 de março
de 2017;
• do Curso de Bacharelado em Educação Física, conforme Parecer CEE nº
125, publicado no Diário Oficial do Estado, de 18 de junho de 2021;
• do Curso de Pós-graduação Lato Sensu de Gestão de Segurança Pública,
destinado a militares e civis, realizado em 4 semestres letivos e autorizado
conforme Parecer CEE nº 492, publicado no Diário Oficial do Estado, de 19
de outubro de 2017.
Há também a preocupação em garantir ao policial militar seu progresso
na carreira por meio de cursos que o habilitem ao exercício de novas funções de
liderança e gestão estratégicas essenciais, ao desenvolvimento organizacional, tais
como:
• Curso Superior de Tecnólogo de Polícia Ostensiva e Preservação da Ordem
Pública II, sequencial de complementação de estudos, destinado a qualificar
profissionalmente o 2º Sargento PM ao exercício das funções de 1º Sargento
PM e Subtenente PM, promovendo a sua habilitação técnica, humana e
conceitual para o exercício consciente, responsável e criativo das funções
de liderança, gestão e assessoramento, nos limites de suas atribuições
hierárquicas;
• Mestrado Profissional em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública,
sequencial à formação acadêmica e profissional do Capitão PM, capacitando-o
à pesquisa científica, análise, planejamento e desenvolvimento, em alto nível,
da atividade profissional de polícia ostensiva e de preservação da ordem
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 55
GESTÃO DO CONHECIMENTO E INOVAÇÃO
pública, de bombeiros e de execução das atividades de defesa civil;
• Doutorado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, sequencial
à formação científica, acadêmica e profissional do Major PM ou Tenente-
coronel PM, capacitando-o para as funções de administração estratégica,
direção, comando e chefia no mais elevado nível institucional, incluindo o
assessoramento governamental.
Apresentado o panorama geral, passa-se a discorrer sobre a doutrina
educacional na PMESP:
• Matriz de Formação, Qualificação e Treinamento (MFQT):
A Gestão do Conhecimento e Inovação na PMESP envolve três dimensões
relevantes e complementares, responsáveis por assegurar a adequada base legal
ao preparo e ao desenvolvimento dos integrantes da Instituição. Uma vez reunidas,
essas dimensões compõem a Matriz de Formação, Qualificação e Treinamento
(MFQT), que se propõe a materializar o SEPM, transformando-o em processo
sistêmico e estratégico da Instituição.
Na dimensão de Formação, gênese do exercício da profissão policial-militar,
são conjugadas várias áreas do conhecimento, consolidadas em cursos de Ensino
Superior, a fim de conceber um profissional com solidez teórica e prática.
A dimensão de Qualificação é composta de ações que ampliam os
conhecimentos técnico-profissionais, seja para o crescimento profissional, seja
para a consecução de atividades específicas, como, por exemplo, o policiamento
ambiental ou de trânsito. Os cursos e estágios de especialização na PMESP
incentivam reflexões frente às diversidades de atuação no cotidiano, assegurando o
embasamento técnico-científico necessário ao desenvolvimento de competências
para novos postos e graduações, bem como para o exercício de atividades variadas,
sempre relacionadas com a ordem pública.
Já a dimensão de Treinamento é verificada em instruções desenvolvidas de
forma presencial e, também com cada vez mais notoriedade, mediante uso dos
recursos da Educação a Distância. Tem por finalidade preparar continuamente o
policial militar a agir de acordo com avanços procedimentais e tecnológicos, além
da mutabilidade social percebida, configurando-se como importante estratégia
para garantir o desenvolvimento completo do profissional em sua área de atuação.
• Educação Continuada:
O desafio da implementação de novos princípios educacionais que promovam
mudanças aplicáveis às necessidades iminentes concentra-se em atender aos
objetivos estratégicos da PMESP. Assim, o planejamento educacional deve
vislumbrar, de curto a longo prazo, a visão antecipada de desafios, transformando
56 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
conhecimentos fragmentados em conhecimentos organizacionais.
Diante desse contexto, as formações inicial e continuada assumem particular
importância, em decorrência do avanço científico, tecnológico e da exigência de
um nível de aprendizado mais amplo e profundo para fazer frente às necessidades
da sociedade moderna.
O modelo de Gestão de Conhecimento e Inovação busca investir em novas
práticas educacionais, com metodologias ativas que tornam o aprendizado
do policial militar mais significativo, alçando-o à condição de ator principal do
processo de ensino, viabilizando a compreensão e, especialmente, a aplicação do
conhecimento teórico em sua atuação.
A PMESP se preocupa em ofertar um ambiente estimulante de aprendizagem
que possibilite ao policial militar compartilhar experiências, interagir com pessoas
e contextos diferenciados, bem como reestruturar sua prática diante de novas
situações. Essas ações educacionais solidificam a educação continuada como base
para o aprimoramento de habilidades e competências necessárias à especialização
e crescimento na carreira.
• Princípios:
Cada dimensão da MFQT, por sua vez, também se perfaz por um conjunto
de preceitos norteadores de suas ações, agrupados, para fins didáticos, em quatro
grandes grupos:
a) Princípio Ético e Moral: internaliza no policial militar os valores atinentes
aos deveres e ética profissionais, além dos valores sociais e morais
indispensáveis para o desempenho das atividades com as comunidades
por meio da promoção e respeito aos direitos fundamentais do homem;
b) Princípio Técnico-pedagógico: oferta ao policial militar o conjunto de
conhecimentos necessários ao desempenho de sua prática, por meio
da equidade do saber, da interdisciplinaridade e da transversalidade dos
assuntos ministrados, por intermédio do desenvolvimento de destrezas,
conhecimentos e competências, independentemente do local onde os
profissionais atuam, visando favorecer uma aprendizagem próxima à
complexidade dos problemas do cotidiano da área de segurança pública;
c) Princípio Técnico-profissional: capacita para a observância aos requisitos da
investidura e estética policial-militares, assim como prepara o profissional
para o desempenho de suas funções junto à sociedade por meio de técnicas
e do uso adequado das ferramentas e equipamentos disponibilizados pela
Instituição, em especial os de menor potencial ofensivo, compreendendo
sua diversidade, suas características estruturais próprias, realidades e
interações sociais singulares, ao mesmo tempo em que se percebe como
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 57
GESTÃO DO CONHECIMENTO E INOVAÇÃO
parte integrante da construção social;
d) Princípio da Flexibilidade e Democratização do Ensino: permite ao policial
efetuar seus estudos no ritmo e no momento mais apropriados, ao
mesmo tempo em que fornece a possibilidade de promover a gestão de
sua carreira, de seus conhecimentos técnico-policiais e das competências
necessárias para o desempenho das funções. Este princípio visa oportunizar
não só o acesso a diferentes cursos, estágios e treinamentos, mas também
o desenvolvimento do exercício, reflexão e emprego de novas práticas,
tecnologias e tendências na resolução de situações simples e complexas
da atividade policial-militar.
• Eixos:
Nesse contexto, simultaneamente a cada dimensão e princípio, a PMESP
estabeleceu 6 eixos pelos quais a compreensão, o suporte doutrinário e a
sistematização dos objetos de conhecimentos são selecionados e harmonizados.
Constituídos por assuntos atuais, os eixos abarcam os seguintes temas:
a) proteção da vida, integridade física, liberdade e dignidade humana;
b) integração permanente com a comunidade;
c) estruturas e convicções democráticas, especialmente a crença na justiça,
na ordem e no cumprimento da lei e os princípios fundamentais da
instituição;
d) assimilação e prática dos direitos, dos valores morais e deveres éticos;
e) estimulação do pensamento reflexivo, articulado e crítico;
f) fomento à pesquisa científica, tecnológica e humanística.
Percebe-se, assim, que a PMESP possui cuidado especial com o fluxo
e socialização de saberes, conhecimentos e informações, a fim de garantir a
padronização da atividade policial-militar aos seus 83 mil homens e mulheres,
independentemente da função que exerçam.
Para concretizar essa doutrina, a Gestão do Conhecimento e Inovação,
atualmente, orienta sua atuação em duas diretivas, as quais possibilitam
disponibilizar, para a sociedade, um profissional de polícia com os conhecimentos
necessários ao atendimento das demandas sociais na área da segurança pública.
O destaque a essas duas frentes é justificado pelo momento institucional
de impulso tecnológico e da necessidade de potencializar os instrumentos de
treinamento de tropa pronta.
58 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
6.1 DIRETIVA DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Firmar metodologia em que discentes e docentes trabalhem em
ambientes distintos e suas ações possam ocorrer no mesmo lapso
temporal, de forma interativa, ou em tempos diversos, usando como
plataforma recursos audiovisuais, informatizados ou não.
A Gestão do Conhecimento e Inovação está intimamente ligada à Gestão
de Pessoas e tem o desafio primordial de garantir a educação continuada sem
diminuir a efetividade dos serviços prestados à sociedade. Este desafio pode ser
alcançado por intermédio da Educação a Distância, a qual possibilita ao policial
militar a obtenção dos conhecimentos técnico-profissionais essenciais sem o
afastamento de suas funções.
Nos dias atuais, a Educação a Distância atua como instrumento fundamental
de capacitação técnica dos policiais militares, deixando paulatinamente o papel
subsidiário em relação aos métodos presenciais de educação para firmar-se
como um método consolidado de divulgação de saberes, coerente com a política
institucional de minimizar afastamentos das atividades administrativas e, sobretudo,
das atividades operacionais.
As primeiras iniciativas advêm da década de 1990, com uma perspectiva
de educação continuada visando, à época, por meio de fitas de vídeo doméstico
(Video Home System), ofertar informações necessárias ao trabalho policial, além da
padronização de condutas a todos os policiais.
O Decreto estadual nº 54.911, de 14 de outubro de 2009, que regulamentou
a Lei do Sistema de Ensino da Polícia Militar, consolidou a utilização da Educação a
Distância na Instituição:
Artigo 96 - Ficam definidos os conceitos técnicos a seguir relacionados,
para os fins do Sistema de Ensino da Polícia Militar:
[...]
VIII - Ensino a Distância (EaD): processo de ensino aprendizagem
realizado em ambiente virtual, decorrente de Tecnologias da
Informação e das Comunicações (TIC), que possibilita um meio de
ampliar o acesso ao conhecimento e de expandir oportunidades de
intercâmbio e aprendizagem; (destaque nosso).
De ações antes isoladas, atualmente a Educação a Distância possui caráter
amplo e diversificado, partindo, até 2013, de 300 policiais militares atendidos/ano
para, em 2020, mais de 118.000 efetivas frequências à plataforma de ambiente
virtual.
Afora as previsões legais, a Educação a Distância, interna corporis,
também é tratada na Diretriz Geral de Ensino, como processo de transmissão de
conhecimentos, e, especificamente, nas Instruções para a Educação a Distância na
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 59
GESTÃO DO CONHECIMENTO E INOVAÇÃO
Polícia Militar (I-44-PM), onde os conceitos do método procuram se adequar às
práticas vivenciadas, utilizando-se de tecnologias educacionais modernas, somados
ao Ambiente Virtual de Ensino e Aprendizagem por intermédio de plataforma
digital própria da PMESP.
Por fim, imperioso salientar que a Educação a Distância institucional se
aproxima igualmente dos fundamentos da educação nacional, estimulando o
policial militar a ser peça-chave na construção do conhecimento de acordo com as
percepções de pluralismo pedagógico, interação e interatividade.
6.2 DIRETIVA DE TREINAMENTO CONTÍNUO
Congregar e transmitir as atividades de ensino e as formas de
treinamento policial-militar, ao mesmo tempo em que estabelece as
tarefas mínimas a serem cumpridas pelo policial militar no transcorrer
de cada ano, com o objetivo de mantê-lo atualizado para o desempenho
de cargos e funções.
A atualização perene do policial militar em torno dos saberes, práticas,
atitudes e valores é vital para a PMESP enquanto instituição permanente, o que
se alcança com a sistematização de treinamentos obrigatórios, periódicos e atuais.
Nesse sentido, de maneira estratégica, a Instituição conta com um Sistema
Integrado de Treinamento Policial-Militar, consubstanciado no Programa de
Atualização Profissional (ProAP), constituído por um conjunto de regras e princípios
voltados ao treinamento padronizado e constante, com vistas à atualização
contínua do policial militar no desempenho de cargo ou função.
Essa sistematização é registrada na Instrução do Sistema Integrado de
Treinamento Policial-Militar (I-22-PM), a qual prevê diversos instrumentos e
recursos, tais como:
a) Estágio de Atualização Profissional;
b) Treinamento Físico;
c) Treinamento de Tiro Defensivo na Preservação da Vida - Método Giraldi®;
d) Treinamento dos Procedimentos Operacionais Padrão;
e) Instrução Continuada de Comando;
f) Programa Videotreinamento;
g) Treinamento Durante o Serviço;
h) Preleção.
O ProAP é elaborado anualmente pelo Diretor de Educação e Cultura e
aprovado pelo Subcomandante PM, baseando-se nas propostas apresentadas
pelas Unidades da PMESP que desenvolvem alguma modalidade de ensino.
60 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
O conteúdo dos treinamentos é padronizado, sendo delegada às Unidades de
todo o Estado a responsabilidade para sua efetivação, abarcando o planejamento,
a execução e o controle, além da possibilidade de escolha de temas que possam
melhor atender às peculiaridades e atividades próprias de cada área de atuação.
É importante salientar que a sistemática de treinamento policial-militar, em
complemento ao processo de formação e aos cursos e estágios de qualificação,
tem papel crucial na qualidade dos serviços prestados pelo profissional, em
especial se se entender que é por intermédio dessas dinâmicas que se dará o
aperfeiçoamento de técnicas e táticas, o conhecimento de novas tecnologias, a
divulgação de arcabouço legal essencial para as atividades policiais, etc.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 61
Fonte: Stockvoult.
GESTÃO DE
7
COMUNICAÇÃO SOCIAL
GESTÃO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
A Gestão de Comunicação Social é realizada, em amplo sentido, por todo
policial militar na medida em que suas ações devem refletir os valores institucionais
e, desta forma, reforçar a boa imagem e reputação da PMESP.
É do policial militar a responsabilidade em oferecer ao cidadão o melhor
atendimento quando de situação emergencial pelo acionamento do telefone “190”
ou por outros mecanismos de contato, dada a capilaridade e referência ostensiva
fardada em todos os 645 municípios do Estado de São Paulo.
Para conferir suporte técnico a todo contingente policial-militar e disseminar
as ações de comunicação a serem desenvolvidas de forma específica, o Sistema
de Comunicação Social da PMESP (SISCOM PM) é responsável pela garantia da
doutrina na execução dos processos de comunicação, com destacada autonomia
do comandante regional para seleção e priorização das ações mais adequadas à
sua realidade local.
A atuação do SISCOM PM prima pela padronização das ações de comunicação
social em todas as Unidades da Polícia Militar com a disseminação dos parâmetros
técnicos emanados pelo Centro de Comunicação Social, órgão central do sistema.
A atividade de comunicação social está organizada nas áreas de Relações
Institucionais, Informações Públicas e Propaganda Institucional, abrangendo toda e
qualquer ação capaz de difundir os valores institucionais, promover a transparência
na transmissão do que é de acesso público e divulgar, de forma independente, para
amplo conhecimento, as atuações institucionais.
Para garantir que cada policial militar atue guiado pelos valores característicos
da Instituição, faz-se necessária a estreita interface entre a Gestão do Conhecimento
e Inovação, a Gestão de Comunicação Social e a Gestão Operacional mediante
o acompanhamento da atuação profissional que viabilize o reforço das condutas
positivas, valorização dos méritos destacados, bem como a oportuna correção das
ações inadequadas.
7.1 DIRETIVA DE ESTRUTURAÇÃO DO POLICIAL
MILITAR PROTETOR SOCIAL
Orientar todas as atividades e procedimentos de lapidação do
profissional de segurança pública garantindo a solidificação de sua
referência enquanto protetor da sociedade.
A Instituição prioriza seus esforços para a formação do policial militar
utilizando, além de referências acadêmicas, modernas técnicas de ensino e
metodologias de sucesso aplicadas por forças policiais do país e do mundo.
Contudo, muito além da capacitação operacional, é a garantia da assimilação
dos valores institucionais, a exemplo da hierarquia, disciplina, profissionalismo e
64 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
dignidade humana, que ganha relevância diante dos objetivos institucionais.
A conscientização do policial militar é obtida através de um competente
processo de lapidação. Para isso é necessário preocupar-se desde a receptividade
ao candidato aprovado em processo seletivo, com tratamento respeitoso e digno,
a fim de fortalecer suas convicções para a complexa missão de servir e proteger o
cidadão.
Durante toda a fase de preparo do novo profissional, são transmitidas técnicas
operacionais e conhecimentos acadêmicos de modo que ele compreenda seu
papel de protetor da sociedade, primando por relações harmônicas em busca da
manutenção ou resgate da cidadania. Assim é o perfil do profissional de segurança
pública da PMESP; na essência, um mediador e, nas ações, um pacificador.
Desse modo, é destacada a preocupação pela internalização da função social
pelo novo policial militar, para assumir a de protetor da sociedade. Ele é o agente
encarregado da aplicação da lei e o garantidor de seu cumprimento para o bem-
estar social.
Na sociedade, é inseparável o papel desempenhado pelo policial militar em
sua atividade de polícia da sua atuação como cidadão fora do serviço. As ações do
profissional personificam a própria Instituição, motivo que o torna referência no
seio social. Nesse contexto, é imprescindível a constante rememoração dos valores
e das premissas institucionais para a adoção de comportamentos compatíveis com
a nobre missão escolhida.
Em reforço periódico desses princípios, no mínimo anualmente quando
submetido ao aprimoramento profissional, em cursos ou estágios de especialização,
o policial militar é reafirmado quanto à sua função social e condicionado a atuar
norteado pelos valores primordiais estabelecidos.
Todavia, para garantir a eficácia do aprendizado profissional, são levados a
efeito processos rigorosos de acompanhamento e depuração das ações praticadas
pelos policiais militares, em serviço e durante a folga, buscando, no enaltecimento
e valorização, o exemplo do êxito e, no efeito punitivo, o desestímulo aos desvios
de comportamento.
A Gestão de Comunicação Social detém em seu principal agente, o policial
militar, o protagonismo e a responsabilidade pelo fortalecimento da imagem da
PMESP e do seu posicionamento na sociedade.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 65
GESTÃO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
7.2 DIRETIVA DA CIDADANIA E GOVERNANÇA
Desenvolver a crença interna no potencial de mobilização da sociedade
e estímulo à interação entre Polícia Militar e sociedade civil organizada
na identificação de soluções conjuntas.
Além da referência como prestadora de serviços de urgência e emergência
para a sociedade, a Polícia Militar busca nos contatos com as pessoas a difusão dos
valores que acredita serem importantes para as relações pacíficas e harmônicas
nas relações em geral, com notável destaque para o respeito às diferenças e à
tolerância.
Assim, a Instituição se antecipa aos acontecimentos danosos ou age para
a retomada do controle social, propondo que a sociedade se organize rumo a
melhores níveis de qualidade de vida. A Constituição Federal é enfática na atribuição
do dever da segurança pública ao Estado, porém atribui a todos a responsabilidade.
Nesse sentido, o protagonismo institucional é materializado já na identificação
de lideranças sociais locais e autoridades constituídas propensas à ação em sintonia,
imbuídas da corresponsabilização em busca do bem comum.
Objetivando grande adesão da comunidade local, o comandante de polícia
investiga em sua área de responsabilidade territorial as regiões onde se faz
necessária a influência institucional para organização da sociedade, orientando os
policiais militares para que a incentivem e, se possível, promovam-na.
Diante do engajamento da sociedade nas medidas de prevenção primária para
a melhoria das condições das localidades, o policial militar age como coordenador
das atividades, na mediação de conflitos, oferecendo alternativas técnicas para os
problemas que eventualmente surjam.
A Gestão de Comunicação Social atua na orientação institucional pelo
estímulo ao fortalecimento do elo Polícia Militar e sociedade, cuja confiança
desenvolvida implica a execução de programas e atividades de responsabilidade
social, buscando o comprometimento de todos nesse processo.
Consagrada iniciativa na seara da prevenção primária é o PROERD, o qual prima
pelo envolvimento da comunidade escolar nas questões relacionadas à educação,
sociabilidade, segurança e harmonia entre as pessoas, dentro e fora do perímetro
escolar. Neste programa, o policial militar é o responsável pela transmissão dos
importantes conceitos em busca do despertar e do preparo dos jovens.
Outra iniciativa institucional que tem obtido resultados surpreendentes na
participação das pessoas é o Programa Vizinhança Solidária, por meio do qual a
comunidade local se incumbe de atuar proativamente em tarefas de prevenção,
zeladoria urbana, lazer e entretenimento social, contribuindo para a melhoria da
66 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
qualidade de vida, tudo sob coordenação e orientação da Polícia Militar.
Os Núcleos de Mediação Comunitária, igualmente, potencializam a
interface polícia e comunidade na medida em que atuam nos conflitos surgidos
hodiernamente no seio social. Aqui, o policial militar, capacitado e formalmente
habilitado, aplica técnicas para auxiliar as pessoas litigantes na autocomposição
pacífica e consensual de conflitos de interesse.
À rede colaborativa SISCOM PM são disponibilizados materiais gráficos,
digitais e audiovisuais capazes de reforçar importantes conceitos das iniciativas
de prevenção primária, objetivando atingir os públicos nos mais diversos canais.
Dessa forma, as mídias sociais são canais relevantes para difusão do propósito
da prevenção primária e recebem investimentos direcionados da Gestão de
Comunicação Social.
7.3 DIRETIVA DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS E
FORTALECIMENTO DA MARCA DA PMESP
Investir na qualidade das relações entre a Instituição e os diversos
públicos com os quais interage, proporcionando a disseminação dos
valores institucionais, fortalecimento da imagem e marca da PMESP.
A PMESP é instituição de referência e, no contexto social, exerce o
protagonismo na coordenação das ações no cenário da segurança, pois é dela
a missão de polícia ostensiva e preservação da ordem pública e, nesse ponto,
possui a investidura da sociedade. Esse relacionamento institucional prima pela
acessibilidade aos diversos públicos que buscam pela Instituição conferindo, de
maneira igualitária, atendimento digno e respeitoso.
A Gestão de Comunicação Social vislumbra o grande potencial de aproximação
entre Polícia Militar e sociedade, difundindo medidas estratégicas junto ao SISCOM
PM para estímulo ao primeiro passo nesta convergência de propósitos, oferecendo
condições para que cada comandante de polícia aja proativamente na mobilização
da sociedade organizada. Ao comandante é incumbido o planejamento operacional
e a liderança dos policiais militares nas relações interpessoais da região onde atua.
Ao mesmo gestor são sugeridas importantes medidas com viés de
aproximação social, como a abertura dos quartéis para a visitação organizada, com
objetivos bem delineados, aproveitando ao máximo o contato com o público a que
se destina.
Nas localidades onde existam bandas regimentais, são estimuladas
apresentações em locais de grande circulação de pessoas a fim de neutralizar
eventuais resistências e fomentar a quebra de paradigmas, permitindo a
aproximação comunitária de modo mais lúdico e descontraído.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 67
GESTÃO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Para que o profissional de segurança pública se sinta pertencente à
organização e atue de acordo com seus princípios, ele deve ser valorizado de
maneira prioritária. No campo institucional, a valorização do policial militar é
objetivo estratégico de todas as áreas da atividade administrativa e operacional,
a fim de proporcionar condições ao exercício das missões por intermédio de um
clima organizacional realizador.
As relações entre as lideranças e os policiais militares devem ser de respeito
e transparência, proporcionando o ciclo virtuoso e a influência favorável desse
ambiente nas relações entre o profissional e o cidadão na “ponta da linha”.
Todas as medidas desenvolvidas com o foco no policial militar, no seu bem-
estar e equilíbrio, satisfação e orgulho de integrar a Instituição são objetos da
Gestão de Comunicação Social, a fim de realizar a difusão das melhorias para
conhecimento irrestrito do contingente e alcançar os objetivos de valorização dos
profissionais.
O Comando da Instituição estabelece como canal oficial de comunicação
interna a Intranet PM, fonte prioritária de informações com instrumentos voltados
exclusivamente aos policiais militares para promover sua atualização profissional,
oferecer orientações oportunas e esclarecimentos rápidos, conferir divulgação das
notícias de interesse do Comando, sempre de maneira objetiva e eficaz.
A fim de que o profissional se sinta parte do todo, sua participação é
estimulada para a melhoria dos processos e alcance dos objetivos macros. É-lhe
facultado o uso do Sistema de Sugestões da Polícia Militar On-line no envio de
apontamentos de revisão dos padrões de trabalho para as áreas responsáveis,
sugestões para melhor aproveitamento dos recursos humanos e materiais, etc.
Dar voz ao policial militar faz parte do entendimento de que a Instituição, em
si, é a materialização do somatório das ações de cada um de seus integrantes, a
quem compete o exercício das missões e a frutífera colaboração para melhoria dos
serviços oferecidos ao cidadão.
O sentimento de pertencimento institucional é o compromisso de cada
policial militar com os resultados atingidos e com o incansável trabalho diário, de
modo a contar com o respeito e engajamento da sociedade em prol da segurança
de todos.
A fim de manter a união e o culto à experiência de quem já vivenciou a Polícia
Militar, o profissional veterano é foco de medidas direcionadas de valorização,
mantendo seu vínculo com a Instituição e potencializando a difusão das mensagens
institucionais de interesse da comunidade local onde vive.
A atuação ostensiva da Instituição se caracteriza pela apresentação dos
68 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
policiais militares uniformizados, identificação dos veículos policiais e referências
prediais distintas, como mecanismos de reforço na referência de proteção à
sociedade. Toda a padronização visual planejada é mantida pelo intenso rigor no
uso dos símbolos institucionais, prioritariamente da logomarca da PMESP, sob
responsabilidade técnica do Centro de Comunicação Social.
A logomarca está registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial,
para garantia da manutenção de suas características gráficas e proteção legal.
Periodicamente, é publicado o Manual de Identidade Visual, contemplando as
principais peças de comunicação gráficas e digitais, as quais são disponibilizadas ao
público interno para uso maciço no fortalecimento da marca da PMESP.
Qualquer uso da logomarca da PMESP em materiais de comunicação,
decorrentes de parcerias ou não, com vinculação direta ou indireta à Instituição,
é objeto de análise técnica realizada por assessoria especializada objetivando
garantia dos princípios e o fortalecimento do posicionamento institucional.
O uso das mídias sociais como importante canal para divulgação da
PMESP robustece a missão da rede no fomento e promoção positiva de fatos e
ocorrências que sejam capazes de enaltecer as boas práticas e ações institucionais.
Nesse sentido, a Polícia Militar possui páginas oficiais nas seguintes mídias sociais:
Facebook, Instagram, Blog, Twitter e Youtube. Paralelamente, é incentivada a
criação de páginas virtuais pelos Batalhões ou equivalentes, o que confere ampla
difusão dos acontecimentos que envolvem a Instituição.
7.4 DIRETIVA DE INFORMAÇÕES PÚBLICAS
Gerir canais de acesso às informações institucionais cuja natureza seja
pública, com foco na transparência dos processos, na celeridade e na
credibilidade.
É constante o interesse dos profissionais de mídia em pautas relacionadas à
PMESP e, para oferecer o melhor atendimento aos pedidos de informações, foram
implementados processos de assessoria de imprensa com uso de ferramentas
tecnológicas capazes de viabilizar rapidez, segurança nas informações transmitidas
e fortalecimento da credibilidade institucional.
O site oficial contempla uma seção específica para os profissionais de
imprensa, o que assegura o respeito e a isonomia aos direitos de imprensa e de
informação em equilíbrio com os direitos de honra e imagem das pessoas.
A atuação institucional é ininterrupta e, assim, é mantido plantão de 24
horas na Sala de Atendimento à Imprensa, com a missão de acompanhamento
das notícias de relevância institucional, assessoria aos jornalistas e promoção de
orientações técnicas aos policiais militares. Todas as solicitações recebidas são
rastreáveis, controladas mediante protocolo, com acompanhamento de status e
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 69
GESTÃO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
prazo para atendimento.
Em virtude da capilaridade da Instituição e do interesse jornalístico em ações
desenvolvidas em todo o Estado, foi estruturado o serviço de porta-voz, exercido
por policial militar especialmente capacitado para responder aos pedidos e garantir
a uniformidade dos pronunciamentos da Instituição.
Para divulgação dos fatos comunicáveis da Polícia Militar, a Agência de Notícias
do Centro de Comunicação Social (responsável pelas mídias sociais) realiza a coleta
de informações relativas às ocorrências bem sucedidas, ações de responsabilidade
social e outros eventos que possam ser difundidos como sugestão de pauta à mídia
em geral, sendo veiculadas nas mídias sociais, propiciando a difusão desses fatos
em tempo real.
As crises de imagem são inerentes à própria natureza operacional e quase
sempre não podem ser eliminadas, mas tendem a ser minimizadas desde que
providências adequadas sejam tomadas, antes, durante e após a ocorrência
geradora.
Em que pese todo o zelo da gestão, as crises de imagem acontecem e
colocam à prova o prestígio, a reputação e a sobrevivência de órgãos e instituições.
O diferencial está no grau de preparo das organizações para absorvê-las com a
menor margem de impacto possível.
Na PMESP, foi estruturado o Comitê de Administração de Crise de Imagem
(CACI) e estabelecidos os procedimentos de gestão de crises para ocorrências ou
fatos que resultem ou possibilitem resultados danosos à imagem institucional. O
CACI é composto, de maneira situacional e momentânea, por policiais militares
das áreas de comunicação social, inteligência e operacional, com poder de decisão
para execução de Plano de Administração de Comunicação de Crise de Imagem
adequado a cada caso.
Todas as vezes em que o CACI é mobilizado de maneira regional pelo respectivo
comandante, o Centro de Comunicação Social exerce monitoramento dos trabalhos
desenvolvidos, oferecendo assessoria especializada para o pronunciamento
institucional sobre a crise da forma mais adequada a cada circunstância.
É premissa institucional a transparência e é fundamental, portanto, oferecer
as informações pertinentes ao conhecimento público. Dessa forma, em paralelo à
estrutura dedicada aos profissionais de mídia, qualquer cidadão poderá recorrer
aos canais de comunicação estabelecidos a fim de conhecer a atuação da Polícia
Militar. No site institucional estão disponíveis o “Fale Conosco” e o Sistema de
Informações ao Cidadão, ferramentas que canalizam sugestões, dúvidas, elogios e
reclamações.
70 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 71
Fonte: Wigital.
GESTÃO
8
ORGANIZACIONAL
GESTÃO ORGANIZACIONAL
O cenário empresarial vem afetando a forma de provisão dos serviços públicos
no Brasil e no mundo. Novas formas de se entender as relações pessoais foram
construídas, remodelando a interação entre negócios, prestadores de serviço e
pessoas às quais esse esforço se destina.
Acompanhando esse processo evolutivo, a PMESP aperfeiçoou sua maneira
de conceber segurança pública a partir de processos que passaram a explorar
variáveis interdependentes capazes de afetar positivamente a qualidade do serviço
prestado à sociedade.
De forma a acompanhar as mudanças sociais, culturais e econômicas
que influenciam profundamente o exercício das atribuições constitucionais
afetas à polícia ostensiva e preservação da ordem pública, a PMESP, calcada
no aprimoramento do processo decisório, vem adotando novas formas de
planejamento e gestão, novas tecnologias e sistemas inteligentes para modernizar
seus serviços.
Contudo, são preservados os valores basilares afetos à disciplina, pela rigorosa
observância às leis, regulamentos, normas e ordens, e à hierarquia, que consiste
na ordenação progressiva da autoridade, em graus diferentes, da qual decorre a
obediência dentro da estrutura institucional.
A compreensão desses dois valores é essencial para se conceber a estrutura
organizacional e como as interações ocorrem nesse contexto.
Considera-se, ainda, que a Administração Pública representa os interesses
do Estado e, fundamentalmente, de seu povo, não podendo olvidar do respeito
aos princípios que regem a sua atuação e que estão sedimentados no artigo 37
da Constituição Federal de 1988, quais sejam a legalidade, a impessoalidade, a
moralidade, a publicidade e a eficiência.
Então, a racionalidade no emprego de recursos de qualquer natureza, tanto
internos quanto externos, passa necessariamente por decisões estratégicas que
devem ser alocadas adequadamente nos respectivos níveis hierárquicos e funcionais
da Instituição, sendo que os desafios contemporâneos relacionados à informação
e comunicação são fundamentais na concepção da arquitetura organizacional.
A aplicação de estratégias na gestão organizacional está conceitualmente
vinculada ao estabelecimento de metas e objetivos básicos de longo prazo
(CHANDLER JR, 2003). Assim, as decisões estratégicas devem se preocupar com
o ajuste viável entre objetivos e metas, maximizando a aplicação de habilidades e
recursos (inclusive financeiros) de forma a influenciar o ambiente interno e externo
à Organização (KOTLER, 2002).
Nesses termos, a Gestão Organizacional da PMESP será, na sequência,
74 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
esmiuçada em duas diretivas que se enquadram nos conceitos modernos de
gestão, a saber: estrutura organizacional multidivisional e governança corporativa.
8.1 DIRETIVA DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL MULTIDIVISIONAL
Estabelecer estrutura organizacional descentralizada para a tomada
de decisões de acordo com as necessidades locais, influenciando a
distribuição de efetivo policial-militar.
Tradicionalmente, a hierarquização das organizações militares confere
ao processo decisório características de centralização, favorecendo a clara
identificação dos escalões de comando responsáveis pelas ordens disseminadas
aos níveis subordinados.
Entretanto, tais características não podem provocar inflexibilidades capazes
de prejudicar a eficiência operacional e administrativa na medida em que limitam
ou atrasam o fluxo de comunicações, podendo gerar assimetria de informações
entre os diversos órgãos de direção, apoio, execução e assessoria, pois todos
devem atuar de maneira sistêmica.
Assim, as modernas práticas gerenciais estão contribuindo com o surgimento
de uma estrutura organizacional multidivisional (BRICKLEY et al, 2016), baseada
na descentralização de determinados níveis de decisão em áreas geográficas,
compreendidas pelos Grandes Comandos: Capital, Região Metropolitana de São
Paulo e Regiões Administrativas do Interior. Paralelamente, incumbe ao Comando-
Geral da Polícia Militar as principais decisões estratégicas, desde o design desta
arquitetura organizacional até a adequada alocação de recursos humanos e meios
materiais, a partir da aplicação de criteriosos estudos desenvolvidos no âmbito do
Estado-Maior e Diretorias.
A estrutura multidivisional empregada pela Polícia Militar estimula o
aproveitamento de conhecimentos específicos relevantes construídos pelos
Grandes Comandos, conforme as peculiaridades sociais, culturais e econômicas das
respectivas regiões. Isso garante maior aproximação funcional aos níveis gerenciais
que coordenam a execução das atividades finalísticas da Instituição, favorecendo
a mensuração de desempenho individual e setorial, a gestão de riscos, a aplicação
de medidas controle operacional e os incentivos.
Desse modo, as decisões estratégicas centralizadas pelo Comando-Geral são
representadas pelo Plano de Comando da Polícia Militar, elaborado a cada quatro
anos, por meio do qual são estabelecidos os parâmetros gerais para emprego
combinado dos Órgãos de Direção, Apoio e Execução.
O planejamento estratégico-operacional elaborado pelos Grandes Comandos
é materializado nos Planos Diretores, destinados a orientar a coordenação dos
recursos alocados em suas respectivas circunscrições, definindo objetivos e metas
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 75
GESTÃO ORGANIZACIONAL
setoriais de longo prazo que privilegiam as estratégias globais e, ao mesmo tempo,
atendem às necessidades peculiares regionais.
A distribuição do efetivo policial-militar territorial nas regiões administrativas
do Estado de São Paulo segue parâmetros definidos nas Matrizes Organizacionais
(MO) e nas Instruções para a Distribuição e o Complemento do Efetivo Policial-
Militar Territorial (I-28-PM), estas últimas com foco nos seguintes critérios técnicos
de distribuição:
a) divisão administrativa por município;
b) distribuição demográfica;
c) índice de criminalidade;
d) situações peculiares do município.
São, ainda, consideradas determinadas características locais, que servirão
como fator moderador aos parâmetros aplicados na distribuição do efetivo, como
as populações residente e pendular (mediante censo do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística), a existência de presídios, os locais de grande incidência de
manifestações de rua e outros tipos de migração sazonal.
Do mesmo modo, o Corpo de Bombeiros, com base em MO específica e
nas Instruções para a Distribuição do Efetivo Territorial do Corpo de Bombeiros
(I-39-PM), considera os seguintes fatores para a distribuição de seu contingente
por região:
a) população residente;
b) demanda emergencial;
c) cobertura de riscos potenciais;
d) demanda de prevenção e proteção contra incêndios;
e) programas de bombeiros de resposta operacional estabelecidos em cada
setor de bombeiros definido.
Logo, cada Unidade de Serviço disponível, de policiamento territorial ou de
bombeiros, não é somente mais um veículo oficial a serviço da população, mas
a representação física de toda uma estrutura pessoal e logística, distribuída de
forma criteriosa, atuando com sinergia de esforços.
O organograma a seguir representa a estrutura multidivisional em que
os direitos e as responsabilidades decisórias são alocadas, de acordo com os
respectivos níveis de comando:
76 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
Figura 8.1: Organograma multidivisional da Polícia Militar
Fonte: PMESP.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 77
GESTÃO ORGANIZACIONAL
Para entender a concepção estrutural adotada pela Polícia Militar, é
imprescindível buscar correspondência com o cenário organizacional moderno, de
acordo com os níveis hierárquicos existentes nas grandes empresas. Nesse passo,
consoante apregoa Chiavenato (2007), as organizações podem ser analisadas
conforme três diferentes partes ou níveis hierárquicos, intercambiáveis entre si, a
saber:
Nível institucional - também conhecido como nível estratégico, compreende
o mais elevado grau hierárquico da empresa, isto é, a alta administração, integrada
pelos presidentes, superintendentes e diretores responsáveis pelos assuntos globais
da organização. Na alta administração são definidos os objetivos organizacionais e
as estratégias para atingi-los adequadamente.
Conforme Lima (2013), na Polícia Militar, o nível estratégico é reproduzido
pelo órgão de Direção-Geral, formado pelo Comando-Geral, que é composto
pelo Comandante-Geral (Cmt G), Subcomandante PM (Subcmt PM), Estado-Maior
(EM) - com seu Chefe, Subchefe e respectivas Seções -, Gabinete do Comandante-
Geral (Gab Cmt G), Coordenadoria Operacional da Polícia Militar (Coord Op
PM), Coordenadoria de Assuntos Jurídicos (CAJ), Centro de Comunicação Social
(CComSoc), Centro de Inteligência da Polícia Militar (CIPM), Corregedoria da Polícia
Militar (Correg PM) e Estado-Maior Especial (EM/E).
Nível intermediário - é o segundo nível e funciona como mediador ou
gerencial nas questões da organização. Também é comumente denominado nível
tático e está inserido entre os níveis estratégico e operacional. O nível intermediário
ou tático é formado pelos gerentes intermediários, responsáveis pela articulação
interna entre os níveis posicionados no topo e na base da organização. Segundo
Chiavenato (2007), o nível intermediário cuida “[...] das decisões nos níveis
departamentais relacionados com o dimensionamento e alocação dos recursos
necessários às atividades da empresa [...]”.
Mais uma vez Lima (2013) estabelece conexões com a estrutura da Polícia
Militar. O nível intermediário ou tático é composto pelos órgãos de Direção Setorial,
traduzidos pelas Diretorias da Polícia Militar [Diretoria de Logística (DL), Diretoria
de Educação e Cultura (DEC), Diretoria de Finanças (DF), Diretoria de Pessoal (DP),
Diretoria de Saúde (DS), Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação
(DTIC) e Diretoria de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos (DPCDH)] e pelos
Grandes Comandos [Comandos de Policiamento da Capital (CPC), Metropolitano
(CPM), do Interior 1 a 10 (CPI-1 a 10), de Choque (CPChq), Rodoviário (CPRv),
Ambiental (CPAmb), de Trânsito (CPTran), de Aviação (CAvPM) e o Comando de
Corpo de Bombeiros (CCB)].
As Assessorias Policial-Militares a órgãos públicos, subordinadas diretamente
ao Gab Cmt G, também se inserem no nível intermediário ou tático. É fato, no
entanto, que, devido ao relevante papel de concatenação de interesses político-
78 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
estratégicos, sobretudo nas questões afetas à organização, contexto jurídico-legal,
orçamento e ações institucionais, as assessorias transitam com igual força no nível
institucional ou estratégico da PMESP.
Infere-se a presença de mais um nível organizacional com características
táticas antes de se chegar ao nível operacional, considerando a existência, na
Capital e Região Metropolitana, de doze Comandos de Policiamento de Área
Metropolitana (CPA/M), bem como, no Corpo de Bombeiros, do Comando de
Bombeiros Metropolitano (CBM) e dos Comandos de Bombeiros do Interior (CBI),
estes competentes pela sistemática organizacional executiva, planejamento,
coordenação, controle e apoio das atividades técnicas, de logística, operacionais
e administrativas de bombeiros, respectivamente, na Grande São Paulo e Interior.
Nível operacional - também conhecido como nível técnico, é o responsável
pela prestação última das tarefas ou serviços. Está localizado na base do
organograma empresarial e centra-se na execução rotineira e eficiente das tarefas
e atividades da empresa. Chiavenato (2007) argumenta ser este “[...] o nível no qual
as tarefas são executadas e as operações, realizadas: envolve o trabalho básico
relacionado diretamente com a produção dos produtos ou serviços da empresa
[...]”. O nível operacional dedica-se a tarefas e operações não somente finalísticas,
mas também nos campos produtivos, financeiros, mercadológicos, informacionais,
etc., além de setores de especialização e racionalização técnica.
Lima (2013) faz paralelo com o nível operacional da Polícia Militar, abrangendo
todas as organizações policial-militares de Execução, desde as pequenas estruturas,
denominadas Grupamentos, até as maiores, os Batalhões, todos subordinados aos
Grandes Comandos ou Comandos.
Para Grodzicki (2004), os órgãos de Apoio vinculados às Diretorias igualmente
devem ser incorporados ao nível operacional, visto que são “responsáveis pela
execução operacional dos planos táticos desenvolvidos por aquelas em conjunto
com os batalhões ou em apoio a eles”. Nesse quesito, embora não classificados
como órgãos de apoio subordinados ao nível tático, também estão inseridos os
Centros de Operações (COPOM), na interface direta com as Unidades de Serviço
operacionais, e o Departamento de Suporte Administrativo do Comando-Geral
(DSA/CG).
Por fim, cabe mencionar, nos últimos tempos, importante tendência
institucional em busca da racionalização de tarefas, o que tem resultado,
principalmente, no enxugamento de estruturas administrativas em prol da atividade
operacional. Isso pôde ser verificado em recentes fusões de Unidades territoriais
limítrofes, de nível operacional, sobretudo nas circunstâncias em que a adequação
otimizou o desenvolvimento da atividade-fim, sem prejuízos à continuidade
dos serviços administrativos, tudo em reforço ao princípio da descentralização
necessário à estrutura multidivisional.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 79
GESTÃO ORGANIZACIONAL
8.2 DIRETIVA DA GOVERNANÇA CORPORATIVA
Estabelecer a cultura da governança corporativa com princípios e
responsabilidades estabelecidos em bases profissionais éticas e valores
bem solidificados.
A gestão da segurança pública, assim como em qualquer organização pública
ou privada, exige medidas de mensuração de desempenho, decorrentes de
objetivos e metas pré-estabelecidas, cujo controle deve permitir a identificação de
possíveis não conformidades e prever a adoção de medidas corretivas a partir de
matrizes de risco.
Para Mockler (apud VEDOVELLI, 2005, p. 49), esse esforço sistêmico visa
"garantir que todos os recursos estejam sendo usados de maneira mais eficaz e
eficiente possível, para a consecução dos objetivos da empresa".
O controle exercido sobre as decisões estratégicas levanta,
consequentemente, questões sobre governança corporativa, que consiste
nos princípios e mecanismos de liderança, responsabilidade, integração e
transparência, bem como de integridade e compromisso como atributos pessoais,
todos os quais com influência sobre o processo decisório institucional (MARQUES,
2007).
Conforme explicam Brickley, Smith e Zimmerman (2016), mecanismos de
governança corporativa devem se dedicar ao alcance dos seguintes objetivos:
a) orientar decisões estratégicas para a geração de valor;
b) proteger ativos contra o uso inadequado ou a disposição não autorizada;
c) produzir demonstrações de resultados adequados aos requisitos legais.
O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) estabelece que
as boas práticas de governança corporativa convertem princípios básicos em
recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e
otimizar a criação de valor de longo prazo na organização (IBGC, 2015).
Assim, o principal objetivo da governança corporativa é estimular um
ambiente no qual as pessoas conduzam voluntariamente suas atitudes, segundo
princípios éticos e valores pautados pela cultura organizacional, para cumprir as
regras e tomar decisões no melhor interesse da Polícia Militar.
Considerando que a tônica organizacional da PMESP é a descentralização
de decisões, sobretudo as de cunho operacional regionalizadas, é imprescindível
a prática da governança corporativa, de modo que os princípios e valores éticos
reverberem nas ações de polícia em todos os rincões do Estado de São Paulo.
80 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
A descentralização não deve ser compreendida como um sistema de
decisões isolado ou desamparado, pois existe uma rede ampla de comunicações e
de transmissão das diretrizes e ordens à disposição de todos os usuários do sistema
e que serve para padronizar os serviços prestados. A governança corporativa, com
esse foco, deve traduzir a responsabilidade dos policiais militares no processo
decisório de acordo com as premissas estabelecidas pelos escalões superiores e
com a flexibilidade necessária para encontrar as melhores soluções visando ao
adequado atendimento da sociedade.
Para ilustrar, o atendimento de uma ocorrência policial-militar por Unidade de
Serviço é permeado pela lógica da governança corporativa, de modo que as decisões
voluntárias dos profissionais prestadores de serviços à sociedade, adequadas ao
contexto local, devem representar um ideal maior traçado pela Instituição, e até de
outras organizações afins, seja pela observância aos Procedimentos Operacionais
Padrão, seja pela aplicação da doutrina de Polícia Comunitária ou de Aproximação.
Contudo, considerando que as práticas de governança corporativa são
pautadas por decisões estratégicas da organização, elas exigem o compromisso
institucional com as partes interessadas, por meio de mecanismos de transparência
na prestação de contas dos resultados das suas atividades.
Dessa forma, o público a quem interessa as informações prestadas pela Polícia
Militar pode monitorar como está sendo desenvolvida a gestão organizacional e
analisá-la em relação ao alcance dos objetivos estratégicos, táticos e operacionais,
assim como os resultados em termos de redução da violência e da criminalidade.
A partir dessas práticas, torna-se possível alcançar a legitimidade institucional
junto aos órgãos, entidades e indivíduos que representam a sociedade civil. Assim,
a governança corporativa exerce poder e autoridade sobre a administração pública,
tornando-se o que Chiavenato (2014) denomina “componente supraorganizacional”,
contribuindo com ideias balizadoras para a definição das estratégias e processos
organizacionais, bem como dos mecanismos de geração de valor aos serviços
prestados pela Polícia Militar, fruto da ampla interação envolvendo todos os atores
que afetam ou são afetados pelas políticas de segurança pública.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 81
Fonte: Shutterstock.
GESTÃO DE FINANÇAS
9
GESTÃO DE FINANÇAS
A Gestão de Finanças é essencial para que a Instituição possa cumprir sua
missão, pois é suporte básico para o desenvolvimento das outras variáveis de
gestão, a exemplo da Gestão de Logística e da Gestão de TIC, o que repercute na
prestação de serviços de excelência à sociedade e na valorização do policial militar
por intermédio da otimização de infraestrutura a ele disponibilizada de instalações,
meios e insumos.
Duas são as principais diretivas para a Gestão de Finanças: uma refere-se
ao perfeito planejamento das despesas alinhadas às estratégias institucionais e a
outra está relacionada à execução orçamentária, pautada na estrita observância
aos princípios administrativos.
Também tem se constituído como forte tônica Institucional o estabelecimento
de estudos e projetos estratégicos com vistas à captação de emendas parlamentares,
as quais representam importante fonte de recursos para incrementar serviços
essenciais prestados pela Polícia Militar, em especial no que se refere ao aporte de
viaturas, armamentos e equipamentos tecnológicos.
9.1 DIRETIVA DE PLANEJAMENTO DAS DESPESAS
Buscar incessantemente a redução das despesas correntes em favor dos
investimentos voltados à atividade operacional.
Para atingir essa diretiva, utiliza-se um padrão de captação das demandas
financeiras com as necessidades de recursos orçamentários das Unidades Gestoras
Executoras (UGE) indicadas ao Órgão Setorial de Finanças e Patrimônio, por meio
de sistema eletrônico denominado Controle Orçamentário e Financeiro (COFIN),
que permite projetar as despesas para adequada distribuição do orçamento ao
longo do exercício anual, maximizando o atendimento com o oferecimento do
suporte às OPM operacionais e administrativas.
Complementam essas necessidades os estudos de Estado-Maior
estabelecidos nas cartas de projetos insertos na Gestão de Logística e TIC, a saber:
Plano Diretor de Obras e Serviços, aquisição de viaturas, uniformes, equipamentos
de proteção individual, materiais bélicos, telemática e médico-odontológicos. Esses
estudos propiciam parâmetros técnicos mais precisos para a projeção de execução
orçamentária do exercício, como apoio imprescindível às demais áreas de gestão.
O acompanhamento constante das demandas institucionais que oneram
anualmente as despesas correntes, para fins de previsão orçamentária setorial
coerente com as necessidades das OPM, tem por escopo propiciar condições
adequadas e favoráveis à execução, notadamente, do Plano de Policiamento
Inteligente (PPI) descrito na Gestão Operacional.
As ações de acompanhamento orçamentário também têm por foco a
84 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
redução de despesas correntes em favor de investimentos, e nesse sentido o
COFIN, mantido pela Diretoria de Finanças, registra e monitora todas as despesas,
em especial as de utilidade pública, de manutenção de viaturas e de combustíveis,
que representam os itens com maior impacto no orçamento, pelo que são objeto
de monitoramento, objetivando garantir níveis de economia adequados.
Todo o conjunto de necessidades, alinhadas ao planejamento estratégico
da Instituição, compõe a Proposta Orçamentária Setorial da Polícia Militar
que integrará, após a análise do conjunto, a Proposta Orçamentária Setorial da
Secretaria da Segurança Pública. No processo de elaboração orçamentária, há
a consolidação da Lei Orçamentária Anual que, após aprovada pela Assembleia
Legislativa, será executada no ano fiscal para o qual se destina, após a edição do
Decreto de execução orçamentária pelo Governo do Estado.
A aplicação dos recursos tem perfeita sintonia e interação com o efetivo
territorial, o especializado e com as diversas funções descritas na Matriz
Organizacional. Nesse sentido, decorre a fixação de viaturas, materiais e instalações
definidas na Gestão de Logística, que se relacionam com a Matriz Operacional, a
qual parametriza o planejamento para a distribuição equânime de recursos das
diversas fontes que compõem o orçamento anual.
9.2 DIRETIVA DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA
Observar os princípios administrativos na gestão financeira e planejar
focado nas ações e atividades operacionais, territoriais e especializadas,
para a consecução dos objetivos governamentais e institucionais da
polícia ostensiva e de preservação da ordem pública.
A Polícia Militar observa rigorosamente os preceitos legais, relacionados ao
processo de licitação, para a aquisição de bens e serviços. Esses preceitos estão
traduzidos na observância ao procedimento administrativo formal em que a
Administração Pública convoca, mediante condições estabelecidas em ato próprio,
empresas interessadas na apresentação de propostas para atender às necessidades
da Administração.
A licitação visa garantir a observância ao princípio constitucional da isonomia
e selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração, de maneira a
assegurar oportunidade igual a todos os interessados. Visa, também, possibilitar o
comparecimento, ao certame, do maior número possível de concorrentes.
Assim, todos os procedimentos para aquisição de bens e serviços observam
a Lei Federal nº 8.666/93, de 21 de junho de 1993, com alterações posteriores,
que, ao regulamentar o artigo 37, inciso XXI, da Constituição Federal, estabeleceu
normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras,
serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios. Em conjunto
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 85
GESTÃO DE FINANÇAS
a Lei n° 8.666/93, a Lei Estadual nº 6.544, de 22 de novembro de 1989, e a Lei
nº 10.520 (Lei do Pregão), de 17 de julho de 2002, constituem a legislação básica
sobre licitações para a Administração Pública.
Na execução orçamentária é adotado o padrão descrito no Plano de Aplicação
de Recursos Orçamentários (PARO), elaborado no início de cada exercício e que se
constitui na aprovação das prioridades da Instituição, possibilitando a adoção das
medidas setoriais pelos Órgãos incumbidos de concretizar os projetos das diversas
áreas de gestão.
A implementação da execução orçamentária, além de atender ao
Planejamento Estratégico, que projeta as demandas do Comando da Instituição,
observa controle rigoroso das atividades de finanças e distribuição dos recursos
orçamentários às UGE, para atender de forma equânime todos os municípios.
O controle da execução se dá por meio de constante monitoramento
das despesas pelo Órgão Setorial de Finanças, com extração de dados junto ao
Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (SIGEO) e Sistema
de Administração Financeira para Estados e Municípios (SIAFEM), dentre outras
fontes.
Como ferramenta de apoio, a PMESP instituiu o Escritório de Gerenciamento
de Projetos, cuja finalidade é oferecer metodologia para a gestão dos projetos
institucionais, com ênfase no acompanhamento do escopo, do tempo e dos custos
envolvidos, constituindo-se em base de dados para a captação, decisão e registro
de execução das demandas prioritárias da Instituição.
86 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 87
Fonte: Adobestock.
GESTÃO DE LOGÍSTICA
10
GESTÃO DE LOGÍSTICA
A Gestão de Logística sempre teve papel crucial nas organizações ao longo da
história. Dentre os processos originados a partir da Revolução Industrial clássica,
aqueles relativos ao aparelhamento logístico e ligados às cadeias de produção e
de suprimento tiveram especial desenvolvimento, imprimindo melhorias que, no
decorrer do tempo, solidificaram-se em conceitos e práticas que contribuíram
para o crescimento da indústria e do comércio.
Atualmente, é o momento da chamada indústria 4.01, como é concebida a
Quarta Revolução Industrial, na linguagem universal, tendo o e-commerce2 como o
ápice das relações de consumo modernas.
A PMESP compreende a importância dessa área, adaptando suas ações de
planejamento e controle com a inevitável e bem-vinda evolução tecnológica que,
pouco a pouco, remodela as relações humanas e a própria sociedade. Porém,
a essência permanece a mesma, assim sendo, a expressão prever e prover se
mantém como o lema principal da Gestão de Logística.
Diante disso, os anseios de uma sociedade moderna e conectada exigem,
de forma indireta, que a PMESP atenda às necessidades do policial militar para
execução da sua atividade constitucional, isto é, o policiamento ostensivo, a
preservação da ordem pública, as atividades de bombeiros e de defesa civil,
entregando, de forma precisa, as mais diversas ferramentas policiais para proteção
da comunidade, buscando, sempre, a melhoria qualitativa dos meios materiais.
Nesse esteio, os processos para aquisição de bens de consumo e bens duráveis
na PMESP obedecem a um planejamento cuja finalidade é manter em condições de
pronto emprego as ferramentas policiais - armamento e munição, equipamentos
de proteção balística e de proteção individual, viaturas e motocicletas, aeronaves
e embarcações, cães e cavalos, uniforme, instalações físicas, tecnologias portáteis
e embarcadas, entre outras.
A transversalidade tornou-se característica inerente a todas as áreas de
Gestão da Polícia Militar. Portanto, os impactos do suprimento realizados pela
atividade-meio comprometem-se com a prestação do serviço realizado pelas
Unidades de Serviço na atividade-fim.
1 Conceito originado na Alemanha em 2012, apresenta um conjunto de princípios que estruturam as chamadas
“fábricas inteligentes” que utilizam, de forma integrada e interligada, a computação em nuvens (cloud
computing), a internet das coisas (IoT) e os sistemas ciberfísicos, como ferramentas principais na cadeia de
produção, incluindo o controle sobre os estoques e o processo de venda eletrônica (e-commerce) e entregas.
2 Transaçãocomercial realizada exclusivamente por meio eletrônico, conhecido também por: comércio virtual,
comércio eletrônico, comércio não presencial, etc.
90 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
10.1 DIRETIVA DO PLANEJAMENTO LOGÍSTICO
Consolidar todas as necessidades materiais da Instituição, de acordo
com cada área de interesse, orientando a elaboração do Planejamento
Orçamentário.
As atividades desencadeadas na Gestão de Logística da PMESP são precedidas
de planejamento, elaborado a partir de critérios técnicos e bases sólidas obtidas
ao longo do tempo a partir da experiência institucional.
Assim, o Planejamento Logístico consolida todas as necessidades materiais
da Instituição, de acordo com cada área de interesse. Nesta medida, conhecida
toda a necessidade institucional, a PMESP aplica regras próprias que auxiliam
a quantificação e a priorização das iniciativas de logística que, usualmente,
superam o orçamento disponível dentro de um exercício financeiro, permitindo
ao nível estratégico a identificação das oportunidades de captação de recursos
extraorçamentários com potencial para suportar a execução daqueles projetos
não alcançados pelo aporte realizado em determinado período.
Para a realização plena de todas as atividades, um importante marco que
diferenciou a PMESP de muitas organizações foi a decisão pela elaboração dos
critérios de fixação de ativos. Tais critérios correlacionam a necessidade de emprego
à quantidade necessária de determinado item. Isso aperfeiçoou o método de
planejamento - logístico e financeiro - e, também, o controle gerencial dos ativos,
pois decorrem da fixação as taxas mínimas de renovação de cada bem adquirido.
As taxas de renovação são balizadas, basicamente, pelas prescrições do
fabricante ou as ditadas pela legislação brasileira, naquilo que se refere à taxa de
depreciação do insumo ou material adquirido. Ainda assim, quando nem uma nem
outra define a depreciação do equipamento, a experiência proveniente de seu
emprego habilita a Polícia Militar a eleger a razão mais adequada para mensurar o
desgaste do bem.
A elaboração do Planejamento Logístico determina a oportunidade de a
PMESP realizar a análise de cenários externos e a interlocução com outros órgãos,
visando à captação de recursos complementares e suplementares, provenientes:
a) do Tesouro do Estado a partir de emendas ao orçamento ou remanejamento
de recursos de outra Unidade Orçamentária;
b) das parcerias celebradas com a União, com os municípios ou com outros
órgãos da Administração Direta;
c) dos Fundos Especiais de Despesa, regidos por leis próprias;
d) das indicações parlamentares.
Dessa forma, o Planejamento Logístico é a base para a elaboração do
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 91
GESTÃO DE LOGÍSTICA
Planejamento Orçamentário, em especial no que se refere aos investimentos e
inversões patrimoniais.
10.2 DIRETIVA DE INTEGRAÇÃO COM AS DEMAIS
ÁREAS DE GESTÃO DA PMESP
Buscar sinergia que irá influir positivamente no policial militar em serviço
e na prestação de serviços de excelência à sociedade paulista.
Como ciência, a Gestão de Logística tem estreita afinidade com as Gestões de
Finanças, Pessoas, TIC e Operacional, pois, cada qual com sua devida importância,
sopesa a dimensão da outra, levando os processos da PMESP a um grau de
maturidade que garante qualidade na prestação de serviços ao cidadão.
A título de exemplo, os equipamentos de tecnologia embarcada e portátil
correlacionam-se com as especificações técnicas de equipamentos de proteção
individual e de viaturas policiais, fomentando a sinergia entre a Gestão de Logística
e a Gestão de TIC, permitindo a entrega de tecnologias modernas para serem
operacionalizadas no policiamento ostensivo.
Outro caso que chama a atenção no sentido de inovação logística e
operacional, com especial desdobramento na área financeira, refere-se à mudança
do grafismo das viaturas. A substituição do então grafismo padrão (mapas
estilizados pintados) pelo grafismo simplificado (adesivo sobre pintura branca)
denota economia aos cofres públicos, não só no tocante ao preço médio de
aquisição de veículos, mas também em eventuais reparos de funilaria e pintura,
inclusive com menor tempo de baixa das viaturas. Além do mais, é importante
ressaltar o dinamismo da logística reversa com esse novo padrão, representando
maior facilidade de revenda de veículos inservíveis em hastas públicas, sobretudo
porque não há mais necessidade de descaracterizar a pintura das viaturas antes de
submetê-las a leilão.
Cumpre também destacar a interação natural que há entre a Gestão de
Logística com a Gestão da Saúde e a Gestão da Comunicação Social, levada a efeito
pelo uniforme da Polícia Militar, sendo este um híbrido que veicula à população a
identidade visual da Instituição. Ao mesmo tempo, o uniforme entrega ao policial
militar a funcionalidade promovida pelos estudos de ergonomia, aplicando o maior
conforto possível para realização de suas atividades, tudo de forma padronizada.
Estes exemplos do inter-relacionamento aplicado na Gestão da PMESP
voltam-se para o policial militar em serviço - uniformizado, protegido, armado,
comunicável a ponto de receber os chamados para atendimento ao cidadão, com
toda capacitação e autoridade que lhe são peculiares. Paira sobre essa imagem
o resultado de todo o esforço da Instituição na administração de seus meios
materiais.
92 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
10.3 DIRETIVA DE IMPLANTAÇÃO DAS INOVAÇÕES
DO MERCADO FORNECEDOR
Focar na responsabilidade social e no compromisso com o serviço essencial
prestado à sociedade faz com que a PMESP estude, detalhadamente,
cada inovação e sua pertinência como nova ferramenta policial.
O apelo da sociedade moderna por projetos sustentáveis, diante de tamanha
exploração dos recursos naturais, implicou a exigência - ainda crescente - de a
indústria se adaptar a esta realidade, promovendo produtos e bens mais objetivos
e com mínimo impacto ao meio ambiente.
O desenvolvimento tecnológico pujante, em parte, deu-se em razão das
exigências com papel relevante na transformação da indústria, de tal sorte que
o Poder Público é compelido a se adaptar no mesmo sentido, pois as imposições
sociais que nele recaem se referem, praticamente, à entrega mais eficiente dos
serviços públicos pautados por aplicação orçamentária diligente.
Um registro da realidade que se apresenta diante de todos nós é a redução
do consumo de combustíveis fósseis, por meio da introdução de veículos híbridos,
propulsionados por motores de combustão/elétricos. Neste aspecto, a Polícia
Militar vislumbra que os próximos anos serão determinantes para o surgimento de
novas circunstâncias de interesse policial em face da introdução das tecnologias
inovadoras.
As ações de preparo para esse futuro próximo já foram iniciadas. A capacitação
de policiais militares que servem no Corpo de Bombeiros, a fim de colocá-los a
par dos procedimentos de socorro às vítimas de acidente de trânsito envolvendo
veículos elétricos, é um exemplo disso. Outro passo importante nessa direção é o
incremento da atividade do processo de Policiamento com Bicicletas, que deve ser
potencializada com a utilização de bicicletas elétricas, reduzindo a fadiga do policial
militar e aumentando sua capacidade de agir.
A frota de viaturas da PMESP já conta com viaturas híbridas, demandando
novos procedimentos de operação para as Unidades de Serviço e, inevitavelmente,
ajustes nos seus critérios de fixação, aquisição e distribuição. Portanto, a Gestão de
Logística da PMESP se amolda a essa nova configuração, agregando cada vez mais
valor nesta importante e essencial ferramenta policial.
A política de proteção balística, levada a efeito com maior intensidade a
partir do fim da década de 1990, sedimentou a cultura de que a vida do policial
é o bem mais importante da Instituição. Tal aprendizado impulsionou a PMESP
na ampliação da proteção balística do nível individual para o coletivo, prevendo a
aquisição de viaturas adaptadas com este tipo de proteção.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 93
GESTÃO DE LOGÍSTICA
A indústria entrega rotineiramente novidades que provocam a curiosidade das
pessoas e o desejo em consumir novos produtos. No entanto, a responsabilidade
social e o compromisso com o serviço essencial prestado à sociedade fazem com
que a PMESP estude, detalhadamente, cada inovação e sua pertinência como nova
ferramenta policial. Assim, torna-se imperiosa a observação dos cenários licitatórios
nacionais e internacionais, prospectando informações sobre intercorrências que
possam obstar a entrega final da ferramenta policial às Unidades de Serviço em
todo o Estado.
Tais estudos, atrelados à Gestão de Logística, tornam-se um processo
imprescindível, uma vez que induzem na Polícia Militar a aptidão para fomentar
na indústria e no mercado fornecedor a entrega de bens mais adequados às
necessidades operacionais e administrativas e, em especial, a preços mais justos.
Ante os efeitos da globalização e respeitando sempre os ditames legais, a
Instituição tem buscado alternativas para ferramentas policiais mais confiáveis
e avançadas, na indústria e no mercado fornecedor estrangeiro, garantindo que
o que deve ser feito pelo policial militar, será feito com precisão e eficiência,
tendo como objetivo finalístico levar maior percepção de segurança à sociedade.
94 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 95
GESTÃO DE TECNOLOGIA DA
11
INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
GESTÃO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
A arquitetura dos serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação
(TIC) da Polícia Militar tem como premissas o alinhamento contínuo das metas
e indicadores de produtividade do Plano Plurianual do Governo do Estado aos
objetivos estratégicos das áreas de negócios previstos no Plano de Comando, bem
como a conformidade com as ações táticas definidas no Plano Diretor de Tecnologia
da Informação e Comunicação.
Com alicerce nas sobreditas premissas, a DTIC estabelece seu planejamento
e o direcionamento tecnológico por meio de projetos de TIC de médio e longo
prazos, mirando esforços e investimentos em especial na Gestão Operacional, área
de negócios responsável pelos serviços ofertados pela Polícia Militar aos cidadãos
do Estado de São Paulo.
Em que pese o foco da Gestão de Tecnologia da Informação e Comunicação
residir no desenvolvimento e entrega de soluções e ferramentas para prover com
recursos tecnológicos o policiamento ostensivo, a preservação da ordem pública,
os serviços de bombeiros e defesa civil, destaque-se que a área de tecnologia é
também a base e o suporte técnico para todas as outras áreas de gestão da Polícia
Militar. Sem dúvida, em todos os caminhos institucionais delimitados já há alguns
anos, mostra-se imperiosa a apresentação de soluções tecnológicas que ajustem
os processos e rotinas das atividades-meio e atividade-fim de acordo com um
contexto célere, qualitativo e padronizado. O objetivo é atender com excelência os
usuários dos serviços policial-militares.
Para tanto, nas decisões tomadas e ações implementadas frente aos
desafios da segurança pública, a gestão de TIC está presente por intermédio dos
seus profissionais (oficiais, praças e colaboradores), pelos processos definidos
e implantados e pela tecnologia representada pela infraestrutura, sistemas,
aplicações e conjunto de ativos que integram o seu parque tecnológico, os quais
são adquiridos e distribuídos a todas as OPM observando critérios técnicos
estabelecidos no Quadro de Fixação de Tecnologia da Informação e Comunicação.
Quando o policial militar em atendimento de uma ocorrência utiliza o
Transceptor Portátil (HT) ou o Transceptor Móvel para se comunicar com outro
patrulheiro, ou com o COPOM, ou, ainda, quando este mesmo policial militar utiliza
o seu Terminal Portátil de Dados (TPD) para elaborar um Boletim de Ocorrência
Eletrônico (BOe) em atendimento ao cidadão, tem-se, a presença do ciclo
completo de emprego e atuação da Gestão de TIC, materializada invariavelmente
pela presença dos elementos essenciais de qualquer que seja o Sistema de Gestão:
pessoas, processos e tecnologia.
Em breve descrição, pode-se dizer que os terminais (HT e TPD) são
apenas as vitrines aparentes para o policial militar e para o cidadão durante o
atendimento. No plano de fundo, de modo invisível, há na parte lógica as redes de
telecomunicações e de dados em pleno funcionamento para a condução dos sinais
98 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
que permitem a comunicação e possibilitam o trabalho coordenado e sistêmico
da Gestão Operacional, e, sobretudo, a segurança e salvaguarda da sociedade e do
policial militar. Há também toda uma infraestrutura de sistemas interligados pela
parte física de sites de telecomunicações, microondas e antenas para viabilizar a
interoperabilidade e a transmissão de dados. E, para que se possa desencadear
todas as rotinas de TIC com disponibilidade, integridade, confidencialidade
e segurança, a Polícia Militar dispõe de um ambiente robusto de servidores e
storages (repositório de dados) instalados em seu Data Center para processar e
armazenar milhares de dados e informações produzidos diuturnamente.
O trabalho intelectual de bastidores dos profissionais de TIC, em regra
ininterrupto, intenso, silencioso e intangível, é também responsável, com o uso de
tecnologias de business intelligence (inteligência de negócios), pela transformação
de dados em conhecimentos úteis para o emprego orientado do efetivo policial,
viaturas e equipamentos a partir de critérios técnicos estabelecidos mediante
Análise Criminal dos sistemas inteligentes desenvolvidos com a expertise da área
de TIC da Instituição, tudo para dar suporte à tomada de decisões sob o ponto de
vista estratégico e tático e notadamente a definição e o desenvolvimento de ações
e operações consubstanciadas no Cartão de Prioridade de Patrulhamento (CPP) do
Plano de Policialmente Inteligente (PPI).
Nesse momento histórico, denominado de Era da Transformação Digital, em
que o mundo produz bilhões de dados em segundos e as máquinas paulatinamente
substituem ações repetitivas do homem pelas tecnologias de Inteligência Artificial,
a gestão de TIC da Polícia Militar ocupa um papel essencial na missão de preservar
e integrar o seu legado tecnológico construído em décadas de trabalho por homens
de visão futurista e, como desafio maior, automatizar processos e rotinas na busca
por soluções de TIC que possam oferecer e entregar ao cidadão serviços cada vez
mais eficientes e com atendimento de excelência.
11.1 DIRETIVA DE PLANEJAMENTO, PROCESSOS E PROJETOS
Realizar trabalho harmônico e sistematizado que atenda à Instituição
como um todo, objetivando entregar serviços ao cidadão com valores
agregados à melhoria da sua qualidade de vida.
Todas as decisões e atividades desenvolvidas pela Gestão de TIC da Polícia
Militar são precedidas de planejamento, desenho de processos e abertura de
projetos. Os produtos e serviços obtidos ao final dos projetos (hardware, software
e soluções) são fruto da observação das melhores práticas sedimentadas no
mundo dos negócios público e privado, como instrumentos norteadores da gestão
de qualidade.
A política estabelecida no Plano Diretor de empregar a biblioteca das melhores
práticas em TIC tem o condão de dar direcionamento tecnológico pragmático e
realístico para as necessidades de cada uma das áreas de negócios, de maneira que
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 99
GESTÃO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
esse trabalho harmônico e sistematizado atenda à Instituição com visão holística e
integradora, e que os projetos de TIC, ao final, entreguem ao cidadão serviços com
valores agregados à melhoria da sua qualidade de vida.
O uso de boas práticas em TIC, a exemplo da Biblioteca Information
Technology Infrastructure Library, do Guia Project Management Body of Knowledge
e o Control Objectives for Information and Related Technology, norteia a Gestão de
TIC com experiências positivas e lições aprendidas em todo o mundo, que podem
ser adaptadas para qualquer organização, além de definir os principais e mais
importantes macroprocessos de controle para a gestão dos serviços de TIC.
O Plano Diretor de TIC é a base de todo o planejamento e direcionamento
tecnológico dos projetos de TIC da Polícia Militar. Documento obrigatório que
exige revisões e atualizações anualmente, cujo escopo reside na definição da visão,
missão, valores e dos objetivos táticos para a área de TIC, tudo absolutamente
alinhado e aderente ao Plano Estratégico de Comando da Instituição, destacando
o modelo de governança a ser seguido, traçando diretrizes, metas e ações para o
futuro, definindo os critérios de seleção e a priorização dos projetos de integração
internos e também com outros órgãos públicos e privados, além de detalhar as
principais iniciativas de inovação a médio e longo prazos.
Outra vertente de suma importância, ligada intimamente ao sucesso dos
projetos e da inovação tecnológica, é o perfeito alinhamento da Gestão de TIC
à Gestão de Finanças da Instituição. A destinação de recursos orçamentários e
financeiros é condição indispensável para a manutenção, integração, evolução e
inovação da tecnologia.
A parceria e a sintonia dessas duas áreas de gestão fundamentais devem
acontecer durante todo o exercício financeiro e são essenciais para atingir os
objetivos estratégicos institucionais, pois só assim é possível proceder às aquisições
e contratações previstas no Planejamento Orçamentário Setorial e no Plano de
Aplicação de Recursos Orçamentários, os quais visam, como resultado, ao perfeito
funcionamento da Gestão da TIC e à entrega de serviços eficientes e com qualidade
aos cidadãos.
11.2 DIRETIVA DE INTEGRAÇÃO E INOVAÇÃO DA TECNOLOGIA
DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
Reafirmar a interdependência da Informação e Comunicação, bem como
a essencialidade da inovação para dar base a qualquer ramo da ciência
ou dos negócios.
Até 7 de novembro de 2018, a atual DTIC recebia a denominação de Diretoria
de Telemática. A recente adequação feita ao nome do Órgão de Direção Setorial
está vinculada à evolução das tecnologias ao longo do tempo e especialmente
à importância das atividades realizadas pela Gestão de TIC na conjuntura
100 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
socioeconômica do País, notadamente o Estado de São Paulo, que exige mudanças
constantes dos órgãos de segurança pública para enfrentar proativamente a
violência e a criminalidade. Registre-se que a primeira nomenclatura da DTIC,
em 1987, era Diretoria de Sistemas, tempos em que era comum os sistemas
informatizados funcionarem isoladamente, com predomínio das redes locais.
De início, é importante dar ao leitor, ainda que de modo simples, uma noção do
significado do termo Tecnologia da Informação e Comunicação. A TIC, basicamente,
constitui-se em um conjunto de recursos tecnológicos obrigatoriamente
interligados entre si, os quais têm uma ou mais finalidades específicas.
Em regra, de um lado têm-se hardware e software que representam o núcleo
da Informação, fruto do trabalho integrado das partes física e lógica, e do outro
lado está o polo da Comunicação, que estabelece as relações entre pessoas,
organizações e máquinas.
Exemplos de produtos de TIC afetos ao cotidiano da Polícia Militar:
a) Atendimento de Emergência 190 dos COPOM;
b) Boletim de Ocorrência Eletrônico;
c) Sistema de Radiocomunicação Digital;
d) Sistema RADAR;
e) Sistemas Informatizados SIOPM, SIRH, SIPL;
f) Sistemas Inteligentes COPOM ON-LINE e FOTOCRIM;
g) Correio Eletrônico Lotus Notes;
h) Câmera Operacional Portátil (Body Cam);
i) Sistema Olho de Águia;
j) Sistema de Videomonitoração;
k) Aplicativos “PM com Você”, “Emergência PM” e “SOS Mulher”;
l) Videoconferência;
m) Redes Sociais, Chats e Fóruns.
As palavras integração e inovação representam a melhor forma de se
entender a TIC. A integração pelo fato de que o funcionamento de uma depende
necessariamente da outra, ou seja, Informação sem Comunicação e vice-versa não
atingem uma ou mais finalidades específicas, especialmente nos tempos em que
as relações pessoais e organizacionais dependem sobremaneira da troca de dados
por meio da Internet. Já a palavra inovação é essencial para a sustentabilidade de
qualquer que seja o ramo da ciência ou dos negócios.
O sentido da palavra integração para a TIC abrange não só a inter-relação
entre os sistemas de propriedade da Polícia Militar, mas também a conexão e a
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 101
GESTÃO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
interação com ferramentas tecnológicas de outros órgãos, a exemplo do Sistema
DETECTA da Secretaria da Segurança Pública, os bancos de dados pertencentes
à Polícia Civil cadastrados na PRODESP e o INFOSEG do Ministério da Justiça e
Segurança Pública.
Quanto ao quesito inovação da Gestão de TIC é importante salientar que
a Polícia Militar ocupa atualmente local de destaque entre os órgãos públicos e
privados do país em virtude da sua expertise e know-how no desenvolvimento
e implantação de soluções tecnológicas, sempre observando a premissa “inovar,
preservando o legado”. Apresenta-se, na sequência, um retrato das principais
inovações tecnológicas implementadas pela Polícia Militar que visam dar eficiência
e qualidade no atendimento aos cidadãos.
A Polícia Militar tem estrategicamente implantados no Estado de São Paulo
11 COPOM, destinados, especialmente, ao atendimento de emergência “190” e
ao despacho das viaturas policiais e Unidades de Serviço para servir e proteger
o cidadão nos 645 municípios. O COPOM SP é referência na América Latina por
conta de sua infraestrutura tecnológica, capacidade de atendimento ao cidadão e
integração com outros órgãos.
O Data Center da Polícia Militar está entre os principais centros de
processamento de dados da América Latina, conta com tecnologias avançadas
e capacidade para prover todos os serviços de TIC do Estado de São Paulo
considerados de missão crítica, tais como Radiocomunicação Digital, Atendimento
de Emergência “190” e Sistema de Informações Operacionais da Polícia Militar
(SIOPM).
A portabilidade de ativos de TIC é a tendência no mundo, razão pela qual a
DTIC padronizou a disponibilização de HT e TPD para uso do efetivo policial durante
o serviço. Entregar ao policial militar um smartphone com acesso a informações
gerenciais tem por finalidade torná-lo cada vez mais técnico e eficiente em suas
ações, na medida em que suas decisões podem ser tomadas, in loco e em real time,
com base nos protocolos e normas institucionais e POP, além da viabilidade técnica
de poder analisar, pelas tecnologias, casos concretos e submetê-los ao Ciclo de
Melhoria Contínua da Gestão Operacional.
O BOe e os Aplicativos “PM com Você”, “Emergência PM” e “SOS Mulher”
são exemplos de softwares e soluções desenvolvidos pelo capital intelectual
dos policiais militares e colaboradores que exercem suas missões na Fábrica de
Software da DTIC. Essas tecnologias traduzem-se na melhor forma de integração
e inovação da Gestão de TIC e que, sobretudo, entregam serviços diretamente
ao cidadão. Há por trás da elaboração do BOe e do uso dos sobreditos aplicativos
uma série de sistemas integrados, infraestruturas e ativos tecnológicos, além da
inovação na forma de atendimento à sociedade.
102 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
A Polícia Militar caminha a passos largos também na evolução das
tecnologias associadas às Cidades Inteligentes e Internet da Coisas, por intermédio
da implantação e do aperfeiçoamento dos seus sistemas de imageamento e
Videomonitoração Policial. As câmeras urbanas e rodoviárias (Optical Character
Recognition -OCR) compõem, respectivamente, os sistemas Olho de Lince e RADAR.
As câmeras embarcadas em aeronaves, por sua vez, dão suporte ao sistema Olho
de Águia.
No mesmo sistema de vigilância eletrônica, estão inseridas as Câmeras
Operacionais Portáteis (COP), que compõem o sistema Olho Vivo. As COP
consolidam fundamental avanço tecnológico na história da PMESP, com vistas a
dar respaldo, transparência e legitimidade ao bom trabalho policial, de acordo
com objetivos muito bem definidos, quais sejam, robustecer provas judiciais,
minimizar o uso da força, reduzir denúncias e reclamações contra policiais militares,
reafirmar a cultura profissional, otimizar instruções e treinamentos por meio de
estudos de caso e permitir o célere assessoramento de escalões de supervisão e
comando em circunstâncias críticas. As evidências digitais captadas pelos policiais
militares são armazenadas em nuvens artificiais de alta confiabilidade e podem
ser compartilhadas com outros órgãos, a exemplo do Poder Judiciário, Ministério
Público, Polícia Civil, Polícia Técnico-Científica e Defensoria Pública.
Ainda agregado aos sistemas de imageamento, merece destaque o Projeto
DRONEPOL. As aeronaves remotamente pilotadas na atualidade são importantes
ferramentas tecnológicas de apoio ao planejamento e à execução das atividades
operacionais e de inteligência da Polícia Militar. A gravação e a transmissão em tempo
real de uma AISP auxilia o Comandante no processo decisório, no planejamento e
execução dos planos de ação, somando esforços para a elaboração do PPI e no
Gerenciamento de Operações em manifestações públicas e na monitoração de
infratores da lei e organizações criminosas.
Outra iniciativa também relacionada aos sistemas de imageamento, Cidades
Inteligentes e IoT, e porque não dizer Inteligência Artificial, é o estudo de viabilidade
técnica e econômica da Gestão de TIC que visa identificar se as tecnologias de
biometria facial existentes no mercado atendem as necessidades operacionais da
PMESP.
Por fim, cabe destaque ao sistema de Telemetria, que consiste em solução
tecnológica implementada na frota da PMESP com a finalidade de gravar,
mensurar e transmitir remotamente dados das viaturas para um sistema de gestão
e monitoramento. Permite, entre outras funcionalidades, identificar, em tempo
real, o georreferenciamento dos veículos no terreno, controlar o consumo de
combustível, planejar a reposição de peças, gerar alarmes em áreas temáticas,
delimitar localidades de patrulhamento com base no CPP, monitorar a velocidade
dos deslocamentos e frenagens, além de integrar-se com outros sistemas da Polícia
Militar, a exemplo do COPOM ON-LINE.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 103
GESTÃO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
11.3 DIRETIVA DE DESENVOLVIMENTO E IMPLANTAÇÃO DE SOLUÇÕES
DE TIC COM FOCO NO ATENDIMENTO AO CIDADÃO
Avaliar e valorar o ganho e os benefícios agregados à vida do cidadão
por conta do trabalho feito pela TIC.
Diga-se, de antemão, que o papel essencial da TIC no mundo é melhorar a vida
e o bem-estar das pessoas. Na medicina, engenharia, em organizações privadas ou
públicas, o propósito das ciências de TIC é sempre promover o desenvolvimento
social e econômico, agregando valor aos negócios de cada player do mercado,
estabelecendo interdependência entre eles.
Esse trabalho sincronizado de evolução da TIC tem a finalidade de colocar o
mundo digitalmente nas mãos do cidadão, entregando-lhe dados e informações
que possibilitem a realização das tarefas cotidianas em qualquer hora e lugar. Tudo
isso para viabilizar conforto, celeridade, segurança, saúde, economia e outros
fatores que possam melhorar a qualidade de vida em sociedade com constante
evolução e velocidade de transformação.
Nas Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, o papel da TIC não pode
ser diferente. Na última milha do trabalho feito pela Gestão de TIC, exatamente
quando o policial militar chega ao local de atendimento da ocorrência, é que
deve ser mensurado o resultado de todo o esforço e investimento feitos e se os
objetivos estratégicos estabelecidos para a Gestão Operacional foram impactados
positivamente pelos serviços de TIC. Essa é a “hora da verdade” em que o Gestor
Público deve obrigatoriamente avaliar e valorar o ganho e os benefícios agregados
à vida do cidadão por conta do trabalho feito pela TIC.
Vide adiante, como exemplo, as rotinas, recursos e ativos envolvidos e
empregados pela Gestão de TIC no momento em que o cidadão aciona a Polícia
Militar pelo telefone e a viatura desloca-se para atender a ocorrência despachada
pelo COPOM:
Parte Lógica (Software):
a) Sistema de Telefonia de Atendimento “190”;
b) Sistema de Radiocomunicação Digital;
c) Rede de Dados Intragov;
d) Rede Intranet;
e) Sistema de Informações Operacionais da Polícia Militar (SIOPM);
f) COPOM ON-LINE;
g) Solução Terminal Móvel de Dados (TMD);
h) Solução Terminal Portátil de Dados (TPD);
i) Sistema de Integrado de Recursos Humanos (SIRH);
104 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
j) Sistema de Gerenciamento e Custódia de Evidências Digitais (SiGCED).
Parte Física (Hardware):
a) Central Telefônica e PABX;
b) Transceptores Móveis;
c) Transceptores Portáteis;
d) TMD;
e) TPD;
f) COP;
g) Computador;
h) Aparelho de Telefonia Móvel;
i) Servidor e Storage.
Da mesma forma, para as outras áreas de gestão da Polícia Militar, a
Gestão de TIC é atividade-meio e atua como suporte e engrenagem de ligação e
relacionamento, promovendo a coordenação lógica de todos os sistemas das áreas
de negócios que compõem a arquitetura corporativa de TIC.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 105
Fonte: Istock.
GESTÃO DE INTELIGÊNCIA DE
12
SEGURANÇA E ORDEM PÚBLICA
GESTÃO DE INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA E ORDEM PÚBLICA
A Inteligência, enquanto atividade, tem como finalidade precípua assessorar
o processo decisório dentro da Instituição, processo este que atinge todos os
escalões de Comando, alcançando os níveis Estratégico, Tático e Operacional,
objetivando a antecipação e a prevenção de eventos que possam impactar a
Segurança e a Ordem Pública.
Apesar de todas as gestões anteriores serem igualmente relevantes na
construção holística da PMESP, é indiscutível que a Gestão de Inteligência de
Segurança e Ordem Pública possui notoriedade enquanto elemento subsidiário
da atividade operacional, dando-lhe suporte para as ações de planejamento e
execução. Se bem estudados, os dados e informações provenientes dos setores
de Inteligência resultarão em estratégias bem definidas que contribuirão para
a neutralização de fenômenos com potencial de risco para a quebra da Ordem
Pública, bem como na organização de recursos e meios em operações e ações
policiais. É a inteligência à disposição da PMESP e, por conseguinte, a favor da
sociedade e do cidadão.
A Atividade de Inteligência na visão da PMESP é um conjunto constante de
ações ordenadas, especializadas e técnicas cujo objetivo precípuo é a obtenção, a
produção, a transmissão e a salvaguarda de conhecimento útil e oportuno para o
assessoramento de um tomador de decisão nos diferentes níveis da organização.
Balizada pela doutrina clássica de Inteligência, na Polícia Militar, essa atividade
se divide, fundamentalmente, em dois grandes ramos:
• Inteligência: tem como objetivo a obtenção, análise e disseminação de
conhecimentos úteis e oportunos sobre fatos e situações de imediata ou
potencial influência sobre o processo decisório, a salvaguarda e a segurança
da sociedade e do Estado;
• Contrainteligência: objetiva prevenir, detectar, obstruir e neutralizar a
Inteligência adversa e as ações que constituam ameaça à salvaguarda de
dados, conhecimentos, pessoas, áreas e instalações de interesse da sociedade
e do Estado.
É cediço que a Inteligência como Atividade não é exclusiva dos órgãos de
Estado, de forma que, a cada dia, diversas áreas, públicas e privadas, ampliam e
disseminam conceitos e práticas a ela relacionadas. Assim, no âmbito da Polícia
Militar, a Atividade de Inteligência é orientada pela sua Política de Inteligência.
A Atividade de Inteligência não se confunde com a Atividade Investigatória,
pois a investigação criminal é conduzida pelo modelo de persecução penal previsto
e regulamentado na norma processual em vigor, visando à produção de provas.
Logo, atua em linha de investigação.
A Atividade de Inteligência, por sua vez, tem como objetivo a produção de
108 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
conhecimento para o assessoramento (e não à produção de provas). Portanto,
atua de acordo com a perspectiva do ciclo de produção de conhecimento (reunião,
análise, interpretação, formalização e difusão).
A investigação, em regra, busca obter provas de fatos passados e, para
isso, produz relatório cujo objetivo final é ser parte da persecução criminal. Já a
inteligência busca dados e informações para o assessoramento em fatos passados,
presentes e acerca daquilo que tende a acontecer baseado no que se sabe e no
que se tem de conhecimento no momento da análise.
A Atividade de Inteligência se desdobra em uma inteligência voltada,
especificamente, para a atuação na atividade destinada a mitigar fenômenos que
possam quebrar a Ordem Pública - é a chamada Inteligência de Segurança Pública
-, que, por sua vez, possui como uma de suas espécies a Inteligência de Segurança
e Ordem Pública.
A Inteligência de Segurança Pública (ISP) é um assessoramento perene e
organizado que tem como objetivo precípuo identificar, avaliar, monitorar, mitigar
e prevenir fenômenos criminais e não criminais, mas que possuem potencial de
romper com a Ordem Pública. Para tanto, é imperiosa a produção e salvaguarda
de dados e informações imprescindíveis para subsidiar o tomador de decisão em
questões afetas à Segurança Pública.
Estão presentes nas ações relativas à ISP, assim como ocorre com a Atividade
de Inteligência, a existência de dois ramos de atuação interdependentes, quais
sejam, a Inteligência de Segurança Pública e a Contrainteligência de Segurança
Pública. A primeira se destina à produção de conhecimento voltado à Segurança
Pública e, a segunda, a produzir conhecimentos e agir para neutralizar as ações
adversas, proteger a atividade e a Instituição. Estes dois ramos são umbilicalmente
ligados e interdependentes.
Para o desenvolvimento da Inteligência de Segurança Pública são empregadas
técnicas de Inteligência Policial e de Análise Criminal.
Por Inteligência Policial compreende-se o conjunto de medidas e técnicas
que tem como objetivo obter conhecimento sobre a atuação de crimes comuns
e aqueles de natureza organizada, assessorando o desenvolvimento de ações de
polícia investigativa e ostensiva por meio de análises e reflexões para reprimir e
prevenir a ocorrência de fenômenos criminais.
Por outro lado, por Análise Criminal compreende-se o conjunto de ações
voltado para a obtenção de dados e informações úteis e oportunas sobre padrões
e tendências do crime, cuja finalidade é conhecer o fenômeno criminal para
direcionar a atuação de polícia investigativa e preventiva.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 109
GESTÃO DE INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA E ORDEM PÚBLICA
Como uma variante da Inteligência de Segurança Pública, tem-se a
Inteligência de Segurança e Ordem Pública (ISOP), ramo da Atividade de
Inteligência de Segurança Pública que se destina, especificamente, à obtenção de
dados e informações, por meio de processos específicos, cuja finalidade é buscar
o controle do espaço e do tempo e identificar padrões e tendências em razão de
fenômenos que tenham potencial de romper com a Ordem Pública, subsidiando a
atividade operacional de polícia ostensiva e de defesa civil para mitigar e prevenir
estes fenômenos.
O objetivo precípuo da ISOP é a produção de dados e conhecimentos
relativos a fenômenos de interesse da Atividade de Polícia Ostensiva e Preservação
da Ordem Pública para colaborar na prevenção criminal, ou seja, eventos que
ponham em risco a quebra da Ordem Pública. Envolve também a obtenção de
outros conhecimentos imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado,
inclusive em ações de Defesa Civil.
Em síntese, têm-se as seguintes concepções relacionadas à Inteligência:
Figura 12.1: Síntese da atividade de inteligência
Fonte: Centro de Inteligência da Polícia Militar (PMESP).
A atividade de ISOP atua nos aspectos da Ordem Pública, ou seja,
tranquilidade, salubridade e segurança pública. Portanto, qualquer fenômeno que
tenha potencial de quebra da Ordem Pública é objeto de atenção desta vertente
da Inteligência de Segurança Pública e, para seu desenvolvimento, constituem-se
os Sistemas Inteligentes e a Análise Policial-Militar.
110 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
São instrumentos utilizados em cada uma das atuações específicas:
Figura 12.2: Instrumentos de inteligência de segurança pública.
Fonte: Centro de Inteligência da Polícia Militar (PMESP).
Figura 12.3: Instrumentos de inteligência de segurança e ordem pública.
Fonte: Centro de Inteligência da Polícia Militar (PMESP).
12.1 DIRETIVA DE ANÁLISE POLICIAL-MILITAR E SISTEMAS INTELIGENTES
Facilitar o desenvolvimento de trabalhos acerca de fenômenos
que possam quebrar a Ordem Pública por intermédio dos sistemas
inteligentes. Para tanto, são realizados estudos para direcionar os ativos
operacionais através da Análise Policial.
Considerando que a ISOP tem como objetivo principal contribuir na
mitigação de eventos que possuem risco de quebrar a Ordem Pública, é imperioso
destacar que a terminologia “análise criminal” não é adequada, pois não é somente
o fenômeno crime que quebra a Ordem Pública. Assim, a ISOP trabalha com a
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 111
GESTÃO DE INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA E ORDEM PÚBLICA
perspectiva de “Análise Policial-Militar”, pois, neste tipo de análise, podem ser
tratados quaisquer eventos que trazem risco de quebra à Ordem Pública, não só
fenômenos criminais.
A Análise Policial-Militar, portanto, é uma espécie da Análise Criminal, própria
da polícia preventiva, mas que dela difere pois trata de fenômenos diversos que
podem romper com a Ordem Pública. Já na Análise Criminal, a perspectiva é da
quebra da Ordem por meio da prática de um crime.
Em síntese, a ISOP produz conhecimentos, por meio da Análise Policial-Militar,
sobre fenômenos de interesse da polícia ostensiva, entre os quais se encontram as
ações de proteção ambiental, de trânsito urbano e rodoviário, da aviação policial-
militar, de ações de controle de multidões, de defesa civil, entre outras, que estão
relacionadas com a preservação e o restabelecimento da Ordem Pública e de seus
aspectos — salubridade, segurança e tranquilidade públicas.
Não obstante, para a elaboração de uma Análise Policial-Militar é importante
o uso dos Sistemas Inteligentes disponíveis à Polícia Militar. Estes sistemas formam
um conjunto de ferramentas desenvolvidas para a obtenção do conhecimento
armazenado nos bancos de dados dos Sistemas Inteligentes (SIOPM, INFOCRIM,
FOTOCRIM, COPOM ON-LINE), e de outras fontes disponíveis, visando à identificação
de AISP e suas características, qualitativas e quantitativas, que são plotadas em CPP
para a realização da Polícia Ostensiva Inteligente e de Operações Policial-Militares.
À guisa de exemplos, seguem alguns Sistemas Inteligentes disponíveis na
Instituição, tais como:
• SIOPM:
O Sistema de Informações Operacionais da Polícia Militar (SIOPM) armazena
todos os atendimentos realizados pela PMESP e possui ligação com a PRODESP,
no tocante às bases de pessoas e veículos. Há algum tempo, foi vinculado ao
COPOM ON-LINE, para onde migram as informações das ocorrências geradas a
partir do atendimento “190”, que são inseridas pelos atendentes dos COPOM/CAD,
e, também, ao Sistema de Informações de Recursos Humanos (SIRH), de onde se
busca a identificação dos policiais militares que compõem as Unidades de Serviço.
• PRODESP:
Ferramenta Inteligente da Companhia de Processamento de Dados do Estado
de São Paulo (PRODESP) que permite a consulta de dados cíveis, criminais e de
movimentação prisional no Estado de São Paulo. As Bases PRODESP são constituídas
pelos sistemas criminais do Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt
(IIRGD), da Divisão de Vigilância e Capturas (DVC), da Secretaria da Administração
Penitenciária (SAP/COESPE) e do Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo
112 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
(DETRAN).
• BASE DE FOTOGRAFIAS CRIMINAIS (FOTOCRIM):
Trata-se de sistema registrado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial
como marca da Polícia Militar, que se presta a agrupar fotografias de criminosos
obtidas em decorrência da atividade de polícia ou durante a inclusão do preso
na SAP. A ferramenta permite consultas por nome, delito, região de atuação,
tatuagens, modus operandi e pertencimento a quadrilha.
• COPOM ON-LINE:
Igualmente registrado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial como
marca própria da Polícia Militar, maximiza a Gestão Operacional na medida em que
permite visualizar, em tempo real, ocorrências e Unidades de Serviço em patrulha,
realizar consultas e análises, bem como confeccionar relatórios. O COPOM ON-LINE
é a mais dinâmica e versátil das ferramentas de gestão da polícia ostensiva e de
preservação da ordem pública, principalmente porque propicia o direcionamento
dos ativos operacionais aos problemas de cada região.
• INFOCRIM 3.0:
Desenvolvido pela SSP, permite, entre outros, a visualização de Boletins de
Ocorrência, a confecção de mapas de Roubo e Furto de Veículos, análises de Roubo
de Carga e Sistema de Bonificação por Produtividade Policial.
• INFOSEG:
Desenvolvido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, é administrado
pela Secretaria Nacional de Segurança Pública e permite integrar as diversas bases
de dados das Secretarias de Segurança Pública estaduais, possibilitando o acesso
a informações diversas sobre indivíduos, veículos e armas. É uma ferramenta
amplamente utilizada por agentes de segurança pública como policiais civis,
militares, federais, guardas municipais e membros de organismos de inteligência.
• DETECTA:
Para dar maior eficiência ao planejamento do patrulhamento das vias
públicas e das investigações criminais, o Estado de São Paulo criou o DETECTA,
ferramenta inteligente da Secretaria da Segurança Pública que faz a integração das
bases de dados das Polícias e permite a visualização, correlação e armazenamento
em tempo real de informações sobre Alertas e Incidentes.
As ações de inteligência e de investigação ganham agilidade no acesso
e no cruzamento de informações. É possível, por exemplo, fazer buscas a um
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 113
GESTÃO DE INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA E ORDEM PÚBLICA
determinado nome e localizar em um mapa todas as ocorrências a ele relacionadas,
seja na Polícia Militar, na Polícia Civil ou no DETRAN.
• SISTEMA RADAR:
Desenvolvido e registrado pela Polícia Militar, permite a identificação de
veículos furtados, roubados ou envolvidos em ilícitos. A ferramenta integra as
câmeras de reconhecimento de caracteres e as bases de dados das polícias.
Com o emprego de todas essas ferramentas, o policial militar tem condições
de responder a questões mínimas que devem ser analisadas para dar-lhe suporte de
atuação e maximizar o emprego de recursos humanos e meios materiais disponíveis
a serem aplicados na redução de fenômenos que possam, eventualmente, quebrar
a Ordem Pública.
Por intermédio dos Sistemas Inteligentes, é possível, por exemplo, responder
às indagações que compõem o Heptâmetro de Quintiliano, quais sejam:
• O quê?
• Quem?
• Quando?
• Onde?
• Como?
• Por quê?
• Com a ajuda de quem?
Uma vez respondidas, o analista policial-militar tem condições mínimas de
inferir uma Análise de Risco de Inteligência de Segurança e Ordem Pública, visando
à antecipação e prevenção criminal, baseado nos princípios constitucionais de
legalidade, impessoalidade e eficiência.
12.2 DIRETIVA DE ANÁLISE DE RISCOS DE INTELIGÊNCIA
DE SEGURANÇA E ORDEM PÚBLICA
Analisar o risco de um evento quebrar a Ordem Pública e seu impacto na
atividade de Segurança Pública.
Análise de Riscos em Segurança e Ordem Pública constitui-se em
procedimentos que identificam, analisam e tratam ameaças reais, bem como
prospectam possíveis vulnerabilidades sobre fenômenos que tenham potencial de
quebra da Ordem Pública. Na Polícia Militar, os Objetos de Análise de Inteligência
(OAI) - tipo de análise policial-militar e de reflexão sobre eventos com potencial de
quebra da ordem pública -, pela sua característica analítica e, em certa medida,
prospectiva, são considerados Análises de Risco em Segurança e Ordem Pública
114 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
desenvolvidas pela Instituição.
Os OAI são elaborados para assessorar o tomador de decisão em diversas
circunstâncias, seja em face de um crime ou de um fenômeno não criminal. Nessa
linha, os grupos organizadores de manifestações populares, eventos claramente
não criminais, mas que, invariavelmente, impactam a rotina ordinária e cotidiana
da sociedade, também podem ser alvo de estudo prospectivo de análise de risco
de Inteligência e Ordem Pública para fins de distribuição dos ativos operacionais.
É fato que, a partir do início do século XXI, a sociedade brasileira passou a
questionar, de maneira mais enfática, o papel do Estado, reivindicando de seus
representantes posturas e ações que lhe sejam benéficas, para tanto valendo-se,
além de outros mecanismos, de manifestações públicas que, se legítimas, têm total
garantia do Estado Democrático de Direito.
Diante desse cenário, a Polícia Militar tem um papel relevante à medida
que deve garantir a liberdade de expressão daqueles cidadãos que desejam se
manifestar. Da mesma forma, deve garantir o direito daqueles que não estejam
participando, inseridos de forma indireta em determinado ambiente, preservando
a ordem pública e primando pelo bem comum. Ou seja, a missão da Instituição é
estar ao lado da sociedade, garantindo direitos, harmonia e paz.
Assim, faz-se necessária a contribuição da Inteligência de Segurança e Ordem
Pública na análise dos eventos que coloquem em risco a quebra da ordem pública
desde o seu embrião, com o objetivo de:
a) subsidiar a atividade de polícia ostensiva com conhecimento em tempo
oportuno, a fim de antecipar evento contrário à ordem;
b) empregar ações de Defesa Civil, amparando-a com informações úteis e
oportunas que permitam antecipar a ocorrência de incidentes/acidentes
e que possam afetar a segurança da coletividade e a infraestrutura crítica
do Estado;
c) ampliar a consciência situacional do comandante ou do tomador de decisão
para a melhor solução a determinado problema ou fenômeno crítico.
Por todo o exposto, é preciso compreender a conjuntura política, econômica
e social, para, a partir disso, entender as motivações, objetivos e dinâmicas
relacionadas às ações que possam impactar a ordem pública.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 115
GESTÃO DE INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA E ORDEM PÚBLICA
12.3 DIRETIVA DE QUALIFICAÇÃO E TREINAMENTO EM
INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA E ORDEM PÚBLICA
Capacitar o policial, visando ao exercício da atividade de Inteligência
de Segurança e Ordem Pública, é imperioso para a atuação precisa e
efetiva desta atividade que contribui com os esforços operacionais no
enfrentamento a fenômenos que podem quebrar à ordem pública.
A atividade de ISOP é desenvolvida por policiais militares que possuem
credencial de segurança expedido pelo Centro de Inteligência da Polícia Militar.
Uma vez possuidor da credencial de segurança, o profissional passa a integrar o
Sistema de Inteligência da Polícia Militar (SIPOM).
Esses policiais militares, desde então, devem ser qualificados e treinados
para elaborar e executar ações especiais visando obter, processar, difundir e
salvaguardar conhecimentos produzidos para assessorar o tomador de decisão,
particularmente nos assuntos de segurança e ordem pública.
De tal sorte, são ministrados cursos e estágios objetivando a manutenção e o
aperfeiçoamento contínuo de conhecimentos relacionados à área de inteligência.
Embora as especializações sigam padrões previstos nas normas institucionais
reguladoras do ensino, a OPM Gestora do Conhecimento, isto é, o CIPM, possui
rotina atrelada às questões e objetivos particulares da doutrina de Inteligência,
sendo diretamente responsável pela especialização e autorização dos policiais
militares para atuarem na Atividade de Inteligência e suas ramificações.
Paralelamente, o CIPM é responsável pelo alinhamento e aproximação com
outros Órgãos de Inteligência nas áreas de Defesa e de Segurança Pública. Por meio
dessa dinâmica, cria-se uma sinergia que fortalece a Comunidade de Inteligência
Estadual e Nacional e a troca de informações, fatores essenciais para a manutenção
da segurança e ordem pública.
116 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 117
GESTÃO
OPERACIONAL
13
GESTÃO OPERACIONAL
Alicerçada nos pilares doutrinários da Instituição e contando com o suporte
direto de todas as gestões expostas anteriormente, a Gestão Operacional é
desenvolvida essencialmente para atender aos interesses da sociedade, cuja
experiência em relação à Polícia Militar, considerando o seu grau de satisfação
e confiança, gera valor aos serviços prestados na medida em que aumenta a
percepção de segurança.
É a Gestão Operacional que orienta os processos finalísticos da Polícia
Militar, necessários ao cumprimento das missões constitucionais voltadas à polícia
ostensiva, preservação da ordem pública, bombeiros e defesa civil, essenciais para
a proteção da incolumidade das pessoas e de seu patrimônio.
Enquanto polícia ostensiva3 desenvolve atividades de prevenção primária e
secundária destinadas a evitar o cometimento de infrações administrativas ou de
ilícitos penais sujeitos ao exercício do poder de polícia na ordem pública4.
Além da polícia ostensiva, incumbe à Polícia Militar a preservação da ordem
pública, conceito que abrange tanto a atuação preventiva de polícia ostensiva
(polícia administrativa) como, também, a restauração da ordem pública em caso
de infrações de natureza administrativa ou penal, por meio da repressão imediata
(polícia judiciária) (LAZZARINI, 1991, p. 25-85).
Para atingir seus objetivos estratégicos, a Instituição desenvolveu um sistema
operacional de policiamento, consolidado em parâmetros normativos (Normas
para o Sistema Operacional de Policiamento PM - NORSOP) que integralizam os
serviços policiais, aliando tecnologia e inteligência à distribuição territorial dos
ativos operacionais.
Esta forma de organização sistêmica das estruturas responsáveis pela
execução das atribuições constitucionais favorece a proteção das comunidades
na medida em que amplia a capacidade institucional de responder a quaisquer
ameaças à segurança pública, inibindo de forma perene e reprimindo de forma
imediata as práticas irregulares que perturbam a ordem pública.
Os fundamentos regulamentares do Sistema Operacional foram capazes de
estabelecer critérios objetivos para a alocação de recursos humanos e materiais
em todo o território do Estado de São Paulo, distribuídos entre os diferentes
Órgãos de Execução, desde os Comandos de Policiamento da Capital, da Região
3 A atuação do Estado, no exercício de seu poder de polícia, se desenvolve em quatro fases: a ordem de polícia,
o consentimento de polícia, a fiscalização de polícia e a sanção de polícia. [...] o policiamento corresponde
apenas à atividade de fiscalização; por esse motivo, a expressão utilizada, polícia ostensiva, expande a atuação
das Polícias Militares à integralidade das fases do exercício do poder de polícia. (MOREIRA NETO, 1991).
4 Segundo Álvaro Lazzarini, o Poder de Polícia, que legitima a ação da polícia e a sua própria razão de ser, é a
capacidade derivada do Direito, de que dispõe a Administração Pública, como poder público, para controlar os
direitos e liberdades das pessoas, naturais ou jurídicas, inspirando-se nos ideais do bem comum. (LAZZARINI,
1999).
120 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
Metropolitana de São Paulo e do Interior, até os Comandos de Policiamento
Ambiental, de Choque, Rodoviário e de Trânsito, além do Comando de Aviação da
Polícia Militar.
O Comando do Corpo de Bombeiros, da mesma forma, possui parâmetros
próprios para direcionar a distribuição de seus ativos operacionais nas circunscrições
abrangidas pelos Grupamentos de Bombeiros, atendendo as competências legais
que lhe são peculiares.
Todo o aparato operacional é centralizado e coordenado com o apoio dos
COPOM, dotados de tecnologias de informação e comunicação que integram
todas as Unidades de Serviço, qualquer que seja a sua composição e atividade,
disponibilizando acesso a bancos de dados e sistemas inteligentes, remotamente
ou via rádio, para que possam ter o suporte necessário ao desenvolvimento das
ações de polícia ostensiva.
13.1 DIRETIVA DE EQUILÍBRIO NA DISTRIBUIÇÃO E
EMPREGO DE RECURSOS E MEIOS
Organizar recursos e meios em programas de policiamento e matrizes
operacionais adequadas à complexidade da atuação policial-militar.
A atuação policial contemporânea precisa se adequar a diversos tipos de
demandas, exigindo padrões de execução específicos e, por conseguinte, maiores
níveis de especialização. Assim, foram desenvolvidos os Programas de Policiamento,
estruturados a partir de projetos de implantação duradoura e ajustáveis ao longo
do tempo, os quais possibilitam a adequação da polícia ostensiva às necessidades
locais das comunidades, o planejamento orçamentário e a aplicação de metodologia
para desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes da força de trabalho.
Atualmente, constituem Programas de Policiamento:
a) Programa de Radiopatrulha: possui a incumbência de realizar o
Policiamento Ostensivo Geral voltado às ações preventivas em todas as
localidades, sendo empregado predominantemente em ambientes urbanos.
O desenvolvimento do programa pode envolver Patrulhas compostas em
veículos de 2 ou 4 rodas, que atuarão tanto no patrulhamento preventivo
quanto no atendimento às demandas do telefone de emergência “190”;
b) Programa de Força Tática: realiza apoios táticos, atuando
predominantemente na repressão imediata ao crime organizado e na
intensificação ou saturação localizada de polícia ostensiva em locais com
alto índice de crimes violentos, em eventos públicos de relevância, no
controle de multidões e nos incidentes de maior magnitude. Este programa
abrange também as Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas
(ROCAM), para atuação diversificada em áreas de interesse da segurança
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 121
GESTÃO OPERACIONAL
pública caracterizadas pela dificuldade de acesso por veículos de 4 rodas
ou pelo tráfego intenso de veículos;
c) Programa de Policiamento Escolar: realiza o policiamento ostensivo
junto aos estabelecimentos de ensino e em suas proximidades (perímetro
escolar), voltado a atender às necessidades de segurança da comunidade
escolar, composta por alunos e seus familiares, professores e funcionários
das escolas;
d) Programa de Policiamento Comunitário: direcionado a localidades
específicas, estabelecidas conforme critérios estratégicos, visando alcançar
níveis aceitáveis de segurança pública e de qualidade de vida, por meio
do respaldo, cooperação, parceria, participação e coleta de informações
junto às respectivas comunidades;
e) Programa de Policiamento de Trânsito: executado em vias terrestres
abertas à livre circulação (urbano ou rodoviário), com o objetivo de prevenir
e reprimir atos relacionados à segurança pública e de garantir obediência
às normas relativas à segurança de trânsito, assegurando a livre circulação
e evitando acidentes;
f) Programa de Policiamento Rural: tem por objetivo organizar o
desenvolvimento do Policiamento Ostensivo Geral no ambiente rural,
assim considerado o espaço territorial situado fora dos limites legais
estabelecidos como Perímetro Urbano pelo Poder Público municipal.
Também é previsto o emprego de ativos operacionais mediante critérios
de necessidade e disponibilidade de meios. Nesses casos são desenvolvidas as
Atividades Policiais Complementares, decorrentes da alocação de recursos das
próprias OPM, seja em atividades peculiares ou projetos e programas educacionais
(por exemplo, o PROERD) e comunitários (por exemplo, o Programa Vizinhança
Solidária e os Núcleos de Mediação Comunitária).
Especial atenção também tem sido dada no combate à violência doméstica
e familiar contra a mulher, por intermédio de Unidades de Serviço que realizam a
Patrulha Maria da Penha, além do Programa Lar Mais Seguro, tutorado pela DPCDH,
com foco em ações de prevenção primária e capacitação do efetivo policial-militar
para atuar com sensibilidade e assertividade nessas circunstâncias.
Paralelamente, a racionalidade no emprego dos ativos operacionais
pressupõe sua distribuição segundo Matrizes Operacionais, a saber:
• Matriz Operacional I, à qual estão vinculados os programas de policiamento
e atividades operacionais diversas5, destinadas à execução de atividades
policiais de caráter eminentemente preventivo;
5 Todasas atividades não definidas como Programas de Policiamento, sejam elas de prevenção primária ou
secundária, realizadas rotineira ou esporadicamente, mediante critérios de necessidade e disponibilidade
(NORSOP).
122 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
• Matriz Operacional II, à qual estão vinculadas as Forças Táticas e os Batalhões
de Ações Especiais de Polícia, empregados como recursos complementares
nos territórios de atuação da Matriz Operacional I;
• Matriz Operacional III, à qual estão vinculadas as OPM que desenvolvem
atividades peculiares em situações cuja gravidade, especificidade ou
complexidade exigem o emprego de meios específicos e de efetivo com
capacidades e/ou habilidades próprias, a exemplo do Policiamento Ambiental,
de Choque, Rodoviário, de Trânsito, de Aviação, de Bombeiros e de Medicina
Tática.
Considerando a estrutura multidivisional que caracteriza a arquitetura
organizacional da Polícia Militar, ou seja, as competências de cada Grande Comando
na definição das estratégias operacionais voltadas aos objetivos institucionais e aos
interesses das comunidades locais, associado à descentralização operacional para
a gestão de recursos humanos e meios materiais distribuídos sistematicamente
pelo Comando-Geral, assegura-se o comprometimento dos comandantes locais na
busca pela excelência dos resultados a serem atingidos junto às circunscrições sob
suas responsabilidades.
A despeito de falar-se em descentralização, o que pode suscitar a ideia de
desconexão dos serviços prestados em relação a uma unicidade institucional,
é imperioso destacar que a doutrina e o aparato tecnológico à disposição das
Unidades de Serviço indicam justamente sentido contrário.
Para ilustrar, o policial militar, atualmente, é interligado a uma Rede Central
por intermédio de TMD e TPD, com informações instantâneas sobre pessoas,
veículos e armas, o que se dá por modelo padronizado para todo o Estado de
São Paulo. Além dos mais, atua de acordo com protocolos detalhados de atividade
operacional, consubstanciados nos POP. A descentralização, portanto, incide na
tomada de decisões locais e na estratégia de distribuição de ativos e recursos,
todavia é sempre amparada por doutrina e tecnologias uniformes.
13.2 DIRETIVA DO SISTEMA DE RESPONSABILIDADE TERRITORIAL
Fracionar o território estadual de modo a alocar com precisão as
Unidades de Serviço de acordo com as demandas por policiamento.
Para cumprimento de suas missões constitucionais, a Polícia Militar, conforme
o organograma institucional, divide o território do Estado de São Paulo em
circunscrições às quais são atribuídos níveis de responsabilidade ou comandamento
diferentes.
Adota-se, portanto, o critério de responsabilidade territorial, buscando
o comprometimento dos gestores, em seus diversos níveis funcionais, com a
eficiência, eficácia e efetividade operacional, bem como a aproximação com as
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 123
GESTÃO OPERACIONAL
comunidades locais.
As circunscrições são desdobradas em:
a) Região: espaço territorial atribuído à responsabilidade de um Comando de
Policiamento;
b) Área: espaço territorial atribuído à responsabilidade de uma OPM de
escalão Batalhão ou equivalente;
c) Subárea: espaço territorial atribuído à responsabilidade de uma OPM de
escalão Companhia ou equivalente;
d) Setor: fração territorial definida pelo Comandante de Batalhão ou
equivalente, a qual pode ser delimitada por parcela de uma subárea. É
atribuída à responsabilidade exclusiva de Comandante de Pelotão (Tenente
PM) para gestão operacional localizada, podendo ou não possuir sede
própria;
e) Subsetor: menor fração territorial existente dentro de uma subárea, à
qual será designada uma ou mais Unidades de Serviço para a execução de
atividades de polícia ostensiva.
De forma adicional e de acordo com as estratégias operacionais, cada OPM
pode também distribuir suas Unidades de Serviço segundo critérios técnicos,
adequado-as às suas necessidades operacionais e disponibilidade de recursos.
Nesse sentido, as Unidades de Serviço igualmente são distribuídas segundo
AISP, com recursos adicionais em Subáreas com maiores demandas de segurança
pública. Tais AISP podem migrar, de forma predefinida, no tempo e no espaço, de
acordo com diagnósticos situacionais, provendo maior poder de ação frente aos
locais e horários com maior possibilidade de incidência criminal.
13.3 DIRETIVA DA UTILIZAÇÃO DE ATIVOS OPERACIONAIS
Adotar Planos de Policiamento Inteligentes, atuação comunitária
(cogestora de medidas de segurança pública) e eficiente utilização dos
Sistemas Inteligentes voltados a atividades de prevenção e repressão
criminal.
A metodologia adotada pela Polícia Militar para direcionar a aplicação de ativos
operacionais denomina-se Plano de Policiamento Inteligente (PPI), desenvolvendo
processos de melhoria contínua orientados à solução dos problemas de segurança
pública, conforme as peculiaridades territoriais.
Conforme visto anteriormente em seção específica, a Inteligência Policial
de Segurança e Ordem Pública integra-se a recursos tecnológicos de informação
e comunicação para suprir os gestores de polícia ostensiva com diagnósticos
situacionais atualizados em tempo real, identificando fatores positivos e negativos
124 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
que afetam a ordem pública, com base na coleta de dados e informações junto
às fontes internas (sistemas inteligentes, registros policiais, observação pessoal
de policiais militares, entre outras) e externas (comunidade e órgãos/entidades
públicas e privadas em geral).
Esta característica evidencia a busca pela participação ativa da sociedade
civil, que, apesar de dependente do Estado, interfere no processo democrático
com fundamento no contrato social, cuja relação bilateral pressupõe duas direções
(do Estado que se faz sociedade e da sociedade que se faz Estado), traduzindo as
figuras do cidadão participante e do cidadão protegido (BOBBIO, 2004).
Então, a colaboração de moradores e lideranças comunitárias, de entidades
governamentais e não governamentais, de empresas públicas e privadas, ou seja,
de todos que participam dos processos de construção da segurança pública,
mostra-se fundamental para facilitar o direcionamento dos esforços operacionais.
Para tal, incumbe à PMESP agir de modo proativo, mobilizando as forças
vivas da sociedade por meio de reuniões com Associações de Bairro e Conselhos
Comunitários de Segurança (CONSEG), da troca de informações entre os moradores
dos bairros, a exemplo do que ocorre no Programa Vizinhança Solidária.
Entretanto, os comandantes locais não podem prescindir da adequada
utilização dos sistemas inteligentes como subsídio ao planejamento, sendo possível
sobrepor eletronicamente determinadas camadas de dados de interesse, como
indicadores demográficos, socioeconômicos, criminais, operacionais e gerenciais
para estabelecer perímetros georreferenciados que subsidiam a descrição das AISP.
As informações produzidas durante a fase de diagnóstico operacional são
discutidas nos níveis gerenciais da Instituição em Reuniões de Análise Crítica, que
ocorrem em três fases distintas:
a) no âmbito dos Batalhões, quando são analisadas as informações
produzidas para estabelecer alternativas de solução visando ao controle
dos indicadores criminais, ao aumento da produtividade policial e à
redução do tempo de resposta;
b) no âmbito dos Comandos de Policiamento, para avaliar o impacto das
atividades policiais desenvolvidas em relação aos indicadores criminais,
especialmente as curvas de tendência envolvendo letalidade violenta,
roubo-outros, furto de veículos e roubo de veículos6;
c) no âmbito da Coordenadoria Operacional da Polícia Militar, analisando-
se o alinhamento das estratégias regionais descritas nos Planos Diretores
em relação ao Plano de Comando, de forma a verificar se os seus
desdobramentos estão produzindo os resultados esperados.
6 Prioridade
estabelecida pela Lei Complementar Estadual nº 1.245, de 27JUN14 (Bonificação por Resultados),
e Resolução nº SSP-157, de 27OUT14.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 125
GESTÃO OPERACIONAL
Definidas as prioridades operacionais, as fases gerenciais desdobram-se em
planos de ação, representados, de forma padronizada, em Cartões de Prioridade
de Patrulhamento (CPP) para descrever as atividades a serem desenvolvidas por
Unidade de Serviço, isolada ou conjuntamente.
Caso sejam identificadas necessidades pontuais para a condução de operações
policiais, os planos de ação podem, também, ser desenvolvidos com o apoio de
estruturas administrativas disponíveis nos Batalhões, mediante a intervenção dos
respectivos Coordenadores Operacionais, que possuem a incumbência de fornecer
todo o suporte à execução de qualquer tipo de atividade policial, até mesmo
requisitando o concurso de recursos complementares.
13.4 DIRETIVA DO CONTROLE DAS ATIVIDADES
OPERACIONAIS DE POLICIAMENTO
Exercer funções de comando e supervisão focadas no apoio às Unidades
de Serviço e melhor resolução das ocorrências policiais.
O acompanhamento constante e o realinhamento imediato, quando
necessário, dos recursos locais são fundamentais para o sucesso operacional em
termos de desempenho e de resultados.
Assim, o controle gerencial exercido a partir dos escalões de comando, o
monitoramento realizado pelas Seções Operacionais dos Comandos de Policiamento
e dos Batalhões, alinhados à fiscalização imediata de todas as Unidades de Serviço
pelos oficiais e sargentos em funções de comando e supervisão, garantem a gestão
diuturna das atividades operacionais.
As referidas funções de comando e supervisão, fundamentais para o
cumprimento das estratégias operacionais e alcance dos objetivos estabelecidos,
são executadas na seguinte conformidade:
a) Comando de Grupo de Patrulha (CGP): função obrigatória, exercida por
subtenentes ou sargentos para a supervisão das atividades executadas nos
limites de uma Subárea;
b) Comando de Força de Patrulha (CFP): função obrigatória, exercida por
tenentes para o comando e coordenação de todas as Unidades de Serviço,
das diversas Matrizes Operacionais, nos limites territoriais estabelecidos
pelos escalões superiores;
c) Supervisor Regional (Sup Reg): função exercida por Capitães, responsáveis
pela supervisão das atividades de polícia ostensiva e de preservação da
ordem pública executadas nos limites de uma Região;
d) Oficial Superior de Sobreaviso: função exercida por Oficiais Superiores,
que permanecem em condições de atender prontamente aos chamados
para supervisão, coordenação e apoio em situações de grave perturbação
126 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
da ordem pública ou ocorrências graves e/ou passíveis de repercussão que
extrapolem os níveis de atribuição e competência das demais funções de
comando e supervisão.
Portanto, nota-se que a Gestão Operacional consiste em sistemática
extremamente complexa, caracterizando as atividades finalísticas impostas
legalmente à Polícia Militar, as quais, por um lado, dispõem de autonomia para que
possam se adaptar às circunstâncias contingenciais, sazonais e emergenciais que
se apresentam diariamente e, por outro lado, dependem da integração sistêmica
de todos os processos de Gestão Organizacional, responsáveis por fornecer as
condições e os meios necessários para emprego imediato.
A razão de existir da Gestão Operacional é prestar serviços de excelência
à sociedade, para onde convergem todos os esforços, ativos, recursos e meios
institucionais. Não há que se falar em atividade de polícia ostensiva, preservação
da ordem pública, bombeiros e defesa civil que não tenha por norte satisfazer
inteiramente o público-alvo da PMESP, garantindo-lhe a percepção de segurança e
medidas de restauração da ordem pública.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 127
Fonte: Pixbay.
SISTEMAS DE
CONTROLE
14
SISTEMAS DE CONTROLE
Em qualquer portfólio de gestão é necessário conceber mecanismos de
controle das medidas adotadas com o fulcro de compreendê-las como estratégias
positivas ou negativas de uma organização.
Os Sistemas de Controle ou Verificação fazem parte do ciclo PDCL, nos
moldes delineados pela FNQ. São, por definição, a monitoração das atividades ou
processos, por meio da qual padrões, eficiência e eficácia são controlados, com
vistas a avaliar o alcance do propósito planejado, indicando o progresso, o sucesso,
os problemas e as oportunidades de melhoria.
Na sequência, serão apresentados alguns dos sistemas de controle adotados
pela Polícia Militar, envolvendo concepções estratégicas, táticas, operacionais, de
satisfação do público interno e de desempenho das OPM no que tange à adequação
de suas rotinas e processos.
14.1 CONTROLE DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
O Planejamento Estratégico da PMESP, voltado ao cumprimento da missão
institucional e à consecução de sua visão de futuro, está alinhado, no âmbito
federal, à Política Nacional de Segurança Pública e, no âmbito estadual, às Ações
Prioritárias, Plano Plurianual e Política Estadual de Segurança Pública.
Sua construção observa o conceito de gestão participativa na medida em
que interage com os policiais militares responsáveis pelos principais processos
gerenciais - administrativos e operacionais - das diversas OPM. A finalidade é
angariar sugestões concernentes às estratégias, metas e iniciativas, por meio de
dinâmica em grupo presencial na sede dos Grandes Comandos e Diretorias.
A comunicação das sugestões selecionadas e aprovadas é realizada por
meio da ferramenta de gestão Balanced Scorecard, desenvolvida por ocasião da
construção do Planejamento Estratégico da PMESP e estratificada nos Planos de
Comando das OPM, visando seu monitoramento, controle, aperfeiçoamento e
prestação de contas.
14.2 CONTROLE DA ATIVIDADE OPERACIONAL
A Gestão Operacional da PMESP leva em consideração duas variáveis de
controle: os indicadores de produtividade e os indicadores de desempenho. A partir
desses indicadores é possível estabelecer metas a serem cumpridas, dinâmica
inclusive adotada pelo Governo do Estado no estabelecimento da política de
Gratificação por Desempenho. Grosso modo, as metas são calculadas com base em
séries históricas mensuradas mês a mês e induzem comparações de performance
das OPM - consigo próprias e com outras de mesma característica -, denotando a
coerência ou não do planejamento e execução de suas ações.
130 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
Por indicadores de produtividade entendam-se os indicadores-meio, a
exemplo da quantidade de pessoas abordadas com atitudes suspeitas, número
de infratores da lei presos, quantidade de drogas apreendidas, número de vítimas
de trânsito socorridas, etc. Em síntese, representam a capilaridade das ações de
polícia, as quais definem a efetividade da PMESP.
Por indicadores de desempenho entendam-se os indicadores finalísticos
ou de resultado, a exemplo do controle dos indicadores criminais, com especial
destaque à taxa de homicídios por grupo de 100.000 habitantes, todos de
complexa mensuração porque a redução ou não de atividades delituosas presta-
se, geralmente, a uma série de iniciativas da PMESP, de outras organizações e
entidades, consubstanciando o somatório de ações primárias, secundárias e
terciárias de prevenção. Em síntese, representam os objetivos das ações de polícia,
as quais definem a eficiência e qualidade da PMESP.
14.3 PESQUISA DE CLIMA ORGANIZACIONAL
A Pesquisa de Clima Organizacional (PCO) é ferramenta estratégica de estudo,
diagnóstico e promoção de mudanças, conforme conveniência e oportunidade,
que permite avaliar diversos fatores que interferem na satisfação do trabalhador
em relação à qualidade da organização. Mapeia, igualmente, as percepções sobre
o ambiente interno da organização, como ponto de partida igualmente válido para
mudanças e desenvolvimento organizacional.
Além do mais, é uma forma de comunicação entre a liderança e a força
de trabalho, adotada por muitas instituições, no sentido de avaliar a satisfação
profissional da força de trabalho como um todo. Permite perceber os pontos fortes
e fracos do ambiente organizacional segundo a ótica de seus integrantes, indicando
aos comandantes e gestores, em vários níveis, possibilidades de melhoria da
satisfação dos profissionais.
A participação voluntária e reservada dos policiais militares na pesquisa
propicia o mapeamento de problemas e necessidades, bem como indica o conjunto
de valores, atitudes e padrões de comportamento, formais e informais, existentes
na PMESP. É possível intuir, com base na PCO, como as pessoas se relacionam umas
com as outras e com a própria organização.
Em última análise, a PCO é um grande instrumento de valorização profissional
e, por conseguinte, de excelência de serviços prestados à sociedade. Afinal,
“policial valorizado, sociedade prestigiada”. O mecanismo presta-se, também,
ao aprimoramento dos processos e rotinas operacionais e administrativas, à
otimização dos espaços físicos, da infraestrutura tecnológica e material, sob a
ótica da sustentabilidade e acessibilidade, bem como a aperfeiçoamentos nos
uniformes, equipamentos, armamentos e viaturas, de modo a tê-los adequados à
atividade policial-militar.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 131
SISTEMAS DE CONTROLE
14.4 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO E CERTIFICAÇÃO
DA EXCELÊNCIA DA GESTÃO
A PMESP, motivada pelo pilar doutrinário da Excelência da Gestão, conforme
já abordado anteriormente, adota o Modelo de Excelência da Gestão® desenvolvido
pela FNQ como ferramenta gerencial de administração e metodologia de avaliação
para análise do desempenho das OPM.
A certificação da excelência da gestão alcança as OPM que atingem padrões
de desempenho estabelecidos no Planejamento Estratégico da Instituição,
comprovando a aderência de suas práticas de gestão aos fundamentos de
excelência estabelecidos pela FNQ e adotados pela PMESP.
Ressalta-se que a participação da sociedade civil é prática latente no processo
de certificação por intermédio da composição de bancas avaliadoras que atuam
ativamente nas dinâmicas de avaliação da gestão, o que se faz notar, por exemplo,
nas visitas às OPM para constatação presencial das práticas de gestão, tal como
lançadas nos Relatórios Organizacionais.
Ao final do processo de avaliação e certificação, o reconhecimento acontece
por meio de premiação formal em solenidade própria, e é materializado no Prêmio
Polícia Militar de Qualidade como estímulo à melhoria contínua da excelência
da gestão nas atividades-meio e finalísticas dedicadas, em última instância, ao
atendimento de qualidade da sociedade.
132 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 133
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em 2010, prenunciava-se um período de muitas mudanças. Mudanças rápidas,
que pudessem se adequar aos fenômenos da globalização e universalização dos
meios de comunicação - o mundo como uma “aldeia global”.
De fato, passados mais de dez anos, o que se vê é um cenário extremamente
ágil, conectado, intercambiável, de grandes transformações em curto espaço de
tempo. A sociedade, cada vez mais crítica e reflexiva, evolui a passos largos de
acordo com suas necessidades de comunicação, de relações interpessoais, de
trabalho, de mercado, de lazer, de segurança, etc. E a Polícia Militar, para fazer
frente a essas contínuas demandas, também se permite constantes adaptações,
tendo como foco prestar serviços de excelência a seu público-alvo, isto é, à
sociedade em geral. Trata-se de entender a pessoa e suas necessidades, buscando
sempre melhores resultados, menos burocracias e maior transparência.
Se em tempos passados o tamanho de uma organização era o grande
diferencial para sua imposição, o que vale como princípio de sobrevivência a
qualquer empresa moderna é, conforme Johann et al. (2015, p. 14), sua capacidade
de se adaptar às novas exigências. Portanto, o que dita o grau de engajamento
dos produtos e serviços para os diversos clientes é a capacidade e velocidade
com que os gestores intuem as melhores opções de acordo com o dinamismo
das relações e necessidades humanas. Saber mudar é a tônica. As organizações
tradicionais, paulatinamente, têm adequado seus comportamentos para tornarem-
se organizações exponenciais, o que não significa, em hipótese alguma, distanciar-
se de sua história, seus princípios e valores.
O presente GESPOL revela as adaptações institucionais ocorridas nos últimos
anos, indo desde a forma de seleção dos profissionais que servirão às fileiras da
PMESP, os cuidados, no conjunto das Ciências Policiais de Segurança e Ordem
Pública, com a formação, qualificação e treinamento, a valorização e a saúde do
policial militar, tendo-o como elemento principal da Instituição, até as modernas
concepções de organização, os influentes mecanismos de comunicação social e
os estudos muito bem dimensionados de finanças, logística e TIC, que, por regra,
determinam nossos processos decisórios e a alocação de recursos e meios.
Há que se evidenciar, igualmente, os avanços na área de inteligência, que
proporcionam aos gestores e comandantes informações e dados precisos para
parametrizar a distribuição de ativos e o planejamento de ações e operações
policiais.
Todos os esforços das atividades-meio convergem para a Gestão Operacional,
de modo que até as menores Unidades de Serviço, quando do atendimento à
população, têm como respaldo uma verdadeira Instituição de vanguarda, que
busca, sobretudo pela observância aos preceitos de Direitos Humanos e pela
134 Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
aproximação comunitária, imbuir-se de seu papel social de defensora e promotora
de direitos.
Não basta à Polícia Militar, por seu grande contingente, simplesmente estar
presente nos 645 municípios do Estado. É necessário concatenar-se aos desafios
que lhe são impostos, diariamente, nas searas de polícia ostensiva, preservação
da ordem pública, bombeiros e defesa civil. É preciso que a sociedade se sinta
protegida e veja no policial militar um profissional com capacidade de garantir-lhe
a percepção de segurança, condição de difícil mensuração, mas que representa o
mais alto ideário de uma organização que se preocupa fundamentalmente com o
bem-estar das pessoas.
Reafirma-se assim a nossa missão, insculpida no Plano de Comando desta
Polícia Militar, qual seja, proteger as pessoas, fazer cumprir as leis, combater o
crime e preservar a ordem pública. Missão que não se resolve pelo empenho
único desta Instituição, mas sim pela conjugação de esforços dos diversos órgãos
públicos, organizações privadas, atores sociais e comunitários. Trata-se de ampliar
o pensamento e atuação sistêmicos, um dos principais fundamentos de nosso
Sistema de Gestão, para o mundo externa corporis, interligando, além do contexto
de segurança pública, variáveis de solução para os problemas hodiernamente
rotulados como causas e consequências de ordem criminal. Tudo de acordo com
conceitos de Governança e sob a égide de total transparência entre as partes
interessadas.
Muito possivelmente o principal desafio dos próximos anos.
Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 135
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Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo 139
ÍNDICE REMISSIVO
A
Ações de Valorização 33
Análise Criminal 99, 109, 112
Área 3, 5, 79, 124
Áreas de Gestão 26
Assessoria de Imprensa 69
Atividade-fim 3, 19, 26-27, 33, 38, 79, 90, 98
Atividades-meio 3, 19, 26-27, 98, 132, 134
Ativos Operacionais 124
Avaliação de Desempenho 6, 39, 137
B
Base de Fotografias Criminais (FOTOCRIM) 113
Boletim de Ocorrência Eletrônico (BOe) 98
Bombeiros 26, 31-32, 54, 56, 76, 79, 90, 98, 120, 127, 135
C
Câmeras Operacionais Portáteis (COP) 103
Cartões de Prioridade de Patrulhamento (CPP) 126
Centro de Atenção Psicológica e Social (CAPS) 48
Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania no âmbito da Polícia Militar (NUMEC/
CEJUSC) 24
Ciclo PDCL 14, 15, 130
Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública 11, 36, 54-56, 104, 134, 137
Comando de Força de Patrulha (CFP) 126
Comando de Grupo de Patrulha (CGP) 126
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes das Organizações Policial-Militares (CIPA/OPM)
46
Comunicação 5, 7, 11, 19, 64-70, 78, 92, 98, 100-101
Condicionamento Físico 46
Conselhos Comunitários de Segurança (CONSEG) 125
Contrainteligência 108-109
Controle da Atividade Operacional 130
Controle de Aptidão de Tiro Defensivo na Preservação da Vida 38
Controle de Aptidão Física 38
Controle de Efetivo 37
Controle de Inspeção Periódica de Saúde 38
Controle do Planejamento Estratégico 130
COPOM 5, 79, 98, 101-104, 112-113, 121
COPOM ON-LINE 101, 103-104, 112-113
Corpo de Bombeiros 5, 32, 76, 78-79, 93, 121, 137
Crises de Imagem 70
Curso de Bacharelado 55
Curso de Bacharelado em Educação Física 55
Curso de Pós-graduação Lato Sensu de Gestão de Segurança Pública 55
Curso Superior de Tecnologia de Segurança Pública 55
Curso Superior de Tecnólogo de Polícia Ostensiva e Preservação da Ordem Pública II 55
D
Defesa Civil 26, 31-32, 54, 56, 90, 98, 110, 112, 120, 127, 135
DETECTA 102, 113
Direitos e Garantias 34
Direitos Humanos 5, 11, 18, 22-24, 78, 134, 138
Distribuição do Efetivo 32, 76
Doutorado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública 36, 56
E
Educação a Distância 59
Educação Continuada 56
Eixos 58
Elogios, Láureas, Medalhas e Reconhecimentos 35
Emendas Parlamentares 84
Estrutura Organizacional Multidivisional 75
Estruturação do GESPOL 18-19
Execução Orçamentária 85
F
Formação 6, 54, 56
Frota de Viaturas 93
Fundação Nacional da Qualidade 3, 6, 11, 14-15
G
Gestão de Comunicação Social 64-71
Gestão de Finanças 84-87, 100
Gestão de Inteligência de Segurança e Ordem Pública 11, 108-117
Gestão de Logística 84, 85, 90-95
Gestão de Pessoas 6, 30-41, 44, 54, 59, 137
Gestão de Saúde 44-51, 54
Gestão de Tecnologia da Informação e Comunicação 11, 98-105
Gestão do Conhecimento e Inovação 11, 31, 54-61, 64
Gestão Operacional 11, 19, 27, 64, 84, 98, 99, 102, 104, 113, 120-127, 130, 134
Gestão Organizacional 11, 74-81, 127
Gestão Prisional 40-41
Governança Corporativa 75, 80, 81, 137
I
Indicadores de Desempenho 130-131
Indicadores de Produtividade 98, 130-131
INFOCRIM 3.0 113
Informação 5, 7, 11, 59, 78, 98, 100-101
INFOSEG 102, 113
Inovação 3, 14, 92-94, 100-102
Integração 24, 37, 41, 55, 58, 80, 100-102, 113, 127
Inteligência 5, 6, 7, 11, 19, 78, 99, 103, 108-116, 124
Inteligência de Segurança e Ordem Pública (ISOP) 110
Inteligência de Segurança Pública (ISP) 109
Inteligência Policial 109, 124
J
Justiça e Disciplina 39
M
Matriz de Formação, Qualificação e Treinamento (MFQT) 56
Matrizes Organizacionais 6, 76
Matriz Operacional 85, 122-123
Matriz Operacional I 122-123
Matriz Operacional II 123
Matriz Operacional III 123
Medicina Tática 50
Mercado Fornecedor 93
Mestrado Profissional em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública 55, 137
Missão 11, 19, 30, 34, 39, 41, 44, 48, 65, 67, 69, 84, 99-100, 102, 115, 130, 135
Modelo de Excelência da Gestão® 6, 14, 132
N
Nível Estratégico 78, 91
Nível Institucional 78
Nível Intermediário 78
Nível Operacional 79
Nível Tático 78-79
Nível Técnico 79
Normas para o Sistema Operacional de Policiamento PM - NORSOP 120
Núcleos de Atenção Psicológica e Social (NAPS) 48
O
Objetos de Análise de Inteligência (OAI) 114
Oficial Superior de Sobreaviso 126
Olho de Lince 103
Organograma 76, 79, 123
P
Pensamento e Atuação Sistêmicos 18, 135
Pesquisa de Clima Organizacional 131
Planejamento 15, 24, 50, 55-56, 61, 67, 74-75, 79, 84-85, 90-91, 98-100, 103, 108, 113, 121,
125, 130, 134, 139
Planejamento das Despesas 84
Planejamento Logístico 91
Plano de Carreira 36
Plano de Comando 75, 98, 125, 135
Plano de Policiamento Inteligente 6, 84, 124
Poder de polícia 39, 120
Polícia Comunitária 5, 11, 18, 22-24, 78, 81
Polícia de Aproximação 23
Polícia Ostensiva 23-24, 26, 31-32, 55, 67, 74, 85, 110-113, 115, 120-121, 124, 126-127, 135
Porta-voz 70
Prêmio Polícia Militar da Qualidade (PPMQ) 15
Preservação da Ordem Pública 23-26, 31-32, 39, 54-55, 67, 74, 85, 90, 98, 113, 120, 126-127,
135
Princípio da Flexibilidade e Democratização do Ensino 58
Princípio Ético e Moral 57
Princípios 57
Princípio Técnico-pedagógico 57
Princípio Técnico-profissional 57
PRODESP 6, 102, 112
Programa de Acompanhamento e Apoio ao Policial Militar (PAAPM) 48
Programa de Atualização Profissional 6, 60
Programa de Força Tática 121
Programa de Policiamento Comunitário 24, 122
Programa de Policiamento de Trânsito 122
Programa de Policiamento Escolar 24, 122
Programa de Policiamento Rural 122
Programa de Prevenção ao Suicídio 48
Programa de Radiopatrulha 121
Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD) 24
Programa Vizinhança Solidária 24, 66, 122, 125
Projeto DRONEPOL 103
Proteção Balística 90, 93
Q
Qualificação 6, 56
R
RADAR 101, 103, 114
Rede de Apoio 49
Região 47, 75, 79, 120, 124, 126
Relações Institucionais 67
S
Saúde Preventiva 45
Segurança do Trabalho 46
Setor 124
SIOPM 6, 101-102, 104, 112
Sistema de Comunicação Social 7, 64
Sistema de Controle de Admissão e Aposentadoria 37
Sistema de Gerenciamento de Imagens 37
Sistema de Gerenciamento e Custódia de Evidências Digitais (SiGCED) 105
Sistema de Informações Operacionais da Polícia Militar (SIOPM) 102, 104, 112
Sistema de Integrado de Recursos Humanos (SIRH) 104
Sistema de Proteção Social 33, 34, 136
Sistema de Recadastramento Geral de Ativos 37
Sistema de Responsabilidade Territorial 123
Sistema de Saúde Mental 48-51
Sistema Escala Corporativa 37
Sistema Integrado de Recursos Humanos e Sistema de Gestão de Pessoas 37
Sistema Perícias 37
Sistema RADAR 114
Sistemas de Controle 30-132
Sociedade 3, 4, 11, 15, 19, 22-23, 26-27, 33, 35, 37-40, 48, 55, 57-59, 64-69, 74, 81, 84, 90, 92-
94, 99, 102, 104, 108, 110, 115, 120, 125, 127, 131-132, 134-136
Subárea 124, 126
Subsetor 124
Supervisor Regional (Sup Reg) 126
T
Taxa de Depreciação 91
Tecnologia da Informação e Comunicação 97, 100
Telemetria 103
Terminal Móvel de Dados (TMD) 104
Terminal Portátil de Dados (TPD) 98, 104
Transceptor Portátil (HT) 98
Treinamento 6, 46, 56, 60, 137
Treinamento Contínuo 60
U
Unidades de Serviço 79, 90, 93, 94, 102, 112-113, 121-124, 126, 134
V
Valores 11, 19, 24, 30, 35, 39, 48, 57-58, 60, 64-67, 74, 80, 99, 100, 131, 134
Veículos Híbridos 93
Visão de Futuro 11, 19, 30, 39, 130
CERTIFICADO DE REGISTRO DE DIREITO AUTORAL
A Câmara Brasileira do Livro certifica que a obra intelectual descrita abaixo, encontra-se
registrada nos termos e normas legais da Lei nº 9.610/1998 dos Direitos Autorais do Brasil.
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Responsável pela Solicitação:
Policia Militar do Estado de São Paulo
Participante(s):
Polícia Militar do Estado de São Paulo (Autor)
Título:
GESPOL - Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo
Data do Registro:
23/12/2021 [Link]
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