Nutrição e Esteroides: Minimização de Danos
Nutrição e Esteroides: Minimização de Danos
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saúde
Bodybuilding e
Bodybuilding e
saúde
nutrição, fitoterapia e farmacologia
Capítulo 2
Modulação hormonal e TRT..................................................................... 9
Capítulo 3
O que saber antes de usar hormônios?............................................. 12
Capítulo 4
Mecanismo de ação.................................................................................. 16
Capítulo 5
Modelo ciclo e TPC................................................................................... 21
Capítulo 6
TPC – Terapia pós ciclo........................................................................... 23
Capítulo 7
Modelo blast and cruise.......................................................................... 31
Capítulo 8
Destrinchando o cruise........................................................................... 33
Capítulo 9
Fertilidade com o uso de esteroides.................................................. 36
Capítulo 11
Controle de colaterais............................................................................ 45
Capítulo 12
Danos cardiovasculares.......................................................................... 49
Capítulo 13
Esteróides e hemograma........................................................................ 52
Capítulo 14
Esteroides e perfil lipídico...................................................................... 57
Capítulo 15
Controle nutricional do perfil lipídico............................................... 62
Capítulo 16
SUMÁRIO Danos hepáticos........................................................................................ 72
Capítulo 17
Marcadores da função hepática.......................................................... 75
Capítulo 18
Estratégias de detoxificação hepática............................................... 83
Capítulo 19
Danos psicológicos................................................................................... 89
Capítulo 20
Manejo nutricional e fitoterápico aos danos ao snc.................... 97
Capítulo 21
Aromatização e ginecomastia............................................................105
Capítulo 22
Controle nutricional e fitoterápico na ginecomastia................111
Capítulo 23
Colaterais androgênicos.......................................................................115
Capítulo 24
Controle nutricional e fitoterápico na redução da
Capítulo 25
Redução de libido e/ou da função sexual.......................................122
Capítulo 26
Considerações finais..............................................................................128
Referências bibliográficas
........................................................................................................................130
Sobre o autor
........................................................................................................................142
INTRODUÇÃO
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01.
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CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO
E
xistem muitos mitos acerca do uso de esteroides, os quais são propagados por pes-
soas leigas no assunto. Já faz um bom tempo que alimentava a vontade de escrever
um e-book que desmistificasse essas crendices, sobretudo por estar associada a
área que eu amo e tenho o privilégio de atuar: nutrição. Como nutricionista, e por ter
uma boa base de fisiologia humana, sistema neuro-endócrino e metabolismo, eu garanto:
o corpo humano é perfeito!
Acredito que o conhecimento é livre e deve ser compartilhado. Gosto muito desta
frase, Scientia liberet, que do latim significa: “o conhecimento liberta”. Mas o que você fará
com esse conhecimento cabe somente a você.
As informações aqui contidas servem para qualquer indivíduo que queira entender
mais a fundo sobre o assunto. Principalmente, atletas de fisiculturismo, ou outra modali-
dade a nível competitivo em que se faça uso de esteroides anabólicos. Praticantes, e entu-
siastas, que decidiram fazer o uso para fins estéticos, também se beneficiarão da leitura.
Esta obra não ensina, nem incentiva, absolutamente ninguém, a utilizar Esteroides
Anabolizantes Androgênicos (EAAs). A responsabilidade do uso é de total competência
do indivíduo que se predispôs a utilizar, assim como o conhecimento de todos os efeitos
colaterais provenientes do uso.
Não irei falar sobre histórias, nem perfis das drogas, pois existem muitos traba-
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02.
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CAPÍTULO 2
N
a medicina, temos muitas indicações do uso de esteroides em caráter terapêuti-
co, em especial nas doenças que promovem aumento do catabolismo em suas di-
ferentes esferas, por exemplo, sarcopenia (perda de massa magra decorrente do
avanço da idade), osteoporose pós menopausa ou induzida por corticoesteroides, doen-
ças autoimunes, esclerose múltipla, lúpus, AIDS, queimados, doenças dermatológicas e
curas de feridas, e poderia escrever mais umas 2 folhas só com as doenças nas quais os
esteroides podem ser adjuvantes terapêuticos.
Nos últimos anos vem acontecendo um “boom” na área do fitness no Brasil e no
mundo. Nutricionistas, coaches, médicos, e especialistas na área, cada vez mais são pro-
curados, devido a busca e culto ao corpo perfeito e estético.
Na contramão, ainda existem muitas pessoas com péssimos hábitos de vida que
causam, dentre outros problemas, a redução ou desregulação dos hormônios sexuais.
Abuso de drogas sintéticas (MDMA, cocaína, LSD), de álcool, a alta ingestão de calorias
de alimentos sem conteúdo nutricional, falta da ingestão de alguns nutrientes, baixa in-
gesta de frutas e vegetais, adeptos de dietas malucas ou da moda, sedentarismo, obesida-
de, uso de alguns fármacos já decorrentes de outro problema de saúde, são as principais
causas das disfunções sexuais que vemos hoje.
A Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) é um tratamento para essas pessoas
10
USAR HORMÔNIOS?
O QUE SABER ANTES DE
11
03.
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CAPÍTULO 3
V
amos falar nesse capítulo sobre alguns conceitos básicos mas que considero fun-
damentais. O uso de testosterona de forma endógena acarretará numa supres-
são do eixo Hipotálamo-Pituitário-Testicular, o famoso Eixo HPT. Isto provocará
uma supressão do LH (hormônio luteinizante) e FSH (hormônio folículo-estimulante) pela
hipófise, o que fará com que a testosterona endógena (aquela que você produz) não seja
mais produzida; além de causar uma redução no número e força dos espermatozoides.
Essa supressão pode ser direta, através da sinalização dos andrógenos, ou de for-
ma indireta pelo estradiol e prolactina (elevados). O mecanismo indireto é bastante ob-
servado após a interrupção do uso, na fase pós ciclo, onde o estradiol e prolactina podem
se manter elevados mantendo o eixo inibido.
Existem várias formas de apresentação da testosterona, gel, creme, cápsulas e
injetável. As versões injetáveis costumam ser as melhores opções na prática, visto que
existem menores oscilações nas concentrações. As versões em creme ou gel, podem até
provocar o aumento da testosterona total, mas o que realmente interessa é a testoste-
rona livre, que não tende a subir tanto quando comparada aos injetáveis. Nas versões
subcutâneas a biodisponibilidade é menor, porém é uma das alternativas em casos de
Terapia de Reposição de Testosterona, e o médico é quem irá prescrever a forma de uso
de acordo com cada caso.
13
que podem ter uma piora na resposta insulínica, favorecendo o ganho de gordura. Mulhe-
res, de forma geral, virilizam mais com algumas drogas do que com outras.
Sobre os potenciais efeitos adversos, os quais falarei mais adiante, o perfil hema-
tológico e perfil lipídico são os mais impactados com o uso de esteroides. O aumento dos
glóbulos vermelhos pode resultar em uma maior concentração de hematócrito, assim po-
dendo ocasionar eventos trombóticos. Dislipidemias secundárias ao uso de esteroides
são esperadas, portanto, provocando assim o aumento da probabilidade de eventos ate-
roscleróticos. Deve-se levar em conta que tudo depende de um contexto que considere
a quantidade de drogas, tipos de drogas, dosagens, tempo de uso e genética, de pessoas
responsivas e não responsivas.
Ter um acompanhamento profissional é de suma importância, assim como um en-
corajamento na tentativa de maior redução possível de dosagens, o famoso “fazer mais
com menos”. Fazer ciclos pesados, com altas doses e maior tempo de exposição, nunca
deveriam ser pensados num primeiro contato com os esteroides, principalmente se o in-
divíduo em questão não tiver pretensão de competir.
14
MECANISMO DE AÇÃO
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04.
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CAPÍTULO 4
MECANISMO DE AÇÃO
C
hamamos o mecanismo de ação da testosterona no organismo masculino de “me-
canismo de feedback negativo”. Centros cerebrais superiores promovem estímu-
los para que o hipotálamo secrete GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina),
estimulando a glândula hipófise a secretar suas gonadotrofinas: o LH, chamado de hor-
mônio luteinizante e o FSH, Hormônio Folículo-Estimulante. O LH estimula as células de
leyding no testículo a produzir testosterona, e o FSH estimula, nas células de sertoli, a
espermatogênese, que é a produção de espermatozoides. Esse eixo hipotálamo-hipófise-
-testículo é o que chamamos de HPT.
Hipótalamo
GnRH
GnRH
Hipófise anterior
FSH
LH
Células de Sertoli
Células de Leydig
Pregnenologia
17OH-Pregnenolona Progesterona
DHEA 17OH-Progesterona
Androstenediol Androstenediona
Testosterona
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Somando a testosterona ligada ao SHBG, a ligada à albumina, e a livre encontra-
mos a testosterona total, que identificamos nos exames laboratoriais, os quais falarei
mais adiante.
Existe uma relação entre concentração de SHBG e testosterona livre: Quanto mais
baixas as concentrações de SHBG, maiores as concentrações de testosterona livre. Com
outras palavras, quanto menor for o SHBG temos mais testosterona biodisponível.
As concentrações de SHBG são diminuídas com o uso de androgênicos exógenos,
GH, glicocorticoides e insulina exógenos, e aumenta com tamoxifeno e hormônios da ti-
reoide, por exemplo.
Uma pequena porcentagem da testosterona é convertida em metabólitos biologi-
camente ativos em determinados tecidos. Entretanto, a maioria é convertida em meta-
bólitos inativos, excretados pelas vias biliares e rins.
A pequena parte biologicamente ativa pode sofrer ação de duas enzimas: 5 al-
fa-redutase e aromatase. Cerca de 5 a 10% da testosterona sofre ação da enzima 5
alfa-redutase convertendo a testosterona em DHT (dihidrotestosterona) e com isso
exerce seus efeitos sobre a próstata, glândulas sebáceas da pele e cabelo.
Existem dois tipos de enzima 5 alfa-redutase: tipo 1, presente na pele não genital e
fígado, e a tipo 2, presente na pele genital, próstata, tecidos urogenitais. A conversão da
testosterona em DHT se dá de forma irreversível.
Os altos níveis de DHT estão relacionados à alopecia, conhecida como queda de
cabelo, e por muitos casos de acne que são colaterais bastante comuns em usuários. Exis-
tem drogas que não sofrem ação da enzima 5 alfa redutase, mas de forma geral, testoste-
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Devido a esse fato, quanto mais gordura corporal, maior é a expressão dessa enzi-
ma. Por esse motivo, muitos obesos sofrem com baixa testosterona, pois quanto maior o
tecido adiposo, maior expressão da enzima aromatase, e maior a conversão em estradiol;
e quanto maiores os níveis de estradiol, maior a possibilidade de o estradiol causar fee-
dback negativo no hipotálamo e hipófise, reduzindo ou inibindo a secreção das gonado-
trofinas (LH e FSH), favorecendo uma queda na testosterona.
Por isso, antes de tratar obesos com testosterona baixa, deve-se avaliar outros
parâmetros, pois em muitos casos, só com o emagrecimento daquele indivíduo sua tes-
tosterona já tenderia a voltar a níveis fisiológicos.
Esse mesmo mecanismo de feedback negativo é o que acontece no período pós
ciclo de esteroides, como falarei mais adiante.
O controle de estradiol é um dos mais sensíveis quando falamos em hormônios.
Nosso comportamento, temperamento, desejo sexual, manutenção do perfil lipídico, e
balanço hidroeletrolítico são fatores determinados pelos níveis de estradiol.
Sempre costumo falar que é um dos controles mais difíceis de se fazer, onde cada
um tem um ponto ideal (set point), aquela faixa onde “tudo flui”, onde a sensação de
bem-estar está em alta. É recomendável manipular os níveis de estradiol somente com
base em exames.
Níveis elevados de estradiol podem causar ginecomastia, um colateral comum e
temido por muitos, pois provoca a hipertrofia das glândulas mamárias masculinas, que
pode ser unilateral ou bilateral. No mamilo, temos receptores estrogênicos, e a flutuação
ou o excesso de estradiol faz com que ele possa se ligar a esses receptores, culminando
19
MODELO CICLO E
TERAPIA PÓS-CICLO
20
05.
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CAPÍTULO 5
O
modelo de ciclo é o mais utilizado há anos, mas atualmente um modelo de uso
contínuo chamado blast and cruise está cada vez mais em evidência. Ao usar os
esteroides anabolizantes, como vimos, há uma supressão pela hipófise do LH e
FSH, o que chamamos de inibição do eixo HPT. E ao suspender o uso, o eixo continua ini-
bido fazendo com que os níveis de testosterona caiam drasticamente.
Os níveis de estradiol e/ou prolactina podem se manter elevados na fase pós ciclo,
causando um desbalanço na relação testosterona/estradiol, mantendo o eixo inibido por
feedback negativo como falei anteriormente.
Esse quadro é chamado de hipogonadismo secundário ao uso dos anabolizantes. E
o retorno dos níveis hormonais normais pode durar vários meses caso não seja feita uma
estratégia chamada Terapia Pós Ciclo (TPC).
No passado, os fisiculturistas e entusiastas não sabiam como lidar com os colaterais
da testosterona, como por exemplo, ginecomastia. O fato é que só com a propagação do
tamoxifeno nos anos 1980 que se começou o uso da testosterona com a base dos ciclos.
O tamoxifeno, um medicamento para tratamento de câncer de mama, foi um marco
que firmou, na época, a Terapia Pós Ciclo (TPC). Tanto por inibir o crescimento da mama
por bloquear os receptores estrogênicos do mamilo, como por estimular a hipófise a se-
cretar LH, e com isso estimular a produção endógena de testosterona.
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06.
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CAPÍTULO 6
A
TPC foi criada com o intuito de recuperar de forma mais rápida o eixo gonadal
após o uso de esteroides. Antes, os fisiculturistas faziam ciclos em forma de pi-
râmides onde subiam as doses e depois reduziam, até a suspensão total do uso.
No entanto, os efeitos do crash hormonal são inevitáveis. Durante a fase de TPC,
podem ser observados vários efeitos como desânimo, redução da libido, perda de força,
rendimento e performance, perda de massa muscular, perda de volume corporal, ganho
de gordura, depressão e aí é quando muitos sentem os colaterais psicológicos da depen-
dência dos anabolizantes. Já vi inúmeros casos em que, no meio da terapia pós ciclo, o
indivíduo retomava o uso por não conseguir segurar toda essa avalanche de efeitos.
Diferentemente do que muitas pessoas pensam, TPC não visa segurar os ganhos.
TPC apenas restaura o eixo hormonal de forma mais rápida. Não tem como uma pessoa
ter níveis suprafisiológicos altíssimos de andrógenos e “segurar todos os ganhos” numa
fase pós ciclo, onde sua testosterona vai para níveis infrafisiológicos (<100ng/dL). É in-
comparável os ganhos com o uso dos anabolizantes, principalmente falando das pessoas
que fazem o básico bem-feito: dieta e treino.
E não podemos confundir “não sustentar os ganhos” com “não sustentar nada dos
ganhos”. É possível segurar algo que se conquistou, e o que alguém consegue segurar vai
depender muito mais do nível de massa muscular, maturidade e consistência no planeja-
1) Timing da TPC
É o momento ideal para iniciar a Terapia Pós Ciclo. Para isso é preciso saber qual a
meia-vida das drogas utilizadas. Onde a droga de meia vida mais longa utilizada no ciclo
seria a base para saber o timing correto.
Pensando em farmacologia, quando falamos em meia-vida, estamos falando de um
período em que a droga, nesse caso esteroides androgênicos, leva para alcançar a meta-
de da concentração inicial. Diferentemente do que muita gente acha, meia-vida não é o
tempo que a concentração da droga se torna insignificante, e sim o tempo que leva para
atingir 50% da concentração inicial.
Assim, podemos falar que o efeito da droga se torna nulo ao atingir 4 meias-vidas.
Este é o conceito de efeito terapêutico nulo ou insignificante. É o período em que a dro-
ga atinge 6,25% da concentração inicial.
Logo, podemos afirmar que o timing correto para iniciar a TPC seria algo entre 3 a
4 meias vidas. Abaixo, deixo um exemplo que vai desde a última aplicação de 200mg de
testosterona até quando se atinge o efeito terapêutico inexistente:
24
Então, ao fazer o cálculo do início da TPC, deve-se incluir a meia vida do éster
utilizado. Não precisa somar com a meia vida da outra substância presente no ciclo.
Precisa apenas colocar no cálculo o éster que possui a meia vida mais longa das drogas
utilizadas no ciclo.
Reitero que para se ter a certeza do momento correto de iniciar a TPC, seriam
necessários exames laboratoriais. Por isso é de suma importância ter um acompanha-
mento profissional.
2) SERMS
São os Moduladores Seletivos dos Receptores de Estrogênio, sendo os mais co-
nhecidos: Clomifeno, Tamoxifeno e Raloxifeno. Como o próprio nome diz, eles modulam
seletivamente alguns tecidos, sendo em alguns agonistas, como ossos e fígado; e em ou-
E2
SERM
Receptor de E2
Mamilo
25
Já na fase pós ciclo, além dessa função, também estimula a secreção, pela hipófise,
de LH. Consequentemente, estimula a “fabricação” da testosterona endógena, assim evi-
tando que o estrogênio cause inibição do eixo por feedback negativo.
Hipófise
LH
SERMS Testículos
Testosterona
Na fase pós ciclo, quando as concentrações dos andrógenos caem, os níveis de es-
trogênio podem permanecer altos (maiores que 50pg/dL), causando feedback negativo
na hipófise, mantendo o eixo HPT inibido.
3) HCG
A Gonadrotofina Coriônica Humana, um hormônio peptídeo produzido nos primei-
ros meses de gravidez, é fundamental para manter o corpo lúteo no ovário, e garantir a
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Hipófise
LH
LH
HCG Testículos
Testosterona
4) Inibidores de Aromatase
Como falei anteriormente, a enzima aromatase é expressa em vários tecidos e faz
27
Inibidores de Aromatase
=
Testosterona Estradiol
Aromatase
Também servem para manter sob controle a relação tão importante testosterona/
estradiol, que é necessária para manutenção do humor, da libido, colesterol, ereção, e
redução das chances de ginecomastia.
Na fase pós ciclo, é bastante comum as concentrações de estradiol reduzirem ao
passo que a testosterona reduz. Para ter certeza de que isso está acontecendo, eu indico
sempre fazer exames laboratoriais nessa fase.
O “errar a mão” nos inibidores de aromatase pode ser devastador para suas articula-
ções, ereção, libido e colesterol (efeitos estes que podem ser sentidos durante o ciclo tam-
bém). Por isso é de suma importância a realização de exames laboratoriais periodicamente
e ter o acompanhamento de um profissional que entenda tanto da teoria, como da prática.
28
São sintomas de prolactina alta: baixa libido, ereções fracas, desmotivação geral,
depressão, ansiedade, galactorreia, que é a secreção de leite, tipo colostro, através do
mamilo do homem.
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MODELO BLAST AND CRUISE
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07.
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CAPÍTULO 7
O
entendimento sobre o uso dos esteroides e a propagação do conhecimento so-
bre esse tema vem aumentando a cada ano, por meio de fóruns, e-books, vídeos,
pós-graduação, palestras e cursos. Nos últimos anos, pessoas que faziam apenas
ciclos passaram a usar esteroides anabolizantes de forma contínua.
Com a ascensão da internet e fóruns, os conceitos de blast and cruise (explosão
e cruzeiro) foram introduzidos nos últimos anos no Brasil, e o Blast seria o “ciclo” pro-
priamente dito. Abaixo deixo exemplos de blast’s que são utilizados por muitos atletas
de fisiculturismo:
1) Enantato de Testosterona + Decanoato de Nandrolona + Dianabol (ciclo
de bulking);
2) Propionato de Testosterona + Propionato de Drostanolona + Oxandrolo-
na (ciclo de cutting);
O Cruise poderia ser chamado de “ponte” ou “cruzeiro”, ponte entre os blasts ou
entre os ciclos. Mas também pode ser uma estratégia para se manter hormonizado, sem
as perdas que teriam na fase pós ciclo, afinal, no cruise ainda estaria sob uso de esteroi-
des. Cruise basicamente consiste em manter-se hormonizado mas em doses “baixas” de
hormônio, que no caso é testosterona. Exemplo de doses de cruise:
1) 200mg de Cipionato de Testosterona, semanal;
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08.
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CAPÍTULO 8
DESTRINCHANDO O CRUISE
A
lguns usuários utilizam esteroides anabolizantes (principalmente, testosterona,
porém sem abuso), e acabam alterando seus níveis de testosterona para um faixa
levemente suprafisiológica. Quando saímos de um nível fisiológico para um nível
acima disso, não podemos garantir segurança. Mas, obviamente, é mais seguro se manter
em Cruise do que em Blast. Então, quais seriam os principais objetivos no Cruise?
1) Manutenção (em parte) dos ganhos – aqui poderia chamar de “con-
solidação dos ganhos” ou fase de manutenção. Muitos usuários se mantêm em
Cruise antes de decidirem fazer outro Blast;
2) Regulação da saúde – regulação de taxas alteradas no Blast mediante
exames (hematócrito, enzimas hepáticas, perfil lipídico, perfil tireoidiano, estra-
diol, prolactina, SHBG, DHT, homocisteína, fibrinogênio, dentre outros) e me-
diante estratégias nutricionais, suplementares, fitoterápicos e medicamentosas;
3) Quebrar platô - Até em Blast as pessoas tendem a estagnar, logo, é
preciso saber a hora de parar. Geralmente ciclos muito longos tendem a não
serem produtivos e aumentar as dosagens podem apenas evidenciar ou exa-
cerbar colaterais;
Logo, não é um bom custo x benefício se manter em Blast por muito tempo, apesar
de muitos atletas e usuários se manterem dessa forma, apenas rotacionando as drogas,
34
DE ESTEROIDES
FERTILIDADE COM O USO
35
09.
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CAPÍTULO 9
O
mecanismo pelo qual os esteroides anabolizantes agem reduzindo a fertilidade,
diminuindo a contagem e a motilidade dos espermatozoides não é totalmente
elucidado. Sabe-se que ocorre sempre dependendo do tempo de exposição e
dosagem. É importante salientar que até 100mg de testosterona semanal, que é uma do-
sagem utilizada em terapias de reposição de testosterona, inibe-se o eixo HPT.
O uso provoca a inibição dos pulsos de FSH pela hipófise, o que reduz a produção
de Proteína Ligadora de Andrógenos (ABP) o qual tem função de aprisionar a testostero-
na dentro das células de Sertoli, assim reduzindo a espermatogênese (o que pode resul-
tar na atrofia testicular, apesar de ser uma resposta bem individual). A propósito, existem
muitos usuários que se queixam de atrofias testiculares.
Abril et al. (2005) ao avaliarem a esterilidade masculina em ex usuários de esteroi-
des, observaram que, em 80,9% dos casos de azoospermia e oligospermia, ocorreu recu-
peração do quadro clínico avaliado pelo espermograma no tempo médio de 6 meses.
Guerra et al. (2005) analisaram a produção de espermatozoides em diferentes
fases do treinamento em nove atletas de fisiculturismo que utilizavam esteroides por
mais de três anos. Os resultados do espermograma mostraram um quadro compatível
com a infertilidade.
Uma pesquisa com fisiculturistas que nunca haviam utilizado esteroides e, poste-
37
É POSSÍVEL VOLTAR
A FERTILIDADE APÓS O USO?
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10.
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CAPÍTULO 10
E
xistem diversos trabalhos na literatura com recursos farmacológicos, estratégias
nutricionais e suplementares, que visam retomar a fertilidade. A infertilidade pode
acontecer por diversas causas desde fatores congênitos, anormalidades testicula-
res adquiridas (torção, tumor), infecções, distúrbios endócrinos, idiopáticas e por último,
relacionadas ao estilo de vida (obesidade, tabagismo e uso de esteroides anabolizantes).
Em 2016, McBride J. A. publicou no Asian Journal of Andrology um artigo de revi-
são a convite dos editores sobre a recuperação da espermatogênese após o uso da TRT
ou de esteroides anabólicos androgênicos. Foram mapeados diversos estudos que utili-
zaram HCG e FSH em indivíduos hipogonádicos, medindo como desfecho a recuperação
da espermatogênese e da taxa de gravidez.
As doses, mapeadas pelos autores, de agentes farmacológicos utilizados na res-
tauração da espermatogênese após a utilização de esteroides anabólicos androgênicos
ou testosterona exógena, foram:
1) HCG - de 500 a 2500 ui aplicados 2 vezes na semana; ou 500 ui em dias al-
ternados (dia sim, dia não) para doses de manutenção. Já para doses de restauro gira
de 1000 a 3000 ui aplicados 3 vezes na semana;
2) Citrato de Clomifeno - 25 a 100mg por dia, combinada de preferência com HCG;
3)Anastrozol - 1mg diário, combinada de preferência com HCG, somente quan-
RECURSOS NÃO-FARMACOLÓGICOS
Em uma Revisão Sistemática e Metánalise de Zhou et al. (2007), onde avaliou-se
o uso de L-carnitina e Acetil-l-carnitina como tratamento nutricional para infertilidade
40
masculina. Foi identificado a melhora da taxa de gravidez das parceiras, como também
efeitos consideráveis na melhoria da qualidade do esperma, além da melhora da motili-
dade dos espermatozoides, quando comparadas com o placebo. No entanto, não foram
encontradas diferenças em concentrações de esperma e volume do sêmen.
Salas-Hueltos et al. (2018) uma revisão sistemática que selecionou 15 estudos
para avaliar o efeito dos nutrientes e suplementos dietéticos nos parâmetros de qualida-
de do esperma, concluiu que concentrações totais de espermatozóides foram aumenta-
dos pela suplementação de selênio, zinco, coenzima Q10 e ácidos graxos ômega-3.
Dos três estudos que avaliaram a suplementação de Selênio (total de 143 partici-
pantes), a suplementação de 100 a 300 mcg por 3 a 11 meses melhorou a motilidade dos
espermatozoides em 3,3%, a concentração total de espermatozoides em 3,91% e melho-
ra na morfologia em 1,87%.
A suplementação de Zinco em doses que variaram de 66 a 500mg por dia de 3 a 6
meses melhorou a motilidade total dos espermatozoides em 7,03%.
Peixe e óleos de peixe são a fonte mais comum de ácidos graxos poli-insaturados
ômega-3: ácido docosahexaenóico (DHA) e ácido eicosapentaenóico (EPA). DHA e EPA
são conhecidos por terem vários efeitos benéficos à saúde, incluindo redução do risco de
eventos cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, doenças inflamatórias e transtornos
psiquiátricos (Siriwardhana et al. 2012).
41
Em um estudo de revisão realizado por Salas-Hueltos et al. (2018), a suplementa-
ção de 1000mg de EPA e 1000mg de DHA em 138 homens melhorou a contagem total
dos espermatozoides de 18,7% dos participantes, melhorou a concentração dos esper-
matozoides em 10,98% e motilidade total em 7,55%.
Em outra meta-análise, Hosseini et al. (2019) selecionou 3 estudos totalizando 147
pacientes e concluiu que os tratamentos com ômega-3 aumentaram significativamente a
motilidade dos espermatozoides (5,82%) em homens inférteis.
A coenzima Q10 (CoQ10) é um cofator obrigatório com fortes propriedades
antioxidantes envolvidas na produção de energia mitocondrial, que é essencial para
manter o sistema energético eficiente dos espermatozóides e proteger suas membra-
nas da peroxidação lipídica.
Consequentemente, níveis baixos de CoQ10 foram associados a várias condições
que determinam a infertilidade, como varicocele e oligozoospermia.
Tudo bem que estamos falando de infertilidade decorrente do uso de esteroides,
mas temos que lembrar que a maioria dos usuários não fazem testes de fertilidade antes
de usar anabolizantes ou nem sabem se de fato são inférteis.
A ingestão exógena de CoQ10 pode aumentar seus níveis no plasma seminal e me-
lhorar a função do esperma (Balercia et al. 2009).
Cakiroglu et al. (2014) suplementou CoQ10 100mg duas vezes ao dia, por 6 meses,
e como conclusão houve melhora da motilidade e a morfologia dos espermatozoides em
pacientes oligo e astenozoospermia idiopática.
Descobertas semelhantes foram relatadas por Safarinejad et al. (2012) onde após
42
mimético. Veronese et al. (2018) concluiu que a deficiência de acetil-l-carnitina parece
desempenhar um papel de risco em desenvolver depressão, indicando uma desregulação
do transporte de ácidos graxos através da membrana interna da mitocôndria.
Mas falando em infertilidade, existem diversos trabalhos mostrando que a su-
plementação de ambas as formas da carnitina (L e Acetil) pode ser benéfica. Salas-
-Hueltos, Alvert et al. (2018) numa revisão sistemática selecionaram estudos que
foram meta-analisados. A suplementação de 3 gramas de L-carnitina adicionado a 1
grama de Acetil-l-carnitina melhorou significativamente a motilidade total do esper-
ma em 4,82%.
Zhang et al. (2020) incluiu 7 ensaios clínicos na sua meta-análise envolvendo, no
total, 693 pacientes e concluiu que os pacientes que usaram L-carnitina e Acetil-l-carniti-
na aumentaram significativamente a motilidade dos espermatozoides.
Balercia et al. (2005), que talvez seja o mais completo estudo feito com carnitinas
e infertilidade, selecionou 59 homens, de 20 a 40 anos, com baixas concentrações e moti-
lidade de esperma e comparou a suplementação de 3 gramas de L-carnitina/dia, 3 gramas
de Acetil-lcarnitina/dia, 2 gramas de L-carnitina + 1 grama de Acetil-L-Carnitina/ dia com
placebo. Como resultado, observou-se uma maior taxa de gravidez e maior motilidade
após os tratamentos com L-carnitina combinada com Acetil-L-carnitina comparados com
L-carnitina isolada.
Os compostos citados aqui têm maiores comprovações quando falamos de oligo-
-asteno-teratozoospermia (OAT) que é quando ocorrem simultaneamente 3 condições:
1) Oligozoospermia (<15 milhões de espermatozoides/ml);
43
CONTROLE DE COLATERAIS
44
11.
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CAPÍTULO 11
CONTROLE DE COLATERAIS
E
feitos adversos com o uso de esteroides androgênicos são esperados mesmo com
o uso de doses fisiológicas e terapêuticas como, por exemplo, nas terapias de repo-
sição de testosterona.
Sabemos que o uso visando melhora da composição corporal e aumento da perfor-
mance, se é feito com doses suprafisiológicas.
Logo, o abuso de esteroides anabolizantes pode aumentar o risco de efeitos ad-
versos e o usuário deve estar ciente de que o uso em tais doses pode acarretar efeitos
deletérios de curto, médio e longo prazo para sua saúde.
Logo, o abuso de esteroides anabolizantes pode aumentar o risco de efeitos ad-
versos e o usuário deve estar ciente de que o uso em tais doses pode acarretar efeitos
deletérios de curto, médio e longo prazo para sua saúde.
Os efeitos adversos dos esteroides anabolizantes são bem documentados na literatura.
Como trabalho com um público praticante de musculação e bodybuilders quase
que diariamente, vejo como na prática cada indivíduo responde aos esteroides, tanto em
colaterais físicos, como em colaterais silenciosos (os que só são constatados mediante
exames bioquímicos laboratoriais) como hematócrito elevado e desregulação acentuada
do perfil lipídico.
Falar de efeitos adversos do uso de esteroides é sempre bastante polêmico, pois
46
Já em outro questionário, de Parkinson (2006), avaliou as respostas de 500 usuá-
rios de esteroides e observou a presença de efeitos adversos, como resultado em ordem
decrescente: 63,3% atrofia testicular, 63,6% acne; 51,2% dor no local da aplicação; 42,8%
alteração de humor; disfunção sexual (24,6%); 23% ginecomastia; e nenhum efeito ad-
verso em 0,8% dos casos.
Eu poderia citar vários outros trabalhos. Porém, devido a vieses metodológicos,
todos eles apresentam diferenças em percentuais de usuários que apresentaram deter-
minados efeitos colaterais. Isso se deve ao fato de serem feitos com número variado de
participantes, perfis de utilização e tipos de drogas diferentes, padrão de uso (contínuo
ou em ciclos), e de quem é o usuário (individualidade). Além da existência de efeitos dife-
rentes entre os esteroides.
Os que sofrem mais aromatização são mais sujeitos a proporcionar efeitos adver-
sos de retenção hídrica, aumento da pressão arterial e ginecomastia (testosterona, bol-
denona, nandrolona, dianabol). Os esteroides orais, que resistem à primeira passagem
hepática, têm mais chances de causar efeitos hepáticos deletérios e desregular o perfil
lipídico, expondo aquele usuário a um risco cardiovascular maior. Tudo isso somado ao
tempo de uso, doses elevadas, estado clínico do indivíduo antes de decidir usar. Perce-
bem que existem muitas variáveis envolvidas?
Normalmente, após a administração de esteroides, ocorre aumento na libido; en-
tretanto, quando os níveis de testosterona atingem determinada concentração no san-
gue, o nosso organismo passa a inibir a produção endógena de testosterona, fenômeno
este denominado de retroalimentação negativa ou feedback negativo (já citado várias
47
DANOS CARDIOVASCULARES
48
12.
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CAPÍTULO 12
DANOS CARDIOVASCULARES
E
steroides anabolizantes podem afetar o sistema cardiovascular de diversas manei-
ras, sendo as mais conhecidas: aumento da pressão arterial, aumento do hemató-
crito, efeitos adversos decorrentes de desregulação do perfil lipídico, hipertrofia
do ventrículo esquerdo e aumento da homocisteína.
Existem diversos trabalhos corroborando os efeitos dos esteroides no perfil lipí-
dico. O Stanozolol parece ser o esteroide mais agressivo ao perfil lipídico, ou seja, aos
níveis de HDL e LDL. Ainda não está claro qual o mecanismo pelo qual os esteroides agem
nessa desregulação, mas parece estar relacionado ao aumento da atividade da enzima
lipase hepática.
Estudos acerca do uso de esteroides anabolizantes sobre os níveis pressóricos
apontam resultados contraditórios. Algumas pesquisas citam alterações significativas,
enquanto outras não (KUIPERS et al. 1991; O’SULLIVAN et al. 2000; HARTGENS; KUI-
PERS, 2004).
O aumento mais pronunciado da pressão arterial foi relatado por Kuipers et al.
(1991). Esses autores encontraram, inicialmente, 74 mmHg na pressão arterial diastólica
e, após 10 semanas de autoadministração de altas doses de esteroides, a mesma aumen-
tou para 86 mmHg. Deve-se deixar claro que o tipo de drogas utilizadas irá influenciar
totalmente nesse grau de aumento.
50
ESTERÓIDES E HEMOGRAMA
51
13.
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CAPÍTULO 13
ESTERÓIDES E HEMOGRAMA
H
emácias ou eritrócitos, também chamados de glóbulos vermelhos, são consti-
tuídas por globulinas e hemoglobulinas, são responsáveis pelo transporte de
oxigênio para os tecidos. Hemoglobina é a proteína (pigmento vermelho) que
se localiza dentro das hemácias. Já o hematócrito é o percentual de volume de sangue
ocupado pelas hemácias.
55% Plasma
Rim (e o fígado em
Eritopoietina estimala menor extensão)
A eritropoiese a medula óssea vermelha libera eritropoietina
aumenta a contagem
de hemácias
Outra via pela qual a testosterona também estimula a eritropoiese é pela supres-
são da hepcidina, um regulador do metabolismo do ferro. A hepcidina regula o aumento
ou a redução da disponibilidade do ferro.
Quando a hepcidina está baixa, por exemplo, durante o uso de esteroides, há maior
liberação de ferro para o plasma para a síntese de hemoglobina. Já em anemias e insufi-
ciências renais, a hepcidina fica elevada, reduzindo a disponibilidade do ferro.
Ferretina Ferretina
Fe Fe Hepcidina
Liberação do ferro
para o plasma
53
Níveis limítrofes ou maiores que 52% (homens) ou 48% (mulheres) já são perigosos
para a saúde cardiovascular. Nesses casos, recomenda-se:
1) reduzir as dosagens dos hormônios, ou
2) entrar em cruise, ou
3) suspender o uso. Caso não resolva, a solução seria somente por sangria terapêu-
tica, solicitada por médico hematologista;
Veia
Sangue Trombo
Uma observação pertinente precisa ser feita. Esteroides como Boldenona e Oxi-
metolona são os que mais alteram negativamente o hematócrito, então, é razoável colo-
car na balança se vale a pena o uso, caso já esteja com hematócrito elevado, maior que
Valores de Referência:
Valores Obtidos Homens Mulheres
Hemácias 7,08 milhões/uL 4,4 a 6,6 milhões/uL 4,2 a 5,4 milhões/uL
Hemoglobina 19,7 g/dL 13 a 18 g/dL 12 a 16 g/dL
Hematócrito 59,1% 39% a 54% 37% a 48%
Vol. Corpuscular Médio 83,5 fL 76 a 96 fL 76 a 96 fL
HB. Corpuscular Média 27,0 pg 27 a 33 pg 27 a 33 pg
Conc. HB. Corp. Média 32,3 g/dL 32 a 36 g/dL 32 a 36 g/dL
R.D.W. 13,5% 11% a 15% 11% a 15%
54
O indivíduo acima, 37 anos, personal trainer, usuário de esteroides há pelo menos
5 anos, sem acompanhamento médico. Fez uso de vários esteroides, das mais diversas
classes. Me procurou pensando em competição de fisiculturismo, pois era o seu sonho.
Diante do contexto explanado acima, não hesitei e solicitei todos os exames necessários
para averiguar sua saúde. Ao receber o resultado, volta, me deparei com um hemató-
crito de 59,1%. Encaminhei para o hematologista, onde o mesmo solicitou 4 sangrias de
750ml. O hematologista encaminhou o mesmo para o cardiologista, onde foi diagnosti-
cado com fibrilação atrial e arritmia cardíaca. O paciente suspendeu o uso e vive hoje sob
medicação pertinente.
55
ESTEROIDES E PERFIL LIPÍDICO
56
14.
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CAPÍTULO 14
C
olesterol é um álcool de cadeia longa, ou seja, um esteroide encontrado nas mem-
branas celulares e no plasma sanguíneo. É importante para produção endógena de
hormônios sexuais, fabricação da bile, metabolismo de vitaminas lipossolúveis etc.
As dislipidemias, processo de desregulação dos lipídios sanguíneos, podem aumen-
tar as chances de aterosclerose. Aterogênese é o processo que leva ao desenvolvimento
da aterosclerose. É uma resposta inflamatória crônica local a fatores de risco, com altas
concentrações de lipoproteínas de baixa densidade (LDL) que são prejudiciais à parede
arterial (Badimon et al. 2006).
A partir de então, a formação de lesão e progressão na aterogênese pode resultar
em placas, favorecendo a liberação de citocinas inflamatórias (TNF-alfa, interleucina-6,
proteína-c-reatina).
A doença cardíaca aterosclerótica envolve o estreitamento e a perda de elasticida-
de da parede dos vasos sanguíneos causados pelo acúmulo de placas.
Essas placas podem virar ateromas, formadas por uma camada de fibrina (depois
irei falar sobre fibrinogênio), que por sua vez podem se romper formando um trombo,
que atrai plaquetas no sangue e ativa o sistema de coagulação do corpo. Essa resposta
pode resultar em bloqueio ou diminuição do fluxo sanguíneo.
A evolução clínica da função arterial diminuída decorrente da aterosclerose de-
Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Arq. Bras. Cardiol2017; 109 (2Sup.1) 1-76
58
obstante, essas alterações negativas no perfil lipídico podem ser minimizadas com a in-
terrupção total do uso (KUIPERS et al. 1991; VENÂNCIO et al. 2010).
Na prática do consultório, já vi diversos casos de usuários com HDL menor que
10 (a referência, para homens, é >40). Ter um colesterol desregulado, com uma péssima
relação HDL/LDL, tem suas consequências no futuro.
As dislipidemias são a desregulação dos lipídeos sanguíneos. Elas podem ser
classificadas em:
1) hipercolesterolemia isolada, que é o aumento isolado do LDL (maior que 130);
2) Hipertrigliceridemia isolada, que é o aumento isolado dos triglicerídeos (maior
que 150);
3) HDL baixo que é o HDL menor que 40 em homens, e menor que 50 em mulheres.
Como falei anteriormente, com os lipídios sanguíneas desregulados há um risco
maior para desenvolver aterosclerose, que é o processo inflamatório e proliferativo, de-
corrente do depósito de lipídios, cálcio, fibrina, na parede íntima ou interior das artérias,
que resulta em uma placa (ou ateroma), reduzindo a passagem e o fluxo sanguíneo.
É como se houvesse um fluxo de água numa mangueira e a cada vez mais que você
apertasse essa mangueira, mais ficaria difícil de a água passar. Chegará um momento que
não passará mais água.
A aterosclerose nas artérias coronárias podem causar infarto; já nas artérias cere-
brais podem causar acidente vascular cerebral (AVC) e vários fatores podem favorecer
o desenvolvimento dessas lesões: idade, sexo, hipercolesterolemia, hipertensão arterial,
fumo, diabetes mellitus, obesidade, homocisteína (falarei dela mais adiante), dietas ricas
Fibrinogênio
O fibrinogênio é um fator da coagulação (fator I), uma proteína necessária para a
formação do coágulo. É produzido no fígado e liberado na circulação junto com outros
fatores. É desencadeado quando há lesão de um vaso sanguíneo, processo chamado he-
mostasia, que contém o sangramento. Pequenos fragmentos de células (plaquetas) ade-
rem ao local da lesão e se agregam formando um tampão. Ao mesmo tempo, é iniciada a
59
coagulação, com ativação sucessiva de diversos fatores da coagulação (conhecido como
cascata de sinalização). No final do processo, o fibrinogênio, que é uma proteína solúvel,
é convertido em filamentos insolúveis de fibrina (lembra dela?), que reforçam o coágulo
plaquetário e formam um coágulo estável. O fibrinogênio é uma proteína de fase aguda.
Seus níveis se elevam quando há inflamação ou lesão tecidual de qualquer causa, e aqui
estamos falando de uma lesão endotelial causada pela dislipidemia.
Estudos prospectivos têm demonstrado que o fibrinogênio é um preditor indepen-
dente de risco para doença arterial coronariana.
Proteína-C-Reativa (PCR)
A PCR é sintetizada no fígado como resposta da fase aguda da inflamação. Em um
indivíduo normal sem infecção ou inflamação, as concentrações de PCR se encontram
muito baixas (3,0mg/L). A PCR tem sido encontrada no ateroma arterial e, portanto, ago-
ra é considerada tanto um fator de risco quanto um agente causal para aterotrombose
(Scirica et al. 2006).
Considerando que a PCR é uma medida geral de inflamação, e não específica para
o coração ou para o sistema vascular, portanto uma concentração elevada precisa de in-
vestigações adicionais para se determinar a origem da inflamação.
Homocisteína
Sobre a saúde cardiovascular ainda existe o parâmetro laboratorial da homocis-
60
PERFIL LIPÍDICO
CONTROLE NUTRICIONAL DO
61
15.
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CAPÍTULO 15
T
endo em vista que os impactos mais relevantes dos esteroides sobre a saúde do
usuário são cardiovasculares, considero de suma importância esse tema.
Existem fatores de estilo de vida, de antemão modificáveis, para se evitar
ou reduzir os riscos cardiovasculares, dentre eles: sobrepeso, obesidade, tabagismo,
sedentarismo, síndrome metabólica, hipertensão, dieta ocidental rica em açúcares, po-
bre em fibras e rica em gorduras. Esse contexto não é (ou não deveria ser) fator para
quem decide usar esteroides.
De forma geral, quem decide usar esteroides, com fins estéticos ou performáticos,
treina musculação, crossfit, powerlifting, ou qualquer esporte de endurance, por exem-
plo. Geralmente esse tipo de público já se alimenta bem (ou pelo menos deveria). Isso faz
com que as dislipidemias não sejam nem primárias (genéticas) ou secundárias aos fatores
acima citados, e sim secundárias ao uso de esteroides.
Como citei anteriormente, os esteroides 17-alfa-alquilados, que exigem metaboli-
zação hepática são os mais agressivos ao perfil lipídico, e o prêmio aqui vai para o Stano-
zolol, sendo o esteroide mais hepatotóxico e dislipidêmico (Carson et al. 2015).
Portanto, é de suma importância para uma pessoa que decide usar esteroides res-
peitar algumas diretrizes nutricionais. Segundo a Atualização da Diretriz Brasileira de
Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (2017), o padrão de dieta precisa sofrer al-
63
mática das dessaturases e elongases sobre o ALA (ômega-3 vegetal). A conversão de ALA
em EPA e DHA é limitada.
Das que eu citei aqui, EPA e DHA têm sido cada vez mais estudados quanto ao seu
potencial efeito cardioprotetor, e os mecanismos propostos para seus benefícios incluem
redução de marcadores inflamatórios, principalmente pela alteração na síntese de pros-
taglandinas, e da agregação planetária, por interferir em fatores de coagulação, melhora
da função endotelial, bem como redução da pressão arterial e dos triglicerídeos.
Em regiões onde peixes e algas estão incluídos no padrão cultural alimentar reco-
menda-se, pelo menos, duas porções por semana. Os estudos não quantificam o que seria
uma porção, mas para ter noção 100g de salmão contém cerca de 1,4 g de EPA+DHA; já o
atum tem a cada 100g cerca de 500mg de EPA+DHA. As dosagens dos estudos são bem
diferentes, em diferentes desfechos. O consumo de peixes ou suplementos que resultem
em 500mg de EPA + DHA está relacionado à redução de 39% de risco de DCV e de 46%
do risco de DCV fatal (Salavila et al. 2016). Em prevenção primária, independente do grau
de risco cardiovascular, o consumo diário de 250mg de EPA+DHA pela alimentação está
relacionado à redução de 35% de morte súbita. Em pacientes com DCV recomenda-se a
ingestão de 1g de EPA+DHA; e os pacientes com hipertrigliceridemia precisam ingerir de
2 a 4g de EPA e DHA por dia para uma redução efetiva (KRAUZE).
O colesterol alimentar é um composto vital para o organismo, essencial na forma-
ção das membranas das células, produção de hormônios sexuais, vitamina D e sucos diges-
tivos, além de desempenhar papel importante nos tecidos nervosos e originar sais biliares.
No entanto, há muita controvérsia na literatura sobre o consumo do colesterol e o
64
As solúveis dissolvem-se em água, formando um gel, por exemplo: a casca da bata-
ta, alface, acelga, e cascas da maçã e uva, ricas em pectina, um tipo de fibra solúvel. Já as
insolúveis, como alimentos integrais, arroz integral, pães integrais, e frutas como banana
não solubilizam em água, aumentando o bolo fecal. De grosso modo, fibras solúveis “sol-
tam”; as insolúveis “prendem”.
As recomendações são de acordo com o sexo e idade, mas de forma geral, deve-se
ingerir 14g de fibras a cada 1000kcal. Existem recomendações de 25 a 35g de fibras por
dia; e outras de 0,3 a 0,5g/kg de fibras por dia (Hooper et al. 2015). Alguns tipos de fibras
são conhecidas por terem um potencial hipolipidemiante maior. Dessa recomendação,
cerca de 6 a 10g, pelo menos, tem que ser de fibras solúveis.
De forma geral, as fibras que têm maior potencial de reduzir o colesterol são as
solúveis. Em particular as solúveis como pectina, goma guar, polissacarídeos de algas e
algumas hemiceluloses reduzem as concentrações de LDL.
A quantidade de fibras necessárias para produzir o efeito de redução de lipídios
varia de acordo com a fonte de alimento, por exemplo, são necessárias quantidades maio-
res de legumes do que pectina ou psyllium.
Os mecanismos propostos para o efeito hipocolesterolêmico das fibras incluem:
1) a fibra se liga aos ácidos biliares, o que reduziria as concentrações de colesterol
sérico, conforme satura as reservas de ácido biliares;
2) as bactérias do cólon fermentam as fibras para a produção de ácidos graxos de
cadeia curta (AGCC - acetato, propionato [não tem a ver com ésteres de fármacos] e buti-
rato, que inibem a síntese de colesterol). É bom deixar bem claro que os minerais, vitami-
Psyllium
Psyllium é derivado de um arbusto Plantago Ovata, onde se extrai a casca das suas
sementes. Pelo seu alto teor em fibras (cerca de 80%) é indicada para diversos fins como,
por exemplo, diabetes, hipercolesterolemia, constipação, obesidade etc.
Psyllium é a fibra solúvel mais estudada na redução do colesterol. Uma revisão in-
dica que doses de 7 a 15 g por dia estão associadas a uma redução de 5,7% a 20,2% de
65
LDL-colesterol, e 2 a 14,8% de colesterol total, e parece não alterar níveis de HDL e trigli-
cerídeos. É aconselhado o uso antes das refeições principais.
Em um estudo conduzido por Arrigo et al. (2010) onde 141 participantes recebe-
ram 3,5g de psyllium ou 3,5g de goma-guar a serem tomados 20 minutos antes das duas
refeições principais, por 6 meses, observou-se que o psyllium foi mais eficiente em redu-
zir o colesterol, triglicerídeos, glicemia e hipertensão. O referido estudo ainda concluiu
que o psyllium poderia ser mais fortemente indicado para pacientes que precisam redu-
zir fatores de risco cardiovascular, enquanto a goma-guar poderia ser mais rapidamente
eficaz no fortalecimento do efeito de dietas destinadas a reduzir o peso corporal.
Beta-glucanas (aveia)
As beta-glucanas são polissacarídeos presentes nas paredes celulares de grãos e
cereais, especialmente na aveia e cevada. Em 100g de farelo de aveia encontramos cerca
de 9,5g de beta-glucanas.
Arrigo et al. (2020) observou que a suplementação de 3g de beta-glucanas por dia
foi capaz de reduzir o colesterol total em 15% e o LDL colesterol em 8,9%.
Reyna-Villasmil et al. (2007) avaliou 38 homens com sobrepeso e levemente hi-
percolesterolêmicos onde ingeriram 6g de beta-glucanas por 8 semanas, com mudança
no estilo de vida e estilo de alimentação mais saudável, e como resultados houve uma
redução de 33% nos níveis de colesterol total e 8,4% nos níveis de LDL.
Em uma metanálise de Ho et al. (2016) mostrou que o consumo de 6,5 a 6g de be-
ta-glucanas por 4 semanas foi capaz de reduzir o LDL-colesterol em 23mg/dL.
66
Existe relação inversa entre o consumo habitual de fitoesteróis na dieta e os ní-
veis séricos de colesterol ou de LDL. Já a suplementação de 2g ao dia de fitoesteróis re-
duziu o colesterol total e o LDL em 8,2% e 9,3%, respectivamente (Williams et al. 1999;
Demonty et al. 2009).
O uso de fitosteróis deve ser parte das mudanças de estilo de vida e estão indica-
dos para: Indivíduos com colesterol elevado e que estejam sob risco cardiovascular baixo
ou intermediário, que não se qualifiquem para tratamento farmacológico como medida
adjunta ao tratamento farmacológico em pacientes que não atingem as metas de LDL em
tratamento com estatinas (Scholle et al. 2009).
Os fitoesteróis encontrados na soja ajudam na redução do colesterol LDL. Para
que o colesterol seja absorvido no intestino, precisa se tornar solúvel através da sua inte-
ração com a bile, caso contrário permanecerá insolúvel e será eliminado nas fezes.
Quando introduzimos fitoesteróis como a soja, na dieta, eles são introduzidos nas
micelas, impedindo a entrada do colesterol. A soja é amplamente utilizada em aborda-
gens dietéticas para doenças cardiovasculares (DCV), pois as isoflavonas, um composto
presentes na soja, modulam a atividade do NF-KB, que tem um efeito pró inflamatório,
bem como melhoram a resistência das células endoteliais (paredes internas dos vasos), e
induzem o relaxamento vascular.
Uma metanálise conduzida por Zhan e Ho (2005) verificou que a suplementação
de proteína da soja contendo isoflavonas foi capaz de reduzir 8,4mg/dL de colesterol to-
tal, 8mg/dL de LDL, e promoveu aumentos discretos (1,5mg/dL) nos níveis de HDL.
Em outra meta-análise onde se avaliaram 11 ensaios clínicos randomizados con-
67
equilibrada e hábitos de vida saudáveis. Pode haver modesta redução nos níveis de vita-
minas lipossolúveis (carotenóides), uma condição que pode ser revertida aumentando o
consumo de vegetais (Diretriz Brasileira de Dislipidemias, 2017).
Existe um produto comercializado em farmácia chamado Collestra, que é feito à
base de fitoesteróis. Cada cápsula possui 650mg de fitosteróis sendo 60 a 70% da soja,
20 a 30% canola, 5 a 10% de girassol e 1 a 5% de milho.
Probióticos
Probióticos são microorganismos vivos que quando administrados Probióticos
são microorganismos vivos que quando administrados.
A influência benéfica dos probióticos sobre a microbiota intestinal humana inclui
fatores como efeitos antagônicos, competição e efeitos imunológicos, resultando em um
aumento da resistência contra patógenos. Assim, a utilização de culturas bacterianas
probióticas estimula a multiplicação de bactérias benéficas, em detrimento à prolifera-
ção de bactérias potencialmente prejudiciais, reforçando os mecanismos naturais de de-
fesa do hospedeiro (Puupponen-Pimiä et al. 2002).
Dentre as inúmeras funções dos probióticos à microbiota podemos citar alguns
benefícios como: estimulação do sistema linfóide associado ao intestino, redução de lipí-
dios sanguíneos (foco dessa parte do e- book), produção de vitaminas (complexo B e K),
facilitadores da digestão de lactose pela síntese da enzima beta-galactosidase, controle
de diarreia pós uso de antibióticos, antagonismo a patógenos por competição dos sítios
de ação, e tem como pré-requisito ser resistente à fabricação, comercialização, e inges-
68
duções significativas estão os Lactobacillus acidophilus, uma mistura de Lactobacillus
acidophilus e Bifidobacterium lactis, e Lactobacillus plantarum. Não houve diferenças
significativas para HDL e triglicerídeos.
Alho
O alho (Allium sativum) contém compostos sulfurados e não sulfurados, onde é no
bulbo que contém as substâncias S-alil-cisteína que são substratos para a ação da enzima
alinase. Quando maceramos (amassamos) o alho, há o encontro do substrato e a enzima,
resultando na ativação da alicina, a substância que tem potencial antioxidante, e poten-
cial hipocolesterolemiante, com a redução da síntese de colesterol.
Em uma metanálise (Shabani et al. 2018) onde se avaliou o uso de alho em 1273 in-
divíduos, em doses que variaram entre 300 a 2000mg por dia, concluiu que o alho foi mais
eficiente que o placebo na redução do colesterol total (16,8mg/dL) e no LDL (9,65mg/dL)
em indivíduos com colesterol total maior que 200mg/dL. Lembrando que ao aquecer o
alho o poder hipocolesterolêmico pode ser reduzido.
O mecanismo de ação do allium sativum na melhora do perfil lipídico está relacio-
nado com os compostos do alho que diminuem a biossíntese de colesterol pela inibição
da enzima HMG-CoA redutase. Se o nosso corpo produz muita HMG-CoA redutase, te-
mos maior síntese de colesterol.
A posologia varia entre 2 a 5g do bulbo do alho cru (precisa da maceração), ou 1,5
a 1,5g de alho em pó, ou 300 a 1000mg de extrato de alho ou allium sativum. Pode ser
manipulada, ainda, a própria alicina, numa dose de 5 a 10mg.
69
Quando usado em mega-doses (100-200x a RDA) tem ação hipolipidemiante, pela
atuação como inibidor da síntese de VLDL e aumento do HDL.
A RDA é a ingestão diária de nutriente que é suficiente para atender as necessida-
des nutricionais de quase todos (97 a 98%) os indivíduos saudáveis de um determinado
grupo de mesmo sexo e estágio de vida. A RDA da niacina em homens adultos é de 16mg
por dia; e 14mg por dia em mulheres.
Existem dois tipos de suplementos de niacina: nicotinamida e ácido nicotínico. A
nicotinamida, diferentemente do ácido nicotínico, não causa rubor, vermelhidão e sensa-
ção de formigamento. A nicotinamida pode ser encontrada comercializada na forma “no
flush” ou “flush free”, que significa “livre de vermelhidão”.
Em uma revisão conduzida por Schandelmaier et al. (2017) que selecionou 23 en-
saios clínicos randomizados, mais de 39 mil participantes, em uma duração média de 11
meses, onde se avaliou se a niacina em doses de 1000mg a 3000mg por dia seria indicada
para prevenir doenças cardiovasculares, no entanto, observou-se que apesar de aumen-
tar os níveis de HDL em até 35%, não reduziu a mortalidade em geral. Esse efeito prova-
velmente se deve ao fato de que o efeito no aumento no HDL deve ser em relação a uma
fração do HDL não funcional.
Outras estratégias
Diante de um contexto hipercolesterolêmico induzido por esteroides, podemos
avaliar junto com o médico do paciente se será necessário utilizar algum medicamento
hipocolesterolemiante como por exemplo, estatinas. E não é o intuito desta obra abordar
70
DANOS HEPÁTICOS
71
16.
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CAPÍTULO 16
DANOS HEPÁTICOS
O
s esteroides estão associados à alteração da função hepática (aumento de tran-
saminases, fosfatase alcalina, bilirrubina conjugada ou direta) e proteínas séri-
cas. Problemas hepáticos são bem documentados e estão entre os efeitos co-
laterais mais superestimados pelo uso, enquanto os danos ao sistema cardiovascular e
sistema nervoso são subestimados.
Mas não é pelo fato de serem superestimados que eles não existem. A magnitude
de pessoas que fazem uso de esteroides sem conhecimento e sem acompanhamento é
cada dia maior.
O aumento das transaminases pode não ser um real problema, uma vez que o exer-
cício muito intenso induz trauma muscular e libertação destas enzimas para o plasma, cau-
sando elevações. Assim sendo, a GGT é a melhor enzima para esta avaliação, uma vez que
só se encontra presente nas células hepáticas. Também estão descritos casos de icterícia e
colestase, principalmente com os agentes alquilados (esteroides 17- alfa-alquilados). Ain-
da estão associados com peliose hepática (acumulação de cistos hemorrágicos no fígado)
e adenomas hepatocelulares (tumores), sobretudo, se administrados em altas doses.
Os efeitos adversos hepáticos decorrentes do uso de EAA estão entre os mais co-
muns e graves, dentre os quais podemos destacar aumentos dos níveis de marcadores
enzimáticos de toxicidade no fígado, podendo ocasionar hepatotoxicidade, além de he-
73
MARCADORES DA
FUNÇÃO HEPÁTICA
74
17.
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CAPÍTULO 17
O
fígado é um dos órgãos mais complexos e a glândula de maior dimensão do cor-
po humano. É importantíssimo para a manutenção do funcionamento saudável
do corpo humano, tendo papel central: metabolismo de nutrientes, armazena-
mento de minerais (ferro, cobre) e de reserva de energia como, por exemplo, o glicogênio.
Atua também na desintoxicação do organismo como, por exemplo, na conversão
de amônia, que é tóxica ao organismo, em ureia, bem como atua na manutenção dos pro-
cessos de coagulação e metabolização de medicamentos e hormônios (tireoidianas, Eri-
tropoetina, vitamina D, IGF-1).
As doenças hepáticas podem ser divididas em duas categorias principais: as de (1)
necrose celular, geralmente causadas por dano ao hepatócito (dano direto e/ou indireto;
agudo ou crônico); e as (2) colestáticas, associadas a patologias que prejudicam ou inter-
rompem o fluxo da bile nas vias biliares.
Os exames hepáticos acabam sendo divididos em duas categorias:
1) os de lesão hepática e/ou biliar, que englobam as aminotransferases (TGO e
TGP), a fosfatase alcalina (FA) e a gamaglutamil-transferase (GGT);
2) os de função hepática, que englobam as dosagens de marcadores relacionados
à capacidade de síntese hepática (albumina, tempo de protrombina e bilirrubinas).
O uso de esteroides orais ou injetáveis em altas doses (em especial do mercado
TGO e TGP
As aminotransferases são enzimas extremamente úteis para avaliação de lesões
hepáticas. TGO ou AST, significa aspartato aminotransferase (ou transaminase glutâmico
oxalacética) não específica e sensível para o fígado, e é uma enzima presente no citoplas-
ma e mitocôndrias de fígado, músculo esquelético, músculo cardíaco, rins etc. Portanto,
isoladamente, TGO não reflete alterações hepáticas significativas. Os valores de TGO
ficam em média entre 5-40U/L.
Quando cruzamos o marcador com o TGP, transaminase glutâmico pirúvica (ou
ALT, alanina aminotransferase) que apesar de ter em pequenas concentrações na muscu-
latura, é uma enzima mais específica do fígado, encontrada no citoplasma de hepatócitos,
e esta encontra-se elevada, é um indício de que a função hepática se encontra sobrecar-
regada. Normalmente encontra-se alterada em lesões musculares muito intensas como
rabdomiólise. Os valores referenciais de TGP ficam em média de 7-56 U/L.
Vale ressaltar que os valores de TGO e TGP podem variar de acordo com quanti-
dade de massa muscular, sexo, e contexto farmacológico utilizado. As elevações desses
marcadores de lesão hepática podem ser divididas em:
1) Leves: menor que 5x o limite superior;
2) Moderada: de 5 a 10x o limite superior da referência;
76
FOSFATASE ALCALINA (FA)
Fosfatase Alcalina (FA), ou ALP, é uma família de isoenzimas presentes em quase
todos os tecidos, principalmente no tecido hepático, ósseo, renal e intestinal. Apesar de
ser útil para avaliação de lesões hepáticas, mais precisamente de vias biliares, não é uma
enzima específica do sistema hepático.
Dessa forma, é importante correlacionar o aumento de fosfatase alcalina com a
clínica, pois na ausência de sintomas hepatobiliares podemos sugerir que as elevações
são decorrentes de outras localidades.
A fosfatase alcalina possui diversas funções, dentre elas mineralização dos ossos,
transporte de substâncias ou metabólitos entre membranas, inativação de endotoxinas
bacterianas protegendo o organismo durante os processos inflamatórios.
Os valores de referência para adultos variam entre 40-120. Valores acima de 4
vezes o limite superior da normalidade podem ocorrer após 1 a 2 dias após a obstrução
biliar. Seus níveis aceitáveis são até 130U/L. Quando há um aumento de 2 vezes o limite
máximo (>260) pode indicar hepatite ou cirrose; já quando se eleva 4 a 10 vezes o limite
(480-1300) indica obstruções biliares, colestase ou cirrose biliar. Deve ser cruzado sem-
pre com TGO e TGP para um diagnóstico mais preciso.
77
Marcadores de função hepática
BILIRRUBINAS
A bilirrubina é um pigmento presente na bile, produto do metabolismo do grupa-
mento heme das hemácias, realizado no sistema reticuloendotelial (baço e medula ós-
sea). Após a sua formação é denominada bilirrubina não conjugada ou indireta, sendo
altamente lipossolúvel e necessitando da ligação da albumina para ser transportada até
o fígado.
No fígado, a bilirrubina é conjugada com o ácido glicurônico, adquirindo proprie-
dades hidrossolúveis (o que permite ser eliminada do sistema biliar por meio da bile) e
recebendo a denominação de bilirrubina conjugada ou direta.
Após a chegada da bilirrubina conjugada no intestino delgado, ela é metabolizada
por bactérias formando urobilinogênio; parte desse composto é reabsorvido e re-secre-
tado na bile, parte é transportado aos rins, onde é eliminado na forma de urobilina. Outra
parte é transformada em estercobilinogênio, sendo eliminado nas fezes como estercobi-
lina. Como citei acima, o exame de bilirrubina, que se divide em total, direta (conjugada),
e indireta (ou não conjugada), é o produto da destruição da porção heme da hemoglobina.
E a presença de bilirrubina nas fezes ou urina é chamada de colúria. Pode avaliar, ao mes-
mo tempo, lesão hepatocelular, fluxo biliar e doenças hemolíticas.
Hemácias senescentes serão
eliminadas pelo organismo após Heme Biliverdina
120 dias circulantes
Urobilina
Estercobilina
Excreção
78
O aumento de bilirrubina indireta é observado na síndrome hemolítica (destruição
de hemácias), na icterícia neonatal, e em algumas síndromes. Os níveis de bilirrubina di-
reta aumentados podem indicar um problema na função do fígado e na passagem da bile
pelas vias biliares dentro e fora do fígado.
A bilirrubina direta pode estar aumentada nas hepatites agudas e crônicas, nas
reações tóxicas a várias drogas, alcoolismo e nas obstruções do trato biliar. Com o acú-
mulo de bilirrubina no corpo, o paciente pode apresentar os olhos de cor amarela (icte-
rícia), urina escura (colúria), fezes esbranquiçadas (acolia) e coceira pelo corpo (prurido).
As duas explicações para aumento de bilirrubina sérica são:
1) O organismo está produzindo muita bilirrubina (geralmente por causa de he-
mólise): Se uma pessoa tem aumento na bilirrubina, e a maioria é indireta (não conjuga-
da), significa que ela ainda não passou pelo fígado.
1.1) O problema pode ser devido a uma grande quantidade de heme na cir-
culação e o fígado não consegue metabolizar na mesma velocidade;
1.2) Pode ser também algum problema com a capacidade de o fígado con-
jugá-la, como por exemplo na Síndrome de Gilbert, em que há deficiência de uma
enzima necessária para sua conjugação;
2) O organismo não está conseguindo remover a bilirrubina (geralmente por cau-
sa de obstrução das vias biliares, doença hepática ou distúrbio hereditário no processa-
mento da bilirrubina).
2.1) Se o aumento da bilirrubina é devido principalmente à parte conjugada
(direta), significa que o processo de conjugação ocorreu;
TEMPO DE PROTROMBINA
O Tempo de protrombina (TP) é um exame desenvolvido para desenvolvimento da
homeostasia e da coagulação sanguínea. Protrombina é conhecida como fator II da coa-
gulação e é uma proteína produzida pelo fígado, e quando ativada promove a conversão
79
de fibrinogênio em fibrina, que juntamente com as plaquetas formam uma camada que
impede o sangramento. Porém, em virtude de seu metabolismo, o TP acaba sendo útil
para detectar a capacidade do funcionamento hepático.
O tempo de protrombina consiste na avaliação do tempo em segundos que uma
amostra de plasma leva para coagular após adição de fatores ativadores de coagulação.
Assim, ele avalia o funcionamento da vida extrínseca da cascata de coagulação e sua ati-
vidade dependente de outras substâncias sintetizadas no fígado (fator tecidual, fibrino-
gênio, protrombina, fator V, Fator VII e fator X).
Só a título de curiosidade, no caso das pessoas que fazem uso de anticoagulantes
orais, como a varfarina ou a aspirina, o médico solicita periodicamente o INR, que é uma
medida mais específica que o TP para avaliar o efeito dos medicamentos, já que o TP nor-
malmente é alto nessas condições.
Além disso, a síntese da maioria dos fatores de coagulação é dependente de vita-
mina K, uma substância que não é produzida no nosso organismo e precisa ser ingerida
na dieta. Como a absorção dessa vitamina depende da presença de sais biliares, quando
há diminuição do funcionamento hepático, ocorre a redução da sua produção, espera-se
no paciente cirrótico um grau de deficiência de vitamina K.
O valor de referência do tempo de protrombina para uma pessoa saudável deve
variar entre 10 e 14 segundos. Já no caso do RNI (que é uma medida mais específica que
o TP para avaliar o efeito dos medicamentos, e dos diferentes laboratórios), o valor de
referência para uma pessoa saudável deve variar entre 0,9 e 1.
Logo, quando TP está alto indica que haveria mais tempo para haver a coagulação.
Algumas situações podem fazer com que o TP fique alto: uso de anticoagulantes (aspiri-
na, varfarina); doenças hepáticas (foco do capítulo), deficiência de vitamina K, problemas
de coagulação (hemofilia, por exemplo).
É importante ter ciência de que, apesar de os marcadores hepáticos estarem den-
tro da normalidade, é de suma importância, após um ciclo com esteroides orais, princi-
palmente falando em doses altas e por longos períodos, fazer exames de imagem para
avaliar melhor a função hepática.
80
ESTRATÉGIAS DE
DETOXIFICAÇÃO HEPÁTICA
81
18.
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CAPÍTULO 18
P
ara se proteger do dano oxidativo, células hepáticas possuem mecanismos antio-
xidantes/detoxificantes enzimáticos como, por exemplo, Superóxido-Dismutase
(SOD), Catalase (CAT) etc.
Alguns alimentos e fitoquímicos têm a capacidade de aumentar a capacidade des-
sas enzimas ou inibir processos que reduzem a atividade dessas enzimas. O açaí, por
exemplo, possui isoflavonóides que agem contra o superóxido, aumentando a capacidade
da enzima superóxidodismutase (SOD). Polifenóis do vinho tinto e suco de uva, isoflavo-
na da soja, e curcumina do açafrão da terra aumentam a capacidade da SOD. Já a silima-
rina atua evitando a redução da atividade da SOD e da catalase (CAT).
A glutationa é um tripeptídeo produzido pelo fígado responsável pela inativação
de compostos antioxidantes, e tem papel de biotransformação (para excreção) de xeno-
bióticos e compostos tóxicos ao organismo. Atua pelas enzimas Glutationa-Peroxidase
(GSH-Px), Glutationa-S-Trasnsferase, Gutationa-Sintetase e Glutationa-Redutase.
Existem substâncias que têm o potencial de aumentar a atividade dessas enzimas
relacionadas ao mecanismo de detoxificação.
Esteroides da classe 17-alfa-alquilados, que sobrevivem ao metabolismo de pri-
meira passagem hepática podem ocasionar alterações nos hepatócitos. É de suma impor-
tância saber que o uso das substâncias citadas abaixo é bastante discutível, pois, apesar
N-Acetilcisteína
A molécula de N-Acetilcisteína (NAC) tem capacidade de agir de forma análoga à
glutationa, reagindo com os radicais livres e ajudando na recuperação da função hepática
em caso de lesões.
NAC melhorou significativamente os resultados secundários de sobrevida livre de
transplante hepático em comparação com o placebo (Chughlay et al. 2016).
A título de conhecimento, é utilizado como antídoto para a superdose de parace-
tamol. E o único antídoto específico para lesão hepática induzida por drogas não-parace-
tamol aguda continua sendo a Nacetilcisteína (Stine et al. 2015).
A N-acetilcisteína (NAC), além de agir como a glutationa, também é um precursor
da glutationa que desintoxica o metabólito reativo do paracetamol e repõe os estoques
de glutationa hepática, e é uma droga altamente eficaz para a prevenção da insuficiên-
cia hepática aguda causada pelo paracetamol (Hu et al. 2015). Hu et al. (2015) avaliaram
desfechos secundários como sobrevida livre de transplante de fígado, sobrevida pós-
-transplante, tempo de internação na UTI e no hospital e a relação com o grau de coma.
E concluíram que nenhuma diferença estatística foi identificada entre o grupo NAC e o
grupo de controle para a sobrevida global, mas a sobrevida pós-transplante e sobrevida
com fígado nativo tiveram melhora em quem usou NAC.
A NAC também é usada na medicina como mucolítico, tendo alta capacidade de
excreção de secreções pulmonares, ajudando a liberar as vias aéreas, inclusive em doen-
ças pulmonares obstrutivas crônicas (Rogliani et al. 2019).
Considero ser um dos melhores “protetores” hepáticos por ter um baixíssimo cus-
to a uma dose eficaz. Doses de 200 a 600mg costumam cumprir bem o seu papel. Doses
muito altas costumam trazer consigo efeitos adversos como náuseas, enjoos, vômitos.
Silimarina
É um ativo vegetal extraído do fruto da planta medicinal Cardus Marianum, é uma
flavolignana, um tipo de flavonóide. Ao todo são seis flavolignanas: a silibina, isosilibinina,
isoilicristina, silidianina, silicristina e taxifolina (Frederico et al. 2017).
A Silimarina ajuda a aumentar a atividade da enzima glutationa-peroxidase, uma
enzima responsável pela detoxificação, fazendo parte do sistema de defesa antioxidante.
Também aumenta a capacidade de outra enzima, a superóxido-dismutase (SOD), que é
responsável pela redução de superóxido de hidrogênio a peróxido de hidrogênio, prote-
83
Na mesma linha, Avelar et al. (2017), em uma revisão sistemática e metanálise,
concluíram que apesar de haver reduções nas transaminases TGO e TGP, não houve re-
levância clínica, ou seja, não houve redução dos desfechos clínicos negativos. Não hou-
ve também redução nos níveis de GGT, que como vimos, é um marcador mais específico
para o fígado.
Existe um medicamento chamado Silimalon®, comercializado em farmácias, que
contém 70mg de silimarina por drágea. Segundo a bula, destina-se ao alívio dos sintomas
e prevenção dos danos provocados pelas agressões ao fígado. Tais agressões podem ser
de origem alimentar (dietas gordurosas, ingestão excessiva de bebidas alcoólicas), medi-
camentosa ou infecciosa. Doses diárias efetivas de silimarina são de 200 a 400mg por dia.
Muitos usuários citam a silimarina como o protetor hepático mais eficiente ou
mais utilizado. No entanto, como vimos, os desfechos clínicos não foram favoráveis. E,
diferentemente do NAC, a silimarina não é utilizada como antídoto.
SAMe
A SAMe (S-Adenosil-L-Metionina) é um composto naturalmente encontrado no
nosso corpo, a partir do ATP e do aminoácido metionina. A metionina é um aminoácido
essencial que é metabolizado principalmente pelo fígado, onde é convertido em S-adeno-
silmetionina (SAMe) pela enzima metionina adenosiltransferase. Embora todas as células
de mamíferos sintetizem SAMe, o fígado é onde a maior parte da SAMe é gerada, pois é o
órgão onde cerca de 50% de toda a metionina da dieta é metabolizada (Mato et al. 2013).
Para aumentar a absorção em suplementação oral do indivíduo, é recomendado a
84
Há risco de interação medicamentosa com fármacos antidepressivos (inibidores
MAO), levodopa (para doença de Parkinson), e por reduzir a glicemia, há risco de hipogli-
cemia em diabéticos. Portanto, pessoas que fazem uso de tais fármacos não devem fazer
uso do SAMe.
Apesar de ter boa eficácia científica, os estudos em relação aos desfechos clínicos
são controversos. Um estudo multicêntrico espanhol, de 2 anos de duração, que exami-
nou o efeito do SAMe oral em 123 pacientes com cirrose devido a doença hepática alcoó-
lica. 62 pacientes (53 homens, 9 mulheres) foram randomizados para SAMe 1200mg/dia
e 61 pacientes (53 homens, 8 mulheres) com placebo. Digno de nota, aproximadamente
um quarto dos pacientes também tinha hepatite viral crônica. Os desfechos estudados
foram a mortalidade por todas as causas, transplante de fígado, complicações de doença
hepática e bioquímica clínica. E o estudo concluiu que o SAMe não teve relevância clíni-
ca (Anstee & Christopher, 2012). Quando falamos em relevância clínica indicamos que,
apesar de reduzir as transaminases, o desfecho não foi favorável, ou seja, não reduziu
complicações hepáticas ou morte.
Além de contribuir para proteção hepática, também é utilizada para tratamento
de depressão, ansiedade, pois é precursor de serotonina e melatonina e pode ocasionar
na melhora das articulações. Na década de 1970, o SAMe era usado como analgésico
anti-inflamatório para o tratamento de artrite e depressão (Guo et al. 2015).
Dosagens eficazes para detoxificação hepática (leia-se melhora ou redução de
TGO, TGP, GGT) giram em torno de 200 a 1400mg por dia.
Há fortes evidências pré-clínicas de que SAMe tem papéis fisiológicos importantes
Alcachofra
As atividades nutricionais e farmacológicas da alcachofra (Cynara scolymus) são
conhecidas desde a antiguidade. O efeito hepatoprotetor da alcachofra se deve ao po-
85
tencial antioxidante, principalmente o ácido clorogênico e a cinarina, bem como flalvo-
nóides presentes no extrato. Tais compostos aumentam a atividade das enzimas hepáti-
cas. O ácido clorogênico é o antioxidante mais ativo no extrato de alcachofra.
Os extratos obtidos da planta Cynara Scolymus têm ação hepatoestimulante (esti-
mula regeneração de hepatócitos, que são as células do fígado), colerética (estimula pro-
dução e secreção de bile), hipocolesterolêmica (pode reduzir LDL).
Em animais indicou que a suplementação de extrato de alcachofra aumentou o ní-
vel de superóxido dismutase, catalase, glutationa e glutationa peroxidase no fígado, bem
como diminuiu o nível de malondialdeído no fígado e plasma de animais com doença in-
duzida insignificativamente em comparação com o grupo de comparação (Salekzamani
et al. 2019). Apesar de a alcachofra aumentar a atividade de SOD, CAT, assim como a
silimarina e o SAMe não garante que melhoraria os desfechos clínicos.
Em um estudo randomizado (Rangboo et al. 2016), duplo-cego, 60 pacientes com
esteatohepatite não alcoólica receberam 2700mg de extrato de alcachofra ou placebo du-
rante 2 meses. Como resultado, observou-se uma redução nas enzimas hepáticas TGO e
TGP e nos níveis de colesterol total e LDL após a administração, comparado com o placebo.
Um efeito positivo adicional é que também é utilizada no tratamento da dispepsia
(gastrite, gastropatia nervosa, refluxo), fazendo com que seja um adjuvante no descon-
forto gástrico com o uso de esteroides orais (dianabol e hemogenin, por exemplo).
Dosagem recomendada: 500 a 2000mg por dia, fracionados de 2 a 3 tomadas.
Para amenizar colaterais de refluxo e queimação com o uso de esteroides orais, 300
a 1000mg/dia.
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DANOS PSICOLÓGICOS
87
19.
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CAPÍTULO 19
DANOS PSICOLÓGICOS
O
uso de drogas para estimulação humana ou anabólicas diferem de outras formas
de uso de drogas em virtude da motivação ou propósito de seu uso. Normalmen-
te, eles não são consumidos nem para o tratamento de uma doença ou lesão,
nem para gratificação instantânea por meio de suas propriedades psicoativas. Em vez
disso, sua função é uma tentativa de mudar a aparência de um indivíduo ou melhorar uma
habilidade, ou a performance em algum exercício físico (Evans et al. 2012).
Nos últimos 30 anos, houve um crescimento da mídia, das políticas e do interesse
acadêmico por essa forma de uso de drogas, em particular a classificação de drogas usa-
das para aumentar o tamanho e a força da musculatura. Os mais notáveis nesta categoria
são os esteroides anabólicos androgênicos (Kanayama et al. 2018).
O uso a longo prazo de esteroides em altas doses pode levar ao desenvolvimento
de uma série de sintomas de abstinência após a cessação, incluindo depressão, insônia,
ideação suicida e fadiga, distúrbios de imagem que podem persistir por muitos meses
(Kashkin, 1989).
A dismorfia muscular e o impulso associado para a musculatura podem ser fato-
res de risco para o uso inicial e contínuo de esteroides e, potencialmente, dependência
(Rohman, 2009).
Durante o uso, vários estudos têm mostrado associação entre o uso de esteroi-
89
Funções executivas são essenciais para a saúde mental e física e o funcionamento
social adaptativo. A disfunção executiva está associada a vários transtornos, incluindo
transtorno de déficit de atenção, hiperatividade e transtorno por uso de substâncias.
No entanto, a relevância cognitiva e as implicações são amplamente desconheci-
das e, até onde sabemos, nenhum estudo testou associações entre funções executivas e
dependência de esteroides (Hauger et al. 2020).
Mas sabemos que existe de fato uso de muitas substâncias além de esteroides an-
drogênicos no estilo de vida bodybuilding, o que acaba fazendo com que haja automedi-
cação em vista de controle de colaterais psicológicos.
Evidências acumuladas mostram que os esteroides podem causar uma síndrome
de dependência, na qual os indivíduos podem usar esses medicamentos quase continua-
mente por anos, muitas vezes, apesar dos efeitos adversos (Kanayama et al. 2010).
Ainda em Kanayama (2010) foram hipotetizados 3 possíveis mecanismos de depen-
dência de esteroides androgênicos, sendo que 2 desses mecanismos envolvem os efeitos
genômicos de esteroides, por meio dos quais esses hormônios se ligam aos receptores
androgênicos intranucleares, ativando a produção de transcrição de RNA mensageiro
que, por sua vez, codificam uma ampla variedade de proteínas estruturais, enzimáticas
e receptoras. Entre as ações dessas proteínas estão os efeitos anabólicos (construção
muscular) e androgênicos (masculinização). Os efeitos anabólicos representam a princi-
pal motivação para a maioria das pessoas começarem a usar os anabolizantes.
Os efeitos androgênicos do esteroide exógeno podem causar supressão do eixo
HPT, às vezes levando ao hipogonadismo que pode persistir muito depois de serem inter-
90
intoxicantes clássicas, embora se desenvolva em um curso de tempo mais lento e pro-
vavelmente modulado por mecanismos opioidérgicos (Wood, 2008). Embora não sejam
geralmente considerados drogas intoxicantes, os esteroides androgênicos podem pro-
duzir efeitos psicoativos potencialmente reforçadores, como aumento da autoconfiança
e agressividade.
Fatores de
Mecanismo Efeitos modulação Mecanismo Tratamentos
molecular hipotéticas de vício possíveis
Gonadotrofina
Uso do AAS Supressão de HPG Recuperação lenta
Fadiga e outros sintomas do coriônica humana
Eixo HPG
hipogonadismo (mecanismo de
reforço negativo) Clomifeno
Hipogonadismo
Pré-disposição a
Ações Não-Genômicas depressão em Depressão (mecanismo de Antidrepressivo
(Que se ligam aos receptores da quadro de reforço negativo)
membrana plasmática) hipogonadismo ECT
91
1) distúrbios subjacentes da imagem corporal, como dismorfia muscular. Mais
músculos, mais estético, em teoria, mais difícil de se aceitar “menor” e menos estético,
causando dependência;
2) hipogonadismo induzido por esteroides e possível consequente depressão
maior. Redução de libido, disfunção sexual e erétil, não aceitação de regressão estética
são exemplos de motivos de reutilização de esteroides;
3) dependência “hedônica” de esteroides, com possível dependência comórbida de
drogas clássicas de abuso. Hedônico significa que seria a dependência “por prazer”.
Futuros estudos longitudinais serão necessários para elucidar a natureza dessas
vias causais hipotéticas e a eficácia de nossas modalidades de tratamento sugeridas.
Uma vez que esses atributos merecem tratamento independentemente de seu lugar na
cadeia de causalidade.
O aumento da agressividade, um colateral de praticamente todos os esteroides, é
inclusive um efeito desejado por alguns fisiculturistas e atletas de powerlifting que de-
sejam otimizar a performance nos treinos, direcionando o comportamento para o treino.
Obviamente atitudes estúpidas são cometidas por pessoas estúpidas, que usam a descul-
pa de esteroides para justificar atitudes estúpidas.
Alguns esteroides como halotestin, boldenona, trembolona e testosterona tem
uma fama maior por aumentar a agressividade. Variações de humor são sentidas prin-
cipalmente com boldenona e trembolona. Não existem estudos diretos sobre o efeito
da trembolona sobre esses neurotransmissores. Então, existe apenas uma especulação
sobre os efeitos colaterais a nível de sistema nervoso central baseado nos estudos com
92
Apesar da pesquisa abrangente e da literatura relacionada à dependência de es-
teroides, ainda existem poucas evidências sobre intervenções eficazes para apoiar a
cessação do uso ou manejo da abstinência. Espera-se que o desenvolvimento de ferra-
mentas de diagnóstico, diretrizes para gerenciamento clínico, e redução de danos, ou o
comissionamento de serviços de saúde, sejam acompanhados por pesquisas e avaliações
robustas. As avaliações até o momento têm sido em pequena escala e carecem de gene-
ralização (Bates et al. 2019).
Dentre os esteroides mais conhecidos em causar distúrbios psicológicos, na prá-
tica, durante o uso, posso elencar os principais: trembolona e boldenona. E na literatura
encontramos estudos com oximetolona, dianabol, testosterona, stanozolol e nandrolona.
Com o uso de trembolona, por exemplo, que é uma droga clássica em fazer altera-
ções graves no SNC, há um rush, picos de dopamina, inicialmente, mas logo em seguida há
uma saturação desse neurotransmissor, posteriormente havendo uma queda significativa.
Existem mecanismos que explicam o fenômeno, um deles seria pela morte do neu-
rônio dopaminérgico causado pelas drogas 19-nor, fazendo com que houvesse menor se-
creção de dopamina. Como não há estudos com trembolona em seres humanos, podemos
encontrar estudos como o de Mhillaj et al. (2015) que revisa a literatura sobre abuso de
esteroides e mudanças no sistema de recompensa em estudos pré-clínicos e clínicos, e
concluiu que os esteroides afetam a expressão de serotonina (5-HT) e observou-se que
em ratos, a nandrolona reduziu as concentrações de serotonina.
Outro estudo, em ratos, conduzido por Thiblin et al. (1999) examinou os efeitos
de 4 esteroides nos neurônios de dopamina e serotonina e concluiu que o tratamento
93
Obviamente, muitos desses efeitos acima são bastante individuais, e temos que
levar em consideração problemas pessoais, financeiros e afetivos, pelos quais os usuários
estão passando naquele momento.
Dopamina e prolactina são antagônicos, o primeiro um hormônio, o segundo, um
neurotransmissor. A Dopamina é produzida nos neurônios dopaminérgicos na área teg-
mental ventral e no núcleo arqueado do hipotálamo. A Dopamina é o produto químico que
fornece a sensação de recompensa no cérebro. É liberada durante situações agradáveis
e estimula a procura da atividade ou a ocupação agradável. Isto significa que o alimento,
o sexo, e diversas drogas illícitas estimulam igualmente a liberação da dopamina no cére-
bro, particularmente nas áreas tais como o núcleo accumbens e, o córtex pré-frontal. A
Cocaína e as anfetaminas inibem a recaptação da dopamina. A Cocaína é um competidor
do transportador da dopamina que inibe reabsorção da dopamina aumentando a presen-
ça desta, assim como alguns esteroides, mas obviamente, em menor grau.
A prolactina é um hormônio produzido na hipófise e é responsável pela estimu-
lação da mama para produção de leite na gravidez. Após o parto, os níveis de prolactina
diminuem a menos que a mãe amamente. A prolactina é inibida pela dopamina que é se-
cretada por neurônios do hipotálamo.
A elevação dos níveis de prolactina pode gerar redução da sensação de bem-estar,
foco, concentração, redução da libido, redução do fluxo sanguíneo no pênis provocando
dificuldade de ereção, galactorréia (produção de leite em homens), e ainda pode, numa
fase pós ciclo, se elevada, suprimir o eixo HPT (já citei no capítulo 6, onde falo sobre tera-
pia pós ciclo sobre níveis elevados de prolactina na fase pós ciclo).
94
MANEJO NUTRICIONAL E
95
20.
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CAPÍTULO 20
A
s investigações sobre os possíveis efeitos neuroquímicos dos esteroides têm sido
focadas no sistema monoaminérgico (serotonina e dopamina), que, por sua vez,
quando desregulado pode acarretar em comportamentos agressivos, dependên-
cia de drogas e depressão.
Existem fitoterápicos que podem ser adjuvantes na minimização de danos ao SNC,
na melhora da ansiedade, na inibição de proteína beta-amilóide, no aumento do efeito
colinérgico e efeito dopaminérgico. Porém, a literatura não é unânime em suas conclu-
sões, ainda mais para efeitos deletérios dos esteroides ao sistema nervoso central.
Temos que lembrar que não temos muitos estudos avaliando os danos dos esteroi-
des ao SNC, mas podemos correlacionar a melhora de alguns desses efeitos encontrados
à determinadas substâncias, mesmo que de forma análoga.
Mucuna Puriens
Mucuna Puriens, é uma leguminosa encontrada principalmente na África, Índia
e Caribe, atualmente muito usada no quadro de hipofunção sexual por aumentar níveis
séricos de testosterona (caso haja inibição por prolactina) e possui em sua composição
alcaloides mucunina, mucunadina e prurienidina, beta-sitosterol e L-dopa (ou levodopa),
este último precursor de dopamina.
Panax Ginseng
O Ginseng tem uma história de consumo medicinal de 5.000 anos e compreende
mais de quarenta saponinas bioativas (conhecidas como ginsenosídeos), que exercem
efeitos antifúngicos, antivirais e antibacterianos na planta.
Novamente, este suplemento nutricional derivado de terpeno demonstra eficácia
na interação com vários sistemas fisiológicos, incluindo atuar como um antioxidante, es-
timulando a produção de óxido nítrico e atuando como um ligante para receptores de gli-
cocorticóides e andrógenos, interações que, entre outras, aumentam a função imunoló-
gica, aumentam a função do SNC e previnem DCV e outras doenças em modelos animais.
97
O segundo ensaio é um acompanhamento de pacientes neste mesmo ensaio após
24 semanas, onde uma melhora significativa no Mini Exame do Estado Mental Coreano foi
evidenciada após 4,5 e 9g/dia de ginseng e mantida em 48 e 96 semanas (Heo et al. 2011).
Ginkgo Biloba
Os extratos da folha de Ginkgo Biloba contém vários componentes bioativos,
que incluem diterpenos, ginkgolídeos, o sesquiterpeno bilobalídeo e uma variedade
de flavonóides.
Os efeitos sinérgicos desses fitoquímicos resultam em interações com vários sis-
temas do SNC, que deveriam atenuar o declínio neurocognitivo. Estes incluem uma re-
gulação para cima do neurotransmissor vasorrelaxatório de óxido nítrico e um aumento
resultante no fluxo sanguíneo cerebral, uma regulação para baixo na desaminação enzi-
mática de neurotransmissores monoaminérgicos, eliminação de radicais livres e neuro-
proteção, que inclui neurotoxicidade beta-amilóide reduzida. Essas interações apoiam a
prescrição de ginkgo por milênios nas formas tradicionais de medicina oriental para dis-
túrbios da velhice, incluindo Doença de Alzheimer e os efeitos benéficos observados em
modelos animais in vitro e in vivo de Doença de Alzheimer, onde a atenuação do declínio
cognitivo foi observada no camundongo com Alzheimer frequentemente relatado como
sendo devido à proteção contra o estresse oxidativo induzido por beta-amiloide. Testes
modernos de intervenção controlada em seres humanos também produziram alguns re-
sultados positivos (Wightman, 2017).
Em 2010, uma revisão de nove estudos, compreendendo 2372 pacientes com vá-
98
Rhodiola Rosea
Rhodiola rosea é uma bienal de floração cultivada em regiões de alta latitude e
altitude do mundo. Faz parte dos sistemas de medicina tradicional em partes da Europa,
Ásia e Rússia há séculos.
Mais recentemente, Rhodiola rosea tem recebido atenção da comunidade científi-
ca por sua potencial capacidade terapêutica como adaptógeno.
Adaptógenos são mais comumente produtos fitoterápicos naturais que não são
tóxicos em doses normais, produzem uma resposta não específica e têm uma influência
fisiológica normalizadora.
Da mesma forma, Rhodiola tem sido referida como um auxílio ergogênico, ou seja,
uma erva usada para melhorar o desempenho físico e mental. As indicações comuns re-
lativas à capacidade adaptogênica e ergogênica de Rhodiola rosea incluem aumento de
desempenho, redução da fadiga e alívio dos sintomas de depressão.
Olsson et al. (2009) num estudo duplo-cego avaliou a eficácia de um extrato de
Rhodiola rosea, 60 indivíduos foram randomizados para receber 576mg de preparação
de Rhodiola rosea ou placebo por dia durante 28 dias. A fadiga mental, medida pela es-
cala de Burnout de Pines, foi o resultado primário. Outros resultados avaliados foram
depressão (Montgomery-Asberg Depression Rating Scale, MADRS), qualidade de vida
(Medical Outcomes Study Short form questionário de 36 itens, SF-36), atenção (Conners
Computerized Continuous Performance Test II, CCCPT II) e “efeito anti-fadiga” (resposta
ao cortisol da saliva após o despertar). Todos os resultados foram medidos antes e após
o período de tratamento. As pontuações da escala de Burnout de Pines e atenção melho-
99
Huperzine A
A Huperzine A, derivada da erva chinesa Huperzia serrata, foi identificada por
cientistas na China na década de 1980 como um potente inibidor seletivo reversível da
acetilcolinesterase, que tem mecanismo de ação semelhante ao donepezila, rivastigmina
e galantamina, que são fármacos utilizados no tratamento de Alzheimer e Parkinson.
Um grande número de estudos pré-clínicos e ensaios clínicos mostraram o efeito po-
tencial da Huperzine A no tratamento da Doença de Alzheimer. Uma revisão sistemática da
Cochrane publicada em 2008 envolvendo 6 estudos randomizados com 454 participantes
com Doença de Alzheimer sugeriu que a Huperzine A parecia ter alguns efeitos benéficos
sobre a doença, no entanto, devido à baixa qualidade metodológica e pequeno tamanho da
amostra, ainda havia evidências insuficientes para recomendação clínica (Li J et al. 2008).
Rafii et al. (2011) avaliou a segurança, tolerabilidade e eficácia da huperzine A em
210 pacientes com Doença de Alzheimer leve a moderada. Os pacientes foram randomi-
zados para receber placebo ou huperzine A (0,2mg ou 0,4mg duas vezes ao dia), por pelo
menos 16 semanas. Huperzine A em uma dose de 0,2mg duas vezes ao dia foi ineficaz,
mas algumas análises secundárias neste estudo sugeriram que a dose mais alta, 0,4mg
duas vezes ao dia, pode melhorar a cognição; é preciso que haja mais estudos para iden-
tificar a dose máxima tolerada e avaliar os efeitos tanto positivos quanto negativos do
tratamento de longo prazo.
Embora algumas dessas pesquisas sejam promissoras, não há evidências suficien-
tes para tirar conclusões firmes sobre a eficácia da huperzine A para distúrbios cognitivos.
Muitas vezes procuramos substâncias que, na teoria, podem causar melhora da
5-HTP
O L-5-hidroxitriptofano (5-HTP) é produzido a partir do triptofano pela triptofano
hidroxilase (TPH) e sua descarboxilação produz serotonina (5-hidroxitriptamina, 5-HT),
um neurotransmissor monoamina envolvido na modulação do humor, cognição, recom-
pensa, aprendizagem, memória, sono e vários outros processos fisiológicos.
A serotonina é posteriormente transformada em melatonina, o hormônio liberado
principalmente pela glândula pineal que regula o ciclo sono-vigília.
100
O 5-HTP também desempenha um papel importante em doenças neurológicas e
metabólicas e sua síntese a partir do triptofano representa a etapa limitante na biossín-
tese de serotonina e melatonina (Walther e Bader, 2003).
Se por um lado a baixa de serotonina é responsável por várias doenças, entre elas a
depressão, seu excesso pode ser problemático. A hiperatividade serotonérgica induzida
por medicamentos causa a síndrome da serotonina, que resulta do uso medicamentos
antidepressivos e outras drogas (MDMA, LSD, Cocaína), e são caracterizadas pela tríade
de estado mental alterado, disfunção autonômica e anormalidades neuromusculares.
Em pacientes com transtorno de pânico, o 5-HTP reduziu significativamente a rea-
ção ao desafio de pânico, em relação ao número de ataques de pânico, pontuação de sinto-
mas de pânico e ansiedade subjetiva, quando comparado ao placebo (Schruers et al. 2002).
Em indivíduos normais tratados com 5-HTP, o sono REM aumentou de 5 para 53%
da linha de base do placebo (Wyatt et al. 1971).
Um estudo recente conduzido por Meloni et al. (2020) em um único centro, ran-
domizado, duplo-cego, controlado por placebo, ensaio cruzado, os pacientes que recebe-
ram placebo e 50mg de 5-HTP por dia durante um período de 4 semanas experimentaram
uma melhora significativa dos sintomas depressivos durante o tratamento em compara-
ção com placebo, fornecendo evidências preliminares do benefício clínico do 5-HTP para
o tratamento de sintomas depressivos em Doença de Parkinson.
Se por um lado, em alguns casos o uso de 5-HTP pode não ser recomendado em hu-
manos (como no caso da síndrome da serotonina), por outro, o suplemento tem se mos-
trado eficaz no tratamento neurológico e de doenças metabólicas. A maioria dos ensaios
Considerações finais
A melhora da capacidade cognitiva pode ser por meio de plantas adaptógenas ou
por meio de nootrópicos (smart drugs, ou drogas inteligentes) citadas neste capítulo. As
plantas adaptógenas ou plantas nootrópicas contém substâncias capazes de induzir um
estado de resistência aumentada não específica que permite: contrariar os sinais de es-
tresse (anti-estresse); ou adaptar-se a um esforço excepcional, por exemplo, aumentar
concentração e foco em um exercício sem aumentar a frequência cardíaca.
101
Em tese são capazes de aumentar a capacidade de adaptação do organismo aos
fatores ambientais; e ainda possuem efeitos neuroprotetores, melhorando a função cog-
nitiva em caso de fadiga, depressão, astenia.
Por essas substâncias melhorarem aspectos de cognição, poderiam ajudar a me-
lhorar a memória, motivação, capacidade de aprendizagem por aumentarem o fluxo
sanguíneo ao cérebro, promoveriam a neurogênese, tendo ação estimulante do sistema
nervoso central.
Existem substâncias não elencadas neste e-book que poderiam também ser cita-
das aqui como: Vitex Agnus Castus, L-tirosina, Fosfatidilcolina, Bacoopa Monnieri. Po-
rém, carecem de mais estudos de longo prazo relacionados aos problemas psicológicos
que também podem ser causados pelos esteroides.
No entanto, no bodybuilding, com o uso de substâncias neurotóxicas, ansiogênicas
como trembolona, nandrolona, boldeonona, as quais podem agir por diversos mecanis-
mos, muitos deles semelhantes à gênese de doenças graves como Alzheimer e Parkinson,
na maioria dos casos, só os fitoterápicos não ajudariam a controlar os efeitos psicológicos
adversos, principalmente quando falamos em doses altas e por tempo prolongado. Na
grande maioria dos casos, pode ser necessária a utilização de medicamentos, antidepres-
sivos ou antiprolactinêmicos, sempre com supervisão de um médico.
102
AROMATIZAÇÃO E GINECOMASTIA
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21.
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CAPÍTULO 21
AROMATIZAÇÃO E GINECOMASTIA
A
aromatização é um processo natural que ocorre no organismo humano. Em ho-
mens, cerca de 0,3 a 0,5% da testosterona se converte em estradiol, a forma de
estrogênio biologicamente ativa. Essa conversão acontece mediante a ação de
uma enzima chamada aromatase.
Entre os colaterais associados à aromatização podemos citar a ginecomastia, retenção
hídrica ocasionando aumento da pressão arterial, e supressão do eixo por feedback negativo.
Sobre o último item citado (supressão do eixo), eu abordo de forma detalhada no
capítulo de Terapia pós ciclo.
Obviamente que o aumento da retenção hídrica pode depender de outros fatores
como hidratação diária e contexto dietético.
Como irei abordar de colaterais por aromatização, estamos falando de controle de
estrogênio. E este controle é um dos mais sensíveis quando o assunto é uso de hormônios
de forma exógena. Nosso temperamento, função sexual, libido, níveis hidroeletrolíticos,
e níveis de colesterol são regulados pelo estrogênio, logo, suprimi-lo demais pode ser um
tiro no pé.
Existem pessoas que ao fazer uso de testosterona e derivados já iniciam de
pronto o uso de inibidores de aromatase, mas na maioria dos casos, pode ser total-
mente desnecessário.
105
A prolactina é um hormônio secretado pela adenohipófise que tem como função prin-
cipal estimular a produção de leite e crescimento de mamas em mulheres grávidas e lactan-
tes. Existem dois mecanismos pelos quais a prolactina pode se elevar pelo uso de esteroides:
1) pelo excesso de aromatização, pois níveis elevados de estrogênio estimulam a
produção de prolactina;
2) Pelo uso de drogas progestênicas como trembolona e nandrolona, que tem po-
tencial de reduzir a produção de dopamina, e menores níveis de dopamina, maior secre-
ção de prolactina pelos lactotrofos.
É de suma importância fazer o controle por meio de exames de forma frequente.
Dentre os exames que devem ser realizados quando os primeiros sintomas aparecem (sen-
sibilidade, coceira, dor) incluem: testosterona total, estradiol e prolactina. Com esses exa-
mes em mãos podemos saber com clareza o por que da ginecomastia estar acontecendo.
Cerca de 0,3% da testosterona é convertida em estradiol. Com base nisto, se en-
contramos um usuário fazendo uso de 500mg de durateston por semana, com queixa de
sensibilidade no mamilo com caroço/nódulo pequeno no mamilo, e nos exames encontra-
mos os seguintes parâmetros:
1) Testosterona total: 2800ng/dL
Valores de referência giram em torno de 300ng/dL a 900ng/dL. Doses de
Terapia de reposição giram em torno de 100mg de testosterona semanal, e os
valores atingem 500-700ng/dL no pico plasmático. Então os níveis de testoste-
rona 500mg (5x mais que uma TRT) estão de acordo com a dose utilizada;
2) Estradiol: 149 pg/mL
106
O tratamento farmacológico padrão é o uso de SERMs, que modulam seletivamen-
te alguns tecidos. Em alguns é agonista, em outros, antagonista (DEVOTO et al. 2007).
No caso do uso em processos de ginecomastia os mais utilizados são o Tamoxifeno
de 20 a 40mg por dia e o Clomifeno de 50 a 100mg por dia (Haluch, 2019).
Além de SERMs, a depender do caso, pode ser necessário a utilização de inibidores
de aromatase, como anastrozol, letrozol e exemestano, para reduzir os níveis de estra-
diol se estiverem bastante elevados. No exemplo hipotético acima, muito provavelmente
o paciente precisaria utilizar, além do SERM, algum inibidor de aromatase.
Os usuários que não têm êxito no controle do processo de ginecomastia desen-
volvem a ginecomastia crônica. A terapia farmacológica é provavelmente benéfica se im-
plementada nos primeiros meses antes que o tecido fibroso substitua o tecido glandular,
um processo que é irreversível. Se a ginecomastia persistir e estiver associada a dor ou
sofrimento psicológico, e o paciente desejar buscar tratamento, opções farmacológicas e
cirúrgicas estão disponíveis (Johnson et al. 2011).
Dentre os procedimentos cirúrgicos disponíveis nos deparamos com a mastecto- Licensed to Micael Nadcimento - [email protected] - HP0456187404
mia subcutânea, que envolve a ressecção direta do tecido glandular usando uma abor-
dagem periareolar ou transareolar, com ou sem lipoaspiração associada. Ressaltando
que é de suma importância procurar um cirurgião experiente para que o resultado es-
tético seja satisfatório.
Para ginecomastias decorrentes de prolactina os fármacos mais utilizados são os
agonistas dopaminérgicos como cabergolina e bromocriptina.
Cabergolina é um medicamento mais potente que a bromocriptina. Em um estudo
onde se comparou o efeito das duas drogas, de 27 pacientes com prolactinomas (um tipo
107
de tumor hipofisário) resistentes a bromocriptina, a cabergolina conseguiu reduzir os ní-
veis de prolactina em 70% (23 pacientes), Musolino et al. (2000).
Num estudo com 272 pacientes, cabergolina 1mg administrada em dose única no
prazo de 27 horas após o parto foi tão eficaz quanto o esquema com bromocriptina 2,5mg
duas vezes ao dia durante 14 dias para inibir a lactação (BMJ, 1991).
É de suma importância compreender a potência farmacológica, bem como ter pro-
fissionais capacitados para fazer o acompanhamento, para uma boa análise dos resulta-
dos em exames, cruzar com a clínica do paciente, sintomatologia e saber quais drogas e
em que dosagens utilizar em determinados casos.
108
CONTROLE NUTRICIONAL E
FITOTERÁPICO NA GINECOMASTIA
109
22.
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CAPÍTULO 22
M
ais uma vez, é importante deixar claro que os recursos farmacológicos são,
de longe, muito mais potentes que os recursos nutricionais. Os compostos
citados a seguir não tem comprovação clínica, mas é necessário citar o que
temos na literatura.
Ginecomastia é resultado de distúrbios hormonais e é causa de não aceitação,
de vergonha, e de problemas psicológicos. É preciso ter cautela quando surgem os
primeiros sintomas.
Nunca tente controlar uma ginecomastia com recursos não medicamentosos e
procure sempre um médico competente para tratá-la. Como falei anteriormente, o trata-
mento inicial deve ser feito com SERMS, pois estes fármacos bloqueiam os receptores de
estrogênio no mamilo. Lembrando que foram fármacos criados, inicialmente, para tratar
câncer de mama.
Vamos lá…
Indol-3-Carbinol (I3C)
O I3C está presente sobretudo em crucíferos (brócolis, agrião, repolho) ou brássi-
cas que possuem fitoquímicos que podem ter ação anti-estrogênica.
Durante a trituração, a glucobrassicina, o glicosinolato mais comumente estudado,
Crisina
Compostos naturais como a crisina tem alta concentração no mel e no própolis,
111
um componente como a crisina na atividade da aromatase. A mistura de flavonóides nos
alimentos pode ter um efeito inibitório ou indutivo sobre a enzima aromatase ou outra
enzima que atua na antioxidação ou antiinflamação, (Gambelunghe et al. 2003).
Uma vez que grande parte da pesquisa é realizada in vitro, estudos in vivo são ne-
cessários para avaliar a potência de inibição da aromatase pela crisina.
Outros compostos
Encontramos na literatura alguns outros compostos que podem ter um potencial
de inibição de enzima aromatase, porém são bem inconclusivos.
Low et al. (2013) mostrou que a Eurycoma longifolia ou Long Jack inibiu a aroma-
tase, no entanto, mais estudos são necessários para confirmar esse achado.
Outro composto que poderia ter potencial de inibição de aromatase seria o resve-
ratrol. Estudos com câncer de mama evidenciam uma importante ação do resveratrol na
redução da atividade da aromatase (SINHA et al. 2016).
E por último, um composto já citado nesta obra, o Ginkgo biloba. As atividades da
aromatase foram inibidas por Ginkgo biloba tanto em células JEG-3 (que são células ca-
pazes de transformar precursores de esteróides em estrona e estradiol), quanto em enzi-
mas aromatase recombinantes.
Kim et al. (2013) mostraram que o Ginkgo biloba diminuiu de forma dependente
da dose a expressão do gene da aromatase. A partir desse resultado, Kim et al. (2013)
concluíram que o Ginkgo biloba poderia atuar como um inibidor de aromatase tanto nos
níveis enzimáticos quanto transcricionais. No entanto, o estudo foi realizado in vitro,
112
COLATERAIS ANDROGÊNICOS
113
23.
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CAPÍTULO 23
COLATERAIS ANDROGÊNICOS
O
s efeitos colaterais de natureza androgênica estão entre os mais comuns e re-
latados por usuários de esteroides. Dentre eles, podemos citar acne, aumento
de obesidade da pele, queda de cabelo, virilização em mulheres (clitoromegalia,
hirsutismo, engrossamento da voz).
Os colaterais androgênicos são muito comuns em usuários de esteroides, princi-
palmente no caso de drogas que sofrem ação da enzima 5 alfa-redutase, convertendo
a testosterona em dihidrotestosterona (DHT) ou seus análogos nos tecidos periféricos.
Dentre os análogos do DHT podemos citar a dihidronandrolona (DHN), a dihidro-
metandrostenolona (DHM), e a dihidroboldenona (DHB), sendo o metabolismo na nan-
drolona o mais fraco de todos. Mas nem por isso o uso garante que não haverá colaterais,
visto que a individualidade sempre fala mais alto.
A ativação do receptor androgênico pode transcrever genes relacionados à andro-
genicidade sem que haja conversão pela enzima 5 alfa-redutase. É o caso de mulheres
que usam derivados do DHT como oxandrolona, primobolan, masteron e stanozolol, que
são esteroides que sofrem ação da enzima 5 alfa-redutase, e mesmo assim apresentam
colaterais androgênicos, simplesmente pela ativação do receptor.
A redução dos colaterais androgênicos, por exemplo, redução da oleosidade da
pele e acne pode ser alcançada bloqueando a ligação da DHT ao receptor androgênico
116
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CAPÍTULO 24
N
o capítulo 4 falei sobre os metabólitos da testosterona, dentre eles o DHT, pela
transformação pela enzima 5-alfa-redutase. Dentre os efeitos do DHT elevado
estão a hipertrofia benigna da próstata, aumento de acne, queda de cabelo (alo-
pecia) e aumento de virilização em mulheres.
Alopecia androgenética é o tipo mais comum de perda de cabelo (em homens e mu-
lheres) após a puberdade. Obviamente, o fato de usar esteroides anabolizantes aumen-
ta exponencialmente as chances de ter colaterais como esse. E é fato que medicamentos
como a finasterida e dutasterida, num longo prazo podem causar colaterais como redução
da libido, disfunção erétil e redução do volume ejaculatório, como citei anteriormente.
Por isso, a fitoterapia poderia agir como algo acessório no controle da androgeni-
cidade, por ter um potencial de efeito adverso menor.
Saw Palmetto
Também conhecido como Serenoa repens, é uma planta de prescrição exclusiva-
mente médica. Os inibidores de 5 alfa-redutase diminuem os níveis de DHT disponíveis
nos tecidos da próstata e folículos capilares. Além desse efeito, os efeitos farmacológicos
do Saw palmetto incluem antiandrogênicos, efeitos antiproliferativos e efeitos anti-infla-
Pygeum Africanum
Pygeum africanum, um extrato da casca da ameixa africana, tem sido utilizado na
Europa desde 1969 para o tratamento de hiperplasia benigna da próstata sintomática
leve a moderada.
Conhecida como madeira de ferro ou cereja africana, está relacionada à redução
dos níveis de DHT pela redução da expressão da enzima 5 alfa-redutase.
Em modelos animais, o Pigeum africanum modula a contratilidade da bexiga, tem
atividade anti-inflamatória, diminui a produção de leucotrienos e outros metabólitos da
5-lipoxigenase, inibe a produção de fibroblastos, afeta os andrógenos adrenais e restaura
118
Piper Nigrum
Popularmente conhecida como pimenta do reino, muito utilizada na culinária, o
Piper nigrum é rico em piperina, um dos principais alcalóides constituintes da pimenta-
-do-reino, que parece exercer atividades antitumorais em vários tipos de câncer.
O Piper nigrum também exibiu efeito anticâncer contra uma série de linhas celulares
de mama, cólon, cervical e próstata por meio de diferentes mecanismos, incluindo citotoxi-
cidade, apoptose, autofagia e interferência com vias de sinalização (Takooree et al. 2019).
O mecanismo de ação não é muito bem elucidado, mas parece que a piperina pare-
ce inibir a proliferação de células de câncer de próstata (Samykutty et al. 2013).
Em Hirata et al. (2007) o Piper nigrum mostrou uma possível atividade inibitória
da enzima 5 alfa-redutase pela primeira vez, mas necessitando de mais estudos para con-
firmar e validar esses achados.
Considerações finais
As substâncias elencadas neste capítulo podem ser adjuvantes no processo de re-
dução de alguns colaterais androgênicos, sendo o mais bem estudado a hipertrofia benig-
na da próstata. No entanto, na redução de colaterais androgênicos comuns como acne,
alopecia, virilização em mulheres não temos dados consistentes.
É preciso ter consciência de que os colaterais são uma forma de o corpo se expressar
em relação à não-metabolização da quantidade de esteroides que estão sendo utilizados.
Com isso em mente, podemos nos questionar o seguinte: antes de pensar em utili-
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DA FUNÇÃO SEXUAL
REDUÇÃO DE LIBIDO E/OU
120
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CAPÍTULO 25
E
m decorrência de todos os efeitos colaterais endócrinos, metabólicos, sociais e
estéticos, geralmente associados ao uso de esteroides anabólico-androgênicos, é
comum indivíduos pensarem numa alternativa mais natural de elevar os níveis de
testosterona produzidos pelo organismo, seja em um indivíduo natural ou mesmo duran-
te a fase de pós ciclo de esteroides.
Obviamente, aumentar a testosterona endógena fazendo uso de substâncias
naturais (fitoterápicos) exógenas é inútil, visto que o eixo estará inibido durante o uso
de hormônios.
No entanto, nessa situação podem se beneficiar, por exemplo, de fitoterápicos que
melhoram a libido, que por vários motivos pode estar alterada.
Outro ponto que preciso citar é que efeitos estéticos da testosterona só são obser-
vados em níveis suprafisiológicos, ou seja, aumentar a testosterona de um indivíduo natu-
ral de 400ng/dL para 500ng/dL de nada vai adiantar, pensando em estética e performance.
Diferentemente de um indivíduo que após um ciclo de esteroides, decide fazer
uma terapia pós ciclo (TPC) e decide incluir alguns fitoterápicos para que sua testoste-
rona endógena seja produzida mais rapidamente, ou ainda, melhorar de forma natural o
seu apetite sexual.
Temos que ter consciência que a libido é multifatorial e depende de níveis adequa-
Tribulus Terrestris
O Tribulus terrestris é uma erva rasteira nativa de regiões da África, Ásia e Aus-
trália, pode atuar como adjuvante na manutenção da libido pelo seu caráter afrodisíaco.
Muito se propaga no mundo fitness sobre o aumento da testosterona endógena,
fato este que carece de mais estudos, porém como falado anteriormente, aumentos sig-
nificativos de testosterona visando ganho de massa muscular são somente em níveis su-
prafisiológicos de testosterona.
Hoje em dia o marketing em torno dessa planta é grande. Em 1997 foi publicado
um estudo onde evidenciou-se que a protodioscina, principal saponina presente no tri-
bulus, melhorou a função sexual (Adimoelja e Adaikan, 1997).
122
de extrato de Tribulus terrestris. Não houve diferenças significativas observadas entre o
grupo placebo e o grupo tratado.
Indo de contraponto, diferentes estudos têm demonstrado que os extratos de Tri-
bulus terrestris são eficazes em mulheres com distúrbios sexuais por ter uma ação fa-
vorável em ensaios clínicos sobre o desejo sexual hipoativo em mulheres, bem como no
controle dos sintomas de transição da menopausa (Fatima et al. 2017; Vale et al. 2018).
Se por um lado, estudos com Tribulus terrestris em fertilidade e libido reportam
resultados razoáveis, porém ainda não se confirma nos estudos relacionados ao aumento
da testosterona.
O fato é que, mesmo que não aumentem os níveis de testosterona, garantir uma
melhora na saúde sexual e consequentemente saúde psicológica são de grande valia. No
entanto, mais estudos bem desenhados e controlados são necessários.
Maca Peruana
Outro extrato afrodisíaco, usado no tratamento da impotência sexual, libido baixa e
menopausa. Possui alcalóides, flavonóides, saponinas, taninos e antocianinas que, juntos,
possuem características dos hormônios sexuais, ajudando a regular os ciclos menstruais
e disfunções sexuais como baixo interesse sexual e baixa contagem de espermatozóides.
Possui ainda algumas vitaminas como a vitamina E (relacionada à produção de hor-
mônios sexuais), B1 (melhora das funções sinápticas, melhorando a sensação de prazer),
selênio (espermatogênese), e zinco (produção de testosterona e espermatogênese).
Na mesma linha do Tribulus, os estudos sobre Maca peruana não suportam alte-
123
Long Jack (Eurycomia longifolia)
Também conhecido como ginseng da malásia, tem propriedades afrodisíacas tanto
em homens como em mulheres, além de melhorar a função sexual em homens, provavel-
mente, devido a sua composição contendo alcaloides, compostos fenólicos e triterpenos.
Em um estudo (Henkel et al. 2014) 25 indivíduos consumiram 400mg por dia de
Long Jack durante 5 semanas. Entre os homens que participaram do estudo, mostrou-se
que a testosterona total aumentou a partir da quinta semana. Os autores observaram
o aumento da força muscular avaliada por teste de preensão manual em dinamômetro.
Isso foi observado a partir da terceira semana de suplementação.
Outro estudo (Talbott et al. 2013) mostrou que a suplementação de 200mg por
dia de Long Jack em comparação com placebo foi capaz de aumentar os níveis de testos-
terona salivar e redução do cortisol. Outro estudo, evidenciou um aumento dos níveis
de testosterona em homens com hipogonadismo com a suplementação, por 30 dias, de
200mg de Long Jack.
No início do estudo apenas 35,5% dos voluntários apresentavam níveis normais/
fisiológicos de testosterona, ao final do estudo esse número subiu para 90,8%, contri-
buindo para normalizar os níveis desse hormônio em pessoas com deficiência.
Já Ismail et al. (2012) não encontraram aumento da testosterona em 109 homens
com idade entre 30 e 55 anos utilizando 300mg/dia de Long Jack por 12 semanas. Houve
melhora na libido, ereção e motilidade dos espermatozoides.
Chen et al. (2014) avaliaram um total de 13 atletas recreativos, do sexo mascu-
lino, saudáveis, que foram recrutados num estudo cruzado duplo-cego, controlado por
124
Conclusões
Dentre as plantas que são frequentemente utilizadas com o intuito de aumento de
testosterona, aumento de massa muscular e aumento da libido, o Long jack talvez seja a
que possui maior comprovação e maior número de estudos científicos, mesmo que haja
muita controvérsia e muitos vieses metodológicos.
Tribulus e maca, apesar de serem as mais conhecidas, apresentam baixa compro-
vação no aumento de testosterona, e apresentam melhora significativa da libido, lem-
brando que a libido é multifatorial envolvendo muitas questões psicossociais como rela-
ções amorosas, problemas financeiros, questões trabalhistas, privação de sono etc.
Numa fase pós ciclo de esteroides podemos compor um mix com essas substâncias
com o intuito de melhorar a função sexual que pode estar prejudicada.
125
CONSIDERAÇÕES FINAIS
126
26.
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CAPÍTULO 26
CONSIDERAÇÕES FINAIS
D
esde o início desta obra venho falando da importância de ter um acompanhamen-
to médico e nutricional para quem decide fazer uso de esteroides. Há uma con-
trovérsia de opiniões muito grande sobre este acompanhamento médico. Como
nutricionista, obviamente não posso prescrever qualquer tipo de medicamento, quem
dirá, esteroides anabolizantes.
No entanto, existe um quantitativo enorme de indivíduos que fazem uso de forma
leiga, indiscriminada e sem entender muito dos efeitos negativos à saúde.
Muitos pensam que aqueles que optam por usar de forma ilícita (ou para fins não
terapêuticos) devem ser desencorajados ao uso, e não fornecer acompanhamento mé-
dico e nutricional com a justificativa de não estar consentindo o uso. Uma coisa é não
consentir com o uso, outra é deixar aquele ser humano sem qualquer acompanhamento.
A demonização ao uso de esteroides acontece com frequência, seja pela mídia, seja
por profissionais desatualizados ou que não são da área, podendo oferecer mais aversão
ainda à procura de profissionais de saúde.
Todavia, o acompanhamento médico e nutricional, juntos, são uma oportunidade
interessante para o fornecimento de informações sobre o uso, abuso, benefícios, e efei-
tos adversos, além de quais alimentos, fitoterápicos e suplementos poderiam minimizar
os possíveis danos, o que forneceria maior conhecimento ao usuário, e assim, ter um po-
128
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SOBRE O AUTOR
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Licensed to Micael Nadcimento - [email protected] - HP0456187404
SOBRE O AUTOR
Eu sou Rafael Gouveia, nutricionista sob o CRN6 30341.
• Pós graduado em nutrição clínica funcional;
• Pós graduando em Bodybuilding Coach, com ampla experiência na área
esportiva, estética, e de fisiculturismo;
• Professor de interpretação de exames laboratoriais;
• Autor do curso Nutrição no Fisiculturismo.
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